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A fé vem pelo ouvir

Podcast – Conversas que Edificam – Pastor Gabriel Junqueira

Podcast – Conversas que Edificam – Pastor Gabriel Junqueira

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[música]
Fala, moc. cidade, boa noite. Se você
nos acompanha em algum outro horário,
boa tarde, bom dia para você também. Nós
estamos aqui com o nosso podcast
Conversas que edificam o primeiro de
2026, né, dando continuidade num projeto
que iniciou no ano passado, que deu
muito certo e pra glória de Deus a gente
vai dar continuidade. É uma honra estar
com vocês aqui. Participe, deixe sua
pergunta, fale de onde você está nos
assistindo, nos acompanhando, né?
E vou dar as boas-vindas e apresentar o
nosso convidado dessa noite, que se você
viu o banner, você já sabe quem é.
Pastor Gabriel.
>> Olá,
>> seja muito bem-vindo.
>> Muito obrigado.
>> É uma honra estar com contigo aqui, né?
E como já é tradição,
a gente queria te conhecer um pouquinho
mais fora do púlpito,
>> fora de como as pessoas te conhecem, né?
Alguns já te conhecem como Biel, os mais
antigos aí. É verdade.
>> Então vou te deixar aí se apresentar,
falar um pouquinho de quem é o pastor
Gabriel fora da igreja.
>> OK. Maravilha. Então, primeiro queria
agradecer pela oportunidade, né, de
conversar um pouquinho, né, e como a
gente estava orando aqui antes, que Deus
use essas nossas conversas aqui para
trazer edificação, para transmitir
graça. É a nossa, é o nosso desejo e
nossa oração. Ah, bom, um pouquinho
sobre mim, então. H, tem muita coisa,
né? Essa é uma pergunta muito ampla.
Ola, se você me deixa numa situação
difícil,
>> mas basicamente é, eu sou bom, eu sou
filho aqui da igreja, né? Então, eh eu
sou conhecido por muita gente daqui como
de fato o Biel, né? Como ah, aquele que
já esteve aqui como um jovem, como um
adolescente e tudo mais. Eh, mas é uma
alegria esse esse fato, né? Fora da
igreja, eu sou pai, tenho dois filhos,
né? casado com a Lari, meus filhos são o
Felipe e o Daniel. O Felipe já tem 4
anos e meio. Daniel tá com 1 ano e 8
meses, daqui a pouco aí chegando aos 2
anos. H, dou aulas eh em eh sobre
aconselhamento e também dou aula de
inglês, né, quando necessário. Eu também
tenho essa essa função. E bom, é
basicamente isso, né? O resto da minha
vida é igreja, né? Igreja e
aconselhamento aqui também.
>> Legal. E qual que é seu time do coração?
E por infelizmente é o Corinthians?
[risadas]
>> Bom, é isso, né? O o meu time é o
Corinthians, né? Apesar de nos últimos
anos eu estar num corintiano muito
fuleira, muito ruim, né? Eu lembro que a
última vez que eu fui num jogo num
estádio foi em 2008. 2008 foi quando a
última vez que eu fui em Paulistão, não
lembro nem quem era o outro time, mas eu
acho que a gente ganhou. Se o
Corinthians é mais lógico pensar assim,
né? Sim.
>> Então é o Corinthians. Eh, a gente tava
falando sobre isso na família esses
dias, né? Qual que é a razão de ser o
Corinthians? Eu não sei.
>> E seu pai é São Paulino,
>> meu pai é são paulino, né? Então talvez
seja isso. São Paulo é muito ruim, então
já fiz procurar outro, né? Isso.
>> Não, mas é, eu tive algumas influências,
né, de de pessoas corintianas na
família, né? Então, meu tio é
corintiano, os meus, na verdade, os meus
dois tios são corintianos e meus primos
também. E eu acho que daí que veio, né,
o o amor pelo Corinthians, né? Ah, e
hoje eu não chamo tanto de amor, né? Eu
chamo de gostar. Tava até conversando
com o meu filho esses dias, né, porque a
gente a gente tava passeando na rua e
ele cantando do Corinthians, né, porque
ele é corintiano já. E ele falando:
"Papai, a gente ama o Corinthians, né?"
Falei: "Não, filho, a gente gosta do
Corinthians, né? E porque ele é legal o
time, mas tem coisa mais importante,
né?" Então, ah, isso foi uma coisa que
eu tive de aprender com o tempo e
redimensionar um pouquinho o tamanho do
time e no coração também.
>> Muito bom, excelente reflexão, ainda
mais pra gente que gosta de futebol, né,
pra gente
>> sempre parar e perceber se tá na medida
certa, né?
>> É verdade. É
>> muito legal. E pastor, uma das coisas
que você falou na tua apresentação foi
sobre o fato de ter crescido aqui na
IPSA, né? Então, foi um adolescente, foi
um jovem.
>> Lembro de você nesses tempos de de UMP,
né? Não.
>> E qual que é o privilégio e ao mesmo
tempo qual que é o desafio de pastorear
uma igreja que por um lado você conhece
tão bem, apesar de ter mudado muito ao
longo dos anos, né? A igreja expandiu
demais, cresceu, muitas pessoas se
achegaram. É,
>> mas qual que é o privilégio e ao mesmo
tempo qual que é o desafio disso, né?
>> Uhum.
>> É.
>> Ah, é bom. É de fato uma uma faca de
dois gumes, né? Então, ah, a parte boa é
que a minha igreja é do coração, né?
Então essa sim é a do coração, né? A
gente, ah, eu como o filho aqui,
basicamente um filho da casa, né? Eu tô
aqui desde os 8 anos de idade, então já
faz
>> aí 30 anos de IPSA. Eh, então eu cresci
de fato aqui, eu passei pela UCP, pelo
Ah, como é que era? Sementinhas de
Jesus, eu acho que era o coral que
tinha. Ah, passei pelos cordeirinhos lá
na sala da EBD, passei pela UPA, pela
mocidade, o PPA antes disso, né? Ah,
então eu tive todo esse crescimento
aqui. O privilégio é poder ter uma
família da fé muito bem estruturada, né?
Então,
>> ah, eu tenho pessoas aqui que eu conheço
de longa data e que são, né, grandes
amigos e que são pessoas muito
importantes, né? Ah, tanto pessoas da
minha idade quanto pessoas mais velhas
também, né? professores meus que ah hoje
se assentam para ouvir um sermão, né,
mas que me ensinaram lá atrás. E essa
parte é muito boa. A gente percebe como
que o corpo de Cristo ele tem uma uma
maneira de funcionar
em que eh ninguém é maior ou menor do
que outro, mas existe uma uma maneira em
que ele trabalha em todos por meio de
todos, né, como diz Efésios 4. E isso é
muito interessante. Então, ah, é uma
alegria, né, poder fazer parte da mesma
igreja. Eh, uma parte boa também é que
muita gente me conhece, a maioria pelo
menos já. Bom, na verdade a igreja mudou
muito, né? Então, talvez os mais antigos
sejam hoje minoria, né?
Mas é muito bom saber que uma boa parte
me acompanhou desde desde muito cedo. A
parte complicada ou que talvez seja ah o
que muita gente vê com alguma
dificuldade
eh é o fato de que eu tenho que
pastorear pessoas que eh me acompanharam
eh enquanto criança, quanto adolescente,
quanto jovem. Algumas vezes algumas eh
eh algumas irmãs mais velhas vem até mim
e falam: "Pastor Gabriel, você não sabe
como é difícil falar pastor, né?
[risadas] Ah, porque eu tive correndo
aqui, eu tive fazendo isso e aquilo, né?
né, se divertindo por aí como criança,
adolescente. Ah, então isso existe, mas
eh aqui em Santa Maro tem sido
tranquilo, razoavelmente tranquilo,
assim, eu nunca tive uma um grande
problema nesse sentido. As pessoas aqui,
pelo menos as que ah eu tive de ter
algum contato ah talvez até mais
intenso, mas todos foram muito
tranquilos em aceitar o a algum tipo de
admoestação, o ensino.
[limpando a garganta] parece que existe
essa maturidade da igreja em entender,
ah, que há uma mudança, né? Então, hoje,
como pastor, eu tenho de ter uma função
de cuidado da alma dessas pessoas, como
Deus ah, [limpando a garganta] eh dá aos
aos presbíteros lá em Hebreus, né?
Então, essa essa é a minha função e essa
mudança de visão precisa acontecer. Uma
coisa que eu creio que tenha ajudado
bastante bastante eh tenha sido a minha
saída de Santa Mara. Então, eu tive eu
tive duas saídas. Uma saída foi em 2008,
8 e 9, ah, em que eu fiquei fora durante
um ano. Então, isso talvez tenha trazido
uma quebra.
E tive uma outra saída que foi em
2012 até 2018 mais ou menos, em que eu
estive pastoreando a congregação do
Fontes e em 2012, 13, na verdade, estava
lá no Grajaú, mas foram foram anos que
eu passei fora de Santa Mara nesse
convívio mais próximo, né?
Então isso isso acho que colabora para
essa mudança. Uma eh tem tem uma quebra
e então tem um retorno alguém que já com
uma função pastoral, né?
>> Entendi. A a tua primeira saída, ela foi
para intercâmbio.
>> Uhum.
>> Correto.
>> Hum. É, foi foi uma uma viagem que eu
fiz para Inglaterra. Eu fiquei durante
um ano lá.
>> [limpando a garganta]
>> Não era um intercâmbio eh na definição
mesmo, porque intercâmbio pressupõe que
alguém vem e outra pessoa vai, né?
>> Uhum.
>> Mas foi um um uma é é um é um programa
que existe na Inglaterra, é um é um
hotel cristão que existe lá, chama Ash
Burn and Christian Hotel or Trust, né?
Que é um que é que é quem ah comanda
esse hotel.
Lá em Ashburn, eles recebem várias
pessoas de vários países como
voluntários.
>> Legal.
>> Então eu estive lá como voluntário, eh,
ajudando no hotel de várias maneiras. Lá
tem vários trabalhos, então desde cuidar
eh de arrumar os quartos, limpar os
banheiros, arrumar as mesas para eh para
refeições e e cozinha e e e a livraria
também que eu trabalhei. Então você tem
a recepção também. Ah, então as pessoas
vão fazer o voluntário na voluntariado.
Eu fui também.
>> Uhum.
>> E durante esse ano eu ajudei nesse
hotel. O hotel ele tem uma um q
ministerial. Então lá na verdade é como
se fosse um retiro, um refúgio assim
para as pessoas irem. E o foco lá é
oração. Então as pessoas vão e lá tem um
prayer center, uma um centro de orações
que funciona 24 horas.
>> Legal. Então, sempre tem alguém lá
orando e guiando um momento de oração.
Eh, então, durante esse tempo todo, a
gente participou das orações também. É,
e foi lá onde eu também cresci bastante
na fé e e na busca do Senhor. Nesse
nesse período de um ano, foi a foi um
tempo em que Deus trabalhou bastante.
>> Então, ele ainda existe hoje?
>> Existe, existe sim. Ele tá muito forte,
mudou bastante. [roncando]
>> Ah, ele modernizou, né? tem tem uma uma
nova direção, mas continua um projeto
cristão, um projeto que traz pessoas de
vários países para lá, voluntários,
jovens, né? Acho que é de 17 até 27
anos.
E e continua funcionando. Não sei como é
que está hoje exatamente, porque eu não
fui lá faz, né, já faz muito tempo, mas
pelo menos 10 anos aí, mais que isso.
Mas [limpando a garganta] eu acho que ah
funcionou muito bem ainda. Última vez
que eu vi tava tudo caminhando legal.
>> Ah, que bacana. E essa experiência você
citou que, pô, acrescentou bastante para
paraa tua vida com Deus, né, pelo fato
de ser um hotel cristão, ter essa essa
dinâmica aí de oração e tudo mais, né?
>> Uhum.
>> Eh, você recomenda hoje pros jovens, se
tiverem essa oportunidade de fazer um
intercâmbio desse?
>> É, [limpando a garganta]
desse sim, porque ah, qual que é o
ponto, né? É uma uma ida para um para um
país eh longinco, você conhecer uma
cultura nova é sempre interessante,
mas tem os seus perigos, né? Porque você
fica
>> longe da família, você fica longe da
igreja, você fica longe dos olhos das
pessoas. E isso pode ser muito perigoso,
especialmente para um jovem que ainda
talvez tenha uma alguma dificuldade de
eh ah de formação eh de caráter e tudo
mais. Então, é perigoso. Então, ah, eu
diria que nesses moldes, em um local que
seja cristão, que seja confiável e tudo
mais, esse, por exemplo, que eu fui, o
meu primo já tinha ido anteriormente,
ele que me indicou e depois falou com o
pessoal lá que consegui ir.
>> Legal.
>> Então, era um local confiável. Então, se
for assim, eu acho que é legal, é
interessante. Ah, porque você conhece
outra cultura, conhece pessoas. E o que
é muito singular e legal assim em em
locais assim é o fato de que são pessoas
crentes, ha que tem a mesma fé que você,
mas que estão em outro país totalmente
diferente. Sim.
>> Então essa foi uma das experiências mais
interessantes que eu tive ah com eh com
com o corpo de Cristo, especialmente
durante a Santa Ceia, tá? Inclusive lá
era um era um pouco diferente daquia lá
era uma e era a Santa Ceia com cálice
comum. Olha, é, é, é legal e é ruim, né?
Porque você, né, todo mundo toma junto,
né? Então, mas aí passava com paninho,
tal, limpava e passando. Mas qual que é
a parte interessante, né? Eh, a Santa
Ceia, inclusive tem um outro nome
chamado de comunhão também, eh,
pressupõe que a pessoa que participa,
ela é membro do corpo de Cristo, faz
parte do corpo, desse corpo de Cristo. E
quando a gente participa junto na
igreja, a gente tá celebrando esse fato.
>> Uhum.
E fazer isso aqui é interessante porque
a gente celebra, a gente é membro do
mesmo corpo, mas é a mesma igreja.
Agora, quando você vai para fora
>> e você se vê numa sala com várias
pessoas de outros países,
[limpando a garganta] não só da
Inglaterra, lá tinha pessoas da Itália,
da Espanha,
de outros lugares da Europa aí da da
Índia, Ásia, por aí vai. Você percebe
[limpando a garganta] como que o corpo
de Cristo é grande, ele é diverso, mas
ele é unido.
>> Sim.
>> Então são pessoas que eu nunca tinha
visto na vida com línguas diferentes,
culturas diferentes, mas que eu podia
chamar de irmão e tomar no mesmo cálice.
Então
>> isso foi uma experiência bastante
interessante que eu tive lá.
>> Então eu recomendo se puder. É muito
interessante, é muito bom, muito
enriquecedor, né? Acho que tem um tem um
tem um crescimento muito valioso aí.
>> Muito bom. E fica em Londres ou fica em
alguma outra cidade lá do
[limpando a garganta] da Inglaterra?
>> Não, essa esse esse hotel ele fica perto
de uma cidade chamada Battle.
>> Uhum.
>> Ah, ali próximo de Eastburn, né? É uma é
uma região mais litorânea.
Eh, na verdade Inglaterra tem muito
litoral lá, não igual Brasil, mas tem,
né? Então, mas lá é mais ou menos 2
horas de Londres assim de trem, né?
Então, mas é tranquilo. Então, Betle é a
cidadezinha próxima, uma cidade de mais
de 1000 anos, né? Tem castelo lá, tudo
mais.
>> Eh, e esse hotel, na verdade, ele fica
um pouco mais afastado. Ele era uma era
uma propriedade, uma casa de um nobre, a
família Ashburnan, né? Então, e a
família Ashburnan, chegou um momento que
eles doaram para essa para essa
comunidade ou para esse para esse board
que eles e aí eles decidiram fazer essa
casa de oração porque eles a família
teve um a a o o chefe da família teve um
sonho de que aquele local deveria ser
uma casa de oração para todas as nações.
Então, por isso ele entregou essa essa
essa propriedade para fazer o hotel e
funciona até hoje, né? Então,
>> muito bom.
>> Caminhou dessa maneira.
>> Muito legal. Fica a dica aí para você
que nos acompanha depois. Se você não
gravou o nome, assiste, dá esse
pedacinho e pesquisa aí.
>> É, é burn. É burn.
>> Muito bom. E pastor, o senhor, você
disse que, né, senhor não, né? Aí acabo
contigo. Mas a tua segunda saída por um
período da IPSA foi para assumir uma
congregação. Uhum.
>> Né?
>> Isso. O Grajaú. E teve mais alguma?
>> Teve. É o Grajaú. Na verdade, eu estive
enquanto seminarista junto com o pastor
>> Francisco Alexandre na época.
>> Isso foi em 2012, [limpando a garganta]
ah, acho que 2012 e 13 também. Aí um
período de 2013 e 2014 eu estive na IPSA
como seminarista. E em 2014, no final do
ano, eu fui para assumir a igreja lá de
Jandi das Fontes, a congregação que nós
temos lá. Essa congregação, na verdade,
ela veio já pronta.
>> Então, os irmãos lá, eles já eles já
tinham um grupo que se reunia, já era
uma igreja formada e eles descobriram a
fé reformada. Quando eles descobriram a
fé reformada, eles perceberam que tava
muita coisa errada fora dos trilhos.
eles queriam consertar eh e queriam uma
igreja, então, para, eh, receber essa
igreja deles e cuidar dessa igreja.
Então eles vieram até Santamaro, né, e
ofereceram para que nós a eh cuidássemos
dela. Isso foi em 2014 mesmo. E então em
2014 eu tava já no final do seminário.
Eh, na verdade me formei em 2014 mesmo,
no final, no ano, no final do ano. E em
2015 foi quando eu comecei a minha
licenciatura
>> como pastor. Então, de 2014 no final,
2015 no início até 2018 eu estive nessa
nessa igreja no J das Fontes. Quem não
sabe onde é, fica eh para lá de
Parelheiros um pouquinho, né? Ali
próximo da região de Marcilá, Cipó, é
mais ou menos ali no extremo sul de São
Paulo.
>> Legal.
>> Andar mais um pouquinho você cai na
praia.
>> É, falam isso mesmo, né? Depois do do
morro da mãozinha ali tem é é litoral.
E pastor, qual que é a principal
diferença de pastorear, mesmo que não
seja o titular, mas pastorear a igreja
aqui de Santo Amar, que poxa, uma igreja
muito grande, muito movimentada,
>> e pastorear congregações
a além do do tamanho, né, quantidade de
membros e tudo mais, quais as principais
diferenças de de fazer esse esse
[limpando a garganta] pastorio?
>> É, ah, eu acho que muda bastante o foco
e do trabalho, né? Porque em uma
congregação, por mais que seja pequena,
um pastor lá, ele é responsável por tudo
que acontece, né? Então, a toda a
congregação, todo o trabalho, todas as
sociedades, tudo isso passa pelo pastor
responsável por aquela congregação.
Então, a boa parte do ministério era em
manter tudo isso funcionando, né? Então,
isso era muito importante. Então, essa
liderança lá era diferente do que é
aqui, né? Aqui é uma outra dinâmica.
Eh, lá também eh eu eu tinha de atender
todas as pessoas da congregação, então
era o ponto focal eh de todos e o que
foi muito bom, né, porque eu pude eh
desenvolver bastante a parte do
aconselhamento, né, que é a minha área
hoje de trabalho. Inclusive, lá foi o
local onde Deus me despertou de maneira
mais eh enfática pro aconselhamento,
por conta de um caso para mim que foi
desafiador.
[limpando a garganta] Então, eu entendi
que eu precisava procurar um pouco mais
de ferramenta para tratar aquele caso,
que foi quando eu comecei a buscar
alguns cursos. Nessa época eu fiz um
curso eh da ABCB, o módulo da ABCB, para
começar a a entender melhor de
aconselhamento. Então foi isso lá. Eh e
aqui em STAM é diferente, como você
falou, uma igreja muito grande, né? nós
temos um número eh grande de membros
[roncando] e nós temos vários pastores.
Então, o trabalho ele fica um pouco mais
compartimentalizado. Nós temos eh
ênfases diferentes. Então, hã, o pastor
Guilherme, por exemplo, agora ele tá
cuidando de maneira eh bastante focada
de casais.
Eh, ah, o pastor Lucas tem uma um outro
foco. Eu eu vou ter um outro. Eu, por
exemplo, eu tô com a ajudando, né, a UPA
já faz muitos anos, um pouco mais
distante, mas ainda como responsável.
E aqui a parte do aconselhamento também
eu tenho pegado bastante, mas então
existe essa essa essa diferença porque
aqui é um pouco mais dividido o trabalho
do que lá. E como pastor auxiliar aqui
de maneira mais prática, eh, eu eu sigo
aquilo que o pastor titular define. Ah,
também é assim na congregação, mas lá é
um pouquinho mais livre porque eh eu
preciso tomar as decisões como líder
daquela congregação. Eh, aqui isso acaba
ficando com o pastor titular. Então tem
essa diferença também eh de
responsabilidade ou de nível de decisão
é um pouquinho diferente, mas os dois
trabalhos são muito interessantes, né? E
e os dois Deus usa para fazer aquilo que
ele que ele quer, né? Quer edificar
muita gente, salvar muita gente.
>> Legal. A gente [roncando] falou um
pouquinho das diferenças, né, do
contraste de uma igreja maior e uma
congregação ou uma igreja menor, né?
>> E tem alguma coisa que se assemelha?
fala assim, ó, se apesar das diferenças,
isso aqui não muda, isso aqui permanece.
>> É, é o o trabalho pastoral, né, em si, é
um trabalho de cuidado de pessoas.
Então, independentemente de onde a gente
estiver, a gente vai ter que fazer isso,
ah, eh, com bastante ênfase no
ministério. Uhum.
>> Então, tanto lá quanto aqui, eh, a gente
precisa eh eu sempre precisei, né,
tratar das pessoas, aconselhar pessoas,
né? Eh, isso não muda, assim como também
não muda o fato de que a gente é
responsável pelo ensino na igreja, né?
É, é, é o que fala Efésios 4, né? São os
pastores mestres. Então, é nossa
responsabilidade de ensinar. E isso se
dá tanto por meio de sermões, né, as
pregações de domingo, quanto também por
meio de aulas e outras oportunidades,
né, de palestras e por aí vai. Então,
isso não muda. O ensino e o cuidado das
pessoas é sempre igual. É claro, muda a
dinâmica como isso acontece. muda o
número, a frequência, eh, essas coisas
são diferentes, mas a função em si
permanece a mesma.
>> Ah, legal.
>> E, e, pastor, você comentou aí de um
caso que te despertou para
aconselhamento. Sim.
>> Dá para falar por cima deste caso ou
não? É algo que precisa ficar
resguardado e não tem problema.
>> Essa é uma dificuldade com relação ao
aconselhamento, né? Porque o
aconselhamento ele trata com eh sobre
pessoas
>> sim,
>> ah e situações que são sensíveis, né?
Então, eh, é difícil às vezes você
conseguir abrir alguns casos, né? Mas o
que eu posso falar é que foi um caso
difícil, um caso desafiador, uma questão
que já perdurava muitos anos na vida da
pessoa, uma pessoa que não era da
igreja, ela veio por conta do
aconselhamento ah para tentar ser
ajudada e e depois firmou na igreja, né?
hã, com o aconselhamento, é alguém que
era muito dependente de remédios
psiquiátricos,
mas depois assim, muito mesmo assim, a
ponto de a ponto de ficar pouco
responsivo, né? Uhum.
>> Eh, mas depois o conselhamento teve uma
mudança muito grande, uma compreensão de
algumas coisas que aconsa
e e e ressignificar tudo isso e a busca
por Deus, né, e a mudança da maneira
como se busca ao Senhor. Ah, isso fez
com que essa pessoa fosse transformada.
Então, mas foi um caso muito desafiador
nesse sentido. Eu passei eh anos, né,
assim, assim, anos conversando assim eh
com certa frequência com essa pessoa,
mas no começo e depois eh em um
follow-up assim, né?
>> Entendi. [roncando] Legal. E já a gente
vai se aprofundar um pouquinho mais no
tema de de aconselhamento,
>> mas até para pro pessoal que às vezes
não não te conhece fora daqui, falar um
pouquinho sobre sobre tua família e teu
chamado pro ministério, né?
Eh, começando aí pela pela família, você
casado com a Lari já há alguns anos, né?
>> E vocês namoraram a distância, né? Um
bom tempo, né?
>> É, é isso mesmo, né? Nós namoramos
durante 4 anos à distância e depois nos
casamos. Ela é de Minas Gerais, lá da
cidade de Jacui.
Eh, e depois que nos conhecemos, nós ah,
começamos o namoro. 4 anos depois nos
casamos. Ah, bom. Eh, eu sou casado com
a Lari, né? Eu tenho os dois, já falei,
os meus dois filhos
e ah,
bom, bom, com relação à família, né? Eh,
tem tem essa minha família nuclear hoje
e tem também a minha família, eh,
anterior, né, vamos dizer assim, né, que
é o pai, a mãe, os irmãos, né? Então,
todos também estão aqui em Santamaro.
Então, por família, eu tenho eh muita
gente aqui em Santaro e e a e a Lári as
crianças hoje, né?
Ah, como que como que a gente eh como
que eu cheguei à conclusão ah do
ministério.
Isso, na verdade aconteceu lá na
Inglaterra.
Então, eh até ir para lá eu não tinha
essa esse desejo, né, de ser pastor
necessariamente.
Ah, eu fazia comércio exterior, né,
administração comércio exterior,
trabalhava, né, trabalhava numa numa boa
até que era a Puma Esports, né, que faz
roupas, tal.
>> Uhum. Ah, eu trabalhava na é na
importação dessa dessa empresa. Eh, era
uma era uma função legal, né? Tinha eh
eh o o trabalho em si é interessante de
de você importar. Mas quando eu viajei,
né, lá paraa Inglaterra ali, com o
tempo, Deus foi mostrando para mim que
ele desejava,
eu entendi isso pelo menos, que eu ah,
trabalhasse tempo integral no
ministério. Então, isso já foi eh eh na
segunda metade do ano que eu fiquei lá.
Eu tive esse entendimento e eu não sabia
ainda na época se era para ser um
pastor, um missionário, seja lá o que
fosse, se era para ser lá ou se era para
ser aqui também. não sabia nada disso.
Só sabia que eu tinha que servir a Deus
integralmente, né? Com relação a tempo,
o ministério integral. Eh, com o tempo
eu fui entendendo que era para ser de
fato um pastor e para ser um pastor aqui
no Brasil. Foi quando eu retornei ao
Brasil e eh nem voltei pra faculdade
mais. Na verdade, quando eu quando eu
saí, eu tranquei, quando eu voltei eu
nem voltei pra faculdade. Então, não sei
que virou lá a minha [risadas]
a minha a minha inscrição, né, a minha
matrícula. Eh, mas eu deixei então de
fato a faculdade por não ver mais
sentido naquilo que eh eu fazia. Eu não
aconselho fazerem isso [roncando] hoje,
eh, mas foi o que eu fiz na época. Eh,
seria interessante posso ter sempre, é
sempre legal você ter graduação,
terminar, né? Tinha feito a metade do
curso, pelo menos, mas eu larguei e
[limpando a garganta] ali eu comecei
essa essa jornada a ser eh é para ser
pastor. Então, ah, eu procurei o
conselho, né?
disse que eu gostaria. O conselho me
aprovou, depois eu fui ao presbitério.
Presbitério, eh, eu passei por algumas
reuniões, ah, tive de ser negado, né,
eh, por conta da minha imaturidade, eu
realmente não tinha ideia de muita coisa
e foi nesse período que eu aprendi e
depois fui virar o seminário, então, e
aí depois eu fui estudar, né? Então,
basicamente aí a trajetória. Muito legal
esse detalhe que você trouxe da questão
de ter sido negado uma vez,
>> porque às vezes as pessoas têm
devolutivas negativas numa primeira
>> e acham que, pô, acho que eu me enganei,
não é esse meu chamado.
>> Muito legal trazer esse esse detalhe.
>> É, é, é um é um ponto importante, né? E
na verdade, eh, eu concordo com a
negativa. Hoje, como pastor, eu também
negaria se viesse uma pessoa, ah, com o
meu nível de, eh, de compreensão e
maturidade da época.
>> Uhum.
>> Ah, por exemplo, lembra que uma pergunta
que foi feita para mim foi assim: na
primeira vez que eu fui ser examinado
para para ser candidato do presbitério
para ser um pastor, né, para ser
seminarista. Ah, uma das perguntas foi
assim: "Gabriel, me fale sobre os
símbolos de fé da IPB. Quais são os
símbolos de fé?" Eh, eu, eu respondi
algo mais assim: "Você tá falando sobre
Santa Ceia? Você tá falando sobre
batismo?" É isso, né? Ah, depois da
minha resposta, ele disse: "Sim, mais
perguntas, né?" E foi suficiente para
entender. Eu não tava pronto. Não sabia
o que eu tava fazendo. Eu sabia que eu
queria seguir a Deus, né? Eu sei que ele
trabalha, se eu era crente, que amava
Jesus, mas não tinha muita noção sobre
teologia, pelo menos não profundamente
sobre o presbiterianismo de maneira mais
profunda. Então precisei amadurecer
essas questões para depois poder passar
e e de fato começar o seminário bem, né?
>> Muito bem. É muito bacana essa essa
humildade de reconhecer também. Acho que
é algo que [roncando] que vem ao
encontro de algo que o cristão precisa
ter, né? Acho que não só falando sobre
questão ministerial, mas mas paraa vida,
né? É muito difícil você receber,
>> não
>> é?
>> Seja no trabalho, questão ministerial,
às vezes até em casa a gente tem
dificuldade com isso. E eu acho que fica
uma outra reflexão pra gente também de
de entender, reconhecer que a gente tem
que melhorar em algumas coisas.
>> É. Ah, é, tem nãos que vem para para que
nós realmente trabalhemos em alguma
coisa. Tem nos que são não mesmo, né? Às
vezes, né? para realmente não ser
aquilo.
>> Eh, nesse caso eu [limpando a garganta]
entendi que eu precisava amadurecer
algumas coisas, né? Eh, em conversa com
as pessoas também, né? Pastores,
presbíteros. Então, isso foi o que eu
compreendi na época e e Deus foi
confirmando com o tempo, né?
Ah, mas é importante entender os nos que
Deus dá, as portas que são fechadas.
Tudo isso é a maneira como Deus vai
encaminhando aquilo que ele deseja que
nós façamos, vai moldando o nosso ser,
vai amadurecendo quem nós somos. Faz
parte da nossa caminhada cristã, de
fato, né?
>> Muito bom. E a gente tem uma pergunta
aqui, pastor, antes da gente
>> seguir na na no próximo tópico,
>> OK? que é assim, ao conhe sobre teu
namoro, sobre relacionamento,
>> sempre essa parte aí que
>> é interessa. A galera
>> ao ao conhecer sua esposa, ela logo
soube do seu chamado. Como foi isso para
ela, essa conversa? Ela ela soube, né,
porque
eu já estava iniciando, né, a minha
caminhada pro seminário. Ela inclusive
participou desse desse processo todo de
ir ao presbitério, né, para fazer as
entrevistas e tudo mais. [roncando]
Então, ela ela soube disso, ela entendeu
e ela já sabia na época como que ah
funciona, né, a vida de pastor, não na
pele, né, na pele a gente sabe só
depois, né,
>> mas tem uma tem uma noção, né? Então,
nós conversamos eh bastante sobre isso e
eh nós chegamos às conclusões, né, de
que se é isso que Deus quer de fato, a
gente tem que tem que seguir, tem que
viver a vida dessa maneira, né? Mas foi
uma conversa assim ah, foi bastante
natural, né? Porque não não é assim, a
gente namorava e então eu decidi virar
pastor, o que mudou totalmente o rumo da
vida, não foi isso, né? Então, ela me
conheceu já nessa caminhada e acho que
quando nós ah começamos a namorar, ela
já tinha essa esse entendimento de que
seria então a o pastor aquilo que eu
iria buscar, né? Então, a gente tava uma
coisa mais encaminhada na mente dela
também.
>> Legal. E e pastor, fala um pouquinho pra
gente da importância do apoio da então
ali namorada Larissa e hoje esposa, mãe,
né, para apoiar o ministério. E aí, e aí
não só o ministério pastoral, mas a
gente tem diversos chamados na igreja.
Então
>> tem quem tem o chamado para ser diácono,
ser presbítero
>> e o quão importante é o apoio das
esposas para exercer os ministérios, né?
>> É. Ah, bom, salvo aqueles que são
solteiros, né? Eh, mas uma pessoa casada
não consegue ter um bom ministério sem
uma esposa que compreende e apoia o
ministério, né? Não existe isso. Então,
vamos supor, é, é uma suposição assim, é
um é um caso criado, mas real, né?
Então, porque acontece muito. Eh, então
a pessoa ama a obra, ama a igreja e quer
participar e quer fazer, fazer, fazer,
mas a esposa não eh eh não tem esse esse
esse olho pro ministério, não tem esse
desejo.
Por mais que
que um lado deseje fazer isso, ele não
vai conseguir, porque e se ele fizer,
ele vai acabar trazendo
eh dificuldade pro lar, vai acabar
desestruturando e você não consegue ter
um bom ministério desestruturado no lar.
Então é é o que Paulo inclusive mostra
pra gente sobre homens casados no
ministério, né? E eu diria também eh eh
com relação às mulheres, né? Porque ah,
tanto homens quanto mulheres trabalham
na igreja. É claro que os homens como
oficiais e as mulheres de outras
maneiras,
>> mas uma mulher também dificilmente
consegue ter um bom ministério na igreja
sem que o marido esteja ah eh apoiando e
ciente, desejando que isso aconteça, né?
>> Eh, tem casos em que os maridos, né,
sentem eh vamos supor que não seja
crente, ele vai sentir ciúme da igreja,
vai sentir ciúme das pessoas que ela tá
junto, porque ela vai preferir a igreja
do que tá com ele, né? E por aí vai.
Então, ah, é muito necessário, muito
importante que o cônjuge eh tenha também
o desejo pelo ministério. Então, isso
tem que ser uma tem que ser uma visão
alinhada entre os dois, né? Senão não
funciona. A Lari, graças a Deus, ela é
uma pessoa que apoia muito o ministério,
que ela eh entende muito a importância
do ministério e tá sempre disposta a me
ajudar em tudo o que é possível e
necessário, né? Eh, dentro do que uma
esposa de pastor deve fazer. eh, que é
apoiar o ministério, né? A a a função
principal, né, se a gente pode chamar
uma de uma função, é de ser de ser o
apoio e o e o auxílio pro marido nessa
nessa função de pastor. E ela é uma uma
pessoa que apoia e que auxilia em tudo
que é necessário e possível, né? E com
muita alegria.
>> Que legal. Fica fica o exemplo aí. E e
até comentando em cima
[limpando a garganta] disso também é
muito importante que tenha um
equilíbrio, né, pastor?
>> Porque também se a pessoa só se dedica
ao ministério, é ausente em casa,
>> é
>> também vai deixar um lado descoberto,
né?
>> É. Tá. É. Aí, aí a pessoa confundiu
tudo, né? [risadas] Aí aí já é já é
receita pro desastre, né? Eh, o meu
ministério principal é a minha família,
então
>> é a minha esposa e são os meus filhos.
Eh, estando eles cuidados, meu
ministério depois deles é a igreja,
certo?
>> Então, essa é sempre a hierarquia. Ah, e
e quando eu falo igreja depois deles,
não tô falando Deus, tá? Só para
entender isso. [limpando a garganta]
Então, a hierarquia sempre é Deus, se
maneja de todas as coisas. Depois, né, a
minha família, né, a minha esposa e os
meus filhos. E depois é a igreja, que é
a minha função, a minha ocupação aqui a
para Deus. Então essa é a hierarquia
necessária. Se não for assim, as coisas
mudam totalmente. Se você não tiver Deus
primeiro lugar, ah, você vai fazer o
ministério por outros motivos, né? Então
já vai dar errado. Se você não cuidar da
família antes do ministério, você vai
ter um ministério muito ruim, porque
você não vai ter estrutura em casa
também, então vai dar tudo errado. Ah,
isso é bíblico, né? Paulo mesmo fala que
o homem que não eh é um é um bom líder
em casa, ele não pode ser um bom líder
na igreja. Sim.
>> Então isso é impossível, literalmente.
Então, ah, se alguém ama muito o
ministério, mas tá fazendo esse
detrimento da eh da família, ele tá em
pecado, né? Não é assim que funciona. É
melhor ele ser um membro ah que até atua
menos, mas com uma casa boa, né?
Lembrando que, de novo, Deus não é
igreja. Você pode ter Deus acima de tudo
e você pode atuar menos na igreja, mas
assistindo a sua casa. É claro que o
legal, o ideal é que os dois se empenhem
na igreja, né, e você tenha isso, mas
ah, nunca uma coisa em detrimento da
outra. E acontece muito isso. Ah, eh,
não é à toa que existe existe um grande
número aí de líderes e pastores e
presbíteros que têm ah filhos que depois
que crescem t algum tipo de problema com
a igreja.
>> Uhum. Porque os pais privilegiaram a
igreja e aí eles se sentem esquecidos,
abandonados, negligenciados. Então esse
é um é um cuidado que eu preciso tomar
sempre, eh, para que a igreja tenha o
local dela e a família o local dela
também.
>> Legal. Muito bom. Muito excelentes
observações, pastor.
Agora caminhando um pouquinho a nossa
conversa pro pra tua especialidade que a
>> que vai fazer o aconselhamento, né?
Eh, você falou assim que esse despertar
aconteceu ali na Inglaterra. Você
percebeu
>> isso? É.
>> E
>> para o ministério, né?
>> Para o ministério.
>> E [roncando] depois,
eh, com as tuas experiências, você se
especializou no em aconselhamento.
>> Isso,
>> né? E é e eu queria que você comentasse
um pouquinho eh o porquê de
aconselhamento, né? que você já citou o
caso ali que te despertou para isso
>> e
>> e o quanto isso agregou pro teu
ministério pastoral. Fala um pouquinho
também da das dificuldades que encontra,
né? Porque acredito que não é uma tarefa
fácil,
>> né? É. Ah, olha, o aconselhamento ele
ele muda muito a maneira como a gente
percebe
a vida e o ministério.
Ah, porque você aprende de maneira
bastante clara como que é a aplicação
bíblica. Eh, em casos específicos, eh, o
aconselhamento, na verdade, ele é ele é
o, como é que eu vou falar isso?
Ele é a cereja do bolo da teologia.
Uhum.
>> Por que [limpando a garganta] isso?
Porque toda todo o conhecimento bíblico,
teológico, né? E ele passa por uma
construção, mas ele vai eh por uma
construção de eh exegese, hermenêutica,
eh teologia, sistemática, bíblica e por
aí vai. Então, tudo isso vai construindo
o conhecimento,
mas todo esse conhecimento, ele precisa
ter um fim útil. que é o que a gente
chama de teologia prática. Então, a
teologia prática quando você pega todo o
conhecimento teológico e você aplica a
vida. O aconselhamento, ele é isso.
Então, ele é ele é o ele é o o fim, o
objetivo, né, da teologia na vida. É
claro que o fim último é glorificar
Deus,
>> mas é o aconselhamento é quando você
consegue tornar isso de maneira prática.
Então, ah, para mim foi uma mudança
muito grande, eh, na minha percepção das
escrituras, da teologia, da vida
prática. Mudou muito a maneira como eu
entendo as pessoas, como eu vejo as
pessoas, como eu vejo os irmãos da
igreja, como eu como eu percebo os
problemas que eles estão passando.
Então, o aconselhamento me ajudou muito
nisso, eh, compreender a antropologia de
maneira mais bíblica, né? o que é o
homem, qual é o problema do homem, como
resolver a situação do homem nas suas
diversas dimensões. Então, o
aconselhamento foi muito importante para
transformar minha visão. Inclusive, eu
tava conversando com o Marcelo Carvalho,
né, ele teve acampamento com a gente,
né, pregando e ele e ele também é ele
ele é adepto do aconselho bíblico, né?
Então ele ele tem ele tem uma uma
caminhada pelo aconselhamento. E uma das
coisas que ele falou para mim foi isso.
Eu eu até trago aqui, eu acho que não é
segredo, se for, desculpa o Marcelo, mas
eh mas não é não. Ele ele falou o
seguinte, que o aconselhamento quando
ele ah foi ser aconselhado por uma
situação que ele tava passando,
depois disso, quando ele encontrou o
aconselhamento bíblico, ele falou que
isso mudou a a as missões dele, mudou o
púlpito dele, mudou a maneira como ele
enxerga também as Então é assim, o
aconselhamento bíblico, ele ele muda a
nossa perspectiva de vida cristã, né, e
de ministério também.
justamente pelos motivos que eu citei
aqui.
>> Pô, muito legal, pastor. E pastor,
qual a principal diferença e como saber
quando eu preciso de um aconselhamento
bíblico? Claro, nós como cristãos, nós
vamos sempre basear a nossa vida
>> na Bíblia, naquilo que é a palavra de
Deus, na vontade de Deus.
Mas como eu sei que, olha, esse assunto
aqui eu preciso levar para um
aconselhamento e como eu sei, por
exemplo, isso daqui eu tenho que
resolver em casa, né? Porque eu eu vejo
que tem dois extremos, quando às vezes
as pessoas precisam de aconselhamento,
mas não querem de forma alguma ir
conversar, buscar ajuda.
>> Uhum.
>> E também existe o outro extremo de tudo
que é levar para aconselhamento, sendo
que tem coisas que às vezes precisam ser
resolvidas dentro de casa, né? Como ter
esse esse equilíbrio, esse feeling? É,
olha, eu acho que buscar ajuda eh nunca
é demais, mesmo com coisas pequenas.
>> Uhum.
>> Então, eu sempre incentivo as pessoas a
buscarem, né, conversarem com pastores,
presbíteros, líderes, mesmo que não
ainda no ambiente de aconselhamento.
Então, o que acontece geralmente é a
pessoa tá com uma dificuldade, tá com
alguma decisão para ser tomada, alguma
situação difícil e ela vai e conversa
com alguém da igreja, um irmão ou um
líder. Eh, nessa conversa, muitas coisas
já são resolvidas, já são já são eh a
luz já é lançada e a pessoa já consegue
ir resolvendo isso. Ah, algumas vezes
não, né? Nessas vezes em que a pessoa
não consegue em uma conversa com o irmão
já na igreja ou ah nas suas tentativas
sozinhos, né? ele eh quando isso não é
possível, aí é legal o aconselhamento,
porque aconselhamento
ele é uma é uma maneira eh do
conselheiro ajudar a pessoa a se a se
encaixar no ritmo eh do discipulado
bíblico, correto? Eh, tem um tem um um
conselheiro que chama a Steve Viers. Ele
é pastor batista de uma igreja lá em
Lafaet e a igreja chama eh Faith Baptist
Church, acho. E e é e esse e esse
conselheiro escreveu um artigo chamado
rio do Discipulado. Qual que é a
explicação dele? E é muito interessante.
Ele diz que todo cristão, ele tá em um
rio, como que em um rio com uma
correnteza, [limpando a garganta]
>> navegando a vida. Mas é é assim, nesse
rio tá todo mundo caminhando para chegar
lá no fim e esse fim ali é a glória de
Deus, certo? C
>> Então tá todo mundo caminhando para lá,
todos os cristãos. Nesse rio, os
cristãos se ajudam, que é o que a gente
chama de discipulado. Então o cristão
mais velho ajuda o mais novo nessa
caminhada, nessa ajuda, por exemplo,
alguém que tá com uma dificuldade,
conversa com o presbítero mais velho,
ele vai ajudá-lo, né? Então esse é um
discipulado comum, né? Pessoas se
ajudando na igreja.
O que acontece às vezes, ah, nessa
caminhada, nessa, nesse rio, nessa,
nessa trajetória, algumas pessoas
encontram dificuldades que são muito
grandes. Ah, o Steve diz que é como se
alguém ah tivesse esquecido de como
remar, né, ou tenha perdido as forças.
Então, nesse nesse rumo natural do rio,
existem nas margens como que bolsões de
água, né? Então, a pessoa sai do rio
normal e entra nesse bolsão para
trabalhar alguma coisa. Então ali no
bolsão ele consegue descansar do ritmo
que tava, ele consegue reaprender a
remar, ele consegue descansar um pouco,
né, para recuperar as forças. E isso é o
aconselhamento. Ele é um discipulado
intensivo. Ah, então você sai do ritmo
para você trabalhar alguma coisa e
depois disso você retornar para o rio do
discipulado e continuar sua caminhada
paraa glória de Deus, certo? Então isso
é basicamente o discipulado. Ah,
é importante entender isso. Por quê?
porque tem eh tem ensino e tem
discipulado de vários níveis e de várias
vários formatos, de maneira mais formal,
mais informal. No Rio normal você vai
ter pessoas perguntando questões e já
sanando e continuando a caminhada e vai,
né? Agora, quando começa a ficar muito
difícil, quando você esqueceu como que
rema, você caiu num pecado, você tá
fraco, você tá com os joelhos trop,
então você vai ter que sair um
pouquinho, recondicionar, entender o que
tem que entender, eh, voltar à prática
do das boas obras, né? Ah, e e depois
disso você retoma o o seu curso normal.
Então, é assim que funcionou o
discipulado.
>> Muito bom. O aconselamento,
>> o aconselhamento é o discipulado
intensivo, né?
>> Sim. E qual que é a maior dificuldade
que você encontra em exercer essa função
de de conselheiro, né? A gente sabe que
tem pessoas que, poxa, realmente vão
procurar o aconselhamento para querer
mudar.
>> É.
>> E às vezes tem pessoas que vão procurar
o aconselhamento para, deixa eu ver se
eu realmente preciso, né?
>> É, é assim, as pessoas chegam com as
mais diversas motivações, né? Ah, tem
muitas dificuldades no aconselhamento.
Eh, uma delas é a complexidade do ser
humano. Então, cada pessoa de um jeito,
cada pessoa tem uma história, cada
pessoa tem uma família, cada pessoa tem
uma cabeça diferente que foi formada de
maneira diferente, com várias
influências diferentes. Então, você
nunca vai conseguir tratar uma pessoa da
mesma maneira que a outra pessoa. você
vai ter que entender o que tá
acontecendo para depois de entender o
que tá acontecendo, você conseguir olhar
pra palavra para entender aquele
problema sobre a ótica da escritura e
então retirar da palavra qual que é a
solução para esse caso. Só que a
implementação da verdade bíblica é
diferente para cada pessoa. Então, tem
pessoas que eu vou trazer um
entendimento teórico e ela vai ser capaz
na abstração dela de compreender e já
começar a ter algum tipo de exortação
interna e rapidamente começar a ter
mudanças,
>> certo? Tem gente que não, tem gente que
vai ouvir por aqui, vai sair por aqui,
vai ouvir a segunda vez, não vai ter
entendido. A terceira vez você vai ter
que dar alguns exemplos. Então você vai
ter que desenhar paraa pessoa, olha, tem
que fazer isso, isso, isso. Ah, então a
implementação, a aplicação é muito
diferente e não e e não somente a eh na
explicação, mas no que deve ser feito,
né? Então, alguém que vai ter que lidar
com a ansiedade, ele vai ter que lidar
de uma maneira diferente do que uma
outra pessoa. Por exemplo, eu posso
estar ansioso, ah, por conta do que eu
vou comer o bebê. Então, vou lá Mateus
6, confiar em Deus, colocar nas mãos
dele, por aí vai. A aplicação é
diferente da pessoa que tá ansiosa
porque ela tem medo do que do que Deus
tá fazendo na vida dela ou do que Deus
pode trazer. Ou a pessoa tá ansiosa
porque ela acha que Deus na verdade não
tem poder para agir na vida dela. São
duas ansiedades diferentes. Ou é você
fica ansioso
>> porque você sabe que Deus é poderoso,
mas você não confia no plano dele. Então
você é ansioso porque você acha que vai
acontecer uma coisa ruim.
Ou você é ansioso porque você sabe que
Deus tem poder e você sabe que ele vai
trazer alguma coisa, mas o que ele vai
trazer, apesar de ser bom, traz
sofrimento. Então você fica com
ansiedade porque vai ter que sofrer em
alguma medida. Ou você também é ansioso
porque você sabe que vai passar por
alguma questão e você tem medo de que
Deus não consiga agir na sua vida, pelo
menos internamente. Talvez você
intelectualmente eh saiba que Deus é
poderoso, mas na fé, no coração, você
não viva isso. Então são ansiedades
diferentes e cada um vai ter que ter um
tratamento diferente, né? E ah e de
novo, pessoas são muito diferentes, né?
Então,
>> para você entender
>> a pessoa, para você entender o que tá se
passando no coração, eh, nós não somos
Jesus, né, que olhava e sabia o que tava
lá dentro. Então você tem que ouvir o
que a pessoa fala.
>> Sim.
>> Porém, né, a primeira a boca fala que o
coração tá cheio, né? Só que o coração
pode tá cheio de muita coisa. Então você
vai ter que filtrar tudo aquilo que vem
e você vai perguntar o que a pessoa tá
passando, que ela tá sentindo, qual é o
problema. Ela não vai saber às vezes
verbalizar isso. Ela vai falar que é,
olha, é a, mas você vai conversando, no
final é B, né? E aí ela vai ter um
diagnóstico errado para aquilo que ela
tá passando. E você vai ter que entender
isso para você conseguir chegar ao fundo
do que tá acontecendo e você vai ter que
chegar até as motivações do coração. E
isso tudo é muito complexo. Ah, por isso
que aconselhamento ele é muito de ouvir
o que a pessoa tá falando, tá falando,
tá falando. Tem tem casos em que eu
passo uma ou duas reuniões só ouvindo,
né? pessoal vai falando, vai trazendo e
eu deixo, né, pessoal falar, né, porque
aí eu vou colhendo informações para me
ajudar a entendê-la. E eu sempre falo
pra pessoa isso, olha, eu tô tentando te
entender, então continua falando, porque
eu preciso compreender. Então essa é uma
das maiores dificuldades, compreender a
pessoa, compreender a complexidade dela
para depois retirar, e aí você tem que
ser sistemático, né, para retirar em
categorias aquilo que tá acontecendo de
fato, qual é o pecado, qual é a situação
de acordo com a Bíblia. Ah, e aí você
parte para a parte bíblica, né, que é
você ir pra Bíblia para procurar as
soluções. Então, mas a parte mais
difícil mesmo é a compreensão de qual é
o problema em si. Se você não entende
qual é o problema, você não vai saber
como aplicar a palavra para aquela
situação, entende?
>> Então, pensando aqui no Rio de novo, né?
A pessoa esqueceu como é que rema e você
tá dando vitamina para ela ficar forte,
entendeu? São coisas diferentes, tem que
tratar o que tá acontecendo. Você tem
que saber o que é.
>> Sim. E já teve algum caso de você teve
que você teve que buscar aconselhamento
porque
era difícil aconselhar alguém ou era uma
situação tão você falou assim: "Cara, eu
preciso me aconselhar para poder
aconselhar a pessoa?"
>> Sim. Não, já teve. Claro, né? Ah, eh, um
ponto importante que a gente tem sempre
tem que entender é, hã, nós não nós, eh,
não somos, eh, independentes ou não
somos
eh conhecedores de tudo para não
precisarmos de ajuda nisso.
>> Uhum. Como eu falei, é muito complexo a
pessoa. Às vezes, eh, você conversa com
outro pastor ou com outro conselheiro
que já teve alguma coisa assim, né, que
já teve alguma situação e você consegue
alguma ajuda. Já busquei ajuda, né, para
tratar vários tipos de situações que eu
nunca tinha tratado antes. E foi muito
importante, né, porque aí a pessoa já eh
tinha passado por algo semelhante e
poôde dar alguma alguma ideia de por
onde ser interessante seguir pelo menos
para lançar alguma luz. Então, eh, já
teve sim vários casos em que eu tive de
conversar com outras pessoas. Quando
isso acontece,
eu, eu informo a pessoa, né? Eu falo:
"Olha, a sua situação, eu vou eu vou eh
ter que conversar com eh os outros
pastores aqui da igreja pra gente ah
eles me ajudarem nisso, nisso, nisso."
Então, isso às vezes acontece sim, né?
Ah, porque realmente é complicado
algumas vezes. Ah, e você falou de
problemas, né? Eh, então a complexidade
da pessoa e é uma situação difícil. a
aceitação da pessoa, né? Então, às vezes
a pessoa não quer aceitar. Já teve casos
em que eu comecei a concilativar.
>> Uhum.
>> Porque eh você começa a ouvir a pessoa,
né, o o aconselhando, você identifica
algumas questões e você aponta, mas nem
sempre essa pessoa aceita. Só que se ela
não aceita, eh, você não consegue levará
à prática.
>> Sim. Então, ah, o que eu faço é depois
de exortar e mostrar tudo mais, se a
pessoa não tá aceitando, eu falo para
ela: "Olha, ah, a gente não vai
conseguir continuar. Você vai ter que
entender isso. Quando você aceitar o que
eu tô falando, você volta, a gente
continua, né? Porque senão é, não
funciona." Aí aí aí fica uma ou o ou por
exemplo, quando a pessoa não faz o que é
pedido para fazer, então o
aconselhamento tem tem lição de casa,
tarefa de casa.
>> Uhum. Mas você passa e a pessoa não faz,
isso é muito difícil também, porque ela,
porque assim, a mudança em si, ela não
acontece na reunião, geralmente ela
acontece na vida enquanto a pessoa
aplica aquilo. Se ela só ouve alguma
coisa hoje aqui, passa a semana sem
fazer nada e volta na outra semana, ela
volta mais ou menos igual, né, para
ouvir de novo e esquecer. Então, ela
precisa aplicar. Quando não aplica, é
uma dificuldade também. Eu preciso
falar, olha, se você não aplicar, as
coisas não vão funcionar. Então, ou você
faz ou a gente vai ter que parar por
aqui, né? E aí quando você tiver
disposto a buscar a mudança, a
transformação, aí você volta e a gente
continua, né? Então, às vezes a pessoa
não está disposta de fato a a mudar. Ah,
e como eu falei, motivações, a pessoa
busca poros motivos, né? Então, por
exemplo, já teve caso em que a pessoa
veio falar sobre casamento e expôs a
situação do cônjuge, que era muito
difícil por aqui, aquilo lá, tal, tal,
tal,
>> e dizendo que então eh achava que seria
o ideal divórcio.
Ah, mas me parece que o que ela tava
buscando, na verdade, era uma validação,
né? Não, realmente é muito difícil isso
aqui, não cabe divorci. Eh, e já
aconteceu mais de uma vez, inclusive,
né? Eh, porque a pessoa às vezes não tá
buscando uma confrontação, mas uma
validação para aquilo que ela tá
fazendo, né?
>> E aí a gente tem que mostrar que não é
por aí. Muitas vezes a pessoa não gosta,
né? Então quando isso acontece ela não
volta mais. É. Então, mas assim que
caminha, né? Então, essas são algumas
das dificuldades que a gente tem em
aconselhamento. Tem tem outras também,
né?
>> Certo? E pastor, eh, eu, eu enxergo que
algumas pessoas têm dificuldade de
entender que
aconselhamento e até a gente deu
exemplos aqui falando sobre ansiedade,
né?
>> Uhum.
>> Eh,
tem coisas que são clínicas, tem coisas
que o aconselhamento bíblico é o
suficiente,
uma coisa inibe a outra, ambas caminham
junto.
>> Uhum. Já teve caso de alguém chegar para
para ti e você chegar falar assim:
"Olha, teu caso, eu vou te aconselhar
biblicamente aqui, mas você também
precisa procurar ajuda médica,
>> tá? Eh,
quanto tempo a gente tem?" Tempo, né?
[risadas]
Ah, esse é um assunto que ele é ele é
complexo por si só, né?
>> Sim.
>> Ah, por quê? O que é talvez a pergunta
seja o que é a ajuda médica? Ah, e de
que médico a gente tá falando? Qual é a
situação? Porque veja, o aconselhamento,
ele parte do pressuposto de que a Bíblia
é suficiente para tratar qualquer
situação do ser humano. Certo?
>> Ah, o que que a Bíblia não trata? A
Bíblia não trata braço quebrado, não
trata
>> eh um câncer, né? Muito embora tenha
efeitos positivos, né? Porque o câncer
às vezes tem alguma alguma ligação ao
que tá eh eh na alma e material, né?
Sim,
>> mas a palavra de Deus ela trata tudo
aquilo que é imaterial, ou seja, que a
gente a gente não pode pegar, ela trata
então todo tipo de tristeza profunda que
geralmente se eh hoje em dia chama-se de
depressão o tempo todo. Ah, todo tipo de
ansiedade, de dificuldades,
eh, de relacionamento, tudo isso a
palavra trata, medos, né, temores, eh,
tudo isso ela trata. [roncando] Qual que
é a questão?
Às vezes a pessoa pode ter alguma
questão fisiológica,
tá? O que é a questão fisiológica? O
corpo dela tem um desequilíbrio
eh hormonal ou tem alguma doença real,
mas isso é físico. Quando existe alguma
coisa física, ela tem que tratar também
o que é físico, [limpando a garganta]
certo? Então, alguém que tem um
descompasso hormonal, né, por algum
motivo, seja lá qual for, ela precisa de
fato, né, tentar resolver isso, né,
porque isso vai ajudá-la.
Agora, mesmo que ela tenha alguma
situação física,
isso não tira dela a a função de buscar
obedecer a Deus dentro da condição
física que ela tem. Então o
aconselhamento, mesmo que haja uma
questão física, ele é útil e proveitoso
para que a pessoa consiga ser o mais
santa possível dentro daquilo que ela
enfrenta. Uhum. [limpando a garganta]
>> Mesmo sendo uma questão física. OK?
>> Qual que é o problema às vezes? Ah, às
vezes, ah, o nosso mundo é assim e e e o
modelo médico é assim. Ah, você ah,
confunde o que é imaterial,
uma situação, uma dificuldade imaterial
com uma dificuldade física, tá? E você
utiliza o o modelo médico para dar
remédio para uma situação que deve ser
resolvida por meio da Bíblia.
>> OK? Eh, tanto tanto a psicologia quanto
o aconselhamento, por exemplo, os dois
trabalham com a alma. né? Por isso
[limpando a garganta] que a psicologia,
psiquê, né? É a parte material, não tem
nada fisiológico ali, né? Ah, e o
aconselhamento também trabalha dessa
maneira. Então, são eh, são meio que
visões diferentes de como você trata uma
mesma questão, né? E aí eu entendo que o
aconselhamento bíblico é aquilo que há
de melhor para tratar isso,
>> certo?
>> Porque você vai tratar a alma de acordo
com o que aquele que criou a alma diz
que tem tem que acontecer, certo? Uhum.
>> Então o achamento resolve isso. O que
acontece às vezes, como eu falei, a
pessoa confunde aquilo que é imaterial
com aquilo que é físico. Então ela vai
tomar um remédio pra sua tristeza
profunda que não tem uma uma uma parte
física no jogo, entende?
>> Entendi.
>> E aí ela vai tomar isso. E o remédio,
hoje, os remédios que existem, eles têm
um poder, né? Eles eles têm um
funcionamento.
>> Sim. Então eles conseguem sim deixar a
pessoa mais tranquila, a pessoa mais
calma, a pessoa com menos emoções à flor
da pele. Ah, tem alguns casos em que a
pessoa tá tá tão descompensada por conta
da situação da vida que ela mal consegue
te ouvir, certo? Ah, nesses casos,
quando a pessoa toma um remédio, ela
consegue começar a ouvir para entender.
São casos muito extremos. Eh, mas nem
sempre ela tá numa situação assim.
significa que ela tem uma coisa física.
Pode ser que ela esteja assim por conta
de uma de uma questão imaterial, ou
seja, sua alma você ou ela ela não soube
enfrentar uma situação bem
>> ou ela tá em algum tipo de pecado e isso
vai eh transtornando o resto do interior
dela. Dessa maneira, quando ela tá muito
ah fora de si, né, por conta do pecado
mesmo, de uma situação que aconteceu com
ela, ela vai acabar influenciando até o
corpo. Então, às vezes, a alma
influencia o corpo e o corpo influencia
a alma, né? Esse esse jogo existe, não
saber como é que funciona, mas existe.
Então, eh é como a palavra de Deus fila
eh fala, a palavra de Deus fala que
quando você tá com o coração alegre, o
seu rosto tá bonito, né?
E o inverso é verdadeiro quando você tá
com o rosto triste porque o coração tá
triste. Ou seja, o seu, a se o seu seu
interior influencia o seu corpo e o seu
corpo também vice-versa, tem alguma
influência no interior. Então, alguma
pessoa, por exemplo, que tem alguma
dificuldade física, hormonal, ah, essa
dificuldade vai influenciar a a parte
material, ou seja, ela vai acabar eh
tendo dificuldades para se manter eh sob
controle ou ou sem ira, entende?
>> Então, existe essa essa essa dinâmica
aí.
>> Eh, então, bom, só essa essa
diferenciação, né, do que é imaterial e
do que não é imaterial. Então, acho que
é sempre importante que a pessoa que vem
a aconselhamento, tem alguma situação
muito fora da caixinha, que ela busque
eh entender se tem alguma coisa física.
Então, é bom procurar um médico, um
clínico geral ou um médico de confiança
para fazer uma bateria de exames e
tentar descartar aquilo que é físico.
Descartado o que é físico, então tudo
que tá acontecendo é imaterial
>> e isso é a palavra de Deus que trata.
OK? Então essa é a é a dinâmica do
aconselhamento, é aquilo que eu entendo
que é mais correto de acordo com a
palavra de Deus. Então a palavra de Deus
é sempre suficiente para tratar todo e
qualquer dificuldade que seja imaterial.
Ahã. E e quando tem alguma coisa que é
física, física, fisiológica, né,
biológica, isso tem que ser tratado
também junto com o aconselhamento. Você
não pode fazer só uma parte também,
porque aí você eh acaba ficando eh
descompensado o tratamento, né?
>> Sim. Então, as duas coisas tem que
caminhar juntas se houver necessidade.
>> Legal. Muito bom, pastor. Muito bom esse
esse esclarecimento.
>> Acho que tem muitas pessoas que às vezes
têm essa dificuldade de de entender e
foi muito bom você ter deixado isso
claro. A gente tá caminhando aqui pro
pro final da nossa conversa, do nosso
podcast, mas a gente tem mais uma
pergunta,
>> OK?
>> Né?
>> A pergunta é o é o seguinte e talvez até
parte dela a gente já tenha respondido
aqui na nossa conversa. Eu preciso ser
pastor para aconselhar que caminho
preciso seguir para aconselhar bem meus
amigos?
>> OK. Excelente. Uma boa pergunta. Não tem
que ser pastor e na verdade não é uma
função majoritariamente pastoral, né? A
função do aconselhamento, ela é uma
função para toda a igreja. Eh,
inclusive,
pelo menos pelo que eu tenho de na
experiência com o movimento do aconselho
bíblico, né? É, acho que fora do Brasil,
principalmente,
mas a a maioria dos conselheiros, eles
não são pastores, eles são presbíteros
ou são pessoas eh membros da igreja, né,
que t o desejo de ajudar. Ah, e eles
fazem isso e fazem o aconselhamento.
>> Eh, então o aconselhamento é uma, eu eu
entendo sempre assim, é uma maneira como
Deus usa um pecador redimido para
auxiliar outro pecador redimido a
glorificar Deus. né? Então, basicamente
isso. Eh, e esse pecador redimido pode
ser qualquer um, pastor ou não, ele tem
que ser crente, né? Tem que ser crente,
tem que ser fiel, tem que buscar o
Senhor, ah, e buscar algum tipo de
ferramenta, tá? Ah, sobre isso, sobre
treinamentos, né? Então, hoje nós no
Brasil temos muitos treinamentos
possíveis. Nós temos, por exemplo, um
que é bem tradicional no Brasil já, que
é a ABCB. A ABCB tem alguns módulos, é
Batista e alguns módulos você pode
fazer. São cinco módulos e
autoconfrontação. Ah, você vai ter uma
noção muito boa do aconselhamento. Tem
um um outro curso que é chamado de
Nutra. Nutra funciona lá na Igreja
Batista Pedras Vivas com Jário Cáceres.
Eh, e é um sábado por mês durante um
ano. Então você passa o sábado inteiro
lá aprendendo sobre isso. Eh, é muito
bom. Alguns membros aqui já fizeram, né,
tanto Nutra quanto a BCB. Nós temos o
Instituto Reformado, né, que também tem
um curso de aconselhamento. Nós temos o
Jumper. O Jumper hoje tem o EAD em
aconselhamento, é onde eu também dou
aula. E e lá você tem um um EAD muito
interessante, né? São vários módulos.
Num ano você faz também. Então, tem
alguns cursos possíveis aqui, inclusive
em Santamaro. Ah, nós estamos criando
uma equipe de aconselhamento e treinando
essa equipe. Ah, hoje mesmo a gente tava
colocando no ar aí um curso, né, de
aconselhamento. Ainda não está eh
disponível, tem que só clicar para
disponibilizar ali, né? Mas já tá
pronto. E é uma é uma é um curso que eu
gravei
>> introdutório com um pouco de teologia do
aconselhamento, como que isso funciona.
Então, isso vai ter aqui também. Ah, e
isso e livros, né? Então, tem muitos
livros, tem muito recurso hoje na
internet que você pode utilizar para
você aprender. Um livro muito legal que
ensina aconselhamento de maneira prática
e rápida é um que chama Cura para o
Coração. Esse livro da nossa editora eh
da CP cultura cristã. E ele é muito ele
é curto, direto ao ponto, ensina como
você faz um bom aconselhamento. Então,
tem muito recurso hoje que dá para você
usar. O importante é você querer e você
se esforçar, tá? Não adianta você só
querer chegar e começar a conversar e
pronto, não. É importante que você se
detenha no estudo da palavra conhecer
Bíblia, né? Tem que conhecer Bíblia,
Bíblia, Bíblia. Você tem que conhecer
teologia, não só o que a palavra de Deus
diz no sentido de conhecer os
versículos, as histórias,
>> mas entender como que essa, como que
aquilo que emana da palavra, a teologia,
ela se aplica à vida. Então tem que ter
uma cosmovisão bíblica, uma cosmovisão
teológica bem fundamentada e isso tudo
são esses cursos que vão ajudar, tá?
Muito bom. Excelentes dicas, deixou
muita
>> Uhum.
>> muita coisa boa, muitas indicações
legais. Muito bom, pastor. E para fechar
a antes de de pedir para você deixar um
uma mensagem para quem nos assiste, né,
um último ponto que que foi mencionado
no começo quando você tava falando um
pouquinho sobre você, mas que a gente
não aprofundou tanto, mas
>> você dá aula de inglês?
>> Ah, dou aula, sim, é verdade. É, não é
verdade? Ah, a gente tá conversando um
pouquinho, né? Eu dou aula de inglês.
Eh, é uma das é uma das coisas que eu
faço, né? Eu eu era professor de inglês
enquanto seminarista.
>> Uhum.
>> Eh, e agora eu ainda dou algumas aulas
de vez em quando. Na verdade, agora eu
tô com a eh pouco tempo dedicado a isso,
né? Mas eu ainda de vez em quando, eh,
dou uma aulinha ou duas aí, né? Que
ajuda.
>> Muito bom. Então, fica aí a dica. Além
de conselheiro, professor de inglês,
quem precisar, pastor Gabriel, tá à
disposição aí. E pastor, pra gente
fechar aqui a nossa conversa, queria que
você deixasse uma mensagem para quem nos
assiste, para quem nos acompanha. Pode
ser sobre aconselhamento, pode ser sobre
algo que você julga importante pra
galera,
>> tá bom? Então, eh, eu vou vender o peixe
aqui do aconselhamento, né? A minha a
minha mensagem é para que você busque
aprender um pouquinho mais sobre isso. É
um tema muito interessante, muito
importante, muito profundo, muito
necessário paraa igreja. O meu sonho de
fato é que Santa Maro inteira tivesse o
DNA do aconselhamento, ou seja, que
soubesse o que é e fizesse um ao outro.
Essa, esse seria o ideal. Acho que é uma
caminhada, a gente tá tentando ir para
lá, mas ainda não é assim, ah, eh, de
maneira plena. Então, minha mensagem
para você, meu encorajamento é esse,
tente aprender um pouquinho sobre
aconselhamento aqui na igreja. Se você
quiser fazer parte também, você pode me
procurar. a gente tá fazendo essa equipe
e você pode eh ser uma das pessoas a
aconselharem, ajudar pessoas também a
glorificarem a Deus com as suas vidas e
e serem ah motivo de motivo de alegria
tanto para Deus quanto para nós. Então
essa é a minha é a minha orientação e o
meu recado para você. Espero que você o
siga e que a nossa igreja possa cada vez
mais crescer na área do aconselhamento
bíblico.
>> Muito bom, pastor Gabriel. Obrigado. Te
agradeço muito pelo papo, pela
disposição para aceitar o convite. Foi
uma honra, um prazer
>> estarmos juntos aqui. Agradeço você que
nos acompanhou de casa, assistiu,
compartilhou, mandou tua pergunta. Muito
obrigado. Fique de olho nas nossas redes
sociais, nas divulgações dos próximos
episódios, né? Queria agradecer também
nossa equipe aqui que tá por trás das
câmeras aí, Pedrão, Thago, Lucas Vieira,
Isabeli e a Nenenzinha, né? É,
>> muito bem. A gente tem uma gravidinha
aqui que veio servir conosco hoje. É
isso, pessoal. Mais uma vez, obrigado.
Boa noite e até a próxima.
[música]
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