O Resgate da Igreja | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 219
26/02/2026
O Resgate da Igreja | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 219
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Walter McAlister é Bispo Primaz da Aliança das Igrejas Cristã Nova Vida, graduado em Psicologia pela Oral Roberts University e em Estudos Bíblicos pela Eastern Pentecostal Bible College e "Mestre em Teologia pela Reformed Theological Seminary". Foi pastor das igrejas de Nova Vida do Méier, Engenho Novo, Botafogo e Catedral. É casado com Marta e possui dois filhos, Pastor John McAlister e Andrew.
História da Igreja Cristã Nova Vida:
Historicamente consciente
Somos herdeiros de mais de 2.000 anos de testemunho das gerações de cristãos que nos antecederam na fé. Embora não possamos nem devamos imitá-los em todos os aspectos, cremos que há muita riqueza a ser apreciada e resgatada na história da Igreja.
Por isso, em nosso culto a Deus observamos várias das práticas cristãs históricas que consideramos valiosas para fortalecer a fé da Igreja: a confissão do Credo dos Apóstolos (o resumo da fé cristã), a oração do Senhor (“Pai Nosso”), a celebracão semanal da Santa Ceia e a simbologia da Cruz (o símbolo chave do Cristianismo).
Protestante e Reformada
Dentre todas as vertentes históricas do Cristianismo, nos identificamos principalmente com as doutrinas da Reforma Protestante, dentre as quais: a autoridade final das Escrituras Sagradas (Sola Scriptura); a mediação suficiente e exclusiva de Jesus Cristo entre Deus e a humanidade (solus Christus); a necessidade e exclusividade da graça para salvar pecadores (sola gratia); a resposta necessária e suficiente do arrependimento e da fé em Cristo para a salvação (sola fide); a atribuição de glória exclusiva a Deus por toda a obra da Criação, Redenção e Consumação da História (Soli Deo Gloria); e o sacerdócio compartilhado de todos os cristãos na vida e no ministério da Igreja.
Pentecostal de experiência
Finalmente, somos filhos do movimento missionário Pentecostal do século 20 e fruto da obra missionária do Bp. Roberto McAlister, fundador da Igreja Cristã Nova Vida no Brasil em 1960.
Cremos no papel indispensável do Espírito Santo no cumprimento da missão da Igreja, desde a proclamação do Evangelho até a operação e o desenvolvimento da salvação na vida do crente, incluindo a geração do fruto do Espírito e a concessão dos dons espirituais para a edificação de toda a Igreja.
Nossa missão:
Ir ao mundo e fazer discípulos, proclamando o Evangelho de Jesus Cristo, no poder do Espírito, e reunindo esses discípulos em igrejas, para que eles adorem o Senhor e obedeçam aos seus mandamentos, agora e na eternidade, para a glória de Deus, o Pai. [extraído de Kevin DeYoung & Greg Gilbert, Qual a Missão da Igreja?, p.82]
Nossos valores:
Adoração
A motivação principal da Igreja é render glória e honra ao Senhor, desde o culto fervoroso e reverente a Deus até o serviço no mundo, tanto coletivamente como individualmente, seja no ajuntamento dos salvos ou na devoção familiar e particular.
Proclamação
A tarefa principal da Igreja é proclamar toda a Palavra de Deus a todos os homens para o homem todo, dando testemunho do Evangelho de Jesus Cristo por meio da proclamação fiel e do ensino sistemático das Escrituras Sagradas.
Comunhão
O resultado necessário da proclamação e da rendição ao Evangelho é a vida em comunhão com a Igreja do Senhor Jesus, marcada pelo amor mútuo e pela disciplina característica dos discípulos de Cristo.
Testemunho
O testemunho da Igreja é composto do compartilhamento do Evangelho como também de uma vida condizente com este Evangelho daqueles que professam o Senhorio de Jesus Cristo.
Serviço
O testemunho da Igreja envolve também o serviço prestado por cada crente à Igreja e como Igreja, mediante a mordomia tanto das nossas palavras e do nosso tempo como dos nossos recursos e talentos.
Fonte: Bp Walter McAlister
Legendas automáticas:
Non, domine Cristo [música] se >> como um pentecostal que aprendeu a e abraçou as doutrinas da graça. E muito antes de ser moda, eu tenho sempre procurado aprender mais sobre a igreja e sobre a fé para poder transmitir isso à minha igreja. Não faço isso para enfeitar, mas para promover vigor espiritual, tanto na minha vida pessoal quanto na vida dos que me ouvem e os que eu lidero. Isso tem me levado a ficar atento ao que percebo ser o movimento do Espírito Santo em cada período da minha vida e da própria igreja historicamente. Também tenho tentado inteiro os movimentos da igreja e da sociedade, porque as duas coisas são ligadas. Claro, tem, eu tenho muitos interesses que eu sigo, tanto nas minhas leituras quanto nos canais que escolho para assinar no YouTube. YouTube, por sinal, pode ser uma fonte riquíssima de recursos pedagógicos, teológicos e filosóficos. Pode também ser uma ponte inesgotável de coisas inúteis que só roubam o nosso tempo. E saber a diferença entre uma e outra é fundamental. Bom, tenho percebido que há uma busca de transcendência e de espiritualidade em nossos dias. É uma reação à geração que tentou apagar a dimensão espiritual da sociedade e do discurso público. Movimentos filosóficos, políticos e comerciais reduziram tudo ao que era apenas prático ou útil, condenando o resto à irrelevância. Marx, por exemplo, disse que a religião era o óbio do povo. O fórum mundial disse que a humanidade seria refeita por meio da tecnologia. E recentemente o mundo vem sendo deslumbrado com imagens e sons criados por inteligência artificial. Inteligência artificial tem nos maravilhado e nos assustado ao mesmo tempo, né? Recentemente a música, "Meu amigo Flávio viralizou em versões múltiplas de estilos musicais das mais diversas, com imagens acompanhando que realmente é muito divertido ver. mostra a capacidade do computador de apresentar uma realidade alternativa que ninguém duvida ser uma fabricação. Mas essas inovações, que são apenas as últimas versões de uma série de evoluções na cultura e comunicação, criaram também um certo um certo nervosismo, um desassossego em nós. Vivemos dentro de uma realidade inventada, uma matriz, um matrix, né? que é mediada, né? Através da máquina. Estamos cada vez mais fora de contato com o que é real. A realidade não pode ser aprendida por meio de uma telinha na sua mão, nem numa tela sentada à sua escrivaninha. E embora não pensemos sobre isso explicitamente, bem no íntimo, ainda está desconfortável ver isso tudo. Eu sinto desconforto. Algo e em nós diz isso, não é normal. É legal, mas não é normal. Está tudo bem, mas está esquisito. A própria alma humana quer e precisa de algo sólido sobre o qual pode ser construído o mundo. Queremos algo com raízes, algo confiável. Queremos segurança mental, queremos algo bom, verdadeiro. Disney, para quem já foi lá, parece uma experiência incrível, mas ninguém quer morar no castelo da Cinderela. Temos que voltar para casa, mesmo que tragamos o Micky para colocar na antena do nosso carro ou uma camiseta para lembrar. No âmbito da fé, muitos sentem esse desossego. Salas de exibição pintadas de preto e com um telão que cobre a parede atrás do palco com luzes de ribalta. pode encantar a classe média festiva, mas em algum momento alguém quer ouvir um coral, se ajoelhar, tomar a ceia e ouvir as velhas verdades que nortearam os nossos pais na fé, os nossos precursores. Em meio a isso, tanto no âmbito secular quanto no âmbito religioso, percebo uma volta ao culto complicado, sacrificial e pouco palatável para quem quer apenas um show. Chega de sair suado e comovido. Temos que voltar para casa com algo que toca cada um de nós lá no fundo da alma. Algo que nos assombre e que nos provoca a repensar a nossa vida. Fé não pode ser uma alternativa de entretenimento. Sim, porque a nossa vida sempre precisa ser repensada. E no mundo de tantas ondas, é impossível achar que ficar a deriva não seja problemático. As correntes no sugam e quem for paraa praia sabe que com o mar não se brinca. A sua beleza e a diversão de pular e pegar uma onda faz parte de algo maior que pode nos arrastar para o fundo e nos afogar. Achar que podemos ou não podemos ser afogados e arrastados para o fundo das ondas culturais e mediáticas ingenuidade. Ignorar a força de tudo isso que compõe o nosso mundo artificial. Eu sei que muitos estão embriagados e e vivem bebendo desse esgoto. Prova disso é o fato do Big Brother Brasil ainda ter audiência depois de tantos anos. O fato de que há pessoas dispostas a assistir um grupo de pessoas promíscuas e sem nenhuma substância conviver numa casa com brincadeiras bobas e intrigas pessoais, é prova da morte cerebral de boa parte dos que ainda assistem televisão aberta. Quem assiste isso em mais uma edição do Vale a Pena Ver de novo, que nem valeu a pena ver a primeira vez, certamente já foi tragado e sua mente já no fundo do mar, que é a nossa cultura popular. Por outro lado, há pessoas que ainda não queimaram todos os seus neurônios e preservam um pouco de amor próprio. Essas pessoas estão se perguntando: "Onde posso achar algo que oferece algum alento e alimento para a minha mente fam século XX?" O imperativo espiritual é a opção, mas nem todo movimento aparentemente espiritual é do bem. Não existe campo neutro na dimensão espiritual. O mundo espiritual é radicalmente, radicalmente dividido entre o bem e o mal. E não existe uma zona desmilitarizada. Na cultura pop é comum ver cultos satânicos no palco de shows dos maiores artistas do momento. Regado de imagens demoníacas, rituais grotescas, parecem arrebatar multidões de jovens sedentos de algo real. Por outro lado, na igreja, há uma busca de uma espiritualidade mais tangível, mais física. Entra então o movimento litúrgico, que eu considero o movimento bom. Pessoas estão se encantando com as velas, os corais, os ritos, os vestimentas, os rituais, tem os ritos. Mas isso não é moda, é uma busca, é uma angústia que acha lento no que é antigo, que tem a raiz. A volta, a fé clássica nasce do mesmo anseio que impulsionou a a a renascença italiana, a redescoberta de algo que foi tragicamente abandonado para seguir um progressismo que muito prometeu, mas não cumpriu. Muitos estão olhando para trás para tentar resgatar o perdido. Isso não é um retrocesso, é um é um resgate. Então, o que que foi perdido? foi pedido um o vigor de uma fé robusta e operante. Isso foi perdido na intenção de acomodar as necessidades sentidas e preferências pessoais de consumidores da fé. Nós nos esquecemos que a fé não é algo que atende os desejos do mercado. A sua essência nasce no coração de Deus, que é eterno, santo, justo imutável. A sua essência nasce no mistério profundo que nos chama para comungar. Isso não é fácil. Exige algo de nós. Fé fácil é um pastel de vento. É um culto emocionante, é um bombom com muitas calorias, mas sem nenhum valor nutritivo. Mais uma vez eu volto a recomendar o lecionário devocional recém publicado pelo Thomas Nelson. Para muitos pode ser um passo importante na redescoberta da fé operante e da liturgia da vida de alguém que realmente busca a Deus e quer comunhão com Deus. E para vocês, colegas meus do ministério, acrescento que para nós isso pode representar um renascimento da própria igreja, além de uma reforma da nossa própria vida pessoal. Bom, é isso. Antes de ir para você que fica comigo até o fim, quero te lembrar que a cada dia, cada um de nós que cremos em Jesus Cristo tem Deus para glorificar, Jesus para imitar, salvação para desenvolver com temor e tremor, um corpo para glorificar a Deus, pecados para confessar, virtudes para adquirir. O inferno para evitar, o céu para alcançar e a eternidade para não perder de vista. Tempo para remir, vizinhos para servir, um mundo para desfrutar, a criação para cuidar, ofensas para pacientemente suportar, bondades para voluntariamente praticar, justiça para almejar, tentações para vencer e a morte para possivelmente sofrer. E em tudo isso o amor de Deus para nos sustentar. É isso. Até a próxima. A paz