O papel da Lei – REV. LUCAS PREVIDE
01/04/2026
O papel da Lei – REV. LUCAS PREVIDE
Nesta exposição de Gálatas 3:15–29, somos lembrados de que a lei de Deus não invalida a promessa, mas confirma o caminho da salvação em Cristo Jesus.
Paulo responde ao erro dos judaizantes mostrando que a promessa foi feita primeiro a Abraão e ao seu descendente, que é Cristo. A lei, dada muitos anos depois, não anulou essa promessa. Seu papel nunca foi salvar, mas revelar o pecado, expor nossa incapacidade e nos conduzir ao Salvador.
A mensagem mostra que a lei funciona como um guardião: ela acusa, ensina, corrige e aponta para Cristo. Assim, a salvação não vem por obras, ritos ou méritos humanos, mas unicamente pela fé em Jesus Cristo. Todos os que creem nele são feitos filhos de Deus, descendência de Abraão e herdeiros da promessa.
Uma pregação poderosa sobre a relação entre lei e graça, a suficiência de Cristo, a justificação pela fé e a identidade do verdadeiro povo de Deus.
INFORMAÇÕES:
Pastor: LUCAS PREVIDE
Passagem: Gálatas 3:15–29
Série: A Justiça da Fé
#ipsantoamaro #presbiteriana
CAPÍTULOS:
0:00 — Introdução à série “A Justiça da Fé”
0:26 — Leitura de Gálatas 3:15–29
3:46 — O contexto da carta e o perigo dos judaizantes
6:43 — A lei não invalida as promessas de Deus
7:28 — A promessa feita a Abraão antes da lei
10:48 — A interpretação de Paulo: o descendente é Cristo
13:14 — A aliança de Deus não pode ser revogada
15:14 — Qual é, então, o papel da lei?
17:31 — Primeiro papel da lei: acusar o pecado
22:10 — Segundo papel da lei: conduzir à salvação
24:20 — Cristo é o mediador superior
26:36 — A lei não é contra a promessa
27:56 — A Escritura encerrou tudo debaixo do pecado
29:22 — A lei como guardião que conduz a Cristo
31:29 — Agora que a fé veio, já não estamos sob o guardião
32:38 — Amar a lei como expressão da salvação recebida
33:29 — Os verdadeiros descendentes de Abraão
34:26 — Batismo, revestimento de Cristo e identidade do povo de Deus
36:24 — A ilustração de “O Peregrino”
40:17 — Conclusão: a lei revela o pecado e aponta para Cristo
42:27 — Aplicação final para a vida cristã
43:05 — Oração final
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Sobre a música de abertura
Música: Louvai a Deus, soberano Senhor (Hinário Novo Cântico nº16). Título original em português: Louvor a Deus
Compositor: Stralsund Gesangbuch (1665), Joachim Neander (1680)
Ficha Técnica
Arranjos e produção musical: Samuel Cintra Santos
Gravação, mixagem e masterização: SCS Produções
Produção: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro
ISRC: BR-075-22-00001
Legendas automáticas:
Daremos continuidade nessa noite à nossa série de exposição na carta de Paulo aos Gálatas. Convido você a abrir a sua Bíblia na carta de Paulo aos Gálatas, nossa série intitulada A justiça da fé. Caminharemos nessa noite à exposição no capítulo 3 versos 15 a 29. Acompanhe comigo então a palavra do Senhor. Diz assim a palavra de Deus. Irmãos, falo em termos humanos, ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez ratificada, ninguém a revoga ou lhe acrescenta coisa alguma. Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz e aos descendentes como falando de muitos, porém como falando de um só e ao seu descendente, que é Cristo. E digo isto, uma aliança já anteriormente confirmada por Deus não pode ser revogada pela lei, que veio 430 anos depois, a ponto de anular a promessa. Porque se a herança provém da lei, já não decorre da promessa, mas foi pela promessa que Deus a concedeu gratuitamente a Abraão. Logo, para que é a lei? Ela foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos pela mão de um mediador. Ora, o mediador não é de um só, mas Deus é um só. Seria então a lei contrária às promessas de Deus? De modo nenhum. Porque se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, então a justiça seria de fato procedente de lei. Mas a Escritura encerrou tudo sobre o pecado para que mediante a fé em Jesus Cristo, a promessa fosse concedida aos que creem. Mas antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados para essa fé que no futuro haveria de ser revelada. De maneira que a lei se tornou nosso guardião para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados pela fé. Mas agora que veio a fé, já não permanecemos subordinados ao guardião, pois todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus. Porque todos vocês que foram batizados em Cristo, de Cristo se revestiram. Assim sendo, não pode haver judeu, nem grego, nem escravo, nem liberto, nem homem, nem mulher, porque todos vocês são um em Cristo Jesus. E se vocês são de Cristo, são também descendentes de Abraão e herdeiros, segundo a promessa. Até aqui a palavra de Deus. Vamos orar. Ó Senhor, obrigado, ó Deus, por nos revelar por meio da tua palavra quem o Senhor é e nos conduzir, Senhor, a entendermos quem somos. Confiamos que Teu Santo Espírito é poderoso para sondar o nosso coração e nos dar aquilo que precisamos. Somos gratos porque a obra de Jesus nos conquistou para isso, para aprendermos e vivermos a tua palavra. E pedimos que assim seja nessa noite em nome de Jesus. Amém. Como nós temos visto a carta de Paulo aos Gálatas tem uma forte conotação de um belo puxão de orelha. Eu já mencionei aqui que a carta de Paulo aos Gálatas é a única carta escrita por Paulo que não se inicia com nenhum tipo de elogio. Não há menção de Paulo elogiando os Gálatas. Isso porque havia um grande perigo rondando e adentrando esta igreja. Essa provavelmente foi também a primeira carta escrita por Paulo. Paulo, após de ter passado pelas igrejas da Galácia, retornando a Jerusalém, recebe notícias de que alguns judaisantes, e quando eu digo judaizantes, são judeus que se diziam convertidos ao cristianismo, chegam na cidade da Galácia e começam a pregar um evangelho diferente do pregado por Paulo. E basicamente essa pregação diferenciada apontava que não somente a pessoa de Cristo Jesus era suficiente para a salvação, mas que os ritos judaicos precisavam manter-se eficazes, mantidos ali naquele povo, principalmente o da circuncisão. Paulo então escreve de uma forma fervorosa e nós vimos na nossa última exposição que chega a chamar os Gálatas de insensatos, loucos. por estarem dando ouvidos a um evangelho que apresenta algo distinto à pessoa de Cristo como único e suficiente salvador. Há uma distorção ali evidente em relação à vida cristã e à suficiência de Cristo para a salvação. Paulo chama os irmãos de insensatos. E nós vimos na nossa última exposição a incoerência que é mergulhar em qualquer tipo de pensamento que não aponte para Cristo como único e suficiente salvador de nossa vida. Paulo então apela aos Gálatas para que eles se lembrem da experiência que eles tiveram em sua conversão. Paulo diz: "Não sejam insensatos. Lembrem-se do que vocês experimentaram, não somente do que vocês aprenderam de mim, mas o que vocês experimentaram após crer no meu evangelho. Paulo continua então dizendo para que os Gálatas ah voltem para as Escrituras. Então menciona a promessa feita a Abraão e dizendo que Abraão foi justificado pela fé e não por obras da lei. Paulo ainda acrescenta que quem tentar se justificar pela lei se torna maldito ou absorve a sua maldição. Porque a Bíblia ou a palavra diz que ninguém pode cumprir a lei. Paulo então monta esse arcabousso e agora no final do capítulo 3 ele conclui ou ele resume com dois argumentos principais que nós iremos ver nesta noite. Como forma de concluir seu pensamento, Paulo vai demonstrar que não são obras, não é pela lei, não é pela força do braço. E que bom que não é por isso, que a suficiência da nossa salvação em Cristo Jesus nos traz uma nova perspectiva a respeito da lei dada por Deus. E o primeiro ponto desta noite que nós aprendemos com esta passagem é que a lei dada por Deus não invalida as promessas feitas por Deus. Nos versos de 15 a 18, Paulo irá discorrer a respeito disso. Paulo argumenta que a aliança de Deus com Abraão foi feita antes da condição de observância da lei. Sim, Deus apareceu a Abraão na terra de Ur e fez promessas a ele. Quando vamos para Gênesis 12, nós lemos: "Saia da tua terra, da sua parentela e da casa do seu pai, e vá para a terra que lhe mostrei. Farei, lhe mostrarei, farei de você uma grande nação e o abençoarei e o engrandecerei o seu nome. Deus aparece para Abraão de forma soberana na terra de Ur e fala para Abraão: "Sair de lá, porque de Abraão sairia uma grande descendência e o seu nome seria engrandecido." Depois disso, Abraão sai peregrinando Abraão, um homem velho, sua esposa estéril, sem filhos. Então Deus aparece novamente para Abraão e diz: "Olha, de ti eu farei uma grande descendência". E Abraão diz: "Ó Senhor, como?" E Deus fala: "Então, Abraão olha para os céus, veja as estrelas da sua descendência será muito maior do que isso." Abraão creu e isso foi lhe dado por justiça. Gênesis capítulo 15. Abraão creu no Senhor e isso foi lhe imputado por justiça. Mas o tempo passa. No capítulo 17 vemos que o filho nasce. Então Deus firma a sua aliança dizendo para Abraão: "Se circuncidar, circuncidar todos o da sua casa, pois este era o selo de sua aliança." E assim Deus ratifica, confirma a aliança que havia feito com Abraão. Passado-se 430 anos, a promessa parece que havia falhado, pois o povo estava escravizado no Egito. Não havia terra prometida. Mas Deus então levanta a Moisés, que tira os descendentes de Abraão da terra do Egito, e os leva ao monte Sinai, a caminho da terra prometida. E neste caminho, no Monte Sinai, Deus então dá os mandamentos ao povo, os 10 mandamentos ao povo de Israel, que configura a lei do Senhor. Mas vejam o período que se passou até que a lei fosse dada. Abraão já estava dentro da promessa. Abraão já estava desfrutando das bênçãos da promessa. Agora Deus ratifica dizendo que a sua lei faz parte desta aliança e deve ser observada. Mas essa aliança não está atrelada à genealogia ou a descendência biológica de Abraão. O povo de Israel, representando o povo de Deus, não tem para si propriamente dito o poder de dizer que está restrita a ele esta promessa. Sim, a lei foi dada, mas Abraão já estava justificado diante do Senhor porque havia crido. Então o apóstolo Paulo aqui vai fazer um exercício de interpretação, que é uma das coisas mais belas que nós temos, os autores do Novo Testamento lendo o Antigo Testamento, interpretando ele à luz da plenitude da revelação, Cristo Jesus. Paulo está fazendo a sua exegese no no melhor manual de exegese possível, a plenitude da revelação. Cristo Jesus. Sim, o apóstolo Paulo faz um exercício de interpretação à luz da plenitude de Cristo. Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Paulo deixa muito claro aqui. Não diz descendentes, mas apenas uma pessoa, a qual Paulo deixa muito claro ser Cristo Jesus. No verso 16 ele diz: "Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente, não diz e aos descendentes como falando de muitos, porém falando de um só e ao seu descendente que é Cristo." Com isso, Paulo afirma ou aos judeus que se vangloriavam de serem descendentes de Abraão e por isso portadores da promessa, Abraão está dizendo: "Olha, vamos ler bem o que está escrito. A promessa de Deus foi para que do seu descendente nações fossem abençoadas e não dos seus descendentes." Isso já levanta ou clareia o que Paulo está fazendo aqui. Lembrem do contexto. Paulo está defendendo o verdadeiro evangelho contra judaisantes que estão apresentando outras coisas que não a pessoa de Cristo como único e suficiente salvador. Então, para esses judaisantes, ele diz: "Olha, se vocês acham que vocês são portadores de alguma herança simplesmente por serem descendentes de Abraão, eu quero lhe lembrar que a promessa foi feita ao descendente e ao descendente de Abraão, muitas nações seriam abençoadas". O texto está se referindo a uma pessoa que é Cristo. Uma vez que a aliança foi estabelecida, ninguém a altera. Paulo começa dizendo, olha, estou falando aqui em termos humanos. Ele está trazendo um exemplo comum e muito comum para o seu tempo, que era como as alianças eram firmadas. Uma vez feita a aliança, ela não era quebrada, ela não poderia ser rompida, pois era um pacto. Não poderia ser desfeita, ninguém muda. Então ele transporta esse conceito humano dizendo: "Olha, Deus fez esta aliança com Abraão e seu descendente. Deus prometeu graciosamente e nada vai mudar. A lei, portanto, não invalida a promessa, até porque a lei veio muito depois da promessa. E Abraão creu e foi justificado. Portanto, quando Deus nos dá os seus mandamentos, e aqui quando eu digo leis, são preceitos, mandamentos. Quando Deus nos dá os seus mandamentos, esses mandamentos não configuram o poder para a salvação. O simples ato de cumprir ritos, de cumprir ordenanças, de fazer que o cheque, trazendo para os nossos dias de hoje estar na igreja, fazer parte de uma comunidade evangélica, parecer crente, se vestir como crente, falar como crente. A lei é muito mais profunda do que isso. Então Paulo começa a sua conclusão neste capítulo, fazendo as considerações a respeito da lei. Nós vimos na última exposição que a lei não é o que salva. E Paulo aqui então está pegando esse gancho. A lei não invalida a promessa. Então fica a pergunta, a grande pergunta que Paulo ah já prevê que seria feita. Afinal de contas, qual é o papel da lei? Qual é o papel da lei? Se não é salvar, se não é conduzir ou dar ou conquistar a salvação, afinal de contas, qual é o papel da lei? Qual o propósito de Deus dar os mandamentos a Moisés ou instituir a sua lei no monte Sinai para o seu povo, no alto daquele monte, e trazer todas as bênçãos para aqueles que a cumprirem? E são dois pontos que eu gostaria que nós pensássemos nessa noite. Ele está muito atrelado ao podemos exemplificar, talvez os jovens não vão entender, eu vou tentar explicar. Havia um tempo remoto em que não havia Waze, em que não havia GPS. nos primórdios, quando os carros ainda ah tinham no seu porta-luvas uma Bíblia desse tamanho, com páginas e páginas de mapas. E se você queria saber onde era uma rua, você tinha que abrir aquele aquele livro e olhar ou senão perguntar. Aqui é o meu caso. Homens têm dificuldades em pedir informação. Se você é homem, já viajou com a sua esposa ou homens normalmente não querem parar para pedir informação, né? Eu vejo algumas mulheres cutucando o marido ó lá, viu? Receba. Essa é a palavra para você. Mas a grande questão é, eu particularmente também tenho essa dificuldade, mas quando você tá perdido ou não sabe aonde chegar ou caminho para levar e você se propõe a pedir informação para um desconhecido na rua, querendo ou não, dois princípios habitam dentro de você. O primeiro é a certeza de que você está perdido, a certeza de que você não sabe, a certeza de que você não vai conseguir. E a segunda é a certeza ou a convicção de que aquela pessoa a quem você vai perguntar vai saber te conduzir ao lugar. É isso que move você a parar e abrir o vidro e perguntar a certeza de que você está errado e a convicção de que outra pessoa lhe dirá qual é o caminho. E este é o papel da lei. O primeiro papel da lei é cumprir o papel de acusar-nos do nosso pecado. Do verso 19 a 22, Paulo vai nos demonstrar isso. Qual é o papel da lei? O papel da lei é apontar ou a lei acrescentada à aliança por causa das nossas transgressões até que viesse o descendente a quem se fez a promessa. Dessa forma, Deus nos deu os seus mandamentos para que os nossos pecados fossem caracterizados como transgressão. Pois se não há mandamento, não há pecado. Vejam o que é o pecado. Como você responderia para alguém que lhe perguntasse, afinal de contas, o que é o pecado? O pecado nada mais é do que a transgressão dos mandamentos do Senhor. Pecado é isso. Pecado é quando transgredimos a lei do Senhor. Ponto. Pecado é quando a lei do Senhor nos diz o que é errado e o que é certo, e nós não fazemos o que é certo, mas o que é errado. Como lido na nossa liturgia, o pecado tem como o papel apontar-nos a nossa condição de pecadores. A lei nos foi dada para deixar claro porque é que a salvação teria que ser mediante a outro, porque não há um sequer que não tenha pecado. A lei vem caracterizar o pecado de maneira que Deus agora pode dizer: "Você é um pecador". A lei nos foi dada para mostrar que não podemos cumpri-la. Pois sim, os mandamentos nos foram dados e nos lembram que se tropeçamos em um só, nos fazemos pecadores como um todo. Este é o papel da lei. Nossos pecados diante de Deus são, portanto, caracterizados pela lei que nos chama a consciência de que nós somos condenados, que a nossa condição é de plena e eterna condenação por conta dos nossos pecados. Eu não sei se você tem o convívio com crianças pequenas, eu ainda estou nessa fase e é tão evidente o pecado na vida dos pequeninos. Ele borbulha, ele ferve apresentando a todos. Bonitinhos, arrumadinhos, cheirosinhos, mas pecadores por natureza. Ira, inveja, mentira. Eu costumo dizer que a única diferença das crianças para nós adultos é que elas ainda não aprenderam a camuflar os seus pecados. Está evidente à vista de todos. E o que Paulo está dizendo é: "A lei serve para isso, para mostrar a nossa total condição, a nossa total depravação, o nosso total distanciamento daquele que deu as a lei." Portanto, a lei serve para caracterizar a nossa consciência ou apontar para a nossa consciência de que somos condenados e não podemos obter nada diante de Deus. Não há nada em nós que nos faça aprasíveis aos olhos do Senhor. Por conta do pecado original e a queda da raça humana, nos tornamos cegos à nossa própria realidade. Você pode estar ouvindo isso agora e concordando com tudo que eu estou falando, que está nas escrituras, mas a grande verdade é que no nosso dia a dia, na vida comum, isso tende a se perder. Isso tende a ficar em um local onde não retorna a nossa mente, a nossa consciência de que somos falhos, somos fracos, somos suscetíveis a tentações. O apóstolo Paulo disse muito bem isso: "O bem que eu quero, esse eu não faço, mas o mal que eu não quero, esse está constantemente, dia após dia diante de mim. Miserável homem que eu sou, quem me livrará?" Se Paulo parasse aí, estávamos todos perdidos. Mas ele traz a solução. E a solução que eu gostaria de trazer aqui é a que Paulo traz. Se o primeiro ponto é que o papel da lei é apontar ao pecado, é nos acusar do pecado, o segundo ponto e papel da lei é nos ensinar o caminho da salvação. Sim, não somente acusar-nos do pecado, mas nos ensinar o caminho da salvação. O verso 20 do capítulo 3 nos mostra que a lei foi acrescentada por causa dos nossos pecados. até que viesse o descendente a quem fez a promessa. A lei nos foi dada até que o descendente viesse. Ora, o mediador, um mediador, ou seja, este papel de acusação da lei tem um tempo determinado de execução. A lei cumpre o seu papel de acusar-nos do pecado até que venha o descendente que receberá a promessa ou a promessa dada ao descendente. A palavra de Deus, Paulo diz, promulgada por anjos no verso 20. E veja só que interessante quando ele diz logo para que a lei ela foi acrescentada por causa das transgressões. Nós já vimos isso. Até que viesse o descendente a quem fez a promessa. Nós começamos ver isso agora. A lei tem o seu papel de acusar o nosso pecado limitada até determinado momento. E foi promulgada por anjos, por meio de anjos, pela mão de um mediador. Ora, o mediador não é de um só, mas Deus é um só. Será que Paulo estava querendo dizer com essa a elucidação a respeito de dada por mão de anjos? Quando nós voltamos para o livro do Êxodo e vemos a narrativa de Deus dando a lei ao seu povo, em momento algum diz a respeito de anjos. Mas durante o período intertestamentário, ou seja, entre o Antigo e o Novo Testamento, muito da tradição judaica foi passada oralmente. E havia uma crença comum, muito comum, de que no alto do monte Sinai, anjos deram as tábuas da lei a Moisés. Isso de alguma forma poderia ainda glorificar mais ou dar motivos de orgulho para os judeus. Mas quando nós vamos para Hebreus no capítulo 2, ele trata essa questão também de anjos, da lei sendo dada por anjos. Mas em Hebreus ele diminui isso dizendo que olha, mesmo que a leia tenha sido dada por anjos, o evangelho de Cristo Jesus é superior a tudo isso. E aqui é o contraste que Paulo diz mediador. Aqui ele está citando Moisés de que alguma forma houve um mediador entre Deus e os homens para que a sua lei fosse dada. Mas Cristo, sendo um só com Deus, ele é a lei. Ele é o cumprimento da lei. Se no Antigo Testamento Deus usou Moisés para ser o mediador, no evangelho ou na pessoa de Cristo Jesus não há mais intermediário. Ele é o mediador sendo Deus. Ele é o mediador, garantindo o cumprimento da promessa e da salvação. Por isso que a teologia reformada não aceita nenhum tipo de mediação. Homem, mulher, mãe, pai. Não há mediador entre Deus e o homem, pois Cristo, Deus encarnado, é o único e suficiente mediador. Portanto, o papel da lei, se primeiramente é nos acusar do pecado, o segundo papel é nos conduzir à salvação. Paulo não está defendendo que o evangelho é superior à lei, não. O que ele está afirmando é que a lei foi dada por meio de anjos ou entregues pela mão de um mediador e isto agora não é mais necessário. No alto do Monte Sinai, Deus deu a lei. A lei que desde o início mostrava que seria inferior porque veio pelas mãos de homens. Mas o evangelho não é assim, porque Deus é um só. Portanto, a lei não é contrária às promessas. Não há luta, não há guerra entre lei e promessa. A lei não é contra a promessa, porque ela, o objetivo da lei nunca foi salvar. O objetivo dos mandamentos dado por Deus nunca foi salvar, mas conduzir ou ensinar o caminho da salvação. O seu papel é preparar o nosso coração. O seu papel é mostrar a realidade do nosso pecado. O seu papel é mostrar a nossa incapacidade de conseguirmos acesso ao Pai. Mas ao mesmo tempo o seu papel é nos mostrar que há um caminho de salvação. Essa é a forma correta de pregar o evangelho. E eu não estou falando aqui de evangelismo explosivo, de cinco pontos paraa evangelização, não. Estou falando da essência do evangelho, que a lei do Senhor acusa os nossos pecados, acusa a nossa incapacidade, mas ao mesmo tempo nos pega pela mão e diz: "Vem cá, há algo, há algo para você em Cristo Jesus, o seu único e suficiente Salvador." A escritura ou a lei encerrou tudo sobre o pecado. Paulo diz no verso 22, mas a escritura encerrou tudo sobre o pecado, ou seja, a lei dada por Deus calou qualquer argumento humano de meritocracia para a salvação. Ela cumpriu o seu papel. A escritura encerrou tudo sobre o pecado. O mundo inteiro está debaixo do pecado. Efésios 2 nos lembra a respeito disso. Mortos em nossos delitos e pecados. Pronto, esta é a realidade. E este é o motivo de indignação de Paulo nesta carta em dizer aos irmãos Gálatas: "Vocês não ouviram o evangelho? Vocês não ouviram a minha pregação? Vocês não entenderam quando eu falei sobre a lei e que nós somos justificados mediante a fé em Cristo Jesus? Agora vocês estão procurando migalhas, vocês estão se pegando a lixo e transgridem a lei ou o papel da lei, trazendo ela para um local ou para um um patamar que não é o dela. Sim, a lei tem o seu uso de acusar e apontar a salvação. Então Paulo continua no verso 23 dizendo que a salvação vem pela fé. em Cristo Jesus. Mas antes dessa fé, o papel era da lei, de nos conduzir. Aqui ele vai dizer que a lei serviu como guardião para nos conduzir a Cristo, como aquele que guarda alguém que espera. A palavra guardião pode não ser a melhor para interpretar aqui. A palavra aqui é pedagogo. E nós sabemos que o pedagogo, trazendo pro contexto atual, é aquele que ensina crianças, adolescentes, instrui, ou seja, não só guarda a criança, né? Nós dizemos, o professor ele não fica só cuidando para as crianças não se matem, eles também ensinam. Sim, o principal papel do professor é esse, é ensinar e não a proteger as crianças de se matarem dentro de uma sala de aula. Ensinar. E Paulo então coloca esse adjetivo à lei. Ela é o guardião, ela ensina, ela é como um pedagogo que não apenas protege, mas que ensina o caminho e aponta para Cristo. A lei mostra que eu sou um pecador. Sim. A lei me ensina que todos aqueles rituais do Antigo Testamento prefiguravam a morte de Cristo. E aqui nós precisamos voltar um pouco para o contexto para aplicar no nosso contexto. Paulo está escrevendo a pessoas que estão deturpando o evangelho, dizendo que há há algo além de Cristo. E essas pessoas eram judeus da cultura judaica, que tinham o Antigo Testamento como a sua regra, mas que distorciam isso e que não aceitavam ter que abrir mão disso. A carta aos Hebreus é isso. Se você for ler a carta aos Hebreus, ela é isso, um manifesto dizendo: "Olha, tudo aquilo que o Antigo Testamento nos apresentou préfigurava, apontava para Cristo. O templo, o sacrifício, as ordenanças, tudo isso tinha o seu valor enquanto apontava para Cristo." Mas agora no verso 25 ele diz: "Mas agora que a fé veio, ou seja, agora que a fé em Cristo nos foi dada, mas agora que a veio a fé, já não permanecemos subordinados ao guardião." A lei cumpriu o seu propósito de acusar-nos do pecado, de nos conduzirmos, de nos conduzir para Cristo. E agora, pela fé naquilo que a lei ensinou, nós temos comunhão com Deus. Pela fé naquilo que a lei apresentou, Cristo morto e ressurreto, temos comunhão com Deus. Isso quer dizer que agora que Cristo veio e nós cremos nele, já não permanecemos subordinados ao guardião. Não obedecemos a lei do Senhor para a salvação. Não obedecemos a lei do Senhor ou aquilo que Deus exige de nós simplesmente para conquistarmos a salvação. Pelo contrário, obedecemos e amamos seguir a lei do Senhor porque já recebemos a salvação. Uma vez salvo em Cristo Jesus, o que eu mais quero agora é andar na lei do Senhor dia e noite. Vejam a ordem correta que a lei nos foi dada. Por crer na obra de Cristo Jesus, por crer na suficiência da obra de Cristo Jesus. Ah, como eu amo a tua lei. Nela medito dia e noite. É mais rica do que o ouro que prata. Por meio dela eu me torno mais sábio do que os meus mestres. Por meio dela, eu me torno mais inteligente do que os doutos que estão ao meu lado. Este é o papel da lei, apresentar o pecado, nos conduzir a Cristo e agora nos servir de caminho, de pedagogo, para andarmos segundo a vontade de Deus. Sim, quando Paulo afirma essas realidades, então ele pode concluir dizendo: "Todos os que creem nisso são descendentes de Abraão". Voltemos para o contexto. Veja o choque. As igrejas da Galáia, igreja de gentios, estavam recebendo o título de descendentes de Abraão. Paulo escreveu isso para atacar aqueles judais antes, dizendo: "Vocês acham que vocês são descendência de Abraão? por conta da sua árvore genealógica. Não. Todos aqueles que creem em Cristo como seu único e suficiente Salvador são descendentes de Abarão. Aqueles que foram batizados, Paulo diz, vocês foram batizados e revestidos de Cristo. Vocês são descendentes e vocês são as nações que são abençoados por esta promessa. E aqui, quando Paulo utiliza o termo batizado, ele não está querendo dizer que o batismo salva. Mas neste período era a evidência da conversão. Você poderia substituir conversão por ser batizado. Aqueles que eram batizados eram batizados ao professar o nome de Cristo Jesus como seu único suficiente Salvador. Ao longo dos séculos e da história da igreja, nós vemos que o cristianismo, de certa forma, não na sua essência, mas pelo querer das pessoas, começa a ser flexibilizado. E por isso hoje, quando uma pessoa quer ser batizada e vem à nossa igreja, uma igreja séria, nós temos a preocupação de verificar se essa pessoa professor. Este é o cuidado que nós temos. para que ela entenda o que é fazer parte. Mas aqui no contexto de Paulo, na época de Paulo, uma coisa era igual a outra. E hoje o que nós temos aqui, o batismo, é exatamente isso, a exposição. Mas quando Paulo diz, olha, vocês foram batizados e se revestiram de Cristo Jesus, então vocês fazem parte do povo de Deus, merecedores da promessa. Diante de nós, somos salvos da mesma maneira. Quer judeus, quer gentios, quer homens, quer mulheres, pobre, rico. Isso pesava demais aos ouvidos dos judeus daquela época. Hoje, talvez nem tanto, por se distanciarem até mesmo daquilo que tinham como lei. Mas nós que recebemos a graça em Cristo Jesus, podemos saber que o evangelho tem poder para salvar quem quer que seja. Este é o poder do evangelho por meio da lei, apresentando o pecado e nos conduzindo à salvação. Eu não sei se você conhece a obra chamada O Peregrino. Ela foi uma obra escrita em 1678 por John Bwin. Este foi uma um material utilizado para vocês terem só uma noção da importância dele para evangelização no Brasil. Quando Simon vem ao Brasil para evangelizar, um dos materiais utilizados, dentre tanto outros, além, claro, da pregação da palavra, era este livro, o peregrino. E eu gostaria de ler aqui para concluir uma passagem deste livro. Esse livro, o autor diz que tem um sonho e ele sonha com um personagem chamado cristão. E no seu sonho, cristão entra numa jornada como um peregrino em rumo à terra santa ou à terra divina e encontra neste caminho várias pessoas, personagens. E eu vou contar quando ele está na casa do intérprete. E esse assim se dá o texto. Cristão é conduzido por intérprete até uma sala muito grande que estava cheia de poeira, onde nunca havia sido varrida. Cristão, então, junto com a intérprete, estão dentro de uma sala muito grande, cheia de poeira e que nunca havia sido varrida. Após um tempo contemplando esta sala, intérprete chamou um homem para varrê-la e disse: "Por favor, varra a sala". Quando este homem começou a varrer, o pó era tão grande e tão denso que se levantou e quase deixou o cristão sufocado. Então o intérprete chamou uma moça que estava de prontidão e disse: "Traga água e borrife nessa sala". A moça, então, fazendo isso, logo borrifou toda a água pela sala. Então, a sala pôde ser varrida. A poeira sentou e ela pôde ser varrida prazerosamente. Cristão então pergunta para intérprete: "O que isso significa?" Inérprete respondeu: "Esta sala é o coração de um homem que nunca foi santificado pela doce graça do evangelho. O pó é seu pecado original e as corrupções interiores que contaminam todo o seu coração. Aquele que começou varrer a sala e levantar a poeira é a lei. Mas aquela que trouxe a água e aspergiu é o evangelho. Ora, logo que o primeiro ou a lei começou a varrer, a poeira se levantou em redor. A sala não pôde ser limpa por ele e você ficou sufocado. Isso lhe mostra que a lei, em vez de limpar do coração o pecado, reanima-o, fortalece-o, aumenta-o na alma, ao mesmo tempo que o revela e o proíbe, porque não consegue poder para reprimi-lo. Por outro lado, assim como você viu a moça borrifando água na sala com água, deste modo, a limpeza foi realizada com prazer. Isso lhe mostra que o evangelho, ao entrar no coração, exerce seus doce e preciosas influências. Então digo-lhe que assim como você viu a moça fazer o pó sentar-se borrifando o chão com água, assim também o pecado é vencido e subjulgado e a alma torna-se limpa pela fé descrita no Evangelho e consequentemente a sala fica limpa, pronta, em condições para o rei da glória habitar. Este é o papel da lei e o papel da graça do evangelho em Cristo Jesus. nos conduzir à salvação, mas apresentando o pecado, apresentando a nossa condição de pecadores. Portanto, concluindo, a lei que nos foi dada não tem por objetivo conceder a salvação, mas deixar claro a nossa condição de pecadores e condenados diante de Deus. Se você crê em Cristo, que ele é o descendente da promessa, que a salvação e a justificação não são por obras da lei, você também é um dos descendentes de Abraão. Sabe aquele homem que foi chamado na terra de Ur, dos caldeus, que creu e foi justificado? Ele representa a nossa fé. Se cremos em Cristo como nosso único e suficiente Salvador, não há dois povos, não há israelitas e gentios. Há o Israel espiritual, o verdadeiro Israel, constituído por todos aqueles que clamam Cristo como seu único e suficiente Salvador. Deus disse a Abraão que herdaria a terra prometida. Esta terra se encontra na eternidade para todos aqueles que creem em Cristo Jesus como seu único e suficiente Salvador. Como transportarmos isso para os nossos dias? Como nos colocarmos no lugar destes irmãos da igreja da Galáia? Respondendo a perguntas a respeito de como interpretamos ou como reconhecemos os mandamentos do Senhor, você compreende que os mandamentos do Senhor conduzem você a reconhecer os seus pecados e aquilo que você tem feito que desagrada ao Senhor, ao mesmo tempo que produz em você alegria e preenche o seu coração na certeza de sua salvação em Cristo Jesus. A lei não invalida a promessa, ela ratifica, ela confirma e ela nos apresenta o caminho pelo qual devemos percorrer. A justiça da fé nos conduz a isso, a reconhecer o papel da lei e a experimentá-lo dia após dia em nossa vida. Que o nosso dia comum, que a nossa vida diária seja reconhecendo o papel da lei e usufruindo deste papel em nossa vida. Certos de que fazemos parte da descendência que recebe a promessa em Cristo Jesus. Vamos orar. Ó Senhor, o nosso coração é duro, a nossa mente é cauterizada muitas vezes pelos pensamentos dos nossos dias. A nossa própria fé, Senhor, é muitas vezes abalada pelos pensamentos que cercam a nossa vida, pela imposição cultural, muitas vezes, Senhor, pelo nosso desejo de querermos estabelecermos o nosso relacionamento contigo da nossa forma, mas a tua palavra nos ensina que a tua lei, que é boa, perfeita e agradável sempre cumprirá o seu propósito e ela está diante de nós, Senhor, lembrando-nos da nossa condição sem Cristo e ao mesmo tempo nos apresentando a nossa nova realidade em Cristo. Que possamos, Senhor, lembrar e não ser insensatos como os nossos irmãos foram no passado e nos deixar levar, ó Deus, por subterfúgios, por desculpas, por justificativas. que nos distanciem de sermos o verdadeiro povo do Senhor. Que o nosso amor, que o nosso desejo é estarmos e sermos encontrados debaixo da tua lei, não para conquista da salvação, mas porque fomos conquistados para isso. Encha o nosso coração dessa verdade. Fortaleça a nossa coragem nesta esperança. É o que pedimos em nome de Cristo Jesus. Amém. Yeah.