TEOLOGIA E PRÁTICA DA IGREJA CATÓLICA ROMANA – PEDRO DULCI | PODCAST EDIÇÕES VIDA NOVA #89
23/03/2026
TEOLOGIA E PRÁTICA DA IGREJA CATÓLICA ROMANA – PEDRO DULCI | PODCAST EDIÇÕES VIDA NOVA #89
🎙️ Já está no ar mais um episódio do Podcast Vida Nova!
Neste episódio, conversamos com o rev. Pedro Dulci sobre o livro Teologia e Prática da Igreja Católica Romana, de Gregg Allison.
Ao longo do bate-papo, exploramos pontos centrais da obra, como:
❓ Como os evangélicos podem compreender as doutrinas da Igreja Católica?
🎯 Quais são as principais diferenças entre as doutrinas católicas e protestantes?
🤔 Como os católicos entendem o papel das Escrituras e a intercessão de Maria?
Adquira o livro: https://www.vidanova.com.br/livros/teologia-e-pratica-da-igreja-catolica-romana-uma-avaliacao-evangelica
_________________________________________________________________
EDIÇÕES VIDA NOVA
Edições Vida Nova: https://www.vidanova.com.br/
Versão Bíblica Almeida Século 21: https://bibliaalmeida21.com.br/
Teologia Brasileira: http://www.teologiabrasileira.com.br/
Cruciforme: https://cruciforme.com.br/
Instagram: https://instagram.com/edicoesvidanova/
Facebook: https://www.facebook.com/vidanovaedicoes/
Twitter: https://twitter.com/edicoesvidanova
Telegram: https://t.me/edicoesvidanova
Fonte: Edições Vida Nova
Legendas automáticas:
E aí, pessoal? Eu sou Saor Lucena e seja bem-vindo ao podcast da editora Vida Nova. Aqui a gente procura conversar com autores, pastores e teólogos em geral sobre os livros lançados pela editora Vida Nova e as questões importantes que eles abordam. E no episódio de hoje nós vamos falar sobre esse livraço aqui, Teologia e Prática da Igreja Católica Romana, uma avaliação evangélica do Greg Allison. Se você quer entender mais sobre uma das crenças mais importantes, mais centrais que nós temos na nossa cultura na atualidade, principalmente aqui no Brasil, quer entender mais sobre a religião católica? Quer entender o que é que eles creem e principalmente a distinção entre o que eles creem e o que nós protestantes cremos? Esse livro vai ser bção na sua vida, vai lhe ajudar a entender isso didaticamente, as diferenças sobre a interpretação da Escritura, papel de Maria, como funciona a salvação e outros pontos. E a nossa conversa de hoje também vai ser bênção para te ajudar nisso, porque quem vai conversar aqui com a gente hoje é o reverendo Pedro Dut. Pedro, seja muito bem-vindo. É uma alegria ter você aqui com a gente no podcast da vida nova. >> Saur, eu que fico muito feliz de estar aqui. Poucos sabem quanto nós desejávamos esse podcast, não é? Piadas internas, gente. Depois vocês perguntem pro Saor. Muito bom tá aqui, meu amigo. Obrigado pelo convite. >> Ah, meu irmão, prazer é nosso e verdade. Olha, a perseverança dos Santos acontece para gravar um podcast também, viu? Porque foi muitas, >> muitos altos e baixos aqui desde dezembro tentando gravar. Não sei que dia exatamente vai sair esse podcast, mas a gente tá aqui gravando por volta de março, né? em março e ainda e foi foram os bons meses de tentativas, mas no tempo que Deus queria, no dia que Deus queria, aconteceu tudo da vontade dele, pra glória dele. É isso aí, né? >> Amém. Ainda bem que o Tower não desistiu de mim. Ainda bem. >> Não, não desisti, né? É, é isso aí. Ah, Pedro, vamos começar com uma apresentação, né? Você já gravou outros episódios aqui com a gente? Quem já está acostumado aí com tanta coisa que você tem servido no ministério, já vai estar cansado até de ouvir a apresentação, mas tem gente tá chegando agora. Talvez tenha gente que tenha lhe ouvido no último podcast e faz tanto tempo a gravação que a gente tá tentando que a pessoa até esqueceu, né? Então se apresenta aí mais uma vez, meu irmão. >> Muito bom, muito bom. Meu nome é Pedro Lucas Dult. Eu sou pastor presbiteriana aqui em Goiânia. Sou pastor de uma igreja chamada Igreja Presbiteriana Maranata. E também junto com o Caik Fernandes, eu criei o Invisbo College, que é uma escola online de teologia e de filosofia. Basicamente são essas duas coisas que eh tomam todo o meu tempo e claro, né? minha família, casado com a Carol, pai do Benjamim, pai da Ana, minha alegria maior, mas eu tenho me dedicado a essas três coisas: o ministério local na igreja, o inc, que a gente chama ele carinhosamente de inc, minha formação em teologia, fiz seminário presbiteriano aqui em Goiânia, o seminário presbiteriano no Brasil Central e fiz graduação de filosofia, mestrado e doutorado na UFG, Universidade Federal de Goiás. Muito bom, meu irmão. Tá com tanta, tanto do tempo tomado com essas atividades aí que não sobra tempo nem para ler uma literaturazinha, uma historinha, né? A gente conversando aqui, né? Sobre ler, é só filosofia, teologia, coisa de igreja, coisa para dar aula. Mas é isso, por um lado eu agradeço. >> É isso. Mas por um lado eu agradeço porque assim você continua produzindo bons conteúdos para pra gente, né? Descansa não, pô. Vai vai só trabalhar aí para produzir coisa pra gente. Brincadeira, brincadeira. Mas, meu irmão, hoje falando nessas preparações para dar aula, para conversar, vamos bater um papo sobre um assunto importantíssimo a partir do livro aqui do Greg Alison, que é teologia e prática da Igreja Católica Romana, uma avaliação evangélica. E esse subtítulo faz toda a diferença do que é que a gente quer destacar aqui, né? Mas eu queria começar justamente com a motivação, o porquê do Elisson ter decidido escrever esse livro. E a partir disso, então, a relevância dele pra gente, você pode comentar pra gente? >> Esse aqui é um livraço que é vida nova, assim, um gol de placa, né? Ter publicado ele, o Gregon. Ele é um autor muito bom. Eu gosto muito do trabalho dele em história do dogma, que também é uma é uma disciplina muito interessante. Querendo ou não, esse livro aprofunda eh esses seus esforços de ver como é que a formação da doutrina aconteceu ao longo da história. Agora, o projeto dele, como você já bem antecipou, o subtítulo deixa claro, né? O título é bem explicativo. O Gregon, ele procura nessa obra fazer uma avaliação teológica eh da da do ensino oficial da Igreja Católica Apostólica Romana. Ou seja, ele não vai eh analisar práticas, expressões do catolicismo, expressão brasileira, expressão norte-americana, expressão europeia. Não, ele vai fazer uma avaliação da teologia e da prática da Igreja Católica Romana numa perspectiva evangélica. O que ele vai fazer com isso? Ele vai, ou bem honestamente, bem didático, bem rigoroso e bem pastoral, ele vai procurar entender quais são as concordâncias, se existem pontos de concordância entre evangélicos e católicos romanos. E claramente as divergências, aonde estão essas divergências pra gente poder compreender melhor tanto o catolicismo quanto a fé evangélica. A o a o ganho do livro, apesar da gente pensar assim, bem, a gente vai eh ganhar e aprender muito sobre a teologia católica. Não necessariamente. A gente também vai ver os nossos pontos distintivos que são assim comuns à fé bíblica e evangélica. e dizem respeito. Então, na logo na introdução ele fala: "Olha, vou fazer uma avaliação, pontos de convergência, pontos de divergência. Eu quero que vocês entendam melhor a igreja, a teologia da Igreja Católica, mas também ter clareza da do que é distintivo da Igreja Evangélica. >> Muito bom. Aliás, eu já tive a experiência de ler certos livros que estavam ensinando um tema em uma perspectiva, ah, e aí depois comparar com outra lendo só um outro livro. Então, livros individuais apontando diferentes perspectivas sobre o mesmo tema, mas ao ler um único livro que fazia diretamente a comparação, foi ali que eu consegui aprender mais e entender, inclusive até melhor os outros livros que eu tinha lido. Então, livros que fazem essa comparação, na minha opinião, tem um ganho didático enorme. Nós aprendemos muito comparação, não só pela via positiva do que é isso, né, mas pela via negativa também do que não é isso. Essas comparações eu acho bem relevantes assim. Então eu gostei demais desse livro aqui, a estrutura dele e é justamente isso que eu quero destacar pros nossos ouvintes que talvez comecem a entender, queiram entender um pouco mais sobre o livro. A gente não vai falar só sobre o livro, o livro é um gancho aqui para nós falarmos também sobre o tema, né? é a ideia do podcast, mas vale a pena fazer uma breve descrição desse aspecto livro para quem quer adquirir depois. Então, qual a estrutura geral que o Wellon segue aqui, né, e por que ele opta por essa organização, porque ele organiza o livro dessa maneira. >> Antes de falar sobre isso, só reforçando isso que você mencionou sobre o ganho de da comparação, >> muitas muitos eh catecismos antigos, eles colocavam assim: "O que que a pessoa cria, ó? Cremos que t tal tal tal tal tal tal tal sobre a escritura, sobre Deus. E aí viha uma parte assim, isso significa que não cremos em isso aqui, isso aqui, isso aqui é muito legal isso, porque a gente a gente consegue perceber não só no caso aqui, é no que que a gente discorda, mas também o ponto em que a gente afirma e que não e que não é eh sustentado do outro lado. Então isso que você mencionou é muito importante, é uma contribuição da obra. Isso, isso. >> Eu eu noto muito que na igreja várias vezes a gente, você como pastor aí até muito mais tempo que eu e tal, você a gente nota, né, que a gente ensina, a gente tá ali ensinando a igreja e a gente tá dizendo é isso, é isso, é isso. Mas muitas vezes, se a gente não dá essa negativa, então a gente consequências, né, implicações do que nós estamos afirmando, a igreja continua crendo em coisas contraditórias, né? sem problema nenhum, sem ver nenhuma contradição. >> Exatamente. Mas deixa eu repetir a pergunta aqui para para ouvinte. Então, então, considerando é isso aí. Então, agora a ideia é a gente entender essa parte da estrutura. Por que que o Wellon estrutura o livro do jeito que ele estrutura, como é a estruturação do livro que nós temos em mãos? Isso também é uma especificidade do livro e eu acho que é um grande ganho do livro também, porque ele organiza todo o livro com base no catecismo da Igreja Católica Romana, que é um documento oficial, a gente pode falar mais dele depois, mas é um é um já é uma sistematização oficial do ensino da Igreja Católica. Então isso é muito importante, porque se a gente não quer avaliar só práticas específicas dos católicos brasileiros, dos católicos europeus, mas a gente quer ver assim mesmo a teologia católica, o melhor lugar para procurar é aonde o Gregon procurou, que é o Catecismo da Igreja Católica. Ele fala que é um é um passeio, esse livro é um passeio pelo catecismo da igreja. É, a gente, ele sempre faz isso, ele apresenta. Isso é até uma coisa importante para quem for ler o livro, tomar cuidado, porque a metodologia dele é muito simples. Ele, primeiro, ele apresenta a doutrina e a prática católica de uma forma descritiva assim, sem comentários. Então, tome cuidado que às vezes você pensa: "Nossa, eu tô lendo um autor evangélico e parece que ele tá defendendo isso aqui". e espera porque depois a segunda parte ele sempre oferece uma avaliação e um comentário a partir da teologia evangélica. Então sempre a abordagem dele é assim: segue o segue a segue o catecismo, descreve e apresenta e depois avalia. >> E quando a gente fala desse catecismo, tem gente, na verdade que não conhece nem tão bem a palavra catecismo, né? Provavelmente a maioria dos nossos ouvintes já estão familiarizados de alguma maneira, mas vale a pena a definição dessa palavra. E então, ainda mais importante, o que é esse Catecismo da Igreja Católica, porque eu creio que pouquíssimos evangélicos têm a já tiveram a experiência de lê-lo, por exemplo, entender qual a importância dele. Então, eu queria que você descrevesse isso, né, para falar da importância dessa avaliação que o faz, o que é o catecismo da Igreja Católica e antes até o que é catecismo. >> Muito bom. Ah, isso é muito distante dos evangélicos, né, assim, porque a gente confissões, credos e catecismos, quando a gente usa essas esses três Cs, já imediatamente a gente remete à Igreja Católica Romana. Isso parece que isso não faz parte do nosso dia a dia, mas isso é falso, porque nós temos vários credos que os evangélicos subscrevem, nós temos várias confissões de fé e vários catecismos. Que que que é cada um deles, né? Um catecismo, ele é um sistema de organização da doutrina por perguntas. Por exemplo, a gente tem talvez o o mais famoso entre os evangélicos seja o catecismo eh maior e menor de Westminster. Tô aí puxando sardinha pro pro meu lado, né? >> Tá. Pode pode defender o lado presbiteriano da causa. Vá, vá. Beleza, obrigado. Eh, que é que são dois sistemas, um chama breve porque ele é pequeno mesmo e o outro maior porque ele tem quase o triplo do tamanho de perguntas, que é uma forma, é um caminho da pessoa ir até mesmo decorando aquilo para a partir de perguntas e respostas você organizar o conteúdo da doutrina. Por exemplo, aqui em casa a gente usa um catecismo para crianças, um catecismo infantil. ah, que que eu eu sempre faço com os meninos e é muito bom porque eles vão caminhando assim, quem é Deus? Eh, eh, quem ele te criou? Em quantas pessoas ele subsiste? E os meninos vão respondendo assim e vão organizando a doutrina dentro da cabeça deles. >> Aqui a gente faz também, cara, é muito abençoador essa esse instrumento de perguntas, respostas, principalmente para as crianças, né? Elas, se você só sai falando, discursando, parece que o entendimento é muito menor do que você levantar uma pergunta e então trazer a resposta. Isso isso é isso é muito verdadeiro pras crianças, porque às vezes as pessoas pensam assim: "Ah, isso é decoreba, mas é para decorar mesmo." A criança não tem vocabulário ainda intelectual para fazer análises abstratas. Então, o que que o catecismo dá? o conteúdo para quando chegar a oportunidade de reflexão, ela tenha conteúdo. Então, várias vezes a gente tá lá no carro, o meu mais velho vai e faz uma pergunta assim que tem a ver com a criação. E aí eu lembro a pergunta, eu falo pro: Benjamim, quem criou todas as coisas? Aí ele, Deus, né? E aí a gente começa a reflexão a partir do conteúdo teológico que ele decorou. É isso mesmo, ele decorou. Aí vem a reflexão abstrata. Agora, como você falou, se se a gente começa com a reflexão abstrata, colocando um monte de coisa na cabeça dos meninos, eles não vão pegar. É. É. Agora, quando você usa o catecismo ou, enfim, esse método, né, de perguntas e respostas, eu vejo que tanto acontece o aspecto de como você colocou, que é muito legal, né, isso de a tá ali no meio de uma pergunta, de uma dúvida ou de algo que ele tá falando e a gente joga essa essa pergunta para eles lembrarem, né, mas pera aí, você tá fazendo uma pergunta que você sabe a resposta, né? que diz tal pergunta do catecismo. Mas eu também já experimentei, eu creio que aí também deva ter acontecido o contrário, eu estando sobre algo e então aquele momento assim, pai, pai, é que nem a pergunta tal do catecismo. E aí vai lá e cita. E essas conexões são maravilhosas, essas conexões de conhecimento. Eu tava lendo, por exemplo, Narnia com os meninos, né? e tava lendo o Lema Feiticeiro Guarda-roupa, o segundo livro ali da série. E quando chegou a cena que você vê ali Aslan dando a sua vida, eh ele começou a fazer conexões com Jesus, fazer conexões com o catecismo e o que o catecismo diz. Então essas essas questões aí mostram como a utilidade do catecismo é legal. Agora voltando, né, voltando agora da ideia de catecismo em geral, que vale essa recomendação. A gente não deve ter um preconceito, não é porque a Igreja Católica usa catecismos que a gente não deve usar, né? A gente tem coisas certas aqui também, né? Então, ah, agora trazendo paraa definição específica do Catecismo da Igreja Católica, o que é esse catecismo em si? Isso é muito importante para outros pontos que nós vamos falar sobre a hoje aqui, porque a Igreja Católica, a ideia de ensino autorizado é muito forte. E o catecismo, portanto, ele é o documento oficial da igreja para organizar o ensino. Ele é uma expressão autorizada de de ensino abrangente sobre o catolicismo. A metodologia é por perguntas, mas ali a gente tem as doutrinas, as práticas e as formas oficiais de interpretar a escritura, a tradição e as práticas da igreja. Então, ele é uma fonte normativa. Ele é uma fonte normativa da Igreja Católica Apostólica Romana. Não é assim como a gente tá falando aqui eh de catecismo. Por exemplo, a gente tem o catecismo da nova cidade que o Tin Keller eh organizou e e uma expressão bem contemporânea de um catecismo. Ótimo. Mas é uma expressão eh que é muito boa, os evangélicos usam, mas ela não é a versão autorizada. de uma igreja. O catolicismo eh romano, ele tem um catecismo que é a expressão autorizada do seu ensino, que é que é esse documento. Então, a gente precisa ter clareza de, ah, por que que o Gregon escolheu ele para para fazer? Porque que ele não escolheu, sei lá, uma teologia sistemática de um teólogo católico famoso ou um ou um documento do Papa? Porque esse o catecismo ele é ele é a reunião oficial das doutrinas, das práticas e das interpretações eh do catolicismo. >> Sim, eu acho que aqui vem um aspecto que é a honestidade da avaliação, da crítica, da apologética, eh do estudo, porque nós vivemos num mundo que busca ganhar independente de como, né? Então, quando se fala de debater um tema, as pessoas criam caricaturas ou partem de uma caricatura. É aquela coisa, ao invés de debater o ensino da Igreja Católica, pega um vídeo lá de um um católico lá, às vezes do interior, não sei da onde, que infelizmente não teve muita muita muito ensino. E ali tá falando alguma coisa extremamente exagerada. E aí diz: "Ó, mas a Igreja Católica ensina isso". E existe uma perspectiva pra gente analisar disso, mas existe uma distinção do que é a caricatura e do que é o oficial, né? Isso aqui acontece até para nós também, né, Pedro? Eh, pra nossa análise também, ainda que a gente não vá ter esse mesmo nível de autoridade da tradição que os católicos trazem, né? >> Sim. Eu gosto muito desse exemplo, como você terminou, né, aplicando para nós. Se nós que fazemos para a igreja evangélica, ela é uma expressão descentralizada de fé, nós temos batistas, presbiterianos, Assembleia de Deus, metodistas, diversos. Quando a gente vê uma alegação na esfera pública, ah, os evangélicos, a gente fala assim: "Não, pera aí, não é bem assim. Eu eu eu não penso assim. A minha teologia não é assim, minha tradição não faz parte. Imagine uma igreja que tem quase 1 bilhão de membros. a gente tá falando da da maior instituição unificada da Via Láctea. Pode ter outra fora em outra galáxia, mas aqui nessa galáxia é a Igreja Católica. Então, por um lado, >> é muito fácil de fazer uma caricatura disso, porque um católico, um padre católico, eu tive, eu já a gente teve essa essa possibilidade de conhecer teólogos e padres católicos diversos aqui no Brasil. Você vai conhecer um padre, um teólogo católico inglês. Ele é bem diferente. A gente vê os papas, um papa latino-americano, um papa argentino, um papa norte-americano, tem ênfases distintas. Eh, então, e isso garante a honestidade do trabalho do Gregon. Isso garante a objetividade do trabalho dele, de que ele não tá analisando assim um uma caricatura do catolicismo com base nos últimos escritos da teologia da libertação latino-americana. Ele tá ele tá lidando com a doutrina oficial. Isso isso traz um peso e um rigor muito maior pro pro trabalho do Gregon, como também pra gente entender o que que é o catolicismo, >> até para dialogar com eles também, porque quando você fica nessa de ah, mas eu vi um católico afirmando isso, aí eles vão poder falar: "Ah, mas eu não creio". Assim, quando você vai a partir do documento oficial, não importa se você tá conversando. E e eu acho bom fazer um parêntese aqui, o objetivo desse livro e o objetivo da gente aqui não é também da munição para que você humilhe católicos, né? Que você passe por cima com um trator, para que você saiba dialogar com humildade para ganha-lo para Cristo, para ganhá-lo para o verdadeiro evangelho e tudo mais. Mas voltando, quando a gente fala com um católico assim, ele pode dizer: "Ah, mas eu não creio assim". É diferente quando a gente avalia um documento oficial, porque a gente pode dizer, mas se você é consistente com a fé que você diz professar, você deveria crer, porque é isso que os seus documentos ensinam, né? Então eu acho que tem essa relevância bem prática até para as conversas com o próprio católico, não é verdade? >> Isso isso mostra como que essa essa postura confessional, é assim que a gente chama, né? com seus credos, confissões de fé e catecismos. Como ela é importante pros evangélicos também, pra gente não ficar dependendo só do meu pastor favorito, do meu teólogo favorito. A gente tem confissões batistas, confissões presbiterianas, a gente tem clareza sobre o que significa subscrever uma confissão. Isso é muito importante para nós. Por quê? porque tira a gente do subjetivismo religioso sem critério. E aí coloca a pergunta sobre coerência. Eh, como é que você faz parte de uma instituição que você não crê na nas suas expressões eh confessionais oficiais? Isso é muito forte no cat. E aí, a o Gregon vai pegar esse catecismo e semelhante a catecismos como o que temos da da Jess Minster ou Catecismo Batista, enfim, ele vai pegar doutrinas e vai avaliando, né, as expressões ou ensino. E dentre essas doutrinas, nós temos várias que nós poderíamos trazer aqui pra conversa, mas não dá pra gente abordar todas, seria impossível. Quem quiser se aprofundar é no livro, sempre vale a pena lembrar, é no livro que você vai encontrar isso, mas a gente quer conversar sobre algumas. E eu acho que uma muito relevante para percebermos distinções entre o catolicismo e o protestantismo, é a visão das escrituras que os católicos vão ter, né? Então, de maneira mais geral, como o entendimento católico romano eh difere do entendimento evangélico a respeito das escrituras? Muito bom. Esse aí é o tal, às vezes os evangélicos pensam que os pontos centrais de discordância é quanto a Maria, sacramentos, que são as coisas que eh nos distanciam os santos, que nos distanciam muito dos católicos, mas >> tanto o catecismo começa por aí, como também aí está um dos grandes motes da reforma protestante, porque a compreensão é muito diferente, não só quanto a autor autoridade da Escritura, mas também a interpretação da Escritura e a transmissão da Escritura. Vou explicar cada um desses pontos. Primeiro, na a Bíblia no catolicismo, ela não é vista como uma autoridade solta, eh, independente das outras. Dentro do catolicismo, é sempre um conglomerado entre tradição e escritura. Porque a Bíblia ela não pode ser interpretada sem a tradição. Existe uma interpretação oficial sobre a escritura. Não só tem um olhar paraa escritura, não só tem uma decisão da igreja sobre o que é escritura e o que não é. Por exemplo, a Bíblia católica tem mais livros do que a Bíblia protestante. >> Então, há uma há uma compreensão do que que entra e o que que sai, a transmissão, que é a igreja que determina isso dentro do catolicismo. A igreja cria o canon. Essa é uma diferença muito gritante da evangélica. A evangélica reconhece o canon. A a o canon cria a igreja. Se a gente quiser colocar assim, é a Bíblia que cria a igreja, não é a igreja que cria a Bíblia. O nosso fundamento inicial é a escritura e a partir dela a igreja é construída. Na visão católica, seria correto dizer que a igreja é o fundamento inicial e a partir da igreja vem a escritura. Exatamente. Exatamente. Esse é o ponto. E aí, por causa dessa afirmação fundamental, a a Bíblia não tem autoridade sozinha. Ela só tem autoridade quando ela está alinhada com a autoridade da igreja. A Bíblia não pode ser interpretada sozinha. Ela só pode ser interpretada quando ela está alinhada à interpretação oficial da igreja. Veja, a os evangélicos também têm outras fontes para sua teologia. A gente diz, tem pelo menos quatro fontes clássicas. para toda a expressão teológica é a Bíblia, a tradição, a experiência pessoal e a razão. Os evangélicos creem nisso também, só que tem uma diferença dessas quatro fontes, tem uma delas que é inerrante, tem uma delas que é infalível e não é a mente humana, não é a experiência humana, muito menos a tradição, é a palavra de Deus. É isso que distingue a avaliação evangélica da apreciação católica romana da Escritura. A gente encara a Bíblia como autoritativa a despeito da tradição, da experiência humana e da razão. A Bíblia avalia essas outras fontes porque ela é a única fonte inerrante. As outras fontes são importantes, mas elas são errantes. Elas podem errar, elas são falíveis, elas precisam de correção, elas precisam de crítica, de melhoramento. Normal. É uma expressão humana. Um catecismo é uma expressão humana. Um credo é uma expressão humana. Uma confissão de fé é uma expressão humana. Agora, tem muita diferença as expressões humanas que são avaliadas pela escritura, que querem estar debaixo de sua autoridade e outras expressões humanas que querem eh colocar a escritura em pé de igualdade. E essa é a importância da gente dizer que o catecismo ele é um documento oficial da igreja, igual a gente disse antes. Por quê? é através dele que a escritura é avaliada e não a escritura avaliando o catecismo. Quando a gente diz que o catecismo ele é uma expressão autorizada, é porque justamente ele interpreta, ele mostra como a Bíblia é transmitida e ele tem autoridade em pé de igualdade com a escritura >> na visão católica, o que é distinto da nossa, né? Perfeito. >> Isso é nós estamos igual o livro do Gregon, né? A pessoa tem que saber assim que que a gente tá falando. Nós não concordamos com isso. É, é, é. O cara faz um corte do vídeo aqui. Vai sair errado isso aí, hein? Olha o que Pedro Dut afirmou. >> Pastor presbiteriano diz que tradição está em pé de igualdade com escritor. Não está. >> É isso aí. É isso aí. Tem que tomar cuidado com isso. Mas isso é um ponto de partida muito importante pra gente, porque a escritura é o que vai dar o norte. é para paraa nossa visão. E na visão deles a escritura é mais a tradição. Então a gente vai ver até os outros as outras doutrinas aqui partindo desse entendimento que a gente já tem da escritura. Muitas das diferenças a gente já vai saber que é por causa da visão de que a tradição está em pé de igualdade com a escritura. Agora, se você me permite, ah, por favor. Claro, claro. >> Eu eu ia falar aí, se você me permite, um uma coisa, uma doutrina que é muito cara para nós e que é muito criticada pelos católicos é a doutrina do solo e escritura. >> Porque o que que vu, eu eu uma vez ouvi um apologeta católico, ele falando como que os evangélicos são radicais, porque para eles é só Cristo, só a escritura. Aí ele citava, né, alguns mortes da reforma protestante e ele dizendo que o catolicismo não, que o catolicismo aglutina, tal. A gente vai chegar daqui a pouco sobre isso. Mas por que que o solo escritura marca essa diferença na nossa compreensão de Bíblia? De novo, não é porque, e a crítica católica é que assim, ah, vocês só têm a escritura, não é que a gente só tem a escritura. Pegue os escritos dos reformadores, Calvino, Lutero, Zuinglio, Martin Buter, todos os outros. O tempo todo eles estão citando os os chamados pais da igreja, os teólogos medievais, eles conheciam essa tradição. A grande questão é que só a escritura tem autoridade final, infalível, inerrante. Esse é o ponto. Não significa que a gente não tem tradição, que a gente não aprecia a grande tradição da igreja, mas só a escritura tem esse caráter autoritativo último para um evangelho. Por isso que a gente tá sempre fazendo uma análise evangélica, porque não é uma análise batista, não é uma análise presbiteriana, é uma análise do cristianismo bíblico. Como que o cristianismo bíblico avalia e aproxima-se ou distancia-se de expressões muito concretas de igrejas, como, por exemplo, a Igreja Católica. >> Perfeito. É a distinção entre o sola escritura e o nuda escritura, né? que >> exatamente >> a gente aprende com a tradução, a gente entende a importância de aprendermos com outros irmãos que se debruçaram sobre a palavra, que foram piedosos, que buscaram o Senhor, mas sempre analisando a partir da Escritura para que naquilo que nós vemos que aqueles irmãos foram fiéis à escritura e nos deram mais a profundidade na interpretação de certas doutrinas dela, estamos com eles. aquilo que nós vemos que eles acabaram se equivocando ou se distanciando gravemente, nós dizemos: "Não, não ficamos com a pessoa, ficamos com a escritura, né? Eu acho que isso é importante." Inclusive nessa questão de tradição, e aí voltando a se você me permite, né? Mas era trazer essa pergunta para o canon, que foi o que você citou, né? Lembrando, a ideia de Canon, é a regra ali, são os livros que são ah reconhecidos como palavra do Senhor. Na igreja eh protestante nós temos 66. Na Igreja Católica são 77, agora fiquei em duas. São sete livros a mais, né? 74. Então >> é, são 73. 73 foi a conta. Foi horrível. Agora não julgue a nossa teologia pela minha matemática. Isso aí, eh, edita isso aí pra gente não parecer ignorante na matemática. >> É verdade. Verdade. Mas é isso. Quem é bom de de exatas tem dificuldade nas humanas e o contrário também acontece. >> Mas ok, são sete livros a mais e quatro acréscimos, se eu não me engano, eh, que temos em Daniel e Ester, né? >> Mas >> OK. E aí nós olhando para isso, o porquê o por que isso acontece, né? você já trouxe a ideia aí da tradução e tal, mas especificamente esses livros, né? O que que a gente pode ver assim em termos gerais desses livros a mais? Onde é que eles ficam, né? Eu citei que existe números a mais, mas onde é que eles estão na escritura? Enfim. >> Muito bom. Eu acho que isso é uma boa é uma boa porta de entrada pra gente explicar até uma disciplina que é muito bom. E o Gregon também tem um livro excelente sobre isso que eu chamei de história do dogma, né? que é a, é diferente da história da igreja, história da filosofia, história do pensamento cristão, a história do dogma, ela conta como que as doutr, qual que é a história de formação das doutrinas, porque de fato uma coisa é a palavra de Deus revelada para nós, registrada por homens eh divinamente inspirados, isso é a Bíblia, a revelação. Por outro lado, a nossa formulação da trindade, da dupla natureza de Cristo e inclusive do próprio canon, é uma formulação doutrinária. E por isso que tem variação, por isso que a gente tem 66 livros e eles têm 73. Agora, como é que isso se dá? Então já fica a dica que o Gregon tem um outro livro muito bom sobre isso. A igreja tinha eh sempre teve nos seus concílios, nas suas nas suas reuniões conciliares com os líderes da igreja, sempre teve os seus critérios para decidir canonicidade. Também não dá para falar sobre isso aqui, é um assunto muito bom, muito interessante, mas eh sobre a a o recon no Antigo Testamento, o reconhecimento disso da tradição judaica. no Novo Testamento, eh, se veio de um apóstolo ou de alguém muito próximo de um apóstolo, se tinha concordância interna, que a gente chama de concordância canônica, ou seja, dentro do próprio cano. Só que uma coisa são os protestantes fazerem isso numa numa postura passiva diante da revelação. Ou seja, eu reconheço os livros do canon. A a escritura me diz aquilo que é canônico e o que não é canônico. A própria escritura dá conta disso. E a igreja reconhece o grande ponto de distinção que o Gregon chama atenção aqui é que existe o magistério da igreja. Isso é um é um é um concepção muito forte em que eles não reconhecem o canon, eles criam canon, eles eles >> eles for >> definem >> canon, >> eles definem o canon. Exatamente. >> Uhum. E isso volta aquele conglomerado que a gente falou de escritura e autoridade para dizer que a escritura passa a existir junto e dependente da autoridade do magistério. Os evangélicos não acreditam nisso. Os evangélicos, é claro, a gente discute muita coisa. eh teólogos da igreja evangélica e da igreja protestante muito específicos, eles podem discordar aqui e ali, tem a velha eh e anedótica história de Lutero com a carta de Thago, que deu muito >> Mas claro, era a opinião, é a opinião de de uma pessoa. É muito importante quando a gente estuda história do dogma, concílios e catecismos, justamente para mostrar, olha, a despeito do Lutero, que nós somos signatários e devedores de muita coisa, a própria Bíblia não mostra contradição tão grande assim, tão evidente como ele via entre os escritos do apóstolo Paulo e de Tiago. Então, >> aliás, não há contradição, né? A ideia de um paradoxo ali que quando a gente estuda a fundo, a gente vê como se harmonizam, né? >> Harmonizam. Então, a gente tem uma postura passiva diante disso, de deixar a Bíblia criar as as os nossos princípios interpretativos, a nossa recepção do seu ensino, mesmo que para nós seja uma aparente contradição, na verdade, uma complementaridade linda. Na Igreja Católica não tem isso. Na Igreja Católica a gente tem um magistério que é responsável por dizer aquilo que está dentro e está fora, que define aquilo que é Bíblia. E nesse sentido é correto dizer que a a igreja cria a escritura e não o contrário. >> Uhum. Uhum. Nessa distinção é relevante e aí tá a causa, né? E esses livros, no final das contas, eles estão ali no Antigo Testamento. Tanto os livros em si quanto as adições estão no Antigo, no Novo. Nós estamos de acordo nos 27 livros, mas eh vale a pena destacar, né? Porque é um dos outros temas mais comentados. Eu acho que se a gente pudesse colocar aí top três, né? Talvez fosse Maria imagens e o canon diferente. Talvez, né? Se pudesse colocar mais um santos estariam embutidos. Mas é isso. OK. Agora vamos avançar aqui, né? A gente já falou aqui dessa parte da do entendimento da escritura. Agora, quando a gente avança e entra na salvação, né, que é fundamental, afinal é o que nos eh garante esse relacionamento com o Senhor, é o que dá a retorna para nós o sentido da nossa vida. Então, pense num tema relevante pra gente tratar. E aqui, na verdade, talvez tenhamos o maior diferencial, certo? Eh, eu falei daqueles outros que são os mais aparentes, mas aqui é que nós talvez tenhamos o maior diferencial entre os católicos e protestantes. Qual é a diferença entre a visão católica de salvação e a visão protestante de salvação? >> Muito bom. Eu acho que aí, de fato, tem um eh um ponto de antítese muito grande entre evangélicos e católicos romanos. A gente pode fazer essa diferenciação em termos esquemáticos em torno de duas palavras. Enquanto na doutrina católica a salvação ela é infundida, na doutrina protestante ela é imputada. Eu vou explicar cada uma delas. Isso ajuda, ajuda a gente esquematizar. primeiro infundida. O que que significa dentro do catolicismo romano, dentro do cristianismo de maneira geral? Porque tem teólogos, inclusive bons teólogos da tradição protestante, que também usam esse esquema, mas de uma forma diferente. Mas dentro do catolicismo romano tem um esquema muito elucidativo que a gente chama de eh natureza e graça. O Herman Baving, que é um grande eh teólogo protestante, ele gostava também desse esquema. Não há nada de errado e em crer nele. Agostinho, né, que é um teólogo da igreja, gostava muito de natureza e graça. Mas o que que isso significa? Ajuda a gente a entender que para um católico romano existe uma cooperação entre natureza e graça divina. Por isso que a graça infunde na natureza humana sua salvação. protestante, se a gente for pensar nesse nesse mote natureza e graça, um protestante de maneira muito clara, toda música evangélica fala isso, a salvação é pela graça tão somente, ou seja, não tem cooperação entre natureza e graça, porque a gente acredita que a natureza humana foi totalmente corrompida, totalmente afetada no que diz respeito ao nosso acesso a Deus, o que diz respeito ao que a gente pode fazer. para sair da inimizade com Deus. Não há nada que a gente possa fazer. Nós estamos mortos nos nossos de pecados. A as imagens bíblicas é sempre de uma pessoa morta, é que não vê, que não fala, que não consegue agir e que a graça divina precisa fazê-la nascer de novo. Então, o católico romano tem uma percepção diferente. Ele não acha que a natureza humana está totalmente depravada no que diz respeito aos assuntos religiosos. Se a natureza for corretamente conduzida e suplementada com a graça, a pessoa pode encontrar salvação. Isso tem implicações pra doutrina dos sacramentos, pra doutrina da igreja, pra doutrina da vida cristã e dos hábitos, das penitências, uma série de implicações muito práticas, porque no fundo tem a imagem de que a graça infunde na natureza. Enquanto para nós a imagem forense, ela é muito importante, a imagem de que a justificação ela é uma declaração de Deus totalmente gratuita, sem nada que a gente pudesse fazer. >> Uhum. E essa ideia de infusão, ela é muito importante, né? Agora, às vezes o termo em si, as pessoas não estão tão familiarizadas. Então, a gente poderia tentar usar aqui de sinônimos a ideia de talvez derramar, né? Infundir seria ali derramar. Eh ou até mesmo como consequência como se a salvação, que nesse caso aqui está sendo muito tratada relacionada à ideia de justificação, ela fosse eh causar uma transformação na natureza, né? Pegando o termo que você usou. Então, na visão católica, seria correto a gente dizer que eles entendem que o homem é tornado justo, né? Ele ele não é mais injusto. Agora, ele foi tornado justo, enquanto que na visão protestante ele é em si mesmo. Ainda injusto porque ele pecou, mas ele é declarado justo, declarado inocente, ainda que pecador. E aí talvez até trazer aquele termo de Lutério, né, do simultaneamente justo e pecador. justo porque foi declarado justo pelo juiz graças ao advogado que é Cristo, ao pagamento que ele mesmo trouxe, mas também ainda pecador em nós mesmos, porque nós pecamos, né? Exatamente. Exatamente. Essa é a melhor explicação. O Gregson num determinado momento aqui do livro falando sobre a doutrina da salvação, ele vai falar, ele pega um trecho do catecismo que mostra com clareza essa diferença. Ele fala, o catecismo diz assim: "Quando Deus move o coração do homem, o homem não fica sem fazer nada." Veja, veja o que a gente chama na teologia de sinergismo. Tem uma, tem duas energias aí trabalhando juntas. Deus move o coração do homem, mas o homem não fica sem fazer nada enquanto Deus tá movendo o coração do homem. Um um protestante, um evangélico vai dizer: "Não, a salvação ela é monergista, ela é um poder só agindo, poder da graça. E enquanto Deus não me faz nascer de novo, eu não posso me mover na direção dele." Então isso faz isso, isso coloca a gente numa separação muito aguda. A gente vai falar de pontos de convergência porque eles de fato existem, mas aqui há um ponto de divergência muito extremo. Sim, na verdade foi esse o principal stopim de separação, né, entre a Igreja Protestante e a Igreja Católica, né, ou a formação da Igreja Protestante a partir da Igreja Católica. Não foi a adoração em imagens, não foi o papel de Maria, não foi outras coisas, ainda que houvessem divergências também nesses aspectos, mas o principal, né, como você destacou agora, principal diferença se diz respeito à salvação, porque é uma questão de você acha que você é salvo pelo quê, né? Na visão protestante é somente pela graça, por meio da fé, que é um dom de Deus. Agora, na visão católica, é a é a graça mais as obras, né? É a fé mais obras. E aí, no final das contas existe mérito humano. Eu fui salvo porque eu também cooperei, porque eu também fiz. E aí a salvação que deveria pertencer, a glória da salvação que deveria pertencer somente a Deus cai por terra. E aí a gente já vê como, por exemplo, o o só lhe deu glória, o somente a Deus a glória está intimamente ligado ao sol a fida, somente a fé, o sol a grát somente a graça, né? >> Exatamente. Isso é muito importante para nós, porque >> é claro que antes da reforma protestante nós tivemos defensores da da graça de Deus. por exemplo, Agostinho, eh, uma das grandes discussões dele é o contra o pelagianismo, que era essa ideia já antiga de uma cooperação eh do poder de Deus com o poder do ser humano. E o Agostinho dizendo: "Não, é radicalmente a graça". E por isso que depois os teólogos protestantes, recuperando muito a visão de natureza e graça do Agostinho, vão dizer como que eles estão de acordo com o ensino tradicional da igreja. eh aonde eles acertaram quanto a escritura. Então, eh eh isso, isso foi recorrente, essa discussão foi recorrente na modernidade. A gente teve lá na Holanda, o jancenismo que o Blaze Pascal, um filósofo matemático diferente de nós dois, né, fazendo contas aqui, o Blaz Pascal, eh, foi muito influenciado pelo jancenismo, que também era dentro da Igreja Católica uma crítica, uma tentativa de reforma na visão de graça, na visão de queda do ser humano. E e isso é importante pra gente perceber que a reforma foi mais um foi um movimento muito contundente com com pegou um momento da história que foi muito propício e que desencadeou então eh uma uma verdadeira revolução eh dentro do dentro do cristianismo. Eu acho que isso que você destaca é extremamente relevante, porque para alguns católicos, inclusive a o passar para o protestantismo é uma grande barreira, porque é tipo assim, não, o protestantismo só surgiu no século X, né? Essas ideias só surgiram no século X. E não, a verdadeira igreja sempre esteve ali no meio, né? Eh, e essas o evangelho sempre esteve ali nos remanescentes, em alguns ah poucos dentre tantos, talvez. Mas ainda assim havia isso tudo que foi eh destacado na reforma, que até hoje nós pregamos, isso não é uma ideia nova, isso é, na verdade retornar até mesmo, né, o que estamos falando não é retornar ao século X, é retornar à escritura. Eu ensino dos profetas, de dos apóstolos, do próprio Senhor Jesus e também do que nós vemos vários servos do Senhor ensinando ao longo da história da igreja nos primeiros 15 séculos, não só a partir do século X, que a gente vê, né? Exatamente. Exatamente. A gente isso, isso precisa trazer história paraa nossa fé, porque às vezes os evangélicos se sentem também muito, uma coisa muito nova, sem raízes. Inclusive, muitos católicos tentam assediar os evangélicos nesse ponto, assim, assediar no sentido de de convencer de assim, olha, olha a nossa tradição, olha olha olha a beleza da nossa instituição. Pera aí, não é deles. E Agostinho é tão tanto nosso quanto deles. Cantá, >> diria até que mais nosso, hein? Diria até que mais nosso. Eu também acho que ele estaria muito mais nessa discussão específica que ele estaria conosco. Então, eh, a gente recuperar isso, estudar isso, eh, é muito importante pra gente não pensar assim que a nossa fé é de segunda linha. É verdade. Perfeito. Agora vamos falar do assunto que é onde o pessoal também faz a diferença. Tanto o alguns protestantes, né, nos extremos, tanto alguns protestantes têm o preconceito, quanto alguns católicos têm o preconceito, que é qual é o papel de Maria, né? Para para muitos católicos, a barreira com o protestantismo é: "Mas vocês não gostam de Maria?" Que é isso mesmo. A gente não gosta de Maria, o protestante. Eh, a gente não acredita. Eu já ouvi essa, né? Protestante não acredita em Maria. o qual é a distinção de maneira geral, né? A gente não tem como descer aos detalhes, mas de maneira geral entre a visão protestante de do papel de Maria e a visão católica a respeito dela. >> Muito bom. Eh, eu acho que isso, principalmente no contexto brasileiro, que é muito eh centrado na devoção a Maria, ele é ele isso é diferente em outros contextos. Eu não, eu não sei se vocês se lembrem, quem tá nos ouvindo se lembra, mas uma das primeiras declarações do atual papa, eh, que chamou muita atenção das pessoas, era que era era sobre a não ênfase na intervenção e na mediação de santos, mas na exclusividade de Cristo. E eu lembro que eu recebi isso muito de vários amigos, assim, gente, gente católica, tal, tá vendo? Eu falei primeira coisa, eu falei assim, calma lá, não pense que também o ensino oficial sobre Maria caiu, porque não caiu >> o papa se converteu. O papa se converteu. >> Eu falei: "Calma lá, vamos devagar". Mas ele chamou atenção e isso é uma distinção do catolicismo eh do norte do catolicismo do sul. catolicismo do Sul muito idólatra nesse aspecto, enquanto os os ingleses, os norte-americanos são bem mais centrados em Cristo novamente. Então, se a gente tá falando do ensino oficial da igreja. No ensino oficial da igreja, Maria é uma intercessora, ela tem uma natureza divina também por ter sido escolhida por Deus para ser a mãe de Deus. E aqui tem uma expressão muito forte e que a gente precisa qualificá-la pra gente não cair em dois extremos. a expressão Teotópos, que é ah, Maria é mãe de Deus. E aí, para isso, ela precisa de natureza divina também. Os protestantes questionam, então primeira coisa, os protestantes gostam da Maria, não tem nada contra Maria, acreditam na Maria, precisam que uma jovem chamada Maria tenha existido ali por volta do primeiro século, que tem engravidado, que tenha dado a luz a Jesus, porque o a nossa fé ela é histórica. A gente precisa que o segundo Adão, da mesma maneira que o primeiro Adão, seja um ser humano histórico, concreto no tempo e no espaço, como dizia o Shefer. Então, Maria, muito importante para nós quanto a isso. >> Nós admiramos, admiramos inclusive a fé que ela teve, é a sua obediência, o ex-me aqui, né? Então, >> exatamente, ela é ela é junto, ela ela é um membro do povo de Deus. A gente não crê que a igreja surgiu no Novo Testamento. A igreja sempre surgiu, ela era membro do povo de Deus. Então, OK. Por outro lado, a gente não crê que para ser mãe de Deus, porque a gente não separa a dupla natureza do redentor, isso é um ponto que às vezes é difícil pra gente entender, porque a gente não tem muitas coisas na realidade que tem duas naturezas sobre a mesma mesmo aspecto e ao mesmo tempo, como Cristo. Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Eu nem gosto do 100% homem, 100% Deus. É verdadeiro Deus e verdadeiro homem. sobre o mesmo aspecto e ao mesmo tempo. >> Uhum. Eh, então, Maria, mãe de Jesus, ela, a gente não tá errado em dizer que ela é mãe de Deus por causa da natureza do redentor e não da natureza dela. Porque se a gente diz que não, que ela, ela foi a mãe do menino homem, Jesus, da natureza humana, e depois de alguma maneira a natureza divina veio para cima de Jesus, não. E isso isso é uma heresia. E aí a importância de estudar a história do dogma heresia antiga chamada nestorianismo. Tinha um cara chamado Nest que defendia exatamente isso. Na teologia às vezes a gente tem que fazer essas concessões, porque se a gente, por exemplo, nega essa expressão porque ela parece católica demais para nós, mãe de Deus, a gente acaba caindo numa heresia muito pior. É >> melhor qualificá-la. A gente acredita que Maria é a mãe de Deus, sim. Não por causa da natureza dela divina, mas por causa da natureza divina do redentor. >> Perfeito. E aqui eu só quero fazer esse parêntese aqui, depois você pode continuar, mas eh como aqui a gente vê um um ponto em que nós respeitamos a tradição e a sua relevância, né? Então esse debate onde nós vemos nestorianismo ser condenado como heresia, ao ponto de até hoje nós entendermos que não devemos fazer esse tipo de separação entre a natureza humana e a divina de Cristo. Isso é algo que foi aprendido, né, ou desenvolvido a partir da escritura, mas pela tradição, por homens do Senhor e tudo mais. Então, eh nós nós aprendemos, né, nós temos os concílios ecumênicos no sentido de que tanto os católicos quanto os protestantes concordam, enfim, né? Então esse parêntese é relevante pra gente dar um exemplo claro, né, do que a gente citou antes. Mas continue aí à vontade. >> Veja a import. É isso. Eu também concordo plenamente com você. Veja a importância da gente saber, porque às vezes a gente só defende e só nega, porque a gente não quer parecer com católico, mas como a gente não conhece a história, aí a gente a gente fica parecendo com here que é que é que é tão tão ruim quanto. Então a gente tem que tomar muito cuidado. Foi condenado, foi condenado por um concílio ecumênico da igreja que a gente acha que a condenação foi correta, é uma heresia mesmo. Então é preciso eh fazer essas qualificações. Maria foi obediente. O aonde está o valor de Maria? O próprio Senhor Jesus diz quando quando o questionário sua mãe tá aqui com seus irmãos e ele pergunta: "Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos? Senão todos aqueles que ouvem a palavra e obedecem?" Então a dignidade da Maria não tá em ela ter sido escolhida como a mãe do Messias, tá na fé dela. Somente nisso. >> Verdade. O que a salvou foi isso, né? >> Que a salvou foi isso. Ela não tem >> a fé não foi o ter sido mãe, né? O o pacto não foi uma obra salvífica, mas a fé em Cristo. >> A fé. Exato. Então é aí que a gente vê a dignidade dela, como a gente vê a dignidade de todos aqueles que estão em Cristo. E claro que vamos pensar do ponto de vista histórico para pr pra Maria que era mãe de Jesus e pros irmãos de Jesus que viram Jesus, que eh foram reconhecendo o seu ministério depois e depois crendo. Imagina, deve ter sido eh uma experiência muito diferente daquelas pessoas que simplesmente conheceram Jesus já. pregando, fazendo milagres, eh apresentando o reino de Deus. É muito bonito quando Judas, por exemplo, que era meio irmão de Jesus, e a gente inclusive chama de meio irmão por causa disso, né? Dessa a gente não crê que Maria foi mãe só de Jesus, que ela se tornou eh eh imaculada no sentido de que foi só essa gestação messiânica. Não, a tem pelo menos a notícia de quatro outros outros irmãos de Jesus e tá no plural a a os termos no ah a palavra grega é prima, no uso ali primo prima, no uso do canon, todo mundo tá falando de irmãos, para que que vai falar que é primo? E aí a gente vê Judas, por exemplo, falando assim, olha, apresentando na epístola dele, eh, Judas, servo de Cristo, irmão de Tiago. Ele se apresenta assim, irmão de Jesus, Judas, irmão, porque isso pra igreja seria uma carteirada excelente, né? Eu sou irmão do Messias, >> não, servo de Cristo. Aonde que tá a dignidade dele também? Na fé dele em servo do Messias. E aí sim ele quer, ele quer trazer credibilidade canônica pro escrito bíblico dele. Eu tô ligado a uma grande liderança da igreja. Eu sou irmão de Thiago. Eu reconheço a liderança de Thiago. Veja como essas coisas estão lá na escritura. A gente só precisa adequadamente ter atenção quanto a isso. >> Maravilha. Isso aí é muito interessante. Agora, a gente tá aqui falando de várias divergências e realmente temos várias, algumas muito mais importantes, outras menos. Mas como você bem destacou anteriormente, nós temos, né, como você mencionou, nós temos convergências, nós temos coisas que estamos alinhados. Não é porque o católico usa um termo que a gente não vai usar. Ah, o católico acredita na trindade, não vou mais acreditar. Ou como por exemplo, esse é é um exagero, mas quando a gente vê, por exemplo, eucaristia, ah, se você chama ali eucaristia, não, isso é coisa de católico, né? Não pode mais. Então, ah, Pedro, quais são as principais, né, convergências, os pontos de convergência entre a igreja protestante, a teologia da igreja protestante e a teologia da igreja católica? Eh, isso é uma é uma das grandes riquezas do livro do Gregon mesmo, porque ele ele não faz aquilo que você mencionou lá atrás de não, isso aqui é uma é uma crítica contundente pra gente destruir tudo o que existe sobre o catolicismo. Ele é honesto o suficiente para dizer: "Olha, tem muitos pontos de convergência aqui. Primeiro que você já mencionou, doutrina da trindade." Eh, a doutrina da trindade, a formulação da doutrina da trindade, eh a concepção de Deus, especialmente da trindade. O Gregon chama atenção de que, olha, isso aqui é um ponto de convergência muito importante pra gente começar a estabelecer uma conversa com o católico. Um outro ponto muito importante também é a dupla natureza de Cristo, que afirmou na declaração dele. Isso é um ponto também muito caro para nós, a dupla natureza do redentor, como ele é plenamente divino, plenamente humano, verdadeiramente homem, verdadeiramente Deus, eles creem como nós cremos quanto a isso. E outros pontos às vezes menores, por exemplo, eh, práticas centrais da vida cristã. O Gergson vai dizer adoração e a oração, ela também é uma prática central para a vida cristã, o lugar do culto, o lugar da oração. Novamente, eh, é claro que a concepção de culto e de missa tem diferenças. a concepção de oração para quem ora, a intercessão de santos, de Maria, ela é diferente? ela é diferente, mas tem uma compreensão eh de uma prática importante paraa vida cristã, do culto, da adoração, a dupla natureza de Cristo, a trindade, que faz com que o diálogo entre católicos e evangélicos não comece do zero. Isso é muito importante. Nós não estamos falando de gente assim que radicalmente não acredita em nada parecido conosco. Veja, você lembrou de uma coisa lá atrás que é verdade. O Novo Testamento é o mesmo, é igualzinho o Novo Testamento no Cano. Então, eh, a gente tem pontos, a gente tem pontos de partida aí muito promissores pra gente começar essa conversa. >> Sim, verdade. Até também a a santificação, a ideia de do da vida moral ali, da obediência aos 10 mandamentos, por exemplo, a que OK, de novo, existe similaridade, mas eles estão quebrando ali, já começam quebrando os mandamentos do início ali de idoletria. Ok. Ai, ai. >> Mas, mas, mas existe, né, a importância de ah, você não deve mentir, você tem que honrar os pais, são outras coisas ali da vida do cristão que existem similaridades. Perfeito. Agora, quais são os erros mais comuns? Então, se há convergência, quais são os erros mais comuns dos evangélicos ao falar sobre o catolicismo romano, né? Como é que o livro inclusive nos ajuda a corrigir isso? Isso. O livro, o livro ele tem uma contribuição muito boa quanto a isso, porque ele mesmo tenta evitar cair nesses erros. primeiro, de falar do catolicismo sem conhecer nos seus próprios termos, ou seja, falar de uma expressão do catolicismo, eh falar de de um teólogo católico, ele bem ele mostra que os evangelhos cometem um erro muito grande de não saber, por exemplo, que tem documentos oficiais como o catecismo. Então, se quer começar por algum lugar, comece pelo catecismo. Segundo erro é que a gente caricatura demais o a gente reduz o catolicismo a umas distorções e a uns exageros >> que eh de fato são peculiares a aquela pessoa. Pensa pensa no padre Marcelo Ross, no Frey Gilson, no Leonardo Bof, no Hatzinger >> e no Papa Francisco. Citei alguns alguns teólogos católicos >> radicalmente diferentes uns dos outros, inclusive um brigado com outro. Aí foi o Hatzinger que eh tratou da do silenciamento do Leonardo Bof, por exemplo. >> Então, eh não dá pra gente dizer assim, não, eh catolicismo do Hatger, catolicismo do BOF, eh, não, é o bergolho, não. Vejam, vamos, não vamos caricaturar, não vamos pegar exageros de cada um deles, vamos ver o que que o ensino oficial apresenta. Outra coisa que são erros gêmeos, que ele também aponta, é a gente ignorar o que a gente acabou de falar, os pontos de convergência. É dizer assim, não tem ponto de convergência nenhum, tem nada a ver, a gente tá falando de coisas totalmente diferentes. Não, assim, tem pontos, tem pontos em comum, sim. >> E o outro erro gêmeo é a gente minimizar os pontos >> eh divergentes. >> A gente reconhece pontos de convergência, mas também não pode dizer assim: "Não, é verdade, é tudo a mesma coisa. Nós somos s gente crê igual. Tem só umas palavras diferentes, igual você falou, tem só uns termos diferentes, mas é a mesma coisa. >> Somos irmãos, >> somos irmãos, todos cristãos. >> Todo mundo é cristão. O o caminho é é o mesmo para Cristo. Veja. >> Aham. >> Isso é minimizar. Eh, que é uma tendência muito comum da igreja evangélica, que é esse minimalismo teológico, que em nome do relacionamento, em nome da comunhão, a gente minimiza as discussões teológicas. >> Sim. Isso não é o caminho, inclusive, não é o caminho da igreja, porque os concílios sempre fizeram discutir teologia, dizer: "Olha, tem um cara ensinando aqui que Jesus não é Deus, não é? Ou ele ele ele só parece Deus. Vamos discutir isso aqui, vamos condenar e vamos colocar para fora." Os concílios sempre discutiram teologia, então não tem ecumenismo relacional. O ecumenismo sempre foi, os concílios ecumênicos, eles sempre se reuniram para discutir doutrina. Então, a gente não pode ignorar os pontos de convergência, mas também a gente não pode minimizar as divergências. >> Sim. E essa é a pergunta que eu quero fazer aqui pra gente caminhar pro fim, pra gente terminar, que é eh com tantas tentativas eh que foram se intensificando mais recentemente, não 2026 necessariamente, mas nos ú nas últimas décadas, de uma tentativa de união, desse ecumenismo, de documentos sendo formados inclusive por ambos os grupos. Quais são aqueles pontos mais centrais que nós não podemos relativizar sem comprometer o evangelho nessa tentativa aí, né? E esses cuidados que a gente tem que ter. Ou você já falou um pouco, mas destacando, quais esses são os pontos mais centrais disso, >> ó? Primeiro, na minha opinião, né, mais fundamental que a gente falou lá no comecinho, autoridade das escrituras. Se a se a escritura não é autoridade última, infalível, inerrante, absoluta no sentido assim de de solta de outras coisas, da tradição, da história, se ela não tem esse caráter, não tem nem por não tem terreno pra gente discutir. >> Então, a gente precisa de uma doutrina da revelação muito robusta, eh, que a gente não pode relativizar. Eh, a, a, a revelação não pode depender da igreja para nada. Aqui, aqui, aqui, ped, desculpa de cortar, mas é exatamente aquele ponto, né? Se a base, o fundamento da conversa tá danificado, acabou. Porque você vai chegar pro católico, vai dizer: "Ó, mas tá vendo aqui, ó, lê esse texto comigo?" Ele diz isso. Olha, esse aqui diz isso. Então, você não pode crer nisso ou você tem que crer nisso. Aí o católico vai virar você. Não, mas pera aí, olha o que a tradição diz. Então, se você não unifica a escritura como base e fundamento maior de tudo, sempre vai ter, não adianta se argumentar exegeticamente ali, porque ele vai dizendo uma tradição disso, né? Exato. E outra coisa, a tradição não é só detentora do que é o certo e errado, ela é detentora também da interpretação. Essa coisa de a gente abrir a Bíblia e interpretar conforme o Espírito nos ilumina, isso é coisa de protestante. E católico acha isso um absurdo. Eh, acha que que o Lutero assim acabou com a igreja por causa disso, não é verdade? a a as promessas de Jesus paraos seus discípulos sempre foi que o espírito ia nos guiar por toda a verdade. A gente tá em diálogo com a tradição. Nós temos comunhão dos santos, só que a Bíblia sempre vai ter uma autoridade diferente. Ela é inerrante, ela é infalível e ela que avalia as outras. Então esse é o primeiro ponto assim que a gente não pode negociar. Outro ponto é sobre a justificação, a salvação. A grande pergunta é assim: como é que o pecador é salvo com base em quê? Isso é muito diferente entre os dois. aquela concepção que a gente falou de de natureza e graça, eh, de uma infundindo, derramando a graça, né, cooperando com a natureza e a concepção protestante bíblica de que a gente é salvo pela fé como graça exclusiva de Deus é muito distinta e tem implicações para muitas coisas, mas é um ponto que a gente não pode eh abrir. Então, a autoridade das escrituras e a relação dela com os com o magistério e a e a tradição, doutrina da salvação e a distinção de natureza e graça ou como que natureza e graça se relacionam. E isso nos lembra claramente do do mote protestante, o por que os solas são tão importantes. Porque eles mostram o lugar exclusivo da escritura, o lugar exclusivo da obra de Cristo, sem as participações. Às vezes a gente pensa só a participação dos santos, mas dos homens. também e somente Cristo a gente consegue essa justificação, a fé como esse esse caminho para se chegar até Deus e não a igreja como esse caminho e como que isso redunda na glória exclusiva de Deus e não numa participação humana dessa glória. >> Perfeito, perfeito, meu irmão. Que conversa boa. Eh, agradeço aí por essa conversa, meu irmão, por esse bate-papo. Foi muito bom. E eu peço que você termine aí dizendo para o pessoal, né, quem é que vai se beneficiar da leitura desse livro. Esse é um livro aqui só para acadêmicos ou ah um cristão leigo ali da igreja, enfim, ele vai poder tirar bom uso disso. Como é que a gente pode falar? >> Bom, eu, olha, eu eu tenho usado esse livro aqui de duas duas ou três manos. >> Tô vendo, eu tô vendo que você tem usado, viu? Que dá para ver o bocado de postit aí em cima. Tá todo detonado esse meu aqui. O seu tá tão bonitinho. O meu tá aqui já falando, não aguento mais que o seu foi mais estudado, entendeu? >> Socorro foi mal manejado, coitado. Eh, bem, como é que eu tenho usado? >> Primeiro, eh, pessoas que vieram do catolicismo, cristãos normais, membros da igreja, que vieram do catolicismo ou de ou de famílias muito católicas e que tem muitas dúvidas. Esse livro aqui é precioso. Por quê? Porque ele pega a base, o catecismo, que muitos desses jovens às vezes se fizeram catequese na igreja conhecem. Então ele é um ponto de esclarecimento muito grande. E às vezes essa pessoa foi pra igreja e a família dela ainda é católica e tá pressionando, tá fazendo perguntas, tá eh colocando contra a parede, ela ela tem um bom recurso para dizer assim: "Olha, você já leu lá no catecismo que é isso aqui". E na Bíblia não é. E aí, então ela vai ter um bom recurso. Eu tenho usado ele também para os estudantes de teologia, para eles poderem ver como é que é um trabalho sério daquilo que você falou lá no começo de comparação doutrinária, teológica, um trabalho assim de uma pessoa que com método pega um recurso, o avalia, o critica com honestidade, sem sem caricatura, sem briga desnecessária. Então isso aqui serve então pro membro normal, pro discipulador dessas pessoas que estão vindo para cá, pros pastores e líderes que inegociavelmente num país como o nosso, em que o IBGE mostra que o número de católicos diminui e o dos evangélicos aumentam, é claro que tem muita migração e que a gente tem que tá preparado para isso, porque o tempo todo a nossa cultura, veja, a gente tem freis aí juntando 1 milhão de pessoas na live 5 horas da manhã. >> Então assim, a gente não pode ignorar o tamanho da Igreja >> Católica Romana. Eh, e aqui a gente tem um bom recurso para membros, eh, líderes, estudantes sérios de teologia. Não é um livro só assim para acadêmicos, ele é um livro para toda a igreja. >> Excelente, meu irmão. Obrigado por essa conversa. Que Deus continue te abençoando, te usando aí no teu ministério, cuidando de você, da sua família. E vamos tentar marcar outros podcasts, mas dessa vez vamos tentar gravar no primeiro dia que a gente marcar, hein? Vamos começar agora com antecedência, porque se demorar do tanto que demorou para esse, só no segundo semestre. >> É verdade. É verdade. Desse jeito. Mas obrigadão, irmão. Que Deus abençoe, viu? >> Agradeço. Deus abençoe. Tchau. Tchau, gente. Obrigado pela atenção. Deus abençoe vocês. >> Maravilha. E você aí de casa que gostou da conversa, que se interessou em aprender mais, percebeu a relevância de nós num país com tantos católicos, no mundo com tantos católicos, a a relevância de entendermos o que é que eles pensam, sabermos dialogar com respeito, com amor, mas com firmeza. Falando a verdade, esse livro com certeza vai ajudar você a entender as distinções e a saber falar piormente a escritura. O que é que nós entendemos a respeito das principais doutrinas? do evangelho. Então, adquira esse livro, vai ser bção na sua vida e recomende para outras pessoas também. E se você gostou da conversa, deixa aí seu like, deixe seu comentário e também nos ajude compartilhando esse podcast com outras pessoas. Além disso, se você não quer perder nenhum dos próximos episódios, se inscreva na sua principal plataforma de podcast para você ver tudo que vai chegando e também assistir as dezenas de outros episódios que nós já temos gravados, inclusive com Pedro Dut. É isso aí, até a próxima e valeu.