Davar Live – 20/03
21/03/2026
– Canal Davar
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Fonte: Davar – Religião e Opinião
Legendas automáticas:
Fala pessoal, tudo bom? Boa noite para vocês. Como que vocês passaram aí a semana? Tudo tranquilo? Já vou dar aqui um um boa noite pro Oziel que já apareceu aqui, já diz first. Primeiro, primeirão, né? O Oziel tá sempre aí acompanhando as nossas lives. Então, boa noite para vocês e vamos começar aqui mais uma mais uma live, algumas coisas pra gente conversar hoje aqui. Deixa eu já até silenciar meu celular. Tá? E quem tiver aqui acompanhando, se puder dar aquele feedback de som e e imagem pra gente ver se tá tudo certo, tá bom? Então tá, gente, eu vou começar com a tradição que a gente iniciou semana passada, tá bom? Vou dar uma olhadinha nos comentários que alguns comentários que eh foram feitos essa semana no canal em algum vídeo, né? não necessariamente no último vídeo, eh, pra gente começar comentando um pouco sobre o que que pessoal deixou aqui. E eu queria começar, gente, com um comentário que foi eh da live da semana passada, não da live anterior, mas foi feito essa semana o comentário. E Lúcia Faria diz eh bom dia, boa tarde, boa noite. Sou espírita e também pensamos assim. Se Deus parar de pensar, nós deixamos de existir. E penso que Deus não quer mudar as coisas porque ele é a perfeição e a sabedoria infinita. Já criou um universo perfeito, nenhuma mudança faria sentido. Eu achei interessante esse comentário aqui da Lúcia. Eh, e eu acho que tem coisas aqui que a gente consegue comentar em cima disso. O pessoal falando que o barulho da semana passada voltou. Então, só um instante. Dei uma desplugada e plugada de novo no microfone aqui. Vamos ver se já tá OK. Boa noite pro Carlos também que comentou aí do do barulho do microfone. É, gente, é uma coisa, né? Esse microfone é uma coisa. Então, se vocês puderem me dizer aí se tá funcionando bem hoje o microfone. Bom, eu vou falar aqui então do comentário da Lúcia. Deixa eu ler de novo aqui o comentário que diz o seguinte: "Bom dia, boa tarde, boa noite. Sou o espírita e também pensamos assim: "Se Deus parar de pensar, nós deixamos de existir. E penso que Deus não quer mudar as coisas porque ele é a perfeição e a sabedoria infinita. Já criou o universo perfeito, nenhuma mudança faria sentido." Diz aqui a Lúcia faria. Que que é interessante desse comentário? Ele tem alguma conexão com o texto bíblico? Porque o texto bíblico quando ele termina de descrever a criação do mundo, eh, a expressão que Deus usa é tovmeod, que significa muito bom. Então, Deus olhou tudo e falou: "Esse que tudo é muito bom". Eh, como se a criação tivesse terminada num ápice, como se as coisas tivessem terminadas de forma perfeita mesmo, né? Se não tivesse nada para melhorar, ela já foi foi feita de forma eh excelente, né? Na verdade, todo o relato da criação, ele usa diversos elementos que enfatizam uma ideia de perfeição, diversos elementos. Se a gente fosse parar para pensar aqui, até algumas algumas maneiras de ler o texto bíblico que são menos ortodoxas, vamos dizer assim, dão essas essa eh dão essa ênfase, né? Eh, gente, se vocês puderem me dar um um feedback aí do som, se o som melhorou ou se continua esquisito, só para eu saber aqui. Então, uma uma coisa que é interessante, quando a gente pega o verso um de Gênesis 1, né, eh, é um texto aqui em hebraico, ele vai ter, vai ser o seguinte, vamos contar as palavras, né? Beresit, Bará, Elohim, Etha Hashamain, Vetarets. Sete palavras logo no primeiro no primeiro verso. Eh, essa a o número sete, o número sete ele vai dar uma uma ideia de de algo que é completo. É uma perfeição. O pessoal costuma falar que o sete é o número da perfeição. a perfeição no sentido de completude, uma coisa que está completa, né? É o é o número sete. Então, logo no começo, essas sete palavras, é claro que, como eu falei, essa é uma interpretação pouco ortodoxa. Eh, obrigado aí, gente, pelo pelo pelo feedback do som aqui. O Ed falou que tá bom, tá ótimo. O Osel diss que ainda tem aí, tá leve, mas ainda tem um chiadinho, né? Bom, e eu disse que essa interpretação é uma interpretação pouco ortodoxa. Por quê? Porque eh não é um jeito assim mais ocidental de interpretar o texto bíblico. E às vezes esse tipo de interpretação pode cair meio na ideia de tá bom, a gente faz aqui umas somas de números e se der o número que a gente quer, a gente vai interpretar desse jeito. Se não quer o número que a gente quer, a gente interpreta de um outro jeito, né? Então é meio que você vê o que está lá antes de de estar lá, entende? Então, é, eu puxei microfone mais para perto. Eu tenho a sensação de que eu deixo o microfone longe e ele e ele chia. Mas vamos lá, vamos voltar aqui. Eu a minha cabeça vai vai viajando. Mas essa interpretação numérica, ela também é bastante tradicional e a gente vê que o próprio texto bíblico usa números em sentidos eh os números são quase como palavras. Os números têm um significado pro texto bíblico. Então, o fato de ter sete palavras dentro dessa maneira de ver o texto seria uma indicação que o texto tá falando que o a criação acontece de um jeito perfeito, completo, as coisas são excelentes, né? A gente junta isso com a ideia do tov meod do do tudo é muito bom, né? que Deus fala na quando ele completa a criação. Eh, vão ter outras questões numéricas também, palavras que se repetem o número sete aqui e ali. Os próprios sete dias da criação já dão essa ideia de que quando Deus termina de criar o mundo, ele realmente é perfeito. Não tem, Deus não teria o que mexer no mundo, né? O problema é o capítulo 3 de Gênesis, que no capítulo 3 você tem uma uma quebra, você tem uma descontinuidade desse dessa perfeição. E é meio que eh é muito difícil essa parte. A gente já discutiu isso algumas vezes aqui, mas Deus entrega pro homem a possibilidade do homem decidir uma vida diferente dessa vida de perfeição. Aí a humanidade, né, o homem, a humanidade acaba, a humanidade acaba decidindo essa vida diferente da perfeição que Deus fez. Então, por mais que Deus tenha criado o mundo perfeito e que Deus não teria o que adicionar no mundo, nem mexer nele, porque ele já é perfeito, no capítulo 3 de Gênesis se coloca essa queda, a queda da humanidade, a quebra da continuidade de perfeição que Deus tinha feito. E a partir daí, o texto bíblico vai entender o mundo como um mundo que tá distante da perfeição que era idealizada por Deus no início, entendeu? E todo o relato da criação é uma ideia de busca do retorno dessa perfeição. E essa perfeição não é alcançada facilmente. Não é só o homem voltar pro Éden. Como a gente já comentou aqui duas lives passada e duas lives passadas, o caminho pro Éden tá sendo guardado por um querubim e uma espada de fogo. Ou seja, você não volta mais pro Éden. Ele não é tão facilmente retornável assim. E aí você vai ter todo a caminhada bíblica para no final lá em Apocalipse a gente vai falar de novo de um novo céu e uma nova terra. E aí vão voltar elementos ali do do capítulo 1 de Gênesis. Ou seja, Deus vai recriar o mundo no final dos tempos. Toda essa caminhada da humanidade é esse iato entre a perfeição do começo e a perfeição do final, né? Então o ideal de Deus vai voltar a ser restaurado no final dos tempos. E a gente tá caminhando, caminhando para esse sentido. Então, voltando aqui pro comentário da Lúcia, de fato, Deus criou um mundo perfeito, mas do ponto de vista bíblico, a gente não vive mais nesse mundo perfeito. O mundo foi, a perfeição foi distorcida pela humanidade, pelas escolhas da humanidade, né? E um dia ela pode, ela vai ser restaurada e a gente pode participar dessa restauração, né? Eh, essa essa é a ideia bíblica da condição do mundo. O o que é interessante é que o essa essa ideia da que que foi colocada de que o mundo já é perfeito, ela é um pensamento estóico, né? O estoicismo, com o próprio conceito de logo, de logos, né? Que a gente comentou aqui também em umas lives passadas. Acho que uma das primeiras lives quando a gente, desde que a gente começou a fazer lives, né? É que o o estoicismo descreve o mundo como o mundo tendo sido criado pelo Logos, né? O o capítulo um lá de João faz menção a essa ideia e e depois associa o Logos ao próprio Cristo, sendo através dele o mundo foi criado. Mas a ideia de que o mundo é perfeito da forma que é, porque existe uma lógica por trás dele. A própria palavra lógica em português é uma referência ao logos grego, né? Eh, que, ou seja, existe, até no que aparentemente é imperfeito, existe uma perfeição. As coisas são do jeito que deveriam ser. E essa é a forma de ver o mundo a partir do do estoicismo. Eu não sei se essa visão histórica tem alguma influência no espiritismo, né? Que a pessoa que comentou aqui, a Lúcia tinha comentado que é espírita. Então eu não sei se o espiritismo também parte dessa desse pressuposto mais histórico, né, da criação perfeita, do mundo sendo perfeito, apesar as próprias imperfeições são perfeitas, né? Mas no texto bíblico a gente tem essa ideia de quebra, né? Essa ideia da queda e da perversão dessa dessa perfeição inicial e depois um retorno, né? Aí o Ozel comenta aqui: "Mas vez eu ouvi que por começar com berê como uma casa e o começo da Torá estaria dentro dessa casa." Ah, deve ser porque a palavra berexit começa com a letra bait, que é a palavra casa. a a letra B em hebraico, o nome dela é Casa Baites, né? Até porque inicialmente essa letra era um desenhinho de uma casa e depois pegaram eh esse desenho da casa para representar o fonema B e tal lá na época dos dos fenícios, né? Eh, e aí se cria o alfabeto fonético e tal e e assim por diante, né? Talvez venha daí, Eusel, essa ideia. Esse é o tipo, esse, essa, essa interpretação que você deu aí, Oziel, é o tipo de interpretação que é mais tradicional dentro do meio judaico e ela soa meio extravagante dentro do meio cristão. E eu entendo, o cristianismo costuma procurar uma interpretação que seja mais racional. E as interpretações judaicas, muitas vezes elas vão para um caminho mais simbólico mesmo, né? Eh, não que ele às vezes eles querem dizer que isso é uma um significado oculto no texto, mas às vezes não. Às vezes eles só pegam eh uma ideia que tá no texto para usar ela como um símbolo de uma outra coisa. Então, é como se tudo tivesse dentro de uma casa e tal, né? Aí o DJ coloca: "A noção de tumolam é comum em algumas linhas do judaísmo, mas pelo que notei há uma ideia mais ligada ao ramo da Cabala". né? E a restauração do mundo, né? Eu não sei exatamente, eh, DJ, o que que é eh a ideia de restauração do mundo ou tic molando dentro da Cabalá, mas eh a ideia em si de restauração de forma genérica é uma ideia bíblica assim que aparece no Antigo e no Novo Testamento. No Novo Testamento mais explicitamente, mas já desde o antigo a gente tem essa ideia de de uma certa restauração, né? A gente vê o final do cântico de Moisés lá em Êxodo 15 falando e Adonai em BL Leolan vaieta, né? O Senhor reinará para todo sempre. Uma ideia do de um reino de Deus sendo estabelecido e tal. E essa ideia vai voltar em outros livros proféticos como Daniel e tal, uma intervenção direta e sobrenatural de Deus no final dos tempos e tal. Então, eh, a ideia desse, desse, dessa restauração do mundo, ela existe na Bíblia, mas talvez acaba lá tem uma interpretação mais específica, né, sobre essa essa ideia, né? Aí o Marcos Portinho coloca aqui: "Boa noite". Perfeito. E boa noite, perfeito. Quem criou a doença, né? O o Marcos falando, né? dessa ideia de que o mundo seria hoje perfeito. Exato, né, Marcos? O texto bíblico coloca que a gente vive nessa quebra, nessa descontinuidade da perfeição, que é a forma que o texto bíblico interpreta esses problemas, né? A própria morte, que dentro do estoicismo é entendida como um ciclo natural da vida e tal. E vai ter outras outras linhas. Eu acho que o próprio espiritismo, né, da pessoa que fez a a pergunta também vai entender o a morte como um ciclo natural, que aí você tem inclusive a reencarnação e tal. Eu não manjo nada de espiritismo, viu, gente? Eu tô aqui falando do que que é senso comum. E eu acho que até o senso comum eu entendo pouco. Eh, mas dentro do texto bíblico, a própria ideia de morte é uma aberração. Ela não é natural. Eh, então ess a ideia de morte, ela vai ser destruída no final dos tempos. E aí, né, como o o Marcos colocou aqui, a própria ideia de doença também, né, a própria doença vai desaparecer. Doença, sofrimento de forma geral. O texto bíblico vê como um inimigo a ser combativo, combatido. Não que mesmo nessas consequências da queda da humanidade, Deus não possa através dela operar operar coisas boas também, né? Eh, o texto bíblico também fala muitas vezes no Novo Testamento da gente aprender com os momentos ruins. Está passando por sofrimento, usa isso de uma forma boa e você consegue através desse sofrimento alcançar um conhecimento melhor, se tornar uma pessoa melhor, né? Aprender alguma lição. Deus pode ensinar lições através do sofrimento, apesar do sofrimento em si não fazer parte do plano de Deus, né? Eh, aí o João coloca aqui: "Deus criou o mundo perfeito, o homem transformou o mundo perfeito num inferno". É mais ou menos por aí mesmo, viu, João? É mais ou menos por aí, né? Eh, a gente tava comentando lá na igreja esse esse sábado, né? Porque a ideia de inferno é interessante, porque a ideia de inferno em si, a gente pode falar disso aqui algum dia, a ideia de inferno em si, do jeito que a gente tem também no senso comum, assim da daquele lugar cheio de de cheio de demônios com o diabo espetando as pessoas com tridente e tal. Essa ideia não existe na Bíblia. Eh, e o que é interessante é, a Bíblia nunca disse, não existe nenhuma passagem da Bíblia que diz que o diabo está no inferno, né? O mais próximo disso é no final dos tempos. Lá em Apocalipse diz que o diabo vai ser lançado no lago de fogo, né? Mas o diabo não está no inferno. Mas existem passagens bíblicas que o diabo que dizem que o diabo está na terra e que aqui é um lugar onde há sofrimento. Então, de certa forma, esse inferno do senso comum é aqui. A gente vive nesse inferno que as pessoas dizem, né? E a ideia do texto bíblico é um dia restaurar esse inferno e fazer ele voltar a ser o paraíso, né? Eh, mas é mais ou isso daí que o João falou, né? Deus criou o mundo perfeito. O homem transformou o mundo perfeito no inferno. Você meio que isso aí mesmo. [limpando a garganta] Eh, Salomão Tigre, a paz do Senhor, irmãos. A paz do Senhor, Salomão e a Cláudia Souza. Tudo certo? Então tá, gente, tem mais um comentário que eu queria ler aqui, eh, de uma pessoa, a Susana, eh, ela disse aqui que ficou feliz de de ter sido citada no vídeo anterior, que ela também tinha feito um comentário, ela sempre faz comentários durante a semana aqui nos vídeos. Ela diz o seguinte, um um uma pergunta interessante aqui. Gostaria que você falasse sobre a família que Abraão constituiu depois da morte de Sara e também da segunda esposas de Moisés após Zípora, salvo engano, ele teve uma segunda família também, mas a Bíblia não trata muito desses assuntos. Então, exato. São duas questões, né, assuntos interessantes. A segunda família de Abraão e a suposta segunda família de Moisés, né? Vamos entender o que que são esse essa esses comentários aqui. Primeiro, né? O que seria essa segunda família de Abraão? Depois da morte de Sara, no final da sua vida, lá em Gênesis 25, Abraão casa de novo. Não sei se se vocês já perceberam esse detalhe que aparece aqui no texto bíblico. Então, no final da sua vida, Abraão casa mais uma vez. Então, ele diz o seguinte, né? Eh, Gênesis 25 verso 1. E Abraão tomou outra mulher e o seu nome era Quetura e deu-lhe a luz a Zimbrã, Joxan, Medã, Midian, Gisbac e Suá. Aí vai começar uma uma mini genealogia aqui desses filhos e tal e fala do final da da morte do da do final da vida de Abraão. Então, a gente tem essa quietura. É uma figura enigmática, uma figura misteriosa que aparece no final da vida de Abraão. Essa outra esposa aqui de Abraão, né? Quem é Quetura? O texto bíblico não fala quem é, fala de simplesmente que Abraão se casou depois da morte de Sara. Ele se casou com essa quietura, né? Eh, e é interessante a gente pensar que Abraão, né, ele já era bastante idoso nessa altura aqui do campeonato, né? E ele casa de novo e tem outros filhos, né? Lembra que Abraão não tinha filhos, eh, e ele vive sua vida sem ter filhos. E depois, quando já era idoso, ele tem um filho, Ismael. E Deus fala: "Não, ainda não é esse filho, o filho da promessa. Ele tem outro filho, que é Isaque, e no final da vida, ele casa mais uma vez e tem outros filhos ainda, né? Então, a gente tem essa eh essa história aqui que aparece, né? Deixa eu dar uma lidazinha aqui nos comentários, porque tem já alguns spoilers aqui do que que eu vou comentar agora e vou ver e vou ver se tem mais alguma coisa aqui pra gente comentar também, né? O DJ fala: "O TUM seria uma espécie de retificação da maneira como a conheci, é próxima da proposta da nova era, dos alquimistas, etc. Não é uma redenção como está no cristianismo. Ah, tá. Eu acho do DJC é o que eu tô entendendo é mais ou menos a ideia que os os saduceus tinham de que esse essa retificação do mundo, eles entendiam inclusive a ideia de Messias em si não como uma pessoa, mas como uma época, uma era que aadeidade entrar nessa era de essa era messiânica, né? E talvez eh essa o ticão molanda da cabalá seja alguma coisa que faça menção essa ideia, uma era, uma era de restauração, né? Talvez seja isso, né? Eh, também tô comentando aqui de coisas que eu não sei, mas interessante, né? O Luís Fernando fala aqui: "Quem crê e for batizado será salvo, mas quem não crer já está condenado." Sobre o comentário de que o inferno é aqui. Então, [risadas] exato, né? O Luís Fernando disse, né? Nós já estamos condenados e é nos é oferecido a salvação, né? E quem aceita essa salvação agora está salvo, apesar de ainda não viver no reino de Deus nesse mundo restaurado, né? Eh, o Carlos Muniz vai colocar aqui falando sobre esse texto que a gente falou aqui de Gênesis 25 verso 1, que é o que eu ia comentar agora. A tradição judaica conta que Agar é quetura. Eh, e que enquanto Abraão mandava Eliáser buscar uma esposa para Isaque, esse estava esse estava trabalhando em Ber Laai Roí, levando Agar e Ismael de volta para casa. Ou seja, lá no final, quando ele ele mand no final não, quando ele manda Elizer buscar uma esposa para Isaque, ele vai justamente na no poço que eh que a Agar tinha ido, né, quando ela foi expulsa ali do meio. Então é uma ideia que é interessante porque seria eh uma uma espécie de lealdade de Abraão, né? aquela mulher que foi expulsa por causa de Sara, agora depois que Sara morre, ele acolhe essa mulher de volta, né? Eh, é uma ideia interessante. É aquelas coisas da tradução judaica que não tem um fundamento no texto bíblico, não tem um texto bíblico que apoia, mas tem ali uma tradição formada em algumas indicações do texto, como esse lugar, o o posto de Ber Lairoíi, né? É, e ele vai falar que Isaque vai viver naquela região também depois da morte, né, que tá lá em Gênesis 25 verso 11. Aconteceu que depois da morte de Abraão, Deus abençoa Isaque, seu filho, habitava junto Isaque junto ao poço Berliro que, ou seja, tem uma ideia aqui de que existe uma conexão que não foi perdida com aquela região aondear foi enviada depois que ela saiu lá do meio, né? Eh, só para trazer aqui a referência, né? essa essa tradição de que eh quetura é Agar, ela vai aparecer na tradução judaica, nos escritos de Irashi, no no Bereshi Traabá 614, né, que é que ele vai dizer que é a mesma pessoa. vão ter e ele faz uma conexão aqui com o nome, né, de quetura, provavelmente associada ao a palavra ketoret, que é incenso, né? E e diz que a as ações de de Agar eram eram eram agradáveis diante de Deus, como incenso que sobe e tal, ou também com a a expressão catar, que é nó, né? e diz que ela ficou ela, ela ela foi atada a Abraão. Ele vai fazer esse tipo de raciocínio que, como eu falei, né, a tradução judaica nem sempre ela faz uma um argumento lógico, mas ela vai pegar algumas palavras e vai usar elas como um símbolo para dar força para pra ideia que eles estão dando, né? Então é isso que é falado aí. Eh, bom, aí e também tem opiniões divergentes, né? Não é essa é uma das a tradução judaica não é uma coisa só, tem várias coisas, né? E o Abravanel e Ibinra, que são outros dois rabinos importantes, vão falar que ela vão discordar dessa visão, né? Eles vão falar que é uma outra mulher que apareceu lá no final da vida de Abraão, não é Agar, né? Então tem essa essa visão interessante aí sobre quem seria a quietura aí no final da vida de Abraão. Agora, qual é esse caso que foi comentado aqui de quem seria essa outra esposa de Moisés? Essa ideia dessa outra esposa de Moisés aparece por causa do texto de de Números 12. vai falar o seguinte: "Falaram Miriã e Arã contra Moisés por causa da mulher cochita com quem casara, porquanto tinha casado com uma mulher cuchita". Então, eh, Kush é onde seria etiópia, uma Abrão seria casado com uma mulher etípe, mas Zípura no texto bíblico é dito que ela era era midianita. Então, eh, existem algumas interpretações sobre esse texto. Uma diria que ela teria essas duas ascendências, então ela era midianita e cuchita também. Então, aqui eles estão falando de zípura. Essa é uma interpretação que não é muito eh que não é muito que não é muito bem aceita, né? Inclusive, acho que essa é a interpretação judaica também de Rashi, que vai falar que que a mulher cushita é zípora, mas a a visão mais aceita é que ele tá se falando de uma outra pessoa. Então, provavelmente Moisés, o texto não fala da morte de Zípora e do casamento de Moisés com outra pessoa, mas como ele fala dessa mulher coxita, existe essa outra interpretação que seria uma outra pessoa com quem Moisés casou depois, né? Alguns até comentam, talvez de um preconceito aqui, né? Porque eles começam a falar de contra a mulher por causa porque ela era uma mulher cochita, ou seja, uma mulher etípe, uma mulher negra, uma mulher africana da Etiópia. Eu acho essa visão também um pouco forçada, porque toda essa percepção de racismo que a gente tem, ele surge depois do modelo da escravidão atlântica que a gente teve aqui, né? Os escravizados foram trazidos da África para cá, foram sequestrados, trazidos para cá. A gente vai falar um pouco disso um pouco mais tarde hoje. Eh, e aí teve toda essa tensão racial, se associou à ideia das pessoas com a cor negra, com o os escravizados que vieram da África. Aí tem toda uma ideia de inferiorização e aí faz toda essa relação. Mas eu acho difícil antes disso a a a cor da pele simplesmente já trazer um significado negativo assim, sem contexto também. Não acho que faz muito sentido isso, mas até a gente onde a gente sabe é só isso que se tem, que tem uma mulherita e por causa dela tem essa briga entre Mirã, Miriã e Arão contra Moisés. E a partir daí eles passam a questionar inclusive a a a eleição de Moisés como o líder do povo. E é por causa desse episódio que Mirian fica leprosa, né? Por causa, parece que tudo começa com essa mulher coxita, que era esposa de Moisés aqui, que ninguém sabe se é a própria zípura, se é uma outra pessoa. Então é um outro caso misterioso aí. Quem é quetura e quem é a mulher cochita? Quem era a quetura que Abraão casou e quem é a mulher cochita que Moisés era casado aqui em Números 12? Então é isso, gente. Eh, esses eram os comentários que a gente tinha aqui durante a semana, que eu quis trazer aqui pra gente falar um pouquinho sobre eles, né? Eh, aí o Marcos coloca aqui: "Por que quando você ganha é graça de Deus? Quando você perde é culpa do homem?" É uma boa questão, viu, Marcos? Eh, no texto bíblico é meio que a ideia de que a gente não tem merecimento nenhum por nós mesmos. Então, o fato da gente ter nascido em pecado, eh, que é essa ideia que a gente estava falando um pouco antes, né? a gente já nasceu nesse mundo que está degradado, ou seja, tudo que a gente esperaria é só morte e sofrimento mesmo. Mas Deus nos dá algo além disso. Por isso que normalmente se entende as coisas boas como os como vindas da mão de Deus, né? E as coisas ruins como consequência dessa queda do homem da da humanidade, né? dessa condição de pecado em que a humanidade se meteu. Normalmente é assim que se pensa, mas também eh é um essa é uma visão que no texto bíblico às vezes aparecem perspectivas diferentes sobre a mesma questão. Então existe lá um texto de Isaías que é bem polêmico, eu não lembro exatamente agora de cabeça onde que é, mas ele fala que Deus faz o bem e o mal, Deus faz a luz e as trevas, né? Eh, Jó também fala, ó, se a gente, se Deus nos dá as bênçãos, né, por que que a gente não esperaria também as maldições vindas de Deus, né, a as desgraças, né? Então, eh, então, eh, na própria Bíblia também tem essa perspectiva de que tudo vem das mãos de Deus, até as coisas ruins, né? De certa forma, se a gente for pensar que Deus criou o universo, faz sentido essa percepção. Ela não é necessariamente eh oposta à ideia de que Deus só dá o bem, só faz o bem. Então, Deus faz o bem intencionalmente e Deus faz o bem e o mal de eh porque a origem de tudo está em Deus, né? Seria mais ou menos essa a ideia. Claro que a gente vai entrar numa discussão aqui bem mais profunda, né? o que que é o mal, se Deus pode fazer o mal sendo ele essencialmente bom e tal. Mas de forma geral, a Bíblia tem essas várias perspectivas, entende? A Bíblia também fala que tudo vem das mãos de Deus até o que é mal, né? Eh, o sogro de Moisés aparece como Reuel e depois como Jetro. Não sei se é coisa de tradução. Então o Rewell e Jetro são entendidos normalmente como sendo a mesma pessoa, né? Porque não tem essa diferença de é de de tempo aqui, de nada, porque eh a gente pode supor que essa essa mulher coxita veio depois de zípura, já tá aparecendo aqui em números, né? Eh, masell e Jetro são dois nomes que meio que que aparecem e são meio que intercambiáveis no texto bíblico. Tem essa sensação. Eu sei que dentro da da hipótese documental, que é uma outra coisa aqui, mas só para tocar no assunto, é, vão falar que são nomes do sogro de Moisés vindo de tradições diferentes, assim como o Sinai também é chamado de Monte Sinai, tem um um outro nome também que a seria da tradição deutoronomista, né? Puxa vida, eu não queria ter esquecido disso. Eh, não, deixa eu colocar aqui no Google, só pra gente não deixar essa informação. Qual o outro nome pro Monte Sinai? Eh, Oreb, né? O monte Oreb. Então, o monte Oreb. Ah, aqui o o Carlos também colocou e Orev, né? ou ova que ele colocou aqui, Oreb, eh, o monte Oreb seria o nome para Monte Sinai vindo de outra tradição, né? Então, tem essas o texto bíblico tem essas coisas. Então, essa hipótese documental é um jeito de explicar essas diferenças de nomes pra mesma pessoa ou pro mesmo lugar, né? Eh, vamos ver aqui que que o pessoal tá comentando. Mia ficava no que hoje é o sudoeste da Arábia Saudita, né? E Jetro é um título de nobreza, né? Interessante aqui que o Carlos coloca, né? O Zé coloca depois de Êxodo 15, Getro chega novamente com Zipar e os dois filhos que estavam com ele, né? Eh, você Silva falar: "Boa noite, chegando agora e retornando para início, não quero perder nada". Legal. Eh, o Ozel colocou aqui, Deus cria o surdo e o mudo, né? Falando da ideia de que Deus cria o mal, né? Aí seria depende da interpretação, né? o a pessoa que nasce com algum tipo de deficiência ou algum tipo de eh algum tipo de diferença que que ele não tem um sentido ou ou que alguma coisa que torna a vida dele mais difícil e tal, seria seria o que Deus criou intencionalmente ou seria a criação de Deus funcionando agora nessa condição separada do ideal divino, entende? que eu quero dizer, ou seja, Deus criou um homem com a capacidade, Deus criou a humanidade com a capacidade de se reproduzir. Eh, mas essa capacidade de se reproduzir acaba saindo do ideal divino depois da queda da humanidade. Ou seja, agora o homem pode se reproduzir, a humanidade se reproduz e pode gerar filhos, é, com algumas características que, que são, né, que podem trazer sofrimento, podem ser trazer algum tipo de dificuldade e tal, né, ou até mesmo alguma doença séria. Pessoa já pode nascer com uma doença séria e tal. Então isso seria que Deus criou a pessoa daquela forma ou a pessoa nasceu daquela forma dentro de um contexto de um mundo que tá já distante do ideal divino, né? Eh, aí é a discussão que você tem, né? Eu entendo mais dessa segunda forma. Eh, acontece coisações com Jó, mas ele não pecou, né? Diz aqui, João. Ovável é o outro nome de Getro. Ah, tá, tá, tá. Aqui o Carlos Clock. Eu tava pensando que era Oreb que ele escreveu errado, mas é Ová, é outro nome para Jetro. Eh, então é, a gente tem esses personagens bíblicos que tem mais de um nome mesmo, né? Aí o Marcos coloca aqui essa questão, eh, Deus faz o mal, Deus é pecador, que seria a consequência natural. E é por isso que existe uma explicação que não é exatamente isso, né? Se Deus faz o mal, Deus é pecador. Porque o porque o mal o pecado é consequência do mal, né? Eh, então a ideia seria, Marcos, para explicar isso e não cair nesse raciocínio, seria que o que Deus faz é tudo. Só que as coisas como são hoje já estão diferentes do que Deus criou. Por isso que existe o mal, que Deus criou um mundo com a possibilidade da humanidade fazer o mal também. E a humanidade quando faz o mal, ele ela distancia toda a criação de Deus do ideal divino. Seria mais ou menos essa a ideia. Então Deus cria o mal indiretamente. Ele não cria o mal com intenção de fazer o mal. Ele cria tudo, inclusive a possibilidade da sua própria criação fazer o mal. E a criação faz o mal. Seria mais ou menos isso, entende? Eu tô eh eu tô simplificando um raciocínio aqui bem complexo, tá? Pra gente não, se a gente entrar nessa questão aí a gente vai longe nela, né? Aí o Solomão coloca aqui e rone explicação sobre o sacrifício dos dois bodes. Um era sacrificado e o outro era solto para o deserto. Eh, eu vou falar primeiro o comentário da Lucilene, que ainda tá mais ou menos nessa ideia. Aí a gente fala disso, tá, Salomão? E aí, terminando isso, a gente vai, porque eu fiquei devendo a semana passada de um react aqui para um outro vídeo, né? Aí a Lucilene coloca: "Boa noite, há um entendimento de que a genética humana foi contaminada por hibridização mencionada em Gênesis 6. Essa seria uma explicação para a degeneração humana. Então, Luclene, aí tem algumas questões, né? A primeira é que essa degeneração humana, ela já acontece antes de Gênesis 6, né? Eh, a gente vê, por exemplo, já em Gênesis 4, o primeiro homicídio, que é um irmão matando o outro. Então, seria uma degeneração assim, eh, digamos moral, né? A, a humanidade já se tornando perversa, eh, que é Caim matando Abel. E depois a gente tem eh a descrição de toda a descendência de Caim, que já mostra essa perversidade se aprofundando na humanidade e vai culminar lá em Gênesis 6 com Deus falando: "Olha, isso aqui já passou dos limites, né? A gente, eu não, eu não, eu não vou permitir que a humanidade continue desse jeito, eu vou interferir." E aí vem o relato da, eh, do dilúvio. Então, Gênesis 6 não é onde começa a degeneração humana. Ela começa, na verdade, em Gênesis 3, com a queda da humanidade, com o pecado, né? E a partir daí, a humanidade vai se degenerando cada vez mais, principalmente do ponto de vista moral. Aí essa questão da hibridização, Gênesis 6, eh, que o que está se referindo aqui, Lucian, é aquela passagem que os filhos de Deus se casaram com as filhas dos homens. Essa é uma outra questão complexa. Eu não sei se a gente já comentou isso em live, a gente pode comentar isso depois, mas esse daí já é um outro assunto que já vai mais longe, né? Para resumir ele, eu vou dizer que existem algumas eh algumas formas de entender isso. A primeira forma de entender isso é que eh os filhos de Deus aí, que é uma expressão que aparece com frequência na no texto bíblico se referindo a anjos, seria lá em Gênesis 6 anjos caídos, né? E esses anjos caídos se relacionaram com as filhas dos homens. Ou seja, houve uma mistura genealógica entre demônios, que são anjos caindos, e a humanidade. E aí acontece essa grande perversão e a partir daí Deus faz, traz o dilúvio, né? Eh, essa é uma interpretação antiga, inclusive, né? O livro de Enoque, um livro que é eh não é um livro bíblico, né? É um livro ah, como que é o nome? Eu tenho ele ali dentro da coleção desses livros que não são, não fizeram parte do canon bíblico, não foram considerados livros sagrados. O livro de Enoque é um é um desses livros, né? E ele vai contar essa história, ele vai dar nome para esses demônios e tal, esses anjos caídos. Vai falar que um inventou os cosméticos, né, para as mulheres ficarem bonitas e seduzir seduzirem os homens. O outro inventou as armas de guerra, ele vai fazer, vai criar toda uma mitologia, né? Eh, eu acho que é o primeiro livro de Enoque. Se eu não me engano, tem dois ou três, mas eu acho que é o primeiro que vai falar sobre, vai dar essa interpretação sobre Gênesis 6, né? A outra interpretação que é o que eu a prefiro, que para mim faz mais sentido, é que os filhos de Deus e as filhas dos homens não se referem a a a anjos caídos e à humanidade, mas está falando de duas linhagens da humanidade. Os filhos de Deus seria os filhos descendentes de Set e os filhos e as filhas dos homens seriam as descendentes de Caim. Por que isso faz sentido? Porque o texto bíblico tá acabando de descrever essas duas genealogias e começa a contar essa história, entende? Apócrifo, obrigado aqui, Getro. Eh, o Getro, ele aqui, ó, o Jetro tá aí entre nós, né? A gente tá falando do Jetro do sogro de Moisés e aparece o Jetro aqui para me ajudar. Apócrifo, né? o livro de Enoque é um apócrifo. Eh, então eu entendo dessa forma que essas filhas dos homens lá em Gênesis 6 seriam as descendentes eh de Caim. Porque o que a gente tá falando são duas genealogias que que acontecem separadas. Enquanto a genealogia de Caim, ela vai se aprofundando nessa perversão, nessa decadência moral, a os descendentes de sete ainda se mantém de certa forma puros. Então você tem, por exemplo, Enoque, que é um descendente de Set. Eh, e existe um outro Enoque também na descendência de Caim, que é diferente do Enoque. Então, tem toda essa questão, né? E e no final, quando essas duas genealas começam a se misturar, que Deus fala: "É, o ser humano ele não não ele não permanece puro por muito tempo, né? Ele essas genealogias se misturam. Então até aqueles que continuavam com essa tradição de pureza começam a se misturar e começam a se degenerar moralmente também. Então ela é a percepção que eu tenho do texto. Para mim faz mais sentido entender ele dessa forma. Eu sei que tem muita gente que entende dessa primeira forma que eu disse, até porque é uma tradição antiga por causa do livro de Enoque e tal, mas é isso. É isso. Eh, aí o Edson vai falar aqui, se o livro de Enoque é citado no Novo, no Novo Testamento, por que não faz parte da Bíblia hoje? É o que o Edson fala aqui, né? É porque aí você tá partindo de uma lógica, Edson, de que tudo que qualquer autor do Novo Testamento menciona, ele necessariamente tá considerando aquilo como um escrito sagrado. E nem sempre, né? Às vezes são mencionadas eh poesias, às vezes são mencionados textos pagãos. No caso aqui do texto de eh o texto o livro de Enoque, que é citado no livro de Judas, né? A citação que ele faz é uma citação que provavelmente era uma parte bem conhecida e popular do livro de Enoque, que tá falando sobre um conceito bíblico que eu nem lembro exatamente o que que era, mas não é uma o que Judas cita de Enoque é um raciocínio que não é um raciocínio muito polêmico, entendeu? Se eu não me engano, ele tá falando inclusive da da da perversidade humana mesmo, da degeneração humana, se eu não me engano. É isso que ele tá falando. E ele menciona o livro de Enoque como um exemplo, né? eh uma forma que ele achou interessante de descrever e essa degeneração. Para mim não, isso não significa necessariamente que o quando Judas escreve isso, ele tá considerando que o livro de Enoque ele é todo inspirado e ele deveria fazer parte do texto bíblico, porque eu não acho necessariamente que tem essa relação, entende? Eh, e o Carlos coloca aqui os gigantes no texto ali de Gênesis 6 tem a ver mais com o renome que eles tinham. Exato. Não necessariamente são seres eh aí bizarros e tal, né? Aí a Lucil coloca Ges fala de alterações genéticas gerando gigantes. A partir daí as doenças físicas passaram a ser transmitidas geneticamente. Esse é uma falta independente da teoria dos anjos ou das duas humanidades. É, Lucilene, eu não sei. Eu não, eu não sei se a gente consegue inferir isso assim como uma coisa inquestionável. Eu não sei se a o texto bíblico mesmo não fala que as doenças físicas passaram a surgir a ser transmitidas geneticamente a partir de Gênesis 6, entende? Eh, então fica, não sei se dá pra gente fazer essa relação tão direta. Pode ser uma forma de entender o teu texto, mas eu não, para mim, o texto não deixa isso tão claramente assim, de forma inquestionável. O Salomão falando aqui, não esquece da minha pergunta. Aí eu já esqueci, Salomão. Deixa eu ver se eu acho aqui onde que tava. Era uma pergunta. Eu cheguei a ler um comentário seu, né? Eu não sei o que que era. Eh, eu perdi ela aqui. Deixa eu ver se eu encontro Salomão. Eh, o Rose coloca aqui. São aliens. Eh, gente, alguém alguém conseguiu achar aí qual que é essa pergunta do Salomão? que ele falou aqui no começo a paz do Senhor. Eu acho que não tá aparecendo aqui para mim, Salomão, se você puder colocar ela de novo. Ah, tá, tá, tá, lembrei, lembrei. Tá, achei aqui. Era o a questão dos dois bods, né? Vamos falar então rapidinho aqui dos dois bods. Os dois bods aparecem lá. Que que é esses dois bods, né? Tem vários tipos de sacrifício. Isso aqui sobre os bods, né? Tem vários tipos de sacrifícios que aparecem no texto bíblico, principalmente lá em Levítico, do capítulo 1 até o capítulo 10. São vários tipos diferentes de sacrifícios e tal. Eh, só que tem alguns sacrifícios, alguns animais envolvidos em sacrifícios que chamam atenção no texto bíblico, né? Então, lá em Levítico 16, o texto fala sobre um ritual específico que envolvia dois bods, né? Esse ritual acontece no que que eles o que o texto vai chamar de Yonhakipurim e que depois os judeus passam a chamar de Yonkipur, que seria o dia do da cobertura, do cobrimento, eh, ou o dia da expiação que a gente se costumou a a a chamar, né? Então, esse dia da expiação, o dia da cobertura, quando os pecados são cobertos, é um dia onde acontecia um ritual, né? Então, para resumir também esses sacrifícios que eram feitos diariamente eram meio que como eles contaminassem diariamente o santuário, porque esses sacrifícios, nem todo sacrifício, só era sacrifício pelo pecado, né? Tinha vários tipos diferentes de sacrifício. Às vezes você sacrificava porque você tava feliz, queria comemorar. Bom, vou fazer um sacrifício porque eu tô muito feliz. você fazia um sacrifício e tal, mas tinha esses sacrifícios pelos pecados e vários tipos diferentes de sacrifícios pelo pecado, porque tinham vários tipos de pecados diferentes, tinham pecados públicos, pecados feitos por um uma pessoa importante, pecados feitos pelo pelo povo inteiro, eh o pecado que uma pessoa fez e que ela foi lá confessar, um a pessoa pode podia oferecer um pecado por um oferecer um sacrifício por um pecado que ela nem sabia. falou: "Olha, eu não sei se eu pequei, então eu vou oferecer um sacrifício aqui para mostrar para Deus que eu estou eh reconhecendo a minha condição de pecador. Então eu posso ter pecado, né, um pecado inconsciente aqui que eu não tô sabendo dele. Então já vou oferecer esse sacrifício aqui em reconhecimento, né, de que Deus é santo e eu sou pecador e tal. Então vários tipos de sacrifícios pelo pecado tinha. E quando esses sacrifícios eram feitos, o sangue era derramado ali no altar, nas quatro pontas do altar. E alguns desses que eram mais graves, o sangue era levado lá para dentro do santuário e era espirrado no véu, né? Eh, então a gente pode dizer que simbolicamente o o sangue dos animais pelo sacrifício, eles representavam o pecado. A pessoa confessava o pecado dela sobre o animal, o animal era morto e esse sangue tá carregando a culpa pelo pecado. Então o pecado ia contaminando o santuário simbolicamente, entende? até o dia da expiação. No dia da expiação, o santuário era purificado dessa contaminação, né? E os pecados, digamos assim, que foram acumulados no santuário por durante o ano, eles eram perdoados de uma vez por todas. Eh, aí eles eram espiados, eles deixavam de ser considerados, eles eram cobertos de vez, né? É como se os sacrifícios que acontecessem durante o ano eh fossem sacrifícios para uma para eh sacrifícios substitutivos. Eu vou substituir. A culpa não cai mais sobre mim, cai sobre outra pessoa, sobre o animal ali, né, simbolicamente. Só que esses pecados ainda, a culpa deles não é, não desaparece. Ela ela é levada pro santuário, né? E ele fica lá, a culpa fica lá desse pecado. E nesse dia da expiação, esses pecados são espiados de uma vez por todas. Então, o que que acontece no dia da expiação? Que que é a questão dos dois bods? Eh, nesse dia você trazia dois bods pro santuário e você sorteava eles, porque você vai ter dois bods. Um é para o senhor e outro era para ser o bod emissário ou o bod expiatório, né? É daí que vem a expressão bode expiatório que a gente usa aí no senso comum, ah, o cara tá tá usando outro de bode expiatório. É uma expressão bíblica que vem lá de de Levítico 16, né? Eh, esse bode, eh, então tem o bod para o Senhor, não é? Todos os sacrifícios eram para o Senhor, mas nesse caso específico, você vai ter o bode para o Senhor. E esse outro bode, o bode emissário, o bode expiatório, ele vai ser um animal que vai ser diferente de todos os animais que são envolvidos em qualquer tipo de sacrifício no santuário. Primeiro, o sangue desse animal não é derramado. E a ideia de sangue é muito importante no sacrifício. Todos os sacrifícios e de animais envolviam sangue, porque tem um conceito bíblico que já aparece ali desde lado do início, né, que o sangue simboliza a vida, né? Então, eh, se você vai fazer um sacrifício para espiar um pecado, o sangue precisa ser derramado, né? Eh, Moisés quando faz aliança com o povo, eles eles sacrificam os animais, pega o sangue desses animais e espirra em cima do povo, fala: "Olha, esse sangue aqui é o sangue da aliança, tá sendo feita uma aliança com vocês". Então tem um símbolo muito forte bíblico relacionado ao sangue, mas esse é o único animal que não é derramado o sangue. E ele não é sacrificado no santuário, ou seja, ele é um animal envolvido em em com o ritual do santuário, mas ele não é um animal que ele é sacrificado para perdão dos pecados, entende? E existe uma questão muito interessante aqui, que esses animais eles são colocados meio que de uma forma oposta. Um é para o Senhor e o outro é esse bod emissário, o bode expiatório. Na verdade, é uma palavra que ninguém sabe exatamente o significado. Então é o seguinte, literalmente o texto tá assim: "Um bode vai ser para o Senhor e outro bode vai ser para Azazel". E o que que era esse Azazel, né? A palavra em si é uma etimologia difícil. que as pessoas discutem, porque não tem assim muito claro a entender de onde veio essa palavra, mas a gente tem muitas tradições muito antigas se referindo para a a Azazel como um bod, um bod, como um demônio do deserto. E faria sentido se a gente considerasse que esse Azazel tá em oposição a Deus. Um é para o Senhor e o outro é para Azazel. Eh, então tem uma oposição aí. Então, esse bode para Azazel, ele não é sacrificado, o sangue dele não é derramado, eh, ele não é, o pecado é é confessado sobre a cabeça desse bode, mas ele não é sacrificado para para perdoar o pecado de ninguém. Então, o que acontecia com esse bode? Ele era levado para morrer sozinho no meio do deserto. Ele era tirado do do meio do acampamento de Israel e era levado pro meio do deserto e era deixado lá, né? a tradição judaica, algumas tradições judaicas, né, como a gente costuma falar, que a tradução judaica nunca é uma coisa só, mas existe uma tradução judaica de que esse bod não era só levado e deixado sozinho, mas ele era jogado numa ribanceira para ele cair rolando e ser despedaçado, né? E aí alguns dizem que Azazel era o nome desse penhasco, né? Eu não sei se eu concordo muito com essa tradução. Primeiro porque o povo de Israel eles não ficavam num lugar só, eles andavam, né? Eh, e a um povo que que era nômade ali, né? Eles levantavam acampamento e andavam. Então, não tinha uma única localização onde eles ficavam para ser aquele lugar é o Azazel, né? E essa tradição forte que se tem de que Azazel era um demônio. Então eu concordo com a ideia de que esse animal é o único animal envolvido em sacrifícios no Antigo Testamento que não tá representando Cristo porque ele não é sacrificado. Ele não faz parte do sacrifício. Esse animal representa Satanás, né? Eh, e justamente porque por todas essas questões, ele leva a culpa de pecado, mas ele não faz um sacrifício expiatório e ele é isolado, ele é levado para fora. E isso vai fazer referência a algumas ideias que tem Apocalipse, onde Satanás é deixado de lado, né? Eh, quando eh eh Deus retira os seus santos e tal do do mundo, Satanás ele fica isolado nesse deserto, digamos assim, né? Então na minha compreensão, né? Eu sei que são, isso é muito polêmico, tem gente que acha isso uma tremenda de uma heresia, mas eu acho que o texto bíblico dá bastante margem para pensar desse jeito, que esse Azazel, ele não é um animal expiatório, ele não faz um sacrifício expiatório e ele representa Satanás, né, que vai ser culpado do pecado no final e ao mesmo tempo a morte dele não vai servir de sacrifício para ninguém. Ele morre sozinho e o sangue dele não é derramado dentro do ritual do santuário, entende? Então essa é a leitura que eu tenho, viu, Salomão? É aí que eu que eu chego [risadas] nessa nessa explicação desses dois animais aqui, né? Bom, quem me acompanha aqui sabe que eu sou adventista também, né? Isso é um é uma maneira adventista de ver o texto, né? E eu concordo com essa essa forma de ver esse texto, apesar de eu saber que é uma forma polêmica, não? as pessoas costumam olhar assim, como assim um animal eh que é envolvido no ritual do santuário é Satanás, né? É o diabo e tal. Mas eu acho que cabe essa interpretação considerando que esse animal era bem diferente dos outros animais que eram envolvidos ali nos rituais eh do santuário. Aí a Lucilene coloca aqui: "Já li que os bodes soltos no deserto passaram a voltar sozinhos. Aí os sacerdotes passaram a lançar os bodes no penhasco. É, então pode ser, né, essa que seria a eh essa tradição judaica, né, do penhasco do Azazel. Eh, aí o Luiz Fernando coloca aqui, acha que tem correlação com Caim? O sacrifício de Caim não foi aceito por Deus. Eh, não havia sangue e o próprio Caim vaga errante, assim como o Bod. É interessante essa essa relação, viu, Luiz? nunca tinha feito essa relação. Eu não sei, não sei se dá para fazer ela diretamente. É claro que assim, eu acho que qualquer coisa no no texto bíblico que que você consegue estabelecer uma relação, ela pode ser uma espécie de eco daquele significado, desse símbolo. não quer dizer necessariamente que esses símbolos eles se conectam, mas a ideia de Caim como sendo esse elemento, assim como o Bod, ele acaba sendo isolado e vê errante e tal. Eu acho que existe essa relação, mas eu não sei se o Bod em si ele simboliza Caim assim, eh eh literalmente assim de forma de forma deliberada, entende? Talvez a gente possa fazer uma associação lateral, uma esse tipo de associação que fala: "Ah, esse símbolo aqui tem várias relações com esse símbolo." Existe um eco aqui entre símbolos, né? E eu gosto desse tipo de ideia, né? Mas eu não diria que ele representa Caim, mas eu acho que existe essa correlação. Sim, dá para fazer uma correlação. Eh, a ideia do sacrifício de Cain não ser aceito, porque não havia sangue é uma ideia que eu discordo. Eu vou dizer o porquê, né? Eu tava falando aqui que eu sou adventista e eh concordo com essa ideia do do bod, né? Tá aí uma ideia que é comum entre os adventistas, que eu discordo de que Caim não foi aceito porque o sacrifício dele não tinha sangue. Eh, essa é uma ideia adventista que eu discordo e eu acho que o texto bíblico dá uma indicação eh diferente dessa, né? Quando a gente vai lá para Vamos, vamos para esse, gente. É o seguinte, deixa eu já abrir um parênteses aqui. Tem esse esse react que eu tava falando e quando a gente entrar nele a gente vai falar de coisas polêmicas e ia tomar bastante tempo. Eu não sei, eu não gosto de terminar a live muito tarde também, eu gosto de ir lá pelas 15 paraas 10 já ir encerrando. Então eu estou inclinado a gente entrar nesse assunto a Kid de Caim e Abel e deixar o react paraa semana que vem porque a gente aí eu tento ignorar um pouco esses comentários iniciais, a gente vai direto pro react, tá? Eu leio os comentários da semana, comento alguma coisa e já vou direto pro React antes de ir conversando com vocês aqui, tá bom? Eh, eu vou fazer desse jeito, tá? Vamos adiar mais uma vez o nosso nosso React, [risadas] porque o React vai entrar em questões que são complexas e eu queria explicar elas bem e vou me estender, entende? Eh, então tá, vamos aqui nessa nessa nessa questão aqui de Caim e Abel. Vou dizer o que que é o que que é a forma de eu entender. Vocês sabem que assim, eu sempre procuro entender que existem várias formas legítimas de entender o texto bíblico, né? Eu não gosto de falar: "Não, essa é a forma correta e quem falar ou qualquer outra coisa tá errado e pronto, acabou". Né? Eu não gosto de ter essa postura porque muitas vezes eu mudei de ideias sobre entender algum texto bíblico e eu posso mudar de ideia no futuro e eu posso perceber coisas, posso aprender coisas novas e olhar depois falar: "É, realmente não era desse jeito". Então eu não gosto de ser tão taxativo sobre interpretação do texto bíblico. Eu gosto de considerar possibilidade de ser outras ideias. Então eu posso falar aqui, às vezes eu falar: "Ah, eu discordo dessa ideia, eu concordo com aquela, então eu gosto de ser aberto." Então vai ser esse caso aqui. Eu vou dizer qual é a minha interpretação, não é só minha, né? Eh, mas eh vou dizer qual a interpretação que para mim parece fazer mais sentido considerando o texto bíblico, né? E com isso eu não tô deslegitimando e nem dizendo que a viagem, nem que é heresia, nem nada disso, qualquer outra interpretação, né? Eh, inclusive eu acho que é possível, aliás, não só que é possível que isso acontece diversas vezes no é que o texto bíblico não tem só uma interpretação, tem mais de uma interpretação que que vão se cruzando. E às vezes elas nem são necessariamente harmoniosas entre si, mas elas não são descartáveis. Vocês entendem o que eu quero dizer? Às vezes o texto bíblico pode ter, ó, tem três interpretações e as três fazem sentido. As três não concordam uma com a outra, mas são três interpretações que fazem sentido. Eu gosto mais dessa, eh, mas as outras não são necessariamente ruins e tal, né? Então, fazendo esse adendo, fazendo esse esse disclaimer aqui, vamos lá pro texto de Gênesis, capítulo 4, falar sobre Caim e Abel. Eh, por quê? Qual que é a questão aqui? Eh, esse texto de Cain Abel, ele é usado para muitas coisas. Então, qual que é, qual que é o sacrifício de Caim, né? E aí o pessoal traz para qualquer coisa que a pessoa não gosta falar: "Isso que você tá fazendo é um sacrifício de Caim. Você tá vindo aqui fazer na igreja isso daí, achando que tá louvando a Deus, mas Deus vai te rejeitar por causa disso. Tem essas coisas, às vezes se interpreta dessas maneiras, né? Eh, vou vamos entender primeiro a questão geral aqui. Aí eu vou ver aqui. Eu já tô vendo que o Carlos colocou uma uma uma perspectiva aqui do texto que é interessante também. Eh, então vamos lá. Eu gosto muito, aliás, do texto de Caim Abel, que eu acho que tem muitas coisas nesse texto aqui. E o sacrifício em si. Um detalhe, eu acho que o sacrifício de Caim tá longe de ser o ponto mais importante do texto. O sacrifício de Caim é é, digamos assim, é só o início, é só desculpa pro texto entrar em outras questões, entende? Eh, o principal não é isso. O principal é a reação de Caim ao que Deus faz em relação ao sacrifício dele de Caim. Esse é o ponto central. é a reação de Caim, né? Então vamos lá, vamos entender tudo. Gênesis 4, a partir do verso 1. E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu a luz a Caim. E ela disse: "Alcancei do Senhor um homem, né?" Ou em outra versão, eu tô lendo aqui na na corrigida fiel. Vou colocar, vamos colocar a nava almeida atualizado. Prefiro essa. É, ó, aqui já veio uma o que é o que eu tava esperando, né? Adão teve relações com Eva, sua mulher, ela ficou grávida, deu a luz a Caim. Então, ela disse: "Adquiri um varão com auxílio do Senhor", né? Então, essa expressão adquiri como que era aqui tinha lá na na alcancei, né? Então aqui tá adquirir e faz mais sentido, é mais precisa essa tradução, porque o verbo caná é o verbo adquirir, é o verbo ajuntar, né? Eh, que seria esse verbo que dá o nome de Caim, né? É aquele que foi adquirido, aquele foi ajuntado, né? Aquele que foi somado, né? Adquiria um varão com auxílio do Senhor, por isso deu o nome de Caim. Depois, eh, deu a luz a Abel, irmão de Caim. Abel foi pastor de ovelhas e Caim foi agricultor. A expressão Abel, a o nome Abel é uma palavra hebraica muito significativa. Tem um livro inteiro baseado no significado dessa palavra, que Abel em hebraico é Revel. E Revel é a palavra central do livro de Eclesiastes, que vocês sabem que é um livro que eu adoro, o livro da Bíblia, eu acho que é o livro que eu mais gosto da Bíblia. E aquele refrão do início de de eh de Eclesiastes, que é vaidade de vaidades, tudo é vaidade, literalmente é ravel, ravelim, raccolo, ravelo, né? Revel de Revel, tudo é Revel. Ou literalmente a gente pode falar Abel de Abéis, tudo é Abel, né? Porque que que significa a palavra Abel? A palavra Revel é a palavra vapor. Eh, o primeiro significado concreto é vapor e um segundo significado que é derivado desse é aquilo que se dissipa e desaparece, entende? Então, Abel é aquele que desaparece. Isso daqui é um reforço pra ideia de que talvez, eu, e eu concordo com essa ideia, talvez esse nem seja originalmente o nome de Abel mesmo, mas foi um nome que foi dado para ele depois, porque é um nome que representa a história dele. Abel é aquele que vai ser um vapor, ele vai desaparecer, ele vai sumir da história, ele vai se dissipar e nunca mais vai voltar. É um sujeito que aparece no início, ele desaparece sem deixar nenhuma genealogia, nenhuma descendência. E não tem nenhuma palavra que é registrada no nome de Abel. Se você lê aqui o relato de Abim, Caim e Abel, você não vai ver uma palavra de Abel. Ele não deixou nada, nenhum rastro. Ele se dissipou totalmente. Você não tem paraa posteridade eh uma palavra ou uma descendência de Abel. é aquele que desaparece, é o que some. Então, Caim, aquele que é adquirido, aquele que adquire, aquele que soma as coisas, junta as coisas para ele e Abel, aquele que desaparece, aquele que que é dissipado, que some. Então, só o nome dos dois irmãos já demonstra essa ideia de ter uma oposição entre os dois, né? Aconteceu que ao fim de um certo tempo, Caim trouxe o fruto da terra uma oferta ao Senhor. Trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe das premícias do seu rebanho e da gordura deste. O Senhor se agradou de Abel e de sua oferta, mas de Caim e de sua oferta não se agradou. Caim ficou irritado e fechou a cara. Então esse é o resumo do começo da história de Caim e Abel. Eh, algumas coisas aqui. Primeiro, Abel foi pastor de ovelhas. Caim foi agricultor. Esse começo já é um começo em que alguns acadêmicos vão trazer uma ideia aqui de que esse texto tá fazendo uma crítica que pode aparecer algumas vezes no texto bíblico a ideia das grandes cidades, né, onde as pessoas se ajuntam, elas elas são ajuntadas, elas são adquiridas, caná, o verbo caná, se ajuntar, eh, né, somar e constróem cidades. né? E isso tá ligado à ideia de agricultura, principalmente nessa época. Então, a agricultura seria uma atividade relacionada ao ajuntamento de grandes cidades, enquanto o cuidar de ovelha seria uma atividade relacionada aos pastores nômades. Então, alguns acadêmicos vão entender que esse texto tá criticando essas essa vida, essa vida eh ai gente fugiu a palavra a do que que é a coisa que acontece numa cidade é uma coisa eh bom, uma vida eh do campo e uma vida de cidade. Vou usar assim, se eu lembrar da palavra depois eu eu falo. Então, uma vida de campo e uma vida de cidade. Seria isso. O o texto é uma crítica à vida da cidade e um elogio à vida do campo, né? É uma forma de ver o texto, não é necessariamente a forma que eu vejo o texto, né? Mas o texto já dá essa indicação logo no Google no começo, a ocupação dos dois. Eh, o Luiz Fernando coloca civilização. Não era exatamente isso que eu tava tentando. Urbano. Urbano era essa palavra, né? A vida urbana e a vida do campo, né? Eh, então, eh, o que, acho que o pulo do gato aqui nesse texto é a diferença entre o verso 3 e o verso 4 e principalmente algumas coisas, né? Vocês vem que não é só a oferta que Deus rejeita, Deus rejeita o ofertante, né? Deus fala: "Deus se agradou de Abel e da sua oferta, mas de Caim e de sua oferta não se agradou". Então, essa é uma indicação que o texto tá me dando, que o que vai, o que que foi rejeitado na oferta foi o ofertante, porque acontece alguma coisa aqui, eu acho que é o o a o pulo do gato tá aqui no verso 3 e 4, como eu disse, né, que vai ser o seguinte. Aconteceu que ao fim de um certo tempo, presta bem atenção na expressão aqui, Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Então, o que que ele trouxe? Qual era a oferta de Caim? Um fruto da terra. Literalmente é isso que o texto tá falando. Quem trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor, né? Eh, qual é a oferta de Abel? Verso 4. Abel, por sua vez, trouxe da sua eh trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. O Senhor já se agradou de Abel e da sua oferta. Vocês conseguem perceber a diferença entre um fruto da terra e das primícias do seu rebanho e da gordura desse? Quando se fala da gordura aqui, el tá falando daquele que é que é o melhor, que aquele é o mais gordinho, é o que é o é o que tem mais é o que mais melhor se apresenta dentro do de contexto aqui de pessoas que criam animais para abate, né? Não só abate também, né? Mas eh, mas o o que é o o mais gordo é o que vale mais. Então, das primícias do seu rebanho, da gordura dele. Ou seja, Abel traz do seu próprio rebanho aquilo que é melhor da sua primícia, do primeiro e do que tem mais qualidade, enquanto Caim traz um fruto da terra. O que dá impressão aqui que Caim sequer ele oferece algo que era dele, né? É, é não que não fizesse parte das da do porque ele acabou de falar de de colocar que eh Caim é agricultor, mas eh o texto coloca esse distanciamento como se ele pegasse qualquer coisa e oferecesse ao Senhor, enquanto Abel vai lá e oferece aquilo que é mais valioso que ele tem, ele oferece ao Senhor, né? E aí tem essa essa essa essa diferença. Bom, isso é o geral, isso acho que é o a dica que o próprio texto traz do da diferença da oferta entre um e outro. Por que eu rejeito a ideia de que o que Deus rejeitou de Caim é que era uma que não era uma oferta de sangue? Principalmente por causa da palavra que é usada aqui para para essa oferta, né? Deixa eu pegar aqui e e ver no num num dicionário em hebraico pra gente ver, né? Eu normalmente eu uso B Bible Hub, que é um site bom aqui que a gente consegue ver o ah o texto interlinear em hebraico e tal e ver a palavra e tal. Então a gente vai ver aqui em Gênesis 4 o verso, verso 5, que é a oferta, né? A oferta de Caim. Eh, os dois trouxeram ofertas, né? Eh, então, Gênesis 4 verso 5. Só um segundinho, gente. Eu já vou já vou colocar aqui Gesis 4 verso 5, porque eu quero pegar aqui essa palavra que é usada como oferta, eh, que é a palavra que aparece aqui justamente, né? Eh, v el Caim, v minató lo l lo shaá eh vaiarim, ou seja, Deus não se agradou e de Caim e de sua oferta, ele não se agradou, né? E v el Caim el Minhatratou lo shaá. A palavra que tá aqui para oferta é a palavra minha, né? E essa palavra min, quando a gente vai lá para Levítico, que a gente tinha comentado aqui nessa live um pouco mais cedo, que Levítico do capítulo 1 até o capítulo 10 fala de diversos tipos diferentes de sacrifícios, né? E um desses sacrifícios é a minha. E a minha que aparece lá em Levítico, que é aceito no santuário, é um tipo de sacrifício que não é um sacrifício literalmente, né? Eh, não é um animal morto, mas é um bolinho. É uma coisa feita de cereais. A minha é uma oferta de cereais, né? O que, primeiro a gente vê aqui que Deus não pediu uma oferta específica. No texto não aparece um pedido de Deus de uma oferta específica. E o que eles oferecem é uma minrá, é uma oferta. É uma oferta. E essa oferta em Levítico podia ser uma oferta de cereais, né? Eh, ou um bolinho feito de cereais. Tem lá até a receitinha lá em Levítico, fala: "Ah, você pega duas medidas de farinha, uma medida de azeite e tal, faz o bolinho e oferece lá no no santuário, inclusive no altar mesmo. Ele era colocado ali no altar e queimava o sacerdote comia uma parte". Então assim, eh, a leitura de que Caim foi rejeitado porque ele não levou uma oferta de sangue parte de um pressuposto errado de que todas as ofertas oferecidas no santuário eram ofertas pelo pecado e então necessariamente ofertas de sangue. Não, nem todas as ofertas nem que eram oferecidas o santuário eram sacrifícios pelo pecado e sacrifícios de sangue. você poderia oferecer uma minha também, que é o que é o que Caim faz, né? Então, por essas questões todas, eu entendo que o que foi rejeitado na oferta de Caim é justamente ele oferecer uma coisa que não era pessoal para ele. Ele ofereceu qualquer coisa, um fruto da terra, enquanto Abel oferece o melhor, o que era mais valioso, o que aquilo que ele provavelmente era mais apegado, que ele mais se orgulhava da parte do do próprio rebanho dele, né? Isso eu tô falando baseado em o que alguém falou, em uma tradição judaica, mas o que o próprio texto tá trazendo, entendeu? Então, para mim, quando eu olho pro texto e eu considero essas coisas, primeiro, o texto tá usando eh pra palavra sacrifício, ele tá usando a palavra minhá, que era uma oferta que podia ser uma oferta de de cereais. O texto não fala, o texto em si não fala que o sacrifício de Caim foi rejeitado porque era um sacrifício de sangue. E o que o texto fala é que Deus rejeitou Caim e seu sacrifício, aceitou Abel e seu sacrifício. E o texto fala que Abel ofereceu uma das suas primícias e da gordura do seu rebanho, enquanto Caim ofereceu um fruto da terra, né? Então, todas essas indicações que o texto me dá me levam a entender de que o que Deus se rejeitou no sacrifício de Caim foi a forma como ele oferece algo que não tem valor para ele e Abel oferece aquilo que é valioso, né? [roncando] Bom, considerando tudo isso, eu não vou ficar aqui só, porque o texto, essa, como eu tinha dito, esse é só o argumento inicial do texto. É aqui é onde o texto começa, porque o importante da história de Caim Abel não é o sacrifício de Caim, entende? Isso não é não é importante no texto. Isso é só o início, é só a desculpa pra história começar, sabe? Eh, o que é importante é o que vem depois. Caim ficou muito irritado e fechou a cara. Então o Senhor lhe disse: "Por que você anda irritado? Por que essa cara fechada?" E aqui o verso sete, que é um verso assim, é um desses versos que deveria ser aqueles versos que as crianças recitam na igreja e tal, porque é um verso muito significativo de toda a moralidade bíblica e de todo o relacionamento de Deus com o homem e do homem consigo mesmo. Tem tem questões aqui psicológicas profundas aqui nesse texto, né, que ele vai falar que fala o seguinte: Deus falando para Caim, eh, por que você anditado? Porque essa cara fechada. E aqui Gênesis 4 verso 7. Se você fizer o que é certo, não é verdade que você será aceito. Mas se você não fizer o que é certo, eis que o pecado está à porta à sua espera. O desejo dele será contra você, mas cabe a você o dominar. Esse verso é o que é realmente importante na história de Caim Abel, que a questão é Caim ficou irado com raiva, com raiva de Abel e com raiva de Deus. E aqui o que Deus tá falando é Caim já está com pensamentos homicidas por causa dessa rejeição. E o que Deus fala aqui, esse verso é importante paraa compreensão da essência do pecado e de como a gente lidar com o pecado e com o desejo, né? Se você faz o que é certo, você é aceito por Deus. Se você não faz o que é certo, o pecado ele tá à porta. Quando a gente não faz aquilo que é certo, a palavra, própria palavra pecado em hebraico tem essa conotação de você errar o alvo. Quando você erra, é um erro. Ó, a palavra pecado é é significa erro em hebraico, né? Se você não faz o que é certo, o erro está na porta esperando por você. O desejo dele está contra você. O desejo do pecado é contra você e cabe a você dominar ele. É a sua responsabilidade dominar o desejo do pecado que está contra você e que está à porta te esperando, né? Essa essa é a parte mais importante desse texto de Caim Abel. É a responsabilidade pessoal de cada um dominar o seu próprio desejo, né? O desejo de fazer aquilo que é mal, de fazer aquilo que é perverso, de fazer aquilo que é errado, né? Eh, a gente não tem controle sobre o desejo, a gente tem o controle sobre o que fazer com o desejo. Isso que é o importante, né? E aqui, se a gente fosse falar sobre uma uma tradição freudiana aqui, falar sobre psicanálise, que o principal uma das principais discussões dentro de toda a tradição psicanalítica é a ideia de desejo. E dialoga de uma forma interessante com essa parte do texto bíblico, né? Eh, dentro da tradição psicanalítica. O que que o o o Freud vai dizer? Eh, eu acho que Lacan vai entrar mais nisso daí, que a origem dos transtornos é a negação do desejo. E a negação não no sentido de você não fazer o desejo, mas de você fingir que ele não existe. Aí tem uma frase famosa de Lacan que diz: "Nunca ceda do seu desejo". Ou seja, e não não é que para você ceder ao desejo, mas é para você não fingir que o desejo não existe, porque senão você fica maluco. Você fingir que você não tem desejo por aquilo que você realmente deseja é origem dos transtornos de acordo com a tradução psicanalítica. Nem eu nem sou psicanalista, né? Mas essa ideia eu acho interessante. Eh, ou seja, você tem que olhar pro seu próprio desejo e reconhecer ele, por mais bizarro e perverso que ele seja, você tem que olhar para ele no sentido falar: "OK, eu reconheço, eu percebo que eu tenho esse desejo." E a partir disso você cumpre o que tá aqui em Gênesis capítulo 4, verso 7. Agora que você já reconhece o seu desejo, você percebe que ele tá ali sentado do lado da porta à sua espera, é sua responsabilidade dominar ele. Um desejo perverso, no caso, né? É sua responsabilidade dominar esse desejo que quer te levar a fazer algo mal, né? Eh, o o gnóstico cristão até coloca aqui a chave é sublimar. Exato, né? que é o que o o Freud vai trazer como um mecanismo de defesa, que é você pegar algo que te faz mal, que te leva ao sofrimento e transformar isso em uma coisa positiva para você, né? É mais ou menos a ideia do sujeito que, sei lá, o filho dele morre, ele sofre muito com aquilo e a partir disso ele vira pintor e ele e ele extravaza, ele sublima esse sofrimento dele numa criação belíssima de pintura. Ou seja, você transforma algo que é que é sofrimento, que é ruim e é uma coisa boa. No caso, é o que Caim não fez, o desejo de matar o próprio irmão que Deus falou: "Ó, a responsabilidade de dominar esse desejo é sua." E é importante isso porque todo ser humano tem pelo menos uma responsabilidade, que é dominar o seu próprio desejo perverso, né? Eh, primeiro reconhecer ele. Não finja quando você realmente quer assassinar o seu irmão, que não é isso que você quer. Olha para você mesmo, reconhece que esse é o seu desejo real. E a partir disso você tem a responsabilidade de dominar o seu desejo. Todo ser humano tem pelo menos essa responsabilidade, dominar os seus desejos perversos. Todo mundo nasce com essa responsabilidade, porque se essa responsabilidade não é sua, de quem que ela é? Entende? Eh, essa é uma responsabilidade bíblica. É o peso que é colocada dentro da perspectiva da Bíblia sobre o ombro de todo ser humano. Você é responsável por dominar o seu próprio desejo, né? Eh, me lembrou até a frase do pequeno do do pequeno príncipe, né? tu és eternamente responsável por pelo aquilo que cativas, né? Tem a ver com isso, não que seja exatamente a mesma coisa, mas tem a ver com isso, que existe uma responsabilidade inerente à condição humana, que é de lidar com a própria com a própria vontade de fazer aquilo que é perverso contra o outro e que não é admissível, né? Que no caso assassinar seu próprio irmão, né? E aí, eh, Caim disse a Abel, seu irmão, vamos ao campo. Estando eles no campo, Caim se levantou contra Abel, o seu irmão, e o matou. Eu adoro esses esses parênteses que a Bíblia coloca. Isso aqui é sutil, gente. É o jeito da literatura bíblica colocar umas umas sutilezas que são assim importantes no texto, né? Caimou contra Bel. Todo mundo sabe quem é Abel no texto ele acabou de falar, mas ele, o texto faz questão de mencionar. Caim se levantou contra Abel, o seu irmão, e o matou. O texto quer enfatizar que aqui não é qualquer assassinato, é um irmão matando outro. E o Senhor disse a Caim, eh, onde está Abel, o seu irmão? Ele responde: "Não sei. Por acaso eu sou o guardador do meu irmão". E aí Deus responde: "O que que é que você fez?" A voz do sangue do seu irmão tá clamando na terra para mim. E agora você é maldito sobre a terra, cuja boca se abriu para receber da sua mão o sangue do seu irmão. Quando você cultivar o solo, ele não lhe dará a sua força. Você será fugitivo e errante pela terra. Então disse Caim ao Senhor: "O meu castigo é tão grande que eu não posso suportá-lo. Eh, eis que hoje me expulsas da face da terra da tua presença, terei que me esconder. Serei fugitivo e arrante pela terra. Quem se encontrar comigo me matará." O Senhor, porém, lhe disse: "Não, se alguém matar Caim, será vingado sete vezes". E o Senhor pôs um sinal em Caim para que, se alguém viesse a encontrá-lo, não o matasse. E Caim se retirou da presença do Senhor e habitou na terra de Node, a leste do Éden. Então, e toda essa história tem diversas camadas, diversas coisas aqui. Essa história é extremamente profunda, gente. É um é um essa história toca em questões humanas extremamente importantes, né? Então, olha só. Primeiro, o primeiro pecado que é mencionado no texto bíblico é o pior pecado de todos, é o assassinato. E não é qualquer assassinato, é um assassinado motivado. É um assassinato motivado por uma questão religiosa. Deus aceitou a ele e não me aceitou. E pior ainda, é um assassinato de um irmão contra seu próprio irmão. Assim, o texto bí coloca, tenta colocar o os piores agravantes possíveis. O que o texto tá colocando aqui é o seguinte: quando o homem está na condição de pecado, o homem acabou de sair do Éden. O primeiro pecado descrito é essa coisa horrorosa. Quando o homem está na condição de pecado, ele é capaz de qualquer coisa, né? Ou seja, todos nós somos capazes de qualquer coisa. Nós estamos na mesma condição de Caim. a gente fora do Éden, todos estão na mesma condição, né? Todos são capazes das mesmas atrocidades. Eh, então essa a primeira coisa, a pior coisa que acontece logo em seguida. Eh, o pecado, eh, essa descrição é é colocada de um jeito tão banal, né? Vamos ao campo. E é quando ele vai, ele se levanta com Abel, o seu irmão, e o mata, né? E aí Deus diz a Caim, onde está Abel, seu irmão? Eh, vocês lembram da última vez que Deus pergunta onde para alguém, né? É justamente quando eh Adão se esconde. A humanidade tinha acabado de cair em pecado. E Deus aparece naquela situação e pergunta: "Ô, ô, Adão, você tá? Onde tá você? Eu não tô te achando quando Adão tá se escondendo. E aqui a mesma pergunta é feita de novo. É um eco. A gente tá falando dos ecos, né? Esse daqui é um eco da queda do homem. Tô falando o quê? Aquele comer do fruto representa isso daqui. Essa é a consequência de comer do fruto. Não é só um fruto. Ele leva ao assassinato de irmãos, né? E aí Deus pergunta, né? Aonde está Abel, o seu irmão? De novo, a ênfase, né? Não é só Abel, é Abel, o seu irmão. E aí ele, Caim responde: "Eu não sei, por acaso eu sou guardador do meu irmão". E aqui tem um um comentarista, né? Eh, no Naum Sarna, né? Que ele fala: "Essa pergunta é quase uma pergunta retórica, porque a resposta seria sim, porque todo mundo é guardador do seu irmão, né?" né? E ele vai complementar dizendo, na verdade, todo assassinato é ao mesmo tempo um fraticídio. Sempre quando alguém mata alguém, ele tá matando um irmão, né? Que seria uma resposta essa pergun essa, essa essa afirmação aqui, essa pergunta, né, que Caim faz, né? Eu sou o guardador do meu irmão. E Deus diz: "O que foi que você fez?" Igualzinho com com Adão também, né? A voz do s irmão clama na terra a mim, né? Eh, o como o sangue foi derramado na terra, a terra foi amaldiçoada por causa do sangue do sermão que foi derramado nessa terra. Você vai cultivar a terra e ela não vai dar a sua força, né? Eh, e você vai ser reconhecido por isso, né? E aí quem Caim fala: "Ó, todo mundo que me vê agora que foi amaldiçoado vai me matar". E Deus põe um sinal em Caim para que ele não seja morto. Ou seja, o que Deus quer não quer que esse assassino agora seja assassinado também. Deus não quer estender as mortes. Agora que um assassinato foi feito, Caim, que você viva a sua vida, né? Que você se arrependa, né? Mas o que Deus não Deus quer aqui não é o assassinato de Caim agora, né? Eh, Deus não quer que o pecado se estenda ainda mais. Não quer que uma morte gere outras mortes. Não quer que uma perversidade gere outras perversidades. Não quer que o ódio gere outros ódios, né? A intenção de Deus com o relacionamento dele com a humanidade é terminar esse ciclo de de decaimento no pecado, né? de degradação, de degradação moral, de degradação daquilo que é bem e o que que é mal, porque Deus quer a restauração da da humanidade, né? Então, é interessante todas essas coisas a gente encontra aqui logo no relato da eh desse primeiro pecado que é descrito logo no capítulo 4ro, capítulo 3 de Gênesis vai falar da queda da humanidade e o capítulo 4 vai falar do assassinato de Abel, né, de Caim e Abel. Então, gente, a história de Caim Abel traz essas questões. Eh, esses personagens bíblicos, eles não são eles são meio que personagens genéricos, eles não são só personagens ali que estão falando de uma história específica. Essas histórias, eu gosto muito dessas histórias aqui que vão até o o o capítulo 11, antes do chamado de Abraão, porque elas estão falando de coisas que são essências da humanidade. Coisas que são essências da humanidade. Aquilo que tão que tá dentro da humanidade, a ideia do desejo do pecado chamando por você, sua responsabilidade por dominar ela, eh, do ódio que é levado pela rejeição, porque você vê que Deus aceita um e não aceita outro. você vem que essa ideia de aceitação de um e de outro é um tema que também na Bíblia ele ele vai se repetindo, né? Eh, quando Deus mostra benevolência a um, aquele que não recebe essa benevolência fica com ódio, né? Essa é a história do filho pródigo, lembra do irmão mais velho? Ah, aquele filho é perdoado. E eu que tô aqui o tempo todo, né? Eh, essa história acontece também lá no no livro de Jonas, né? Eh, como como foi que você aceitou, Nínive, essa cidade tão pecaminosa, né? Agora eu quero morrer também. Então vocês vem que uma coisa que a Bíblia descreve como algo que leva ao ódio e até o assassinato e a morte é justamente você perceber Deus agindo positivamente na vida de alguém e não na sua. Isso é uma questão humana. Quando você vê Deus agindo positivamente na vida de alguém e não na sua, o desejo do assassinato aparece. O desejo da própria morte na história de Jonas, o desejo do assassinato aparece. O desejo do afastamento do pai aparece na história do filho pródigo. Esse é um tema recorrente na Bíblia e a gente precisava prestar atenção aqui nesse texto de Caim Abel, porque ele fala disso e de outras questões muito profundas de um jeito muito muito primoroso nesse texto. Então é isso, gente. Deixa eu dar uma uma olhadinha aqui no que que vocês comentam. Eh, a Lucilene coloca também já ouvi que Abel foi aceito porque repetiu o sacrifício vicário feito no Éden e por Adão e Eva quando o sangue do inocente pagou o preço do pecado, né? Eh, que é um essa outra interpretação, né? Eu prefiro entender que a questão do sacrifício é a questão do envolvimento pessoal, né? Eh, reconhecimento é pressuposto para arrependimento e perdão. Exato, Luci. É isso mesmo, Luís Fernando. Seria equivalente ao domínio e autoconhecimento da sua sombra num processo de individuação yunguiana, aproveitando da sua gradação em psicologia? Eh, eu acho que tem a ver com isso, sim, Fernando. Eu acho que tem a ver com isso. Você consegue dominar o pecado quando você reconhece a existência dele, quando você olha para ele, quando você percebe que existe um um aspecto seu que você não gosta e aí você reconhece a necessidade dele ser derrotado, né? Eh, essa essa derrota pode acontecer de várias maneiras, viu? eh, que seria a tal da sublimação aqui que o o gnóstico cristão coloca, né? Eh, esse pecado não é só você ficar ignorando ele, você tem que entender o que que tá acontecendo, por que você tem esse desejo. No caso aqui, eh, foi escancarado. Você tá tendo esse desejo porque você viu que o seu irmão foi aceito e você não. Por que você não foi aceito, né? Se você fizer o que é certo, você não vai ser aceito. Deus já dá resposta para Caim, né? Eh, faça o que é certo, Caim. Faça aquilo que é bom. Você não vai sentir essa vontade de novo de assassinar o seu irmão se você fizer o que é certo, né? Se você fizer o que é certo e e assim você vai ser aceito também, né? Eh, eu acho que tem a ver sim com essa ideia da sombra yunguiana. Eh, muito bom. Tudo leva Gênesis, leva de volta. É exato. O livro de Gênesis é um livro muito importante, porque ele lança esses fundamentos e o texto bíblico vai se desenrolar a partir de Gênesis. Tudo é um desdobramento de Gênesis. Tudo. Tudo na Bíblia é um desdobramento de Gênesis, né? E quando, eu gosto muito desse eco que Apocalipse faz com Gênesis, que ele volta aos temas iniciais de Gênesis para falar: "Gente, agora estamos fechando a história, né? a gente tá voltando aquela questão que ficou mal que que ficou mal resolvida lá no início, agora a gente conseguiu resolver ela, né? Eh, então é isso, gente. Então é isso. Eh, eu faço minhas promessas e uma hora eu cumpro elas, né? De que a gente deixa alguma coisa para fazer depois e tal, a gente faz, né? Eh, tava vendo aqui o o comentário que eu deixei de ler é o Luiz Fernando dizendo aqui, né? Não atrapalhar o react ou para a próxima. Não digo por não haver o sangue, mas pensando que eles não comiam carne. Então, imagino que a morte como sacrifício seja o ponto de objeção moral de Caim. Cain não achou moralmente correto aceitar o sacrifício de sangue de Abel, negando assim a projeção do sacrifício de Cristo. Talvez, Luiz, mas aí entra naquelas questões, né? Eu prefiro essa outra explicação porque é o que o texto está falando aberta abertamente, né? Tá aqui de forma sutil, mas ele tá no texto a questão da aceitação de Caim. Eh, essas questões que você tá colocando é o que a gente pode pensar sobre o que pode ter passado pela cabeça de Caim, mas o texto não fala, entende? Então, pode ser, pode ser, a gente não sabe, mas o que o texto está falando é isso daqui, entende? Então, essa é uma questão, né? A gente se acostuma muito a a pensar em coisas para além do texto. Isso não é um problema. Eh, o problema quando a gente pensa para as coisas para além do texto, sem considerar o que o texto está colocando. Então, a gente parte do que tá no texto, inclusive as sutilezas do texto. Aí, a partir daí a gente pode especular sobre o que pode ter acontecido e tal, o que que eles podem ter pensado e tal. Então, a gente parte sempre do que que tá no texto e depois a gente vai para o que não tá. Especulação, né? O o Luiz mesmo coloca, é, seria isso, né? Eh, a gente a gente tem essa tendência de especular muito sobre a ideia do texto e às vezes ignorar umas dicas que o próprio texto dá sobre sobre qual seria uma forma de entender melhor aquela questão, né? Então tá, gente, vou deixar vocês aí com essa com essa reflexão aqui sobre Cainha Abel. Eu gosto desse verso sete aqui. Se você fizer o que é certo, não é verdade que você vai ser aceito. Se você não fizer o que é certo, eis que o pecado está porta à sua espera. O desejo dele será contra você, mas é necessário que você o domine, né? Que a gente possa refletir sobre isso daí, porque o pecado tá sempre à porta e o desejo dele tá sempre sobre a gente, né? Então tá, gente, uma boa noite, feliz sábado aqui. A Ana Cristina colocou. Eh, não é mais importante CNP que do que o que o texto entrega. Isso. Exato. E aí, semana que vem a gente a gente a gente entende, a gente vai vai para outras questões aqui. A gente fala talvez sobre eh vamos ver se a gente consegue fazer esse react do comecinho daquele vídeo que vai falar sobre questões, vai falar principalmente sobre escravidão. Eu já separei até os textos aqui pra gente comentar sobre isso e tal, porque acho que não é só sobre escravidão, mas entra em outras questões interessantes pra gente entender algumas coisas na Bíblia. Eh, mas a gente a gente comenta então sábado que vem, na sexta-feira à noite, às 20:30, se der tudo certo, tá bom? Então, gente, valeu, boa noite para vocês. Obrigado por estarem aí até agora. Obrigado aí o Oziel, o Carlos, Luiz Fernando, eh, a Lucilene, o Edson, eh, pessoal que tá sempre aí comentando, desculpa aí se eu pulei o nome de alguém, o Gnóstico cristão também, o Shabat Shalom aí, o Carlos Muniz e até o Salomão também. E até até a semana que vem, gente. Até mais.