ELA CRIOU UMA FICÇÃO CRISTÃ DISTÓPICA (QUE É BEM PARECIDO COM NOSSO MUNDO)
28/04/2026
ELA CRIOU UMA FICÇÃO CRISTÃ DISTÓPICA (QUE É BEM PARECIDO COM NOSSO MUNDO)
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Fonte: Dois Dedos de Teologia
Legendas automáticas:
ou Bárbara, Bie é um nome artístico ou é seu nome de verdade? >> Não, é o meu nome de verdade mesmo. B é um nome de Marquez. >> Uh, que que é isso, hein? É chique demais. >> Oi, >> rapaz. Eu tenho uma teoria que para você poder ser famoso, você tem que ter um nome chique. >> Ah, é verdade. Ainda mais escritores, não é? >> É verdade. Faz parte do marketing da do escritor. Tem um nome chique. Deus me lhe deu um nome chique. >> É, se fosse Bárbara Silva seria mais difícil, talvez, né? Tem nome sobrenomes assim que >> são feitos para para você ser escritor. >> Pois é. Eu podia colocar Bárbara Mari, mas aí eu conversei com o Daniel, né, o editor e ele falou Bárbara B, porque B é muito melhor, muito melhor. >> É, >> não gostei. Gostei >> não, eu sou eu, eu já sofro muito que eu sou Iago Martins. Tem coisa mais chata que Martins. É muito, né? O Iago me salva. O Iago salva um pouquinho porque aí deixa o nome um pouco diferente, né? Pois é. Y mais >> se eu fosse um Pedro, sei lá, se fosse um João, aí no fim, eu nunca nunca jamais venderia uma cópia de um livro. >> Ai ai. >> Bárbara Mary Beer dedica sua vida a Deus e encontrou nas palavras uma poderosa forma de levar a mensagem do evangelho a outros corações. Formada em Letras pela Universidade de São Paulo e pós-graduada em produção editorial, ela atua como escritora, revisora e editora de livros cristãos. serve na Igreja Cristã da Família em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde vive com Jonathan, seu esposo, e seus dois filhos, Radassça e Lia. Hoje nós recebemos a Bárbara aqui no dois dedos de teologia numa série especial de reviews sobre ficção cristã. Ela é autora de Ion e a profecia do Sol. E é sobre esse livro, sem spoilers que a gente vai conversar hoje. Bárbara B, seja muito bem-vinda ao Dois Dedos de Teologia. Obrigada, Iago. Muito feliz de estar aqui com vocês. >> Prazer imenso. Você é a autora desse lançamento chamado Aon >> e a profecia do sol. Tô lendo, viu? Tô aqui em casa. >> Tá lendo em que página você tá? >> Eu eu passei da 50, então li uns 25% do livro, eu acho. É, tem uns 200 e, cadê? 280 páginas. Então eu tô abaixo dos 20, tô nos 20% do livro aí. Não, tô, estou interessado, estou interessado na obra. Então, a gente vai ter que conversar sem spoilers, tá? >> Tá bom. >> Porque eu não quero spoilers, >> certo? E o público não quer spoilers. Então você vai me apresentar um pouco o livro e a gente vai apresentar o livro aqui pro público. Porque ficção cristã, ficção cristã, certo? >> É uma ficção cristã. Isso é uma fantasia distópica. >> Uh, adoro distopias. Tô tô gostando do do movimento que a gente tá tendo aqui no Brasil de vários cristãos escrevendo ficção, escrevendo fantasia, até fazer o jabá em cima do jabá, porque a minha ficção vai sair em junho, eu acho, por ali na pelo mundo cristão também. Então, >> eu vi o anúncio hoje, eu falei: "Olha só como coincidiu". Vai ser na Fefic, lá na feira de ficção cristã. Então, ó, quem for crente, gosta de ficção cristã, vá lá para poder comprar o seu ION. Compra antes, até o link na descrição. Mas o menino que queria ser Deus vai sair também. Vou tô, eu vou ficar. Não, mas não é sobre isso aqui. Não é sobre o Desculpa aí, gente. O pequeno pequena crise de de egocentrismo. Aí a gente tá aqui falar do livro da da B. >> Não, mas eu tô muito fosa também para conhecer o seu livro, tá? Ah, quando vimos o anúncio, né, que fizemos na página de ficção cristã Brasil e o pessoal falando mundo cristão vai lançar uma ficção cristã do Iago. A repercussão que foi isso daí, todo mundo esperando. Ai, muito legal. >> Mas a minha história é curtinha, é só um conto simples. A sua história não é curtinha. Sua história tem quase 300 páginas aqui. >> Sim. É uma proposição de livro. É, é um livro assim bem grande, né? E é o primeiro livro de uma duologia. Esse é o livro um. >> Duologia. Vão ser dois. Isso. >> Eu vi aqui no final, vou até já dar esse spoiler pro pessoal. É um spoiler assim, eu tava só dando aquela folhada básica, aí eu não li, não li porque eu consigo me controlar, mas tem aqui, ó. Continua. >> Isso, continua. Pelo menos você não leu as últimas páginas, né? Porque tem pessoas não, não, não, isso não faço. Isso eu não faço. >> E cometem esse pecado literário de ler as últimas páginas e aí continuar a leitura. >> Não, eu tenho amigos que fazem isso. Eu acho um uma loucura. Coisa de de louco. >> É, eu nunca fiz isso também. Acho. >> É tipo começar a ler a Bíblia pelo apocalipse, entendeu? Você tem que tem que ter o contexto, pode chegar só no final. Estraga a história. >> Verdade. Começar pelo mais difícil. >> Vamos lá. Eu só li parte do começo do livro. Tô no processo de ver o resto. Então você vai me ajudar aqui a a querer continuar a ler. Vamos dizer assim, que aí a gente, quem está nos ouvindo vai, entendeu? A técnica é essa aqui. É, você vai me explicar um pouco do livro para ver se o público, não é, também entra na história, como eu tô entrando na história também. Eu acho que vai ser bem legal. Começa explicando para mim o seguinte, o que é sobre o que é a história de Ion e a profecia do sol. Bom, Ion e a profecia de sol, como eu comentei, ele é o primeiro livro de uma duologia distópica, mas que também tem eh várias trops literárias, né, como a gente fala. A gente tem romance com anim lovers, nós temos uma mensagem de redenção, uma família que tem eh traumas familiares. A protagonista tem vários traumas familiares, mas a gente fala sobre >> apareceram para mim. Eu vou perguntar sobre esses traumas daqui a pouco. >> É, então o o livro um ele começa bem com bem com esse panorama mesmo da do contexto da protagonista, mason é o nome desse mundo. Ele é um mundo criado, né? Né? Que teve gente que me perguntou: "Mas por que Ion? o que que significa a não tem algum significado por trás disso, mas basicamente é um nome inventado. É como nós temos Nárnia dias crônicas de Nárnia, nós temos as terras médias, os senhores anéis e assim por diante. Nós temos de Ion e a profecia de sol. Então, é um mundo criado e esse mundo ele foi amaldiçoado pelo inverno. Então, as pessoas durante muitos anos, centenas de anos, elas não conhecem nada além do inverno. Elas não sabem o que que é o verão, o que é a primavera, o que é o outono. Elas só conhecem um frio cada vez mais, eh, cada ano mais intenso, cada ano mais letal, né, pr esse mundo. E esse mundo, desde que ele foi amaldiçoado pelo inverno, ele foi dividido também em algumas colônias. E cada colônia aí com uma responsabilidade social para fazer esse mundo funcionar, basicamente. Mas o princípio que rege esse mundo nessa nova configuração social é que não pode haver liberdade em ION, deve haver ordem. Ordem sim, mas liberdade não. Então, eh, basicamente começa assim essa história, né? E nós vamos acompanhar uma protagonista, uma jovem que tem muitos traumas familiares, que tem muitas situações, que eu digo que é o inverno do próprio coração dela, né? Porque ela tem ela tá passando por um luto especialmente difícil. Ela perdeu alguém que ela amava muito e quando ela perdeu essa pessoa, ela até esqueceu o que é amar e como é se sentir amada. Então nós vamos acompanhando essa protagonista e ela vai ter alguns encontros aí, né? na na figura do criador que vão vai transformar isso daí para ela, né? Ela vai redescobrir a esperança. Basicamente essa história que no início me parece ser muito movida no primeiro momento pelo senso de culpa, não é, da protagonista relacionada a essa tragédia. Essa culpa guia o processo da história por mais tempo ou a gente vai ter outros late motifes aí pr pra nossa personagem principal? principalmente no livro, um, a situação do coração dela é bem abordada no livro, porque de fato ela se sente culpada pela morte, não como a pessoa que eh foi ativa, né, na morte dessa pessoa de de no caso da irmãzinha dela, né? >> Isso tá logo no começo do livro, tá gente, né? Relaxem que é o falar >> o cenário o cenário do comecinho. >> Ela não foi alguém eh ativa, mas ela se culpa muito porque ela não preveniu isso de acontecer. É isso. É assim que ela vê a situação. Ela poderia ter feito algo para que isso não acontecesse. Então ela vê, ela até diz assim, né? Ela fala: "Será que o inverno seria menos rigoroso? Eu sentiria um inverno menos rigoroso se ela ainda continuasse aqui comigo? Se eu tivesse feito algo para que ela permanecesse aqui comigo?" Então, eh, sim, essa culpa vai ser muito abordada, né? O luto, a dor, a culpa, o perdão também, principalmente no livro um, né? Aí eu e a profecia do sol. >> Livro dois tem título já, tem data, tem esse spoiler? Esse spoiler pode ser dado aqui. >> O livro dois ele já está nas mãos do editor, já tá assim que eu gosto. >> É, então o pessoal gosta de sequência. É, é melhor ler uma fantasia que tem sequência quando a gente sabe que vai ser lançado em breve a sequência. A gente não quer sofrer para RR Martin tá assistindo esse vídeo aqui, o Jorge Martin, entendeu? Fica aí a dica para ele aí. a gente sofre porque nós nos envolvemos tanto com a história e romper isso e sem saber quando vai ver, né, a continuação, dói isso no coração do leitor que se envolve com a história. Então tem gente que já começou a ler Ion e terminam, alguns terminam falando assim: "Bárbara, qual é o endereço da sua casa que a gente vai picha o muro da sua casa? Nós estamos revoltados. Eu tô com coração na mão e eu preciso da parte dois. Eu preciso saber o que vai acontecer, né? E a boa notícia aqui é que o livro dois já tá com o editor, né? Já tá pronto, já tá com editor. É, então não tem como o pessoal me pedir, por favor, não mata esse personagem, por favor, não faz isso, não faz aquilo. Eu já recebi umas mensagens assim, eu falo, eu não, eu não dou spoiler, né? Mas eu falo: "A história já tá, ela já tá pronta". O livro começa com essa uma narrativa muito grande de de dor, de redenção, de falha pessoal. O arco narrativo da nossa personagem principal, você pensou nesse arco como uma jornada de redenção, uma jornada de de restauração ou algo um pouco mais ambíguo? Sem dar spoilers, mas eu fico pensando: "Meu Deus, essa é uma ficção cristã." E como ficção cristã, muitas vezes a gente já imagina que a gente vai ter uma pregação assim no no final, né? Vai ter uma coisa que não tem que sempre ser um arco redentivo, tem que ser sempre um arco de vitória. Como é que você tentou trabalhar essa essas ambiguidades da natureza humana dentro do arco dessa personagem? Que eu tô ansioso para ver como é que você fez isso. >> Pois é. Ah, eu espero que você goste muito desse primeiro livro e a sequência, né, também o ION 2 é ainda mais especial para mim, porque eu acho que o senhor me conduziu também, me inspirou a escrever coisas que eu não tinha planejado escrever na verdade. Então, quando a gente fala sobre o Arco da Alteia, que é a protagonista aqui, >> ah, que bom vi você falar o nome dela, porque como é th, aí minha cabeça de de grego, fico pensando assim, ó, será que é alteia ou é alteia por causa do do t, >> eu já ouvi gente falando a tia, eu já vi gente falando como americano alia, né, que eu acho que é lindo. >> Bom que traduz bom quando o livro publicado nos Estados Unidos já vai, >> já tá pronto, já >> vai ter o thzinho os americanos. Pois é, eu falo alteia, mas eu não eh reclamo se as pessoas querem falar de outras maneiras, assim, tem liberdade de pronunciar o nome dela. Tudo bem. Mas eh quando a gente fala do arco dela, quando eu decidi, né, começar a escrever ficção, eu escrever de fato uma ficção cristã, eu tinha muito claro que eu não queria escrever gente perfeita. Eu queria escrever, >> obrigado, meu pai. É, eu queria escrever eh realidades, diferentes realidades, porque claro, esta é a minha primeira duologia. Eu já comecei outra série que o livro um também já tá com a editora. Então, mas é outra voz, é outra voz, é outra cabeça, é outra protagonista. E e se a partir do texto, a partir da leitura do texto, da maneira como ela pensa, a gente vê que não tem nada a ver uma com a outra. Então, algo que eu decidi quando eu falei, vou escrever ficção cristã é que eu não queria gente perfeita. Cada um tem um contexto, tem gente que passa luto, tem gente que é muito orgulhoso e são diferentes pecados, né? Nosso coração é essa fábrica de ídolos mesmo. E nós temos tantas necessidades de redenção, né, da parte do Senhor. Então, eu queria escrever gente real que passam por situações diferentes, né? E no caso dela, nós temos uma personagem que tá muito ferida, que tá muito machucada, ela tá traumatizada pelo contexto pessoal dela, pelo contexto social, né? Então ela indiretamente, apesar de ela não ser parte de uma dessas colônias, né? Ela é parte de um vilarejo completamente desconsiderado pela política, se a gente for chamar assim, pela política desse mundo. Então, ela tá vivendo esse inverno interno, esse inverno externo, ela tá traumatizada, ela tá cheia de dores. E aí ela precisa passar por todo esse processo no livro um, principalmente, né, de ver que a esperança ela ainda é acessível, né, como na primeira carta que ela recebe, né, que essa libertação ela tá a uma decisão de distância, então é acessível para ela, ela pode voltar a ter esperança tanto pro coração dela quanto eh socialmente, né? Então essa foi a primeira decisão que eu tomei. Eu não queria escrever gente perfeita e queria de fato que não fosse uma história previsível. Então que a gente já imagina, ah, se é uma ficção cristã, vai acabar desse jeito. A gente já imagina como qual vai ser a conclusão dessa lei. Mas as histórias são diferentes. A gente não tem como colocar tudo dentro de uma caixinha, né? E isso é o que eu queria trazer com ION. Deus ele faz coisas diferentes na história das pessoas. E às vezes a situação acaba da forma como a gente não espera, mas ainda há esperança. >> Legal. A medida que eu fui lendo o livro, eu vou eu vou confessar aqui um crime, tá? Eu eu li o o as primeiras 50 páginas e aí eu dei uma folhadazinha, né, para ir vendo alguns elementos aqui aqui a cular. Ah, tentei não atrapalhar a história para mim mesmo, mas ele entrevistar, eu precisava mesmo dar uma passada aqui no livro, né? E eu percebi vários elementos de linguagem religiosa aqui, rei, luz, jardim, né? Isso foi intencional como parte de um de um setup de cosmovisão cristã que você quis colocar ali na história. Emergiu de forma mais natural da sua própria fé como autora. Usar esses elementos foi consciente ou só só fluiu de você de alguma forma? Então eu acho que até o nome, né, do livro Aon e a profecia do Sol, né, a gente já tá utilizando aí um termo profecia é um termo bíblico. Então muita coisa foi orgânica conforme eu fui lendo, porque a e a profecia sol é o meu primeiro livro escrito, então foi muito da minha descoberta como autora e nessa descoberta a gente não costuma na na primeira escrita, a gente não costuma se arriscar tanto, né? Então, eh, foi muito orgânico assim, de fato, foi muito natural, não foi algo programado, né? Eu vou usar esses termos para que identifiquem melhor como uma ficção cristã. Até porque, na verdade, ai, eu e a profecia do sol, nesse livro eu não utilizo termos como Deus, né, Jesus ou algo assim. Ainda que sim tenha muitas referências bíblicas. Eu não utilizo esses termos. E até tem muitos influenciadores literários que já pegaram o livro para ler, que não são cristãos. Eles pegaram o livro para ler gente que é do Book Talk, né, que tem uma comunidade literária que tá crescendo muito no TikTok. E esses influenciadores, eles pegaram, é mais um pessoal voltado pra fantasia, pra romantasia, eles pegaram para Leaiion e somente ao ao longo do livro é que perceberam que de fato é muito cristão, né? Tem muitos princípios bíblicos. aqui e muitos deles não são cristãos, não, não é um público assim de confissão cristã, não são cristãos, né? Mas eu também queria alcançar esse pessoal. Então eu eu existem algumas palavras que são naturais, que os cristãos entendem, que são usadas aí, por exemplo, a questão do jardim, né, ou o termo criador. Então são termos que nós cristãos entendemos bem, mas não é uma linguagem também em que eu cito versículo, em que eu falo igreja, em que eu falo é Deus, Jesus ou algo assim, né? E eu vi aqui uns personagens no personagens, olha, são os obliteradores. Eu fiquei louco para para ver mais esses personagens na história. Me explica aí quem quem são esses personagens. >> Aham. Os eh bom, é uma fantasia. Aon é uma fantasia, né? Muita gente classifica como distopia, mas a distopia ela traz mais elementos e reais, concretos. Neste caso aqui, ion, ele é uma fantasia que acontece em um mundo distópico, em um mundo que tá sob uma tirania. Então, por ser uma fantasia, existem elementos que são sobrenaturais, que não são reais de fato, mas que faz sentido aqui neste livro, né? São velos. Os obliteradores eles se encaixam nisso, nesse nesse lado fantasia de Ion, porque são 10 homens que foram selecionados, foram escolhidos pelo governo desse mundo que é chamado núcleo. E esses 10 homens eles foram selados no coração deles pelo inverno, com o inverno. Então eles não sentem nada, eles não vivem para si, eles vivem para esse governo. Então eles são fiéis ao núcleo. São 10 homens que são treinados nessas colônias que é desse mundo que foi reconfigurado pelo núcleo e eles foram selados no coração deles. Então, esses são os obliteradores. Eles são homens treinados e fiéis a esse governo, a essa ao núcleo. >> Esse essa esse sei lá, esse negócio de essas distopias, elas sempre mexem com parte da do relacionamento com a realidade, não é? sempre tem um toque na realidade. Então, pensar em pessoas, esses homens que foram tomados pelo inverno e que agora servem ao governo, eh, dá para fazer alguns paralelos aqui agora, mas eu vou deixar você fora de qualquer polêmica do mundo social moderno. Eu acho que essa é a ideia também. Existem alguns flashes, algumas cenas que fazem a gente parar nesse momento da leitura e comparar com a nossa realidade, né? Por exemplo, essa questão, o que que é mais importante socialmente, a ordem ou a liberdade? Então existem várias questões que são levantadas em literaturas que têm esse mundo distópico, como é o caso de Ion, né? Mas ao mesmo tempo, a figura dos obliteradores, quando eu pensei nos obliteradores, porque não é algo padrão, né? Hoje em dia, quando a gente fala sobre eh fantasia ou romantasia, existem algumas eh alguns seres mágicos que já são muito conhecidos, né? A gente pode falar de elfos, eh de féos, de vampiros, de lobomens. são seres mágicos, né, ou algo assim que são muito utilizados na literatura mundial. Eh, no caso, os obliteradores, eles são uma criação mesmo aqui no mundo de ion. E quando eu pensei neles, foi muito nessa questão de que não existe um coração frio demais para o calor da graça do Senhor, né? Foi isso de fato que eu pensei. Então eu queria mostrar isso. Não existe nenhum coração perdido demais, que seja irrecuperável, que que a graça do Senhor, o calor dessa graça não possa alcançar. E aí a gente vai descobrir um pouquinho isso conforme eh ao longo da leitura. >> Legal. Você falou do núcleo. Vamos entrar aqui um pouco na parte de contexto. O começo do livro tá setando muito o cenário tanto do mundo de Ion como da nossa personagem principal. O mundo do ele é fragmentado em colônias, né? Existem certas sensões políticas, existe opressão aí entre elas. Conta um pouquinho pra gente, só para dar um pouco do setup, que é esse mundo de como são essas colônias. E aí, se você quiser dar pra gente também um gostinho aí de por você cetou o mundo assim, não é? Era uma é uma alegoria espiritual, é uma crítica social, é só uma estrutura narrativa, né, para poder setar o conflito. Conta pra gente como é esse mundo de Ion e fala pra gente o que o que é que era a sua intenção por trás e montar esse cenário. >> Então, quando eu tava eh escrevendo Ion, eu só tive uma leitora crítica, né, eh que era a minha mãe. >> Ah, que legal. >> Ela é uma excelente leitora, muito boa mesmo, e ela sempre consegue identificar pontas soltas no texto e tudo mais. Eu me lembro que quando eu comecei a escrever e eu decidi essa questão, né, da reconfiguração mundial de fato, né, desse mundo aqui nas colônias, então depois vocês podem dar uma olhadinha, mas o mapa tá belíssimo, representa super bem, ele é muito fiel ao texto, né, a descrição textual de cada colônia. Sim, nós temos ali uma colônia que ela tá mais à margens eh do oceano. Então nós temos aqui nove colônias e no centro a metrópole. >> Você foi escrevendo, né, todo o cenário mundial. É muito legal você voltar pro livro. Aí você cita um lugar fica bem aqui perto desse aqui, tal. É muito legal. E conforme você vai lendo, você vê que tá de acordo realmente com o texto. Isso que é bom, não é algo que você fica perdido. O ilustrador ele foi excelente nesse sentido. E quando eu escolhi, né, são nove colônias. E no centro desse mapa nós temos uma grande cidade que não é uma colônia, ela é uma cidade que é beneficiada pelo serviço social que as outras colônias oferecem. Então ela é beneficiada, ela não produz nada, ela somente recebe de fato o esforço das outras colônias. >> Brasília, desculpa, deu um espirro aqui. >> Eh, quando eu pensei em, a minha mãe falou assim, ela falou: "Mas nove, por que não sete, né? Porque você sabe que sete o pessoal de que é o número que representa Deus e tudo mais." Eu falei, "Eu não quero entrar nisso daí. Eu não, eu não gostaria de entrar nessas linhas de sempre comparando, né, com numerologias ou algo assim. Então, quando eu escolhi a >> acaba virando só curiosidade, né, que não contribui muito para paraa formação do do universo, >> não? E porque de fato Ion não é um livro teológico, eu não tenho o fim de ensinar as escrituras. Aon, ele é um livro de ficção que tem muitas verdades bíblicas e que eu espero que de fato ela ele seja ele seja um canal que leve pessoas que talvez não abririam uma Bíblia para ler, mas sim abriria um livro de ficção, de uma fantasia, né, para conhecer o Senhor. Então, eh disso se trata. E quando eu pensei nas colônias, foi mais uma questão narrativa de fato. Eu não, eu não queria ensinar teologia a partir da quantidade de colônias ou das responsabilidades sociais de cada uma delas. Mas para este mundo, né, em que fala sobre a questão de liberdade e poder, em que fala sobre a questão eh de pessoas que de fato estão às margens, estão no fim do mundo, né, como é o caso da Alteia. A Alteia, ela era parte de um vilarejo que nem era considerado uma colônia desse mundo. Então ela era a esquecida das dos esquecidos, né? Ela tava realmente lá no fim do mundo. E mostrar que Deus olha para essas pessoas também. Ele olha para essas pessoas que os outros não estão olhando. Ele vê a todos. Então, a questão das responsabilidades sociais de cada uma dessas colônias, nós temos colônias, uma colônia que ela é responsável pelo transporte, pela locomoção, outra pela produção eh de energia desse mundo, o outro, a outra colônia pelo estabelecimento da justiça e e definição de leis e assim por diante. A outra pelo conhecimento, outra pela pelo plantil, pela agricultura e assim por diante, né? Então são colônias com diferentes responsabilidades sociais, todas produzem. E no centro nós temos a metrópole que recebe o benefício desse trabalho, do esforço dos outros, né? Então, claro que sempre tem críticas, né, sociais. Um pouquinho aqui, a gente vai ver isso ao ao longo do livro, porque ao mesmo tempo o senhor vê essas pessoas, né? Assim como ele olhou para ela quando ela tava lá em Arsemon, que é esse vilarejo esquecido, considerado selvagem pelo núcleo. O núcleo não considerava as necessidades desse lugar, não considerava as necessidades dela, mas o senhor a viu. O senhor viu esse lugar, o senhor considera também essas pessoas, né? Então eu acho que tem um pouquinho disso também na construção desse mundo. >> Se você pudesse resumir o coração do livro em em um único ponto, uma única mensagem, algo que você quisesse que ficasse nas pessoas quando elas lessem a história, você resumiria em quê? Eu sei que a intenção do autor, que eu vou falar uma polêmica hermenêutica, tá? Porque para mim ler ficção e ler a Bíblia são duas coisas diferentes. >> Que eu quero dizer com isso? >> Quando eu leio a Bíblia, o que é que eu quero? Eu quero a intenção do autor. Quero saber o que é que o autor, que que Deus e o autor humano estavam escrevendo ali. Quando eu leio ficção, a intenção do autor para mim importa menos, porque existe um cenário que é montado, uma história que é construída e muitas vezes a história vai montar cenários muito melhores do que a intenção de um autor, não é? Se eu tô lendo uma, se eu tô lendo um texto dissertativo, um texto argumentativo, um livro teológico, quero saber o que é que o autor quis dizer. Quando eu tô lendo Narnia, quando eu tô lendo Token, quando tô lendo a Andrear, quando tô lendo qualquer outro autor, eu não quero saber o que que ele quis dizer. Eu quero ver qual cenário ele montou. E esse cenário que ele montou é muito melhor do que as intenções dele. Então vamos deixar isso claro. Então, a sua a aquilo que você gostaria de passar com o livro, nem sempre é aquilo que as pessoas vão pegar com o livro. Isso é uma das grandes maravilhas da ficção. É ver as pessoas verem mais do que aquilo que foi intencionado pela grandeza do mundo que foi criado. Certo. Tô, tô maluco? >> Não, >> eu acho que é isso. >> Concordo. >> No entanto, no entanto, é muito legal saber o que é que o que é que tinha por trás da mente da força criadora ali da obra quando escreveu a obra. Então, resuma para mim, não a história, mas a mensagem, o aquilo que você queria que as pessoas percebessem, recebessem, que fosse causado nelas dessa escrita pra gente conhecer um pouco o coração da da mente por trás de tudo. >> Nossa, >> é muita pesada, hein? >> É, realmente, essa é uma pergunta. Eh, nesse primeiro livro de Ion, se eu fosse sintetizar, na verdade, não só depois eu falo a frase, a ideia, né? Mas se eu fosse sintetizar em uma palavra, na verdade seria esperança. Eu gostaria de fato que cada leitor de Ion terminasse a leitura desse livro com mais esperança, né? Esperança para si e esperança pra eternidade. Quando eu escrevia um e dois, eu tava passando e continuamos passando uma situação muito delicada em casa, que é com a saúde do meu pai, né? Então, o meu pai, ele descobriram que ele tava com metástase, a metástase chegou eh no cérebro e depois avançando para outros órgãos. Então, foi assim, eh, uma situação muito doída, né? A família ela sofre muito com isso daí. Então, quando isso, nós descobrimos tudo isso enquanto eu escrevia o livro. E para mim, o meu pai, ele sempre foi eh uma figura que me abençoou muito. Eu tenho uma ótima referência paterna, graças a Deus, né? Diferente. Eu sei que tem eh muitas pessoas que que o Senhor precisa curar isso daí no coração delas, né? que tivera um pai ausente ou um pai passivo ou um pai violento. No meu caso, não. Eu tive um pai que de fato foi muito presente e afirmou muito minha identidade como filha. Então, quando nós começamos a viver isso com meu pai, né, e no processo eu tava escrevendo a veio muito para mim essa questão de esperança. Então, eu espero que da mesma maneira conforme o Senhor foi ministrando no meu coração enquanto eu escrevia e ele foi devolvendo para minha esperança, eu espero que os leitores de Ion também recebam isso, né? E ao mesmo tempo, Ion um é aquilo que eu comentei, né? Eu espero que as pessoas percebam, concluindo a leitura, que não existe ninguém destruído demais que não possa ser restaurado, que não existe um coração é amaldiçoado demais, frio demais, traumatizado demais, que não seja que não possa ser alcançado pelo calor da graça do Senhor, né? que ele restaura esses, que ele veio pros doentes, é justamente para essas pessoas, né, que ele veio. Então eu espero que basicamente seja isso também que as pessoas recebam. Ao mesmo tempo, claro que é uma experiência pessoal a leitura de ficção, né? É uma experiência muito e emocional e afetiva. Então, conforme a gente vai lendo o livro de ficção, dependendo do nosso momento de vida, a gente vai extraindo outras coisas, né? outras coisas, como você comentou, além daquilo que o autor esperava, além do que o autor eh considerava, teve uma pessoa que ela escreveu para mim, ah, eu foi lançado agora dia 20 de março, não faz muito tempo, mas uma pessoa leu e ela falou que Deus ministrou o coração dela de uma maneira que eu não esperava conforme ela lia. E ela expressou algumas coisas pessoais para mim que eu falei: "Uá, isso nem passou na minha cabeça, na verdade, enquanto eu escrevia, que alguém poderia ser ministrado dessa maneira através da leitura, mas é porque de fato a leitura ficção, ela é uma experiência afetiva, emocional e depende muito do momento da pessoa." Então, eh, mas basicamente é isso que tava na minha cabeça enquanto eu escrevia. Bárbara, muito obrigado pelo seu tempo. Ion e a profecia do sol tá pela mundo cristão. Vai ter o melhor link que você comprar aí na descrição e no comentário fixado. As redes sociais aí da Bárbara também vão estar aparecendo aí, não só na tela, você tá vendo agora aí na tela, mas também aí no comentário fixado. Bárbara, muito obrigado. Deus te abençoe. >> Obrigada. Obrigada, Iago. >> E aí, você gostou desse review? Você gosta de ficção cristã? Não deixa de se inscrever no canal, assinar as notificações, clicar em gostei, ó, para, ó, esse vídeo ir mais longe na plataforma e nos ajudar a ter cada vez mais vídeos nesse formato. Você gosta desse formato? Você gosta desse tipo de review? Gosta de entrevista com autores? Se vocês curtirem, a gente faz mais. Então, senta o dedo aí no like, deixa aí seu comentário e vai ler ION e a profecia do Sol, que eu já comecei e é sempre muito importante a gente apoiar os autores de ficção cristã que a gente tem no Brasil. Um abraço, cheiro no cangote e até a próxima.