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A fé vem pelo ouvir

O violino e o luthier

O violino e o luthier

O violino e o luthier

João 16.24

Legendas automáticas:

16:24,
que diz assim: "Até vocês não pediram
nada em meu nome.
Peçam e receberão
para que a alegria de vocês seja
completa. Até agora vocês não pediram
nada em meu nome.
Peçam e receberão para que a alegria de
vocês seja completa. Amém. Amém.
>> Bom, eu vou contar uma história que não
é inventada, é a mais antiga de todas as
histórias.
>> Ela Oi,
>> vou daqui a pouco eu te dou um toque lá.
Então, não é uma história inventada, é a
mais antiga de todas as as histórias.
Na verdade, ela é mais antiga do que o
tempo,
porque ela começa antes que o tempo
existisse,
mas tem personagens reais e cenas que a
gente vai reconhecer
e um final que ainda tá acontecendo e tá
acontecendo agora aqui enquanto a gente
respira.
E essa história ela começa com um
lutier. Lutier é
o artesão que fabrica instrumentos de
corda, violinos, violas, viol
violoncelos.
São pessoas que passam
muito tempo, muitos anos aprendendo que
tipo de madeira envelhece de modo certo,
qual a espessura
perfeita pra tampa, como curvar as
laterais no vapor sem que a madeira
parta.
Então, não é um ofício apressado,
é desses ofícios que são muito difíceis
nos dias de hoje, porque os dias de hoje
são os dias da pressa, não é? Então, eh,
o Lutier continua sendo um serviço que
de artesão, de artista,
leva tempo aprendendo a espessura
perfeita, como curvar as laterais.
E isso é feito no vapor, de modo que a
maneira, a madeira não parta. Então não
é um ofício apressado,
é um ofício de amor,
daquele tipo de amor que tem paciência
suficiente para esperar o verniz secar
ao sol, camada por camada, sem atalhos.
Mas a parte mais secreta do ofício
é aquela que os aprendizes
levam
eh muitos anos para aprender.
É que a nossa imagem
não consegue competir com tanta luz, né?
Mas a a parte mais secreta é aquela que
os aprendizes levam muito tempo, muito
tempo para aprender.
Eh, aprendem depois de muitos anos e que
nenhum manual consegue descrever por
inteiro. É uma peça chamada alma
que tá lá no violino,
que ah,
fica dentro do violino, lógico. A alma é
um pequeno cilindro de madeira que fica
dentro do violino,
encaixado entre a tampa e o fundo.
E ele, ela fica numa posição que tem de
ser precisa, calculada com milímetros de
precisão.
E ela não aparece.
Não aparece. Ninguém a vê quando o
instrumento está pronto. Nós temos
violinistas entre nós, vocês já os viram
executar aquele instrumento maravilhoso
e você não viu a alma aparecendo. Ela tá
escondida no no violino. Então, ninguém
a ver quando o instrumento está pronto.
E você pode segurar o violino, admirar o
verniz, passar os dedos nas cordas sem
nunca saber que ela existe.
Mas é ela que transmite a vibração de
uma face a outra do violino. É ela que
faz um instrumento ressoar como um todo.
E é ela que transforma o simples atrito
de um arco numa voz.
uma pecinha escondida no violino. E não
é à toa que ela é chamada de alma.
Sem a alma no lugar certo, o violino tem
forma, tem cordas, tem verniz, mas não
tem sol.
Existe, mas não vive.
Tem tudo. Você que é leigo como eu, vai
tomá-lo nas mãos e dizer: "Este é um
violino". Mas se chegar um virtuoso e um
violinista, ele vai tocar e vai dizer:
"Tá faltando a alma,
>> não tem som.
>> É, exatamente. Então você talvez conheça
esse estado na vida de muita gente, que
gente que existe sem viver.
tem a forma de tudo, tem família, tem
trabalho,
tem religião,
inclusive diz ter fé
e diz que sente eh eh alguma coisa, mas
a hora que você se aproxima,
ah, você percebe que tem algo essencial
nessa pessoa que tá fora do lugar
e que a nota que ela produz
não ressoa como deveria.
Talvez você já tenha visto alguém assim,
talvez você no passado se experimentou
assim.
Ah, parece que tá tudo OK. Eu tenho
família, tenho trabalho, tenho até
religião e tenho até fé, eu acho.
Mas o som tá errado.
O som tá errado. Não ressoa como
deveria.
Então esse estado
é um problema de alma
e talvez você conheça a gente assim e
talvez você já tenha se visto assim no
passado. Então certa vez um lutier
construiu um instrumento diferente de
tudo que havia feito antes.
Ele escolheu cada pedaço de madeira como
se estivesse escolhendo um filho.
curvou as costelas com paciência de quem
não tem pressa.
Envernizou camada por camada,
esperando cada uma secar ao solo.
E quando chegou a hora de colocar a
alma, o momento mais delicado de todo o
processo, mais delicado de todo o
processo, o Lutier não usou nenhuma
ferramenta,
usou as próprias mãos.
soprou
sobre a alma antes de encaixá-la
>> e disse baixinho, como quem conta um
segredo entre duas pessoas que se amam.
Agora você e eu estamos juntos para
sempre.
O instrumento ficou pronto
e quando Lutier passou o arco nas cordas
pela primeira vez,
o som que saiu não era apenas som,
era presença.
O som que saiu daquele instrumento não
era só,
era uma presença.
As paredes do atelier responderam ao
som.
O ar ficou diferente
e o Lutier, que havia feito centenas de
instrumentos,
sentiu algo que nunca havia sentido
antes, que aquele violino não havia sido
apenas fabricado,
que aquele violino havia sido criado
para estar com ele, o Lutier, para tocar
com ele, para ressoar. a frequência que
somente ele, o seu criador podia
produzir.
Esse instrumento
era a humanidade
e o Lutier era triunidade,
pai, filho e espírito santo.
criaram
algo para estar em unidade com a
Trindade,
a humanidade
por um tempo,
um tempo sem medida,
antes que o tempo fosse contado,
um instrumento e o Lutier viveram
viveram juntos.
E a música que faziam juntos era
diferente de qualquer outra coisa no
cosmos.
O cosmos jamais ouvia
algo tão sublime e antes nunca havia
ouvido algo tão sublime. Nada tão
sublime como aquilo. Era a reverberação
da própria alegria do criador.
A reverberação da própria alegria do
criador, se tornando som dentro da
criatura.
O universo parava para admirar
>> o som
divino
>> que só a humanidade conseguia ressoar.
A humanidade
não era
apenas tocada, ela participava da
natureza divina.
Então, o som não era o o exercício
de uma execução,
era natural.
A humanidade era coparticipante da
natureza divina, vibrava com a mesma
frequência,
ressoava com o mesmo amor que o Pai tem
pelo Filho e o Filho pelo pai. E o
espírito tem por ambos e ambos têm pelo
espírito desde antes de qualquer começo.
Tinha sido para isso que a humanidade
havia sido criada.
Não para cumprir regras,
não para acumular méritos,
não para ter medo do seu criador,
nem para ficar à distância respeitosa
dele.
Não era para isso que tinha sido criado.
Para isso o quê?
para ressoar com a frequência do
criador, para fazer música com o
criador.
Mas então veio a rebelião.
Não foi uma explosão,
não foi um trovão,
foi algo mais silencioso,
mas também
devastador.
Foi um deslocamento.
A alma do instrumento se soltou do lugar
onde havia sido colocada com tanto
cuidado.
Não caiu para fora, ficou dentro,
mas fora do lugar.
E o violino que havia enchido o universo
de música
se tornou um instrumento mudo.
Ainda tinha forma de violino,
ainda tinha cordas, ainda tinha verniz,
ainda tinha silhueta
exata de tudo que havia sido.
Mas quando o arco tocava as cordas,
o que saía era um som sem corpo,
sem ressonância,
sem vida.
>> Um instrumento existia,
mas havia esquecido como solar,
não sabia mais.
Esse é o ser humano depois da rebelião,
não destruído,
não aniquilado,
mas fraturado em sua parte mais
essencial,
aquela capacidade de ressoar com a
frequência de Deus,
de coparticipar da vida que pulsa entre
o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
participar da vida da triunidade.
A imagem não desapareceu,
mas ficou distorcida
como um espelho
amassado, arranhado,
que ainda reflete alguma coisa, mas
deforma tudo. Tudo tá deformado.
ainda quer amar, ainda quer buscar,
ainda tem uma sensação de adoração,
mas vai buscar as músicas em lugares
onde ela não está e nunca esteve,
no poder
e no controle,
na religião
e na distância que parecia mais segura
do que a proximidade.
Foi isso que o instrumento fez.
não podia negar as suas necessidades,
então precisava
de alguma coisa que o transcendesse.
E foi procurar isso
e começou a achar que isso tava no
poder,
que isso estava no controle. Controle.
Temos de controlar, tem de ter controle.
ou que tava na religião,
mas principalmente que tava na
distância,
na distância segura.
Esse negócio de ficar próximo demais do
criador
pode ser complicado.
E assim, ao longo de gerações, um
instrumento foi passando de geração em
geração
e sendo tocado por músicos diferentes,
produzindo sons diferentes, às vezes até
belos, às vezes terríveis,
às vezes
parecidos com música.
Quase,
mas não exatamente,
>> meu Deus.
Mas nunca, nunca voltou a ressoar com o
som original. Nunca.
>> Porque aquele som original não dependia
de habilidade,
dependia de alma.
E a alma estava fora do lugar.
Talvez muitos de nós
tenha passado anos tentando tocar o
instrumento da vida da gente com mais
habilidade.
Preciso me preciso me controlar mais,
preciso me resolver. Então, mais
disciplina,
mais esforço religioso
e continuamos sentindo que tava faltando
alguma coisa.
E não sei quantos de nós conhece essa
realidade,
mas há uma realidade
que é um silêncio por dentro.
Nada funciona, nada dá certo, nada ea,
nada faz sentido.
É um silêncio por dentro.
Foi assim que a humanidade ficou.
Aliás, o Camava o nosso planeta de o
planeta silencioso,
um planeta cuja voz não sai da sua
circunscrição.
Bom, chegou o dia em que o Lutier então
resolveu vir pessoalmente.
Não para enviar uma carta explicando
como consertar o instrumento,
não para mandar um assistente com
instruções,
não. Ele mesmo desceu do seu atelier,
entrou na oficina barulhenta, empoeirada
do mundo, pegou os instrument o
instrumento nas suas mãos, o violino nas
suas mãos e o levou de volta para dentro
de si. Glória a Deus.
>> Esse é o mistério da encarnação.
>> Glória a Deus.
>> O filho de Deus não se disfaçou de
humano.
Não vestiu a humanidade como uma roupa
que a gente tira ao voltar para casa.
Não. Ele assumiu a humanidade por
inteiro,
com fratura, com peso, com a opacidade
de um instrumento que havia esquecido
como é que devia soar.
entrou nessa humanidade de dentro para
fora.
Como o Lutier que abre o instrumento com
cuidado infinito, desce até a alma
deslocada e com uma precisão que só quem
o fabricou pode ter, recoloca cada fibra
no lugar certo.
>> Glória a Deus.
E aqui está o que faz desta história,
história diferente de todas as outras
histórias de conserto, de arrumação
que você já ouviu. O Lutier não apenas
reparou um instrumento, ele tocou o
instrumento.
>> Glória a Deus.
Por anos, ele passou o arco sobre as
cordas da natureza humana, sentindo
fome,
aprendendo a andar,
fazendo amigos,
chorando diante de uma sepultura,
sendo tentado no deserto,
dormindo num barco durante a tempestade.
Ele sentiu o que a gente sente.
Ele carregou o que a gente carrega.
Em cada nota que tirava daquela natureza
fraturada,
ele mostrava que era possível, era
possível que aquele instrumento
ainda podia soar, eu e você, que a alma
podia voltar para o lugar que lhe é
devido, que a humanidade podia de dentro
de si mesma
ressoar com a frequência do pai.
Não porque a fratura havia desaparecido,
mas porque o próprio Lutierra estava
executando e em suas mãos mesmo um
instrumento fraturado produzia música.
Mas antes disso aconteceu uma coisa
muito interessante. Antes da encarnação,
antes de Jesus viver tudo que viveu,
como nós vivemos, aconteceu uma coisa
muito interessante, muito antes lá no
Monte Sinai,
porque essa aqui não é uma história em
linha reta. Então vamos fazer um desvio
longo,
um desvio que durou séculos.
e que a gente precisa entender para
perceber o que Jesus tá dizendo quando
ele chega no cenáculo, que é o texto que
nós lemos. Vocês ainda não pediram nada
em meu nome. Peçam para que a alegria de
vocês seja completa.
Pois é, lá no Sinai,
antes da encarnação, muito antes da
encarnação,
o Lutier havia tentado uma aproximação
direta.
Muito antes, ele desceu sobre o Monte
Sinai,
mostrou o seu poder por meio de um fogo
impressionante.
Deixou a sua voz ecoar.
queria que o instrumento que ele criou
o ouvisse
lá no Monte Sinai,
não através de intermediários,
não filtrado por outras vozes, mas
diretamente
a vibração da fonte chegando sem
mediação à caixa de ressonância.
Mas o que que aconteceu? O instrumento
tremeu.
Povo de Israel tremeu
não de alegria, mas de medo.
Porque um instrumento com a alma fora do
lugar não consegue receber a frequência
para a qual foi construído sem que isso
pareça uma ameaça.
Um instrumento com a alma fora do lugar
não consegue receber a frequência para a
qual foi construído sem que isso pareça
uma ameaça.
>> O som que deveria ser lar so destruição.
A presença que havia sido projetada para
ser abriga,
a abrigo, consolo, foi sentida como um
fogo que consola.
>> E os chefes do povo foram até Moisés e
disseram:
"É impossível ouvir essas palavras sem
sentir o peso delas. Vai lá, ouça o que
ele quer dizer, depois vem e nos conta".
Eles elegeram uma triangulação.
Puseram um homem entre eles e a fonte da
música.
>> Não por maldade,
mas porque genuinamente não conseguiam
mais suportar a frequência direta.
Isso é uma coisa que a gente percebe até
hoje.
Às vezes, quando a presença de Deus
começa a se manifestar, as pessoas
começam embora.
Elas não aguentam.
Como foi com os meninos? Obrigado. Como
foi com os meninos lá no Sina? Eles não
aguentaram.
Então eles disseram pro Moisés: "Olha,
fala você com ele".
E aí fizeram uma triangulação.
Puseram um homem entre eles e a fonte da
música, não por maldade, mas porque
genuinamente não conseguiam mais
suportar a frequência direta.
E às vezes é assim,
eu já estive em muitos lugares que
quando a presença de Deus começou a se
manifestar, um bocado de gente foi
embora
porque não aguentava, não tinha como,
não tinha reciprocidade da alma deles.
E porque não tinha reciprocidade na alma
deles, o que devia ter sido consolo,
abrigo, alegria se tornou medo, pavor e
desespero.
E eles saíram
porque não aguentavam a presença de
Deus.
Foi assim lá no deserto,
eles puseram um homem entre eles,
não porque eles fossem apenas malignos,
não, mas porque genuinamente eles não
conseguiam mais suportar a frequência
direta.
A natureza deles não estava mais em
condições.
E Deus
que nunca abandona o instrumento, a sua
incapacidade.
E isso é importante que a gente lembre,
Deus nunca abandona um instrumento
diante da incapacidade do instrumento.
Deus nunca
abandona o instrumento
e o deixa a deriva da sua própria
incapacidade.
Nunca.
Deus sempre encontra um jeito de chegar
até a criatura
>> e chegar de onde ela consegue ser
alcançada.
Então, Deus aceitou.
O pedido do povo de Israel, tá bom? É
para ficar longe.
Então eu fico longe.
Então eu falo com Moisés e Moisés fala
com vocês.
Tá bom?
Mas aí ele disse baixinho,
como quem sente algo que não tem nome em
nenhuma língua humana.
Deus disse: "É, acho que seria bom que
eles sempre pensassem assim.
Era o Lutier olhando pro violino que ele
mesmo havia criado,
sabendo que aquele instrumento tinha
sido criado para participar da própria
música divina.
E aí tá vendo o violino recuar
com medo do som, que era na verdade
a sua própria frequência original.
Você sabe qual é o maior problema que a
maioria dos filhos de Deus tem? Tô
falando dos filhos igual eu e você.
Sabe qual é o medo?
>> De se perder em Deus.
Porque isso eu não quero me perder em
Deus. O poeta disse: "Eu não quero me
perder de Deus".
E toda vez que eu ouço aquele poeta
dizendo, "Eu não quero me perder de
Deus", eu digo: "Ah, você não sabe nada
da igreja, hein?
Porque a maioria dos filhos de Deus não
querem se perder nele.
Eles têm medo.
Eles têm medo dos dons. Eles têm medo de
que o Espírito Santo
roube deles os desejos que eles ainda
nutrem no coração.
E aí eles querem Deus, mas não precisa
ficar tão perto.
Não precisa ficar tão perto,
porque afinal de contas tem uns lugares
que eu quero ir e você não pode ir.
Tem umas coisas que eu quero fazer e
você não faria.
Tem umas coisas que eu desejo ter e que
você jamais por a mão. Então, tá bom,
vamos ser amigo, mas assim, não precisa
ficar tão perto.
É verdade.
A Mirna, minha filha mais velha, uma vez
fez uma peça na comunidade
há muito tempo. Era a história de uma
menina que ia sair para uma festa
qualquer e bateram a porta da casa dela.
Ela abriu e era Jesus. Era Jesus. Ela
diz: "Não, Jesus, o senhor aqui, que
bom, que alegria. Pode entrar, a casa é
sua." Mostrou toda a casa, abriu a
geladeira, mostrou tudo, falou: "A casa
é sua, fica à vontade." E ele falou:
"Ah, que bom, eu vim para isso mesmo.
Vim para ficar com você e tal". Ah, que
bom, que ótimo. Olha, fica aí à vontade,
eu vou dar uma saidinha, mas daqui a
pouco eu tô aí.
E foi se dirigindo pra porta e Jesus foi
atrás
e ela disse: "Jesus, acho que o senhor
não entendeu. Eu vou dar uma saidinha,
mas eu volto já." Ele falou: "Não, você
não entendeu. Eu vim para ficar com
você.
Então, onde você for, eu vou.
Aí ela disse:
"Acho que você não vai querer ir onde eu
vou.
>> Vamos fazer o seguinte,
fica aqui. Casa tá aí, tá pronta para
receber você?
>> Comida na geladeira.
>> Tá com a geladeira lotada.
Fica tranquilo, eu volto já."
e foi se dirigindo à porta e Jesus
teimosamente foi atrás.
E aí Jesus, acho que você não entendeu.
Eu não fui claro, foi claríssima.
Então, por que que você tá vindo? Porque
eu fui mais claro que você.
Eu disse, eu vim para passar o dia com
você.
Ficou claro?
Ela falou: "Você não vai desistir, né?"
Ele disse: "Ah, não vou".
Ela foi até o o quintal, o lugar onde
ela guardava as coisas, pegou um
martelo, um prego, encostou ele na
porta, pá, prendeu uma das mãos,
pegou a outra mão, encostou na porta,
pá.
Aí nessa hora ela vira pro pro público e
diz: "Você tá indignada comigo?
E não é isso que todos nós fazemos?"
Jesus legal, mas não tão perto.
Está ficando perto demais.
E aí toda vez que eu que eu ouço o poeta
dizendo, eu não quero me perder de Deus,
eu fico pensando,
ele não sabe nada sobre a igreja, ele
não é cristão, por isso ele não sabe
mesmo.
Mas ele não quer se perder de Deus. E aí
eu digo: "Meu filho, se você soubesse
que a igreja é exatamente o contrário de
você, ela não quer se perder em Deus.
Nenhum de nós quer,
porque nós estamos tão cheios de desejos
que a gente sabe que Jesus não vem
junto,
que a gente diz para ele: "Legal,
estamos junto, mas não muito perto, por
favor,
não muito perto."
Isso não é um negócio tão sério na
igreja que os ortodoxos têm até uma
doutrina.
Eles chamam de teoses,
que é quando Deus invade um sujeito.
E aí eles dizem que quando acontece essa
teosis, o sujeito fica louco.
Eles chamam esse sujeito de os loucos de
Deus,
porque não dá para ser invadido por Deus
e ainda continuar andando na terra.
Mas não é
não é verdade.
Os ortodoxos exageraram a tese dos
capadócios.
Os capadócios
levaram a esse nível de que acontece
quando Deus vem.
Mas na verdade, na verdade o que eles
estavam nos ensinando é que a gente
volta a ser coparticipante da natureza
divina, como Pedro ensinou.
Mas tudo bem, isso é teologia, deixa
para lá. Então,
o Senhor viu isso,
viu um instrumento que ele havia criado
para participar da própria música
divina, se recuar.
com medo do som. Que som?
O som que na verdade era a frequência
original dos seres humanos.
Era assim que a gente cantava,
era assim que a gente soava e era assim
que a gente ressoava no universo.
E você já sentiu isso? Você já se
aproximou de Deus e ficou com medo?
em vez de de achar, "Cheguei no meu lar,
cheguei na minha casa,
você já chegou perto de uma experiência
real com o pai e instintivamente colocou
alguém entre você e ele?
Um pastor, uma doutrina, um ritual,
qualquer coisa que filtrasse a
intensidade de Deus?"
Bom, se você já fez isso, não se
condene. Você não é fraco. Você é só um
humano em estado de rebelião. Todos
somos,
todos somos
instrumentos com a alma fora do lugar.
Instrumentos com a alma fora do lugar
não conseguem fazer outra coisa. Não dá.
Foi o que o povo de Israel disse pro
Moisés. Não dá. Não dá. Se ele vem aqui
para falar diretamente com a gente, não
dá.
Porque esse fogo que sai da presença
dele e que todos nós diríamos é o fogo
que aquece.
Eles dizem é o fogo que consome, que
destrói, que queima, que incinera, que
não dá.
consumidor não dá.
A voz que todos nós devíamos dizer é a
voz de muitas águas que controla o
universo, que abençoa a existência, vira
trovão,
terror, um grito no escuro, não dá, não
dá, não dá. Bota alguém entre nós.
Bom, a história continua. Foram séculos
assim.
E o instrumento indo de geração em
geração e a música sendo transmitida por
representantes,
profetas,
sacerdotes,
reis,
nunca frequência direta, nunca,
nunca.
Por isso que muitas vezes você encontra
bons irmãos
e eles colocam tudo nas costas do
pastor, que o pastor disso, pastor
aquilo, pastor aquilo, outro.
E é muito complicado. Eu, por exemplo,
quando comecei a dizer, não, irmãos, o
pastor é Jesus Cristo, nós somos todos
irmãos. O reino de Deus, como diz o
Hansber, que é antes de tudo um reino de
amigos. Nós todos somos iguais. As
diferenças entre nós é só de dons, mas
não é de autoridade. A autoridade é de
Cristo. Os irmãos começaram em bater.
Por quê? Porque eu comecei a dizer que
não tem uma terceira figura.
Você vai ficar face a face com o eterno.
É com você.
Eu vou exercitar o meu dom. Você vai
exercitar o seu. Nós vamos todos juntos
celebrar o Senhor. Nós vamos entoar
glórias ao seu nome. O Espírito Santo
vai vir e vai falar a todos através de
todos, mas cada um de nós vai ficar cara
a cara com ele.
Aí os irmãos disseram lá, não,
cara, cara, não.
Por quê? Porque tem medo de se perder de
Deus. Não, de se perderem em Deus.
O poeta disse: "Eu não quero me perder
de Deus".
Mas os cristãos dizem: "Eu não quero me
perder em Deus,
porque tem um bocado de coisa que eu
quero e Deus não quer. Tem um bocado de
coisa que eu desejo". Jesus diz: "Não
faça isso, não queira isso.
Isso vai acabar com você.
Cuidado,
isso não é humano.
E a gente nunca acha que que
tá tão longe, porque a gente nunca
imagina, por exemplo, que loucos, como
os caras da ilha lá do Epstein,
começaram assim, tendo desejos que não
deviam ter nutrido.
Não, eles não acordaram de manhã e
transformaram-se em monstros.
Não, o monstro foi crescendo.
Foi crescendo porque o senhor dizia:
"Não, não, não entra nisso, não, não
fomenta esse negócio, não aceita isso,
diga não. Tem um demônio querendo saltar
para dentro de você. diga não.
Mas eles foram dizendo sim. Foram
dizendo sim. É Caim ouvindo Deus dizer
diga não.
Mas ele disse sim ao fé que carregava no
coração.
Então foram séculos assim, um
instrumento sendo passado adiante,
geração em geração, a música sendo
transmitida por representantes,
profetas, sacerdotes, reis. Nunca
frequência direta,
sempre filtrada, mediada, guardada atrás
de um velo.
O Santo dos Santos, por exemplo, é um
véu que Deus disse: "Tá bom, então vamos
é para manter distância.
Então vamos manter distância.
Aquele lugar onde a presença do Lutier
habitava com toda a intensidade
era separada do povo por um tecido
espesso.
E apenas o sumo sacerdote entrava e uma
vez com por ano e com muito medo.
Mas é muito medo, não é pouco não.
E o instrumento violino ia vivendo
assim,
sem saber que havia sido feito, criado
para algo muito maior.
E talvez seja aqui que alguns de nós até
hoje vivam
a beira do véu,
sabendo que tem algo do outro lado,
mas a gente não vai atravessar.
recebendo sempre a música filtrada de
segunda mão e acreditando que isso é
tudo que existe para nós.
E aí e tem um problema. Quando o
intermediário
pipoca,
sai da linha, arrasta todo mundo com
ele,
é o desastre.
Porque ele nunca disse paraas pessoas
que o Cristo quer estar em comunhão
pessoal.
Ele sempre entendeu que as pessoas têm
medo de se perder em Deus e aceitou de
bom grado ser um intermediário.
Isso inclusive o ajuda economicamente,
entre outras coisas.
Mas isso é um violino com a alma fora do
lugar.
Então, as pessoas aceitaram a segunda
mão acreditando que isso é tudo que
existe pra gente, mas não é.
E aí o Lutier desceu.
E quando o Lutier desceu e se tornou um
instrumento que tinha feito,
o que aconteceu não foi uma reparação,
foi um triunfo.
Depois de 33 anos habitando a natureza
de um instrumento,
passando o arco sobre cada corda da
existência humana,
tirando música de onde todos achavam que
havia apenas silêncio,
ele chegou o momento mais inesperado da
história.
Ele morreu
e aparentemente o instrumento foi
destruído,
não metaforicamente, fisicamente,
brutalmente.
A madeira foi partida, as cordas
rompidas, a caixa esmagada
e quem assistia de fora pensava: "É o
fim da história, acabou".
Mas no terceiro dia, o Lutier
reconstruiu um instrumento com as mesmas
mãos que o haviam criado no princípio.
E o que surgiu não era um instrumento
simplesmente retornado ao estado
original, era algo que nunca havia
existido antes, uma humanidade nova, não
apenas a humanidade antes da rebelião,
restaurada ao ponto de origem. Não
era além disso.
Era uma humanidade que havia descido ao
lugar mais fundo da fratura, no lugar da
morte, e havia voltado transformada.
uma humanidade cuja alma não estava mais
simplesmente no lugar, não tava unida em
comunhão inseparável com a própria vida
do Lutier, o criador.
Paulo, que nem era poeta, so como um
quando escreveu: "O primeiro Adão foi
feito alma vivente, o último Adão é
espírito vivificante.
O primeiro recebia vida. O segundo e
último é a fonte de vida.
Não é uma versão melhorada do mesmo
instrumento quebrado.
É uma nova matriz,
um novo começo para toda a espécie
humana.
Um dos pais da igreja, Irineu, que viveu
nos primeiros séculos e que entendia
isso como poucos, disse com a clareza de
quem viu o desenho completo:
Deus se tornou homem para que o homem se
tornasse Deus.
Não, no sentido de que o instrumento
vire o lutier, não, ou que a criatura se
confunda com o criador, não. Mas no
sentido de que o ser humano finalmente
seja plenamente
o que foi criado para ser um ser que
participa da natureza divina.
>> Glória a Deus. que ressoa com a
frequência da triunidade, que vive
dentro da música e não apenas a ouve do
lado de fora.
>> Foi nessa noite, a noite antes do
triunfo, horas antes de tudo isso
acontecer,
que Jesus estava sentado com os seus no
cenáculo.
Então, tá lá a cena,
pão e vinho,
as pessoas que ele amava, que haviam
largado as redes, as cobranças de
impostos
para seguir o carpinteiro de Nazaré.
Gente que ainda não entendia tudo que
estava prestes a acontecer, gente com
medo do amanhã.
E Jesus, que sabia exatamente o que o
amanhã ia trazer, olha para eles e diz
uma frase que quando a gente entende o
que tá por detrás dela, é impossível
ouvir sem que alguma coisa se mova no
nosso peito.
Até agora vocês não pediram nada em meu
nome.
Peçam e receberão para que a alegria de
vocês seja completa até agora.
Como assim? Até agora,
até agora,
milênios desde o Éden,
15 anos desde o Sinai,
uma quantidade imensas de instrumentos
que não conseguiam ressoar com a
frequência para qual havia sido criado.
uma longa história de véus,
representantes, triangulações
nascidas da incapacidade de suportar a
presença direta do criador que queria
ter comunhão com a gente.
E Jesus disse: "Até,
até agora,
pera aí. Nós estamos falando de uma
história de milênios
até agora.
Escuta, nós estamos falando
eh passando por Enoque,
passando por Noé,
passando por
Abraão,
por Isaque, por Jacó,
passando por Moisés,
passando pelos grandes profetas,
Isaías, Ezequiel,
Zacarias,
Daniel,
seres humanos como Jó,
estão passando por gente como Samuel,
como Josué,
até agora.
Do que que o senhor tá falando
até agora?
E Moisés,
e Elias,
e Eliseu
e Isaías,
que no ano da morte do rei Usias viu o
Senhor assentado num grande sublime
trono,
viu os serafins
até agora?
Ezequiel, que teve visões
impressionantes, e Daniel
que se encontrou com o Senhor na cova
dos leões
até agora.
E Jesus diz: "Até agora,
até agora vocês não pediram nada em meu
nome.
Peçam e receberão para que finalmente a
alegria de vocês seja completa. Quer
dizer que todo mundo até agora só teve
uma alegria parcial?
Então, Lutier tava sentado naquela sala
com aquelas pessoas
em carne, na madeira, nas cordas da
natureza humana que havia assumido.
Tava lá dizendo: "A nova matriz já
existe
e eu a sou.
E o que vou enviar?" O espírito
vai entrar em vocês e vai recolocar a
alma de vocês no lugar. E quando isso
acontecer, vocês vão descobrir que
conseguem ouvir o som de que vinham
fugindo desde os sinais.
>> Glória.
>> E vocês vão ouvir esse som não como
destruição,
mas como casa.
>> Glória a Deus.
E aí tava dizendo uma coisa que nós
ainda não entendemos direito.
Orar em nome de Jesus não é apresentar
um cartão de acesso num lugar que era
proibido de entrar.
>> É verdade. É verdade.
>> Não é tocar um instrumento a partir de
uma nova matriz. é exercer a existência
de quem já foi reconstituído
no filho.
>> Aleluia!
>> De quem já não opera apenas a partir da
natureza do primeiro Adão, fraturada e
muda.
>> É verdade.
>> Mas do último Adão ressuscitada e
ressonante.
>> Aleluia.
>> É outra história.
>> Aleluia. É o espírito habitando dentro
do instrumento.
>> Aleluia.
>> É o Espírito Santo sendo ele mesmo a
alma recolocada no lugar,
>> transmitindo a vibração do Filho ao pai
de dentro de cada ser humanoelu,
>> que se ancora nessa nova origem.
A fé cristã não é uma religião,
>> é um reencontro com o criador.
Não precisa desse monte de
intermediários
>> para manter Deus longe.
Jesus.
Não é alma recolocada no lugar.
O espírito de Deus dentro de nós,
transmitindo a vibração do filho ao pai
de dentro de cada um de nós
que se ancora nessa nova origem.
>> Aleluia. É por isso que Paulo quando
quis escrever o que acontece quando o
espírito ora em nós, ele não buscou
palavras de solenidade religiosa, não.
>> Ele usou a linguagem mais simples e mais
íntima que existe. Uma linguagem que uma
criança
pode entender.
É a li a a linguagem da criança que
reconhece o pai desde muito longe.
Aba, pai.
Paizinho, papai,
essa palavra não se aprende, ela brota.
Ela brota naturalmente de dentro de quem
voltou para casa.
E eu me lembro do do poeta dizendo, "Eu
não quero me perder de Deus." E eu digo,
"Ah, meu amigo,
queria me encontrar com você e levar
você para uma reunião da comunidade
para você ver como todo mundo não quer
se perder em Deus." Você não quer se
perder de Deus, mas eu conheço muita
gente que não quer se perder em Deus,
porque sabe que Deus não vai com ele em
todo lugar,
mas ele quer continuar indo
e Deus tem um problema.
Ele disse: "Tá bom,
então vai,
eu aceito. Você quer uma triangulação?"
Tá bom. Depois você vem, faz os rituais,
participa das da liturgia.
Eu vou est te esperando.
Eu tenho todo o tempo do mundo.
Eu lamento dizer que você não tem tanto
tempo quanto eu.
Mas tá bom. Você não quer,
você não quer pedir perdão.
Você não quer ser condescendente?
Você não quer abrir mão do protagonismo?
Você
não quer simplesmente amar as pessoas,
não. Você tem que controlar, né?
Você tem de gritar, né? Você tem de
dizer quem é que manda aqui. Você não
quer, né? Tá bom, tá bom. Você não quer,
não quer. O que eu posso fazer?
Você não acredita que o amor cura, né?
Você
acha que só a violência resolve?
Você faz parte daquele pessoal que que
acha que a morte cura a morte, não é?
Você nunca desconfiou que só a vida pode
curar a morte? Você nunca ouviu falar em
ressurreição?
Não.
>> Pois aconteceu, filho. Vou te contar.
Aconteceu.
Em relação a você já faz milênios.
Em relação a mim, eu tô vendo agora,
porque eu sempre tô vendo agora.
Então Paulo disse, sabe o que acontece
quando a gente finalmente se perde em
Deus? A gente aprende a dizer papai,
ela brota do nosso coração.
É a fala de quem voltou para casa.
>> Glória a Deus.
>> E a alegria, a alegria completa que
Jesus fala não é alívio de uma tensão
resolvida, não.
Não é satisfação religiosa de quem fez
tudo certo.
É algo que os músicos conhecem muito
bem.
Aquele momento em que um instrumento
está perfeitamente afinado,
o arco tá
absolutamente
bem distribuído.
A sala tem a acústica perfeita
e o músico toca uma nota e ela sua
completa.
>> Não é apenas audível, é completa.
É como se a nota preenchesse o espaço
que havia sido reservada para ela desde
sempre. completa,
completa.
Aquele momento em que o instrumento está
perfeitamente
afinado, o arco bem distribuído, a sala
tem a acústica certa e o músico toca uma
nota e ela soa completa.
Não é apenas audívia, tá completa.
como se a nota preenchesse o espaço que
havia sido reservado para ela desde
sempre.
Eu
acho que os músicos sonham com isso,
mas sabem que não deve assim, não deve
ser muito simples de conseguir.
Tinha um músico brasileiro da Bolsa Nova
que eu não lembro o nome dele agora, que
aliás é um dos pais da Bolsa nova, o
baiano que violinista, como é que ele
chamava?
Um dos pais da bolsa nova. Acho que o
que que que na verdade
desenvolveu o toque da bossa nova no
violão.
E
>> João Gilberto,
>> João Gilberto
não é ele que é o baiano que começou.
Então ele tinha esse negócio, ele ficava
no palco horas
e o povo lá esperando e ele esperando
acústica, esperando o som perfeito,
porque eu não vou tocar enquanto não
tiver perfeito.
Claro que precisava ter uma paciência
enorme para assistir o show dele.
Primeiro que ele chegava atrasado e
depois ele ficava, cadê o som? Tocava na
n na na n. Conserta isso aí, conserta
isso aí. concerto isso aí. Por quê?
Porque ele tinha essa percepção.
A nota não pode ser apenas audível, ela
tem de ser completa.
A nota tem de preencher o espaço que
havia reservado para ela desde sempre.
Pois é, essa é a alegria que Jesus quer
colocar em você.
>> Ele mesmo diz de onde ela vem.
Sabe de onde ela vem?
Dele, para que eles tenham a minha
alegria completamente em si mesmos. A
alegria dele, a alegria dele, a alegria
que existe dentro da trindade, desde
antes de qualquer começo.
Tem pessoas que já visitaram o céu.
Eu não sou desses que visitou o céu. Eu
quero crer que o céu já me visitou uma
outra vez, mas eu mesmo nunca fui lá.
Mas eu conheço pessoas que já foram
e tudo que elas dizem é uma alegria,
mas é uma alegria.
É uma alegria extraordinária.
A única coisa que eu me lembro é da
alegria.
É a alegria da triunidade.
Sim, porque muitas vezes eu já me
perguntei e você talvez já tenha se
perguntado
como que o senhor aguenta.
Não é como que o senhor aguenta o que
acontece no mundo,
não é? Como que o senhor aguenta o que
acontece comigo?
Como o senhor me aguenta?
Como?
E a resposta do senhor é
a alegria.
Quem é? Tá escrito
o autor de Hebreus disse, ele suportou
tudo por causa da alegria que lhe estava
proposta.
>> Amém. E a alegria que lhe estava
proposta era a alegria de que um dia a
minha alma e a sua alma finalmente
estariam no lugar
>> e a gente conseguisse finalmente
ecoar a música que a gente nasceu para
tocar
e para emitir.
alegria dele é a alegria que existe
dentro da triunidade desde antes de
qualquer começo.
É o amor do Pai pelo Filho
transbordando.
É o amor do Filho pelo Pai, do Espírito
Santo, por ambos e de ambos pelo
Espírito Santo, ressoando
com gratidão.
O Espírito Santo sendo o próprio vínculo
dessa alegria entre as pessoas.
Essa alegria, essa não outra,
é o que acontece quando o instrumento
está com a alma no lugar certo
e a frequência do criador passa
livremente de uma face para outra.
Não, não é apenas uma emoção que vem e
vai,
é um estado de ser que começa agora,
mesmo em meio a dores e tensões deste
mundo, começa agora
e que um dia será plenamente
manifesto quando toda a criação for
renovada.
É o estado de uma criatura que tá
funcionando, como foi feita para
funcionar,
participando da natureza divina,
inserida na vida que pulsa entre o Pai e
o Filho pelo laço do Espírito Santo, não
observando a música de fora, mas sendo
parte da música. Esse é o sonho de Deus.
E no fundo, no fundo é o sonho de todos
nós.
Porque quando esse sonho se realiza,
a gente percebe que
tá completo e mais a gente passa a viver
a partir dessa alegria e a enfrentar
todos os focos de tristeza, porque a
gente sabe que o que vem é alegria.
Então nós nos levantamos contra toda
injustiça, contra toda maldade, porque
sabemos que não há como essas coisas
serem a última palavra da história.
>> Porque a gente experimenta alegria,
mas tem quem não experimenta. Mas tá
dentro da igreja,
mas não quer se perder em Deus.
não quer se perder em Deus.
Isso faz com que as pessoas comecem a
pensar que esse verder em Deus é ficar
louco,
que é a lógica dos irmãos lá da
ortodoxos,
porque eles levaram muito longe a tese
dos capadócios,
coparticipante da vida divina, da
natureza divina inserida na vida que
pulsa na trindade. por isso é completa.
Não no sentido de que tudo ao redor tá
resolvido, mas no sentido de que a gente
tá inteiro.
A gente tá inteiro.
Pelo amor de Deus, ninguém aqui fica
cansado de não estar inteiro.
Ninguém aqui fica cansado de não ter a
alegria de viver e de não enfrentar tudo
a partir da alegria de existir em Deus.
Ninguém aqui fica cansado.
Tem alguma coisa que tá acontecendo.
Ninguém fica cansado.
Tudo é mais urgente do que Deus. Tudo é
mais importante do que a a a comunhão
com o criador.
Tudo é mais importante do que ser
inteiro.
Como se a gente conseguisse construir
qualquer coisa fragmentado, fraturado,
arrebentado.
Então, é disso que Jesus está dizendo.
No sentido, não é porque tudo ao redor
tá resolvido, mas porque a gente tá
inteiro.
Mesmo que venha a dor,
a gente
tá inteiro,
porque a alma tá no lugar certo.
Então eu quero terminar contando o que
acontece com esse instrumento. Lutier
entrega o violino reconstituído de volta
e diz com aquela mesma voz baixa quando
soprou sobre a alma no princípio.
Ele diz: "Agora
toca.
Agora toca.
E o instrumento pela primeira vez,
desde antes da fratura
passa o arco sobre as cordas
>> e toca a música de Deus.
>> Aleluia. Glória a Deus.
>> Isso é impressionante, não é?
Ouvi dizer que o Betoven uma vez tinha
uma pessoa que passava limpo as as
eh notas que ele escrevia e era uma
senhora
extraordinariamente
técnica e que sabia exatamente o que
fazer, óbvio, né? Trabalhava com
Betoven, né?
E aí ela entregou pra senhora, ela
passou a limpa, ele bateu o olho na
estrutura toda e disse: "Essa nota aqui
não fui eu que fiz".
Aí ela disse: "Não, não é que eu pus,
porque eu achei que ela combinava melhor
com a sequência".
Ele disse: "Põe do jeito que eu escrevi,
porque eu recebi essa música e essa é a
música que Deus quer ouvir."
>> Aleluia!
Então o Senhor diz para mim e para você
agora toca.
Se você se deixar perder em mim,
não importa o que aconteça com você,
você vai tocar a música paraa qual você
existe.
>> Agora toca.
E quando você for tocar, toda aquela
infantilidade foi embora.
Toda aquela necessidade de ser o
primeiro foi embora.
Toda a necessidade de ser paparicado foi
embora.
Toda a necessidade
de ser o tempo todo elogiado, de não ter
nenhuma pessoa contrariando, foi embora.
>> Você não pode mais ser ofendido
e você não tá precisando de mais nada.
Você tá inteiro.
A alegria do Senhor é a sua força. Você
tá inteiro.
Você olha pra vida de outro jeito
e você sabe que não há mais paredes,
que não há mais obstáculos
e que o mal já foi derrotado faz muito
tempo.
Amém. que a última palavra é a palavra
da vida.
>> Aleluia.
>> E, portanto, você não se submete mais à
morte.
>> O instrumento, pela primeira vez, desde
antes da fratura, passa o arco sobre as
cordas e toca. Não sei se a gente
consegue imaginar um momento assim.
A hesitação foi embora.
Sim, porque o instrumento
carrega a memória de um bocado de som
opaco,
de um bocado de nota que saiu errado,
de um montão de esforço que não produziu
nada.
E de repente
tá de tá com o arco na mão diante do
Lutier que o criou. E o Lutier diz:
"Toca
e o instrumento toca.
E o som que sai é diferente de tudo que
havia saído antes.
>> Não é mais o som opaco de uma alma
deslocada.
Não é mais o som filtrado de quem só
ouviu a música de segunda mão passada
por representantes.
É o som de uma criatura que descobriu
que sempre foi,
que a frequência que vinha de fora e a
assustava é, na verdade, a sua própria
frequência original.
Você
já pensou que em Deus
quem está esperando você é você mesmo?
>> Você já parou para pensar que lá na
triunidade quem tá esperando você é você
mesmo?
Eu
e você aprendemos a ser gente do jeito
errado.
Então, que tá esperando a gente em Deus
é a gente mesmo,
a gente como a gente
deveria ter sido desde sempre.
>> Amém.
O instrumento toca e o som que sai é
diferente de tudo que havia saído antes.
Não é mais opaco, não é mais filtrado,
não é mais o som de quem só ouviu de
segunda mão, é o som de uma criatura que
descobriu o que sempre foi.
Você sabe o que você sempre foi?
que a frequência que vinha de fora e a
assustava, na verdade, era a sua própria
frequência original.
Você tá com medo de você que tá
esperando você em Cristo Jesus?
Por quê?
Porque você tem de dar satisfação ao
mundo.
Por quê?
Porque o diabo convenceu os homens a
serem dessa toxicidade
absoluta?
Convencer os seres humanos que quanto
mais poder e mais opressão, mais forte
você é. Cov,
covarde.
Só os covardes precisam de poder.
Os sábios usam o amor.
>> O segredo de Deus paraa humanidade não é
poder, é sabedoria.
Sabedoria.
É isso.
A frequência que vinha de fora e
assustava. Na verdade, é o que a gente
nasceu para ser em Cristo Jesus.
O fogo que aparecia lá no Sinai e que o
povo temeu,
é o fogo que arde em nós por causa do
Espírito Santo.
O pai
de quem nós fugimos no jardim
é o mesmo pai para quem o filho leva a
gente pela mão agora.
Amém. Lembra da fala do nosso ancestral?
Eu ouvi
a sua voz no jardim e tive medo
>> e me escondi.
>> Pois esse
>> de quem nós tivemos medo, é para ele que
o filho leva a gente pela mão agora.
>> Amém.
E nesse momento, no momento em que o
instrumento toca e reconhece no próprio
som a voz do Lutier,
algo acontece.
E esse algo não tem outro nome. O nome
disso é alegria.
>> Não é qualquer alegria,
é alegria completa.
É a alegria de quem voltou para casa,
não apenas para para ser recebido, mas
para descobrir que a casa é o que ele
sempre foi por dentro desde que foi
criado.
alegria de um ser que buscou por tanto
tempo e que no ato de orar ao Pai pelo
Filho no espírito, de repente se
encontra
e descobre que não estava procurando um
lugar,
tava procurando uma natureza.
>> O que você tá procurando, que eu tô
procurando, que nós estamos procurando,
não é um lugar,
é a nossa natureza.
E a nossa natureza vem de Deus,
>> vem da triunidade.
É isso que nós estamos procurando. Essa
natureza
é a natureza do filho. E agora é sua
também.
>> Amém.
>> E agora é minha também. E agora é nossa
também.
E isso é o que Jesus Cristo veio trazer.
No princípio, havia um lutier e um
instrumento,
e entre eles havia música.
Houve um tempo longo e doloroso em que o
instrumento esqueceu a música.
Então, Lutier desceu, assumiu um
instrumento, o levou à morte e à
ressurreição,
o recriou
na mesma humanidade
a partir de uma nova matriz no filho.
E agora ele diz para mim, para você,
para cada um de nós, com a mesma voz de
quando soprou sobre a alma no princípio,
peçam
e receberão
para que a alegria de vocês seja
completa.
>> Amém.
Não é um convite a uma técnica,
não é um convite a ser mais religioso,
é um convite a ser o que você é em
Cristo, no espírito, diante do Pai.
Ah, e não tem graça, porque o que eu
quero pedir, ele não vai entender,
atender.
Fica tranquilo. Se você se perder no
Pai, no Filho, no espírito santo, você
não vai mais querer pedir isso.
Você não entendeu que o que você pede
não tem nada a ver com o que você
precisa muitas vezes?
com que você necessita. Muitas vezes tem
a ver com os traumas que você sofreu,
com as angústias que você sofreu e com
os traumas que você também provocou.
Tem a ver com que você acha que precisa
para se sentir gente.
Mas da onde você tirou esse padrão? Onde
você tirou essa receita?
Onde foi que você tirou a receita que
para ser gente você precisa ser servido?
Quem disse isso para você?
E quem disse para você que porque agora
você é gente, você não pode servir?
Quem disse para você que para ser gente
você precisa ter os pés lavados?
Mas quem disse para você que você não
deve lavar os pés de ninguém? Quem disse
isso? Da onde saiu isso?
Essa receita veio de onde?
Não, não é um convite a ser religioso,
é um convite a ser o que a gente é em
Cristo, no espírito diante do pai.
O Lutier tá aqui, o instrumento é cada
um de nós
e a música ainda tá esperando.
A pergunta é se você vai tocar,
porque o Senhor não disse eu vou tocar
você, ele disse toca.
Eu
já mudei você de matriz.
O espírito já tá em você.
Toca.
Então
você, enquanto a gente tá conversando
sobre isso, você ficou com aquela
sensação de que
tem uns negócios que eu quero ainda
fazer e que Jesus não vai comigo?
Então é melhor é deixar ele crucificado
mais um pouquinho.
Daqui a pouco eu volto e solto ele.
Então tem um problema aí, irmão. Tem um
problema aí, irmã.
Tem um problema aqui.
Se lá dentro a gente diz: "Mas esa aí,
se eu for com Jesus, eu vou poder odiar
aquele desgraçado que fez o que fez?
>> Vou poder
arrancar o couro daquele miserável.
Tem um problema aqui, irmão. Tem um
problema aqui, irmã.
Tem um problema aqui.
A gente não quer se perder em Deus.
É um problema.
Aí eu sempre, como eu disse, eu lembro
do poeta, eu não quero me perder de
Deus. Eu digo: "Ih, meu amigo,
eu gosto de ouvir você falando, eu não
quero me perder em de Deus,
porque eu vivo
no meio de um povo que não quer se
perder em Deus".
Que o Senhor nos ajude a nos perdermos
nele.
>> Não, não, não é simples. Eu sei que não
é simples, porque nós temos os nossos
ódios. Uhum.
>> Sim.
E nós temos os nossos ódios contra a
gente que merece mesmo o nosso ódio. A
gente tem certeza que eles merecem.
>> Misericórdia.
>> É. Ué, porque o cara é ruim. Aquilo é
casca. Aquilo, aquilo é o cão. Aquilo é
o cão chumando, chupando manga verde.
Aquilo lá não pode continuar vivo, não.
Aquilo é o cão.
Então nós temos os nossos olhos. Pensa
que eu não tenho. Tenho também.
>> Jesus.
>> E tem as nossas idiossincrasias. Não,
não. Eu quero. Todo mundo tem de saber
como eu sou bom.
Como eu sou especial,
>> nenhum de nós quer ser um com todo
mundo.
A gente qu sempre quer ser um no meio de
todo mundo,
mas o chamado de Jesus é para ser um com
todo mundo,
porque nós somos
a humanidade,
a imagem e semelhança de Deus.
>> Amém.
Mas nós temos nossas idiossincrasias,
inclusive raciais, que é uma coisa
absolutamente estúpida.
Estúpida.
É como eu não gostar do meu irmão,
porque o cabelo dele não é igual ao meu.
É estúpido.
Então, por causa disso tudo, a gente diz
pro senhor: "Não dá para se perder no
senhor, porque o senhor ama todo mundo".
Porque o Senhor tá sempre oferecendo
oportunidade de arrependimento,
porque o Senhor tá sempre oferecendo
perdão,
porque o Senhor tá sempre dizendo que dá
para começar de novo.
Então, não dá para para nos perdermos no
Senhor.
Então, irmãos, a música ainda tá
esperando.
Que a graça de nosso Senhor e Salvador
Jesus Cristo, que a unidade da Trindade,
que a comunhão materna do Espírito
Santo,
que a cura de Jesus Cristo
seja com cada um dos irmãos e irmãs e
com todo o povo de Deus espalhado pela
terra.
e que alcance toda a humanidade como
Deus prometeu a Abraão. Amém.
>> Amém.
Tchau, gente. Tchau. Tchau. Tchau.
Tchau.

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