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A fé vem pelo ouvir

Terror e Consolo no Silêncio | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 217

Terror e Consolo no Silêncio | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 217

Terror e Consolo no Silêncio | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 217

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Walter McAlister é Bispo Primaz da Aliança das Igrejas Cristã Nova Vida, graduado em Psicologia pela Oral Roberts University e em Estudos Bíblicos pela Eastern Pentecostal Bible College e "Mestre em Teologia pela Reformed Theological Seminary". Foi pastor das igrejas de Nova Vida do Méier, Engenho Novo, Botafogo e Catedral. É casado com Marta e possui dois filhos, Pastor John McAlister e Andrew.

História da Igreja Cristã Nova Vida:
Historicamente consciente
Somos herdeiros de mais de 2.000 anos de testemunho das gerações de cristãos que nos antecederam na fé. Embora não possamos nem devamos imitá-los em todos os aspectos, cremos que há muita riqueza a ser apreciada e resgatada na história da Igreja.
Por isso, em nosso culto a Deus observamos várias das práticas cristãs históricas que consideramos valiosas para fortalecer a fé da Igreja: a confissão do Credo dos Apóstolos (o resumo da fé cristã), a oração do Senhor (“Pai Nosso”), a celebracão semanal da Santa Ceia e a simbologia da Cruz (o símbolo chave do Cristianismo).
Protestante e Reformada
Dentre todas as vertentes históricas do Cristianismo, nos identificamos principalmente com as doutrinas da Reforma Protestante, dentre as quais: a autoridade final das Escrituras Sagradas (Sola Scriptura); a mediação suficiente e exclusiva de Jesus Cristo entre Deus e a humanidade (solus Christus); a necessidade e exclusividade da graça para salvar pecadores (sola gratia); a resposta necessária e suficiente do arrependimento e da fé em Cristo para a salvação (sola fide); a atribuição de glória exclusiva a Deus por toda a obra da Criação, Redenção e Consumação da História (Soli Deo Gloria); e o sacerdócio compartilhado de todos os cristãos na vida e no ministério da Igreja.
Pentecostal de experiência
Finalmente, somos filhos do movimento missionário Pentecostal do século 20 e fruto da obra missionária do Bp. Roberto McAlister, fundador da Igreja Cristã Nova Vida no Brasil em 1960.
Cremos no papel indispensável do Espírito Santo no cumprimento da missão da Igreja, desde a proclamação do Evangelho até a operação e o desenvolvimento da salvação na vida do crente, incluindo a geração do fruto do Espírito e a concessão dos dons espirituais para a edificação de toda a Igreja.

Nossa missão:
Ir ao mundo e fazer discípulos, proclamando o Evangelho de Jesus Cristo, no poder do Espírito, e reunindo esses discípulos em igrejas, para que eles adorem o Senhor e obedeçam aos seus mandamentos, agora e na eternidade, para a glória de Deus, o Pai. [extraído de Kevin DeYoung & Greg Gilbert, Qual a Missão da Igreja?, p.82]

Nossos valores:
Adoração
A motivação principal da Igreja é render glória e honra ao Senhor, desde o culto fervoroso e reverente a Deus até o serviço no mundo, tanto coletivamente como individualmente, seja no ajuntamento dos salvos ou na devoção familiar e particular.
Proclamação
A tarefa principal da Igreja é proclamar toda a Palavra de Deus a todos os homens para o homem todo, dando testemunho do Evangelho de Jesus Cristo por meio da proclamação fiel e do ensino sistemático das Escrituras Sagradas.
Comunhão
O resultado necessário da proclamação e da rendição ao Evangelho é a vida em comunhão com a Igreja do Senhor Jesus, marcada pelo amor mútuo e pela disciplina característica dos discípulos de Cristo.
Testemunho
O testemunho da Igreja é composto do compartilhamento do Evangelho como também de uma vida condizente com este Evangelho daqueles que professam o Senhorio de Jesus Cristo.
Serviço
O testemunho da Igreja envolve também o serviço prestado por cada crente à Igreja e como Igreja, mediante a mordomia tanto das nossas palavras e do nosso tempo como dos nossos recursos e talentos.

Legendas automáticas:

Non,
domine
Cristo [música]
se nome.
Glória.
Estamos em época de carnaval, mas eu vou
falar sobre algo que não tem nada a ver
com carnaval, aliás, é o oposto.
Falar sobre silêncio.
Tantas pessoas têm medo do silêncio.
não conseguem ficar em silêncio, não
conseguem andar sem ouvir algo no seu
telefone, não conseguem entrar dentro de
casa sem ligar alguma coisa, um
televisor, uma parede de som.
Não reparam nenhum problema, pois nunca
pararam para pensar sobre isso. Mas a
verdade é que muitos têm medo do
silêncio e fazem tudo para fugir do
silêncio, sem notar que estão em fuga,
porque os hábitos são tão automáticos,
não entendem que isto é uma fuga,
só estão procurando algo para ouvir,
algo para ver, mas não é isso.
É medo do silêncio.
O silêncio é poderoso. É é o lugar onde
temos que encarar a nós mesmos. Ficamos
a sós com os nossos pensamentos no
silêncio. E é isso que é desconfortável
para muitos.
Talvez seja o seu caso.
Agora, quem está vazio por dentro fica
apavorado com o silêncio.
Seu vazio é resultado de tanto barulho
que enche a sua vida, que nem nota que
não consegue mais ficar sós consigo
mesmo.
Isso é uma das coisas que o silêncio
faz. O silêncio nos coloca a sós com o
nosso íntimo. Se estivermos vazios, o
nosso íntimo nos apavora.
E eis a razão que temos o hábito de
encher o silêncio com algo. Qualquer
coisa.
O silêncio nos deixa ir quietos,
nos deixa nervosos. Que que eu faço
agora? Que que eu ouço agora? Que que eu
assisto agora? Temos pavor de ficarmos
entediados.
Mas é no tédio e no silêncio que
encontramos a nós mesmos. E é no
silêncio que encontramos
Deus.
Deus não grita, ele não fala em raios e
trovões. Ele não levanta a sua voz ou se
revela no terremoto.
Ele se expressa na brisa suave e se
revela para quem está prestando atenção.
Quando eu era menino, a minha família
foi visitar a minha avó na Carolina do
Norte. Ela era pastora de uma grande
igreja pentecostal lá após a morte do
seu marido.
E lá tinha um organista famoso, Daniel
H, um amigo da minha família de muitos e
muitos anos, já faleceu há muito tempo.
Mas um dia, como criança, eu fui a pé da
casa pastoral que ficava no mesmo
terreno da do santuário, ficava no fundo
santuário. E eu eu fui até a igreja
sozinho e vi ele ensaiando para o
domingo. Aí ele me chamou para sentar ao
seu lado e naquele instrumento
fantástico, aquele órgão de quatro
teclados com o pedal fantástico, lindo,
né? Ele me deu uma aula,
não sei bem o que ele me ensinou, mas é
uma coisa não me esqueço. Ele disse que
o mais importante de qualquer músico era
de ouvir-se a si mesmo, fosse vilonista,
organista, pianista,
ao tocar, não tocar mecanicamente, mas o
bom músico tinha que prestar atenção ao
seu instrumento e ouvir o som que ele
estava criando.
Hum.
Essa lição
e foi muito importante para mim e eu
apliquei esta lição em muitas coisas.
Inclusive, quando eu me tornei pastor,
comecei a pregar no púlpito, eu tentava
ouvir as minhas pregações enquanto eu
pregava.
Ah, imaginava qual seria a impressão que
alguém que me ouvia teria. Não era
insegurança minha, não. Eu estava
tentando comunicar-me bem. Era uma
maneira de me fazer presente no momento
da pregação, não somente como pregador,
mas como ouvinte de mim mesmo. Também
estava fazendo sentido, estava usando
palavras banais, estava sendo claro,
estava usando humor demais, estava sendo
enjoado. Todas essas perguntas e tantas
outras corriam e correm até hoje pela
minha cabeça, como se fosse uma pista
paralela enquanto eu falo em público,
né? Não
eh esquizofrenia, não, tá? Não sou
louco, mas é um modo de pensar que eu
tenho.
Mas a vida tem que ser assim também.
Temos que ouvir o que estamos dizendo.
Temos que assistir o que nós estamos
fazendo, prestar atenção ao que estamos
fazendo mesmo em pleno movimento. Isso é
essencial para vivermos presentes no
nosso momento. A cada momento. É
importante para sermos pessoas
centradas, coerentes, relevantes, não
sermos manipuladas pelas circunstâncias.
Mas isso é só é possível para quem
esteja em silêncio, ou seja, silêncio
interior.
Quando você recebe o café da manhã, já
prestou atenção ao som do café enchendo
a xícara?
Quando você ora, já se ouviu orando?
Quando você lê, já prestou atenção a
página virada na sua mão, sentindo a
página ou quando você pega um livro,
sentindo o cheiro do papel do livro. Eu
gosto de pegar, eu gosto de ler livros
físicos. Bíblia tem que ser, não pode
ser num aplicativo, não pode ser no
telefone, tem que ler a Bíblia, uma
Bíblia, segurar a Bíblia na mão.
Agora, muitos vivem andando pela vida
com tanta pressa que não vivem de
verdade.
E você já teve a experiência de comer um
pacotinho de biscoitos ou chips ou
alguma coisa?
E aí quando você chega ao fim do pacote
que você vê que vai acabar, aí você
começa a mastigar mais lentamente, né,
para sentir, para curtir aquele sabor do
último biscoito.
O problema é que você
comeu os outros biscoitos com tanta gana
que você nem sentiu gosto.
Só no finzinho que você começou a
curtir, a saborear.
A gente vive a vida assim também.
Agora que eu sou mais velho, eu noto que
eu vivi muitas coisas pela metade e com
pressa demais e sem silêncio.
Eu reconheço que minha falta
eh de silêncio necessário evitou,
impediu que eu apreciasse tanta coisa.
Também reconheço que por falta de
silêncio
não cuidei da minha alma como deveria
ter cuidado.
Silêncio é uma disciplina espiritual.
Para cultivar o silêncio, temos que
arriscar o tédio. Aliás, o tédio
é uma certeza, né? Mas o tédio é uma
mina de ouro espiritual, gente. As
riquezas do espírito e da vida interior
não se rendem aos apressados,
não são descobertas por turistas,
não são saboreadas por pessoas vazias.
O vazio só começa a ser tratado pelos
que ousam navegar pelo silêncio da sua
alma.
Quem se rende ao silêncio descobrirá que
no silêncio não estamos sós.
Com o tempo começaremos a entender que
Deus está também presente
mesmo em silêncio.
Suas palavras achadas nas Escrituras
Sagradas serão sentidas como verdadeiras
marteladas na porta da mente,
como um bisturino de cirurgão. As
palavras de Cristo rasgarão o tecido
podre que cobre o nosso coração. E então
Cristo entrará
e seará conosco.
No silêncio, você passa pelo terror
a caminho do consolo e da paz.
É um caminho que precisa ser seguido.
Temos que desligar o que tivermos que
desligar,
pagar o preço que tivermos que pagar,
pois a nossa alma tem sede de Deus, está
rachada de sede e precisa beber daquela
água que só Cristo dá, a água
verdadeira, água viva, como ele falou
para a mulher samaritana ao lado do poço
de Jacó. Precisamos
pagar o preço para sermos pessoas em
comunhão com Deus, porque isso
isso custa.
Isto custa.
Antes de ir, para você que ficou comigo
até o fim, quero te lembrar que a cada
dia, cada um de nós que cremos em Jesus
Cristo, tem Deus para glorificar, Jesus
para imitar, salvação para desenvolver
com temor e tremor,
um corpo para glorificar a Deus, pecados
para confessar, virtudes para adquirir.
O inferno para evitar e o céu para
alcançar. A eternidade para não perder
de vista.
Tempo para remir, vizinhos para servir,
o mundo para desfrutar, a criação para
cuidar, ofensas para pacientemente
suportar, bondades para voluntariamente
[música] praticar, justiça para almejar,
tentações para vencer e a morte para
possivelmente sofrerem em tudo isso o
amor de Deus para nos sustentar.
É isto
até a próxima.
>> [música]
>> M.

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