SER TENTADO JÁ É PECADO? | A RESPOSTA
18/03/2026
SER TENTADO JÁ É PECADO? | A RESPOSTA
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Fonte: Dois Dedos de Teologia
Legendas automáticas:
Qual é a diferença entre pecado e tentação? Ser tentado já é pecado por si só. Como é que a gente lida com divisões na história da igreja e dentro da teologia cristã? Nessas relações entre inclinações, vontades, pecados cometidos no coração e na mente, pecados praticados, coração, cobiça. Será que Mateus e Thiago entram em contradição quando falam sobre o desejo e o momento onde o pecado nasce? A nossa natureza pecaminosa já é um pecado cometido por si só ou nossos impulsos negativos são eles moralmente neutros? Jesus foi tentado, então Jesus teve vontade de fazer o mal? Bom, são essas e outras perguntas que a gente vai responder hoje nesse de olho no texto, o programa de exegese de teologia bíblica aqui do dois dedos de teologia. É sua primeira vez aqui nesse canal. Sou o pastor Iago Martim, sou pastor Batista, doutorando em teologia. Tô aí há mais de 10 anos produzindo conteúdo teológico aqui pro YouTube. E a gente tem esse canal com vários formatos diferentes de vídeo. A gente tem vídeo de exag, a gente tem react a coisas que estão viralizando sobre Deus na internet, tem resenha de filmes e séries de uma perspectiva cristã. Se você gosta desse tipo de conteúdo, não deixa de se inscrever no canal e as notificações para ficar sabendo sempre que houver vídeo novo. E o vídeo de hoje chega até você com uma promoção muito especial no Instituto Shaifers de Teologia e Cultura. É, você pode ajudar com a gente. E a gente quis pr para honrar aí você que vai estar assistindo esse vídeo, já que eu sei que muita gente estava esperando por ele, pediram muito por esse material, a gente tá aplicando um desconto especial para todos os nossos cursos, seja para pegá-los todos de uma vez, tá aí com cerca de 60% de desconto, seja qualquer curso individual, você vai ter metade do preço em todos os nossos cursos. É a chance, tá? Você pode ter uma introdução à teologia sistemática do Teologia Descomplicada. 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O vídeo de hoje nasce de uma polêmica que vai tá longe de acabar. uma polêmica que está ligada a questões relacionadas à homossexualidade dentro dos círculos teológicos a mais modernos aí nos há umas duas décadas aí já discutindo isso, mas é uma polêmica que evoca o período da reforma protestante, dentre os debates entre os reformados e os católicos sobre a natureza humana, as inclinações pecaminosas e se a tentação por si só é pecado ou não. Esse debate acabou ficando muito relevante na igreja moderna, porque é um debate que vai falar muito diretamente sobre questões envolvendo homossexualidade. Você acompanha esse canal, você já conhece as nossas posições sobre homossexualidade. A gente tem um vídeo aqui no canal em que a gente faz toda uma teologia bíblica da homossexualidade, onde a gente explica que a prática da homossexualidade é um pecado condenado pela escritura e que nenhum cristão deveria se entregar à vida, à prática homossexual. A gente tem um segundo vídeo aqui nesse canal, onde a gente apresenta quatro posições sobre identidade e sexualidade, onde a gente argumenta que nós não deveríamos nos identificar com a atração homossexual. Não deveria ninguém se descrever crente gay. Eu sou um crente gay. Essa não é uma terminologia apropriada para que um cristão se descreva. A gente pode usar essa linguagem de forma corrente em uma comunicação rápida, onde a gente não tem como explicar muito. Às vezes a gente tem um interlocutor que vai usar essa linguagem. A gente pode assentir essa linguagem às vezes brevemente para estabelecer ali um argumento, mas nenhum cristão deveria usar essa terminologia para si. Uma vez que seria se identificar com o pecado. Esses dois vídeos estão aqui nesse canal. Você pode ir lá assisti-los depois desse vídeo. No vídeo de hoje, a gente quer lidar com uma outra subdivisão desse problema, que é a seguinte: se um cristão tem tentações na área da sexualidade e essas tentações lhe movem, não é, em direção a querer pessoas do mesmo sexo, esse sentimento por si só, esse impulso por si só, já é um pecado? O pecado existe apenas quando ele deita com a pessoa do mesmo sexo? Ou existe a chance desse pecado de existir no próprio coração dela, na própria mente dela? ou a própria inclinação antes mesmo dessa pessoa desejar alguém em particular ou imaginar alguém em particular. Essa própria inclinação contrária à natureza por si só, é um pecado a ser arrependido? Esse é um debate que ficou cada vez mais aquecido nas redes sociais. Existem cristãos genuínos em ambos os lados do debate, por mais que alguns radicais tentem acusar o outro de heresia ou que seja. Dentro da teologia bíblica hoje existem eruditos das mais diversas tradições com as mais diversas exposições sobre isso. No vídeo de hoje a gente quer primeiro olhar pro livro de Thago e entender como Thiago estabelece essa relação entre tentação e pecado. Olhar para Mateus 5 e tentar perceber se existe uma contradição entre Mateus 5 e Thago. Claro que não existe nenhuma contradição porque a Bíblia não tem contradições, mas há um aparente paradoxo ali, pelo menos para muitas pessoas existe. Então do que é que Mateus tá falando quando fala de cobiçar alguém no coração? Do que é que Thiago tá falando quando diz que o pecado nasce apenas quando você assente a tentação? E por fim, a gente vai olhar para outros textos bíblicos, não é, que dão suporte, não é, pra argumentação que eu quero trazer aqui para vocês. Elencado aí o fluxo do nosso argumento, vamos começar olhando pro texto de Thiago. O livro de Thiago é uma das cartas mais diretas, mais práticas do Novo Testamento, provavelmente escrito pros cristãos que foram separados ali depois de Atos 8:1, quando a perseguição fez com que a igreja separasse ali pela Ásia Menor. É uma literatura bastante sapiencial, traz sabedoria, firmeza moral, muita sensibilidade pastoral e é um livro assim com pouquíssima abstração, assim, é um material que tem como objetivo mostrar como a fé verdadeira se mantém, manifesta na vida concreta. É dominar a língua, é perseverar em meio a sofrimento, é tratar bem os pobres, é resistir à tentação, é não apenas ouvir, mas praticar a palavra. Thiago é meio que o livro de Provérbios do Novo Tchamento. No capítulo um, Thiago começa falando sobre provações. A palavra provação aqui no grego é peirasmoso. Ele vai falar que é um motivo de alegria passar por essas provações. Provações que quando a gente suporta elas, a gente recebe perseverança da parte de Deus e se torna cada vez mais íntegro, cada vez mais maduro no evangelho. Agora, a palavra que ele usa aqui para aprovação é uma palavra um tanto um tanto ampla no novo tachamento. É uma palavra que pode significar experimento, tentativa, teste, prova. é uma palavra que é usada tanto para provação nas traduções que a gente tem em português como para tentação. A palavra provação aqui no grego é peirasmós, não é? Tem a ideia de um teste de caráter, o que de alguma forma abarca tanto tentação quanto provação. A provação é um sofrimento que testa o nosso caráter. A tentação é algo que testa, não é, a nossa fé interna. A fé, no caso, é o objeto de provação, né, diante da tentação, justamente porque a fé tá sendo testada. Aqui no começo do capítulo, Thiago tá falando de peirasmos como provação, mas então ele passa a falar de peirasmos como um tipo de tentação. Ele lida com as nossas provações externas, o sofrimento e a dor. O que, claro, também pode acabar virando tentações, não é? A provação externa pode virar uma tentação interna. Por isso que no verso 12 a gente tem aqui provação e tentação. Vou ler na Nova Almeida Atualizada, onde diz: "Bema é aquele que suporta com perseverança a provação, porque depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam." Existe um debate teológico grande aqui. Se essa, se esse perirasmos aqui do verso 12 é ainda sofrimento, né? Tentação externa ou tentação interna, que bem-aventurado aquele que suporta a tentação ou suporta a provação. A maioria dos teólogos vai argumentar que aqui seria ainda provação, não seria exatamente tentação. Por isso que a na traduz o verso 12 como provação. Mas aí Thiago vai usar a mesma palavra para estabelecer um novo assunto. E Thiago faz isso de vez em quando, tá? Ao longo da estrutura de Tho, você vai encontrar várias vezes ele usando a mesma palavra e dobrando essa palavra para um outro assunto ali na sua estrutura. poética. No verso 13, então ele vai dizer ninguém ao ser, ele vai dizer também perirasmos, que a gente tem periromos, que aí tá no presente passivo, participo singular, nominativo masculino, tentado. Ninguém ao ser tentado diga: "Sou tentado por Deus". Porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo ninguém tenta Thiago tá defendendo Deus da acusação de que ele tenta e de que ele pode ser tentado. Deus não tenta ninguém. Deus não é tentado por nada. Ao contrário, ele vai dizer no verso 14 e aí a gente entra no texto que pra gente aqui é o importante pro argumento. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria, na minha tradução diz cobiça, literalmente no grego é pitomia, é uma palavra para desejo, quando esta o atrai e seduz. Então por que é que Deus não é tentado? Porque Deus não possui esta cobiça, esse desejo. Porque é que nós não somos tentados por Deus? Porque nós somos tentados, na verdade, pela nossa própria cobiça, mas não em qualquer momento. É quando esta cobiça atrai e seduz. Então este desejo, o termo aqui paraa cobiça, existe em todos nós. É o que nos leva ao pecado. Quando é que a cobiça vira então tentação? É quando esta cobiça atrai e seduz. Então eu só tenho tentação quando eu sou atraído e seduzido por essa cobiça. Aqui a gente tem que parar um pouco para olhar para cada uma dessas palavras para entender exatamente o que é que o texto tá dizendo, porque a tradução aqui pode ser um pouco difícil. A palavra aqui traduzida por cobiça na na é uma palavra interessante, porque essa tradução cobiça já é uma tradução interpretativa. Literalmente epitomia é desejo, é um termo que é neutro. Não é necessariamente um desejo bom, nem um desejo mau, é só desejo. Quem vai explicar esse termo, não é, de forma muito bonita é o Craig Bloomberg, quando ele no seu comentário de Thiago até trouxe a citação aqui, vai descrever, não é, essa palavra e vai dizer que o desejo não se equipara necessariamente a luxúria, embora essa seja uma tradução comum para essa palavra. Em vez disso, refere-se aqui a qualquer anseio intenso para um objeto impróprio, isto é, qualquer coisa que se imponha no nosso propósito de buscar a Deus. As tentações são feitas sob medida para cada indivíduo e por isso nós, como crentes, nunca devemos menosprezar uma pessoa por lutar com algo que consideramos trivial. Em vez disso, devemos perceber que cada um de nós tem batalhas específicas sutilmente elaboradas para nós e precisamos dar graça e exortação uns aos outros para permanecermos firmes em tempos de prova. Por outro lado, devemos sempre fugir da tentação, independentemente de quão pequena ela possa aparecer para nós. Esses anseios interiores de Thiago trabalham diligentemente para nos afastar do nosso Senhor. O Lexo do Lowida, por exemplo, vai definir o verbo como desejar, fazer ou ter algo, ansiar por alguma coisa ou desejar muito alguma coisa. O Bidag, que junto com o Nouida faz que a a dia, né, dos melhores léxicos de grego que nós temos, ele vai apontar que Platão, que Tucidides e que Heródoto utilizam o termo de uma forma neutra. é um termo que é usado em outros momentos do novo tachamento para falar de coisas tanto negativas quanto positivas. Em alguns contextos até neutros. Na Septoaginta, por exemplo, quando traduz Gênesis 31:30 é a palavra usada para falar do desejo que Jacó tinha pela casa do seu pai. Em Lucas 22 descreve o desejo de Jesus de comer a Páscoa com os discípulos antes da sua morte. É usado em Gálatas 5:17 para falar do desejo pelas coisas da carne. É usado em Tito 21 para falar das paixões mundanas, os desejos mundanos. Em Efésios 4:22, Paulo usa esse termo para falar dos desejos que são enganosos. Ou seja, a palavra grega aqui que é traduzida por cobiça é literalmente desejo. Quando a na traduz por cobiça, ela já tá interpretando pelo contexto que aqui o desejo é negativo. E claro, se é um desejo que irá para o pecado, claramente é um desejo negativo. Mas quando a gente traduz por cobiça, talvez a gente perca um ponto do termo grego aqui, porque ele vai dizer que cada um é tentado pelo seu próprio desejo, quando este desejo o atrai e o seduz. Parece, algumas pessoas olham para esse texto traduzido como cobiça em os lugares como desejo. Alguns traduzem até como luxúria, eu acho. É que isso gera um engano na leitura das pessoas, achando que isso aqui é necessariamente uma descrição de uma cobiça sexual, de um desejo sexual por alguém. Como se a ideia da gente ser atraído pelo desejo significa que o pecado nasce desse desse olhar com com vontade de posse. Não, não é isso que o texto diz, porque não é isso que a palavra grega aqui significa. O Freeman Slipper, por exemplo, no Ebbigdon New Testamentary, vai dizer que a fonte da tentação é o nosso próprio desejo. Esse desejo não significa necessariamente desejo sexual ou luxúria, embora Thiago desenvolva uma imagem vívida do desejo que seduz uma pessoa, atraída e seduzida, que então engravida e dá luz ao pecado. O pecado então cresce até a maturidade e dá luz à morte. Ou seja, a ideia de desejo aqui parece muito mais uma referência, um tipo de metonímia a isso que provém da nossa natureza pecaminosa, esses desejos negativos que quando nos atraem geram tentação. Epitomia fala desse desejo, um desejo que tem direção e evolição. É uma direção porque inclina a pessoa a alguma coisa, seja boa ou ruim, e tem evolição porque você vai lidar com esse desejo por meio da vontade, seja aceitando ou resistindo a essa vontade. Epitomia é a vontade, é é a fome. Quando é que o desejo vira tentação? Porque perceba, ele tá falando aqui no grego de como é que a tentação surge, como é que nós somos tentados. Ele vai dizer que nós somos tentados. Quando onde é que nasce a tentação, eu tenho aqui um caminho entre desejo e tentação. Então tem esses dois lados aqui. Desejo desse lado, tentação desse lado. E eu tenho atração e sedução. Então quando é que eu sou tentado? A gente não tá falando nem de pecado ainda, definido pecado ainda. Ou se se é pecado, se não é. O que é que o texto tá dizendo? Quando é que eu sou tentado? Eu sou tentado quando o meu desejo me atrai e seduz. Tem como esse desejo ser positivo no contexto? Não. Porque um desejo positivo, se o desejo positivo me atrai, o desejo positivo me seduz, é até uma linguagem inapropriada, eu faria coisas boas, não pecaria. A partir do momento que ele tá falando de um desejo que me leva ao pecado, é um desejo negativo. Por isso a traduz por cobiça, mas eu acho que manter desejo ajuda a gente, já que o termo grego é esse, a a perceber o fluxo do argumento aqui de de Thiago Melhor, eu tenho a minha identidade, eu tenho o meu indivíduo, pessoa a Joãozinho. Joãozinho é tentado quando é quando o desejo de Joãozinho atrai e seduz Joãozinho. Aí Joãozinho é tentado. Joãozinho fez alguma coisa até agora? Nada. Joãozinho exerceu vontade ainda sobre isso. Nada. A gente percebe aqui a tentação como algo num primeiro momento passivo. Você recebe tentação. Tanto atrai, tá no passivo, quanto seduz, está no passivo. Então você não é um agente da tentação diretamente, não de forma natural. A não ser que eu vá atrás da tentação, ó, vou atrás da tentação aqui, sei lá. Mas normalmente tentação nasce de forma espontânea. Eu sou atraído e seduzido por um desejo que eu já possuo dentro de mim. Aí nasce a tentação. Logo aqui a gente tem uma divisão já entre duas coisas, entre desejo e tentação. Desejo aqui, lembre, é negativo, não é um desejo positivo. Desejo aqui são desejos que me levariam ao pecado. A simples existência de desejos que levariam ao pecado ainda não é uma tentação. Você pode, por exemplo, ser uma pessoa que tem impulsos pro alcoolismo, por exemplo. Você é um ex-alcólatra, né? você era um alcólatra, passava o dia no bar enchendo a cara de cachaça, acordava de madrugada na sarjeta com cachorro lambê na tua boca e você largou. Encontrou Jesus. Encontrei Jesus. E você sabe que há dentro de você esse desejo. Você sabe que há dentro de você essa vontade. Você pode não estar desejando álcool o dia inteiro. Você pode não estar pensando em álcool o dia inteiro. Você pode não estar o tempo todo sendo sendo constrangido por essa vontade, mas você sabe que este esse desejo está aí. Se você pudesse, ô rapaz, se Jesus deixasse, se você vacilar, você vai sentir esse desejo. Você tá sendo tentado simplesmente por ser um exalcólatra? Não, você está sendo tentado simplesmente porque você sabe que teria uma queda no alcoolismo se você aceitasse a primeira dose no bar. Você não tá sendo tentado por isso. Existe um desejo. Este desejo ainda não é tentação. Quando é que esse desejo se torna tentação? Quando este desejo te seduzir e te atrair. O que é que significa sedução e atração aqui no texto? Se é isso que faz nascer a tentação, então é importante que a gente entenda o que o que é cada uma das coisas. Vamos olhar primeiro para a sedução aqui do grego Deleaso Lunida vai descrever como atrair ou estimular alguém a pecar, desviar do caminho certo. Também pode ser traduzido como fazer com que pecar pareça algo atraente, fazer com que o pecado fique com gosto bom ou colocar pecado bem na frente do nariz da pessoa. O Bidag vai usar a linguagem de pesca e vai dizer que é atrair usando uma isca. É o termo que aparece, por exemplo, em segunda Pedro 2, tanto nos versos 14 quanto 18. Dos dois usos que Pedro faz de Deleazo, a sedução é algo enganoso. É a atitude que Pedro usa, por exemplo, para descrever os falsos mestres. O engano dos falsos mestres não é simplesmente uma mentira, é é uma mentira desejável, dá dá vontade de seguir. É como um pescador que joga a isca pro peixe pensar que é um alimento, mas quando ele come ele é arrastado. Assim são falsos mestres. É isso que o mau desejo faz com a gente para nos levar à tentação. Aqui no contexto, sedução é basicamente sedução para algo pecaminoso. É uma palavra que geralmente não tem usos tão positivos não na literatura. A segunda palavra é atraelco, uma palavra que só ocorre uma vez em todo o novo tachamento, só aqui. Segundo lowida significa provocar uma mudança de convicção que não corresponda mais diretamente com a convicção da pessoa ou o fator que provoca a mudança. Cumprido, né? O Bidag é um pouquinho mais direto. Ele vai dizer que é arrastar com conotação de relutância. Perceba aqui então que atração e sedução são características da tentação. Mas e o pecado? Onde é que surge o pecado? O texto fala de um desejo. Fala desse desejo se tornando uma tentação por meio de uma atração e de uma sedução deste desejo que é a tentação. Ou seja, dentro do argumento maior de Thiago, porque é que nós não podemos dizer que somos tentados por Deus, que é Deus que tá tentando a gente? Porque Deus não tem este desejo negativo que o atrai e o seduz. Então, Deus não é tentado. E o que nos tenta não é Deus, é o nosso próprio desejo mal. Desejo mal que quando nos atrai e nos seduz, chamamos de tentação. E o que acontece depois disso? Tem aqui um então, é um eita, eita no grego. Adoro o eita. A gente tem aqui um então, um termo que pode ser traduzido por próximo, por depois disso. Ele diz então o desejo depois de ter concebido é justamente a linguagem aqui para ficar grávido, dá a luz. É a linguagem mesmo de parto ao pecado. O eita é um advérbio que leida vai traduzir como um ponto temporal que segue outro ponto temporal. Ou seja, há dois pontos temporais separados aqui. São duas ideias separadas de forma sequencial em uma sucessão. O Douglas M, por exemplo, talvez um dos maiores teólogos do novo tachamento que a gente tem hoje no mundo, diz o seguinte: que o desejo em si não é pecado. É somente quando uma pessoa, por um ato da vontade concede a sua sedução que o pecado resulta. Thiago descreveidamente esta sequência com uma imagem extraída do parto e da maturação. O desejo retratado como a mãe que dá a luz o pecado do seu filho. E este filho, se lhe for permitido amadurecer completamente, por sua vez, dá luz à morte. é ninguém menos que o Douglas M tá no comentário Tale do novo tachamento. Não orei a seca hack nem eu não. De forma muito semelhante, o famoso erudito americano Ben Warington, no seu comentário de Thiago, ele vai dizer que o desejo em si não é pecado, mas se for mal direcionado, o pecado não é só concebível como também concebido. O Blomberg e a Camille no comentário exagético da Zondan vai dizer o seguinte, que o então, uma palavra relativamente rara no Novo Testamento, denota consistentemente sequência, mostrando que aqui aprendemos sobre o próximo passo. À medida que as tentações dentro de nós começam a nos arrastar para longe, tendo sido seduzidos por nosso desejo interior, o anseio leva à ação pecaminosa. Então, como é que o pecado nasce? De onde é que vem o pecado? É que ele vai usar a linguagem de nascer, né? que a linguagem é realmente uma linguagem de uma uma concepção e um parto. Então ele tá literalmente falando do início de alguma coisa. Onde é que nasce? Qual é o início do pecado? É quando este desejo, este desejo, ele concebe. Como é que desejo concebe? Por meio da sedução e da atração. Então isso é muito interessante porque quando ele usa essa linguagem de sedução e atração, então vai falar de uma de um concebimento, não é de um dar luz, ele tá falando de uma intimidade. É como se o indivíduo tivesse tido relações, né? foi seduzido pelo seu desejo. O indivíduo foi seduzido pelo seu desejo. Então ele assentiu profundamente a esse desejo. Esse desejo engravida e o parto nasce o quê? Nasce o pecado. É uma ilustração muito poderosa. Olha que coisa. Lendo Tiago 1, Thiago 1 vai dizer pra gente que a tentação em si não é pecado. O que é que Thiago vai dizer que é pecado? É quando a tentação que provém do mau desejo é acatada. Então eu eu me entrego a essa tentação e então quando eu me entrego à tentação, o pecado nasce. É apenas quando o desejo concebe que há o pecado. É apenas quando a tentação concebe que há o pecado. O termo aqui haver concebido significa lonaida, pegar e levar consigo. É literalmente a ideia de receber o semen, de levar consigo um filho. O termo da luz, né, ticto, é literalmente a ideia de ter o filho. Essa imagem sexual, não é? É a personificação aqui do processo do pecado. É como provérbios, não é? Que personifica a mulher imoral em oposição à sabedoria. Aqui o mau desejo é apresentado da mesma forma. Esse mau desejo atrai e seduz. O que que é o pecado? é o filho do mau desejo. O pecado surge então quando esse mau desejo engravida. Quando é que esse mau desejo engravida? Quando eu assinto, quando eu correspondo à sedução e a tentação desse mau desejo, fazendo sexo com a cobiça, né? Fazendo sexo com esse mau desejo, me entregando esse mau desejo, que vai engravidar e dar luz aquilo que é pecaminoso. Dentro da estrutura argumentativa de Thiago aqui, então, ser tentado é pecado. No argumento de Thiago não. No argumento de Thiago: "Ser tentado me leva ao pecado, mas ser tentado não é o pecado." Por quê? Porque o pecado só nasce quando eu assinto a essa tentação. Para Thago, possuir o desejo, a vontade de forma geral, uma vontade obviamente que não está sendo manifesta, não é entregue a ninguém por meio da cobiça no meu coração, por meio de desejar diretamente alguém no meu coração, por meio de maquinar internamente o mal. Não é esse desejo, porque isso já seria o conceito de pecado no coração. A gente vai entrar nisso já já. Mas uma uma vontade geral que existe dentro de si. essa vontade que nos levaria à tentação e que se eu sentia a tentação me levaria ao pecado, ela é por si só pecado? Dentro do argumento de Thiago 1, não existe uma divisão muito clara entre o que é pecado e o que não é. Até porque o termo que é usado aqui, então no verso 15, veja só, Lida vai estabelecer como um ponto que segue um outro ponto, então depois seria traduzido como depois disso. Então veja só, cada um é tentado pelo seu próprio desejo quando o este o atrai e o seduz. Depois disso, o desejo, depois de ter sido concebido, dá luz ao pecado e o pecado, uma vez consumado, gera morte. Existe então, que para mim parece uma construção muito clara dentro da estrutura argumentativa de Thiago, de que o desejo ele ainda não é pecado, a tentação ela ainda não é pecado, mas corresponder à tentação é o pecado. Não me parece ter forma mais coerente de ler esse texto. É claro que seria muito bobo transformar isso numa grande competição de citações, né? Quem tem mais reformadores e teólogos de renome do seu lado? Você tem grandes teólogos de renome defendendo as duas posições aqui. Mas vale a pena citar um reformador como Martinho Lutero, que na sua explicação sobre a oração do Senhor disse o seguinte: que assim você vê que ninguém pode evitar a tentação, mas é possível resistir e com oração e recurso ao auxílio divino podemos nos preparar para enfrentar tais investidas. No livro de um antigo pai, lemos que um jovem irmão expressou o desejo de se livrar de seus pensamentos. Então o velho pai disse: "Querido irmão, você não pode impedir que os pássaros voem sobre a sua cabeça, mas pode impedir que façam ninho em seu cabelo. Assim como diz Santo Agostinho, não podemos evitar ofensas e tentações, mas pela oração e pela invocação da ajuda de Deus, podemos impedir que elas nos vençam." Aqui o principal reformador, não é, que é Martinho Lutero, vai falar sobre essa divisão entre pecado e tentação, mostrando que a tentação ela é praticamente inevitável. Mas nós podemos impedir que os pensamentos de tentação façam morada em nós e assim nos livrarmos do pecado. Para citar um outro autor que eu gosto muito, a gente tem o Franc Shefer, foi talvez um dos principais herdeiros intelectuais do neocalvinismo. Foi filósofo e pastor presbiteriano. Ele mesmo escreveu no verdadeira espiritualidade. A Bíblia faz uma distinção clara entre a tentação e o pecado. Um pouco mais à frente ele repete: "Existe uma diferença entre a tentação e o pecado. E a Bíblia diz que só porque somos tentados não significa que devamos prosseguir com aquela tentação e cair no pecado. ou para citar um brasileiro muito conhecido, o próprio Hernandes Dias Lopes, talvez o pastor preseriano mais famoso do Brasil, no seu comentário expositivo de Thiago vai dizer: "Não é pecado ser tentado, mas sim ceder a tentação". Esta é a única forma de ler esse texto. Eu não vou dizer isso. Existem teólogos corretos, eruditos, crentes que pensam diferente? Com certeza. Mas eu acho que é bastante convincente na leitura que a gente faz aqui do texto de que existe uma divisão em Thaago entre desejo, tentação, pecado. E dá para existir uma outra divisão, se a gente quiser levar a coisa aqui ao nível um pouco mais estrito, de consumação do pecado. Porque quando ele diz, "E o pecado, uma vez consumado, gera morte?" Possivelmente pode ser uma divisão entre um pecado que nasce ainda como um ato interno, um cobiçar no coração, por exemplo, um maquinar o mal na mente, por exemplo, e então a prática dessa maquinação que geraria a morte. Ainda que não necessariamente seja a divisão que Thiago tá fazendo aqui. É uma divisão sistemática que a gente pode entender dentro do processo que a gente tem lido nas escrituras, em vários outros textos sobre pecado e tentação. A gente tem, por um lado, a nossa natureza pecaminosa, porque todos nós fomos concebidos em pecado, nascemos em pecado, somos culpados do pecado de Adão por meio da representação federal e seminal de Adão. Ou seja, ele nos representava formalmente diante de Deus como nosso líder, como primeiro ser humano. E nos representa também por ser o nosso primeiro homem, não é? Todos nós somos descendência dele. Isso é o sentido de seminal. Todos somos culpados, não é do pecado de Adão. E é da nossa natureza pecaminosa que nasce o desejo mal, o mau desejo, que é o termo que o Thiago vai usar aqui. Então eu tenho natureza pecaminosa. Então eu tenho os desejos corrompidos pelo pecado, eu tenho a tentação, eu tenho o pecado cometido no coração e eu tenho o pecado consumado. Dentro dessa estrutura, onde é que tá o pecado de fato? Novamente, segundo Thiago, não é no desejo, não é na tentação, é no assentimento à tentação. Essa posição é seguida pelo Agostin de Ipona, famoso patrístico, né, quando ele afirma que a luxúria não dá a luz a menos que conceba e não concebe a menos que seduza e receba consentimento voluntário para cometer o mal. Portanto, nossa batalha contra a luxúria consiste em impedi-la de conceber e dar luz ao pecado. De forma muito semelhante, o monge cristão venerável Beda, que viveu ali entre o século VI e século VI, cerca de 1000 anos antes do John O elaborar tratado sobre o pecado, ele postulou o seguinte: "Existem três estágios na tentação. O primeiro é a sugestão, o segundo é o deleite e o terceiro é o consentimento. Se resistirmos às sugestões do diabo, então teremos vitória sobre a tentação e mereceremos herdar a coroa da vida. Mas se permitirmos que as sugestões do inimigo gradualmente tomem conta de nós, então descobriremos que somos afastados do caminho certo, começamos a ceder ao pecado. No entanto, se não avançarmos além dos eleitos iniciais, podemos ter ofendido a Deus, mas ainda não caímos em pecado mortal. Contudo, se continuarmos no caminho da depravação e começarmos a abraçar o mal, dando-lhe nosso pleno consentimento, então somos merecedores da morte e o inimigo triunfou sobre nós. Uma citação muito bonita, Beda já falava aqui em termos de sugestões que provindo do diabo não são em si pecado, mas que devem ser resistidas. Ou seja, considerando aqui o início do nosso argumento, não é? Todos nós possuímos uma natureza, uma inclinação, não é? para o pecado. Esse desejo quando nos atrai a gente vai até o caminho da tentação e então a gente cedendo essa tentação a gente cai em pecado. Tudo isso eu acho que é muito claro na leitura aqui do texto. Mas como é que a gente faz aplicações disso para essa questão da sexualidade, dos impulsos interiores? Vamos sair um pouco da exegese propriamente dita do texto e vamos tentar trazer algumas aplicações um pouco claras a ao debate que a gente tá levantando aqui. O desejo que nos atrai e nos seduz é um desejo neutro. Bom, a palavra grega que a gente colocou aqui, ela pode ser tanto positiva quanto negativa. Mas dentro do contexto da luta contra o pecado, o desejo que é alimentado para o pecado, ele por si só é uma coisa ruim. Existe um aspecto negativo aqui no desejo. Ou seja, nenhum cristão deveria olhar para as inclinações de vontade homoafetivas como algo neutro, como muitas pessoas, por exemplo, que tentam dizer que tudo bem ser um crente gay e que se descrevem como cristãos homossexuais. Muitas vezes tento argumentar. Em Thago, o próprio desejo que é alimentado antes da tentação mesmo existir. Ele é por si só algo negativo. Não é algo neutro, como alguns cristãos tentam argumentar que você deveria sair do armário e tal. Não, não é, não é neutro. É algo que provém diretamente de nossa natureza pecaminosa. O que é que a tentação faz? A tentação ela lança luz a nossa natureza pecaminosa. Quando somos tentados em uma área, isso revela algo da nossa identidade, da nossa natureza. Nós somos culpados diante de Deus, da nossa natureza pecaminosa? Somos. E o arrependimento, no fim das contas, o arrependimento, aquele inicial que nós nos aproximamos de Deus, é um arrependimento geral por toda a nossa integridade de pecado e por toda a nossa queda. Somos servos do pecado e isso deturpou quem nós somos. As inclinações homoafetivas são tratadas nos livros de Romanos como vontades contrárias à natureza. Então, são desejos negativos. Esses desejos negativos, esse desejo que provém de uma natureza pecaminosa, não é por si só a tentação e nem é por si só o pecado, por mais que nasça da natureza pecaminosa. E eu acho que é esse detalhe que tem sido perdido de vista na maioria dos debates de internet que não conseguem complexificar as coisas. A antropologia bíblica é um pouco mais complexa do que, sabe, vídeos sensacionalistas de internet tenta fazer parecer. As doenças, por exemplo, nascem do pecado. Só existe doença porque o pecado entrou no mundo. Mas adoecer não é pecado. Os neopentecostais muitas vezes não entendem isso, né? Acho que se entrou doença no mundo por causa do pecado, então se adoece se tiver em pecado. Isso não é verdade. Da mesma forma, as tentações existem porque temos uma natureza pecaminosa, porque o pecado entrou no mundo. As nossas inclinações negativas existem porque o pecado entrou no mundo. Mas eu não preciso estar sendo tentado porque eu tenho uma inclinação negativa. Um cristão que tem tendência ao alcoolismo, ele não tá maquinando o mal na sua mente simplesmente porque ele tem essa inclinação interior. Um cristão que tem tentações na área da sexualidade em direção a pessoas do mesmo sexo, ele não tá cobiçando pessoas no seu coração o tempo inteiro, porque ele tem essa inclinação. Quando ele cobiça alguém, ele peca. Ele peca no seu coração. Quando ele deseja alguém do mesmo sexo, ele peca. Ele peca no seu coração, ele peca na sua mente. Mas ele por si só, como um indivíduo viver na sua vida comum, ele não tá secando jeito no meio da rua, doido, sabe? Ou seja, o ponto central aqui é distinguir inclinação, atração e cobiça. Pensa, por exemplo, num homem heterossexual, certo? Que tem uma inclinação natural para mulheres. Isso por si só. Não é pecado, é até uma inclinação natural de acordo com a ordem criacional de Deus. A inclinação é simplesmente a direção geral do desejo sexual. O problema começa quando essa inclinação se transforma em cobiça, quando a pessoa consente interiormente com desejo e passa a desejar sexualmente alguém que não é seu cônjuge. Por isso, um cristão heterossexual que é solteiro vive em grande medida, contendo sua atração sexual. Ele pode sentir a atração por mulheres, mas ele não pode transformar essa atração em desejo sexual deliberado por qualquer mulher que apareça. Toda vontade sexual direcionada a alguém que não é a sua esposa seria pecado. Até mesmo o namoro cristão, mesmo namorando. A pessoa pode amar, admirar, desejar o casamento, mas precisa refrear o desejo. Isso ajuda a entender o lugar de um cristão que sente atração por pessoas do mesmo sexo. A situação estruturalmente se parece com a de um cristão heterossexual solteiro. A presença de uma inclinação geral não é o pecado em si. O chamado cristão é viver sem transformar essa atração em cobiça ou em prática sexual. A diferença, é claro, é que uma vez que a atração homossexual, de acordo com a nossa visão cristã, é uma inclinação contrária à natureza, existe uma diferença do modo como a vida vai se expressar ao longo ao longo dos anos, ao longo do desenvolvimento da própria existência. Um cristão heterossexual pode, em princípio, ordenar seu desejo dentro do casamento. Quem experimenta atração pelo mesmo sexo não possui essa possibilidade dentro da ética sexual cristã. Ainda assim, o princípio prático da vida comum continua o mesmo. Um cristão que luta contra tentações homossexuais, um cristão totalmente heterossexual, que é solteiro, vão viver exatamente do mesmo jeito, com exceção da busca pelo casamento. Vão viver contendo seus impulsos, rejeitando toda a tentação para poder glorificar a Deus com a vida santa. Se a gente não fizer nenhuma distinção entre inclinação e cobiça, a gente chega numa ideia extremamente absurda. Todo cristão solteiro vive constantemente em pecado simplesmente por possuir uma inclinação sexual qualquer. Isso é completamente absurdo. Se todo, se toda inclinação é uma cobiça, é um pecado, é um pecado praticado no coração, todo cristão solteiro está vivendo em pecado praticado no coração, porque ele não é casado. Isso é uma coisa completamente absurda. A ética bíblica parece ensinar pra gente uma coisa diferente. A inclinação existe. Temos variadas inclinações a caminhos possíveis de pecado. O pecado acontece quando a vontade abraça o desejo e o transforma em cobiça. E é nesse ponto que a luta moral se torna realmente intensa. A gente não pode tratar essa inclinação como se já fosse um pecado cometido. Seria uma vida absurda. Absurda para todo mundo. Absurda para qualquer crente. Se toda inclinação fosse um pecado, no fim das contas, não é? Meu Deus, que que vida louca é essa que a gente ia ter que viver? lutando arduamente, não mais contra tentações, mas contra impulsos que muitas vezes não estão nem manifestos, que estão contidos. Tá contido, a gente tá orando a Deus pindo perdão por ele do mesmo jeito. Não parece ser o modo como a escritura estabelece nossa vida com Deus, não. Uma coisa interessante aqui no texto é que ele vai dizer: "Cada um é tentado pela sua própria cobiça." Ele usa cada pessoa, que significa todo mundo, mas também pode significar cada pessoa em particular. Mas quando ele fala própria cobiça, ele tá particularizando a luta, não é, de cada um. Cada um é tentado pelos seus próprios desejos. Uma vez que a tentação vem de dentro de nós, cada pessoa vai ter uma tentação particular. Por que é que uma pessoa tem uma tentação e outro tem outra? Por que que uma pessoa enfrenta batalhas numa área e outras enfrentam batalhas em outras áreas? É porque existe uma coisa chamada personalidade, identidade, história, questões físicas. O pecado nos atinge a todos, mas o modo como ele se expressa e se manifesta em todos é diferente. Então, cada um tem suas tentações. A sua tentação pode não significar nada para mim, enquanto a minha tentação pode não significar nada para você. Por isso que é terrível quando a gente julga as batalhas de outras pessoas com um peso que a gente muitas vezes não julga as nossas, né? O Craig Blumberg e a Marian Kemil no comentário exagético do novo da Zondervan, vai dizer que isso se mostra crucial no ministério pastoral. O que uma pessoa considera uma tentação intensa, outra pode nunca experimentar, nem mesmo como uma leve atratividade vice-versa. As tentações são adaptadas ao indivíduo e, portanto, nós como crentes nunca devemos menoresprezar alguém por lutar contra algo que consideramos insignificante. Em vez disso, precisamos reconhecer que cada um de nós enfrenta batalhas particulares com nuances específicas para cada um. E precisamos oferecer graça e encorajamento uns aos outros para permanecermos firmes em tempos de provação. Por outro lado, devemos sempre fugir da tentação, por menor que ela nos pareça. Esses desejos interiores de Thiago trabalham incansavelmente para nos afastar do Senhor. Uns têm desejos na área da sexualidade, outros têm desejos na área ah do alcoolismo, talvez da alimentação, talvez em relações interpessoais. Não é porque você tem uma luta que outra pessoa não tem, que você necessariamente é menos crente que outra pessoa, alguma coisa do tipo, ou você tá em pecado e outra pessoa não, porque a sua luta talvez gereco mais de escândalo social do que a luta de outra pessoa. Mas, Iago, você me pergunta, o texto de Mateus não diz que o pecado ele ele já começa na intenção do coração de todo jeito? E aí a gente tem que sair do texto de Thago e entrar no texto de Mateus, capítulo 5. Eu tô abrindo aqui também minha naa com o grego aqui junto, onde em Mateus 5:28 a gente tem uma confusão muito comum, que é um erro muito comum dentro da leitura teológica popular, mas é um erro já muito conhecido dentro da cultura acadêmica. Então se você tá aqui a me acompanha, talvez seja informação que você não tenha, aí você vem comigo. De olho no texto é o programa para isso, né? É pra gente tentar deixar fácil teologia que é muito comum no ambiente acadêmico. Eu não tô inventando nada, não tenho capacidade de inventar nada. Sou um Orelha seca. Só quero pegar aqui o a a quero ler os eruditos e tentar simplificá-los para você. Muitas vezes a gente faz teologia por encontrar onde aquela palavra foi usada no texto bíblico. Então a gente às vezes procura uma palavra, essa palavra foi usada aqui em vários locais. As palavras significa isso em todos os lugares. Isso é uma faláça zeggética muito conhecida, né? Tem o livro do J Carson, que é talvez maior o maior exegeta do novo tachamento, na minha opinião. Foi publicado em inglês como falácias exegéticas, né? No Brasil é os perigos na interpretação bíblica pela vida nova, onde ele vai argumentar sobre essa falaça de você achar que uma palavra que é usada por um autor em um contexto vai ser usado do mesmo jeito em outro contexto ou que palavras usadas por autores bíblicos diferentes vão sempre significar a mesma coisa. Qual o problema? A palavra que Thago usa ele fala que cada um é tentado pelo seu próprio desejo, né? Epistumia é a mesma palavra que Jesus vai usar aqui. Quando ele fala que desejar, ele bota e pptumessai é pecado. Literalmente no grego, Mateus 5, que vai dizer: "Todo que olhar para uma mulher com intenção impura, já cometeu adultério com ela no seu coração." Intenção impura aqui, certo? É a mesma palavra no grego, mas impura, de novo, é uma tradução interpretativa da naa. Aqui tem apenas com intenção. Quem olhar para ela com intenção, a ideia aqui é desejo. Então eles só podem estar se referindo a exatamente a mesma coisa, né? a um a um olhar com desejo. Então tô desejando. Ora, se desejo aqui em Mateus já é pecado, então desejo lá em Thiago já é pecado. O problema é que isso primeiro desconsidera o o fluxo do argumento de Thiago que não é o mesmo, e desconsidera que o uso das palavras não é igual em todos os autores bíblicos. Fazer isso é fazer uma má teologia bíblica e se acaba descambando numa péssima teologia sistemática. Um dos grandes desafios da teologia sistemática é justamente encontrar o diferente uso das linguagens dos autores bíblicos e tentar criar uma linguagem unificada que sistematiza o modo como os autores bíblicos estão discutindo cada questão. Quando Thago fala de desejo, ele não tá falando ainda de um pecado que tá acontecendo, consumado ou maquinado. Ele vai tratar isso como tentação. Aqui, quando Jesus fala de desejo, ele tá falando de um outro estágio na luta contra o pecado. Ele tá falando de uma intenção que já se expressa no olhar. Quando Thaiago fala de um desejo que te atrai e te seduz, falando aqui não de alguém específico, mas uma coisa que acontece internamente, Mateus fala de uma única etapa, não é? Ele tá falando diretamente do pecado. O uso vocabular aqui de Jesus é diferente do uso vocabulará de Targar. Como é que o contexto aqui ajuda a gente a compreender o que é esse desejo pecaminoso aqui, esse pecado que é feito com os olhos, né? O olho paraa mulher com desejo, aquele olhar de arrancar pedaço, né? já é um, já é um olhar lacivo, já é um pecado que tá sendo cometido. Muitas pessoas que, sei lá, eu não sei como é que elas vivem a vida delas, porque se elas aplicarem isso as próprias, a própria vida, é impossível, né, levar a sério esse tipo de identificação. Muitas pessoas vão olhar para cristãos que lutam com tentações afetivas como se fossem pessoas constantemente uma libido inacreditável, uma lacívia frequente, olhando pras pessoas, as pessoas do mesmo sexo da rua aí, sabe, doido, querendo arrancar um pedaço de todo mundo. como se fosse fato de que uma pessoa que possui tentações nessa área ou inclinações nessa área vai est o tempo inteiro exercendo uma vontade para com todo mundo que passa na frente dele. Mas isso não é verdade para nenhum de nós, gente. Pelo amor de Deus, que que libido é essa, meu filho? Calma lá. Is isso não acontece com as pessoas. Não é assim que as pessoas vivem suas vidas. Isso aqui não representa uma pessoa que possui uma inclinação oriunda da natureza pecaminosa que pode levá-la ao pecado. Isso que já representa um pecado sendo cometido. Não no ato, mas com os olhos de olhar pra pessoa com intenção impura. O RT Friends, ele afirma que não apenas o ato do adultério, mas a luxúria que o causa é condenar. Aqui mulher, Guinê, ele vai dizer, é usado quase sempre para mulheres casadas e muitas vezes significa esposa. A intenção de Jesus é, portanto, proibir não a atração sexual natural, mas o acolhimento deliberado do desejo por um relacionamento ilícito. Ou seja, Jesus não tá falando aqui de uma tentação. Ele trata de algo que já foi consumado no coração da pessoa. Ele tá querendo pegar a mulher do dos outros. Ele tá querendo arrumar a mulher dos outros. Isso aqui é o estágio de uma mera inclinação contra a qual uma pessoa luta? Ou aqui é o estádio de uma tentação que ainda tá sendo só a uma tentativa de lhe arrastar ou aqui já o pecado consumado no coração de alguém? É claramente o pecado já expresso. Ora, ninguém peca sem deliberadamente sentir essa ação no seu interior. E é disso que Jesus tá falando aqui. Ou seja, Mateus e Thago não se contradizem. E olha que eu vi, eu vi várias pessoas comentando recentemente na internet, porque a Bíblia registra tradições teológicas diferentes. A Bíblia não é una, cara. A Bíblia é una. Basta você não cometer erros teológicos básicos na leitura de textos. não é que estão em locais diferentes, não é porque se usa a mesma palavra que tá querendo dizer a mesma coisa nos mesmos sentidos, quando autores distintos usam essas palavras. É por isso que é um problema muito sério quando o Dr. Carlos Vailat, não é, doutor em estudos judaicos pela USP, um famoso teólogo arminiano aqui do Brasil, usa esse texto de Mateus 5 para argumentar contra a ideia de que cristãos que possuem uma inclinação interior que gera como tentação, não é essa cobiça muitas vezes por pessoas do mesmo sexo, que esses cristãos por si só, mesmo sem estarem definitivamente cobiçando ninguém, estão ainda em uma situação de pecado. Dr. Carlos Vailat é um teólogo muito renomado dentro dos círculos armenianos e é muito respeitado também por pessoas fora do armenianismo, mas que confunde o ato de cobiçar alguém internamente com um tipo de inclinação sexual, como se cristãos que possuem uma inclinação homossexual estivessem olhando com cobiça para todo mundo que encontra na rua o tempo inteiro. Esse é o problema de usar Mateus como premissa para argumentar sobre esse ponto. Ora, um cristão com tentações nessa área que olha para uma pessoa do mesmo sexo na rua e a cobiça, ela está em pecado. Não precisa nem olhar para uma pessoa de fato. O simples ato de alimentar internamente, de se imaginar com alguém do mesmo sexo já é um pecado. Esse não é o argumento e essa divisão que o Carlos Vailat, infelizmente, não consegue fazer. E ele gera nas pessoas com esse tipo de de tentação um tipo de peso que a escritura não coloca, porque você pode ter uma pessoa com essa inclinação, uma inclinação que se ela der o mínimo de vazão vai virar um pecado no coração de tendência homossexual. Mas a pessoa mesmo sem viver isso, mesmo sem estar sendo tentado ou caindo do pecado, para o Vilates, essa pessoa é equiparável a alguém cobiçando outra pessoa no coração. Você pode não estar cobiçando ninguém, você pode não estar desejando ninguém, você pode não estar se imaginando com ninguém e ainda assim o Vat vai usar Mateus 5 contra você, o que parece uma leitura muito complicada, porque ignora completamente a diferença entre ato e potência. Ora, eu sou um cristão que não tem tentações homossexuais. Eu sou casado com a mulher e gosto muito disso. Eu não tenho em mim a potência de desejar internamente um homem. Então, não faço. Existe em mim a potência de desejar outras mulheres. Se eu deixar que, sei lá, passa uma mulher pelada na minha frente, se eu ficar olhando, se eu se eu entendeu, isso virar um pecado. Eu vou, existe uma potência pro pecado aqui. O que é que eu faço? Não olho outras mulheres, eu não fico perto de de mulher que tá seminua. Esse tipo de coisa é o que qualquer homem, crente faz. Um cristão que tem tentações envolvendo, não é, homossexualidade, ele possui nele a potência de desejar internamente alguém do mesmo sexo. Mas essa potência vai ser sempre ato. A potência de desejar alguém do mesmo sexo vai ser sempre o ato de estar desejando alguém do mesmo sexo. Mateus 5 fala do ato, não fala da potência. Porque aquilo que Mateus 5 fala, você olhar para uma mulher casada e desejar ela, é um ato cuja potência todo homem de libido natural, que seja heterossexual, vai ter. A potência tá lá nesse ser humano. Se você olhar pra mulher e ficar olhando para ela, desejando e querendo, a potência tá lá. Muitos de nós, no entanto, nunca cometerão o ato deste pecado. Mas a potência, a potência tá em todo aquele que tem um libido voltado pro sexo oposto. A mesma coisa acontece com pessoas que tm essas tentações homossexuais. Muitas vezes essa tentação não vai se expressar, ainda mais que a potência esteja lá. Usar Mateus 5 contra essas pessoas é muito cruel e uma crueldade que não é intencional, obviamente, mas vem uma leitura muito inapropriada do que Jesus fala no Evangelho de Mateus. Inclusive, alguém até fez um vídeo com o título: "Atração homossexual é pecado ou tentação?" E aí, a segunda parte do título era desejar a mulher do próximo é tranquilo. Um vídeo em que a pessoa até cita, não é, os 10 mandamentos, né? O não cobiçarás como se fosse a mesma coisa. Desejar a mulher do próximo é tranquilo. Ninguém tá argumentando isso. Cobiçar é uma coisa boa. Ninguém tá argumentando isso. Porque desejar a mulher do próximo e cobiçar a mulher do próximo é por si mesmo pecado cometido interiormente. Porque há um assentimento, uma atitude do coração em direção a alguém. Isso é completamente diferente de existir uma inclinação que está sendo contida na luta contra o pecado. Até quem argumente que a gente tá inventando categorias artificiais para separar atração homossexual de cobiça, não é? Mas isso de novo é claramente não coaduna com a realidade. Se assim o fosse, todo cristão solteiro estaria em pecado por ter atração por alguém que não é sua esposa. Todo cristão solteiro estaria em pecado por possuir um impulso interior, uma potencialidade interior de cobiçar alguém que não é sua esposa. Vamos supor que seja um crente heterossexual de libido baixo. O cara não tem lá um libido muito forte. Ele até é heterossexual, ele até não se atrai pessoas de outros sexo, mas ele não é uma pessoa lá com drive sexual muito potente. Essa pessoa está em pecado sendo solteira, sendo celibatária, mesmo que ela não esteja cobiçando ninguém, porque se o simples impulso interior já representa uma cobiça, então todo crente solteiro está em cobiça, está cobiçando alguém e não tá. Essa não é uma divisão artificial, é simplesmente uma noção um pouco mais coerente sobre antropologia e sobre como funciona o nosso relacionamento com a sexualidade. Uma coisa é uma inclinação que precisa ser contida, outra coisa é assentir internamente essa inclinação. Um livro que vale muito a pena ser lido é o livro Deus é contra os homossexuais, a homossexualidade, a Bíblia e a atração por pessoas no mesmo sexo do Sunan Alberry, que já escreveu extensivamente para diversas organizações reformadas, incluindo o The Gospel Coalition, o Desiring God, grandes e famosíssimas organizações reformadas no Brasil, The Gospel Coalition inclusive, que tem representação no Brasil e é talvez o maior grupo reformado que a gente tem hoje na no solo do Piniquin. Um livro que foi publicado no Brasil pela Monegismo, tá? Uma famosa editora reformada aqui do nosso país. Na página 64 tem um tópico chamado É pecado sentir atração por pessoas do mesmo sexo? onde ele vai dizer: "Aração por pessoas do mesmo sexo não é algo bom. Ela, com muitas outras coisas, consiste em uma consequência da queda, justamente o que a gente tá argumentando. Isso significa que ela não existia antes da queda em Gênesis 3 e não existirá na nova criação. É verdade. Esse tipo de atração não é algo criado para nós por Deus. Ela contradiz de forma explícita a sua vontade, certo? Sabe-se pelas escrituras que a tentação procede do nosso coração decaído. Aí ele cita Thiago 1 aqui, que é o texto que a gente tá lidando. Ele diz: "Não podemos jogar a culpa da tentação em mais ninguém e com certeza não em Deus". As tentações homossexuais são reflexos da nossa própria queda. Isso mesmo. Mas isso não é equivale a dizer que a existência da própria tentação seja um pecado do qual precisamos nos arrepender. Os cristãos sempre fizeram a distinção entre a tentação e o pecado. Em outras palavras, vai dizer um pouco mais à frente: "Buscamos o perdão dos pecados cometidos e a libertação das tentações." Não somos convidados a buscar o perdão por sermos tentados e sim pelos pecados cometidos quando sucumbimos a eles. Em vez disso, somos chamados a resistir à tentação, a suportá-la com fidelidade. E ele traz uma aplicação pastoral importante. Ele vai dizer: "No momento em que experimentamos desejos inadequados em relação a alguém do mesmo sexo, devemos resistir a quaisquer pensamentos e emoções impuras que tivermos." Ou seja, o cobiçar no coração de Mateus 5. Reconhecer que queremos fugir delas e não aceitá-las, a buscar a ajuda e a força divinas para fazê-lo. Lembramos-nos que essas experiências não consistem na vontade de Deus para nós e, portanto, não são boas para nós. Lutamos para honrar a Deus, confiando sempre em sua fidelidade e no fato de ele não permitir que sejamos tentados além da nossa capacidade de suportar. Afirmar que a experiência da atração por pessoas do mesmo sexo é em si pecaminosa parece sugerir que a capacidade de ser tentado é por si mesma um pecado. No entanto, isso contradiz a escritura. E sem dúvida, declarar algo sem base bíblica pode causar danos significativos. Muitos cristãos que vivenciam a atração por pessoas do mesmo sexo sentem vergonha intensa. Eles sabem que esses sentimentos não são parte do plano de Deus, não desejam tê-los e se esforçam para ser obedientes a Cristo. Na minha experiência, esses cristãos específicos costumam sentir uma vergonha ainda mais profunda sobre suas tentações sexuais que quem sente atração pelo sexo oposto. Ouvir que a existência dessa tentação é um pecado em si mesmo, independentemente do quanto tenho sofrido ao manter a fidelidade a Deus por conta dela, pode facilmente esmagar um crente já muito ferido. Então, quando acusam a gente, né, ah, mas essa visão aí, as pessoas não vão vencer os seus pecados se não acreditarem que o próprio a própria potencialidade é pecado por si só cometido. Na verdade, pode ser o contrário. Na verdade, você pode esmagar tanto as pessoas com peso de culpa que a escritura não coloca, que você tira delas até mesmo a força para conseguir vencer o pecado. Você tira delas a esperança. Poxa, eu tô lutando contra o pecado, mas a assim, eu tô dormindo, eu tô pecando. É isso. É a minha própria potencialidade um pecado. Por que lutar tanto? Então, uma coisa é dizer que temos um potencial pecaminoso, a natureza pecaminosa. Outra coisa é tratar os efeitos da queda como um pecado por si só. Esse tipo de visão, não é de tratar tudo como pecado, assim, até a o impulso interior, nasce muitas vezes de um exagero retórico que aparece em certos ambientes reformados, que eu acho um tanto deletério, tá? Eu mesmo já acreditei nisso, eu já usei essa linguagem na na minha vida, mas foi ouvindo outros pastores reformados que eu percebi que isso também tem um problema, como aquele livro The Hole in our Holiness, né? buraco em Nossa Santidade. Um livro excelente para trazer um pouco mais de luz sobre isso. Muitos de nós parece que para alguém ser considerado verdadeiramente calvinista, ele tem que falar do ser humano como se ele fosse a criatura mais corrompida possível em todos os aspectos, em todos os momentos da sua vida, como se nós fôssemos os mais maus que poderíamos ser. E é uma confusão muito comum, tá? A doutrina da depravação total afirma que o pecado afetou o ser humano em todas as áreas da sua existência. é a totalidade do indivíduo, a mente, a vontade, os afetos, o corpo. Nada ficou ccado pela queda, mas isso não significa que o ser humano seja tão depravado quanto poderia ser sempre, nem que cada ação de um crente seja sempre um pecado. Alguns discursos acabam deslizando nesse tipo de exagero. E às vezes a galera repete expressões bíblicas dirigidas aos ímpios, como se descrevessem cristãos da mesma forma. Hoje o Kevin Yang, no livro que eu citei, ele vai argumentar que muitos usam a linguagem de Isaías, né, sobre trapos de imundícia para descrever as boas obras de crentes a generados, o que é totalmente inadequado. Eu mesmo já fiz isso na minha vida, já deve ter pregado um sermôio dizendo isso. Como se a redenção não tivesse produzido uma diferença real e agora não temos mais trapos de mudíça, mas roupas brancas lavadas pelo cordeiro. Na prática, isso acaba gerando um tipo de retórica que parece negar qualquer transformação real no cristão. Falamos do nosso pecado de maneira tão absoluta que quase não sobre espaço para falar de santificação, de regeneração, de mudança de vida. Até nas nossas orações, né, a gente repete isso como se fosse um tipo de humildade. Eu sou o pior dos homens. Há ninguém pior do que eu. Eu sou uma pessoa horrorosa. Ah, meu Deus do céu. E claro, em um sentido subjetivo, isso é verdade. A gente tem que sentir isso muitas vezes. Mas tomado literalmente, não descreve a realidade completa da vida cristã. A escritura afirma que fomos lavados, purificados, justificados. E existe sim uma diferença real entre a vida moral do crente e do descrente. Há uma mudança perceptível na índole. Os comportamentos mudam, o nosso interior muda. O que acontece é quando essa retórica é levada ao extremo, não, mas até mesmo a sua natureza pecaminosa, qualquer inclinação e potencialidade não manifesta é pecado. Cara, a gente chega, sabe, ao fundo do poço da da do desespero da luta contra o pecado. E quando você vai olhar um pouco da história da igreja, vai ler textos do tempo da reforma e tal, existia muito desse tipo de retórica exagerada. É igual o John Devinut, né, foi um dos delegados do síno do de Dort. Ele argumentava que o ser humano estava em pecado até dormindo, falando de crentes, tá? Ele vai dizer que embora a faculdade do desejo em si não seja pecado, a inclinação e a propensão para o mal são pecado. Mesmo em alguém adormecido, quando não há de fato nenhuma inclinação para o pecado. Sabe? É um exagero retórico muito doido. Você tá dormindo, você é um crente, você tá dormindo e você está pecando. É uma forma de tentar criar humildade no coração humano, perceber o tamanho da nossa pecaminosidade, mas a gente tem que fazer isso balizado por categorias bíblicas, não só tentando pisar no no ser humano o máximo que a gente puder. Ainda existe imagem de Deus na gente. Ora, é totalmente possível afirmar a corrupção profunda da natureza humana, reconhecer a realidade da depravação total e mesmo assim manter uma distinção clara, né, entre inclinação, tentação e pecado efetivamente cometido. Você não tem que dizer que o ser humano tá pecando até enquanto dorme, né, para aparecer dentro da tradição reformada. Agora, tudo isso colocado, existem alguns outros textos bíblicos que nos lançam também alguma luz sobre essa compreensão da relação entre tentação e pecado. Alguns deles que eu acho que são um pouco mal utilizados, alguns que não são tão tão fortes, mas que dão algum indicativo desse tipo de separação como parte do imaginário geral dos escritores bíblicos. Pensa, por exemplo, nos primeiros momentos da história da Escritura, quando em Gênesis 3, o pecado entra no mundo. Qual foi o pecado de Adão e Eva? O pecado de Adão e Eva foi ter comido do fruto proibido. A ordem era clara: não coma do fruto proibido. Que que a serpente faz? A serpente chega até Eva e a serpente exagera o mandamento de Deus. Eva se corrige nesse exagero, mas acaba exagerando um pouquinho menos, mas ainda exagera o mandamento de Deus. O texto descreve aqui em Gênesis 3: "A serpente com a mais astuta e todos os animais. Estão vê só a justícia da serpente. Ela diz: "É verdade que Deus disse: "Não comam do fruto de nenhuma árvore de jardim". Não foi o que Deus disse, mas a serpente está exagerando o mandamento de Deus. A mulher respondeu a serpente: "Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: "Vocês não devem comer dele, nem tocar nele para que não venham a morrer." Essa parte de tocar nele não tá no mandamento de Deus, tá? Deus nunca disse que não podia tocar no fruto, não podia comer do fruto. Mas aí a serpente vai e mente pra Eva. Não, Deus não disse isso não. Que é isso? Pode comer aí. Olha só o que diz o texto bíblico. Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e a árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto e comeu. E deu também ao marido e ele comeu. Minha pergunta é: quando Eva viu que o fruto da árvore era bom para se comer e agradável aos olhos e a árvore desejável, isso aqui era tentação ao pecado, porque o pecado entrou no mundo quando eles comeram do fruto. Aí foi onde o pecado entrou no mundo, quando eles comeram do fruto. Eu tô ficando maluco. Se Eva tivesse visto que a árvore era boa para se comer, percebido que a árvore era agradável aos olhos, visto que a árvore era desejável para dar entendimento, e aí o texto dissesse assim, ó, mas ela quis ser fiel a Deus e disse: "A réda Satanás e não comeu da árvore, o pecado teria entrado no mundo?" O pecado não teria entrado no mundo, certo? O pecado não teria entrado no mundo. Por quê? Porque o que aconteceu antes do pecado entrar no mundo, comer do fruto, foi uma tentação, não foi? Eva não tinha uma natureza pecaminosa, mas Adão e Eva possuíam o que a gente chama de livre arbítrio, né? Eles tinham, eles tinham a natureza boa, mas a possibilidade de ir contra a própria natureza boa. Então eles poderiam escolher o pecado. Tanto que Adão e Eva escolheram o pecado. E aí nós agora temos a natureza má e não podemos, não é, escapar do pecado. Mas veja, se aqueles que dizem que vontade, inclinação, tentação, se a tentação já é um pecado, mesmo quando a tentação é rejeitada, o pecado teria entrado no mundo antes deles tomarem do fruto e comessem. Essa parece uma boa leitura do texto de Gênesis? Não me parece. E parece que houve uma tentação. Adão e Eva assentiram essa tentação. E só quando fizeram isso é que o pecado realmente entrou no mundo. Essa leitura é muito coerente com o relato que ainda tá em Gênesis, que é o relato de Caim e Abel. Em Gênesis 4, Caim é irmão de Abel. Abel foi pastor de ovelhas. Caim foi agricultor. Tá no verso 2 aqui de Gênesis 4. E eles entregam a Deus, né, suas ofertas. O texto diz que Deus recebe Abel, mas rejeita Caim. Caim tinha um coração odioso. Abel tinha um coração, não é, em direção a Deus. O texto diz que Caim ficou muito irritado e fechou a cara. Então o Senhor lhe disse: "Por que você anda irritado? Por que essa cara fechada? Se fizer o que é certo, não é verdade que você será aceito?" Ou seja, Caim era uma pessoa que fazia coisas erradas. Caim vivia uma vida de pecado e por isso Deus não aceita Caim. Então Caim fica bravo com o Senhor não ter aceitado. Aí diz o seguinte, ó: "Mas se não fizer o que é certo, eis que o pecado está à porta à sua espera." Aqui ele tá falando de qual pecado? do pecado de matar o irmão, o desejo dele será contra você, que no caso o desejo do pecado, mas necessário que você o domine. O texto diz que Caim não conseguiu dominar o pecado e por isso não é matou o irmão. É o que aparece a partir do versículo oito. O que é que Deus tá dizendo para Cain aqui? Que há um desejo do pecado que é contra ele e que esse desejo do pecado precisa ser dominado. O que lembra um bocado, né, a linguagem de Thiago, a tradução paraagenta aqui desejo e até a mesma palavra. Ora, mas o texto diz: "Eis que o pecado está à porta à sua espera". O pecado estava onde? que estava na tentação de Caim. Caim foi tentado a matar o irmão por ver seu irmão ser aceito por Deus e ele não. Deus poderia ter dito: "Você está pecando, Caim. Você está pecando neste momento." Mas Deus diz: "Não, não, Caim, o teu pecado, o pecado está à porta. O pecado está à porta. O pecado está perto. O pecado está à sua espera. O desejo desse pecado vai ser contra você. Mas você tem que dominar esse desejo. O domínio do desejo é justamente vencer a tentação. O domínio do desejo é vencer a tentação. Textualmente aqui em Gênesis 4:7, Deus não tá dizendo para Caim, Caim, você pecou. Subentende-se, isso não tá claro no texto, obviamente, por isso esse não é um texto central, mas subentende-se que Deus tá dizendo: "Caim, você está sendo tentado". O pecado está à porta. Pode muito bem ser compreendido com uma linguagem para você está sendo tentado. Ser tentado é ter o pecado à porta. Não é ter entrado pela porta do pecado, mas é, ó, pecado tá aqui, tá? Pecado tá tá na sua frente. Você vai brincar com pecado, você vai brincar com a tentação. Não brinque com a tentação, não. Lute contra a tentação. Domine o desejo do pecado. É uma linguagem muito forte. Caim não domina o desejo do pecado. E Caim comete um pecado absurdo. Ele mata o próprio irmão. A gente não pode brincar com as tentações. A gente não pode brincar com os maus desejos. A tentação é ter o pecado à porta. A gente não pode tratar como uma coisa normal, uma coisa banal. A gente tem que lutar, vencer. Mas veja, a divisão ainda tá posta textualmente aqui. Há um pecado à porta. Não entre pela porta, domine. Essa é uma linguagem que vai descrever que existe o momento em que o pecado realmente é praticado. Ele é praticado quando a gente entra por essa porta da tentação, quando a gente cede a tentação e de fato peca. Agora, saindo do antigo Testamento e entrando aqui um pouco mais novo Tchamento, tem um texto que me chama muita atenção, o texto paulino em Efésios 4, no a partir do verso 25. Dentro do contexto não testamentário, ira muito normalmente é descrito como um pecado. A ira sempre é pecaminosa? Claro que não, porque a Bíblia descreve Deus como um Deus que tem ira. Então, existem iras que são justas, que são justificáveis. Nós podemos ter iras justas, podemos. Quando a gente odeia o mal, quando a gente vê coisas terríveis sendo cometidas, injustiças graves, a gente pode se inteir. Mas aqui em Efésios 4, claramente a linguagem é de uma ira pecaminosa, como basicamente aparecem quase todas as vezes que Paulo vai falar, vai falar da nossa ira como seres humanos. Ele vai dizer: "Fiquem irados e não pequem". Essa ira aqui é uma ira neutra? Não, não. É uma ira claramente pecaminosa. Por quê? Porque é uma ira que deve ser rejeitada. Se esta ira fosse boa, é uma ira a ser mantida. Eu tô irado pelo assassinato de crianças. Eu tô irado pelo tráfico humano. Eu tô irado. Pronto. Sei. Vai ter, você tem que ter raiva realmente que essas coisas existam. Mas o texto diz: "Fiquem irados e não pequem. Não deixem que o sol se ponha sobre a ira de vocês, nem deem lugar ao diabo." Ou seja, Deus tá dizendo, quando o sol se pôr, essa ira já tem embora. Então você não pode ter essa raiva, você não pode ter essa ira. Ou seja, a ira de Efésios 4:26 não é uma ira santa, não é uma ira justa, não é uma ira boa, é uma ira que tem que ser rejeitada, ela não pode durar. Não acho que é uma coisa que seria dito sobre uma ira justa, uma ira que deve permanecer na gente, a raiva do mal, igual a ira santa de Deus. Então a gente tem aqui uma ira que é negativa, uma ira da qual a gente precisa se livrar, mas é uma ira que Paulo não vai tratar como pecado. Ele vai dizer: "Fiquem irados e não pequem". Fiquem ir pequem. Como é que eu fico irado e não peco? Eu não deixo que a ira dure. Não deixo que o sol se ponha sobre a minha ira, nem dou lugar ao diabo. Não deixo que o diabo use esta ira para me fazer pecar. Perceba que a lógica de Thiago é muito clara aqui. Eu tenho uma ira. Esta ira pode me levar ao pecado. Esta ira é um sentimento ruim, errado. É um sentimento que provém do pecado. Mas essa ira não é pecado. Porque não faria nesse sentido. Paulo teria que dizer: "Fica irado, mas você já pecou. Você já pecou ficando irado, acabou, perdeu, ficou irado." Não tem, já pecou. Não, ele nem vai dizer: "Fiquem irados, mas não se aprofundem mais nesse caminho de pecado." Ele podia dizer isso. Fiquem irados. Essa ira já é pecado, obviamente. Mas não caminhem mais longe ainda neste pecado. Não é isso que Paulo fala. Paulo diz: "Fiquem irados e não pequem. Fiquem irados, porém não pequem". Então essa ira aqui é o quê? É uma tentação. Eu estou irado com alguma coisa. Alguém me fez o mal? Alguém me prejudicou? Alguém me maltratou? Alguém me machucou. Isso gera ira. Pequei porque fiquei chateado diante de um mal que recebi. Não, mas esta ira não pode durar no meu coração. Esta ira não pode ser usada pelo diabo, que o diabo quer usar a minha ira para que eu peque. Então eu posso muitas vezes ficar irado. É uma coisa que eu quero receber, ó, a minha ira. Ela é neutra. Não é neutra não. Ela nasce do nosso mau desejo, é fruto da nossa natureza pecaminosa. Esta ira aqui que ele tá falando. Mas essa ira não é pecado em si. O diabo quer usar essa ira. Eu não posso deixar que o diabo use essa ira. Se eu deixar o diabo usar essa ira, eu peco. Se eu deixar essa ira durar dentro de mim, eu peco. É isso que Paulo tá dizendo. Fiquem erados e não pequem. Paulo tá criando essa divisão clara entre uma um uma tentação e um pecado cometido. Paulo tá deixando claro que existe um momento em que o pecado acontece. Não é quando eu fico irado aqui neste caso em particular, é quando eu dou lugar a esta ira, mantendo esta ira dentro de mim. Eu posso nem fazer nada com essa ira, mas é quando eu mantenho ela dentro de mim ou quando eu dou lugar ao diabo com essa ira e aí eu faço alguma coisa, né, de forma irada. Aago, pera aí, mas você tá esquecendo do texto de Mateus quando Jesus fala que ficar irado no coração contra o irmão já é assassiná-lo. Mas veja, a própria estrutura ali do Evangelho de Mateus e a própria sintaxe grega nos dá a entender que ali essa ira não é simplesmente uma raiva momentânea que você tem em resposta ao que aconteceu. Parece muito mais uma disposição, um manter uma uma ânsia de maldade contra alguém. O sermão do monte não parece tá dizendo pra gente que é, nossa, o cara me maltratou, o motoqueiro bateu no meu carro e se evadiu. E eu fiquei chateado com isso. Fiquei com raiva disso. Pequei porque fiquei com raiva disso. Algumas raivas são justas, são corretas dentro de certas circunstâncias. A questão é: o que é que eu faço com essa raiva? E aí Paulo lança luz sobre isso. Essa raiva que me deu por alguma coisa que fizeram contra mim, é uma raiva que eu deixei para lá. Eu não fiz nada ruim contra ninguém por causa dessa raiva? Então eu não pequei no meu coração. Agora eu nutri essa raiva, eu mantive essa raiva, eu me apeguei a essa raiva, eu agi de acordo com essa raiva. Essa raiva durou dentro de mim. Aí, certamente no meu coração eu já assassinei a outra pessoa. São dois textos diferentes que lançam luz em aspectos diferentes da nossa luta contra o pecado. Tem um livro muito bom chamado How do I Fight Sin and Temptation por um autor chamado Garret Kell, publicado pelo pessoal do Nove Marcas, que provavelmente a maior influência batista reformada no mundo hoje. Ele vai dizer que tentação não é iniquidade. Vai falar de um cara chamado Raid, que era atormentado pela raiva, que em momentos de fúria sentiu o impulso de chocar mesas ou pior pessoas. Era difícil escapar do seu passado de brigão, mas o fato de ser tentado por explosões de raiva não significava que estivesse pecando. As escrituras nos advertem repetidamente para não cedermos a tentação. Por exemplo, Deus advertiu a Caim: "O pecado está à porta, a espreita. O seu desejo é contrário à tua vontade, mas tu deves dominá-lo." Da mesma forma, Paulo disse: "À igreja de Éfeso, o que meu amigo Rei precisava ouvir regularmente: "Irai-vos e não pequeis". As escrituras nos mostram repetidamente que tentação e pecado não são a mesma coisa. Sentir raiva não significa necessariamente ser amargo, xingar, agredir ou matar. Ser tentado por uma atração imprópria não precisa levar à luxúria, masturbação, adultério. Considerar o pecado não significa ceder a ele. Saber disso impede que você seja paralisado por uma culpa desnecessária da esperança para continuar lutando mesmo quando a tentação é intensa. É possível pelo poder do espírito ser tentado pelo pecado e não ceder. Eu acho que é uma situação muito, muito poderosa para nos ajudar a pensar na luta contra o pecado. Nisso, eu acho muito importante considerar o seguinte, tá? Em nenhum lugar da Bíblia, em absolutamente zero lugares, certo? Em nenhum lugar da Bíblia, nós somos ensinados a orar por perdão pelas tentações. Em nenhum lugar. A Bíblia nos ensina a orar para que sejamos livres das tentações ou que a tentação não chegue até nós. Não existe nenhum lugar do Antigo Testamento, nenh lugar do Novo Testamento, um pedido, uma oração ou um clamor do tipo: "Nossa, Deus, eu fui tentado, me perdoa por ser tentado". A gente não encontra isso na escritura. A gente encontra orações por livramento, por não cair na tentação, mas a tentação não encontra dentro da narrativa bíblica pedido de perdão, mas sim pedido de ajuda, pedindo para que Deus livre. Não tem como não lembrar da oração dominical, né? Foi o famoso Pai Nosso. Jesus diz: "Não nos deixeis cair em tentação". Fala em Mateus 6, em Lucas 11. A locução verbal aqui, deixar cair, não é? Em tentação, que é a tradução do termo grego esfero, é um verbo que implica fazer alguém entrar em determinado acontecimento ou estado. É um verbo que não tá no indicativo, mas no modo subjuntivo, que gramaticaliza, não é a contemplação de uma ação projetada, o que é papo de de de grego, mas mas é basicamente um jeito de falar de uma situação hipotética, de imaginar um cenário, ah, nem se vaca voasse, sabe? Uma coisa assim. Ou seja, em português parece que o pai nos coloca em tentação, né? como se fosse não nos coloca em tentação, como se a tentação viesse de Deus, né? Thiago diz uma coisa diferente disso. A gente tem basicamente uma forma poética aqui para pedir que a gente não não caia em tentação, que a gente seja livrado da tentação, porque Deus tem o poder, não é, de nos dar força para que a gente não caia no pecado. Jesus nos ensinou a orar pedindo perdão pela tentação. A oração é: "Perdoa os nossos pecados, nos livra da tentação. Perdoa os nossos pecados, nos livra da tentação. Não me deixa cair na tentação, porque cair na tentação é o pecado." Oramos para Deus pedindo para que Deus efetivamente nos perdoe dos pecados. Daí no perdo pecados é um interativo mesmo no grego para nos livrar do estado de tentação. Jesus nos ensina que nós podemos sofrer tentações e que devemos orar ao Pai para que ele nos tire desse estado. De novo, não podemos tratar tentações como se fossem bobagens. Elas nos levam pro pecado e nos afastam de Deus. Se nós lutássemos e fugíssemos das tentações no momento em que elas surgem, elas não se intensificariam, nem aumentariam, nem se consumariam em pecado. O grande problema é que a gente se deixa, não é, atrair e seduzir. Iago, mas nem precisava disso tudo, Iago. Tem um texto matador já sobre isso. Cadê o texto de Hebreus, Iago? Você não leu aí, que fala que Jesus foi tentado. Jesus foi tentado em tudo e não pecou. Então, acabou. Acabou. Texto cabal. Calma lá, calma lá. Que que eu vi muita gente usando esse texto recentemente para argumentar isso, mas eu acho que isso não é um bom argumento, não. Tá, calma lá. Quando a gente vai para Hebreus 4, não é? A partir aqui do verso 14, diz: "Tendo, pois, Jesus, o filho de Deus como grande sumo sacerdote que adentrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão, porque não temos sumo sacerdote que não possa se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, ele foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado." Portanto, aproximemo-nos do trono da graça com confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça para ajuda em momento oportuno. Iago, Jesus foi tentado e Jesus não pecou. Então, ser tentado não é pecado. Mais ou menos. Eu não acho que esse texto ajuda muito nisso, porque Jesus é diferente da gente, tá? Jesus não tem natureza pecaminosa. Se Jesus não tem natureza pecaminosa, Jesus não é tentado internamente como nós somos. Jesus é tentado externamente. Então a tentação ela surge externamente. Então Jesus foi tentado no deserto, por exemplo, e a tentação se dá como um convite externo. Teu amigo aí te chama para beber uma cachaça, a menina aí requebra na tua frente. Você tem tem a tentação como ato externo. Jesus não tem a tentação como ato interno. Por quê? Porque Jesus não tem natureza pecaminosa. Então Jesus não tem não poderia pecar porque ele não teria a capacidade não. Ele teria Jesus teria a capacidade de pecar. Isso só não é a sua natureza, só não é quem ele é. Ele nunca quereria pecar. Então dizer que Jesus foi tentado e então tentação não é pecado. Bom, eu não acho que tentação seja pecado, como eu já argumentei nesse vídeo, mas esse texto não é um texto apropriado para isso. Do contrário, você vai ter que assumir uma heresia cristológica de que Jesus poderia pecar, de que Jesus poderia estar estito ao pecado, o que absolutamente não é verdade. Agora, tem um ponto aqui que é o ponto da argumentação do autor aos Hebreus, porque ele foi tentado cf, né? Catostes, que é semelhança. Ele foi tentado de acordo com a nossa semelhança. O autor dos Hebreus vai estabelecer que existe uma correlação entre Jesus ser tentado e nós sermos tentados. Ele foi tentado à nossa semelhança, mas Jesus não tem a tentação interna como nós temos, porque ele não tem a natureza pecaminosa. Então, como é que é a nossa semelhança? Bom, o argumento dele é que as tentações chegaram, chegavam a Jesus do mesmo jeito que chegam a nós. Qual é a nossa diferença com Jesus? É que nós somos pecador safado. Miserável. Jesus, não é? Mas então como é que Jesus pode se compadecer da gente? Não é? Porque a ideia aqui é que ele se compadece, ele sabe o que a gente passa. É que Jesus conhece as circunstâncias que nós vivemos, ele conhece as batalhas que estão à nossa volta. E ele mesmo não cedeu a nenhuma dessas batalhas. Ele não teve sequer vontade de ceder essas batalhas. Então ele é a nossa semelhança nesse cenário, não porque ele sente as mesmas tentações internas, porque ele não tem pecado, mas porque ele se colocou na mesma situação de estar envolto do convite do pecado. Então início ele é semelhante à gente. Ele não é semelhante no pecado, mas é semelhante estar nas circunstâncias em que o pecado convida. Ele nos conhece. Por isso que a linguagem do ator aos hebreus não é a linguagem de Jesus não pecou, porque é que tu peca, seu safado? Não é essa linguagem de Hebreus aqui. Poderia até ser, tá? Mas a linguagem é Jesus sabe, ele te conhece, ele entende o que você passa. Então chega perto dele, se aproxima dele que ele manda misericórdia ajuda. Entendeu? É essa é a linguagem da graça misericordiosa que provém aqui do texto de Hebreus. Tanto que essa é a aplicação aqui, né? Então a gente se aproxima com confiança do trono da graça para recebermos misericórdia e ajuda em tempo oportuno. Então não usa esse texto não, para fazer esse argumento não, que aí você vai estar usando um texto ruim. Mas fica aqui um grande má. O fato dos autores bíblicos usarem o termo tentação sem absolutamente nenhuma ressalva, sem absolutamente nenhum medo para falar de Jesus, me parece, eu sei que não é um argumento tá tão central, mas me parece que os autores não estavam sentindo que estavam relacionando Jesus com o pecado de alguma forma. Eles não fazem ressalvas tanto na tentação de Jesus no deserto como no texto aqui de Hebreus. Nem os autores dos evangelhos, nem o autor de Hebreus sentem qualquer constrangimento de usar a palavra para tentação a aquilo que Jesus passou, sem nenhuma ressalva, sem nenhum porém. O que é que isso me gera de impressão que a linguagem de tentação na mente dos autores dos evangelhos, na mente do atual hebreus, não era uma linguagem que estava tão claramente atrelada ao sentido de ter cometido um pecado, como parece chaamente de algumas pessoas que tentam argumentar que a tentação já é um pecado por si só. Mas claro, eu sei que esse é um argumento de apoio, não é o grande argumento central aqui. Bom, para concluir, vamos para alguns algumas aplicações, conclusões e alguns contraargumentos gerais que a gente poôde pensar aqui acular em alguns vídeos aí ah na internet, em alguns materiais que muitas vezes surgem de redes sociais que muitas vezes, bom, não é lidar diretamente com o texto bíblico, mas são, sabe, elocubrações, aplicações e coisas assim que muitas vezes são meras acusações a essa interpretação da doutrina bíblica, que não são o tratamento do texto bíblico em si, mas que talvez sejam relevantes bastante pra gente trazer aqui. Primeira é acusação de que esta é uma visão pelagiana, semipelagiana, que ignora o pecado original. Argumentam que a gente tá negando a natureza caída do ser humano. O argumento de que nós não temos uma natureza pecaminosa é completamente rejeitada por todo teólogo calvinista e ortodoxo que faz essa distinção entre tentação e pecado. Se a gente tivesse afirmando que a experiência do pecado é boa, ou então que as tentações ao pecado são neutras, ou ainda que nossas tentações não revelam nada sobre o pecado que habita em nós, aí beleza, há espaço para acusar que essa posição é pelagiana. sempre pelageana, justamente porque o pelagianismo nega a profundidade da queda e afirma que o ser humano pode viver sem pecado por suas próprias forças. Mas não é isso que ninguém tá defendendo. O que se afirma é que nossas tentações e inclinações revelam a realidade da nossa natureza caída. Elas mostram que o pecado habita em nós. Elas nascem de um coração afetado pela queda. Nada disso é negado. O ponto é simplesmente que reconhecer a presença dessa corrupção interior não exige afirmar que toda manifestação dessa natureza já seja automaticamente um pecado cometido. Existe uma diferença entre possuir uma natureza inclinada ao mal e consentir voluntariamente com essa inclinação. Você não tem que afirmar que todo e qualquer movimento interior do ser humano é pecado para permanecer dentro da ortodoxia reformada. Reconhecer a distinção entre tentação e pecado não enfraquece a doutrina da depravação total, apenas escreve com mais precisão como o pecado opera na experiência humana. Por isso que um outro argumento que muitas vezes é usado não se sustenta, que é o que é o argumento de que como é que algo bom pode sair do que é mau? Como é que é uma coisa neutra pode sair do que é ruim? Não é como é que algo puro poderia vir do que é impuro? Ora, se é se essas tentações vem da nossa natureza pecaminosa, a tentação já é um pecado em si. Se esses impulsos vêm da nossa natureza pecaminosa, então os impulsos são pecado em si. Mas ninguém tá dizendo que o puro está saindo que é impuro. O que a gente tá afirmando é que nem tudo que resulta da queda é em si mesmo um ato de pecado ou um pecado cometido no seu coração. Mesmo assim, algumas coisas que não são necessariamente pecado surgiram por causa da queda. A própria natureza foi afetada pelo pecado. Em Romanos 8, Paulo diz que a criação inteira foi submetida à inutilidade por causa da queda de Adão. Evas daninhas, então, surgem na queda por causa do pecado. Vai dizer o texto de Gênesis. O câncer, as gripes, as enfermidades que atingem o corpo humano, os maremotos, os terremotos que matam um monte de gente. Tudo isso surge porque o pecado entrou no mundo e nos alcança porque somos pecadores. O mesmo vale para certos transtornos psiquiátricos. Condições como transtorno bipolar ou esquizofrenia, que são altamente documentadas como problemas ligados ao funcionamento do cérebro e da mente, fazem parte de um mundo quebrado pelo pecado. Até a morte entrou no mundo por causa do pecado. Ora, o salário do pecado é a morte. Mas quem de nós diria que nós pecamos ao morrer? Morrer é neutro. Não, morrer é ruim. Morrer é uma coisa que entrou no mundo por causa do pecado. Mas quando alguém envelhece e morre numa cama de hospital, ele tá cometendo um pecado naquele momento? Ou ele tá sofrendo as consequências de uma natureza que foi afetada pela queda. E isso lança luz sobre a sua própria natureza pecaminosa, o que deve lhe apontar para Deus, mas não deve gerar arrependimento. Ninguém se arrepende de ter morrido nesse sentido. Eu tô me arrependendo, Deus, porque eu estou morrendo. Deus, eu estou arrependido porque eu estou gripado. Não, isso surge do pecado, revela algo sobre o nosso pecado, mas não é um pecado cometido. Seria absurdo dizer que a gente tem que se arrepender por morrer simplesmente porque a morte só existe por causa do pecado. A morte não é boa, também não é neutra, ela é um inimigo, mas ainda assim em si mesma ela não é um ato de pecado pessoal. O mesmo raciocínio se aplica às nossas inclinações. Elas não são neutras, elas existem por causa do pecado e revelam algo sobre a nossa natureza caída. O que não significa que toda inclinação seja por si mesma a prática de um pecado, ou que toda tentação resistida seja por si mesma a prática de um pecado. As tentações que nós rejeitamos nascem de um coração afetado pela queda, expõe a realidade da nossa natureza pecaminosa, mas quando são resistidas e não recebem o assentimento da vontade, não constituem o cometimento de um pecado. Veja, talvez até sentimentos como tristeza e medo só tenham surgido depois que o pecado entrou no mundo. Antes da queda não havia morte, não havia ameaça, não havia perda. Essas experiências pertencem a um mundo quebrado. Mas alguém peca ao sentir tristeza? Necessariamente não. Alguém comete pecado por sentir medo? Não é de um bandido, sei lá. Não. O fato de algo existir por causa da queda não significa que ela seja em si mesma um pecado. Ora, até mesmo o consumo de carne no relato de Gênesis só surgiu depois da queda. E eu sei que muitos dos críticos dessa posição adoram uma picanhazinha, né? Agora, animais morrem e só morrem porque a queda e o pecado entrou no mundo para que a gente possa se alimentar deles. A gente tem que se arrepender em todo churrasco? É claro que não. Inclusive, fazer carne é uma coisa boa. O próprio Jesus vai servir carnes gordurosas pra gente no último dia. Isso é algo bom que veio do pecado, é o puro saindo do impuro. Eu não diria isso. Meu ponto é que criar essas lógicas para tentar argumentar contra textos bíblicos nunca é o caminho mais seguro para fazer uma boa teologia e uma boa exagese. Muitas coisas que não são pecado surgiram por causa do pecado ter entrado no mundo. Isso é muito simples de entender. Tentações e inclinações que a gente experimenta revelam como a nossa natureza foi afetada pelo pecado. Elas pertencem a um mundo caído, mas não significa que toda tentação automaticamente é um pecado cometido. Tentando contraargumentar, não é? Não usando os textos bíblicos, mas tentando chegar a conclusões absurdas, não é? Derivativas das de possibilidades da cabeça do povo, alguns argumentam que se a gente tá dizendo que o impulso interior não é um pecado, então isso deixaria crianças nas mãos dos pedófilos nas igrejas. Se a inclinação não é pecado, então pedófilos vão correr livre. Não sou um crente aqui, eu não tenho problema nenhum, minha tentação é neutra e tal. Porque de novo assim, primeiro que é uma baixaria, né, um argumento desse e quando você apela a exemplos extremos, não é? Parece muito chocante, né, pr algumas pessoas no primeiro momento, não quero isso não na minha vida, não, né? Mas esse argumento é é fraco por algumas razões. Primeiro, ele ignora algo muito básico. Nós levamos em conta quem as pessoas são ao tomar decisões pastorais e comunitárias. Você leva em conta o histórico delas, as inclinações que elas carregam, os riscos envolvidos. Reconhecer que a tentação não é por si só pecado. Não significa agir com ingenuidade sobre tentações e pecados que podem surgir a partir de determinadas pessoas. alguém que possui uma inclinação violenta e por causa disso lida às vezes com tentações relacionadas à violência doméstica e controla isso muito bem. Ainda assim, talvez casar com essa pessoa seja seja problemático, né? Talvez você não dê sua filha para casar com uma pessoa que tem um histórico de violência, por mais que ela tenha, que as pessoas tenha já se controlado, esteja muito, você tem que acreditar muito que essa pessoa mudou, você não desconsidera quem essa pessoa foi. Ou então pense alguém, para usar o exemplo extremo aqui, que já foi condenado por pedofilia, que então encontrou Jesus na cadeia e agora quer participar da vida da igreja. Ainda que essa pessoa nunca mais sequer seja tentada nessa área, ainda que essa pessoa nunca mais cometa nada desse tipo, dificilmente um pastor com dois palitos de juízo vai colocar essa pessoa sozinha com crianças na igreja. E por que, pastor? Mas a a inclinação não é pecado. Já deve ter percebido como esse é um argumento um pouco infantil, né? Mesmo que ela não esteja mais pecando naquela área, ninguém sabe quantas tentações ainda ela vai enfrentar na vida dela. Ninguém sabe o quanto aquele impulso vai ficar dentro dele. A gente não tem como ver exatamente se Deus tirou aquilo de dentro dele de forma definitiva. Entre a tentação e o pecado existe sempre um caminho possível. Ninguém em san consciência vai colocar outra pessoa em risco diante das possibilidades de uma falha moral tão grave virar violência contra alguém. Ou seja, eu não preciso afirmar que alguém está cometendo pecado no presente para reconhecer que certas limitações são necessárias pra segurança de uma comunidade. Isso vale paraa pedofilia, vale pra violência doméstica, vale para alcoolismo, qualquer outro histórico sério de pecado. Ora, eu mesmo já me vi em situações pastorais assim, eu não fico fazendo publicidade da minha igreja na na internet, falando da minha vida pastoral. Eu gosto da da minha igreja existindo como uma comunidade que tá fora dessas polêmicas aí do da vida comum. Mas vou abrir uma coisa aqui. Uma vez a gente recebeu na nossa igreja uma pessoa que já havia sido condenado, não por pedofilia propriamente dita, mas por algo próximo disso. Não vou dizer aqui nada do crime tal, não sei o quê, mas não era, ele não pegou em nenhuma criança diretamente, mas foram coisas correlatas a isso aí. Juridicamente não se enquadrou em pedofilia lá na coordenação dele, mas assim, na nossa linguagem comum a gente vai dizer que é, tá? E pelo menos foi o tempo que eu usei para me referir a ele para ele. Ele estava profundamente arrependido, afirmava que havia mudado, que aquilo não fazia mais parte da sua vida, que nunca mais ia fazer nada com ninguém. Ótimo. Tomara que Jesus o alcance e o transforme o e o mude e o transforme em outra pessoa. Mesmo assim, a gente deixou coisas muito claras para ele. A gente diz para ele que ele não estaria na igreja sem acompanhamento próximo, de que qualquer aproximação inadequada com crianças seria tratada. Deixa, como é que eu diria isso? Eu acho que eu ameacei ele de coisas que são juridicamente irreproduzíveis aqui na internet, tá? Só para deixar aqui bem estabelecido. Com a autorização dele, inclusive a gente reuniu a comunidade e informou para todo mundo, ó, tem um cabo aqui, foi preso, tá frequentando aqui a igreja, não é membro, tá só vindo aqui, quer encontrar Jesus, a gente não vai fechar a porta do evangelho para ele, não. Mas, ó, é esse cabo aqui, foi condenado por esse crime aqui, cumpriu a pena dele, tá arrependido, mas não vai virar membro da igreja por muito tempo, nunca vai estar sozinho com criança, tá proibido de chegar perto de criança da igreja, a gente recomendou a mulher dele a não ter filho dele. Tem gente aí que diz que, né, todo método contraceptivo é pecado, né? Ter filho de de gente condenada por pedofilia, talvez não seja a melhor ideia que você tenha na sua vida, né? Deu um tempo, ele decidiu procurar outra igreja, talvez uma igreja um pouco menos séria, não é? No no no cuidado com seus próprios membros, mas aí já é um juízo que eu tô fazendo, eu já nem sei. Tem outros presbíteros da igreja que estão responsáveis aí por por informar, né, outro outra igreja na carta de recomendação os cuidados que as outras a outra igreja deve ter, né, quando recebê-los. Ou seja, eu não preciso dizer que esta pessoa, se ela realmente tá arrependida, ela realmente mudou, essa pessoa, ela tem essa potencialidade dentro dela que se ela a sentir, ela vai nessa direção. Eu não tenho como dizer que essa pessoa está pecando 24 horas por dia, porque a sua inclinação é uma inclinação para um pecado e uma maldade terrível e abominável. Eu não tenho que dizer que ela está pecando, mas se ela assentir a isso, se ela der um passo em direção ao que surge dentro dela, isso é uma coisa absolutamente terrível, porque não envolve só um pecado contra si mesmo, né? uma ofensa grave contra outras pessoas e contra pessoas que que Deus ama, né, os pequenos de Deus, né, as crianças. Você não tem que mudar a sua teologia para tentar deixar as coisas mais difíceis pros pedófilos. A teologia cristã já é já é suficiente pra gente saber como proteger o nosso povo. O curioso, e aqui talvez eu tivver um pouco é que muitos dos que fazem esse tipo de crítica estão ligados e relacionados a ambientes de ministros que são conhecidos internacionalmente por terem celebrado o casamento de pedófilo com mulher da igreja. pedófilo condenado só porque ele afirmou tá arrependido. Mesmo o juiz tendo recomendado que eles não tivessem filhos nunca mais, que ele nem casasse. Teve filho e o caba depois confessou que sentia atração pelo próprio filho. Ou seja, mesmo igrejas famosas aí nos Estados Unidos, não tô dizendo quem, não tô dizendo nem aonde é, só tô jogando aqui informação aleatória, porque eu sou uma pessoa muito bem instruída pelos advogados. Existem casos internacionais de igrejas que são completamente relapsas em defender crianças de pedófilo, mas que vão tratar o impulso como pecado, enquanto igrejas que fazem essa distinção, como o caso da minha, por exemplo, tá lá protegendo crianças de qualquer potencial risco. Ou seja, esse tipo de de acusação extrema não representa o que é a realidade, não representa os fatos com relação à vida de igreja de ninguém. E é só uma tentativa de gerar gerar medo e como emocional pela pura falta, não é? De lidar com o texto bíblico de forma correta. Resumindo, reconhecer que uma tentação não é em si mesma pecado não significa tratar o problema com levianidade, significa lidar com a realidade humana, com mais lucidez e com profunda responsabilidade pastoral. Bom, dito isso, que é que você acha? Você acredita que a tentação já é um pecado por si só? Que as identidades, as inclinações que nós temos no nosso interior, contra as quais nós lutamos, por mais que sejam fruto do pecado, elas já são por si só um pecado cometido diante de Deus? Eu não acho que esse é um debate entre crentes e descrentes. Existem realmente cristãos genuínos que pensam diferente de mim. A posição reformada não é mais padrão, não é? É, é. Não é essa a posição reformada. Por mais que hajam alguns teólogos do período da reforma e eruditos modernos ligados ao movimento reformado que defendam essa mesma posição, nas confissões de fé reformada e em outros documentos e autores reformados, você vai encontrar uma posição diferente da minha. Mas no fim das contas, não é? O que importa pra gente é o que diz o texto bíblico. A gente não é nem de longe católicos da reforma, né? A gente ainda acredita em sola escritura. E por mais que a grande tradição cristã nos ajude a lançar luz sobre o texto, no fim das contas é o texto que julga a tradição, não é a tradição que julga o texto. Acreditamos num realismo hermenêutico em que o texto é quem fala a tradição. É o texto quem julga as nossas confissões, é o texto quem julga os nossos autores. São os autores e as confissões que julgam o nosso texto. No fim das contas, é o que é que tá escrito, o que é que diz a palavra. Eu acho que é isso. Tem outras pessoas melhores do que eu que pensam diferente. Existe pessoas melhores do que eu que pensam igual a mim. Não acho que é um debate entre crentes e descrentes. Eu acho que existe um bom caminho aí de discordância, de instrução teológica, de aprendizado mul dentro desses assuntos. É claro que nem todo mundo concorda que esta não é uma batalha entre crentes e discrentes, né? Tem algumas pessoas que chamam essa posição que eu apresentei aqui de heresia, né? Vão ter que chamar muitos grandes teólogos famosos e reconhecidos dentro do meio reformado de herege, né? Mas chama muita atenção que muitas dessas pessoas defendiam essa mesma posição até semana passada. Mas hoje, hoje não, hoje quem pensa, quem divide, né, esse impulso interior do pecado propriamente dito é um herege e aí faz mon de acusação moral contra o indivíduo. Alguém que diz isso tendo seguido essa posição ao longo da vida inteira até ante-ontem e agora já tem uma uma posição completamente diferente, já heréségica em pensa igual ele pensava anteontem, deveria ter esse peso moral sobre si mesmo. Então não. Ora, as minhas pregações até ontem eram recheadas de heresia. O meu ministério pastoral, meu ministério de educação teológica na internet era pura heresia. Por quê? Porque eu era um herege. Eu era um heree. Olha as consequências terríveis das minhas ideias. Vou delatar todos os meus vídeos até ontem. Vou deletar tudo que eu já preguei até ontem, porque tudo isso estava imiscuído de heresia. Infelizmente, as pessoas projetam um peso terrível de ofensa, de xingamento pessoal contra pessoas que creem nas mesmas coisas que eles cream ontem e que teólogos que eles admiram creem hoje. Mas parece que na internet posições teológicas, compreensões sobre as coisas vira um ambiente muito mais de tentar marcar uma posição e tentar se estabelecer como o grande influencer do momento do que tentar de fato avaliar as coisas teologicamente com tranquilidade e tentar entender o que tá sendo dito ali. Eu não vejo problema que ninguém mude de opinião também. Eu tenho essa compreensão. Eu acho que os argumentos são muito sólidos. É possível mudar de opinião sobre alguma coisa no futuro? Com certeza já me dei opinião em temas teológicos da minha vida. Eu até caí num num caí num num erro, cometi um erro nas minhas em um vídeo passado aqui do canal sobre lado A, lado B, lado Y e lado X, onde eu explico sobre questões envolvendo homossexualidade, identidade homossexual e usei a Rosária Butterfield como exemplo. E essa treta inteira pelo menos me ajudou a perceber que eu cometi um erro estava desatualizado sobre a Rosária Butterfield, porque a Rosária mudou de opinião nas batalhas dela contra o lado B, a galera que diz que tudo bem ser um crente gay, coisa que eu não defendo, ela acabou sendo cada vez mais forte, não é, na na crítica dela a essas pessoas que se dizem crente gays e acabou indo para um caminho que parece muito mais o lado X do que o lado Y. E eu absolutamente não sabia disso, tá? Isso aí é uma coisa que eu realmente estava desatualizado. Então cometi um erro no vídeo passado sobre esse assunto. Fica aqui minha correção e eu vou já ter um comentário lá no vídeo passado com a correção disso, mas fica aqui o aviso para vocês. Não tem nenhum problema as pessoas mudarem de opinião, tá? Tem autores que eu fui pesquisar que eu descobri também que mudaram de opinião de um lado pro outro ou do outro pro. Não é, não tem nenhum problema autores mudarem de opinião, mas se você já teve essa opinião, você precisa ter um pouco mais de candura no modo como se lida com a opinião de outras pessoas, né? Bom, é só um conselhinho pastoral aí para você que tá ouvindo todas essas coisas e acaba que e começa a achar que tá dentro de uma de uma guerra, tá? Não vai nessa pilha não de achar que isso aqui é uma grande guerra do bem contra o mal. Ó, meu Deus, os hereges contra os ortodoxos, porque sempre tem gente tentando fazer parecer isso, tá? Eu tenho certeza que você que me segue aqui já, já passou disso, já passou dessa fase já na sua vida há muito tempo. Existem coisas pelas quais brigar, existem assuntos pelos quais chamar o outro de here, que esse aqui claramente não é uma delas, tá? Quem acredita que é, pô, vai ter que chamarse mesmo de muitas vezes. E você concorda comigo ou discorda de migo? Como diz o, como diz o youtuber, mantém o debate funcionando aí embaixo. Deixa aí seus comentários, o que é que você acha disso tudo que a gente se encontra no próximo vídeo aqui no 2D do de teologia. Não deixa de se inscrever no canal e vai aproveitar lá os nossos descontaços no Instituto Chefe de Teologia e Cultura. Um cheiro no seu cangote e até a próxima.