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A fé vem pelo ouvir

O Fracasso Santo – O Excesso de Deus | Josemar Bessa

O Fracasso Santo – O Excesso de Deus | Josemar Bessa

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Legendas automáticas:

O meu cálice transborda. Salmo 23:5 é um
dos meus versos favoritos em toda a
Bíblia. O que vemos em Davi quando ele
chega aqui? Meu cálice transborda. Não é
exagero, não é ornamento, não é figura
retórica, é rendição, é confissão, é
limite. O cálice é a alma, Deus é a
fonte. O transbordar é a prova de que a
alma não comporta o que recebe. Davi não
diz: "Meu cálice está cheio". Isso seria
pouco. Ele diz: "Transborda". Transborda
porque Deus dá além da borda, além da
medida, além da expectativa, além da
capacidade. O salmista vê a mesa, vê o
óleo, vê a presença, vê a bondade, vê a
misericórdia e percebe tudo isso é maior
do que ele. O transbordamento é o estilo
de Deus. Ele não dá pela metade, não
distribui com cálculo, não mede com
avareza, ele derrama. derrama até o
limite e quando o limite chega, ele
continua derramando.
O crente tenta conter, não consegue.
Tenta medir, não alcança. Tenta narrar,
não cabe. O transbordar revela a
generosidade divina e a pequenez humana.
Mas essa pequenez liberta, pois mostra
que a graça não depende da capacidade do
vaso, mas da abundância da fonte. A alma
então confessa, sou pequeno demais. para
o que recebo. Sou estreita demais. Para
o que me alcança sou o limite diante do
infinito que me visita.
E essa confissão não humilha, exalta,
porque coloca o crente em seu lugar, não
como medidor da graça, mas como
recepiente dela, não como avaliador da
plenitude, mas como beneficiário dela.
Meu cálice se transborda. É a o cântico
do incapaz amado,
do pequeno preenchido, do frágil
sustentado. É a alma admitindo que Deus
é maior do que seu entendimento, maior
do que sua memória, maior do que a sua
linguagem. Transborda porque o amor não
cabe. Transborda porque a misericórdia
insiste. Transborda porque Deus não se
limita ao tamanho do vaso. E o crente
descansa. Descansa porque entende que a
abundância não depende dele, mas daquele
que derrama.
Assim, meu cálice transborda. Não é
apenas gratidão, é rendição, é adoração,
é a declaração humilde de quem
descobriu: "A graça não cabe". E o
transbordamento é a prova de que Deus
está presente. A misericórdia de Deus
nunca chega medida, nunca chega contada,
nunca chega limitada.
Ela chega em acesso, chega em
abundância, chega em superabundância.
O cálice não enche até o topo, ele passa
do topo. Deus não dá o bastante, ele dá
mais do que o bastante. A alma pede
alívio, ele dá consolo. A alma pede
consolo, ele dá descanso. A alma pede
descanso, ele dá alegria. A alma pede
alegria, ele dá a si mesmo. Misericórdia
nunca se apresenta na medida da súplica.
Ela sempre ultrapassa. O crente pede
gotas, o pastor derrama rios. Pede luz
suficiente para o caminho, recebe luz
suficiente para o dia. Pede força
suficiente para o dia, recebe força
suficiente para a jornada. Pede pão
suficiente para hoje, recebe pão que
sobra para alimentar outros. A
misericórdia não conhece economia, não
opera com cálculos, não trabalha com
réguas, não distribui de forma contida,
ela transborda, ela extravaza, ela se
derrama. A graça não veio para preencher
o que falta, veio para exceder o que
existe. Veio para mostrar que Deus não é
apenas suficiente. Ele é mais que
suficiente. O cálice cheio revelaria um
Deus exato. O cálice transbordante
revela um Deus generoso e ilimitado.
A suficiência diria que Deus atende. A
superabundância diz que Deus se alegra
em atender.
A misericórdia excedente anuncia um Deus
que não apenas supre, mas celebra ao
suprir. Ele não apenas cobre a culpa,
ele reveste o culpado. Não apenas
perdoa, abraça. Não apenas liberta,
exalta. Não apenas restaura, coroa, tudo
que vem de Deus vem com excesso. Excesso
de bondade, excesso de cuidado, excesso
de paciência, excesso de fidelidade.
Mesmo quando a alma tenta restringir,
Deus insiste em ampliar.
Mesmo quando a alma tenta limitar, Deus
insiste em derramar. Mesmo quando a alma
tenta calcular, Deus insiste em
surpreender.
E assim aprendemos que a vida com Deus
não é marcada pela medida, mas pelo
milagre.
Não pelo suficiente, mas pelo excedente,
não pelo necessário, mas pelo mais do
que necessário. É por isso que a alma
pode dizer: "Meu cálice transborda."
Porque misericórdia nunca chega exata,
ela sempre chega abundante.
A herança que Deus concede não cabe na
alma, não cabe na memória, não cabe na
compreensão, não cabe no cálice humano.
A herança de Deus é maior do que o
herdeiro.
O crente recebe promessa que
ultrapassam, promessas que ultrapassam o
entendimento. Recebe paz que excede
conhecimento. Recebe amor que ultrapassa
o saber. Recebe alegria que desafia a
explicação. Alma tenta segurar tudo
isso, não consegue. Tenta abarcar, não
alcança. Tenta conter, não comporta.
A herança é maior, sempre maior. Deus
não dá parcelas pequenas de si mesmo.
Ele dá plenitude. A plenitude não cabe.
A alma é limitada, a herança é infinita.
A alma é pequena, a herança é eterna.
A alma é vaso, a herança é fonte. A vida
cristã é um constante receber além do
que se pode carregar. Recebemos mais
perdão do que erros cometidos, mais
graça do que fraquezas presentes, mais
misericórdia do que necessidades
confessadas, mais presença do que
solidão sentida. Recebemos Cristo e
receber Cristo é receber tudo. Ele é a
herança, ele é o bem, ele é a porção,
ele é o excesso. Nenhuma alma foi
construída para suportar um Deus inteiro
dentro dela, mas todas foram chamadas a
recebê-lo. Por isso, transbordam.
O transbordar não é falha do vaso, é
grandeza da fonte, é teologia da
abundância.
A herança divina não se acomoda, ela
extravaza, ela invade áreas que não
conhecíamos, ilumina espaços que nem
percebíamos, ela cura dores que não
confessávamos. Ela santifica regiões que
nem sabíamos existir. A alma descobre
que Deus não entra apenas para ocupar,
entra para preencher. Preencher para
além do formato, para além das bordas,
para além da capacidade.
Tudo o que recebemos em Cristo é sempre
maior do que nós. Maior do que nosso
entendimento, maior do que a nossa fé,
maior do que a nossa experiência. Somos
recipientes finitos, sendo continuamente
tocados pelo infinito. E sempre que o
infinito toca o finito, o finito
transborda.
Assim a alma aprende. A herança é maior
que o herdeiro e o transbordar é a marca
dos filhos.
O amor de Deus não opera pela lógica
humana, não calcula retorno, não mede
esforço, não distribui conforme mérito.
O amor de Deus opera pela lógica do
excesso. Ele não pergunta quanto é
suficiente. Ele pergunta quanto posso
derramar. A lógica humana calcula o
mínimo necessário. A lógica divina
derrama o máximo possível. O amor humano
olha para o limite. O amor divino olha
paraa plenitude.
O amor humano pergunta: "Qual é a
medida? O amor divino responde: "Qual é
o transbordamento?"
Deus ama em excesso, perdoa em excesso,
restaura em excesso, sustenta em
excesso. Não porque o crente precisa de
tanto, mas porque Deus é tanto.
Alma pede cura, ele dá cura e consolo. A
alma pede consolo, ele dá consolo e
esperança. A alma pede esperança, ele dá
esperança e alegria. A alma pede alegria
e ele dá alegria e a si mesmo. O amor de
Deus sempre acrescenta um e mais. A
lógica do excesso está no modo como Deus
age, nunca o bastante, sempre o além. E
transbordar é a linguagem do amor
divino, é sua
assinatura, é seu estilo. Ele não apenas
tira o peso, ele levanta a alma. Não
apenas remove a culpa, reveste de
justiça.
Não apenas chama pelo nome, adota como
filho. Não apenas dá o necessário, dá o
melhor. O amor de Deus não conhece
escassez, não conhece contenção, não
conhece economia espiritual. Ele não dá
como quem divide, dá como quem possui
infinitamente.
E quem recebe esse amor descobre a
lógica do céu. Deus não ama para
preencher, ama para transbordar, não ama
para suprir a necessidade, ama para
revelar sua plenitude, não ama para
ajustar o vaso, ama para mostrar a
fonte.
A lógica do excesso é a maneira pela
qual Deus corrige nossa visão pequena.
mostra que pedimos pouco, desejamos
pouco, esperamos pouco. E ele então
derrama muito, derrama até que o coração
confesse. Não posso conter, não posso
medir, não posso narrar. O cálice
transborda porque o amor é maior,
transborda porque a graça é profunda,
transborda porque Deus não sabe amar de
outra forma senão em abundância.
O excesso não é desperdício, é glória. É
Deus sendo Deus. E a alma ao perceber
isso se inclina e adora. E diz com
reverência: "Este amor não cabe, por
isso transborda."
Davi não nasceu em conforto, nasceu em
esquecimento, nasceu no campo, nasceu
entre ovelhas, pedras, noites frias e
dias longos. Sua juventude não foi
bordada em seda, foi esculpida em
silêncio, em dureza, em anonimato. Ele
cuidava de ovelhas. E quem cuida de
ovelhas aprende cedo que a vida pede
força, pede vigília, pede coragem.
Aprende que o dia cansa e a noite testa.
Enquanto seus irmãos cresciam dentro de
uma casa, ele crescia diante do céu.
Enquanto outros eram vistos, ele era
invisível. Enquanto a família se reunia,
ele se ausentava.
Enquanto os aplausos eram dados a
outros, ele ouvia apenas o som do vento
batendo nas costas. Ali no lugar onde
ninguém olha, Deus olhou. O coração de
Davi foi moldado, não na corte, mas no
campo. Não no luxo, mas no chão. Não
entre elogios, mas entre animais. Sua
juventude foi dura e a dureza produziu
profundidade, produziu sensibilidade,
produziu dependência. O pastor esquecido
tornou-se o adorador lembrado.
As mãos que seguravam cordas e cajados
aprenderam a segurar arpas. Os olhos que
vigiavam lobos aprenderam a vigiar a
presença de Deus. Os pés que percorriam
vales áridos aprenderam a caminhar em
oração. A juventude difícil não os
amargou, o afinou, o esvaziou de
autossuficiência, o preparou para a
graça. A solidão se tornou sala de aula,
o silêncio se tornou um mestre, a dureza
se tornou um instrumento da providência.
E assim aprendemos. Um cálice
transbordante não nasce de
circunstâncias largas, mas de corações
quebrantados.
O transbordar não vem do que a vida
oferece, mas do que Deus derrama.
A juventude esquecida de Davi preparou
um espaço interno que nenhum aplauso
poderia criar. O coração vazio do menino
tornou-se o vaso ideal para receber o
Deus que enche. A vida dura pavimentou o
caminho para a abundância. E assim
entendemos, a graça não precisa de
juventudes fáceis,
precisa de almas abertas, precisa de
corações tocáveis, precisa de pessoas
que aprenderam cedo que só Deus pode
preencher o que a vida deixa vazio. Davi
nunca teve vida fácil, mas teve um Deus
presente. E isso basta e isso prepara e
isso sustenta. Por isso, um dia o menino
esquecido pôde dizer: "Meu cálice
transborda."
A corte de Saul não foi palácio para
Davi, foi cova, foi tempestade, foi
perseguição. Ali onde deveria encontrar
honra, ele encontrou hostilidade.
Ali onde ele deveria encontrar
segurança, ele encontrou lança. Ali onde
ele deveria encontrar oportunidade, ele
encontrou ameaça. A vida de Davi nunca
deslizou em tranquilidade. Ela sempre
foi empurrada para o limite. O rei o
odiava sem causa e todo o ódio sem causa
pesa. Pesa no peito, pesa na mente, pesa
no futuro. Davi aprendeu cedo que a
fidelidade não garante facilidades e que
a obediência não protege de injustiças.
Ungido por Deus, perseguido por homens.
Protegido pelo céu, caçado pela terra.
Essa é a tensão do servo de Deus. Davi
tocava a harpa acalmar um rei
perturbado, enquanto o rei perturbado
tentava perfurá-lo com uma lança. A
fidelidade de Davi era retribuída com
fúria. Sua lealdade era respondida com
inveja. Sua obediência era vista como
ameaça.
E assim aprendemos. Até os escolhidos
sofrem, até os ungidos choram, até os
amados de Deus atravessam desertos
dentro de palácios.
A corte não lhe deu favor, deu fuga. A
música não lhe trouxe paz, trouxe risco.
O chamado não lhe ofereceu caminho
suave, ofereceu perseguição constante.
Davi viveu como convidado, mas
sobrevivia como fugitivo. A alma dele
aprendeu a orar enquanto corria.
Aprendeu a confiar enquanto era traído.
Aprendeu a descansar enquanto era
cercado. Aprendeu a esperar enquanto era
atacado.
Cada noite em vigília lhe ensinava que
Deus era mais fiel que a segurança
humana. Cada lança desviada ali lembrava
que o destino não estava nas mãos de
Saul. Cada ameaça
lhe ensinava que a vida do justo é
sustentada por um Deus que não falha. A
perseguição não estrangulou a fé, a
purificou, a aprofundou, a fortaleceu.
Davi não teve vida fácil, mas teve um
Deus que nunca o deixou sozinho no
caminho difícil. E assim descobrimos o
cálice transbordante não nasce em tempos
calmos, mas em tempos intensos. A
perseguição não anulou a promessa, a
moldou, não destruiu o coração de Davi,
o tornou vasto, aberto, dependente,
capaz de transbordar, mesmo quando a
vida o espremia.
Se dependesse das circunstâncias, Davi
jamais poderia dizer: "Meu cálice
transborda". A vida dele nunca foi
cenário de abundância, sempre foi
terreno de provação.
Nada na trajetória natural de Davi
explicaria transbordamento. Seu passado
não explica, sua juventude não explica,
sua exensão não explica, sua perseguição
não explica, sua família não explica,
sua velice não explica. Se o car
dependesse do que a vida dá, o dele
estaria sempre vazio.
A lógica da biografia não sustenta a
lógica da esperança. O menino esquecido,
o servo ameaçado, o fugitivo
injustiçado, o rei cercado por guerras,
o pai quebrantado por tragédias. Como
alguém assim transborda? A pergunta é
simples e profunda e gloriosa. O
transbordamento não vem de
circunstâncias externas, vem de presença
interna. O cálice não transborda porque
a vida deu muito, transborda porque Deus
se deu. Davi não transbordou de
circunstâncias, transbordou de Deus. O
mundo mediu sua vida pelas perdas. Deus
preencheu sua vida com graça. A terra
registrou seus tropeços. O céu derramou
misericórdia. As circunstâncias
empurraram seu cálice para baixo. Deus o
encheu por cima.
O transbordar não ignora a dor, a
supera, não apaga o sofrimento, o
envolve, não remove a luta, o
transforma. O cálice transbordante não é
resposta ao conforto, mas testemunho da
graça. A vida foi dura, mas Deus foi
doce. A vida foi apertada, mas Deus foi
vasto. A vida foi instável, mas Deus foi
rocha. A vida foi cheia de vales, mas
Deus foi pastor. Davi não encontrou
razões naturais para cantar, encontrou
Deus e Deus basta. E quando Deus é
suficiente, a alma transborda. Apesar do
mundo. O cálice transborda em cavernas,
transborda em desertos, transborda em
fugas, transborda em noites longas,
transborda em lágrimas, transborda em
guerras.
O transbordamento não depende do
cenário, depende da fonte. E a fonte
nunca seta.
Davi não pôde explicar seu
transbordamento pela vida que teve.
Explicou pelo Deus que o sustentou.
A impossibilidade humana abriu espaço
para a possibilidade divina. E assim
aprendemos. Quando a vida é
insuficiente, a graça é abundante.
Quando o mundo restringe, Deus derrama.
Quando tudo falha, ele transborda. E a
alma, mesmo ferida, mesmo provada, mesmo
cansada, pode dizer com verdade
profunda: "Meu cálice transborda."
Eh, a vida pública de Davi
não foi palco de apusos, foi terreno de
batalha, terreno de poeira, terreno de
sangue.
sua ascensão não colocou em jardins,
colocou em desertos. Antes que o povo o
visse como rei, ele viu a si mesmo como
sobrevivente.
Antes de emphar a coroa, empunhou
espadas. Antes de governar na paz,
marchou na guerra. A vida pública lhe
trouxe visibilidade, mas não lhe trouxe
descanso. A honra veio misturada com
peso. A fama veio acompanhada de risco.
O conhecimento veio cercado de ameaça.
Ele venceu gigantes, mas também venceu
noites longas. Venceu batalhas, mas
também venceu medo. Venceu exércitos,
mas também venceu a si mesmo. Cada passo
político era um passo eh eh militar.
Cada vitória era uma ferida. Cada música
cantada pelo povo era uma resposta a um
sofrimento escondido.
A vida pública o expôs a perigos. A vida
militar o expôs a morte. Ele conhecia a
poeira, conheceu o aço, conheceu o
choro, conheceu
exaustão. Ele cuidou de um povo inteiro,
mas muitas vezes sem cuidar de si. Ele
liderou multidões, mas muitas vezes
carregou um coração partido.
O deserto moldou sua fé. As cavernas
moldaram sua coragem, as guerras
moldaram sua dependência. Nada era
simples, nada era suave, nada era
tranquilo. Davi viveu cercado de
responsabilidades
maiores do que suas forças e forças
menores do que suas responsabilidades.
Ele aprendeu que liderança custa, que
guerra fere, que exército cansa, que o
coração do guerreiro nem sempre é
coração de rei. Mas foi nesse lugar duro
que Deus se mostrou doce.
Enquanto a vida lançava espadas, Deus
lançava promessas. Enquanto os inimigos
o cercavam, Deus o cercava de
misericórdia. Enquanto a guerra rugia,
Deus sussurrava paz.
A dureza da vida pública não apagou sua
fé, a intensificou. A dureza da vida
militar não secou sua alma, a
aprofundou. E assim aprendemos. A vida
não precisa ser fácil para que o cálice
seja cheio. A guerra não impede o
transbordar. O o deserto não limita o
derramar, porque o cálice não recebe da
terra, recebe do alto. E o Deus que
sustenta soldados é o mesmo que sustenta
santos. Davi viveu no campo de batalha,
mas seu cálice recebeu da eternidade.
O trono não foi macio, foi tenso, foi
apertado, foi espinhoso. A coroa não
trouxe descanso, trouxe peso. O cetro
não trouxe estabilidade, trouxe guerra.
Serrei não suavizou sua história, a
intensificou.
O povo via a glória, Davi via
responsabilidade. O povo via a honra,
Davi via fardo. O povo via triunfo, Davi
via vigilância.
Governo não é palco de facilidades, é
campo de pressões. Ele lidou com
traições internas, com revoltas
externas, com nações hostis, com
conselheiros duvidosos, com famílias
feridas, com pecados pessoais que
ecoavam no reino inteiro. O trono não
lhe deu segurança, o expois, não lhe
instalou em paz, o colocou na batalha,
não lhe trouxe estabilidade emocional, o
jogou em dores profundas.
O trono era alto, mas o coração muitas
vezes afundava. Mas ele descobriu que
autoridade não salva, que poder não
consola, que posição não sustenta. Ali
aprendeu que realeza sem Deus é
desespero, que governo sem independência
é ruína, que soberania humana é poeira
diante da soberania divina. O trono foi
lugar de tempestades, de decisões
impossíveis, de noites intermináveis, de
lágrimas.
escondidas. Foi ali que Davi viu que
nenhum reinado humano produz cálice
transbordante. A política não enche, o
poder não preenche, o prestígio não
sustenta. A alma não bebe de coroas, a
alma bebe de Deus. O trono ensinou que a
glória visível não se compara à graça
invisível, que o aplauso do povo não se
compara ao sorriso de Deus, que a
estabilidade do reino externo não se
compara à paz do reino interno. A
realeza não tornou Davi pleno, a graça o
tornou pleno. A coroa não fez seu
coração transbordar. A bondade do pastor
fez. Assim entendemos, o trono não é
fonte. O trono é provação. A graça é a
fonte. Deus é a fonte. E só quem se
curva diante do rei eterno, pode
carregar a coroa terrena sem perder
coração. O trono foi espinhoso, mas a
graça o sustentou e por isso mesmo,
sobre espinhos o cálice pôde
transbordar.
Nada na vida de Davi sustentaria um
cálice transbordante. Nada. Não na sua
juventude dura, não sua vida militar,
não sua vida política, não sua vida
familiar, não sua vida emocional. A
biografia de Davi é marcada por cortes,
cicatrizes, quedas, feridas, guerras,
lágrimas. Se o transbordamento
dependesse da Terra, ele jamais teria
transbordado. Sua história humana não
explica sua alegria divina. Seus
cenários não explicam sua esperança. Sua
trajetória não explica sua fé. Seu
sofrimento não explica seu cântico. A
única explicação é graça. Graça
abundante, graça invasiva, graça
sustentadora, graça que não depende do
momento, do mérito, do ambiente, do
passado, do presente. Graça que vem de
Deus e não das circunstâncias.
A graça é o fundamento do transbordar,
porque
a graça é o fundamento da vida
espiritual.
A graça enche o que está vazio. A graça
ergue o que está caído. A graça cura o
que está ferido. A graça renova o que
está cansado. A graça ilumina o que está
escuro.
A graça acompanha o que está fugindo. A
graça age no campo, na caverna, na
estrada, no exílio, no palácio, no leito
de dor, no vale da sombra. A graça
transborda porque é maior do que tudo.
Davi aprendeu que a vida pode sangrar,
mas a graça cura. A vida pode apertar,
mas a graça expande. A vida pode
desmoronar, mas a graça reconstrói. A
vida pode matar a esperança, mas a graça
ressuscita a alma. A graça faz o
impossível. Faz um homem quebrado
cantar. Faz um fugitivo repousar. Faz um
rei angustiado confiar. Faz um pecador
levantar. Faz um cansado adorar. A graça
não nasce da terra, desce do céu, não
depende da história, molda a história,
não exige perfeição, encontra
imperfeitos,
não busca força, enche fracos. Por isso
o cálice transborda, porque a graça não
respeita limites humanos, não se
contenta em preencher, ela derrama, não
se satisfaz com o suficiente. Ela
insiste no excesso. A graça é o
fundamento. O transbordar é o resultado.
A graça é a causa, a alegria é o efeito.
A graça é o rio. O cálice é apenas um
vaso. E o vaso transborda porque o rio
nunca cessa, nunca diminui, nunca falha.
Assim Davi pôde dizer: "Não por
circunstâncias, não por vitórias, não
por facilidades, mas por graça. Meu
cálice transborda
ainda mais nesse cálice, mas nós veremos
isso outro dia. Fique na paz. Amém.
Cinco martelo, cinco vezes nunca e o
universo treine.
Nunca, nunca, nunca, nunca,
nunca.
O homem muda, o tempo gasta, os
sentimentos oscilam, mas Deus não.
O mesmo que falou no sinais, falou na
cruz
e ainda fala.
Ele não volta atrás, não se cansa, não
muda de humor. Fidelidade não é emoção,
é essência.
O amor que começou permanece.
Nunca te deixarei,
nem te abandonarei,
nem na luz, nem na sombra. Nem no rio,
nem na dor
nunca te deixarei.
Nenhum abismo é fundo demais. Nenhuma
noite é longa demais. Nenhum deserto é
seco demais. O nunca de Deus
atravessa o impossível.
O silêncio dele
é cheio de presença.
Ele é pai e um pai não abandona o filho.
Mesmo quando foge, mesmo quando nega,
pode corrigir,
mas não solta.
Pode calar,
mas não sai aí. E a ternura dele é mais
temosa que o pecado, mais antiga que a
culpa, mais firme que a dúvida,
a paz que desistem mais o Senhor não.
>> Nunca te deixarei,
>> nem te esquecerei.
Mesmo quando duvidas, eu fico. Mesmo
quando cais, eu desço.
Mesmo quando foges, eu vou atrás.
Cristo é marido da alma.
Não há divórcio no calvário. O amor tem
cravos, não cláusulas.
Tem feridas,
não condições,
tem eternidade
não prazo.
>> O corpo não vive sem a cabeça e se ele
te deixasse, deixaria a si mesmo
impossível.
O sangue que o sustenta
corre em ti.
Ele não abandona.
Porque é fiel.
Sua glória está em jogo. Sua honra
prende a promessa.
Ele termina o que começa.
O oleheiro não larga o vaso até que
brilhe.
Às vezes parece que se foi. O céu em
silêncio, a oração perdida, mas o
jardineiro trabalha no escuro, regando o
invisível, fazendo nascer o que não se
vê. Nunca te deixarei.
>> Nem no vale, nem na cova, nem no fogo.
Nunca te deixarei. Mesmo quando tudo
cai, eu fico de pé contigo. Deus é
Manuel, Deus conosco. Sua presença é o
próprio nome. Sua ausência é impossível.
Ele é onipresente
em amor.
Ele não te deixa no pecado,
te persegue com graça, não te abandona
no medo.
Te abraça em promessa, não te rejeita na
queda,
te levanta com feridas. A graça tem pés
e vem
atrás de ti. Na cruz ele selou nunca.
Não ficou nada pendente. O abandono foi
trocado por presença eterna. O pai se
calou com o filho para nunca mais se
calar contigo.
Nunca te deixarei.
Nem na morte, nem na vida, nem no ontem,
nem no amanhã.
Nunca te deixarei.
Eu sou contigo.
>> Deus já está onde ainda não chegaste.
Antes do medo, a presença. Antes da
queda, a mão. Antes do fim, o recomeço.
A
eternidade
é o eco do nunca, nem aqui, nem lá, nem
agora, nem depois. Nada te separa,
nada te apaga.
Надо

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