Quando cuidar exige reunuciar: o impacto na vida das mães atípicas | Tesouro Azul | IBNU
30/03/2026
Quando cuidar exige reunuciar: o impacto na vida das mães atípicas | Tesouro Azul | IBNU
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[música] Bom dia, boa tarde, boa noite a todos. Sejam bem-vindos mais uma live do projeto Tesouro Azul com apoio da IBNU. Meu nome é Aline Caririz, sou psicóloga, terapeuta ABA, mãe atípica e fundadora do projeto Tesouro Azul. Sou mãe do Artur que tem autismo nível três suporte também não verbal e também do Guilherme com TDAH. Atuo na área clínica e também na formação de profissionais e famílias e instituições também com foco de inclusão, comportamento e desenvolvimento. Hoje nós vamos falar sobre um tema muito real, muito profundo e muitas vezes silencioso. Quando cuidar exige renunciar, o impacto na vida de das mães atípicas. Essa não é uma conversa sobre dor apenas, tá gente? é uma conversa sobre realidade, escolhas e caminhos. Ser mãe atípica não é só cuidar, é reorganizar a vida inteira, é rever planos, pausar sonhos, adaptar rotinas e muitas vezes isso sem apoio, sem preparo e sem reconhecimento. E é por isso que essa conversa é tão necessária, porque muitas vezes muitas mães estão vivendo isso, isso de forma sozinhas. E hoje nós queremos dizer: "Mães, vocês não estão sozinhas. Hoje eu tenho a alegria de receber duas mulheres que carregam essa vivência, cada uma com seu olhar e sua história. Luna Sampaio, ela é mãe atípica e advogada, e Patrícia Romero é mãe atípica e administradora. Sejam muito bem-vindas. [limpando a garganta] É uma honra ter vocês aqui. Eh, Luna, você pode se apresentar? >> Claro. Boa noite, bom dia, boa tarde, boa noite também. Eh, eu sou Luna Sampaio, sou advogada, como Aline disse. Eu tenho dois filhos, o Gustavo, que ele é autista suporte um e o Lorenzo, que é típico. Eh, eu a minha a minha vida nesse mundo do do autismo, ele não começou pelo direito, ele começou dentro da minha casa e me levou a a ao estudo mais aprofundado com depois do diagnóstico. E e eu percebi que eu tinha uma um propósito, né? tinha que ajudar outras pessoas, tinha que ajudar o meu filho. Então eu entrei para pra área do direito da pessoa com autismo. Eu moro em Jundiaí, São Paulo, e [roncando] eu adoro esse projeto. Sempre nas lives eu falo isso porque é realmente de coração. Adoro tesoura azul. A Aline ela ela é fantástica. Agora eu tô conhecendo a Patrícia também. É um grande prazer estar aqui. >> Patrícia, meu amor, você pode se apresentar? Oi, gente. Bom dia, boa tarde, boa noite. Eu sou a Patrícia Romero. Eu sou mãe atípica da Débora, que tem 5 anos. A Débora é nível dois de suporte, ela é verbal. A a Débora também tem superdotação e a hiperatividade. O Marcos Paulo tem 9 anos, é meu filho, também eh Tea, só que nível um de suporte. Eu sou administradora de empresas e eh eu também adoro o Tesouro Azul. Conheci a aluna há pouco tempo, mas é também uma querida. A Aline uma pessoa muitíssimo especial. A gente não trabalhou junto na IBNU, não sou membro da IBNU, mas eu amo esse projeto porque é um projeto lindo, ah, de inclusão e a igreja ela tem um papel importante na inclusão. Então, eh, é um prazer, um privilégio participar dessa live hoje com vocês. >> Ô, meu amor. Ai, vocês duas são preciosas, né? [risadas] Olha, vocês que estão aqui nos nos assistindo, coloca a região de vocês, eh, coloque suas perguntas aqui para os pais, que seria muito importante vocês perguntarem, tirarem suas dúvidas, entenderem um pouco da das questões das mães atípicas, né, como é importante vocês entenderem um pouco esse mundo. E também coloca, entra no nosso Instagram, Tesouro Azul oficial, está aqui passando na sobre workshop Tesouro Azul, que será dia 11 de abril. E se inscreva no nosso no workshop, temos a últimas vagas. Aproveita esse momento, inscreva também, inscreva no nosso canal, dá um like aqui na IB Newsw também, né? E sejam todos bem-vindos. Patrícia, eu gostaria de fazer uma pergunta para você, meu amor. O que mudou na sua vida profissional depois da maternidade atípica? Olha, mudou completamente, porque na minha área eu não consigo a atuar mais, porque não existe uma empresa que aceite uma funcionária que falta a metade da semana para estar no hospital com os filhos fazendo terapia aba. Essa empresa ela ainda não existe. Ainda que as empresas hoje falem muito em diversidade e inclusão, eu acredito que as empresas ainda não estão preparadas para lidar com mães atípicas. Elas falam sobre outros assuntos importantes. Eu respeito todos eles, mas eu ainda não vejo essa inclusão no mundo corporativo, a no que se refere a mães atípicas. Então, eh, eu estou fora do mercado. Ah, eu não consigo trabalhar na minha área. Mudou completamente. >> Então, você abriu mão da sua carreira para cuidar, né? Como isso tem impactado sua vida diante de da renúncia? Como que é isso para você? >> Ai, é difícil. Eu já chorei muitas vezes, já me perguntei muitas vezes até qual é o meu propósito de vida, né? Eh, de questionar mesmo o senhor, assim, senhor, por que eu nasci? Qual é o sentido da vida? E não que eu não entenda que a maternidade ela tem um um uma missão muito bonita, mas é muito difícil você estar neste mundo como mulher e não fazer parte do mercado de trabalho, especialmente porque eu estudei muito para isso, né? Eu me formei em marketing, me formei em administração, eu fiz diversas especializações na área. Então tudo que eu gostaria era de exercer a minha profissão. Mas isso ah não é não é eh possível se você é uma mãe atípica. E eu não posso abandonar meus filhos. Eu não posso abrir mão da terapia aba, eu não posso abrir mão a do cuidado com eles, porque isso vai fazer diferença na vida deles adulto quando não tiver mais aqui, à medida como eles vão lidar com os desafios e também como eles vão lidar com a família deles, né? Então, eh, eu assim, por mais que eles tenham o autismo, eu não fico, eu não, eu não vitimizo eles, né? Mas eu, eu entendo a gravidade do problema, não vitimizo, mas eu quero que eles, que eles sejam a pessoas capazes, que eles sigam em frente, que eles têm as profissões deles. Eu tô sempre assim, sempre com um olhar motivador para eles. Então, acho que eu acho que faz todo sentido também tá aberto, por mais que seja muito difícil, dolorido, que a gente chore, né? no secreto a abrir mão da carreira pela maternidade atípica. >> E você falando disso, de todas as suas dificuldades em relação a ser mãe, ser profissional, teros seus sonhos interrompidos diante de tudo isso, né, Patrícia? Nós entendemos que essa dinâmica acontece em com todas as mães atípicas. muitas vezes essa renúncia de deixar de ser quem é para cuidar, né, o cuidador. E como você se organiza sua rotina, seu trabalho, a sua maternidade como sendo mãe atípica? >> Olha, difícil. Hoje eu tenho mais as tarefas relacionadas ao lar, né, as atividades do lar. E aí, como eu não consigo trabalhar na área no mundo corporativo, eu comecei um ano uma outra graduação numa área totalmente diferente, estou fazendo pedagogia. Então eu eh acho que a a pedagogia vai me ajudar a conciliar talvez a maternidade atípica com a a vida profissional e você tem a missão também de formar pessoas, né? Mas é bem desafiador. Eu tenho a muitos dias assim de culpa, de choro, de achar que eu não vou conseguir aí, de achar que eu tô com burnout. Eh, inclusive passei no médico na sexta-feira, ele falou assim: "Olha, Patrícia, você precisa se cuidar porque senão você vai vai ficar doente de verdade. Você tem sinais claros de ansiedade, né?" E eu li muito sobre a mãe atípica que ela vive, como se ela tivesse, se ela fosse um soldado, eh, num campo de concentração, se ela tivesse ali na guerra, né? E não é assim, eu eu não tenho assim um minuto que me que meus filhos não estão dormindo, que eu não tô ali eh eh atenta, mesmo durante o sono, ou então quando eles estão brincando, eles a gente não tem nenhum momento de, ah, não, agora eu vou ficar aqui tranquila, eu vou ver um filme, uma série, não existe isso, não tem esse momento relax pra gente. Então é bem difícil, é difícil conciliar mais uma vez, né, as atividades do dia do dia a dia, a a vida profissional, a vida escolar deles, que exige bastante também, a gente tem que acompanhar. É um desafio. Acho que é isso. >> Isso mesmo. Você falou que é é compado a manhã típica como soldado de guerra. Realmente tem um estudo sobre isso, tá? que tem essa comparação de mãe atípica com não somente a mãe atípica, mas também todos que estão ao redor dessa mãe atípica, por exemplo, o filho, o outro filho, a o marido, muitas vezes estão nessa renúncia, muitas vezes estão ali no cuidado de cuidar, né? Então, e a gente acaba acontecendo como pais atípicos, eh, precisamos nos atentar como com a síndrome do filho de vidro. O que seria essa síndrome do filho de vidro? é aquele filho típico que muitas vezes ele é ele ele fica invisível diante dos pais para o porque o pai tá focado no outro que tá tendo mais demanda, tendo mais dificuldade e aí acaba essa criança sendo o cuidador do irmão. Então é esse como os pais, como mães atípicas elas realmente estão vivendo como se fosse um combatente de guerra, vivem na sociedade, vive nessa nessa busca de querer entender a situação, querer buscar esse conhecimento, né? Então isso é muito importante, Patrícia, como você relatou aqui, os pais também buscar a rede de apoio, né? buscar esse momento de respiro, um momento seu para poder escovar os dentes, fechar o cabelo, ir para um cinema, ir para algum lugar para que esquecer um pouco dessa realidade, porque a gente sabe que não é tão fácil assim, mas deixar outra pessoa cuidar da criança para que você tenha esse momento para eh como se fosse um respiro, sabe? aquele respiro importante e também agora no mês de abril, no final, agora no mês de abril voltaremos cuidar de quem cuida, tá? O Tesouro Azul volta agora com cuidar de quem cuida, porque teve uma demanda que teve que parar, aí eu fiquei doente, aí [roncando] veio o workshop, então depois do workshop retornaremos ao cuidar de quem cuida. Então é importante também passar dessa rede de apoio para ter esse momento de se cuidar, né? O autocuidado, precisamos cuidar para depois cuidar, né? Cuidar de quem cuida. Então, quando você me fala sobre isso, quando a gente fala de pessoas de da renúncia, né, Patrícia, a renúncia, por seria essa renúncia que ninguém vê, que muitas vezes está tão explícito no dia a dia dos pais. Me conta um pouco dessa renúncia. renúncia de mãe atípica. >> Então, eh, a gente a gente tem uma uma necessidade maior da renúncia do que todas as mães renunciam, né, de certa maneira ou não, independente do ser atípica, mas é claro que a gente exige muito mais. As terapias aba, elas são extremamente cansativas, né? Porque você não tem ali ah um espaço aonde você pode ficar não é 100% adequado. Ah, você tem uma situação, o que aconteceu comigo, eu não sei se eu sou a referência, mas o que aconteceu comigo quando eu estava descobrindo o diagnóstico do Marcos Paulo, o Marcos Paulo passou com uma médica geneticista e depois com o neuropediátrico, né? E eu descobri neste caminho que eu também tenho TE a nível um. Então, por exemplo, para mim, o barulho das das crianças na terapia é muito difícil. Eu sofro com isso, né? Eu sofro também e eu não posso falar porque lá eu tenho que ser forte, eu tenho que ser mãe, né? Então, a renúncia ela é da gente mesmo como pessoa, como ser humano. É como se a gente eh morresse um pouquinho a cada dia para dar vida pro outro, né? Interessante isso. Mas é assim que a gente vive na maternidade atípica. E eu a penso que a minha família específica ela é um milagre, porque nós temos a todos tera, né? começar pelo meu esposo, os meus filhos e eu, que foi assim o último diagnóstico. Então, a gente tem ali são pessoas atípicas com dentro do espectro com comportamentos diferentes. Então, um é e é superdado, um té e tem o TDH, um té e tem toque, que é o meu caso. Então, imagina isso na rotina de um lar, no dia a dia. Então, a gente renuncia a todos os dias a gente em prol da família, em prol de amar o próximo, como Deus nos fala, né? E a Deus sobre todas as coisas. Eu acho que se a gente não tivesse o Senhor nas nossas vidas, seria impossível viver essa renúncia e também viver a maternidade atípica. Eh, nós, eu acho que nós somos um milagre, nós três e todas as mães atípicas, né? Lógic é isso. >> Realmente, meu amor, eu vejo a terapia muitas vezes uma demanda muito grande, né? Então, quando a gente fala de terapia, a gente fala de autonomia. a gente tá buscando autonomia, desenvolvimento para essa criança. Quando a terapia aba ela fica no eh direcionado somente na clínica, não vejo o avanço dessa criança, porque a criar terapiava ter que ir na casa, ter que ir na escola, ter que ir aonde essa criança está. E os pais muitas vezes estão direcionados só na clínica e isso não é eh adequado para o desenvolvimento dessa criança. Porque muitas vezes a criança quando ela tem questões sensoriais na clínica, o ambiente é estruturado, gente. Eu preciso ir para um ambiente desestruturado para trabalhar essas questões sensoriais. Eu preciso entender como é a demanda dessa criança diante do contexto escolar, né? Então isso não pode ficar focado somente na clínica e acaba os pais entrando nesse esgotamento eh mental, esgotamento físico, porque a demanda é grande. Então eu sempre sugiro os pais eh buscar uma terapia aba que seja relacionada à casa e escola e também na na clínica, porque aí sim é mais efetivo. Os pais precisam aprender a lidar com algumas questões. Os pais [limpando a garganta] precisam ter o momento do respiro. A criança precisa ter a comunicação funcional em todos os ambientes, em todo o contexto social, contexo familiar, precisa ter essa comunicação. E a terapia focada somente no local da terapia, na clínica, no ambiente clínico, eu vejo muito estruturado. Eu estruturo o ambiente, a criança faz ali, mas o ambiente dela é caótico em casa, o ambiente dela é caótico na na escola, o ambiente dela é caótico na igreja. Como que é o contexto dela social no shopping? Tá entendendo? A gente vive em sociedade, a gente precisa focar numa terapia voltada para um ambiente natural, né? Então isso eu vejo muito importante para trazer isso pros pais que e quem não está nos assistindo entender como funciona a terapia aba, porque a criança entra no esgotamento mental também, tá? Não é ela tá ali com fortes demandas ali, mas também com [limpando a garganta] fortes questões emocionais de outro de outro ambiente. Então como que eu vou lidar com uma questão se ela pode ter uma recaída? Porque eu não tô focada em todos os ambientes, tá? Terapia aba nunca é voltada somente para um ambiente clínico, tem que tá em todos os contextos. Patrícia, uma coisa que eu queria entender um pouco de você. O que você diria para uma mãe atíbica que está começando agora essa maternidade, né? Porque você falou para mim que acabou nos dizendo, a família toda está dentro do espectro, né? e não somente com a com autismo, com essas comorbidades como tea, toque, superdotados. Então eu preciso entender um pouco o que você diria para uma mãe que está no início da da do diagnóstico, como que eu lido com esse início de diagnóstico e e lidar nessas demandas, né? Porque a mudança de rotina, a mudança no contexto social, há mudanças familiares também, né? E como que é essa rede de apoio também sua diante de tantas demandas? Então, eu acho que o que eu posso dizer paraas mães que estão iniciando agora e busque ajuda. Busque ajuda no meio que você está inserida. Então, se você participa de uma igreja, procure a comunidade local, peça ajuda para sua liderança, para caminhar com você. Procure ajuda dos familiares, mãe, pai, sogra, vote, a os que estão mais perto mesmo. E não desista, não desista, porque Deus te deu uma missão de caminhar com essa criança atípica e Deus tem um propósito nisso. E com certeza é o Senhor que vai te sustentar todos os dias até que ele volte e até que o seu filho cresça e seja uma bênção. Porque crianças autistas tratadas com terapia, elas podem caminhar muito bem quando adultas. Então, tenha paciência, confie no Senhor, busque ajuda. No meu caso, eh, eu não tenho ajuda familiar porque eu não tenho ninguém que mora em São Paulo. A minha família é toda do interior do estado, então essa ajuda, eh, ela não existe. A igreja que eu sou membro hoje também não está preparada para receber, porque é uma igreja pequenininha, está em processo de reestruturação. Então é o Senhor. Eu não tenho eh ninguém assim hoje para para falar, para conversar. E o Tesouro azul, ah, tem me motivado, tem me inspirado. Ouvi as histórias como eu vi e me emocionei. A história do teu menino, do Artur. Tão bonito. Vê a foto, como começou, como foi. Então, a gente também enquanto família, mesmo sem, é o senhor mesmo que direciona, mesmo sem a gente ter eh pensado sobre isso, eu não te procurei e falei: "Ó, Line, caminha comigo". um tesouro azul, mas Deus, ele vai nos direcionando para conseguir caminhar eh e viver essa jornada da maternidade atípica de uma maneira que seja mais leve e que seja possível. >> Ô, meu amor, sinta-se abraçada pelo tesouro azul, tá? Sinta-se abraçada, sinta amada e venha participar do cuidar de quem cuida. Agora não podemos parar, né, Luna? [risadas] do cuidar de quem cuida, porque eu acho tão importante essa rede de apoio. Essa rede de apoio nos fortalece, nos dá direcionamento, né? E também vai ter a voltar com a prática do cuidar. A prática do cuidar é extremamente importante também, porque quando o pai tem uma demanda, ah, eu preciso de frraudar o meu filho, um exemplo aqui de uma prática do cuidar, tá? A gente traz esse ensino para os pais, para os pais ou cuidadores, profissionais da área da saúde, da educação, que queiram aprender, né? Se tem alguma questão, Aline, eu queria saber mais sobre o que seria crise birra, como que eu lido com isso? Será que quais são as questões sensoriais que que tá direcionada a uma crise? Como que eu lido com a com a prevenção de crise, né, que é extremamente importante entender sobre a prevenção de crise, voltaremos também, isso aqui é prático, cuidar somente maio, tá gente? Não vamos sobrecarregar agora abril aqui não, que aí [risadas] precisamos ter andamentos assim com aos poucos. [risadas] Eu gostaria de ouvir agora, Luna, meu amor, eh, o que mudou, quais foram as suas primeiras renúncias? que você percebeu diante da maternidade atípica. >> É difícil a primeira renúncia, né? Porque você vai fazendo, acho que a ausência aos pouquinhos que vai mostrando uma grande renúncia. Então, por exemplo, eh, antes um estar com a com os parentes, ir aos locais públicos, aí acham que é uma escolha, né? As pessoas falam: "Não, mas você que tá escolhendo não ir, você que tá escolhendo no ir no evento." As pessoas entendem a sua situação, mas não é bem assim. A gente acaba eh eh emocionalmente falando é é sobre eh tem uma sobrecarga emocional aí, porque você já vai pensando e se fizer isso? E se entrar em crise? E se derrubar o bolo? E se então assim, e se e o julgamento das pessoas? Então, eu acho que essas ausências que trouxeram, que que fizeram essa renúncia, eu não sei aqui falar a minha primeira renúncia, a grande renúncia foi a minha mudança de área de trabalho. Isso foi uma grande renúncia para mim, sair de escritórios também. Então, eu tive que abrir o meu escritório e eu gostava de ter uma rotina já controladinha, mas eh lá a minha grande renúncia emocional, uma grande renúncia familiar, eu acho um pouco mais difícil. Seria pequenas ausências que trouxeram uma grande renúncia. Então eu queria então entender, meu amor, sobre porque assim, a maternidade atípica ela não muda somente a rotina, né, como você nos trouxe aqui. Ela muda a estrutura de vida, os planos e enxergar como que vou pensar no meu futuro, o que seria o meu futuro lá na frente, né? E que momento que você entendeu na sua vida que tinha mudado completamente diante da maternidade? Bom, a gente foi o meu meu filho mais velho que é a tipo que é o Gustavo, tá com 9 anos agora. [roncando] Então, quando você eh quando é mãe, né, quando você se torna mãe, você tem uma ai meu filho vai jogar futebol, meu filho vai começa a criar as coisas na cabeça, né? Então, ai eu vou torcer lá para ele com pomponzinho e tudo mais. Então vocês já põe isso, é claro que eu tô dizendo um exemplo, né? E quando você percebe que seu filho tá com 4 anos e não tá nem falando, você começa a se questionar, fala: "Meu Deus, será que era para ouvir aquela aquele conselho que me deram e eu não fiz? E eu fui pelo outro conselho que deu errado e a maternidade vai ficando pesada nesse ponto. E quando você consegue algum algum passinho, então ai meu filho falou mamãe gente aquilo aí a maternidade faz sentido. Então é uma montanha russa. Uma hora você tá lá falando ai meu Deus que por que que eu não deu certo isso? Por que que a outra mãe deu certo? Por que que o meu filho não tá respondendo a isso? Eu tô fazendo 15 horas de terapia semanais, eu tô fazendo 10 horas, eu tô, minha parte financeira tá toda nesses tratamentos. Como que eu fiz de errado? E aí de repente você ouve uma mãe, como aconteceu com o meu filho. Meu filho ficou até 5 anos sem falar. Então o primeiro mamãe falava papai, mamãe, meu marido que não ouça, né? Porque senão ele vai falar: "Não, não foi mamãe, foi papai". Mas assim, aquela alegria, aquela alegria imensa disso e e as mães típicas não não não por mal, mas elas não entendem isso, porque a gente a gente celebra pequenos pontos assim, coisas que uma mãe típica não imaginaria, já é uma coisa comum para elas. Então acho que esse é o grande ponto da maternidade atípica, essa montanha russa. Ó, depois de tudo que vocês nos trouxeram aqui, a gente começa a perceber que a renúncia não é somente a prática, ela também emocional e emocional e muitas vezes está bem visível, né? Então, eh, isso nos cabe entender um pouco mais como a demanda das mães que é de renunciar, desistir um pouco, desistir da sua da sua profissão, desistir de si. Eh, realmente muito doloroso. Então, Luna, em meio a tantas demandas, mulheres começam a perder a si mesmo ao longo dessa desse caminho, né? Como eu acabei de dizer, em algum momento você sentiu que se você perdeu sua identidade? Ah, sim. Principalmente no início. No início eu não era mais a esposa, eu não era mais a Luna, eu não era mais uma mulher, eu era a mãe que ficava vendo laudos, relatórios e terapias e pensando só nisso. Não me arrumava. Teve uma época que assim me arrumava bem pouco porque só ficava em casa. Eh, as conversas com em casa era só sobre isso. E nesse tempo eu demorei muito para falar paraa minha família sobre a sobre o diagnóstico do meu filho, por eu e meu marido a gente não tava ainda, digo mais por mim, a gente não tava preparado para ouvir conselhos, críticas, nada. A gente precisava primeiro saber o que tava acontecendo, saber o que a gente tava passando, o que que a gente poderia fazer para depois conseguir acolher as informações dos outros. Acolher mesmo de às vezes dar uma pisar na bola na hora de falar, falar algumas coisas que não eram adequadas. Então assim, a gente primeiro precisou dessa parceria, se equilibrar e depois contar pra família. Mas isso tem uma consequência, porque a gente fica sozinho >> e não, essa foi a minha experiência. Eu nem sei se para as outras mães seria interessante falar pra família ou não, procurar ou não, mas a gente acabou optando por isso. E não foi fácil. Não foi fácil porque é uma solidão, né? Você precisar se desabafar. E nós moramos no interior aqui de Jundiaí, minha família é de São Bernardo, meu marido é de Osasco. Então assim, não é tão próximo assim. E isso realmente acontece mesmo, principalmente quando a gente tá no no início de diagnóstico, a gente quer entender primeiro o que tá acontecendo para depois falar pra família, para poder explicar o que é o autismo, entender um pouco mais o que seria a ultração de fcto autista e muitas vezes a gente fica perdido, né? há 10 anos, há 13 anos atrás, quando eu tive diagnóstico, eh, para mim também ficou um momento assim doloroso, porque eu não entendia o que era autismo, não sabia o que lidar com o autismo, porque eu também não sabia o que era autismo, né? E aí para eu poder contar paraa minha família, eu demorei uns meses para poder contar, para explicar para eles o que seria o transtorno espaço autista, para eles poderem entender, né? E isso eu vejo como o cuidado que eu tive com Artur, como você teve com o Gustavo, né, para as pessoas não préjulgarem, né, porque o comportamento muitas vezes que a gente vê a criança, ela tá agitada com um pouco e as pessoas acham que é birra, é mal educação, essas coisas e no final não é pode ser uma questão sensorial, pode ser algo que ela tá tentando se expressar e não tá conseguindo falar. E isso a gente precisa entender um pouco do que tá acontecendo para depois expressar de para os nossos filhos. Então eu super entendo o a sua fala disso, de você ter ficado um tempo, de não falar pros seus pais, paraas suas famílias, porque realmente a gente precisa ter esse cuidado com nossos filhos, porque antes de das pessoas questionarem, a gente precisa entender o que é para poder depois explicar, porque aí a gente traz a conscientização tanto para nossas famílias, né? Uma outra coisa que eu queria entender com você, Luna, em que momento você percebeu que precisava reencontrar como mulher e não apenas como mãe? Como foi esse processo interno para você? Eh, ah, eu tenho um outro filho, né, que é o Lorenzo. E e as demandas pro Gustavo não estavam crescendo tanto, então a gente tava sempre em terapia, tudo e eu tava esgotada, meu marido também, a gente tava bem cansado de tudo isso em termos de terapia, uma rotina pesada, né, quero dizer. E, e o, e o meu filho, ele a gente percebia que ele tentava, ele fazia um, um, ele tentava imitar o meu filho que tinha o autismo, então ele tava sendo um autista por imitação. Então, ele chorava, ele fazia as mesmas coisas. >> [roncando] >> E aí eu percebi, falei: "Opa, pera aí, a gente tá aqui tentando ajudar o Gustavo, mas a gente não está mais eh se ajudando em termos de não não tá eh a gente não tá se cuidando. Então, como a gente pode cuidar do Gustavo? sendo que a gente não tá se cuidando, está refletindo no meu filho Lourenzo. A e nós não estamos bem, então sempre acabado, sempre tristes e e aí eu voltei a fazer minhas minhas voltei para fiz uma pós-graduação, aí fui tomando fôlego, fazia uma vez por semana, que era o que eu conseguia, mas estava lá, conversava de outras coisas. Eh, isso é muito muito estranho, porque quando você fica muito tempo sem conversar, você só sabe falar do do autismo, de coisas difíceis, eh, de de terapia. E aí quando eu fiz a pós, eu falei de outras coisas e eu falar: "Opa, pera aí, eu preciso também fazer isso pelo bem do Gustavo, até pelo bem do casamento, pelo bem do Gustavo, pelo bem do Lourenzo para o meu bem". Então, foi aí a hora que eu falei, não, a gente vai ter que dar um jeito e resolver em termos de colocar na escola, fazer as terapias, vai fazer as terapias, mas também ter o nosso momento, deixar falar com as famílias para eles poderem nos ajudar, para ter um uma rede de apoio. Então, foi nesse momento, foi nesse toque pelo mais pelo, acho que até pelo Lourenzo e pela minha comunicação com o meu marido em casa, que já tava defasada por conta que era só o Gustavo. >> Sim. Nossa, como é importante, né? sair um pouco da rotina, estar ali com outras pessoas, pensar em trabalho, ti faculdade, aí já vem o TCC, vem um monte de coisa, [risadas] mas pelo menos a gente já sai um pouco do foco, né, da ficar só falando do cuidar, do cuidar, né, >> como é importante. Eu também tô muito feliz com a Patrícia fazendo agora a pedagogia, que vai ser um campo assim que vai abrir a portas para você. Com certeza o tesourador também está aqui para abrir as portas como uma rede de apoio para você. Inisso, eu queria agora perguntar para ambas. Eu acho que essa pergunta é muito importante, porque a gente tá falando aqui de do cuidado, falou de renúncia, a gente falou da rotina, a gente falou do de que ser mãe e falou da profissão, mas a gente ainda não falou da sociedade, né? Que acho que é um campo que extremamente importante para nós entender como que a sociedade lida com tudo isso, né? Como a sociedade a vocês, a sociedade ainda falha com as mães atípicas, eu quero ouvir das duas. Quem vai falar primeiro? [risadas] >> Você escolhe, Aline. >> Pode, Patrícia. Então, >> eu ia dizer o mesmo, Luna. Você escolhe Aline. Legal. Olha só, eu acho que falha. a sociedade ainda falha muito. Eh, sabe que algo que me dói muito ouvir, e eu tenho ouvido isso com frequência, que autismo é a doença da moda. Que tá na moda ter autismo. [roncando] Gente, isso é tão é tão é ofensivo pra gente, é tão doloroso de ouvir isso, né? Porque não é sobre moda, é sobre a falta de conhecimento que a academia ainda tinha sobre o assunto. Eu lembro que eu trabalhei, fiz estágio, né, na APAI no ano de 2000. Não sei se pode falar o nome da empresa, mas também falar. >> Ah, que bom. Então assim, era em 2010, eu fiz estágio na APAI e eu trabalhava bem ali no núcleo aonde os pais eles chegam para fazer aquela avaliação com a equipe multidisciplinar para ter o diagnóstico da criança, tanto da quanto té, quanto outras coisas. >> [roncando] >> E eu lembro que quando era autismo, a a menina que me treinava, né, porque era estágio, ela me dizia assim: "Olha, você coloca no laudo eh que ainda está em investigação para ter uma uma uma um análise melhor do que a criança tem." E eu perguntei uma vez para ela, mas por que que tem que colocar assim no no laudo, né? Ela falou, porque a gente ainda não tem muitas informações sobre essa sobre esse transtorno e isso há 15 anos atrás. Então, mesmo que trabalhava com com Down, com outras questões, ainda não tinha muita muita muito conhecimento sobre autismo. E eu lembro que na época a gente encaminhava para outras casas de que já trabalhava com com crianças autistas para dar ali o encaminhamento no tratamento, mas mesmo a pai que era referência não sabia muito. E quando você vai estudar, eh, meu esposo fez o mestrado agora na UNIFESP, ele falou sobre o autismo. E quando você pega os estudos, tem pouca coisa também falando, é tudo muito recente, as pesquisas são recentes. Antigamente era Asperge, >> né? E aí quando Robberto era outro nome, tal. Então, é tudo muito novo. Então, é muito triste quando você pega um médico, como eu já ouvi falar, ou um profissional da área da educação falando assim: "Essa é a doença da moda." É ofensivo, é humilhante, é triste e a sociedade ela não tá preparada. Eu acho que é igual a Luna disse, no sentido também do julgamento. Então, não só pela falta de conhecimento, mas do julgamento ah dos autistas, dos nossos filhos e de todos os autistas. Eu acho que é isso. >> E quando geralmente eu eu vejo que a importância mesmo hoje, como na pai era há 15 anos atrás, eu vejo hoje como que ainda deveria colocar como hipótese de diagnóstico de terra, tá? Porque se a gente já rotula uma criança para algum tipo de comportamento, porque você pode ter comportamento autista, mas você não pode, não, pode ser que você não tenha um terra, tá? Então, a já colocar um rótulo nessa criança, eu vejo a importância de uma investigação multidisciplinar, né? Então, vejo que quando você coloca hipótese, você ainda tá em investigação, porque a criança tá na fase de desenvolvimento, gente, tá na fase de desenvolvimento. Eu já peguei crianças aqui com no num projeto Tesouro Azul, que ela tinha uma dificuldade de aprendizagem, ela não tinha terra, mas ela já tinha um diagnóstico de terra. A gente pediu pra mãe buscar uma reavaliação no neuropediatra e uma reavaliação no psiquiatra infantil, porque o comportamento da criança não tinha eh comportamento a a de pessoas que trouxe no espectro autista, né? Então a mãe foi fazer uma investigação de novo dessa criança e foi constatado que que ela tinha uma dificuldade de aprendizagem. Qual seria essa dificuldade de aprendizagem dessa criança? estava relacionada ao luto. Essa criança lá em 2020, ela ela perdeu o voo em 2020, mas não passou pelo processo do luto. Então ela teve em começou a ter comportamento de agressividade, não dizendo que todo que a pessoa com isso tem agressividade, tá gente? É porque é um comportamento que tá dentro do comportamentos disfuncionais que falam da pessoa dentro do espectro autista. Ela tinha dificuldade de concentração, ela não conseguia se relacionar, ela se isolava porque ela tava vivendo aquele luto e ela não sabia se expressar, ela não sabia expressar as emoções que ela tava passando. Então, foi esse processo que a gente viu, como hoje eu vejo uma necessidade da de antes de você já ficar só focada na queixa do da escola e na queixa do professor, da mãe, coloca aqui um pouquinho do lado de ladinho e vai observar essa criança na sua totalidade, porque senão vai vir um um laudo de um transtorno, sendo que essa criança não pode ser que não tenha, né? Então, a hipótese diagnóstica, eu vejo como uma forma de a gente preservar essa criança na sua totalidade até você ter a certeza do diagnóstico, né? Então, é muito importante isso a gente relatar. E 15 anos atrás já não tinha informações. Mesmo tendo informação. Hoje a gente precisa lembrar que a gente viveu a pandemia, que crianças na pandemia ficaram isolada, muitas vezes não sabe expressar suas emoções. Então a gente precisa entender que essa criança para depois a gente pensar e te trazer um laudo diagnóstico para essa criança, tá? Luna, me fala um pouco o que a sociedade você vê diante da sociedade, a pessoa sermã sendo mãe atípica. Olha, a sociedade ela falha no que é básico, né, que é a inclusão real, acolhimento mesmo. Eh, eu fico feliz de ver falar muito sobre o autismo, ainda mais em abril agora que as pessoas acabam lendo mais sobre, aparecem reportagens à televisão, enfim, mas na prática as portas são fechadas ainda. você vai a uma escola, acho que o pior pesadelo de uma mãe uma escola. O não, ela já tem, praticamente. É isso. E enquanto e a sociedade eh ela vê muitos gritos de socorro, mas não vê medidas públicas, eh políticas públicas. você vai falar com um juiz, ele não tá treinado para isso, ele não sabe sobre o assunto, então acaba às vezes falhando. Não todos, obviamente, mas é uma coisa que tá por causa da minha profissão, eu vejo, eh, mas juiz, como assim você falou uma palavra que não tem nada a ver? Isso é o mínimo que eu deveria saber. E a como que vai decidir uma coisa que você não sabe? Falta também a a mais rigor mesmo, não só nas leis, mas em toda numa nas ruas. Poxa, quando você vê algum algo preparado, porque normalmente, né, a gente vê muitas pessoas com autismo com outros outras defici deficiência eu digo por causa do mundo legal, tá? Mas com outras deficiências. E e cadê? Então aí a sociedade fica assim confusa também, então não tem não vem informação correta muitas vezes e também ela não sabe o que fazer e pensa que eu já ouvi muito, ó, a mãe atípica tá falando que o filho tem porque ela quer direitos, ela quer o IPVA, ela quer gente, ela quer passar na frente da fila. Então é isso ainda precisa mudar o básico, esse acolhimento básico precisa mudar. Ninguém imagina o sofrimento de uma mãe, de um pai, quando vai procurar o básico pro filho, os direitos e as pessoas zombam às vezes. E pessoas que não poderiam, que tem um cargo que não poderiam estar fazendo isso e que é essencial paraa sociedade como médico, né? Como falou médico, a doença da moda. Médico primeiro, doença já é errado. E da moda? Como diz isso para uma mãe que tá ali desesperada pedindo seu sua ajuda? Então, a sociedade ainda falha, falha. Fico feliz que a gente esteja falando mais sobre o assunto, mas falha demais, infelizmente. Tá desligada, Aline? Eu já [risadas] eu já passei por essa falha eh da sociedade e realmente eu tive até um questões assim durante meses, né? Eu vou relatar aqui para vocês que acho que é importante a gente mostrar que no contexto escolar, tá? Quando a aluna nos trouxe aqui no contexto escolar, como é importante a gente ter esse olhar além do diagnóstico, né? O Artur quando eu tinha matriculado ele na escola, depois a Luna vai me dar uma umas orientações sobre isso, tá, Lu? Ele foi matriculado na escola só naquela época, né? Naquela época, pouquinho tempo atrás, para não falar que é tão tempo assim, né? Porque, né, gente? Eh, ele foi rejeitado depois, porque assim, eu comprei todo o material didático, comprei o material da Nobel, né? Eu fui, ele escreveu o caderninho dele, o nome dele no caderninho, nas apostilas, já tinha colocado o nome dele em tudo. Ele tava vivendo aquele momento de de estar nessa escola. Chegando nessa escola, a a coordenadora antes de eu chegar, ela falou: "Line, eu queria conhecer o Artur: "Tá bom, já vou passar o cheque, já tô indo lá, ela vai conhecer o Artur." E aí ela falou assim: "Alina, eu eu chegando na escola, falou na sala dela, falou: "Alina, eu quero que o Artur fique comigo em uma sala e você fique me aguardando aqui." Só que o Artur tava tão desejoso de estar nessa escola. Imagine aquela criança que tá esperando aquele momento de já ir pra escola, porque se preparou todo ele se preparou para estar ali, né? E aí e eu falei: "Meu amor, não seria importante que ele tá ansioso, tá? Tá assim, eh, pode ser que ele não fique bem, né, nessa situação, né? Ah, aconteceu agora da Patrícia cair, daqui a pouco ela retorna e a gente dá continuidade aqui, tá, Lula? E aí nessa escola, quando ela saiu com o Artur, ficou num período de 30 minutos, 30 minutos com ele naquela, nessas nessa sala que eu não sei onde era, tá? E aí ela retornou pra sala dela e falou assim: "Aline, eh, eu >> eu eu não quero". O Artur não está mais matriculado na escola, tá? O Artur está engatinhando pela escola. Eu fiquei olhando assim para ela. Como assim o Artur engate pela escola? Ela falou assim: "Está engateando pela escola". E aí eu fui correr lá para ver o que tava acontecendo. E aí o que foi? Chegando, chegando atrás do Artur, o Artur ele começou a engatear com tanta força, gente, como se ele tivesse subindo escada. Sabe quando a gente sobe escada correndo? O Artur foi de joelho e eu vendo aquela cena do Artur, eu aí ela ainda gritou assim para mim, ó, detalhe, ele não está matriculado na escola e foi rejeitado. Eu olhei para ela, olhei pro meu filho e fui focar no Artur. Resumindo a história, o Artur engateou durante s meses, todos os dias, desde a hora que ele acordava até a hora de dormir. ele engateava todos os dias. A gente teve que ensinar a funcionalidade do andar, tivemos que ensinar a funcionalidade do comer também, porque ele teve uma regressão, tá? E quando chegou no aniversário dele, em novembro, ele foi aceito em uma outra escola, mesmo em Gatiano, foi aceito nessa outra escola, tá? Ele no aniversário dele já tava em pé, tava comemorando aniversário dele com os amiguinhos de sala. Eu tenho até essa essa foto, para mim é uma foto que tem tanto significado. E aí me perguntaram, Aline, por que você não colocou essa escola na justiça? Lembra quando a gente fala de sociedade? A gente fala de pessoas. Tem pessoas, pessoas que têm um olhar para o outro com compaixão, amor e respeito. Tem pessoas que olham pro outro com discriminação. A escola que eu queria colocar o ator não era uma escola exclusiva, ela não excluía, mas aquela coordenadora sim. Então aquela coordenadora tinha uma visão de expludente, né? Uma visão de que ele é incapaz, né? Então, por isso também que eu não coloquei, né, eh, uma na justiça a escola também, porque eu também estava esgotada, mas também quando a gente cola, coloquei no racional, assim como racional, eu vi que não era a escola, eu vi que era aquela pessoa, né? Então, eu sei que a Luna agora vai falar um pouco desse direito, né, Luna, que é importante porque as pessoas com com autismo, ela é equiparada pela lei como pessoa com deficiência. E no artigo 88, discriminar uma pessoa com autismo é crime e é prisão de 3 anos. Então, é importante também relatar isso, né? E como que é o direito, Luna da pessoa com autismo? me fala um pouco do dessa tu falar o não tá mais matriculado. Como assim? É, é certo isso? >> Não, >> muito errado. Ele quando uma criança, quando uma escola eh exclui uma criança com deficiência, novamente estou falando com deficiência pelos termos legais, [roncando] ela tá tem várias leis envolvidas aí. Tem a Beriniciana, tem o ECA, tem a Lei Brasileira de Inclusão, notas do MEC, ou seja, tem várias coisas erradas com essa escola. É muito difícil a mãe mesmo querer eh processar a escola, porque é é forte você ouvir um não de uma escola, porque é um lugar que você não espera isso. É um lugar que você pensa: "Nossa, ele vai ensinar meu filho a eh é um é uma professora, são professores, não que os professores têm culpa, não é isso que eu quero dizer, mas uma escola você pensa, é o lugar onde eles entendem, entende? Então assim, é muito forte o impacto. O que eu aconselho que a Aline poderia fazer? Ela poderia notificar essa escola. Se ela não tem essa ainda vontade de entrar na justiça, ela poderia notificar por quê? A escola é responsável pelas pessoas as quais ela contrata, como essa coordenadora. E para outras crianças não passarem por isso, outros jovens, é interessante notificar a escola, falando como advogada e não mãe, notificar essa escola. Por quê? para ela eh ou dar um um treinamento a essa coordenadora adequado ou mesmo mostrar para ela que não é o lugar adequado para ela estar, que é uma escola. Eh, ou se uma mãe já fala: "Não, quero mesmo que essa escola sinta essa dor, entrar com um processo, ingressar com uma ação para ter os danos morais e até materiais pela compra dos materiais escolares." Então aí já até Procom, se é uma escola particular, pode entrar o Procom também. Então, é muito importante, mas eh as mães estão tão cansadas que eu vejo poucas fazerem isso, tá? É bem é bem raro, mas elas têm esse direito, precisa saber que tem. E pra gente conseguir mudar essa visão de escola, essas negativas de matrícula, seria muito importante que as mães, sim, pelo menos notificassem, mostrassem que estão atentas às leis, que precisa ter uma consequência para isso não acontecer. Eu mesma falo isso, mas já aconteceu comigo também. Já algumas eu processei, outras não, mas é porque a gente se cansa. Isso agora falando como mãe. É cansativo você entrar depois de um não, você ainda entrar com processo, ter que ouvir o juiz às vezes falar coisas que sabe, olha, tá aqui, mas ah, não tem provas. Então assim, é é estressante, mas é muito importante que as que as famílias atípicas saibam disso, que têm esse direito e não só por uma lei, por várias ECA, eh notas do MEC, Berenespiana, Lei Brasileira de Inclusão, Constituição Federal, que é o topo. Então tem esse direito. >> Excelente, Luna. Essa escola foi notificada, tá? Eu notifiquei escola. Essa coordenadora hoje não está na mais na escola, tá? escola hoje não tem esse não aceitou esse tipo de comportamento, né? Eh, hoje eu vejo que essa escola tem muito cuidado com as pessoas ali, tanto que o Artur e Guem já estão nessa escola, tá? >> [risadas] >> Então você vê o quão a mudança de uma pessoa mudou totalmente. O Artur ele é muito bem-vindo nessa escola hoje. Ele está matriculado, ele ama essa escola, ama de paixão, tá bem cuidado ali. Mas essa coordenadora hoje não se não se encontra mais nessa escola. Não vou falar o nome da escola, que preservar essa escola na sua totalidade, porque não foi a dificuldade da escola em si, foi a dificuldade de uma pessoa que não tinha um olhar para o outro com amor e respeito e empatia. Então, só desculpa só de interromper, olha como você dar um passo, mesmo que não foi pro mais entre aspas agressivo, que é uma ingressar com uma ação, mas uma notificação já fez a diferença de várias. Eu aposto que tem outras mães atípicas lá que colocaram os filhos que agora estão tendo essa mesma experiência boa que você tem. Então é muito importante assim buscar mesmo que seja uma notificação, não uma ingressar com uma ação. >> Notificação, quando eu digo para quem não eh você acaba às vezes nem chegando no juiz, você notifica eh como se fosse um e-mail formal, né? uma notificação a diretoria da escola >> para eles saberem que eles erraram naquele ponto e poder ajustar isso, ajustar esse ponto sem ter que entrar na justiça. >> É isso. Como eh foi o melhor meio, né? Por no início. Foi o melhor meio porque eu senti, mas demorou uns uns dois uns três anos para retornar para essa escola, tá? Mas hoje ele está nessa escola, está muito bem, graças a Deus. tem uma acompanhante, uma acompanhante em sala com ele e eu não pago esse acompanhante que é a escola que providencia tudo, tá? Aqui temos aqui a com nosso chat Ana Paula de Araújo, que ela está, ela fala de Curitiba, Paraná. Seja bem-vinda, Ana Paula. muito obrigado por você estar aqui conosco. Eh, eh, você que gostaria de se inscrever no workshop Tesouro Azul, nós teremos oportunidade para quem mora fora de São Paulo, eh, no interior de São Paulo, eh, que possa se inscrever e terá um acesso ao link da nossa transmissão ao vivo ali, mas somente esse grupo que mora fora de São Paulo, porque tem pessoas de do dos Estados Unidos, pessoas do Rio de Janeiro, São Paulo, eh do interi fora do estado de São Paulo, pessoas do interior que se querem participar, mas moram longe, não teriam como estar aqui no workshop Tesouro Azul Presencial. Lógico que a gente a gente acha a importância de estar ali presente, ter esse contato, conversar, sentar com a aluna ali no pouco, sentar depois com a Patrícia ali um pouco. Como é gostoso esse momento, como é gostoso esse acolhimento, esse acochego, né? Então é isso, é muito importante. Você que tem pergunta aqui paraas mães, coloca aqui no chat pra gente interagir um pouco, vocês tirarem um pouco essas dúvidas, que realmente a gente tem bastante dúvida, principalmente quando a gente fala de mãe atípica. Mas eu queria entender um pouco sobre a romantização da maternidade. Existe essa romantização para mãe eh da maternidade atípica? O que vocês acham? Eu vou escolher a Patrícia. Então, agora falou que era para escolher agora. Escolha. [risadas] Patrícia. Me fala um pouco da romantização da maternidade atípica. >> Sim, existe muita romantização, existe muita. Eu peguei para mais perto porque onde eu tô tá chovendo para vocês me ouvirem melhor, mas tem a romantização. As pessoas acham que é uma maravilha, que você não tem dificuldades, que você não tem lutas e é tudo muito bonito, gente, não é? É. É, como eu disse, né? É você morrer um pouquinho a cada dia em prol do outro. Eu sei que a maternidade ela já é ela é uma um ato de doação, mas em tratando-se de mães atípicas, isso é é potencializado com certeza. E é muito triste quando a gente romantiza que é como você falou, porque a você e a Luna falaram também, muitos dos nossos direitos, muitas das questões que são que precisam estar evidenciadas, elas vão ficando ali por debaixo do tapete, eh, porque a tá tudo muito bonito, muito belo, isso não é real, gente. É uma luta diária, tanto pra gente quanto pras crianças, porque eles também sofrem. Tem muito eh eh bullying que a gente não fala, tem muita rejeição que a gente não fala, tem muita dor também que a criança ela leva e ela vai levando no decorrer da vida por ela não se sentir pertencente a nenhum lugar, né? E e isso é romantizado. É realmente muito triste. >> E você, Luna, você acha que é romantizada a maternidade atípica? Ah, eu acho e eu acho muito perigoso, que nem a Patrícia falou, exatamente que a Patrícia falou de eh quando você romantiza, você coloca algo como se fosse muito bom. Ai, que fofinho, que bom, que ser a mãe, né? Eh, mas não é, você acaba apagando muitas coisas, apagando mesmo a dor tanto dessa família quanto da criança, eh, o essa falta de identidade e e gera mais culpa, porque pense, eu sou uma mãe atípica e aí eu tô vendo romantizarem a a a maternidade atípica. Eu olho para mim e falo: "Meu Deus, que mãe cruel que eu sou. Como eu sou uma pessoa cruel. Como eu posso estar sentindo uma dor? Como o meu filho pode estar falando algo desse tipo? É, é, é muito triste. Eu concordo. Romantizar a maternidade, ela é amor. É mesmo, um amor assim gigante, mas também é como nossa, a Patrícia colocou muito bem, na minha opinião, mas também é muita doação, também é a gente buscar outros caminhos, porque a gente tem que toda hora ficar alerta e é buscar como eu me imaginei, eu tracei um caminho para mim. Ah, eu vou fazer isso, isso, isso. Quando você se torna uma mãe atípica, isso tudo muda. E é assustador no início, assim, eu falo no início porque é o que mais dá aquele impacto, mas é uma é algo que você precisa ter de terapia. Eu eu entendo que a orientação parental, as terapias familiares são muito importantes nesse ponto, porque para você entender tudo que tá acontecendo, para você ter um propósito, para você voltar a sonhar por e não só sonhar pelo seu filho, sonhar com o seu filho, mas sonhar. E essa é minha minha opinião, romantizar é muito perigoso. Eh, temos que falar sim coisas boas, não só coisas ruins, porque como eu disse, cada pontinho também a gente fica super feliz. o primeiro a mamãe, mostrar que dá certo, mas não romantizar. Sim. Não, o autismo não, não devemos romantizar porque sabemos que não é tão fácil assim. Mesmo nível um também não é tão fácil porque tem fortes demanda, somente nas questões sociais, né, que a criança tem muita dificuldade na questão social. Pode também haver eh outras situações com outros transtornos, uma ansiedade, uma depressão ali, porque muitas vezes tá tentando se relacionar e não consegue se relacionar. Como as sutilezas sociais, muitas vezes não entende o duplo sentido, então ela começa a ficar se perdendo diante desse contexto, né? Não dá para romantizar o nível um. Ai, o nível um é leve, a criança é super dotada. Isso, gente, nível um, eh, se a pessoa que ela tem essa essa não é altas, não tô falando de altas habilidades, mas se ela é aquela pessoa que tem um hiperfoco e se avança nesse hiperfoco, como a gente vê aquele rapaz é detoctor, né, que ele é um ótimo doutor naquele tema. Ele é é o chavante, é o savante, entendeu? É aquela pessoa que vai ter aquela aquele avanço naquele tema que ele mais gostou. que é o tema da da medicina. Só que você vê que mesmo lá no no na temporada mostra as dificuldades sociais, né? A dificuldade social não tá ali. Eh, mostrou, não precisamos, não podemos romantizar. Sabemos que é tão difícil, principalmente muitas vezes quando você tá na, você vai ter descobrir o autismo na fase adulta, você quantas vezes se mascarou com portu esse entender na no contexto social ali? esse o autismo, porque você quer se encaixar, você quer se envolver, você quer quer quer até copiar comportamento, né? Você acaba copiando o comportamento do outro para se encaixar. Será que isso é precisamos romantizar, né? Então, e aí nível três, o nível três já fui com falando que aquela criança nível três, ela vai ficar presa dentro de casa, que ela não vai poder se relacionar na sociedade. Você viu o Artur aí? Ele está, ele tem o nível três suporte, está no contexto escolar, né? Ele tem ele aprendeu bastante nas suas demandas assim na matemática. Ele tá top, top de linha na matemática. Leu com 3 anos de idade sozinho, tá? Que eu não eu não ensinei a leitura. [risadas] Ele leu sozinho, tanto que eu me surpreendi. E mas não podemos romantizar porque ele também não é verbal. um monte de situações que pode ocorrer com ele e ele não vai conseguir me falar, eu só vou perceber depois. Já conheci rapazes de 50 anos de idade com autismo, que não conseguiu expressar quando ele tava com problemas urinários. Então você vê como melhor que ele é nível um. Então nível dois também não dá para romantizar, que também é precisa de um suporte, mais suporte. Então, gente, não dá para romantizar autismo, não vem com coisa. Ai, ele é, nossa, ele tem autismo, ele é super inteligente. Pera aí. Então, agora eu queria fazer essa pergunta para vocês. Gente, falta de formação ou é falta de sensibilidade? Depois eu explico essa parte aí. [risadas] [suspirando] O que vocês acham, Patrícia Luna? Vai, Patrícia. Não é você, meu amor. [risadas] Deixa eu colocar aqui para você para você falar. >> Os dois >> falta sensibilidade, mas também falta informação. Quando eu tive o diagnóstico do Marquinhos, que eu levei paraa escola, a gente falou sobre escola e eu tive ali um feedback super negativo da coordenadora. Ela falou assim: "Como assim ele é autista?" A professora, a professora veio em cima de mim, questionou o Laudo, falou assim: "Não, ele não pode ser autista porque o Marcos é muito inteligente, tudo bem, eu sei que ele é inteligente, que bom que ele é inteligente, mas não é sobre isso. É, meu filho, ele enfilera os carrinhos, meu filho, ele anda na ponta do pé, ele ele tem picos assim que ele sai correndo, pulando pela casa ou em qualquer outro lugar e não tem como explicar. Então, assim, é triste, né? E tem a questão da falta de sensibilidade, sim, porque as pessoas elas estão eh muito egoístas, elas estão sem pensar no próximo. Acho que é como você falou daquela coordenadora, né? Que falta de sensibilidade. Como é que você pode estar na área da educação e você não ter um olhar de amor para uma criança? Não é só sobre autismo, é qualquer criança, né? que ela poderia pegar, pegou o Artur, mas ela poderia ter pegado qualquer outra demanda, um caso de abuso psicológico, um outro tipo de situação. E ela tem tanta falta de de cuidado, né? Eu acho que ela poderia ir para uma outra profissão, né? Que ela não precisasse se doar tanto, porque a área da educação envolve muito amor, muito amor, né? Porque você tá tratando com vidas. Então, eh, eu acho muito triste. Ai, deixa eu falar, fazer um ponto aqui, colocar. Eu tô com, >> pode colocar >> porque eu souética e tô com hipoglicemia. Então, a bomba de infusão tá me avisando: "Olha, come um docinho aí porque senão eu eu passo mal, eu perco a consciência." Tem uma coquinha aqui. Tá bom, >> tá bom. Fique à vontade. Não se preocupa com isso. A gente super entende aqui, né, gente? Se cuida também, né? Saúde. Saúde em primeiro lugar. [risadas] Luna, meu amor, é falta de sensibilidade ou é falta de informação? >> Opa, meu amor, deixa eu >> não já coloquei. Concordo também que são que são os dois. Informação tem muitas, mas não tem prática. E sensibilidade. Parece que as pessoas cada vez estão mais impacientes, menos empatia. A gente conversa a é o nível o o que eu não falo, né? Suporte um, mas poxa vida, é, eu tenho suporte um, mas tá vendo quantas terapias meu filho tá fazendo? Tá vendo quantas como eu estou me do? Tá vendo como a gente tá conversando muito sobre o tema? Então, mais cautela na hora de falar. Eu entendo que não precisa eh também pegar alguns termos e ser tão rígido, ai nossa, não é azul, não é isso, sabe? Colocar muitos impecílios, porque também senão as pessoas não conversam sobre, ficam com medo de conversar. A gente não pode colocar o medo na sociedade, mas precisa sim estudar, precisa ter mais cautela na hora de falar com uma mãe, precisa no julgamento. Poxa, ajuda aquela mãe ao invés de julgar. ou se você não pode ajudar, sai de perto. É melhor do que fazer um jogamento, uma crítica naquela hora, olhares, né? E e a sociedade ela, como a gente falou, né, que ela tá muito despreparada mesmo com a informação aí. Poxa, a gente tem leis, várias leis. E cadê a prática dessas leis? É a mesma coisa com a informação. A gente tem o Google, dá um Google aí, tem inteligência artificial, mas cadê a prática? Não adianta nada você ler tudo isso. E também na hora que acontece, na hora que você precisa colher uma mãe, um pai, uma criança, você não faz isso. Você é egoísta, que nem a Patrícia falou. Então o ambos também concordo com ela. >> Uma coisa que a gente, eu vejo a importância também de a gente desconstruir mitos, tá? Eh, quando a gente desconstrói mitos, a gente começa a enxergar o outro além do diagnóstico. Nesse caso, eu gostaria de falar da do contexto da igreja, tá? Porque quando eu tive o diagnóstico do autismo e do Artur, eu me falaram que quando eu contei, tá, que eu o Artur tinha tava dentro do espectro autista, me falaram para mim, Aline, isso é lei da semeiadura. Aí eu falei assim, como lei da semeiadura? Se o meu filho é herança do Senhor, se o meu filho é um presente de Deus, como é lei da semeadura? Então eu gostaria de falar aqui, ler para vocês em João 9:13, que a gente quebra isso durante o olhar de Jesus. Jesus teve um olhar paraa pessoa com amor, com empatia, com cuidado. E teve um momento que Jesus, quando ele viu um século de nascença, os seus discípulos perguntaram para ele, mestre, aqui João 9:13, mestre, quem pecou? Este homem ou seus pais para que ele nascesse cego? Essa foi uma pergunta dos do pessoas, dos discípulos que estavam ali. E Jesus disse: "Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele." Então, nossos filhos são herança do Senhor. Nossos filhos são presentes de Deus. E nossos filhos não é lei da semeadura, não é possessão demoníaca, não é nada disso, mas nossos filhos são herança. E Jesus falou aqui: "Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele." Então, a gente precisa desconstruir mitos, desconstruir essas essas essas visões erradas diante da pessoa dentro do da pessoa com deficiência, pessoa com transtorno, né? Então vejo esse olhar. A igreja precisa se aperfeiçoar, escola tem que se aperfeiçoar, tem que buscar conhecimento. E a gente aqui no Tesouro Azul tá tendo, vai ter workshop Tesouro Azul, vai ter uma equipe multidisciplinar, vai ter o lançamento do livro Inclusão aos olhos de Jesus. E esse livro, por que foi causa do livro, foi feito diante do livro inclusão de Jesus para trazer esse contexto desse amor de Cristo, desse amor de olhar pro outro além do diagnóstico, olhar para essas crianças que elas têm capacidade sim de estar no ministério infantil, mas precisa de suporte, né? As crianças precisam estar no contexto escolar, mas precisa de suporte. Não é só colocar a criança ali e deixar ela se virar, né? Como uma vez eu ouvi diante de uma coordenadora, eu não vou falar o nome dessa escola, não. Eu não tenho, hoje eu não tenho mais contato com essa escola, mas eu já tive. E uma coordenadora falou assim para mim que o, ah, uma pessoa com tod, eu tomo todo, dia de manhã. Eu olhei assim para ela, gente, olha, eu sou educada, tá? Mas eu chamei ela de canto. Quando eu estava dando uma palestra nessa nessa escola. Ela me fala isso no meio da minha da palestra. Aí eu falei: "Gente, por favor, me dá uma licencinha, por favor?" Isso aí. Falei: "Você você poderia vir aqui um pouquinho?" Eu falei: "Se você continuar falando dessa forma, com desrespeito com a pessoa, porque o Tod é um transtorno muito desafiante, é difícil para essa pessoa que tá que tem um tod. Eu já vi crianças com transtorno de desafio antiopositor falando para mim que ele queria só só apenas que olhasse para ele, entendesse ele. E por que você tá falando assim? Então, se você continuar com esse desrespeito, eu paro minha minha palestra agora e vou embora, porque eu não vou ficar aqui. E essa essa moça pediu [roncando] desculpa, continuou ali, depois se envolveu na palestra, depois se perguntou para palestra e depois pediu até apoio paraa escola. [risadas] Então, a gente quebra, né? A gente quebra mostrando a realidade, né? Mas com respeito, com chamar, não chamei atenção na face das pessoas porque isso não cabe a mim fazer isso, né? Chamar ela de canto e conversar e ali te quebrei todas as barreiras porque muitas vezes não é porque a pessoa quer falar isso. Ela tá colocando uma barreira diante dela. Aí a psicólog colocando a barreira na frente dela para aceitar o outro porque o outro é diferente, entendendo? E quando a gente tira essa barreira, a gente olha pro outro, né? Então, o que eu gostaria de de que vocês me falassem um pouco dessa pergunta aqui, que eu acho que é extremamente importante, tudo que vocês me trouxeram, o que vocês gostariam que as pessoas entendessem de verdade diante de ser mãe atípica, diante dessa sociedade, o que vocês gostariam que as pessoas ouvissem, entendessem mais um pouco do seu sua realidade? e começasse olhar para a Débora, para o Marcos, para o P, para o Gustavo, para o Artur, para o Guilherme, com esse outro olhar que vocês gostariam que a sociedade ouvisse, porque essa live vai ficar gravada e que a gente possa alcançar esses corações lá na frente, quebrar os mitos e trazer a realidade do amor, da empatia, do respeito e do olhar Além teu diagnóstico vai começar. Luna, [risadas] o que eu gostaria que a sociedade entendesse, eu gostaria que ela tivesse assim mais amor na hora de ouvir, mais paixão, mais, sabe, que tocasse o coração delas para entender que que tudo pode tudo ficar mais fácil com elas entendendo, respeitando, abrindo portas. uma preocupação que eu não é só das mães atípicas, uma mãe típica também. Gostaria que as famílias, não vou falar só mãe, as famílias, os pais, né, assim, pensassem: "Poxa, e se eu fosse numa escola e fosse tão difícil colocar o meu filho? Se ninguém quisesse o meu filho lá, o que que eu sentiria? Se colocar mais num lugar do outro, se eu tivesse num shopping e meu filho tivesse jogando no chão, gritando, o que que eu gostaria que as pessoas me fizessem nesse momento? Então, eh, a sociedade precisa fazer mais esse esse trabalho e, e, e, por favor, leia mais, participa, porque olha, o seu filho tá numa escola e com certeza nessa escola tem alguém, uma criança neurodivergente, tem um jovem neurodivergente, ele vai lidar com isso, com o trabalho ou ele mesmo pode ter um filho assim, a gente não sabe. Então eu gostaria que tivesse mais esse olhar, esse olhar de se colocar no lugar do outro e que o que falta muito, então não só das famílias, mas também pessoas com cargos políticos. Eu sei que a gente já fala com até com desânimo dos políticos, mas poxa, a gente precisa tanto disso, a gente precisa dessa conscientização. Vamos colocar, olha, não tem problema não saber, o problema é não ir buscar. Então, se a escola municipal, estadual está dando o seu melhor em termos de não está, não tem esse conhecimento, coloque, tem várias palestrantes, tem várias pessoas que podem ajudar, incentiva esse esse treinamento, escolas, eh, delegacias, delegacias, então a pessoa já está lá, já tá eh sentindo constrangida de tá fazendo um boletim de ocorrência. faz um treinamento nessas nessas nesses nesses policiais, escrivãos e tudo mais, porque é importante, é isso, a gente precisa de todo mundo se ajudando e não só para as para as pessoas com autismo, mas para poxa, pros cegos. A gente, eu olha, eu falo: "Meu Deus, como eles fazem agora que eu tô tendo mais contato por causa mesmo da minha profissão?" Falou: "Meu Deus do céu, que é um desafio imenso e ninguém e ninguém olha para isso, passa como se tivesse: "Tá tudo bem, vou esperar acontecer na minha família", algo assim. Então, eh, eu falaria para pra sociedade olhar, porque pode acontecer com qualquer um, pode acontecer de ter uma criança com deficiência, pode acontecer de ter um sobrinho e e ter e ter que ajudar. E eles são capazes. Nossa, são muito capazes. Só precisa de um [risadas] >> suporte, >> de um auxílio, um suporte. Mas eles são muito capazes, são muito carinhosos, são maravilhosos. Então precisa ter esse olhar para, olha, o passado ficou lá, ó, loucos. Eh, escolas, só escolas especiais, não sou contra a escola especial, mas só a escola especial ficou lá atrás. Então, vamos ter mais informação, vamos ajudar. Isso é ajudar a sociedade em geral, é se ajudar, ajudar as famílias. Eu eu falaria isso. Eu sei que foi um pouco longo, mas é até um desabafo, gente. [risadas] >> E você, Patrícia, pode me falar que você gostaria que a sociedade ouvisse? Ah, eu acho que a Luna falou muito bem, falou tudo. [risadas] Eu acho que é respeito e amor ao próximo. >> Eu acho que a gente tem que viver isso no dia a dia, mesmo mesmo aqueles que não são cristãos, porque do cristão a gente espera isso como manual de vida, porque isso tá na Bíblia, né? Mas mesmo dos que não são, dos profissionais, como a Luna falou, em todas as áreas, gente, que as pessoas tenham mais cuidado. E é o que ela disse, não é só com autista, é com a pessoa que tem a deficiência visual, é com a pessoa que tem eh que é um cadeirante. Ou então agora vocês viram, eu passei mal e isso é uma situação, agora não tanto por conta da bomba de fusão de insulina, mas quantas vezes eu desmaiei na rua por fazer uma hipoglicemia grave e ninguém sabia me ajudar. né? E eu poderia ali ter entrado fome e ter morrido. Então assim, eh, é uma ajuda, é um um pouquinho de açúcar na boca, é um um sachê de glicose ou então é pedir ajuda mesmo para para levar essa pessoa pro hospital para que ela não tenha um problema mais grave como um coma por conta da diabetes. Então, percebe que se a gente olhar pro ser humano com mais carinho, com mais graça, como Jesus olhou pra gente, é é interessante essa live hoje, porque essa live hoje num dia tão significativo pra gente, né, da da morte de Cristo e da maior mensagem de amor que alguém poderia dar. Então é assim, será que a gente não pode viver isso no olhar pro outro, pro autista, para qualquer outra deficiência, pro ser humano como um todo, né? Acho que que eu acho que é isso. >> Bom, meus amores, vocês falaram com tanta grandeza, com tanta graça, com tanta propriedade. É realmente é isso, olhar pro outro além do diagnóstico, ver que vem uma pessoa antes, depois vem a deficiência. E isso a gente precisa olhar, a gente precisa quebrar esses mitos, quebrar essas barreiras e começar se colocar no lugar do outro. E hoje tem um amor tão especial que Cristo fez por nós, né? Ele se entregou e depois ele reviveu para nós, né? Para sua glória ele vive. [risadas] Então isso eh ele nos trouxe a oportunidade de ter vida, né? Algo que a gente não tinha e ele nos trouxe a oportunidade de ter vida. Então, olhar pro outro com mais empatia, com mais cuidado, isso faz grande diferença na sociedade onde a gente está. Então, agora vamos entrar nas considerações finais. Eu vejo que esse momento é tão importante também. Eh, gostaria que você, Patrícia, me falasse, desse as suas considerações finais aqui na live e depois, a Luna, depois eu finalizo aqui com vocês. >> Ah, eu acho que foi muito bom para mim até no sentido de aprendizado, ouvir um pouquinho a história de vocês, fortalece a questão da maternidade atípica, eh, me mostrou que eu não tô sozinha, né? Por mais que pareça, no dia a dia a gente tem essa sensação, mas que eu não estou só. E que ainda que exista um caminho difícil paraa gente trilhar, eh, também pode ser doce. Também pode ser doce se a gente se ajudar. E que isso alcance outras mães, né? as mães que estão online, as mães que verão depois, as mães que estarão no workshop e que a gente consiga aí dar a mão uma paraa outra e caminhar junto. Então, eu quero agradecer eh pelo convite, dizer que eu tô sempre à disposição para ajudar esse projeto tão lindo. E você, que eu amo, né, que a gente tem amor, como pode a gente eh ter uma conexão, né, com as pessoas. aluna também agora e mesmo sem a gente se conhecer assim anos de amizade, a gente já já ter tanto carinho, né? E eh uma pela outra. Obrigado por tudo, viu? Fiquei muito feliz de estar aqui. >> Muito obrigada também, Luna. [roncando] >> Ai, que linda. >> Ah, Patri, [risadas] Patrícia, você é uma querida. Muito, foi muito bom conhecê-la também. Isso, isso que é bom, né? A gente conversar com outras outras mães que nos entendem e cria uma conexão diferente, não é? É algo especial. Não, não sei outra palavra para isso. Eu muito feliz, tesouro azul, de ter conhecido a Aline. Nossa, eu eu sempre falo isso e vou repetir que a Tesoura Azul ela não só informa, ela acolhe. É, é assim, é um um lugar especial, é um lugar, sabe, gostoso de você se sentir amada. É isso, é isso. A tesoura azul é maravilhosa. Tô muito feliz. Eu convido também todos para para comparecerem no workshop, porque é um lugar assim que você consegue falar, ser ouvido, que tem muitas tem informação, informação de qualidade. Então, tem o livro da Aline que eu li e aconselho. Eh, eu tô muito feliz de estar aqui. A as lives são para mim, cada live é um aprendizado. cada encontro com a Aline e agora com você, Patrícia, também. Eh, o que eu falo, minhas considerações, é que as famílias que estão no início do diagnóstico, procure ajuda nesse início, mesmo que não queira que seja com a famí, mas com outros esses grupos como da Tesoura Azul, eh, quem puder um psicólogo, uma terapia, uma orientação, porque isso faz toda a diferença. Não pense que está sozinha, que isso acontece com você, que não é bem assim. E e tenta, olha, tem aí tem redes sociais que elas não são horríveis, elas são boas, pode se conectar. Então, entre nas redes sociais, faz amizade com as outras outras mães, vê a história das outras mães, isso é importante também para você ter essa conexão aqui. Olha que delícia. Então, essas são as minhas considerações. Muito obrigada, Line, novamente. Tesoura azul, olha, sabe que é do meu coração, né? E o e o Té também. Tô louca para ver o Té. [risadas] >> Falando no Té, a gente já tá com ele impresso, né? Em 3D. Foi feito com tanto carinho. A Sud, ela foi a criadora e depois tivemos o Lincoln junto com a Sona Cirline, fizer imprimir em 3D. E a Dona Cirline, ela fez a pintura ali em manual. Ela é uma artista plástica. Ela pintou com tanta grandeza o té. Também não vejo a hora de pegar o telézinho assim no colo, sabe? dar um aperto nele. Ai, acho que eu vou chorar muito quando eu pegar o T, porque ele realmente ele tem grandes significados aqui pro pro nosso projeto Tesouro Azul. Hoje nós falamos de algo muitas vezes que não é visto, mas é vivido todos os dias. Falamos de renúncias, falamos de sobrecarga, falamos de silêncio, mas também falamos de forças, de caminho e de possibilidades. Se você tem algo com que essa conversa deixe claro que é não é sobre uma jornada de viver uma jornada sozinha, mas a gente precisa caminhar com preparo, a gente precisa buscar a inclusão. Não é falta, não é falha, mas também não é falta de amor, tá? Ela é falha, é a falha muitas vezes está direcionada à falta de preparo, tá? Então é por isso que nós como mães, precisamos nos preparar, precisamos buscar conhecimento, construir caminhos, mas consciente, tá? Ali a gente vai ter a prática do cuidar. Entre na prática do cuidar, entre no cuidar de quem cuida, vocês que são pais, para se vocês se fortalecerem e também aprender a lidar diante da criança neurodivergente, tá? Quero agradecer você, Luna. Quero quero agradecer você, Patrícia. Vocês foram realmente tão preciosos aqui. Vocês sabem que eu amo vocês, tá? E vocês não estão sozinhas, pode contar sempre comigo, com Tesouro Azul, que vai ser um prazer estar aqui com vocês sempre. Eu sou apaixonada por vocês duas, vocês sabem disso, né? E vocês no dia 11 de abril nós teremos o workshop. Não deixa de se inscrever no nosso workshop, porque ele vai te trazer direção, vai trazer conhecimento, vai trazer prática para inclusão de uma forma mais efetiva. Esse momento não vai ser somente um evento, mas e sim um lugar de preparo ou de troca de conversa ou troca de experiência. Ali umas vai uns vai ter um entre mães, vai ter pessoas da área da saúde, da educação, da fonodologia. Vai ter a participação do pastor Luiz Saião, também do Johanes, tem uma equipe multidisciplinar aí para recebê-los com tanto carinho. Compartilha essa live com quem precisa ouvir isso, precisa entender mais um pouco sobre a mãe de Divergente, entender um pouco mais sobre o que é ser mãe atípica. Porque quando a gente começa a ter essa compreensão, a gente começa a se colocar no lugar da outra e começa a se abraçar essa mãe. Quando um filho tiver brincando na no shopping, começar a cair ali, fazendo tendo um comportamento muitas vezes disfuncional, mas a gente sabe que ali a mãe tá tentando acalmar o seu filho porque ele tá numa sobrecarga. Aí daí a gente possa ter empatia com aquela mãe, perguntar se precisa de ajuda? Olha, uma frase tão diferente, né? Então, a gente mudar esse olhar e começar a olhar para essa mãe com mais empatia, olhar para essa criança além do diagnóstico, que a gente vai desconstruir todo esse mito e vai começar a olhar essa pessoa na sua totalidade. Gostaria de agradecer a todos que estão aqui. Muito obrigada pela participação da sua Ana Paula e de todos que estão aqui. Até mais. Que Deus os abençoe. Aguardo vocês no workshop Tesouraz. Até já.