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UM PASTOR NA IGREJA CATÓLICA

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Legendas automáticas:

Muitas pessoas têm largado o
protestantismo e ido em busca do
catolicismo romano, não porque foram
convencidos teologicamente da
superioridade teológica, da
superioridade na leitura bíblica do
catolicismo romano, mas porque foram
arrebatados pela beleza, arrebatados
pela grandiosidade, muitas vezes
arquitetônica, muitas vezes pela beleza
litúrgica, ritualística, relacionada ao
catolicismo romano. No meio disso tudo,
cabe perguntar: será que vale a pena?
Será que é uma coisa correta no meio
desse tipo de cenário? Que protestantes
se encantem pela beleza, não é, de
prédios católicos. Para falar um pouco
sobre isso, trouxe vocês aqui na
catedral de Notridame. É uma catedral
consagrada à Maria. É uma catedral
católica e é um dos prédios mais lindos
do mundo. E eu como um pastor batista,
um protestante, aproveitei uma breve
passagem aqui por Paris para poder
conhecer Notridam. Quando estive em
Paris da última vez, fiz um mini
documentário para vocês sobre como a
França tentou matar Deus. Nesse
documentário eu gravei de frente pra
Notreddam, mas não pude entrar porque
ela tava incendiada ainda. E hoje, não
é? Notredame está reaberta. Eu pude
entrar um pouco, ser encantado pela
beleza dessa arquitetura
católico-romana, mas sem me encantar de
forma errada pela religião que tá por
trás disso. Como é que a gente lida com
as complexidades disso de apreciar a
arte de religiões que não são nossas?
Bom, seja muito bem-vindo a 2D do
histologia. A gente vai discutir sobre
arte cristianismo, apreciar coisas boas
de religiões que não são nossas. Tudo
isso quando a gente passeia pela
catedral de Notridama.
>> [música]
[música]
>> E assim, tô enfrentando aqui um
friozinho de 6º aqui no meio da rua de
Paris. Ah, tô usando aqui um sobretudo,
obviamente, para me ajudar, mas também
tô usando, ó, minha oversized da
Insider. É, meu querido, é roupa para
todo momento. Eu tô fazendo uma viagem
de Fortaleza pra Coreia do Sul. É um
tempão andando por aí. Um tempão. E aí,
meu irmão? Vai ser três dias quase com a
roupa do corpo. E aí, o que é que eu
escolhi? Escolhi porque a insider é a
certeza que eu não vou ficar fedendo nos
voo, não vou chegar na Coreia todo
fedorento. Por quê? que a gente tem essa
roupinha maravilhosa que não deixa as
bactérias do odor se proliferarem
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aqui na descrição, vai lá na Insider e
simbora para dentro de not.
>> [música]
[música]
>> Ó, se tem uma coisa que par tem. Ó,
achei que fechou. Ah, não. Será que
fechou? Acho que não, hein? Não fechou
não. Acho que tá fechado nesse momento.
Ah, não. Só abre 10 da manhã. É por
isso. Só abre 10 da manhã. Se você
assistiu e a noite de Paris,
Shakespeare and Company fez parte aí da
sua da sua vida cinematográfica. Talvez
uma das livrarias mais respeitadas do
mundo, as mais antigas de Paris. foi
comprada depois tal mais tem duas
unidades agora, mas que é a mais famosa
que aparece nos filmin tu levanta o
filminho aí que aparece che compania pro
[música] pessoal só ver ali só que tá
fechado. Infelizmente não vou poder
entrar geralmente tem uma fila gigante e
não pode filmar dentro para manter se lá
o hype. E é claro, né? Tem aqui a
cafeteria, mas é segunda-feira de manhã
tá tudo fechado. Deixa o povo descansar.
Isso tem que tá bom para fazer protesto
depois. [música]
Ah, não. Vim tomar café da manhã na
Elizabel Isabel, que é onde eu tomava
café da manhã com a Isa quando vim aqui
há uns anos e descobri que não abre na
segunda-feira. Suí desoler. Não, não
abre segunda-feira. [risadas]
Eu vou ter que achar o coração em outro
lugar. Não sei aonde. Vou vou vou rodar
aqui um pouco que minha entrada do
Atridão é só às 9 e ainda tá um pouco
cedo.
Tem um café aqui do lado da Isabel. Vai
ser aqui, viu? Vou pegar esse peti jorn
aqui para não comer muito. Não,
>> não. Eu ia nesse peti de jornê aqui, mas
vou nesse nesse branch vem ovo, omelete,
croçã queijo. [música] Lembran
>> café. É fij café creme
[música]
não tem nada de recheio no coração.
Coração sem recheio.
Uma delícia de café um café bom. Como
qualquer outro a coação,
Glória a Deus.
[música]
>> Nada como tomar o café da manhã e passar
pelo rio Cena. Nada, nada, nada mais,
mais maluco que uma vista dessa, rapaz.
E todo mundo corrindo. O pessoal tá
esportista aqui. O pessoal gosta de
gostinha.
>> [música]
>> Aqui a gente tá diante de uma peça única
da arquitetura mundial. A obra que deu
início a Notridame começou por volta de
1163
durante o episcopado de Maurice de Suli.
Paris crescia em importância política
intelectual naquela época e a antiga
catedral românica já não correspondia ao
novo status da cidade. A proposta da
catedral era muito clara, era erguer um
templo que expressasse poder espiritual,
estabilidade institucional e ambição
cultural. A construção então avançou em
várias etapas. foi feito o couro, o
deambulatório para que o culto pudesse
já acontecer antes mesmo da antes mesmo
da conclusão total de tudo. Depois foi
feita a nave, então a fachada ocidental,
as torres. O conjunto completo só foi
terminado lá pelo século de lá pelo
século XI, né? Foram quase dois séculos
de trabalho contínuo com diferentes
mestres construtores. No enotridami
nasce no momento em que a arquitetura
gótica ainda tá se consolidando na
França. Não é o primeiro edifício gótico
da França, mas certamente é um dos que
mais definem o estilo. O que marca o
gótico aqui [música] não é só a altura,
como é comum na arquitetura gótica, mas
é também a combinação de outros
elementos estruturais, como esse arco
ogival, como a abóboda de ogivas e os
arcobotantes externos, não é? Esses
recursos redistribuem o peso do teto
para fora das paredes e aí se tem um
resultado arquitetonicamente
revolucionário pra época. As paredes
deixam de ser maciças e passam a ser
perforadas por vitrais imensos, já que
as paredes não têm que sustentar tanta
estrutura. A fachada principal, como a
gente consegue ver aqui, é organizada em
três níveis horizontais e três portais
verticais. Uma organização geométrica
que comunica ordem e hierarquia. Os três
portais são dedicados a três temas
distintos. O do centro aqui é dedicado
ao juízo final, não é? representa o fim
do mundo. Acima, que vocês pode estar
vendo, a gente tem a Galeria dos Reis,
que mostra figuras do Antigo Testamento.
Durante a Revolução Francesa, muitas
dessas estátuas foram decaptadas
simbolicamente, né? Porque se acreditava
que representavam os reis da França. Mas
acima, não é? A gente tem a grande
rosáce ocidental que domina o centro da
composição. Isso aqui é é teologia em
vidro, certo? É a luz atravessa dos
vitrais, criando uma atmosfera simbólica
muito poderosa dentro da igreja, dentro
da teologia medieval. Luz era uma
metáfora muito grande da presença de
vida. Quando a gente entra, a gente vê
uma nave marcada por forte
verticalidade, colunas que conduzem
olhar para cima e um teto em abóboda que
cria um ritmo visual muito contínuo. É
uma igreja em três níveis, eu não
consegui entrar nos três níveis, só no
primeiro, mas tem as arcadas do piso
térrio, um trifóreo intermediário e o
cirerestórico com janelas bem altas.
Essa divisão reforça a sensação de
elevação progressiva, porque você entra
num espaço que parece empurrar sua
percepção pro alto. Durante os séculos
seguintes, né, da construção da igreja,
a catedral sofreu muitas alterações.
Algumas esculturas foram removidas,
elementos foram danificados na revolução
francesa. E no século XIX, o arquiteto
Eugenio Volet Leduc liderou uma grande
restauração. Ele reconstruiu a flecha
central, criou muitas as gárgulas que
hoje a gente associa ao edifício e parte
do que a gente vê hoje é medieval, não é
original da igreja. Vem da interpretação
romântica, né, do que é o medievo em
2019. O incêndio destruiu o telhado
original de madeira, que era conhecido
como a floresta, e derrubou a flecha
central. Apesar disso, toda a estrutura
de pedra ainda resistiu, por mais que
houvesse ainda algumas deteriorações.
Houve ali então a reconstrução que
buscou respeitar o desenho histórico e
original, inclusive da flecha do século
XIX, o que permanece pra gente aí como
uma das grandes peças da arquitetura
gótica da história do cristianismo
mundial.
Aí ó, não pode entrar pelado não, hein?
Na catedral tem que entrar razoavelmente
vestido aqui, hein? Bonj por entrebora
finalmente conhecido a Tridame. Eu
[música]
me lembro do meu querido amigo e pastor
Thago Cavaco, que é pastor em Portugal,
um país profundamente dominado pelo
catolicismo romano de uma viagem que ele
fez pra Itália, mais apropriadamente
para Roma, onde ele argumenta sobre como
a gente é impactado pela beleza do
catolicismo romano e que muitas vezes a
melhor apologética que o catolicismo
romano tem para nos entregar é a
grandeza do seu império artístico. Uma
grandeza essa que se foi ignorada ou
tratada como algo necessariamente
negativo, vai ser muito mais poderosa
para convencer aqueles que forem
arrebatados pela sua beleza. ver essa
beleza, apreciar essa beleza, perceber a
grandeza daquilo que é belo, sem
confundir isso com uma força apologética
pela verdade do catolicismo, é uma forma
muito mais madura até de nos proteger,
de sermos arrebatados de uma forma não
intelectual, de uma forma não teológica,
de uma forma não bíblica, simplesmente
por uma sensação de encantamento. Ora,
não existe nada errado em perceber
beleza na arte católica. É o que a gente
encontra, por exemplo, nos grandes
museus. Grande parte das pinturas
religiosas mais famosas da história foi
feita por artistas católicos. Obras de
Michelâelo, Caravadio, Leonardo da Vin
são obras espalhadas por museus do mundo
inteiro. E cristãos protestantes visitam
esses museus todos os dias e contemplam
todos os dias essas obras e fazem isso
sem trair as suas convicções teológicas.
Porque admirar uma pintura não significa
adotar toda a estrutura doutrinária do
artista. O mesmo vale para arte secular,
por exemplo, um romance, um filme, uma
sinfonia, uma escultura feitas por
alguém que, por mais que não tenha fé, é
ainda alguém criado à imagem de Deus.
São obras que podem expressar beleza
genuína, mesmo quando não surgem de um
contexto explicitamente cristão. É a
graça comum de Deus e a imagem de Deus
no ser humano que explicam isso. Deus
continua distribuindo talentos,
distribuindo inteligência, sensibilidade
estética e criatividade entre pessoas de
todas as culturas. É por isso que a
tarefa do cristão não é se fechar diante
da beleza, é aprender e apreciar a arte
com discernimento.
Ah, se você gosta desse tipo de vídeo
diferente assim, ó, pô, tive que vir na
França para fazer esse vídeo, dá um
gostei aí, clica no clica no gostei para
ajudar a gente a levar esse vídeo mais
longe aí na plataforma, porque a gente
faz uns vídeos remor paia reagindo a a
maluco na internet, vocês dá quase mais
de 200.000 1 views. Aí a gente faz umas
paradas bem feita dessa aqui, bonitinha,
legal, escreva um roteirinho, faça um
negócio bonito, aí vocês quase não
assiste. Então, dá essa moralzinha
clicando em gostei pra gente levar esse
vídeo mais longe, tá bom? Te agradeço.
Essa catedral é é assim uma das coisas
historicamente mais impressionantes que
a gente tem. No fim do século XVI,
Notridame foi alvo direto do clima
anticlerical. Estátuas foram destruídas,
o tesouro foi saqueado, sinos foram
derretidos, o edifício chegou a ser
transformado no templo da razão. A
catedral deixou de ser apenas uma igreja
e virou um símbolo de um antigo regime
que se queria apagar, não é? Tanto que a
coroação de Napoleão Bonaparte 1804
aconteceu aqui. Napoleão escolheu
Notridame para legitimizar o seu poder.
O gesto mais emblemático ocorreu quando
ele tomou a coroa das mãos do Papa e
colocou sobre si próprio. A cerimônia
foi cuidadosamente cenada para comunicar
a autonomia política e a grandeza
imperial. de Napoleon Bona parte. Foi só
depois de Vittor Hugo, no século XIX,
quando ele escreveu um romance chamado
Notridame de Paris, que ele começou a
mover o povo da França para o abandono
do monumento. É muito legal saber que a
literatura ajudou a salvar a arquitetura
e foi a partir disso que se iniciou uma
grande restauração conduzida por Eugenio
Volet Leduc. Durante a Segunda Guerra
Mundial, Paris foi ocupada pela Alemanha
nazista. E em agosto de 1944, após a
libertação da cidade, um solene Tedde
foi celebrado aqui em Notridami, quando
finalmente a catedral voltou a funcionar
como um símbolo de unidade nacional. Ao
longo dos séculos, Notridami recebeu
funerais de chefe de estado, cerimônias
de ação de graças após as guerras e
vigílias após atentados terroristas
recentes aqui na França. Notridame se
tornou o espaço onde a França processa
coletivamente os seus traumas. E
Notridame acabou sendo um próprio trauma
pra França, não é? Em 2019, opa, ó o co
tocando aí. Um fogo destruiu o telhado
de Notridami e várias outras partes da
arquitetura, tornando impossível visitar
Notridame. O mundo inteiro se mobilizou.
doações internacionais ajudaram a
financiar a reconstrução dessa catedral,
o que levantou até debate sobre o papel
do cristianismo na memória francesa.
Notam não é só uma igreja, não é só uma
catedral, é um cenário de eventos
históricos muito importantes paraa
França. E ao longo de oito séculos foi
palco de rupturas políticas, de
afirmações de poder, de crises
religiosas e de reconstruções
simbólicas. [música]
Mas você me diz, Igo, mas você não é
católico. Como é que você pode ir para
uma igreja católica e apreciar alguma
coisa dali? Não é uma seita, não é uma
heresia, não é não é um o papa, não é o
anticristo. Iago, como é que você pode
entrar na igreja católica? Eu vou dizer
para você, tá? Eu frequentemente quando
viajo sozinho ou com minha esposa, vou
em igrejas católicas, não é? e tiro
foto, vejo a beleza do que tá
representado ali. Eu não acho que isso
seja contraditório, não. Eu não acho que
seja errado reconhecer beleza onde ela
existe. A doutrina cristã da criação nos
obriga a isso. Se Deus é o criador de
todas as coisas, então toda a verdadeira
beleza, ainda que ela seja expressa em
contextos religiosos com os quais a
gente discorda, participa de algum modo
da ordem criada por Deus. Deus criou o
belo e o belo pode ser reconhecido como
tal, onde quer que ele esteja. Entrar
numa igreja católica histórica e admirar
sua arquitetura não é o mesmo que
endossar cada ponto da sua teologia. É
possível olhar pra cúpula da Basílica de
São Pedro ou caminhar pela catedral de
Notridame e reconhecer ali genialidade
artística, domínio técnico, senso de
proporção, luz, silêncio,
transcendência. Essa igreja, essa
catedral, ela é o resultado de séculos
de trabalho humano, um trabalho humano
feito diante da ideia de Deus. A arte
então aqui é uma tentativa de dizer algo
sobre o eterno por meio da pedra, por
meio do vitral, por meio da da luz.
Negar que isso seja belo por causa de
divergências confessionais acaba
empobrecendo a nossa própria visão de
mundo. O cristianismo não ensina que nós
só produzimos coisas boas dentro da
fronteira da nossa própria teologia ou
da nossa própria denominação. A tradição
reformada sempre falou sobre uma graça
comum, um Deus que distribui dons
artísticos, que distribui inteligência,
que distribui sensibilidade para muito
além das linhas institucionais da igreja
visível. É claro que há um cuidado
necessário. A beleza não é o critério
final da verdade. O fato de algo ser
esteticamente impressionante não o torna
teologicamente correto. O templo pode
ser magnífico e a doutrina pode ser
falha. O rito pode ser comovente e a
compreensão do evangelho pode estar
obcurecida. Confundir o impacto estético
com a autoridade espiritual é um erro
muito antigo. É o erro que alguns
protestantes têm caído. Eu acho que
parar para observar a beleza da arte
onde quer que ela esteja até protege a
nossa fé. Quantos dos nossos jovens
acabam sendo protegidos? Tá? Não, não
olhe, não vá, não passa em frente à
igreja católica, você vai virar católico
com isso. E aí na hora que eles percebem
a beleza e a grandeza da arquitetura, da
simbologia do catolicismo, eles acabam
sendo tragados por aquela imagem
sedutora, quando na verdade a gente
deveria ser ensinado a apreciar o que é
belo onde quer que esteja, sabendo
reconhecer os limites do que isso
significa, sem confundir o bom, o belo e
o certo. [música]
Eu não posso deixar de lembrar do
documentário Why Beauty Matters, porque
beleza importa, que é apresentado pelo
filósofo Roger Scruton, uma excelente
reflexão sobre o lugar da beleza na
cultura contemporânea. Nesse excelente
documentário dirigido por Luis Lockwood,
o Roger Scruton argumenta que a
modernidade, especialmente na sua
arquitetura e na sua arte pública,
abandonou o compromisso com a beleza e
passou a produzir ambientes frios,
utilitários e muitas vezes hostis à
experiência humana. Um documentário
muito perspicaz sobre como a beleza não
é um luxo dispensável, mas algo
profundamente ligado à forma como nós
habitamos o mundo. O problema, no
entanto, foi o modo como muita gente
recebeu esse argumento aqui no Brasil.
Alguns passaram a tratar o documentário
quase como uma espécie de apologética da
estética tradicional ligada ao
catolicismo romano. Se as catedrais
históricas são belas, se a arte é tão
bonita, então a tradição teológica que
as produziu precisa ser verdadeira ou
mesmo superior. E esse é um salto
argumentativo muito problemático, porque
confunde categorias que não são
equivalentes. Beleza e verdade não são a
mesma coisa. Uma obra pode ser
esteticamente extraordinária e ainda
assim está ligada a pressupostos
teológicos equivocados. A história da
arte está cheia de exemplos em que o
falso, o distorcido ou o moralmente
errado aparece envolto em formas
extremamente belas. É o que nos ensina o
Abram Kiper, o famoso neocalvinista
holandês, quando escreve sobre graça
comum e sobre antítese. Nós podemos
receber o que é belo, o que é bom, o que
é justo e verdadeiro de obras que também
possuem elementos falsos, errados ou
estão ligados a pressupostos que a gente
rejeita. Podemos encontrar momentos de
verdade na mesma obra que nós
encontramos antíteses muito sérias com
aquilo que acreditamos. Apreciar a
beleza estética de uma tradição ou de
uma religião não significa
automaticamente endossar sua teologia.
Quando eu fui na Coreia do Sul, por
exemplo, pude ir no Museu Nacional e
encontrar várias obras relacionadas ao
budismo. Doutrina essa que eu claramente
rejeito, mas obras de arte claramente
apreciáveis, onde eu posso encontrar a
imagem de Deus expressa em pessoas que
estão fazendo artes de uma religião que
eu não sigo. É uma grande maturidade
confundi as duas coisas. O belo pode
apontar para algo maior, mas o belo, por
si só, não decide o que que é
verdadeiro.
De fato, a Bíblia nunca equipara o que é
belo com o que é verdadeiro de forma
automática. O pecado também sabe se
vestir de luz. Ideias equivocadas podem
ser embaladas em formas sedutoras. A
história da arte prova isso. O errado
pode ser muito bonito, o falso pode ser
sofisticado. Aquilo que não é fiel ao
evangelho pode ser esteticamente
sublime, até porque várias outras
religiões, além do catolicismo, tem
prédios maravilhosos. Você tem incríveis
obras de arquitetura vindo do islamismo.
Você tem incríveis obras de arquitetura
vindo do comunismo. Ateus podem produzir
obras maravilhosas. Eu não participaria
de um culto [música] de outra religião.
Eu acho que Primeira Coríntios 8 deixa
isso muito claro. Eu não iria para uma
celebração de uma religião que não seja
a minha, mas olhar pra obra artística
relacionada à aquilo, eu não vejo nenhum
problema, desde que eu não esteja
participando da religião em si ao
apreciar uma obra de arte. O desafio,
então, é ter maturidade. Olha o olha o
sino de novo aí.
T t. O desafio da maturidade é esse, é
apreciar sem absorver tudo que tá
atrelado aquilo. É admirar sem se
render, reconhecer a habilidade humana e
ao mesmo tempo, manter o discernimento
teológico. É muito triste quando a gente
é arrebatado pela beleza ao ponto de
ignorar a verdade. Não é muito diferente
de quem se converte porque arrumou o
namorado de outra religião. Você tá
sendo levado pelas emoções e não pelo
que é certo, não pelo que é correto. Não
importa se é uma cadeira de plástico,
não importa se é uma grande catedral. O
que importa no fim das contas é o que é
que diz a escritura e o que é que revela
Cristo da forma mais correta. Às vezes,
a simplicidade de um pequeno prédio, de
uma pequena casa, em uma em uma favela
com a cadeirinha de plástico revela as
verdades do evangelho muito mais do que
uma grande catedral construída com
recursos internacionais de vários países
do mundo. Porque no fim das contas o que
vale é o que diz a palavra de Deus.
Quando um evangélico então visita uma
catedral histórica, eu posso agradecer a
Deus pelo talento humano. Eu posso ficar
encantado pela herança cultural. Eu
posso achar bonito a busca por
transcendência que marcou gerações. Eu
posso me emocionar com o coral, com o
órgão, com uma luz atravessando o
vitral, mas eu não preciso suspender as
minhas convicções sobre justificação,
sobre a autoridade das escrituras ou
sobre a natureza da igreja. A maturidade
cristã não exige medo da beleza, exige
discernimento. Há algo de bom em toda
obra que expressa ordem, harmonia,
proporção e grandeza. Esses traços
refletem a própria estrutura da criação.
O que precisamos fazer, então, é separar
forma e conteúdo quando é necessário,
apreciar o que é artisticamente elevado
e filtrar o que não corresponde à
verdade do evangelho. Eu não acho que é
errado apreciar a arte de outras
tradições religiosas. Por isso, eu vou
continuar frequentando e visitando
catedrais católicas quando eu as
encontro nas viagens que faço. Que o
erro estaria em trocar a verdade pelo
encanto. A beleza é um dom, mas a
verdade é o fundamento. Quando as duas
caminham juntas, então a gente tem o
melhor dos dois mundos. Quando não cabe
ao cristão manter os olhos abertos e o
coração firme naquilo que é verdade.
E você, que é que você achou do vídeo de
hoje? Você de vez em quando vai nos
prédios aí de alguma religião que não é
sua? Comenta aqui embaixo. Vamos manter
esse debate educado. Cortezis, porque eu
sei que vocês são educado, vocês são
gente crente, vocês vão bater um papo aí
legal comigo, certo? Não deixa de se
inscrever no canal e assinar as
notificações para ficar sabendo sempre
que houver vídeo novo. Aproveita lá o
cupon teologia na Insider para você
aproveitar as promoções. Ó, tá chegando
a 50%, então corre lá para você não
ficar de fora. Um cheiro no seu cangote
e até a próxima.

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