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Makários – Romanos |A. 10| Batismo e Liberdade (Rm 6.1-23) | Ákilla Nascimento

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Makários – Romanos |A. 10| Batismo e Liberdade (Rm 6.1-23) | Ákilla Nascimento

Módulo Avançado: Romanos
Aula 10
Batismo e Liberdade
Romanos 6.1-23
Ákilla Nascimento

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[música] เ
Muito boa noite para todo mundo que
chegou aqui para mais uma da mais uma
aula do nosso curso de teologia
Macários. Muito bom ter vocês conosco
para esse módulo de Romanos que já está
aí com uma boa estrada eh percorrida, um
bom eh caminho trilhado até aqui que a
gente já venceu os primeiros cinco
capítulos de Romanos e hoje a gente vai
falar sobre Romanos capítulo 6, batismo
e liberdade. E a gente espera poder
demonstrar que foi muito propício que a
gente tivesse chegado nesse capítulo.
Exatamente nessa data. Hoje a gente tá
falando aqui na véspera do nosso feriado
de Páscoa. E a gente vai ver como isso
tem muita relevância para aquilo e pra
maneira como Paulo fala aquilo que ele
quer falar a partir de Romanos capítulo
6. Para todos vocês que estão chegando
agora aqui no nosso curso, essa é uma
aula na sequência de outras nove aulas
que a gente já deu a respeito de
Romanos. E a gente tá fazendo o estudo
sequencial de Romanos 1 até o capítulo
16, a carta completa de Paulo aos
Romanos. E a gente tá chegando agora
nesse segundo capítulo do segundo bloco.
A gente já falou isso outras vezes. Nós
temos Romanos dividido em Romanos
capítulo 1 ao 4 no primeiro bloco e o
segundo bloco do 5 até o oito. Então a
gente tá no meio desse segundo bloco em
que Paulo vai desenvolver temas eh muito
relevantes para aquilo que ele acabou de
afirmar no capítulo 5co, a última aula
que foi dada aqui pela professora Suzi.
Então essa é a 10ma aula. o tema da
nossa aula de hoje e também o capítulo.
Como eu fiz da última vez, eu vou
apresentar para vocês eh duas versões
bíblicas para que a gente possa comparar
e para que a gente também tenha
condições de extrair às vezes melhor o
significado de um dado versículo,
olhando para o mesmo texto grego a
partir de duas interpretações ou na
verdade duas formas de tradução
diferentes. À esquerda a gente tem a
NVI, a nova versão internacional. à
direita o novo testamento para todos e
eu vou compartilhando com vocês
as observações ao longo do caminho aqui.
Bom, como a gente colocou, a compreensão
de Paulo no capítulo 6 de Romanos é
completamente dependente do que ele
acabou de tratar no capítulo 5. Isso é
verdade para qualquer carta de Paulo.
Paulo nunca escreve uma carta com os
seus versículos e as suas afirmações
desconectadas entre si.
Mas ah, em Romanos em especial, isso é
muito importante, apesar de ser
elementar, é muito importante ser
lembrado, porque a gente tem um
encadeamento lógico muito eh
eh muito bem amarrado por Paulo e uma
dependência muito grande daquilo que ele
fala a partir daquilo que ele construiu.
Isso fica claro, por exemplo, na
repetição de algumas conjunções que
aparecem toda hora no texto de Romanos.
Se a gente lou texto no grego, talvez
essa repetição ficasse mais clara. As
traduções às vezes elas mudam a tradução
de uma mesma conjunção, porque é feio no
português a gente repetir a palavra com
muita constância, mas em alguns outros
idiomas não é esse o caso. E no caso do
grego e na forma como Paulo escreve,
essa repetição tem um propósito. Tudo
isso só para dizer que capítulo 6 é
completamente dependente do capítulo 5.
E o fim do capítulo 5 apresenta pra
gente uma nota muito forte a respeito da
graça de Deus. Se vocês lembram bem, ou
se não lembram bem, o que Paulo afirma
em Romanos 5, versículo 21, é a fim de
que assim como o pecado reinou na morte,
também a graça reine pela justiça para
conceder eterna mediante Jesus Cristo,
nosso Senhor. A graça que ele fala aqui
em Romanos 5:21, é o que ele apresenta
também em Romanos capítulo 5, versículo
20. E é o que ele vinha construindo em
todo o capítulo 5. Então, a gente tem um
uma nota que foi tocada por Paulo e que
tem uma importância muito grande nessa
sinfonia que ele está construindo com a
carta aos Romanos. E essa nota,
obviamente, não pode ser esquecida. Ela
é repetida de diferentes maneiras, com
diferentes acompanhamentos e arranjos,
mas ela é fundamental. Agora, a questão
da graça, como Paulo apresenta, ela
levanta muitos questionamentos,
inclusive um questionamento que ele
coloca no capítulo 3, na primeira parte,
no versículo 8 do capítulo 3 de Romanos.
Foi uma aula que eu dei também, acho que
na semana retrasada, foi semana passada,
agora não me lembro muito bem, acho que
foi semana passada, eh, e nos coloca
essa situação bastante desafiadora, que
são os questionamentos que foram
sinceramente colocados para Paulo, e
também a palavra de pessoas caluniadoras
que apresentaram contra Paulo uma
afirmação ou uma acusação que não era
devida, colocando na boca de Paulo algo
que ele nunca falou.
Por exemplo, Romanos, capítulo 3,
versículo 8, eh, apresenta uma pergunta
que Paulo coloca como fazendo a citação
de uma outra pessoa, façamos o bem para
que façamos o mal para que nos venha o
bem. Muitos caluniadores afirmavam que a
doutrina da graça de Paulo implicava
justamente nessa conclusão lógica e que
o próprio Paulo afirmava isso. Façamos o
mal para que nos venha ao bem. Se a
graça, o perdão, a justificação
que nós temos no Messias, é simplesmente
por aquilo que Deus nos entrega, sem nos
pedir nada, sem exigir coisa alguma. E
se é a partir do nosso pecado que nos
veio essa graça, então façamos o mal
para que nos venha o bem. Porque se a
gente fez o mal e tudo isso já nos
aconteceu, o que mais poderá nos
acontecer se a gente continuar fazendo
ainda mais aquilo que causou essa graça
derramada por Deus, que foi o pecado e a
maldade humana? Então, Paulo coloca esse
argumento e ele chama essas pessoas de
caluniadoras e é o único grupo que Paulo
apresenta ali uma eh uma certa
indignação que diz: "Para esses a
condenação é justa". É difícil entender
a condenação que veio tanto para judeus
qu contra para gentios. Para essas
pessoas não tenho dificuldade nenhuma de
entender porque que o juízo veio sobre
eles. Mas a pergunta, apesar de essa
acusação vim de bocas caluniadoras,
a questão ela é legítima. Será que eh
essa doutrina da graça não abre margem e
espaço para um comportamento
absolutamente permissivo? Ela não
encoraja inclusive um uma postura de
libertinagem, de completo descompromisso
ético. Eh, se afinal de contas é isso
que é graça, como é que a gente entende
a maneira mais apropriada de nós
caminharmos aqui paraa frente? Algumas
pessoas que não caluniaram Paulo, mas
discordaram da doutrina da graça ou
tiveram dúvidas e questionamentos muito
profundos, fazem o seguinte alerta,
provavelmente para Paulo a partir do que
a gente lê na resposta de Paulo. Essas
pessoas provavelmente disseram: "Não
podemos sair por aí afirmando que o
perdão é completamente de graça". Isso
significa que as pessoas podem viver da
forma que elas quiserem, no final, pedir
desculpa e tá tudo certo.
E óbvio que a resposta de Paulo não é
simplesmente não, não é bem assim ou não
é simplesmente eh é justamente isso que
eu estava querendo ensinar. Paulo
apresenta uma uma resposta para esse
questionamento que ele levantou muito
antes em Romanos capítulo 3. Mas mais do
que isso, a resposta que Paulo dá para
essa pergunta em Romanos capítulo 6 é
muito mais do que uma parte que ele faz
para responder uma objeção que talvez se
levantasse como uma barreira contra o
argumento que ele está desenvolvendo em
toda a carta. E ele tem um objetivo
muito maior com o argumento que ele
apresenta nesse capítulo. Mas para a
gente entender que argumento é esse que
Paulo está iniciando aqui em Romanos
capítulo 6, a gente precisa voltar a um
texto muito mais antigo do que a carta
aos Romanos, que é o livro do Êxodo. E
aí a pertinência, a feliz coincidência
ou não, ou planejamento que não foi meu,
definitivamente não foi meu, de tratar
de Romanos capítulo 6 na véspera da
Páscoa. verdade. De acordo com a
tradição judaica, a semana de Páscoa
começou ontem, a na quarta-feira e vai
seguir até a semana que vem, mas nós
celebramos a sexta-feira da paixão, a
crucificação e a ressurreição de Deus,
eh, justamente nesse final de semana,
ainda que existam também outras
tradições cristãs que apresentam
capítulos importantes dessa chegada de
Jesus em Jerusalém. O fato é que a gente
tá no contexto da Páscoa e Páscoa não é
uma festividade que começa nos
Evangelhos. A celebração que nós fazemos
da Páscoa a partir da pessoa de Jesus
tem uma raiz que antecede a encarnação
de Jesus, que é a história do Êxodo.
Originalmente a Páscoa foi estabelecida
como uma festa para lembrar e celebrar a
grande libertação que Deus trouxe para
os filhos de Israel que estavam cativos
no Egito. A história é antiga, é
conhecida da maioria de vocês, mas vale
a pena relembrar para ressaltar alguns
pontos que aparecem nessa história, como
narrada no livro do Êxodo. Os filhos de
Israel entram livres
na terra do Egito, mas ao longo do tempo
sobe ao poder um faraó que já não
conhecia mais José. O povo ele eh passa
a ser explorado.
O povo passa a ser um povo porque antes
era um clã, era uma família estendida.
Esse povo descendente de Jacó começa a
se multiplicar.
Eh, estando ainda no Egito, o faraó
começa a oprimi-los. Essa escravidão, a
opressão se torna de fato uma
escravidão. Essa escravidão chega a um
ponto de miséria e exploração absolutas.
A tal ponto que o povo clama por
libertação para o seu Deus. E Deus envia
então o libertador que é Moisés. Moisés
tira o povo do Egito e guia o povo pelo
deserto em direção à terra prometida.
Nesse processo, no ato da libertação,
eles atravessam o Mar Vermelho. E
lembre-se desse detalhe que não é tão
difícil de lembrar e não é
necessariamente, não é propriamente um
detalhe, mas é um fato objetivo muito
importante da história do Êxodo, a
travessia do Mar Vermelho. E eles deixam
para trás quando atravessam o Mar
Vermelho, a terra da escravidão, e agora
descobrem uma nova liberdade. Na
verdade, um novo povo é constituído
depois do mar vermelho. Uma nova
liberdade é experimentada por esse povo
e também uma nova lei é dada para esse
povo. Porque Deus conduz essas pessoas
até o monte Sinai, estabelece uma
aliança com esse povo e como parte da
aliança há a revelação e o contrato
dessa aliança que é a Torá, a lei, os
mandamentos que Deus passa a exigir como
forma de fidelidade do povo de Israel ao
Deus que constituiu e libertou o povo de
Israel. Essa história, ela é muito
conhecida e muito antiga. Essa história
também conta que o povo passa um período
no deserto muito superior, muito maior,
muito mais longo do que eles imaginavam
que seria o período no deserto, 40 anos,
para uma viagem que poderia ser muito
mais curta. Mas ao fim, Deus conduz esse
povo para dentro da terra e eles
conquistam a o seu espaço e o lugar, a
herança que Deus havia prometido ele de
fato dá ao povo de Israel. Eu eh comecei
aqui, tô botando para frente e nem eh
testei aqui, perguntei para vocês se
imagem e vídeo tava tudo bem, mas como
ninguém falou nada, acredito que vocês
estão ouvindo e vendo bem. Essa história
é muito conhecida. O que nem sempre é
percebido. E o fato que não é tão
conhecido é que, de certa forma, Paulo
está recontando a história do êxodo e
ele começa fazendo isso justamente em
Romanos capítulo 6. Ele usa mais do que
um capítulo para recontar a história do
Êxodo, mas ele começa a fazer isso
justamente aqui. E ainda que essa
palavra não apareça em Romanos capítulo
6, essa história claramente é o pano de
fundo, é a estrutura a partir da qual
Paulo está apresentando aquilo que ele
quer apresentar eh para os seus leitores
na igreja em Roma. Roma ou perdão,
Romanos descreve como os cristãos eles
de certa forma atravessam as águas do
batismo, assim como o povo de Israel
atravessou o mar vermelho. E desse modo,
como eles deixam para trás os cristãos,
a terra da escravidão, entrando para uma
nova liberdade, assim como sair do Egito
significava para o povo de Israel partir
em direção à terra prometida. Da mesma
maneira, o cristão que passa pelas águas
do batismo está deixando para trás uma
terra de escravidão e entrando para um
novo tipo de liberdade. Quando a gente
segue nesse argumento, a gente entra em
Romanos capítulo 7. E o Romanos 7 lida
com a questão do que que aconteceu no
Monte Sinai e os problemas que vieram a
partir daí.
E colocando isso para o contexto e paraa
leitura de Paulo do que acontece na vida
cristã, ele também fala como os cristãos
estão sendo conduzidos a um novo e
estranho cumprimento da lei que foi dada
no monte Sinai para o povo de Israel.
Logo depois, a gente tem Romanos
capítulo 8, que descreve a vida cristã
em termos da liderança de Deus,
conduzindo o seu povo para receber a
herança
que acabava desembocando ou na verdade
que acaba desembocando no argumento de
Paulo na libertação e na redenção de
toda a criação. Isso é muito
interessante, porque quando a gente lê
Romanos capítulo 8, versículo 18 em
diante, já não está mais em questão a
lembrança da herança que foi prometida a
Israel. já não está mais em questão uma
herança como território geográfico
específico que é dado para os cristãos e
não está mais em questão simplesmente a
libertação dos cristãos, mas a
libertação e a redenção de todo o
cosmos, de toda a criação, sendo os
seres humanos o centro dessa obra a
partir da qual Deus planeja trazer
libertação para todas as coisas. E nesse
processo, Paulo adverte contra o tipo de
pecado que mais é repetido na história
de Êxodo ou na história do êxodo, como
sendo o pecado
eh perpetuado, o pecado mais
recalcitrante do povo de Israel naquele
contexto, que foi o pecado da
murmuração. Os israelitas foram culpados
justamente de murmurar sobre a dureza da
vida no deserto e que supostamente eles
queriam o alho poró, que eles queriam a
carne, que eles queriam a comodidade que
eles tinham no Egito, que era
completamente ilusória, porque eles
nunca foram povo completamente livres e
tão felizes assim como a murmuração
parecia fazer crer enquanto eles estavam
no Egito. E o que Paulo coloca pra gente
aqui é o que Deus coloca e que Moisés
coloca para o povo de Israel lá, que é:
"Vocês não querem voltar a ser um povo
escravo." É isso mesmo que vocês querem?
Esse é justamente o argumento que Paulo
vai desenvolver a ponto de falar sobre
isso em Romanos capítulo 8, versículo 15
e que começa aqui em Romanos 6. Mas por
que é que Paulo
reescreve a história do Êxodo a partir
de Jesus? e do povo que está no Messias.
Existem alguns motivos. O primeiro
motivo é porque ele não esqueceu, apesar
de muitas vezes nós esquecermos ou nós
nunca termos percebido que aquilo que
Deus fez em Jesus é o cumprimento das
promessas que o próprio Deus realizou
para Abraão. As promessas, como a gente
viu no estudo de Romanos, capítulo 4,
que Deus entrega a Abraão, se cumpre de
forma completa e absoluta em Jesus. Em
Gênesis capítulo 15, aquele capítulo da
aliança que a gente tratou há duas aulas
atrás, Deus prometeu que depois de um
período de escravidão, ele mesmo
conduziria Israel para fora dessa
condição de escravidão e para a sua
própria terra. Romanos 6 7 8
e na verdade a maneira pela qual Paulo
explica que foi realmente isso que Deus
realizou na pessoa de Jesus.
Esse é o cumprimento supremo e final da
aliança. Lembrando daquela interpretação
muito curiosa e muito expandida, que a
gente não encontra um paralelo tão
explícito e tão direto no Antigo
Testamento, de que Paulo acreditava que,
no fim das contas a promessa de Deus
para Abraão é que o mundo inteiro seria
dado a ele como herança e que todos os
povos da terra, a partir de todos os
povos da terra, Deus constituiria
filhos para Abraão. Então isso não se
cumpriu em nenhum momento da história de
Israel até aquele momento. E é
justamente na pessoa e na realização de
Jesus que Paulo entende que a promessa
feita para Abraão encontra o seu
cumprimento. O segundo segundo motivo
pelo qual Paulo reconta a história do
êxodo é: os contemporâneos de Paulo
esperavam um novo êxodo. Se você estudar
um pouco sobre o judaísmo do segundo
templo, que especificamente nesse
período do começo do primeiro século, um
pouco antes e um pouco depois, você vai
ver que muitos documentos atestam essa
esperança de diferentes grupos judeus.
Lembrando que o grupo judeu era muito
fragmentado, existiam muitas esperanças
distintas, mas uma constante em a vários
documentos e na expectativa de vários
grupos diferentes, tanto quanto
fariseus. Quanto os elotes era que um
novo êxodo estava para acontecer. E
Paulo concorda com isso. Um novo êxodo
aconteceu. Uma nova libertação acaba de
ser
concretizada. Um um grande ato
libertador é realizado por Deus em favor
do seu povo. Mais diferente do que a
maioria, praticamente todos esses grupos
esperavam, essa libertação não é a
libertação política de Roma, mas sim a
libertação de todo o cosmos. Mas contra
que inimigo? Afinal, Roma, por mais
poderosa que fosse, não tinha o poder de
manter cativo todo o cosmos. o inimigo
que era o pecado, a corrupção e a morte.
Paulo está apresentando esse argumento
que o problema do exílio, que ele, assim
como o os evangelhos vão argumentar
contra o seu fim na pessoa de Jesus, o
exílio não foi causado por conta de um
poder opressor de um povo estrangeiro,
foi causado primeiramente por conta do
pecado. Então, o maior e mais profundo
inimigo que o povo de Israel enfrentava,
assim como todos os outros povos, era a
morte.
E desse inimigo há agora uma libertação
definitiva. O terceiro motivo pelo qual
Paulo reconta o êxodo é que ele está
afirmando que o que Deus fez mediante o
Messias é o pleno cumprimento da
esperança de Israel.
Deus não abandonou a antiga aliança e
ele não esqueceu da esperança que ele
constituiu para o povo de Israel. O que
ele, próprio Deus, fez em Jesus, era o
alvo de tudo aquilo que ele havia feito
antes. Quando Deus faz o que faz,
enviando Jesus como Messias, ele não
está, por assim dizer, deixando para
trás as coisas que ficaram na época do
Antigo Testamento, esquecendo-se de
Ezequiel, esquecendo-se de Isaías,
esquecendo-se de Jeremias, esquecendo-se
da Torá. Todos os capítulos da história
de Israel tinham como alvo e como
propósito esse ato de revelação, esse
ato de poder e libertação, e esse ato de
justiça que Deus planejava fazer cair
sobre todos os povos da terra. O que ele
fez em Jesus era o propósito final. E
isso tudo levanta naturalmente uma
pergunta quando a gente pensa na
história de Israel, desembocando na
pessoa de Jesus como sendo o Messias de
Israel, mas também o Messias que trouxe
salvação para todos os povos. Que é uma
pergunta que muitas pessoas se fazem
hoje. O que é que nós temos a dizer
sobre o Israel étnico? Como é que fica
então esse povo a partir do qual veio o
Messias? Mas esse Messias não é só para
judeus, é também para os gentios. E o
que é que Deus então fez com esse povo e
continua fazendo e fará com esse povo a
partir do qual ele enviou o Messias? E
essa é uma pergunta muito pertinente que
Paulo vai tratar a partir de Romanos 9.
É por isso que esses capítulos 6, 7 e 8
são fundamentais, tanto pelos dois
primeiros, três primeiros motivos que a
gente apresentou, quanto por essa
pergunta fundamental e natural que surge
de quando Paulo está tratando da
história de Israel. E a pergunta natural
é: "E Israel hoje? Como é que fica
Israel do ponto de vista étnico?" Ele
vai tratar isso dos capítulos 9 ao 11. E
por isso que a gente precisa compreender
muito bem também Romanos 6, 7 e 8. Bom,
mas dada essa introdução a respeito eh
da maneira pela qual Paulo vai construir
esse capítulo, a gente precisa observar
algumas coisas aqui. Eh, qual é a
resposta de Paulo a essa espantosa
sugestão do primeiro versículo, como
vocês veem aí. O que diremos então?
continuaremos no estado de pecado para
que a graça possa aumentar? O que é que
Paulo vai responder? Certamente que não.
Nós morremos para o pecado, como
continuaremos a viver nele? Vocês não
sabem que todos nós fomos batizados no
Messias? Jesus fomos batizados em sua
morte? Isso quer dizer que fomos
sepultados com ele mediante o batismo na
morte. De modo que assim como o Messias
foi ressuscitado dentre os mortos
mediante a glória do Pai, nós também
possamos nos comportar
com uma nova qualidade de vida. Porque
se fomos plantados juntos na semelhança
de sua morte, também o seremos na
semelhança de sua ressurreição. A
resposta de Paulo para essa eh sugestão
do primeiro versículo é:
quando a gente se torna cristão, nós
mudamos de um tipo de humanidade para
outra forma de humanidade. Portanto,
jamais devemos voltar a pensar em nós
mesmos da forma como nós éramos. Jamais
devemos pensar da maneira que
pensávamos, mas jamais devemos voltar a
pensar que nós temos uma natureza e uma
condição.
Estamos debaixo de eh
uma dívida e um senhor como era a nossa
condição antes dessa profunda
transformação que aconteceu a partir da
entrada no corpo de Cristo simbolizada
no ato do batismo.
De uma maneira muito específica, ao se
tornar cristão, nós morremos e
ressuscitamos novamente com o Messias. E
aqui nós nos deparamos pela primeira vez
em Romanos com uma das crenças mais
centrais para Paulo, não só em Romanos,
mas também em outras cartas, que é: uma
vez que o Messias representa o seu povo,
o que é verdade em relação a ele também
é verdade em relação ao seu povo. Uma
vez que o Messias representa o seu povo,
o que vale para o Messias vale também
para nós que somos o povo que está no
Messias. É por isso que ele fala das
pessoas que passam a entrar no Messias
ou estando no Messias ou de coisas
ocorrendo a eles como com o Messias.
Essas não são eh formas verbais
acidentais. Não é força de expressão,
mas é uma descrição do que Paulo
realmente acredita que é a nossa
condição. É claro que não se pode achar
que tudo o que você ou eu fazemos é o
que Jesus está fazendo pessoalmente. É
claro que Paulo crê que Jesus era e é o
Messias, mas o ponto é que a lógica do
que ele está afirmando funciona com base
na suposição de que como Messias, ele
não simplesmente era um indivíduo em
particular. Jesus de Nazaré, e sim era o
ungido, aquele que sintetiza seu povo em
si mesmo.
É como se Jesus fosse a personificação
de todo o Israel em uma só pessoa. A
missão que Israel falhou em cumprir,
trazendo o conhecimento do verdadeiro e
único Deus para todos os povos. Jesus
faz nele mesmo a missão que Israel tinha
de ser obediente a sua aliança com o
Deus verdadeiro e desobedecido em vários
momentos, não só como indivíduos, mas o
povo como todo, aquilo que a Torá
estabelecia, Jesus é fiel e obediente ao
Pai até sofrer morte e morte de cruz.
Então, Jesus é essa personificação
do povo de Deus em um único indivíduo.
E aquilo que ele faz e conquista, a
herança que é dada ao Messias, passa a
ser também a nossa herança. A morte que
ele passou e a ressurreição que ele
experimentou através do poder de Deus
por meio do Espírito Santo, é também a
morte que nós nos identificamos e
passamos e a ressurreição que nós
recebemos, passamos e experimentamos
pelo poder de Deus através do Espírito
Santo no Messias, junto com o Messias.
Mais especificamente,
o ato de batismo no que diz respeito ao
ensino de Paulo, marcava justamente o
início prático e físico da vida cristã,
envolvendo o cristão na morte e na
ressurreição do Messias. aqui, eh, e
também nos demais textos de Paulo, nós
compreendemos que ele entende o batismo
em parte em termos do êxodo, para o qual
o batismo de João apontava e em parte
também em termos do próprio batismo de
Jesus por meio de João Batiso, por meio
de João Batista, mas mais
especificamente em termos do batismo
acerca do qual o próprio Jesus falou.
Quando a gente olha para Marcos capítulo
10, Jesus trata de um batismo que não
havia acontecido. O próprio João Batista
fala que ele batizaria de forma
diferente com o espírito. E o batismo em
Marcos capítulo 10 versículo 38, que
Jesus faz referência é a sua própria
morte. Então o batismo que todo cristão
deve experimentar em Cristo Jesus
simboliza a sua morte com Jesus. Quando
as pessoas se submetem ao batismo
cristão, elas estão morrendo com o
Messias e são ressuscitadas com ele para
uma nova forma de vida, para um novo
tipo de natureza. Uma nova criatura é
constituída.
E a imagem que Paulo utiliza aqui é que
o batismo, de certa forma, é uma semente
que é plantada e que precisa brotar a
partir dessa nova vida de ressurreição.
No batismo, você é plantado na morte de
Jesus
de modo a viver agora como um ser humano
renovado, que também foi plantado em sua
vida ressurreta. Então a gente vê nesses
versículos seguintes, do se em diante
que Paulo vai tratar justamente dessa
questão de uma humanidade que morre e é
crucificada com Cristo. Uma nova
humanidade que surge e que precisa se
desenvolver, que precisa crescer e
amadurecer, porque a semente precisa
morrer para germinar e ela germina nessa
nova vida de ressurreição. A pergunta do
começo do capítulo 6 e também do começo
do capítulo 3 é justamente uma forma de
ser uma criatura transformada, uma
semente que foi plantada no novo solo,
uma nova forma de vida que surgiu, mas
que quer dar os frutos
da outra forma de vida que se possuía,
do outro solo em que ele estava
plantado. Existe, na verdade, até
imagens mais descritivas do que essa e
que o próprio Paulo vai utilizar e vai
recorrer e que a gente vai tratar mais
adiante também. Mas lendo aí o versículo
6 em diante, ele diz: "Sabemos isto:
nossa velha humanidade foi crucificada
com o Messias, de modo que a
solidariedade do pecado pudesse ser
abolida e não fôssemos mais escravos do
pecado. Aquele que morreu, vejam, vejam
bem, foi declarado livre de todas as
acusações de pecado. Mas se morrermos
com o Messias, cremos que viveremos com
ele. Sabemos que o Messias, após
ressuscitado entre os mortos, não
morrerá outra vez. A morte já não tem
mais autoridade sobre ele. A morte que
ele morreu, perceba, foi para o pecado,
uma única e exclusiva vez. A vida que
ele vive, porém, é para Deus.
E aí ele vai seguir do versículo 11 a
em diante. Mas antes da gente seguir
para esse novo bloco, a gente precisa
perceber o seguinte. Desses versículos 6
a 11 que a gente acabou de ler, Paulo
busca ajudar aquelas pessoas a relembrar
ou talvez aprender pela primeira vez
quem elas de fato são a partir da
identificação que elas têm com o
Messias. E como é que ele apresenta esse
argumento? A partir do mapa que ele
desenha no fim do capítulo 5 de Romanos.
No fim do capítulo 5, ele fala da
humanidade em Adão e da humanidade em
Jesus. E o sentimento que muitas vezes
nós precisamos admitir que nós temos ao
longo da vida cristã que nós ainda
estamos em Adão. antigas tentações,
antigos desejos. Antes desse encontro
transformador com o Messias, antes dessa
fé que nos concede uma nova vida com o
Messias, nós sentimos desejos, atrações,
vontades, inclinações que continuam a
estar presente nesse nessa nova condição
que nós partilhamos,
nessa nova forma de vida que nós temos.
nós ainda temos essa eh inclinação e
desejos que possuíamos quando estávamos
em Adão. E o que Paulo vai afirmar com
muita clareza é: nós, apesar de todos os
sentimentos, apesar de todas as
percepções e inclinações, nós não
estamos mais em Adão. Nós somos uma nova
criatura em Cristo. E muitas vezes as
pessoas falam que pecaram. Eu pequei
porque foi algo que o velho homem ainda
me levou a fazer. Eu pequei porque a
antiga natureza prevaleceu. Eu pequei
porque a antiga humanidade falou mais
alto. Mas não é isso que Paulo ensina. E
isso eu acho que é um ponto importante
de nós esclarecermos nesse momento do
argumento de Paulo, que é,
apesar de ainda termos que lidar com a
realidade do pecado, não existe mais
esse velho Adão. Não existe mais essa
antiga natureza determinando quem eu de
fato sou. Ainda que eu não tenha
experimentado completamente toda a obra
que o Espírito vai realizar na minha
transformação
e na minha glorificação e na nossa
ressurreição,
ainda assim no tempo presente eu não
posso mais compreender quem eu sou,
considerando que eu sou tanto o velho
Adão como uma nova pessoa em Jesus
Cristo. A identidade do cristão é o fato
de que ele tem uma nova vida em Cristo
Jesus, uma nova natureza.
Então, quando a gente olha para a
expressão que Paulo utiliza para
explicar isso, é justamente a velha
humanidade. E o que ele diz é: "A velha
humanidade foi crucificada em Jesus". A
identidade com Jesus significa também a
identidade com a sua morte. Mais uma
vez, nós não temos mais o risco de cair
na escravidão do pecado. Nós não temos
mais o risco de ter que responder como
estando sujeitos à tirania do pecado e
de Satanás. A condição da nossa natureza
não é mais de precisar responder às
acusações daquele que apresenta contra
nós a acusação de que nós pecamos e de
que nós estamos em estado de condenação.
Nós não temos mais
uma condição em que o pecado tem
qualquer forma de direito sobre a nossa
própria vida. A respeito disso, Paulo
está dizendo: "Essa velha humanidade,
essa antiga condição de escravidão ao
pecado, esse direito que o pecado tinha
sobre a sua vida, foi crucificada com
Jesus". E o que isso quer dizer? que nós
estamos numa espécie de meio termo. Eu
não sou nem mais o velho Adão, mas eu
também não sou mais ainda, perdão, não
sou ainda plenamente unido com Jesus
Cristo. E a resposta de Paulo é não.
Estamos desde já no Messias. O que vale
para ele vale para nós. Por mais
estranho que isso possa aparecer, e
estranho pelo fato de que nós ainda
temos que lidar com pecado, nós ainda
temos que lidar com toda a forma de
finitude e dificuldade que esperamos que
não vai ser a nossa realidade para
sempre, torna essa convicção que Paulo
está apresentando pra gente difícil de
acreditar, difícil de assimilar e
difícil de
tomar consciência e permitir que isso de
fato se torne quem nós de fato somos.
Por mais estranho que isso possa
parecer, nós já somos hoje, agora, no
presente momento, nós já partilhamos a
vida que Jesus possui.
no ato da morte, do sacrifício e da
entrega de Jesus, no momento da sua
ressurreição, no momento em que foi
revelado aos seus seguidores nas
palavras, no poder, na manifestação de
Jesus, o fato de que ele venceu a morte
e o corpo que agora ele recebeu já não
pode mais ser tocado pela morte.
É essa forma de vida que Jesus tem após
a sua ressurreição, que já é a sua forma
de vida.
A vida que Jesus possui no presente é a
vida que nós partilhamos no presente. A
vida que Jesus tem possui que não pode
ser mais tragada pela morte, que não
pode ser mais manchada pelo pecado. Essa
forma de vida, essa vida eterna que
Jesus tem, vai continuar tendo
eternamente. É a vida que ele partilha
conosco no tempo presente.
A vida que Jesus passou a possuir após a
Páscoa, a vida da ressurreição, é
justamente a vida que ele nos dá. Claro
que nós ainda não passamos pela
ressurreição corpórea, nós ainda não
experimentamos toda a glória que ainda
será manifesta nos filhos de Deus. Isso
pertence ao futuro. Mas esse futuro é
certo. Esse é um ponto muito importante.
O futuro que nós estamos apontando é
tratado por Paulo tanto em Romanos
capítulo 8 quanto em Primeira Coríntios
capítulo 15. Dois capítulos que falam
sobre a ressurreição e sobre a garantia
da esperança que temos desse momento
mostram pra gente que nós não devemos
pensar nesse ato de glorificação e de
ressurreição corpórea como algo possível
e desejável, mas como algo garantido
pelo próprio Espírito Santo. Mas parte
fundamental de ser cristão é acreditar
que o futuro, isso que nós estamos
certos que vai acontecer no futuro,
invadiu o presente na pessoa e na
realização de Jesus. Parte fundamental
da vida cristã é acreditar que isso já é
o estado e a condição que nós temos. Nós
já somos nova criaturas, novas
criaturas. Nós já temos plenitude de
vida em Jesus. Já não está sobre nós
qualquer forma de condenação no tempo
presente. E qual é o resultado disso?
Nós podemos experimentar a realidade
futura no tempo presente. Isso para mim
é uma fonte de muito consolo.
É uma segurança de que um grande poder
atua em nós. E é também aquilo que me
permite
dar sentido a muitas coisas que
acontecem ao nosso redor, que não
encontrariam possibilidade de
explicação, não fosse pela esperança e
pela convicção de que essas coisas vão
acontecer no futuro. Nós podemos
experimentar essa realidade futura no
tempo presente. E nós vivemos de acordo
com o fundamento da ressurreição. Esse é
um ponto muito importante para Paulo dar
a resposta à pergunta que ele levanta no
começo desse capítulo e a acusação que
ele sofre e ele retrata no capítulo 3 de
Romanos, que é se nós não
experimentarmos
essa vida da ressurreição no tempo
presente e se nós não construirmos a
nossa vida tendo a ressurreição como
fundamento,
então isso é é indicativo de que a gente
nunca compreendeu a mensagem do
evangelho ou colocando em termos
positivos,
a gente só encontra o caminho da
santidade, o caminho da fidelidade a
Deus e o propósito pelo qual Deus nos
chama. Por que que vale a pena fazer
isso ou aquilo? Quando a gente pensa a
partir da perspectiva da ressurreição,
nós não estamos mais em Adão. Nós
estamos no tempo presente no Messias.
Aquele que morreu e agora está e
continuará vivo para todo sempre. é
aquele que nos dá a forma de vida que
ele conquistou a partir da sua
ressurreição. Mas Paulo não para por aí.
Ele segue na sua argumentação, no
versículo 11, e vai dizer o seguinte:
"De igual modo, vocês devem
considerar-se considerar-se mortos
eh para o pecado e vivos para Deus no
Messias Jesus. Portanto, não permitam
que o pecado domine seus corp corpos
mortais para fazê-los obedecer aos seus
desejos. nem apresentem seus membros e
órgãos aos ao pecado com a finalidade de
serem usados para seus maus propósitos,
antes apresentem a si mesmos a Deus como
pessoas ressuscitadas dentre os mortos e
seus membros e órgãos a Deus, a fim de
serem usados para os fins justos de sua
aliança. Notem que o pecado não terá
domínio sobre vocês, uma vez que vocês
não estão mais sob a lei, porém sob a
graça. Ah, no versículo 11, você tem
Paulo usando essa expressão, vocês devem
considerar-se mortos. Deixa eu voltar
aqui no versículo 11. Vocês devem
considerar-se mortos para o pecado. Essa
palavra considerar-se
tem um sentido contábil. A ideia é tomar
consciência de uma realidade que você já
desfruta. Muitas pessoas também,
dependendo da interpretação que
utilizaram, as duas versões que a gente
tá apresentando para vocês tem a mesma
tradução, considerar-se,
mas outras formas eh de tradução e
outras formas de interpretação desse
texto deram a ideia de que mesmo depois
de um encontro verdadeiro e autêntico
com Jesus, a pessoa precisava tomar uma
atitude para alcançar uma posição de
plenitude de vida no Espírito Santo, de
plenitude, de conhecimento da graça de
Deus. Mas a ideia aqui não é que o
considerasse ou eh
a outras formas de tradução dão como
calcular, note eh eh tome as
providências para que eh a ideia aqui é
que a gente precisa passar a conhecer e
compreender uma realidade que a gente já
possui em Jesus. com a condição que nós
já temos em Jesus. A ideia é tomar
consciência dessa realidade que nós já
tivemos desde o momento que fomos
transformados pelo espírito e perceber
que muitas vezes o maior desafio é
justamente crer no que já foi recebido.
Paulo apela justamente para isso. Não
pense que você deve alguma coisa. Não
pense que você ainda é escravo de alguém
que não do próprio Messias. Não pense
que não há o que fazer se não viver como
antes você vivia. Quando vocês se
consideram mortos para o pecado, porque
vocês percebem que vocês já estão vivos
para Deus, a sua relação com o pecado
muda completamente. Por quê? Porque você
já é uma nova criatura e você sabe que
não pesa sobre você nenhuma condenação,
mas porque você partilha da vida do
Messias. E do versículo 12 ao 14,
ele vai então a apresentar pra gente uma
mudança muito clara de senhorio. O que
ele trata de vida marcada pelo pecado e
a vida que nós partilhamos com o Messias
é a ideia de uma pessoa que antes servia
a um senhor e agora serve a outro
senhor. Houve uma mudança de
pertencimento.
As pessoas que eh pensam no cristianismo
de uma forma bastante
afetada pela cultura, muitas vezes
entendem que ser cristão é simplesmente
aderir a uma religião, é simplesmente
participar de um grupo de ritos na
expectativa de que se receba algo
específico. E nem sempre essas pessoas
percebem que Jesus vai muito além de
estabelecer alguns ritos. Pode se pensar
que o batismo é um deles, a ceia é
outro, mas Jesus faz exigências radicais
em todos os aspectos da vida.
E a gente precisa também perceber que
Jesus coloca pra gente o desafio de
servir a um só senhor
dentro do contexto e da convicção de que
todo ser humano serve a algum Senhor.
Isso é uma coisa que é discutida por
muitos teólogos ao longo do tempo. Eu
acho que um dos mais conhecidos é
Calvino, quando vai afirmar que o
coração humano é uma fábrica de ídolos e
o ser humano de fato parece não ter essa
capacidade de ser dono de si mesmo, de
si mesmos. O fato de nós termos sidos
sido feitos como criaturas nos faz
necessariamente voltados para um
criador, para alguém ou para alguns
criadores. Na experiência da
religiosidade humana, a gente encontra o
politeísmo com muito mais frequência do
que o monoteísmo.
Mas a realidade que Jesus revela e que
Paulo está tratando aqui quando ele fala
sobre esse senhorio, sobre esse ato de
pertencimento, é que o ser humano
necessariamente ele volta o seu coração
para alguém. Aqui Paulo não cita
Satanás, ele não cita o diabo, ele trata
especificamente do pecado. Mas a maneira
como Paulo trata do pecado, ele fala do
pecado como tendo domínio e força
sobreumana, que é muito difícil de ser
compreendido simplesmente como a soma
dos nossos instintos egoístas. Paulo
parece dar uma também personificação pro
pecado, que não é uma extrapolação, nada
indevida em entender que aquele que
domina sobre nós quando estamos em uma
vida de pecado, é justamente o poder
tirânico de Satanás, atuando na vida
daquele que está escravizado ao pecado.
E o que caracteriza esse senhor tirânico
que é o pecado, é uma coisa que, ao meu
ver, tem muita pertinência para as
discussões
que surgem no tempo presente a respeito
de autonomia, de direito e de liberdade.
Por quê? A vida que caracteriza essa
escravidão ao pecado coloca pra gente
sempre o tem que
o pecado muitas vezes é experimentado
seja por nós na nova vida que
experimentamos em Cristo, mas que
continua a tentar nos seduzir e que
continua a influenciar a nossa maneira
de pensar, seja para a pessoa que ainda
não experimentou uma libertação
definitiva do pecado. Muitas vezes o
argumento é que o pecado é a liberdade
que o sujeito desfruta. O pecado é o
prazer que ele pode ter, ainda que no
futuro ele possa pedir perdão a Deus e
ser reconciliado por meio de Jesus
Cristo. Mas o ato do pecado é o que de
fato traz uma identidade, uma liberdade,
uma autenticidade e vida, plenamente
vida, de acordo com esse senhor tirânico
que é o pecado, só é experimentado ali.
Então ele diz que você tem que você tem
que se entregar à sua vontade de beber.
Você tem que viver desse jeito
específico que o pecado exige. Você tem
que ceder aos seus apetites sexuais,
porque se você não ceder, seja as suas
vontades, seja os seus desejos sexuais,
você está reprimindo quem você de fato
é. Você tem que ter o que os outros têm,
porque você é aquilo que você possui,
você é aquilo que você produz. Você tem
que entrar em guerra e matar os outros.
Por quê? Porque isso é uma forma de
afirmação do bem e da verdade. Aquilo
que um país pode fazer, ele deve fazer.
Ainda que isso implique a morte de
muitas pessoas, porque ele acredita que
ele tem um direito sobre os outros. Você
tem que explorar o máximo que pode para
lugar lucrar tudo que é possível. A vida
do pecado sempre nos apresenta não essa
possibilidade, mas essa falsa ilusão de
que se nós não fizermos isso, nós
deixaremos de escapar a verdadeira vida.
E o que obviamente
fica claro quando a gente tem esse ato
de revelação de Jesus sobre o que de
fato é o pecado e qual é a natureza da
vida desses que estão atados ao pecado,
é esse é um Senhor que suga e destrói
toda a possibilidade de vida que o
sujeito tem enquanto ainda há alguma
possibilidade de arrependimento.
Esse sujeito tirânico que é o pecado e
que é o poder de Satanás sobre aqueles
que estão debaixo do pecado,
não geram nenhum tipo de autonomia e
liberdade verdadeira, senão morte, senão
a mais profunda corrupção, até o ponto
em que não haverá mais nada para ser
corrompido. Então, é isso que Paulo está
tratando aqui quando ele fala sobre o
pecado nesses termos. Se alguém ainda
tem a possibilidade de imaginar que nós
devemos voltar a fazer as coisas que
marcavam a nossa vida quando não
estávamos em Cristo, porque isso é bom,
isso é prazeroso e isso nos virá eh isso
fará vir sobre nós o bem que vem da
parte de Deus, é porque nunca entendeu a
verdadeira natureza do pecado e do poder
que o pecado tem, a consequência que o
pecado traz para aquele que se coloca
debaixo do seu poder e do seu domínio.
Paulo então vai prosseguir do versículo
eh
15 em diante e vai falar o seguinte: "E
então, vamos pecar por não estarmos mais
sob a lei, mais sobre a graça?
Certamente que não. Vocês não sabem que
caso se apresentem a alguém como
escravos obedientes, serão realmente
escravos daquele que obedece?
Seja para o pecado que conduz à morte,
seja para obediência que conduz à
justificação final. Graças a Deus,
embora vocês tenham sido escravos do
pecado, tornaram-se obedientes de
coração ao padrão de ensino com o qual
se comprometeram. Vocês foram libertados
do pecado e agora se tornaram escravos
dos propósitos da aliança de Deus. Estou
usando aqui uma imagem humana devido à
fraqueza humana natural, pois do mesmo
modo como apresentaram seus membros e
órgãos como escravos da natureza e em
certo grau de uma ilegalidade após
outra, apresentem-nos agora como
escravos da justiça da aliança, a qual
conduz a santidade. Quando Paulo então
vai prosseguir
no seu argumento eh do versículo 15 em
diante, ele vai fazer essa afirmação eh
sobre o absurdo que é a mentalidade e o
argumento que essas pessoas estavam
apresentando. Aqui o desafio é a aquilo
que Paulo coloca como uma nova forma de
liberdade. Quando Paulo vai tratar da
liberdade que estamos, que nós temos em
Cristo, ele fala disso como sendo um
novo tipo de liberdade. E uma nova
liberdade sempre vem como uma nova forma
de estrutura. As estruturas elas
restringem determinado tipo de
liberdade, porque, por exemplo, a
liberdade de se fazer qualquer coisa que
seja não é liberdade absoluta, não é uma
liberdade real.
E essa nova forma de estrutura é dada de
modo a melhorar outro tipo de condição e
de realidade. Porque, por exemplo, se
todo mundo tivesse a a liberdade de
dirigir para onde quisesse, simplesmente
porque tem uma carteira de motorista,
ninguém estaria livre para dirigir em
lugar nenhum, porque você não teria
qualquer forma de regramento, de
previsibilidade, qualquer forma de
definir o que é a maneira certa de
dirigir. Assim, Paulo também coloca que
a nova vida que nós temos em Cristo
define um novo tipo de estrutura. Paulo
expressa essa percepção de uma nova
estrutura ao falar de um modo um tanto
dramático, de uma nova escravidão. A
liberdade não existe em um vácuo moral.
Ela nos foi comprada por meio da morte
de nosso soberano, o próprio Jesus.
Precisamente por sermos pessoas livres e
de modo a mantermos essa liberdade, nós
devemos a ele, a Jesus, a nossa
lealdade. Não devemos pensar que os dois
tipos de escravidão são da mesma
espécie, mas seria bom começar a ver
ambos os mundos em termos de obediência
a um Senhor. É provável que a sentença,
entre parênteses, que a gente colocou no
início do versículo 19, seja a forma de
Paulo admitir
que intitular o chamado para uma nova
vida de uma forma de escravidão
realmente sua algo muito confuso. No
entanto, ele precisou usar essa
expressão ou usar essa ideia de uma nova
forma de escravidão para enfatizar o
ponto que ele está tratando aqui. Paulo
compara os dois tipos de escravidão e
quando faz isso está sempre usando
termos ligeiramente diferentes. De modo
que se não tivermos o devido cuidado, a
passagem pode parecer um pouco confusa.
No versículo 16, ele fala de sermos
[limpando a garganta]
obedientes ou ao pecado ou à própria
obediência. É estranho pensar em ser
obediência, em ser obediente à
obediência, mas ele precisava disso para
contrastar com o pecado. Isso serviu
naquele momento. A obediência ao pecado
conduz à morte, como ele já afirmou
tantas vezes. E a obediência, a
obediência conduz à justificação, ao
veredito de estarmos certos,
justificados nesse juízo final que vai
acontecer no futuro. Conforme a gente
viu em Romanos 2, do versículo 1 até o
16. As palavras usadas para veredito,
para ser declarado justo, para ser
declarado certo, são as nossas velhas
conhecidas, justiça e justificação.
Embora por serem termos muito complexos,
tanto no português contemporâneo como
também na esfera do debate teológico, a
expressão que foi colocada, pelo menos
na versão da direita, mas não na NVI, é
a
expressão que tenta colocar mais
evidentemente essa condição de um
veredito futuro que é dado no tempo
presente. Por isso essa opção, por ser
declarado justo, declarado certo, mas na
verdade seria mais literalmente apenas
uma única palavra, ser justo,
justificado.
É, essa palavra surge de novo nos
versículos 18 e 19 que a gente acabou de
ler, eh, que foram traduzidos como
propósitos da aliança e da justiça da
aliança. é um termo, você pode perceber,
que pode cobrir diferentes sentidos a
serem traduzidos. A ênfase básica está
no propósito do Criador, em trazer o
mundo de volta do caos para sua ordem
apropriada e de trazer os seres humanos
a forma correta e a correta relação do
próprio criador com as suas criaturas.
Aqui Paulo está apontando para o
propósito da nova vida. A razão pela
qual é necessário adotar novos padrões
de comportamentos é que Deus está pondo
o mundo inteiro em ordem e ele quer e
necessita que esse povo recém-nascido
faça parte dessa obra. necessita porque
ele assim estabeleceu que gostaria de
fazer a redenção de todas as coisas,
tanto a redenção da vida dos seres
humanos, quanto também ele se colocou na
condição de nos incluir no serviço em
favor do seu reino. E no centro dessa
imagem a gente tem um um vislumbre de
como essa nova escravidão funciona na
prática. Não é uma questão de
mandamentos a serem atirados sobre nós,
exigidos em nossa obediência, de modo
que a gente tenha que obedecer a eles.
Uma mudança de coração já aconteceu. É o
que ele trata no versículo 17. Paulo já
havia falado bem antes que o problema
com a humanidade adâmica situava-se não
no contexto externo, mas no coração
humano. É o que tá lá no capítulo 1 de
Romanos, versículo 21 e 24. colocam a
origem do problema humano no coração.
Agora, embora ainda não tenha explicado
isso aqui, Paulo compreende os cristãos
como pessoas que foram transformadas a
partir do seu interior. Há uma
disposição interior básica para se
confirmar,
perdão, uma disposição interior básica
para se conformar com o padrão de ensino
com o qual nós já estamos comprometidos.
Os cristãos primitivos desenvolveram
determinadas tradições básicas acerca do
próprio evangelho sobre a esse ato da
ceia, por exemplo, que a gente encontra
em Primeira Coríntios, capítulo 11. E
também outras tradições básicas do
Evangelho sobre o comportamento.
Primeira Tessalonicenses, capítulo 4. E
mesmo essa passagem aqui trata disso. E
provavelmente também acerca de muitos
outros assuntos. Essas regras práticas
estabelecem uma estrutura de crença e
comportamento, um código de prática da
família que está constituída em Cristo.
Como pastor, Paulo, sem dúvida,
observava com frequência que quando as
pessoas se tornavam membros da família,
algo acontecia com elas em seu íntimo,
fazendo com que quisessem viver de
acordo com aquela comunidade a qual elas
haviam passado a perceber. Obviamente
era necessário haver ensino e esforço
moral, dedicação do indivíduo,
entretanto, a vontade.
Esse ato sobrenatural e miraculoso de
Deus já estava no coração da pessoa. E
isso era o indicativo de que a antiga
escravidão foi abolida e um novo
senhorio foi estabelecido na vida
daquela pessoa. E Paulo, obviamente
agradecia a Deus por isso, porque por
mais que existissem regras e condições
que deveriam ser seguidas na igreja
primitiva e na igreja contemporânea,
isso nunca poderia trazer a solução para
o problema que estava no coração humano,
que era justamente a escravidão ao
pecado. não havia disposição em querer
obedecer a Deus e fazer aquilo que a sua
vontade revelada já havia sido eh muito
clara em direcionar a humanidade a
fazer. Então, o que a gente percebe é
que essa nova escravidão que Paulo
coloca aqui é justamente essa escravidão
ao Messias que demonstra uma
transformação real que acontece
inicialmente no coração da pessoa.
Depois ele vai seguir no versículo 20
dizer: "Quando eram escravos do pecado,
notem bem, vocês estavam livres contra a
justiça da aliança. Que frutos vocês
produziram a partir das coisas das quais
agora se envergonham? O destino dessas
coisas é a morte. Mas agora que foram
libertados do pecado, escravizados a
Deus, vocês produzem frutos para a
santidade.
Seu destino é a vida da era por vir. O
salário pago pelo pecado, vejam bem, é a
morte. Entretanto, o dom gratuito de
Deus é a vida da era por vir no Messias,
Jesus, nosso Senhor. O que a gente tem
aqui em conexão com o que a gente acabou
de falar é que as regras e orientações
para a vida cristã não existem
simplesmente porque Deus gosta de
comprimir as pessoas segundo um
determinado padrão, seja bom ou não para
elas, deixando-as feliz ou não. As reg
as regras existem. por serem as regras
inerentes ao caminho. E é muito
importante,
eh,
é muito importante perceber a estrada
que se toma, o caminho em que a gente
vai trilhar. Uma das estradas
necessariamente levará ao fim, não
apenas a um beco sem saída, mas a um fim
desastroso.
Essa outra estrada que obviamente é
constituída também por um padrão ético,
um comportamento específico,
consequências da vida cristã, essa outra
estrada conduzirá a vida. A vida em uma
nova dimensão, a vida em toda a sua
plenitude. Mas seria um erro muito grave
imaginar que a vida cristã, ela é
basicamente definida por essas regras e
essas exigências que são feitas. Elas
vêm como uma parte novamente inerente da
forma de vida que Cristo revela que é
verdadeira vida sobre a honestidade,
sobre a ética sexual, sobre uma postura
diante dos ídolos, uma postura diante do
Deus verdadeiro.
Mas tudo isso
só vem, essas exigências práticas e
concretas só existem porque uma nova
vida já foi implantada no coração do seu
sujeito, do sujeito. E ele percebe que
isso de fato é vida e o pecado é a
corrupção dessa vida plena que há a
partir da revelação de Deus. Isso também
costuma ser muito mal compreendido. Com
frequência, as pessoas supõem que a
ameaça da morte final e a promessa da
vida suprema funcionam segundo o
princípio da cenoura e da vara. De
acordo com essa imagem, Deus nos trata
como se nós fôssemos burros, ignorantes,
balançando cenouras bem na frente do
nosso nariz. Ó, a vida eterna tá aqui.
Se você fizer isso, se você viesse nessa
direção, em algum momento você vai
chegar lá. Ou então, se a gente parecer
muito relutante, ele começa a bater em
nós, a bater na gente, perdão, com a
vara. Você você precisa se envergonhar
do que você fez. Você, se você continuar
a fazer isso, você vai morrer. Talvez
isso pareça uma caricatura, mas talvez
pareça assim algumas vezes e para muitas
pessoas.
E é muito provável que muitas pessoas se
sintam de certa forma pouco convencidas
por esse tipo de argumentação. Mas a
questão é muito diferente. A maneira
como Deus retrata viver segundo esse
novo padrão, a vida que ela no Messias é
muito diferente. Como a gente já vê no
capítulo um, se decide viver de certa
maneira, ela está escolhendo um
comportamento que é, em sua própria
natureza destrutivo, tanto para aquelas
que o praticam, como para aquelas cujas
vidas são afetadas por essas pessoas. Se
a título de um exemplo óbvio, as pessoas
se embebedarem com alguma regularidade e
saírem por aí quebrando tudo, óbvio que
essas pessoas estão causando danos não
só a si mesmo, mas ao mundo a toda sua
volta. Se homens gananciosos por poder
estão em posição de influência, homens e
mulheres em posição de tomar decisão em
função de uma nação e entram numa guerra
absolutamente inútil, é óbvio que essas
pessoas não são afetadas sozinhas por
sua decisão pouco sábia, mas elas trazem
a consequência de afetar a vida de
muitas outras pessoas. Não é o tanto o
caso de alguns padrões éticos
arbitrários
declararem que esse tipo de
comportamento é errado e, portanto,
merece punição.
Esse comportamento já carrega em si
mesmo os sinais de seu destino. Ele tem
sobre si o cheiro da morte. O castigo
final não é arbitrário como mandar
alguém paraa prisão e a por deixar de
pagar uma multa.
A ideia da condenação de Deus para esse
tipo de pecado seelha muito mais ao que
ocorre quando alguém dirige de uma forma
negligente junto a um precipício,
lançando-se
tanto a ele quanto outras pessoas à
morte. Ao contrário, quando as pessoas
se comportam de acordo com o padrão
estabelecido no Evangelho e no antigo
ensino cristão, encontram-se sinais de
vida que já estão em curso. A vida da
era por vir não é uma recompensa
arbitrária, como alguém recebendo uma
medalha por resgatar uma criança que
estava se afogando. é muito mais como
uma recompensa que um pai recebe quando
a criança que ele resgatou é a sua
própria e amada filha ou filho. A
recompensa é o fato de que o pai tem
novamente a sua criança salva e sã em
sua própria presença. É muito importante
a gente perceber como isso no fim das
contas é descrito por Paulo aqui como
sendo a era, a vida da era por vir. Nós
já encontramos essa expressão antes, no
final do capítulo 5. E em geral, essa
expressão é traduzida como vida eterna.
E claramente isso sintetiza a visão de
Paulo sobre o destino final do povo de
Deus. Mas com frequência essa expressão
vida eterna é mal compreendida. Por quê?
Muitas pessoas trazem para o Novo
Testamento uma visão preconcebida do
destino final, o céu. E elas talvez se
imaginem sentadas sobre as nuvens
tocando arpas e muito embora talvez
saibam que isso seja apenas uma
ilustração, elas ainda pensam na
realidade em termos de uma existência
fora do espaço, fora do tempo, fora da
matéria.
Isso, no entanto, não é o retrato
pintado pelo Novo Testamento e, sem
dúvida, não é o conceito de Paulo a
respeito do destino final. Como um bom
judeu do primeiro século e sua teologia
cristã não alterou essa visão, apenas a
aprofundou e a completou, ele cria, ele
acreditava na existência de duas eras, a
presente era e a era por vir. A presente
era um período no qual a perversidade
continua a ditar as regras no mundo de
Deus. Na era por vir, o governo de Deus
finalmente triunfará. A conquista de
Jesus. O Messias trouxe essa era por vir
de maneira antecipada para dentro da
presente era. Aquilo que a gente falou
no começo da nossa aula de hoje, o
futuro ele invade o tempo presente
porque a era por vir, ela é antecipada
para dentro da presente era em que o
pecado ainda tem ação. Os cristãos, eles
são instados, eles são encorajados a
viver no presente à luz desse futuro.
esse futuro que veio encontrá-los em
Jesus.
Então, quando você começa a pensar sobre
esse contexto de uma nova era, uma era
por vir, invadindo o tempo presente,
tenta imaginar como é que isso funciona
e qual é eh eh qual é o resultado dessa
imagem dentro da cabeça do próprio
apóstolo Paulo. Uma das passagens que
você vai encontrar com mais
esclarecedoras é justamente Romanos
capítulo 8, uma passagem que a gente já
citou aqui do versículo 18 até o 25.
>> [roncando]
>> é para aquela visão da nova criação que
ele coloca aqui e não para uma
expectativa qualquer de um céu
descorporificado,
de um céu atemporal, que o comportamento
genuinamente cristão está nos conduzindo
à ideia de um comportamento
adequado e coerente com essa nova vida.
Não é que ele irá, por assim dizer, nos
resgatar da condição em que estávamos. é
porque fomos resgatados da condição em
que estávamos. Nós devemos andar nesse
caminho porque esse é o caminho de uma
vida em plenitude. E quando nós
chegarmos lá, quando nós chegarmos nesse
tempo e nesse momento de plenitude da
eternidade, uma eternidade que nós já
experimentamos no tempo presente, a
gente vai perceber com muito mais
clareza que tudo isso que Deus nos
revelou como sendo aquilo que deveríamos
fazer no tempo presente, sempre foi
a forma autêntica e verdadeira de vida
que vai durar para sempre.
Essa forma de vida é a revelação no
tempo presente de uma vida eterna que
será percebida e desfrutada na sua
plenitude quando chegar esse momento da
segunda vinda de Jesus. O futuro, no
entanto, permanece como um dom de Deus.
Paulo é cuidadoso em manter esse
equilíbrio. Quando você peca,
você ganha um salário e esse salário é a
morte. No entanto, quando você vive
segundo o padrão divino de santidade,
você não ganha a vida da era por vir.
Ela permanece como um dom gratuito,
muito superior a qualquer coisa que
poderíamos fazer por merecer. O
julgamento final ocorrerá de acordo com
a vida que tivemos. É isso que tá lá em
Romanos 2, 1 a16. Ou seja, ele se dará
de acordo com, no mesmo sentido que uma
orquestra sinfônica que toca Bethoven,
por exemplo, lança a mão de todos os
seus recursos de acordo com as
incipientes tentativas de a gente
simplesmente assoviar a sua melodia. É
em acordo com esse tipo de vida que a
gente se dedica a viver no tempo
presente, que a gente é fiel
e procura manter a fidelidade no tempo
presente. É esse tipo de vida que a
gente está tentando estabelecer com
essas obras, com essa eh fidelidade ao
Messias.
É isso que nós estamos buscando e que
nós receberemos no tempo futuro. E não a
ideia de que nós estamos buscando agora,
nós vamos conquistar no tempo futuro.
Paulo deixa muito claro desde o começo
que isso é um dom. Romanos 6 é um
capítulo de apoio, um capítulo ao qual a
igreja precisa, com muita urgência dar
ouvidos em nossos próprios dias. Ele não
nos dá instruções éticas específicas.
Para isso, a gente precisa olhar para
outras partes, tanto dessa carta como de
outros escritos cristãos antigos. E ele
nos dá assim uma estrutura para nós
refletirmos a respeito da razão pela
qual o comportamento cristão é
importante e como nós devemos colocá-lo
em prática. As pessoas ainda pensam,
seja dentro, seja fora da igreja, que o
cristianismo trata-se simplesmente de um
punhado de regras morais restritivas. Eu
lembro numa conversa com uma pessoa lá
do do interior do Rio Grande do Norte,
quando ela queria comunicar que uma
pessoa passou de uma outra religião e
passou a ser crente. Ela disse que
fulano passou pra lei dos crentes. O que
que essa expressão comunica que fulano
passou pra lei dos crentes? É, ela
aderiu a um conjunto de regras morais
que os crentes acreditam que deve ser as
regras que precisam ser obedecidas e que
Deus exige delas.
Mas isso é um reducionismo muito grande.
Ainda hoje as pessoas pensam que
cristianismo trata-se simplesmente de um
punhado de regras morais restritivas com
algumas crenças e práticas ultrapassadas
e estranhas.
Até mesmo algumas poucas linhas dos
escritos de Paulo farão essas pessoas
perceberem claramente que não é esse o
caminho e que isso é completa insensatez
e reducionismo,
até mesmo uma perversão daquilo que foi
de fato estabelecido pelo ensino dos
apóstolos. E esse ensino de Paulo nos
coloca de volta na trilha do verdadeiro
e necessário sentido e prática da
santidade do genuíno cristianismo.
Então, a gente tem aqui nesse capítulo 6
muito relevante, mas ao meu ver também
é pouco compreendida sobre por viver de
uma maneira ou de outra, como é que isso
está conectado com a vida que nós
receberemos em plenitude no futuro. Tá
bom?
bem mais do que eu queria do tempo, mas
vou tentar responder as perguntas que
foram colocadas aqui no chat por vocês.
Vamos ver aqui.
O embate do cristão contra o pecado é
uma luta eterna. Paulo fala isso. O
batismo nos purifica, mas falhamos no
caminho. Faz sentido o pecado ser uma
ferramenta de polimento?
Bom, Edu, eu acho que vale a pena a
gente perceber que o pecado não é uma
luta eterna. Talvez a expressão tenha
sido usada apenas como força de
expressão, mas a nossa esperança é que
chegará um momento em que nós não
lutaremos mais contra a realidade do
pecado. A outra coisa, como a gente
colocou também ainda na primeira parte
da nossa aula, é perceber que ainda que
nós ainda estejamos sujeitos ao pecado e
ainda que a gente sinta a tentação que o
pecado exerce sobre nós, nós não podemos
considerar que o pecado tem qualquer
poder de nos escravizar, da mesma forma
que ele tem de escravizar uma pessoa que
não está em Cristo Jesus. Essa
disposição de obedecer plenamente aquilo
que é a vontade de Deus é algo que o
próprio Espírito Santo coloca em nós. E
é muito difícil disso ver isso
acontecendo ao longo da vida, porque eu
acredito que existem muitos estágios de
amadurecimento
nesse caminho. É, e nem sempre a gente
pode olhar para um sujeito, a gente pode
olhar para dentro de nós mesmos e fazer
essa afirmação sobre nós mesmos, que nós
temos a vontade de cumprir plenamente a
vontade de Deus, o desejo e a inclinação
de cumprir plenamente a vontade de Deus.
Mas eu acredito que essa é a obra que o
Espírito Santo está realizando em nós. É
esse querer plenamente do Espírito a
partir do nosso próprio querer que está
acontecendo. E por isso a gente deve
perceber que a luta contra o pecado,
como acontece conosco após o nosso
encontro com Cristo, é completamente
diferente daquilo que é a relação que
uma pessoa tem com o pecado antes. Agora
entender que a partir desses erros e
falhas que nós cometemos ao longo do
caminho, Deus pode estar fazendo a obra
que ele planeja completar com a plena, a
anulação do poder do pecado e também da
sedução do pecado sobre o nosso coração.
Eu tenho certeza que sim. Eu lembro da
passagem ainda de Gênesis, no Antigo
Testamento, quando José afirma que os
seus irmãos planejaram o mal, mas o
Senhor transformou em bem. Então,
acredito que
apesar do pecado, Deus utiliza essas
condições de reconciliação
para construir algo que nunca poderia
ter sido eh o desejo do próprio pecado
sobre nós.
Sandra, ah, o que significa na prática
apresentar os membros do corpo como
instrumentos de justiça? Como a gente
colocou, Paulo não era Platão. Paulo ele
não tinha uma imagem descorporificada
a tanto da eternidade do céu como também
da espiritualidade da sua relação com
Deus. Então, aquilo que a gente faz com
o nosso corpo, com os membros do nosso
corpo, com os órgãos do nosso corpo, é
entendido como a um instrumento de
justiça ou um instrumento de iniquidade.
a gente coloca isso a serviço da
manifestação dessa nova criação, como
Paulo vai tratar tanto aqui como em
outros textos, ou a gente coloca isso a
serviço
da vontade do pecado e do mal no seu
propósito
incontornável de corromper todas as
coisas. Então, Sandra, apresentar os
membros do corpo é muito próximo ao que
Paulo vai tratar em Romanos, capítulo
12, que é o apresentar o nosso corpo
como um culto racional, é colocar o seu
corpo em função de uma vida de
santidade. E aí ele tá tratando aqui de
práticas e éticas que ele não vai nomear
ou ele não vai especificar, mas que
claramente estão em relação com o
capítulo 1 e 2 de Romanos. Então, dá uma
olhada na segunda parte do capítulo um e
também no capítulo dois, que você vai
perceber pelo antiexemplo o que é que
ele está colocando, o que é que ele está
se referindo como colocar, apresentar os
membros no nosso corpo como instrumento
de justiça.
O pecado só será extinto verdadeiramente
no corpo glorificado? Depende, Fernando,
do que você quer dizer como ser extinto.
Ser extinto significa eh deixar de
pecar. Sim, nós não temos qualquer
indicativo no Novo Testamento que
podemos alcançar o nível de santidade,
que nós não estamos mais sujeitos a
prática do pecado. Mas se você quer
dizer a
a condenação, a escravidão e o peso do
pecado sobre o nosso próprio corpo, o
poder do pecado sobre o nosso próprio
corpo, a afirmação de Paulo no capítulo
6 de Romanos é que isso já acontece no
tempo presente. Nós já desfrutamos de
uma relação que não existe qualquer
condenação, qualquer direito que o
pecado tenha sobre nós, que não tenha
sido crucificado com Jesus no momento do
seu sacrifício.
Eh, não existe ninguém absolutamente que
seja excluído de pecado. Certo. Certo.
Só Jesus o único sem pecado, é o único
sem pecado. E quando aceitamos ele, os
nossos pecados mudam de classificação.
Pergunta sincera, pois antes não se
sabia. Fernanda, eu não entendi muito
bem o que que significa os nossos
pecados mudam de classificação. A ideia
é que a condenação que nos era devida
por conta dos pecados que que cometemos,
lembre-se que o contexto de Romanos é de
um tribunal de justiça. Então, estão
sendo apresentadas acusações contra cada
um dos pecadores. O fato de que pecaram,
o fato de que partilham o pecado de
Adão, significa que eles estão
destituídos da glória de Deus. Eles já
não podem mais partilhar dessa plena
comunhão com Deus. Por isso eles devem
ser condenados
por conta daquilo que foi esse abandono
de toda a prática de justiça. A
injustiça deve ser punida pelo Deus que
se coloca como o juiz de todas as
nações.
A respeito disso, não existe uma mudança
de classificação, existe uma mudança de
veredito. É isso que nós acreditamos ser
o ato da justificação. O veredito do
julgamento que ainda não aconteceu, que
vai acontecer no futuro, foi antecipado
para o presente. Fernanda está
justificada, já não pesa contra ela
qualquer condenação, porque o Messias
foi vindicado. Ele morreu em nosso
favor. Ele foi apresentado como sendo de
fato quem ele dizia ser. E ele
conquistou para nós o perdão dos nossos
pecados. Então, o que existe é uma
anulação do poder do pecado, não
necessariamente uma mudança de
classificação.
Se é isso que você estava questionando
aqui.
Ah, Fred pergunta se os esboços ou qual
quais qual livro foi usado para essa
aula. Fred, a gente colocou várias
indicações na primeira aula eh para o
conteúdo de romanos e eu eh recomendo
também, além daqueles, uma série chamada
Paulo para Todos, do Nicholas Thomas
Wright, uma série que foi eh traduzida
pela Thomas Nelson, editora Thomas
Nelson Brasil, tá? Esse foi o material
que eu usei especificamente para essa
aula. para outras aulas, eu usei outros
materiais que estão lá na indicação de
bibliografia do curso. Se você voltar na
primeira aula, você vai encontrar
em uma cultura que idolatra a autonomia
total, como a ideia de ser um escravo de
Deus pode ser paradoxalmente a única
forma de sermos verdadeiramente livres.
Olha, depende para quem nós estamos
falando, com quem nós estamos falando.
Se nós estamos falando que para um uma
pessoa que é cristã, mas talvez como era
o caso dos interlocutores de Paulo, não
tenha compreendido a dimensão da sua
libertação, não tenha compreendido a
transformação de vida que já foi
concedida a elas, ou então eh se nós
estivermos falando com pessoas que
parecem não lembrar muito bem qual é a
natureza da decisão que foi tomada, eu
acredito que a gente precisa tratar
dessa essas situações de pecado e de
práticas recorrentes do pecado
a partir do ângulo que Paulo trata aqui
de demonstrar como o pecado é uma forma
de tirania e como o pecado é uma forma
de desumanização que está nos colocando
novamente para retornar à condição de
escravidão do Egito. É se submeter
novamente ao poder de um tirano que já
não tem mais nenhum direito sobre nós.
Uma coisa é nós termos essa conversa com
um público cristão e que declara a sua
fé no Messias Jesus. Agora, se a gente
está falando da discussão na arena
pública a respeito de práticas que nós
consideramos como um pecado e que por
consequência vão levar à morte, eu acho
que a perspectiva precisa ser um pouco
diferente, né? Eu também não estou
considerando simplesmente o ato do
evangelismo explícito, como deve
acontecer em muitos contextos, de falar
que essas coisas são pecado. Mas se a
gente está tentando justificar, porque
isso é uma forma mais apropriada de vida
do que aquilo, eu acredito que a as
consequências
de uma determinada forma de vida, se nós
acreditamos que a vida que Deus exige de
nós é a vida eterna, a conduta é uma
conduta santificada, isso significa que
o olhar cuidadoso para essas posturas
que a gente trata de dinheiro, de
sexualidade, de poder, de política, de
guerra, enfim, de várias outras coisas
analisadas de maneira honesta e rigorosa
necessariamente vão levar as conclusões
de que isso tem consequências muito
danosas para o indivíduo e paraa
sociedade. Então, tratar sobre essa
questão da autonomia
eh depende muito do contexto em que a
gente está eh se referindo, né?
>> [roncando]
>> Sempre iremos pecar antes de aceitarmos
Jesus? Sim, Fernanda, sempre iremos
pecar. E [roncando] mesmo depois que a
gente aceita Jesus, a gente precisa ser
muito honesto, que a gente continua
pecando. A questão é quais são as
consequências desse pecado, o poder que
esse pecado tem sobre nós e aquilo que
acontece além de sermos seduzidos e
continuarmos sendo seduzidos pelo pecado
depois do encontro com Jesus. Existe
algo externo a nós e que é declarado
sobre nós. Esse veredito de Jesus, esse
veredito de Deus, de que nós somos
justificados e por isso temos paz com
Deus.
Existe algo que acontece dentro de nós,
que é uma vontade que antes não
possuímos e passamos a possuir. Eh, e
existe aquilo que vai ser a nossa
condição final, mas a
necessidade de realizar pecado é algo
que a gente encontra em todo ser humano.
A a necessidade talvez não seja a
palavra mais precisa nesse contexto, mas
a o fato do pecado é algo incontornável
na prática de todo ser humano.
É como se o pecado perdesse a força
sobre nós humanos, porque fomos
justificados em Cristo Jesus.
Exatamente. Judit. Exatamente. Existe
uma renovação do pensamento. E Paulo
utiliza essa expressão. Existe uma
renovação do coração, da disposição, mas
uma nova forma de pensar, de entender
essas mesmas coisas que antes
praticávamos e que chamávamos essas
coisas de vida. Agora nós chamamos isso
de morte. E aquilo que antes nós
chamávamos de morte e de alguma forma de
eh de escravidão, agora nós passamos a
chamar de vida e liberdade em Jesus.
Existe uma libertação do pensamento, da
percepção, da compreensão e consciência
das coisas. E existe essa libertação do
coração também, né, de desejar coisas
que antes não desejávamos. Da mesma
forma, como eu acabei de colocar,
existem coisas que não acontecem apenas
dentro de nós, mas fora de nós, a partir
da declaração e da ação de Jesus. Tá
bom? Bom, pessoal, acredito, não foram
todas, mas a maioria das perguntas eu
respondi. A gente estourou o tempo muito
porque minha aula foi longa, mas a gente
vai encerrar por aqui essa parte de
perguntas e respostas e da aula toda
também. e agradecer você que tem
caminhado com a gente nessas últimas
cinco semanas, já foram 10 aulas. A
gente pede para você continuar porque a
gente tem muitas coisas importantes para
continuar no desenvolvimento da aula da
do nosso curso de Romanos. E o capítulo
7 e 8 são dois dos mais importantes que
a gente vai conversar aqui ao longo de
todos esses três meses. Então, semana
que vem não dá para perder. As próximas
aulas aí eh paraa gente concluir essa
etapa são muito importantes para a nossa
conversa e reflexão juntos. Boa semana a
todos, boa Páscoa. Que o Senhor abençoe
esse momento de celebração da libertação
definitiva que todos tivemos em Cristo e
a celebração da nova vida que nós temos
em Jesus. que o Senhor abençoe esse
momento de eh preparação, de oração, de
jejum para aqueles que vão ter esse
tempo de jejum e no domingo também esse
grande momento de festa e de gratidão a
Deus pela ressurreição. Forte abraço a
todos vocês e até o nosso próximo
encontro. Ciao. Ciao.

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