Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

Obra: A Aposta | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa

Obra: A Aposta | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa

Obra: A Aposta | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa

Comunidade Saudável. Cidade melhor!

Contribua para os projetos IBNU:
Chave PIX (CNPJ): 08.802.770/0001-60
Banco Bradesco
Ag. 1445-1
CC. 35400-7

Contribua

Sala dos Adolescentes:
/ discord

Conheça mais:
[email protected]

Home

Siga-nos:
/ ibnusaopaulo
/ ibnusp

Legendas automáticas:

[música]
[música] เฮ
[música]
>> [música]
>> Eita, estamos no final do mês de novo,
mais uma live do Ler para Crer. Sejam
todos muito bem-vindos. É sempre uma
alegria ter você aqui conosco. E olha, o
tema de hoje é a aposta. Então eu quero
apostar com você que se você começar
assistindo com bastante atenção, você
vai ficar até o final, né, Rina?
[risadas]
>> Sim, Belzinha. Ô, Bel, tá gravando? Tá,
tá, né?
>> Sim, tá gravando.
>> Ah, tá bom. Desculpa que eu não tô
conseguindo ver aqui.
>> Bom, já estamos a 2 minutos e 11
segundos gravando.
>> Aê, então, obrigada, Bel. Você que tá aí
com a gente também, mais uma vez, sejam
muito bem-vindos, né? Como Abel disse,
mais uma live do Lê para CRE, clube de
leitura da IBNU, onde a gente tenta
fazer uma interface da literatura e da
fé, né?
E hoje a gente vai fazer eh vai falar
sobre um conto pequenininho, que é a
aposta do russo Antonov,
muito conhecido, né? um dos maiores
autores da humanidade e um dos maiores
contistas, inclusive. Ele nasceu ali em
1860,
viveu até 1904, morreu jovem, mas viveu
o suficiente para deixar aí uma uma obra
vasta. Ele é muito conhecido pelo conto
eh A Senhora do Cachorrinho, talvez você
já tenha lido.
E Check era dramaturgo,
é escritor, mas sobretudo médico. A
formação dele, a primeira formação dele
foi em medicina. e ele começou a
escrever eh contos de humor até como uma
forma de provisão financeira para
arcalir com seus estudos, né? A aposta
ele publicou em 1889,
5 anos antes de morrer, ou seja, já era
um autor consagrado e com alguma
maturidade, né, eh, na sua escrita.
Então, vamos lá.
Hã, em que momento esse conto se passa,
né? Se passa quando um banqueiro, que
agora é velho, tá aí lembrando de uma
aposta que ele fez 15 anos antes. Uma
certa noite, ele tava oferecendo ali um
banquete na sua casa.
E meu gato, minha gente, se cair aqui,
esse é meu gato. Pronto. Ele tava
oferecendo um banquete na sua casa, onde
ele reuniu ali a a nata cultural, vamos
dizer assim, da sua cidade. Então você
tinha lá vários sábios, jornalistas,
eles conversavam sobre vários temas
interessantes. A certa altura surgiu a
falta da pena de morte.
Eh, o que se discutia era o que era mais
humano, o que era mais moral, a pena de
morte ou a prisão perpétua. E nesse
debate muito civilizado,
a até então esse banqueiro disse que ele
não concordava
com a prisão perpétua, com a pena de
morte, que ele, desculpa, gente, com a
prisão perpétua, porque ele achava até a
pena de morte mais moral. Vamos ler esse
trechinho. E olha só, gente, a beleza de
checkof, porque a gente tá só no segundo
parágrafo aqui, ó, e ele já introduz a
grande questão do conto, né? Qual dos
carrascos é mais humano? O que dá a
morte em segundos ou aquele que arranca
a vida pouco a pouco, gastando anos na
sua tarefa? Aí um dos convidados
observou o seguinte: ambas as coisas são
igualmente imorais,
porque uma e outra tem o mesmo objetivo
em vista, que é qual? O aniquilamento da
vida.
O estado não é Deus, não lhe assiste o
direito de destruir aquilo que não
poderia devolver se assim o quisesse.
Então o banqueiro tá conversando e foi
convidado. E aí
um jovem jurista que estava ali, né, um
rapaz de 25 anos, ele diz o seguinte:
"Olha, a pena de morte e a prisão
perpétua são igualmente imorais.
Se, porém, me dessem a escolher, eu
optaria, sem dúvida, pela segunda, pela
prisão perpétua, porque mais vale viver,
seja em que circunstâncias for, do que
não viver de forma alguma. Nessa hora,
essa discussão que tava até então feita
de sendo feita de maneira civilizada,
ela dá uma calorada, né? Essa pauta que
é uma pauta sensível, ela ganha aí uma
temperatura. Por quê?
Veja só, eh, quando a gente tá fala de
um conto clássico ou de um autor da
envergadora de checkov, a gente tem que
pensar
que nada do que tá no conto tá por um
acaso. Então, olha só a profissão do
primeiro banqueiro. Segundo, algumas
traduções, vão dizer, um jovem, um jovem
eh eh jurista, um advogado recém
formado, um estudante de direito, é que
a gente vai chamar de um advogado
recémformado
ou de um jovem jurista, como você
preferir, né? Mas um tem a vaidade do
quê? Do dinheiro. O banqueiro, o orgulho
do dinheiro. O outro tem o orgulho do
quê? Da inteligência.
E aí, na hora que esses dois têm
opiniões distintas, por o orgulhoso do
dinheiro que possui diz que não, que a
pena de morte é mais humana. E o
orgulhoso da inteligência que possui diz
que não, que a viver, não importa como,
é sempre mais importante do que morrer.
E aí aquele que tem o dinheiro diz
assim: "Então eu faço uma aposta com
você", né? E aí o o autor vai dizer o
seguinte: "O banqueiro então ainda jovem
e nervoso, né? Porque lembra esse
banqueiro que tá contando que tá
lembrando disso agora, ele tá velho,
passaram os 15 anos, mas a época jovem
nervoso,
de súbito, ele perde a calma e fala
assim: "Bate o punho na mesa, né? e
dirige-se a a esse jurista, esse jovem
jurista e diz assim: "É falso, eu aposto
2 milhões em como o senhor não
aguentaria 5 anos encerrado no cárcere,
2 milhões de rubros, né, que é a moeda
da Rússia.
na hora que ele faz esse esse esse
desafio
para esse jurista, eh, esse advogado,
ele
também tomado pela sua vaidade fala
assim: "Não só cinco, mas 15".
Se você aposta 2 milhões de rubos em
cinco, eu triplico a sua aposta. Eu
aposto de 2 milhões de rubos em 15 anos.
E aí, minha gente,
combinaram então os termos desse
cárcere, ah,
como é que se chama? Como você mesmo
consente, né? Autoconsentido desse
aprisionamento, autoconsentido.
Como que eles
combinaram? Combinaram o seguinte.
OK? A posta tá feita, tá fechada e vai
acontecer o aprisionamento, vai
acontecer o seguinte, ele vai ser no
jardim do banqueiro. O isolamento vai
ser total. Você não vai poder nem ver,
nem ouvir nenhum outro ser humano. Na
sua cela haverá só uma janelinha de onde
você se comunicará por escrito com a
pessoa que estiver fazendo a guarda, né?
Você não vai receber nem cartas, nem
jornais, né? Mas se você quiser um
instrumento musical, só pedir que a
gente coloca lá. Você também pode ler à
vontade e escrever. Pode beber também,
fumar se quiser. E estes são os termos
da aposta que foi feita no dia 14 de
novembro de 1870.
Como são 15 anos, ela duraria até 14 de
novembro de 1885,
né? De meio-dia de um ao meio-dia de
outro. E uma ressalva nessa aposta era o
seguinte: olha, se em 14 de novembro de
85 estiverem faltando, nem que sejam 2
minutos para o meio-dia, ou seja, são
11:58, e você prisioneiro desistir da
prisão, né? A, eu, banqueiro, ganho uma
aposta do mesmo jeito. Então, você tem
que cumprir isso integralmente, minuto a
minuto e sem nenhuma tentativa de
trapaça, OK?
O jovem jurista lá aceitou, o jovem
banqueiro também ficou muito satisfeito
porque disse que o terceiro
quarto ano com certeza diria, né? Então
cada um a sua forma
ancorado no seu orgulho, fez a sua
aposta. Veja como se isso fosse
resolver, fosse provar alguma coisa. que
pena de morte é um mais humano mesmo do
que a prisão perpétua, né? Isso não
resolve nada, isso é só a sua
experiência. E a sua experiência, ela
não é a régua da existência humana, né?
Ela não é a régua do mundo. Mas ambos
cegados pelo orgulho agem sim. OK? Como
é que foi no primeiro ano, né?
Esse eh eh
advogado, né?
Ele sofreu de solidão, de tédio.
Mas você sabe que eh o tédio, as pessoas
confundem, né, o téd com ah, que tédio é
porque eu não tô fazendo nada. Teddio
não é não fazer nada, que não fazer nada
pode ser descanso também, né? Tédio é
não ver valor no não fazer nada.
Ou também você pode estar entediado no
seu ativismo, né, no seu excesso de
trabalho, de entretenimento. Tédio é não
ver valor no que você está fazendo
naquele minuto. Mesmo que seja estou
fazendo fazer nada, estou descansando,
né? Então isso que é o tédio. Tdio é
você não ver valor no que você está
fazendo ou deixando de fazer naquele
momento. Foi assim que ele ficou lá
entediado, né? Aí fala: "Ah, então tá,
como é que eu vou aproveitar o esse
tempo?" Porque imagina 15 anos pela
frente, ele pede um piano e ele passa a
tocar piano dia e noite?
Ã, ele decide que ele não vai fumar nem
bebê, né? porque ele fala que ele não
pode exceder aos desejos dele e ele
começa a ler, eh, leituras superficiais,
coisas corriqueiras. Então o autor vai
dizer intrigas amorosas, comédia, livros
policiais, sabe aquelas coisinhas de
muita ação e pouca reflexão, né, de
muito roteiro e pouca profundidade.
Então esse é o primeiro ano, só que aí
vem o segundo, né? E ele já cansado
de tanto tocar, ele pausa, ele não
encosta no piano mais. E já cansado
também dessa literatura eh superficial,
ele começa a pedir só os clássicos.
Então, o que que a gente tá vendo aqui?
A gente tá vendo uma mudança psíquica.
Não é simplesmente uma mudança no gosto
literário, né? Uma mudança psíquica.
Chega. Se eu não estou vendo valor, se
eu não estou vendo sentido significado
nisso aqui,
é hora de começar a procurar, né? ele
vai pedir os clássicos e ele passa ali
do segundo ao quarto ano devorando a
literatura clássica eh mundial.
Só ler lê lê lê lê lê tudo que que
encontra no ano 5 aí já é abastecido por
tudo que ele leu, né? E aí é muito
interessante a certa altura do conto
quando o autor vai descrevendo tudo que
ele enriqueceu, tudo que ele viu, tudo
que ele aprendeu, tudo que ele sentiu
através dessa experiência literária.
Então se revigorado por isso, ele volta
a tocar piano. No 5º ano, ele volta a
tocar piano e aí ele passa a comer muito
e começa também a beber muito.
Então, eh, a glutonaria, a gente sabe
que ela anda sempre junto com o quê? Com
a preguiça,
né? Então, glutão,
como se encontrava? passava o dia
inteiro deitado. Aí você imagina
glutonaria
mais inatividade,
produtividade,
vai chegar um momento em que você vai
ficar irritado consigo mesmo. E é bem
isso que acontece com ele. Os guardas da
prisão
do da cela, né, porque ele tá no jardim
do banqueiro, começam a ouvi-lo sempre
falando, consigo muito irritadiço,
né? Aí nesse quinto ano em que ele come,
bebe e volta a tocar piano e tem lá seus
rompantes, né, de de irritação, a
irritação, agradação da ira, eh ele não
lê mais, não lê porque vem, ele vem de
2, 3, 4, 3 anos lendo, ano dois, três e
quatro, né? Porque no primeiro
foi só superficialidade, os três
subsequentes, só a literatura clássica.
E aí ele não lê, mas ele escreve,
escreve, escreve, escreve, escreve a
noite inteira, só que de manhã,
insatisfeito com o que escreveu, ele
rasga todo o trabalho que ele
desenvolveu. Então, olha a inconstância,
né? Olha o conflito, olha a luta
interna, olha a insatisfação que ele vai
se encontrando. Isso vai resultar no
quê? num choro. Ele chora e chora
diversas vezes diversas vezes e os
guardas ouvem isso, mas ninguém podia
interferir. Aí vem o sexto ano. E aí do
sexto ao 9º ano,
nos próximos 4 anos, né, 6, 7, 8, 9,
ele disse o seguinte: "Olha, sabe o que
eu vou fazer? Então agora eu vou estudar
os idiomas, né? Vou estudar a filosofia.
história e idiomas. E ele se tornam
poliglota,
né? E qual que é a vantagem de você ser
um poliglota, além de você poder se
comunicar e e eh se expressar aí
nesses diversos idiomas? você também
para quem é leitor ábido, como é o nosso
jovem jurista aqui, eh, é você poder ler
os textos originais, porque toda
tradução, por melhor que seja, ela tem
um componente de interpretação.
Interpretação é algo no fim das contas,
sempre subjetivo. É claro que quando a
gente diz que é subjetivo, a gente tá
falando assim: "Ah, tirei da minha
cabeça". Não, os tradutores sérios, e
nós temos muitos tradutores sérios, eles
fazem isso considerando toda a
literatura antecedente,
todo o uso e costume histórico, todos os
eventos também históricos, né? Então, se
o termo é esse termo que é usado aqui,
vamosar a literatura antecedente, né,
para ver quantas vezes esse termo era
usado. Vamos pesquisar os os costumes
dessa localidade onde o texto foi
produzido, desse autor também, onde ele
nasceu e viveu. Então, e ele sabia que
no final toda a tradução tem um
algo de interpretação, ele vai ler no
original. E aí ele fica estupefato, né,
de felicidade, de alegria, porque agora
ele podia ler esses gênios da humanidade
nas línguas originais, ele podia se
comunicar também com outras pessoas ali,
né, por cartas, se ele quisesse também,
né, as línguas originais. Então esse
período ele vai chamar o seguinte, ele
vai falar assim: "Olha, eu estou
experimentando uma celestial
felicidade".
E aí ele que passou até então
9 anos sem conversar com o banqueiro,
sem trocar, tem uma comunicação, ele
decide ele escrever uma carta. Ele só
escrevia antes, né? Pedindo os livros ou
um instrumento de piano ou a bebida ou a
comida. Mas não era necessariamente para
o banqueiro, para o guarda desta vez
não. Ele escreve para o banqueiro. Ele
tinha lido cerca de 600 livros. E aí ele
relata toda essa experiência
maravilhosa, essa celestial felicidade
na qual ele se encontrava, por conseguir
aí dominar eh seis idiomas. E ele fala o
seguinte: "Olha, se essas palavras que
eu te escrevo em seis idiomas,
não, se você não encontrar nelas nenhum
erro, em nenhum dos seis idiomas, solta
um tiro no jardim só para eu ouvir, né?
só para eu ter o meu estudo validado e
saber que eu realmente alcancei o êxito
linguístico. E o Ah, o banqueiro faz
assim, ele ouve o tiro, deu êxito que
ele alcançou, a fluência, né, a erudição
que ele alcançou em filosofia, história,
literatura
e ele fica satisfeito. Só que aí, gente,
como ele já tinha lido tudo, ele tá
entrando no ano 10 aqui,
ele falou: "O que que falta para ler,
né?" "Ah, já sei". o evangelho
e o contato dele com o evangelho na
leitura do evangelho no ano 10 foi muito
surpreendente porque o banqueiro ficou
pensando assim, gente, como é que é uma
pessoa que leu
600 livros aí nos últimos anos, né, os
últimos 4 anos, leu vorazmente, tinha
fome de leitura, como o autor vai dizer,
como é que ele passou um ano lendo o
evangelho de Jesus Cristo
e que o banqueiro acharia assim uma
coisa que é até fácil de você
compreender, né? Eh, que demonstra aí a
falta dele de proximidade com contexto,
né?
H, porque obviamente, né, a mensagem do
evangelho é fácil, mas você entender
como essa mensagem é apresentada ali, é
necessário que você compreenda também a
cultura em que esse texto foi escrito. E
aí ele olhava sempre pro pro jurista,
né? Ele tava sentado imóvel apenas com o
evangelho na sua frente,
sem entusiasmo, sem celestial
felicidade, mas totalmente compenetrado
naquele texto durante um ano. Ele ficou
assim. Em seguida, ali do ano 11 ao 13,
ele vai se dedicar à teologia
e a história das religiões, né? Então, a
partir do evangelho, ele vai estudar
teologia e a partir da teologia, ele vai
estudar a história das religiões. Ele
vai fazer aí vai completar aí o seu
ciclo espiritual.
E nos últimos dois anos, por fim, como
ele já tinha lido tudo isso,
eh, ele passa ler de tudo,
né, e retoma a leitura e fusível. Então,
ele volta a ler muito, a ler de tudo e
ele se agarrava a leitura como quem
tentava ali salvar o resto da sua vida.
E é nesse momento histórico que a gente
tá, né? A gente tá onde? Lembra? A gente
começa com o banqueiro falando: "Puxa a
vida, hoje vem essa aposta que eu fiz 15
anos atrás, como é mesmo que essa aposta
surgiu?" Então o banqueiro faz toda essa
revisitação histórica, né, para
compreender o momento em que ele está. E
a conclusão que ele chega é o seguinte:
ele se arrepende de ter feito aposta.
Por quê? Porque ele faltavam apenas,
ã, lhe faltava pouco dinheiro para ele
faler. Então, quando ele apostou 2
milhões de rubros para ele,
uma pistincha, uma gorgeta, ele mesmo
fala isso. Na minha fortuna não faz
diferença nenhuma. Só que 15 anos
depois, em razão da da
de intercorrências, aí ele tem só um um
pouco, a gente fala um pouco, né, gente,
pra gente 10 milhões pode ser muito, mas
um pouco em vista do que ele tinha. E aí
ele fala: "Eu não posso pagar esse valor
para ele hoje, porque senão aí sim eu
vou ficar na completa falência, porque
tudo que ele restava era esses 2 milhões
que ele salvaguardou ali para para o
pagamento da posse." E aí ele fala
assim: "Qual que é a única
única alternativa que eu tenho?" Bom, é
matar o o prisioneiro, é matar o
advogado, o jurista, né? e culpar o ar
porque ele é muito obstinado. Ele tá lá,
ele já tá caquético, esquelético, né?
Mas ele tá cumprindo,
ele, o advogado, tá cumprindo a sua
parte na aposta. E lógico, ele deve est
contando os minutos porque faltam poucas
horas pro meioodia de 14 de novembro de
1885.
Ele deve estar contando as horas para se
apoçar desses 2 milhões, porque sim,
quando ele fez essa aposta, ele fez era
por causa do dinheiro, ele tá aqui, né,
nas suas elocubrações. E aí é curioso
uma coisa nessa altura, por
quem coloca o dinheiro à frente de tudo
e toma o dinheiro como regra de todas as
medidas
para sua vida, também acha que as outras
pessoas fazem o mesmo. Então, na cabeça
do banqueiro, o advogado fez isso só
para obter lá os 2 milhões. Ora, será
que é só por isso? Lembra que a gente tá
falando de alguém que tem um orgulho
intelectual? Se fosse só por isso, ele
poderia ter ficado nos 5 anos. Não, vou
cumprir 5 anos me dando 2 milhões, né? E
mas não, como encostou no brilho dele,
ele quis um pouco além. Aí, gente, aqui
é interessante porque toda vez que você
se guia por algo, a sua tendência eh
achar que as pessoas seguiam pelo mesmo
do que você, né? E você vai fazendo o
quê? O apagamento do outro, não. Como
dinheiro para mim é o valor máximo, ele
fez por causa de dinheiro também. Sei,
né? Talvez a vaidade intelectual do
outro, o brilho em estar certo, o prazer
em estar certo, seja mais importante que
dinheiro. E por isso ele triplicou a
aposta, né? Então é importante a gente
pensar que quando a gente fala com o
outro ou sobre um outro, nós precisamos
fazer o esforço para enxergar este outro
como ele de fato se apresenta e não a
partir das projeções de nós mesmos neste
outro, né? Toda vez que a gente fizer o
apagamento do outro, a gente vai se
equivocar bastante.
Retornando,
esse banqueiro fala: "Eu vou matá-lo".
São 3 da manhã.
Ele vai se esgueirando ali no jardim até
chegar ali na porta da cela. Ele chama o
guarda que tá guardando a cela. Ele vê
que ninguém responde. Provavelmente o
guarda tá apagado, dormindo, porque
inclusive era uma noite eh eh fria, né?
Muito propícia. ali para você dormir
profundamente.
Ele chega lá na na carinha na cela,
na aberturazinha que tinha por onde o
prisioneiro passava ali os papéis. E ele
vê aquele homem sentado imóvel, né?
Pensou uma vela tremulando lá e ele
pensou assim: "Ah, eu vou chegar
devagarzinho,
né, para não assustá-lo?"
E ele tá tão decrépito, ele tá tão
caquético,
que um o menor esforço físico meu vai
ser o suficiente para tirar a vida dele
e depois eu saio daqui que ele não vai
conseguir nem reagir e amanhã a gente
culpa o guarda. O único suspeito eh terá
sido o guarda. Mas quando ele vai
chegando, eu tô resumindo bem, tá gente?
Porque tem detalhes que que trazem toda
uma beleza pro texto ali que vale a
pena.
lê. Quando ele chega, o que que ele
encontra?
Ele encontra esse homem dormindo sobre
uma folha. E nessa folha, o que que tava
escrito?
Vamos ler essa parte aqui, porque isso é
importante.
Esse esse velho banqueiro, né,
arrependido da aposta que fez,
entendendo que no final das contas essa
aposta não provava era nada.
e que ele fez numa eh numa imprudência
juvenil e que o advogado também aceitou
numa imprudência juvenil, né? Então ele
agora ali no afan de recuperar seus 2
milhões, de recuperar não, de não perder
os seus 2 milhões, vai tentar matar esse
estudante, se se surpreende ali com uma
folha 3 da manhã, lembra que essa aposta
vence às 12 horas ao meio-dia deste
mesmo dia 14 de novembro. E aí
o que ele encontra
na mesa é o seguinte.
O o
advogado escreve: "Amanhã ao meio-dia em
ponto, recuperarei a minha liberdade e o
direito de conviver com as outras
pessoas.
Antes de deixar este quarto e rever o
sol, julgo contudo necessário
dirigir-vos algumas palavras.
Com a minha consciência limpa e perante
Deus que me vê,
afirmo meu desprezo pela liberdade, pela
vida, pela saúde e por tudo quanto nos
vossos livros se chama bens do mundo. Eu
afirmo meu desprezo, porque qualquer
coisa que seja terrena, bens do mundo.
Durante 15 anos, estudei atentamente a
vida terrena. Aí tem um trecho que eu
vou pular e ele segue dizendo: "Os
vossos livros deram-me a sabedoria.
Tudo quanto o infatigável pensamento
humano criou durante séculos acha-se
comprimido numa pequena bola aqui, ó,
dentro do meu cérebro. Eu sou mais
inteligente que todos vós, bem o sei. E
já não tem dúvida disso. Veja a vaidade
da inteligência, né, que ele antigamente
tinha. Aqui ele já não apresenta como
uma vaidade, mas como uma constatação. É
curioso isso, né? Porque antes ele se
achava mais inteligente do que todos.
Provou não ser quando faz uma aposta
absurda, eh, e, e, e ineficaz dessa, né?
Então, quando ele achava que era, na
verdade ele não era. E quando ele se
tornou, ele já não achava mais nada
sobre isso, não se importava com isso.
Isso para ele não era mais um valor. Ele
fala:
"E dispreza os vossos livros, desprezos
todos os bens e a sabedoria deste mundo.
Tudo é fútil, tudo é efêmero, quimérico,
enganoso, como uma miragem.
Embora sejais orgulhosos,
sábios e belos, a morte
há de apagar-vos
da face da terra como os ratos dos
campos e a vossa descendência, a vossa
história, a imortalidade dos vossos
gêmeos, tudo isso, isso desaparecerá.
Todas as coisas desaparecerão.
Sois insensatos e seguis caminho errado.
Tomais a mentira pela verdade, a
fealdade pela beleza. Trocais o céu pela
terra. E eu já não quero
compreender-vos.
para vos demonstrar o meu desprezo por
tudo aquilo que constitui a razão da
nossa vida, recuso os tudo aquilo que
constitui a razão da vossa vida.
Tudo aquilo que isso tudo que a gente
acabou de falar, o que que constitui a
razão da sua vida?
Para o que que você acorda todos os
dias? Motivado pelo quê? Entusiasmado
com quê? E não me vem com essa história
de, ah, para pegar o evangelho, porque
já acorda, a gente já acorda pensando a
gente mesmo, eu tô atrasado, eu preciso
fazer isso, eu preciso fazer aquilo.
Obviamente
que dentre tantas pessoas que nos ouvem,
que nos escutam, tem gente que acorda
assim já num espírito de gratidão,
perguntando ao Senhor, né, agradecendo
pela noite, perguntando: Deus, o que que
a gente vai fazer junto hoje? Qual que é
sua agenda hoje? tá aqui a minha que eu
submeto a sua, né? Onde que o senhor me
quer, com quem o senhor me quer, para
que o senhor me quer? Então existem sim
essas pessoas, mas eh mesmo quem acorda
com essa consciência, porque ainda tá
ali no seu repouso, na sua cama, no seu
quarto, será que com o hiperestímulo
e nós nunca estivemos tão
hiperestimulados,
será que com hiperestímulo do seu dia a
dia, com os problemas que vão pulando,
com as notificações que vão chegando,
com as chamadas que vão entrando, né,
com os problemas que vão aparecendo?
Será que ele consegue manter essa
consciência da presença total de Deus?
Ou a gente perde isso durante o dia? Eu
falo para vocês, minha boca tá mais
perto do meu ouvido. Eu passo a maior
parte do meu dia me esquecendo dessa
presença total, sempre tendo que ir
buscá-la, sempre tendo que reunir os
meus sentidos dispersos
nesse milhão de estímulos que a gente
tem, né? Será que sou só eu ou você
também?
se encontra assim, né? Então, falo para
vocês, a minha boca tá mais perto do meu
ouvido. Então, é o o autor vai o o
advogado vai finalizar essa carta que
ele escreve dizendo o seguinte: "Eu
recuso tudo isso. Eu recuso inclusive os
2 milhões com os quais somehei em tempos
lá atrás, 15 anos atrás, como se fossem
o paraíso.
Mais de que agora desde, né? Ah, quantas
vezes a gente pensa assim: "Nossa, se eu
tivesse 2 milhões, eu podia resolver
isso, isso minha aí minha vida ia tá
resolvida. Nossa, aí eu não consegui
dormir direito, não ficar tão
preocupada, ia ter paz. Então aqui o
paraíso, cachorro lá atrás a direcer o
paraíso, mas agora eu desenho dele para
me privar do direito
à posse desse dinheiro, sairei daqui 5
horas antes do prazo estipulado,
violando assim o contrato.
Assim que amanhecer, eu vou embora.
Quando o banqueiro termina de ler essa
carta, o banqueiro repôs a folha em cima
da mesa, beijou a cabeça daquele homem
estranho, desatou a chorar e saiu do
pavilhão.
Nunca, em qualquer outra ocasião, nem
mesmo após as suas maiores perdas na
bolsa, ele experimentara tamanho
desprezo por si próprio, nunca como
agora.
De volta à casa, tirou-se para cima da
cama, mas durante largo tempo, a
excitação e as lágrimas não lhe
permitiram adormecer. Chorou.
Fui lá para matar esse homem por causa
de 2 milhões e esse homem renuncia a
esses 2 milhões
voluntariamente,
né? e nobremente, excepcionalmente.
Na manhã seguinte, os guardas acorreram
muito pálidos e comunicaram ao banqueiro
que tinham visto o homem do pavilhão
saltar na janela do jardim, da janela da
sua cela para o jardim, dirigir-se para
o portão e depois desaparecer. Então
assim, os guardas vão lá, abrem a cela,
né? Ele salta correndo lá do do pavilhão
pro jardim e desaparece. O velho
acompanhado pelos criados, o velho
banqueiro acompanhado pelos criados,
encaminhou-se logo para o que fora o
cárcere desse jurista e verificou a sua
fuga. Ele foi lá só conferir. Ele já
sabia, né? A fim de evitar comentários
inútez, pegou a folha do papel que
continha a renúncia do prisioneiro ao
dinheiro e quando chegou em casa,
fechou-a no cofre forte.
Tekov encerra o conto dele assim e é
muito comum na literatura de Checkov que
ele eh encerre dessa forma em que você
fica assim e aí e depois é como se fosse
assim cenas do próximo capítulo, porque
como a literatura dele é muito a escrita
dele é muito marcada
eh pelos conflitos
reais que nos atravessam,
é muito comum na obra deov ele deixar
assim: "E aí, que que você acha? que que
você faria, que que você pensa que
aconteceu, que que você imagina, né? Ele
deixa isso em aberto. Que que a gente
pode pensar aqui, gente, agora fazendo a
interface, né, com a escritura? Eh,
Tikov não era um homem devoto, embora e
nascido ali numa Rússia eh fortemente
católica. não foi devoto como
Dostoevskou
ou Tooy, mas a
fé cristã aparece quando aqui no início
da carta, né, ele vai falando: "Olha,
diante de Deus, né, eu eu com a minha
consciência limpa e perante Deus que me
vê, ou seja, esse Deus que é
onipresente, que é onisciente, que é
onipotente, esse Deus que me vê.
Então aqui você vê
a presença do evangelho, você vê também
lá no ano 10, quando ele passa um ano
inteiro dedicado ao evangelho, né? E é
impossível a gente não pensar, de novo,
embora Tov não fosse eh devoto como
Tostoy ou como Dostoyevski, eh ele era
um homem muito comprometido com as
causas sociais,
com os valores sociais, né? Considerado
aí um humanista.
Porque até porque pela própria
experiência, ele teve uma vida muito
difícil, muito complicada mesmo, né?
Passou muita necessidade, então ele se
comprometia com isso. E a escrita dele
tá sempre colocando, né, esses essas
essas questões aí, do que que a gente
precisa de fato?
É dinheiro,
é liberdade,
é espiritualidade,
né? ou precisamos de tudo isso, mas
dentre tantas necessidades,
uma delas se sobressai,
uma delas é de fato a maior de todas, a
definitiva. Então, quando a gente lê a
troca que esse
advogado faz, né, de 2 milhões
pela renúncia
de tudo
em favor da sua liberdade, é curioso
porque primeiro ele renuncia a 15 anos
por 2 milhões, agora ele renuncia a 2
milhões e a tudo mais, né?
pelo quê?
Essa é a grande pergunta do conto, né?
Eh, do final das contas, é pelo quê?
Eu acho curiosa essa frase quando ele
diz: "Eu não quero compreender vocês
mais. Vocês trocam o que é terreno,
vocês trocam o céu pela terra. E eu não
quero mais compreender vocês, talvez
pela paz que ele alcançou
de entender o seguinte:
aquele que é verdadeiramente livre não é
quem tem a segurança d de todas essas
coisas, né? É quem renuncia a todas
elas. Aquele que é verdadeiramente livre
não é quem deseja as coisas do mundo,
é quem. Aí é impossível você não
lembrar, né, de Paulo quando ele fala
assim: "Eu considero tudo como esterco."
Lá em Filipenses 3,
considero tudo como esterco, como
refugo, como lixo. O original pode ser
traduzido esterco, refugo lixo.
Deixa eu ler aqui para vocês, ó. Eh,
para ganhar a Cristo, eu considero tudo
como esterco. Lá em Filipenses 3,
esse esse esse advogado aqui, que agora
já não é mais jovem, né? Ele tá com 40
anos, ele foi encarcerado com 25, ele tá
com 40. Ele fala: "Eu considero tudo,
toda sabedoria, toda sapiência, todos os
idiomas, tudo que 2 milhões podem
comprar, eu considero tudo como esterco.
Em razão disso que eu
conheci, que eu ganhei." Dá pra gente
imaginar que essa experiência espiritual
ali um ano com o evangelho, o tenha
transformado.
Algumas pessoas vão: "Ah, Rena, você tá
puxando a interpretação,
gente. Eu não, a um clássico, ele é um
clássico porque ele admite várias
interpretações.
Aqui a nossa função é fazer a interface
entre a literatura e a fé. Se você pegar
uma pessoa que não vai trabalhar a
questão da fé, é lógico que ela vai
dizer: "Não, ele saiu
eh
unilista
sem acreditar em nada e desprezando
absolutamente tudo, né? Eu não entendo
dessa forma. Eu acho que alguém que
passou por essa experiência e chega
nesse desprendimento,
a gente vê isso o quê? A gente vê isso
no Paulo, né? Então eu acho que e outra
coisa, um ele passou um ano inteiro nos
evangelhos aí depois mais três anos
estudando teologia e história das
religiões. E aí nos dois últimos é
interessante isso que o autor fala, que
nos dois últimos ele fica livre, ele se
sente livre para ler de tudo. Ele vai
ler tudo. O autor vai ler ah, química,
biologia, matemática, ele vai ler de
tudo. Por quê, gente? Porque o evangelho
te dá essa liberdade.
Eu acho curioso quando eu ouço crente
falar: "Não, isso aqui eu não leio
porque eh o autor não é cristão". Oi?
Né? Então assim, você só come o que
cristão planta, você só anda em carro
que cristão eh produz, você só veste
roupa que cristão costurou, né? Todo dom
é dom de Deus. Toda sabedoria vem do pai
das luzes. É o conceito de graça comum.
Então, há muita beleza
em obras, em autores que não se
professam cristãos.
Um saramago ateu, você lê os livros
dele, você chora, né? Eu choro onde eu
tiver lendo saramago, eu me comovo
profundamente,
consigo ver tudo e retero o que é bom.
Lógico que a minha cosmovisão cristã,
ela tá sempre aqui no transfundo
operando. Eu estou sempre vendo todas as
coisas a partir disso, mas eu não vou me
esquivar da beleza que existe no mundo
que Deus deu aos homens através de
crente e descrente
por um preconceito religioso, né? Então
eu acho que
esse homem depois que ele passa ali
esses 3 anos, né, lendo o evangelho,
estudando só das religião, das religiões
de teologia, ele se sente muito livre
para ler de tudo
e ler sem medo, porque a sua fé já não
era frágil como antes, né? Ele poderia
ver tudo e reter o que é bom. Eh, e eu
me lembrei também, né, eh, revisitando
esse conto de Mateus 13, lembra? O
negociante encontrou uma pérola de
grande valor. A pérola mais preciosa foi
vender tudo que tinha para poder
comprá-la. Esse homem encontrou uma
pérola de grande valor durante esses
anos em que ele esteve lá
e ele renunciou a tudo. Ele não vendeu
tudo, mas ele deu tudo. Ele renunciou a
tudo só para poder ficar com aquilo que
ele considerava a sua sua pérola
preciosa, né?
Então ele entra apostando por 2 milhões
para ter 2 milhões e no final
ele entrega esses 2 milhões porque ele
viu que a aposta que ele havia firmado
na sua vida, aquilo no qual ele havia
apostado seus 15 anos,
ele considerava o quê? Esterco, refugo,
lixo.
No que você está apostando a sua vida?
O que que você tá postando os seus dias?
A sua vitalidade, seu vigor, sua paz de
espírito,
sua energia, a força dos seus braços,
né? Ah, é, não é em dinheiro, é o quê?
No trabalho, é em validação
profissional,
é em status social,
em um relacionamento,
é num projeto, é na obtenção de algo,
né?
E eu não sei no que que você tá postando
na sua vida. E lendo esse esse esse
conto, relendo, né, já tinha desconto
anos atrás, eu fui rever as minhas
apostas,
né? Porque
uma coisa é certa, gente, olha,
impérios apostaram contra o evangelho,
governos, poderes, autoridades,
economias, políticas, filosofias,
ideologias apostaram contra o evangelho.
Todos perderam.
O evangelho segue firme e forte, porque
tudo passará, só a palavra é que
permaneça.
Então, toda a força que a gente faz, que
não seja no evangelho do Senhor Jesus
Cristo, é perda garantida.
A nossa oração hoje, né, o nosso desejo
é para que você eh revisite
a sua história,
revisite as suas apostas.
Coloque todas elas diante de Deus e
reconsidere.
Se por acaso você tem empenhado seus
melhores recursos,
seu melhor vigor,
sua melhor atenção,
seu melhor momento, naquilo que não é o
evangelho
ou que não esteja a serviço de Deus
nessa terra, né? Que Deus ajude você a
se refazer, né? que a sua aposta seja
sobretudo crescer no conhecimento de
Cristo,
crescer na intimidade com ele e sendo
tomado por esse amor íntimo,
você transforme, sendo transformado por
esse amor íntimo, você transforme também
o seu entorno.
Então, eh, eu quero ouvir, né, a Bel um
pouquinho sobre o texto que ela acha
também. Eh, mas quanto a mim o que me
ocorreu lendo isso foi revisitar as
minhas apostas e
perceber se eu tenho
empenhado os meus melhores recursos
naquilo que não é o evangelho, porque
certamente estará perdido.
Tudo passa, só o evangelho permanece.
De diga qual a sua experiência com esse
livrinho?
Realmente é muito
e nos faz pensar muito no que nós
estamos apostando, né? Como você mesma
disse, onde a gente tá colocando as
nossas fichas, né? Será que que vale a
pena? Eu fiquei pensando muito naquele
rapaz que por uma ganância de de dois 2
milhões, né? de dois de conseguir perder
15 anos da sua vida, né, de ali para
ganhar 2 milhões e que correu, ele não
sabia o que aconteceu, ele perdeu a vida
dele pel aquele espaço de tempo, né, que
ele não sabia, ele lia, né, muitas
coisas, ele fazia muitas coisas ali
assim nesse sentido de Mas eu não sei se
ele se inteirava do que tava
acontecendo. não sabia, por exemplo, que
o quem fez aposta com ele tava falido,
né? Que até desejava matá-lo, né? Mas o
que eu penso é que às vezes a gente
investe em tanta coisa, às vezes é num
num relacionamento que não vale mais a
pena não. Eu sei que o evangelho, a
Bíblia diz pra gente investir, mas às
vezes você tá correndo riscos, né, por
causa de apostas na sua vida. Às vezes
você quer muito uma coisa, eu vejo que
gente se perdendo, apostando para
ganhar. Você vê o desespero do final do
ano para as pessoas ganharem a mega cena
da virada, a a outros jogos assim, né? O
desespero que as pessoas são, que as
pessoas fazem, apostam tanto e e para
que, né? Como foi o caso dele, né? Nos
últimos momentos, ele nem queria mais,
né? para que aqueles dois, aqueles 2
milhões. [roncando] E também eu aprendi
que a gente tem que pensar sobre isso,
sobre o que a gente tá fazendo, no que a
gente tá investindo, se vale a pena, se
vale a pena eu dobrar o meu joelho e
orar durante uma hora ou será que vale a
pena eu ficar apostando no que não vale
mais a pena, né? No que não vale
realmente a pena,
>> né? É, eu fico, eu devo assistir nada
contra, tá? gente que assiste, não tenho
nada contra. Mas será que eu devo ficar
1 hora, 2 horas e gastando minha
adrenalina assistindo um Big Brother? Ou
será que vale a pena eu ficar lendo ou
estudando alguma coisa, aprendendo uma
língua, por exemplo, nova? Eh, o que
como a gente usa, né, o nosso tempo
também é uma das questões que esse conto
eh levanta. Como é que você vai usar o
seu tempo livre? E hoje em dia, mais do
que nunca, né, eh, isso aí precisa ser
considerado.
E também outra questão é isso que você
falou sobre, né, a como ele ali vê o
dinheiro como paraíso, a garantia do
paraíso para si. Então assim, ele pega
uma coisa que é relativa, que é o
dinheiro, e ele absolutiza.
E toda, já falei isso aqui em outras
lives, mas é sempre importante lembrar,
toda vez que a gente
absolutizo o relativo
e relativizo o absoluto, isso vai nos
trazer sofrimento.
Quando você aposta tudo em algo, você
absolutiza
esse algo que é relativo, porque é
absoluto. Na vida só tem um, é Cristo.
Então, toda vez que absolutizo o que é
relativo, dinheiro, e relativizo o que é
absoluto, Cristo, isso vai me trazer
sofrimento, né? É, o texto deixa aí
essas esses alertas
pra gente, né, Bel? E quando a gente
atinge mais um pouco mais de, a gente é
jovem há mais tempo, quando sou a gente
começa a pensar, né? Tipo, você tá
fazendo, você tá com um, digamos, você
abriu uma empresa e você tá vendo que
seus o saldo fica negativo todo mês, mas
você continua apostando, tirou, tirando
de onde não tem e para e continuando com
aquele seu sonho. Então eu isso é uma
aposta que tá que não tá dando certo.
Então você tem que pensar se vale a
pena. E eu penso hoje em, tipo assim, ao
invés de ficar perdendo tempo, fazendo
uma coisa, que apostando numa coisa que
eu sei que não vale a pena, eu durmo,
por exemplo, eu vou ler, eu vou assistir
um uma outra coisa que eu gosto, eu vou
estudar, entendeu? Então eu penso dessa
forma, né, assim, que eu vou eu vou,
>> né, para que que eu vou assistir um
programa de esses programas que quase
sangram, né, se eu posso isso te deixa,
gasta sua energia, você tá apostando
numa coisa que além de além de te puxar
para baixo, eu acho que não vale a pena,
que é uma aposta que não vale a pena.
>> É, é, você tem que observar se aquilo te
traz saúde ou não, né? Porque como nós
somos pessoas diferentes e cada um tem
uma história, cada um tem um desejo, uma
frente de trabalho, eh ver tal x coisa,
é lógico que existem coisas que são
extremos, por exemplo, como você falou,
né, esses programas sanguinários,
>> eh, isso aí obviamente vão alterar os
nossos os níveis hormonais. Isso aí não
é acheologia, isso aí é medição
biológica mesmo.
>> Os níveis hormonais vai te adrenar, vai
te corticalizar, né? Vai gerar
ansiedade. Essas coisas mais extremas,
elas são aí meio que uniformes para todo
o que é humano. Eh, no entanto, existem
outras já que dependem, por exemplo, da
sua área de estudo. O interesse ele
muda. Às vezes eu posso considerar x
coisa. Ah, isso para mim não vai ser
perda de tempo, porque aquilo não é da
minha área de estudo, aquilo não toca na
minha história, aquilo não faz parte do
meu cotidiano, mas para outra pessoa
pessoa
>> aqui você fala. Oi, Bel.
>> Não é porque travou, travou por uns 10
segundos. Aí eu eu te chamei.
>> Ah, desculpa aí, gente. Eh, mas assim,
que tão de acordo com a nossa vida e a
nossa o nosso ministério no mundo,
algumas coisas podem cooperar para o meu
aperfeiçoamento, para que me torne
conforme Cristo e outras não. Algumas
coisas podem ser mais saudáveis para mim
do que para Bel. Outras vão ser mais
saudáveis para Bel. Então, a questão é
como que a gente vai usar o nosso tempo
livre, né, como a Abel colocou, no que
que a gente vai apostar o nosso eh tempo
livre, né?
>> É isso. Diga,
>> então eu tô apostando, por exemplo,
agora em livros de aconselhamento.
Hoje mesmo eu comprei um livro chamado
Ajudando uns aos outros pelo
aconselhamento do Garen Collins, da vida
da vida nova.
Então eu tô apostando nisso, eu tô lendo
mais sobre isso e eu tô e eu e eu acho
que é uma aposta que vale a pena. Nossa,
Bel, muito. Tem um aqui, deixa eu te
mostrar quem quem você que tá com
aconselhamento. Deixa eu concisar aqui.
Pera aí. Dá para ver esse aqui, ó. A
gente, nossa, você tá fazendo uma aposta
maravilhosa, porque vai cooperar não só
para sua edificação, mas para a
edificação do outro. qualquer um que
chegar com coração angustiado,
sobrecarregado, você vai poder acolher
essa pessoa de uma maneira mais
preparada, né? Isso é muito bom. Esse
que você mencionou é muito bom. E para
quem tá nos assistindo também, ó,
instrumentos nas mãos do Redentor, do
Paul David Trip, tudo o Paul David Trip
que você encontrar, você pode pegar para
ler. E este livro é excepcional. Ele é
extraordinário. É um livro que você lê e
relê e relê. Pessoas que precisam ser
transformadas,
ajudando pessoas que precisam de
transformação.
Ó, gente, aí. Então, deixa eu te mostrar
outro que eu tô aqui de aconselhamento
também.
>> Ui, vem cá, vem, bebê.
>> Olha aqui esse daqui também, ó, que é o
aconselhamento bíblico para todos. Esse
também eu já tinha comprado também na
vida nova. Esse é de quem, gente? Esse é
do Frank Newton, sei lá o nome dele. Mas
esse
>> parece que é ótimo também, né? Eu vou
procurar.
>> Não, mas eu então ele tá aqui na minha
cabeceira. Então
>> eu disse que parece que é ótimo porque
da vida nova, né, gente? A vida nova tem
um catálogo excepcional. Quando você vê
a editor assim, isso já sinaliza para
você a qualidade da obra, né? É, eu não
sei se vocês estão sabendo, mas a Vida
Nova lançou a nova a Bíblia shed nova,
linda, com versões aí maravilhosas. Sou
suspeita para falar, trabalhei lá 17
anos, então eu sou fã incondicional,
especialmente que foi o meu querido e
saudoso que fundou a vida Nova. Então eu
eu sim, eu gosto, falo com prazer.
>> É, Belzinha, é uma ótima aposta que você
tá fazendo, viu? E você que tá aí nos
ouvindo, né, você tá apostando o quê? A
sua força, o seu vigor, a sua
vitalidade, sua saúde física, psíquica,
sua saúde mental, né? O que que você tá
apostando? É algo que é, você tá
trocando o céu pela terra,
>> né? Falo para você, minha boca tá mais
perto do meu ouvido. Vou dizer igual o o
o advogado que eu não quero compreender
você, né? Porque eu sei que eu não vou
conseguir, porque você tem a sua
história, suas marcas, os seus sonhos,
suas experiências, né? Eu cheguei a à
conclusão para mim que eu não quero
trocar o céu pela terra, embora faça
isso constantemente, mas a gente
continua perseverando na graça do Senhor
Jesus, porque a transformação ela é de
glória em glória, né? Então, enquanto
ele não voltar ou não me chamar, a gente
vai aí todos os dias eh focado nisso, em
não relativizar o absoluto, né, e não
absolutizar aquilo que é relativo.
É isso, né, Belzinha? Ficamos por aqui.
>> É isso. Ficamos por aqui. Esperamos
vocês daqui um mês, no finalzinho de
abril, né, para para mais uma. Esperem
que a Rina sempre escolhe contos
maravilhosos ou livros maravilhosos.
Então, esperem algo bom. Final de semana
na IBNU tem coisas muito boas por aí. Se
quiserem nos visitar, esse sábado tem o
BGSP, é uma tarde de jogos na IBNW e
você pode ir lá. Tem duas psicólogas de
prontidão para atender você também. Se
você quiser ir lá bater um um papo para
falar sobre sua saúde emocional, elas
estarão lá lá em Benil às 14 horas.
E tem os jogos que você pode ficar lá do
meio-dia até às 9 da noite jogando,
participando e se divertindo também e
até eh oferecendo o seu ombro para
alguém que tá ali precisando.
Será muito bem-vindo, apareça. Será
muito bem-vindo. E se e você que tá aí
no acompanhando o clube do livro, né,
quiser participar também, é só mandar
uma mensagem pra gente, né, Bel? a gente
se organiza para você também tá aqui
partilhando a sua experiência como
leitor.
>> Isso aí.
>> Muito obrigada a todos, Bel. Muito
obrigada mais uma vez pela sua presença,
a sua companhia que só nos ilumina.
Coisa mais linda. Á essa Belzinha,
gente, essa Belzinha eu não canso de
falar. Isso é sal da terra, isso é luz
do mundo, viu? Muito obrigada, Bel. E
você também leitor que tá aí conosco.
Muito obrigada. Até a próxima. Deus
abençoe.
>> Ai que a parceria com você é boa. Um
abraço, gente. Tchau.

Tags: