Jogando fora o material ruim – REV. GUILHERME ALCÂNTARA
31/03/2026
Jogando fora o material ruim – REV. GUILHERME ALCÂNTARA
Nesta mensagem em 1 Pedro 2:1–5, aprendemos uma verdade simples e poderosa: ninguém constrói nada bom usando material ruim.
Usando a imagem de uma construção, a pregação mostra que a vida cristã também exige discernimento sobre o que deve ser descartado e o que deve ser cultivado. Pedro nos chama a abandonar pecados como maldade, engano, hipocrisia, inveja e maledicência, porque esses elementos corroem a alma e comprometem a obra que Deus está realizando em nós.
Ao mesmo tempo, somos exortados a desejar intensamente a Palavra de Deus, como crianças recém-nascidas desejam leite. É a Palavra que alimenta, fortalece, amadurece e sustenta o crescimento espiritual do cristão.
Cristo é a pedra principal, perfeita e preciosa. Nós somos pedras vivas sendo edificadas sobre ele. Deus não usa “material ruim” em sua obra, mas ele restaura, purifica e transforma pecadores arrependidos para que sejam úteis em seu reino.
Uma mensagem sobre santidade, crescimento espiritual, abandono do pecado e fome pela Palavra de Deus.
INFORMAÇÕES:
Pastor: GUILHERME ALCÂNTARA
Passagem: 1 Pedro 2.1-5
Série: Cristãos: um edifício em construção
#ipsantoamaro #presbiteriana
CAPÍTULOS:
0:00 — Leitura de 1 Pedro 2:1–5 e oração
2:45 — A ilustração do Palace 2 e a tese da mensagem
5:35 — Ninguém constrói nada bom usando material ruim
8:05 — Aplicando a metáfora da construção à vida cristã
10:55 — Primeiro passo: abandonar o pecado
12:49 — O “vício oculto” do coração humano
15:42 — Pedro ordena: deixem de lado o que corrompe
16:49 — Maldade: o mal planejado no coração
28:35 — Engano: a trapaça e a mentira disfarçada
30:16 — Hipocrisia: viver de máscara diante dos outros
34:38 — Inveja: o pecado que corrói relacionamentos
37:07 — Maledicência: o pecado destrutivo da língua
41:42 — Segundo passo: desejar a Palavra de Deus
43:04 — A Palavra não só combate o mal, ela edifica
44:20 — Como recém-nascidos, desejem o leite espiritual
46:21 — O evangelho transforma também os nossos desejos
47:58 — O crente precisa da Palavra como o bebê precisa do leite
50:11 — Crescimento espiritual saudável vem da boa nutrição bíblica
53:00 — Cristo, a pedra principal, e nós, pedras vivas
54:17 — O material ruim deve ser jogado fora
55:24 — Deus usa material restaurado pela graça
56:41 — Deus está construindo algo maior do que vemos
57:45 — Oração final
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Sobre a música de abertura
Música: Louvai a Deus, soberano Senhor (Hinário Novo Cântico nº16). Título original em português: Louvor a Deus
Compositor: Stralsund Gesangbuch (1665), Joachim Neander (1680)
Ficha Técnica
Arranjos e produção musical: Samuel Cintra Santos
Gravação, mixagem e masterização: SCS Produções
Produção: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro
ISRC: BR-075-22-00001
Legendas automáticas:
Quero convidar a todos para que abram suas Bíblias na primeira epístola de Pedro, capítulo 2. Nós vamos fazer a leitura, meus irmãos, agora dos versos iniciais, do verso 1 ao verso 5, mais precisamente. Primeira epístola de Pedro, capítulo 2, do verso 1 ao verso 5. Palavra de Deus nos diz: "Portanto, abandonem toda maldade, todo engano, hipocrisia e inveja, bem como todo tipo de maledicência, como crianças recém-nascidas, desejem o genuíno leite espiritual, para que por ele lhes seja dado crescimento para a salvação, se é que vocês já têm a experiência de que o Senhor é bondoso." Chegando-se a ele a pedra que vive, rejeitada sim pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa. E também vocês, como pedras que vivem, são edificados casa espiritual para serem sacerdócio santo, a fim de oferecerem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo. Vamos orar, irmãos. Senhor Deus, Pai de toda misericórdia, Pai de consolação, Deus de amor e graça, que nos salvou, que nos redimiu, nós estamos aqui para ouvir a tua voz. Dentre as muitas coisas que podemos fazer na nossa vida. Certamente, ó Pai, esta é a mais importante. Queremos que o Senhor fale conosco, que o Senhor nos oriente, que o Senhor conduza a nossa caminhada, que o Senhor corrija os nossos passos. Porque queremos fazer o bem, porque queremos ser compatíveis com aquilo que o Senhor nos revela. Porque queremos nos parecer com o nosso Salvador e Redentor Jesus Cristo. Por isso, cumpre esses propósitos em nossa vida. Chama a nossa atenção, ó Deus, para que sejamos crentes mais dedicados, crentes mais conscientes, mais santos, que estejam aos teus pés para ouvir os teus ensinamentos e se deleitar neles em nome e para a glória de Jesus. Amém. Há quase três décadas acontecia uma das maiores tragédias da história da engenharia civil no Brasil. Muitos aqui vão lembrar e outros já ouviram falar do desabamento parcial seguido de uma implosão total do edifício Palace 2 na cidade do Rio de Janeiro. Uma edificação que tinha ficado pronta em 1996 ruiu 2 anos depois, em 1998. Algumas pessoas morreram naquela ocasião, muitas outras tiveram que amargar um longo período de sofrimento depois de verem o seu sonho, seu patrimônio, seus investimentos se esfaccelarem no chão praticamente da noite para o dia. O país inteiro ficou comovido com a dor daquelas famílias e começava ali também uma investigação técnica misturada a uma forte cobertura da imprensa que se desdobrou em uma demorada disputa judicial. Pessoas inocentes, infelizmente, não foram ressacidas e sofreram um prejuízo do qual nunca se recuperaram. Na apuração das responsabilidades e dos motivos que causaram aquele colapso entre laudos divergentes oriundos dos órgãos públicos e também contratados pelas vítimas, surgiram tanto constatações quanto alegações que apontavam dois fatores principais que justificariam o desabamento. Primeiro, um erro grave e grosseiro de cálculo estrutural, ou seja, teria havido uma falha na dimensão, no dimensionamento dos elementos para garantir uma estrutura que trouxesse segurança, resistência e eficiência para a construção. Ora, quem constrói sabe que precisa considerar a quantidade, a grossura, a posição exata das vigas, dos pilares, das lajens, das fundações, para suportar o peso de muitas toneladas, sem inclinar, sem perder o eixo e sem tombar. A segunda questão é que teriam sido utilizados materiais de baixa qualidade. É claro que quando se utiliza material inferior corre-se um grande risco, porque materiais considerados ruins, inadequados ou impróprios podem quebrar mais facilmente, não colar com precisão algumas partes, comprometer o bom funcionamento de alguma engrenagem e, obviamente, oferecer um enorme perigo para os usuários. Valindo-nos aqui, irmãos, desse episódio lamentável, mas que se tornou emblemático, eu quero trazer a atenção de vocês para o nosso texto, dizendo que Pedro estabelece aqui para nós um princípio muito importante. O foco do nosso aprendizado nessa manhã é demonstrar o seguinte: ninguém constrói nada de bom usando material ruim. E se você esquecer de muitas coisas do que eu vou dizer hoje, grave isso. Ninguém constrói nada de bom usando material ruim. É verdade que quando alguém vai, por exemplo, reformar um espaço, há material que pode ser reaproveitado para alguma coisa e até mesmo que pode servir de entulho. Bom, mas o construtor preparado vai precisar avaliar e terá que ser seletivo, entendendo que aqueles materiais que forem tidos como imprestáveis ou que estiverem seriamente danificados ou que representarem um excedente que só vai acumular e sujar o ambiente, esses materiais precisarão ser descartados, porque não dá para edificar, para reciclar, para reaproveitar Nada que seja considerado tralha ou lixo sem serventia. Não dá para aproveitar nada que possa pôr em segurança as pessoas, possa pôr em risco a segurança das pessoas. Geralmente nas grandes construções são utilizadas caçambas, onde se depositam restos ou sobras de materiais que não serão usados para os fins da nova obra. Materiais ruins precisam receber uma destinação que pode ser conveniente em outro contexto, mas que no contexto de uma obra nova e resistente precisam ser descartados, precisam ser jogados fora. Areia suja, cimento velho, tijolos quebrados, madeira podre, plástico frágil, telhado manchado, não irão servir para uma obra de excelência. Se você já teve então a experiência de olhar, tocar, se você já perguntou a um especialista e foi desencorajado, é melhor não insistir. Materiais assim, inclusive podem gerar um odor muito forte, que já é um sinal de que os há somente trará mais transtornos do que soluções, porque, repito, não se constrói algo bom usando material ruim. Assim também é em nossas vidas, meus irmãos. Assim também é em nossas vidas. Tem pessoas que querem realizar um grande empreendimento e miram alto, mas elas usam um recurso indevido que pode significar depois a sua própria queda. Tem gente, por exemplo, que deseja progredir na profissão, mas acha que usar de suborno ou ultrapassa pode ser vantajoso. Tem gente que diz querer um bom casamento, mas acha que procurar o parceiro ou parceira da vida em lugares impuros que ferem a dignidade humana pode ser uma boa ideia. Tem gente que quer ficar rico, mas cai fácil em algum golpe, porque alguém o convenceu de que seria interessante trilhar um caminho duvidoso. Tem gente que quer ficar forte fisicamente ou bonito e busca a beleza escultural, mas exagerou o anolizante, errou o procedimento estético, calculou mal o composto e aplicou produtos ruins para economizar. quis economizar onde não podia e acabou frustrado ou doente. O tempo todo é assim. O tempo todo nós estabelecemos propósitos e alguns propósitos elevados na vida, mas é bom começarmos a entender que não iremos alcançá-los bem, a menos que façamos uma boa análise do que é recomendável e do que é desprezível, do que podemos usar e do que nós não devemos cogitar, do que é recomendável e do que é temerário. Meus irmãos, Pedro já tinha falado do amor ao próximo no final do capítulo primeiro. Isso nós vimos em nossa mensagem no domingo anterior. Agora, nos versos da sequência que acabamos de ler, ele está levando em consideração aquilo que escreveu antes. É isso que nos indica a conjunção. Portanto, no início do capítulo 2, desde que começou a sua carta, o apóstolo tratou sobre a santidade e a conectou com a prática de um amor fraterno, sincero, intenso e permanente antes de iniciar essa nova sessão. Ele segue então agora falando sobre os crentes como um edifício em construção. Ele afirma que nós somos casa espiritual de Deus e nos diz que os servos do Senhor devem fazer e em relação a esse edifício, a igreja para que ela continue se solidificando e crescendo cada vez mais. A pergunta chave agora que eu faço é: o que nós precisamos fazer para construir bem? Essa é a pergunta, meus irmãos. O que é que nós precisamos fazer? para construirmos bem e adequadamente. Em primeiro lugar, nós podemos dizer, com base em nosso texto, que é preciso abandonar o pecado. Nós precisamos abandonar as práticas pecaminosas. Precisamos abandonar o pecado porque estamos falando de uma construção de natureza espiritual. E eu digo para vocês, sempre que o pecado é fomentado, alguma coisa desaba ou explode lá na frente. Sempre que a gente adota uma ideia ou comportamento ruim, algum rastro de destruição e sofrimento fica pelo caminho. Sempre que nós quisermos um resultado bom, usando recursos indevidos, podemos acabar em situações graves, de grave crise, de grande angústia. Nós não conseguimos o que queremos e ainda pioramos a situação. Um prédio pode até esconder ou camuflar por um tempo que ele tem sérias avarias, mas chega um dia em que tudo fica exposto, tudo fica visível. Tem coisa que é visível a olho nu, sabemos disso. Tem coisa que fica escondida e o nosso coração é sempre enganoso. Tem lixo, tem sujeira que às vezes está impregnada e escondida lá no fundo do nosso coração por causa da nossa natureza caída, que precisa ser tratado pelo Senhor. Então, não guarde em sua casa a sujeira que fará mal a você e a muitas outras pessoas. Há uma expressão no direito chamada de vício oculto, que diz respeito a produtos ou serviços que apresentam defeitos que não podem ser percebidos de imediato, mas que se apresentarão com o uso ou com o passado tempo. No que diz respeito à vida com Deus e à fé. Há também coisas que não são perceptíveis de imediato, mas podemos garantir que o vício oculto não fica oculto por muito tempo. Peça então a Deus que conserte logo o que precisa ser consertado. Não alimente o seu coração com coisa estragada. Então, se alguém te fez uma proposta que tem cheiro ruim, abra os olhos. Se alguém te ofereceu algo podre, não aceite. O forro mal feito pode cair sobre a sua cabeça. A caixa d'água estourada vai provocar desperdício e infiltração. Resolver as coisas do jeito certo dá trabalho, meus irmãos, mas permite que você durma tranquilo. Adiar uma providência útil pode custar bem mais caro. Então, não busque atalhos, não se luda com os ídolos do coração, não deixe a parede da sua alma se impregnar do mofo enquanto você dorme ressentido. Não permita que as gambiarras provisórias que você criou para ganhar tempo se tornem a solução definitiva daquilo que não vai te deixar em paz. Na vida com Deus, a gente tem que resolver os nossos problemas. Na vida com Deus, a gente tem que buscar o seu perdão. Nós temos que pedir a sua orientação para fazer o que é certo, mesmo que nos custe caro. Nós temos usado em nossa série a metáfora da edificação que o escritor realmente utiliza com o destaque. Mas vejam que Pedro, irmãos, é bastante perspicaz de figuras distintas, porque nesses seus escritos ele vai utilizar várias outras comparações. Ele diz, por exemplo, que os crentes são como o ouro que passa pelo fogo para serem purificados. Ele diz que os crentes são como peregrinos e forasteiros nesse mundo. Ele fala da palavra de Deus como a semente incorruptível. Ele fala do diabo como um leão que está pronto para nos devorar. Ele fala de Cristo como o supremo pastor e assim por diante. São várias imagens. E em meio a metáforas inteligentes, Pedro segue aqui em nosso texto dizendo que é necessário que nós abandonemos, que nós deixemos para trás as coisas que nos atrapalham. E o pecado sempre atrapalha. É como se ele dissesse: "Removam da conduta ou removam da conduta de vocês aquilo que é torpe, aquilo que representa peso, aquilo que é pecaminoso. Carregar peso, nós sabemos, fere as costas, entorta a coluna, nos faz perder a corrida". Então, o verbo abandonem usado aqui se refere a uma ação que precisa ser completa. É esse o sentido da palavra, uma ação completa. Abandonem, deixem essas coisas de lado mesmo. Não voltem para buscá-las. Que isso fique no passado, que isso não faça mais parte das suas opções de conduta. Tentem imaginar de um jeito meio absurdo que uma pessoa crente pensasse assim: "Sabe de uma, tem muito tempo, muito tempo que eu não pratico nenhuma perversidadezinha com ninguém. Tem muito tempo que eu não conto uma mentira para me safar. Tem muito tempo que eu me esforço para fazer o que é certo e talvez não tenham visto grandes proveitos. Acho que pelo menos de vez em quando, vale a pena usar uns artifícios antigos e pesados para alcançar certos objetivos. Lembrem-se ainda que esse período da história em que Pedro escreve é um período de muitas lutas, em que os cristãos estão testemunhando enquanto tentam sobreviver. Eles estão sofrendo perseguições. Imaginem então que uma pessoa temente a Deus naqueles dias, porém emocionalmente esgotada, passando por aflições, com uma vida de sufoco, de incertezas, poderia raciocinar assim: "Vou dar o troco a quem tem me machucado ou ninguém tem compaixão de mim, por que eu teria compaixão dos outros?" E muitos começam então a se sentir tentados a se corromper e a responder com rispidez, com violência, com vingança. Pedro diz: "Não é assim, não é essa a proposta. Mais enfaticamente ainda é ensinado que nós não podemos tratar os irmãos em Cristo dessa maneira. Esse é um ponto central, porque como eu mencionei, o capítulo dois começa na esteira de como terminou o capítulo um, quando se falava sobre o amor fraternal. Pedro tinha acabado de falar sobre o amor fraternal e agora está dizendo que estas coisas aqui, esta lista de pecados aqui, não pode ser algo comum e cotidiano para nós. Não é aceitável que entre os crentes esses desvios se tornem corriqueiros. Em Efésios capítulo 4, o apóstolo Paulo diz para os crentes: "Quanto à maneira antiga de viver, vocês foram instruídos a deixar de lado a velha natureza que se corrompe segundo desejos enganos e a se deixar renovar no espírito do entendimento de vocês e a se revestir da nova natureza criada segundo Deus em justiça e retidão procedentes da verdade. Vejam que o apóstolo Paulo agora também usa a linguagem de uma roupa que precisava ser retirada para ser trocada por roupas bem melhores. Essa é uma imagem interessante, irmãos, porque a roupa geralmente é algo que tem a ver com a nossa identidade, não é? Muitos de nós aqui podem até ter estilos parecidos, mas nós também temos a nossa maneira própria, particular de nos vestir. Nossos gostos por cor, por tecido, por marca, por estética. Às vezes você conhece alguém de longe pela maneira como geralmente ele se veste. Às vezes é assim, você certamente está identificado com aquilo que você veste. Você está identificado com aquilo que você usa. Paulo diz: "Os crentes precisam reformular o guarda-roupa. Os crentes precisam trocar de roupa, aderir a um novo estilo mais digno e mais compatível com a sua fé. Precisam deixar de lado, jogar fora os desejos desordenados e precisam se apresentar agora com vestes de justiça, retidão e verdade. Irmãos, recentemente eu tive uma virose que me deixou desconfortável lá em casa. Eu adoto um protocolo nessas situações, dependendo dos sintomas e do quão contagiante imagino que possa ser aquela enfermidade ou malestar, me mantenho relativamente isolado para preservar a família. arrumo um cantinho para concentrar as minhas ações de trabalho. Evito compartilhar os mesmos objetos com a minha esposa e a e as minhas filhas. Pois bem, a algo que sempre acontece comigo nessas situações é que enquanto eu estou doente, eu tendo a ir mantendo basicamente as mesmas roupas. Não vejo muito sentido em contaminar roupas limpas enquanto aquela situação perdura. Mas o o fato é que quando eu fui melhorando e me sentindo melhor, eu me senti também mais estimulado a ir trocando aos poucos o lençol, a fronha do travesseiro, a camisa e assim por diante. Sabe por quê? Porque tem roupa que você veste quando você está doente. Mas quando você vai se curando, você sente a necessidade de mudar de roupa. Irmãos, no passado nós estávamos doentes e nos vestíamos com aquilo que era compatível com a nossa condição deplorável de pecado. Agora nós estamos curados e a Bíblia diz que nós precisamos de roupas. novas, porque a nossa condição mudou, nosso status mudou, nossa relação com Deus mudou tudo. E a maneira como a gente agora se apresenta ao mundo é diferente. A nossa identidade agora é outra. Mas o que que afinal Pedro ensina que nós precisamos abandonar? Porque eu estou dizendo que nós devemos deixar de lado algumas práticas e adotar outras. Mas o que Pedro diz que nós precisamos abandonar, a resposta está direta no texto, direta, clara e objetiva. Primeira coisa que ele diz que nós devemos deixar de lado ou abandonar é a maldade. Vejam, maldade. A palavra grega para maldade aqui, traduzida em alguns lugares como malícia, aparece 11 vezes no Novo Testamento. Então, vejam a ênfase como nós somos instados a nos afastar disso. Essa é uma palavra que está escrita para falar de um tipo de impulso ruim que vem de dentro, que parte do coração humano. O termo aponta, irmãos, para uma má fé ou má intenção em nossa prática. Pedro não fala aqui de um mal acidental. A maldade que ele fala não é acidental, mas é um mal premeditado, fruto de elocubração, de planejamento. É como quando alguém talvez diz: "Eu vou arrumar um jeito, vou arrumar um jeito de prejudicar quem eu não gosto." Uma pessoa má, nessa definição, é uma pessoa que está pronta para causar mágoa, dor, lágrimas e sofrimento no seu próximo, sobretudo se os seus interesses são ameaçados, mas não apenas em função disso. É que nesse mundo caído, em que o amor se esfria facilmente, as pessoas estão em rebelião contra Deus. E a alienação de Deus inevitavelmente dá espaço para a prática do mal. Um exemplo bíblico desse tipo de maldade que Pedro condena aqui, nós podemos encontrar lá em Miqueias. Se você abrir a sua Bíblia depois em Miqueias capítulo 2, na nos versos iniciais, o profeta diz assim: "Ai daqueles que ainda no seu leito imaginam a iniquidade e planejam o mal, ou seja, ainda no seu leito." Olha a premeditação. O sujeito nem se levantou, ele ainda tá deitado, mas ele já está maquinando o mal. Ao amanhecer, diz o profeta, eles o praticam, porque tem poder para tanto. Cobiçam campos e se apoam deles, cobiçam casa e as tomam. Assim fazem violência a um homem e a sua casa, a uma pessoa e a sua herança. Esses exemplos que Miqueias deu parecem distantes de nós, porque nós não temos poderes, assim, a maioria de nós, pelo menos, não tem poderes para tomar propriedades e coisas desse tipo, mas você precisa levar em conta a sua conjuntura própria e trabalhar para conter aquele mal que está ao seu alcance praticar. Porque é sobre isso que Pedro está falando. Os crentes naquele período também não tinham lá grandes propriedades. Muitos deles eram pobres. Mas ele está dizendo, "Cuidado, meus irmãos, com a maldade. Deixem de lado a maldade. É um perigo. Porque independente da nossa condição, é sempre possível praticar a maldade em algum grau. Mas como nós somos transformados por Deus, devemos deixar isso de lado. Por exemplo, sabe quando talvez você percebe que o mal está aflorando no seu íntimo? Quando você passa muito tempo pensando na retaliação, se você passa muito tempo pensando no revide, você está alimentando mal no seu coração. Quando você coloca a cabeça no travesseiro e começa a arquitetar em sua mente uma palavra pesada para dizer a alguém, uma ofensa que desmoralize um irmão, uma forma de obter uma vantagem indevida, uma provocação que desestabilize uma tentativa de provocar uma dor profunda em uma família. Isso está ao nosso alcance, fazer. Mas nós devemos dizer não a essas coisas. O crente não pode ser ma ou maldoso em nenhuma das suas atitudes, palavras ou motivações. Todavia, deve ser o oposto disso. O Salmo 34, verso 14 diz: "Afaste-se do mal e pratique o bem, procure a paz e empenhe-se por alcançá-la. Seu coração tem que ser marcado pela bondade, pelo desejo de promover o benefício alheio. Seus interesses devem ser levados, devem levar em conta os interesses dos outros. Nós temos que ser como Cristo. Nós temos que amar os nossos irmãos em Cristo. O crente se empenha pela paz e pela alegria. O crente aprende a dominar os seus ímpetos negativos. O crente estende a mão para tirar alguém do buraco. O crente gasta mais tempo pensando em boas obras do que alimentando o ego ferido. Por isso, meus irmãos, deixemos de lado qualquer forma de maldade. Segundo pecado apontado pelo apóstolo Pedro é o engano. E esse é um outro material ruim. É um outro material ruim para nos desfazermos. Engano nesse caso é tudo que tem a ver com trapaça, astúcia ou traição. Vejam, por exemplo, que desde o início Satanás distorce a palavra de Deus para enganar as pessoas. Falsos profetas fazem isso com certa habilidade. Constantemente nesse mundo, precisamos lidar com discursos ou narrativas enganosas constantemente nesse mundo, meus irmãos. Nós precisamos aprender a detectar as armadilhas porque elas são sutis. Constantemente nós corremos o risco de sermos fisgados por um vendedor traiçoeiro. Nós somos ludibriados por uma lógica que parece correta, mas que esconde um ardio. O enganador frequentemente mistura de forma propositada a verdade com a mentira para induzir alguém a erro. Esse é mais um elemento comum da natureza humana corrompida, do qual nós precisamos nos libertar. Nenhum crente sério pode se deixar dominar por coisa semelhante. Pelo contrário, ao invés disso, nós devemos ser íntegros, honestos, decentes, sinceros e leais em nossos relacionamentos, empreendimentos e procedimentos. Jogue fora a manipulação, o sofisma. a mentira, a chantagem e se revista de autenticidade, de fidelidade e daquilo que é honroso. Pedro ainda aponta hipocrisia. Um um hipócrita na Grécia antiga era alguém que interpretava um papel, era um ator de teatro que usava máscaras e que encenava nos palcos. Esse era o hipócrita. Ao longo do tempo, essa palavra ganhou uma conotação muito ruim, passou a ser cada vez mais aplicada à vida real e virou o sinônimo de falsidade, de fingimento. Uma pessoa hipócrita transparece para os outros aquilo que ela não é em sua essência. Uma pessoa hipócrita demonstra ou expõe para os outros algo diferente do que verdadeiramente ela pensa ou sente. Jesus Cristo combateu firmemente os fariseus, líderes religiosos importantes da sua época, acusando-os, dentre outras coisas, de hipocrisia. Ele disse: "Hipócritas, bem profetizou Isaías a respeito de vocês, dizendo: "Esse povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim". O sermão do monte revela que nós podemos ser hipócritas ao fazer coisas boas, ao dar esmola, ao orar, ao jejuar, ou ao enxergar uma falha menor de alguém, deixando de reparar na falha maior que talvez estamos cometendo. Eu enxergo o cisco no olho de alguém, mas relevo a trave no meu próprio olho. O hipócrita pode aparentar zelo e piedade por Deus quando está, na verdade, cheio de idolatria e de vaidade. Por isso, se existe uma coisa que o cristão não pode ser, é hipócrita. Aqui, meus irmãos, nós não estamos interpretando um papel. Nós não podemos simplesmente repetir frases ensaiadas, como se nós estivéssemos decorando um roteiro, um jargão, um jeitão crente de se expressar. Não, a nossa vida está fundamentada na verdade. É preciso jogar fora a máscara, a dissimulação, a ambiguidade. O crente não pode ter vida dupla. O crente não pode ter duplo padrão. Nossa palavra é sim. Sim, não. Não. O crente não pode assumir diferentes personalidades, como se pudéssemos ser pessoas distintas em casa, na rua, na igreja, no trabalho ou no namoro. Então, quando nós falarmos com alguém ou quando manifestarmos nossos sentimentos ou quando lamentarmos algo, ou quando elogiarmos uma pessoa, ou quando confrontarmos, ou quando pregarmos o evangelho, quando fizermos uma ação decente, sejamos verdadeiros, sinceros, genuínos, autênticos. Hipocrisia não diz respeito apenas a praticar algo errado. Hipocrisia é um pecado muito sutil. Significa muitas vezes fazer inclusive as coisas certas, mas pelos motivos errados, com uma avaliação errada, querendo alcançar propósitos errados. Hipócritas no último dia dirão a Cristo: "Senhor, Senhor, em teu nome fizemos muitas coisas." E Jesus responderá: "Eu nunca vos conheci. Afastem-se de mim, os que praticam o mal." Hipocrisia é um material ruim. Não se constrói, não se aproveita nada com ela. Coloque a hipocrisia na caçamba, mande a hipocrisia para o lixão, que é o lugar dela. Limpe o seu coração desse mal. Como Pedro diz, vamos nos despojar, vamos abandonar toda hipocrisia. Próximo pecado que ele aponta é a inveja. A inveja é um daqueles pecados que geram mais problemas entre nós. É uma inclinação torpe que faz nascer a contenda e a inimizade. Consiste em desejar de forma ilegítima aquilo que é dos outros. ou se indignar por não possuir aquilo que os outros possuem. Mas é pior do que isso. E tem algo que faz a inveja ser altamente destrutiva na sua vida e na vida da igreja. é que a Bíblia diz que nós devemos nos alegrar com os que se alegram verdadeiramente. Mas a pessoa invejosa costuma se sentir mal com o êxito, crescimento e a felicidade dos seus semelhantes. Veja só, você não precisa fazer nada, nada para que alguém tenha inveja de você. Nada. A Branca de Neve não precisou fazer nada para que a madrasta a odiasse. Nada. Ela só era mais bonita. Só isso. Abel não precisou fazer nada para que Caim o atacasse de modo fatal. Abel só foi fiel a Deus. Só isso. Urias não precisou fazer nada para que Davi tramasse sua morte. Ele só tinha uma mulher que o rei cobiçou. Só isso. Os apóstolos Paulo e João não fizeram nada além do trabalho que lhes cabia, mas eles foram difamados apenas porque alguém achou que eles estavam sendo muito ousados ao ocupar espaços que não deveriam. O próprio Senhor Jesus Cristo não fez nada para merecer a crucificação. Ele cumpriu a sua missão, ensinou com autoridade e atraiu a atenção das multidões. Muita gente tem se arruinado e visto a sua alma ser corruída pela inveja, mas a igreja, graças a Deus, é o local onde nós aprendemos a nos resguardar disso. A inveja é um pecado difícil de conter. Por isso, peça a Deus que te ajude e se esforce para que o seu coração não seja invejoso ou cobiçoso. Jogue a inveja fora e procure ficar contente, verdadeiramente contente com aquilo que Deus tem feito em sua vida. O último pecado apontado aqui por Pedro é a maledicência, que é o mau uso da nossa palavra, da nossa língua. Irmãos, esse é um mundo de muitas calúnias, difamações, fofocas, linguajar torpe, ataques covardes e agressões verbais. Literalmente, a maledicência significa uma fala maldosa. É um maldizer, é uma tentativa de matar a reputação de alguém ou de cometer assassinato moral. A maledicência é um pecado que causa um estrago terrível todos os dias nas vidas de milhões e milhões de pessoas no mundo inteiro. Thago traz uma definição assustadora da língua humana quando diz que a língua é um pequeno órgão que se gaba de grandes coisas. É uma fagulha que incendeia uma floresta. É fogo. É um mundo de maldade. Está situada entre os membros do nosso corpo e contamina o corpo inteiro. E não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também ela mesma é posta em chamas pelo inferno. Essa é a definição bíblica. Não é fácil combater isso, mas é necessário lutarmos para conter esse mal. Outro dia, um pastor amigo me confidenciou uma dificuldade, e veja, veja a sutileza disso, uma dificuldade que ele vinha tendo para conduzir reuniões de oração, reuniões de oração na igreja dele. Segundo ele, algumas pessoas, não necessariamente de propósito, estavam usando o pretexto de pedir oração por situações que envolviam terceiros. Mas também ao fazer isso, repercutia informações impróprias sobre os outros. Eu disse para ele, não tem outro remédio se não mudar o método ou interromper a reunião para fazer uma pastoral a respeito. A oração, irmãos, é imprescindível. A gente constrói muita coisa com oração. Com oração a gente constrói. Com a palavra a gente constrói, mas a gente não constrói nada com falatório inconveniente. Charles Spurgel, grande pregador, sugeriu uma ação bem concreta nesse sentido, escrevendo sobre questões assim. Ele disse, "Abre aspas, um cristão não deve se envolver com difamação, mas deve ser capaz de dizer em uma reunião: "Parem, eu não posso ficar sentado ouvindo você dizer isso de uma pessoa ausente. Se ele estivesse aqui, você poderia dizer o que quisesse, mas como ele não está, por favor, cálic-se, porque eu estou aqui como um defensor daqueles que são maltratados pelas palavras". Ele segue, todo homem ausente deveria ter um cristão como advogado, especialmente quando o boato prejudica o irmão. Um pássaro que suja o próprio ninho é um pássaro ruim. E um crente que conta história sobre seus companheiros cristãos é um crente ruim. Se você, diz Espjon, como membro da igreja, tiver algo contra o seu irmão, fale com ele. Se for algum pecado público e escandaloso, fale com os líderes da igreja. Mas sair tagarelando sobre coisas que você não sabe serem verdadeiras é uma grande ofensa à igreja e revela ausência de comunhão com Cristo. Meus irmãos, esse é um ótimo exemplo de como nós devemos proceder nessas situações, não oferecendo espaço ou brecha para esse tipo de atitude que pode nos envergonhar terrivelmente. A Bíblia diz: "Refreia a língua do mal e os lábios de falarem dolosamente. Quando pensar em dizer algo que não convém, controle-se. Faça calar a sua própria voz para que a palavra de Deus tenha uma ressonância maior na sua alma. Use a sua língua para o bem, para edificação, para transmitir sabedoria, para produzir aprendizado, para ser útil a quem precisa para anunciar a glória de Deus. É para isso que nós devemos usar as nossas palavras. Essa será inclusive a ênfase a partir desse instante, porque além de abandonar todos esses pecados da maldade, engano, hipocrisia, inveja e maledicência, nós cristãos também devemos para construir bem desejar a palavra de Deus. Esse é o nosso segundo ponto aqui. Nós precisamos desejar a palavra de Deus. Infelizmente, irmãos, estamos acostumados em nossas diversas experiências a uma presença forte de discursos e atitudes destrutivas na sociedade. São críticas ácidas que desqualificam a arte. São comentários desrespeitosos que humilham o profissional. São ironias agressivas que geram constrangimentos. São ideologias comprometidas com a ruptura das boas tradições. São os ânimos inflamados que tumultuam o ambiente. Mas a grandeza do evangelho não está apenas naquilo que ele combate. A grandeza do evangelho está também naquilo que ele propõe. Diferente das faças contraditórias e inconsistentes que esse mundo apresenta, o evangelho nos conclama a deixar de lado o que não presta para laborarmos no que vale a pena, no que edifica, nos que no que nos torna melhores e mais maduros. Os pecados já mencionados, irmãos, impedem o crescimento espiritual, mas a palavra de Deus promove o crescimento. A palavra de Deus é o nosso manual de construção. A Bíblia é o nosso manual de construção. Não adianta tentar encaixar as peças do nosso jeito sem seguir o passo a passo do Senhor. Não adianta usar um maquinário que alguém inventou para facilitar a vida quando a base de sustentação não é a Bíblia. Nossa fé não é definida apenas por aquilo que nós devemos evitar, mas sim por aquilo que nós precisamos buscar e desejar do fundo do nosso coração. Pedro já tinha dito que a palavra do Senhor nos regenerou e que a palavra do Senhor permanece eternamente. Agora ele afirma que a palavra de Deus também é o que nos alimenta. Como crianças recém-nascidas, diz ele, desejem o genuíno leite espiritual para que por ele lhe seja dado crescimento para a salvação. São duas declarações interessantes que se complementam. Vamos observar a primeira delas. Como crianças recém-nascidas desejem o genuíno leite espiritual. Já que Pedro fala de crianças recém-nascidas, do que que nós somos lembrados agora? do nosso novo nascimento. Do nosso novo nascimento. A Bíblia é clara ao dizer que quando nós somos convertidos, experimentamos uma transformação que se torna um marco divisório entre o que éramos e o que nos tornamos. Com Cristo e pela palavra nos tornamos novas pessoas, com novos valores, com novos anseios, com um novo coração. É a palavra de Deus, irmãos, somente ela que pode incutir essas coisas dentro de nós, de modo que por ela nós fomos gerados e por ela nós somos agora nutridos. Então, devemos desejá-la com todas as nossas forças. Interessante pensar que quando nós estamos perdidos sem Deus, os nossos desejos se tornam desordenados. Desordenados, se tornam uma bagunça. As nossas afeições longe de Deus não são belas. As nossas inclinações não são virtuosas. A ponto de Jesus ensinar que dentro de dentro do coração das pessoas é que procedem os maus pensamentos, as imoralidades, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as maldades, o engano, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, o orgulho e a falta de juízo. Tudo isso parte do coração. Tiago ressalta que guerras e contendas surgem de lá também, de dentro de nós, por querermos nos esbanjar em nossos prazeres. Então, qualquer período da vida longe de Deus será sempre marcado por desejos desordenados, fora do lugar. Mas nesse texto, Pedro coloca que agora o que nós temos que desejar ardentemente é outra coisa. O evangelho é tão profundo que ele alterou a nossa aspiração natural. O nosso desejo tem que mudar e precisamos visar a partir da nossa conversão o leite espiritual que nos faz crescer. Assim, irmãos, o verbo desejem que é posto aqui é um imperativo para nós. E também faz sentido a expressão do verso 3, se é que vocês já têm a experiência de que o Senhor é bondoso. Quando a gente experimenta algo bom, quando a gente experimenta algo bom, é difícil não querer experimentar mais, correto? Quando a gente experimenta algo bom, a gente quer mais. Se a pipoca é gostosa, se a comida é saborosa, se a viagem é relaxante, se o livro ou o seriado prendeu a atenção, se a conversa fluiu na companhia de um amigo, você tende a querer mais, você quer repetir a dose, você quer manter aquela sensação. O que é bom, a gente quer experimentar de novo, de novo e de novo. Então Pedro diz: "O discípulo que provou a bondade de Deus não vai parar de desejá-lo." Se vocês já experimentaram que Deus é bom, vocês desejarão a Deus. Quem bebeu dessa água vai querer mais, igual o recém-nascido, que já foi amamentado, mas logo logo vai pedir leite de novo. Atenção, ele já foi alimentado, mas ele vai querer de novo. Vocês já viram como os bebês ficam quando sentem falta de leite? Temos muitas mamães aqui com filhos pequenos. Como que as crianças ficam quando querem o leite? É inegociável. Esqueça, não adianta usar qualquer distração. Elas choram, elas se contorcem, elas gritam, elas esperneiam, como se a vida dependesse do consumo imediato daquele alimento. Não tem negociação. Elas simplesmente não aceitam ficar sem leite por muito tempo. Os bebês sabem instintivamente que precisam ser alimentados com regularidade. E quando eles estão tomando leite, apreciam com veemência cada gota que sugam. É assim que nós devemos buscar o alimento que vem da palavra de Deus. É isso que Pedro está dizendo. A própria Bíblia afirma: "Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus". Precisamos desesperadamente e com regularidade da palavra, porque sem ela nós enfraquecemos. Nós não podemos sustentar a nossa fé e o nosso vigor espiritual. Se alguém tentar nos distrair, se alguém tentar nos impedir de ouvir a voz de Deus, devemos lutar com força para não deixar que nada consiga tirar de nós esse privilégio. É esse desejo de uma criança que quer leite que o crente deve ter pela palavra de Deus. é entender que a nossa vida depende disso e quando estivermos ouvindo a palavra, apreciar cada gota de lição como se fosse a última. A segunda declaração tem um viés de propósito para que por ele, ou seja, o leite lhe seja dado crescimento para a salvação. As crianças precisam ser alimentadas cuidadosamente todos os dias. Diferente do que acontece, irmãos, em outras passagens da Bíblia, eh, a utilização do leite aqui não indica crentes imaturos. Pedro não tá falando disso. Em outras passagens, isso e eh essa relação vai acontecer. Mas aqui ele não tá falando de crente que precisa de leite porque é imaturo, não. Crente que só pode receber ensino básico ou elementar. Não é isso. A ênfase de Pedro é que todos os crentes, todos nós precisamos de alimento puro e saudável, como os recém-nascidos precisam de leite puro e saudável. Quando a teologia é boa, quando a doutrina é bíblica, quando o ensino está fundamentado na palavra de Deus, os crentes se tornam nutridos e robustos. Eles crescem se alimentando corretamente, eles crescem e se desenvolvem sem maiores dificuldades. A salvação já nos foi dada, meus irmãos. Nós não temos como perdê-la, mas temos a responsabilidade de nos aperfeiçoar e crescer no conhecimento da verdade e da nossa salvação. Analise então como você está à luz da palavra de Deus que indica o nosso diagnóstico. Há crentes que estão fortes, há crentes que estão cheios de disposição, cheios de esperança, cheios do espírito. Há crentes que estão subnutridos, debilitados, raquíticos, doentes, com dificuldades no seu crescimento, porque deixaram de se alimentar devidamente com a palavra de Deus. E se o bebê não se alimenta adequadamente do leite e você quer substituir com qualquer outra coisa, ele vai ficar debilitado para recuperar a sua saúde espiritual. Para recompor suas energias, para fazer o seu organismo voltar a funcionar bem novamente, você precisa entender que necessita do poder nutritivo, tonificante, vivificador, medicinal das Escrituras Sagradas. Os profissionais de saúde estão com razão quando dizem: "Não existe alimento mais nutritivo do que o leite materno que o recém-nascido toma". Acreditem, o apóstolo Pedro está certo também quando diz que o melhor e o mais completo alimento para a nossa alma é a palavra de Deus que nós devemos sorver com avidez a fim de crescermos. Não adianta tentar substituir a palavra por outra coisa, não vai funcionar. Por isso, o verso 4 nos convida a nos achegarmos a Cristo, a pedra principal, a pedra que vive, a pedra eleita e preciosa. E no verso 5, ele diz que nós, ligados a Jesus, somos também como pedras vivas, edificados como casa espiritual e como sacerdotes oferecemos sacrifícios espirituais por meio de Jesus Cristo. Eu vou retomar esses dois versículos na próxima mensagem, tendo em vista o que é corroborado dos versos 6 a 8. Mas não é sem razão que eu gostaria que você lançasse o seu olhar agora sobre os versos 4 e 5 que eu acabei de mencionar, especialmente por um detalhe. O texto diz que Jesus é a pedra no singular e que os crentes são pedras. No plural. Isso significa que Jesus é único. Jesus é o protagonista da obra. Jesus é a pedra perfeita, é o material perfeito. Nós somos diferentes. Nós somos pedras que precisam ser lapidadas. Como foi que nós começamos a pregação hoje, irmãos? falando de um edifício que ruo. Qual foi a túnica que usamos nessa manhã? Nós dissemos que você precisa jogar fora o material ruim, porque ninguém constrói nada proveitoso usando maldade, engano, hipocrisia, inveja ou maledicência. O pecado é altamente corrosivo, é tóxico, é material explosivo, com grande potencial de destruição. Pecado não é algo que você deve usar. Pecado você joga fora. Nós construímos com bondade, verdade, fé, amor, alegria, esperança, coragem, domínio próprio, perdão. É com isso que nós construímos. Agora conclua o raciocínio comigo. Por que o pecado? Por que esse material ruim tem que ser jogado fora? Porque Deus quer nos usar para fazer a obra dele. Nós somos como tijolos que Deus usará para construir, para edificar a sua igreja, para expandir o seu reino. Mas prestem atenção, Deus não usa material ruim em sua obra. Ele não vai usar quem quer viver no pecado. Ele não vai usar madeira podre. Ele não vai fazer improvisos no seu reino. Entretanto, não desanime, supondo que tudo está perdido, porque há muita graça aqui para os pecadores arrependidos. Porque Deus usa sim o material que ele restaurou. Deus usa sim o material que ele purificou e limpou. Deus usa sim o material que ele trabalhou para torná-lo mais adequado. Deus usa sim o material que ele vocacionou e capacitou. Deus quer que a sua igreja cresça e se desenvolva. Deus trabalha pelo nosso crescimento saudável. Deus nos dá a sua palavra para construirmos bem. Mas enquanto nos esforçamos para construir algo bom, saiba que Deus está construindo algo ainda melhor e maior do que nós vemos, do que nós constatamos. Deus está construindo o nosso caráter. Deus está edificando as nossas vidas. Deus está sustentando esses tijolinhos frágeis que nós somos sob a pedra fundamental que é Jesus Cristo. Por isso, peça a ajuda de Deus para jogar fora o material ruim que está te consumindo, que está te atrapalhando, que está gerando prejuízo. e com o auxílio dele aprenda a construir a partir do alicece da palavra de Deus que dá sustentação a tudo que nós precisamos. Que Deus nos abençoe. Vamos orar, irmãos. Senhor Deus, graças te damos porque o Senhor nos chamou e apesar das nossas limitações e dificuldades, o Senhor tem nos usado na tua obra. Quão grande é o teu amor, quão grande é o teu cuidado para conosco. Que esta tua obra continue sendo realizada pelos instrumentos que o Senhor tem nas suas mãos. pelo teu espírito, pela tua palavra, que nós continuemos nas tuas mãos, Senhor, como instrumentos, como ferramentas, para fazermos toda a tua vontade. Que esse edifício santo seja erguido, edificado, se torne indestrutível e inabalável, porque ele está erguido sob a pedra fundamental que é o Senhor Jesus Cristo. E em nome do Senhor Jesus, e confiando unicamente nele, nós oramos com os nossos corações agradecidos e esperançosos. Amém. Yeah.