Terror e Consolo no Silêncio | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 217
12/02/2026
Terror e Consolo no Silêncio | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 217
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Walter McAlister é Bispo Primaz da Aliança das Igrejas Cristã Nova Vida, graduado em Psicologia pela Oral Roberts University e em Estudos Bíblicos pela Eastern Pentecostal Bible College e "Mestre em Teologia pela Reformed Theological Seminary". Foi pastor das igrejas de Nova Vida do Méier, Engenho Novo, Botafogo e Catedral. É casado com Marta e possui dois filhos, Pastor John McAlister e Andrew.
História da Igreja Cristã Nova Vida:
Historicamente consciente
Somos herdeiros de mais de 2.000 anos de testemunho das gerações de cristãos que nos antecederam na fé. Embora não possamos nem devamos imitá-los em todos os aspectos, cremos que há muita riqueza a ser apreciada e resgatada na história da Igreja.
Por isso, em nosso culto a Deus observamos várias das práticas cristãs históricas que consideramos valiosas para fortalecer a fé da Igreja: a confissão do Credo dos Apóstolos (o resumo da fé cristã), a oração do Senhor (“Pai Nosso”), a celebracão semanal da Santa Ceia e a simbologia da Cruz (o símbolo chave do Cristianismo).
Protestante e Reformada
Dentre todas as vertentes históricas do Cristianismo, nos identificamos principalmente com as doutrinas da Reforma Protestante, dentre as quais: a autoridade final das Escrituras Sagradas (Sola Scriptura); a mediação suficiente e exclusiva de Jesus Cristo entre Deus e a humanidade (solus Christus); a necessidade e exclusividade da graça para salvar pecadores (sola gratia); a resposta necessária e suficiente do arrependimento e da fé em Cristo para a salvação (sola fide); a atribuição de glória exclusiva a Deus por toda a obra da Criação, Redenção e Consumação da História (Soli Deo Gloria); e o sacerdócio compartilhado de todos os cristãos na vida e no ministério da Igreja.
Pentecostal de experiência
Finalmente, somos filhos do movimento missionário Pentecostal do século 20 e fruto da obra missionária do Bp. Roberto McAlister, fundador da Igreja Cristã Nova Vida no Brasil em 1960.
Cremos no papel indispensável do Espírito Santo no cumprimento da missão da Igreja, desde a proclamação do Evangelho até a operação e o desenvolvimento da salvação na vida do crente, incluindo a geração do fruto do Espírito e a concessão dos dons espirituais para a edificação de toda a Igreja.
Nossa missão:
Ir ao mundo e fazer discípulos, proclamando o Evangelho de Jesus Cristo, no poder do Espírito, e reunindo esses discípulos em igrejas, para que eles adorem o Senhor e obedeçam aos seus mandamentos, agora e na eternidade, para a glória de Deus, o Pai. [extraído de Kevin DeYoung & Greg Gilbert, Qual a Missão da Igreja?, p.82]
Nossos valores:
Adoração
A motivação principal da Igreja é render glória e honra ao Senhor, desde o culto fervoroso e reverente a Deus até o serviço no mundo, tanto coletivamente como individualmente, seja no ajuntamento dos salvos ou na devoção familiar e particular.
Proclamação
A tarefa principal da Igreja é proclamar toda a Palavra de Deus a todos os homens para o homem todo, dando testemunho do Evangelho de Jesus Cristo por meio da proclamação fiel e do ensino sistemático das Escrituras Sagradas.
Comunhão
O resultado necessário da proclamação e da rendição ao Evangelho é a vida em comunhão com a Igreja do Senhor Jesus, marcada pelo amor mútuo e pela disciplina característica dos discípulos de Cristo.
Testemunho
O testemunho da Igreja é composto do compartilhamento do Evangelho como também de uma vida condizente com este Evangelho daqueles que professam o Senhorio de Jesus Cristo.
Serviço
O testemunho da Igreja envolve também o serviço prestado por cada crente à Igreja e como Igreja, mediante a mordomia tanto das nossas palavras e do nosso tempo como dos nossos recursos e talentos.
Fonte: Bp Walter McAlister
Legendas automáticas:
Non, domine Cristo [música] se nome. Glória. Estamos em época de carnaval, mas eu vou falar sobre algo que não tem nada a ver com carnaval, aliás, é o oposto. Falar sobre silêncio. Tantas pessoas têm medo do silêncio. não conseguem ficar em silêncio, não conseguem andar sem ouvir algo no seu telefone, não conseguem entrar dentro de casa sem ligar alguma coisa, um televisor, uma parede de som. Não reparam nenhum problema, pois nunca pararam para pensar sobre isso. Mas a verdade é que muitos têm medo do silêncio e fazem tudo para fugir do silêncio, sem notar que estão em fuga, porque os hábitos são tão automáticos, não entendem que isto é uma fuga, só estão procurando algo para ouvir, algo para ver, mas não é isso. É medo do silêncio. O silêncio é poderoso. É é o lugar onde temos que encarar a nós mesmos. Ficamos a sós com os nossos pensamentos no silêncio. E é isso que é desconfortável para muitos. Talvez seja o seu caso. Agora, quem está vazio por dentro fica apavorado com o silêncio. Seu vazio é resultado de tanto barulho que enche a sua vida, que nem nota que não consegue mais ficar sós consigo mesmo. Isso é uma das coisas que o silêncio faz. O silêncio nos coloca a sós com o nosso íntimo. Se estivermos vazios, o nosso íntimo nos apavora. E eis a razão que temos o hábito de encher o silêncio com algo. Qualquer coisa. O silêncio nos deixa ir quietos, nos deixa nervosos. Que que eu faço agora? Que que eu ouço agora? Que que eu assisto agora? Temos pavor de ficarmos entediados. Mas é no tédio e no silêncio que encontramos a nós mesmos. E é no silêncio que encontramos Deus. Deus não grita, ele não fala em raios e trovões. Ele não levanta a sua voz ou se revela no terremoto. Ele se expressa na brisa suave e se revela para quem está prestando atenção. Quando eu era menino, a minha família foi visitar a minha avó na Carolina do Norte. Ela era pastora de uma grande igreja pentecostal lá após a morte do seu marido. E lá tinha um organista famoso, Daniel H, um amigo da minha família de muitos e muitos anos, já faleceu há muito tempo. Mas um dia, como criança, eu fui a pé da casa pastoral que ficava no mesmo terreno da do santuário, ficava no fundo santuário. E eu eu fui até a igreja sozinho e vi ele ensaiando para o domingo. Aí ele me chamou para sentar ao seu lado e naquele instrumento fantástico, aquele órgão de quatro teclados com o pedal fantástico, lindo, né? Ele me deu uma aula, não sei bem o que ele me ensinou, mas é uma coisa não me esqueço. Ele disse que o mais importante de qualquer músico era de ouvir-se a si mesmo, fosse vilonista, organista, pianista, ao tocar, não tocar mecanicamente, mas o bom músico tinha que prestar atenção ao seu instrumento e ouvir o som que ele estava criando. Hum. Essa lição e foi muito importante para mim e eu apliquei esta lição em muitas coisas. Inclusive, quando eu me tornei pastor, comecei a pregar no púlpito, eu tentava ouvir as minhas pregações enquanto eu pregava. Ah, imaginava qual seria a impressão que alguém que me ouvia teria. Não era insegurança minha, não. Eu estava tentando comunicar-me bem. Era uma maneira de me fazer presente no momento da pregação, não somente como pregador, mas como ouvinte de mim mesmo. Também estava fazendo sentido, estava usando palavras banais, estava sendo claro, estava usando humor demais, estava sendo enjoado. Todas essas perguntas e tantas outras corriam e correm até hoje pela minha cabeça, como se fosse uma pista paralela enquanto eu falo em público, né? Não eh esquizofrenia, não, tá? Não sou louco, mas é um modo de pensar que eu tenho. Mas a vida tem que ser assim também. Temos que ouvir o que estamos dizendo. Temos que assistir o que nós estamos fazendo, prestar atenção ao que estamos fazendo mesmo em pleno movimento. Isso é essencial para vivermos presentes no nosso momento. A cada momento. É importante para sermos pessoas centradas, coerentes, relevantes, não sermos manipuladas pelas circunstâncias. Mas isso é só é possível para quem esteja em silêncio, ou seja, silêncio interior. Quando você recebe o café da manhã, já prestou atenção ao som do café enchendo a xícara? Quando você ora, já se ouviu orando? Quando você lê, já prestou atenção a página virada na sua mão, sentindo a página ou quando você pega um livro, sentindo o cheiro do papel do livro. Eu gosto de pegar, eu gosto de ler livros físicos. Bíblia tem que ser, não pode ser num aplicativo, não pode ser no telefone, tem que ler a Bíblia, uma Bíblia, segurar a Bíblia na mão. Agora, muitos vivem andando pela vida com tanta pressa que não vivem de verdade. E você já teve a experiência de comer um pacotinho de biscoitos ou chips ou alguma coisa? E aí quando você chega ao fim do pacote que você vê que vai acabar, aí você começa a mastigar mais lentamente, né, para sentir, para curtir aquele sabor do último biscoito. O problema é que você comeu os outros biscoitos com tanta gana que você nem sentiu gosto. Só no finzinho que você começou a curtir, a saborear. A gente vive a vida assim também. Agora que eu sou mais velho, eu noto que eu vivi muitas coisas pela metade e com pressa demais e sem silêncio. Eu reconheço que minha falta eh de silêncio necessário evitou, impediu que eu apreciasse tanta coisa. Também reconheço que por falta de silêncio não cuidei da minha alma como deveria ter cuidado. Silêncio é uma disciplina espiritual. Para cultivar o silêncio, temos que arriscar o tédio. Aliás, o tédio é uma certeza, né? Mas o tédio é uma mina de ouro espiritual, gente. As riquezas do espírito e da vida interior não se rendem aos apressados, não são descobertas por turistas, não são saboreadas por pessoas vazias. O vazio só começa a ser tratado pelos que ousam navegar pelo silêncio da sua alma. Quem se rende ao silêncio descobrirá que no silêncio não estamos sós. Com o tempo começaremos a entender que Deus está também presente mesmo em silêncio. Suas palavras achadas nas Escrituras Sagradas serão sentidas como verdadeiras marteladas na porta da mente, como um bisturino de cirurgão. As palavras de Cristo rasgarão o tecido podre que cobre o nosso coração. E então Cristo entrará e seará conosco. No silêncio, você passa pelo terror a caminho do consolo e da paz. É um caminho que precisa ser seguido. Temos que desligar o que tivermos que desligar, pagar o preço que tivermos que pagar, pois a nossa alma tem sede de Deus, está rachada de sede e precisa beber daquela água que só Cristo dá, a água verdadeira, água viva, como ele falou para a mulher samaritana ao lado do poço de Jacó. Precisamos pagar o preço para sermos pessoas em comunhão com Deus, porque isso isso custa. Isto custa. Antes de ir, para você que ficou comigo até o fim, quero te lembrar que a cada dia, cada um de nós que cremos em Jesus Cristo, tem Deus para glorificar, Jesus para imitar, salvação para desenvolver com temor e tremor, um corpo para glorificar a Deus, pecados para confessar, virtudes para adquirir. O inferno para evitar e o céu para alcançar. A eternidade para não perder de vista. Tempo para remir, vizinhos para servir, o mundo para desfrutar, a criação para cuidar, ofensas para pacientemente suportar, bondades para voluntariamente [música] praticar, justiça para almejar, tentações para vencer e a morte para possivelmente sofrerem em tudo isso o amor de Deus para nos sustentar. É isto até a próxima. >> [música] >> M.