Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

COMO UNIR A TEOLOGIA COM A PSICOLOGIA A BÍBLIA? – HELDER CARDIN

COMO UNIR A TEOLOGIA COM A PSICOLOGIA A BÍBLIA? – HELDER CARDIN

COMO UNIR A TEOLOGIA COM A PSICOLOGIA A BÍBLIA? – HELDER CARDIN

A tarefa de conciliar os mandamentos bíblicos com as afirmações da psicologia é uma tarefa árdua. Entretanto, como demonstra o teólogo Helder Cardin, nós precisamos diferenciar entre descrição e interpretação da realidade.

Adquira o livro: https://www.vidanova.com.br/livros/saude-mental-e-sua-igreja

EDIÇÕES VIDA NOVA

Edições Vida Nova: https://www.vidanova.com.br/

Versão Bíblica Almeida Século 21: https://bibliaalmeida21.com.br/

Teologia Brasileira: http://www.teologiabrasileira.com.br/

Cruciforme: https://cruciforme.com.br/

Instagram: https://instagram.com/edicoesvidanova/

Facebook: https://www.facebook.com/vidanovaedicoes/

Twitter: https://twitter.com/edicoesvidanova

Telegram: https://t.me/edicoesvidanova

Legendas automáticas:

Agora, quando a gente fala dessa união
dos dois, existe aquele debate entre,
mas pera aí, a suficiência das
escrituras? Como é que a suficiência das
escrituras fica quando a gente tenta
aproveitar algo da psicologia? Então,
como essas duas coisas podem se mesclar,
>> joia? Eh, o senhor, ótima, ótima
pergunta. ela ela reflete um debate
histórico muito grande. Eh, eu diria que
não é só no aconselhamento, não, na
própria teologia, por exemplo, como
lidamos com o conceito de graça comum,
>> né? Verdade.
>> A questão ela acaba sendo mais
pertinente ao aconselhamento bíblico,
justamente porque eh eh das disciplinas
teológicas, das disciplinas
ministeriais, é a mais dedicada ao
trato, ao cuidado do indivíduo, né, do
ser humano. Eh, então eu quero dividir
essa essa resposta, a minha resposta em
dois em dois níveis. Primeiro deles,
como os autores trabalham, tá? E o
segundo, o que seria uma outra
perspectiva não conflitante, nem
complementar, um pouco distinta da
deles, né? Primeiramente eles trabalham
com o conceito de uma certa
compatibilidade
ou mútua cooperação entre Bíblia, eh,
entre teologia e psicologia,
psiquiatria, seja lá qual for a ciência
eh de trato do ser humano, né? seja
mental, psíquica, física, seja lá o que
for, a partir do conceito de graça
comum, que, aliás, é um conceito que
todos nós cremos, especialmente no
contexto da tradição reformada, né? O o
o ser humano, ele foi feito à imagem
semelhança de Deus, dotado de capacidade
intelectual, né, cognitiva, afetiva,
comportamental, eh, criativa, volitiva,
né? Então, então assim, o o médico,
independente de ser crente ou não, ele
atua no mundo, né, domina o jardim de
Deus no âmbito da medicina pelas
capacidades que Deus lhe deu. A a
habilidade criativa do ser humano não
vem do diabo, vem de Deus. a capacidade
de pesquisa, de entendimento, de reduzir
a conceitos, de reduzir os elementos da
natureza, a uma fórmula, né, seja da
culinária ou da medicina, isso vem de
Deus, né? Não podemos negar isso, a
própria capacidade de estabelecermos
processos educativos que lev em conta as
características de cada faixa etária. Se
em determinado momento unir o lúdico com
o visual e o cognitivo, isso
potencializa o conhecimento. Isso é
graça de Deus.
E e senor, independente de quem fale
isso, enquanto expressando graça e
verdade de Deus, aquilo é compatível com
a revelação de Deus.
>> Sim. Sim. Eu gosto muito daquela frase
famosa, né? Toda verdade é verdade de
Deus.
>> Isso. Isso. Por quê? Porque se ela é
verdade, epistemologicamente falando,
ela encontra respaldo ou coerência com a
verdade de Deus. Não existe uma fonte
paralela a Deus e sua revelação de
verdade. Não existe. Uhum.
>> Né? Agora a gente tem que lembrar, já
quase que indo para essa outra, a a
segunda parte da resposta, nós temos que
nos lembrar que a Bíblia ela não é um
compêndio exaustivo de todas as
realidades, todas as circunstâncias, da
medicina à biologia,
tá? Da botânica à engenharia,
da matemática psicologia, seja lá o que
for. Isso não é a Bíblia. Uma visão
equivocada da Bíblia nos fará achar que
ela é um manual inesgotável, quase que
um dicionário, de verbetes infinitos,
que trata de todas as questões, todas as
realidades e circunstâncias humanas, da
direção do meu carro à educação do meu
filho, tá?
>> Isso, isso não é a Bíblia,
>> tá? Então, voltando pra questão dos
autores, eles abordam, né? Eles propõe
uma perspectiva mais integrativa entre
aquilo que compete a teologia, aquilo
que compete ao aconselhamento, aquilo
que compete à Bíblia, um trato do
indivíduo, da sua saúde, da sua
sanidade, dos seus distúrbios,
transtornos, seja lá o que for, nesse
âmbito de competência. No entanto, nós
precisamos nos lembrar que existe a
medicina, existem medicamentos,
existe essa descrição de comportamentos,
esses padrões de atitudes
ou circunstâncias que designam um
eventual eh uma eventual doença eh
orgânica ou mental de alguém. Nesse
sentido, ô ô Saur, eles são muito
equilibrados, viu? Muito muito
equilibrados.
Eles não colocam toda a ênfase ou toda
todo o o resultado do trato de indivíduo
na medicina, na psiquiatria. Eles são
muito equilibrados. Isso é muito legal.
Então, eh eh a gente tava até
conversando em off aqui, né, eu e você,
antes de de gravar, como eles são
conciliadores no sentido positivo,
>> né? Eles eles enfatizam a verdade
bíblica. Sor, eles falam muito sobre a
igreja, eles falam muito sobre a
centralidade de Jesus. Eles falam muito
sobre a palavra de Deus, o que é muito
bom, mas eles não desconsideram a
realidade da medicina, eventualmente da
psicologia e e tantas outras ciências
que podem cooperar nessa descrição do
indivíduo. Uma coisa muito, muito legal
e que eu concordo demais com eles, é
quando eles dizem que a medicina, a
psicologia são eventualmente capazes de
descrever comportamentos, mas elas não
são capazes de interpretar. as causas ou
as razões desses comportamentos nos
aspectos mais profundos do coração
humano, na realidade mais profunda do
indivíduo, na sua aceitação ou rebeldia
para com Deus. Cara, isso é muito legal,
isso é muito certo, né? Eles até falam,
né, que precisamos cuidar eh não apenas
com a afirmação de uma determinada
logia, né, seja psicologia, pedagogia,
sociologia, medicina, o que for, mas
devemos também nos preocupar com a
cosmovisão subjacente a essas
perspectivas. E aí ele vai dizer: "A
maior parte dessas ciências são
antropocêntricas,
elas são fora da revelação divina,
portanto nunca terão uma perspectiva
correta, definitiva, verdadeira sobre
todas as coisas, embora possam ter
relampejos da verdade." E é isso aí, né?
Agora, eu não sei se eu necessariamente
chamaria, né? com isso estamos
integrando uma abordagem
integracionista, não é uma abordagem que
está disposta a ouvir, a considerar
perspectivas descritivas da realidade
humana. No entanto, em termos
interpretativos,
em termos eh tratativos desse indivíduo
na sua realidade imaterial, espiritual,
aí o aconselhamento pela palavra de Deus
centrado em Jesus certamente é o mais
adequado. A segunda parte da minha
resposta, ela tenta lidar com o
significado de suficiência das
escrituras. Ao longo da história da
teologia, três termos surgem. nós
acabamos conhecendo apenas um deles, né?
Sola escritura.
Sola escritura significa o quê? Que
apenas a escritura, e a gente teria que
voltar paraa reforma protestante, não é
nosso propósito, né? Somente a escritura
é fonte autoritativa, inequívoca,
revelada de Deus, tanto naquilo em que
devemos crer, quanto em como devemos
viver.
Ela que pauta da nossa teologia ao nosso
comportamento. Isso é só a escritura. O
segundo elemento é o tota escritura.
Tota escritura significa que toda a
escritura é revelada, inspirada por Deus
plenária e verbalmente. Ou seja, eh, de
Gênesis a Apocalipse, o todo da
revelação é verdade de Deus. Isso quer
dizer, Saor, que aquilo que Deus fala
sobre o ser humano em termos da sua
criação, da sua composição em Gênesis, é
verdade.
Tanto quanto o retrato de personagens
bíblicos em profunda angústia, como o
livro dos Salmos. Aliás, uma coisa muito
muito legal e que eu uso muito no
aconselhamento, né? Eh, os autores falam
determinado ponto como é importante ler
Salmos com pessoas que lidam com crises
eh mentais, né? como os salmos exprimes,
angústias, dificuldades, percepções
humanas da realidade. Então, Salmos tem
muito a nos ensinar sobre isso. Isso é
tota escritura. No entanto, mais
especificamente na virada do século XIX
para o século XX, com o surgimento do
movimento fundamentalista,
que é muito legal e bonito na sua origem
para combater o liberalismo teológico,
num segundo momento, ele se torna mais
sectário, belicoso, divergente da
seguinte forma: todo mundo que não pensa
ipsis líteres em todas as cláusulas e
artigos que como nós tá fora, é heregem.
E um dos conceitos que se formula a
partir disso é nuda escritura. Nuda
escritura, nada além da escritura. Então
vamos lá. Sola escritura, tota escritura
e nuda escritura.
Eh, numa perspectiva, eu diria,
desbalanceada,
nuda da escritura, significa o seguinte:
não. Se não tá na Bíblia, não é de Deus.
Então, nada além da escritura tem
capacidade argumentativa, diagnóstica,
interativa, propositiva, tratativa do
ser humano. Tá? Mas isso não é a Bíblia.
A Bíblia, então aí eu volto à questão da
suficiência. A Bíblia é suficiente,
autoritativa e verdadeira como revelação
de Deus.
Ela é inequívoca
em absolutamente todos os elementos que
ela trata como revelação de Deus. Mas
ela não é um livro inesgotável. Tanto é
que ela tem começo, meio e fim.
>> Sim. Sim.
>> A Bíblia ela não trata de absolutamente
todas as circunstâncias minúcias de toda
a experiência humana, de toda a
história. Isso quer dizer que ela não é
suficiente? Ela é suficiente, ela é
autoritativa como fundamento do qual
partimos para lidar com toda e qualquer
circunstância ou realidade pelo qual o
ser humano passe. Mas isso não quer
dizer que ela descreva todas as
circunstâncias
>> ou que ela esteja preocupada ou
intencionada em trazer para nós em
minúcias detalhes exaustivos sobre os
nossos sentimentos, nossas emoções,
crises ou dificuldades.
Eh, tô extrapolando até um pouquinho
aqui, mas eu acho que é importante para
responder essa pergunta, né? Deixa eu
falar para você como é que eu trabalho
essa questão da autoridade e suficiência
das escrituras no aconselhamento.
>> Sim.
>> Eu trabalho com duas expressões
a partir das escrituras e conforme as
escrituras, em que elas são diferentes a
partir das escrituras significa o quê?
Existem verdades, relatos, registros,
conteúdo revelado, registrado, escrito,
do dos quais todos nós temos que partir.
Só que ela não trata de absolutamente
tudo, porque esse não é o propósito
bíblico,
>> tá bom?
>> Aí entra o conforme,
>> conforme o todo da escritura, conforme a
sabedoria bíblica, né? Por exemplo,
quantas experiências humanas nós temos
que a Bíblia não prescreve
por causa disso? tá liberado e eu faço o
que eu quero. Não, porque existe uma
sabedoria conforme a Bíblia. Existe uma
verdade que eu desenvolvo a partir da
Bíblia. Isso até o que alguns autores
mais da teologia sistemática vão
trabalhar a diferença entre Bíblia e
doutrina. Bíblia é a verdade revelada.
Doutrina é a formulação
lógico-sistemática encadeada da verdade
bíblica de uma forma compreensível e
explicável da parte daqueles que
entendem a verdade revelada. E eu diria
para você que então sola, tot e nuda
escritura ajudam a gente com cada uma
das suas explicações, tanto a entender
autoridade suficiência, quanto com o que
a Bíblia não está lidando e que,
portanto, não deveríamos atribuir a ela
uma responsabilidade a um propósito que
ela não tem, né? Então, a Bíblia é
suficiente inequivocamente,
tá bom? inegavelmente,
ela trata de absolutamente tudo pelo que
o ser humano passa. Não, isso não é o
propósito dela. Vamos ser sinceros. Ela
é história de Deus, não de ser humano. E
quando a Bíblia fala do ser humano, fala
em relação a Deus, não em relação a si
mesmo. Então, isso quer dizer que ela tá
mais preocupada em descortinar para nós
o caráter, feitos e propósitos de Deus,
do que simplesmente tratar em minúcias e
detalhes exaustivos todas as
experiências humanas. Então isso quer
dizer que eventualmente pela graça e
bondade de Deus outros ramos vão ter
oportunidades de descreverem para nós
padrões de comportamento. Aí eu vou
dizer: "OK, legal, informação
interessante, isso parece fazer sentido,
verdadeiro. Agora, biblicamente, nós
vamos ter que lidar dessa ou daquela
forma. Então, o que eventualmente outros
ramos podem descrever, sua Bíblia pode
interpretar.

Tags: