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A fé vem pelo ouvir

O Resgate da Igreja | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 219

O Resgate da Igreja | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 219

O Resgate da Igreja | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 219

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Walter McAlister é Bispo Primaz da Aliança das Igrejas Cristã Nova Vida, graduado em Psicologia pela Oral Roberts University e em Estudos Bíblicos pela Eastern Pentecostal Bible College e "Mestre em Teologia pela Reformed Theological Seminary". Foi pastor das igrejas de Nova Vida do Méier, Engenho Novo, Botafogo e Catedral. É casado com Marta e possui dois filhos, Pastor John McAlister e Andrew.

História da Igreja Cristã Nova Vida:
Historicamente consciente
Somos herdeiros de mais de 2.000 anos de testemunho das gerações de cristãos que nos antecederam na fé. Embora não possamos nem devamos imitá-los em todos os aspectos, cremos que há muita riqueza a ser apreciada e resgatada na história da Igreja.
Por isso, em nosso culto a Deus observamos várias das práticas cristãs históricas que consideramos valiosas para fortalecer a fé da Igreja: a confissão do Credo dos Apóstolos (o resumo da fé cristã), a oração do Senhor (“Pai Nosso”), a celebracão semanal da Santa Ceia e a simbologia da Cruz (o símbolo chave do Cristianismo).
Protestante e Reformada
Dentre todas as vertentes históricas do Cristianismo, nos identificamos principalmente com as doutrinas da Reforma Protestante, dentre as quais: a autoridade final das Escrituras Sagradas (Sola Scriptura); a mediação suficiente e exclusiva de Jesus Cristo entre Deus e a humanidade (solus Christus); a necessidade e exclusividade da graça para salvar pecadores (sola gratia); a resposta necessária e suficiente do arrependimento e da fé em Cristo para a salvação (sola fide); a atribuição de glória exclusiva a Deus por toda a obra da Criação, Redenção e Consumação da História (Soli Deo Gloria); e o sacerdócio compartilhado de todos os cristãos na vida e no ministério da Igreja.
Pentecostal de experiência
Finalmente, somos filhos do movimento missionário Pentecostal do século 20 e fruto da obra missionária do Bp. Roberto McAlister, fundador da Igreja Cristã Nova Vida no Brasil em 1960.
Cremos no papel indispensável do Espírito Santo no cumprimento da missão da Igreja, desde a proclamação do Evangelho até a operação e o desenvolvimento da salvação na vida do crente, incluindo a geração do fruto do Espírito e a concessão dos dons espirituais para a edificação de toda a Igreja.

Nossa missão:
Ir ao mundo e fazer discípulos, proclamando o Evangelho de Jesus Cristo, no poder do Espírito, e reunindo esses discípulos em igrejas, para que eles adorem o Senhor e obedeçam aos seus mandamentos, agora e na eternidade, para a glória de Deus, o Pai. [extraído de Kevin DeYoung & Greg Gilbert, Qual a Missão da Igreja?, p.82]

Nossos valores:
Adoração
A motivação principal da Igreja é render glória e honra ao Senhor, desde o culto fervoroso e reverente a Deus até o serviço no mundo, tanto coletivamente como individualmente, seja no ajuntamento dos salvos ou na devoção familiar e particular.
Proclamação
A tarefa principal da Igreja é proclamar toda a Palavra de Deus a todos os homens para o homem todo, dando testemunho do Evangelho de Jesus Cristo por meio da proclamação fiel e do ensino sistemático das Escrituras Sagradas.
Comunhão
O resultado necessário da proclamação e da rendição ao Evangelho é a vida em comunhão com a Igreja do Senhor Jesus, marcada pelo amor mútuo e pela disciplina característica dos discípulos de Cristo.
Testemunho
O testemunho da Igreja é composto do compartilhamento do Evangelho como também de uma vida condizente com este Evangelho daqueles que professam o Senhorio de Jesus Cristo.
Serviço
O testemunho da Igreja envolve também o serviço prestado por cada crente à Igreja e como Igreja, mediante a mordomia tanto das nossas palavras e do nosso tempo como dos nossos recursos e talentos.

Legendas automáticas:

Non,
domine
Cristo [música]
se
>> como um pentecostal que aprendeu a e
abraçou as doutrinas da graça. E muito
antes de ser moda,
eu tenho sempre procurado aprender mais
sobre a igreja e sobre a fé para poder
transmitir isso à minha igreja. Não faço
isso para enfeitar,
mas para promover vigor espiritual,
tanto na minha vida pessoal quanto na
vida dos que me ouvem e os que eu
lidero.
Isso tem me levado a ficar atento ao que
percebo ser o movimento do Espírito
Santo em cada período da minha vida e da
própria igreja historicamente.
Também tenho tentado inteiro os
movimentos da igreja
e da sociedade, porque as duas coisas
são ligadas. Claro, tem, eu tenho muitos
interesses que eu sigo, tanto nas minhas
leituras quanto nos canais que escolho
para assinar no YouTube. YouTube, por
sinal, pode ser uma fonte riquíssima de
recursos pedagógicos, teológicos e
filosóficos. Pode também ser uma ponte
inesgotável de coisas inúteis que só
roubam o nosso tempo. E saber a
diferença entre uma e outra é
fundamental. Bom,
tenho percebido que há uma busca de
transcendência e de espiritualidade em
nossos dias.
É uma reação à geração que tentou apagar
a dimensão espiritual da sociedade e do
discurso público. Movimentos
filosóficos, políticos e comerciais
reduziram tudo ao que era apenas prático
ou útil, condenando o resto à
irrelevância.
Marx, por exemplo, disse que a religião
era o óbio do povo. O fórum mundial
disse que a humanidade seria refeita por
meio da tecnologia. E recentemente o
mundo vem sendo deslumbrado com imagens
e sons criados
por inteligência artificial.
Inteligência artificial tem nos
maravilhado e nos assustado ao mesmo
tempo, né? Recentemente a música, "Meu
amigo Flávio viralizou em versões
múltiplas de estilos musicais das mais
diversas, com imagens acompanhando que
realmente é muito divertido ver. mostra
a capacidade do computador de apresentar
uma realidade alternativa que ninguém
duvida ser uma fabricação.
Mas essas inovações, que são apenas as
últimas versões de uma série de
evoluções na cultura e comunicação,
criaram também um certo
um certo nervosismo, um desassossego em
nós. Vivemos dentro de uma realidade
inventada, uma matriz, um matrix, né?
que é mediada, né? Através da máquina.
Estamos cada vez mais fora de contato
com o que é real. A realidade não pode
ser aprendida por meio de uma telinha na
sua mão, nem numa tela sentada à sua
escrivaninha. E embora não pensemos
sobre isso explicitamente,
bem no íntimo, ainda está desconfortável
ver isso tudo. Eu sinto desconforto.
Algo
e em nós diz
isso, não é normal. É legal, mas não é
normal. Está tudo bem, mas está
esquisito.
A própria alma humana quer e precisa de
algo sólido sobre o qual pode ser
construído o mundo. Queremos algo com
raízes, algo confiável.
Queremos segurança mental, queremos algo
bom, verdadeiro.
Disney, para quem já foi lá, parece uma
experiência incrível, mas ninguém quer
morar no castelo da Cinderela. Temos que
voltar para casa, mesmo que tragamos o
Micky para colocar na antena do nosso
carro ou uma camiseta para lembrar.
No âmbito da fé, muitos sentem esse
desossego. Salas de exibição pintadas de
preto e com um telão que cobre a parede
atrás do palco com luzes de ribalta.
pode encantar a classe média festiva,
mas em algum momento alguém quer ouvir
um coral, se ajoelhar, tomar a ceia e
ouvir as velhas verdades que nortearam
os nossos pais na fé, os nossos
precursores.
Em meio a isso, tanto no âmbito secular
quanto no âmbito religioso,
percebo uma volta ao culto
complicado,
sacrificial
e pouco palatável para quem quer apenas
um show.
Chega de sair suado e comovido. Temos
que voltar para casa com algo que toca
cada um de nós lá no fundo da alma. Algo
que nos assombre e que nos provoca a
repensar
a nossa vida. Fé não pode ser uma
alternativa de entretenimento.
Sim, porque a nossa vida sempre precisa
ser repensada. E no mundo de tantas
ondas, é impossível achar que ficar a
deriva não seja problemático.
As correntes no sugam e quem for paraa
praia sabe que com o mar não se brinca.
A sua beleza e a diversão de pular e
pegar uma onda faz parte de algo maior
que pode nos arrastar para o fundo e nos
afogar.
Achar que podemos ou não podemos ser
afogados e arrastados para o fundo das
ondas culturais e mediáticas
ingenuidade. Ignorar a força de tudo
isso que compõe o nosso mundo
artificial.
Eu sei que muitos estão embriagados
e e vivem bebendo desse esgoto. Prova
disso é o fato do Big Brother Brasil
ainda ter audiência depois de tantos
anos. O fato de que há pessoas dispostas
a assistir um grupo de pessoas
promíscuas e sem nenhuma substância
conviver numa casa com brincadeiras
bobas e intrigas pessoais, é prova da
morte cerebral de boa parte dos que
ainda assistem televisão aberta.
Quem assiste isso
em mais uma edição do Vale a Pena Ver de
novo, que nem valeu a pena ver a
primeira vez, certamente já foi tragado
e sua mente já no fundo do mar, que é a
nossa cultura popular.
Por outro lado, há pessoas que ainda não
queimaram todos os seus neurônios e
preservam um pouco de amor próprio.
Essas pessoas estão se perguntando:
"Onde posso achar algo que oferece algum
alento e alimento para a minha mente fam
século XX?"
O imperativo espiritual
é a opção, mas nem todo movimento
aparentemente espiritual é do bem. Não
existe campo neutro na dimensão
espiritual. O mundo espiritual é
radicalmente, radicalmente dividido
entre o bem e o mal. E não existe uma
zona desmilitarizada.
Na cultura pop é comum ver cultos
satânicos no palco de shows dos maiores
artistas do momento. Regado de imagens
demoníacas, rituais grotescas, parecem
arrebatar multidões de jovens sedentos
de algo
real. Por outro lado, na igreja, há uma
busca de uma espiritualidade mais
tangível, mais física.
Entra então o movimento litúrgico, que
eu considero o movimento bom. Pessoas
estão se encantando com as velas, os
corais, os ritos,
os vestimentas,
os rituais, tem os ritos. Mas isso não é
moda, é uma busca, é uma angústia que
acha lento no que é antigo, que tem a
raiz. A volta, a fé clássica nasce do
mesmo anseio que impulsionou
a a a renascença italiana, a
redescoberta de algo que foi
tragicamente abandonado para seguir um
progressismo que muito prometeu, mas não
cumpriu. Muitos estão olhando para trás
para tentar resgatar o perdido. Isso não
é um retrocesso, é um é um resgate.
Então, o que que foi perdido?
foi pedido um o vigor de uma fé robusta
e operante. Isso foi perdido
na intenção de acomodar as necessidades
sentidas e preferências pessoais de
consumidores da fé. Nós nos esquecemos
que a fé não é algo que atende os
desejos do mercado.
A sua essência nasce no coração de Deus,
que é eterno, santo, justo imutável.
A sua essência nasce no mistério
profundo que nos chama para comungar.
Isso não é fácil.
Exige algo de nós. Fé fácil é um pastel
de vento. É um culto emocionante,
é um bombom com muitas calorias, mas sem
nenhum valor nutritivo.
Mais uma vez eu volto a recomendar o
lecionário devocional recém publicado
pelo Thomas Nelson. Para muitos pode ser
um passo importante na redescoberta da
fé operante e da liturgia da vida de
alguém que realmente
busca a Deus e quer comunhão com Deus. E
para vocês, colegas meus do ministério,
acrescento que para nós isso pode
representar um renascimento da própria
igreja,
além de uma reforma da nossa própria
vida pessoal.
Bom, é isso.
Antes de ir para você que fica comigo
até o fim, quero te lembrar que a cada
dia, cada um de nós que cremos em Jesus
Cristo tem Deus para glorificar,
Jesus para imitar, salvação para
desenvolver com temor e tremor, um corpo
para glorificar a Deus, pecados para
confessar, virtudes para adquirir. O
inferno para evitar, o céu para alcançar
e a eternidade para não perder de vista.
Tempo para remir, vizinhos para servir,
um mundo para desfrutar, a criação para
cuidar, ofensas para pacientemente
suportar, bondades para voluntariamente
praticar, justiça para almejar,
tentações para vencer e a morte para
possivelmente sofrer. E em tudo isso o
amor de Deus para nos sustentar.
É isso. Até a próxima.
A paz

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