Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

SER TENTADO JÁ É PECADO? | A RESPOSTA

SER TENTADO JÁ É PECADO? | A RESPOSTA

SER TENTADO JÁ É PECADO? | A RESPOSTA

ESTUDE CONOSCO!

– TODOS OS CURSOS (60% off): https://institutoschaeffer.com/cursos/
– ESCOLA DE TEOLOGIA: https://institutoschaeffer.com/edt
– SIMPLIFICANDO O GREGO BÍBLICO: https://institutoschaeffer.com/sgb
– TEOLOGIA DESCOMPLICADA: https://institutoschaeffer.com/td
– ACADEMIA DE MISSIONÁRIOS: https://institutoschaeffer.com/am

Seja membro e mande perguntas para os vídeos: https://www.youtube.com/channel/UCzGwyAyWLB2Si6VDFpq8rjw/join


NOSSAS REDES
– Twitter: https://twitter.com/doisdedosdeteo
– Facebook: https://www.facebook.com/doisdedosdeteologia/
– Instagram: https://www.instagram.com/doisdedosdeteologia/

PROGRAMAS DO CANAL
– DOIS DEDOS DE TEOLOGIA: https://www.youtube.com/playlist?list=PLRPNvughqc8Qkipu-tZcL-LBe516QbiUM
– DE OLHO NO TEXTO: https://www.youtube.com/playlist?list=PLRPNvughqc8SElIzT9AnnbzqSyoP6cUrY
– PERGUNTE AO PASTOR: https://www.youtube.com/playlist?list=PLRPNvughqc8RiYOvgtthDIqG_74kNNBOy
– MUNDO CÓPIA: https://www.youtube.com/playlist?list=PLRPNvughqc8QMOQrmpdZ8PemDcEt99N4p
– PODCAST: https://www.youtube.com/playlist?list=PLRPNvughqc8SdjEdBT40Ij_ZcosEF565H

Legendas automáticas:

Qual é a diferença entre pecado e
tentação? Ser tentado já é pecado por si
só. Como é que a gente lida com divisões
na história da igreja e dentro da
teologia cristã? Nessas relações entre
inclinações, vontades, pecados cometidos
no coração e na mente, pecados
praticados, coração, cobiça. Será que
Mateus e Thiago entram em contradição
quando falam sobre o desejo e o momento
onde o pecado nasce? A nossa natureza
pecaminosa já é um pecado cometido por
si só ou nossos impulsos negativos são
eles moralmente neutros? Jesus foi
tentado, então Jesus teve vontade de
fazer o mal? Bom, são essas e outras
perguntas que a gente vai responder hoje
nesse de olho no texto, o programa de
exegese de teologia bíblica aqui do dois
dedos de teologia. É sua primeira vez
aqui nesse canal. Sou o pastor Iago
Martim, sou pastor Batista, doutorando
em teologia. Tô aí há mais de 10 anos
produzindo conteúdo teológico aqui pro
YouTube. E a gente tem esse canal com
vários formatos diferentes de vídeo. A
gente tem vídeo de exag, a gente tem
react a coisas que estão viralizando
sobre Deus na internet, tem resenha de
filmes e séries de uma perspectiva
cristã. Se você gosta desse tipo de
conteúdo, não deixa de se inscrever no
canal e as notificações para ficar
sabendo sempre que houver vídeo novo. E
o vídeo de hoje chega até você com uma
promoção muito especial no Instituto
Shaifers de Teologia e Cultura. É, você
pode ajudar com a gente. E a gente quis
pr para honrar aí você que vai estar
assistindo esse vídeo, já que eu sei que
muita gente estava esperando por ele,
pediram muito por esse material, a gente
tá aplicando um desconto especial para
todos os nossos cursos, seja para
pegá-los todos de uma vez, tá aí com
cerca de 60% de desconto, seja qualquer
curso individual, você vai ter metade do
preço em todos os nossos cursos. É a
chance, tá? Você pode ter uma introdução
à teologia sistemática do Teologia
Descomplicada. Foi feito para ser seu
primeiro acesso à teologia, aulas curtas
de teologia, onde você pode aprender
sobre toda a teologia sistemática. Aulas
de 5 minutos, 8 minutos, destrenchando
cada assuntinho de forma bem simples,
mas te dando um bom arcabolso, uma
amplitude teológica. Você pode aprender
sobre missões na academia de
missionários, pode aprender grego no
simplificando grego bíblico, ou
participar da nossa Netflix de
minicursos de teologia na escola de
teologia. Em qualquer um desses cursos,
você tem direito a três aulas ao vivo
por semana. Não é nada gravado, não é ao
vivo. Mentoria teológica, mentoria
exagética, mentoria missionária. Ao vivo
toda semana. Então aproveita que é por
tempo limitado. Dito isso, então simbora
pro vídeo de hoje.
O vídeo de hoje nasce de uma polêmica
que vai tá longe de acabar. uma polêmica
que está ligada a questões relacionadas
à homossexualidade dentro dos círculos
teológicos a mais modernos aí nos há
umas duas décadas aí já discutindo isso,
mas é uma polêmica que evoca o período
da reforma protestante, dentre os
debates entre os reformados e os
católicos sobre a natureza humana, as
inclinações pecaminosas e se a tentação
por si só é pecado ou não. Esse debate
acabou ficando muito relevante na igreja
moderna, porque é um debate que vai
falar muito diretamente sobre questões
envolvendo homossexualidade. Você
acompanha esse canal, você já conhece as
nossas posições sobre homossexualidade.
A gente tem um vídeo aqui no canal em
que a gente faz toda uma teologia
bíblica da homossexualidade, onde a
gente explica que a prática da
homossexualidade é um pecado condenado
pela escritura e que nenhum cristão
deveria se entregar à vida, à prática
homossexual. A gente tem um segundo
vídeo aqui nesse canal, onde a gente
apresenta quatro posições sobre
identidade e sexualidade, onde a gente
argumenta que nós não deveríamos nos
identificar com a atração homossexual.
Não deveria ninguém se descrever crente
gay. Eu sou um crente gay. Essa não é
uma terminologia apropriada para que um
cristão se descreva. A gente pode usar
essa linguagem de forma corrente em uma
comunicação rápida, onde a gente não tem
como explicar muito. Às vezes a gente
tem um interlocutor que vai usar essa
linguagem. A gente pode assentir essa
linguagem às vezes brevemente para
estabelecer ali um argumento, mas nenhum
cristão deveria usar essa terminologia
para si. Uma vez que seria se
identificar com o pecado. Esses dois
vídeos estão aqui nesse canal. Você pode
ir lá assisti-los depois desse vídeo. No
vídeo de hoje, a gente quer lidar com
uma outra subdivisão desse problema, que
é a seguinte: se um cristão tem
tentações na área da sexualidade e essas
tentações lhe movem, não é, em direção a
querer pessoas do mesmo sexo, esse
sentimento por si só, esse impulso por
si só, já é um pecado? O pecado existe
apenas quando ele deita com a pessoa do
mesmo sexo? Ou existe a chance desse
pecado de existir no próprio coração
dela, na própria mente dela? ou a
própria inclinação antes mesmo dessa
pessoa desejar alguém em particular ou
imaginar alguém em particular. Essa
própria inclinação contrária à natureza
por si só, é um pecado a ser
arrependido? Esse é um debate que ficou
cada vez mais aquecido nas redes
sociais. Existem cristãos genuínos em
ambos os lados do debate, por mais que
alguns radicais tentem acusar o outro de
heresia ou que seja. Dentro da teologia
bíblica hoje existem eruditos das mais
diversas tradições com as mais diversas
exposições sobre isso. No vídeo de hoje
a gente quer primeiro olhar pro livro de
Thago e entender como Thiago estabelece
essa relação entre tentação e pecado.
Olhar para Mateus 5 e tentar perceber se
existe uma contradição entre Mateus 5 e
Thago. Claro que não existe nenhuma
contradição porque a Bíblia não tem
contradições, mas há um aparente
paradoxo ali, pelo menos para muitas
pessoas existe. Então do que é que
Mateus tá falando quando fala de cobiçar
alguém no coração? Do que é que Thiago
tá falando quando diz que o pecado nasce
apenas quando você assente a tentação? E
por fim, a gente vai olhar para outros
textos bíblicos, não é, que dão suporte,
não é, pra argumentação que eu quero
trazer aqui para vocês. Elencado aí o
fluxo do nosso argumento, vamos começar
olhando pro texto de Thiago.
O livro de Thiago é uma das cartas mais
diretas, mais práticas do Novo
Testamento, provavelmente escrito pros
cristãos que foram separados ali depois
de Atos 8:1, quando a perseguição fez
com que a igreja separasse ali pela Ásia
Menor. É uma literatura bastante
sapiencial, traz sabedoria, firmeza
moral, muita sensibilidade pastoral e é
um livro assim com pouquíssima
abstração, assim, é um material que tem
como objetivo mostrar como a fé
verdadeira se mantém, manifesta na vida
concreta. É dominar a língua, é
perseverar em meio a sofrimento, é
tratar bem os pobres, é resistir à
tentação, é não apenas ouvir, mas
praticar a palavra. Thiago é meio que o
livro de Provérbios do Novo Tchamento.
No capítulo um, Thiago começa falando
sobre provações. A palavra provação aqui
no grego é peirasmoso. Ele vai falar que
é um motivo de alegria passar por essas
provações. Provações que quando a gente
suporta elas, a gente recebe
perseverança da parte de Deus e se torna
cada vez mais íntegro, cada vez mais
maduro no evangelho. Agora, a palavra
que ele usa aqui para aprovação é uma
palavra um tanto um tanto ampla no novo
tachamento. É uma palavra que pode
significar experimento, tentativa,
teste, prova. é uma palavra que é usada
tanto para provação nas traduções que a
gente tem em português como para
tentação. A palavra provação aqui no
grego é peirasmós, não é? Tem a ideia de
um teste de caráter, o que de alguma
forma abarca tanto tentação quanto
provação. A provação é um sofrimento que
testa o nosso caráter. A tentação é algo
que testa, não é, a nossa fé interna. A
fé, no caso, é o objeto de provação, né,
diante da tentação, justamente porque a
fé tá sendo testada. Aqui no começo do
capítulo, Thiago tá falando de peirasmos
como provação, mas então ele passa a
falar de peirasmos como um tipo de
tentação. Ele lida com as nossas
provações externas, o sofrimento e a
dor. O que, claro, também pode acabar
virando tentações, não é? A provação
externa pode virar uma tentação interna.
Por isso que no verso 12 a gente tem
aqui provação e tentação. Vou ler na
Nova Almeida Atualizada, onde diz: "Bema
é aquele que suporta com perseverança a
provação, porque depois de ter sido
aprovado, receberá a coroa da vida, a
qual o Senhor prometeu aos que o amam."
Existe um debate teológico grande aqui.
Se essa, se esse perirasmos aqui do
verso 12 é ainda sofrimento, né?
Tentação externa ou tentação interna,
que bem-aventurado aquele que suporta a
tentação ou suporta a provação. A
maioria dos teólogos vai argumentar que
aqui seria ainda provação, não seria
exatamente tentação. Por isso que a na
traduz o verso 12 como provação. Mas aí
Thiago vai usar a mesma palavra para
estabelecer um novo assunto. E Thiago
faz isso de vez em quando, tá? Ao longo
da estrutura de Tho, você vai encontrar
várias vezes ele usando a mesma palavra
e dobrando essa palavra para um outro
assunto ali na sua estrutura. poética.
No verso 13, então ele vai dizer ninguém
ao ser, ele vai dizer também perirasmos,
que a gente tem periromos, que aí tá no
presente passivo, participo singular,
nominativo masculino, tentado. Ninguém
ao ser tentado diga: "Sou tentado por
Deus". Porque Deus não pode ser tentado
pelo mal e ele mesmo ninguém tenta
Thiago tá defendendo Deus da acusação de
que ele tenta e de que ele pode ser
tentado. Deus não tenta ninguém. Deus
não é tentado por nada. Ao contrário,
ele vai dizer no verso 14 e aí a gente
entra no texto que pra gente aqui é o
importante pro argumento. Ao contrário,
cada um é tentado pela sua própria, na
minha tradução diz cobiça, literalmente
no grego é pitomia, é uma palavra para
desejo, quando esta o atrai e seduz.
Então por que é que Deus não é tentado?
Porque Deus não possui esta cobiça, esse
desejo. Porque é que nós não somos
tentados por Deus? Porque nós somos
tentados, na verdade, pela nossa própria
cobiça, mas não em qualquer momento. É
quando esta cobiça atrai e seduz. Então
este desejo, o termo aqui paraa cobiça,
existe em todos nós. É o que nos leva ao
pecado. Quando é que a cobiça vira então
tentação? É quando esta cobiça atrai e
seduz. Então eu só tenho tentação quando
eu sou atraído e seduzido por essa
cobiça. Aqui a gente tem que parar um
pouco para olhar para cada uma dessas
palavras para entender exatamente o que
é que o texto tá dizendo, porque a
tradução aqui pode ser um pouco difícil.
A palavra aqui traduzida por cobiça na
na é uma palavra interessante, porque
essa tradução cobiça já é uma tradução
interpretativa. Literalmente epitomia é
desejo, é um termo que é neutro. Não é
necessariamente um desejo bom, nem um
desejo mau, é só desejo. Quem vai
explicar esse termo, não é, de forma
muito bonita é o Craig Bloomberg, quando
ele no seu comentário de Thiago até
trouxe a citação aqui, vai descrever,
não é, essa palavra e vai dizer que o
desejo não se equipara necessariamente a
luxúria, embora essa seja uma tradução
comum para essa palavra. Em vez disso,
refere-se aqui a qualquer anseio intenso
para um objeto impróprio, isto é,
qualquer coisa que se imponha no nosso
propósito de buscar a Deus. As tentações
são feitas sob medida para cada
indivíduo e por isso nós, como crentes,
nunca devemos menosprezar uma pessoa por
lutar com algo que consideramos trivial.
Em vez disso, devemos perceber que cada
um de nós tem batalhas específicas
sutilmente elaboradas para nós e
precisamos dar graça e exortação uns aos
outros para permanecermos firmes em
tempos de prova. Por outro lado, devemos
sempre fugir da tentação,
independentemente de quão pequena ela
possa aparecer para nós. Esses anseios
interiores de Thiago trabalham
diligentemente para nos afastar do nosso
Senhor. O Lexo do Lowida, por exemplo,
vai definir o verbo como desejar, fazer
ou ter algo, ansiar por alguma coisa ou
desejar muito alguma coisa. O Bidag, que
junto com o Nouida faz que a a dia, né,
dos melhores léxicos de grego que nós
temos, ele vai apontar que Platão, que
Tucidides e que Heródoto utilizam o
termo de uma forma neutra. é um termo
que é usado em outros momentos do novo
tachamento para falar de coisas tanto
negativas quanto positivas. Em alguns
contextos até neutros. Na Septoaginta,
por exemplo, quando traduz Gênesis 31:30
é a palavra usada para falar do desejo
que Jacó tinha pela casa do seu pai. Em
Lucas 22 descreve o desejo de Jesus de
comer a Páscoa com os discípulos antes
da sua morte. É usado em Gálatas 5:17
para falar do desejo pelas coisas da
carne. É usado em Tito 21 para falar das
paixões mundanas, os desejos mundanos.
Em Efésios 4:22, Paulo usa esse termo
para falar dos desejos que são
enganosos. Ou seja, a palavra grega aqui
que é traduzida por cobiça é
literalmente desejo. Quando a na traduz
por cobiça, ela já tá interpretando pelo
contexto que aqui o desejo é negativo. E
claro, se é um desejo que irá para o
pecado, claramente é um desejo negativo.
Mas quando a gente traduz por cobiça,
talvez a gente perca um ponto do termo
grego aqui, porque ele vai dizer que
cada um é tentado pelo seu próprio
desejo, quando este desejo o atrai e o
seduz. Parece, algumas pessoas olham
para esse texto traduzido como cobiça em
os lugares como desejo. Alguns traduzem
até como luxúria, eu acho. É que isso
gera um engano na leitura das pessoas,
achando que isso aqui é necessariamente
uma descrição de uma cobiça sexual, de
um desejo sexual por alguém. Como se a
ideia da gente ser atraído pelo desejo
significa que o pecado nasce desse desse
olhar com com vontade de posse. Não, não
é isso que o texto diz, porque não é
isso que a palavra grega aqui significa.
O Freeman Slipper, por exemplo, no
Ebbigdon New Testamentary, vai dizer que
a fonte da tentação é o nosso próprio
desejo. Esse desejo não significa
necessariamente desejo sexual ou
luxúria, embora Thiago desenvolva uma
imagem vívida do desejo que seduz uma
pessoa, atraída e seduzida, que então
engravida e dá luz ao pecado. O pecado
então cresce até a maturidade e dá luz à
morte. Ou seja, a ideia de desejo aqui
parece muito mais uma referência, um
tipo de metonímia a isso que provém da
nossa natureza pecaminosa, esses desejos
negativos que quando nos atraem geram
tentação. Epitomia fala desse desejo, um
desejo que tem direção e evolição. É uma
direção porque inclina a pessoa a alguma
coisa, seja boa ou ruim, e tem evolição
porque você vai lidar com esse desejo
por meio da vontade, seja aceitando ou
resistindo a essa vontade. Epitomia é a
vontade, é é a fome. Quando é que o
desejo vira tentação? Porque perceba,
ele tá falando aqui no grego de como é
que a tentação surge, como é que nós
somos tentados. Ele vai dizer que nós
somos tentados. Quando onde é que nasce
a tentação, eu tenho aqui um caminho
entre desejo e tentação. Então tem esses
dois lados aqui. Desejo desse lado,
tentação desse lado. E eu tenho atração
e sedução. Então quando é que eu sou
tentado? A gente não tá falando nem de
pecado ainda, definido pecado ainda. Ou
se se é pecado, se não é. O que é que o
texto tá dizendo? Quando é que eu sou
tentado? Eu sou tentado quando o meu
desejo me atrai e seduz. Tem como esse
desejo ser positivo no contexto? Não.
Porque um desejo positivo, se o desejo
positivo me atrai, o desejo positivo me
seduz, é até uma linguagem inapropriada,
eu faria coisas boas, não pecaria. A
partir do momento que ele tá falando de
um desejo que me leva ao pecado, é um
desejo negativo. Por isso a traduz por
cobiça, mas eu acho que manter desejo
ajuda a gente, já que o termo grego é
esse, a a perceber o fluxo do argumento
aqui de de Thiago Melhor, eu tenho a
minha identidade, eu tenho o meu
indivíduo, pessoa a Joãozinho. Joãozinho
é tentado quando é quando o desejo de
Joãozinho atrai e seduz Joãozinho. Aí
Joãozinho é tentado. Joãozinho fez
alguma coisa até agora? Nada. Joãozinho
exerceu vontade ainda sobre isso. Nada.
A gente percebe aqui a tentação como
algo num primeiro momento passivo. Você
recebe tentação. Tanto atrai, tá no
passivo, quanto seduz, está no passivo.
Então você não é um agente da tentação
diretamente, não de forma natural. A não
ser que eu vá atrás da tentação, ó, vou
atrás da tentação aqui, sei lá. Mas
normalmente tentação nasce de forma
espontânea. Eu sou atraído e seduzido
por um desejo que eu já possuo dentro de
mim. Aí nasce a tentação. Logo aqui a
gente tem uma divisão já entre duas
coisas, entre desejo e tentação. Desejo
aqui, lembre, é negativo, não é um
desejo positivo. Desejo aqui são desejos
que me levariam ao pecado. A simples
existência de desejos que levariam ao
pecado ainda não é uma tentação. Você
pode, por exemplo, ser uma pessoa que
tem impulsos pro alcoolismo, por
exemplo. Você é um ex-alcólatra, né?
você era um alcólatra, passava o dia no
bar enchendo a cara de cachaça, acordava
de madrugada na sarjeta com cachorro
lambê na tua boca e você largou.
Encontrou Jesus. Encontrei Jesus. E você
sabe que há dentro de você esse desejo.
Você sabe que há dentro de você essa
vontade. Você pode não estar desejando
álcool o dia inteiro. Você pode não
estar pensando em álcool o dia inteiro.
Você pode não estar o tempo todo sendo
sendo constrangido por essa vontade, mas
você sabe que este esse desejo está aí.
Se você pudesse, ô rapaz, se Jesus
deixasse, se você vacilar, você vai
sentir esse desejo. Você tá sendo
tentado simplesmente por ser um
exalcólatra? Não, você está sendo
tentado simplesmente porque você sabe
que teria uma queda no alcoolismo se
você aceitasse a primeira dose no bar.
Você não tá sendo tentado por isso.
Existe um desejo. Este desejo ainda não
é tentação. Quando é que esse desejo se
torna tentação? Quando este desejo te
seduzir e te atrair. O que é que
significa sedução e atração aqui no
texto? Se é isso que faz nascer a
tentação, então é importante que a gente
entenda o que o que é cada uma das
coisas. Vamos olhar primeiro para a
sedução aqui do grego Deleaso Lunida vai
descrever como atrair ou estimular
alguém a pecar, desviar do caminho
certo. Também pode ser traduzido como
fazer com que pecar pareça algo
atraente, fazer com que o pecado fique
com gosto bom ou colocar pecado bem na
frente do nariz da pessoa. O Bidag vai
usar a linguagem de pesca e vai dizer
que é atrair usando uma isca. É o termo
que aparece, por exemplo, em segunda
Pedro 2, tanto nos versos 14 quanto 18.
Dos dois usos que Pedro faz de Deleazo,
a sedução é algo enganoso. É a atitude
que Pedro usa, por exemplo, para
descrever os falsos mestres. O engano
dos falsos mestres não é simplesmente
uma mentira, é é uma mentira desejável,
dá dá vontade de seguir. É como um
pescador que joga a isca pro peixe
pensar que é um alimento, mas quando ele
come ele é arrastado. Assim são falsos
mestres. É isso que o mau desejo faz com
a gente para nos levar à tentação. Aqui
no contexto, sedução é basicamente
sedução para algo pecaminoso. É uma
palavra que geralmente não tem usos tão
positivos não na literatura. A segunda
palavra é atraelco, uma palavra que só
ocorre uma vez em todo o novo
tachamento, só aqui. Segundo lowida
significa provocar uma mudança de
convicção que não corresponda mais
diretamente com a convicção da pessoa ou
o fator que provoca a mudança. Cumprido,
né? O Bidag é um pouquinho mais direto.
Ele vai dizer que é arrastar com
conotação de relutância. Perceba aqui
então que atração e sedução são
características da tentação. Mas e o
pecado? Onde é que surge o pecado? O
texto fala de um desejo. Fala desse
desejo se tornando uma tentação por meio
de uma atração e de uma sedução deste
desejo que é a tentação. Ou seja, dentro
do argumento maior de Thiago, porque é
que nós não podemos dizer que somos
tentados por Deus, que é Deus que tá
tentando a gente? Porque Deus não tem
este desejo negativo que o atrai e o
seduz. Então, Deus não é tentado. E o
que nos tenta não é Deus, é o nosso
próprio desejo mal. Desejo mal que
quando nos atrai e nos seduz, chamamos
de tentação. E o que acontece depois
disso? Tem aqui um então, é um eita,
eita no grego. Adoro o eita. A gente tem
aqui um então, um termo que pode ser
traduzido por próximo, por depois disso.
Ele diz então o desejo depois de ter
concebido é justamente a linguagem aqui
para ficar grávido, dá a luz. É a
linguagem mesmo de parto ao pecado. O
eita é um advérbio que leida vai
traduzir como um ponto temporal que
segue outro ponto temporal. Ou seja, há
dois pontos temporais separados aqui.
São duas ideias separadas de forma
sequencial em uma sucessão. O Douglas M,
por exemplo, talvez um dos maiores
teólogos do novo tachamento que a gente
tem hoje no mundo, diz o seguinte: que o
desejo em si não é pecado. É somente
quando uma pessoa, por um ato da vontade
concede a sua sedução que o pecado
resulta. Thiago descreveidamente
esta sequência com uma imagem extraída
do parto e da maturação. O desejo
retratado como a mãe que dá a luz o
pecado do seu filho. E este filho, se
lhe for permitido amadurecer
completamente, por sua vez, dá luz à
morte. é ninguém menos que o Douglas M
tá no comentário Tale do novo
tachamento. Não orei a seca hack nem eu
não. De forma muito semelhante, o famoso
erudito americano Ben Warington,
no seu comentário de Thiago, ele vai
dizer que o desejo em si não é pecado,
mas se for mal direcionado, o pecado não
é só concebível como também concebido. O
Blomberg e a Camille no comentário
exagético da Zondan vai dizer o
seguinte, que o então, uma palavra
relativamente rara no Novo Testamento,
denota consistentemente sequência,
mostrando que aqui aprendemos sobre o
próximo passo. À medida que as tentações
dentro de nós começam a nos arrastar
para longe, tendo sido seduzidos por
nosso desejo interior, o anseio leva à
ação pecaminosa. Então, como é que o
pecado nasce? De onde é que vem o
pecado? É que ele vai usar a linguagem
de nascer, né? que a linguagem é
realmente uma linguagem de uma uma
concepção e um parto. Então ele tá
literalmente falando do início de alguma
coisa. Onde é que nasce? Qual é o início
do pecado? É quando este desejo, este
desejo, ele concebe. Como é que desejo
concebe? Por meio da sedução e da
atração. Então isso é muito interessante
porque quando ele usa essa linguagem de
sedução e atração, então vai falar de
uma de um concebimento, não é de um dar
luz, ele tá falando de uma intimidade. É
como se o indivíduo tivesse tido
relações, né? foi seduzido pelo seu
desejo. O indivíduo foi seduzido pelo
seu desejo. Então ele assentiu
profundamente a esse desejo. Esse desejo
engravida e o parto nasce o quê? Nasce o
pecado. É uma ilustração muito poderosa.
Olha que coisa. Lendo Tiago 1, Thiago 1
vai dizer pra gente que a tentação em si
não é pecado. O que é que Thiago vai
dizer que é pecado? É quando a tentação
que provém do mau desejo é acatada.
Então eu eu me entrego a essa tentação e
então quando eu me entrego à tentação, o
pecado nasce. É apenas quando o desejo
concebe que há o pecado. É apenas quando
a tentação concebe que há o pecado. O
termo aqui haver concebido significa
lonaida, pegar e levar consigo. É
literalmente a ideia de receber o semen,
de levar consigo um filho. O termo da
luz, né, ticto, é literalmente a ideia
de ter o filho. Essa imagem sexual, não
é? É a personificação aqui do processo
do pecado. É como provérbios, não é? Que
personifica a mulher imoral em oposição
à sabedoria. Aqui o mau desejo é
apresentado da mesma forma. Esse mau
desejo atrai e seduz. O que que é o
pecado? é o filho do mau desejo. O
pecado surge então quando esse mau
desejo engravida. Quando é que esse mau
desejo engravida? Quando eu assinto,
quando eu correspondo à sedução e a
tentação desse mau desejo, fazendo sexo
com a cobiça, né? Fazendo sexo com esse
mau desejo, me entregando esse mau
desejo, que vai engravidar e dar luz
aquilo que é pecaminoso. Dentro da
estrutura argumentativa de Thiago aqui,
então, ser tentado é pecado. No
argumento de Thiago não. No argumento de
Thiago: "Ser tentado me leva ao pecado,
mas ser tentado não é o pecado." Por
quê? Porque o pecado só nasce quando eu
assinto a essa tentação. Para Thago,
possuir o desejo, a vontade de forma
geral, uma vontade obviamente que não
está sendo manifesta, não é entregue a
ninguém por meio da cobiça no meu
coração, por meio de desejar diretamente
alguém no meu coração, por meio de
maquinar internamente o mal. Não é esse
desejo, porque isso já seria o conceito
de pecado no coração. A gente vai entrar
nisso já já. Mas uma uma vontade geral
que existe dentro de si. essa vontade
que nos levaria à tentação e que se eu
sentia a tentação me levaria ao pecado,
ela é por si só pecado? Dentro do
argumento de Thiago 1, não existe uma
divisão muito clara entre o que é pecado
e o que não é. Até porque o termo que é
usado aqui, então no verso 15, veja só,
Lida vai estabelecer como um ponto que
segue um outro ponto, então depois seria
traduzido como depois disso. Então veja
só, cada um é tentado pelo seu próprio
desejo quando o este o atrai e o seduz.
Depois disso, o desejo, depois de ter
sido concebido, dá luz ao pecado e o
pecado, uma vez consumado, gera morte.
Existe então, que para mim parece uma
construção muito clara dentro da
estrutura argumentativa de Thiago, de
que o desejo ele ainda não é pecado, a
tentação ela ainda não é pecado, mas
corresponder à tentação é o pecado. Não
me parece ter forma mais coerente de ler
esse texto. É claro que seria muito bobo
transformar isso numa grande competição
de citações, né? Quem tem mais
reformadores e teólogos de renome do seu
lado? Você tem grandes teólogos de
renome defendendo as duas posições aqui.
Mas vale a pena citar um reformador como
Martinho Lutero, que na sua explicação
sobre a oração do Senhor disse o
seguinte: que assim você vê que ninguém
pode evitar a tentação, mas é possível
resistir e com oração e recurso ao
auxílio divino podemos nos preparar para
enfrentar tais investidas. No livro de
um antigo pai, lemos que um jovem irmão
expressou o desejo de se livrar de seus
pensamentos. Então o velho pai disse:
"Querido irmão, você não pode impedir
que os pássaros voem sobre a sua cabeça,
mas pode impedir que façam ninho em seu
cabelo. Assim como diz Santo Agostinho,
não podemos evitar ofensas e tentações,
mas pela oração e pela invocação da
ajuda de Deus, podemos impedir que elas
nos vençam." Aqui o principal
reformador, não é, que é Martinho
Lutero, vai falar sobre essa divisão
entre pecado e tentação, mostrando que a
tentação ela é praticamente inevitável.
Mas nós podemos impedir que os
pensamentos de tentação façam morada em
nós e assim nos livrarmos do pecado.
Para citar um outro autor que eu gosto
muito, a gente tem o Franc Shefer, foi
talvez um dos principais herdeiros
intelectuais do neocalvinismo. Foi
filósofo e pastor presbiteriano. Ele
mesmo escreveu no verdadeira
espiritualidade. A Bíblia faz uma
distinção clara entre a tentação e o
pecado. Um pouco mais à frente ele
repete: "Existe uma diferença entre a
tentação e o pecado. E a Bíblia diz que
só porque somos tentados não significa
que devamos prosseguir com aquela
tentação e cair no pecado. ou para citar
um brasileiro muito conhecido, o próprio
Hernandes Dias Lopes, talvez o pastor
preseriano mais famoso do Brasil, no seu
comentário expositivo de Thiago vai
dizer: "Não é pecado ser tentado, mas
sim ceder a tentação". Esta é a única
forma de ler esse texto. Eu não vou
dizer isso. Existem teólogos corretos,
eruditos, crentes que pensam diferente?
Com certeza. Mas eu acho que é bastante
convincente na leitura que a gente faz
aqui do texto de que existe uma divisão
em Thaago entre desejo, tentação,
pecado. E dá para existir uma outra
divisão, se a gente quiser levar a coisa
aqui ao nível um pouco mais estrito, de
consumação do pecado. Porque quando ele
diz, "E o pecado, uma vez consumado,
gera morte?" Possivelmente pode ser uma
divisão entre um pecado que nasce ainda
como um ato interno, um cobiçar no
coração, por exemplo, um maquinar o mal
na mente, por exemplo, e então a prática
dessa maquinação que geraria a morte.
Ainda que não necessariamente seja a
divisão que Thiago tá fazendo aqui. É
uma divisão sistemática que a gente pode
entender dentro do processo que a gente
tem lido nas escrituras, em vários
outros textos sobre pecado e tentação. A
gente tem, por um lado, a nossa natureza
pecaminosa, porque todos nós fomos
concebidos em pecado, nascemos em
pecado, somos culpados do pecado de Adão
por meio da representação federal e
seminal de Adão. Ou seja, ele nos
representava formalmente diante de Deus
como nosso líder, como primeiro ser
humano. E nos representa também por ser
o nosso primeiro homem, não é? Todos nós
somos descendência dele. Isso é o
sentido de seminal. Todos somos
culpados, não é do pecado de Adão. E é
da nossa natureza pecaminosa que nasce o
desejo mal, o mau desejo, que é o termo
que o Thiago vai usar aqui. Então eu
tenho natureza pecaminosa. Então eu
tenho os desejos corrompidos pelo
pecado, eu tenho a tentação, eu tenho o
pecado cometido no coração e eu tenho o
pecado consumado. Dentro dessa
estrutura, onde é que tá o pecado de
fato? Novamente, segundo Thiago, não é
no desejo, não é na tentação, é no
assentimento à tentação. Essa posição é
seguida pelo Agostin de Ipona, famoso
patrístico, né, quando ele afirma que a
luxúria não dá a luz a menos que conceba
e não concebe a menos que seduza e
receba consentimento voluntário para
cometer o mal. Portanto, nossa batalha
contra a luxúria consiste em impedi-la
de conceber e dar luz ao pecado. De
forma muito semelhante, o monge cristão
venerável Beda, que viveu ali entre o
século VI e século VI, cerca de 1000
anos antes do John O elaborar tratado
sobre o pecado, ele postulou o seguinte:
"Existem três estágios na tentação. O
primeiro é a sugestão, o segundo é o
deleite e o terceiro é o consentimento.
Se resistirmos às sugestões do diabo,
então teremos vitória sobre a tentação e
mereceremos herdar a coroa da vida. Mas
se permitirmos que as sugestões do
inimigo gradualmente tomem conta de nós,
então descobriremos que somos afastados
do caminho certo, começamos a ceder ao
pecado. No entanto, se não avançarmos
além dos eleitos iniciais, podemos ter
ofendido a Deus, mas ainda não caímos em
pecado mortal. Contudo, se continuarmos
no caminho da depravação e começarmos a
abraçar o mal, dando-lhe nosso pleno
consentimento, então somos merecedores
da morte e o inimigo triunfou sobre nós.
Uma citação muito bonita, Beda já falava
aqui em termos de sugestões que provindo
do diabo não são em si pecado, mas que
devem ser resistidas. Ou seja,
considerando aqui o início do nosso
argumento, não é? Todos nós possuímos
uma natureza, uma inclinação, não é?
para o pecado. Esse desejo quando nos
atrai a gente vai até o caminho da
tentação e então a gente cedendo essa
tentação a gente cai em pecado. Tudo
isso eu acho que é muito claro na
leitura aqui do texto. Mas como é que a
gente faz aplicações disso para essa
questão da sexualidade, dos impulsos
interiores? Vamos sair um pouco da
exegese propriamente dita do texto e
vamos tentar trazer algumas aplicações
um pouco claras a ao debate que a gente
tá levantando aqui. O desejo que nos
atrai e nos seduz é um desejo neutro.
Bom, a palavra grega que a gente colocou
aqui, ela pode ser tanto positiva quanto
negativa. Mas dentro do contexto da luta
contra o pecado, o desejo que é
alimentado para o pecado, ele por si só
é uma coisa ruim. Existe um aspecto
negativo aqui no desejo. Ou seja, nenhum
cristão deveria olhar para as
inclinações de vontade homoafetivas como
algo neutro, como muitas pessoas, por
exemplo, que tentam dizer que tudo bem
ser um crente gay e que se descrevem
como cristãos homossexuais. Muitas vezes
tento argumentar. Em Thago, o próprio
desejo que é alimentado antes da
tentação mesmo existir. Ele é por si só
algo negativo. Não é algo neutro, como
alguns cristãos tentam argumentar que
você deveria sair do armário e tal. Não,
não é, não é neutro. É algo que provém
diretamente de nossa natureza
pecaminosa. O que é que a tentação faz?
A tentação ela lança luz a nossa
natureza pecaminosa. Quando somos
tentados em uma área, isso revela algo
da nossa identidade, da nossa natureza.
Nós somos culpados diante de Deus, da
nossa natureza pecaminosa? Somos. E o
arrependimento, no fim das contas, o
arrependimento, aquele inicial que nós
nos aproximamos de Deus, é um
arrependimento geral por toda a nossa
integridade de pecado e por toda a nossa
queda. Somos servos do pecado e isso
deturpou quem nós somos. As inclinações
homoafetivas são tratadas nos livros de
Romanos como vontades contrárias à
natureza. Então, são desejos negativos.
Esses desejos negativos, esse desejo que
provém de uma natureza pecaminosa, não é
por si só a tentação e nem é por si só o
pecado, por mais que nasça da natureza
pecaminosa. E eu acho que é esse detalhe
que tem sido perdido de vista na maioria
dos debates de internet que não
conseguem complexificar as coisas. A
antropologia bíblica é um pouco mais
complexa do que, sabe, vídeos
sensacionalistas de internet tenta fazer
parecer. As doenças, por exemplo, nascem
do pecado. Só existe doença porque o
pecado entrou no mundo. Mas adoecer não
é pecado. Os neopentecostais muitas
vezes não entendem isso, né? Acho que se
entrou doença no mundo por causa do
pecado, então se adoece se tiver em
pecado. Isso não é verdade. Da mesma
forma, as tentações existem porque temos
uma natureza pecaminosa, porque o pecado
entrou no mundo. As nossas inclinações
negativas existem porque o pecado entrou
no mundo. Mas eu não preciso estar sendo
tentado porque eu tenho uma inclinação
negativa. Um cristão que tem tendência
ao alcoolismo, ele não tá maquinando o
mal na sua mente simplesmente porque ele
tem essa inclinação interior. Um cristão
que tem tentações na área da sexualidade
em direção a pessoas do mesmo sexo, ele
não tá cobiçando pessoas no seu coração
o tempo inteiro, porque ele tem essa
inclinação. Quando ele cobiça alguém,
ele peca. Ele peca no seu coração.
Quando ele deseja alguém do mesmo sexo,
ele peca. Ele peca no seu coração, ele
peca na sua mente. Mas ele por si só,
como um indivíduo viver na sua vida
comum, ele não tá secando jeito no meio
da rua, doido, sabe? Ou seja, o ponto
central aqui é distinguir inclinação,
atração e cobiça. Pensa, por exemplo,
num homem heterossexual, certo? Que tem
uma inclinação natural para mulheres.
Isso por si só. Não é pecado, é até uma
inclinação natural de acordo com a ordem
criacional de Deus. A inclinação é
simplesmente a direção geral do desejo
sexual. O problema começa quando essa
inclinação se transforma em cobiça,
quando a pessoa consente interiormente
com desejo e passa a desejar sexualmente
alguém que não é seu cônjuge. Por isso,
um cristão heterossexual que é solteiro
vive em grande medida, contendo sua
atração sexual. Ele pode sentir a
atração por mulheres, mas ele não pode
transformar essa atração em desejo
sexual deliberado por qualquer mulher
que apareça. Toda vontade sexual
direcionada a alguém que não é a sua
esposa seria pecado. Até mesmo o namoro
cristão, mesmo namorando. A pessoa pode
amar, admirar, desejar o casamento, mas
precisa refrear o desejo. Isso ajuda a
entender o lugar de um cristão que sente
atração por pessoas do mesmo sexo. A
situação estruturalmente se parece com a
de um cristão heterossexual solteiro. A
presença de uma inclinação geral não é o
pecado em si. O chamado cristão é viver
sem transformar essa atração em cobiça
ou em prática sexual. A diferença, é
claro, é que uma vez que a atração
homossexual, de acordo com a nossa visão
cristã, é uma inclinação contrária à
natureza, existe uma diferença do modo
como a vida vai se expressar ao longo ao
longo dos anos, ao longo do
desenvolvimento da própria existência.
Um cristão heterossexual pode, em
princípio, ordenar seu desejo dentro do
casamento. Quem experimenta atração pelo
mesmo sexo não possui essa possibilidade
dentro da ética sexual cristã. Ainda
assim, o princípio prático da vida comum
continua o mesmo. Um cristão que luta
contra tentações homossexuais, um
cristão totalmente heterossexual, que é
solteiro, vão viver exatamente do mesmo
jeito, com exceção da busca pelo
casamento. Vão viver contendo seus
impulsos, rejeitando toda a tentação
para poder glorificar a Deus com a vida
santa. Se a gente não fizer nenhuma
distinção entre inclinação e cobiça, a
gente chega numa ideia extremamente
absurda. Todo cristão solteiro vive
constantemente em pecado simplesmente
por possuir uma inclinação sexual
qualquer. Isso é completamente absurdo.
Se todo, se toda inclinação é uma
cobiça, é um pecado, é um pecado
praticado no coração, todo cristão
solteiro está vivendo em pecado
praticado no coração, porque ele não é
casado. Isso é uma coisa completamente
absurda. A ética bíblica parece ensinar
pra gente uma coisa diferente. A
inclinação existe. Temos variadas
inclinações a caminhos possíveis de
pecado. O pecado acontece quando a
vontade abraça o desejo e o transforma
em cobiça. E é nesse ponto que a luta
moral se torna realmente intensa. A
gente não pode tratar essa inclinação
como se já fosse um pecado cometido.
Seria uma vida absurda. Absurda para
todo mundo. Absurda para qualquer
crente. Se toda inclinação fosse um
pecado, no fim das contas, não é? Meu
Deus, que que vida louca é essa que a
gente ia ter que viver? lutando
arduamente, não mais contra tentações,
mas contra impulsos que muitas vezes não
estão nem manifestos, que estão
contidos. Tá contido, a gente tá orando
a Deus pindo perdão por ele do mesmo
jeito. Não parece ser o modo como a
escritura estabelece nossa vida com
Deus, não. Uma coisa interessante aqui
no texto é que ele vai dizer: "Cada um é
tentado pela sua própria cobiça." Ele
usa cada pessoa, que significa todo
mundo, mas também pode significar cada
pessoa em particular. Mas quando ele
fala própria cobiça, ele tá
particularizando a luta, não é, de cada
um. Cada um é tentado pelos seus
próprios desejos. Uma vez que a tentação
vem de dentro de nós, cada pessoa vai
ter uma tentação particular. Por que é
que uma pessoa tem uma tentação e outro
tem outra? Por que que uma pessoa
enfrenta batalhas numa área e outras
enfrentam batalhas em outras áreas? É
porque existe uma coisa chamada
personalidade, identidade, história,
questões físicas. O pecado nos atinge a
todos, mas o modo como ele se expressa e
se manifesta em todos é diferente.
Então, cada um tem suas tentações. A sua
tentação pode não significar nada para
mim, enquanto a minha tentação pode não
significar nada para você. Por isso que
é terrível quando a gente julga as
batalhas de outras pessoas com um peso
que a gente muitas vezes não julga as
nossas, né? O Craig Blumberg e a Marian
Kemil no comentário exagético do novo da
Zondervan, vai dizer que isso se mostra
crucial no ministério pastoral. O que
uma pessoa considera uma tentação
intensa, outra pode nunca experimentar,
nem mesmo como uma leve atratividade
vice-versa. As tentações são adaptadas
ao indivíduo e, portanto, nós como
crentes nunca devemos menoresprezar
alguém por lutar contra algo que
consideramos insignificante. Em vez
disso, precisamos reconhecer que cada um
de nós enfrenta batalhas particulares
com nuances específicas para cada um. E
precisamos oferecer graça e
encorajamento uns aos outros para
permanecermos firmes em tempos de
provação. Por outro lado, devemos sempre
fugir da tentação, por menor que ela nos
pareça. Esses desejos interiores de
Thiago trabalham incansavelmente para
nos afastar do Senhor. Uns têm desejos
na área da sexualidade, outros têm
desejos na área ah do alcoolismo, talvez
da alimentação, talvez em relações
interpessoais. Não é porque você tem uma
luta que outra pessoa não tem, que você
necessariamente é menos crente que outra
pessoa, alguma coisa do tipo, ou você tá
em pecado e outra pessoa não, porque a
sua luta talvez gereco mais de escândalo
social do que a luta de outra pessoa.
Mas, Iago, você me pergunta, o texto de
Mateus não diz que o pecado ele ele já
começa na intenção do coração de todo
jeito? E aí a gente tem que sair do
texto de Thago e entrar no texto de
Mateus, capítulo 5.
Eu tô abrindo aqui também minha naa com
o grego aqui junto, onde em Mateus 5:28
a gente tem uma confusão muito comum,
que é um erro muito comum dentro da
leitura teológica popular, mas é um erro
já muito conhecido dentro da cultura
acadêmica. Então se você tá aqui a me
acompanha, talvez seja informação que
você não tenha, aí você vem comigo. De
olho no texto é o programa para isso,
né? É pra gente tentar deixar fácil
teologia que é muito comum no ambiente
acadêmico. Eu não tô inventando nada,
não tenho capacidade de inventar nada.
Sou um Orelha seca. Só quero pegar aqui
o a a quero ler os eruditos e tentar
simplificá-los para você. Muitas vezes a
gente faz teologia por encontrar onde
aquela palavra foi usada no texto
bíblico. Então a gente às vezes procura
uma palavra, essa palavra foi usada aqui
em vários locais. As palavras significa
isso em todos os lugares. Isso é uma
faláça zeggética muito conhecida, né?
Tem o livro do J Carson, que é talvez
maior o maior exegeta do novo
tachamento, na minha opinião. Foi
publicado em inglês como falácias
exegéticas, né? No Brasil é os perigos
na interpretação bíblica pela vida nova,
onde ele vai argumentar sobre essa
falaça de você achar que uma palavra que
é usada por um autor em um contexto vai
ser usado do mesmo jeito em outro
contexto ou que palavras usadas por
autores bíblicos diferentes vão sempre
significar a mesma coisa. Qual o
problema? A palavra que Thago usa ele
fala que cada um é tentado pelo seu
próprio desejo, né? Epistumia é a mesma
palavra que Jesus vai usar aqui. Quando
ele fala que desejar, ele bota e
pptumessai é pecado. Literalmente no
grego, Mateus 5, que vai dizer: "Todo
que olhar para uma mulher com intenção
impura, já cometeu adultério com ela no
seu coração." Intenção impura aqui,
certo? É a mesma palavra no grego, mas
impura, de novo, é uma tradução
interpretativa da naa. Aqui tem apenas
com intenção. Quem olhar para ela com
intenção, a ideia aqui é desejo. Então
eles só podem estar se referindo a
exatamente a mesma coisa, né? a um a um
olhar com desejo. Então tô desejando.
Ora, se desejo aqui em Mateus já é
pecado, então desejo lá em Thiago já é
pecado. O problema é que isso primeiro
desconsidera o o fluxo do argumento de
Thiago que não é o mesmo, e desconsidera
que o uso das palavras não é igual em
todos os autores bíblicos. Fazer isso é
fazer uma má teologia bíblica e se acaba
descambando numa péssima teologia
sistemática. Um dos grandes desafios da
teologia sistemática é justamente
encontrar o diferente uso das linguagens
dos autores bíblicos e tentar criar uma
linguagem unificada que sistematiza o
modo como os autores bíblicos estão
discutindo cada questão. Quando Thago
fala de desejo, ele não tá falando ainda
de um pecado que tá acontecendo,
consumado ou maquinado. Ele vai tratar
isso como tentação. Aqui, quando Jesus
fala de desejo, ele tá falando de um
outro estágio na luta contra o pecado.
Ele tá falando de uma intenção que já se
expressa no olhar. Quando Thaiago fala
de um desejo que te atrai e te seduz,
falando aqui não de alguém específico,
mas uma coisa que acontece internamente,
Mateus fala de uma única etapa, não é?
Ele tá falando diretamente do pecado. O
uso vocabular aqui de Jesus é diferente
do uso vocabulará de Targar. Como é que
o contexto aqui ajuda a gente a
compreender o que é esse desejo
pecaminoso aqui, esse pecado que é feito
com os olhos, né? O olho paraa mulher
com desejo, aquele olhar de arrancar
pedaço, né? já é um, já é um olhar
lacivo, já é um pecado que tá sendo
cometido. Muitas pessoas que, sei lá, eu
não sei como é que elas vivem a vida
delas, porque se elas aplicarem isso as
próprias, a própria vida, é impossível,
né, levar a sério esse tipo de
identificação. Muitas pessoas vão olhar
para cristãos que lutam com tentações
afetivas como se fossem pessoas
constantemente uma libido inacreditável,
uma lacívia frequente, olhando pras
pessoas, as pessoas do mesmo sexo da rua
aí, sabe, doido, querendo arrancar um
pedaço de todo mundo. como se fosse fato
de que uma pessoa que possui tentações
nessa área ou inclinações nessa área vai
est o tempo inteiro exercendo uma
vontade para com todo mundo que passa na
frente dele. Mas isso não é verdade para
nenhum de nós, gente. Pelo amor de Deus,
que que libido é essa, meu filho? Calma
lá. Is isso não acontece com as pessoas.
Não é assim que as pessoas vivem suas
vidas. Isso aqui não representa uma
pessoa que possui uma inclinação oriunda
da natureza pecaminosa que pode levá-la
ao pecado. Isso que já representa um
pecado sendo cometido. Não no ato, mas
com os olhos de olhar pra pessoa com
intenção impura. O RT Friends, ele
afirma que não apenas o ato do
adultério, mas a luxúria que o causa é
condenar. Aqui mulher, Guinê, ele vai
dizer, é usado quase sempre para
mulheres casadas e muitas vezes
significa esposa. A intenção de Jesus é,
portanto, proibir não a atração sexual
natural, mas o acolhimento deliberado do
desejo por um relacionamento ilícito. Ou
seja, Jesus não tá falando aqui de uma
tentação. Ele trata de algo que já foi
consumado no coração da pessoa. Ele tá
querendo pegar a mulher do dos outros.
Ele tá querendo arrumar a mulher dos
outros. Isso aqui é o estágio de uma
mera inclinação contra a qual uma pessoa
luta? Ou aqui é o estádio de uma
tentação que ainda tá sendo só a uma
tentativa de lhe arrastar ou aqui já o
pecado consumado no coração de alguém? É
claramente o pecado já expresso. Ora,
ninguém peca sem deliberadamente sentir
essa ação no seu interior. E é disso que
Jesus tá falando aqui. Ou seja, Mateus e
Thago não se contradizem. E olha que eu
vi, eu vi várias pessoas comentando
recentemente na internet, porque a
Bíblia registra tradições teológicas
diferentes. A Bíblia não é una, cara. A
Bíblia é una. Basta você não cometer
erros teológicos básicos na leitura de
textos. não é que estão em locais
diferentes, não é porque se usa a mesma
palavra que tá querendo dizer a mesma
coisa nos mesmos sentidos, quando
autores distintos usam essas palavras. É
por isso que é um problema muito sério
quando o Dr. Carlos Vailat, não é,
doutor em estudos judaicos pela USP, um
famoso teólogo arminiano aqui do Brasil,
usa esse texto de Mateus 5 para
argumentar contra a ideia de que
cristãos que possuem uma inclinação
interior que gera como tentação, não é
essa cobiça muitas vezes por pessoas do
mesmo sexo, que esses cristãos por si
só, mesmo sem estarem definitivamente
cobiçando ninguém, estão ainda em uma
situação de pecado. Dr. Carlos Vailat é
um teólogo muito renomado dentro dos
círculos armenianos e é muito respeitado
também por pessoas fora do armenianismo,
mas que confunde o ato de cobiçar alguém
internamente com um tipo de inclinação
sexual, como se cristãos que possuem uma
inclinação homossexual estivessem
olhando com cobiça para todo mundo que
encontra na rua o tempo inteiro. Esse é
o problema de usar Mateus como premissa
para argumentar sobre esse ponto. Ora,
um cristão com tentações nessa área que
olha para uma pessoa do mesmo sexo na
rua e a cobiça, ela está em pecado. Não
precisa nem olhar para uma pessoa de
fato. O simples ato de alimentar
internamente, de se imaginar com alguém
do mesmo sexo já é um pecado. Esse não é
o argumento e essa divisão que o Carlos
Vailat, infelizmente, não consegue
fazer. E ele gera nas pessoas com esse
tipo de de tentação um tipo de peso que
a escritura não coloca, porque você pode
ter uma pessoa com essa inclinação, uma
inclinação que se ela der o mínimo de
vazão vai virar um pecado no coração de
tendência homossexual. Mas a pessoa
mesmo sem viver isso, mesmo sem estar
sendo tentado ou caindo do pecado, para
o Vilates, essa pessoa é equiparável a
alguém cobiçando outra pessoa no
coração. Você pode não estar cobiçando
ninguém, você pode não estar desejando
ninguém, você pode não estar se
imaginando com ninguém e ainda assim o
Vat vai usar Mateus 5 contra você, o que
parece uma leitura muito complicada,
porque ignora completamente a diferença
entre ato e potência. Ora, eu sou um
cristão que não tem tentações
homossexuais. Eu sou casado com a mulher
e gosto muito disso. Eu não tenho em mim
a potência de desejar internamente um
homem. Então, não faço. Existe em mim a
potência de desejar outras mulheres. Se
eu deixar que, sei lá, passa uma mulher
pelada na minha frente, se eu ficar
olhando, se eu se eu entendeu, isso
virar um pecado. Eu vou, existe uma
potência pro pecado aqui. O que é que eu
faço? Não olho outras mulheres, eu não
fico perto de de mulher que tá seminua.
Esse tipo de coisa é o que qualquer
homem, crente faz. Um cristão que tem
tentações envolvendo, não é,
homossexualidade, ele possui nele a
potência de desejar internamente alguém
do mesmo sexo. Mas essa potência vai ser
sempre ato. A potência de desejar alguém
do mesmo sexo vai ser sempre o ato de
estar desejando alguém do mesmo sexo.
Mateus 5 fala do ato, não fala da
potência. Porque aquilo que Mateus 5
fala, você olhar para uma mulher casada
e desejar ela, é um ato cuja potência
todo homem de libido natural, que seja
heterossexual, vai ter. A potência tá lá
nesse ser humano. Se você olhar pra
mulher e ficar olhando para ela,
desejando e querendo, a potência tá lá.
Muitos de nós, no entanto, nunca
cometerão o ato deste pecado. Mas a
potência, a potência tá em todo aquele
que tem um libido voltado pro sexo
oposto. A mesma coisa acontece com
pessoas que tm essas tentações
homossexuais. Muitas vezes essa tentação
não vai se expressar, ainda mais que a
potência esteja lá. Usar Mateus 5 contra
essas pessoas é muito cruel e uma
crueldade que não é intencional,
obviamente, mas vem uma leitura muito
inapropriada do que Jesus fala no
Evangelho de Mateus. Inclusive, alguém
até fez um vídeo com o título: "Atração
homossexual é pecado ou tentação?" E aí,
a segunda parte do título era desejar a
mulher do próximo é tranquilo. Um vídeo
em que a pessoa até cita, não é, os 10
mandamentos, né? O não cobiçarás como se
fosse a mesma coisa. Desejar a mulher do
próximo é tranquilo. Ninguém tá
argumentando isso. Cobiçar é uma coisa
boa. Ninguém tá argumentando isso.
Porque desejar a mulher do próximo e
cobiçar a mulher do próximo é por si
mesmo pecado cometido interiormente.
Porque há um assentimento, uma atitude
do coração em direção a alguém. Isso é
completamente diferente de existir uma
inclinação que está sendo contida na
luta contra o pecado. Até quem argumente
que a gente tá inventando categorias
artificiais para separar atração
homossexual de cobiça, não é? Mas isso
de novo é claramente não coaduna com a
realidade. Se assim o fosse, todo
cristão solteiro estaria em pecado por
ter atração por alguém que não é sua
esposa. Todo cristão solteiro estaria em
pecado por possuir um impulso interior,
uma potencialidade interior de cobiçar
alguém que não é sua esposa. Vamos supor
que seja um crente heterossexual de
libido baixo. O cara não tem lá um
libido muito forte. Ele até é
heterossexual, ele até não se atrai
pessoas de outros sexo, mas ele não é
uma pessoa lá com drive sexual muito
potente. Essa pessoa está em pecado
sendo solteira, sendo celibatária, mesmo
que ela não esteja cobiçando ninguém,
porque se o simples impulso interior já
representa uma cobiça, então todo crente
solteiro está em cobiça, está cobiçando
alguém e não tá. Essa não é uma divisão
artificial, é simplesmente uma noção um
pouco mais coerente sobre antropologia e
sobre como funciona o nosso
relacionamento com a sexualidade. Uma
coisa é uma inclinação que precisa ser
contida, outra coisa é assentir
internamente essa inclinação. Um livro
que vale muito a pena ser lido é o livro
Deus é contra os homossexuais, a
homossexualidade, a Bíblia e a atração
por pessoas no mesmo sexo do Sunan
Alberry, que já escreveu extensivamente
para diversas organizações reformadas,
incluindo o The Gospel Coalition, o
Desiring God, grandes e famosíssimas
organizações reformadas no Brasil, The
Gospel Coalition inclusive, que tem
representação no Brasil e é talvez o
maior grupo reformado que a gente tem
hoje na no solo do Piniquin. Um livro
que foi publicado no Brasil pela
Monegismo, tá? Uma famosa editora
reformada aqui do nosso país. Na página
64 tem um tópico chamado É pecado sentir
atração por pessoas do mesmo sexo? onde
ele vai dizer: "Aração por pessoas do
mesmo sexo não é algo bom. Ela, com
muitas outras coisas, consiste em uma
consequência da queda, justamente o que
a gente tá argumentando. Isso significa
que ela não existia antes da queda em
Gênesis 3 e não existirá na nova
criação. É verdade. Esse tipo de atração
não é algo criado para nós por Deus. Ela
contradiz de forma explícita a sua
vontade, certo? Sabe-se pelas escrituras
que a tentação procede do nosso coração
decaído. Aí ele cita Thiago 1 aqui, que
é o texto que a gente tá lidando. Ele
diz: "Não podemos jogar a culpa da
tentação em mais ninguém e com certeza
não em Deus". As tentações homossexuais
são reflexos da nossa própria queda.
Isso mesmo. Mas isso não é equivale a
dizer que a existência da própria
tentação seja um pecado do qual
precisamos nos arrepender. Os cristãos
sempre fizeram a distinção entre a
tentação e o pecado. Em outras palavras,
vai dizer um pouco mais à frente:
"Buscamos o perdão dos pecados cometidos
e a libertação das tentações." Não somos
convidados a buscar o perdão por sermos
tentados e sim pelos pecados cometidos
quando sucumbimos a eles. Em vez disso,
somos chamados a resistir à tentação, a
suportá-la com fidelidade. E ele traz
uma aplicação pastoral importante. Ele
vai dizer: "No momento em que
experimentamos desejos inadequados em
relação a alguém do mesmo sexo, devemos
resistir a quaisquer pensamentos e
emoções impuras que tivermos." Ou seja,
o cobiçar no coração de Mateus 5.
Reconhecer que queremos fugir delas e
não aceitá-las, a buscar a ajuda e a
força divinas para fazê-lo.
Lembramos-nos que essas experiências não
consistem na vontade de Deus para nós e,
portanto, não são boas para nós. Lutamos
para honrar a Deus, confiando sempre em
sua fidelidade e no fato de ele não
permitir que sejamos tentados além da
nossa capacidade de suportar. Afirmar
que a experiência da atração por pessoas
do mesmo sexo é em si pecaminosa parece
sugerir que a capacidade de ser tentado
é por si mesma um pecado. No entanto,
isso contradiz a escritura. E sem
dúvida, declarar algo sem base bíblica
pode causar danos significativos. Muitos
cristãos que vivenciam a atração por
pessoas do mesmo sexo sentem vergonha
intensa. Eles sabem que esses
sentimentos não são parte do plano de
Deus, não desejam tê-los e se esforçam
para ser obedientes a Cristo. Na minha
experiência, esses cristãos específicos
costumam sentir uma vergonha ainda mais
profunda sobre suas tentações sexuais
que quem sente atração pelo sexo oposto.
Ouvir que a existência dessa tentação é
um pecado em si mesmo, independentemente
do quanto tenho sofrido ao manter a
fidelidade a Deus por conta dela, pode
facilmente esmagar um crente já muito
ferido. Então, quando acusam a gente,
né, ah, mas essa visão aí, as pessoas
não vão vencer os seus pecados se não
acreditarem que o próprio a própria
potencialidade é pecado por si só
cometido. Na verdade, pode ser o
contrário. Na verdade, você pode esmagar
tanto as pessoas com peso de culpa que a
escritura não coloca, que você tira
delas até mesmo a força para conseguir
vencer o pecado. Você tira delas a
esperança. Poxa, eu tô lutando contra o
pecado, mas a assim, eu tô dormindo, eu
tô pecando. É isso. É a minha própria
potencialidade um pecado. Por que lutar
tanto? Então, uma coisa é dizer que
temos um potencial pecaminoso, a
natureza pecaminosa. Outra coisa é
tratar os efeitos da queda como um
pecado por si só. Esse tipo de visão,
não é de tratar tudo como pecado, assim,
até a o impulso interior, nasce muitas
vezes de um exagero retórico que aparece
em certos ambientes reformados, que eu
acho um tanto deletério, tá? Eu mesmo já
acreditei nisso, eu já usei essa
linguagem na na minha vida, mas foi
ouvindo outros pastores reformados que
eu percebi que isso também tem um
problema, como aquele livro The Hole in
our Holiness, né? buraco em Nossa
Santidade. Um livro excelente para
trazer um pouco mais de luz sobre isso.
Muitos de nós parece que para alguém ser
considerado verdadeiramente calvinista,
ele tem que falar do ser humano como se
ele fosse a criatura mais corrompida
possível em todos os aspectos, em todos
os momentos da sua vida, como se nós
fôssemos os mais maus que poderíamos
ser. E é uma confusão muito comum, tá? A
doutrina da depravação total afirma que
o pecado afetou o ser humano em todas as
áreas da sua existência. é a totalidade
do indivíduo, a mente, a vontade, os
afetos, o corpo. Nada ficou ccado pela
queda, mas isso não significa que o ser
humano seja tão depravado quanto poderia
ser sempre, nem que cada ação de um
crente seja sempre um pecado. Alguns
discursos acabam deslizando nesse tipo
de exagero. E às vezes a galera repete
expressões bíblicas dirigidas aos
ímpios, como se descrevessem cristãos da
mesma forma. Hoje o Kevin Yang, no livro
que eu citei, ele vai argumentar que
muitos usam a linguagem de Isaías, né,
sobre trapos de imundícia para descrever
as boas obras de crentes a generados, o
que é totalmente inadequado. Eu mesmo já
fiz isso na minha vida, já deve ter
pregado um sermôio dizendo isso. Como se
a redenção não tivesse produzido uma
diferença real e agora não temos mais
trapos de mudíça, mas roupas brancas
lavadas pelo cordeiro. Na prática, isso
acaba gerando um tipo de retórica que
parece negar qualquer transformação real
no cristão. Falamos do nosso pecado de
maneira tão absoluta que quase não sobre
espaço para falar de santificação, de
regeneração, de mudança de vida. Até nas
nossas orações, né, a gente repete isso
como se fosse um tipo de humildade. Eu
sou o pior dos homens. Há ninguém pior
do que eu. Eu sou uma pessoa horrorosa.
Ah, meu Deus do céu. E claro, em um
sentido subjetivo, isso é verdade. A
gente tem que sentir isso muitas vezes.
Mas tomado literalmente, não descreve a
realidade completa da vida cristã. A
escritura afirma que fomos lavados,
purificados, justificados. E existe sim
uma diferença real entre a vida moral do
crente e do descrente. Há uma mudança
perceptível na índole. Os comportamentos
mudam, o nosso interior muda. O que
acontece é quando essa retórica é levada
ao extremo, não, mas até mesmo a sua
natureza pecaminosa, qualquer inclinação
e potencialidade não manifesta é pecado.
Cara, a gente chega, sabe, ao fundo do
poço da da do desespero da luta contra o
pecado. E quando você vai olhar um pouco
da história da igreja, vai ler textos do
tempo da reforma e tal, existia muito
desse tipo de retórica exagerada. É
igual o John Devinut, né, foi um dos
delegados do síno do de Dort. Ele
argumentava que o ser humano estava em
pecado até dormindo, falando de crentes,
tá? Ele vai dizer que embora a faculdade
do desejo em si não seja pecado, a
inclinação e a propensão para o mal são
pecado. Mesmo em alguém adormecido,
quando não há de fato nenhuma inclinação
para o pecado. Sabe? É um exagero
retórico muito doido. Você tá dormindo,
você é um crente, você tá dormindo e
você está pecando. É uma forma de tentar
criar humildade no coração humano,
perceber o tamanho da nossa
pecaminosidade, mas a gente tem que
fazer isso balizado por categorias
bíblicas, não só tentando pisar no no
ser humano o máximo que a gente puder.
Ainda existe imagem de Deus na gente.
Ora, é totalmente possível afirmar a
corrupção profunda da natureza humana,
reconhecer a realidade da depravação
total e mesmo assim manter uma distinção
clara, né, entre inclinação, tentação e
pecado efetivamente cometido. Você não
tem que dizer que o ser humano tá
pecando até enquanto dorme, né, para
aparecer dentro da tradição reformada.
Agora, tudo isso colocado, existem
alguns outros textos bíblicos que nos
lançam também alguma luz sobre essa
compreensão da relação entre tentação e
pecado. Alguns deles que eu acho que são
um pouco mal utilizados, alguns que não
são tão tão fortes, mas que dão algum
indicativo desse tipo de separação como
parte do imaginário geral dos escritores
bíblicos. Pensa, por exemplo, nos
primeiros momentos da história da
Escritura, quando em Gênesis 3, o pecado
entra no mundo. Qual foi o pecado de
Adão e Eva? O pecado de Adão e Eva foi
ter comido do fruto proibido. A ordem
era clara: não coma do fruto proibido.
Que que a serpente faz? A serpente chega
até Eva e a serpente exagera o
mandamento de Deus. Eva se corrige nesse
exagero, mas acaba exagerando um
pouquinho menos, mas ainda exagera o
mandamento de Deus. O texto descreve
aqui em Gênesis 3: "A serpente com a
mais astuta e todos os animais. Estão vê
só a justícia da serpente. Ela diz: "É
verdade que Deus disse: "Não comam do
fruto de nenhuma árvore de jardim". Não
foi o que Deus disse, mas a serpente
está exagerando o mandamento de Deus. A
mulher respondeu a serpente: "Do fruto
das árvores do jardim podemos comer, mas
do fruto da árvore que está no meio do
jardim, Deus disse: "Vocês não devem
comer dele, nem tocar nele para que não
venham a morrer." Essa parte de tocar
nele não tá no mandamento de Deus, tá?
Deus nunca disse que não podia tocar no
fruto, não podia comer do fruto. Mas aí
a serpente vai e mente pra Eva. Não,
Deus não disse isso não. Que é isso?
Pode comer aí. Olha só o que diz o texto
bíblico. Vendo a mulher que a árvore era
boa para se comer, agradável aos olhos e
a árvore desejável para dar
entendimento, tomou do seu fruto e
comeu. E deu também ao marido e ele
comeu. Minha pergunta é: quando Eva viu
que o fruto da árvore era bom para se
comer e agradável aos olhos e a árvore
desejável, isso aqui era tentação ao
pecado, porque o pecado entrou no mundo
quando eles comeram do fruto. Aí foi
onde o pecado entrou no mundo, quando
eles comeram do fruto. Eu tô ficando
maluco. Se Eva tivesse visto que a
árvore era boa para se comer, percebido
que a árvore era agradável aos olhos,
visto que a árvore era desejável para
dar entendimento, e aí o texto dissesse
assim, ó, mas ela quis ser fiel a Deus e
disse: "A réda Satanás e não comeu da
árvore, o pecado teria entrado no
mundo?" O pecado não teria entrado no
mundo, certo? O pecado não teria entrado
no mundo. Por quê? Porque o que
aconteceu antes do pecado entrar no
mundo, comer do fruto, foi uma tentação,
não foi? Eva não tinha uma natureza
pecaminosa, mas Adão e Eva possuíam o
que a gente chama de livre arbítrio, né?
Eles tinham, eles tinham a natureza boa,
mas a possibilidade de ir contra a
própria natureza boa. Então eles
poderiam escolher o pecado. Tanto que
Adão e Eva escolheram o pecado. E aí nós
agora temos a natureza má e não podemos,
não é, escapar do pecado. Mas veja, se
aqueles que dizem que vontade,
inclinação, tentação, se a tentação já é
um pecado, mesmo quando a tentação é
rejeitada, o pecado teria entrado no
mundo antes deles tomarem do fruto e
comessem. Essa parece uma boa leitura do
texto de Gênesis? Não me parece. E
parece que houve uma tentação. Adão e
Eva assentiram essa tentação. E só
quando fizeram isso é que o pecado
realmente entrou no mundo. Essa leitura
é muito coerente com o relato que ainda
tá em Gênesis, que é o relato de Caim e
Abel. Em Gênesis 4, Caim é irmão de
Abel. Abel foi pastor de ovelhas. Caim
foi agricultor. Tá no verso 2 aqui de
Gênesis 4. E eles entregam a Deus, né,
suas ofertas. O texto diz que Deus
recebe Abel, mas rejeita Caim. Caim
tinha um coração odioso. Abel tinha um
coração, não é, em direção a Deus. O
texto diz que Caim ficou muito irritado
e fechou a cara. Então o Senhor lhe
disse: "Por que você anda irritado? Por
que essa cara fechada? Se fizer o que é
certo, não é verdade que você será
aceito?" Ou seja, Caim era uma pessoa
que fazia coisas erradas. Caim vivia uma
vida de pecado e por isso Deus não
aceita Caim. Então Caim fica bravo com o
Senhor não ter aceitado. Aí diz o
seguinte, ó: "Mas se não fizer o que é
certo, eis que o pecado está à porta à
sua espera." Aqui ele tá falando de qual
pecado? do pecado de matar o irmão, o
desejo dele será contra você, que no
caso o desejo do pecado, mas necessário
que você o domine. O texto diz que Caim
não conseguiu dominar o pecado e por
isso não é matou o irmão. É o que
aparece a partir do versículo oito. O
que é que Deus tá dizendo para Cain
aqui? Que há um desejo do pecado que é
contra ele e que esse desejo do pecado
precisa ser dominado. O que lembra um
bocado, né, a linguagem de Thiago, a
tradução paraagenta aqui desejo e até a
mesma palavra. Ora, mas o texto diz:
"Eis que o pecado está à porta à sua
espera". O pecado estava onde? que
estava na tentação de Caim. Caim foi
tentado a matar o irmão por ver seu
irmão ser aceito por Deus e ele não.
Deus poderia ter dito: "Você está
pecando, Caim. Você está pecando neste
momento." Mas Deus diz: "Não, não, Caim,
o teu pecado, o pecado está à porta. O
pecado está à porta. O pecado está
perto. O pecado está à sua espera. O
desejo desse pecado vai ser contra você.
Mas você tem que dominar esse desejo. O
domínio do desejo é justamente vencer a
tentação. O domínio do desejo é vencer a
tentação. Textualmente aqui em Gênesis
4:7, Deus não tá dizendo para Caim,
Caim, você pecou. Subentende-se, isso
não tá claro no texto, obviamente, por
isso esse não é um texto central, mas
subentende-se que Deus tá dizendo:
"Caim, você está sendo tentado". O
pecado está à porta. Pode muito bem ser
compreendido com uma linguagem para você
está sendo tentado. Ser tentado é ter o
pecado à porta. Não é ter entrado pela
porta do pecado, mas é, ó, pecado tá
aqui, tá? Pecado tá tá na sua frente.
Você vai brincar com pecado, você vai
brincar com a tentação. Não brinque com
a tentação, não. Lute contra a tentação.
Domine o desejo do pecado. É uma
linguagem muito forte. Caim não domina o
desejo do pecado. E Caim comete um
pecado absurdo. Ele mata o próprio
irmão. A gente não pode brincar com as
tentações. A gente não pode brincar com
os maus desejos. A tentação é ter o
pecado à porta. A gente não pode tratar
como uma coisa normal, uma coisa banal.
A gente tem que lutar, vencer. Mas veja,
a divisão ainda tá posta textualmente
aqui. Há um pecado à porta. Não entre
pela porta, domine. Essa é uma linguagem
que vai descrever que existe o momento
em que o pecado realmente é praticado.
Ele é praticado quando a gente entra por
essa porta da tentação, quando a gente
cede a tentação e de fato peca. Agora,
saindo do antigo Testamento e entrando
aqui um pouco mais novo Tchamento, tem
um texto que me chama muita atenção, o
texto paulino em Efésios 4, no a partir
do verso 25. Dentro do contexto não
testamentário, ira muito normalmente é
descrito como um pecado. A ira sempre é
pecaminosa? Claro que não, porque a
Bíblia descreve Deus como um Deus que
tem ira. Então, existem iras que são
justas, que são justificáveis. Nós
podemos ter iras justas, podemos. Quando
a gente odeia o mal, quando a gente vê
coisas terríveis sendo cometidas,
injustiças graves, a gente pode se
inteir. Mas aqui em Efésios 4,
claramente a linguagem é de uma ira
pecaminosa, como basicamente aparecem
quase todas as vezes que Paulo vai
falar, vai falar da nossa ira como seres
humanos. Ele vai dizer: "Fiquem irados e
não pequem". Essa ira aqui é uma ira
neutra? Não, não. É uma ira claramente
pecaminosa. Por quê? Porque é uma ira
que deve ser rejeitada. Se esta ira
fosse boa, é uma ira a ser mantida. Eu
tô irado pelo assassinato de crianças.
Eu tô irado pelo tráfico humano. Eu tô
irado. Pronto. Sei. Vai ter, você tem
que ter raiva realmente que essas coisas
existam. Mas o texto diz: "Fiquem irados
e não pequem. Não deixem que o sol se
ponha sobre a ira de vocês, nem deem
lugar ao diabo." Ou seja, Deus tá
dizendo, quando o sol se pôr, essa ira
já tem embora. Então você não pode ter
essa raiva, você não pode ter essa ira.
Ou seja, a ira de Efésios 4:26 não é uma
ira santa, não é uma ira justa, não é
uma ira boa, é uma ira que tem que ser
rejeitada, ela não pode durar. Não acho
que é uma coisa que seria dito sobre uma
ira justa, uma ira que deve permanecer
na gente, a raiva do mal, igual a ira
santa de Deus. Então a gente tem aqui
uma ira que é negativa, uma ira da qual
a gente precisa se livrar, mas é uma ira
que Paulo não vai tratar como pecado.
Ele vai dizer: "Fiquem irados e não
pequem". Fiquem ir pequem. Como é que eu
fico irado e não peco? Eu não deixo que
a ira dure. Não deixo que o sol se ponha
sobre a minha ira, nem dou lugar ao
diabo. Não deixo que o diabo use esta
ira para me fazer pecar. Perceba que a
lógica de Thiago é muito clara aqui. Eu
tenho uma ira. Esta ira pode me levar ao
pecado. Esta ira é um sentimento ruim,
errado. É um sentimento que provém do
pecado. Mas essa ira não é pecado.
Porque não faria nesse sentido. Paulo
teria que dizer: "Fica irado, mas você
já pecou. Você já pecou ficando irado,
acabou, perdeu, ficou irado." Não tem,
já pecou. Não, ele nem vai dizer:
"Fiquem irados, mas não se aprofundem
mais nesse caminho de pecado." Ele podia
dizer isso. Fiquem irados. Essa ira já é
pecado, obviamente. Mas não caminhem
mais longe ainda neste pecado. Não é
isso que Paulo fala. Paulo diz: "Fiquem
irados e não pequem. Fiquem irados,
porém não pequem". Então essa ira aqui é
o quê? É uma tentação. Eu estou irado
com alguma coisa. Alguém me fez o mal?
Alguém me prejudicou? Alguém me
maltratou? Alguém me machucou. Isso gera
ira. Pequei porque fiquei chateado
diante de um mal que recebi. Não, mas
esta ira não pode durar no meu coração.
Esta ira não pode ser usada pelo diabo,
que o diabo quer usar a minha ira para
que eu peque. Então eu posso muitas
vezes ficar irado. É uma coisa que eu
quero receber, ó, a minha ira. Ela é
neutra. Não é neutra não. Ela nasce do
nosso mau desejo, é fruto da nossa
natureza pecaminosa. Esta ira aqui que
ele tá falando. Mas essa ira não é
pecado em si. O diabo quer usar essa
ira. Eu não posso deixar que o diabo use
essa ira. Se eu deixar o diabo usar essa
ira, eu peco. Se eu deixar essa ira
durar dentro de mim, eu peco. É isso que
Paulo tá dizendo. Fiquem erados e não
pequem. Paulo tá criando essa divisão
clara entre uma um uma tentação e um
pecado cometido. Paulo tá deixando claro
que existe um momento em que o pecado
acontece. Não é quando eu fico irado
aqui neste caso em particular, é quando
eu dou lugar a esta ira, mantendo esta
ira dentro de mim. Eu posso nem fazer
nada com essa ira, mas é quando eu
mantenho ela dentro de mim ou quando eu
dou lugar ao diabo com essa ira e aí eu
faço alguma coisa, né, de forma irada.
Aago, pera aí, mas você tá esquecendo do
texto de Mateus quando Jesus fala que
ficar irado no coração contra o irmão já
é assassiná-lo. Mas veja, a própria
estrutura ali do Evangelho de Mateus e a
própria sintaxe grega nos dá a entender
que ali essa ira não é simplesmente uma
raiva momentânea que você tem em
resposta ao que aconteceu. Parece muito
mais uma disposição, um manter uma uma
ânsia de maldade contra alguém. O sermão
do monte não parece tá dizendo pra gente
que é, nossa, o cara me maltratou, o
motoqueiro bateu no meu carro e se
evadiu. E eu fiquei chateado com isso.
Fiquei com raiva disso. Pequei porque
fiquei com raiva disso. Algumas raivas
são justas, são corretas dentro de
certas circunstâncias. A questão é: o
que é que eu faço com essa raiva? E aí
Paulo lança luz sobre isso. Essa raiva
que me deu por alguma coisa que fizeram
contra mim, é uma raiva que eu deixei
para lá. Eu não fiz nada ruim contra
ninguém por causa dessa raiva? Então eu
não pequei no meu coração. Agora eu
nutri essa raiva, eu mantive essa raiva,
eu me apeguei a essa raiva, eu agi de
acordo com essa raiva. Essa raiva durou
dentro de mim. Aí, certamente no meu
coração eu já assassinei a outra pessoa.
São dois textos diferentes que lançam
luz em aspectos diferentes da nossa luta
contra o pecado. Tem um livro muito bom
chamado How do I Fight Sin and
Temptation por um autor chamado Garret
Kell, publicado pelo pessoal do Nove
Marcas, que provavelmente a maior
influência batista reformada no mundo
hoje. Ele vai dizer que tentação não é
iniquidade. Vai falar de um cara chamado
Raid, que era atormentado pela raiva,
que em momentos de fúria sentiu o
impulso de chocar mesas ou pior pessoas.
Era difícil escapar do seu passado de
brigão, mas o fato de ser tentado por
explosões de raiva não significava que
estivesse pecando. As escrituras nos
advertem repetidamente para não cedermos
a tentação. Por exemplo, Deus advertiu a
Caim: "O pecado está à porta, a
espreita. O seu desejo é contrário à tua
vontade, mas tu deves dominá-lo." Da
mesma forma, Paulo disse: "À igreja de
Éfeso, o que meu amigo Rei precisava
ouvir regularmente: "Irai-vos e não
pequeis". As escrituras nos mostram
repetidamente que tentação e pecado não
são a mesma coisa. Sentir raiva não
significa necessariamente ser amargo,
xingar, agredir ou matar. Ser tentado
por uma atração imprópria não precisa
levar à luxúria, masturbação, adultério.
Considerar o pecado não significa ceder
a ele. Saber disso impede que você seja
paralisado por uma culpa desnecessária
da esperança para continuar lutando
mesmo quando a tentação é intensa. É
possível pelo poder do espírito ser
tentado pelo pecado e não ceder. Eu acho
que é uma situação muito, muito poderosa
para nos ajudar a pensar na luta contra
o pecado. Nisso, eu acho muito
importante considerar o seguinte, tá? Em
nenhum lugar da Bíblia, em absolutamente
zero lugares, certo? Em nenhum lugar da
Bíblia, nós somos ensinados a orar por
perdão pelas tentações. Em nenhum lugar.
A Bíblia nos ensina a orar para que
sejamos livres das tentações ou que a
tentação não chegue até nós. Não existe
nenhum lugar do Antigo Testamento, nenh
lugar do Novo Testamento, um pedido, uma
oração ou um clamor do tipo: "Nossa,
Deus, eu fui tentado, me perdoa por ser
tentado". A gente não encontra isso na
escritura. A gente encontra orações por
livramento, por não cair na tentação,
mas a tentação não encontra dentro da
narrativa bíblica pedido de perdão, mas
sim pedido de ajuda, pedindo para que
Deus livre. Não tem como não lembrar da
oração dominical, né? Foi o famoso Pai
Nosso. Jesus diz: "Não nos deixeis cair
em tentação". Fala em Mateus 6, em Lucas
11. A locução verbal aqui, deixar cair,
não é? Em tentação, que é a tradução do
termo grego esfero, é um verbo que
implica fazer alguém entrar em
determinado acontecimento ou estado. É
um verbo que não tá no indicativo, mas
no modo subjuntivo, que gramaticaliza,
não é a contemplação de uma ação
projetada, o que é papo de de de grego,
mas mas é basicamente um jeito de falar
de uma situação hipotética, de imaginar
um cenário, ah, nem se vaca voasse,
sabe? Uma coisa assim. Ou seja, em
português parece que o pai nos coloca em
tentação, né? como se fosse não nos
coloca em tentação, como se a tentação
viesse de Deus, né? Thiago diz uma coisa
diferente disso. A gente tem basicamente
uma forma poética aqui para pedir que a
gente não não caia em tentação, que a
gente seja livrado da tentação, porque
Deus tem o poder, não é, de nos dar
força para que a gente não caia no
pecado. Jesus nos ensinou a orar pedindo
perdão pela tentação. A oração é:
"Perdoa os nossos pecados, nos livra da
tentação. Perdoa os nossos pecados, nos
livra da tentação. Não me deixa cair na
tentação, porque cair na tentação é o
pecado." Oramos para Deus pedindo para
que Deus efetivamente nos perdoe dos
pecados. Daí no perdo pecados é um
interativo mesmo no grego para nos
livrar do estado de tentação. Jesus nos
ensina que nós podemos sofrer tentações
e que devemos orar ao Pai para que ele
nos tire desse estado. De novo, não
podemos tratar tentações como se fossem
bobagens. Elas nos levam pro pecado e
nos afastam de Deus. Se nós lutássemos e
fugíssemos das tentações no momento em
que elas surgem, elas não se
intensificariam, nem aumentariam, nem se
consumariam em pecado. O grande problema
é que a gente se deixa, não é, atrair e
seduzir. Iago, mas nem precisava disso
tudo, Iago. Tem um texto matador já
sobre isso. Cadê o texto de Hebreus,
Iago? Você não leu aí, que fala que
Jesus foi tentado. Jesus foi tentado em
tudo e não pecou. Então, acabou. Acabou.
Texto cabal. Calma lá, calma lá. Que que
eu vi muita gente usando esse texto
recentemente para argumentar isso, mas
eu acho que isso não é um bom argumento,
não. Tá, calma lá.
Quando a gente vai para Hebreus 4, não
é? A partir aqui do verso 14, diz:
"Tendo, pois, Jesus, o filho de Deus
como grande sumo sacerdote que adentrou
os céus, conservemos firmes a nossa
confissão, porque não temos sumo
sacerdote que não possa se compadecer
das nossas fraquezas. Pelo contrário,
ele foi tentado em todas as coisas, à
nossa semelhança, mas sem pecado."
Portanto, aproximemo-nos do trono da
graça com confiança, a fim de recebermos
misericórdia e encontrarmos graça para
ajuda em momento oportuno. Iago, Jesus
foi tentado e Jesus não pecou. Então,
ser tentado não é pecado. Mais ou menos.
Eu não acho que esse texto ajuda muito
nisso, porque Jesus é diferente da
gente, tá? Jesus não tem natureza
pecaminosa. Se Jesus não tem natureza
pecaminosa, Jesus não é tentado
internamente como nós somos. Jesus é
tentado externamente. Então a tentação
ela surge externamente. Então Jesus foi
tentado no deserto, por exemplo, e a
tentação se dá como um convite externo.
Teu amigo aí te chama para beber uma
cachaça, a menina aí requebra na tua
frente. Você tem tem a tentação como ato
externo. Jesus não tem a tentação como
ato interno. Por quê? Porque Jesus não
tem natureza pecaminosa. Então Jesus não
tem não poderia pecar porque ele não
teria a capacidade não. Ele teria Jesus
teria a capacidade de pecar. Isso só não
é a sua natureza, só não é quem ele é.
Ele nunca quereria pecar. Então dizer
que Jesus foi tentado e então tentação
não é pecado. Bom, eu não acho que
tentação seja pecado, como eu já
argumentei nesse vídeo, mas esse texto
não é um texto apropriado para isso. Do
contrário, você vai ter que assumir uma
heresia cristológica de que Jesus
poderia pecar, de que Jesus poderia
estar estito ao pecado, o que
absolutamente não é verdade. Agora, tem
um ponto aqui que é o ponto da
argumentação do autor aos Hebreus,
porque ele foi tentado cf, né? Catostes,
que é semelhança. Ele foi tentado de
acordo com a nossa semelhança. O autor
dos Hebreus vai estabelecer que existe
uma correlação entre Jesus ser tentado e
nós sermos tentados. Ele foi tentado à
nossa semelhança, mas Jesus não tem a
tentação interna como nós temos, porque
ele não tem a natureza pecaminosa.
Então, como é que é a nossa semelhança?
Bom, o argumento dele é que as tentações
chegaram, chegavam a Jesus do mesmo
jeito que chegam a nós. Qual é a nossa
diferença com Jesus? É que nós somos
pecador safado. Miserável. Jesus, não é?
Mas então como é que Jesus pode se
compadecer da gente? Não é? Porque a
ideia aqui é que ele se compadece, ele
sabe o que a gente passa. É que Jesus
conhece as circunstâncias que nós
vivemos, ele conhece as batalhas que
estão à nossa volta. E ele mesmo não
cedeu a nenhuma dessas batalhas. Ele não
teve sequer vontade de ceder essas
batalhas. Então ele é a nossa semelhança
nesse cenário, não porque ele sente as
mesmas tentações internas, porque ele
não tem pecado, mas porque ele se
colocou na mesma situação de estar
envolto do convite do pecado. Então
início ele é semelhante à gente. Ele não
é semelhante no pecado, mas é semelhante
estar nas circunstâncias em que o pecado
convida. Ele nos conhece. Por isso que a
linguagem do ator aos hebreus não é a
linguagem de Jesus não pecou, porque é
que tu peca, seu safado? Não é essa
linguagem de Hebreus aqui. Poderia até
ser, tá? Mas a linguagem é Jesus sabe,
ele te conhece, ele entende o que você
passa. Então chega perto dele, se
aproxima dele que ele manda misericórdia
ajuda. Entendeu? É essa é a linguagem da
graça misericordiosa que provém aqui do
texto de Hebreus. Tanto que essa é a
aplicação aqui, né? Então a gente se
aproxima com confiança do trono da graça
para recebermos misericórdia e ajuda em
tempo oportuno. Então não usa esse texto
não, para fazer esse argumento não, que
aí você vai estar usando um texto ruim.
Mas fica aqui um grande má. O fato dos
autores bíblicos usarem o termo tentação
sem absolutamente nenhuma ressalva, sem
absolutamente nenhum medo para falar de
Jesus, me parece, eu sei que não é um
argumento tá tão central, mas me parece
que os autores não estavam sentindo que
estavam relacionando Jesus com o pecado
de alguma forma. Eles não fazem
ressalvas tanto na tentação de Jesus no
deserto como no texto aqui de Hebreus.
Nem os autores dos evangelhos, nem o
autor de Hebreus sentem qualquer
constrangimento de usar a palavra para
tentação a aquilo que Jesus passou, sem
nenhuma ressalva, sem nenhum porém. O
que é que isso me gera de impressão que
a linguagem de tentação na mente dos
autores dos evangelhos, na mente do
atual hebreus, não era uma linguagem que
estava tão claramente atrelada ao
sentido de ter cometido um pecado, como
parece chaamente de algumas pessoas que
tentam argumentar que a tentação já é um
pecado por si só. Mas claro, eu sei que
esse é um argumento de apoio, não é o
grande argumento central aqui.
Bom, para concluir, vamos para alguns
algumas aplicações, conclusões e alguns
contraargumentos gerais que a gente
poôde pensar aqui acular em alguns
vídeos aí ah na internet, em alguns
materiais que muitas vezes surgem de
redes sociais que muitas vezes, bom, não
é lidar diretamente com o texto bíblico,
mas são, sabe, elocubrações, aplicações
e coisas assim que muitas vezes são
meras acusações a essa interpretação da
doutrina bíblica, que não são o
tratamento do texto bíblico em si, mas
que talvez sejam relevantes bastante pra
gente trazer aqui. Primeira é acusação
de que esta é uma visão pelagiana,
semipelagiana, que ignora o pecado
original. Argumentam que a gente tá
negando a natureza caída do ser humano.
O argumento de que nós não temos uma
natureza pecaminosa é completamente
rejeitada por todo teólogo calvinista e
ortodoxo que faz essa distinção entre
tentação e pecado. Se a gente tivesse
afirmando que a experiência do pecado é
boa, ou então que as tentações ao pecado
são neutras, ou ainda que nossas
tentações não revelam nada sobre o
pecado que habita em nós, aí beleza, há
espaço para acusar que essa posição é
pelagiana. sempre pelageana, justamente
porque o pelagianismo nega a
profundidade da queda e afirma que o ser
humano pode viver sem pecado por suas
próprias forças. Mas não é isso que
ninguém tá defendendo. O que se afirma é
que nossas tentações e inclinações
revelam a realidade da nossa natureza
caída. Elas mostram que o pecado habita
em nós. Elas nascem de um coração
afetado pela queda. Nada disso é negado.
O ponto é simplesmente que reconhecer a
presença dessa corrupção interior não
exige afirmar que toda manifestação
dessa natureza já seja automaticamente
um pecado cometido. Existe uma diferença
entre possuir uma natureza inclinada ao
mal e consentir voluntariamente com essa
inclinação. Você não tem que afirmar que
todo e qualquer movimento interior do
ser humano é pecado para permanecer
dentro da ortodoxia reformada.
Reconhecer a distinção entre tentação e
pecado não enfraquece a doutrina da
depravação total, apenas escreve com
mais precisão como o pecado opera na
experiência humana. Por isso que um
outro argumento que muitas vezes é usado
não se sustenta, que é o que é o
argumento de que como é que algo bom
pode sair do que é mau? Como é que é uma
coisa neutra pode sair do que é ruim?
Não é como é que algo puro poderia vir
do que é impuro? Ora, se é se essas
tentações vem da nossa natureza
pecaminosa, a tentação já é um pecado em
si. Se esses impulsos vêm da nossa
natureza pecaminosa, então os impulsos
são pecado em si. Mas ninguém tá dizendo
que o puro está saindo que é impuro. O
que a gente tá afirmando é que nem tudo
que resulta da queda é em si mesmo um
ato de pecado ou um pecado cometido no
seu coração. Mesmo assim, algumas coisas
que não são necessariamente pecado
surgiram por causa da queda. A própria
natureza foi afetada pelo pecado. Em
Romanos 8, Paulo diz que a criação
inteira foi submetida à inutilidade por
causa da queda de Adão. Evas daninhas,
então, surgem na queda por causa do
pecado. Vai dizer o texto de Gênesis. O
câncer, as gripes, as enfermidades que
atingem o corpo humano, os maremotos, os
terremotos que matam um monte de gente.
Tudo isso surge porque o pecado entrou
no mundo e nos alcança porque somos
pecadores. O mesmo vale para certos
transtornos psiquiátricos. Condições
como transtorno bipolar ou
esquizofrenia, que são altamente
documentadas como problemas ligados ao
funcionamento do cérebro e da mente,
fazem parte de um mundo quebrado pelo
pecado. Até a morte entrou no mundo por
causa do pecado. Ora, o salário do
pecado é a morte. Mas quem de nós diria
que nós pecamos ao morrer? Morrer é
neutro. Não, morrer é ruim. Morrer é uma
coisa que entrou no mundo por causa do
pecado. Mas quando alguém envelhece e
morre numa cama de hospital, ele tá
cometendo um pecado naquele momento? Ou
ele tá sofrendo as consequências de uma
natureza que foi afetada pela queda. E
isso lança luz sobre a sua própria
natureza pecaminosa, o que deve lhe
apontar para Deus, mas não deve gerar
arrependimento. Ninguém se arrepende de
ter morrido nesse sentido. Eu tô me
arrependendo, Deus, porque eu estou
morrendo. Deus, eu estou arrependido
porque eu estou gripado. Não, isso surge
do pecado, revela algo sobre o nosso
pecado, mas não é um pecado cometido.
Seria absurdo dizer que a gente tem que
se arrepender por morrer simplesmente
porque a morte só existe por causa do
pecado. A morte não é boa, também não é
neutra, ela é um inimigo, mas ainda
assim em si mesma ela não é um ato de
pecado pessoal. O mesmo raciocínio se
aplica às nossas inclinações. Elas não
são neutras, elas existem por causa do
pecado e revelam algo sobre a nossa
natureza caída. O que não significa que
toda inclinação seja por si mesma a
prática de um pecado, ou que toda
tentação resistida seja por si mesma a
prática de um pecado. As tentações que
nós rejeitamos nascem de um coração
afetado pela queda, expõe a realidade da
nossa natureza pecaminosa, mas quando
são resistidas e não recebem o
assentimento da vontade, não constituem
o cometimento de um pecado. Veja, talvez
até sentimentos como tristeza e medo só
tenham surgido depois que o pecado
entrou no mundo. Antes da queda não
havia morte, não havia ameaça, não havia
perda. Essas experiências pertencem a um
mundo quebrado. Mas alguém peca ao
sentir tristeza? Necessariamente não.
Alguém comete pecado por sentir medo?
Não é de um bandido, sei lá. Não. O fato
de algo existir por causa da queda não
significa que ela seja em si mesma um
pecado. Ora, até mesmo o consumo de
carne no relato de Gênesis só surgiu
depois da queda. E eu sei que muitos dos
críticos dessa posição adoram uma
picanhazinha, né? Agora, animais morrem
e só morrem porque a queda e o pecado
entrou no mundo para que a gente possa
se alimentar deles. A gente tem que se
arrepender em todo churrasco? É claro
que não. Inclusive, fazer carne é uma
coisa boa. O próprio Jesus vai servir
carnes gordurosas pra gente no último
dia. Isso é algo bom que veio do pecado,
é o puro saindo do impuro. Eu não diria
isso. Meu ponto é que criar essas
lógicas para tentar argumentar contra
textos bíblicos nunca é o caminho mais
seguro para fazer uma boa teologia e uma
boa exagese. Muitas coisas que não são
pecado surgiram por causa do pecado ter
entrado no mundo. Isso é muito simples
de entender. Tentações e inclinações que
a gente experimenta revelam como a nossa
natureza foi afetada pelo pecado. Elas
pertencem a um mundo caído, mas não
significa que toda tentação
automaticamente é um pecado cometido.
Tentando contraargumentar, não é? Não
usando os textos bíblicos, mas tentando
chegar a conclusões absurdas, não é?
Derivativas das de possibilidades da
cabeça do povo, alguns argumentam que se
a gente tá dizendo que o impulso
interior não é um pecado, então isso
deixaria crianças nas mãos dos pedófilos
nas igrejas. Se a inclinação não é
pecado, então pedófilos vão correr
livre. Não sou um crente aqui, eu não
tenho problema nenhum, minha tentação é
neutra e tal. Porque de novo assim,
primeiro que é uma baixaria, né, um
argumento desse e quando você apela a
exemplos extremos, não é? Parece muito
chocante, né, pr algumas pessoas no
primeiro momento, não quero isso não na
minha vida, não, né? Mas esse argumento
é é fraco por algumas razões. Primeiro,
ele ignora algo muito básico. Nós
levamos em conta quem as pessoas são ao
tomar decisões pastorais e comunitárias.
Você leva em conta o histórico delas, as
inclinações que elas carregam, os riscos
envolvidos. Reconhecer que a tentação
não é por si só pecado. Não significa
agir com ingenuidade sobre tentações e
pecados que podem surgir a partir de
determinadas pessoas. alguém que possui
uma inclinação violenta e por causa
disso lida às vezes com tentações
relacionadas à violência doméstica e
controla isso muito bem. Ainda assim,
talvez casar com essa pessoa seja seja
problemático, né? Talvez você não dê sua
filha para casar com uma pessoa que tem
um histórico de violência, por mais que
ela tenha, que as pessoas tenha já se
controlado, esteja muito, você tem que
acreditar muito que essa pessoa mudou,
você não desconsidera quem essa pessoa
foi. Ou então pense alguém, para usar o
exemplo extremo aqui, que já foi
condenado por pedofilia, que então
encontrou Jesus na cadeia e agora quer
participar da vida da igreja. Ainda que
essa pessoa nunca mais sequer seja
tentada nessa área, ainda que essa
pessoa nunca mais cometa nada desse
tipo, dificilmente um pastor com dois
palitos de juízo vai colocar essa pessoa
sozinha com crianças na igreja. E por
que, pastor? Mas a a inclinação não é
pecado. Já deve ter percebido como esse
é um argumento um pouco infantil, né?
Mesmo que ela não esteja mais pecando
naquela área, ninguém sabe quantas
tentações ainda ela vai enfrentar na
vida dela. Ninguém sabe o quanto aquele
impulso vai ficar dentro dele. A gente
não tem como ver exatamente se Deus
tirou aquilo de dentro dele de forma
definitiva. Entre a tentação e o pecado
existe sempre um caminho possível.
Ninguém em san consciência vai colocar
outra pessoa em risco diante das
possibilidades de uma falha moral tão
grave virar violência contra alguém. Ou
seja, eu não preciso afirmar que alguém
está cometendo pecado no presente para
reconhecer que certas limitações são
necessárias pra segurança de uma
comunidade. Isso vale paraa pedofilia,
vale pra violência doméstica, vale para
alcoolismo, qualquer outro histórico
sério de pecado. Ora, eu mesmo já me vi
em situações pastorais assim, eu não
fico fazendo publicidade da minha igreja
na na internet, falando da minha vida
pastoral. Eu gosto da da minha igreja
existindo como uma comunidade que tá
fora dessas polêmicas aí do da vida
comum. Mas vou abrir uma coisa aqui. Uma
vez a gente recebeu na nossa igreja uma
pessoa que já havia sido condenado, não
por pedofilia propriamente dita, mas por
algo próximo disso. Não vou dizer aqui
nada do crime tal, não sei o quê, mas
não era, ele não pegou em nenhuma
criança diretamente, mas foram coisas
correlatas a isso aí. Juridicamente não
se enquadrou em pedofilia lá na
coordenação dele, mas assim, na nossa
linguagem comum a gente vai dizer que é,
tá? E pelo menos foi o tempo que eu usei
para me referir a ele para ele. Ele
estava profundamente arrependido,
afirmava que havia mudado, que aquilo
não fazia mais parte da sua vida, que
nunca mais ia fazer nada com ninguém.
Ótimo. Tomara que Jesus o alcance e o
transforme o e o mude e o transforme em
outra pessoa. Mesmo assim, a gente
deixou coisas muito claras para ele. A
gente diz para ele que ele não estaria
na igreja sem acompanhamento próximo, de
que qualquer aproximação inadequada com
crianças seria tratada. Deixa, como é
que eu diria isso? Eu acho que eu
ameacei ele de coisas que são
juridicamente irreproduzíveis aqui na
internet, tá? Só para deixar aqui bem
estabelecido. Com a autorização dele,
inclusive a gente reuniu a comunidade e
informou para todo mundo, ó, tem um cabo
aqui, foi preso, tá frequentando aqui a
igreja, não é membro, tá só vindo aqui,
quer encontrar Jesus, a gente não vai
fechar a porta do evangelho para ele,
não. Mas, ó, é esse cabo aqui, foi
condenado por esse crime aqui, cumpriu a
pena dele, tá arrependido, mas não vai
virar membro da igreja por muito tempo,
nunca vai estar sozinho com criança, tá
proibido de chegar perto de criança da
igreja, a gente recomendou a mulher dele
a não ter filho dele. Tem gente aí que
diz que, né, todo método contraceptivo é
pecado, né? Ter filho de de gente
condenada por pedofilia, talvez não seja
a melhor ideia que você tenha na sua
vida, né? Deu um tempo, ele decidiu
procurar outra igreja, talvez uma igreja
um pouco menos séria, não é? No no no
cuidado com seus próprios membros, mas
aí já é um juízo que eu tô fazendo, eu
já nem sei. Tem outros presbíteros da
igreja que estão responsáveis aí por por
informar, né, outro outra igreja na
carta de recomendação os cuidados que as
outras a outra igreja deve ter, né,
quando recebê-los. Ou seja, eu não
preciso dizer que esta pessoa, se ela
realmente tá arrependida, ela realmente
mudou, essa pessoa, ela tem essa
potencialidade dentro dela que se ela a
sentir, ela vai nessa direção. Eu não
tenho como dizer que essa pessoa está
pecando 24 horas por dia, porque a sua
inclinação é uma inclinação para um
pecado e uma maldade terrível e
abominável. Eu não tenho que dizer que
ela está pecando, mas se ela assentir a
isso, se ela der um passo em direção ao
que surge dentro dela, isso é uma coisa
absolutamente terrível, porque não
envolve só um pecado contra si mesmo,
né? uma ofensa grave contra outras
pessoas e contra pessoas que que Deus
ama, né, os pequenos de Deus, né, as
crianças. Você não tem que mudar a sua
teologia para tentar deixar as coisas
mais difíceis pros pedófilos. A teologia
cristã já é já é suficiente pra gente
saber como proteger o nosso povo. O
curioso, e aqui talvez eu tivver um
pouco é que muitos dos que fazem esse
tipo de crítica estão ligados e
relacionados a ambientes de ministros
que são conhecidos internacionalmente
por terem celebrado o casamento de
pedófilo com mulher da igreja. pedófilo
condenado só porque ele afirmou tá
arrependido. Mesmo o juiz tendo
recomendado que eles não tivessem filhos
nunca mais, que ele nem casasse. Teve
filho e o caba depois confessou que
sentia atração pelo próprio filho. Ou
seja, mesmo igrejas famosas aí nos
Estados Unidos, não tô dizendo quem, não
tô dizendo nem aonde é, só tô jogando
aqui informação aleatória, porque eu sou
uma pessoa muito bem instruída pelos
advogados. Existem casos internacionais
de igrejas que são completamente
relapsas em defender crianças de
pedófilo, mas que vão tratar o impulso
como pecado, enquanto igrejas que fazem
essa distinção, como o caso da minha,
por exemplo, tá lá protegendo crianças
de qualquer potencial risco. Ou seja,
esse tipo de de acusação extrema não
representa o que é a realidade, não
representa os fatos com relação à vida
de igreja de ninguém. E é só uma
tentativa de gerar gerar medo e como
emocional pela pura falta, não é? De
lidar com o texto bíblico de forma
correta. Resumindo, reconhecer que uma
tentação não é em si mesma pecado não
significa tratar o problema com
levianidade, significa lidar com a
realidade humana, com mais lucidez e com
profunda responsabilidade pastoral. Bom,
dito isso, que é que você acha? Você
acredita que a tentação já é um pecado
por si só? Que as identidades, as
inclinações que nós temos no nosso
interior, contra as quais nós lutamos,
por mais que sejam fruto do pecado, elas
já são por si só um pecado cometido
diante de Deus? Eu não acho que esse é
um debate entre crentes e descrentes.
Existem realmente cristãos genuínos que
pensam diferente de mim. A posição
reformada não é mais padrão, não é? É,
é. Não é essa a posição reformada. Por
mais que hajam alguns teólogos do
período da reforma e eruditos modernos
ligados ao movimento reformado que
defendam essa mesma posição, nas
confissões de fé reformada e em outros
documentos e autores reformados, você
vai encontrar uma posição diferente da
minha. Mas no fim das contas, não é? O
que importa pra gente é o que diz o
texto bíblico. A gente não é nem de
longe católicos da reforma, né? A gente
ainda acredita em sola escritura. E por
mais que a grande tradição cristã nos
ajude a lançar luz sobre o texto, no fim
das contas é o texto que julga a
tradição, não é a tradição que julga o
texto. Acreditamos num realismo
hermenêutico em que o texto é quem fala
a tradição. É o texto quem julga as
nossas confissões, é o texto quem julga
os nossos autores. São os autores e as
confissões que julgam o nosso texto. No
fim das contas, é o que é que tá
escrito, o que é que diz a palavra. Eu
acho que é isso. Tem outras pessoas
melhores do que eu que pensam diferente.
Existe pessoas melhores do que eu que
pensam igual a mim. Não acho que é um
debate entre crentes e descrentes. Eu
acho que existe um bom caminho aí de
discordância, de instrução teológica, de
aprendizado mul dentro desses assuntos.
É claro que nem todo mundo concorda que
esta não é uma batalha entre crentes e
discrentes, né? Tem algumas pessoas que
chamam essa posição que eu apresentei
aqui de heresia, né? Vão ter que chamar
muitos grandes teólogos famosos e
reconhecidos dentro do meio reformado de
herege, né? Mas chama muita atenção que
muitas dessas pessoas defendiam essa
mesma posição até semana passada. Mas
hoje, hoje não, hoje quem pensa, quem
divide, né, esse impulso interior do
pecado propriamente dito é um herege e
aí faz mon de acusação moral contra o
indivíduo. Alguém que diz isso tendo
seguido essa posição ao longo da vida
inteira até ante-ontem e agora já tem
uma uma posição completamente diferente,
já heréségica em pensa igual ele pensava
anteontem, deveria ter esse peso moral
sobre si mesmo. Então não. Ora, as
minhas pregações até ontem eram
recheadas de heresia. O meu ministério
pastoral, meu ministério de educação
teológica na internet era pura heresia.
Por quê? Porque eu era um herege. Eu era
um heree. Olha as consequências
terríveis das minhas ideias. Vou delatar
todos os meus vídeos até ontem. Vou
deletar tudo que eu já preguei até
ontem, porque tudo isso estava imiscuído
de heresia. Infelizmente, as pessoas
projetam um peso terrível de ofensa, de
xingamento pessoal contra pessoas que
creem nas mesmas coisas que eles cream
ontem e que teólogos que eles admiram
creem hoje. Mas parece que na internet
posições teológicas, compreensões sobre
as coisas vira um ambiente muito mais de
tentar marcar uma posição e tentar se
estabelecer como o grande influencer do
momento do que tentar de fato avaliar as
coisas teologicamente com tranquilidade
e tentar entender o que tá sendo dito
ali. Eu não vejo problema que ninguém
mude de opinião também. Eu tenho essa
compreensão. Eu acho que os argumentos
são muito sólidos. É possível mudar de
opinião sobre alguma coisa no futuro?
Com certeza já me dei opinião em temas
teológicos da minha vida. Eu até caí num
num caí num num erro, cometi um erro nas
minhas em um vídeo passado aqui do canal
sobre lado A, lado B, lado Y e lado X,
onde eu explico sobre questões
envolvendo homossexualidade, identidade
homossexual e usei a Rosária Butterfield
como exemplo. E essa treta inteira pelo
menos me ajudou a perceber que eu cometi
um erro estava desatualizado sobre a
Rosária Butterfield, porque a Rosária
mudou de opinião nas batalhas dela
contra o lado B, a galera que diz que
tudo bem ser um crente gay, coisa que eu
não defendo, ela acabou sendo cada vez
mais forte, não é, na na crítica dela a
essas pessoas que se dizem crente gays e
acabou indo para um caminho que parece
muito mais o lado X do que o lado Y. E
eu absolutamente não sabia disso, tá?
Isso aí é uma coisa que eu realmente
estava desatualizado. Então cometi um
erro no vídeo passado sobre esse
assunto. Fica aqui minha correção e eu
vou já ter um comentário lá no vídeo
passado com a correção disso, mas fica
aqui o aviso para vocês. Não tem nenhum
problema as pessoas mudarem de opinião,
tá? Tem autores que eu fui pesquisar que
eu descobri também que mudaram de
opinião de um lado pro outro ou do outro
pro. Não é, não tem nenhum problema
autores mudarem de opinião, mas se você
já teve essa opinião, você precisa ter
um pouco mais de candura no modo como se
lida com a opinião de outras pessoas,
né? Bom, é só um conselhinho pastoral aí
para você que tá ouvindo todas essas
coisas e acaba que e começa a achar que
tá dentro de uma de uma guerra, tá? Não
vai nessa pilha não de achar que isso
aqui é uma grande guerra do bem contra o
mal. Ó, meu Deus, os hereges contra os
ortodoxos, porque sempre tem gente
tentando fazer parecer isso, tá? Eu
tenho certeza que você que me segue aqui
já, já passou disso, já passou dessa
fase já na sua vida há muito tempo.
Existem coisas pelas quais brigar,
existem assuntos pelos quais chamar o
outro de here, que esse aqui claramente
não é uma delas, tá? Quem acredita que
é, pô, vai ter que chamarse mesmo de
muitas vezes. E você concorda comigo ou
discorda de migo? Como diz o, como diz o
youtuber, mantém o debate funcionando aí
embaixo. Deixa aí seus comentários, o
que é que você acha disso tudo que a
gente se encontra no próximo vídeo aqui
no 2D do de teologia. Não deixa de se
inscrever no canal e vai aproveitar lá
os nossos descontaços no Instituto Chefe
de Teologia e Cultura. Um cheiro no seu
cangote e até a próxima.

Tags: