Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

Davar Live – 20/03

Davar Live – 20/03

Davar Live – 20/03

– Canal Davar
twitter – @rolnei
instagram – rolneibt

Legendas automáticas:

Fala pessoal, tudo bom? Boa noite para
vocês. Como que vocês passaram aí a
semana? Tudo tranquilo? Já vou dar aqui
um um boa noite pro Oziel que já
apareceu aqui, já diz first. Primeiro,
primeirão, né? O Oziel tá sempre aí
acompanhando as nossas lives.
Então, boa noite para vocês
e vamos começar aqui mais uma mais uma
live, algumas coisas pra gente conversar
hoje aqui. Deixa eu já até silenciar meu
celular. Tá?
E quem tiver aqui acompanhando, se puder
dar aquele feedback de som e e imagem
pra gente ver se tá tudo certo, tá bom?
Então tá, gente, eu vou começar com a
tradição que a gente iniciou semana
passada, tá bom? Vou dar uma olhadinha
nos comentários que alguns comentários
que eh foram feitos essa semana no canal
em algum vídeo, né? não necessariamente
no último vídeo,
eh, pra gente começar comentando um
pouco sobre o que que pessoal deixou
aqui. E eu queria começar, gente, com um
comentário
que foi eh da live da semana passada,
não da live anterior, mas foi feito essa
semana o comentário. E Lúcia Faria diz
eh bom dia, boa tarde, boa noite. Sou
espírita e também pensamos assim. Se
Deus parar de pensar, nós deixamos de
existir. E penso que Deus não quer mudar
as coisas porque ele é a perfeição e a
sabedoria infinita. Já criou um universo
perfeito, nenhuma mudança faria sentido.
Eu achei interessante esse comentário
aqui da Lúcia.
Eh, e eu acho que tem coisas aqui que a
gente consegue comentar em cima disso.
O pessoal falando que o barulho da
semana passada voltou. Então, só um
instante.
Dei uma desplugada e plugada de novo no
microfone aqui. Vamos ver se já tá OK.
Boa noite pro Carlos também que comentou
aí do do barulho do microfone. É, gente,
é uma coisa, né? Esse microfone é uma
coisa. Então, se vocês puderem me dizer
aí se tá funcionando bem hoje o
microfone.
Bom, eu vou falar aqui então do
comentário da Lúcia. Deixa eu ler de
novo aqui o comentário
que diz o seguinte: "Bom dia, boa tarde,
boa noite. Sou o espírita e também
pensamos assim: "Se Deus parar de
pensar, nós deixamos de existir. E penso
que Deus não quer mudar as coisas porque
ele é a perfeição e a sabedoria
infinita. Já criou o universo perfeito,
nenhuma mudança faria sentido." Diz aqui
a Lúcia faria. Que que é interessante
desse comentário?
Ele tem alguma conexão com o texto
bíblico? Porque o texto bíblico quando
ele termina de descrever a criação do
mundo,
eh, a expressão que Deus usa é tovmeod,
que significa muito bom. Então, Deus
olhou tudo e falou: "Esse que tudo é
muito bom".
Eh, como se a criação tivesse terminada
num ápice, como se as coisas tivessem
terminadas de forma perfeita mesmo, né?
Se
não tivesse nada para melhorar,
ela já foi foi feita de forma eh
excelente, né? Na verdade, todo o relato
da criação, ele usa diversos elementos
que enfatizam uma ideia de perfeição,
diversos elementos. Se a gente fosse
parar para pensar aqui, até algumas
algumas maneiras de ler o texto bíblico
que são menos ortodoxas, vamos dizer
assim, dão essas essa eh dão essa
ênfase, né? Eh, gente, se vocês puderem
me dar um um feedback aí do som, se o
som melhorou ou se continua esquisito,
só para eu saber aqui. Então, uma uma
coisa que é interessante, quando a gente
pega o verso um de Gênesis 1, né, eh, é
um texto aqui em hebraico, ele vai ter,
vai ser o seguinte, vamos contar as
palavras, né? Beresit, Bará, Elohim,
Etha Hashamain, Vetarets.
Sete palavras logo no primeiro
no primeiro verso. Eh, essa a o número
sete,
o número sete ele vai dar uma uma ideia
de
de algo que é completo. É uma perfeição.
O pessoal costuma falar que o sete é o
número da perfeição. a perfeição no
sentido de completude, uma coisa que
está completa, né? É o é o número sete.
Então, logo no começo, essas sete
palavras, é claro que, como eu falei,
essa é uma interpretação pouco ortodoxa.
Eh, obrigado aí, gente, pelo pelo
pelo feedback do som aqui. O Ed falou
que tá bom, tá ótimo. O Osel diss que
ainda tem aí, tá leve, mas ainda tem um
chiadinho, né? Bom, e eu disse que essa
interpretação é uma interpretação pouco
ortodoxa. Por quê? Porque eh não é um
jeito assim mais ocidental de
interpretar o texto bíblico. E às vezes
esse tipo de interpretação pode cair
meio na ideia de tá bom, a gente faz
aqui umas somas de números e se der o
número que a gente quer, a gente vai
interpretar desse jeito. Se não quer o
número que a gente quer, a gente
interpreta de um outro jeito, né? Então
é meio que você vê o que está lá antes
de de estar lá, entende?
Então, é, eu puxei microfone mais para
perto. Eu tenho a sensação de que eu
deixo o microfone longe e ele e ele
chia. Mas vamos lá, vamos voltar aqui.
Eu a minha cabeça vai vai viajando. Mas
essa interpretação numérica, ela também
é bastante tradicional e a gente vê que
o próprio texto bíblico usa números em
sentidos eh os números são quase como
palavras. Os números têm um significado
pro texto bíblico. Então, o fato de ter
sete palavras dentro dessa maneira de
ver o texto seria uma indicação que o
texto tá falando que o a criação
acontece de um jeito perfeito, completo,
as coisas são excelentes, né? A gente
junta isso com a ideia do tov meod do do
tudo é muito bom, né? que Deus fala na
quando ele completa a criação. Eh, vão
ter outras questões numéricas também,
palavras que se repetem o número sete
aqui e ali. Os próprios sete dias da
criação já dão essa ideia de que quando
Deus termina de criar o mundo, ele
realmente é perfeito. Não tem, Deus não
teria o que mexer no mundo, né?
O problema é o capítulo 3 de Gênesis,
que no capítulo 3 você tem uma uma
quebra, você tem uma descontinuidade
desse dessa perfeição.
E é meio que eh é muito difícil essa
parte. A gente já discutiu isso algumas
vezes aqui, mas Deus entrega pro homem a
possibilidade do homem decidir uma vida
diferente dessa vida de perfeição. Aí a
humanidade, né, o homem, a humanidade
acaba, a humanidade acaba decidindo essa
vida diferente da perfeição que Deus
fez. Então,
por mais que Deus tenha criado o mundo
perfeito e que Deus não teria o que
adicionar no mundo, nem mexer nele,
porque ele já é perfeito, no capítulo 3
de Gênesis se coloca essa queda, a queda
da humanidade, a quebra da continuidade
de perfeição que Deus tinha feito. E a
partir daí, o texto bíblico vai entender
o mundo como um mundo que tá distante da
perfeição que era idealizada por Deus no
início, entendeu? E todo o relato da
criação é uma ideia de busca do retorno
dessa perfeição. E essa perfeição não é
alcançada facilmente. Não é só o homem
voltar pro Éden. Como a gente já
comentou aqui duas lives passada e duas
lives passadas, o caminho pro Éden tá
sendo guardado por um querubim e uma
espada de fogo. Ou seja, você não volta
mais pro Éden. Ele não é tão facilmente
retornável assim. E aí você vai ter todo
a caminhada bíblica para no final lá em
Apocalipse a gente vai falar de novo de
um novo céu e uma nova terra. E aí vão
voltar elementos ali do do capítulo 1 de
Gênesis. Ou seja, Deus vai recriar o
mundo no final dos tempos. Toda essa
caminhada da humanidade é esse iato
entre a perfeição do começo e a
perfeição do final, né? Então o ideal de
Deus vai voltar a ser restaurado no
final dos tempos. E a gente tá
caminhando, caminhando para esse
sentido. Então, voltando aqui pro
comentário da Lúcia,
de fato, Deus criou um mundo perfeito,
mas do ponto de vista bíblico, a gente
não vive mais nesse mundo perfeito. O
mundo foi, a perfeição foi distorcida
pela humanidade, pelas escolhas da
humanidade, né? E um dia ela pode, ela
vai ser restaurada e a gente pode
participar dessa restauração, né? Eh,
essa essa é a ideia bíblica da condição
do mundo. O o que é interessante é que o
essa essa ideia
da que que foi colocada de que o mundo
já é perfeito, ela é um pensamento
estóico, né? O estoicismo, com o próprio
conceito de logo, de logos, né? Que a
gente comentou aqui também em umas lives
passadas.
Acho que uma das primeiras lives quando
a gente, desde que a gente começou a
fazer lives, né? É que o o estoicismo
descreve o mundo como o mundo tendo sido
criado pelo Logos, né? O o capítulo um
lá de João faz menção a essa ideia e e
depois associa o Logos ao próprio
Cristo, sendo através dele o mundo foi
criado. Mas a ideia de que o mundo é
perfeito da forma que é, porque existe
uma lógica por trás dele. A própria
palavra lógica em português é uma
referência ao logos grego, né?
Eh, que, ou seja, existe, até no que
aparentemente é imperfeito, existe uma
perfeição. As coisas são do jeito que
deveriam ser.
E essa é a forma de ver o mundo a partir
do do estoicismo. Eu não sei se essa
visão histórica tem alguma influência no
espiritismo, né? Que a pessoa que
comentou aqui, a Lúcia tinha comentado
que é espírita. Então eu não sei se o
espiritismo também parte dessa desse
pressuposto mais histórico, né, da
criação perfeita, do mundo sendo
perfeito, apesar as próprias
imperfeições são perfeitas, né?
Mas no texto bíblico a gente tem essa
ideia de quebra, né? Essa ideia da queda
e da perversão dessa dessa perfeição
inicial e depois um retorno, né? Aí o
Ozel comenta aqui: "Mas vez eu ouvi que
por começar com berê como uma casa e o
começo da Torá estaria dentro dessa
casa." Ah, deve ser porque a palavra
berexit começa com a letra bait, que é a
palavra casa. a a letra B em hebraico, o
nome dela é Casa Baites, né?
Até porque inicialmente essa letra era
um desenhinho de uma casa e depois
pegaram eh esse desenho da casa para
representar o fonema B e tal lá na época
dos dos fenícios, né? Eh, e aí se cria o
alfabeto fonético e tal e e assim por
diante, né? Talvez venha daí, Eusel,
essa ideia.
Esse é o tipo, esse, essa, essa
interpretação que você deu aí, Oziel, é
o tipo de interpretação que é mais
tradicional dentro do meio judaico e ela
soa meio extravagante dentro do meio
cristão. E eu entendo, o cristianismo
costuma procurar uma interpretação que
seja mais racional.
E as interpretações judaicas, muitas
vezes elas vão para um caminho mais
simbólico mesmo, né? Eh, não que ele às
vezes eles querem dizer que isso é uma
um significado oculto no texto, mas às
vezes não. Às vezes eles só pegam eh uma
ideia que tá no texto para usar ela como
um símbolo de uma outra coisa. Então, é
como se tudo tivesse dentro de uma casa
e tal, né?
Aí o
DJ coloca: "A noção de tumolam é comum
em algumas linhas do judaísmo, mas pelo
que notei há uma ideia mais ligada ao
ramo da Cabala". né? E a restauração do
mundo, né? Eu não sei exatamente,
eh, DJ, o que que é eh a ideia de
restauração do mundo ou tic molando
dentro da Cabalá, mas eh a ideia em si
de restauração de forma genérica é uma
ideia bíblica assim que aparece no
Antigo e no Novo Testamento. No Novo
Testamento mais explicitamente, mas já
desde o antigo a gente tem essa ideia de
de uma certa restauração, né?
A gente vê o final do cântico de Moisés
lá em Êxodo 15 falando
e Adonai em BL Leolan vaieta, né? O
Senhor reinará para todo sempre. Uma
ideia do de um reino de Deus sendo
estabelecido e tal. E essa ideia vai
voltar em outros livros proféticos como
Daniel e tal, uma intervenção direta e
sobrenatural de Deus no final dos tempos
e tal.
Então, eh, a ideia
desse, desse, dessa restauração do
mundo, ela existe na Bíblia, mas talvez
acaba lá tem uma interpretação mais
específica, né, sobre essa essa ideia,
né?
Aí o Marcos Portinho coloca aqui: "Boa
noite". Perfeito. E boa noite, perfeito.
Quem criou a doença, né? O o Marcos
falando, né? dessa ideia de que o mundo
seria hoje perfeito. Exato, né, Marcos?
O texto bíblico coloca que a gente vive
nessa quebra, nessa descontinuidade da
perfeição, que é a forma que o texto
bíblico interpreta esses problemas, né?
A própria morte, que dentro do
estoicismo é entendida como um ciclo
natural da vida e tal. E vai ter outras
outras linhas. Eu acho que o próprio
espiritismo, né, da pessoa que fez a a
pergunta também vai entender o a morte
como um ciclo natural, que aí você tem
inclusive a reencarnação e tal. Eu não
manjo nada de espiritismo, viu, gente?
Eu tô aqui falando do que que é senso
comum. E eu acho que até o senso comum
eu entendo pouco. Eh, mas dentro do
texto bíblico, a própria ideia de morte
é uma aberração.
Ela não é natural.
Eh, então ess a ideia de morte, ela vai
ser destruída no final dos tempos. E aí,
né, como o o Marcos colocou aqui, a
própria ideia de doença também, né, a
própria doença vai desaparecer. Doença,
sofrimento de forma geral.
O texto bíblico vê como um inimigo a ser
combativo, combatido. Não que
mesmo nessas consequências
da queda da humanidade, Deus não possa
através dela operar operar coisas boas
também, né? Eh, o texto bíblico também
fala muitas vezes no Novo Testamento da
gente aprender com os momentos ruins.
Está passando por sofrimento, usa isso
de uma forma boa e você consegue através
desse sofrimento alcançar um
conhecimento melhor, se tornar uma
pessoa melhor, né? Aprender alguma
lição. Deus pode ensinar lições através
do sofrimento, apesar do sofrimento em
si não fazer parte do plano de Deus, né?
Eh,
aí o João coloca aqui: "Deus criou o
mundo perfeito, o homem transformou o
mundo perfeito num inferno". É mais ou
menos por aí mesmo, viu, João? É mais ou
menos por aí, né? Eh, a gente tava
comentando lá na igreja esse esse
sábado, né? Porque a ideia de inferno é
interessante, porque a ideia de inferno
em si, a gente pode falar disso aqui
algum dia,
a ideia de inferno em si, do jeito que a
gente tem também no senso comum, assim
da daquele lugar cheio de de cheio de
demônios com o diabo espetando as
pessoas com tridente e tal. Essa ideia
não existe na Bíblia.
Eh, e o que é interessante é, a Bíblia
nunca disse, não existe nenhuma passagem
da Bíblia que diz que o diabo está no
inferno, né? O mais próximo disso é no
final dos tempos. Lá em Apocalipse diz
que o diabo vai ser lançado no lago de
fogo, né?
Mas o diabo não está no inferno. Mas
existem passagens bíblicas que o diabo
que dizem que o diabo está na terra e
que aqui é um lugar onde há sofrimento.
Então, de certa forma, esse inferno do
senso comum é aqui. A gente vive nesse
inferno que as pessoas dizem, né? E a
ideia do texto bíblico é um dia
restaurar esse inferno e fazer ele
voltar a ser o paraíso, né? Eh, mas é
mais ou isso daí que o João falou, né?
Deus criou o mundo perfeito. O homem
transformou o mundo perfeito no inferno.
Você meio que isso aí mesmo.
[limpando a garganta]
Eh, Salomão Tigre, a paz do Senhor,
irmãos. A paz do Senhor, Salomão e a
Cláudia Souza. Tudo certo?
Então tá, gente, tem mais um comentário
que eu queria ler aqui,
eh, de uma pessoa, a Susana, eh, ela
disse aqui que ficou feliz de de ter
sido citada no vídeo anterior, que ela
também tinha feito um comentário, ela
sempre faz comentários durante a semana
aqui nos vídeos. Ela diz o seguinte, um
um uma pergunta interessante aqui.
Gostaria que você falasse sobre a
família que Abraão constituiu depois da
morte de Sara e também da segunda
esposas de Moisés após Zípora, salvo
engano, ele teve uma segunda família
também, mas a Bíblia não trata muito
desses assuntos.
Então, exato. São duas questões, né,
assuntos interessantes. A segunda
família de Abraão
e a suposta segunda família de Moisés,
né? Vamos entender o que que são esse
essa esses comentários aqui. Primeiro,
né? O que seria essa segunda família de
Abraão?
Depois da morte de Sara, no final da sua
vida, lá em Gênesis 25, Abraão casa de
novo. Não sei se se vocês já perceberam
esse detalhe que aparece aqui no texto
bíblico. Então, no final da sua vida,
Abraão casa mais uma vez. Então, ele diz
o seguinte, né? Eh, Gênesis 25 verso 1.
E Abraão tomou outra mulher e o seu nome
era Quetura e deu-lhe a luz a Zimbrã,
Joxan, Medã, Midian, Gisbac e Suá.
Aí vai começar uma uma
mini genealogia aqui desses filhos e tal
e fala do final da da morte do da do
final da vida de Abraão. Então, a gente
tem essa quietura. É uma figura
enigmática, uma figura misteriosa que
aparece no final da vida de Abraão. Essa
outra
esposa aqui
de Abraão, né? Quem é Quetura? O texto
bíblico não fala quem é, fala de
simplesmente que Abraão se casou depois
da morte de Sara. Ele se casou com essa
quietura, né? Eh, e é interessante a
gente pensar que Abraão, né, ele já era
bastante idoso nessa altura aqui do
campeonato, né? E ele casa de novo e tem
outros filhos, né? Lembra que Abraão não
tinha filhos, eh, e ele vive sua vida
sem ter filhos. E depois, quando já era
idoso, ele tem um filho, Ismael. E Deus
fala: "Não, ainda não é esse filho, o
filho da promessa. Ele tem outro filho,
que é Isaque, e no final da vida, ele
casa mais uma vez e tem outros filhos
ainda, né?
Então, a gente tem essa
eh essa
história aqui que aparece, né? Deixa eu
dar uma lidazinha aqui nos comentários,
porque tem já alguns spoilers aqui do
que que eu vou comentar agora e vou ver
e vou ver se tem mais alguma coisa aqui
pra gente comentar também, né? O DJ
fala: "O TUM seria uma espécie de
retificação da maneira como a conheci, é
próxima da proposta da nova era, dos
alquimistas, etc. Não é uma redenção
como está no cristianismo. Ah, tá. Eu
acho do DJC é o que eu tô entendendo é
mais ou menos a ideia que os os saduceus
tinham de que esse essa retificação do
mundo, eles entendiam inclusive a ideia
de Messias em si não como uma pessoa,
mas como uma época, uma era que
aadeidade entrar nessa era de essa era
messiânica, né? E talvez eh essa o ticão
molanda da cabalá seja alguma coisa
que faça menção essa ideia, uma era, uma
era de restauração, né? Talvez seja
isso, né? Eh, também tô comentando aqui
de coisas que eu não sei, mas
interessante, né?
O Luís Fernando fala aqui: "Quem crê e
for batizado será salvo, mas quem não
crer já está condenado." Sobre o
comentário de que o inferno é aqui.
Então, [risadas] exato, né? O Luís
Fernando disse, né? Nós já estamos
condenados e é nos é oferecido a
salvação, né? E quem aceita essa
salvação agora está salvo, apesar de
ainda não viver no reino de Deus nesse
mundo restaurado, né? Eh,
o Carlos Muniz vai colocar aqui falando
sobre esse texto que a gente falou aqui
de Gênesis 25 verso 1, que é o que eu ia
comentar agora. A tradição judaica conta
que Agar é quetura. Eh, e que enquanto
Abraão mandava Eliáser buscar uma esposa
para Isaque, esse estava esse estava
trabalhando em Ber Laai Roí, levando
Agar e Ismael de volta para casa. Ou
seja, lá no final, quando ele
ele mand no final não, quando ele manda
Elizer buscar uma esposa para Isaque,
ele vai justamente na no poço que
eh
que a Agar tinha ido, né, quando ela foi
expulsa ali do meio. Então é uma ideia
que é interessante porque seria eh uma
uma espécie de lealdade de Abraão, né?
aquela mulher que foi expulsa por causa
de Sara, agora depois que Sara morre,
ele acolhe essa mulher de volta, né? Eh,
é uma ideia interessante. É aquelas
coisas da tradução judaica que não tem
um fundamento no texto bíblico, não tem
um texto bíblico que apoia, mas tem ali
uma tradição formada em algumas
indicações do texto, como esse lugar, o
o posto de Ber Lairoíi,
né? É, e ele vai falar que Isaque vai
viver naquela região também depois da
morte, né, que tá lá em Gênesis 25 verso
11. Aconteceu que depois da morte de
Abraão, Deus abençoa Isaque, seu filho,
habitava junto Isaque junto ao poço
Berliro
que, ou seja, tem uma ideia aqui de que
existe uma conexão que não foi perdida
com aquela região aondear foi enviada
depois que ela saiu lá do meio, né? Eh,
só para trazer aqui a referência, né?
essa essa tradição de que
eh quetura é Agar, ela vai aparecer na
tradução judaica, nos escritos de
Irashi, no no Bereshi Traabá 614,
né, que é que ele vai dizer que é a
mesma pessoa. vão ter e ele faz uma
conexão aqui com o nome, né, de quetura,
provavelmente associada ao a palavra
ketoret, que é incenso, né? E e diz que
a as ações de de Agar eram eram eram
agradáveis diante de Deus, como incenso
que sobe e tal, ou também com a a
expressão catar, que é nó, né? e diz que
ela ficou ela, ela ela foi atada a
Abraão. Ele vai fazer esse tipo de
raciocínio
que, como eu falei, né, a tradução
judaica nem sempre ela faz uma um
argumento lógico, mas ela vai pegar
algumas palavras e vai usar elas como um
símbolo para dar força para pra ideia
que eles estão dando, né? Então é isso
que é falado aí.
Eh,
bom, aí e também tem opiniões
divergentes, né? Não é essa é uma das a
tradução judaica não é uma coisa só, tem
várias coisas, né? E o Abravanel e
Ibinra, que são outros dois rabinos
importantes, vão falar que ela vão
discordar dessa visão, né? Eles vão
falar que é uma outra mulher que
apareceu lá no final da vida de Abraão,
não é Agar, né? Então tem essa essa
visão interessante aí sobre quem seria
a quietura aí no final da vida de
Abraão. Agora, qual é esse caso que
foi comentado aqui de quem seria essa
outra esposa de Moisés?
Essa ideia dessa outra esposa de Moisés
aparece por causa do texto de de Números
12.
vai falar o seguinte: "Falaram Miriã e
Arã contra Moisés por causa da mulher
cochita com quem casara, porquanto tinha
casado com uma mulher cuchita".
Então, eh, Kush é onde seria etiópia,
uma Abrão seria casado com uma mulher
etípe, mas Zípura no texto bíblico é
dito que ela era era midianita.
Então, eh, existem algumas
interpretações sobre esse texto. Uma
diria que ela teria essas duas
ascendências, então ela era midianita e
cuchita também. Então, aqui eles estão
falando de zípura.
Essa é uma interpretação que não é muito
eh que não é muito
que não é muito bem aceita, né?
Inclusive, acho que essa é a
interpretação judaica também de Rashi,
que vai falar que que a mulher cushita é
zípora,
mas a a visão mais aceita é que ele tá
se falando de uma outra pessoa. Então,
provavelmente Moisés, o texto não fala
da morte de Zípora e do casamento de
Moisés com outra pessoa, mas como ele
fala dessa mulher coxita,
existe essa outra interpretação que
seria uma outra pessoa com quem Moisés
casou depois, né? Alguns até comentam,
talvez de um preconceito aqui, né?
Porque eles começam a falar de contra a
mulher por causa porque ela era uma
mulher cochita, ou seja, uma mulher
etípe, uma mulher negra, uma mulher
africana da Etiópia.
Eu acho essa visão também um pouco
forçada, porque toda essa percepção de
racismo que a gente tem, ele surge
depois do modelo da escravidão atlântica
que a gente teve aqui, né?
Os escravizados foram trazidos da África
para cá, foram sequestrados, trazidos
para cá. A gente vai falar um pouco
disso um pouco mais tarde hoje. Eh, e aí
teve toda essa tensão racial, se
associou à ideia das pessoas com a cor
negra, com o os escravizados que vieram
da África. Aí tem toda uma ideia de
inferiorização e aí faz toda essa
relação. Mas eu acho difícil antes disso
a a a
cor da pele simplesmente já trazer um
significado negativo assim, sem contexto
também. Não acho que faz muito sentido
isso, mas até a gente onde a gente sabe
é só isso que se tem, que tem uma
mulherita e por causa dela tem essa
briga entre Mirã, Miriã e Arão contra
Moisés. E a partir daí eles passam a
questionar inclusive a a a eleição de
Moisés como o líder do povo. E é por
causa desse episódio que Mirian fica
leprosa, né?
Por causa, parece que tudo começa com
essa mulher coxita, que era esposa de
Moisés aqui, que ninguém sabe se é a
própria zípura, se é uma outra pessoa.
Então é um outro caso misterioso aí.
Quem é quetura e quem é a mulher
cochita? Quem era a quetura que Abraão
casou e quem é a mulher cochita que
Moisés
era casado aqui em Números 12?
Então é isso, gente. Eh, esses eram os
comentários que a gente tinha aqui
durante a semana, que eu quis trazer
aqui pra gente falar um pouquinho sobre
eles, né? Eh,
aí o Marcos coloca aqui: "Por que quando
você ganha é graça de Deus? Quando você
perde é culpa do homem?"
É uma boa questão, viu, Marcos?
Eh, no texto bíblico é meio que a ideia
de que a gente não tem merecimento
nenhum por nós mesmos.
Então, o fato da gente ter nascido
em pecado, eh, que é essa ideia que a
gente estava falando um pouco antes, né?
a gente já nasceu nesse mundo que está
degradado, ou seja, tudo que a gente
esperaria é só morte e sofrimento mesmo.
Mas Deus nos dá algo além disso. Por
isso que normalmente se entende as
coisas boas como os como vindas da mão
de Deus, né? E as coisas ruins como
consequência dessa queda do homem da da
humanidade, né? dessa condição de pecado
em que a humanidade se meteu.
Normalmente é assim que se pensa, mas
também eh é um essa é uma visão que no
texto bíblico às vezes aparecem
perspectivas diferentes sobre a mesma
questão. Então existe lá um texto de
Isaías que é bem polêmico, eu não lembro
exatamente agora de cabeça onde que é,
mas ele fala que Deus faz o bem e o mal,
Deus faz a luz e as trevas, né? Eh, Jó
também fala, ó, se a gente, se Deus
nos dá as bênçãos, né, por que que a
gente não esperaria também as maldições
vindas de Deus, né, a as desgraças, né?
Então,
eh, então, eh, na própria Bíblia também
tem essa perspectiva de que tudo vem das
mãos de Deus, até as coisas ruins, né?
De certa forma, se a gente for pensar
que Deus criou o universo, faz sentido
essa percepção. Ela não é
necessariamente eh oposta à ideia de que
Deus só dá o bem, só faz o bem. Então,
Deus faz o bem intencionalmente e Deus
faz o bem e o mal de eh porque a origem
de tudo está em Deus, né? Seria mais ou
menos essa a ideia. Claro que a gente
vai entrar numa discussão aqui bem mais
profunda, né? o que que é o mal, se Deus
pode fazer o mal sendo ele
essencialmente bom e tal. Mas de forma
geral, a Bíblia tem essas várias
perspectivas, entende? A Bíblia também
fala que tudo vem das mãos de Deus até o
que é mal, né?
Eh,
o sogro de Moisés aparece como Reuel e
depois como Jetro. Não sei se é coisa de
tradução. Então o Rewell e Jetro são
entendidos normalmente como sendo a
mesma pessoa, né?
Porque não tem essa diferença de é de de
tempo aqui, de nada, porque eh a gente
pode supor que essa essa mulher coxita
veio depois de zípura, já tá aparecendo
aqui em números, né? Eh, masell e Jetro
são dois nomes que meio que que aparecem
e são meio que intercambiáveis no texto
bíblico. Tem essa sensação. Eu sei que
dentro da da hipótese documental, que é
uma outra coisa aqui, mas só para tocar
no assunto, é, vão falar que são nomes
do sogro de Moisés vindo de tradições
diferentes, assim como o Sinai também é
chamado de
Monte Sinai, tem um um outro nome também
que a seria da tradição deutoronomista,
né? Puxa vida, eu não queria ter
esquecido disso.
Eh, não,
deixa eu colocar aqui no Google, só pra
gente não deixar essa informação.
Qual o outro nome pro Monte Sinai? Eh,
Oreb, né? O monte Oreb. Então, o monte
Oreb. Ah, aqui o o Carlos também colocou
e Orev, né? ou ova que ele colocou aqui,
Oreb, eh, o monte Oreb seria o nome para
Monte Sinai vindo de outra tradição, né?
Então, tem essas o texto bíblico tem
essas coisas. Então, essa hipótese
documental é um jeito de explicar essas
diferenças de nomes pra mesma pessoa ou
pro mesmo lugar, né?
Eh,
vamos ver aqui que que o pessoal tá
comentando.
Mia ficava no que hoje é o sudoeste da
Arábia Saudita,
né? E Jetro é um título de nobreza, né?
Interessante aqui que o Carlos coloca,
né?
O Zé coloca depois de Êxodo 15, Getro
chega novamente com Zipar e os dois
filhos que estavam com ele, né?
Eh,
você Silva falar: "Boa noite, chegando
agora e retornando para início, não
quero perder nada". Legal.
Eh,
o Ozel colocou aqui, Deus cria o surdo e
o mudo, né? Falando da ideia de que Deus
cria o mal, né? Aí seria
depende da interpretação, né? o a pessoa
que nasce com algum tipo de deficiência
ou algum tipo de eh
algum tipo de diferença que que ele não
tem um sentido ou ou que alguma coisa
que torna a vida dele mais difícil e
tal, seria
seria o que Deus criou intencionalmente
ou seria a criação de Deus funcionando
agora nessa condição separada do ideal
divino, entende? que eu quero dizer, ou
seja, Deus criou um homem com a
capacidade, Deus criou a humanidade com
a capacidade de se reproduzir.
Eh, mas essa capacidade de se reproduzir
acaba saindo do ideal divino depois da
queda da humanidade. Ou seja, agora o
homem pode se reproduzir, a humanidade
se reproduz e pode gerar filhos, é, com
algumas características que, que são,
né, que podem trazer sofrimento, podem
ser trazer algum tipo de dificuldade e
tal, né, ou até mesmo alguma doença
séria. Pessoa já pode nascer com uma
doença séria e tal. Então isso seria que
Deus criou a pessoa daquela forma ou a
pessoa nasceu daquela forma dentro de um
contexto de um mundo que tá já distante
do ideal divino, né? Eh, aí é a
discussão que você tem, né? Eu entendo
mais dessa segunda forma.
Eh,
acontece coisações com Jó, mas ele não
pecou, né? Diz aqui, João.
Ovável é o outro nome de Getro. Ah, tá,
tá, tá.
Aqui o Carlos Clock. Eu tava pensando
que era Oreb que ele escreveu errado,
mas é Ová, é outro nome para Jetro. Eh,
então é, a gente tem esses personagens
bíblicos que tem mais de um nome mesmo,
né?
Aí o Marcos coloca aqui essa questão,
eh, Deus faz o mal, Deus é pecador, que
seria a consequência natural. E é por
isso que existe uma explicação que não é
exatamente isso, né? Se Deus faz o mal,
Deus é pecador. Porque o porque o mal o
pecado é consequência do mal, né? Eh,
então a ideia seria, Marcos, para
explicar isso e não cair nesse
raciocínio, seria que o que Deus faz é
tudo.
Só que as coisas como são hoje já estão
diferentes do que Deus criou.
Por isso que existe o mal, que Deus
criou um mundo com a possibilidade da
humanidade fazer o mal também. E a
humanidade quando faz o mal,
ele ela distancia toda a criação de Deus
do ideal divino. Seria mais ou menos
essa a ideia. Então Deus cria o mal
indiretamente. Ele não cria o mal com
intenção de fazer o mal. Ele cria tudo,
inclusive a possibilidade da sua própria
criação fazer o mal. E a criação faz o
mal. Seria mais ou menos isso, entende?
Eu tô eh eu tô simplificando um
raciocínio aqui bem complexo, tá? Pra
gente não, se a gente entrar nessa
questão aí a gente vai longe nela, né?
Aí o Solomão coloca aqui e rone
explicação sobre o sacrifício dos dois
bodes. Um era sacrificado e o outro era
solto para o deserto.
Eh,
eu vou falar primeiro o comentário da
Lucilene, que ainda tá mais ou menos
nessa ideia. Aí a gente fala disso, tá,
Salomão? E aí, terminando isso, a gente
vai, porque eu fiquei devendo a semana
passada de um react aqui para um outro
vídeo, né? Aí a Lucilene coloca: "Boa
noite, há um entendimento de que a
genética humana foi contaminada por
hibridização mencionada em Gênesis 6.
Essa seria uma explicação para a
degeneração humana.
Então, Luclene, aí tem algumas questões,
né? A primeira é que essa degeneração
humana,
ela já acontece antes de Gênesis 6, né?
Eh, a gente vê, por exemplo, já em
Gênesis 4, o primeiro homicídio, que é
um irmão matando o outro. Então, seria
uma degeneração assim, eh, digamos
moral, né? A, a humanidade já se
tornando perversa,
eh, que é Caim matando Abel. E depois a
gente tem eh a descrição de toda a
descendência de Caim, que já mostra essa
perversidade se aprofundando na
humanidade e vai culminar lá em Gênesis
6 com Deus falando: "Olha, isso aqui já
passou dos limites, né? A gente, eu não,
eu não, eu não vou permitir que a
humanidade continue desse jeito, eu vou
interferir." E aí vem o relato da, eh,
do dilúvio.
Então, Gênesis 6 não é onde começa a
degeneração humana. Ela começa, na
verdade, em Gênesis 3, com a queda da
humanidade, com o pecado, né? E a partir
daí, a humanidade vai se degenerando
cada vez mais, principalmente do ponto
de vista moral. Aí essa questão da
hibridização, Gênesis 6, eh, que o que
está se referindo aqui, Lucian, é aquela
passagem que os filhos de Deus se
casaram com as filhas dos homens. Essa é
uma outra questão complexa. Eu não sei
se a gente já comentou isso em live, a
gente pode comentar isso depois, mas
esse daí já é um outro assunto que já
vai mais longe, né? Para resumir ele, eu
vou dizer que existem algumas eh algumas
formas de entender isso. A primeira
forma de entender isso é que eh
os filhos de Deus aí, que é uma
expressão que aparece com frequência na
no texto bíblico se referindo a anjos,
seria lá em Gênesis 6 anjos caídos, né?
E esses anjos caídos se relacionaram com
as filhas dos homens. Ou seja, houve uma
mistura genealógica entre demônios, que
são anjos caindos, e a humanidade.
E aí acontece essa grande perversão e a
partir daí Deus faz, traz o dilúvio, né?
Eh, essa é uma interpretação antiga,
inclusive, né? O livro de Enoque, um
livro que é eh não é um livro bíblico,
né?
É um livro
ah, como que é o nome? Eu tenho ele ali
dentro da coleção desses livros que não
são, não fizeram parte do canon bíblico,
não foram considerados livros sagrados.
O livro de Enoque é um é um desses
livros, né? E ele vai contar essa
história, ele vai dar nome para esses
demônios e tal, esses anjos caídos. Vai
falar que um inventou os cosméticos, né,
para as mulheres ficarem bonitas e
seduzir seduzirem os homens. O outro
inventou as armas de guerra, ele vai
fazer, vai criar toda uma mitologia, né?
Eh, eu acho que é o primeiro livro de
Enoque. Se eu não me engano, tem dois ou
três, mas eu acho que é o primeiro que
vai falar sobre, vai dar essa
interpretação sobre Gênesis 6, né? A
outra interpretação que é o que eu a
prefiro, que para mim faz mais sentido,
é que os filhos de Deus e as filhas dos
homens não se referem a a a anjos caídos
e à humanidade, mas está falando de duas
linhagens da humanidade. Os filhos de
Deus seria os filhos descendentes de Set
e os filhos e as filhas dos homens
seriam as descendentes de Caim. Por que
isso faz sentido? Porque o texto bíblico
tá acabando de descrever essas duas
genealogias e começa a contar essa
história, entende?
Apócrifo, obrigado aqui, Getro. Eh, o
Getro, ele aqui, ó, o Jetro tá aí entre
nós, né? A gente tá falando do Jetro do
sogro de Moisés e aparece o Jetro aqui
para me ajudar. Apócrifo, né? o livro de
Enoque é um apócrifo.
Eh, então eu entendo dessa forma que
essas filhas dos homens lá em Gênesis 6
seriam as descendentes
eh de Caim. Porque o que a gente tá
falando são duas genealogias que que
acontecem separadas. Enquanto a
genealogia de Caim, ela vai se
aprofundando nessa perversão, nessa
decadência moral, a os descendentes de
sete ainda se mantém de certa forma
puros. Então você tem, por exemplo,
Enoque, que é um descendente de Set. Eh,
e existe um outro Enoque também na
descendência de Caim, que é diferente do
Enoque. Então, tem toda essa questão,
né? E e no final, quando essas duas
genealas começam a se misturar, que Deus
fala: "É, o ser humano ele não não ele
não permanece puro por muito tempo, né?
Ele essas genealogias se misturam. Então
até aqueles que continuavam com essa
tradição de pureza começam a se misturar
e começam a se degenerar moralmente
também. Então ela é a percepção que eu
tenho do texto. Para mim faz mais
sentido entender ele dessa forma. Eu sei
que tem muita gente que entende dessa
primeira forma que eu disse, até porque
é uma tradição antiga por causa do livro
de Enoque e tal, mas é isso. É isso.
Eh, aí o Edson vai falar aqui, se o
livro de Enoque é citado no Novo, no
Novo Testamento, por que não faz parte
da Bíblia hoje? É o que o Edson fala
aqui, né? É porque aí você tá partindo
de uma lógica, Edson, de que
tudo que qualquer autor do Novo
Testamento menciona,
ele necessariamente tá considerando
aquilo como um escrito sagrado. E nem
sempre, né? Às vezes são mencionadas eh
poesias, às vezes são mencionados textos
pagãos. No caso aqui do texto de eh o
texto o livro de Enoque, que é citado no
livro de Judas, né? A citação que ele
faz é uma citação que provavelmente era
uma parte bem conhecida e popular do
livro de Enoque, que tá falando sobre um
conceito bíblico que eu nem lembro
exatamente o que que era, mas não é uma
o que Judas cita de Enoque é um
raciocínio que não é um raciocínio muito
polêmico, entendeu? Se eu não me engano,
ele tá falando inclusive da da da
perversidade humana mesmo, da
degeneração humana, se eu não me engano.
É isso que ele tá falando. E ele
menciona o livro de Enoque como um
exemplo, né? eh uma forma que ele achou
interessante de descrever e essa
degeneração. Para mim não, isso não
significa necessariamente que o quando
Judas escreve isso, ele tá considerando
que o livro de Enoque ele é todo
inspirado e ele deveria fazer parte do
texto bíblico, porque eu não acho
necessariamente que tem essa relação,
entende?
Eh, e o Carlos coloca aqui os gigantes
no texto ali de Gênesis 6 tem a ver mais
com o renome que eles tinham. Exato. Não
necessariamente são seres eh aí
bizarros e tal, né? Aí a Lucil coloca
Ges fala de alterações genéticas gerando
gigantes. A partir daí as doenças
físicas passaram a ser transmitidas
geneticamente. Esse é uma falta
independente da teoria dos anjos ou das
duas humanidades.
É, Lucilene, eu não sei. Eu não,
eu não sei se a gente consegue inferir
isso assim como uma coisa
inquestionável. Eu não sei se a o texto
bíblico mesmo não fala que as doenças
físicas passaram a surgir a ser
transmitidas geneticamente a partir de
Gênesis 6, entende? Eh, então fica,
não sei se dá pra gente fazer essa
relação tão direta. Pode ser uma forma
de entender o teu texto, mas eu não,
para mim, o texto não deixa isso tão
claramente assim, de forma
inquestionável. O Salomão falando aqui,
não esquece da minha pergunta. Aí eu já
esqueci, Salomão. Deixa eu ver se eu
acho aqui onde que tava. Era uma
pergunta. Eu cheguei a ler um comentário
seu, né? Eu não sei o que que era.
Eh,
eu perdi ela aqui. Deixa eu ver se eu
encontro Salomão.
Eh, o Rose coloca aqui. São aliens.
Eh,
gente, alguém alguém conseguiu achar aí
qual que é essa pergunta do Salomão?
que ele falou aqui no começo a paz do
Senhor.
Eu acho que não tá aparecendo aqui para
mim, Salomão, se você puder colocar ela
de novo.
Ah, tá, tá, tá, lembrei, lembrei. Tá,
achei aqui. Era o a questão dos dois
bods, né? Vamos falar então rapidinho
aqui dos dois bods.
Os dois bods aparecem lá. Que que é
esses dois bods, né? Tem vários tipos de
sacrifício.
Isso aqui sobre os bods, né? Tem vários
tipos de sacrifícios que aparecem no
texto bíblico,
principalmente lá em Levítico, do
capítulo 1 até o capítulo 10. São vários
tipos diferentes de sacrifícios e tal.
Eh, só que tem alguns sacrifícios,
alguns animais envolvidos em sacrifícios
que chamam atenção no texto bíblico, né?
Então, lá em Levítico 16,
o texto fala sobre um ritual específico
que envolvia dois bods,
né? Esse ritual acontece no que que eles
o que o texto vai chamar de Yonhakipurim
e que depois os judeus passam a chamar
de Yonkipur, que seria o dia do da
cobertura, do cobrimento,
eh, ou o dia da expiação que a gente se
costumou a a a chamar, né? Então, esse
dia da expiação, o dia da cobertura,
quando os pecados são cobertos, é um dia
onde acontecia um ritual, né? Então,
para resumir também esses sacrifícios
que eram feitos diariamente eram meio
que como eles contaminassem diariamente
o santuário, porque esses sacrifícios,
nem todo sacrifício, só era sacrifício
pelo pecado, né? Tinha vários tipos
diferentes de sacrifício. Às vezes você
sacrificava porque você tava feliz,
queria comemorar. Bom, vou fazer um
sacrifício porque eu tô muito feliz.
você fazia um sacrifício e tal, mas
tinha esses sacrifícios pelos pecados
e vários tipos diferentes de sacrifícios
pelo pecado, porque tinham vários tipos
de pecados diferentes, tinham pecados
públicos, pecados feitos por um uma
pessoa importante, pecados feitos pelo
pelo povo inteiro, eh o pecado que uma
pessoa fez e que ela foi lá confessar,
um a pessoa pode podia oferecer um
pecado por um oferecer um sacrifício por
um pecado que ela nem sabia. falou:
"Olha, eu não sei se eu pequei, então eu
vou oferecer um sacrifício aqui para
mostrar para Deus que eu estou eh
reconhecendo a minha condição de
pecador. Então eu posso ter pecado, né,
um pecado inconsciente aqui que eu não
tô sabendo dele. Então já vou oferecer
esse sacrifício aqui em reconhecimento,
né, de que Deus é santo e eu sou pecador
e tal. Então vários tipos de sacrifícios
pelo pecado tinha.
E quando esses sacrifícios eram feitos,
o sangue era derramado ali no altar, nas
quatro pontas do altar. E alguns desses
que eram mais graves, o sangue era
levado lá para dentro do santuário e era
espirrado no véu, né?
Eh, então a gente pode dizer que
simbolicamente
o o sangue dos animais pelo sacrifício,
eles representavam o pecado. A pessoa
confessava o pecado dela sobre o animal,
o animal era morto e esse sangue tá
carregando a culpa pelo pecado. Então o
pecado ia contaminando o santuário
simbolicamente, entende?
até o dia da expiação. No dia da
expiação, o santuário era purificado
dessa contaminação, né? E os pecados,
digamos assim, que foram acumulados no
santuário por durante o ano, eles eram
perdoados de uma vez por todas. Eh, aí
eles eram espiados, eles deixavam de ser
considerados, eles eram cobertos de vez,
né? É como se os sacrifícios que
acontecessem durante o ano eh fossem
sacrifícios para uma
para
eh sacrifícios substitutivos. Eu vou
substituir. A culpa não cai mais sobre
mim, cai sobre outra pessoa, sobre o
animal ali, né, simbolicamente.
Só que esses pecados ainda, a culpa
deles não é, não desaparece.
Ela ela é levada pro santuário, né? E
ele fica lá, a culpa fica lá desse
pecado. E nesse dia da expiação, esses
pecados são espiados de uma vez por
todas. Então, o que que acontece no dia
da expiação? Que que é a questão dos
dois bods?
Eh, nesse dia você trazia dois bods pro
santuário e você sorteava eles, porque
você vai ter dois bods. Um é para o
senhor e outro era para ser o bod
emissário ou o bod expiatório, né? É daí
que vem a expressão bode expiatório que
a gente usa aí no senso comum, ah, o
cara tá tá usando outro de bode
expiatório. É uma expressão bíblica que
vem lá de de Levítico 16, né?
Eh, esse bode, eh, então tem o bod para
o Senhor, não é? Todos os sacrifícios
eram para o Senhor, mas nesse caso
específico, você vai ter o bode para o
Senhor. E esse outro bode, o bode
emissário, o bode expiatório, ele vai
ser um animal que vai ser diferente de
todos os animais que são envolvidos em
qualquer tipo de sacrifício no
santuário. Primeiro, o sangue desse
animal não é derramado.
E a ideia de sangue é muito importante
no sacrifício. Todos os sacrifícios e de
animais envolviam sangue,
porque tem um conceito bíblico que já
aparece ali desde lado do início, né,
que o sangue simboliza a vida, né?
Então, eh, se você vai fazer um
sacrifício para espiar um pecado, o
sangue precisa ser derramado, né? Eh,
Moisés quando faz aliança com o povo,
eles eles sacrificam os animais, pega o
sangue desses animais e espirra em cima
do povo, fala: "Olha, esse sangue aqui é
o sangue da aliança, tá sendo feita uma
aliança com vocês". Então tem um símbolo
muito forte bíblico relacionado ao
sangue, mas esse é o único animal que
não é derramado o sangue. E ele não é
sacrificado no santuário, ou seja, ele é
um animal envolvido em em com o ritual
do santuário, mas ele não é um animal
que ele é sacrificado para perdão dos
pecados, entende?
E existe uma questão muito interessante
aqui, que esses animais eles são
colocados meio que de uma forma oposta.
Um é para o Senhor e o outro é esse bod
emissário, o bode expiatório. Na
verdade, é uma palavra que ninguém sabe
exatamente o significado. Então é o
seguinte, literalmente o texto tá assim:
"Um bode vai ser para o Senhor e outro
bode vai ser para Azazel".
E o que que era esse Azazel, né? A
palavra em si é uma etimologia difícil.
que as pessoas discutem, porque não tem
assim muito claro a entender de onde
veio essa palavra, mas a gente tem
muitas tradições muito antigas se
referindo para a a Azazel como um bod,
um bod, como um demônio do deserto. E
faria sentido se a gente considerasse
que esse Azazel tá em oposição a Deus.
Um é para o Senhor e o outro é para
Azazel.
Eh, então tem uma oposição aí.
Então, esse bode para Azazel, ele não é
sacrificado, o sangue dele não é
derramado, eh, ele não é, o pecado é é
confessado sobre a cabeça desse bode,
mas ele não é sacrificado para para
perdoar o pecado de ninguém. Então, o
que acontecia com esse bode? Ele era
levado para morrer sozinho no meio do
deserto. Ele era tirado do do meio do
acampamento de Israel e era levado pro
meio do deserto e era deixado lá, né? a
tradição judaica, algumas tradições
judaicas, né, como a gente costuma
falar, que a tradução judaica nunca é
uma coisa só, mas existe uma tradução
judaica de que esse bod não era só
levado e deixado sozinho, mas ele era
jogado numa ribanceira para ele cair
rolando e ser despedaçado, né? E aí
alguns dizem que Azazel era o nome desse
penhasco, né? Eu não sei se eu concordo
muito com essa tradução. Primeiro porque
o povo de Israel eles não ficavam num
lugar só, eles andavam, né? Eh, e a um
povo que que era nômade ali, né? Eles
levantavam acampamento e andavam. Então,
não tinha uma única localização onde
eles ficavam para ser aquele lugar é o
Azazel, né? E essa tradição forte que se
tem de que Azazel era um demônio. Então
eu concordo com a ideia de que esse
animal é o único animal envolvido em
sacrifícios no Antigo Testamento que não
tá representando Cristo porque ele não é
sacrificado. Ele não faz parte do
sacrifício. Esse animal representa
Satanás, né? Eh, e justamente porque por
todas essas questões, ele leva a culpa
de pecado, mas ele não faz um sacrifício
expiatório
e ele é isolado, ele é levado para fora.
E isso
vai fazer referência a algumas ideias
que tem Apocalipse, onde Satanás é
deixado de lado, né? Eh, quando eh eh
Deus retira os seus santos e tal do do
mundo, Satanás ele fica isolado nesse
deserto, digamos assim, né? Então na
minha compreensão, né? Eu sei que são,
isso é muito polêmico, tem gente que
acha isso uma tremenda de uma heresia,
mas eu acho que o texto bíblico dá
bastante margem para pensar desse jeito,
que esse Azazel, ele não é um animal
expiatório, ele não faz um sacrifício
expiatório e ele representa Satanás, né,
que vai ser culpado do pecado no final e
ao mesmo tempo a morte dele não vai
servir de sacrifício para ninguém. Ele
morre sozinho e o sangue dele não é
derramado dentro do ritual do santuário,
entende?
Então essa é a leitura que eu tenho,
viu, Salomão? É aí que eu que eu chego
[risadas]
nessa nessa explicação desses dois
animais aqui, né? Bom, quem me acompanha
aqui sabe que eu sou adventista também,
né? Isso é um é uma maneira adventista
de ver o texto,
né? E eu concordo com essa essa forma de
ver esse texto, apesar de eu saber que é
uma forma polêmica, não? as pessoas
costumam olhar assim, como assim um
animal eh que é envolvido no ritual do
santuário é Satanás, né? É o diabo e
tal. Mas eu acho que cabe essa
interpretação considerando que esse
animal era bem diferente dos outros
animais que eram envolvidos ali nos
rituais eh do santuário.
Aí a Lucilene coloca aqui: "Já li que os
bodes soltos no deserto passaram a
voltar sozinhos. Aí os sacerdotes
passaram a lançar os bodes no penhasco.
É, então pode ser, né, essa que seria a
eh essa tradição judaica, né, do
penhasco do Azazel.
Eh,
aí o Luiz Fernando coloca aqui, acha que
tem correlação com Caim? O sacrifício de
Caim não foi aceito por Deus. Eh, não
havia sangue e o próprio Caim vaga
errante, assim como o Bod. É
interessante essa essa relação, viu,
Luiz? nunca tinha feito essa relação. Eu
não sei, não sei se dá para fazer ela
diretamente.
É claro que assim, eu acho que qualquer
coisa no no texto bíblico que que você
consegue estabelecer uma relação, ela
pode ser uma espécie de eco daquele
significado, desse símbolo. não quer
dizer necessariamente que esses símbolos
eles se conectam, mas a ideia de Caim
como sendo esse elemento, assim como o
Bod, ele acaba sendo isolado e vê
errante e tal. Eu acho que existe essa
relação,
mas eu não sei se o Bod em si ele
simboliza Caim assim, eh eh literalmente
assim de forma de forma deliberada,
entende? Talvez a gente possa fazer uma
associação lateral, uma esse tipo de
associação que fala: "Ah, esse símbolo
aqui tem várias relações com esse
símbolo." Existe um eco aqui entre
símbolos, né? E eu gosto desse tipo de
ideia, né? Mas eu não diria que ele
representa Caim, mas eu acho que existe
essa correlação. Sim, dá para fazer uma
correlação.
Eh, a ideia do sacrifício de Cain não
ser aceito,
porque não havia sangue
é uma ideia que eu discordo. Eu vou
dizer o porquê, né? Eu tava falando aqui
que eu sou adventista e eh concordo com
essa ideia do do bod, né? Tá aí uma
ideia que é comum entre os adventistas,
que eu discordo de que Caim não foi
aceito porque o sacrifício dele não
tinha sangue.
Eh, essa é uma ideia adventista que eu
discordo e eu acho que o texto bíblico
dá uma indicação
eh diferente dessa, né? Quando a gente
vai lá para Vamos, vamos para esse,
gente. É o seguinte, deixa eu já abrir
um parênteses aqui.
Tem esse esse react que eu tava falando
e quando a gente entrar nele a gente vai
falar de coisas polêmicas e ia tomar
bastante tempo. Eu não sei, eu não gosto
de terminar a live muito tarde também,
eu gosto de ir lá pelas 15 paraas 10 já
ir encerrando. Então eu estou inclinado
a gente entrar nesse assunto a Kid de
Caim e Abel e deixar o react paraa
semana que vem porque a gente aí eu
tento ignorar um pouco esses comentários
iniciais, a gente vai direto pro react,
tá? Eu leio os comentários da semana,
comento alguma coisa e já vou direto pro
React antes de ir conversando com vocês
aqui, tá bom? Eh, eu vou fazer desse
jeito, tá? Vamos adiar mais uma vez o
nosso nosso React,
[risadas]
porque o React vai entrar em questões
que são complexas e eu queria explicar
elas bem e vou me estender,
entende? Eh,
então tá, vamos aqui nessa
nessa nessa questão aqui de Caim e Abel.
Vou dizer o que que é o que que é a
forma de eu entender. Vocês sabem que
assim, eu sempre procuro entender que
existem várias formas legítimas de
entender o texto bíblico, né? Eu não
gosto de falar: "Não, essa é a forma
correta e quem falar ou qualquer outra
coisa tá errado e pronto, acabou". Né?
Eu não gosto de ter essa postura porque
muitas vezes eu mudei de ideias sobre
entender algum texto bíblico e eu posso
mudar de ideia no futuro e eu posso
perceber coisas, posso aprender coisas
novas e olhar depois falar: "É,
realmente não era desse jeito". Então eu
não gosto de ser tão taxativo sobre
interpretação
do texto bíblico. Eu gosto de considerar
possibilidade de ser outras ideias.
Então eu posso falar aqui, às vezes eu
falar: "Ah, eu discordo dessa ideia, eu
concordo com aquela, então eu gosto de
ser aberto." Então vai ser esse caso
aqui. Eu vou dizer qual é a minha
interpretação,
não é só minha, né? Eh, mas eh vou dizer
qual a interpretação que para mim parece
fazer mais sentido considerando o texto
bíblico, né? E com isso eu não tô
deslegitimando e nem dizendo que a
viagem, nem que é heresia, nem nada
disso, qualquer outra interpretação, né?
Eh, inclusive eu acho que é possível,
aliás, não só que é possível que isso
acontece diversas vezes no é que o texto
bíblico não tem só uma interpretação,
tem mais de uma interpretação que que
vão se cruzando. E às vezes elas nem são
necessariamente
harmoniosas entre si, mas elas não são
descartáveis. Vocês entendem o que eu
quero dizer? Às vezes o texto bíblico
pode ter, ó, tem três interpretações e
as três fazem sentido. As três não
concordam uma com a outra, mas são três
interpretações que fazem sentido. Eu
gosto mais dessa, eh, mas as outras não
são necessariamente ruins e tal, né?
Então, fazendo esse adendo, fazendo esse
esse disclaimer aqui, vamos lá pro texto
de Gênesis, capítulo 4,
falar sobre Caim e Abel. Eh, por quê?
Qual que é a questão aqui? Eh, esse
texto de Cain Abel, ele é usado para
muitas coisas. Então, qual que é, qual
que é o sacrifício de Caim, né? E aí o
pessoal traz para qualquer coisa que a
pessoa não gosta falar: "Isso que você
tá fazendo é um sacrifício de Caim. Você
tá vindo aqui fazer na igreja isso daí,
achando que tá louvando a Deus, mas Deus
vai te rejeitar por causa disso. Tem
essas coisas, às vezes se interpreta
dessas maneiras, né? Eh, vou vamos
entender primeiro a questão geral aqui.
Aí eu vou ver aqui. Eu já tô vendo que o
Carlos colocou uma uma uma perspectiva
aqui do texto que é interessante também.
Eh, então vamos lá. Eu gosto muito,
aliás, do texto de Caim Abel, que eu
acho que tem muitas coisas nesse texto
aqui. E o sacrifício em si. Um detalhe,
eu acho que o sacrifício de Caim
tá longe de ser o ponto mais importante
do texto.
O sacrifício de Caim é é, digamos assim,
é só o início, é só desculpa pro texto
entrar em outras questões, entende? Eh,
o principal não é isso. O principal é a
reação de Caim
ao que Deus faz em relação ao sacrifício
dele de Caim. Esse é o ponto central. é
a reação de Caim, né? Então vamos lá,
vamos entender tudo.
Gênesis 4, a partir do verso 1. E
conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela
concebeu a luz a Caim. E ela disse:
"Alcancei do Senhor um homem, né?" Ou em
outra versão, eu tô lendo aqui na na
corrigida fiel. Vou colocar, vamos
colocar a nava almeida atualizado.
Prefiro essa.
É, ó, aqui já veio uma o que é o que eu
tava esperando, né? Adão teve relações
com Eva, sua mulher, ela ficou grávida,
deu a luz a Caim. Então, ela disse:
"Adquiri um varão com auxílio do
Senhor", né? Então, essa expressão
adquiri como que era aqui tinha lá na na
alcancei, né? Então aqui tá adquirir e
faz mais sentido, é mais precisa essa
tradução, porque o verbo caná é o verbo
adquirir, é o verbo ajuntar, né? Eh, que
seria esse verbo que dá o nome de Caim,
né? É aquele que foi adquirido, aquele
foi ajuntado, né? Aquele que foi somado,
né? Adquiria um varão com auxílio do
Senhor, por isso deu o nome de Caim.
Depois,
eh, deu a luz a Abel, irmão de Caim.
Abel foi pastor de ovelhas e Caim foi
agricultor.
A expressão Abel,
a o nome Abel é uma palavra hebraica
muito
significativa. Tem um livro inteiro
baseado no significado dessa palavra,
que Abel em hebraico é Revel.
E Revel
é a palavra central do livro de
Eclesiastes, que vocês sabem que é um
livro que eu adoro, o livro da Bíblia,
eu acho que é o livro que eu mais gosto
da Bíblia.
E aquele refrão do início de de eh de
Eclesiastes, que é vaidade de vaidades,
tudo é vaidade,
literalmente é ravel, ravelim, raccolo,
ravelo, né? Revel de Revel, tudo é
Revel. Ou literalmente a gente pode
falar Abel de Abéis, tudo é Abel, né?
Porque que que significa a palavra Abel?
A palavra Revel é a palavra vapor.
Eh, o primeiro significado concreto é
vapor e um segundo significado que é
derivado desse é aquilo que se dissipa e
desaparece,
entende? Então, Abel é aquele que
desaparece. Isso daqui é um reforço pra
ideia de que talvez, eu, e eu concordo
com essa ideia, talvez esse nem seja
originalmente o nome de Abel mesmo, mas
foi um nome que foi dado para ele
depois, porque é um nome que representa
a história dele. Abel é aquele que vai
ser um vapor, ele vai desaparecer, ele
vai sumir da história, ele vai se
dissipar e nunca mais vai voltar. É um
sujeito que aparece no início, ele
desaparece sem deixar nenhuma
genealogia, nenhuma descendência. E não
tem nenhuma palavra que é registrada no
nome de Abel. Se você lê aqui o relato
de Abim, Caim e Abel, você não vai ver
uma palavra de Abel. Ele não deixou
nada, nenhum rastro. Ele se dissipou
totalmente. Você não tem paraa
posteridade eh uma palavra ou uma
descendência de Abel. é aquele que
desaparece, é o que some.
Então, Caim, aquele que é adquirido,
aquele que adquire, aquele que soma as
coisas, junta as coisas para ele e Abel,
aquele que desaparece, aquele que que é
dissipado, que some. Então, só o nome
dos dois irmãos já demonstra essa ideia
de ter uma oposição entre os dois, né?
Aconteceu que ao fim de um certo tempo,
Caim trouxe o fruto da terra uma oferta
ao Senhor. Trouxe do fruto da terra uma
oferta ao Senhor. Abel, por sua vez,
trouxe das premícias do seu rebanho e da
gordura deste.
O Senhor se agradou de Abel e de sua
oferta, mas de Caim e de sua oferta não
se agradou. Caim ficou irritado e fechou
a cara. Então esse é o resumo do começo
da história de Caim e Abel. Eh,
algumas coisas aqui. Primeiro,
Abel foi pastor de ovelhas. Caim foi
agricultor.
Esse começo já é um começo em que alguns
acadêmicos vão trazer uma ideia aqui de
que esse texto tá fazendo uma crítica
que pode aparecer algumas vezes no texto
bíblico a ideia das grandes cidades,
né, onde as pessoas se ajuntam, elas
elas são ajuntadas, elas são adquiridas,
caná, o verbo caná, se ajuntar, eh, né,
somar e constróem cidades. né? E isso tá
ligado à ideia de agricultura,
principalmente nessa época. Então, a
agricultura seria uma atividade
relacionada ao ajuntamento de grandes
cidades, enquanto o cuidar de ovelha
seria uma atividade relacionada aos
pastores nômades. Então, alguns
acadêmicos vão entender que esse texto
tá criticando essas essa vida, essa vida
eh
ai gente fugiu a palavra a do que que é
a coisa que acontece numa cidade é uma
coisa eh bom, uma vida eh do campo e uma
vida de cidade. Vou usar assim, se eu
lembrar da palavra depois eu eu falo.
Então, uma vida de campo e uma vida de
cidade. Seria isso. O o texto é uma
crítica à vida da cidade e um elogio à
vida do campo, né? É uma forma de ver o
texto, não é necessariamente a forma que
eu vejo o texto, né? Mas o texto já dá
essa indicação logo no Google no começo,
a ocupação dos dois.
Eh, o Luiz Fernando coloca civilização.
Não era exatamente isso que eu tava
tentando. Urbano. Urbano era essa
palavra, né? A vida urbana e a vida do
campo, né? Eh,
então, eh,
o que, acho que o pulo do gato aqui
nesse texto é a diferença entre o verso
3 e o verso 4 e principalmente
algumas coisas, né? Vocês vem que não é
só a oferta que Deus rejeita, Deus
rejeita o ofertante, né? Deus fala:
"Deus se agradou de Abel e da sua
oferta, mas de Caim e de sua oferta não
se agradou". Então, essa é uma indicação
que o texto tá me dando, que o que vai,
o que que foi rejeitado na oferta foi o
ofertante, porque acontece alguma coisa
aqui, eu acho que é o o a o pulo do gato
tá aqui no verso 3 e 4, como eu disse,
né, que vai ser o seguinte. Aconteceu
que ao fim de um certo tempo, presta bem
atenção na expressão aqui, Caim trouxe
do fruto da terra uma oferta ao Senhor.
Então, o que que ele trouxe? Qual era a
oferta de Caim? Um fruto da terra.
Literalmente é isso que o texto tá
falando. Quem trouxe do fruto da terra
uma oferta ao Senhor, né?
Eh, qual é a oferta de Abel? Verso 4.
Abel, por sua vez, trouxe da sua eh
trouxe das primícias do seu rebanho e da
gordura deste. O Senhor já se agradou de
Abel e da sua oferta. Vocês conseguem
perceber a diferença entre um fruto da
terra e das primícias do seu rebanho e
da gordura desse? Quando se fala da
gordura
aqui, el tá falando daquele que é que é
o melhor, que aquele é o mais gordinho,
é o que é o é o que tem mais é o que
mais melhor se apresenta dentro do de
contexto aqui de pessoas que criam
animais para abate, né?
Não só abate também, né? Mas eh, mas o o
que é o o mais gordo é o que vale mais.
Então, das primícias do seu rebanho, da
gordura dele. Ou seja, Abel traz do seu
próprio rebanho aquilo que é melhor da
sua primícia, do primeiro e do que tem
mais qualidade, enquanto Caim traz um
fruto da terra. O que dá impressão aqui
que Caim sequer ele oferece algo que era
dele, né? É, é não que não fizesse parte
das da do porque ele acabou de falar de
de colocar que eh Caim é agricultor, mas
eh o texto coloca esse distanciamento
como se ele pegasse qualquer coisa e
oferecesse ao Senhor, enquanto Abel vai
lá e oferece aquilo que é mais valioso
que ele tem, ele oferece ao Senhor, né?
E aí tem essa
essa essa essa diferença. Bom, isso é o
geral, isso acho que é o a dica que o
próprio texto traz
do da diferença da oferta entre um e
outro. Por que eu rejeito a ideia de que
o que Deus rejeitou de Caim é que era
uma que não era uma oferta de sangue?
Principalmente por causa da palavra que
é usada aqui para para essa oferta, né?
Deixa eu pegar aqui e e ver no num num
dicionário em hebraico pra gente ver,
né? Eu normalmente eu uso B Bible Hub,
que é um site bom aqui que a gente
consegue ver o ah o texto interlinear
em hebraico e tal e ver a palavra e tal.
Então a gente vai ver aqui em Gênesis 4
o verso,
verso 5, que é a oferta, né? A oferta de
Caim. Eh,
os dois trouxeram ofertas, né? Eh,
então, Gênesis 4 verso 5.
Só um segundinho, gente. Eu já vou já
vou colocar aqui Gesis 4 verso 5,
porque eu quero pegar aqui essa palavra
que é usada como oferta, eh,
que é a palavra que aparece aqui
justamente, né? Eh,
v el Caim, v minató
lo l
lo shaá eh vaiarim,
ou seja, Deus não se agradou e de Caim e
de sua oferta, ele não se agradou, né? E
v el Caim el Minhatratou lo shaá.
A palavra que tá aqui para oferta é a
palavra minha, né? E essa palavra min,
quando a gente vai lá para Levítico, que
a gente tinha comentado aqui nessa live
um pouco mais cedo, que Levítico do
capítulo 1 até o capítulo 10 fala de
diversos tipos diferentes de
sacrifícios, né? E um desses sacrifícios
é a minha. E a minha que aparece lá em
Levítico, que é aceito no santuário, é
um tipo de sacrifício que não é um
sacrifício literalmente, né?
Eh, não é um animal morto, mas é um
bolinho. É uma coisa feita de cereais. A
minha é uma oferta de cereais, né? O
que, primeiro a gente vê aqui que Deus
não pediu uma oferta específica. No
texto não aparece um pedido de Deus de
uma oferta específica. E o que eles
oferecem é uma minrá, é uma oferta. É
uma oferta. E essa oferta em Levítico
podia ser uma oferta de cereais, né? Eh,
ou um bolinho feito de cereais. Tem lá
até a receitinha lá em Levítico, fala:
"Ah, você pega duas medidas de farinha,
uma medida de azeite e tal, faz o
bolinho e oferece lá no no santuário,
inclusive no altar mesmo. Ele era
colocado ali no altar e queimava o
sacerdote comia uma parte". Então assim,
eh,
a leitura de que Caim foi rejeitado
porque ele não levou uma oferta de
sangue parte de um pressuposto errado de
que todas as ofertas oferecidas no
santuário eram ofertas pelo pecado e
então necessariamente ofertas de sangue.
Não, nem todas as ofertas nem que eram
oferecidas o santuário eram sacrifícios
pelo pecado e sacrifícios de sangue.
você poderia oferecer uma minha também,
que é o que é o que Caim faz, né? Então,
por essas questões todas, eu entendo que
o que foi rejeitado na oferta de Caim é
justamente ele oferecer uma coisa que
não era pessoal para ele. Ele ofereceu
qualquer coisa, um fruto da terra,
enquanto Abel oferece o melhor, o que
era mais valioso, o que aquilo que ele
provavelmente era mais apegado, que ele
mais se orgulhava da parte do do próprio
rebanho dele, né?
Isso eu tô falando baseado em o que
alguém falou, em uma tradição judaica,
mas o que o próprio texto tá trazendo,
entendeu? Então, para mim, quando eu
olho pro texto e eu considero essas
coisas, primeiro, o texto tá usando eh
pra palavra sacrifício, ele tá usando a
palavra minhá, que era uma oferta que
podia ser uma oferta de de cereais.
O texto não fala, o texto em si não fala
que o sacrifício de Caim foi rejeitado
porque era um sacrifício de sangue. E o
que o texto fala é que Deus rejeitou
Caim e seu sacrifício, aceitou Abel e
seu sacrifício. E o texto fala que Abel
ofereceu uma das suas primícias e da
gordura do seu rebanho, enquanto Caim
ofereceu um fruto da terra, né? Então,
todas essas indicações que o texto me dá
me levam a entender de que o que Deus se
rejeitou no sacrifício de Caim foi a
forma como ele oferece algo que não tem
valor para ele e Abel oferece aquilo que
é valioso, né? [roncando]
Bom, considerando tudo isso,
eu não vou ficar aqui só, porque o
texto, essa, como eu tinha dito, esse é
só o argumento inicial do texto. É aqui
é onde o texto começa, porque o
importante da história de Caim Abel não
é o sacrifício de Caim, entende? Isso
não é não é importante no texto. Isso é
só o início, é só a desculpa pra
história começar, sabe? Eh, o que é
importante é o que vem depois.
Caim ficou muito irritado e fechou a
cara. Então o Senhor lhe disse: "Por que
você anda irritado? Por que essa cara
fechada?"
E aqui o verso sete, que é um verso
assim, é um desses versos que deveria
ser aqueles versos que as crianças
recitam na igreja e tal, porque é um
verso muito significativo
de toda a moralidade bíblica e de todo o
relacionamento de Deus com o homem e do
homem consigo mesmo. Tem tem questões
aqui psicológicas profundas aqui nesse
texto, né, que ele vai falar que fala o
seguinte: Deus falando para Caim, eh,
por que você anditado? Porque essa cara
fechada. E aqui Gênesis 4 verso 7. Se
você fizer o que é certo, não é verdade
que você será aceito. Mas se você não
fizer o que é certo, eis que o pecado
está à porta à sua espera. O desejo dele
será contra você,
mas cabe a você o dominar.
Esse verso é o que é realmente
importante na história de Caim Abel, que
a questão é
Caim ficou irado com raiva, com raiva de
Abel e com raiva de Deus.
E aqui o que Deus tá falando é Caim já
está com pensamentos homicidas por causa
dessa rejeição.
E o que Deus fala aqui, esse verso é
importante paraa compreensão da essência
do pecado e de como a gente lidar com o
pecado e com o desejo, né? Se você faz o
que é certo, você é aceito por Deus. Se
você não faz o que é certo,
o pecado ele tá à porta. Quando a gente
não faz aquilo que é certo, a palavra,
própria palavra pecado em hebraico tem
essa conotação de você errar o alvo.
Quando você erra, é um erro. Ó, a
palavra pecado é é significa erro em
hebraico, né? Se você não faz o que é
certo, o erro está na porta esperando
por você.
O desejo dele está contra você. O desejo
do pecado é contra você
e cabe a você dominar ele. É a sua
responsabilidade dominar o desejo do
pecado que está contra você e que está à
porta te esperando, né? Essa essa é a
parte mais importante desse texto de
Caim Abel. É a responsabilidade pessoal
de cada um dominar o seu próprio desejo,
né? O desejo de fazer aquilo que é mal,
de fazer aquilo que é perverso, de fazer
aquilo que é errado, né? Eh, a gente não
tem controle sobre o desejo, a gente tem
o controle sobre o que fazer com o
desejo. Isso que é o importante, né? E
aqui, se a gente fosse falar sobre uma
uma tradição freudiana aqui, falar sobre
psicanálise, que o principal uma das
principais discussões dentro de toda a
tradição psicanalítica é a ideia de
desejo.
E dialoga de uma forma interessante com
essa parte do texto bíblico, né? Eh,
dentro da tradição psicanalítica.
O que que o o o Freud vai dizer? Eh, eu
acho que Lacan vai entrar mais nisso
daí, que
a origem
dos transtornos
é a negação do desejo. E a negação não
no sentido de você não fazer o desejo,
mas de você fingir que ele não existe.
Aí tem uma frase famosa de Lacan que
diz: "Nunca ceda do seu desejo". Ou
seja, e não não é que para você ceder ao
desejo, mas é para você não fingir que o
desejo não existe, porque senão você
fica maluco. Você fingir que você não
tem desejo por aquilo que você realmente
deseja é origem dos transtornos de
acordo com a tradução psicanalítica. Nem
eu nem sou psicanalista, né? Mas essa
ideia eu acho interessante. Eh, ou seja,
você tem que olhar pro seu próprio
desejo e reconhecer ele, por mais
bizarro e perverso que ele seja, você
tem que olhar para ele no sentido falar:
"OK, eu reconheço, eu percebo que eu
tenho esse desejo." E a partir disso
você cumpre o que tá aqui em Gênesis
capítulo 4, verso 7. Agora que você já
reconhece o seu desejo, você percebe que
ele tá ali sentado do lado da porta à
sua espera,
é sua responsabilidade dominar ele. Um
desejo perverso, no caso, né? É sua
responsabilidade dominar esse desejo que
quer te levar a fazer algo mal, né? Eh,
o o gnóstico cristão até coloca aqui a
chave é sublimar. Exato, né? que é o que
o
o Freud vai trazer como um mecanismo de
defesa, que é você pegar algo que te faz
mal, que te leva ao sofrimento e
transformar isso em uma coisa positiva
para você, né? É mais ou menos a ideia
do sujeito que, sei lá, o filho dele
morre, ele sofre muito com aquilo e a
partir disso ele vira pintor e ele e ele
extravaza, ele sublima esse sofrimento
dele numa criação belíssima de pintura.
Ou seja, você transforma algo que é que
é sofrimento, que é ruim e é uma coisa
boa. No caso, é o que Caim não fez, o
desejo de matar o próprio irmão
que Deus falou: "Ó, a responsabilidade
de dominar esse desejo é sua." E é
importante isso porque todo ser humano
tem pelo menos uma responsabilidade, que
é dominar o seu próprio desejo perverso,
né? Eh, primeiro reconhecer ele. Não
finja quando você realmente quer
assassinar o seu irmão, que não é isso
que você quer. Olha para você mesmo,
reconhece que esse é o seu desejo real.
E a partir disso você tem a
responsabilidade de dominar o seu
desejo. Todo ser humano tem pelo menos
essa responsabilidade, dominar os seus
desejos perversos. Todo mundo nasce com
essa responsabilidade, porque se essa
responsabilidade não é sua, de quem que
ela é? Entende? Eh, essa é uma
responsabilidade bíblica. É o peso que é
colocada dentro da perspectiva da Bíblia
sobre o ombro de todo ser humano. Você é
responsável por dominar o seu próprio
desejo, né? Eh, me lembrou até a frase
do pequeno do do pequeno príncipe, né?
tu és eternamente responsável por pelo
aquilo que cativas, né? Tem a ver com
isso, não que seja exatamente a mesma
coisa, mas tem a ver com isso, que
existe uma responsabilidade inerente à
condição humana, que é de lidar com a
própria com a própria vontade de fazer
aquilo que é perverso contra o outro e
que não é admissível, né? Que no caso
assassinar seu próprio irmão, né? E aí,
eh,
Caim disse a Abel, seu irmão, vamos ao
campo. Estando eles no campo, Caim se
levantou contra Abel, o seu irmão, e o
matou. Eu adoro esses esses parênteses
que a Bíblia coloca. Isso aqui é sutil,
gente. É o jeito da literatura bíblica
colocar umas umas sutilezas que são
assim importantes no texto, né? Caimou
contra Bel. Todo mundo sabe quem é Abel
no texto ele acabou de falar, mas ele, o
texto faz questão de mencionar. Caim se
levantou contra Abel, o seu irmão, e o
matou. O texto quer enfatizar que aqui
não é qualquer assassinato, é um irmão
matando outro.
E o Senhor disse a Caim, eh, onde está
Abel, o seu irmão? Ele responde: "Não
sei. Por acaso eu sou o guardador do meu
irmão".
E aí Deus responde: "O que que é que
você fez?"
A voz do sangue do seu irmão tá clamando
na terra para mim. E agora você é
maldito sobre a terra, cuja boca se
abriu para receber da sua mão o sangue
do seu irmão.
Quando você cultivar o solo, ele não lhe
dará a sua força. Você será fugitivo e
errante pela terra. Então disse Caim ao
Senhor: "O meu castigo é tão grande que
eu não posso suportá-lo.
Eh,
eis que hoje me expulsas da face da
terra da tua presença, terei que me
esconder. Serei fugitivo e arrante pela
terra. Quem se encontrar comigo me
matará."
O Senhor, porém, lhe disse: "Não, se
alguém matar Caim, será vingado sete
vezes". E o Senhor pôs um sinal em Caim
para que, se alguém viesse a
encontrá-lo, não o matasse. E Caim se
retirou da presença do Senhor e habitou
na terra de Node, a leste do Éden.
Então, e toda essa história tem diversas
camadas, diversas coisas aqui. Essa
história é extremamente profunda, gente.
É um é um essa história toca em questões
humanas extremamente importantes, né?
Então, olha só.
Primeiro,
o primeiro pecado que é mencionado no
texto bíblico é o pior pecado de todos,
é o assassinato. E não é qualquer
assassinato,
é um assassinado motivado. É um
assassinato motivado
por uma questão religiosa. Deus aceitou
a ele e não me aceitou. E pior ainda, é
um assassinato de um irmão contra seu
próprio irmão. Assim, o texto bí coloca,
tenta colocar o os piores agravantes
possíveis. O que o texto tá colocando
aqui é o seguinte:
quando o homem está na condição de
pecado, o homem acabou de sair do Éden.
O primeiro pecado descrito é essa coisa
horrorosa. Quando o homem está na
condição de pecado,
ele é capaz de qualquer coisa, né? Ou
seja, todos nós somos capazes de
qualquer coisa. Nós estamos na mesma
condição de Caim. a gente fora do Éden,
todos estão na mesma condição, né? Todos
são capazes das mesmas atrocidades.
Eh, então essa a primeira coisa, a pior
coisa que acontece logo em seguida.
Eh,
o pecado, eh, essa descrição é é
colocada de um jeito tão banal, né?
Vamos ao campo. E é quando ele vai, ele
se levanta com Abel, o seu irmão, e o
mata, né?
E aí Deus diz a Caim, onde está Abel,
seu irmão? Eh, vocês lembram da última
vez que Deus pergunta onde para alguém,
né? É justamente quando eh Adão se
esconde.
A humanidade tinha acabado de cair em
pecado. E Deus aparece naquela situação
e pergunta: "Ô, ô, Adão, você tá? Onde
tá você? Eu não tô te achando
quando Adão tá se escondendo. E aqui a
mesma pergunta é feita de novo. É um
eco. A gente tá falando dos ecos, né?
Esse daqui é um eco da queda do homem.
Tô falando o quê? Aquele comer do fruto
representa isso daqui. Essa é a
consequência de comer do fruto. Não é só
um fruto. Ele leva ao assassinato de
irmãos, né? E aí Deus pergunta, né?
Aonde está Abel, o seu irmão? De novo, a
ênfase, né? Não é só Abel, é Abel, o seu
irmão.
E aí ele, Caim responde: "Eu não sei,
por acaso eu sou guardador do meu
irmão". E aqui tem um um comentarista,
né? Eh, no Naum Sarna, né? Que ele fala:
"Essa pergunta é quase uma pergunta
retórica, porque a resposta seria sim,
porque todo mundo é guardador do seu
irmão, né?" né? E ele vai complementar
dizendo, na verdade, todo assassinato é
ao mesmo tempo um fraticídio.
Sempre quando alguém mata alguém, ele tá
matando um irmão, né? Que seria uma
resposta essa pergun essa, essa essa
afirmação aqui, essa pergunta, né, que
Caim faz, né? Eu sou o guardador do meu
irmão.
E Deus diz: "O que foi que você fez?"
Igualzinho com com Adão também, né? A
voz do s irmão clama na terra a mim, né?
Eh,
o como o sangue foi derramado na terra,
a terra foi amaldiçoada por causa do
sangue do sermão que foi derramado nessa
terra. Você vai cultivar a terra e ela
não vai dar a sua força, né?
Eh,
e você vai ser reconhecido por isso, né?
E aí quem Caim fala: "Ó, todo mundo que
me vê agora que foi amaldiçoado vai me
matar". E Deus põe um sinal em Caim para
que ele não seja morto. Ou seja, o que
Deus quer não quer que esse assassino
agora seja assassinado também. Deus não
quer estender as mortes. Agora que um
assassinato foi feito, Caim, que você
viva a sua vida, né? Que você se
arrependa, né? Mas o que Deus não Deus
quer aqui não é o assassinato de Caim
agora, né? Eh, Deus não quer que o
pecado se estenda ainda mais. Não quer
que uma morte gere outras mortes. Não
quer que uma perversidade gere outras
perversidades. Não quer que o ódio gere
outros ódios, né? A intenção de Deus com
o relacionamento dele com a humanidade é
terminar esse ciclo de de decaimento
no pecado, né? de degradação, de
degradação moral, de degradação daquilo
que é bem e o que que é mal, porque Deus
quer a restauração da da humanidade, né?
Então, é interessante todas essas coisas
a gente encontra aqui logo no relato da
eh desse primeiro pecado que é descrito
logo no capítulo 4ro, capítulo 3 de
Gênesis vai falar da queda da humanidade
e o capítulo 4 vai falar do assassinato
de Abel, né, de Caim e Abel.
Então, gente, a história de Caim Abel
traz essas questões. Eh, esses
personagens bíblicos, eles não são eles
são meio que personagens genéricos, eles
não são só personagens ali que estão
falando de uma história específica.
Essas histórias, eu gosto muito dessas
histórias aqui que vão até o o o
capítulo 11, antes do chamado de Abraão,
porque elas estão falando de coisas que
são essências da humanidade. Coisas que
são essências da humanidade. Aquilo que
tão que tá dentro da humanidade, a ideia
do desejo do pecado chamando por você,
sua responsabilidade por dominar ela,
eh, do ódio que é levado pela rejeição,
porque você vê que Deus aceita um e não
aceita outro. você vem que essa ideia de
aceitação de um e de outro é um tema que
também na Bíblia ele ele vai se
repetindo, né? Eh, quando Deus mostra
benevolência a um, aquele que não recebe
essa benevolência fica com ódio, né?
Essa é a história do filho pródigo,
lembra do irmão mais velho? Ah, aquele
filho é perdoado. E eu que tô aqui o
tempo todo, né? Eh,
essa história acontece também lá no no
livro de Jonas, né? Eh, como como foi
que você aceitou, Nínive, essa cidade
tão pecaminosa, né? Agora eu quero
morrer também. Então vocês vem que uma
coisa que a Bíblia descreve como algo
que leva ao ódio e até o assassinato e a
morte é justamente você perceber Deus
agindo positivamente na vida de alguém e
não na sua.
Isso é uma questão humana.
Quando você vê Deus agindo positivamente
na vida de alguém e não na sua,
o desejo do assassinato aparece. O
desejo da própria morte na história de
Jonas, o desejo do assassinato aparece.
O desejo do afastamento do pai aparece
na história do filho pródigo. Esse é um
tema recorrente na Bíblia e a gente
precisava prestar atenção aqui nesse
texto de Caim Abel, porque ele fala
disso e de outras questões muito
profundas de um jeito muito muito
primoroso nesse texto.
Então é isso, gente. Deixa eu dar uma
uma olhadinha aqui no que que vocês
comentam.
Eh, a Lucilene coloca também já ouvi que
Abel foi aceito porque repetiu o
sacrifício vicário feito no Éden e por
Adão e Eva quando o sangue do inocente
pagou o preço do pecado, né? Eh, que é
um essa outra interpretação, né? Eu
prefiro entender que a questão do
sacrifício é a questão do envolvimento
pessoal, né? Eh, reconhecimento é
pressuposto para arrependimento e
perdão. Exato, Luci. É isso mesmo, Luís
Fernando. Seria equivalente ao domínio e
autoconhecimento da sua sombra num
processo de individuação yunguiana,
aproveitando da sua gradação em
psicologia?
Eh, eu acho que tem a ver com isso, sim,
Fernando. Eu acho que tem a ver com
isso.
Você consegue dominar o pecado quando
você reconhece a existência dele, quando
você olha para ele, quando você percebe
que existe um um aspecto seu que você
não gosta
e aí você reconhece a necessidade dele
ser derrotado, né? Eh, essa essa derrota
pode acontecer de várias maneiras, viu?
eh, que seria a tal da sublimação aqui
que o o gnóstico cristão coloca, né? Eh,
esse pecado não é só você ficar
ignorando ele, você tem que entender o
que que tá acontecendo, por que você tem
esse desejo. No caso aqui, eh, foi
escancarado. Você tá tendo esse desejo
porque você viu que o seu irmão foi
aceito e você não. Por que você não foi
aceito, né? Se você fizer o que é certo,
você não vai ser aceito. Deus já dá
resposta para Caim, né? Eh, faça o que é
certo, Caim. Faça aquilo que é bom. Você
não vai sentir essa vontade de novo de
assassinar o seu irmão se você fizer o
que é certo, né? Se você fizer o que é
certo e
e assim você vai ser aceito também, né?
Eh, eu acho que tem a ver sim com essa
ideia da sombra yunguiana.
Eh, muito bom. Tudo leva Gênesis, leva
de volta. É exato. O livro de Gênesis é
um livro muito importante, porque ele
lança esses fundamentos e o texto
bíblico vai se desenrolar a partir de
Gênesis. Tudo é um desdobramento de
Gênesis. Tudo. Tudo na Bíblia é um
desdobramento de Gênesis, né? E quando,
eu gosto muito desse eco que Apocalipse
faz com Gênesis, que ele volta aos temas
iniciais de Gênesis para falar: "Gente,
agora estamos fechando a história, né? a
gente tá voltando aquela questão que
ficou mal que que ficou mal resolvida lá
no início, agora a gente conseguiu
resolver ela, né?
Eh,
então é isso, gente.
Então é isso.
Eh, eu faço minhas promessas e uma hora
eu cumpro elas, né? De que a gente deixa
alguma coisa para fazer depois e tal, a
gente faz, né? Eh, tava vendo aqui o o
comentário que eu deixei de ler é o Luiz
Fernando dizendo aqui, né? Não
atrapalhar o react ou para a próxima.
Não digo por não haver o sangue, mas
pensando que eles não comiam carne.
Então, imagino que a morte como
sacrifício seja o ponto de objeção moral
de Caim.
Cain não achou moralmente correto
aceitar o sacrifício de sangue de Abel,
negando assim a projeção do sacrifício
de Cristo.
Talvez, Luiz, mas aí entra naquelas
questões, né? Eu prefiro essa outra
explicação porque é o que o texto está
falando aberta abertamente, né? Tá aqui
de forma sutil, mas ele tá no texto a
questão da aceitação de Caim. Eh, essas
questões que você tá colocando é o que a
gente pode pensar sobre o que pode ter
passado pela cabeça de Caim, mas o texto
não fala, entende? Então, pode ser, pode
ser, a gente não sabe, mas o que o texto
está falando é isso daqui, entende?
Então, essa é uma questão, né? A gente
se acostuma muito a a
pensar em coisas para além do texto.
Isso não é um problema.
Eh, o problema quando a gente pensa para
as coisas para além do texto, sem
considerar o que o texto está colocando.
Então, a gente parte do que tá no texto,
inclusive as sutilezas do texto. Aí, a
partir daí a gente pode especular sobre
o que pode ter acontecido e tal, o que
que eles podem ter pensado e tal. Então,
a gente parte sempre do que que tá no
texto e depois a gente vai para o que
não tá. Especulação, né? O o Luiz mesmo
coloca, é, seria isso, né?
Eh, a gente a gente tem essa tendência
de especular muito sobre a ideia do
texto e às vezes ignorar umas dicas que
o próprio texto dá sobre sobre qual
seria uma forma de entender melhor
aquela questão, né? Então tá, gente, vou
deixar vocês aí com essa
com essa reflexão aqui sobre Cainha
Abel. Eu gosto desse verso sete aqui. Se
você fizer o que é certo, não é verdade
que você vai ser aceito. Se você não
fizer o que é certo, eis que o pecado
está porta à sua espera. O desejo dele
será contra você, mas é necessário que
você o domine, né? Que a gente possa
refletir sobre isso daí, porque o pecado
tá sempre à porta e o desejo dele tá
sempre sobre a gente, né?
Então tá, gente, uma boa noite, feliz
sábado aqui. A Ana Cristina colocou. Eh,
não é mais importante CNP que do que o
que o texto entrega. Isso. Exato.
E aí, semana que vem a gente
a gente
a gente entende, a gente vai vai para
outras questões aqui. A gente fala
talvez sobre eh vamos ver se a gente
consegue fazer esse react do comecinho
daquele vídeo que vai falar sobre
questões, vai falar principalmente sobre
escravidão.
Eu já separei até os textos aqui pra
gente comentar sobre isso e tal, porque
acho que não é só sobre escravidão, mas
entra em outras questões interessantes
pra gente entender algumas coisas na
Bíblia. Eh, mas a gente a gente comenta
então sábado que vem, na sexta-feira à
noite, às 20:30, se der tudo certo, tá
bom? Então, gente, valeu, boa noite para
vocês. Obrigado por estarem aí até
agora. Obrigado aí o Oziel, o Carlos,
Luiz Fernando, eh, a Lucilene, o Edson,
eh, pessoal que tá sempre aí comentando,
desculpa aí se eu pulei o nome de
alguém, o Gnóstico cristão também,
o Shabat Shalom aí, o Carlos Muniz e até
o Salomão também. E até até a semana que
vem, gente. Até mais.

Tags: