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A fé vem pelo ouvir

Orando por Santidade | Tu conheces o Inimigo oculto | Sl 91:3 | Josemar Bessa

Orando por Santidade | Tu conheces o Inimigo oculto | Sl 91:3 | Josemar Bessa

Orando por Santidade | Tu conheces o Inimigo oculto | Sl 91:3 | Josemar Bessa

"Porque ele te livrará do laço do passarinheiro" – Salmo 91:3
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Legendas automáticas:

Senhor nosso Deus, refúgio dos teus
cansados, fortaleza dos teus fracos,
abrigo dos teus perseguidos, nós nos
achegamos a ti, porque há perigos que os
olhos do corpo não vem, e há guerras que
a carne por si mesma não sabe discernir.
Há quedas que começam muito antes do
escândalo. Há ruínas que nascem no
secreto. Há feridas que se abrem na alma
antes que a boca confesse, antes que as
mãos pratiquem, antes que os pés se
desviem por completo.
E tu conheces tudo isso. Tu conheces os
caminhos por onde a tentação se
aproxima.
Tu sondas as sombras onde o inimigo se
esconde. Tu fez o laço antes que a ave
perceba o chão alterado debaixo de si.
Nós, porém, tantas vezes vivemos como se
não estivéssemos em guerra. Tantas vezes
respiramos como se o ar ao nosso redor
fosse neutro. Tantas vezes baixamos a
guarda como se não houvesse malignidade
ativa, inteligência perversa, intenção
homicida e astúcia persistente, cercando
os filhos dos homens. Nós nos ocupamos
com o visível, com o imediato, com o
terreno e nos esquecemos de que há um
adversário vigilante que não dorme, que
não se cansa, que não abandona a sua
antigimizade contra ti e contra tudo o
que traz a tua imagem.
Perdoa-nos, Senhor, porque a nossa
distração é uma forma de orgulho.
Pensamos que estamos em pé quando mal
percebemos a fragilidade dos nossos
joelhos.
Imaginamos clareza em nós quando tantas
vezes somos névoa. Supomos força em
nosso coração quando sem tua mão
sustentando, somos palha diante do
vento. Tu sabes, ó Deus, que o inimigo
não cessou sua obra. Ele não depôs suas
armas, não renunciou ao seu ódio, não
fez trégua com a verdade, não se
reconciliou com a santidade. Ele
continua sendo o enganador das almas, o
acusador dos irmãos, o semeador da
mentira, o inimigo da luz, o corruptor
do coração, o imitador blasfemo, o
falsificador de paz, o negociador de
ilusões.
Mas quão facilmente nos esquecemos
disso, quão prontamente tratamos a vida
espiritual como se fosse apenas
disciplina, temperamento, hábito
religioso ou esforço moral? Quão pouco
trememos diante da malícia que combate
contra a piedade. Com pouco vigiamos
diante daquele que desde o princípio
trabalha para distorcer, desfigurar e
arrastar para baixo tudo quanto reflete,
ainda que fracamente a tua glória.
E ainda assim, Senhor, o nosso temor não
termina no inimigo, porque a nossa
esperança começa em ti. Se o salmo
dissesse apenas que é um laço, nós
desfaleceríamos. [música]
Se a tua palavra nos falasse apenas do
passarinheiro, nós seríamos consumidos
pela ansiedade. Se nos dissesse apenas
que as ciladas, nós andaríamos esmagados
por um medo sem alívio. Mas tu não
falaste assim. Tu falaste com promessa,
tu falaste com autoridade, tu falaste
com a doçura firme do Deus, que não
apenas revela o perigo, mas também
anuncia o socorro. Tu nos livras do laço
do passarinheiro. Tu não a nossa
prudência em primeiro lugar, não a nossa
firmeza natural, não a nossa disciplina
religiosa, [música]
não a vigilância do homem deixado a si
mesmo. Tu nos livras.
A esperança do teu povo não está no fato
de que o laço seja pequeno, mas no fato
de que o libertador é grande. Não está
no fato de que a ameaça seja fraca, mas
no fato de que o teu braço é invencível.
Ó Senhor, ensina-nos a pensar com
seriedade santa. Livra-nos da
infantilidade espiritual que imagina o
mal apenas em suas formas gritantes,
grosseiras e imediatamente
reconhecíveis.
O mal nem sempre vem com o rosto
descoberto, nem sempre ruge, nem sempre
ameaça em voz alta, nem sempre se
apresenta como rebelião aberta. Muitas
vezes ele insinua, muitas vezes ele
afaga, muitas vezes ele [música]
persuade, muitas vezes ele raciocina,
muitas vezes ele parece apenas
sofisticar o erro, suavizar a
desobediência,
tornar mais aceitável a mistura.
Mas palatável a concessão, mas elegante
a infidelidade.
Quantas vezes o pecado não entra pela
porta da violência, mas pela janela da
plausibilidade.
Quantas vezes o inferno não oferece
negação frontal, mas acomodação gradual?
Quantas vezes a ruína não começa com
blasfêmia declarada, mas com pequenas
concessões tratadas como maturidade,
prudência ou equilíbrio. Nós confessamos
diante de ti que a alma humana é mais
vulnerável do que gosta de admitir.
Somos como ave frágil em campo vasto.
Não vemos tudo, não entendemos tudo, não
antecipamos tudo. Há uma simplicidade em
nós que pode ser santa quando depende de
ti, mas que se torna perigosa quando
confia em si mesma. Somos leves demais
para enfrentar sozinhos o peso da
malícia espiritual. Somos ignorantes
demais para detectar cada disfarce do
erro. Somos fracos demais para
arrebentar sozinhos as redes que
[música] nos envolvem. E mesmo quando
percebemos tarde demais que havia
armadilha onde pensávamos haver
alimento, já sentimos em nós a verdade
amarga. Não basta reconhecer o laço. É
preciso ter força para sair dele. E essa
força não nasce da carne. Essa força não
se produz por resolução humana. Essa
força não é fabricada pelo orgulho
religioso.
Essa força vem de ti. Por isso te
pedimos, Senhor, dá-nos olhos sóbrios,
dá-nos discernimento lavado pela tua
palavra, dá-nos consciência desperta,
dá-nos suspeita santa de nós [música]
mesmos. Dá-nos santa desconfiança do
coração que rapidamente justifica o que
deseja. Dá-nos temor puro diante do
pecado. Dá-nos prontidão em fugir,
prontidão em vigiar, prontidão em
clamar. Não permitas que tratemos como
leve aquilo que pode nos matar. Não
permitas que chamemos de refinamento
aquilo que é apenas tentação bem
vestida. Não permitas que a nossa época
nos catequize mais do que a tua verdade.
Não permitas que a persuasão do mundo
adormeça em nós a severidade gloriosa da
santidade.
Porque nós sabemos, ó Deus, que o
inimigo de nossas almas aprendeu a falar
manso sem deixar de odiar. Ele sabe
parecer razoável sem deixar de ser
assassino. Ele sabe vestir a mentira de
inteligência, a soberba de liberdade, a
incredulidade de sofisticação e a
mundanidade de equilíbrio, a frustidão
de gentileza, a desobediência de
autenticidade. [música]
Ele sabe dourar a corrente, ele sabe
perfurar a podridão. que sabe aproximar
o abismo sem dar ao homem a sensação de
queda. E se tu não nos guardares, nós
não saberemos guardar a nós mesmos. Se
tu não nos sustentares, nós
transformaremos perigo em hábito,
concessão em costume, costume em afeto,
afeto em cativeiro. Mas bendito seja,
Senhor, porque acima da astúcia do
inimigo está a tua sabedoria. Acima da
persistência dele está a tua fidelidade.
Acima da malícia dele está a tua
santidade. Acima de cada laço oculto
está o teu olhar que tudo vê. Acima de
cada emboscada está a tua providência.
Acima de cada acusação está o sangue
melhor que fala por nós. Acima de cada
tentativa de destruição, está o teu
decreto de preservação para os que são
teus. O inimigo é real, mas não é
soberano. A tentação é real, mas não é
absoluta. O laço é real, mas não é
definitivo para aqueles que repousam
debaixo das tuas asas. O passarinheiro
trama, mas tu reinas. O enganador arma,
mas tu desfazes. O acusador se levanta,
mas tu justificas. O destruidor
persegue, mas tu guardas os teus como
propriedade comprada por sangue. Que
verdade consoladora é esta para a alma
cansada? Nós não atravessamos este mundo
sozinhos. Não caminhamos por campo
neutro, mas também não caminhamos
órfãos. Não vivemos sem perigo, mas
também não vivemos sem pastor. Não
estamos livres de combate, mas estamos
debaixo da aliança. Não estamos acima da
tentação, mas estamos sob a vigilância
daquele que nem dorme, nem cochila.
Quantas vezes, Senhor, só no último dia
veremos de quantos males fomos poupados,
quantas redes jamais percebidas terão
sido cortadas por tua misericórdia.
Quantos passos quase dados terão sido
detidos por tua mão. Quantas seduções
terão perdido força por causa de uma
graça que operou antes mesmo que
soubéssemos pedir. Nós te louvamos por
livramentos que conhecemos e por aqueles
que jamais conheceremos nesta vida.
Ensina-nos então a viver em humilde
vigilância. Não em pânico, porque tu és
nossa [música] paz. Não em presunção,
porque somos pó. Não em desespero,
porque tua promessa permanece. Não em
autoconfiança, porque o braço da carne
falha. Mas em temor reverente, em
dependência constante, em oração sóbria,
em apego à tua palavra, em comunhão com
Cristo, em sensibilidade ao Espírito
Santo.
Faz-nos andar como quem sabe que há
laços por toda parte, mas também como
quem sabe que é um Deus que vela.
Faz-nos sentir o peso da batalha sem
perder o descanso [música] da filiação.
Faz-nos tremer diante do pecado, sem
tremer como quem não tem esperança.
Faz-nos desconfiar de nós mesmos e
confiar inteiramente em ti, Senhor. Esta
é a nossa paz. O perigo não é
imaginário, mas a tua promessa também
não é.
O inimigo é oculto, mas tu não és
ausente.
O passarinheiro é astuto, mas tu és
senhor. Há armadilhas espalhadas, sim,
mas há também olhos eternos sobre os
teus. Há seduções, há disfarces, há
enganos, há ataques, a cercos, há
racionalizações,
há convites suaves para a morte. Mas
acima de tudo isso, há tua palavra fiel,
teu governo santo, tua graça
preservadora.
Teu filho intercedendo, teu espírito
advertindo, teu amor sustentando. Por
isso, nós nos aquiietamos diante de ti.
Não porque o campo seja seguro em si
mesmo, mas porque tu guardas os teus no
meio dele. Não porque a ave seja forte,
mas porque o Senhor do céu inclina-se
para defendê-la. Não porque o laço seja
pequeno, mas porque teu poder é
incomparavelmente maior. Guarda-nos, ó
Deus. Desperta-nos, ó Deus. Humilha-nos,
ó Deus. Firma-nos, ó Deus.
E ao conduzires nossos passos entre
perigos visíveis e invisíveis, fazem-nos
entrar mais fundo na santa sabedoria,
para que reconheçamos melhor a anatomia
do laço, a sutileza da tentação e a
necessidade absoluta de viver escondidos
em ti, Pai Santo. Tu és luz sem mistura,
santidade sem sombra, verdade sem
engano. Nós nos curvamos diante de ti
para confessar uma das misérias mais
profundas do nosso estado presente. O
pecado raramente se apresenta a nós em
sua forma nua. Raramente ele chega
anunciando o seu nome verdadeiro.
Raramente entra dizendo com franqueza,
vim para afastar teu coração de Deus,
para enfraquecer tua alma, para
endurecer tua consciência, para tornar
comum em ti aquilo que o céu odeia. Se
ele falasse assim, muitas vezes o
repeliríamos de imediato. Se a rede
fosse lançada à plena vista, talvez a
ave fugisse.
Se o veneno viesse sem perfume, talvez
não o levássemos aos lábios. Mas o mal
conhece a arte da cobertura. O erro sabe
vestir-se. A tentação sabe baixar o tom
de sua voz. O laço vem coberto de
escuridão. E nós, Senhor, reconhecemos
envergonhados diante de ti que o nosso
coração teme muito mais o mal evidente
do que o mal disfarçado.
O que é grosseiro nos escandaliza, o que
é abertamente profano nos alarma. O que
é frontalmente perverso ainda desperta
certa resistência. Mas o que parece
pequeno, plausível, refinado, admirável,
socialmente aceitável, espiritualmente
neutro ou apenas ligeiramente torto,
isso nos encontra muito menos
vigilantes.
Aquilo que chega sem violência
explícita, mas com aparência de
equilíbrio, moderação, sofisticação ou
conveniência, isso frequentemente
atravessa nossas defesas com espantosa
[música] facilidade. E assim se revela,
ó Deus, não apenas a astúcia do inimigo,
mas também a enfermidade de nossa
percepção [música]
espiritual. Nós não somos apenas fracos
diante do mal. Somos muitas [música]
vezes lentos para reconhecê-lo quando
ele vem bem vestido.
Por isso te pedimos, ilumina-nos, dá-nos
olhos lavados pela tua verdade. Dá-nos
discernimento para perceber o que parece
pequeno demais para causar temor, o que
parece aceitável demais para ser
examinado.
O que parece neutro demais para ser
levado ao tribunal da tua santidade. O
que parece refinado demais para ser
suspeito. Livra-nos daquela cegueira
elegante que sabe detectar pecados
escandalosos nos outros, mas perde a
sensibilidade diante das infiltrações
sutis no próprio coração. Livra-nos do
tipo de ignorância que [música] se
considera madura apenas porque já não
estremece diante do que antes temia.
Livra-nos de chamar de amadurecimento
espiritual aquilo que na verdade
[música] é apenas amortecimento moral.
Porque o laço do passarinheiro, Senhor,
opera por ocultação. Ele não depende
apenas da força da sua estrutura, mas da
habilidade com que se esconde. A
armadilha não é eficaz apenas porque
prende, mas porque primeiro [música]
convence. Não triunfa apenas porque
fecha, mas porque antes seduz. O
passarinheiro sabe que se a ave visse
com clareza, o que está diante dela
talvez e recuasse. Por isso ele encobre,
por isso ele mistura, por isso ele faz
do caminho para a morte algo que se
pareça com comida. Por isso ele reduz a
sensação de risco. Por isso ele atenua o
aspecto do perigo. E assim também
acontece conosco. Quantas vezes a
tentação não aparece como rebelião
aberta, mas como concessão tolerável.
Quantas vezes não chega como desprezo
assumido pela tua vontade, mas como uma
pequena flexibilização.
Quantas vezes não se apresenta como
blasfêmia, mas como uma nuance imoral.
Quantas vezes não toma a forma de um,
talvez isso não seja tão grave assim, de
um todos fazem, de um não vejo o grande
mal, de um não é o ideal, mas também não
é algo tão sério, de um Deus conhece meu
coração. De um é preciso viver no mundo
com equilíbrio. Ó Senhor, quantas almas
não desabam de uma vez, mas vão se
inclinando pouco a pouco até perderem o
eixo. Quantas consciências não morrem no
único golpe, mas vão sendo anestesiadas
em dos pequenas. Quantas ruínas não
começam com ódio declarado a verdade,
mas com tolerância repetida ao que
enfraquece o amor pela verdade. O laço
não precisa se mostrar inteiro para
funcionar. Basta esconder o bastante,
basta atenuar o bastante, basta
convencer a alma de que não está
realmente se aproximando de nada fatal.
E então a rede antes invisível se fecha.
Nós confessamos diante de ti, Senhor,
que muitas vezes a pergunta do nosso
coração não é: "Como posso agradar-te
plenamente?
Muitas vezes não é como posso andar em
santidade sem [música] mistura. Muitas
vezes não é como posso fugir da
aparência do mal e guardar-me puro
diante de ti." Em vez disso, a pergunta
que secretamente nos governa é outra:
até onde posso ir? sem que pareça queda.
Até que ponto posso me aproximar sem
ultrapassar o limite de forma evidente?
O quanto posso ceder sem ter de admitir
que cedir? Quão perto da borda posso
viver sem receber o nome de
desobediente?
E já nessa pergunta, há doença, já nessa
lógica, há desvio. Já aí o coração
mostra que não está buscando a beleza da
obediência, mas a margem tolerável da
concessão. Perdoa-nos, Senhor, porque
essa pergunta não nasce do amor à tua
santidade, mas do desejo de preservar o
pecado em alguma zona que não nos force
a chamá-lo pelo nome. Ela nasce da velha
corrupção que ainda tenta negociar
contigo.
Ela nasce da carne que não quer guerra
total contra o mal, mas apenas
administração aceitável do mal. Ela
nasce da alma que ainda imagina ser
possível tocar o mundo sem absorver sua
lógica. Brincar com a névoa sem perder a
clareza, cultivar pequenas alianças com
a ambiguidade e ainda assim conservar
intacta a vida da piedade. Mas não é
assim. Tu não nos chamaste para a borda
da obediência. Tu nos chamaste para a
plenitude dela. Tu não nos redimiste
para que perguntássemos quanta
semelhança com o mundo ainda é
suportável. Tu nos redimiste para nos
conformar à imagem de teu filho. E
quantas vezes, ó Deus, o começo de
grandes quedas esteve em coisas pequenas
aos olhos humanos. Um hábito pouco
vigiado, uma concessão interior não
confessada,
uma companhia cuja influência foi
considerada inofensiva, uma prática
justificada como irrelevante, um prazer
defendido por sua aparente inocência,
uma prudência carnal aceita com
sabedoria, uma fala ambígua, um silêncio
covarde,
uma meia obediência tratada como
fidelidade suficiente, uma pequena
reserva de vaidade tolerada no íntimo,
um ajuste discreto da consciência para
acomodar aquilo que se desejava manter.
E assim, o que parecia quase nada se
tornou passagem. O que parecia leve se
tornou peso. O que parecia apenas
exceção se tornou disposição do coração.
O que parecia administrável se tornou
domínio. Nós sabemos, Senhor, que quase
ninguém decide de uma vez ser frio,
mundano, misturado, infrutífero e
espiritualmente insensível.
Antes isso vai se formando, vai se
sedimentando, vai se normalizando. A
alma vai perdendo horror, vai perdendo
prontidão no arrependimento, vai
perdendo agudeza no discernimento, vai
aceitando a presença de certas coisas
como parte inevitável da vida. Vai
chamando de natural o que antes chamaria
de perigoso. Vai abrindo mão da
vigilância sobre o argumento de
maturidade. Vai trocando pureza por
sofisticação, separação por relevância,
temor por facilidade, santidade por
aceitabilidade.
E assim o laço ainda coberto já começou
a aprender. Concede-nos então, Senhor,
uma santa severidade contra os começos
do mal. Não há severidade farisaica que
pesa sobre os outros e absolve a si
mesma. Não a severidade orgulhosa que
ama a reputação de pureza mais do que a
pureza em si, mas a severidade humilde,
bíblica, peritente, que nasce do amor
por ti. Dá-nos temor diante dos
primeiros movimentos da corrupção.
Dá-nos prontidão em arrancar a ocasião
de queda antes que ela amadureça. dá-nos
o reflexo espiritual de José, que não
argumenta longamente com a sedução, mas
foge. Dá-nos sensibilidade para perceber
que o primeiro passo em direção errada
raramente parece decisivo no momento em
que é dado. E no entanto, quantas vezes
é exatamente ali que a estrada começa?
Porque o teu povo, Senhor, não pode
viver pela lógica do mundo. O mundo mede
o mal por sua aceitabilidade social, por
sua utilidade, por sua descrição, por
seu impacto público, por sua capacidade
de preservar aparências. O mundo diz que
algo é tolerável se não escandaliza
demais, senão destrói de imediato, se
não viola de forma grosseira os códigos
visíveis de convivência. O mundo sabe
conviver com a duplicidade desde que ela
funcione. O mundo sabe celebrar o
refinamento de pecados que perderam sua
feiúa externa. O mundo chama de
inteligência aquilo que apenas sabe
disfarçar melhor. O mundo chama de
liberdade aquilo que apenas multiplicou
novas formas de escravidão. O mundo
chama de avanço aquilo que é recu diante
da tua autoridade. Mas nós não
pertencemos mais a essa ordem. Tu nos
chamaste para outra vida, outro reino,
outra mente, outra esperança, outro
padrão, outra pureza.
A vida que nos deste não pode respirar
bem no ar da ambiguidade moral. A alma
regenerada não foi feita para se sentir
em casa na mistura. O novo homem não
floresce nas águas turvas da acomodação.
O teu espírito não nos foi dado para nos
tornar mais hábeis em negociar
fronteiras com o pecado, mas para nos
conduzir em santidade real.
Há em teu povo uma vocação que o mundo
não entende. Viver diante do teu rosto.
E quem vive diante do teu rosto não pode
contentar-se com a pergunta mínima da
permissibilidade.
Precisa ser governado pela pergunta
máxima da fidelidade. Ó Deus, salva-nos
dessa religiosidade misturada que mantém
linguagem de devoção enquanto faz paz
com o espírito do século. Salva-nos da
meia obediência, que quer os consolos do
céu sem a mortificação do pecado.
Salva-nos da prudência carnal que chama
de sabedoria aquilo que apenas evita o
custo da fidelidade. Salva-nos da
consciência embotada, que não reage ao
que antes feriria profundamente o
coração.
Salva-nos de pequenas tréguas com aquilo
que combate a tua glória em nós.
salva-nos da mentira sutil de que porque
algo não parece dramaticamente perverso,
então deve ser inofensivo.
Nem tudo que mata chega vestido de
horror. Muito do que mata chega vestido
de possibilidade. Tu, Senhor, és luz. Em
ti não há treva nenhuma. E é diante
dessa luz que pedimos. Expõe o que em
nós ama [música] as penumbras. revela as
áreas onde preferimos linguagem vaga,
arrependimento claro. Descobre diante de
nós as alianças ocultas do coração.
Mostra-nos onde usamos palavras macias
para encobrir desobediências [música]
reais. Mostra-nos onde chamamos de
temperamento o que é pecado. De
prudência o que é medo. De complexidade
o que é tibieza. de refinamento, o que é
mundanidade,
de descanso, o que é negligência, de
humanidade o que é indulgência com a
carne. Não permitas que vivamos por
nomes falsos. Dá-nos a coragem de chamar
o mal pelo nome que tu lhe dás. Dá-nos
olhos limpos, Senhor. Não olhos cínicos
que suspeitam de tudo e perderam a
simplicidade, mas olhos limpos capazes
de ver com clareza moral. Dá-nos uma
consciência sensível, pronta a doer,
quando a tua santidade é ferida em nós.
Dá-nos horror santo ao pecado encoberto,
não apenas ao pecado escancarado, não
apenas ao pecado alheio, não apenas ao
pecado que traz vergonha pública, mas
aquele que ainda sussurra no escuro,
aquele que ainda se acomoda nas
justificativas,
aquele que ainda se movimenta nas zonas
cinzentas que a carne tanto aprecia,
faz-nos [música] amar a transparência da
verdade mais do que a conveniência das
sombras.
E ao nos ensinares isso, prepara-nos
também para uma humilhação ainda mais
profunda. O laço não é apenas oculto,
ele também nos conhece. Ele não vem
apenas coberto de escuridão, ele vem
ajustado à fraquezas de cada coração.
Por isso, enquanto te pedimos luz para
discernir o que está encoberto, também
te pedimos prontidão para nos mostrar
onde somos mais vulneráveis.
Porque a rede não é apenas escondida,
ela muitas vezes é [música] tecida, sob
medida. Guarda-nos, portanto, de nós
mesmos e leva-nos adiante, mas fundo, na
santa compreensão de como o inimigo
trabalha e de como somente tua graça
pode nos preservar.
Pai amado, tu que sondas rins e coração,
tu que pesas os espíritos, tu que
conheces o homem por dentro antes que
ele conheça a si mesmo com verdade, nós
nos colocamos diante de ti em santa
humilhação para reconhecer aquilo que o
orgulho resiste em admitir. Cada alma
atrai suas inclinações, suas fraquezas,
seus pontos vulneráveis, suas
disposições perigosas, seus movimentos
preferenciais de desvio, suas formas
mais prováveis de queda. Não somos todos
tentado pelo mesmo atalho. Não somos
todos enredado pelo mesmo apelo. Não
somos todos alcançados pelo mesmo tipo
de isca. Há em cada um de nós
combinações particulares de
temperamento, história, desejo, ferida,
hábito, imaginação e inclinação que
fazem com que certos pecados nos
encontrem com mais facilidade do que
outros. E confessar isso diante de ti já
é por si só uma forma de quebrar a
mentira do orgulho.
Porque, Senhor, embora nem todos caiam
do mesmo modo, todos podem cair.
[música]
Essa é uma verdade humilhante demais
para a carne e, por isso mesmo,
necessária demais para ser esquecida. O
homem que não tropeça em determinada
forma de corrupção, frequentemente se
imagina mais seguro do que realmente
está, como se a ausência de um tipo de
tentação fosse sinal de integridade
completa. Mas não é assim. A alma que
não se entrega a uma espécie de desordem
pode estar profundamente corrompida por
outra. O que não se inclina à
sensualidade pode ser consumido pela
soberba. O que não se entrega ao orgulho
visível pode estar apodrecendo em
preguiça espiritual.
O que não se perde em prazeres
escancarados pode estar morrendo de
dureza, de autossuficiência, de frieza,
de vanglória íntima, de secreta
admiração de si mesmo. Ninguém está
seguro apenas porque seu pecado não tem
a forma que ele mais despreza. E nós
confessamos diante de ti, ó Deus, uma
perversidade ainda mais sutil. Muitas
vezes julgamos nos outros formas de
pecado que toleramos em nós mesmos sobro
nome. Condenamos a altivez alheia, mas
preservamos a nossa em versão mais
educada. Reprovamos a mundanidade
ostensiva, mas acariciamos a nossa
quando ela se veste de refinamento.
Detectamos a dureza no próximo, mas
chamamos a nossa de firmeza.
Identificamos a preguiça no outro, mas
chamamos a nossa de cansaço merecido.
Percebemos a vaidade quando ela é
pública, mas raramente a combatemos
quando ela vive em nossa necessidade
oculta de aprovação, em nosso desejo de
ser vistos como profundos, puros,
lúcidos, equilibrados, íntegros ou
superiores. Ó Senhor, quantas vezes
nossa crítica à corrupção do próximo não
passa de seguir a seletiva produzida
pelo mesmo pecado em forma diferente?
Por isso te pedimos misericórdia, porque
o inimigo sabe adaptar a tentação ao
homem que deseja ferir. Ele não trabalha
de modo simplista. Ele não lança a mesma
rede em toda direção com a mesma
configuração. Ele observa, explora,
calcula, percebe inclinações, examina
hábitos, identifica fragilidades, mede
apetites, acompanha padrões,
intulnerabilidades.
Ele sabe que há corações que se quebram
mais facilmente diante da sedução dos
sentidos, enquanto outros se inflamam
mais rapidamente diante da glória de si
mesmos.
Ele sabe que alguns são arrastados pelo
prazer, outros pela [música] ambição,
outros pelo medo, outros pelo conforto,
outros pela necessidade de
reconhecimento, outros pela
autocompaixão,
outros pela impaciência, outros pela
ilusão de superioridade moral, outros
pela simples resistência em se render
totalmente à tua vontade. Sim, Senhor.
Aquele cuja natureza se inclina mais à
sensualidade é frequentemente assaltado
em seus desejos corporais, em sua
imaginação, em sua curiosidade, em sua
busca por gratificação rápida, em sua
dificuldade de suportar limites, em sua
fome de estímulos que prometem prazer e
entregam degradação. Outro, talvez sem
inclinação forte para esse campo, é
tomado pelo orgulho. Não apenas o
orgulho grosseiro que se exibe de forma
quase caricata, mas o orgulho fino,
intelectual, religioso, moral,
ministerial, silencioso. O orgulho que
não precisa falar alto para governar o
coração. A quem deseje não ser apenas
aceito, mas admirado. Não apenas servir,
mas ser percebido servindo. Não apenas
acertar, mas triunfar sobre os que
erram. Não apenas estar com a verdade,
mas usar a verdade como instrumento de
exaltação pessoal. E isso também é laço.
Há ainda, Senhor, a vaidade espiritual,
que é uma das corrupções mais perigosas,
justamente porque cresce em terreno
religioso. É possível falar de ti e
ainda assim buscar [música] a si mesmo.
É possível defender a sã doutrina e
ainda assim alimentar um coração
inflamado de amor próprio. É possível
cultivar a aparência de zelo enquanto se
busca secretamente de extinção. É
possível amar a precisão teológica sem
amar a humilhação da cruz. É possível
parecer cheio de reverência e, no
entanto, estar se alimentando do prazer
de sentir-se mais lúcido, mais profundo,
mais criterioso, mais seguro que os
[música] demais. Ó Deus, como o pecado
sabe esconder-se debaixo das coisas
santas. como o coração pode transformar
até o evangelho em matéria-prima para
sua autoexaltação.
E há também a preguiça, não apenas a
preguiça visível do corpo, mas a
preguiça da alma, a indisposição para
vigiar, a lentidão em mortificar o
pecado, a resistência em lutar com
perseverança, a tendência de adiar a
obediência, o hábito de manter
resoluções piedosas apenas no plano da
intenção, a acomodação em um
cristianismo de baixa exigência
interior, a aceitação prática de uma
vida mediana diante de ti. Esse tipo de
alma não precisa ser arrastada por
paixões violentas para ser destruída.
Basta ser deixada em sua inércia.
Basta ser convencida de que amanhã
lutará. Amanhã orará melhor, amanhã
buscará com mais intensidade, amanhã
tratará seriamente daquilo que hoje
apenas lamenta de forma vaga. E assim o
tempo vai sendo gasto e a vida
espiritual vai sendo enfraquecida. Não
tanto por rebelião explosiva, mas por
abandono lento. Há também, Senhor, a
dureza. A alma que se acostuma a não
chorar pelo pecado. A alma que ainda
conserva a linguagem correta, mas perdeu
ternura espiritual. A alma que reage à
correção com resistência. A alma que se
tornou mais pronta para argumentar do
que para arrepender-se. A alma que se
protege em defesas racionais para não
ser atingida pela espada da tua palavra.
A alma que chama de maturidade sua
insensibilidade.
A alma que considera estabilidade aquilo
que na verdade é fossilização interior.
Esse também é um laço terrível, porque
aquele que sente menos o mal tende a
julgá-lo menor do que ele é. E quando a
consciência se caleja, o homem continua
andando, falando, trabalhando,
argumentando, mas seu coração [música]
já não responde a ti com prontidão.
Há ainda a autossuficiência, [música]
o espírito que já não depende com
simplicidade,
o homem que conserva formas externas de
fé, mas internamente começou a descansar
em sua experiência, em sua ortodoxia, em
sua disciplina, em sua lucidez, em sua
reputação, em sua estrutura emocional,
em sua capacidade [música] de se manter
minimamente funcional.
Ele não nega a necessidade da graça em
tese, mas vive de modo cada vez menos
dependente dela na prática. Ele ainda
pode falar de Cristo, mas sua postura
interior já não é a de quem se sabe
pobre, necessitado, continuamente
sustentado.
E essa autossuficiência pode ser
silenciosa, sem arrogância ostensiva,
sem exibicionismo.
Ela pode existir até em formas
aparentemente piedosas.
>> [música]
>> Mas diante de ti continua sendo o velho
veneno da criatura, tentando viver sem a
simplicidade quebrantada da dependência.
Há também, Senhor, a dignidade
solitária, aquela forma de orgulho
recolhido que se refugia em si mesmo. O
coração que não quer se misturar, o
espírito que constrói distância,
[música]
a alma que aprecia certa imagem de
elevação, reserva distinção,
superioridade discreta. Talvez não haja
ostentação aberta, mas há separação
interior. Talvez não haja gritos de
vanglória, mas há uma secreta satisfação
em não ser como os outros, em não
precisar dos outros, em sentir-se mais
limpo, mais sóbrio, mais sério, mais
criterioso. Ó Deus, como o homem pode
fazer trono até da sua solidão? Como
pode transformar isolamento em altar
para o próprio ego? Como pode chamar
dizê-lo o que em muitos casos é apenas
incapacidade de amar com humildade? E há
a falsa humildade, outro laço fino. O
homem que fala pouco de si, mas pensa
demais em si. O homem que se diminui em
palavras, mas se observa intensamente
por dentro. O homem que parece modesto,
mas que na verdade cultiva uma
identidade centrada na própria imagem de
quebrantamento.
O homem que faz da sua fraqueza uma
moldura para continuar sendo centro.
O homem que se acusa de forma que ainda
o mantém no foco. Ó Senhor, até a
linguagem da humildade pode ser
sequestrada pela carne. Até a
autodepreciação pode ser uma forma
indireta de autoabsorção.
Até o discurso de pequenez pode esconder
um coração ainda voltado para si mesmo.
Há também a segurança carnal tão
destruidora quanto qualquer paixão
desordenada.
A alma que já não vigia porque se
considera estável. O crente que já não
teme porque se considera experiente. O
homem que imagina conhecer seus limites
a ponto de não precisar mais de tremor e
dependência.
A pessoa que olha para o passado, para
certos livramentos, para certa
consistência externa e conclui que já
não é tão vulnerável quanto antes. E
justamente aí muitas vezes se torna mais
vulnerável do que nunca. Porque quando a
alma deixa de andar em santo temor, já
começou a se afastar da postura em que
tua graça é mais intensamente buscada.
Ó Deus, o pecado muda de roupa sem mudar
[música] de substância. Ele muda de voz,
de ocasião, de linguagem, de forma
social, de embalagem psicológica, de
intensidade aparente. Mas sua natureza
permanece a mesma. Oposição à tua
santidade, desordem da criatura, amor
curvado para dentro de si, resistência à
tua autoridade, recusa prática de tua
glória como centro.
O orgulho de um e a indolência de outro
podem parecer distantes entre si, mas
ambos pertencem ao mesmo reino de
rebelião. A sensualidade de um e a
vanglória espiritual de outro podem
receber avaliações humanas diferentes,
mas diante de ti continuam sendo
expressões distintas da mesma corrupção
radical que habita a carne. Nós
confessamos, Senhor, que o coração
humano é hábil em maquiar suas
corrupções. Ele sabe trocar nomes, sabe
produzir justificativas,
sabe selecionar comparações favoráveis,
sabe apontar pecados mais feios para
diminuir a feiura dos seus. Sabe
defender o que deseja com raciocínios
refinados. Sabe fazer alianças com a
autoilusão. Sabe esconder-se atrás de
uma biografia, de um temperamento, de
uma causa nobre, de uma linguagem
correta, de um trauma.
de uma aptidão, de um cansaço legítimo,
de uma vocação, de um sofrimento
passado, de uma responsabilidade
presente. O coração sabe vestir-se de
mil maneiras para não aparecer diante de
si mesmo como realmente é. E por isso,
nós não ousamos confiar em nossa própria
leitura de nós mesmos. Mas bendito
sejais, Senhor, porque embora o inimigo
conheça a ferida, tu conheces o homem
inteiro. Ele vê a brecha que deseja
explorar. Tu vês a criatura toda, o
interior e o exterior, a raiz e o fruto,
a lembrança e o impulso. O que está
consciente e o que ainda não foi trazido
à luz. Ele conhece o ponto de ataque. Tu
conheces o coração em sua totalidade.
Ele sabe como ferir. Tu sabes como
curar. Ele sabe onde enfraquecer. Tu
sabes onde restaurar. Ele opera para
destruir, tu operas para redimir. Ele se
aproxima com inteligência caída, tu
sondas com sabedoria santa, perfeita,
amorosa e penetrante.
Nada em nós está fora do teu alcance.
Nada em nós te surpreende. Nada em nós é
mais profundo do que teu conhecimento.
Nada em nós é mais antigo do que tua mão
moldadora.
Nada em nós é mais persistente do que
tua graça quando decide salvar,
santificar e preservar.
Por isso, nós te pedimos com temor e
confiança. Sonda-nos, ó Deus. Mostra-nos
onde somos mais vulneráveis.
Descobre diante de nós aquilo que mais
facilmente nos arrasta. Expõe os lugares
onde temos sido descuidados justamente
porque não caímos como outros caem.
Revela as áreas que julgamos menos
perigosas só porque não nos parecem
escandalosas.
Tira de nós o conforto enganoso de
pensar: "Nisso eu jamais cairia". quando
talvez estejamos já presos à mesma
substância de pecado em outra
configuração.
Faz-nos reconhecer nosso pecado
dominante, nossa inclinação preferencial
de fuga, nossa tendência particular de
resistência à tua vontade. Não permitas
que caminhemos sem autoconhecimento
espiritual, mas também não permitas que
esse autoconhecimento nos lance para
dentro de nós mesmos.
Leva-nos do diagnóstico à dependência,
da descoberta da fraqueza à busca da tua
força, da percepção do risco a corrida
para teu abrigo. Ensina-nos a não tratar
levianamente nossos pontos fracos.
Ensina-nos a não brincar com aquilo que,
 constituição caída, mais
facilmente nos arrasta. ensina-nos a
cortar com rigor aquilo que em outro
talvez não opere da mesma forma, mas em
nós seja a porta aberta para a
corrupção.
Dá-nos honestidade santa para admitir
que há coisas das quais outros talvez se
aproximem e saiam ilesos, enquanto nós,
se nos aproximarmos, seremos tomados.
Livra-nos da comparação tola. Livra-nos
da inveja da liberdade alheia. Livra-nos
da presunção de achar que maturidade
consiste em expor-se a tudo sem dano.
Dá-nos a humildade dos que preferem
mancar em direção ao céu a correr com
aparente liberdade rumo ao abismo. E ao
terminar esta súplica, nossa alma
reconhece diante de ti, não pode confiar
em si mesma, não pode confiar na própria
estabilidade, não pode confiar na
própria leitura do coração, não pode
confiar no fato de ter resistido ontem,
não pode confiar em hábitos, em dons, em
conhecimento, em memória de livramentos
passados. Se tu nos deixares entregues a
nós mesmos, [música]
seremos vencidos. Não necessariamente
onde mais falamos contra o pecado, mas
muitas vezes justamente onde menos
suspeitamos de nós. Por isso nos
refugiamos em ti. Tu és mais seguro que
nossas resoluções. Tu és mais fiel que
nossa vigilância. Tu és mais forte que
nossa disciplina. Tu és mais verdadeiro
que nossas narrativas sobre nós [música]
mesmos.
E leva-nos adiante, Senhor, porque o
laço não é apenas oculto e adaptado.
Muitas vezes ele também vem adossado.
Não apenas se esconde, não apenas se
ajusta a nós, mas ainda se apresenta com
promessas de prazer, vantagem e
recompensa. Ensina-nos então a discernir
não só a rede, mas também a isca. E ao
nos mostrares isso, guarda-nos. Mais uma
vez
em nome de Jesus.
Amém. Santo Deus, eu me aproximo sem
defesa, sem razão.
Tu me vês nos detalhes, [canto]
no segredo do coração,
nos pequenos [música]
pensamentos, [canto]
nas palavras que eu soltei. [música]
Teu espírito me chama,
confessa.
E eu confessei,
[música] não [canto] escondo minha
culpa,
não maquio minha dor. [música]
Contra ti [canto] eu pequei
contra [música] o teu santo amor.
Mas que atos minha raiz,
um querer [canto]
desalinhado.
Eu preciso [música]
de limpeza. Eu preciso [canto]
ser
lavado.
[música] Cordeiro, minha justiça,
fim [canto] do meu tribunal. [música]
Eu largo a autojustiça, [canto]
me rendo ao teu final.
[canto]
Jesus [música]
tem misericórdia.
>> [música]
>> Jesus,
vem me [canto] purificar.
[música]
Teu sangue fala mais alto que o meu
pecado a gritar.
[grito]
Minha [música] única [canto]
defesa
é a cruz, é o teu favor. Eu adoro a tua
graça.
[música] Eu descanso no teu amor.
>> Tua misericórdia [música]
é melhor. [canto]
Tua [música] misericórdia [canto]
é meu lar.
>> Rei dos reis, eu me prostro. [música]
Tu és luz e eu sou pó.
Quando eu tento [canto] sero,
eu não terco em mim [música]
só.
Autonomia [canto] é mentira,
autossuficiência
também. [música]
Tu és fonte, tu és vida.
Sem ti nada me sustém.
Eu
não venho [música][canto] com curríco,
venho com mãos sem ter. Não confio no
meu choro, [canto] nem o meu [música]
vencer. Eu confio na firmeza [canto] do
teu pacto,
>> [música]
>> ó Senhor.
Tua aliança é selada no cordeiro [canto]
redentor.
[música]
Restaura [canto] minha alegria, [música]
tua salvação em mim.
Sustenta-me com espírito
pronto até o fim.
Jesus [música]
tem misericórdia. [canto]
Jesus
vem [música] me purificar.
Teu [canto] sangue fula mais alto que o
meu pecado a gritar.
[grito]
A minha única defesa [música]
[canto]
é a cruz, é o teu favor. Eu adoro a tua
graça. [canto]
Eu descanso no teu amor.
[música] Inclina [canto] o meu coração.
Ensina-me a obedecer.
Dá-me um espírito [música]
[canto] pronto, mais doce do meu querer.
Guarda-me na tentação, [música][canto]
na rotina e na aflição.
[música][canto] Tua graça me carrega,
[música] tua mão me põe [canto] de pé
no chão.
Tu [música][canto] me defines,
Cristo,
não [música][canto] o meu pior
momento.
>> [música]
>> Tu me sustentas,
Cristo,
não o meu desempenho.
[música]
[canto]
Tu és minha esperança,
meu [canto] descanso, [música] meu
perdão.
Em [música] ti eu vivo de novo.
[música] Pecador [canto]
na redenção.
Jesus
tem misericórdia. [música][canto]
Jesus
vem me [música] purificar.
Eu
sei de fogo mais alto que [música] o meu
tevado agitar.
Minha única [música]
defesa
é a cruz ao teu favor. Eu adoro a tua
graça.
[canto]
[música]
Eu descanso
no teu alar.
>> Adoro [música][canto]
adoro
[música]
[canto]
a
Salvador.
>> Misericórdia.
>> [música]
>> Eu [canto]
sustento
meu canto.
Oh. [canto]

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