A Importância do Culto – BTCast 637
17/03/2026
A Importância do Culto – BTCast 637
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Muito bem, muito bem, muito bem! Está no ar mais um BTCast! Neste episódio, Rodrigo Bibo e Mariane Godoi se reúnem para conversar sobre a importância do culto público na vida da igreja. Ao longo do episódio, discutimos como o culto cristão sempre esteve no coração da experiência cristã, desde as assembleias das primeiras comunidades até as práticas litúrgicas que moldaram a vida da igreja ao longo dos séculos. Por que os cristãos se reúnem? O que realmente acontece quando a igreja se encontra para adorar, ouvir a Palavra e participar da comunhão?
Também refletimos sobre como o culto forma o imaginário e o caráter do povo de Deus. Mais do que um evento semanal, o culto público é um espaço onde a comunidade é ensinada, corrigida, consolada e enviada novamente ao mundo. Em meio a debates contemporâneos sobre liturgia, frequência à igreja e espiritualidade pessoal, perguntamos: o que perdemos quando deixamos de valorizar a reunião da igreja? Essas e outras perguntas aparecem neste BTCast — em uma conversa que cruza teologia, história da igreja e prática pastoral, mostrando como o culto público continua sendo um dos meios centrais pelos quais Deus forma o seu povo.
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Fonte: Bibotalk
Legendas automáticas:
Começa agora o BTC. Teologia é nosso esporte. Muito bem, muito bem, muito bem. Começa mais um BTC de número 637. Eu sou Rodrigo Bibo e o Espírito Santo aprecia uma boa liturgia. >> Olá, eu sou a Mariane Godó e a questão não é se a sua igreja tem ou não liturgia, mas o que a liturgia está ensinando pra sua igreja? >> Olha aí, gente. Só aqui com a Mari, né? Ela já se apresentou como Mariane Godói, vou chamar de Mari a partir de agora. Ela que é professora do seminário a Batista L do Rio de Janeiro, é escritora, lançou o livro A música e a Igreja pela Editora Esperança. Mara, é isso. Editora Esperança. Muito bom. Tem um outro selo aqui. Que que é esse selo aqui? >> Espera. Esperança. É o selo da Rebap, >> a editora dos Batisá, em parceria com a Esperança e a Rebap. >> Olha aí, muito bom. E a Mari, enfim, dá aula em seminário, em outros lugares e pensa, né, a muito essa questão da da música, do louvor, do culto, da liturgia. E ela aceitou, tem uma conversa com a gente aqui, montou uma pauta maravilhosa. A gente vai passear pela história do culto aqui na igreja com foco no ocidente. O oriente é outra, outros assuntos, né, Mári? A gente um dia chama o Lucas Gesta aqui, aí a gente fala é um pouco do oriente lá e tal. E nos recados paroquiais dessa semana, galera, é o seguinte, atenção, marca, pega papel e caneta aí, abre alguma coisa no seu computador, no seu celular, porque eu vou falar umas datas muito importantes para vocês. Pessoal, teremos BTD em Portugal. Sim, eu e Cacau Marques estaremos lá com o Rafael Ciano na casa da cidade. É a igreja da cidade ou na casa da cidade? Eu nunca sei se é na É na cidade. É a casa da cidade. Igreja a casa da cidade. Estaremos lá num BTD. Tô muito ansioso. Vai ser um BTD com uma dinâmica um pouco diferente. A gente vai seguir um pouco a dinâmica e dos eventos que a igreja, a Casa da Cidade costuma fazer. Então, até eu tô um pouco ansioso para esse encontro que nós teremos em Portugal. Então, você que é da Europa, tem disponibilidade, se locomova, vá lá em Lisboa estar com a gente neste BTD em Portugal. O link para você garantir a sua vaga já está aqui na descrição deste BTC, tanto em bibotalc.com como também no nosso canal no YouTube, tá bom? Aliás, agora nosso BTC tem vídeo. Se você quiser ir lá no YouTube, dar uma olhadinha, dar um like, vai ser muito legal, tá bom? No Spotify e de mais aplicativos a gente ainda não consegue colocar link. Já estamos tentando resolver esse problema. Tem um tempo, mas daqui a pouco a gente resolve. Mas para garantir o seu lugar, tá? Tem aqui na descrição deste BTC em bibotalo.com ou na descrição do vídeo no YouTube, tá bom? Qualquer coisa tá no meu link da Bill também. E teremos, atenção, você que é do Brasil agora, uma conferência teológica aqui no sul do país. Pessoal pedia, pô, não faz nada para cá e tal. Pois bem, 15 e 16 de maio ou 16 e eu sempre erro as datas, gente. Vai, vai, põe na tela aí, Rafa, por gentileza. Pronto. 15, 16 de maio, a nossa conferência teológica EBT, a primeira que a gente vai realizar e vai ser aqui em Joinville, Santa Catarina, tá bom? na minha igreja local, Víor Fontana, Guilherme Nunes, Alexandre Starreifa, falando sobre o Cristo completo nessa primeira conferência teológica da Escola Bibotal de Teologia. Vamos falar em escola Bibotal de Teologia. Sério, gente, há 4 anos eu criei a escola Bibotal de Teologia para que você aprenda do jeito bibotalque de ser várias disciplinas legais para sua edificação. A gente tem muito conteúdo lá publicado, temos um monitor que tá ali atendendo os grupos com as dúvidas teológicas. Temos, sabe, esse esses grupos no WhatsApp onde a galera pode se ajudar. Tem encontros eh quinzenais ao vivo para discutir capítulos de livros e tal, trocar uma ideia, uma comunidade que se ajuda. Sério, ó, vou colocar o link também da escola Bibotalk aqui. E detalhe, como é 4 anos que a gente tá fazendo, estou dando 40% de desconto no plano anual. Sério? 40% de desconto no plano anual e pela primeira vez estou dando desconto no plano mensal. 20% de desconto por 6 meses no plano mensal. Então, sério, vem estudar Bíblia e teologia com a turma do Bibotal. Anotou? BTD em Portugal. No dia 2 de maio, eu, Cacau e Rafael estaremos lá com o tema A igreja perfeita. E no dia e nos dias 15 e 16 de maio, teremos um encontro aqui em Joinville na Conferência Teológica EBT com o tema o Cristo completo. Vai ser demais, espero vocês. E claro, vem estudar Bíblia e teologia comigo. O link também tá aqui na descrição deste podcast. Não esquece de aplicar os cupons, tá bom? Você tem que aplicar os cupons a Ner 40 ou A ni 20 para você ter o desconto. Joia? Ah, tá tudo detalhado aqui na descrição. Vamos para esse episódio que tá muito legal esse papo que eu bati com a Mario. Obrigado por ter aceito o convite para trocar essa ideia. >> Imagina. Eu que agradeço pela oportunidade, pelo convite. Tô bem animada pra gente conversar. >> Ah, que legal. Então, olha só, Mário, vamos começar começando já, porque se tem eh, pô, eu não sei, tem duas coisas que eu queria começar que agora já não sei por onde eu começo, Mário, porque a tua abertura, eu vou começar pela tua abertura, porque ela me ela me lembra e e casa um pouquinho com a minha abertura também. Mas acho que paraa gente aquecer essa conversa, quero contar uma uma história bem breve mesmo, galera. A Mari já vai falar, tá? Só quero contar, porque eu vim do movimento pentecostal e se tem muito forte, uma característica forte do movimento pentecostal, ah, do qual eu fazia parte, muito essa ideia da espontaneidade, né? Ah, o culto é de Deus, então Deus sabe o que faz, então o culto não tem, o culto tem hora, a gente ouvia muito isso, o culto tem hora para começar, mas ele não tem hora para acabar, né? Então assim, se deixava, se tinha muito essa ideia de uma liberdade do espírito, aquela coisa toda e tal. Obviamente, como eu era da sede, a sede sempre é mais controlada, né? O pessoal até brinca que a sede o pessoal é a Babilônia, o pessoal nem é crente quem convive, quem congrega na sede. Gente, eu tô falando da minha realidade pentecostal aqui em Santa Catarina, beleza? Se na sua nunca foi assim, glória a Deus, parabéns. Mas aqui a minha realidade era essa. E tinha muito essa discussão, entendeu? Eu lembro até que a galera fala assim: "Não, mano, mas tem liturgia também no movimento pentecostal". Não, nosso culto não é uma bagunça, não tem aqui a entrada, a hora do hino, a hora da oferta e tal. Só que é uma coisa que realmente, pelo menos até onde eu me dava conta como membro e até um estudioso do movimento pentecostal no início da minha carreira, não se tinha essa essa ideia de uma liturgia com intencionalidade, sabe? E aí, Mari? Eu sei que a gente atravessa um pouco a pauta que tu fez, mas eu queria que tu explicasse um pouquinho essa tua, eu sei que isso é mais lá pro final da nossa conversa, segundo a tua pauta, mas bem-vindo ao Betcast, Márija. Aqui é o Espírito Santo. >> A gente trabalha com espontaneidade. >> Exatamente. Eu tava aqui criticando, mas no fundo eu sou igual porque a gente a gente a gente sai do movimento pentecostal, mas o pentecostalismo nunca sai da gente. Mas falando sério, Mário, é legal a gente perceber isso assim, porque eh eh como assim? A igreja sempre teve essa preocupação com uma liturgia que ensina alguma coisa, porque e quando tu fala isso me parece um papo meio da galera do lecionário, a galera aí de sabe e eh século X7. Me vem muito essa coisa assim reformada a liturgia e tal, não sei quê. Cara, mas será que os pentecostais não estão certos de ter um pouco mais essa leveza? Porque no fundo a Bíblia e a igreja primitiva e os primeiros séculos da igreja não tinha essa preocupação, a liturgia que comunica alguma coisa. Enfim, joguei essa para ti, Mari, vou tomar uma água, te vira. >> Muito bom. Bem, quando a gente pensa em liturgia, realmente o primeira a primeira impressão que pode se ter é que é algo muito engessado. Eu lembro de outro dia eu tava conversando com uma amiga, ministra de música também e aí eu falei alguma coisa de liturgia. Ela falou: "Não, mas a gente não pode usar essa palavra porque essa palavra é muito rígida e as pessoas podem se assustar com isso e tudo mais." Quando, na verdade, a liturgia, no seu sentido literal significa serviço realizado pelo povo ou em prol do povo. Então, quando a gente traz essa palavra pro contexto da celebração cristã, ela tá justamente buscando reforçar a participação do povo no momento da celebração de culto, se a gente puder eh resumir dessa forma. Então, toda igreja tem uma liturgia. Liturgia não tá restrita apenas a uma estrutura mais tradicional de culto das igrejas de tradição histórica ou de tradição reformada ou mesmo limitada à liturgia da Igreja Católica, por exemplo. Liturgia diz respeito a serviço. E a gente pode entender liturgia tanto enquanto estrutura e forma e aí a sequência dos atos do culto, quanto como a própria participação desse desse ente, dessa pessoa que celebra. Então, a congregação presta serviço no culto, a congregação é atuante no culto, ela também está ativamente participando da liturgia, está em liturgia ao longo do culto. Então, eu gosto dessa palavra porque ela traz, ela diz respeito a serviço, ela diz respeito à atividade, ela diz respeita à intencionalidade no culto. >> E aí, nesse sentido, é óbvio que o culto pentecostal ele tá carregado de liturgia, né? Eles só não chamam dessa maneira porque eh inclusive o culto pentecostal, o leigo tem muita participação, né? O o seu Zé, a dona Maria, né? O seu Antônio, que que sabe que trabalha numa sabe numa funilaria lá na igreja, ele é o presbítero, ele canta o indo da arpa, né? Ele convida a igreja. Então, nesse sentido, o coral, >> ele rege o coral, né? Inclusive a, né? A, a dona Zuleica, né? Dona de casa, criou três filhos sozinha. né? Eh, eh, eh, eh, e eh eh limpa a casa, mas lá ela é regente do coral, entendeu? E aí eu já lembro já mesmo, cara, daquelas irmãs, entendeu? Regendo, virava pra igreja e fazia todo mundo cantar Ciane. Então, tá carregado de liturgia, né? Porque de fato eu penso que Mari me ajuda aqui para eu não cometer um preconceito, porque parece que e aqui, gente, eu tô falando uma impressão minha que eu quero, eu eu posso estar errado mesmo. Então, por favor, eu não tô sendo preconceituoso, mas é que parece que o movimento reformado ele sequestrou a palavra liturgia. Eh, e, e aí a gente acabou, não, essa palavra não é boa, sequestrou, mas eu eu pensei sequestrou, deixa sequestrou mesmo. >> Se aproprria, né? >> Se apropriou. É, >> e é igual teologia bíblica, né? Muitas vezes se fala de teologia bíblica, mas tá falando de teologia bíblica reformada, né? Não se como se só existisse, né? >> Exato. Como se a sã doutrina fosse só o calvinismo e tal, né? E isso é bem complicado no que diz respeito ao mundo da teologia, porque a teologia é muito maior que o calvinismo e a tradição reformada. Mas parece que eles eles se apropriaram de tal maneira, eu essa palavra é bem melhor, Mário, obrigado. Sequestrar é uma palavra horrível, porque parece que eles estão fazendo coisas más. Eles não estão fazendo coisas más, mas eles simplesmente trazem, né, para a discussão como algo deles, assim, tipo, como se eles valorizassem. E aí eles fazem uma parada, como tu disse, que fica não, liturgia é isso, é essa ordem no culto, tem que ter isso, precisa ter aquilo e tal. E aí a gente, ah, não, liturgia é uma coisa que é deles, a gente que aqui, a gente é do espírito, a gente não tem liturgia, quando na verdade a palavra é muito mais ampla, né? Muito mais ampla. E aí a gente pode falar de uma liturgia reformada que segue esses princípios e tal do culto, aquela coisa toda, triplice amém e coisa arada e tal, o que eu acho bonito e super respeito. Só que às vezes a gente, né, do povo, a gente, ah, não, liturgia é coisa dos reformados, liturgia é coisa dos luteranos, né? Exatamente. E a própria, o próprio uso da palavra liturgia no texto da Septoaginta, ele também tá sendo direcionado ou utilizado pro trabalho até mesmo dos dos levitas no serviço do tabernáculo, do templo. Então, ela diz respeito a prestar um serviço a Deus e à comunidade do povo de Deus. Então, sim, a gente pode dizer que toda igreja tem uma liturgia nesses nesses dois sentidos, né? no sentido de que a comunidade é atuante e no sentido de que tem uma certa estrutura, mesmo as que têm uma liturgia um pouco mais flexível, mais livre, mais espontânea, não deixa de ter ali uma certa sequência, uma certa previsibilidade. A gente sabe nem que seja um pouquinho para onde aquela reunião vai caminhar e o que se espera do que tá acontecendo ali. Então, a gente não devia ter medo dessa palavra. Eu eu acho que a gente deveria gostar de falar sobre isso, porque a ao verbalizar, a trazer paraa conversa esse tipo de expressão, a gente traz o sentido dela também, que é de atividade, de atuação, de cooperação. >> Sensacional. Sensacional. Bem, por falar em culto, Mari, o culto eh o culto cristão ele não nasce pronto, né? Assim, existe uma fórmula de culto que a Bíblia dá, o culto tem que ser assim, né? O culto cristão, porque às vezes a gente ouve também assim, não, o culto cristão é isso, não pode ter aquilo, né? Não, porque o culto cristão é isso. Eh, dá paraa gente cravar assim, tipo, sabe, o culto cristão, ele tem que ser assim, porque a Bíblia diz que o culto cristão é assim. A gente consegue cvar isso pelo menos na Bíblia Sagrada ou no primeiro primeiro, segundo segundo século, é porque o primeiro século é a Bíblia ali, o Novo Testamento, né? Mas sei lá, segundo, terceiro século, dá pra gente cravar o culto cristão tem que ser assim, porque era assim na Bíblia e nos cristãos primitivos. a gente consegue absorver do texto bíblico algumas referências da prática. O Novo Testamento ele não apresenta pra gente um manual, não dá uma receita, não dá um padrão fechado de como era o culto. E a gente entende também que era uma reunião que tava se desenvolvendo, era uma igreja que tava nascendo. Então tudo eh é muito orgânico, é muito caseiro e ao mesmo tempo, nesse primeiro século, nesse primeiro momento de cristianismo, tudo sofre muito uma influência da religião judaica. Eh, então o culto cristão primitivo, ele tem ele ele bebe do culto da sinagoga. A gente já conversa um pouco sobre isso, né? Eu sei que nós já tivemos alguns episódios aqui que falam sobre isso. Então, tem uma estrutura básica ali que ele segue, sim, não é uma coisa totalmente eh sem referência. Ele segue a estrutura básica da sinagoga, que se a gente for simplificar, resumir, a gente coloca ela em três grandes momentos. um momento de louvores, de louvores a Deus, que são acompanhados pelo pelo entor dos salmos, as canções, um momento de orações e de petições, de intercessões e o momento da exortação do ensino, que é a leitura do dos textos sagrados e alguém habilitado explica os textos. E esse essa estrutura de reunião acontecia na sinagoga, que era o espaço de manutenção da identidade do povo, da cultura e da religiosidade do povo de Israel. O culto cristão, logo no seu início, ele bebe dessa fonte. Então, as reuniões, elas são eh com uma estrutura parecida. O texto bíblico, ele não traz pra gente um manual. A gente consegue perceber que no início eles replicam essa estrutura por conta de menções à prática. Então, a gente vê menções a quando eles se reúnem, especialmente Primeira Coríntios 14, né, que fala lá sobre a questão da ordem, eh, no culto. Primeiro, eh, o texto orienta a respeito da profecia, mas a partir do verso 26, se eu não tiver enganada, a gente começa a falar sobre o culto especificamente. E aí tem ali uma sugestão do que seria uma sequência de atitudes, de ações no culto. Então, um tem um salmo, um tem uma profecia, um faz isso, outro faz aquilo. a gente percebe ali e o que os estudiosos dizem é que provavelmente o Paulo tá citando numa sequência lógica do que eles faziam, não ia colocar as coisas eh aleatórias, né? >> E isso em Corinto, né? É uma observação importante também isso na na cidade de Corinto. Talvez a o culto, né, na Galáia fosse tivesse uma estrutura diferente, né, em Éfeso. Enfim, porque é uma coisa que a gente tem, a gente às vezes tem uma visão que não é na Bíblia, na Bíblia é assim, não, mas pera aí, mas em que contexto está aquilo ali, né? Mas a gente pode, mas a gente pode cravar e então eh louvor, eh oração e palavra, né? Oração, >> ah, >> como esses elementos primeiros, né? Primários. Depois a gente acrescenta alguns elementos que são próprios do cristianismo dentro da sua da sua concepção ali, né, de religião, de de crença, que é a ceia e o batismo. Então, a celebração da ceia, ela entra também na reunião cristã. E a gente percebe, e aí a gente já tá falando um pouco ainda de cristianismo do primeiro século, mas já ali de segundo século, a gente percebe que tinha eh uma uma celebração refeição. Então eles se reuniam para fazer a refeição, que era chamada até de festa do amor, né, ágape e tudo mais. tinha esse momento de de celebrar, de vir comer, que é também uma questão em Corinto, né, que o pessoal fazia de qualquer forma, uns comiam antes dos outros e aí quem chegava por último ficava sem sem participar da festa. E aí tem também depois uma diferenciação desse momento de festa pro momento de celebração eucarística mesmo, que é o memorial do sacrifício de Jesus, a ordenança que o próprio eh Senhor Jesus faz. Então, a gente tem esse tripé, digamos assim, que é herdado da sinagoga, mas a o acrescento aí da ceia e também do batismo como uma prática própria dos dos cristãos, né, dentro dos moldes que a gente que a gente conhece. Então a gente vê esses elementos, Bibo, essa estrutura, esse esqueletinho, ele vai se preservar ao longo de toda a história. Então até hoje a gente não vai fazer esse salto enorme, mas só puxando um pouquinho, até hoje você identifica esses elementos de uma forma ou de outra, com alguma ênfase maior em um ou em outro, a depender ali da tradição, mas esse esqueleto ele se preserva. E aí nos primeiros séculos ele é bem orgânico, as as igrejas elas são caseiras, é tudo assim muito muito dinâmico. E depois você começa a ver já a partir do segundo e terceiro século uma uma busca por uma organização, por uma estruturação dessa forma litúrgica paraa reunião para eh dos crentes. >> Tá? Vamos lá, vamos pr partes, então. >> Ah, o que tu falaste desse esqueleto aí, né, que é a oração, leitura da palavra, eh canto, né, depois é é louvor, oração, palavra e depois, né, batismo e ceia, né, o cristianismo ele coloca. Isso seria o imprescindível. Então, se a gente for olhar, se a gente for olhar paraa escritura, um culto cristão, ele tem como imprescindível, posso usar essa palavra, Mari? Imprescindível. >> Eu creio que tem como elemento fundamental ali, fundante, >> é, né? Tipo assim, é claro que quando eu digo que é imprescindível, não quer dizer que tem que batizar e fazer ceia todo domingo, ainda que uma igreja que faça também não tem, porque sabe que pessoas têm dúvidas sobre isso, né? Meu, pode, pô, eu fui na igreja de um de um de um amigo, nossa, e lá tem a ceia? E eles falaram que tem ceia todo domingo. Nossa, pode fazer ceia todo domingo, porque comumente se faz uma vez por mês, né? A maioria das igreas fazem, tem o dia do culto da Santa Ceia e tal. Isso. >> E mas era uma marca, né? Essa refeição, pelo que dá a entender, em Atos 2:42, era realmente uma prática bem comum de se reunir. Os cristãos se reuniam, tinha comida, o partir do pão, né? e que era também esse momento de e eh celebrar, de viver, de relembrar, enfim, a a morte e o sacrifício de Jesus Cristo por eles e tal. Então isso assim é esse esqueleto, ele é a base. O esqueleto é sustentação, né? Então vamos usar esse, né? Então é a sustentação de um culto cristão. Tem que ter oração, tem que ter palavra, tem que ter louvores. É muito bonito, né? Você até fala no seu livro, né? A música e a igreja, gente. Ó, aqui é o livro da Mariana Godói. Ela até fala sobre os hinos cristológicos e tal. falei um pouco sobre a música gospel aqui, tá bem legal. >> Eh, você tem hinos até, né, provavelmente os hinos cristológicos ali que a gente tem nas cartas de Paulo e tal, provavelmente são hinos que eram cantados e tal. Então você tem esse esqueleto aí que ele é eh assim, ele mantém a estrutura do que é um culto cristão, né? um culto cristão se sustenta nessas bases e tal, mas agora você começou, né, andando, né, a igreja ela vai passando também por uma modificação, ou seja, aquele povo perseguido, de repente começa a virar o status qu, assim, aquele povo perseguido não é mais perseguido, há uma institucionalização da igreja ali a partir do século II e tal, se não me falha a memória. >> Isso aí. >> E aí, o que que isso muda no culto cristão? Acontece que agora a partir do século 3 e aí depois século 4 paraa frente a gente já não tem mais uma resistência a reunião cristã, ao culto cristão, não tem nenhum tipo de de hostilidade ou de perseguição. E depois até você tem uma institucionalização, né, e um crescimento, um apoio. Então o que muda é que com essa abertura do cristianismo, nós vamos vamos perceber que existe também um favorecimento. Então, surgem, é o momento em que surgem os grandes templos, as grandes estruturas e o cristianismo ele, ele fica pop, né? Ele fica popular. Você tem muita gente participando, muita gente aderindo, muito bispo, muito líder ali. E a igreja ela precisa então criar uma estrutura. E é aí a gente já tinha uma certa estruturação de culto, não é simplesmente com essa abertura que você tem, mas você reforça isso, você reforça essa estrutura porque você precisa eh de certa forma manter a identidade. E algo muito interessante que acontece, Bibo, que eu até costumo comentar muito nas aulas que eu que eu dou a respeito disso, é que a gente eh o cristianismo, ele precisou ser normatizado, regulamentado, para não correr o risco de tanta proliferação de de heresias. Então, quanto mais popular fica, mais chance você tem daquilo perder o controle. Até hoje é assim, né? E aí uma das formas, uma das soluções que se encontrou foi de normatizar. E aí surgiram manuais das celebrações, manuais para os leigos, até o próprio fato da do canto que estava muito próximo do leigo da congregação, agora ele passa a ser regulado e só o clero pode compor nessa tentativa de frear a proliferação de heresias. Então são algumas ações que são feitas ali pra gente manter preservar uma identidade. Nem sempre acontece com tanto sucesso, né? Mas a gente tem essa diferença aí que é essa essa tentativa de uma estruturação mais segura, se a gente puder h colocar dessa forma. >> Uhum. Legal. Ah, dando uns passinhos para trás, Mari, acabei me atropelando aqui, mas você falou ali que a partir do terceiro século tem uma uma regulamentação e tal. Aliás, o dízimo começa a ficar muito forte nessa época também, né? A máquina fica grande, a gente precisa de mais dinheiro, gente, sério. Texto do Alder Souza de Matos, muito legal sobre o dízimo, na Ultimato. Ele traz esse dado. Eu nunca fui averiguar, tô confiando na pena do Alderia aqui, né? Mas realmente o dízimo ele começa a ser institucionalizado na igreja cristã a partir do quto século, porque a máquina fica grande e a gente precisa sustentar essa parada aí, né? Como é que a gente pega algo fixo da galera? Vamos trazer a teologia do dízimo para cá, porque até então não se tinha, né? Mas vamos lá. Isso. O que a gente possa só acrescentar com relação a isso, a gente tem eh uma menção interessante a esse momento de coleta dentro do culto, que é o texto da do Justino Marte, apologia do Justino Marte. Ele faz uma narrativa de como é a reunião cristã. Esse texto é por volta do ano 150. Então, é isso que eu ia fazer. Eu eu ia eu ia fazer, não, eu ia pedir para tu trazer esse movimento, mas só para situar a nossa audiência aqui. A gente tava lá no quto século e aí a Mari falou que tava tendo já uma regulamentação, mas eu ia perguntar pra Mari se antes do quto século já não tem registro de como era o culto e essa preocupação também com a liturgia, que é o que ela vai falar agora. Manda bala. >> Isso a gente tem sim. Antes até mesmo desse texto do Justino, a gente tem a dequ, que é é anterior, né, que são algumas instruções, e lá você já tem uma certa menção, a questão da celebração eucarística, da santificação do domingo, do batismo, da sexta. Tem algumas orientações bem básicas, é muito simples mesmo. Depois disso, em 150, a gente tem um documento importante da apologia de Justino Marteir, que em que ele narra, ele conta como é a celebração dos dos cristãos. E aí o texto dele fala, né? No dia que se chama sol, que é o domingo, eles se reúnem, aí eles cantam, leem a memória dos apóstolos, alguém faz uma uma exortação, explica sobre, enfim, faz ali a narrativa da reunião e ele menciona essa coleta, esse momento de coleta. Então, a gente percebe que é ali um, talvez um dos primeiros documentos em que você consegue relacionar diretamente a prática do ofertório dentro do culto. Até então a gente não tinha isso tão juntinho, que para hoje a gente, o momento da oferta do dízimo é muito comum, né? >> Mas você tem uma menção que ele faz é cada um conforme as suas forças, então conforme pode, de acordo com a sua liberdade vai contribuir ou não. E essa oferta é em função de ajuda aos necessitados, aqueles que têm alguma falta. Então, não é ainda essa essa eh instituição de uma regra ou de algo tão formal quanto depois na questão lá de uma igreja maior e que precisa se manter, né? Mas aí a gente tem isso, então a gente tem o 150 com a a apologia do Justino Marte. Depois, no século seguinte, a gente começa a ter ali a questão eh da tradição apostólica, que também fala sobre as práticas eh da liturgia. E a gente já começa a ver ali uma estrutura de culto que é mais clara e ela é dividida em dois grandes momentos que a gente chama de liturgia da palavra. >> E olha só o nome, né? Liturgia, liturgia da palavra. E a segunda, o segundo momento seria o liturgia, a liturgia da mesa ou liturgia eucarística. Então, num primeiro momento, você dá uma ênfase paraa leitura das escrituras, para esse momento aí de meditação, de orações, e depois você tem o momento da celebração mesmo da ceia, né, da ação de graças pelos elementos, da do partir do pão, da divisão e tudo mais. Tudo isso já muito estruturado no século II. a gente percebe que desde o início existe uma um uma certa estrutura e uma preocupação. Algo interessante, Bib, é que existe uma preocupação com o culto, com o que se faz no culto, porque o culto ele revela e ele constrói, e isso é uma das minhas das minhas teses, o culto ele constrói a identidade da comunidade. E aí o que você faz, pratica recorrentemente, semanalmente, dependendo da do da comunidade, mais de uma vez por dia, até e mais de uma vez por semana, tá moldando a identidade da comunidade, tá ensinando seus princípios, tá reforçando as suas crenças, se as seus valores, as suas bases. Então, existe assim uma preocupação com o que se faz ali e como isso reflete enquanto testemunho também o Deus que essa igreja servia. >> Uhum. Uhum. Eu vou tentar trazer um ponto aqui, Mari, talvez seja um parêntese nessa nossa conversa, porque tu tá me falando que eh existia muita, já existia essa preocupação com a reunião, né? E que já era no domingo também, né, Mário. O domingo já desde muito cedo, eh, ele não é o substituto do sábado, obviamente, pelo menos eu entendo teologicamente dessa maneira. Eu acho que os primeiros cristãos não entendiam também dessa maneira, né, como uma substituição do sábado, >> mas era pelo Eu eu também não sei precisar essa informação, mas eu acredito que não. É mais um lance de que não, a gente faz no domingo porque o Senhor ressuscitou no domingo e tal, esse tipo de coisa assim. E até porque >> é é então esse era o principal fator de ser no domingo, né? Ah, e até porque depois o cristianismo deixa de ser, né, majoritariamente eh, composto por judeus e vai ganhando realmente outras etnias e e raças e tal, >> tribos, línguas e nações. E obviamente que, né, não precisaria estar preso ao sábado necessariamente e tal. Enfim, mas ah, quando a gente fala do culto, agora eu abro um parêntese aqui, a gente sai um pouquinho da questão histórica e vem para uma questão até um pouco moderna ou teológica geral, >> porque às vezes eu vejo que algumas pessoas elas eh tornam o culto de domingo como realmente assim, cara, o culto de domingo, sabe? Eh, o culto tem que ser domingo e o dia do Senhor, né? Geralmente é muito, o pessoal traz muito essa ideia, o o santo culto e tal. E ao mesmo e ao passo tem aquelas pessoas que, mano, é, ah, culto, tanto fez, o cristianismo é no dia a dia, né? Eu não preciso do culto, ah, o culto é só a galera lá, não sei o que, tal. >> Como é, onde tu tá nesse espectro assim, Mário, como é que tu entende? Tu é dessa turma mais o culto, o dia do Senhor e o santo culto e tem que ser o culto domingo não pode? Eh, bem, eu acho que do outro espectro tu não tá, até porque tu é professora de teologia. Espero que tu esteja. Eu julguei agora. Fui bem, fui legalista aqui agora. Tá, >> se eu tivesse ia falar que não tô. É, é boa. Mas enfim, tu entende esses dois extremos que eu tô? Porque assim, a gente tá vendo que desde o começo tem uma preocupação com o culto, né, de criar uma liturgia, de você organizar, você ter uma estrutura. E então o culto é uma coisa importante para o cristianismo, né, desde sempre. Eh, mas será que às vezes não tem uma galera que talvez eh tem uma idolatria do culto? Joguei aqui. >> Existe isso? Po, pode acontecer isso? Não sei. Pode acontecer e não é uma história recente. Isso foi uma crise, eh, um problema, enfim, uma questão a ser refletida e buscou-se soluções nisso no período da reforma já, viu, Bib? A gente tá meio voando na história aqui, né? Mas algo interessante é que esse essas dúvidas elas surgem. E por vezes o nosso aí pensando, refletindo, né, uma um olhar um pouco mais pastoral para coisa, acho que o nosso coração ele busca adorar sempre alguma coisa, né? Ele quer construir ídolos para si. E aí, por vezes, a gente maquia esses ídolos com com uma capa de religiosidade. Então, ah, tem que ser o domingo, é sacramenta aquela aquele dia, porque é isso. E acaba perdendo a função, se transforma um um farisaísmo moderno, né? Por que que a gente preserva o domingo? por conta da história, por conta da tradição, por conta do sentido. Se a gente um dia não puder mais cultuar no domingo, a gente vai deixar de cultuar? Não, a gente vai encontrar alternativas, né? Uma convenção aí, até o nosso calendário, ele é organizado de forma que a gente tenha um dia livre no domingo, então tudo contribui, mas pode ser que não fosse. Então a gente precisa pensar nisso. Existia uma preocupação sim para que houvessem reuniões regulares, para que os crentes não deixassem de congregar. Isso é uma orientação bíblica. E aí ao longo da história isso vai acontecer novamente. Essa crise do não deixar de congregar, como a gente faz para as pessoas frequentarem a igreja. No próprio período da reforma, com toda aquela efervescência lá, existiam até mesmo leis para os países que vão se converter a um protestantismo, leis que obrigam as pessoas a irem, a irem pra igreja, a irem pro culto e se não fosse tinha que justificar. Então tinha essa questão de ter um dia, de ter esse cuidado, mas a gente não pode transformar o dia do Senhor em um ídolo. E ele é um espaço. E aí é importante pensar no princípio. Eu gosto de trabalhar com princípios e gosto de trabalhar com equilíbrio também, né? O princípio é, você tem, você tem que preservar, você deve preservar um momento para estar totalmente concentrado naquela naquele tempo de devoção, de adoração, de crescimento, de comunhão com a comunidade. Então, o culto, o culto público, que é o que a gente tá conversando aqui, o culto congregacional, ele é esse momento em que a gente, como diz o o antigo hino, né, a gente marca o encontro com Deus. Então, a gente toma ali naquele espaço uma consciência da presença, da realidade de Deus e de quem nós somos em Deus. Então, é importante manter essa rotina, essa prática, mas não significa que se não for no domingo a gente vai estar em pecado, né? >> Uhum. Uhum. Muito bom. Muito bom. Muito legal. Poxa, é, inclusive acho que esse pode ser o nome do episódio, né? A importância do culto público. >> Legal. >> Pode ser, pode ser, pode ser até o nome. Bem, a gente tem alguma questão da da Patrícia que ao período medieval ali, né? A gente tem a questão ali dos primeiros quatro séculos e tal, depois vem a Idade Média. Alguma coisa acontece na Idade Média ali antes da reforma. O que que a gente consegue pensar? Lembrando, gente, focando mais na igreja ocidental, tá bom? Eh, no Oriente se desenvolvem outras liturgias, outras paradas que não é o nosso foco aqui. >> Isso, exatamente. A gente consegue pensar essa estruturação extrema surge aí nesse período e a propria Idade Média ela é dividida em muitas fases, né? Eu sou pesquisadora de culto, mas não não sou historiadora, então posso cometer algum erro aqui em alguma informação, mas a gente sabe que ela tem uma divisão de fases, de momentos. Então é um período longo, com muita coisa acontecendo, mas a gente destaca que aparece ali uma cada vez mais essa esse essa atuação da da reunião, ela passa pro clero até o momento em que h a congregação ela tem pouquíssima participação ativa na reunião no que diz respeito à consciência do que tá acontecendo em parte por conta do idioma. E aí algo importante a destacar é que nem sempre toda a reunião era feita em latim. Existiam algum algumas reuniões em que momentos dela era eram feito na língua feitos na língua do povo, mas a maior parte era as orações eram em latim, as canções eram em latim e as pessoas não conseguiam acompanhar aquilo. Então você tem ali uma um o culto ele vira as costas pra comunidade, se a gente puder dizer assim. E você tem também uma perda do senso de congregacional, Bibo. E aí, isso é algo interessante a gente pensar, porque quando a gente vai fazer essa virada para para então os a reforma e a reforma do culto em si, o que que a gente tem ali de momento? Um culto que não é um culto congregacional, porque você tem um grande salão, um templo em que você tem um altar aqui h na frente com uma missa acontecendo, do numa lateral você tem um outro altar menor com outra missa acontecendo e na outra e ao redor da igreja você tem os altares aos santos e as pessoas elas ficavam transitando ali dentro, fazendo as suas orações paraos seus santos. Aí orações em voz alta. E assim, pensa numa num mercado popular. Essa é a imagem que eu tenho, muita gente andando, muito barulho, muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Então, a gente chega nesse momento em que você não tem uma participação, hã, concentrada das pessoas caminhando entre o o momento da da celebração como um todo. Você tem uma distância da atividade, da consciência do que você tá fazendo ali, porque o que que eles aprendem? Tem que cumprir, porque senão você perde seus privilégios, né? E aí a gente vê o surgimento das indulgências, esse essa estrutura das indulgências e tudo mais. muita coisa acontece, mas é esse momento que você tem de uma descaracterização do culto como o espaço da comunidade reunida e junta caminhando para esse para esse movimento aí de adoração, né, e de celebração que acontece >> na reunião >> o culto vira uma o culto ele a gente poderia dizer que o culto ele vira um meio de manipulação, ele vira um meio de sustentar o poder. É porque assim, na idade média a gente tem muito isso, né? Ah, os poderes se misturam bastante, né, em boa parte da Idade Média, assim. >> Sim. Exato. Muitos interesses ali, né? Exato. É como se o culto, então, ele deixasse de ser uma adoração pública e passasse a ser só um meio de controle. >> Exatamente. Faz muito sentido. >> E e de controle até mesmo quando a gente pensa na percepção do leigo, a gente pode até imaginar que de certa forma ele também se entendia como alguém que pode manipular ali o quanto ele recebe ou não de Deus. porque vai depender do quanto de devoção ele tem, de oração ele faz, o quanto de indulgência que ele é capaz de comprar e tudo mais. Então, esse movimento aí de uma de um espaço de manutenção de estruturas de poder, mas também de uma certa h imaginação, uma concepção, uma ilusão de que você pode comprar algo de Deus ou do céu, enfim, da divindade, né? a gente acaba voltando um pouco as religiões eh que pensam que pelo muito dar conseguem atrair a a graça e a atenção da da divindade. >> É, a teologia da retribuição nunca saiu de moda, né? Ela tem na Bíblia, ela tem na história e ela tem hoje, né? Só ligar a televisão. >> Ah, que aliás até tipo e é muito triste você pensar que existem, eu não quero citar nome aqui, apesar de já ter falado bastante dessa igreja, contra essa igreja aqui no meu canal, mas esse aqui eu vou poupar a Mari. Mas cara, tem igreja, tem uma igreja que me vem à mente, assim, pelo menos umas duas, três, quem sabe, mas onde o culto é espaço de manipulação e manifestação de poder para manter status e sustentar impérios, né? O culto não tem nada a ver com Deus, é apenas um meio de manter o povo ali, né? Eh, preso numa ilusão, no que eles chamam de culto cristão. É muito triste isso, né? A Idade Média está entre nós em vários aspectos. Exato. >> A única diferença é que agora a gente tem talvez mais acesso à informação, então a gente conhece mais >> esses excessos, esses extremos, esses desvios, né? Mas eu não penso que esteja tão diferente assim. >> Sim. É, muita gente tem, a internet tem feito isso, né? A gente já falou várias vezes aqui no Betcash, eu falo muito isso no meu Instagram também. Muitas pessoas acabam eh se percebendo num movimento complicado porque estão acompanhando algumas pessoas da internet, né? de repente e rapaz, a minha igreja faz isso aí. E rapaz, não é que esse cara falou tem tá sentido mesmo. Então, muita gente assim se percebe numa igreja ou tóxica ou uma igreja herética com doutrinas complicadíssimas por conta da internet, né? Muita gente acaba inclusive saindo dessas igrejas por conta da informação que recebe. A informação ela é muito poderosa e eu creio também que existe o agir de Deus também, né? Quando pessoas eh eh querem fazer a vontade de Deus e trazer uma teologia saudável, eu creio que há a mão de Deus nisso também. E tenho certeza que Deus usa o nosso canal, como utiliza outros, né? Eu sei que o Discópio houve muitos testemunhos, o próprio Iago Martins, o Escola do Discípulo, só para citar alguns aqui, Víor Fontana também agora, Paulo que estão com canais grandes no YouTube e tal. Eh, com certeza eles, mano, eu aprendi a vida inteira errada, obrigado e tal, né? Claro que não é a nossa responsabilidade de fazer isso, mas a gente tem como mestres temos, a gente sabe que temos responsabilidades naquilo que ensinamos, né? E procuramos fazer com temor, né? >> Eh, talvez nem sempre a gente acerta, mas a gente sempre procura acertar e trazer uma uma informação que tenha base histórica e tal, porque é isso, a pessoa se percebe no movimento. Agora vamos lá, a gente tem, ó, isso foi uma trovada, >> não foi? Portão aqui. >> Nossa, V, o maridão chegou, pede para ele não tirar a camisa. Manda um whats para ele. Olha, não entra, não entra, não entra sem camisa, hein, que eu tô gravando. Não entra sem camisa que eu tô gravando. >> Então o que acontece, Mari? Eh, aí a gente tem o quê, né? Na idade média não tinha internet, né? Você tinha os folhet, você eh Mali Mali tinha recém a imprensa ali no período. O que que a reforma traz de frescor nesse sentido? Eh, como que Lutero, né, filho do seu tempo? Como é que ele começa então a repensar, ressignificar? Como que o culto na reforma eh começa a se manifestar? Ótimo. Algo muito caro pro Lutero trazer a centralidade das escrituras pro culto, né, pro momento do culto. O que a gente tem aí é um é um culto que não tinha como proeminência a instrução por meio da palavra. Você tinha homilia, você tinha leitura dos textos sagrados, isso nunca deixou de acontecer, mas o foco tava na celebração eucarística. E algo interessante é que o processo de de celebração eucarística era visto também como uma espécie de entrega de de de uma eh um rito. Vamos pensar no no sistema da entrega dos sacrifícios do Antigo Testamento. Então você tem ali alguns reflexos, né? Então o foco tava ali nisso, uma espécie de sacerdotalização, né, restrita e e que encobre aquele momento. A partir da reforma, a gente percebe algumas mudanças nesse olhar pro culto. Então, a celebração eucarística permanece sendo importante, mas a centralidade das escrituras também. E aí isso é muito evidente quando você percebe esse esse impulso e esse trabalho, esse investimento para que a escritura ela ela seja de fácil acesso, esteja na língua do povo. Isso a gente sabe, né, que foi um movimento que aconteceu. A imprensa favoreceu muito isso. Então eu penso que algumas coisas acontecem na plenitude dos tempos, né? Olha só a providência, eh, trabalhando ali para que a palavra ela fosse divulgada de forma mais facilitada, né, na língua do povo. Então, você percebe isso. Existem mudanças também dentro do culto no que diz respeito a essa questão da língua, da língua vernacular, não significa que tudo passou a ser na língua do povo. A gente ainda preserva algumas orações, algumas alguns momentos, mas algo interessante que se tinha que já se tinha na missa espécie de folhetinho de folhetim que explicava os momentos do da reunião e tudo mais, mas você tem ali na reforma essa intenção para que alguns momentos sejam consistentemente na língua do povo. Então, as orações, os reformadores defendem que não podem ser feitas em latim, porque o povo precisa concordar com o que ele entende. Isso é um princípio importante até pra gente trazer pra nossa realidade, né? O povo tem que entender o que acontece na reunião cristã. Ele não pode concordar, ele não pode participar de algo que ele não tem entendimento. As canções também passam a ser na língua do povo e elas passam a ser facilitadas. Então, o que você tinha antes era uma estrutura de música muito elaborada, com grandes coros, com uma estrutura musical que a gente chama de polifonia, que são muitas melodias acontecendo ao mesmo tempo. Isso é difícil de entender o conteúdo mesmo, porque você tem ali um uma grande massa sonora acontecendo ao mesmo tempo. É muito bonito, mas é um tem um valor estético que sobrepõe o valor do conteúdo. E o que a gente vê de mudança de mentalidade na reforma é que o conteúdo é primordial, o conteúdo é importante, você tem que entender a palavra, você tem que ter consciência do que tá acontecendo ali. Então a gente vê esse movimento. Algo importante que acontece também, e aí eu eu acho muito curioso e recentemente até falei sobre isso no Instagram, é que a estrutura da mobília muda. Então você vai encontrar igrejas do início da reforma que colocam o púlpito, trazem o púlpito pro centro do salão e os bancos ficam ao redor uma estrutura aí eh octagonal, né, e circular. E aí a a tentativa ali, o interesse é de fazer com que as pessoas visualmente percebam a centralidade da palavra naquela reunião. Outra questão importante que acontece na reforma é que existe uma busca ali por concentrar todo mundo no mesmo momento. Se antes você tinha um um um grande salão em que estava cada um fazendo ali o seu culto, né, participando um pouquinho de cada coisa, na reforma existe uma uma um esforço muito grande para fazer as pessoas entenderem que o culto é um espaço de reverência, Bibo. Isso talvez seja algo que a gente também precise resgatar, né, cara? >> Caramba, muito bom. >> É, então o culto era para ser um espaço de reverência. Existem reformador eh reformadores. O próprio Calvino, ele fala que o culto tem que ser um lugar de silêncio, tem que ser um lugar de concentração, de temor. Então não é não é para fazer, sabe, eh, enfim, espetáculo com aquilo, é pra gente se concentrar mesmo. É um lugar reverente, é um lugar silente, é um lugar, >> mas acho que tem a ver com a cultura de Calvino, Mar, né? Frio demais, entendeu? Aqui na América Latina não dá esse conselho de aqui a gente é alegre. aqui na África também esse conselho de Calvino aí não rola não, entendeu? >> Ah, eu assim, eu penso que no no que diz respeito à expressão, com certeza a gente tem que trazer eh a nossa a nossa cultura para dentro da conversa. O que a gente não pode fazer é colocar a cultura acima do princípio. Aí se a nossa expressão ela sobrepõe o princípio de que nós continuamos na presença de um Deus santo e que o nosso culto é um culto em que a gente compreende o que tá acontecendo, aí a gente tem que repensar. Mas obviamente é muito possível fazer um culto extremamente alegre, animado, dançante e participativo com a mesma consciência da santidade, da grandeza de Deus, né? O que acontecia ali é que Deus era um era um caixa eletrônico. Então você vai, você pede, você deposita ali sua contribuição e é isso, né? >> Aí tem esse esse desejo de voltar. >> Legal. É, até o a gente não vai se deter muito aqui no lance de da música em Lutério, que eu tenho um episódio muito legal, BTQ 171, que eu gravei com eh duas pessoas que estudaram a história da música de Lutero e tal, é com a Fran e com a Letícia. Tá bem legal esse episódio. É o BTQ 171, é Lutero e a Música. Bem focado mesmo na toda a compreensão. A música tinha um papel muito importante para Lutero, até catequético e tal, enfim. Mas a gente fala isso lá no BTQS 171. Vamos lá, Mário. Outros outros fatores assim que esse do silêncio é uma coisa e isso explica algumas coisas, tal, né? Essa essa orientação de Calvino, eu acho que é e mesmo um culto alegre, ele vai ter o momento do silêncio de se ouvir a palavra, né? Eh, e às vezes dependendo do movimento e cultos, eh, e tipo, eh, o pessoal parece que não se acalma, né? Sempre agitado, sempre naquela rotação alta. E o aqui-vos e sabei que eu sou Deus, ele às vezes algumas liturgias podem perder um pouquinho essa dimensão, né, do aquiietar-se e saber que ele é Deus, né? Isso é importante esse >> esse momento, né? Bom, tem algo que a gente trabalha aqui na enquanto igreja local e no seminário também eu tento trazer para eles, é que o silêncio ele também é litúrgico e nós precisamos aprender a lidar com isso, porque uma uma da dos efeitos do culto é que ele é uma o culto tem uma proposta contracultural, então ele não vai seguir exatamente as demandas da cultura em todo momento e atender as necessidades que a cultura nos impõe. Então, quando a gente pensa no nosso contexto, ocidente, mídia, acesso à informação, por vezes poluição no que diz respeito à informação, a gente é sobrecarregado, a gente é super estimulado e a gente, por vezes pode confundir, achar que tem que reproduzir esse padrão no culto para ele ser eficiente, para as pessoas se manterem. E aí a gente acaba transformando o culto num espaço de de entretenimento e a retenção da atenção a todo custo. E aí algo que a gente precisa pensar e aí por isso que eu gosto de trabalhar com princípios. O qual é o princípio, né? A qual é a forma, a regra do momento? Tem que ter silêncio, tem que ser aquela coisa muito reverente. Mas o princípio é o quê? A gente tá aqui se concentrando completamente nesse nosso momento de aumentar a consciência que nós temos sobre a presença de Deus, de nutrir a nossa comunhão uns com os outros, de receber da palavra de Deus. E existem situações agora, uma situação eh pessoal, né? Às vezes na igreja a gente faz um momento de silêncio, a gente chama de oração silenciosa, né? Não tem o teclado tocando no fundo, não tenho um violão, não tenho nada. E eu eu também faço a direção do culto e às vezes eu preciso reforçar isso. Neste momento nós vamos orar em silêncio, porque é para ver se a gente consegue >> olhar para dentro de nós. Nós estamos tão acostumados a sempre ter um ruído que a gente tem quearade de lidar, né? >> Pois, mas eu tenho uma dúvida bem bem honesta mesmo, Mari. O Espírito Santo, ele age sem o pé, sem aquela nota contínua do teclado que cria aquela atmosfera? >> Sabe que o Espírito Santo >> já a presença de Deus? Exato. Porque cara tem que ter aquela aquele tã, sabe? Tem que ter alguém falando i, sabe? >> Entendeu, Lord? Assim, cara, o Espírito Santo age, meu, nesse silêncio, sabe? Tipo, mano, porque esse padzinho ajuda a gente se emocionar, né? Aquela fumaça e tal. A risada do, a risada do Orx, é isso, >> um chorinho. Ajuda. Eu espero que o Espírito Santo ainda esteja trabalhando sem música, porque senão a gente tá um pouco perdido. >> Olha aí. É verdade. >> É, >> mas que que coragem, né? Eh, muito legal. Ah, eu sou de uma igreja bem tradicional também agora, né? Tem tem um ano que eu tô na Meú, a Missão Evangélica União Cristã. E eu e minha esposa a gente queria mesmo uma igreja eh menor, menos church, entendeu? menos parede preta, menos fumaça, menos barulho. A gente realmente tava bem eh incomodado com os louvores modernos, assim, uma questão bem cultural, meio da minha esposa mesmo, sabe? A gente cansou das músicas atuais, assim, o momento de louvor para nós estava bem difícil, né? A músicas repetitivas, som muito alto, fumaça, luz, a gente não, a gente envelheceu rápido demais nesse sentido assim. E a nossa comunidade agora é uma comunidade mais tradicional e tal, eh, enfim, parede branca, luz toda acesa, sem fumaça, louvores mais tradicionais e tal, e a gente tá bem feliz assim. E de fato tem momentos de silêncio mesmo. A oração às vezes é só o pastor que tá orando, a gente fica em silêncio. A gente também tá se pra gente também tá aprendendo a se adaptar a uma liturgia eh mais assim eh mais baixa, por assim dizer, baixa no de volume mais baixo, uma coisa mais, sabe? Não dá nem para conversar no culto que senão o pessoal vai ouvir, entendeu? Entendo. Eh, eu vejo que assim, eh, é bom que nós tenhamos diversidade de liturgias, né? Porque há quem necessite de mais movimento, tá tudo bem, isso é ótimo. E eu penso assim, né? O fato da da Bíblia não nos dar uma estrutura tão fechada, ela tem eh pontos muito positivos e isso é um deles, a gente não ficar preso a uma forma e acabar não indolatrando uma forma, né? mas pensar com princípios e como a gente vai eh adaptar isso paraa nossa comunidade. E a posição que vocês sua esposa fizeram foi de discernimento, né? Vocês não começaram a a criar ali um movimento contra interno, contra a igreja de vocês que vocês não gostavam. Vocês buscaram uma comunidade que se identificam mais. Isso é saudável, né? Isso é importante. >> Ex. Olha, eu eu quero ser repetitivo aqui, galera, porque eu queria que você eu não vou repetir porque ela acabou de falar, mas volta aí os próximos um minuto. E isso acho que é a essência desse podcast que tu acabou de falar, Mari, que não tem uma fórmula pronta e glória a Deus por isso, >> porque se permite uma diversidade que, sem sombra de dúvida, é importante no ID por todo mundo, pregai a toda a criatura. >> É importantíssimo a gente ter isso em mente. Muito legal. É, >> mas e aí, Mari? Enfim, momento de silêncio. Eu nem lembro onde a gente estava historicamente. >> Já vamos para agora. É, já vamos para agora. >> Ótimo. >> Já v >> aí depois disso, né, depois de reforma, a gente tem aí mais eh pluralidade ainda, porque você vai ter diferentes tradições acontecendo, né, aquelas diretamente herdeiras da reforma, que preservam uma estrutura de culto bem parecida com essa dos dois momentos, né, a liturgia da palavra e a eucarística. A própria igreja luterana tem essa estrutura muito forte, né? Aí vem os presbiterianos, depois vem os batistas com uma estrutura um pouco mais livre e assim vai diversificando. Pentecostais também muita coisa acontecendo até a gente chegar no momento de hoje em que a gente tem ainda igrejas que preservam uma estrutura mais tradicional de liturgia e a gente tem igrejas que preservam uma estrutura bastante h simples no sentido de poucos elementos e poucos momentos. E penso, Bibo, que aí a gente começa a refletir também sobre, OK, até que ponto a a contextualização eh nos permite preservar elementos fundamentais ou a gente faz tudo em nome da contextualização? Acho que não entendi. Me explica, me explica. Não entendi. Onde tu quer chegar com essa tua tua provocação, ela quer nos levar onde? >> Provocação no sentido acadêmico. OK. Sim, isso de reflexão, né, da gente pensar. Quando a gente olha, um dos grandes dilemas hoje, especialmente quando a gente trabalha com culto, e e é uma situação que a gente lida aqui no seminário, trabalho em um seminário que tem mais de 100 anos, que tem uma tradição com formação de líderes e com formação de ministros de música, que hoje é a pessoa, o coordenador, líder da adoração, líder do louvor, enfim, cada igreja vai dar um nome, mas essa pessoa aqui foi a ela delegada a função de preparar o culto, né? né? Então, geralmente quem organiza as músicas, quem pensa na estrutura, acaba sendo esse esse ministro, esse líder. E aí uma das das questões que a gente recebe, que a gente já ouve muitas vezes aqui, ah, eu não vou mandar o meu o meu o meu jovem, enfim, o meu membro da igreja pro seminário, porque ele vai chegar lá, ele vai ficar muito tradicional e e isso não comunica mais. Hoje as igrejas não querem saber de liturgia. Hoje pra gente comunicar com as pessoas, a gente não pode ser uma coisa tão enrijecida e a gente novamente volta para aquele estereótipo. E aí o que eu penso é como é importante a gente conhecer a história pra gente entender de onde viemos e e o fato de não termos uma estrutura fechada não significa que não tenhamos elementos e princípios. E o fato da gente conhecer nos faz conseguir preencher o culto com momentos importantes necessários paraa formação cristã. Agora, se a gente tá no escuro completamente, sem nenhum tipo de referência, o que que a gente vai fazer? A gente vai chegar num modelo de culto, eu chamo carinhosamente de culto sanduíche. Eu vou te explicar porque o que que o que que o o que que o sanduíche tem, o pão, o queijo e o pão, certo? O sanduíche mais basicão lá. E às vezes a gente chega num culto que a gente tem música, pregação e música. E olha lá se a gente vai ter algum uma pregação, né? Porque às vezes a gente tem uns b uns minutinhos ali de palavra devocional ou de qualquer coisa. e mais muita música. E aí, por que que a gente, o que que aconteceu pra gente chegar nesse lugar, né? O o que que se perdeu ao longo do caminho que a gente deixou de orar com a congregação, que a gente deixou de de ler a Bíblia com a congregação, porque a leitura das escrituras foi importante ao longo dessa tradição do culto cristão e ela se perdeu. Hoje em dia a congregação lê pouco, hoje em dia a congregação atua pouco. E pode acontecer de uma situação em que você vai para um culto em que a congregação só assiste. máximo ela levanta para cantar no momento do louvor quando tem espaço, porque às vezes o culto tem tanta coisa, tem tanta participação, tem tanto solo, tem tanta, enfim, tanto elemento que se colocou ali dentro que a congregação ela, o máximo que ela faz é atuar 10 minutos e depois ela só assiste. >> Então, acho, >> caramba, como é que faz, Marão? Porque assim, eh, boa parte dos cultos cristãos, que eu já fui e tal e olha que eu rodo o Brasil por aí pregando, né? Mas é basicamente isso. A gente senta lá e e o muit muitas igrejas t um momento de louvor bem extenso, né? 40 minutos de louvor e tal. E aí é onde a gente tem a participação e até às vezes forçado a participar por conta dependendo do ministro de louvor, né? >> Aham. >> Mas grosso modo, é geralmente isso, é louvor, aí depois senta e vê o que tá acontecendo, né? Quais são os elementos que a gente poderia eh que talvez poderiam dar um um plus assim, tipo, e não ser só um sanduíche, entendeu? Mas ter um pouco mais a participação da comunidade, assim, quais elementos tu acrescentaria? >> Isso eu penso que é algo muito importante, parece parece bobo a gente falar, né? Mas a gente precisa orar. A gente ora pouco no culto. A gente incentiva as pessoas, a gente pouco incentiva as pessoas a orarem e a gente pouco faz as orações de forma consciente. Então, acho, eu acho rico quando nós temos momentos de oração intencionais e não somente o Ah, acabou de cantar se muito obrigado por esse momento. Amém. Mas se a gente conhecer as necessidades da comunidade em comunidades eh menores, talvez seja um pouco mais fácil fazer isso, né? Porque você consegue dividir em duplas, orar uns pelos outros, essa dinâmica fica mais orgânica, né? Mas eu penso que até mesmo em comunidades maiores, a gente ser intencional nesses momentos é importante. Eu defendo que nós precisamos trazer de volta um momento de interseção, que por vezes é pouco feito de forma intencional. apresentar necessidades, apresentar pedidos, a gente se ver mais como comunidade e menos como uma plateia que tá consumindo uma programação. E como a gente se entende muito enrijecido nessa estrutura de plateia, de enfim, de programa que tá acontecendo ali, a gente fica despessoalizado, a gente perde essa característica de comunidade, né? >> Pois é. Tu sabe, Mari, que a igreja que eu tô, como eu falei, ela não é uma igreja grande e tal, deve ter os seus 150 membros >> e deve ter mais, né? Mas os cultos dá essa média para menos e tal. E o primeiro culto que a gente foi, teve esse momento assim de E aí de repente era isso lá, né? Citando o nome do irmão, a o problema do irmão. E é muito louco porque a gente às vezes tá em casa, a gente lembra: "Pô, será que o irmão Francisco saiu da saiu bem da cirurgia, né?" E cara, dá um senso de comunidade muito legal mesmo, né? >> Porque eu acho que é isso, as grandes igrejas elas acabam perdendo um pouco isso no culto público e elas tentam compensar nos pequenos grupos, né? Exato. >> Elas tentam compensar nos pequenos grupos, >> mas e de fato se perdeu bastante o lance de se orar mesmo no culto público, né? Tu falou uma coisa que eu eu não tinha. É verdade. A gente ora pouco no culto público. >> A gente eh e assim não ã o os pequenos grupos eles têm o seu valor e eles cumprem muito essa função, né, de identificação, de engajamento e tudo mais. >> Mas aí a gente precisa voltar lá na nossa referência. A reunião dos crentes tinha oração. Isso é um elemento fundamental. E aí a gente esvaziar isso se eu assim num lado extremo da coisa, a gente tá quase sendo antibíblico, como é que se reúne pro culto cristão e não ora? Então assim, >> ah, sei que aqui parece uma uma coisa meio doida, mas passa um pouco por isso da gente perder o que era básico e a gente acrescenta o que o que não >> não é elemento fundamental, acrescenta um monte de coisa. Por exemplo, vou fazer uma uma uma, enfim, um apontamento aqui. Você já participou de algum culto em que o momento do aviso ele toma tanto aquela reunião que você se perde completamente? >> Meu Deus. Meu Deus. Aviso, aviso mata culto às vezes, velho. >> Mata no meio do culto às vezes. E aí tem aquela fila do cada líder de ministério dá o seu aviso e aí você pede. O meu marido ele fala que vira um balcão de negócios porque tá todo mundo ali promovendo seu empreendimento, né? Então assim, isso não é elemento do culto, não. A gente pode e hoje em dia, com tanto acesso à informação, a gente pode fazer, divulgar as nossas programações e tudo, não necessariamente você tem que estar dentro do culto quebrando completamente aquela liturgia e tirando a gente do nosso foco. Aí faz o aviso, aí entrega o presente, aí faz o sorteio e aí você perde completamente o sentido daquela reunião. Então acho que voltar e aí como que resolve? Você falou, ma, como é que a gente resolve? É porque assim, como é que resolve o Mari? E eu vou te interromper pelo seguinte, >> porque eu não sou contra o aviso no culto. Eu acho que é um elemento que pode estar ali no culto, porque às vezes é quando tá todo mundo reunido mesmo e nem todo mundo acessa o WhatsApp e tal. Se bem que hoje em dia tá todo mundo no WhatsApp, mas enfim, vamos partir para esposa que talvez a dona Maria não acesse o WhatsApp e tal, então eu não sou a favor, mas ele precisa ser muito bem feito para realmente não quebrar o rolê, sabe? porque senão ele >> exatamente >> eh perde um pouco essa essa essa dimensão de uma coisa assim >> eh santa, uma reunião dos santos, o fluxo é mas precisa mas precisa ser bem feito, senão realmente >> ex contra do Eu não sou contra ao aviso na minha igreja, inclusive a gente faz aviso, mas a gente coloca, >> a gente tem dois momentos ali de comunicações, digamos assim, no início do culto, aquele videozinho que geralmente as igrejas acabam aderindo, né? né, com a programação fixa. Ele é o mesmo vídeo que passa toda semana logo no início do culto, antes da gente começar efetivamente a cantar e tudo e ao final do culto que for algum aviso esporádico, é é coisa da semana, aí o pastor vai lá e reforça de forma muito objetiva, sucinta a gente, a gente tem um momento, mas para mim é um pecado muito grande você enfiar esse 15 minutos dentro do culto, porque você perde completamente o foco do que tava acontecendo ali, né? Legal. >> São adaptações. Agora, por muitas vezes a gente briga e e eu já vi acontecer, Bibo, da de est organizando, né, a o programa do culto e a a gente precisa da comunicação da campanha X, a campanha Y, não sei quê. Então vamos tirar uma música. Ah, então vamos tirar essa oração daqui porque você precisa do tempo ali dentro e a gente tá invertendo. >> Eita. Hum. >> Entende? Então acho que a gente precisa compreender isso. >> E aí, só respondendo a pergunta, né? Como é que faz? Eu penso que a gente precisa ter acesso a conhecimento no sentido de de a igreja precisa entender isso como precioso. Ah, e aí a gente trabalha com projeto, eu tinha um professor que falava isso, isso aí é uma questão de educação, é um projeto educacional. Se você não compreende o culto como algo importante, você não vai dar atenção para ele, você não vai desenvolver a igreja nesse sentido, que é um projeto educacional. Então, parte da gente tornar isso acessível, isso ah, é curioso, né? No início da igreja, a única coisa que eles tinham era o culto e aí hoje parece que o culto é a última coisa que a gente tem. Então, a gente precisa tornar isso ou talvez trazer essa essa discussão para para pr pra mesa novamente. Eu acho que tem acontecido muitas muitas ações legais. Eu acompanho muita gente pela internet que fala sobre isso e que tem tornado esse assunto algo palatável, né? não assustador e e medieval. Então, acho que passa um pouco de de um tem que ser parte do projeto da igreja de formação, de discipulado, de projeto pedagógico mesmo da da comunidade, senão realmente a gente não vai >> não vai aproveitar da melhor maneira. Eu acho que queria ouvir te ouvir sobre isso, Mari, porque a gente tem um problema que acho que não é só da igreja, mas acho que é um problema social, humano, que essa ideia de que a humanidade como um todo parece estar perdendo a dimensão do nós, né? Eh, o respeito pelas autoridades tem diminuído com o passar, né, do dos séculos. ah, é uma sociedade mais voltada para si mesmo, sem a noção de coletividade. E eu penso que muitas vezes o próprio culto cristão eh acabou sofrendo essa influência, né, de é uma religião para mim, né? Então eu tenho aqui o meu momento. Então é isso. Ignore o irmão que tá do seu lado e levante suas mãos, >> né? Eh, você veio aqui para cultuar a Deus e tá certo, né? que é tudo que tá acontecendo ao seu redor. >> Exato. Então a gente tem essa ideia. Por isso que a luz é apagada, né? Então é só o palco que é iluminado e tipo e o resto tá tudo. Então mano, é isso. Foca aqui é você e Deus agora, né? >> Então a gente mesmo tem cultos que parece que são feitos para o tempo que a gente vive, que é o tempo do self, né? O tempo do eu, o tempo onde eu não, eu vou pro culto para eu falar com Deus. Se eu tenho as minhas necessidades atendidas, é eu e Deus. E é isso. Acabou o culto, vou embora. E é isso. Essa comunidade aqui eu são a galera aqui. A gente perde o lance. >> É, eu eu perco esse lance assim de >> de comunidade, né? Porque é um culto feito para mim, entende? Para eu me sentir bem. Então eu vou escolher músicas que falam mais dos problemas pessoais, >> que vão falam mais da minha intimidade com Deus. E a maioria das músicas hoje é isso, né? É, eu e Deus. Eu não sou contra também, tá gente? Não quero bancar o chato aqui. Tem muita música gospel que eu gosto, que eu ouço, que eu já, né? Só que às vezes a gente no culto é só isso, né? É eu e Deus. É, é como só se tivesse eu e Deus ali no culto. E aí eu perco toda a dimensão do nós, né? Então, acho que o culto ele sofre com isso também, né? que é um problema eh pós-moderno. >> Exato. Eh, o culto, a reunião dos crentes desde o seu início, ela é reunião do coletivo, ela é o corpo de Cristo. >> E a gente é ensinado, eh, pelo próprio Deus, que essência é comunidade, né? E nós somos criados para sermos eh integrantes de uma comunidade, para viver em sociedade. Isso é o que nos constitui. Mas nós sofremos hoje com muitos estímulos para essa personalização de todas as experiências. >> Uhum. >> E aí tudo gira em torno do que das nossas preferências, né? A lógica do algoritmo e quanto mais você alimenta com o que você gosta, mais ele te devolve e aí você vai se retroalimentando. E a gente tá nessa lógica de que tudo tem que ser exatamente na minha forma. E aí quando eu vou pro culto, eu tô condicionado a criar essa expectativa de que o culto vai ser bom se o culto falar para mim exatamente sobre tudo que eu preciso e aí eu não preciso me envolver. E aí você falou sobre essa questão de do culto e tal. Eh, aconteceu uma coisa curiosa. Um dia, Bibo, eh, eu dei uma aula sobre culto e a gente tava num momento de perguntas e alguém perguntou sobre essa estética, né? Será que essa questão da estética sempre a luz muito apagada? Você não vê ninguém? Eu tô falando dos extremos, tá? Eu preciso deixar isso bem claro. A gente não, não tô aqui criticando uma forma, não tem nenhum problema. Quer apagar a luz? Pode apagar, tá tudo certo, é você que resolve. Aí o que a gente tava discutindo ali era o que que isso pode sugerir, quais as implicações isso pode ter. E podem, aí reforça essa palavra, pode ter muitas implicações. E aí uma delas é justamente essa essa dificuldade, essa falta de percepção da gente dentro de um contexto, de uma comunidade, de um conjunto de interação. Aí eu tava gravando essa aula, peguei o corte dessa resposta e coloquei no Instagram. Bib, eu tive muita resposta eh que falava exatamente assim: "Eu não entendo que o culto é o momento da comunidade, eu não preciso olhar paraa cara de ninguém. Eu não quero interagir com ninguém. O culto é eu e Deus. O meu louvor é para Deus. Eu tive, eu tive, eu tive depoimentos, né, respostas assim. Meu louvor é para Deus. Eu não tenho que olhar pro meu irmão, não tenho que falar com ninguém. Eu é justamente por isso que eu não quero. Eu gosto desse espaço justamente porque eu quero ficar mais confortável, eu quero ficar mais à vontade. O que é isso? senão uma falta de compreensão de teologia do culto e um coração que tá totalmente eh moldado pelo seu tempo, é o o espírito do seu tempo, né? Então a gente precisa entender que nesse sentido o culto, assim como o evangelho, atua como a proposta contracultural. A gente em muitos momentos vai divergir do que a o momento presente nos impõe. Isso é bom, porque isso apresenta o sentido também da nossa fé, né? Que é uma fé da comunidade. Sim. Realmente tem desafios. >> Sensacional, gente. Que papo bom. Mari, obrigado pelo teu tempo. Valeu mesmo por trazer esse ampassan aqui da história do culto. Foi muito legal, gente. O @damari, tá? Mari produz bastante conteúdo para o Instagram. Eh, é voltado mais pra área da música, Mari, ministro de louvor e tal, ou tu tá diversificando? Porque eu vejo muita coisa voltada para esse lance de música e tal, mas claro que eu acho que eu não vejo tudo que tu posta, né? Mas o que eu vi tava muito voltado para isso. >> Isso tem ali três três ênfases maiores, né? O Ministério de Música em si. Então, a questão de repertório é algo que eu falo bastante, até por causa do livro que é sobre música para culto, tem a questão eh de liderança cristã, que a gente acaba passando muito por isso. E eu também desenvolvo bastante o que diz respeito a culto e cultura. Então, a gente tem esse braço ali e aí isso conversa com todo mundo, né? não é específico de ministério ou de liderança. Então, a gente fala fala sobre isso, essas discussões que a gente teve, algumas aqui, a gente desenvolve lá também, porque tudo que a gente é é uma retroalimentação, né? A nossa cultura, a gente vai ser influenciado por ela, mas a gente também pode influenciar e compreender fundamentos ajuda a gente moldar o nosso ambiente e ensinar as próximas gerações e a nossa geração também. >> Muito bom, muito bom. Então, o @damari vai tá aqui na descrição deste BTCash em bibota.com, no YouTube e talvez agora já esteja no Spotify e outros apps aí. Mas, ó, com certeza na descrição aqui do YouTube tem o @damari e também em bibota.com. É só você procurar esse BTC aí nessas plataformas. Segue a Mari se esse assunto te interessa. Ó, mais uma mulher fazendo teologia. Parabéns, Mari. Precisamos, né? Sempre falamos isso aqui no Bibotalk, né? Mais mulheres produzindo teologia, fazendo teologia. Glória a Deus por isso. Tá bom, gente. Segue a Mari aí. E mais uma vez, Mari, obrigado pelo teu tempo aqui no BTC. >> Eu que agradeço aí pelo convite, pelo papo que foi muito bom. Espero que essa conversa seja a bção aí pro pessoal >> e a gente vai repetir, se Deus quiser. Galera, ficamos por aqui. Fiquem todos na paz do Senhor Jesus e até o próximo BTC. M.