Mal-Estar é o Novo Normal | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 220
14/03/2026
Mal-Estar é o Novo Normal | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 220
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Walter McAlister é Bispo Primaz da Aliança das Igrejas Cristã Nova Vida, graduado em Psicologia pela Oral Roberts University e em Estudos Bíblicos pela Eastern Pentecostal Bible College e "Mestre em Teologia pela Reformed Theological Seminary". Foi pastor das igrejas de Nova Vida do Méier, Engenho Novo, Botafogo e Catedral. É casado com Marta e possui dois filhos, Pastor John McAlister e Andrew.
História da Igreja Cristã Nova Vida:
Historicamente consciente
Somos herdeiros de mais de 2.000 anos de testemunho das gerações de cristãos que nos antecederam na fé. Embora não possamos nem devamos imitá-los em todos os aspectos, cremos que há muita riqueza a ser apreciada e resgatada na história da Igreja.
Por isso, em nosso culto a Deus observamos várias das práticas cristãs históricas que consideramos valiosas para fortalecer a fé da Igreja: a confissão do Credo dos Apóstolos (o resumo da fé cristã), a oração do Senhor (“Pai Nosso”), a celebracão semanal da Santa Ceia e a simbologia da Cruz (o símbolo chave do Cristianismo).
Protestante e Reformada
Dentre todas as vertentes históricas do Cristianismo, nos identificamos principalmente com as doutrinas da Reforma Protestante, dentre as quais: a autoridade final das Escrituras Sagradas (Sola Scriptura); a mediação suficiente e exclusiva de Jesus Cristo entre Deus e a humanidade (solus Christus); a necessidade e exclusividade da graça para salvar pecadores (sola gratia); a resposta necessária e suficiente do arrependimento e da fé em Cristo para a salvação (sola fide); a atribuição de glória exclusiva a Deus por toda a obra da Criação, Redenção e Consumação da História (Soli Deo Gloria); e o sacerdócio compartilhado de todos os cristãos na vida e no ministério da Igreja.
Pentecostal de experiência
Finalmente, somos filhos do movimento missionário Pentecostal do século 20 e fruto da obra missionária do Bp. Roberto McAlister, fundador da Igreja Cristã Nova Vida no Brasil em 1960.
Cremos no papel indispensável do Espírito Santo no cumprimento da missão da Igreja, desde a proclamação do Evangelho até a operação e o desenvolvimento da salvação na vida do crente, incluindo a geração do fruto do Espírito e a concessão dos dons espirituais para a edificação de toda a Igreja.
Nossa missão:
Ir ao mundo e fazer discípulos, proclamando o Evangelho de Jesus Cristo, no poder do Espírito, e reunindo esses discípulos em igrejas, para que eles adorem o Senhor e obedeçam aos seus mandamentos, agora e na eternidade, para a glória de Deus, o Pai. [extraído de Kevin DeYoung & Greg Gilbert, Qual a Missão da Igreja?, p.82]
Nossos valores:
Adoração
A motivação principal da Igreja é render glória e honra ao Senhor, desde o culto fervoroso e reverente a Deus até o serviço no mundo, tanto coletivamente como individualmente, seja no ajuntamento dos salvos ou na devoção familiar e particular.
Proclamação
A tarefa principal da Igreja é proclamar toda a Palavra de Deus a todos os homens para o homem todo, dando testemunho do Evangelho de Jesus Cristo por meio da proclamação fiel e do ensino sistemático das Escrituras Sagradas.
Comunhão
O resultado necessário da proclamação e da rendição ao Evangelho é a vida em comunhão com a Igreja do Senhor Jesus, marcada pelo amor mútuo e pela disciplina característica dos discípulos de Cristo.
Testemunho
O testemunho da Igreja é composto do compartilhamento do Evangelho como também de uma vida condizente com este Evangelho daqueles que professam o Senhorio de Jesus Cristo.
Serviço
O testemunho da Igreja envolve também o serviço prestado por cada crente à Igreja e como Igreja, mediante a mordomia tanto das nossas palavras e do nosso tempo como dos nossos recursos e talentos.
Fonte: Bp Walter McAlister
Legendas automáticas:
Non, domine Cristo [música] se nomine se nome. Quando falo com pessoas sobre como elas estão e como vem o mundo atual, há um consenso. Tudo mudou. Nada é como foi antes de 2020. Mundo mudou em 2020, de para cá. Mudou a nossa percepção das coisas. Aliás, perdemos noção das coisas, não entendemos o que está acontecendo. Nunca vimos tantas pessoas com câncer, crianças estão enfartando na frente da televisão. Quantas pessoas não estão sofrendo de estress, tromboses, miocardite? O que os negacionistas previram agora está acontecendo. Mas ninguém quer enxergar o quanto nós fomos enganados. Sofremos uma lavagem cerebral em massa e até hoje nos recusamos a enxergar o que está perante os nossos olhos, que é óbvio. É como se nós fôssemos intencionalmente cegos. Só que não é isso, não. O mal-estar é o novo normal. Poucos realmente se sentem bem. Poucos conseguem enxergar claramente o que está acontecendo ao nosso redor. Mas isso tem uma razão simples. Nós não percebemos a realidade, não vivemos dentro da realidade, mas de uma matriz de narrativas que nos dizem o que é a realidade. Essa matriz não é o resultado acidental de uma combinação de tecnologias que convergiram para criar um cenário complexo e desconectado. Não, essa matriz é intencional. Somos alvos intencionais de um esquema intencional. Esse sistema intencional vem de cima para baixo. Nós somos os cobaias dentro de um labirinto de construção humana. Não vivemos no mundo real. Nossa mente, pelo menos, não vive no mundo real. O que nós consideramos real não é, pense bem. Quando saímos de férias, temos mais contato com a natureza. Se fizermos um pouco de turismo, acabamos encontrando coisas reais, bosques, praias, o sol. Aos poucos o estresse vai diminuindo, vai passando, perdemos noção do tempo, começamos realmente a relaxar, sentimos o vento no rosto, ouvimos sons da natureza, pássaros cantando, mas tudo chega ao fim, pois temos que voltar. E frequentemente se ouve o veredito. É hora de voltar à realidade. Mas que realidade é essa? É uma realidade fabricada. Vivemos em lugares fabricados. Andamos em ruas fabricadas dentro de veículos fabricados. Assistimos o mundo por meio de aparelhos fabricados. As histórias que assistimos, assistimos são fabricadas. As notícias são fabricadas. Não, não que não sejam baseados em fatos, mas a narrativa é fabricada. As emoções geradas por tudo isso também são de fabricação humana. Nada é realmente natural, portanto não é real. Nós não vivemos na realidade. Não há nada natural em encher sua pele de tinta ou de piercings. Não há nada natural em pintar seu cabelo de vermelho ou azul. Não há nada natural em andar com seu nariz colado num aparelho de vidro pelo qual você pensa estar informado, assistindo bombas do outro lado do mundo. Isso não é natural, isso não é real. Nós não somos informados, somos mantidos sob controle. Nossa mente é mantida em neutro até que a narrativa nos avise que devemos ser engajados ou numa campanha ou num ato de consumo. Os aparelhos ditam a hora e a maneira que temos que ficar inconformados e revoltados ou ficarmos calmos. Temos opiniões fortíssimas sobre coisas que não entendemos. Sabemos quem é o inimigo, pelo menos achamos saber o quem é o inimigo e como devemos nos sentir sobre ele. E em tudo isso, somos mantidos num estado alterado de medo e apreensão e separados uns dos outros em tribos gerenciáveis pelos que fabricaram a nossa realidade. Isso não tem nada de natural. É uma fabricação. É uma fabricação nefasta e coordenada. Políticos fazem pronunciamentos, celebram vitórias que nada tem a ver com a nossa realidade. Somos inundados com dados do IBGE e tantos outros órgãos de comunicação que pouco entendemos e que só geram mais confusão, ansiedade e medo. Quando o nosso mundo interior não reflete o mundo real, o que fica é o mal-estar. Esse malestar se tornou a norma, o novo normal. E consequentemente somos uma geração que vive em busca de alívio. Queremos alívio não momentâneo como de um show, um culto, show de bola, uma igreja descolada. Buscamos um alívio mais transcendente, mais além do mundo. Só que só temos o mundo dentro do qual podemos buscar isto. E o mundo sempre desaponta, nos ocupa, nos fascina e nos desaponta sempre, sempre, sempre. Nos anos 60 havia uma piada hip que virou Xavão. Parem o mundo, pois eu quero descer. Muitos tentaram por meio de sexo, drogas e rock and roll. Os filhos daquela geração estão mais perdidos do que segue o tiroteio, do que pipoca na boca de um banguela. Tatuam sua pele, pintam seu cabelo, tentam criar uma identidade, pois não sabem quem são. Vão para a academia para tentar ser atraentes, segundo os padrões que se acham só em filmes de ação e vivem pendurados em redes sociais para tentarem uma conexão humana e que as redes nunca entregarão. contam os likes para se sentirem relevantes, mas no íntimo sabem que mesmo com pessoas aprovando suas fotos mais recentes das pizzas que comeram, suas vidas continuam vazias. É o malestar que é o novo normal. E na igreja não é muito diferente não. Sim, pois na maioria dos jovens da igreja, dentro da igreja estão está vazia e procurando alguém para encher o buraco no seu peito. Mas esse buraco ninguém preenche com o mundo fabricado. Jesus disse: "Vinde a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, por não dizer estressados. E como a está, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu julgo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para vossa alma, porque o meu jgo é leve, é suave, né? E o meu fardo é leve. O que alivia não é uma experiência, é um julgo. O que dá descanso para a alma e abate o mal-estar não é mais algo para assistir, mas é uma vida seguindo os passos do mestre. Isso não acontece num smartphone ou numa igreja show de bola. Isso acontece com oração no lugar secreto, com sua porta fechada. Isso acontece no silêncio com Deus, na obediência simples às palavras de Jesus. Perdoe quem te ofende. Ame os seus inimigos. Livra-se da corrupção e imundícia deste mundo. Arrependa-se do seu modo egoísta de viver e tome a sua cruz e siga-me. Ajude alguém. Ligue para alguém que está solitário. Visita alguém que está encarcerado. Isso é fé raiz. Isso alivia. Isso é fé a moda antiga. Isso desestressa. É cristianismo sem luzes, sem solos de guitarra, sem frisson, sem o selfie, sem celebridades, sem tudo isso. Esse tipo de fé é mais parecido com um passeio na praia do que uma noite de chor arrebatador. É mais parecido com o silêncio no meio da floresta do que o furor de uma multidão estanecida com o cantor gospel da hora. É mais parecido com duas pessoas sentadas sem telefone na mão, falando cara a cara, orando juntos, chorando juntos, rindo juntos, trocando palavras verdadeiras. É mais parecido com uma Bíblia de papel na mão sendo lida. tranquilamente do que uma tela de aplicativo bíblico. Esse tipo de jornada não pode ser compartilhada num selfie ou num post TikTok. É algo que atinge o lugar mais íntimo da nossa alma e que frequentemente não se traduz em palavras com muita facilidade. É sentida, é uma é algo real. O mal-estar não precisa ser o normal. Só faz isso porque deixamos. Ficamos ligados na chupeta eletrônica, essa essa maquininha infernal que jorra estress, medo, caos, distração, rouba o nosso tempo e destrói nossa capacidade de pensar com clareza 24 horas por dia. Eu acabei de de apagar Instagram do meu telefone porque eu finalmente cheguei à conclusão que não tem uma coisa de virtude que passa por aquilo. É hora de arrancar o plug. Temos que arrancar o plug, tirar da tomada, encarar o tédio, porque vai ter tédio inicialmente, e abraçar o silêncio e voltar a ser um ser humano. Um ser humano. É isso. Antes de ir para você que fica comigo até o fim, quero te lembrar que a cada dia, cada um de nós que cremos em Jesus Cristo, tem Deus para glorificar. Jesus para imitar, salvação para desenvolver com temor e tremor um corpo para glorificar a Deus. Pecados para confessar virtudes para adquirir, o inferno para evitar, o céu para alcançar. Eternidade para não perder de vista, tempo para remir, vizinhos para servir, um mundo para desfrutar, mas a criação para cuidar também. Ofensas para pacientemente suportar, bondades para voluntariamente praticar, justiça para almejar, tentações para vencer e a morte para possivelmente sofrerem em tudo isso, o amor de Deus para nos sustentar. É isto. Eu volto até a próxima. A paz.