Makários – Romanos |A. 10| Batismo e Liberdade (Rm 6.1-23) | Ákilla Nascimento
03/04/2026
Makários – Romanos |A. 10| Batismo e Liberdade (Rm 6.1-23) | Ákilla Nascimento
Módulo Avançado: Romanos
Aula 10
Batismo e Liberdade
Romanos 6.1-23
Ákilla Nascimento
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[música] [assobiando] [música] [música] เ Muito boa noite para todo mundo que chegou aqui para mais uma da mais uma aula do nosso curso de teologia Macários. Muito bom ter vocês conosco para esse módulo de Romanos que já está aí com uma boa estrada eh percorrida, um bom eh caminho trilhado até aqui que a gente já venceu os primeiros cinco capítulos de Romanos e hoje a gente vai falar sobre Romanos capítulo 6, batismo e liberdade. E a gente espera poder demonstrar que foi muito propício que a gente tivesse chegado nesse capítulo. Exatamente nessa data. Hoje a gente tá falando aqui na véspera do nosso feriado de Páscoa. E a gente vai ver como isso tem muita relevância para aquilo e pra maneira como Paulo fala aquilo que ele quer falar a partir de Romanos capítulo 6. Para todos vocês que estão chegando agora aqui no nosso curso, essa é uma aula na sequência de outras nove aulas que a gente já deu a respeito de Romanos. E a gente tá fazendo o estudo sequencial de Romanos 1 até o capítulo 16, a carta completa de Paulo aos Romanos. E a gente tá chegando agora nesse segundo capítulo do segundo bloco. A gente já falou isso outras vezes. Nós temos Romanos dividido em Romanos capítulo 1 ao 4 no primeiro bloco e o segundo bloco do 5 até o oito. Então a gente tá no meio desse segundo bloco em que Paulo vai desenvolver temas eh muito relevantes para aquilo que ele acabou de afirmar no capítulo 5co, a última aula que foi dada aqui pela professora Suzi. Então essa é a 10ma aula. o tema da nossa aula de hoje e também o capítulo. Como eu fiz da última vez, eu vou apresentar para vocês eh duas versões bíblicas para que a gente possa comparar e para que a gente também tenha condições de extrair às vezes melhor o significado de um dado versículo, olhando para o mesmo texto grego a partir de duas interpretações ou na verdade duas formas de tradução diferentes. À esquerda a gente tem a NVI, a nova versão internacional. à direita o novo testamento para todos e eu vou compartilhando com vocês as observações ao longo do caminho aqui. Bom, como a gente colocou, a compreensão de Paulo no capítulo 6 de Romanos é completamente dependente do que ele acabou de tratar no capítulo 5. Isso é verdade para qualquer carta de Paulo. Paulo nunca escreve uma carta com os seus versículos e as suas afirmações desconectadas entre si. Mas ah, em Romanos em especial, isso é muito importante, apesar de ser elementar, é muito importante ser lembrado, porque a gente tem um encadeamento lógico muito eh eh muito bem amarrado por Paulo e uma dependência muito grande daquilo que ele fala a partir daquilo que ele construiu. Isso fica claro, por exemplo, na repetição de algumas conjunções que aparecem toda hora no texto de Romanos. Se a gente lou texto no grego, talvez essa repetição ficasse mais clara. As traduções às vezes elas mudam a tradução de uma mesma conjunção, porque é feio no português a gente repetir a palavra com muita constância, mas em alguns outros idiomas não é esse o caso. E no caso do grego e na forma como Paulo escreve, essa repetição tem um propósito. Tudo isso só para dizer que capítulo 6 é completamente dependente do capítulo 5. E o fim do capítulo 5 apresenta pra gente uma nota muito forte a respeito da graça de Deus. Se vocês lembram bem, ou se não lembram bem, o que Paulo afirma em Romanos 5, versículo 21, é a fim de que assim como o pecado reinou na morte, também a graça reine pela justiça para conceder eterna mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. A graça que ele fala aqui em Romanos 5:21, é o que ele apresenta também em Romanos capítulo 5, versículo 20. E é o que ele vinha construindo em todo o capítulo 5. Então, a gente tem um uma nota que foi tocada por Paulo e que tem uma importância muito grande nessa sinfonia que ele está construindo com a carta aos Romanos. E essa nota, obviamente, não pode ser esquecida. Ela é repetida de diferentes maneiras, com diferentes acompanhamentos e arranjos, mas ela é fundamental. Agora, a questão da graça, como Paulo apresenta, ela levanta muitos questionamentos, inclusive um questionamento que ele coloca no capítulo 3, na primeira parte, no versículo 8 do capítulo 3 de Romanos. Foi uma aula que eu dei também, acho que na semana retrasada, foi semana passada, agora não me lembro muito bem, acho que foi semana passada, eh, e nos coloca essa situação bastante desafiadora, que são os questionamentos que foram sinceramente colocados para Paulo, e também a palavra de pessoas caluniadoras que apresentaram contra Paulo uma afirmação ou uma acusação que não era devida, colocando na boca de Paulo algo que ele nunca falou. Por exemplo, Romanos, capítulo 3, versículo 8, eh, apresenta uma pergunta que Paulo coloca como fazendo a citação de uma outra pessoa, façamos o bem para que façamos o mal para que nos venha o bem. Muitos caluniadores afirmavam que a doutrina da graça de Paulo implicava justamente nessa conclusão lógica e que o próprio Paulo afirmava isso. Façamos o mal para que nos venha ao bem. Se a graça, o perdão, a justificação que nós temos no Messias, é simplesmente por aquilo que Deus nos entrega, sem nos pedir nada, sem exigir coisa alguma. E se é a partir do nosso pecado que nos veio essa graça, então façamos o mal para que nos venha o bem. Porque se a gente fez o mal e tudo isso já nos aconteceu, o que mais poderá nos acontecer se a gente continuar fazendo ainda mais aquilo que causou essa graça derramada por Deus, que foi o pecado e a maldade humana? Então, Paulo coloca esse argumento e ele chama essas pessoas de caluniadoras e é o único grupo que Paulo apresenta ali uma eh uma certa indignação que diz: "Para esses a condenação é justa". É difícil entender a condenação que veio tanto para judeus qu contra para gentios. Para essas pessoas não tenho dificuldade nenhuma de entender porque que o juízo veio sobre eles. Mas a pergunta, apesar de essa acusação vim de bocas caluniadoras, a questão ela é legítima. Será que eh essa doutrina da graça não abre margem e espaço para um comportamento absolutamente permissivo? Ela não encoraja inclusive um uma postura de libertinagem, de completo descompromisso ético. Eh, se afinal de contas é isso que é graça, como é que a gente entende a maneira mais apropriada de nós caminharmos aqui paraa frente? Algumas pessoas que não caluniaram Paulo, mas discordaram da doutrina da graça ou tiveram dúvidas e questionamentos muito profundos, fazem o seguinte alerta, provavelmente para Paulo a partir do que a gente lê na resposta de Paulo. Essas pessoas provavelmente disseram: "Não podemos sair por aí afirmando que o perdão é completamente de graça". Isso significa que as pessoas podem viver da forma que elas quiserem, no final, pedir desculpa e tá tudo certo. E óbvio que a resposta de Paulo não é simplesmente não, não é bem assim ou não é simplesmente eh é justamente isso que eu estava querendo ensinar. Paulo apresenta uma uma resposta para esse questionamento que ele levantou muito antes em Romanos capítulo 3. Mas mais do que isso, a resposta que Paulo dá para essa pergunta em Romanos capítulo 6 é muito mais do que uma parte que ele faz para responder uma objeção que talvez se levantasse como uma barreira contra o argumento que ele está desenvolvendo em toda a carta. E ele tem um objetivo muito maior com o argumento que ele apresenta nesse capítulo. Mas para a gente entender que argumento é esse que Paulo está iniciando aqui em Romanos capítulo 6, a gente precisa voltar a um texto muito mais antigo do que a carta aos Romanos, que é o livro do Êxodo. E aí a pertinência, a feliz coincidência ou não, ou planejamento que não foi meu, definitivamente não foi meu, de tratar de Romanos capítulo 6 na véspera da Páscoa. verdade. De acordo com a tradição judaica, a semana de Páscoa começou ontem, a na quarta-feira e vai seguir até a semana que vem, mas nós celebramos a sexta-feira da paixão, a crucificação e a ressurreição de Deus, eh, justamente nesse final de semana, ainda que existam também outras tradições cristãs que apresentam capítulos importantes dessa chegada de Jesus em Jerusalém. O fato é que a gente tá no contexto da Páscoa e Páscoa não é uma festividade que começa nos Evangelhos. A celebração que nós fazemos da Páscoa a partir da pessoa de Jesus tem uma raiz que antecede a encarnação de Jesus, que é a história do Êxodo. Originalmente a Páscoa foi estabelecida como uma festa para lembrar e celebrar a grande libertação que Deus trouxe para os filhos de Israel que estavam cativos no Egito. A história é antiga, é conhecida da maioria de vocês, mas vale a pena relembrar para ressaltar alguns pontos que aparecem nessa história, como narrada no livro do Êxodo. Os filhos de Israel entram livres na terra do Egito, mas ao longo do tempo sobe ao poder um faraó que já não conhecia mais José. O povo ele eh passa a ser explorado. O povo passa a ser um povo porque antes era um clã, era uma família estendida. Esse povo descendente de Jacó começa a se multiplicar. Eh, estando ainda no Egito, o faraó começa a oprimi-los. Essa escravidão, a opressão se torna de fato uma escravidão. Essa escravidão chega a um ponto de miséria e exploração absolutas. A tal ponto que o povo clama por libertação para o seu Deus. E Deus envia então o libertador que é Moisés. Moisés tira o povo do Egito e guia o povo pelo deserto em direção à terra prometida. Nesse processo, no ato da libertação, eles atravessam o Mar Vermelho. E lembre-se desse detalhe que não é tão difícil de lembrar e não é necessariamente, não é propriamente um detalhe, mas é um fato objetivo muito importante da história do Êxodo, a travessia do Mar Vermelho. E eles deixam para trás quando atravessam o Mar Vermelho, a terra da escravidão, e agora descobrem uma nova liberdade. Na verdade, um novo povo é constituído depois do mar vermelho. Uma nova liberdade é experimentada por esse povo e também uma nova lei é dada para esse povo. Porque Deus conduz essas pessoas até o monte Sinai, estabelece uma aliança com esse povo e como parte da aliança há a revelação e o contrato dessa aliança que é a Torá, a lei, os mandamentos que Deus passa a exigir como forma de fidelidade do povo de Israel ao Deus que constituiu e libertou o povo de Israel. Essa história, ela é muito conhecida e muito antiga. Essa história também conta que o povo passa um período no deserto muito superior, muito maior, muito mais longo do que eles imaginavam que seria o período no deserto, 40 anos, para uma viagem que poderia ser muito mais curta. Mas ao fim, Deus conduz esse povo para dentro da terra e eles conquistam a o seu espaço e o lugar, a herança que Deus havia prometido ele de fato dá ao povo de Israel. Eu eh comecei aqui, tô botando para frente e nem eh testei aqui, perguntei para vocês se imagem e vídeo tava tudo bem, mas como ninguém falou nada, acredito que vocês estão ouvindo e vendo bem. Essa história é muito conhecida. O que nem sempre é percebido. E o fato que não é tão conhecido é que, de certa forma, Paulo está recontando a história do êxodo e ele começa fazendo isso justamente em Romanos capítulo 6. Ele usa mais do que um capítulo para recontar a história do Êxodo, mas ele começa a fazer isso justamente aqui. E ainda que essa palavra não apareça em Romanos capítulo 6, essa história claramente é o pano de fundo, é a estrutura a partir da qual Paulo está apresentando aquilo que ele quer apresentar eh para os seus leitores na igreja em Roma. Roma ou perdão, Romanos descreve como os cristãos eles de certa forma atravessam as águas do batismo, assim como o povo de Israel atravessou o mar vermelho. E desse modo, como eles deixam para trás os cristãos, a terra da escravidão, entrando para uma nova liberdade, assim como sair do Egito significava para o povo de Israel partir em direção à terra prometida. Da mesma maneira, o cristão que passa pelas águas do batismo está deixando para trás uma terra de escravidão e entrando para um novo tipo de liberdade. Quando a gente segue nesse argumento, a gente entra em Romanos capítulo 7. E o Romanos 7 lida com a questão do que que aconteceu no Monte Sinai e os problemas que vieram a partir daí. E colocando isso para o contexto e paraa leitura de Paulo do que acontece na vida cristã, ele também fala como os cristãos estão sendo conduzidos a um novo e estranho cumprimento da lei que foi dada no monte Sinai para o povo de Israel. Logo depois, a gente tem Romanos capítulo 8, que descreve a vida cristã em termos da liderança de Deus, conduzindo o seu povo para receber a herança que acabava desembocando ou na verdade que acaba desembocando no argumento de Paulo na libertação e na redenção de toda a criação. Isso é muito interessante, porque quando a gente lê Romanos capítulo 8, versículo 18 em diante, já não está mais em questão a lembrança da herança que foi prometida a Israel. já não está mais em questão uma herança como território geográfico específico que é dado para os cristãos e não está mais em questão simplesmente a libertação dos cristãos, mas a libertação e a redenção de todo o cosmos, de toda a criação, sendo os seres humanos o centro dessa obra a partir da qual Deus planeja trazer libertação para todas as coisas. E nesse processo, Paulo adverte contra o tipo de pecado que mais é repetido na história de Êxodo ou na história do êxodo, como sendo o pecado eh perpetuado, o pecado mais recalcitrante do povo de Israel naquele contexto, que foi o pecado da murmuração. Os israelitas foram culpados justamente de murmurar sobre a dureza da vida no deserto e que supostamente eles queriam o alho poró, que eles queriam a carne, que eles queriam a comodidade que eles tinham no Egito, que era completamente ilusória, porque eles nunca foram povo completamente livres e tão felizes assim como a murmuração parecia fazer crer enquanto eles estavam no Egito. E o que Paulo coloca pra gente aqui é o que Deus coloca e que Moisés coloca para o povo de Israel lá, que é: "Vocês não querem voltar a ser um povo escravo." É isso mesmo que vocês querem? Esse é justamente o argumento que Paulo vai desenvolver a ponto de falar sobre isso em Romanos capítulo 8, versículo 15 e que começa aqui em Romanos 6. Mas por que é que Paulo reescreve a história do Êxodo a partir de Jesus? e do povo que está no Messias. Existem alguns motivos. O primeiro motivo é porque ele não esqueceu, apesar de muitas vezes nós esquecermos ou nós nunca termos percebido que aquilo que Deus fez em Jesus é o cumprimento das promessas que o próprio Deus realizou para Abraão. As promessas, como a gente viu no estudo de Romanos, capítulo 4, que Deus entrega a Abraão, se cumpre de forma completa e absoluta em Jesus. Em Gênesis capítulo 15, aquele capítulo da aliança que a gente tratou há duas aulas atrás, Deus prometeu que depois de um período de escravidão, ele mesmo conduziria Israel para fora dessa condição de escravidão e para a sua própria terra. Romanos 6 7 8 e na verdade a maneira pela qual Paulo explica que foi realmente isso que Deus realizou na pessoa de Jesus. Esse é o cumprimento supremo e final da aliança. Lembrando daquela interpretação muito curiosa e muito expandida, que a gente não encontra um paralelo tão explícito e tão direto no Antigo Testamento, de que Paulo acreditava que, no fim das contas a promessa de Deus para Abraão é que o mundo inteiro seria dado a ele como herança e que todos os povos da terra, a partir de todos os povos da terra, Deus constituiria filhos para Abraão. Então isso não se cumpriu em nenhum momento da história de Israel até aquele momento. E é justamente na pessoa e na realização de Jesus que Paulo entende que a promessa feita para Abraão encontra o seu cumprimento. O segundo segundo motivo pelo qual Paulo reconta a história do êxodo é: os contemporâneos de Paulo esperavam um novo êxodo. Se você estudar um pouco sobre o judaísmo do segundo templo, que especificamente nesse período do começo do primeiro século, um pouco antes e um pouco depois, você vai ver que muitos documentos atestam essa esperança de diferentes grupos judeus. Lembrando que o grupo judeu era muito fragmentado, existiam muitas esperanças distintas, mas uma constante em a vários documentos e na expectativa de vários grupos diferentes, tanto quanto fariseus. Quanto os elotes era que um novo êxodo estava para acontecer. E Paulo concorda com isso. Um novo êxodo aconteceu. Uma nova libertação acaba de ser concretizada. Um um grande ato libertador é realizado por Deus em favor do seu povo. Mais diferente do que a maioria, praticamente todos esses grupos esperavam, essa libertação não é a libertação política de Roma, mas sim a libertação de todo o cosmos. Mas contra que inimigo? Afinal, Roma, por mais poderosa que fosse, não tinha o poder de manter cativo todo o cosmos. o inimigo que era o pecado, a corrupção e a morte. Paulo está apresentando esse argumento que o problema do exílio, que ele, assim como o os evangelhos vão argumentar contra o seu fim na pessoa de Jesus, o exílio não foi causado por conta de um poder opressor de um povo estrangeiro, foi causado primeiramente por conta do pecado. Então, o maior e mais profundo inimigo que o povo de Israel enfrentava, assim como todos os outros povos, era a morte. E desse inimigo há agora uma libertação definitiva. O terceiro motivo pelo qual Paulo reconta o êxodo é que ele está afirmando que o que Deus fez mediante o Messias é o pleno cumprimento da esperança de Israel. Deus não abandonou a antiga aliança e ele não esqueceu da esperança que ele constituiu para o povo de Israel. O que ele, próprio Deus, fez em Jesus, era o alvo de tudo aquilo que ele havia feito antes. Quando Deus faz o que faz, enviando Jesus como Messias, ele não está, por assim dizer, deixando para trás as coisas que ficaram na época do Antigo Testamento, esquecendo-se de Ezequiel, esquecendo-se de Isaías, esquecendo-se de Jeremias, esquecendo-se da Torá. Todos os capítulos da história de Israel tinham como alvo e como propósito esse ato de revelação, esse ato de poder e libertação, e esse ato de justiça que Deus planejava fazer cair sobre todos os povos da terra. O que ele fez em Jesus era o propósito final. E isso tudo levanta naturalmente uma pergunta quando a gente pensa na história de Israel, desembocando na pessoa de Jesus como sendo o Messias de Israel, mas também o Messias que trouxe salvação para todos os povos. Que é uma pergunta que muitas pessoas se fazem hoje. O que é que nós temos a dizer sobre o Israel étnico? Como é que fica então esse povo a partir do qual veio o Messias? Mas esse Messias não é só para judeus, é também para os gentios. E o que é que Deus então fez com esse povo e continua fazendo e fará com esse povo a partir do qual ele enviou o Messias? E essa é uma pergunta muito pertinente que Paulo vai tratar a partir de Romanos 9. É por isso que esses capítulos 6, 7 e 8 são fundamentais, tanto pelos dois primeiros, três primeiros motivos que a gente apresentou, quanto por essa pergunta fundamental e natural que surge de quando Paulo está tratando da história de Israel. E a pergunta natural é: "E Israel hoje? Como é que fica Israel do ponto de vista étnico?" Ele vai tratar isso dos capítulos 9 ao 11. E por isso que a gente precisa compreender muito bem também Romanos 6, 7 e 8. Bom, mas dada essa introdução a respeito eh da maneira pela qual Paulo vai construir esse capítulo, a gente precisa observar algumas coisas aqui. Eh, qual é a resposta de Paulo a essa espantosa sugestão do primeiro versículo, como vocês veem aí. O que diremos então? continuaremos no estado de pecado para que a graça possa aumentar? O que é que Paulo vai responder? Certamente que não. Nós morremos para o pecado, como continuaremos a viver nele? Vocês não sabem que todos nós fomos batizados no Messias? Jesus fomos batizados em sua morte? Isso quer dizer que fomos sepultados com ele mediante o batismo na morte. De modo que assim como o Messias foi ressuscitado dentre os mortos mediante a glória do Pai, nós também possamos nos comportar com uma nova qualidade de vida. Porque se fomos plantados juntos na semelhança de sua morte, também o seremos na semelhança de sua ressurreição. A resposta de Paulo para essa eh sugestão do primeiro versículo é: quando a gente se torna cristão, nós mudamos de um tipo de humanidade para outra forma de humanidade. Portanto, jamais devemos voltar a pensar em nós mesmos da forma como nós éramos. Jamais devemos pensar da maneira que pensávamos, mas jamais devemos voltar a pensar que nós temos uma natureza e uma condição. Estamos debaixo de eh uma dívida e um senhor como era a nossa condição antes dessa profunda transformação que aconteceu a partir da entrada no corpo de Cristo simbolizada no ato do batismo. De uma maneira muito específica, ao se tornar cristão, nós morremos e ressuscitamos novamente com o Messias. E aqui nós nos deparamos pela primeira vez em Romanos com uma das crenças mais centrais para Paulo, não só em Romanos, mas também em outras cartas, que é: uma vez que o Messias representa o seu povo, o que é verdade em relação a ele também é verdade em relação ao seu povo. Uma vez que o Messias representa o seu povo, o que vale para o Messias vale também para nós que somos o povo que está no Messias. É por isso que ele fala das pessoas que passam a entrar no Messias ou estando no Messias ou de coisas ocorrendo a eles como com o Messias. Essas não são eh formas verbais acidentais. Não é força de expressão, mas é uma descrição do que Paulo realmente acredita que é a nossa condição. É claro que não se pode achar que tudo o que você ou eu fazemos é o que Jesus está fazendo pessoalmente. É claro que Paulo crê que Jesus era e é o Messias, mas o ponto é que a lógica do que ele está afirmando funciona com base na suposição de que como Messias, ele não simplesmente era um indivíduo em particular. Jesus de Nazaré, e sim era o ungido, aquele que sintetiza seu povo em si mesmo. É como se Jesus fosse a personificação de todo o Israel em uma só pessoa. A missão que Israel falhou em cumprir, trazendo o conhecimento do verdadeiro e único Deus para todos os povos. Jesus faz nele mesmo a missão que Israel tinha de ser obediente a sua aliança com o Deus verdadeiro e desobedecido em vários momentos, não só como indivíduos, mas o povo como todo, aquilo que a Torá estabelecia, Jesus é fiel e obediente ao Pai até sofrer morte e morte de cruz. Então, Jesus é essa personificação do povo de Deus em um único indivíduo. E aquilo que ele faz e conquista, a herança que é dada ao Messias, passa a ser também a nossa herança. A morte que ele passou e a ressurreição que ele experimentou através do poder de Deus por meio do Espírito Santo, é também a morte que nós nos identificamos e passamos e a ressurreição que nós recebemos, passamos e experimentamos pelo poder de Deus através do Espírito Santo no Messias, junto com o Messias. Mais especificamente, o ato de batismo no que diz respeito ao ensino de Paulo, marcava justamente o início prático e físico da vida cristã, envolvendo o cristão na morte e na ressurreição do Messias. aqui, eh, e também nos demais textos de Paulo, nós compreendemos que ele entende o batismo em parte em termos do êxodo, para o qual o batismo de João apontava e em parte também em termos do próprio batismo de Jesus por meio de João Batiso, por meio de João Batista, mas mais especificamente em termos do batismo acerca do qual o próprio Jesus falou. Quando a gente olha para Marcos capítulo 10, Jesus trata de um batismo que não havia acontecido. O próprio João Batista fala que ele batizaria de forma diferente com o espírito. E o batismo em Marcos capítulo 10 versículo 38, que Jesus faz referência é a sua própria morte. Então o batismo que todo cristão deve experimentar em Cristo Jesus simboliza a sua morte com Jesus. Quando as pessoas se submetem ao batismo cristão, elas estão morrendo com o Messias e são ressuscitadas com ele para uma nova forma de vida, para um novo tipo de natureza. Uma nova criatura é constituída. E a imagem que Paulo utiliza aqui é que o batismo, de certa forma, é uma semente que é plantada e que precisa brotar a partir dessa nova vida de ressurreição. No batismo, você é plantado na morte de Jesus de modo a viver agora como um ser humano renovado, que também foi plantado em sua vida ressurreta. Então a gente vê nesses versículos seguintes, do se em diante que Paulo vai tratar justamente dessa questão de uma humanidade que morre e é crucificada com Cristo. Uma nova humanidade que surge e que precisa se desenvolver, que precisa crescer e amadurecer, porque a semente precisa morrer para germinar e ela germina nessa nova vida de ressurreição. A pergunta do começo do capítulo 6 e também do começo do capítulo 3 é justamente uma forma de ser uma criatura transformada, uma semente que foi plantada no novo solo, uma nova forma de vida que surgiu, mas que quer dar os frutos da outra forma de vida que se possuía, do outro solo em que ele estava plantado. Existe, na verdade, até imagens mais descritivas do que essa e que o próprio Paulo vai utilizar e vai recorrer e que a gente vai tratar mais adiante também. Mas lendo aí o versículo 6 em diante, ele diz: "Sabemos isto: nossa velha humanidade foi crucificada com o Messias, de modo que a solidariedade do pecado pudesse ser abolida e não fôssemos mais escravos do pecado. Aquele que morreu, vejam, vejam bem, foi declarado livre de todas as acusações de pecado. Mas se morrermos com o Messias, cremos que viveremos com ele. Sabemos que o Messias, após ressuscitado entre os mortos, não morrerá outra vez. A morte já não tem mais autoridade sobre ele. A morte que ele morreu, perceba, foi para o pecado, uma única e exclusiva vez. A vida que ele vive, porém, é para Deus. E aí ele vai seguir do versículo 11 a em diante. Mas antes da gente seguir para esse novo bloco, a gente precisa perceber o seguinte. Desses versículos 6 a 11 que a gente acabou de ler, Paulo busca ajudar aquelas pessoas a relembrar ou talvez aprender pela primeira vez quem elas de fato são a partir da identificação que elas têm com o Messias. E como é que ele apresenta esse argumento? A partir do mapa que ele desenha no fim do capítulo 5 de Romanos. No fim do capítulo 5, ele fala da humanidade em Adão e da humanidade em Jesus. E o sentimento que muitas vezes nós precisamos admitir que nós temos ao longo da vida cristã que nós ainda estamos em Adão. antigas tentações, antigos desejos. Antes desse encontro transformador com o Messias, antes dessa fé que nos concede uma nova vida com o Messias, nós sentimos desejos, atrações, vontades, inclinações que continuam a estar presente nesse nessa nova condição que nós partilhamos, nessa nova forma de vida que nós temos. nós ainda temos essa eh inclinação e desejos que possuíamos quando estávamos em Adão. E o que Paulo vai afirmar com muita clareza é: nós, apesar de todos os sentimentos, apesar de todas as percepções e inclinações, nós não estamos mais em Adão. Nós somos uma nova criatura em Cristo. E muitas vezes as pessoas falam que pecaram. Eu pequei porque foi algo que o velho homem ainda me levou a fazer. Eu pequei porque a antiga natureza prevaleceu. Eu pequei porque a antiga humanidade falou mais alto. Mas não é isso que Paulo ensina. E isso eu acho que é um ponto importante de nós esclarecermos nesse momento do argumento de Paulo, que é, apesar de ainda termos que lidar com a realidade do pecado, não existe mais esse velho Adão. Não existe mais essa antiga natureza determinando quem eu de fato sou. Ainda que eu não tenha experimentado completamente toda a obra que o Espírito vai realizar na minha transformação e na minha glorificação e na nossa ressurreição, ainda assim no tempo presente eu não posso mais compreender quem eu sou, considerando que eu sou tanto o velho Adão como uma nova pessoa em Jesus Cristo. A identidade do cristão é o fato de que ele tem uma nova vida em Cristo Jesus, uma nova natureza. Então, quando a gente olha para a expressão que Paulo utiliza para explicar isso, é justamente a velha humanidade. E o que ele diz é: "A velha humanidade foi crucificada em Jesus". A identidade com Jesus significa também a identidade com a sua morte. Mais uma vez, nós não temos mais o risco de cair na escravidão do pecado. Nós não temos mais o risco de ter que responder como estando sujeitos à tirania do pecado e de Satanás. A condição da nossa natureza não é mais de precisar responder às acusações daquele que apresenta contra nós a acusação de que nós pecamos e de que nós estamos em estado de condenação. Nós não temos mais uma condição em que o pecado tem qualquer forma de direito sobre a nossa própria vida. A respeito disso, Paulo está dizendo: "Essa velha humanidade, essa antiga condição de escravidão ao pecado, esse direito que o pecado tinha sobre a sua vida, foi crucificada com Jesus". E o que isso quer dizer? que nós estamos numa espécie de meio termo. Eu não sou nem mais o velho Adão, mas eu também não sou mais ainda, perdão, não sou ainda plenamente unido com Jesus Cristo. E a resposta de Paulo é não. Estamos desde já no Messias. O que vale para ele vale para nós. Por mais estranho que isso possa aparecer, e estranho pelo fato de que nós ainda temos que lidar com pecado, nós ainda temos que lidar com toda a forma de finitude e dificuldade que esperamos que não vai ser a nossa realidade para sempre, torna essa convicção que Paulo está apresentando pra gente difícil de acreditar, difícil de assimilar e difícil de tomar consciência e permitir que isso de fato se torne quem nós de fato somos. Por mais estranho que isso possa parecer, nós já somos hoje, agora, no presente momento, nós já partilhamos a vida que Jesus possui. no ato da morte, do sacrifício e da entrega de Jesus, no momento da sua ressurreição, no momento em que foi revelado aos seus seguidores nas palavras, no poder, na manifestação de Jesus, o fato de que ele venceu a morte e o corpo que agora ele recebeu já não pode mais ser tocado pela morte. É essa forma de vida que Jesus tem após a sua ressurreição, que já é a sua forma de vida. A vida que Jesus possui no presente é a vida que nós partilhamos no presente. A vida que Jesus tem possui que não pode ser mais tragada pela morte, que não pode ser mais manchada pelo pecado. Essa forma de vida, essa vida eterna que Jesus tem, vai continuar tendo eternamente. É a vida que ele partilha conosco no tempo presente. A vida que Jesus passou a possuir após a Páscoa, a vida da ressurreição, é justamente a vida que ele nos dá. Claro que nós ainda não passamos pela ressurreição corpórea, nós ainda não experimentamos toda a glória que ainda será manifesta nos filhos de Deus. Isso pertence ao futuro. Mas esse futuro é certo. Esse é um ponto muito importante. O futuro que nós estamos apontando é tratado por Paulo tanto em Romanos capítulo 8 quanto em Primeira Coríntios capítulo 15. Dois capítulos que falam sobre a ressurreição e sobre a garantia da esperança que temos desse momento mostram pra gente que nós não devemos pensar nesse ato de glorificação e de ressurreição corpórea como algo possível e desejável, mas como algo garantido pelo próprio Espírito Santo. Mas parte fundamental de ser cristão é acreditar que o futuro, isso que nós estamos certos que vai acontecer no futuro, invadiu o presente na pessoa e na realização de Jesus. Parte fundamental da vida cristã é acreditar que isso já é o estado e a condição que nós temos. Nós já somos nova criaturas, novas criaturas. Nós já temos plenitude de vida em Jesus. Já não está sobre nós qualquer forma de condenação no tempo presente. E qual é o resultado disso? Nós podemos experimentar a realidade futura no tempo presente. Isso para mim é uma fonte de muito consolo. É uma segurança de que um grande poder atua em nós. E é também aquilo que me permite dar sentido a muitas coisas que acontecem ao nosso redor, que não encontrariam possibilidade de explicação, não fosse pela esperança e pela convicção de que essas coisas vão acontecer no futuro. Nós podemos experimentar essa realidade futura no tempo presente. E nós vivemos de acordo com o fundamento da ressurreição. Esse é um ponto muito importante para Paulo dar a resposta à pergunta que ele levanta no começo desse capítulo e a acusação que ele sofre e ele retrata no capítulo 3 de Romanos, que é se nós não experimentarmos essa vida da ressurreição no tempo presente e se nós não construirmos a nossa vida tendo a ressurreição como fundamento, então isso é é indicativo de que a gente nunca compreendeu a mensagem do evangelho ou colocando em termos positivos, a gente só encontra o caminho da santidade, o caminho da fidelidade a Deus e o propósito pelo qual Deus nos chama. Por que que vale a pena fazer isso ou aquilo? Quando a gente pensa a partir da perspectiva da ressurreição, nós não estamos mais em Adão. Nós estamos no tempo presente no Messias. Aquele que morreu e agora está e continuará vivo para todo sempre. é aquele que nos dá a forma de vida que ele conquistou a partir da sua ressurreição. Mas Paulo não para por aí. Ele segue na sua argumentação, no versículo 11, e vai dizer o seguinte: "De igual modo, vocês devem considerar-se considerar-se mortos eh para o pecado e vivos para Deus no Messias Jesus. Portanto, não permitam que o pecado domine seus corp corpos mortais para fazê-los obedecer aos seus desejos. nem apresentem seus membros e órgãos aos ao pecado com a finalidade de serem usados para seus maus propósitos, antes apresentem a si mesmos a Deus como pessoas ressuscitadas dentre os mortos e seus membros e órgãos a Deus, a fim de serem usados para os fins justos de sua aliança. Notem que o pecado não terá domínio sobre vocês, uma vez que vocês não estão mais sob a lei, porém sob a graça. Ah, no versículo 11, você tem Paulo usando essa expressão, vocês devem considerar-se mortos. Deixa eu voltar aqui no versículo 11. Vocês devem considerar-se mortos para o pecado. Essa palavra considerar-se tem um sentido contábil. A ideia é tomar consciência de uma realidade que você já desfruta. Muitas pessoas também, dependendo da interpretação que utilizaram, as duas versões que a gente tá apresentando para vocês tem a mesma tradução, considerar-se, mas outras formas eh de tradução e outras formas de interpretação desse texto deram a ideia de que mesmo depois de um encontro verdadeiro e autêntico com Jesus, a pessoa precisava tomar uma atitude para alcançar uma posição de plenitude de vida no Espírito Santo, de plenitude, de conhecimento da graça de Deus. Mas a ideia aqui não é que o considerasse ou eh a outras formas de tradução dão como calcular, note eh eh tome as providências para que eh a ideia aqui é que a gente precisa passar a conhecer e compreender uma realidade que a gente já possui em Jesus. com a condição que nós já temos em Jesus. A ideia é tomar consciência dessa realidade que nós já tivemos desde o momento que fomos transformados pelo espírito e perceber que muitas vezes o maior desafio é justamente crer no que já foi recebido. Paulo apela justamente para isso. Não pense que você deve alguma coisa. Não pense que você ainda é escravo de alguém que não do próprio Messias. Não pense que não há o que fazer se não viver como antes você vivia. Quando vocês se consideram mortos para o pecado, porque vocês percebem que vocês já estão vivos para Deus, a sua relação com o pecado muda completamente. Por quê? Porque você já é uma nova criatura e você sabe que não pesa sobre você nenhuma condenação, mas porque você partilha da vida do Messias. E do versículo 12 ao 14, ele vai então a apresentar pra gente uma mudança muito clara de senhorio. O que ele trata de vida marcada pelo pecado e a vida que nós partilhamos com o Messias é a ideia de uma pessoa que antes servia a um senhor e agora serve a outro senhor. Houve uma mudança de pertencimento. As pessoas que eh pensam no cristianismo de uma forma bastante afetada pela cultura, muitas vezes entendem que ser cristão é simplesmente aderir a uma religião, é simplesmente participar de um grupo de ritos na expectativa de que se receba algo específico. E nem sempre essas pessoas percebem que Jesus vai muito além de estabelecer alguns ritos. Pode se pensar que o batismo é um deles, a ceia é outro, mas Jesus faz exigências radicais em todos os aspectos da vida. E a gente precisa também perceber que Jesus coloca pra gente o desafio de servir a um só senhor dentro do contexto e da convicção de que todo ser humano serve a algum Senhor. Isso é uma coisa que é discutida por muitos teólogos ao longo do tempo. Eu acho que um dos mais conhecidos é Calvino, quando vai afirmar que o coração humano é uma fábrica de ídolos e o ser humano de fato parece não ter essa capacidade de ser dono de si mesmo, de si mesmos. O fato de nós termos sidos sido feitos como criaturas nos faz necessariamente voltados para um criador, para alguém ou para alguns criadores. Na experiência da religiosidade humana, a gente encontra o politeísmo com muito mais frequência do que o monoteísmo. Mas a realidade que Jesus revela e que Paulo está tratando aqui quando ele fala sobre esse senhorio, sobre esse ato de pertencimento, é que o ser humano necessariamente ele volta o seu coração para alguém. Aqui Paulo não cita Satanás, ele não cita o diabo, ele trata especificamente do pecado. Mas a maneira como Paulo trata do pecado, ele fala do pecado como tendo domínio e força sobreumana, que é muito difícil de ser compreendido simplesmente como a soma dos nossos instintos egoístas. Paulo parece dar uma também personificação pro pecado, que não é uma extrapolação, nada indevida em entender que aquele que domina sobre nós quando estamos em uma vida de pecado, é justamente o poder tirânico de Satanás, atuando na vida daquele que está escravizado ao pecado. E o que caracteriza esse senhor tirânico que é o pecado, é uma coisa que, ao meu ver, tem muita pertinência para as discussões que surgem no tempo presente a respeito de autonomia, de direito e de liberdade. Por quê? A vida que caracteriza essa escravidão ao pecado coloca pra gente sempre o tem que o pecado muitas vezes é experimentado seja por nós na nova vida que experimentamos em Cristo, mas que continua a tentar nos seduzir e que continua a influenciar a nossa maneira de pensar, seja para a pessoa que ainda não experimentou uma libertação definitiva do pecado. Muitas vezes o argumento é que o pecado é a liberdade que o sujeito desfruta. O pecado é o prazer que ele pode ter, ainda que no futuro ele possa pedir perdão a Deus e ser reconciliado por meio de Jesus Cristo. Mas o ato do pecado é o que de fato traz uma identidade, uma liberdade, uma autenticidade e vida, plenamente vida, de acordo com esse senhor tirânico que é o pecado, só é experimentado ali. Então ele diz que você tem que você tem que se entregar à sua vontade de beber. Você tem que viver desse jeito específico que o pecado exige. Você tem que ceder aos seus apetites sexuais, porque se você não ceder, seja as suas vontades, seja os seus desejos sexuais, você está reprimindo quem você de fato é. Você tem que ter o que os outros têm, porque você é aquilo que você possui, você é aquilo que você produz. Você tem que entrar em guerra e matar os outros. Por quê? Porque isso é uma forma de afirmação do bem e da verdade. Aquilo que um país pode fazer, ele deve fazer. Ainda que isso implique a morte de muitas pessoas, porque ele acredita que ele tem um direito sobre os outros. Você tem que explorar o máximo que pode para lugar lucrar tudo que é possível. A vida do pecado sempre nos apresenta não essa possibilidade, mas essa falsa ilusão de que se nós não fizermos isso, nós deixaremos de escapar a verdadeira vida. E o que obviamente fica claro quando a gente tem esse ato de revelação de Jesus sobre o que de fato é o pecado e qual é a natureza da vida desses que estão atados ao pecado, é esse é um Senhor que suga e destrói toda a possibilidade de vida que o sujeito tem enquanto ainda há alguma possibilidade de arrependimento. Esse sujeito tirânico que é o pecado e que é o poder de Satanás sobre aqueles que estão debaixo do pecado, não geram nenhum tipo de autonomia e liberdade verdadeira, senão morte, senão a mais profunda corrupção, até o ponto em que não haverá mais nada para ser corrompido. Então, é isso que Paulo está tratando aqui quando ele fala sobre o pecado nesses termos. Se alguém ainda tem a possibilidade de imaginar que nós devemos voltar a fazer as coisas que marcavam a nossa vida quando não estávamos em Cristo, porque isso é bom, isso é prazeroso e isso nos virá eh isso fará vir sobre nós o bem que vem da parte de Deus, é porque nunca entendeu a verdadeira natureza do pecado e do poder que o pecado tem, a consequência que o pecado traz para aquele que se coloca debaixo do seu poder e do seu domínio. Paulo então vai prosseguir do versículo eh 15 em diante e vai falar o seguinte: "E então, vamos pecar por não estarmos mais sob a lei, mais sobre a graça? Certamente que não. Vocês não sabem que caso se apresentem a alguém como escravos obedientes, serão realmente escravos daquele que obedece? Seja para o pecado que conduz à morte, seja para obediência que conduz à justificação final. Graças a Deus, embora vocês tenham sido escravos do pecado, tornaram-se obedientes de coração ao padrão de ensino com o qual se comprometeram. Vocês foram libertados do pecado e agora se tornaram escravos dos propósitos da aliança de Deus. Estou usando aqui uma imagem humana devido à fraqueza humana natural, pois do mesmo modo como apresentaram seus membros e órgãos como escravos da natureza e em certo grau de uma ilegalidade após outra, apresentem-nos agora como escravos da justiça da aliança, a qual conduz a santidade. Quando Paulo então vai prosseguir no seu argumento eh do versículo 15 em diante, ele vai fazer essa afirmação eh sobre o absurdo que é a mentalidade e o argumento que essas pessoas estavam apresentando. Aqui o desafio é a aquilo que Paulo coloca como uma nova forma de liberdade. Quando Paulo vai tratar da liberdade que estamos, que nós temos em Cristo, ele fala disso como sendo um novo tipo de liberdade. E uma nova liberdade sempre vem como uma nova forma de estrutura. As estruturas elas restringem determinado tipo de liberdade, porque, por exemplo, a liberdade de se fazer qualquer coisa que seja não é liberdade absoluta, não é uma liberdade real. E essa nova forma de estrutura é dada de modo a melhorar outro tipo de condição e de realidade. Porque, por exemplo, se todo mundo tivesse a a liberdade de dirigir para onde quisesse, simplesmente porque tem uma carteira de motorista, ninguém estaria livre para dirigir em lugar nenhum, porque você não teria qualquer forma de regramento, de previsibilidade, qualquer forma de definir o que é a maneira certa de dirigir. Assim, Paulo também coloca que a nova vida que nós temos em Cristo define um novo tipo de estrutura. Paulo expressa essa percepção de uma nova estrutura ao falar de um modo um tanto dramático, de uma nova escravidão. A liberdade não existe em um vácuo moral. Ela nos foi comprada por meio da morte de nosso soberano, o próprio Jesus. Precisamente por sermos pessoas livres e de modo a mantermos essa liberdade, nós devemos a ele, a Jesus, a nossa lealdade. Não devemos pensar que os dois tipos de escravidão são da mesma espécie, mas seria bom começar a ver ambos os mundos em termos de obediência a um Senhor. É provável que a sentença, entre parênteses, que a gente colocou no início do versículo 19, seja a forma de Paulo admitir que intitular o chamado para uma nova vida de uma forma de escravidão realmente sua algo muito confuso. No entanto, ele precisou usar essa expressão ou usar essa ideia de uma nova forma de escravidão para enfatizar o ponto que ele está tratando aqui. Paulo compara os dois tipos de escravidão e quando faz isso está sempre usando termos ligeiramente diferentes. De modo que se não tivermos o devido cuidado, a passagem pode parecer um pouco confusa. No versículo 16, ele fala de sermos [limpando a garganta] obedientes ou ao pecado ou à própria obediência. É estranho pensar em ser obediência, em ser obediente à obediência, mas ele precisava disso para contrastar com o pecado. Isso serviu naquele momento. A obediência ao pecado conduz à morte, como ele já afirmou tantas vezes. E a obediência, a obediência conduz à justificação, ao veredito de estarmos certos, justificados nesse juízo final que vai acontecer no futuro. Conforme a gente viu em Romanos 2, do versículo 1 até o 16. As palavras usadas para veredito, para ser declarado justo, para ser declarado certo, são as nossas velhas conhecidas, justiça e justificação. Embora por serem termos muito complexos, tanto no português contemporâneo como também na esfera do debate teológico, a expressão que foi colocada, pelo menos na versão da direita, mas não na NVI, é a expressão que tenta colocar mais evidentemente essa condição de um veredito futuro que é dado no tempo presente. Por isso essa opção, por ser declarado justo, declarado certo, mas na verdade seria mais literalmente apenas uma única palavra, ser justo, justificado. É, essa palavra surge de novo nos versículos 18 e 19 que a gente acabou de ler, eh, que foram traduzidos como propósitos da aliança e da justiça da aliança. é um termo, você pode perceber, que pode cobrir diferentes sentidos a serem traduzidos. A ênfase básica está no propósito do Criador, em trazer o mundo de volta do caos para sua ordem apropriada e de trazer os seres humanos a forma correta e a correta relação do próprio criador com as suas criaturas. Aqui Paulo está apontando para o propósito da nova vida. A razão pela qual é necessário adotar novos padrões de comportamentos é que Deus está pondo o mundo inteiro em ordem e ele quer e necessita que esse povo recém-nascido faça parte dessa obra. necessita porque ele assim estabeleceu que gostaria de fazer a redenção de todas as coisas, tanto a redenção da vida dos seres humanos, quanto também ele se colocou na condição de nos incluir no serviço em favor do seu reino. E no centro dessa imagem a gente tem um um vislumbre de como essa nova escravidão funciona na prática. Não é uma questão de mandamentos a serem atirados sobre nós, exigidos em nossa obediência, de modo que a gente tenha que obedecer a eles. Uma mudança de coração já aconteceu. É o que ele trata no versículo 17. Paulo já havia falado bem antes que o problema com a humanidade adâmica situava-se não no contexto externo, mas no coração humano. É o que tá lá no capítulo 1 de Romanos, versículo 21 e 24. colocam a origem do problema humano no coração. Agora, embora ainda não tenha explicado isso aqui, Paulo compreende os cristãos como pessoas que foram transformadas a partir do seu interior. Há uma disposição interior básica para se confirmar, perdão, uma disposição interior básica para se conformar com o padrão de ensino com o qual nós já estamos comprometidos. Os cristãos primitivos desenvolveram determinadas tradições básicas acerca do próprio evangelho sobre a esse ato da ceia, por exemplo, que a gente encontra em Primeira Coríntios, capítulo 11. E também outras tradições básicas do Evangelho sobre o comportamento. Primeira Tessalonicenses, capítulo 4. E mesmo essa passagem aqui trata disso. E provavelmente também acerca de muitos outros assuntos. Essas regras práticas estabelecem uma estrutura de crença e comportamento, um código de prática da família que está constituída em Cristo. Como pastor, Paulo, sem dúvida, observava com frequência que quando as pessoas se tornavam membros da família, algo acontecia com elas em seu íntimo, fazendo com que quisessem viver de acordo com aquela comunidade a qual elas haviam passado a perceber. Obviamente era necessário haver ensino e esforço moral, dedicação do indivíduo, entretanto, a vontade. Esse ato sobrenatural e miraculoso de Deus já estava no coração da pessoa. E isso era o indicativo de que a antiga escravidão foi abolida e um novo senhorio foi estabelecido na vida daquela pessoa. E Paulo, obviamente agradecia a Deus por isso, porque por mais que existissem regras e condições que deveriam ser seguidas na igreja primitiva e na igreja contemporânea, isso nunca poderia trazer a solução para o problema que estava no coração humano, que era justamente a escravidão ao pecado. não havia disposição em querer obedecer a Deus e fazer aquilo que a sua vontade revelada já havia sido eh muito clara em direcionar a humanidade a fazer. Então, o que a gente percebe é que essa nova escravidão que Paulo coloca aqui é justamente essa escravidão ao Messias que demonstra uma transformação real que acontece inicialmente no coração da pessoa. Depois ele vai seguir no versículo 20 dizer: "Quando eram escravos do pecado, notem bem, vocês estavam livres contra a justiça da aliança. Que frutos vocês produziram a partir das coisas das quais agora se envergonham? O destino dessas coisas é a morte. Mas agora que foram libertados do pecado, escravizados a Deus, vocês produzem frutos para a santidade. Seu destino é a vida da era por vir. O salário pago pelo pecado, vejam bem, é a morte. Entretanto, o dom gratuito de Deus é a vida da era por vir no Messias, Jesus, nosso Senhor. O que a gente tem aqui em conexão com o que a gente acabou de falar é que as regras e orientações para a vida cristã não existem simplesmente porque Deus gosta de comprimir as pessoas segundo um determinado padrão, seja bom ou não para elas, deixando-as feliz ou não. As reg as regras existem. por serem as regras inerentes ao caminho. E é muito importante, eh, é muito importante perceber a estrada que se toma, o caminho em que a gente vai trilhar. Uma das estradas necessariamente levará ao fim, não apenas a um beco sem saída, mas a um fim desastroso. Essa outra estrada que obviamente é constituída também por um padrão ético, um comportamento específico, consequências da vida cristã, essa outra estrada conduzirá a vida. A vida em uma nova dimensão, a vida em toda a sua plenitude. Mas seria um erro muito grave imaginar que a vida cristã, ela é basicamente definida por essas regras e essas exigências que são feitas. Elas vêm como uma parte novamente inerente da forma de vida que Cristo revela que é verdadeira vida sobre a honestidade, sobre a ética sexual, sobre uma postura diante dos ídolos, uma postura diante do Deus verdadeiro. Mas tudo isso só vem, essas exigências práticas e concretas só existem porque uma nova vida já foi implantada no coração do seu sujeito, do sujeito. E ele percebe que isso de fato é vida e o pecado é a corrupção dessa vida plena que há a partir da revelação de Deus. Isso também costuma ser muito mal compreendido. Com frequência, as pessoas supõem que a ameaça da morte final e a promessa da vida suprema funcionam segundo o princípio da cenoura e da vara. De acordo com essa imagem, Deus nos trata como se nós fôssemos burros, ignorantes, balançando cenouras bem na frente do nosso nariz. Ó, a vida eterna tá aqui. Se você fizer isso, se você viesse nessa direção, em algum momento você vai chegar lá. Ou então, se a gente parecer muito relutante, ele começa a bater em nós, a bater na gente, perdão, com a vara. Você você precisa se envergonhar do que você fez. Você, se você continuar a fazer isso, você vai morrer. Talvez isso pareça uma caricatura, mas talvez pareça assim algumas vezes e para muitas pessoas. E é muito provável que muitas pessoas se sintam de certa forma pouco convencidas por esse tipo de argumentação. Mas a questão é muito diferente. A maneira como Deus retrata viver segundo esse novo padrão, a vida que ela no Messias é muito diferente. Como a gente já vê no capítulo um, se decide viver de certa maneira, ela está escolhendo um comportamento que é, em sua própria natureza destrutivo, tanto para aquelas que o praticam, como para aquelas cujas vidas são afetadas por essas pessoas. Se a título de um exemplo óbvio, as pessoas se embebedarem com alguma regularidade e saírem por aí quebrando tudo, óbvio que essas pessoas estão causando danos não só a si mesmo, mas ao mundo a toda sua volta. Se homens gananciosos por poder estão em posição de influência, homens e mulheres em posição de tomar decisão em função de uma nação e entram numa guerra absolutamente inútil, é óbvio que essas pessoas não são afetadas sozinhas por sua decisão pouco sábia, mas elas trazem a consequência de afetar a vida de muitas outras pessoas. Não é o tanto o caso de alguns padrões éticos arbitrários declararem que esse tipo de comportamento é errado e, portanto, merece punição. Esse comportamento já carrega em si mesmo os sinais de seu destino. Ele tem sobre si o cheiro da morte. O castigo final não é arbitrário como mandar alguém paraa prisão e a por deixar de pagar uma multa. A ideia da condenação de Deus para esse tipo de pecado seelha muito mais ao que ocorre quando alguém dirige de uma forma negligente junto a um precipício, lançando-se tanto a ele quanto outras pessoas à morte. Ao contrário, quando as pessoas se comportam de acordo com o padrão estabelecido no Evangelho e no antigo ensino cristão, encontram-se sinais de vida que já estão em curso. A vida da era por vir não é uma recompensa arbitrária, como alguém recebendo uma medalha por resgatar uma criança que estava se afogando. é muito mais como uma recompensa que um pai recebe quando a criança que ele resgatou é a sua própria e amada filha ou filho. A recompensa é o fato de que o pai tem novamente a sua criança salva e sã em sua própria presença. É muito importante a gente perceber como isso no fim das contas é descrito por Paulo aqui como sendo a era, a vida da era por vir. Nós já encontramos essa expressão antes, no final do capítulo 5. E em geral, essa expressão é traduzida como vida eterna. E claramente isso sintetiza a visão de Paulo sobre o destino final do povo de Deus. Mas com frequência essa expressão vida eterna é mal compreendida. Por quê? Muitas pessoas trazem para o Novo Testamento uma visão preconcebida do destino final, o céu. E elas talvez se imaginem sentadas sobre as nuvens tocando arpas e muito embora talvez saibam que isso seja apenas uma ilustração, elas ainda pensam na realidade em termos de uma existência fora do espaço, fora do tempo, fora da matéria. Isso, no entanto, não é o retrato pintado pelo Novo Testamento e, sem dúvida, não é o conceito de Paulo a respeito do destino final. Como um bom judeu do primeiro século e sua teologia cristã não alterou essa visão, apenas a aprofundou e a completou, ele cria, ele acreditava na existência de duas eras, a presente era e a era por vir. A presente era um período no qual a perversidade continua a ditar as regras no mundo de Deus. Na era por vir, o governo de Deus finalmente triunfará. A conquista de Jesus. O Messias trouxe essa era por vir de maneira antecipada para dentro da presente era. Aquilo que a gente falou no começo da nossa aula de hoje, o futuro ele invade o tempo presente porque a era por vir, ela é antecipada para dentro da presente era em que o pecado ainda tem ação. Os cristãos, eles são instados, eles são encorajados a viver no presente à luz desse futuro. esse futuro que veio encontrá-los em Jesus. Então, quando você começa a pensar sobre esse contexto de uma nova era, uma era por vir, invadindo o tempo presente, tenta imaginar como é que isso funciona e qual é eh eh qual é o resultado dessa imagem dentro da cabeça do próprio apóstolo Paulo. Uma das passagens que você vai encontrar com mais esclarecedoras é justamente Romanos capítulo 8, uma passagem que a gente já citou aqui do versículo 18 até o 25. >> [roncando] >> é para aquela visão da nova criação que ele coloca aqui e não para uma expectativa qualquer de um céu descorporificado, de um céu atemporal, que o comportamento genuinamente cristão está nos conduzindo à ideia de um comportamento adequado e coerente com essa nova vida. Não é que ele irá, por assim dizer, nos resgatar da condição em que estávamos. é porque fomos resgatados da condição em que estávamos. Nós devemos andar nesse caminho porque esse é o caminho de uma vida em plenitude. E quando nós chegarmos lá, quando nós chegarmos nesse tempo e nesse momento de plenitude da eternidade, uma eternidade que nós já experimentamos no tempo presente, a gente vai perceber com muito mais clareza que tudo isso que Deus nos revelou como sendo aquilo que deveríamos fazer no tempo presente, sempre foi a forma autêntica e verdadeira de vida que vai durar para sempre. Essa forma de vida é a revelação no tempo presente de uma vida eterna que será percebida e desfrutada na sua plenitude quando chegar esse momento da segunda vinda de Jesus. O futuro, no entanto, permanece como um dom de Deus. Paulo é cuidadoso em manter esse equilíbrio. Quando você peca, você ganha um salário e esse salário é a morte. No entanto, quando você vive segundo o padrão divino de santidade, você não ganha a vida da era por vir. Ela permanece como um dom gratuito, muito superior a qualquer coisa que poderíamos fazer por merecer. O julgamento final ocorrerá de acordo com a vida que tivemos. É isso que tá lá em Romanos 2, 1 a16. Ou seja, ele se dará de acordo com, no mesmo sentido que uma orquestra sinfônica que toca Bethoven, por exemplo, lança a mão de todos os seus recursos de acordo com as incipientes tentativas de a gente simplesmente assoviar a sua melodia. É em acordo com esse tipo de vida que a gente se dedica a viver no tempo presente, que a gente é fiel e procura manter a fidelidade no tempo presente. É esse tipo de vida que a gente está tentando estabelecer com essas obras, com essa eh fidelidade ao Messias. É isso que nós estamos buscando e que nós receberemos no tempo futuro. E não a ideia de que nós estamos buscando agora, nós vamos conquistar no tempo futuro. Paulo deixa muito claro desde o começo que isso é um dom. Romanos 6 é um capítulo de apoio, um capítulo ao qual a igreja precisa, com muita urgência dar ouvidos em nossos próprios dias. Ele não nos dá instruções éticas específicas. Para isso, a gente precisa olhar para outras partes, tanto dessa carta como de outros escritos cristãos antigos. E ele nos dá assim uma estrutura para nós refletirmos a respeito da razão pela qual o comportamento cristão é importante e como nós devemos colocá-lo em prática. As pessoas ainda pensam, seja dentro, seja fora da igreja, que o cristianismo trata-se simplesmente de um punhado de regras morais restritivas. Eu lembro numa conversa com uma pessoa lá do do interior do Rio Grande do Norte, quando ela queria comunicar que uma pessoa passou de uma outra religião e passou a ser crente. Ela disse que fulano passou pra lei dos crentes. O que que essa expressão comunica que fulano passou pra lei dos crentes? É, ela aderiu a um conjunto de regras morais que os crentes acreditam que deve ser as regras que precisam ser obedecidas e que Deus exige delas. Mas isso é um reducionismo muito grande. Ainda hoje as pessoas pensam que cristianismo trata-se simplesmente de um punhado de regras morais restritivas com algumas crenças e práticas ultrapassadas e estranhas. Até mesmo algumas poucas linhas dos escritos de Paulo farão essas pessoas perceberem claramente que não é esse o caminho e que isso é completa insensatez e reducionismo, até mesmo uma perversão daquilo que foi de fato estabelecido pelo ensino dos apóstolos. E esse ensino de Paulo nos coloca de volta na trilha do verdadeiro e necessário sentido e prática da santidade do genuíno cristianismo. Então, a gente tem aqui nesse capítulo 6 muito relevante, mas ao meu ver também é pouco compreendida sobre por viver de uma maneira ou de outra, como é que isso está conectado com a vida que nós receberemos em plenitude no futuro. Tá bom? bem mais do que eu queria do tempo, mas vou tentar responder as perguntas que foram colocadas aqui no chat por vocês. Vamos ver aqui. O embate do cristão contra o pecado é uma luta eterna. Paulo fala isso. O batismo nos purifica, mas falhamos no caminho. Faz sentido o pecado ser uma ferramenta de polimento? Bom, Edu, eu acho que vale a pena a gente perceber que o pecado não é uma luta eterna. Talvez a expressão tenha sido usada apenas como força de expressão, mas a nossa esperança é que chegará um momento em que nós não lutaremos mais contra a realidade do pecado. A outra coisa, como a gente colocou também ainda na primeira parte da nossa aula, é perceber que ainda que nós ainda estejamos sujeitos ao pecado e ainda que a gente sinta a tentação que o pecado exerce sobre nós, nós não podemos considerar que o pecado tem qualquer poder de nos escravizar, da mesma forma que ele tem de escravizar uma pessoa que não está em Cristo Jesus. Essa disposição de obedecer plenamente aquilo que é a vontade de Deus é algo que o próprio Espírito Santo coloca em nós. E é muito difícil disso ver isso acontecendo ao longo da vida, porque eu acredito que existem muitos estágios de amadurecimento nesse caminho. É, e nem sempre a gente pode olhar para um sujeito, a gente pode olhar para dentro de nós mesmos e fazer essa afirmação sobre nós mesmos, que nós temos a vontade de cumprir plenamente a vontade de Deus, o desejo e a inclinação de cumprir plenamente a vontade de Deus. Mas eu acredito que essa é a obra que o Espírito Santo está realizando em nós. É esse querer plenamente do Espírito a partir do nosso próprio querer que está acontecendo. E por isso a gente deve perceber que a luta contra o pecado, como acontece conosco após o nosso encontro com Cristo, é completamente diferente daquilo que é a relação que uma pessoa tem com o pecado antes. Agora entender que a partir desses erros e falhas que nós cometemos ao longo do caminho, Deus pode estar fazendo a obra que ele planeja completar com a plena, a anulação do poder do pecado e também da sedução do pecado sobre o nosso coração. Eu tenho certeza que sim. Eu lembro da passagem ainda de Gênesis, no Antigo Testamento, quando José afirma que os seus irmãos planejaram o mal, mas o Senhor transformou em bem. Então, acredito que apesar do pecado, Deus utiliza essas condições de reconciliação para construir algo que nunca poderia ter sido eh o desejo do próprio pecado sobre nós. Sandra, ah, o que significa na prática apresentar os membros do corpo como instrumentos de justiça? Como a gente colocou, Paulo não era Platão. Paulo ele não tinha uma imagem descorporificada a tanto da eternidade do céu como também da espiritualidade da sua relação com Deus. Então, aquilo que a gente faz com o nosso corpo, com os membros do nosso corpo, com os órgãos do nosso corpo, é entendido como a um instrumento de justiça ou um instrumento de iniquidade. a gente coloca isso a serviço da manifestação dessa nova criação, como Paulo vai tratar tanto aqui como em outros textos, ou a gente coloca isso a serviço da vontade do pecado e do mal no seu propósito incontornável de corromper todas as coisas. Então, Sandra, apresentar os membros do corpo é muito próximo ao que Paulo vai tratar em Romanos, capítulo 12, que é o apresentar o nosso corpo como um culto racional, é colocar o seu corpo em função de uma vida de santidade. E aí ele tá tratando aqui de práticas e éticas que ele não vai nomear ou ele não vai especificar, mas que claramente estão em relação com o capítulo 1 e 2 de Romanos. Então, dá uma olhada na segunda parte do capítulo um e também no capítulo dois, que você vai perceber pelo antiexemplo o que é que ele está colocando, o que é que ele está se referindo como colocar, apresentar os membros no nosso corpo como instrumento de justiça. O pecado só será extinto verdadeiramente no corpo glorificado? Depende, Fernando, do que você quer dizer como ser extinto. Ser extinto significa eh deixar de pecar. Sim, nós não temos qualquer indicativo no Novo Testamento que podemos alcançar o nível de santidade, que nós não estamos mais sujeitos a prática do pecado. Mas se você quer dizer a a condenação, a escravidão e o peso do pecado sobre o nosso próprio corpo, o poder do pecado sobre o nosso próprio corpo, a afirmação de Paulo no capítulo 6 de Romanos é que isso já acontece no tempo presente. Nós já desfrutamos de uma relação que não existe qualquer condenação, qualquer direito que o pecado tenha sobre nós, que não tenha sido crucificado com Jesus no momento do seu sacrifício. Eh, não existe ninguém absolutamente que seja excluído de pecado. Certo. Certo. Só Jesus o único sem pecado, é o único sem pecado. E quando aceitamos ele, os nossos pecados mudam de classificação. Pergunta sincera, pois antes não se sabia. Fernanda, eu não entendi muito bem o que que significa os nossos pecados mudam de classificação. A ideia é que a condenação que nos era devida por conta dos pecados que que cometemos, lembre-se que o contexto de Romanos é de um tribunal de justiça. Então, estão sendo apresentadas acusações contra cada um dos pecadores. O fato de que pecaram, o fato de que partilham o pecado de Adão, significa que eles estão destituídos da glória de Deus. Eles já não podem mais partilhar dessa plena comunhão com Deus. Por isso eles devem ser condenados por conta daquilo que foi esse abandono de toda a prática de justiça. A injustiça deve ser punida pelo Deus que se coloca como o juiz de todas as nações. A respeito disso, não existe uma mudança de classificação, existe uma mudança de veredito. É isso que nós acreditamos ser o ato da justificação. O veredito do julgamento que ainda não aconteceu, que vai acontecer no futuro, foi antecipado para o presente. Fernanda está justificada, já não pesa contra ela qualquer condenação, porque o Messias foi vindicado. Ele morreu em nosso favor. Ele foi apresentado como sendo de fato quem ele dizia ser. E ele conquistou para nós o perdão dos nossos pecados. Então, o que existe é uma anulação do poder do pecado, não necessariamente uma mudança de classificação. Se é isso que você estava questionando aqui. Ah, Fred pergunta se os esboços ou qual quais qual livro foi usado para essa aula. Fred, a gente colocou várias indicações na primeira aula eh para o conteúdo de romanos e eu eh recomendo também, além daqueles, uma série chamada Paulo para Todos, do Nicholas Thomas Wright, uma série que foi eh traduzida pela Thomas Nelson, editora Thomas Nelson Brasil, tá? Esse foi o material que eu usei especificamente para essa aula. para outras aulas, eu usei outros materiais que estão lá na indicação de bibliografia do curso. Se você voltar na primeira aula, você vai encontrar em uma cultura que idolatra a autonomia total, como a ideia de ser um escravo de Deus pode ser paradoxalmente a única forma de sermos verdadeiramente livres. Olha, depende para quem nós estamos falando, com quem nós estamos falando. Se nós estamos falando que para um uma pessoa que é cristã, mas talvez como era o caso dos interlocutores de Paulo, não tenha compreendido a dimensão da sua libertação, não tenha compreendido a transformação de vida que já foi concedida a elas, ou então eh se nós estivermos falando com pessoas que parecem não lembrar muito bem qual é a natureza da decisão que foi tomada, eu acredito que a gente precisa tratar dessa essas situações de pecado e de práticas recorrentes do pecado a partir do ângulo que Paulo trata aqui de demonstrar como o pecado é uma forma de tirania e como o pecado é uma forma de desumanização que está nos colocando novamente para retornar à condição de escravidão do Egito. É se submeter novamente ao poder de um tirano que já não tem mais nenhum direito sobre nós. Uma coisa é nós termos essa conversa com um público cristão e que declara a sua fé no Messias Jesus. Agora, se a gente está falando da discussão na arena pública a respeito de práticas que nós consideramos como um pecado e que por consequência vão levar à morte, eu acho que a perspectiva precisa ser um pouco diferente, né? Eu também não estou considerando simplesmente o ato do evangelismo explícito, como deve acontecer em muitos contextos, de falar que essas coisas são pecado. Mas se a gente está tentando justificar, porque isso é uma forma mais apropriada de vida do que aquilo, eu acredito que a as consequências de uma determinada forma de vida, se nós acreditamos que a vida que Deus exige de nós é a vida eterna, a conduta é uma conduta santificada, isso significa que o olhar cuidadoso para essas posturas que a gente trata de dinheiro, de sexualidade, de poder, de política, de guerra, enfim, de várias outras coisas analisadas de maneira honesta e rigorosa necessariamente vão levar as conclusões de que isso tem consequências muito danosas para o indivíduo e paraa sociedade. Então, tratar sobre essa questão da autonomia eh depende muito do contexto em que a gente está eh se referindo, né? >> [roncando] >> Sempre iremos pecar antes de aceitarmos Jesus? Sim, Fernanda, sempre iremos pecar. E [roncando] mesmo depois que a gente aceita Jesus, a gente precisa ser muito honesto, que a gente continua pecando. A questão é quais são as consequências desse pecado, o poder que esse pecado tem sobre nós e aquilo que acontece além de sermos seduzidos e continuarmos sendo seduzidos pelo pecado depois do encontro com Jesus. Existe algo externo a nós e que é declarado sobre nós. Esse veredito de Jesus, esse veredito de Deus, de que nós somos justificados e por isso temos paz com Deus. Existe algo que acontece dentro de nós, que é uma vontade que antes não possuímos e passamos a possuir. Eh, e existe aquilo que vai ser a nossa condição final, mas a necessidade de realizar pecado é algo que a gente encontra em todo ser humano. A a necessidade talvez não seja a palavra mais precisa nesse contexto, mas a o fato do pecado é algo incontornável na prática de todo ser humano. É como se o pecado perdesse a força sobre nós humanos, porque fomos justificados em Cristo Jesus. Exatamente. Judit. Exatamente. Existe uma renovação do pensamento. E Paulo utiliza essa expressão. Existe uma renovação do coração, da disposição, mas uma nova forma de pensar, de entender essas mesmas coisas que antes praticávamos e que chamávamos essas coisas de vida. Agora nós chamamos isso de morte. E aquilo que antes nós chamávamos de morte e de alguma forma de eh de escravidão, agora nós passamos a chamar de vida e liberdade em Jesus. Existe uma libertação do pensamento, da percepção, da compreensão e consciência das coisas. E existe essa libertação do coração também, né, de desejar coisas que antes não desejávamos. Da mesma forma, como eu acabei de colocar, existem coisas que não acontecem apenas dentro de nós, mas fora de nós, a partir da declaração e da ação de Jesus. Tá bom? Bom, pessoal, acredito, não foram todas, mas a maioria das perguntas eu respondi. A gente estourou o tempo muito porque minha aula foi longa, mas a gente vai encerrar por aqui essa parte de perguntas e respostas e da aula toda também. e agradecer você que tem caminhado com a gente nessas últimas cinco semanas, já foram 10 aulas. A gente pede para você continuar porque a gente tem muitas coisas importantes para continuar no desenvolvimento da aula da do nosso curso de Romanos. E o capítulo 7 e 8 são dois dos mais importantes que a gente vai conversar aqui ao longo de todos esses três meses. Então, semana que vem não dá para perder. As próximas aulas aí eh paraa gente concluir essa etapa são muito importantes para a nossa conversa e reflexão juntos. Boa semana a todos, boa Páscoa. Que o Senhor abençoe esse momento de celebração da libertação definitiva que todos tivemos em Cristo e a celebração da nova vida que nós temos em Jesus. que o Senhor abençoe esse momento de eh preparação, de oração, de jejum para aqueles que vão ter esse tempo de jejum e no domingo também esse grande momento de festa e de gratidão a Deus pela ressurreição. Forte abraço a todos vocês e até o nosso próximo encontro. Ciao. Ciao.