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A fé vem pelo ouvir

Davar Live – 17/04

Davar Live – 17/04

Davar Live – 17/04

– Canal Davar
twitter – @rolnei
instagram – rolneibt

Legendas automáticas:

Como é que vocês estão? Tudo bem? Boa
noite,
boa sexta-feira à noite, bom sábado, bom
fim de semana. Como que vocês estão?
Certinho?
Começando aqui dando oi aqui pro Carlos
e pro Aid que estão aqui. Hoje eu tô com
outro computador hoje não é para dar
problema. Aí vocês me dão um feedback
aí, como que tá o áudio, o vídeo? Tá
tudo OK? Eu acho que tá tudo certo, né?
Então vamos lá.
Só ver o pessoal entrando. Eu não sei se
tem alguém já aqui na live,
tá?
Eh,
então, gente, vamos lá. Boa noite para
vocês. Eu vou fazer aquilo que a gente
tinha comentado, né? Dá uma lida na nos
comentários. O Carlos aqui falou tudo em
ordem. Maravilha. Então é isso mesmo. A
gente vai dar uma lidinha nos
comentários e depois a gente já vai para
voltamos pro tema da semana passada que
foi
foi abortado,
que foi incompleto.
Eh, tá, deixa eu ver aqui o os eu vi que
tinha algum comentário no canal essa
semana.
Então, vamos lá.
O Eine falou o seguinte sobre a live da
semana passada. Que pena que o
equipamento falou, falhou. O tema é
muito importante e difícil. A crucifixão
de Fleming eh Hutle aborda o mesmo tema.
A a crucifix de Fleming Hoodle Legend
aborda o mesmo assunto. Tem o livro e
fiquei agarrada já nas primeiras páginas
porque é muito profundo. Vou aguardar o
a próxima live com muita expectativa.
Diz aqui a Ilane. Vamos lá, Elane. Vamos
ver se eu não conheço esse livro. Eu nem
conheço esse autor, na verdade. Eh, eu
não não sei se a gente vai seguir aqui a
mesma linha que ele, né? Vamos ver.
Alibalen diz aqui: "Que bom que você
retorna. Não acompanhei as outras lives,
mas irei ainda este mês ver se o
conteúdo é diferenciado. Obrigado. Eh,
realmente, eu sei, teve alguém que
comentou aqui para eu colocar também os
os versos, os
os vídeos da semana, colocar aqui para
os vídeos editados da live da semana
para as pessoas verem que o canal não tá
abandonado. É verdade. Eu tenho que
fazer isso. Não consegui fazer.
Essa semana eu tô terminando um trabalho
que eu tô fazendo desde novembro e aí
vai voltar tudo pro ritmo natural e aí
eu volto a fazer edição dos vídeos,
volto a fazer a a soltar vídeos durante
a semana, vai tudo voltar ao normal, tá
bom gente? Com o tempo tudo volta ao
normal.
Então vamos lá. O
Gilson Pereira colocou, é uma provocação
com respeito, pois admiro muito essa
visão de como aborda os assuntos sempre
com respeito a todos os vieses.
Só para acrescentar, temos número 27, 66
e Lucas 10 25 27, exemplos de
misericórdia ou de quebra de lem. E
ainda temos Deuteronômio 23 verso 3,
onde temos Deus usando uma moabita para
ser bisavó do rei segundo o seu coração.
Acho que é só isso. Vou deixar o
restante para a próxima live, né?
Então, exato, né? A gente tem diversos
versos bíblicos falando: "Nossa, meu
óculos tá imundo".
Não sei se dá para ver isso aí no no
vídeo, mas a gente tem diversos versos
falando disso, né? Isso é uma é um
assunto que de vez em quando a gente
volta aqui no canal, porque
é um assunto tão complexo, tão difícil e
muito importante e ele não é muito
falado, né? A gente não vê muito em
igreja a gente falar isso de tá,
não é só pegar um verso bíblico e
seguir, porque os versos têm contexto,
porque a própria Bíblia quebra diversas
vezes a outras leis bíblicas. Então,
qual é o qual é o princípio que a gente
deve seguir, né? como interpretar o que
é válido, o que não é válido e tal, que
seria o que é o seria mais de de
teologia sistemática, seria mais o a
ideia de como interpretar o texto
bíblico. Você pega um um critério, você
pega um método e você aplica ele para
você saber
quais textos se referem a coisas que
você entende que é para você seguir hoje
e quais textos não, né? Isso é uma coisa
muito importante, muito básica. Eu vejo
muita gente assim criticando religião na
internet
só mostrando que esse tema existe, como
se isso resolvesse alguma coisa. Então,
ah, você é crente, mas você come
camarão. Olha só o texto bíblico falando
que não é para comer camarão, tá?
Qualquer um que sai ali do do do beabá
da Bíblia sabe que tem diversos versos
bíblicos que a gente não segue. E se não
segue um verso, não segue um ou outro
verso, não significa que nada da Bíblia
é aproveitável e ninguém deve seguir
nada. A Bíblia está propondo algumas
coisas, sim, para, digamos, para pro
contexto em que a gente vive.
Então, eh, é necessário,
não dá para fugir
do trabalho de você entender o contexto
do verso, ter um, critério que você
assume, ter um princípio que você
entende para conseguir para você
interpretar qual verso faz sentido você
seguir ele literalmente hoje e qual não,
né,
gente? aqui tá falando que
tá tendo problema na transmissão.
Não sei se vocês estão vendo aí. Então,
o Aid colocou aqui o ISO, o uso de IA
para fazer um pré-processamento dos
cortes das lives e facilitar o seu
trabalho, talvez torne possível lançar
mais vídeos no canal. Eu dei uma
experimentada aí em um em um em uma IA
de fazer corte e assim, eu não tenho
nada contra IA, eu tô trabalhando
ultimamente com IA.
Mas eu não gostei nem um pouco assim.
Muito ruim, muito ruim.
Eh,
gente, vocês estão
vocês estão vendo bem aí? Caiu muito a
qualidade. Eu tô recebendo aqui do
YouTube uma sinalização de que a live tá
com baixa qualidade, tá? Então, tá bom.
Então, beleza.
Abri um monte de notificação aqui na na
minha página de de controle da live e eu
tô já tô com medo já de novo, né? Tô com
outro computador aqui fazendo a live,
com outros
equipamentos e tal. Aí o Oziel falou:
"Quomo trabalhoso é fazer cortes".
Então, Ozel, do jeito que eu gosto de
fazer é trabalhoso porque eu pego, que
que eu faço? Eu pego a live inteira, eu
ouço a live inteira, decido um tema que
que que vale a pena fazer um corte
e aí eu vou ouvindo a live e vou vendo.
Não, aqui eu viajei aqui, isso daqui não
não precisa. Aí eu corto, tiro fora, ah,
essa parte é legal e e vou montando. É,
então assim, é um trabalhinho. O negócio
aqui assim, ele não é tão difícil e não
é trabalhoso no sentido de você tem que
fazer várias coisas, mas ele toma tempo.
Não tem jeito. Edição de vídeo é uma
coisa que necessariamente toma tempo,
porque você tem que assistir o vídeo
inteiro, às vezes mais de uma vez, né?
Então é é inevitável você e e o vídeo da
live falando que é uma 1 hora e meia
normalmente a gente vai aqui até umas
umas 10 e pouco,
mas eh
é trabalhoso, eh é toma muito tempo
fazer edição de vídeo.
Eu sei que talvez eu seja chato demais
com algumas coisas. Às vezes eu fico
encasquetado com alguma algum algum
detalhe e fico ali e corto uma palavra
aqui, corto outra aqui, aí o corte não
ficou natural. Às vezes eu também podia
abrir mão de não ser tão
tão tão preciosista no na nos detalhes
aqui. Mas bom,
de qualquer forma é difícil fazer eh
fazer corte, eu acho, pelo menos eu acho
que toma muito tempo, né? Não é difícil,
não tem uma dificuldade, mas toma muito
tempo.
Bom, gente, é isso.
Vamos falar sobre o tema da semana
passada. Obrigado aí pelo feedback,
gente. Tô vendo aqui vocês falando que
tá tudo normal, tá tudo bem. Eh, o
Carlos até falou: "Pode ser alguma
latência na sua internet, mas aqui tá
normal". É, provavelmente é isso. Alguma
coisa assim eu não parei para ler
direito, Carlos, para ser honesto.
Mas
aqui tá tudo bem. Então vamos lá. Vamos
seguir.
Gente, semana passada
a gente estava falando de um assunto e
vamos retomar ele agora.
Traçou a Páscoa, né? E eu não fiz nenhum
vídeo na Páscoa. Na Páscoa eu estava
reunido com familiares, eu tava fazendo
outras coisas e não tava aqui fazendo
live. Eh,
a Páscoa é um exemplo interessante
de como na Bíblia alguns símbolos eles
eles fazem uma intersecção, eles vão se
somando.
Os símbolos na Bíblia eles não são
substituídos, eles são adicionados.
Então, a ideia de Páscoa do Novo
Testamento não é uma substituição da
Páscoa do Antigo Testamento, é você
pegar toda aquela construção simbólica e
construir mais coisa em cima, entende?
Então,
eu tô falando para vocês e tô olhando
para outro lugar. Tem que me acostumar
que a câmera nesse computador tá ali. Tá
bom?
Então, quando você pega a Páscoa, por
exemplo, do Antigo Testamento, a Páscoa,
a Páscoa judaica, por exemplo, né, que é
a Páscoa ali que tá descrita no
Pentateuco,
qual que é algumas ideias que são muito
importantes na Páscoa? Primeiro, a ideia
de libertação. Ah, a Páscoa é um símbolo
de libertação. Você era escravo e agora
você é livre. Tem toda uma discussão
interessante sobre libertação do quê?
Porque
a frase que Moisés diz pro Faraó,
eh, liberte o meu povo para ele servir a
Deus no deserto e a palavra avodá, que é
esse serviço, o serviço religioso,
também é o a mesma palavra para servidão
de escravos também. Então, liberta meu
povo, deixa meu povo ir, né? Let my
people go, a frase famosa.
Mas não é só simplesmente ir e ficar
livre para ir para onde quiser, não. Ele
vai deixar de servir o faró para passar
a servir a Deus, entende? Então o povo
não vai ficar ser sem Senhor, ele vai
ter um Senhor. E aí vem uma discussão
interessante, né? adaptando ali a frase
de Jesus, ninguém pode servir a dois
senhores, eu diria também que ninguém
pode não servir a Senhor nenhum dentro
do pensamento bíblico.
Você tá sempre servindo a alguém.
Você tá sempre servindo. No máximo, o
que que você consegue, o que que é seu
livre, é a decisão de quem você vai
servir. Mas é sempre uma servidão. A
condição humana é uma condição de
servidão. E isso não é necessariamente
uma coisa ruim. Por exemplo, quando você
tem uma família e você se dedica à sua
família, você é um bom pai, você tá
servindo. É uma, é um conceito de
servidão. Você deixa de fazer coisas que
você queria para servir aquelas pessoas.
Quando você tá fazendo um trabalho,
uma um projeto grande, sei lá, você é um
arquiteto, tá construindo um prédio
imenso, você tá a serviço daquele
projeto, você tá deixando de fazer
muitas coisas para fazer aquilo, para
quando chegar no final ter aquele prédio
imenso que você construiu, você olhar e
falar: "Olha, isso daqui é um algo que
eu construí na minha vida. Isso aqui é
uma obra minha". Então,
o ser humano adulto que constrói coisas,
ele está a serviço de coisas.
Até porque se você só fizesse o que você
quer fazer, você não tem controle do que
você quer fazer. você não tem controle
do seu próprio desejo, da sua vontade.
As vontades simplesmente aparecem na
nossa cabeça. Então, você fazer o que
você quer, na verdade, é você estar
servindo a algo que você não tem
controle também, é você estar serviço
daquilo. Então, de certa forma, você
sempre é escravo. Então, tem toda essa
discussão na ideia de Páscoa.
Eh, a ideia de liberdade, a a discussão
sobre liberdade e servidão.
Você tem a discussão sobre sacrifício.
É o sacrifício do cordeiro pascoal
que faz com que os
israelitas possam ir. Faz com que o anjo
da morte passe sobre as casas dos
israelitas,
que é daí que vem a palavra passouver no
inglês, né? Eh, que é aquele que passa
por cima, né? Se eu não me engano, a
palavra pessar também no hebraico
também. tá relacionado com essa ideia do
anjo passar por cima.
Então, também tem esse outro paradoxo
aqui que é o sacrifício
e e é a morte e o escapar da morte ao
mesmo tempo, né? É o sacrifício, é uma
morte que faz com que os israelitas não
morram. é a morte dos filhos
primogênicos, primogênitos, que é a
morte dos filhos primogênitos, que
significa a não morte dos israelitas.
Então, outro conceito. E aí, por cima de
tudo isso, e é claro que a gente pode
aqui se aprofundar
na ideia da Páscoa eh do Antigo
Testamento, da Páscoa Judaica, vários
conceitos interessantes. Só tô pensando
aqui algumas coisas pra gente entender
que o Novo Testamento ele vai construir
por cima disso. Então, ele vai pegar a
ideia de libertação e vai adicionar
agora a libertação
em Cristo.
A Páscoa vai trazer essa ideia. Ele vai
pegar essa ideia de sacrifício
e vida e vai transpor isso para a ideia
da cruz de Cristo. Então, a morte de
Jesus em Pessar, na Páscoa,
é uma apropriação dos significados que
já existiam do Antigo Testamento de
Pêsar,
eh, da Páscoa. E ele vai trazer mais
camadas, ele vai sobrepor camadas
simbólicas a essa ideia que já existia,
né? né? Isso é muito interessante. A
Bíblia faz isso com muita frequência.
Ela joga uma ideia lá no começo e depois
ela retoma essa ideia acrescentando
camadas simbólicas daquela ideia antiga,
né? Então, a criação do mundo, Deus cria
o mundo, depois você tem o o eh a o
dilúvio, onde ele retoma o tema da
criação, porque no dilúvio é meio que a
criação é desfeita.
Todos os processos, o processo da
criação que você tem lá em Gênesis, ele
é desfeito no dilúvio e tudo volta
aquela condição de águas e caos.
E aí o você
acrescenta coisas depois sobre a ideia
de criação até você chegar no Novo
Testamento e você também vai falar de
Cristo como o segundo Adão. Você vai
falar da recreação do mundo e a gente
vai terminar Apocalipse falando: "Eis
que vi novos céus e nova terra". Fazendo
um círculo completo, perfeito. Começando
com Gênesis.
Eh, no princípio, Deus criou os céus e a
terra. Terminando em Apocalipse, eis que
vejo, eis que vi um novo céu e uma nova
terra. Então, os símbolos são retomados
e são construídos em cima.
E aí agora a gente volta, eu falei para
vocês, né, na outra live que eu ia dar
uma pensadinha em coisas a mais para
trazer aquilo que a gente tava falando.
Então, agora a gente vai voltar para
para aquilo que a gente tava conversando
na outra live.
A ideia da cruz é uma ideia de junção de
paradoxos.
Porque quando você pensa na cruz, você
pensa nesses símbolos, nesses símbolos
pascoais,
eh, se sobrepondo,
trazendo paradoxos para ele. Então, a
Bíblia, eh, tem diversos paradoxos
e a cruz talvez seja o ápice desses
paradoxos.
Um paradoxo que tem na Bíblia inteira é
a vida e morte.
No começo da Bíblia, Adão é falado:
"Olha, você
vai, se você comer desse fruto, você
certamente morrerá. E quando Adão é
criado, é soprado nele o fôlego de vida.
A ideia de vida e morte são impregnadas
na ideia de ser humano desde Gênesis.
Então, começa o texto bíblico com a
ideia de vida e morte relacionado ao ser
humano.
Eh, logo lá em Gênesis, essa ideia vai
percorrer a Bíblia inteira até
Apocalipse, como a gente estava falando,
e essa ideia vai ganhando camadas. Então
você começa a ter a ideia de sacrifícios
que vai aparecendo depois no texto
bíblico. Você sacrifica um animal,
depois você tem o santuário, o santuário
que é um símbolo de vida, que é o Deus
vivo se manifestando ali. Eh, o o
sacerdote, ele não podia ter contato com
um cadáver.
Se ele tivesse contato com um cadáver,
ele tava ritualmente impuro. Ele não
podia oficiar no santuário. Então o
sacerdote, ele tava devia est
completamente dissociado da ideia de
morte. Você não vê um sacerdote onde
você vê uma pessoa morta. Mas ao mesmo
tempo, quando você entra num santuário,
nesse lugar de vida que representa a
vida, o que acontece lá é uma
carneficina o tempo todo. É morte o
tempo todo. É sangue, é sangue de
animais. É, as são as víceras, né?
Aquele animal sendo queimado, consumido.
Então assim, o lugar onde você busca a
vida é um lugar que tá cheio de morte,
porque no texto bíblico, morte e vida
estão relacionados.
Eu acho que uma síntese assim genial que
é feita é a de São Francisco de Assis,
que ele fala: "É morrendo que se vive
paraa vida eterna", né? Depois é dando o
que você recebe, é perdoando o que você
é perdoado e é morrendo que se vive
paraa vida eterna. Então, como você
alcança a vida eterna? Através da morte
você precisa morrer. O Novo Testamento
vai trazer essa ideia diversas vezes,
né? Eh, você precisa morrer para você
ganhar vida eterna. Você morre para para
esse mundo. Você morre uma certa morte
para você ter acesso a uma certa vida.
Então essa esses esse paradoxo de vida e
morte talvez seja o paradoxo mais
intenso que aparece na Bíblia inteira e
ele aparece no seu ápice na ideia de
cruz, na ideia da cruz de Cristo. Então,
como tinha começado a comentar na outra
live, imagina a seguinte cena, você tá
em casa,
batem na sua porta, quando você abre a
porta,
você tem lá o grupo de jovens e adultos.
Eles vão falar, a gente quer falar uma
palavra de vida para você. A gente veio
falar de bondade e de misericórdia para
você. E quando você olha na camiseta
dessas pessoas, tem um desenho de uma
pessoa numa cadeira elétrica
e e assim você vê o corpo dessa pessoa
morta, sangrando, né?
Isso é importante trazer essa ideia pra
gente lembrar o quão chocante é a ideia
de cruz, que às vezes a gente tá ficar
meio anestesiado, a gente vai se
acostumando com essa ideia e a gente
fica anestesiado com ela. Quando a gente
entra numa igreja e tem uma cruz, ainda
que não seja um crucifixo com o Cristo
esculpido ali, a cruz não deixa de ser
um aparelho de tortura.
Quando a gente entra numa igreja para
buscar esperança e alívio, a gente senta
numa igreja e olha para o parede lá no
fundo onde tem um instrumento de de
tortura. Isso é um paradoxo muito
grande. Isso é um paradoxo muito
intenso.
É olhando para essa imagem horrorosa que
é uma pessoa sendo torturada e morta,
que a gente tem também sentimentos
paradoxais,
porque a ideia do constrangimento com a
morte de Cristo, ela é muito forte na
arte cristã desde sempre. Eh, eu até
gostaria de saber de alguém que estuda
estética,
se ele pudesse me falar se existe uma
outra contribuição paraa arte grotesca
tão forte, tão influente quanto a a a
arte cristã de Cristo sendo crucificados
12 passos da cruz. Porque eu não vejo
muita arte grotesca,
considerando que a cruz é uma arte
grotesca.
eh
em certos períodos de história, em
certos contextos, que não seja a arte
religiosa. Eh, a gente
tem tem quadros, tem aquele quadro
famoso da da pessoa morta na banheira,
que tem uma ideia de jornalismo, etc e
tal. Mas quando você tem um um
religioso, artista da Idade Média,
seja o que for, até mais para frente,
retratando o Cristo na cruz, ele se
esforça, usa seus talentos artísticos
para mostrar a dor e a tortura, para
você conseguir imaginar o sofrimento
daquela pessoa na cruz morrendo. Então,
a arte cristã, e é interessante isso,
né? Porque a arte cristã perdeu muito
dessa ideia hoje, né? A arte cristã, ela
tinha,
ela usava elementos artísticos para
chocar as pessoas. O choque com a ideia
da morte e do sofrimento e da dor é um
choque que fazia as pessoas refletirem e
trazer as pessoas para uma reflexão
religiosa.
O sofrimento de Cristo significa o
sofrimento que eu não vou passar.
Os, quanto mais eu vejo o sofrimento de
Cristo, mais eu vejo o quanto ele
suportou para eu não passar por um
sofrimento, para eu não passar pela
morte eterna, né?
Então, a esse paradoxo é muito intenso
dentro do do dentro de toda essa ideia
de cruz, né? Deixa eu dar uma olhada
aqui nos comentários.
Carlos coloca aqui: "Jão Batista trouxe
esse paradoxo quando chamou Jesus de
cordeiro de Deus que tira o pecado do
mundo, sabendo que Jesus morreria uma
morte sacrificial". Exato, né? É o
cordeiro que tira o pecado do mundo.
E o João Batista, a ideia de tirar o
pecado do mundo, o cordeiro que tira o
pecado, é uma referência indireta a
Isaías 53, que também tem essa ideia,
esse paradoxo muito forte,
principalmente no verso que diz: "O
castigo que nos traz a paz estava sobre
ele."
A ideia de castigo que traz paz é um
paradoxo em si. São duas ideias opostas,
convivendo em tensão
na mesma frase. E é para ser assim, não
é para ser resolvido, é para ser
estranha essa construção, é para você
ouvir falar: "Como assim um castigo que
traz paz?" Porque é justamente para
fazer referência a conceitos, a ideias
que são opostos, entende? É, essa é a
força do paradoxo. O paradoxo faz você
mergulhar naquilo com uma com uma
estranheza,
porque tá se referindo a coisas muito
opostas, coisas que não estariam juntas
normalmente, coisas que normalmente você
fala: "Bom, essa daqui é a mesa das
coisas da vida. Aquela mesa ali é as
coisas da morte. São dois compartimentos
separados. Essas coisas não estão
juntas. Vida é o oposto de morte. Não se
fala em morte. quando está se falando de
vida, não se fala em vida quando está se
falando de morte. Aí o texto bíblico
pega essa lógica e joga pro alto. Ele
mistura esses conceitos. Não é vida
através da morte. É morte para conceder
a vida.
O Luís Fernando até coloca aqui, minha
filha de três aninhos me chamou atenção
sobre isso essa semana. Tinha uma imagem
de Cristo crucificado na TV e ela me
falou: "Papai, esse é o Deus. Ele tá
todo machucado e pelado. Diz aqui o Luiz
Fernando. Exatamente. A gente esquece o
quanto é chocante, né? A sua filha tá
nesse processo de anestesia dos símbolos
cristãos. Então, aproveite, enquanto ela
ainda não tá anestesiada com esses
símbolos, pra gente perceber o quanto
esses símbolos são agressivos. Eles
estão lá para ser mesmo, né?
Em uma análise, Deus é o paradoxo
absoluto. A gente vai chegar aí, viu?
A justiça e a paz se beijaram. Também um
paradoxo.
Eu aí eu já acho que não, Oziel, porque
justiça e paz são conceitos que a gente
consegue, a gente costuma
colocar eles num mesmo campo semântico,
entende? Aonde a justiça a paz, entende?
Onde a paz, a justiça reinou. São ideias
que que estão de certa forma de acordo,
né? Eh,
eu acho que esse texto especificamente
ele não tá fazendo um um uma referência
paradoxal de conceitos, né?
Mas
existem outros paradoxos que talvez não
estejam tão explícitos no texto bíblico.
Eh, e um deles que é o que eu quero
trazer aqui pra gente chegar nessa
conclusão que o detetive os falou pra
gente aqui em última análise, Deus é o
paradoxo absoluto, né?
Que é um paradoxo de dois conceitos
bíblicos. Eles não aparecem na Bíblia
com esse nome. Esses dois nomes são
nomes são dados por toda uma tradição
filosófica que é a transcendência e a
imanência, né? Transcendente e imanente.
Eu ouvi essas palavras pela primeira vez
dentro de um contexto religioso
teológico. E eu pensava que esses dois,
esse, essas duas palavras eram conceitos
teológicos. E depois eu fui ver que, na
verdade, eles são conceitos filosóficos.
Na filosofia se discute a
transcendência, a imanência assim o
tempo todo.
E o que que seriam esses dois conceitos,
né? Eu não vou me referir a um conceito
filosófico de forma profunda. Eu não vou
citar aqui autores, eu vou citar até um
ou outro um pouco mais para frente, mas
eu não vou fazer aqui uma um ensaio
filosófico sobre transcendência e
imanência. Eu vou pegar a transcendência
imanência mais de um ponto de vista
bíblico e mais prático, embora
fica aí o disclaimer que em diversas
tradições filosóficas esses assuntos são
aprofundados e talvez são levados desses
termos são levados para outro sentido,
né? Então o que seria a transcendência e
a imanência? Eu vou falar da
transcendência
pra gente entender o que que é a
imanência. O transcendente
é aquilo que transcende, aquilo que está
lenha.
Então, o transcendente
é aquilo que são ideias, conceitos que
estão numa realidade acima da nós,
digamos assim. Então, por exemplo, a
gente se viu aqui o o texto sendo
citado, né? A justiça e a paz se
beijaram. Existe uma ideia de justiça,
uma ideia platônica de justiça e a
justiça como sendo algo perfeito,
inalcançado, metafísico, um conceito
metafísico, né, que está além de nós e a
gente toca nele, a gente alcança ele.
Dentro desse ponto de vista, a justiça é
transcendente, ela transcende ao a
humanidade, entende? Ela está para além
da humanidade, ela tá para além, usando
aqui uma ideia de dualismo platônico,
ela tá para além desse mundo físico,
carnal que a gente conhece, né? É algo
acima além. O imanente seria justamente
o contrário, seria essa nossa realidade.
É isso que a gente consegue ver, tocar
que faz parte dessa realidade mais
palpável.
E a discussão filosófica que se faz em
relação a esses dois conceitos, né, é
que o ser humano ele vive numa
expectativa de transcendência,
mas ele é,
de certa forma um ser imanente,
no sentido de que a vida do ser humano
acontece nesse mundo físico que a gente
vê. a gente alcança conceitos
transcendentes através da nossa mente,
através da nossa imaginação, digamos
assim, até, mas a gente tá imerso na
imanência do mundo, entendem?
É mais ou menos essa ideia de
transcendente e imanente que a gente vai
navegar aqui. Eh,
uma maneira de explicar isso é
explicando o próprio Deus como
transcendente e imanente.
Eu já comentei isso daqui antes, eu vou
tentar ser breve porque esse assunto dá
pra gente esticar ele quase que
infinitamente.
Mas quando a gente abre em Gênesis
capítulo 1 e capítulo 2, a gente tem
dois nomes divinos aparecendo. Não sei
se vocês, quem já não acompanhou essa
discussão aqui, eh, não sei se vocês já
se atentaram para isso ou se já leram
isso em algum lugar.
Quando você abre Gênesis 1, tá escrito
lá: "No princípio criou Deus os céus e a
terra, né? Aquele famoso beresit bará
Elohim etma". A palavra Elohim é a
palavra no hebraico que é traduzida no
texto bíblico eh em português como Deus.
Quando você vê Deus no Antigo
Testamento, que que o Antigo Testamento
foi escrito em hebraico, muito
provavelmente a palavra que tá no
original é a palavra Elohim.
O que que significa? Quais são as ideias
dessa que trazem junto dessa palavra?
Essa palavra tá conectada com a ideia de
Eloh de força, de poder.
Então, Elohim é um é um é um título, a
gente vai chamar de nome aqui, mas
entendam como título, tá? Eh, então,
Elohim seria um um nome divino
que é até de certa forma genérico, que
tá associado a força e a poder. E a
transcendência é o Deus transcendente, é
o Deus que transcende, é o Deus que tá
longe, distante. Normalmente, quando
você vê a palavra Deus aparecendo e vão
ter exceções no texto bíblico, tá gente?
Isso daqui a gente vai ver uma
tendência, mas há exceções. Mas
normalmente quando você vê a palavra
Deus no Antigo Testamento,
você vê um aspecto divino mais distante,
um Deus mais longe da humanidade.
Então os céus declaram a glória de Deus.
Eh, o livro de de Eclesiastes, que é um
livro que eu gosto,
ele só usa esse título para se referir a
Deus, Elohim, né? Quando você estiver
diante de Deus, sejam poucas as suas
palavras, porque você está na terra e
Deus está nos céus. Existe uma distância
infinita entre você e Deus. Ele é
absolutamente inalcançável. Ele é
distante. E esse é um aspecto que existe
no texto bíblico. Ele não pode ser
ignorado. Deus é infinitamente maior que
você. Deus é absolutamente inalcançável
para você. Deus é absolutamente distante
de você.
Deus transcende.
Deus transcende você. Você não tem
acesso direto a Deus porque ele te
transcende. Você não vê a Deus
diretamente. Você não fala diretamente
com Deus. Ele é um Deus distante.
Essa ideia pode parecer estranha porque
existe um outro aspecto que a gente
costuma enfatizar, mas é importante a
gente ler o texto bíblico considerando
que esse aspecto também está lá.
E quando a gente lê em Gênesis falando
no princípio criou Deus os céus e a
terra, a gente vai ver que o relato de
Gênesis capítulo 1 verso 1, até Gênesis
capítulo 2, verso 4, até metade do verso
4 do capítulo 2 de Gênesis, a gente tem
uma narrativa da criação com uma ênfase
num distanciamento divino. Por exemplo,
quando lhe quando essa essa parte da
Bíblia fala da criação do homem, tá lá
em Gênesis 1, capítulo eh capítulo 1,
verso 25, 26 e 27, se eu não me engano,
que é e criou Deus a sua imagem,
semelhança, a sua imagem Deus criou
homem e mulher os criou, né? Macho e
fêmeo os criou. Deus cria o ser humano a
sua semelhança, né? Lembrando que a
semelhança de Deus é que você vai
dominar, né? Eh, a dominação seria uma
semelhança de Deus. Então, o homem é
criado imagem, a imagem de semelhança de
Deus, o que é uma proximidade, mas ao
mesmo tempo é um distanciamento. Deus
cria o homem de uma narrado de uma forma
distante no capítulo um. E o que que o
homem tem em comum com Deus é a ideia de
domínio, é de ele estar eh em uma
posição diferente e de domínio em
relação ao restante da criação, ao homem
em relação ao restante da criação e Deus
em relação ao restante do universo.
Eh, então tem essa ênfase de em um Deus
transcendente lá no capítulo 1 de
Gênesis. Quando a gente vai pro capítulo
2, a partir do verso 4, a gente tem um
nome, um outro nome
que é o nome Yahué ou Yahvé, é o
tetragrama sagrado. É o nome que no
Antigo Testamento a palavra o Senhor em
maiúsculo, né? Algumas traduções trazem
inclusive todo a a todas as letras em
maiúsculo. Eh, quando é o Senhor se
referindo a Deus, a palavra no original
é essa palavra Yahué ou Yahé. é o
tetragrama sagrado. É um nome que se
perdeu a a pronúncia. Você já deve ter
ouvido falar bastante disso daí. Eh, e
nem é tanto um título, mas é mais um
nome próprio.
Porque a palavra Elohim é um é uma
palavra mais genérica. A palavra Elohim
também é a palavra usada para outros
deuses. É a palavra que se refere à
divindade num sentido geral, né? A gente
já comentou disso daqui em algum outro
vídeo, mas quando você tem lá nos 10
mandamentos, não terás outros deuses
diante de mim? Também é usada a mesma
palavra, Elohim. Tem um detalhezinho ali
gramatical para pra gente diferenciar
quando ele tá se referindo a Deus e
quando tá se referindo a outros deuses.
Eh, não é o caso aqui da gente se
aprofundar nisso, mas
Elohim tende a ser uma palavra mais
genérica, uma ideia que se refere mais à
ideia de divindade relacionado ao poder.
Enquanto a palavra Yahvé é um nome
próprio, tá relacionado com a ideia da
existência de Deus, Deus, aquele que é,
tá relacionado a a revelação de Deus a
Moisés lá na sarça ardente, quando ele
fala: "Eu sou o que sou aer". E um
anagrama dessas palavras forma o
tetragrama sagrado de Yahvé.
Eh, então, mas ao mesmo tempo, esse
tetragrama sagrado não é uma palavra
comum no hebraico, mas um nome mesmo.
Então, esse Deus tem um nome próprio. E
normalmente quando aparece o Senhor,
um texto descreve um um relacionamento
mais próximo de Deus com a humanidade.
Então, a gente vê no próprio Gênesis que
a gente estava comentando, a partir do
verso 4 do capítulo 2,
você tem de novo Deus falando da criação
do ser humano. E dessa vez não é um Deus
que eh afirma que o ser humano é a sua
imagem e semelhança, que ele domina, etc
e tal. Mas agora um Deus que forma o
homem
do pó da terra e sopra o seu próprio
sopro do fôlego de vida nas narinas
desse ser humano, desse homem.
Eh, então existe um relacionamento
diferente
do capítulo um e do capítulo dois.
Existe uma ênfase diferente em um
aspecto diferente de Deus no capítulo um
e no capítulo 2 de Gênesis.
Eh, essa a ideia de imanência e
transcendência que eu queria trazer
aqui, né? O
nome Yahé e o nome o Senhor é o nome
que, por exemplo, aparece nos Salmos: "O
Senhor é o meu pastor e nada me faltará.
O Senhor é a minha luz e a minha
salvação. A quem temerei?"
Então, é um nome que costuma no texto
bíblico dar mais ênfase a um aspecto
relacional de Deus, um Deus mais
imanente, um Deus que faz mais parte do
relacionamento aqui neste mundo com o
homem. Deus é ao mesmo tempo
transcendente e imanente nesse sentido,
entende? A gente não pode falar que Deus
não é distante do do ser humano. Ele é
distante, ele é infinitamente maior. Só
que ao mesmo tempo, paradoxalmente, Deus
também é imanente. Deus também tá
próximo.
Esses dois aspectos, a imanência e a
transcendência divina, aparecem
juntos em tensção em um paradoxo na
figura divina, na ideia de Deus. Quando
Deus se relaciona com a humanidade, ele
é ao mesmo tempo imanente e
transcendente.
Ele faz parte de uma esfera de realidade
que não é a humana, mas ao mesmo tempo
ele se torna humano.
Ele ele se torna parte da realidade
humana para se relacionar com o ser
humano.
E aí quando a gente vai pra cruz, essa
ideia de imanência e transcendência se
intensificam, como praticamente todos os
paradoxos que tem no texto bíblico.
Agora, Deus não é só uma figura divina,
ele também é uma figura humana ao mesmo
tempo. Existe outro paradoxo aí que
vocês conseguem ver, né? O paradoxo
entre humanidade e divindade, né?
Paradoxal, como Jesus é homem e Deus ao
mesmo tempo. Não existe uma explicação
lógica simples, é paradoxal. São ideias
que
a, a gente se acostuma a serem
autoexcludentes, mas elas aparecem
juntas ao mesmo tempo numa briga. não
estão em harmonia, como se elas
estivessem em briga, como elas
estivessem tensionadas dentro dessa
mesma figura que é Cristo, porque ele é
as duas coisas ao mesmo tempo. E isso
parece não se misturar, mas está ali ao
mesmo tempo, entende? Eh, e o paradoxo
do imanente transcendente também aparece
aí. É o Deus transcendente,
é o [roncando] Deus que quando tá dentro
de um de um bote no meio de uma
tempestade, ele fala pra tempestade se
acalmar ela calma. Uma referência direta
aí ao Deus que cria o mundo através da
palavra, que a natureza obedece as
palavras dele e ao mesmo tempo é um Deus
imanente, é um Deus que sentou e comeu
com as pessoas, é um Deus que abraçou as
pessoas. É um Deus que cuspiu no chão,
misturou o lodo e passou no olho de uma
pessoa cega e ela passou a ver. é um
Deus que tinha um corpo físico, um corpo
físico inclusive que é maltratado e
morto no final da história.
A ideia de um ser humano morrendo é uma
ideia muito imanente. Essa a morte é a
imanência máxima, é o que faz parte da
nossa realidade. Nós vamos morrer, o
nosso corpo vai se decompor. Essa é a
realidade humana.
E a realidade divina é que ele é eterno,
que ele ele não é não é limitado por um
corpo físico, mas na figura de Cristo
essas coisas se misturam, entende? Ele é
ao mesmo tempo transcendente e imanente,
ele é ao mesmo tempo eterno e ao mesmo
tempo ele tem um corpo físico que morre
e esse corpo físico depois é
ressuscitado e levado aos céus. Ou seja,
agora esse Deus transcendente lá no alto
tem um corpo físico que foi carregado da
terra e tá lá. Ele continua sendo
imanente e transcendente ao mesmo tempo.
E a morte na cruz traz todas essas
ideias, né? A cruz é um evento
extremamente triste e ao mesmo tempo um
evento extremamente feliz. Felicidade e
tristeza
se juntam paradoxalmente na ideia de
cruz.
É um dia de trevas,
né? É um dia de
um dia de pesar, porque nesse dia o
inocente foi morto, porque nesse dia o
ser humano quis matar a Deus.
E ao mesmo tempo é um dia feliz, é o dia
em que o sacrifício foi feito, que a
conta foi paga, que o castigo que nos
traz a paz esteve sobre o cordeiro e que
o cordeiro carregou esse castigo para
longe da gente, entende? Então, olha só
como é que diversos conceitos paradoxais
que aparecem no texto bíblico, eles são
retomados no tema da cruz, né?
Deixa eu dar uma lida só aqui em alguns
outros
outros comentários aqui.
Desde pequeno eu evitava essa cena até
entender na meia idade que era a
representação do amor de Deus por nós.
Não foi, não foi fácil, diz aqui C
Silva, né? Eh, tá vendo? Isso é
interessante porque realmente a ideia de
Cristo crucificado, ela é
amedrontadeira. Amedrontadora.
Inclusive, alguém comentou aqui em cima,
né, do da filha que veio e falou:
"Nossa, mas que horror, ele tá ele tá
ensanguentado" e tal, que é uma ideia
que traz pra gente um um uma ideia de
querer distanciar,
mas ao mesmo tempo é uma ideia que
quando você compreende o significado
desse sacrifício, ele se torna um
conforto. Graças a Deus que Jesus esteve
na cruz, porque é isso que nos traz a
liberdade da morte eterna, né?
[roncando] A ideia de justiça traz certa
noção de balança, na mesma medida.
Alguns dizem que isso explica a
necessidade do inferno eterno, pois a
equidade de uma ofensa a um Deus
infinito é a punição infinita. Diz aqui
o Eid dos Santos, né? Eh, o que você
pensa sobre isso? É, então eu não a
gente poderia até falar de inferno num
dia aqui, pode ser um tema interessante,
né? Eu eu não acho que necessariamente
essa eh
essa lógica fecha, porque eu entendo que
uma morte eterna já é uma punição
infinita. Então, a o distanciamento da
fonte da vida, que significa a morte, a
deixar de existir para sempre. Isso é a
morte eterna, né? Isso é o inferno. Essa
é a punição infinita, né? Para mim, pelo
menos no jeito que eu entendo, né?
O Carlos até fala aqui, tem a junção em
Gênesis. O Senhor Deus fez o homem.
Tetragrama mais Elohim. Exato. É o o
nome divino lá a partir do do verso 4 do
capítulo 2, ele aparece composto. É isso
mesmo, Carlos, né? Eh, em muitos, e é
incomum inclusive aparecer esse nome
composto, o Yahé Elohim, o Senhor Deus,
né? Em Gênesis ele aparece assim, essas
duas, essas duas ideias, esses dois
conceitos, eles estão lá juntos, né?
Eh, aí o Osé diz: "Não que seja essa
forma e que talvez haja uma graduação de
nomes, mas eu pensava que a vé era menor
do que Elohim". Eu acho que não é uma
questão de menor ou maior, Oziel. Eu
acho que é mais nesse sentido, porque
existe dois relatos de criação, um em
Gênesis 1 e o outro em Gênesis 2,
justamente porque o mundo foi criado por
esse Deus, só que ele tem dois aspectos.
Então, a gente conta a mesma história
duas vezes pra gente conseguir enfatizar
esses dois aspectos do mesmo Deus que
faz as mesmas coisas. Então, não existe
um menor ou maior nesses dois nomes
divinos. Eles eles têm a mesma um eles
têm o mesmo tamanho. A diferença tá em
como eles estão próximos da humanidade.
Seria isso. Essa a ideia do imanente e
transcendente, né?
Aí o detetive os diz: "O interessante é
que a própria cruz é um símbolo para
paradoxo dado a contradição das retas.
No entanto, também representa um centro
onde tudo está junto e resolvido.
Exato. E o próprio formato da cruz é
paradoxal. Você tem um eixo horizontal e
um eixo vertical
e os dois estão juntos, somados,
juntados por um eixo central, né? Eh, a
o formato da cruz traz essa ideia do
paradoxo. Ele quer dizer diversas
coisas, quer dizer coisas opostas ao
mesmo tempo. A cruz é triste, é
lamentável, é terrível e ao mesmo tempo
é maravilhosa, é reconfortante, é feliz.
A mesma coisa, o mesmo evento, o mesmo
símbolo, o mesmo objeto que simboliza
todas essas coisas, né?
Aí
e mais um paradoxo
que tem a ver com essa imanência e
transcendência é como isso, como a
religiosidade ela, ela se desdobra na
vida das pessoas.
A religiosidade ela tem esses dois
aspectos na vida.
A religiosidade não é só transcendente.
Você eh não é religioso apenas na igreja
quando você tá falando com Deus, quando
você tá orando e no seu dia a dia você
tá desconectado porque Deus é muito
distante, tá muito longe de você. lá na
igreja, é lá na mesquita, é lá na
sinagoga que é o lugar sagrado. Lá no
santuário israelita é o lugar sagrado e
fora de lá nós vivemos no eh no profano.
Então aqui não é o domínio divino, aqui
é o domínio da imanência. Deus não está
aqui. Então, no dia a dia, eu sou uma
pessoa separada de Deus e dentro do
serviço religioso, eu estou conectado a
Deus por causa da transcendência. Não é
assim que funciona, né? Não é assim no
texto bíblico,
porque como eu falei, transcendência em
imanência, eles estão juntos e
emaranhados.
O,
desculpa, eu tô lendo os comentários
aqui, eu vou me perdendo. Eu não sou bom
em ler os comentários e falar ao mesmo
tempo. Tem gente que consegue fazer isso
muito bem, mas já vou comentar mais dos
comentários aqui de vocês.
Quando você dá uma ênfase demais em um
desses aspectos na sua vida religiosa, a
sua vida religiosa se distorce.
Quando você hiperenfatiza o aspecto
transcendente do Deus distante,
a pior coisa que pode acontecer é uma
heresia contra esse Deus, porque ele é
transcendente, ele é muito acima e
distante de você.
Então,
é por causa de uma super ênfase na
transcendência divina que acontece um
atentado terrorista, que alguém tira a
vida de outra pessoa porque acredita que
aquela pessoa está ofendendo o conceito
de santidade divina,
que é uma pessoa que se explode e
explode muitas pessoas juntas para
causar o medo, para causar o
distanciamento dessas pessoas dos
objetos sagrados. vocês estão tocando
objetos sagrados que não deviam, né?
Essa superênfase faz você ter uma
religião que se distancia das pessoas.
Por outro lado, uma super ênfase
no imanente, na imanência da religião,
faz você se desconectar com o
transcendente.
Essa religião vira, no final das contas,
só uma filosofia, só mais uma de várias
filosofias humanas que não tem poder
para transcender a morte, que não tem
poder para transcender a natureza
humana, que não tem poder para
transcender os limites que você mesmo
tem. Ela não te transforma, ela só te
traz uma reflexão.
Ela não te transforma porque ela não tem
poder para isso. Eh, não existe essa
superênfase no imanente faz você não
considerar a existência
transcendente, eh, e misterioso, eh, e
sobrenatural da religião. Acaba se
tornando uma religião que tá calcada só
nessa vida de agora, só no agora.
Quando você pensa na religiosidade,
considerando tanto a transcendência
quanto a emanência, aí você vai viver
numa condição que é a condição
interessante pro texto bíblico, porque
você cuida dos pobres, porque eles
precisam de comida agora, porque eles
estão sofrendo agora e você tá
preocupado com o sofrimento deste mundo
aqui que você vive, mas ao mesmo tempo
você faz isso porque você tá esperando
um outro mundo.
Você faz isso porque você tá na espera
de um evento sobrenatural que vai
transformar o mundo todo. E você tá
antecipando isso com essas pequenas
ações.
Essa tensão entre transcendente e
emanente é o que faz aparecer, por
exemplo, a tensão entre justificação
pela fé e justificação pelas obras. No
Novo Testamento, né, que a gente tem
aquele texto de Thiago, né, vocês veem
que o homem não é justificado apenas
pela fé, mas pelas obras. E a gente tem
o texto de Paulo que não, o homem é
justificado pela fé e não pelas obras.
É a ênfase nos dois aspectos, é a
imanência e transcendência. Eh, não tô
falando aqui que eu sou um cristão
tradicional no sentido de que eu
acredito na justificação pela fé apenas.
Eu acho que o texto de Thiago tem que
ser entendido no contexto de que é
através das obras que você demonstra a
fé. Então, no final das contas, o que te
justifica é a tua fé e as suas obras são
só uma manifestação dessa fé. Assim que
eu entendo pelo menos esse essa
discussão entre Paulo e Tiago que
aparece no Novo Testamento. A gente
também pode falar disso num outro dia,
mas ela toca nesses dois aspectos. A
religiosidade anda com os pés no mundo e
com as cabeças no céu. O ser humano
que se compromete com o caminho desse
Cristo crucificado, ele também se
crucifica junto do Cristo. Ele se
crucifica para se sacrificar,
para ele morrer, para ele viver, para
ele ter uma vida eterna, para ele tá na
eternidade de forma glorificada com
Deus.
É através da morte que você adquire a
vida. É morrendo que se vive paraa vida
eterna. Eh, é através da ressurreição
que se atinge a eternidade, mas é
através da morte que se chega na
ressurreição.
[roncando]
Eh,
esse caminho
é o caminho que Jesus fala quando ele
fala do reino de Deus. O reino de Deus
vai vir, ele vai vir nas nuvens dos céus
de uma forma sobrenatural,
transcendente,
mas ao mesmo tempo o reino de Deus já tá
entre vocês. Vocês já fazem parte do
reino de Deus. Vocês já estão
construindo esse reino de Deus. Mas não
adianta você achar que você vai
construir ele sozinho aqui na terra.
Não. É uma obra que necessita
necessariamente.
Deixa o avião passar.
É uma obra que necessita necessariamente
de uma mão imanente e de uma mão
transcendente. A construção desse reino
de Deus e da obra de Cristo, da obra de
Deus no mundo, é uma construção imanente
transcendente. É uma construção que
precisa de um ser humano que vive aqui
nesse mundo, preocupado com essas coisas
do mundo e ao mesmo tempo de um Deus que
transcende infinito, que tá além de tudo
aquilo que se pode conhecer.
É esse, é isso que eu queria chegar na
semana passada e não consegui, né? Vamos
então pros comentários aqui.
Vitória da cruz é vida, o túmulo vazio.
Cristo ressuscitou, venceu a morte. Essa
é a nossa esperança, diz aqui o Daniel
ao governo de Camargo. Exato, né? E você
vê que vitória da cruz
é uma expressão que é paradoxa por si
própria, né? É a vitória
de um instrumento de tortura e morte.
Então não é vitória, é derrota. Mas não,
não é derrota. A vitória vem através da
derrota, porque a vida vem através da
morte. nessa aparente derrota de Cristo
na cruz, que é a maior vitória que foi
alcançada tanto para ele quanto para
nós.
É, é isso mesmo.
Aí o Carlos coloca aqui, né? Exato. Não
existe vida espiritual, existe vida
apenas. É exatamente, né? Quando você
pensa na religião bíblica, ela
necessariamente ela tem o seu aspecto
espiritual,
mas ele só existe se ele é manifestado
aqui nesse mundo natural, nesse mundo
imanente, nesse mundo físico.
Wade coloca aqui do Stoevski entrou em
um embate mental intelectual com um
quadro O corpo de Cristo morto no túmulo
e de Hans Hell, em que ele retrata o
Cristo totalmente imanentizado.
Seria interessante uma análise desse
embate algum dia do Astoev que escreveu
até um romance como resposta a essa
pintura. Pô, que interessante isso daí,
Aid, que interessante. Vamos correr
atrás. De repente a gente faz aí uma
live que a gente eh comenta de arte, né?
A gente já fez umas e já tem outras
também que não parou por lá. Tem outras
artes que eu também queria comentar
aqui. Essa pode ser uma sim. Vou salvar
esse comentário seu aqui para
para ver depois. Isso daqui
a detetive S coloca aqui. A verdadeira
fé não é uma resignação, é um duplo
salto, porque ela convida a viver no
aqui e agora e não só pensar na
transcendência. Nós amamos a Deus porque
ele nos amou primeiro. Exato. É isso
mesmo. É isso mesmo, né? É viveu aqui
agora e ao mesmo tempo
viver o depois.
A volta de Cristo é a maior esperança,
é o que move a vida religiosa, mas ao
mesmo tempo é a esperança da vida
religiosa, mas ao mesmo tempo a vida
religiosa acontece agora, nesse momento
aqui e não só na volta de Cristo. Ela tá
acontecendo
nesse mundo danificado, nesse mundo
distorcido.
É aqui que a gente vive a vida
religiosa, com a esperança da chegada
desse mundo glorioso, glorificado do
reino de Deus.
Deus não está só na morte, mas Deus não
está só na morte, mas também na vida.
Exato. Se Deus não fosse transcendente,
ele não seria Deus. Se Deus não fosse
imanente, ele não seria pessoal. Is Se
ele não fosse imanente, ele não seria
esse Deus que a gente conhece. Ele seria
totalmente desconhecido. Ele seria o
Ganzanderi, que o pessoal da de
filosofia da religião diz o totalmente
outro. Ele é totalmente além. A gente
não tem nem conhecimento, a gente não
faz ideia do que que ele é. Mas o Deus
bíblico, ele se revela, ele se conecta
com a humanidade, né? Existe uma
passagem lá no livro de Daniel que é
muito interessante,
é naquela história de Daniel. Eh, na
verdade não tá na história, tá só os
três amigos dele que eles são jogados na
fornalha ardente, né? Vocês devem
lembrar dessa história. [roncando]
E aí quando tá lá no meio do fogo, o
Nabuco Donozor olha e fala:
"Olha,
era era só três pessoas que a gente
jogou na fornalha, agora tem quatro. E
um desses parece um dos filhos dos
deuses, né?" Eh, e ele fala com espanto,
porque a ideia da no conceito babilônico
é que os deuses não participam dessa
vida da gente. Os deuses são alheios a
isso, né? Eh, inclusive no capítulo
anterior, quando ele fala do sonho,
vocês têm que falar o sonho, o sonho que
eu tive, vocês têm que me contar qual é
o sonho que eu tive para eu saber que
vocês sabem a interpretação. Os sábios
babilônicos falam: "Não, mas o único que
que os únicos que podem revelar isso são
os deuses e eles não vivem entre nós,
eles não estão aqui com a gente."
Então, essa diferenciação entre o Deus
bíblico e o deus e os deuses pagãos, que
os deuses pagãos eles vivem uma outra
vida lá fora, eles não têm a ver com a
nossa vida, a vida deles é outra,
né? Essa essa diferença é essencial. O
Deus bíblico, ele tá
completamente interessado nessa vida
aqui, porque ele é também imanente,
porque essa realidade é a realidade que
ele criou.
Então essa também é a realidade de Deus,
né? É bem interessante isso. Daí
o comenta aqui que é o livro O idiota.
Trata de uns paradoxos de da bondade
também,
gente. É isso.
É isso. On já leu a obra O bode
expiatório de Renê Girá? Ele mostra
bastante paralelos culturais na
sociologia e nas ideias pascoais.
Não, não li, não li. Aid, não conheço
essa obra não. B expiatório.
Interessante. Interessante.
Eh, uma coisa que eu ia falar até
esqueci que essa ideia de transcendente
e imanente é uma tensão no pensamento
filosófico também. Eh, alguns vão falar
sobre como alcançar a transcendência.
eh nos filósofos ali do período eh antes
do iluminismo, os o o
os filósofos que estão ligados ao
cristianismo vão falar da de você
alcançar o transcendente através do
relacionamento com Deus, mas existe uma
discussão sobre a transcendência fora da
discussão sobre o Deus bíblico
e vão ter filósofos que negam totalmente
a transcendência,
né? é uma tendência dos filósofos
modernos. O Niet é um deles, ele nega
transcendência, embora ele não seja eh
como que se fala? O pessoal costuma
falar que Nit é aquele que que nega
tudo, esqueceu a palavra, né? Mas ele
não é não é essa a corrente de
pensamento dele. Mas eh ele não acha que
você tem que viver a vida pensando, não
é uma desgraça, não vale nada a pena e
tal. Não, não é esse pensamento de Niet,
mas ele nega que existe a
transcendência.
Ele entende que é na imanência que se
encontra o sentido da vida, né? E aí a
gente vai ter outras teorias, outras
correntes filosóficas e uma delas está
no na fenomenologia
do tô Heidelberg, do Russer, que vão
falar da transcendência na imanência,
que a transcendência não é uma coisa que
tá desconectado da imanência, mas é que
através do imanente que você encontra a
transcendência. A transcendência ela ela
faz parte da imanência do mundo que a
gente vive, que é uma ideia bem
interessante, a gente pode pensar nisso
também depois para fazer aí alguns
paralelos bíblicos também, que é bem
interessante.
Nilista a palavra, exato, detetive, o
pessoal fala: "Não, n é niilista". Não,
Niet, ele detesta o niilismo e ele fala
contra o niilismo. Ele é absolutamente
oposto ao niilismo. Eh, embora ele
pareça muito pessimista, eh, mas não é
essa, ele não é niilista, ele não tá
negando todas as coisas. É exatamente
essa, esse termo aí, né, que normalmente
se confunde com Niet, né? É a mesma
coisa também a gente confunde. A gente
às vezes a gente tem contato com umas
ideias filosóficas de uma forma meio
superficial. A gente pensa, por exemplo,
que os hedonistas lá nos gregos eh eram
os que eram os depravados que só viviam
eh largados bebendo o dia inteiro,
rindo, comendo só a melhor das coisas e
tal, sendo que o hedonismo não é
exatamente isso. Ele também busca o o o
sentido da vida através da apreciação do
prazer. É verdade. Mas esse prazer
muitas vezes acontece na negação. Você é
é muito comum na na corrente dos
hedonistas você
se negar, se abster de coisas
para você aproveitar o prazer máximo em
coisas simples, porque o excesso
atrapalha na apreciação. Seria alguma
coisa assim que os edonistas falam.
Então, a gente tem às vezes essas ideias
que a gente aprende de um jeito, mas
quando a gente vai ver na filosofia dos
caras, não é bem bem isso, né? às vezes
até o oposto disso, né? É o caso de
inite e unilismo aí.
Bom, gente, é isso. É isso. Eu gosto
desse tema dos paradoxos. Eu acho
interessante usar a cruz como tema
central aí desses paradoxos.
Luz e trevas, vida e morte, imanência e
transcendência, humano e divino.
A cul está no centro de todos esses
paradoxos. Todas essas ideias que são
opostas convivem juntas,
não de forma harmoniosa, mas em tensão
nesse objeto da cruz.
O Carlos falaedonista deriva também de
Edom Isaú, que a tradução judaica diz
que em contraste com o irmão gêmeo, Jacó
vivia desse modo. É interessante eles
fazerem isso paralelo, né? que edom,
edom com n no final é a palavra grega
para prazer, né? Só que curiosamente tem
Edom com M, que é Isaú, né? Que vem da
palavra vermelho, né? Eh, tá relacionado
com a palavra Adam também,
eh, que é a palavra do nome de Esaú,
gente. Então, tá bom.
Eh, voltando para Páscoa, pergunta de 1
milhão. Jesus ressuscitou no sábado ou
no domingo? aqui o Daniel Alge.
Olha, a tradição é que é no domingo. a
gente tem esse e essa esse conceito de
de três dias, né, de ele ressuscita no
terceiro dia e tal, mas ele morre na
sexta, descansa no sábado e ressuscita
no domingo, que é normalmente como se
entende tradicionalmente esse ciclo, não
são três dias completos, mas a contagem
de três dias na Bíblia
não segue a mesma lógica que a gente
entende, né? os três dias aqui seria
considerando a morte na sexta, o
descanso no sábado e a ressurreição no
domingo. São os três dias de morte de
Cristo, né? Mas
a forma tradicional de se interpretar é
que a a ressurreição de Jesus é no
domingo. Inclusive os primeiros cristãos
entendiam isso. E o domingo acabou sendo
um dia também de encontro dos cristãos.
Eh,
logo ali no começo, né, o o no início,
todos os seguidores de Jesus eram
judeus. Então, eles eles seguiam ali o
guardavam o sábado, né? Eh, inclusive
descansavam, o próprio texto bíblico lá
no Novo Testamento descreve eles
descansando no sábado conforme o
mandamento, tal.
Mas por causa da ressurreição de Jesus
no domingo, começa uma segunda tradição
de se encontrar no domingo para você
fazer a eucaristia, né, que é também uma
adaptação de uma cerimônia judaica de
você partilhar o pão e o vinho,
que acaba se tornando a eucaristia que a
gente conhece no catolicismo e tal, mas
eh
essa acaba se tornando uma segunda da
tradição, o que vai depois desembocar na
na briga aí entre sábado e domingo. E o
domingo vai prevalecer, principalmente
ali a partir do quto século. E aí é
proibido guardar o sábado, as pessoas
perseguem
o os qualquer um que que guarde o sábado
como judaizante, né?
que é um pensamento que aparece até hoje
aí em algumas correntes cristãs, essa
ideia de que se você guarda o sábado,
você é judaizante. Usar a expressão
judaizante como uma
espécie de paralelo a a a
uma heresia, né? É uma ideia que vem lá
do quto século, quando você tem a
separação total ali do judaísmo e do
cristianismo. Eles não vivem mais como
viviam no período do Novo Testamento,
né, de comunidades mistas e tal.
Aí o João pergunta aqui, tinha vinho na
Páscoa judaica? Tinha, João. Tinha
vinho. Tinha vinho. É. E a gente tem eh
o que acontece, né? Eu entendo, eu sou
daqueles que entendem que o texto
bíblico não vê com bons olhos a bebida
alcoólica.
Então, o que acontece?
O vinho, ele vai assim, eh,
inevitavelmente
o vinho fermenta,
eh, e se torna e tem algum teor
alcoólico. Eh, isso dentro do contexto
bíblico, principalmente, imagina aquela
época, você não tinha esterilização,
você não tinha eh engarrafamento a
vácuo, não tem nada disso.
Então você guarda o vinho em em lugares
e o vinho vai necessariamente fermentar.
Tudo que tem açúcar vai fermentar
naquela época. É assim que as coisas
eram, né? Então, existe uma tentativa de
se conter esse processo de fermentação.
Então, você tem a ideia de uma torre no
meio das vinhas, onde você conserva ali
as garrafas da dos do vinho para ele
para você tentar evitar a fermentação.
Então, existe a fermentação acontece, é
inevitável,
mas ela não é o objeto desejável, né,
onde se quer chegar quando você eh
guarda o suco das uvas, né, na no dentro
do ali da da cultura bíblica. Então,
então, por exemplo,
o nazireu, ele não podia comer nada de
uva.
Por que que ele não podia comer nada de
uva? Porque não era para ele ser visto
bêbado por aí. E as coisas com uva
necessariamente fermentavam, não dava
para evitar elas fermentarem. Então
tinha vinho na na Páscoa judaica, né?
Não que eles tinham como objetivo a
produção do álcool em si, mas o álcool,
a fermentação de qualquer, na verdade,
qualquer alimento ele fermenta, né?
Quando você faz um prato de arroz e
feijão,
assim que ele começa a esfriar, ele já
tá fermentando, né? vai produzir álcool
ali. É claro que enquanto você tá
comendo a vai produzir numa quantidade
que é ínfima, tal, mas eh uma bebida
cheia de açúcar, como o suco da uva, ela
vai fermentar necessariamente.
Tá bom, gente? Então é isso, a gente se
vê então na próxima live. Valeu, aí os
que acompanharam. Eu acho que essa
semana eu vou conseguir ficar livre um
pouco por causa do trabalho. Aí eu vou
conseguir editar os vídeos. Eu vou até
dar uma corrida atrás. Sabe o que eu
queria? Eu queria também abrir um canal
no no TikTok.
Pode parecer esquisito, né? Porque a
gente associa muito TikTok a dancinha,
mas tem muito canal assim de discussões
legais. Eu acho que TikTok da para pegar
ainda vídeos mais curtos do que a gente
tem no YouTube. Só algumas ideias ali,
uma explicação simples de uma ideia
rápida,
cortada dos vídeos que a gente tem mesmo
e colocar lá.
Eh, eh, mas aí também vou precisar de
tempo para fazer essas edições,
mas com o tempo, se eu conseguir fazer
isso acontecer de verdade, eu divulgo
aqui também para vocês, tá bom, gente?
Valeu aí para quem acompanhou. Oxe, teve
bastante gente hoje na na live, 89 views
no total.
Eh, mas a gente se vê então na próxima
transmissão. Uma boa noite para vocês.
Descansem bem. Bom feriado para vocês aí
na terça-feira
e até até a próxima live aí. Ciao. Ciao.

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