Makários – Romanos |A. 8| A família da aliança de Abraão (4.9-25) | Ákilla Nascimento
27/03/2026
Makários – Romanos |A. 8| A família da aliança de Abraão (4.9-25) | Ákilla Nascimento
Módulo Avançado: Romanos
Aula 8
A família da aliança de Abraão
Romanos 4.9-25
Ákilla Nascimento
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เฮ [música] >> [música] [música] >> เ Muito boa noite para todo mundo que já chegou aqui para mais uma aula do nosso curso de teologia Macários. Muito bem-vindo, muito bem-vinda pro nosso encontro de hoje. Hoje a gente vai falar sobre Romanos, capítulo 4, dos versículos eh 9 em diante, 9 até o 25. E é bom saber aí que a gente já tem o pessoal acompanhando a gente pelo chat. Fernanda, a Ana, Carla, Carmen, o Paulo, a Teresa, Sandra, o Edu, a Manuela. Ah, muito bom, muito bom ter vocês aqui, outras pessoas que talvez estejam assistindo, mas não estão necessariamente falando no chat, mas é bom receber todos vocês já pro começo da nossa aula e também o pessoal que vai assistir isso em outro momento. Bom, a gente já tem uma bagagem considerável na nossa conversa a respeito de Romanos, porque hoje a gente tá finalizando o capítulo 4atro. Isso significa que a gente está concluindo o primeiro grande bloco de Romanos que vai do capítulo 1 até o capítulo 4. O capítulo 5 até o 8 tem uma grande dependência daquilo que nós estamos tratando nessas oito primeiras aulas, nesses quatro primeiros capítulos, mas eh também constituem uma nova etapa daquilo que é a apresentação de Paulo a respeito do grande tema da revelação da justiça de Deus. que se dá através do Messias. Mas como última parte daquilo que nós vamos tratar hoje, eh, ou última parte daquilo que nós vamos tratar nesse primeiro bloco, a gente vai falar sobre o tema da família da aliança de Abraão. pessoalmente achei bastante assim e importante e e provocativo na minha compreensão e profundo nos argumentos, como Paulo apresenta aqui nesse capítulo, aquilo que ele trata a respeito da definição ou da redefinição da família de Abraão a partir daquilo que é revelado na pessoa de Jesus. Por isso, a gente vai convidar você para acompanhar o nosso estudo de hoje. Bia de regra, eu tenho colocado texto bíblico do lado esquerdo e os pontos que a gente vai desenvolver do lado direito. Mas hoje eu fiz um pouquinho diferente. Eu coloquei o texto bíblico de acordo com a NVI, a nova versão internacional do lado esquerdo e o texto da do da versão Novo Testamento para todos, que foi publicado inclusive recentemente, já é uma versão mais antiga na língua inglesa, mas foi eh publicado recentemente pela Thomas Nelson em português. Existem diferenças de tradução e como qualquer tradutor e qualquer estudioso da Bíblia sabe, inúmeras decisões são tomadas no processo de decisão e isso às vezes tem um impacto maior na interpretação dos textos e às vezes tem um impacto menor. Como eu julguei bastante apropriada a forma como essa versão a do Novo Testamento para todos traz além da versão que a gente já costuma utilizar, que é a versão da NVI, então eu coloquei esses dois textos para vocês. Então, só pra gente fazer uma leitura rápida, eu vou ler esse texto na versão da direita pra gente seguir então pros nossos argumentos aqui. E então essas bênçãos vêm sobre os circuncisos ou sobre os incircuncisos. Eis a passagem que citamos: "A fé foi contada a favor de Abraão como o indicativo de que ele fora considerado certo quando ela foi contada ao seu favor depois que ele já estava circuncidado ou quando ainda era incircunciso?" Não foi depois de sua circuncisão, mas sim quando era incircunciso. Ele recebeu circuncisão como um sinal e um selo de sua posição de membro da aliança, com base na fé que tinha quando ainda era incircunciso. Isso ocorreu para que ele pudesse ser o pai de todo o que crê, até mesmo dos incircuncisos, de modo que a posição de membro da aliança passa a ser contada a favor deles também. Ele, Abraão, também, claro, é o pai dos circuncisos, que não apenas são circuncidados, mas que também seguem os passos da fé que Abraão tinha quando ainda era incircunciso. A promessa, como vocês podem ver, não chegou a Abraão ou a sua família mediante a lei. A promessa, digo, de que ele herdaria o mundo. Ele veio mediante a justiça da aliança pela fé. Porque se aqueles que pertencem à lei a herdarão, então a fé é vazia e a promessa foi abolida, pois a lei desperta a ira de Deus. Entretanto, onde não há lei, não há desrespeito à lei. Por isso é que pela fé, para que seja de acordo com a graça e de maneira que a promessa possa ser validada para toda a família, não apenas para aqueles que procedem da lei, mas para aqueles que compartilham a fé que Abraão possuía. Ele é o pai de todos nós. Exatamente como a Bíblia diz, eu transformei em pai de muitas nações. Isso aconteceu na presença do Deus no qual ele creu. O Deus que dá vida aos mortos e chama a existência coisas que não existiam. Contra toda a esperança, mas ainda com esperança, Abraão creu que se tornaria o pai de muitas nações. Alinhado com o que lhe fora dito, é assim que será. sua família. Ele não fraquejou na fé ao considerar seu próprio corpo que já estava quase morto, uma vez que já já contava 100 anos de idade, e a falta de vitalidade do ventre de Sara. Ele não vacilou em em incredulidade quando se viu diante da promessa de Deus. Em vez disso, ele se fortaleceu pela fé e deu glórias a Deus. Estando plenamente convicto de que Deus era poderoso para realizar o que havia prometido, é por esse motivo que foi contado a seu favor em termos da justiça da aliança. Entretanto, não é somente para ele que foi escrito, foi contado a seu favor, também foi escrito em relação a nós e será contado a nosso favor também. Quando crermos naquele que ressuscitou, nosso Senhor Jesus dentre os mortos, naquele que foi entregue por causa de nossas transgressões e ressuscitado por causa de nossa justificação. Bom, voltando aqui para o começo dessa passagem, a gente já observa Paulo tratando de algo que, pelo menos a mim, e acho que a muitas outras pessoas, desperta curiosidade, que é entender essa questão da circuncisão. Quando Deus celebrou uma aliança com Abraão, eh, ele deu a essa aliança algo equivalente aquilo que um anel é para um casamento, uma marca concreta. E que marca concreta era essa? Essa marca era precisamente a circuncisão. E a maneira como a gente deve entender isso depende diretamente daquilo que nós encontramos na narrativa de Gênesis, capítulo 15 e também no capítulo 17. Essa marca concreta da circuncisão aparece em Gênesis capítulo 17, dois capítulos depois do momento da aliança que Deus estabelece com Abraão. Então veja que primeiro Deus estabelece e todas essas promessas que a gente lembra a respeito de Abraão está lá em Gênesis capítulo 15. E depois, algum tempo depois, é que Deus exige que ele, Abraão, se circuncide e também faça a circuncisão do seu filho Ismael, o filho que ele teve com H. Ele também promete a Abraão e Sara no capítulo 17 que eles teriam o próprio filho, apesar da idade deles. O versículo central do que está no capítulo 17, desse momento em que Deus exige a circuncisão e reafirma que Abraão e Sara terão um filho a partir deles e não de uma serva. É o versículo 11 do capítulo 17 de Gênesis. Porque ali se afirma que a circuncisão deverá ser um sinal da aliança entre Deus e Abraão. Portanto, quando Paulo faz referência a esse versículo de Gênesis 17:11 aqui em Romanos capítulo 4, ele está afirmando que a circuncisão é um sinal e um selo do fato de Abraão ser considerado certo com base na fé. Essa ideia de justo justificado evoca todo tipo de teologia que a gente também foi construindo, principalmente a partir do século 16. E por isso que essa tradução que a gente coloca enfatiza o significado por trás da palavra que tradicionalmente é traduzida como justo. É a ideia de que Abraão é considerado certo com base na fé. E isso significa que Paulo está tratando da aliança que Deus estabelece com Abraão. Ele está se referindo ao fato de que ser considerado certo é equivalente a ser membro da aliança. Naquele momento, Gênesis capítulo 17, a circuncisão era a marca de que Abraão estava em aliança com o próprio Deus. pelo retorno repetido, vezes nesse parágrafo, a questão da circuncisão e da incircuncisão parece ser muito clara como sendo ou muito claro como sendo o tema central desses versículos iniciais da passagem que a gente tá tratando aqui. Mas essa é a última vez que Paulo vai tratar desse assunto no livro de Romanos. uma comparação explícita entre circuncisão e incircuncisão. Isso vai ter todo tipo de consequência para tudo que ele vai desenvolver ao longo do capítulo 5 até o capítulo 16. Por isso que é muito importante a gente entender bem que contraste é esse que ele está estabelecendo aqui e o que isso significa para a família de Abraão. Essa foi a essa questão da circuncisão foi claramente a questão central que estava por trás da controvérsia que a gente encontra no livro aos Gálatas. Quando a gente lê a carta de Paulo escrito para a região da Galáia, a gente percebe que alguns cristãos judeus estavam procurando persuadir os gentios convertidos de que eles necessitavam ser circuncidados de modo que eles pudessem tornar-se membros plenos da família de Abraão. você se converteu, você que gentil acreditou em Jesus, mas se você de fato quer ser um membro que obedece tudo aquilo que Deus estabeleceu e exigeu e ser plenamente parte da família de Abraão, você precisa se circuncidar. E Paulo declara com toda a firmeza que eles não necessitavam se circuncidar. Ele fala algumas coisas em comum na carta aos Gálatas e aquilo que ele coloca aqui na carta aos Romanos. Mas há uma coisa nova que ele trata aqui aos Romanos que ele não havia tratado na carta aos Gálatas. Lembrando que a carta aos Gálatas é possivelmente a primeira carta que Paulo escreve logo. É uma carta anterior à carta aos romanos. O que que acontece lá em Gênesis capítulo 15? a gente tem a aliança de Deus com Abraão. E só em Gênesis 17 é que acontece a circuncisão. E há um intervalo de tempo em que a aliança já havia sido estabelecida entre Deus e Abraão. Abraão permanece incircunciso. E só no capítulo 17, que a gente não sabe exatamente quanto tempo depois acontece, é que Deus exige a circuncisão de Abraão e de Ismael. Isso não é só uma obviedade dizer que Gênesis 17 vem depois do capítulo 15, mas traz um dado relevante. Quando Deus estabelece a aliança, levando em conta a fé que Abraão possuía em seu favor, nós eh temos que perceber que Deus declara que Abraão é declarado certo por parte de Deus. O que tradicionalmente está a traduzido como Abraão creu isso. Ele foi creditado como justiça. E isso a gente tá colocando aqui. E Abraão foi declarado como certo quando Abraão ainda era incircunciso. Ou seja, Deus declara que Abraão está na condição correta, justa, certa, de aliança com o próprio Deus verdadeiro, enquanto ele ainda é um homem incircunciso. E ele permanece assim algum tempo depois que a promessa e a aliança é feita com Abraão. Ou seja, não existe a menor possibilidade de alguém sugerir que a circuncisão é necessária para pertencer à família de Abraão. Com base em Gênesis capítulo 15, a gente percebe que é completamente insustentável o argumento de que é preciso ser circuncidado para pertencer à família de Abraão. Caso contrário, o próprio Abraão estaria desqualificado para pertencer à família da aliança. E é isso que Paulo está colocando no versículo 9 e também no versículo 10. E aí ele vai seguir o seu argumento e vai a responder à primeira pergunta que ele levanta no versículo 1 do capítulo 4. Que tipo de família nós entramos quando nós passamos a fazer parte da família de Abraão? Abraão é nosso antepassado em um sentido físico. Trocando em miúdos, os gentios convertidos precisam se circuncidar e passar a fazer parte de Israel no aspecto étnico. Eu, que até onde eu saiba, não tenho descendência, não sou descendente de judeus. Preciso, ao passar a fazer parte da família de Abraão, enquanto o homem me circuncidar. E a palavra de Paulo é tão clara em Romanos como ela é na carta aos Gálatas. Não. Abraão é o pai de todo aquele que crê, inclusive dos incircuncisos. Eles também participam da aliança simplesmente com base na fé, como ele coloca aqui no versículo 11. Versículo 11 aparece inicialmente no slide anterior, mas também a continuidade aqui nesse novo slide. Ao mesmo tempo, ele equilibra essa afirmação logo na sequência, no versículo 12, quando ele diz: "Ele também, claro, é o pai dos circuncisos, que não apenas são circuncidados, mas que também seguem os passos da fé que Abraão tinha quando ainda era incircunciso." Então, Paulo está deixando muito claro, Abraão é pai dos incircuncisos, mas também, obviamente, é pai dos circuncidados. Paulo, nesse contexto de cristãos gentios e cristãos judeus eh convivendo dentro da mesma comunidade, aparentemente numa tensão muito forte devido ao banimento dos judeus da cidade de Roma, que agora retornaram pra cidade, encontram dificuldades em compreender como é que essa família multiétnica é reunida em torno de um único Messias. A última coisa que Paulo quer transmitir tanto para os judeus quanto para os gentios é a ideia de que agora o pertencimento à família de Abraão passar a ser apenas para os gentios. Aparentemente alguns gentios estavam alegando isso. Deus rejeitou Israel. Deus rejeitou os judeus. E Paulo tá dizendo, não. Assim como não se pode pedir para um gentil ser circuncidado para ser um membro pleno do povo de Deus, da família de Abraão, da mesma forma, o gentil não pode pensar que membro do povo de Abraão na aliança renovada é algo que cabe apenas aos gentios. Abraão é pai também dos circuncisos. Mas é muito interessante a gente perceber que Paulo coloca uma nota logo na sequência no versículo 12, porque ele diz que um fato é fundamental. Os circuncidados não são filhos de Abraão porque são circuncidados. Os circuncidados, os judeus que fazem a circuncisão, que foi a marca da aliança que Deus estabeleceu com Abraão, não são verdadeiramente filhos de Abraão porque passaram pela circuncisão, mas porque semelhante a Abraão, tiveram fé. Se a aliança inicialmente Gênesis capítulo 15 foi estabelecida por meio da fé entre Abraão e Deus, da mesma forma o judeu no tempo de Paulo e o judeu no nosso tempo não é considerado filho de Abraão apenas porque é circuncidado, mas porque tem fé. A fé que o próprio Abraão possuía antes de ser circuncidado. Paulo redefiniu a família de Abraão. E Paulo redefiniu a família de Abraão de duas formas diferentes. Primeiro, os gentios foram incluídos. Mediante a fé, Jesus passa a incluir todo aquele que crê no evangelho do Messias, Jesus Cristo. E também no segundo sentido, Paulo redefine a família da fé porque os judeus não mais são vistos como filhos automáticos de Abraão, apenas com base na circuncisão. Todos os judeus são bem-vindos. E ele vai falar muito mais a respeito disso e vai falar do desejo de Deus que todo judeu também seja encontrada, seja encontrado nessa família da aliança que foi renovada a partir de Jesus. Mas o sinal que esses judeus devem ter como membros dessa família é a fé, não a circuncisão. A última coisa que Paulo é antijuda a última coisa que Paulo é antissemita. Obviamente que no primeiro século é até impensável imaginar que o cristianismo era um grupo antisemita e um grupo que estava relegando completamente a sua herança judaica. Diante de controvérsias que acontecem no mundo gentílico, aquilo que a autoridade, a gente vê isso em Atos e eu não me recordo o capítulo agora, aquilo que a autoridade responsável por julgar aquela discussão que estava tendo entre os judeus cristãos e os judeus que não reconheceram Jesus como Messias, é isso é uma controvérsia interna de vocês. Vocês que se resolvam. Então, todo mundo entendia muito bem que Paulo não estava de forma nenhuma rejeitando os judeus, mas ele estava dizendo que nessa aliança que foi renovada, nessa justiça de Deus que foi revelada, aquilo que define quem é parte da família de Abraão não é a circuncisão. Tanto para judeus quanto para gentios. A marca de quem é parte do povo de Deus, da família de Abraão, é a fé. Claro que esse assunto não é detalhado por Paulo aqui. Ele tem muito a dizer sobre isso e é o que ele vai tratar na discutida passagem de Romanos capítulo 9 até o capítulo 11. e a gente vai chegar lá. Mas isso já aparece aqui como uma parte necessária do que Paulo está desenvolvendo. Além do que ele coloca então no versículo 11 e 12, ele vai seguir para estabelecer que a aliança da justiça de Deus sempre teve o objetivo de consertar o mundo inteiro. Isso não é uma coisa óbvia. Isso não é uma coisa que a gente costuma associar com Abraão, os patriarcas, Israel e o propósito da aliança que Deus estabelece inicialmente com Abraão em Gênesis capítulo 15. De forma geral, a gente pensa que Deus separa um povo para ser um povo que vai ser especialmente abençoado, um povo que recebe promessas específicas da parte de Deus, um povo com quem Deus caminha ao longo de gerações e séculos até que a partir desse povo Deus traz o Messias. Mas nem sempre a gente consegue conectar aquilo que acontece no Messias, na pessoa de Jesus, com os propósitos iniciais. pelos quais Deus estabeleceu essa aliança com Abraão. Desde o começo, o propósito de Deus chamar Abraão e fazer uma aliança com Abraão era de incluir nas bênçãos que Deus viria derramar por meio dessa aliança o mundo inteiro. Deus estava consertando por meio de Abraão aquilo que Adão havia trazido como maldição para toda a humanidade, para toda a criação. Então, a aliança de Deus com Israel, mas especificamente de Deus, inicialmente com o pai Abraão, era a forma como Deus havia estabelecido para trazer bênção para todos os povos e consertar o problema do pecado que havia assolado toda a criação. Deus como criador e juiz do mundo inteiro, ele se encontra em uma obrigação autoimposta de fazer exatamente isso, de redimir a criação da escravidão ao qual ela foi submetida. Portanto, não deve ser surpreendente que quando Paulo redefine a família de Abraão em uma entidade multiétnica, não estamos mais falando apenas do judeu do ponto de vista étnico e apenas do povo de Deus constituído pelos circuncisos, ele também está insistindo que a intenção real Deus ao prometer Abraão à terra de Canaã foi de reivindicar governar e renovar o mundo inteiro. Veja o movimento. Inicialmente, Deus faz a aliança com Abraão. Deus constitui uma nação e Deus estabelece uma marca física no corpo dos homens que fazem parte do povo de Israel, segundo a definição simplesmente étnica, mas o propósito de Deus nunca foi de restringir o seu povo, apenas ao Israel e aos descendentes de Abraão do ponto de vista étnico. Sempre foi de incluir todas as nações. Se ele está colocando, e Paulo está revelando isso pra gente, o Paulo está tornando mais explícito isso pra gente na interpretação que ele faz de Gênesis 15, se ele está fazendo isso do ponto de vista étnico, não deve ser nenhuma surpresa que ele esteja também fazendo isso do ponto de vista geográfico. O propósito de Deus nunca foi de tratar Canaã como a parte exclusiva que cabe a ele e a herança que ele dá ao povo de Israel, aos descendentes de Abraão. O propósito era começar com Abraão, começar com esse povo para alcançar todas as nações, começar com Canaã para alcançar o mundo inteiro como a herança que deveria ser dada aos seus filhos. A Terra Santa foi no pequeno e no começo aquilo que Deus desejava ao fim e ao cabo fazer com o mundo todo. Então, na discussão sobre o que é que de fato cabe ao povo de Israel hoje, eu tenho as minhas dificuldades de entender que o texto bíblico vai delimitar o que supostamente é o território de Israel por direito e que Deus está dando a sua bênção, de acordo com algumas promessas do Antigo Testamento, de que os limites da nação moderna e contemporânea de Israel devem ir desse ponto até esse ponto. Porque de acordo com a interpretação de Paulo em Romanos capítulo 4, a aquilo que ele coloca em especial no versículo 13 é que a herança que Deus está prometendo aos filhos de Abraão, mais filhos de Abraão constituídos de gentios e judeus é o mundo todo. Então, se a gente for discutir de acordo com a nova aliança, de acordo com a revelação de Deus no Messias, o que cabe ao povo de Deus significa o mundo inteiro. O ponto principal dos versículos 13 que a gente acabou de mencionar, mas também 14 e 15, é que se as promessas não foram feitas com base na circuncisão, como a gente viu no parágrafo anterior, também não foram feitas com base na lei judaica. E isso é muito interessante. Abraão não possuía lei. Abraão não recebeu a lei que é dada por meio de Moisés ao povo de Israel depois do exílio ou depois do êxodo, perdão, depois da libertação dos 400 anos que eles passam no Egito, vão peregrinar no deserto e ali no deserto é que a lei é dada para o povo de Israel. Mas Abraão entra em aliança com Deus. E essa aliança não foi estabelecida por meio da lei. Abraão não possuía a lei. Ela, a lei, não havia sido dada em Gênesis 15, quando do estabelecimento da aliança. Entretanto, Paulo não emprega esse argumento nesse ponto, especificamente dos versículos 13, 14 em 15, como ele faz de uma forma mais clara em Gálatas, capítulo 3. Em vez disso aqui Paulo adverte contra algo muito mais obscuro, que é caso a gente insira a lei nessa equação, no fim das contas o povo não vai herdar coisa nenhuma. Não vai herdar nem Canaã e muito menos o mundo inteiro. O que é que isso quer dizer? Para entender a questão completamente sobre a vinculação da herança, caso a gente queira entender a herança da terra ou a promessa que Deus fez de dar algo para o seu povo a partir da lei, a gente vai precisar olhar para outras passagens de Romanos, como por exemplo, Romanos, capítulo 5, versículo 20, 6, 71 e o 811. Ele também vai falar sobre isso em Romanos do capítulo 9 até o capítulo 10. Mas nós já podemos nós a gente já consegue começar a entender as coisas aqui nesse ponto em que Paulo introduz essa questão diante do que ele fala nos capítulos anteriores. Aparentemente, o principal problema com a lei é que a função da lei consiste em revelar o pecado e tratar dele, além do fato de que há muito pecado para ser revelado e muito pecado para ser tratado, até mesmo entre o próprio povo da aliança. Se a lei é dada para revelar e para tratar o pecado, o que não poderia se esperar era que o povo da aliança, o povo de Israel se torna não parte da solução, mas parte do problema. Porque a lei ressalta toda a iniquidade que surge ao longo da história do povo de Israel e em especial da resposta do povo de Israel, quando o próprio Deus em pessoa se revela diante daqueles que ele chamou para ser a luz entre as nações. Assim, se a lei fosse uma característica que viesse a definir quem de fato é o povo de Deus, Deus simplesmente não teria povo nenhum. Mediante a lei vem o conhecimento do pecado. Isso a gente já leu, já estudou em Romanos 3:20. A lei desperta a ira de Deus. É o que Paulo coloca aqui no versículo 15 do capítulo 4. Se é para existir um povo renovado de Deus, deve existir uma área, deve existir uma condição em que essas pessoas possam viver livre e se desenvolver à parte livres da lei. Porque pela lei, essas pessoas ou serão condenadas por aquilo que a lei revela, ou serão condenadas por desconhecer aquilo que a lei revela, no caso dos gentios, e serão condenadas por saber o que é a lei e não cumprir a lei no caso dos judeus. Caso contrário, a fé, especialmente a fé de Abraão, seria inútil. Se nós quiséssemos entender como é que a herança e as promessas de Deus vão ser dadas para o seu povo por meio simplesmente da lei. Toda a história de Abraão e em especial a fé de Abraão e a aliança que Deus estabelece com ele seria inútil. E a promessa que Deus faz a ele em Gênesis capítulo 15, que é o fundamento de tudo isso que Paulo está discutindo aqui, também seria abolida, também seria completamente inútil [limpando a garganta] pra gente compreender de que forma Deus traria justiça e faria aquilo que ele disse que iria realizar e dar para o seu povo. Então, a gente volta no capítulo 16 em diante a questão com a qual a gente iniciou a nossa conversa. Se os gentios devem entrar e participar do povo de Deus em termos iguais com os judeus, em termos de igualdade, deve haver uma condição, deve haver um espaço para que isso aconteça. E esse espaço não é definido pela lei judaica. Essa condição de igualdade e de inclusão não é alcançada por meio da lei judaica. A promessa deve ser válida para a família inteira e não somente para uma parte dela, como a gente lê no capítulo, no versículo 16. Por isso, é pela fé, para que seja de acordo com a graça e de maneira que a promessa possa ser validada para toda a família, não apenas para aqueles que procedem da lei, mas aqueles que compartilham a fé que Abraão possuía. Ele é o pai de todos nós. Por isso que a inclusão é pela fé, para que seja de acordo com a graça de Deus. Isso significa que assim como Paulo vai colocar em 3:27 até o versículo 30 que os gentios podem estar em pé de igualdade com os judeus e tudo isso com o propósito de dar a Abraão a família multiétnica que Deus prometeu dar a ele desde o começo. [roncando] Isso é muito interessante. Nem sempre é uma coisa que é percebida, eu pelo menos não percebia na forma como eu lia Gênesis capítulo 15 e a promessa que Deus dá a Abraão lá no começo da história, na história da redenção e na história do povo de Israel. A ideia de que Abraão teria filhos como as estrelas do céu e filhos como a areia do mar, não é porque Israel cresceria até se tornar a maior nação dentre todas as nações. Mas a ideia era dizer que a partir de Abraão, muitos filhos seriam gerados, porque todos os povos da terra viriam a se tornar filhos e descendentes de Abraão. O propósito de Deus sempre foi constituir essa família multiétnica que Deus prometeu dar a ele desde o começo. Isso tem tudo a ver com o contexto da igreja em Roma, que era justamente a relação entre cristãos gentios e cristãos judeus que pareciam não entender completamente como as promessas de Deus funcionavam para que os dois pertencessem à mesma família, à mesma mesa. uma dificuldade que os cristãos judeus enfrentavam ou para resolver o problema que os gentios haviam criado, que era pensar que Deus havia rejeitado e cortado os judeus dessa oliveira. E Paulo está dizendo que não. Isso não só não é o propósito de Deus para você, isso como não era o propósito de Deus quando ele fez a aliança no começo dessa história da redenção, por meio do nosso pai Abraão, que foi constituir uma família de todos os lugares e de todas as etnias. O final dos versículos 16 e 17 formam a verdadeira resposta para o que Paulo levanta como questionamento no versículo 1 do capítulo 4, Deus declara: "Eu transformei em pai de muitas nações". É isso que está lá em Gênesis 17:5. Paulo entendeu isso como uma afirmação de que a família por excelência prometida a Abraão jamais pretendeu ser formada simplesmente por uma única nação, mas formada a partir de todos os povos. É por isso que nós podemos afirmar, como o próprio Paulo afirmou, que Abraão é o pai de todos nós. Afirmação que está no final do versículo 16. Como é que surgiu todo esse argumento de Paulo? Por que é que Paulo leu Gênesis 15:17 e entendeu essas coisas significando aquilo que ele coloca aqui na pessoa de Jesus da forma como ele está desenvolvendo agora? Paulo faz isso porque ele retoma algumas passagens antigas e afirma que tudo que está relacionado com o que aconteceu a Abraão e aquilo que aconteceu a Jesus ou aconteceu por meio de Jesus, na verdade está relacionado com o poder de criação do próprio Deus. Deus é o Deus que dá vida aos mortos e chama à existência coisas que não existiam até então. Paulo parece estar se referindo tanto a judeus que eram filhos da ira como o restante da humanidade. É o que ele vai afirmar sobre os judeus em Efésios 2:3. Como também Paulo parece estar se referindo aos gentios, que são povos completamente fora da aliança e são trazidos para o interior da aliança a partir de lugar nenhum. É por isso que essa expressão é tão forte no versículo 17. Deus está trazendo a existência coisa, coisas que não existiam. Deus está tornando filhos aqueles que eram seus inimigos. Deus está transformando em vida aquilo que foi a morte produzida pelo pecado do povo de Israel. Por isso é que Paulo está amarrando todas essas todos esses fios e todas essas pontas soltas na pessoa de Jesus da forma como ele está fazendo. Isso sempre foi a forma como o poder o poder criador de Deus agiu desde o começo da criação. Agiu desde o começo da história da redenção de todos os povos. É isso que Deus estava planejando lá atrás por meio de Abraão. E é isso que ele está completando agora na pessoa de Jesus. Por isso que Paulo não está tirando da cartola um argumento que ninguém podia prever. Desde que a pessoa de Jesus é revelada e a justiça de Deus é revelada na fidelidade obediente de Jesus. O que Paulo está dizendo é: era inevitável chegar a essa conclusão. Ainda que não fosse intuitiva essa conclusão, a única maneira da gente compreender o que acontece na pessoa de Jesus é compreendendo que Deus sempre planejou que as coisas fossem assim. O propósito de Deus não foi mudado quando Jesus veio para incluir os gentios naquilo que inicialmente era o plano de Deus apenas para os judeus. Não, os judeus sempre foram um povo que estava destinado a ser um povo de sacerdotes. E apesar da infidelidade do povo, a fidelidade do Messias cumpriu a missão de Israel. E aquilo que Deus desejava quando fez uma aliança com Abraão se cumpriu na fidelidade do Messias. Então, aí a gente consegue prosseguir um pouco mais e perceber o que Paulo vai desenvolver do versículo 18 em diante. A fé e a esperança de Abraão são coisas inimagináveis. É uma realidade completamente absurda. E é precisamente a partir do absurdo da fé de Abraão que se dá o início da família da aliança, que se dá o início da história do povo de Deus. Todo mundo sabia na época de Abraão, na época de Paulo e até mesmo na nossa época em que muitas coisas já mudaram, mas isso permanece sendo uma realidade muito desafiadora. Mas em especial no contexto de Abraão, que uma pessoa que não teve filhos até os 50 anos de idade, muito provavelmente permaneceria sem filhos pelo restante da sua vida. Quanto mais um casal em que o homem tinha 100 anos de idade e a mulher tinha uma idade próxima a isso, foi justamente para eles, para esse casal que já estava muito além da possibilidade biológica de ter filhos, que Deus fez essa promessa. Vocês terão filhos tão numerosos quanto as estrelas do céu ou os grãos de areias nas praias. Essa é a promessa retomada aqui em Romanos 4:18. Assim será a sua família. De acordo com Gênesis 15:5. Foi nessa promessa que Abraão creu quando o versículo seguinte de Gênesis 15 afirma que ele creu e isso foi calculado a seu favor ou isso foi creditado a seu favor em termos de ser declarado certo ou foi calculado a seu favor como a base do seu pertencimento à aliança. Ainda que seja tudo isso uma palavra só no grego, a ideia, como a gente colocou no começo, é o fato de que Deus [roncando] declarou, calculou, acreditou que Abraão agiu da forma correta. Abraão agiu como o homem justo e certo, significa que Abraão estabeleceu ou estava em aliança com Deus. Abraão respondeu corretamente à voz de Deus e isso foi o que firmou a aliança entre Abraão e o próprio Deus. A fé. Essa foi a fé no núcleo da família inicial. A fé no Deus que prometeu e cumpriu coisas completamente impossíveis de se acreditar por qualquer possibilidade razoável. A afirmação de ter fé contra toda a esperança significa, dentre outras coisas, que Abraão confiou contra toda a probabilidade, contra todos os sinais do seu próprio corpo, do corpo da sua esposa, da possibilidade de que já velhos eles não teriam um filho, mas teria uma multidão de filhos. Abraão creu. E a maneira como Paulo coloca isso aqui, contra toda a esperança, mas ainda com esperança, Abraão creu que se tornaria o pai de muitas nações. A forma como Paulo descreve isso é muito mais do que a descrição de uma confiança heróica. E esse é um ponto que eu gostaria de enfatizar, porque eu acho que esse é um paralelo muito poderoso na maneira com que Abraão, eh, perdão, na maneira como Paulo constrói Romanos como um todo, mas em especial como Paulo constrói o seu argumento aqui em Romanos capítulo 4. O fato de Paulo ter descrito essa absurda, essa improvável e quase impossível fé que Abraão teve é a maneira de descrever a inversão completa da degeneração da raça humana que ele apresenta em Romanos capítulo 1. Lembra das primeiras aulas que a gente teve eh em Romanos capítulo 1? Boa parte das aulas ali foram, na verdade teve uma aula dedicada a essa passagem foi Jonatas que deu, se eu não me engano, foi a aula de número quatro. que era justamente para mostrar esse processo de degradação no qual entrou toda a raça humana, gentios e judeus, e o aprofundamento dessa queda. A maneira como Paulo descreve a atitude de Abraão aqui é a inversão da maneira como ele descreve a condição da humanidade lá. O que Paulo afirma em Romanos capítulo 1:20 em diante, ele apresenta de maneira inversa em Abraão. Na fé que Abraão teve e na fé que nós temos, semelhante à fé que Abraão teve, os seres humanos são colocados todos juntos novamente e capacitados a redescobrir o que é a genuína vida humana que Deus desejou desde o começo, desde o princípio. existe um uma tradição eh entre os judeus e que alguns estudiosos cristãos resgatam no estudo de Gênesis e da Torá com razão é que Deus enviou Adão e deu errado. Não entrando na ideia de que ah, Deus não sabia o que ia acontecer, mas não é esse, não é esse o propósito dessa afirmação. A ideia é Deus envia Adão e dá errado. Deus envia Abraão para resolver o problema que Adão criou. É claro que a gente sabe que a história não termina aí. Não é por meio de Abraão que todas as coisas são resgatadas, redimidas, mas é a partir de Abraão que toda essa história é desfeita. E aqui isso parece se tornar muito claro. Aquilo que a gente vê em Adão e na humanidade, em Romanos capítulo 1, versículo 20 em diante, a gente vê como que sendo ainda que inicialmente revertido na vida, na postura e na resposta de Abraão ao chamado de Deus. O paralelo acontece da seguinte forma. Os seres humanos, eles ignoraram Deus, o seu criador. Romanos 1:20 e 25. Abraão creu em Deus como criador e doador da vida. Romanos 4:17. Os seres humanos tinham conhecimento do poder de Deus, mas não adoraram como Deus. Perdão. Romanos 1:20. Abraão reconhecia o poder de Deus e confiou que ele o usaria. Romanos 4:21. Os seres humanos não deram a Deus glória que lhe era devida. Romanos 1:21. Abraão deu a Deus a glória. Romanos 4:20. Os seres humanos deshonraram seus próprios corpos ao adorarem seres não divinos. Romanos 1:24. E Abraão, ao adorar o Deus que concede vida nova, descobriu que o seu próprio corpo recuperava suas forças. Quando ele já tinha 100 anos de idade, mesmo ele já tendo ultrapassado, havia muito a idade de conceber um filho, como a gente conhece muito bem da história como apresentada em Gênesis. Então, veja que não é nada aleatória a forma como Paulo narra a atitude e a fé de Abraão, não simplesmente para fazer um elogio a Abraão, mas para dizer que em Abraão as coisas começaram a ser revertidas diante de toda a corrupção que começou em Adão. Novamente, essa história não encontra o seu fim. E o nosso redentor não é Abraão, mas é a partir do pai da fé que essa história começa a ser completamente transformada por Deus. E aí a gente vai chegar aqui na última parte do nosso texto de hoje, que é o versículo 21 em diante, e a gente percebe algumas coisas relevantes em cada um desses casos, em cada uma das situações que a gente acabou de citar na comparação de Abraão no capítulo 4 com a humanidade no capítulo 1 de Romanos, o resultado é visível. seres humanos deshonrando seus corpos com mulheres e homens deixando suas relações e se voltando para relações entre pessoas do mesmo sexo, como a gente vê em Romanos 1 26 e 27. Por outro lado, encontra a sua contraparte em Abraão e Sara diante de sua confiança nas promessas de Deus. E eles recebem o poder de conceber um filho. Romanos 4 e 19, perdão. Essa ideia de que os os homens e as mulheres que abandonam as suas relações naturais e recebem no próprio corpo a punição por isso, encontra esse contraste muito claro em Abraão e Sara, que creram e recebem no seu corpo a herança do filho da promessa. mais profundo âmago da promessa da aliança de Deus está o cumprimento do mandamento mais fundamental no início de Gênesis, capítulo 1. Você lembra qual foi o primeiro mandamento que Deus dá para a humanidade? O mandamento que surge com a criação de macho e fêmea, a imagem de Deus. Sejam férteis e multipliquem-se. A medida que vamos chegando ao fim de Romanos, capítulo 4, nós percebemos que Paulo está dizendo em larga escala que o antigo sonho judaico foi cumprido. Deus chamou Abraão para desfazer o pecado da raça humana e foi assim que isso aconteceu. Deus é o Deus de uma nova esperança, de uma nova geração, de uma nova criança que é dada a esse casal. Por quê? Porque ele é o Deus que é conhecido na história do seu povo por ser um Deus de recomeços, de novas oportunidades. E mais do que isso, na teologia e nas cartas de Paulo fica claro que Deus é um Deus de uma nova criação. Isso, porém, não ocorreu unicamente através de Abraão. Ele foi um sinal que apontava para um ponto mais adiante, para o início de uma estrada longa e sinuosa e não para o alvo. O alvo em si mesmo foi alcançado em Jesus e nos eventos de sua morte e de sua ressurreição. Até aqui Paulo mencionou essa realidade de forma bem resumida nas palavras logo de abertura. Essa foi uma aula que eu dei quando a gente falou de Romanos, capítulo 1, versículos 3 e 4, como sendo o resumo do Evangelho, o primeiro resumo do Evangelho que Paulo apresenta aqui na carta aos Romanos. E também Paulo fala sobre isso nessa compacta descrição da morte salvadora de Jesus aula passada em Romanos capítulo 3, versículos 24 e 25. No entanto, Paulo está certo de que os seus leitores sabem sobre o que ele está falando, ainda que ele não tenha discutido muito isso até aqui. E ao concluir o seu relato acerca da fé que Abraão possuía, ele traz esse tema de volta. Ele traz esse tema à tona. Ele já descreveu como Deus considera para efeitos imediatos aqueles que creem em Jesus em membros da família da aliança, garantindo que seus pecados foram perdoados. Romanos 3:21 até o 31. Agora, ele está fundamentando isso em termos da própria aliança original. Não é algo que começa simplesmente em Jesus, mas é algo que Jesus é o cumprimento, é o clímax, é o ponto mais elevado. Abraão creu que Deus concederia vida onde não havia vida alguma. Os cristãos creem que Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos, onde aparentemente já não existia vida nenhuma. Em nenhum dos casos há uma atitude de esperteza, uma posição simplesmente intelectual que possibilite evitar olhar o criador face a face e confiar nele contra todas as probabilidades. Não é que Abraão foi muito esperto, Abraão foi muito sagaz. Nos dois casos, tanto na atitude de Abraão quanto naqueles que têm fé em Cristo Jesus, pode haver apenas o reconhecimento sincero de que Deus é Deus. É isso que Abraão fez. É isso que nós fazemos, de que a nossa vida e a vida do mundo inteiro estão nas mãos desse Deus criador, de que ele já deu início a essa nova criação e ele está nos convocando a confiar nele para conduzir essa nova criação e essas novas criaturas até o fim. O último versículo desse capítulo antecipa algo que Paulo vai tratar mais profundamente na próxima sessão, dos capítulo 5 até o 8 da carta. Ele completa cada estágio do seu argumento dessa longa sessão com uma referência a Jesus. Isso não se trata apenas de um gesto piedoso. Ele precisava falar, falar, falar, mas no fim de cada parágrafo ele precisava introduzir o nome de Jesus. Não é isso que ele está fazendo aqui. Ele está ah fazendo algo muito maior. Por quê? Ele demonstra do que se trata todo o argumento que ele construiu até esse ponto. Ele nos reconduz à fonte e ao poder do raciocínio que ele constrói desde o começo da da carta. Nesse caso, Paulo sintetiza o que fundamentou todos os quatro primeiros capítulos. Jesus foi entregue por causa de nossas transgressões. Em outras palavras, todo o mal da humanidade que desfigurou o mundo foi reunido e na cruz foi tratado, punido como merecido, sendo condenado judicialmente. E lembre-se que todo o contexto da carta aos Romanos, em especial a primeira metade desse livro até o fim do capítulo 8ito, é diante do cenário de uma corte, de um tribunal de justiça. Ele foi ressuscitado por causa de nossa justificação, ou seja, nossa declaração como estando certos a afirmação de nossa condição como membros da aliança. Em outras palavras, quando Jesus ressuscitou dentre os mortos, Deus não estava apenas dizendo: "Ele realmente era o meu filho, mas também todos os que creem nele são meu povo." Nessa maravilhosa doutrina de Paulo, nós encontramos uma outra referência muito conhecida, provavelmente a profecia messiânica mais conhecida, que é uma referência ao servo sofredor de Isaías, capítulo 53. Aquele que vai fazer muitos justos e levar embora suas iniquidades. A primeira grande sessão de Romanos termina com Paulo dizendo que as promessas proféticas tornaram-se realidade. A fé que Abraão tinha foi afinal justificada. A lei foi cumprida. A idolatria humana, o pecado e a morte foram enfrentados de uma forma decisiva. Deus enviou seu próprio filho como Messias, o representante fiel de Israel, a fim de fazer por Israel e pelo mundo o que não puderam fazer por si próprios. Aqueles que creem no evangelho, nas boas novas de Deus a respeito de seu filho, recebem a garantia de que são o povo da nova aliança, a única família universal que foi prometida a Abraão desde o começo da história da redenção humana em Gênesis capítulo 15. Claro que a história da redenção humana começa em Gênesis capítulo 3, logo depois da queda, quando Deus promete um descendente de mulher que esmagaria a cabeça da serpente. Mas essa história encontra um contorno mais definido e o cumprimento dessa promessa a partir da vocação que Abraão recebe. E logo no começo da vocação está essa afirmação de uma família universal que a partir das transgressões que são colocadas sobre o corpo de Jesus, esse pecado que é condenado no corpo de Jesus, nós podemos agora ser chamados e convocados como gentios e judeus ou na ordem temporal mais adequada, judeus e gentios para essa única família da fé. Bom, pessoal, era isso que eu tinha separado e acredito ser de muita relevância pro restante do nosso estudo de Romanos, eh, que eu preparei para a nossa conversa aqui. Por que que tudo isso é importante? Ao meu ver, todas essas discussões sobre a o que é que define a família da fé, a verdadeira família de Abraão, tem todo tipo de impacto, não apenas para aquilo que Paulo vai desenvolver ao longo da carta, mas para a nossa própria autocompreensão e a identidade que nós temos em Cristo. Essa não é uma história que começa a partir de Jesus novamente. essa história que encontra o seu ponto mais elevado em Jesus, mas que Deus vem construindo desde o começo da humanidade e em especial desde a vocação de Abraão. Tomando um ponto que a gente colocou várias vezes na nossa conversa, somos todos feitos filhos de Abraão por meio do nosso Messias Jesus, porque a semelhança de Abraão nós cremos e isso nos foi calculado como certos, como membros dessa família. Ah, bom, vamos então aqui para as nossas perguntas. Deixa eu ver aqui que que tem de pergunta. A Patrícia faz uma pergunta um pouco mais genérica aqui, ó, e pela primeira vez aqui. O que significa macário? Macários é bem-aventurado. É a palavra que Jesus usa lá no sermão do monte Mateus, capítulo 5, para falar: "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados". Esse bem-aventurado, Patrícia, é Macários. A Marlene lembrou de uma música que eu sabia que seria eh eu sabia que seria mencionada aqui no chat. Abraão tem muitos filhos. Muitos filhos ele t. Eu sou um, eu sou um deles e você também. O que é interessante, Marlene, é que essa música, para mim é é a exceção daquilo que são os nossos argumentos a respeito da nossa condição de sermos filhos da fé, de sermos membros do povo de Deus. De forma geral, os cristãos não refletem nisso que Paulo coloca aqui, que da mesma forma que o judeu, do ponto de vista étnico, é filho de Abraão, eu também sou filho de Abraão. Porque filho de Abraão não é aquele que descende do ponto de vista biológico e não é aquele que é circuncidado, mas é aquele que crê e que tem fé e que tem fidelidade ao Deus verdadeiro. Então eu acredito que essa música aparentemente inocente deve nos apontar uma realidade e uma carência maior que nós temos na reflexão cristã, não só no Brasil, mas no ocidente. Não sei como isso funciona na teologia oriental, de compreender o que significa que nós fomos feitos filhos de Abraão, que nós somos descendentes de Abraão por meio da fé. Eu acho que isso tem um lugar especial na nossa reflexão e na nossa identidade, sem querer cavar demais aquilo que talvez não fosse o assunto da aula, mas eu acho que tem uma relação próxima, o fato de que existem muitas igrejas com práticas judaizantes. Uma coisa é nós reconhecermos a história da fé como tendo sido eh fundamentada a partir da história dos judeus, da história de Israel. Jogar isso fora é jogar fora qualquer possibilidade de dar significado em um sentido coerente para o Novo Testamento. Não dá. Mas outra coisa é acreditar que nós precisamos, assim como Paulo vai rebater frontalmente, ser circuncidados, guardar o sábado, guardar regras alimentares, voltar a lei como uma forma assim de nos tornarmos novamente membros plenos, membros mais elevados, membros mais maduros. daquilo que é o verdadeiro povo de Deus. Esse nunca foi o propósito da lei. A lei, na verdade, nos condena, não porque ela é má, mas porque nós somos maus. e não estabelecer aquilo que deveria ser a prática e a exigência pro povo de Deus por um tempo indefinido. Então, eh, eu acho que muitos dos problemas que nós temos hoje na Igreja Evangélica Brasileira, que passa em alguns contextos por um processo de judaização, muitos cristãos que parecem ter abandonado a sua fé para abraçar o judaísmo se dá dentro de uma realidade em que a igreja falhou e tem falhado de criar a ou de ensinar e compreender a relação adequada. que existe entre Abraão, o pai da fé, e aquilo que são judeus e gentius como parte dessa família da fé, a família de Abraão, esse senso de identidade que vem pela história de Abraão e que cabe a todos nós que somos genti e que temos fé. Da mesma forma que por uma obviedade cabe a um judeu que crê em Jesus como Messias. Então, esse lance da gente ser filho de Abraão é uma fonte de identidade muito muito valiosa e que precisa ser bem compreendida para não virar um outro evangelho, como tem acontecido em muitos contextos. Aliança perpétua é a aliança de Abraão até Jesus voltar. Eu acredito, Fernanda, que a aliança que, como a gente argumentou ao longo de toda a aula, Deus faz com Abraão, se cumpre na pessoa de Jesus. O fato de que os gentios podem ser incluídos no povo de Deus como descendentes de Abraão é o pleno cumprimento daquilo que Abraão recebeu como promessa em termos de ter uma grande descendência. Mas Paulo lê as promessas dadas a Abraão, que no Antigo Testamento estão para um um pedaço de terra bem definido, uma região geográfica bem definida. Paulo relê isso em Romanos 4:13 para abarcar todo o mundo. Então, assim como existe a expansão do povo, existe uma expansão da promessa em termos de herança geográfica, que é toda a criação será dada ao povo de Deus, mas não o povo de Deus novamente, apenas como os judeus descendentes étnicos de Abraão, mas judeus e gentios reunidos em Cristo Jesus. E é isso que Paulo vai tornar muito explícito em Romanos capítulo 8 do versículo 18 até o 25. A gente vai chegar lá. Eu acho que esse é um dos pontos mais elevados e mais importantes dessa conversa, mas vale a pena adiantar isso aqui. Vamos ver que mais que tem aqui. Ó, o Edur faz uma observação interessante. Ah, no versículo 18, Paulo diz que Abraão creu contra toda esperança ao descrever que Abraão não ignorou o fato de seu corpo está amortecido quase 100 anos. Paulo está sugerindo que a fé bíblica não é um otimismo cego que nega a realidade, correto? Mas uma confiança que encara os fatos e escolhe crer mesmo assim. ou ah, é uma pergunta no fim das contas, mas uma confiança que encara os fatos e escolhe crer mesmo assim, como essa distinção muda a nossa forma de lidar com as promessas não cumpridas? Muito boa pergunta, Edu. Eu acredito, como a gente colocou no final da nossa aula, que querer contra toda esperança, mais do que simplesmente fazer uma aposta, é o reconhecimento de Abraão de que ele está diante do Deus verdadeiro, de que ele não estava recebendo uma revelação supostamente como as outras divindades, que ele conhecia muito bem do seu contexto eh original lá em Urdos Caldeus, em que praticamente toda a história da humanidade e a história dos povos de onde do povo de onde Abraão veio é esse contexto de politeísmo. Ele sabia que isso não era simplesmente mais uma experiência mística. Isso não parecia ser mais uma divindade que talvez controlasse o rio, a terra ou qualquer outra da qual eu dependesse paraa minha sobrevivência. Abraão, pela forma como ele responde à voz de Deus, parece ter compreendido muito bem que ele estava diante do Deus verdadeiro. Ele parece ter compreendido muito bem que aquele de fato era o criador dos céus e da terra. Então, independentemente das condições adversas às quais esse Deus está me convocando e me chamando para crer, independente dessas condições, eu vou crer. Porque se eu creio que ele é o Senhor que fez os céus e a terra, ele foi o Senhor que soprou vida aos seres humanos, então certamente ele tem poder para me dar um filho, ainda que eu tenha 100 anos de idade e minha esposa não seja muito mais nova do que isso. Então existe até uma razoabilidade nisso, existe uma racionalidade nisso, mas essa racionalidade ela vem a partir do ponto da convicção, de uma resposta sincera. de que eu de fato estou diante desse Deus e de que eu sou chamado a crer e creio nele. Se eu creio nesse ponto de partida, as outras coisas não se tornam fáceis e nem simples, mas se tornam muito mais razoáveis crer nelas diante da crença que eu tenho nesse Deus. E eu acho que essa é a postura necessária para o povo de Deus. que Deus está convocando o povo de Israel em todas as profecias de grande livramento que ele dá e promete que vai realizar quando o povo de Israel não tinha qualquer possibilidade de garantir que eles conseguiriam resistir aos povos opressores que traziam ameaça. apenas para falar das promessas de salvação diante das várias ameaças militares eh e políticas que o povo de Israel teve que lidar em vários momentos da sua história. Da mesma forma, essa compreensão de que Deus daria um rei da descendência de Davi, que restabeleceria a grande glória de Israel e, na verdade, traria uma glória muito superior àquilo que foi a própria glória desfrutada por Davi e Salomão. Então eu acho que essa postura de fé de Abraão não é só um exemplo para o povo de Israel e para todos os filhos, judeus e gentius que Abraão passa a ter por meio da fé. É o ponto de partida, é o fundamento mais básico, é aquilo que Paulo vai desenvolver ao longo de toda a carta de que a fé é a maneira como nós respondemos a essa fidelidade de Deus em cumprir as suas próprias promessas. Então, é é o fundamento de toda a relação entre Deus e a humanidade, né? Bom, pessoal, nós não tivemos muitas perguntas na aula de hoje. Eu acredito que eu respondi as perguntas que apareceu aqui no chat. De qualquer forma, eu agradeço o tempo de vocês que permaneceram até o fim. E novamente reforço, esse é um capítulo fundamental em que Paulo conclui o capítulo 4 pra gente iniciar uma outra sessão muito importante que é Romanos 5 até o capítulo 8 da carta aos Romanos. Muito obrigado pelo seu tempo, pela sua atenção. A gente aguarda vocês aqui na próxima terça-feira pra gente conversar sobre Romanos capítulo 5, tá bom? Ah, Deus abençoe a todos vocês. A gente no canal da Iben volta aqui com programação. Amanhã a gente vai ter uma live do Tesouro Azul. Tô falando isso no dia 26 de março. Então, quem assistir no futuro de 2026, esteja orientado aí no tempo e no domingo a gente também tem a nossa celebração aqui no nosso canal, tá bom? Um forte abraço a todos, até o nosso próximo encontro. Ciao. Ciao.