Obra: O enfermeiro | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa
30/04/2026
Obra: O enfermeiro | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa
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เฮ [música] >> [música] [música] >> เ Olá, [música] estamos aqui de novo, mais uma mês, terminando o mês de abril e nós estamos aqui para nossa ler, nosso ler para crer. Essa semana, esse final de mês é uma história muito interessante, né? Sobre o enfermeiro, muito boa, né? Rina é lei Bell, dona Isabel, Maria Isabel da IBNIL, boa, bom dia, boa tarde, boa noite, né? Para você também que tá aí, os nossos leitores nos acompanhando aqui no Ler para Crer, que é o Clube do Livro da IBNU. A gente tá aqui em mais uma live, como a Bel disse, para falar hoje sobre o conto O enfermeiro de Machado de Assis, que tem várias publicações, tá? Eu tô me orientando hoje pela publicação da Itapuca, editora Itapuca, que é uma editora sediada em Niterói, como já tá em domínio público, né? Ele foi publicado pela primeira vez em 1896. Então você acha várias versões dele. É um conto pequenininho que tem apenas oito páginas, mas que trata de um tema permanente, perene, que é a ambiguidade do ser humano. a nossa ambivalência enquanto uma temática que inclusive é explorada em outras histórias que nós já vimos aqui, como crime castigo do Dostoyevsk, ah, médico e monstro também, né? Então, é, é um tema sempre presente, que nunca sai da pauta, porque inclusive tá na escritura, né? O próprio Paulo, mesmo depois de tantos anos de ministério, né? Primeira vez que ele vem falar dessa ambivalência humana, ele fala na carta aos Gálatas, que foi escrito ali por volta de 53, 55. E aí quatro ou 2 anos depois, dependendo da data três ou 55, né? Ali na carta aos Romanos, que é publicado mais ou menos em 57, ele vem retomar esse tema, né? Então, miserável hom que sou. O bem que eu quero eu não faço. O mal que eu não quero eu faço. Por que que é importante a gente considerar essa ambivalência, né, esses dois valores que a gente tem dentro da gente? Porque senão a gente cai no engodo de acreditar que a gente é só o que a gente sabe, quando na verdade nós somos também aquilo que nós ignoramos. Tanto quanto o que sabemos, somos o que ignoramos. Tanto quanto o que consideramos, somos também o que desprezamos. Então, é importante a gente sempre recuperar essas duas pontas e assim olhar para tudo que há no meio delas, a fim de que a gente não encorra aí ou encorra o mínimo possível, né, em autoilusões, autoengano e e consequentemente em decisões muito eh insalubres a partir disso, né? Então, o nosso conto, o enfermeiro, ele fala sobre isso. Ele diz o seguinte: é a história de Procópio, que é o enfermeiro, que na verdade gente é chamado de enfermeiro, mas hoje ele se enquadraria como um cuidador. Aquela época não se existia a figura do cuidador, né, como nós a temos hoje. Tanto que o farmacêutico também era chamada de Boticário. Então, a gente tá falando aí de mais de 100 anos, né? de de bem mais de de interregno entre a data do conto e a nossa. Eh, então o machado chama de enfermeiro porque a época era assim designado, mas na verdade Procópio era um um cuidador. Aliás, originalmente nem cuidador ele era. Procópio era um copista teológico. Ele copiava os textos teológicos de um amigo dele que era padre, com que ele havia estudado junto. E em troca do trabalho dele de copista, Procópio recebia ali é um o machado vai chamar de cama, mesa e comida, né? Pera aí. Aqui, ó. Casa, cama e mesa, né? Então, veja, Procópio é um homem de 42 anos. né? Cujo nome Procópio vem do grego procópto de progredir, né? Porque eh autores da envergadura de Machada não escolhem os nomes a esmo, porque, né, achou bonito. É curioso até porque apesar de não ser assim um devoto da escritura, aqui a cosmovisão dele se alinha, a visão de mundo dele se alinha muito com a escritura, né? O seu nome, ele tem que ter um porquê. Então assim, você vai ter um filho, ah, botou o nome de, sei lá, Mariana, né? Por quê? É porque eu achei bonita, achei sonoro. Tudo bem. Ou Adriana, né? A procura o significado de Adriana para você ver. Achei bonito, achei sonoro. OK, mas qual o significado, né, desse nome? Então o machado ele escolhe o Procópio de progredir para o enfermeiro. E o coronel de quem esse enfermeiro vai cuidar, ele chama de Felizberto, que vem do germânico, minha gente, ver do germânico que significa muito ilustre, famoso, germânico filo maisbert, que é brilhante ilustre, né? Você tem um coronel que é ilustre ali nas redondezas. Ah, a gente tá falando de uma história que acontece no interior do estado do Rio de Janeiro. E você tem um Procópio, que é um homem de 42 anos, que é o contrário do que anunciou o seu nome, não conseguiu progredir eh financeiramente na sua vida de acordo com a expectativa que ele tinha. Então ele tá lá fazendo seu trabalho de cupista em troca de ã cama, casa, cama e mesa, né? Até que um dia um vigário de uma vila lá do interior onde o o o coronel morava eh passa uma mensagem falando: "Olha, porventura, se você conhecer alguém que seja as características eh entendido, discreto e paciente, entendido?" a gente pode considerar que assim habilidoso, alguém que seja habilidoso, discrepe a paciente e que queira trabalhar como enfermeiro do coronel Felisberto mediante um bom ordenado, né? Então, Procópio, ele não vai procurar alguém diante dessa oportunidade. Ele mesmo ali prontamente se candidata, ele fala que ele agarrou a oportunidade com as duas mãos e ele parte. Agora aqui é importante a gente fazer uma pausa, né? Porque todo mundo eh eh que precisa progredir financeiramente, né? Porque lhe faltam ali condições básicas de se manter como a casa, a cama e a mesa, né? Ele não tem uma casa para morar, ele não tem uma cama para dormir e ele não tem condição nem de sustentar o seu próprio mercado. Então, todo mundo que que tá nesse contexto que eu te preocupo tem, tá ali aos 42, obviamente ele vai procurar condições melhores e vai se interessar por oportunidades como essas que se colocam diante dele. A questão é o quanto que a minha necessidade pode me cegar a respeito da minha real possibilidade, porque o requisito paraa vaga é alguém que seja habilitado no quê? No serviço de enfermeiro e que seja discreto e paciente também, né? Tocópio só considera que ela é discreta. O paciente nunca havia trabalhado de enfermeiro, mas queria mesmo era o dinheiro. Bora, vamos lá. Foi lá pra corte que nessa época a história se passa em 1860, a capital ficava no Rio de Janeiro, né? Se despediu lá de um irmão que ele tinha no Rio, foi pra vila. Quando chega lá na vila, onde o coronel Felisberto mora, ele recebe as piores recomendações possíveis. é um homem intratável. Ele eh mal maus amigos suportam, fazem visitas de 5 minutos muito rapidamente, sempre para aplaudir e concordar com tudo que o coronel falava, né? Eu me pergunto até se ele não fosse tão rico, porque ele era um coronel muito rico, aliás, não tem coronel pobre, né? eh se ele teria esses amigos, né, que fossem 5 minutos para ele lá aplaudir os absurdos que ele falava, né? E aí as pessoas quando chega na vila e fala: "Olha, ele é tão tratado que ele já eh quebrou a cara de dois enfermeiros, ninguém para com ele." Aí Procópio, muito seguro, né, da sua mansidão e desprezando completamente a sua fragilidade. Lembra que a escritura diz? Aquele que pensa que tá de pé, toma cuidado para não cair, né? É aquele que está de pé, aquele que acha que tá de pé, aquele acha, aquele que acha que é muito manso, aquele que acha que é muito paciente, toma cuidado para não cair. Procó, apesar de ter copiado tanto texto teológico, não introjetou, né, a partes importantes do texto, do texto. Aí ele chega lá, vai conhecer esse coronel que tinha quase 60 anos. pros padrões de hoje, veja como é um homem eh velho, né? não tinha nem 60, não pode nem ser considerado idoso pela pelo pelo padrão contemporano, mas aquela época você eh fazer 30 já era considerado aí velho. Então, para os padrões da época era um homem considerado já eh idoso. Só que esse coronel que tinha ali quase 60, Machado vai dizer que desde os cinco as pessoas faziam tudo que ele queria. Todo mundo lhe fazia as vontades, né? Então, como que é uma pessoa que desde os 5 anos de idade não recebe uma negativa, não ouve não, um aguarde, um espere, um pegue a fila? Que tipo de besta vai se formando, né? Porque o ser humano, ele passa por essa experiência de ter os seus desejos frustrados. a a boa formação de ser humano, né, de ter os seus desejos frustrados, de saber manejar a sua frustração. Ah, inclusive a gente sabe, né, que a raiva é uma emoção que desponta muito diante da frustração da de um desejo imediato. tem um desejo imediato, alguma coisa que eu quero fazer, alguém frustra esse meu desejo e a minha é reação é de raiva, é de irritação, né? Quantos exemplos a gente tem disso? Você acabou de sentar no sofá, aí o homem grita cadê cadê o pó de café, né? Aí você que achou que ia ter aqueles 5 minutos ali para descansar, ai né? tem seu desejo frustrado, dependendo da esposa que você é, você levanta, vai lá e mostra ou você ao menos grita, olha aí, então de qualquer maneira aquele seu segundo de deleite, momento de deleite, ele foi frustrado, né? Então, eh eh o coronel Felisberto é um homem que não foi lapidado nesse contexto e ele aprendeu a se divertir, inclusive com o apavor causava nos nas pessoas, nos empregados, para que elas satisfizessem as suas as suas vontades, seus desejos. ele foi desenvolvendo um sadismo, né? De maneira que agora quase aos 60 ele não era só um homem doente, né? Ele tinha reumatismo, aneurismo e mais outras quatro enfermidades que o o autor não identifica, né? Mas era um homem muito doente, considerado já moribundo. Os médicos lhe davam ali poucos dias de vida. Ele mesmo sabia que tinha um pouco tempo de vida, mas ele não era rabugento só em razão da doença. Ele era sádico, né? Ele gostava, ele tinha satisfação, satisfação em humilhar as pessoas, em apavorá-las para que elas corressem, para continuar realizando tudo que ele queria. Era um homem que manejava muito mal o poder, né? E aí a verdade é que eh procam durante a primeira semana ali, eh, tem uma lua de mel, sabe? Porque quando o Procópio se apresenta, o coronel de cara já lhe solta o insulto, o Procópio releva e o coronel vira e fala assim pro médico que parecia que era um enfermeiro mais simpático, né? Porque relegou. Então, durante s dias a coisa corria muito bem até que num oitavo dia, né? A partir do oitavo dia, ele passa a receber os insultos que o coronel destinava com a mesma gravidade e intensidade e constância a todos os outros enfermeiros. Então o o Procó disse que ele tinha uma vida de cão, ele não dormia, ele não pensava mais nada, a não ser recolher as injúrias e às vezes eh rir delas num ar de resignação, conformidade, porque ele foi entendendo que às vezes quando ele ah sorria, aceitava isso, cortava aquela injúria que jorrava, nem que fosse por um momento, né? E ele, Procampo, num movimento talvez de racionalização, né? Eh, ele acreditava todos os excessos do coronel Felisberto ao quê? As impertinências da moléstia e ao temperamento, né? Então, ah, coitada, não é porque ele tá doente. Ah, coitado, não é porque ele tem um temperamento difícil, né? Então, ele vai fazendo concessões que não devem ser feitas, né? E ele vai travestindo de virtude, que na verdade é uma covardia. Quantas vezes a gente não faz isso? Não, deixa para lá, não, eu relevei. Não, isso para mim nem liguei, né? Aí a pessoa fala que nem ligou. Um ano depois você tá tratando isso na terapia, né? Como que não ligou? O silêncio, que realmente é fruto de uma habilidade emocional, né, que é um silêncio voluntário e não condicionado a uma inabilidade emocional. Eu não soube o que dizer, eu não soube como dizer, né? Esse silêncio que é fruto de uma habilidade, não de uma inabilidade, ele não volta. Não volta. Agora, o silêncio, que é fruto de inabilidade, ele sempre retorna. O Procópio vai retornar também. Então, embora aqui no início ele faça ali as suas racionalizações, né? A racionalização é uma distorção cognitiva, onde eu vou dando explicações muito lógicas pro que tá acontecendo, a fim de me poupar do verdadeiro enfrentamento que eu preciso fazer para resolver aquela situação de abuso, de maltrato, né? Aquela situação que me incomoda. E aí é muito fácil você cair em racionalização. Por quê? Porque a racionalização é muito lógica, né? Ele tinha um temperamento ruim. Sim, ele tava doente. Sim, a racionalização ela não lida com mentiras, ela lida com verdade, com lógica. Por isso é muito fácil a gente cair nela e travestir essa fraqueza, essa covardia de fazer os enfrentamentos necessários, né? Eh, em virtude. Ah, então não é porque eu sou covarde, é porque eu sou muito mansa, sabe? relev generosa. Veja só como o Procópio não consegue perceber a ambiguidade que ele tinha dentro de si. Quando dá ali três meses com o coronel, ele decide que ele vai embora. Ele fala: "Não aguento mais, né? Eu vou embora." E o stopim dessa decisão foi quando ele não atendeu o coronel ali a contento, segundo o padrão do coronel. E o coronel vem, ele dá ali duas, três bengaladas nas costas, o Procópio sai na mesma hora. Quer dizer, então, eh, a da violência psicológica, o cronel vai se clonar paraa violência física, porque e esse é o trajeto da violência, né? Você tem a a violência psicológica, a violência física e você tem outros tipos de violência, mas assim, você vai escalonando até você culminar nessa nessa violência física. Tudo é violência, tudo deixa sua marca, tudo machuca, eh, e tudo é passível de punição, né? E a violência física é como se ela fosse a última o último portal dessa desse comportamento violento. Aí quando Procóped chega, ele vai arrumar a mala dele no quarto, coronel, né? Vê que ele que se cedeu. Poxa vida, eu vou perder esse enfermeiro. Os outros dois não ficaram. Esse aqui aguentou muito, né? levou três meses para me largar. Então ele vai lá e fala assim: "Olha, não liga não, né? Você vai perder esse trabalho por causa de uma rabugice de velho, né?" E aí o Procópio, ele pede, ele insiste muito pro Procópio ficar e o Procópio acaba reconsiderando. Eh, veja como são os relacionamentos abusivos, né? A dinâmica é sempre a mesma, né? Isso, ah, isso não vai mais acontecer e tal. foi porque eu não tava bem hoje, né? E aí o Procópio, considerando o seu ganho secundário, que era o quê? Sua excelente remuneração, porque toda pessoa que permanece num relacionamento abusivo ou violento, ela tem um ganho secundário. É difícil tratar isso com as pessoas, né? Eh, porque isso tem que ser levado a título de esclarecimento e não a título de acusação, de julgamento, mas sim, ah, então a mulher que apanha, ela fica por um ganho secundário. Sim, muitas vezes porque ela acredita que para ter, para o filho dela ter um pai, ela precisa suportar essa violência, né? Porque a gente não sabe qual a história dessa mulher, porque ela considera que esse filho, que é tão importante que esse filho tenha um pai dentro de casa, mesmo que seja um pai como esse, né? Eh, qual o histórico paterno dela? Então, assim, são tantas variáveis, gente, são tantas questões que não dá pra gente ser eh imprudente, né? E te falar apanha porque gosta jamais. passa muito longe disso. É que nós, na nossa incapacidade de falar, cara, eu não sei, eu não entendo como que alguém pode continuar ali, mesmo sofrendo tanta violência ou nós também não há fã de querer ajudar essa pessoa quando nós a conhecemos, né? E ali nos nos e a violência que ela sofre dói na gente. Aí já não passa só pelo não saber, mas também por querer ajudar e não conseguir. A gente acaba reduzindo tudo isso. Ah, porque gosta. Não, não é. O ser humano é muito complexo, né? Você veja o Procópio, então assim, tem sempre um ganho secundário. Qual é o ganho secundário de Procópi? É o um o salário excelente que ele tem. Ele acaba ficando nos meses que se seguem. Machado vai dizer que coibiu-se das bengalas. O coronel Felisberto coibiu-se das bengalas, já não batia, mas as injúrias ficaram as mesmas, senão piores, né? Porque ele vai fazer uma compensação. Já que eu não posso praticar a violência física, eu pratico o quê? A violência psíquica, violência verbal. Eu procó falando com o tempo, eu fui celejando e não dava mais por nada. Ele aceitava que ele era burro, camelo, pedaço de asma, idiota, moleirão, era tudo isso, né? Procópio foi se acostumando a ser maltratado, se familiarizando com desrespeito e humilhação. Tem uma coisa que é muito importante, eh, e que a gente, eh, desconsidera assim, o nosso cérebro, ele sempre vai procurar aquilo que lhe é familiar, tá? Por quê? Porque isso demanda menos energia. Processos familiares, dinâmicas familiares, lugares familiares, pessoas familiares, vão sempre estar ali, ó, no radar do nosso cérebro. Para quê? Para que ele economize energia. Porque quando a gente tá diante de uma nova situação, mentalmente falando, psiquicamente falando, é muito eh eh o nosso cérebro é muito exigido nisso. Então, o cérebro ele tá sempre em busca de economizar energia. Por quê? Porque ele tá administrando todo o nosso corpo e ainda tendo que lidar com imprevisto, sempre preparado para imprevistos, né? Então, Procópo foi se familiarizando com a com essa humilhação. E aí você vai o quê? vai, você vai se dessensibilizando, você vai naturalizando tudo aquilo que você é muito exposto, seja bom ou ruim, você vai perdendo a sensibilidade aqui. Por isso que as alternâncias da vida, né, por isso que inverno, primavera, verão, outono são tão importantes. Então, é por isso que você comprou lá aquele sofá maravilhoso, primeiro mês, você tá super feliz. Depois você se vai, vai se familiarizando de tal maneira que você já passa a querer inclusive algum outro sofá, alguma outra coisa, né? Então as relações nossas são assim, tudo que a gente é exposto de maneira muito continuada, eh, de maneira contínua, a gente acaba se familiarizando demais e se dessensibilizando. Por isso que é importante você resguardar muito o seu olhar, né? Se você fica vendo filme de terror, filme de terror, filme de terror, ali vídeos violentos, vídeos violentos, né? É, é lógico se você atua numa frente com a gente tem lá na Ibnu Jorgelina que atua na frente de combate ao tráfico de de pessoas, de mulheres e crianças, né? Então você tem que se terar disso. Isso faz parte da sua vocação, do seu chamado, do seu trabalho. Eh, caso contrário, se você se expõe a isso só para aquilo causar em você uma desesperança ou por outro lado, uma dessensibilização que você passa a achar que é normal esse tipo de comportamento, né? Ah, isso merece atenção. Procóp seja chega nesse lugar, né? E aí à medida que os insultos vão só aumentando, aumentando, aumentando, por mais que ele vai sealizando, vez outro sempre passa na cabeça dele que ele quer ir embora, né? Lembra que ele tem uma pessoa lá na corte de quem ele foi se despedir quando ele tava indo lá para pra casa do coronel. Ele agora juntou um bom dinheiro porque ele tem um bom salário, não tem nenhum gasto, né? Ele falou: "Ah, eu quero ir lá pra corte, né, gastava o meu dinheiro". E ele diversas vezes vai comunicar isso pro Vigário, o Vigário que o indicou para o trabalho de de enfermeiro. E o Vigaro acaba insistindo com ele para que ele eh fique mais um pouco, aguante mais um pouco. É, é curioso isso, né, gente? >> [limpando a garganta] >> Quantas vezes você quer sair de um lugar, de uma relação, né, de um trabalho, de uma condição e as pessoas estão sempre ali insistindo para que você faça aquilo, aquilo que elas acham melhor. Não é que a gente não devolve conselhos, muito pelo contrário, isso é uma recomendação da escritura, né, na multidão de conselhos, a sabedoria que a gente deve ouvir. Mas assim, a decisão final é sempre nossa e no fundo é só a gente que sabe onde é que o nosso sapato aperta, né? Ninguém calça o seu sapato, ninguém calça o meu. Então ninguém sabe onde é que aperta para mim e para você. O vigário vai insistindo para procópio ficar. Por quê? Porque é um problema menos para ele. Tem meses que ele não precisa correr atrás de um enfermeiro para para Felizberto, porque até que um enfermeiro parou. né? E agora que o vigar tá lá podendo se dedicar a outras questões, vai ter começar tudo de novo. Puxa vida. Ah, e que é interessante falar, né, a diferença de vigário, pároco, porque é tudo padre, tá gente? O vigário é um padre, o pároco é um padre. A diferença é que o pároco é o administrador da paróquia e o vigário é o assistente do pároco, mas é tudo padre. E aí o Vigara acaba insistindo para ele ficar, ele vai ficando, ele vai ficando até que um dia [limpando a garganta] procóp chega e fala assim: "Olha, não dá mais. Eu quero ir pra corte, quero gastar meu dinheiro, né? Quero reencontrolar com o meu irmão que ele chama. A gente não sabe se é um irmão sanguíneo ou se é um irmão camarada, né? Um brother, como se diz. Mas eh deve ser um irmão sanguíneo pelo pelo contexto da época, na linguajar da época, já que não poderia ser um irmão de fé, porque o Procópio mesmo diz que ele não era um homem de fé, né? Apesar de ser um copista eh teológico, de trabalhar com teólogo, ele mesmo não era um homem de fé. E aí o Vigar fala: "Tá bom, então eu vou procurar um substituto para você". Aí, gente, bem nessa retinha final, a ponto de um vigário ali, já tá procurando substituto, o que que acontece? Um dia o coronel, ele tem um acesso de raiva, né? E aí durante um dia assim, quando o Procóp vai servir um mingal para ele, ele fica insatisfeito com a temperatura do mingal, porque ele acha que tá frio, ele atira o prato no procópio que consegue se desvencilhar, o prato pega na parede e o coronel grita que ele vai ter que pagar, que vai descontar dele. O xinga de ladrão porque fala que ele tá aí, né, acabando com com com a com a com a louça dele. E depois de passar um tempão ainda resmungando, resmungando, resmungando, murmurando, né? Ele vai dormir. Quando ele tá dormindo, era mais ou menos 23 horas, 11 horas da noite, o procura para meia-noite precisava ministrar um remédio. Então o que que ele faz? Ele encosta lá numa poltrona perto da cama, fala: "Ah, falta som uma hora, eu vou sentar aqui ler um livre e daqui a pouco eu dou remédio para ele." Só que na segunda página do livro, antes da segunda página, ele cai num sono muito profundo. Você a exaustão, né? Que ele se encontrava, gente. Eh, só diminui o cuidado que que o trabalho que dá cuidar de um de uma pessoa doente, neste caso, né? doente ainda idose. Doente idosa e rabugenta, né? Doente, idosa, rabugenta e sádica, quem é que tá fazendo aquilo? É realmente estenuante. Por quê? Porque você deve ficar com a sua sentinela ligada o tempo todo. Pessoa levantou da cama, ela pode cair, né? Pessoa tá comendo, pode engasgar. Então você fica com a sua sentinela ligada o tempo todo e aí Procópio cai ali no sono. Daqui a pouco ele acorda com o coronel aos gritos, né, berrando. E aí o coronel que tava do lado dele, procé até dá um pulo assustado assim. O coronel V continua xingando, pega a moringa de água que tava do lado, ó, cabeça do procóprio dele, rebenta uma moringa de água. E a gente tá falando de uma moringa de vidro fino, que são essas que a gente compra aí nessas lojas de louça contemporâneo. Essas lojas contemporâneas não. A gente tá falando aquelas moringas de 1860, né? provavelmente de barro, argila, coisa pesada ou de porcelana, que ele era um homem rico. O fato é que era um material muito robusto. Na hora que pega ali na face do propório, ele fica cego de ódio, né? A moringa bateu-me na face esquerda e tal foi a dor que eu não vi mais nada. Então assim, ele já tinha muito ressentimento acumulado que ele vai relevando porque ele é paciente, porque ele é caridoso, né? Ele vai relevando. Só que por mais que você queira se convencer disso no seu autoengano, né, ou na sua covardia, porque você não quer fazer um tratamento necessário, essas coisas vão ficando dentro de você e aí num momento isso vai transbordar. É claro que o simples fato de você já receber uma moringada na cara seria o suficiente para que você eh caísse sobre a pessoa que lhe atirou a moringa. Sim, dependendo do seu temperamento, sim, né? Dependendo da sua condição do dia, sim. Mas o caso de Procópio que não tinha esse temperamento explosivo, né? Que era um homem, porque assim, o problema, gente, não é que ele não era paciente, tá? O problema é que ele achava que nunca poderia impacientar-se, né? Eu sou paciente, mas tenho que ter a consciência de que eu posso me impacientar sim, né? Eu sou generosa, mas tenho que ter a consciência que, dependendo da circunstância, eu posso reagir com avareza, sim, né? Por quê? Porque eu sou humana. E o ser humano é passível de tudo. E quem pensa que tá de pé tom cuidado para não cair. Então o problema de Procópio é que ele só seria paciente, nunca impaciente. Então ele foi ali eh fugindo do que realmente seria importante ali tratar. E quando ele recebe essa moringada na cara, todo esse essa impaciência acumulada, esses ressentimentos, essa raiva acumulada explode. Ele faz o quê? Ele se atira no coronel, ele esgana, esgana, esgana assim o pescoço até que ele para de respirar. Quando o coronel desfalece pro copa, recua susto. Vê que o homem apagou, volta lá, chapalha, tenta acordá-lo, o coronel não reage, ele tá morto e o Procópio se apavora. Você sabe o que fazer, ele vai pra sala, fica lá por 2 horas atormentado, atordoado, tem ouve os gritos, né? Tem delírios. Tem alguém me chamando de assassino. Assassino. Repassa tudo que aconteceu, começa a falar eh eh foi um acidente, né? Porque foi uma luta, foi legítima defesa. Ele vai incorrer novamente no quê? numa defesa cognitiva que é muito típica, né, do nosso protagonista, que é a racionalização. E aí depois de 2 horas lá racionalizando e também delirando, porque ele vai alternando, né, entre as duas coisas. está completamente atordido, atormentado, porque ódio acumulado vai levar a completa e absoluta falta de controle em determinado momento. A raiva é uma emoção muito potente, muito mobilizador inclusive. E a emoção por si só não é um problema, tá gente? Problema que a gente faz com ela. Então, eh, tem gente que acha que é feio sentir raiva, né? Não, sobretudo as mulheres, né, na nossa futura, eles não estão autorizadas a sentir raiva, né, quando a escritura mesmo vai dizer que olha, você vai se irar, então irai-vos e não pequeis para que não deis lugar o diabo, né? Mas a ira ela é do humano. Problema não é a raiva, o problema que você faz com ela. O problema é raiva por causa de quê? É rá porque eu tive um desejo frustrado ou é rável porque eu tô vendo uma injustiça, tô presenciando uma injustiça. Ora, diante do injusto, a gente tem mesmo que se posicionar de maneira eh eh raivosa mesmo, indignada, não aceitar. A grande questão é que como nós não somos seres oniscientes, só Deus, que é o único que é onisciente conhece todas as variáveis daquela injustiça que tá sendo perpetrada. Então, a gente tem que tomar cuidado, inclusive com a raiva que a gente sente, inclusive com o nosso senso de justiça, de tão falível e miserável que é o ser humano, né? E aí depois ele alternar entre esses estados túos, ele colocou a orelha ali na porta e aquilo que até ontem ele não queria de jeito nenhum. Ele estava irredutível, eu não aceito mais ficar aqui, não quero mais nenhum xingo, mais nenhuma ofensa, né? Ele agora passa a implorar por isso. Olha só que interessante, né? Às vezes você acha que tá muito ruim a sua situação. Até que o dia mal, ó, bate na porta e aí você se dá conta do que é ruim de fato e você começa a sentir gratidão por aquilo que antes acontecia, né? Então ele vai falar assim: "Olha, colabora ele à porta do quarto na esperança de ouvir um gemido, uma palavra, uma injúria qualquer coisa que significasse vida e que me restituísse à paz, a consciência, ele tá atormentado. Eu estaria pronta até apanhar das mãos do coronel, né? 10, 20, 100 vezes. Aqui Machado tá usando a sua ironia. Ele é um autor muito conhecido pela sua a sua ironia, né? Eh, ironia é coisa de gente inteligente, porque a ironia é sempre algo muito refinado, né? É o contrário do deboche. As pessoas confundem ironia com deboche. Não, deboche é uma raiva controlada, só minimamente, inclusive controlada. Ironia não, ela é uma articulação da inteligência, né? Então, a ironia é um é um é uma gastronomia, ela tem um tempero, são filigranas assim que vão separar uma coisa de ser uma palavra irônica ou não. A ironia tem bom humor, né? Mas enfim. E aí ele vê que isso não acontece, ele começa a fazer o quê? Aquilo que a gente sempre faz quando a gente comete um erro. A gente começa a terceirizar a nossa culpa, né? Ai meu Deus, que ódio que eu tô. maldita hora que eu aceitei essa semelhante coisa, esse trabalho. E aí ele passa a xingar o padre de Niterói que o indicou, né, o vigário, o médico, ã, as pessoas que arranjaram lugar para ele ficar, quem pediu para ele ficar lá, o outro vigário que pediu para ele ficar mais tempo, né? Ele começa o quê? fazer aquilo que Adão fez lá no Éden, que Eva fez também, que é terceirizar a responsabilidade e que a gente faz eh automaticamente, né, quando a gente se vê na mesma situação do que a procura. Lógico que depois se você for um adulto maduro, né, ou um cristão maduro, você vai fazer como Davi qu dizer contra ti, contra ti somente pequeu. Parar de terceirizar, deegar, de botar a culpa em A, B, C ou D e falar: "Não, Senhor, perdoa-me porque porque contra ti, contra ti somente pequei, né?" E aí ele fica lá se debatendo no restante da madrugada, pensando como é que ele vai fazer. Até que de manhã ele decide simplesmente chamar um escravo lá do coronel e dizer que ele havia morrido durante a madrugada. Ninguém suspeita que foi um assassinato, né? Porque o coronel já estava muito doente durante todo o processo de sepultamento do coronel. Cóo tá muito ansioso, muito trêmulo, muito comovido. E aquilo vai despertando nas pessoas uma profunda admiração por ele, porque as pessoas olham e dizem assim: "Nossa, olha como ele, como ele é bom, né? Porque ele tinha tanto carinho pelo coronel. Quando ele vai tampar ali o o caixão, ele treme as mãos. Aí a mulher, olha como ele tá tremendo, como ele tinha feição por coronel. Nossa, ele deve ser uma pessoa muito boa, né? Porque só quem é muito bom consegue se afeiçoar a alguém que é tão ruim. Só quem é muito bom consegue tratar com com bondade uma pessoa que é tão perversa, né? E aí vai se construindo o quê? Ele vai obtendo o quê? Uma eh simpatia, né? uma condolência coletiva ali. Aí depois que sepultam e que ele passa daquele pavor de ser surpreendido na sua na sua falta, né? Cap que ninguém desconfia, ele vai embora, ele volta lá para Niterói, cidade dele, depois que ele tá lá oito dias, depois chega uma carta, é uma carta do vigato lá na Bíblia do coronel dizendo que Procoba era o seu herdeiro universal. Coronel perverso, sádico, deixado toda a sua fortuna para cupa. Olha que curioso, gente, que que o Machado vai vai trabalhar aqui. Ninguém é só bom e ninguém é só ruim. Nós vamos sempre eh experimentar o conflito do que vai predominar em nós a cada momento. Uma palavra boa, uma palavra ruim, é uma ação boa, uma ação ruim, é uma intenção boa, uma intenção ruim. Pode ser que, inclusive você predominantemente seja aí considerada uma pessoa boa. Agora, segundo a régua de quem, né? Porque, por exemplo, né, eu tenho um gato, eu trato muito bem do meu gato. Então, se você, se o meu parâmetro for aquele eh, psicólogo que matou e torturou tanto os gatos, né, que inclusive barbaramente tá solto, eh, você pode me achar boa. Agora, se você me comparar com uma pessoa, e tem dezenas delas por aí que se tornam protetores voluntários, que dedicam seu tempo, seus recursos a resgatar gatos, animais que são eh vítimas de maus tratos ser humano, porque o ser humano é capaz de coisas inacreditáveis contra quem não lhes oferece nenhum mal, né? Então, se você tem esses protetores, que são pessoas que eu acredito estão muito reconciliadas neste aspecto, né, com com a criação de Deus, porque Cristo veio para para restaurar toda a criação, não foi só o ser humano, toda a criação, inclusive os animais, né? É interessante que na vida do Senhor Jesus os animais têm ocupado espaços tão importantes, né? que a escritura registra participação interessante que ele use como figura, como ah para sua descrição a figura de um felino inclusive, né? Leandro tributá, o cordeiro também de Deus, ah, o espírito de Deus que desce como uma pomba. Então, assim, eh, tem tanta alusão a isso, né? Mas retornando aqui, se você me compara então com esses protetores, será que eu sou tão boa assim? Ah, eu ajudei uma criança que eu vi na rua, tava estado de necessidade, peguei tudo na bolsa que tinha ideia para ela, tal. As nossa, como você foi boa, né? Você tinha o quê? R$ 1.000 você deu. Ah, você pode me achar boa, né? Porque afinal de contas os 10 que passaram à frente de mim nem olharam para aquilo que tava acontecendo. Mas se você me comparar com materia de qual ocultar, será que eu sou tão boa? Então [roncando] veja, até aquilo que a gente considera já predominante em nós, né, que apesar do conflito sempre presente, eu tomo decisões, na maioria das vezes pelo que é bom, né? Também depende de que parâmetro eu estou usando. E Madre Teresa, será que se a gente comparar ela com Cristo, será que ela é tão boa? E os protetores de animais que dão a a sua vida para resgatar os animais? Maria Teresa dava a sua vida para cuidar de crianças, né, e de pessoas enfermas, né? Mas será que algum ser humano, por melhor que seja, possa ser comparado mesmo com Cristo? Porque pessoal fala: "Ah, Cristo é meu herói". O herói morre pelo bom. Cristo morreu pelo que é mal também, né? Para que o mal também tenha livre acesso a ele, possa se arrepender da sua maldade e refazer o seu caminho. Então, depende [limpando a garganta] do parâmetro que a gente tá adotando, né? O fato é que quando eh chega para Procópio essa notícia de que ele se tornou herdeiro, ele fica incrédulo com isso. Porque aquele homem que era tão mal como o coronel, tão sádico, perverso, tem um gesto bom, porque ele poderia ser deixado a fortuna para qualquer outra pessoa, inclusive para a paróquia, inclusive para um trabalho social lá da sua época, inclusive para de ter distribuído entre todos os seus empregados, né? Não, ele escolhe deixar tudo para Procópia. Então é um gesto de bondade. E por outro lado, que sempre foi considerado um homem bom, teve um rompante e cego pelo seu ódio acumulado, comete um assassinato. Só que, OK, né, entre aspas, mas assim, que eu li foi um impulso, não foi premeditado, não foi calculado, foi fruto de uma negligência emocional, né, mas não foi premeditada. Só que tendo a oportunidade agora então de ser bom ou de decidir de boa maneira, procópio, a gente vai perceber que aquele que era bom faz coisas ruins e aquele que era ruim faz coisas boas. Então não adianta a gente nas nossas relações ficar demonizando o outro, né? Desumanizando o outro. Primeira coisa que a gente faz quando a gente tá eh diante de alguém que pensa diferente da gente, que tem preferências diferentes, sejam culturais, políticas, religiosas, a gente vai o quê? Desumanizar o outro, né? Inclusive é tática, tá? Quando quando você vai estudar aí a a cartilha dos tiranos, isso é tático. Primeira coisa é desumanizar o outro que pensa diferente de você. Então, a gente não pode desumanizar ninguém. né? Isso não significa que a gente tem que olhar com genuidade. A proposta não é essa, certo? Aliás, a própria escritura vai dizer: "E vocês, ingênuos, até quando manterão a ingenuidade?" Então, proposta não é ser ingênuo, mas a proposta também não é desumanizar o outro, porque neste outro, apesar dos pesares, este outro, apesar dos pesares, é feita em semelhança de Deus. Então, Procópio entra ali no conflito. E agora que que eu faço? Ah, eu vou declinar, eu vou dizer que eu não vou aceitar. Ai, mas esse dinheiro todo, se eu não aceitar, ele vem paraa racionalização de novo. É muito curioso, né? Quando você lê assim o personagem, você vai percebendo o funcionamento psíquico dele, porque todos nós temos uma uma defesa psíquica, eh, que a gente que é estruturada na gente. A gente não elege, mas é estruturada na gente como um padrão. Existem diversas defesas, né, do Procópio. Você vê aqui que ele vai racionalizando as coisas. Ah, não, mas olha só, né? Porque quem faz a racionalização, quem tem racionalização como defesa coger ele se sente muito seguro no campo das ideias. Então ele evita contato com as emoções, né? Porque a emoção é uma coisa que o desestabiliza, o desestrutura. Ele gosta de ter o controle sobretudo. Fica mais confortável as ideias. Então funciona até a página 10, né? A gente vê que uma hora isso vai emergir, vai subir com toda a força, vai trazer muito problema. Aqui já mais tranquilo. O Procópio, eh, percebe o seguinte, fala assim: "Ah, não, mas se eu declinar dessa fortuna, eles vão achar que el vou levantar suspeitas. Zor, como você vai levantar suspeita se você tá abrindo mão do dinheiro, né? Ah, porque vão achar que eu tô fazendo por culpa." Então ele fala assim: "É muito mais fácil você levantar suspeita, pelo contrário, né? Quando você vai brigar pelo dinheiro, ele fala: "Ah, não, então já sei, eu vou eh dar metade para caridade, a outra eu vou dar tudo paraa caridade." Metade não, vou dar tudo para caridade. Vou fazer isso, eu vou aceitar. E aí ele fala o seguinte: "Olha que, [risadas] [tosse] desculpa, que interessante. [limpando a garganta] Eu estava atordoado, né? Toda a gente me elogiava dedicação e a paciência, as primeiras necessidades do inventário, me detiveram algum tempo na fila, construir advogado, as coisas correram plcidamente, né? E ele vai considerando o seguinte, que eh eu vou aplacar, eu vou compensar essa esse ato ruim com o quê? Com esse ato bom. Então tá bom, eu matei o coronel, mas eu não vou usufruir da fortuna dele. Vou pegar essa fortuna e doa toda pr caridade, como se fosse possível fazer essa restituição, essa recuperação. O sistema de restituição, que inclusive é é é todo o o sistema eh judaico cristão, né? A escritura aponta para isso o tempo todo. Você precisa restituir aquilo que você tira. Eh, só que às vezes que você tira não é passivo de restituição. A vida, por exemplo, não adianta ele doar a fortuna toda. Esse gesto não vai restituir a vida do coronel. Então, quando ele fala lá que assim ele vai poder fazer uma compensação, isso não é uma compensação, né? Isso não é uma compensação porque nada pode trazer o coronel de voto. Mas os meses vão passando, o inventário vai lá se trans vai vai acontecendo até o momento em que ele se finaliza. E o Procópio, a princípio, né, e ele vai ouvindo ali cheio de curiosidade que as pessoas vão dizendo, porque enquanto o inventário vai sendo desenrolado lá, os bens vão sendo inventariados e tal, é muita coisa, né, que era o homem rico, as pessoas vão se aproximando do Procópio fazer relatos do coronel e todos os relatos são terríveis, são horríveis. Ele procura contemporanizar aqui ali porque ele ainda sente a consciência muito culpada, né? Mas ele eh eh as pessoas sempre o revidam, sempre refutam. Tô me estendendo muito, mas a gente eu já vou encerrar, tá b? Vai mais alguns minutos, mas vou vou acelerar aqui. As pessoas sempre refutam, né? E aí sabe o que acontece? de tanto procópio e ouvindo, ouvindo, ouvindo como ele era ruim, como ele era perverso, não adianta você querer defender. E as pessoas iam contando, é o Machado vai dizer que todo mundo da cidade, o o Boticário, que o farmacêutico da época, o seu João da Padaria, o outro do mercado, todo mundo tinha uma história muito ruim para falar do do coronel, né? Aí, isso vai gerando procópio, quase um um convencimento saber, nossa, melhorando muito ruim, né? Será que uma pessoa velha, doente, muito rica e que não usufrui mais esse dinheiro que tem, será que não é razoável que ela tenha sido retirada do mundo eh por razões diferentes, mas é o mesmo dilema que Rasconic vai enfrentar em crime castigo, né, de Dostoyevski, por razões diferentes porque raciocínio de Rasconic não tá ligado. recebimento de nenhuma herança. A velha inclusive não era rica, era uma velha usurária, né? Mas ele tá ali fazendo eh um um confrontamento eh moral. Ele tem uma ele tem uma doutrina moral, né? Ele tem uma cosmovisão, uma doutrina ele tem uma cosmovisão. Ele tá ali marcado por princípios racionalistas, iluministas. Ele quer testar esses princípios, é outra coisa. Mas as personagens e ambas as histórias se vê diante disso. Será que essa pessoa faz falta mesmo no mundo? Era o momento dela ser retirada da que hora? Quem tem que decidir isso não é você, não sou eu. Não foi a gente que deu a vida, não é a gente tem que decidir se vai retirar ou não. Eu posso ter a minha opinião formada e achar que fulano tá fazendo orestra na terra, mas isso não me dá o direito de lá retirar essa vida. né? Fa que procopa de tanto ouvir coisas ruins, ele vai meio que se acostumando. E veja só, gente, no final das contas, toda a sociedade, porque ele ele recebe herança, ele faz mesmo uma boa obra aquilo ali, aí ele manda rezar uma missa lá pro pro vigário, pro coronel, né? Antes disso até onde ele vai passa a missa inteira de joelhos consumido pela culpa. Mas aquele dilema moral que eu atormentava no início, imagina que o tempo vai passando, que vai recebendo dinheiro e que junto com a fortuna ele vai herdando também um prestígio social, porque recebe a fortuna, faz uma uma boa ação. Aquele as pessoas, nossa, como ele é bom, nossa, que homem generoso, gente. Esse homem santo. Olha, tratou o coronel a vida deu pro coronel um fim tão eh bondoso, tão compassivo, tão misericordioso, né? E agora herdou essa herança e continua. Então assim, ai [suspirando] ele vai se ele vai gostando desse prestígio social. Todo mundo quer ser bem visto. Isso não é o problema. O problema é quando a gente ah tá sendo bem visto por uma coisa que a gente não é, né? Você vai exigindo de nós uma performance permanente que é extremamente desgastante, porque a verdade, a verdade de quem somos, ela é o que é, né? Como Cristo diz, eu sou o que sou. Paulo também, né? Eu sou o que sou. Só a graça, a graça de Deus para comigo não foi eh em vão. Então assim, mas quando você precisa performar algo que você não é, alguém que você não é, vai a uma energia psíquica, vai a uma energia corpórea, vai uma energia financeira, vai muita coisa, né? E aí você fica com déficit de energia, de disposição para tratar aquilo que realmente importa. Vai adoecer, vai adoecer, né? >> [roncando] >> Engraçado, por isso que a escritura diz que o conhecimento liberta, a verdade, verdade liberta. Eu sei que já assim muito familiarizado com esse prestígio social e com as novas condições financeiras das quais desfruta, Procópio, enfim, ver crescer em si aquilo que ele chama de uma tênia moral. Eh, deixa eu ler para vocês esse último parágrafo. Os anos foram andando. Memória do que ele tinha feito tornou-se cinzenta e desmaiada. Penso às vezes no coronel, mas sem os terrores dos primeiros dias, sem culpa, mas o pelo menos o tormento da culpa, porque se ele pensa, alguma coisa tá voltando. Todos os médicos a quem contei as histórias dele foram acordes em que a morte era certa, ele ia morrer e só se admiravam de ter resistido tanto tempo até o último instante, isso aqui é o penúltimo parágrafo. O cara ainda tá racionalizando. pode ser que eu involuntariamente exagerasse a descrição que então lhes fiz, né, para os médicos. Mas a verdade é que sim, coronel devia morrer, ainda que não fosse naquela fatalidade, né? Adeus, meu caro senhor. Aqui ele tá falando paraa pessoa com quem ele tá, para quem ele tá contando essa história. Ele tá contando essa história para um alguém que a gente não sabe porque Machado não identifica se é um jornalista ou se é um editor e que vai escrever um livro, mas a gente não sabe se é sobre o coronel ou sobre o Procópio, né? Mas ele ele diz o seguinte para para essa pessoa quando ele vai narrando essa história, eu vou te falar a verdade, você quer uma história humana, eu vou te dar uma história humana, mas tem uma condição, ela só vai ser publicada quando eu morrer, porque até o último segundo, né, ele não quer abrir mão do seu prestígio social, porque punido pelo crime já não daria mais tempo, né? ele tinha ali oito dias de vida, como ele fala, tá, no início do livro, mas ele não queria eh ser confrontado pelos olhares sociais que lhe eram tão favoráveis e sobre os quais ele foi estruturando a sua personalidade, ainda que falsa personalidade, [roncando] né? Um homem muito feliz. Adeus, meu caro senhor. Se achar que esses apontamentos valem alguma coisa, pague-me também com um túmulo de mármore, né? Ao qual dará por epitáfio esta emenda que faço aqui ao divino sermão da montanha. Bem-aventurados os que possuem, porque eles serão consolados. está fazendo uma referência a Mateus 5:4, que na verdade não é bem-aventurados os que possuem, mas é os bem bem-aventurados os pentel, que pent é é um é um verbo lamentar, só que no grego você tem pelo menos nove verbos ali para descrever o lamento. E o pentel é o verbo que descreve o lamento mais profundo, que inclusive na escritura é usado para casos de luto. Então, por isso que o Frederico Lourenço, na tradução que ele faz dos Evangelhos, ele vai falar: "Bema os que estão em luto, porque eles serão consolados". Todas as outras traduções se colocam bem-aventurados os que choram porque eles serão consolados, né? Mas um choro de luto é diferente de qualquer outro choro, porque eh os outros choros podem se dar por 1000 razões, mas o choro do luto, ele se dá por uma afinitude que é irrecuperável deste lado da vida, né? Só na eternidade que isso vai se resolver. Então, eh, e quando ele faz essa essa adaptação, entre aspas, assim, bem aventurados os que possuem, porque eles serão consolados, é muito curioso como machado encerra, porque não há um resgate, não há uma redenção, não há uma restauração de Procópio. Procópio não se arrepende genuinamente, sinceramente, ele não se refaz, ele não destina a fortuna para as obras sociais, como ele havia prometido que fal integralmente. Pelo contrário, ele passa fluir da fortuna e do prestígio social que a fortuna a trouxe para ele também, não só a fortuna, mas a maneira ali como tudo aconteceu, né? E aí ele vai falar: "Bemaventurados que possuem possuem o quê? Dinheiro, porque eles serão consolados". Então, de alguma maneira, ele encontrou consolo nas postes que ele recebeu. Eu não entendo, gente, que isso seja um consolo. Machado que tá sendo muito irônico também, né? Porque a gente lê esperando ali uma catarse eh e uma evolução da do protagonista não acontece. Isso é vida real, não acontece também com muita gente. Muitos de nós eh eh eh vão se perder, né? Eh, no final dos tempos o amor de muitos esfriará. Versículo já não tá acontecendo. Eu, foi o primeiro versículo que eu memorizei quando eu me converti, porque eu tenho pavor de ser contado entre estes, cujo amor se esfriará. Toda vez que tô esfriando ali nas minhas práticas espirituais, na minha devoção a Deus, falo: "Rina, calma." E você corre pro Espírito de Deus e pede para ele injetar em você novamente o primeiro amor. Você vai realhar suas práticas espirituais, a sua devoção, né? Ã, mas o caso aqui, gente, isso não acontece. Então, eu não acho que o dinheiro, que a fortuna, ela possa trazer para você o verdadeiro consolo, que é algo que só uma consciência. limpa diante de Deus, né? Eh, pode nos proporcionar. E ela é limpa, não porque ela não fez, ela é limpa porque ela reconhece que fez, pede perdão. Ela é limpa, como o Salmo 51 de Davi, salmo que ele escreve depois que ele eh faz tudo que fez, né, com com Urias. Então, a consciência limpa é aquela consciência que pode ser a que não fez, ok, mas pode ser a que fez e se arrependeu genuinamente, aquele arrependimento profundo que desce, que gera inclusive mudança de comportamento. Então assim, a gente pode falar que a posse, o dinheiro, ele pode te anestesiar, ele pode te alienar, mas consolo acho difícil, né? Porque senão rico não se matava, porque senão rico não adoecia, mentalmente falando, né? Sobretudo não tirava a própria vida. Então, Procópio recebeu deste lado da vida algum alívio em razão do dinheiro que herdou e da máscara social que usava. Ele foi se alienou da sua dor, foi anestesiado dela, mas eternamente ele vai ter que responder por isso. E aí, será que ele poderá ser chamado de bem-aventurado? Acho difícil, né? Enfim, gente, esse conto ele vem nos alertar para a nossa ambivalência, para nossa ambiguidade. Lei lá depois Gálatas 5, Romanos 7, né? Se procure naqueles versículos, se coloque diante de Deus. Peço ao Senhor para sondar a sua alma e para te trazer clareza a respeito das suas ambivalências, para que você possa se refazer, tomar as suas decisões da maneira mais lúcida possível, a fim de que elas resultem a você em saúde, né, e não em adoecimento. Ã, Bel, e aí, o que que você achou desse conto? Oi, Rina. Eu achei muito interessante e assim é um conto que, como você disse lá no começo, foi escrito a mais de 100 anos, né? Mas ele é ele é muito atual, porque a como as pessoas têm essa facilidade, né, de distorcer a moral, né, distorcer a sua mente para justificar a culpa, né, para ah não no eh como é se diz, ou sei lá, para transferir a culpa, né, para passar para outra pessoa, né? Então isso é atual, isso é atual demais, né? A gente vê isso todos os dias, né? como a como e a e é tanto isso que é incrível quando ele ele se ele ele. Claro que se tivesse acontecido hoje o o o senhor lá iria pro para o fazer biópsia e tudo e descobria que ele tinha sido assassinado, né? Mas naquela época, mesmo assim, ele teve cuidado, né, de fechar a camisa e todas as coisas. Mas e quando depois ele vem a história da herança, né, que ele recebe lá, ele ele carregava com essa culpa, mesmo tentando se justificar, né, que é o que acontece, eu creio que com muita gente que até eu sei, eu sei histórias de gente que se mata, né, com a culpa, né, com de de todas essas coisas. E quando ele recebe a herança, ele é o que você comentou, né? Ele queria se justificar de alguma forma para doando para todo mundo. Vou, o que que eu vou fazer? Você e eh até pros nossos leitores tem um um filmezinho, né, que é muito engraçado porque e no final, no filme ele parece o coronel, sabe, né? Então é é muito é muito engraçado tudo isso. Eu acho que no fundo ele gostava do coronel, sabe? Ele era uma relação meio que paternal e eu acho que sim, porque até ele deixou toda herança pro enfermeiro que mais demorou, né, ficar com ele ali e tudo e acabou ele acabou acontecendo isso. Mas eu achei um conto muito interessante que faz nos faz pensar muito, especialmente nessa coisa de você transferir a culpa, né, de você tentar jogar pro outro ou tem o que eu fiz de errado. Ah, mas foi só um errinho aqui, né? Só foi só um só um errinho ali, né? Et e tal, né? Mas você trabalhar sua mente, né, para para se sair da culpa de um erro grave, eh, ele ele vai se tornando a pessoa que ele tanto eh reprovava, né? Porque ao final das contas ele se torna o novo coronel da vila. Sim, exatamente. >> Ele pode não ter a mesma postura sádica com os funcionários, mas ele se torna um hipócrita, porque ele ele vive eh as custas de uma de uma reputação social que ele não tinha, ele não era piedoso como as pessoas pensavam. E ele aceitava que elas pensassem assim, ele não desfazia isso, né? >> Uhum. >> Então é isso é muito perigoso, né? Porque as pessoas nos idealizam muito. Inclusive a gente quando tá trabalhando, servindo numa comunidade da fé, >> as pessoas projetam em nós as suas necessidades, as suas carências e nos idealizam, né? Tentam nos colocarem nas suas caixinhas morais, né? Eh, eu eu não fico nesse lugar em que tento me colocar muitas vezes. Eu sempre faço questão de descer dali e de sinalizar pra pessoa falar: "Olha, você tá me idalizando, né? provavelmente sou muito pior do que você, provavelmente sou mesmo, né? Então, e falo isso sem nenhuma pseudo, eh, porque só a gente sabe, né, o mal que há em nós. Aliás, a gente nem sabe totalmente, a gente sabe parcialmente, mas a gente também tem os nossos autoenganos. O fato é que eh é muito fácil você se tornar refém desse bemquerer, desse bom olhar do outro. A gente tem que se colocar diante de Deus sempre, porque é ali que nós reconhecemos a nossa verdadeira estatura e somos lembrados que nós realmente somos. E você poder admitir isso também, sabe? As suas falhas, as suas misérias, isso é tão libertador, porque aí você pode ser quem você é de verdade, né? Você performar uma virtude que você não tem é acachapante, é massacrante, né? Custa a vida da gente. Eu acho que a Rina travou. Rena, você tá aí? Então o E por isso que a Bíblia diz pra gente olhar para Cristo, né? Não, não coloca sua confiança em homens, né? coloca sua confiança em Cristo, porque o homem é falho. Tem tanta gente decepcionada com com a igreja, né, com a fé, com mono de coisa. Por isso, porque coloca a sua fé em homens. Homens falham, homens erram, homens pisam na bola. E o alvo é Cristo, né? Cristo não falha, Cristo não erra. Então, por isso que você tem que colocar sua confiança realmente no Senhor, né? >> Sem sombra de dúvida, Bel. A gente sabe que existem muitos líderes religiosos que são realmente ovelhas, né, no meio são lobos no meio de ovelhas, mas fora estes existem muitos outros que são sinceramente dedicados a Deus e ao pastoreio. Só que na sua humanidade em algum momento, eles vão nos frustrar, porque são seres humanos, também acordam com coruna doendo, também estão cansados de ouvir a gente reclamando sempre da mesma coisa, também tem as suas dores, as suas limitações, né? E aí a pessoa ficou ofendidinha porque ela entrou na igreja e ninguém foi cumprimentar no banco. É uma igreja, um clube, né? >> Então assim, a igreja é esse lugar onde a gente entra para servir. >> Uhum. e não para ser servido, né? Então a gente, o ser humano é muito complexo. Esse texto do Machado é interessante porque ele vem ressaltar a nossa complexidade, nos lembrar das nossas ambivalências, nossa ambiguidade e nos colocar de novo diante de de Gálatas 5 e de Romanos 7, né? Paulo, apóstolo Paulo, enfrentou isso tantas vezes anos depois. Ele tá em outra carta falando da mesma coisa, né? Então, se ele que era quem era enfrentou isso até os seus últimos dias, com a gente não vai ser diferente, né? Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude a caminhar nessa lucidez, né? a não desprezar as nossas sombras, as nossas ambivalências, as nossas duplicidades. Que nós possamos pegar tudo isso, colocar diante de Deus com honestidade de coração. Sonda-me, Senhor, vê se há vê se em minha conduta algo que te ofende. Salmo 139. Guia-me pelo caminho eterno, né? A gente pode pegar tudo isso, colocar diante do Senhor para que ele continue nos eh ensinando e nos iluminando pra gente andar com segurança em direção ao caminho, a vida eterna, né? Porque a vida eterna não é para quem é perfeito, porque perfeito só tem um. A vida eterna é pra gente mesmo, que é ambivalente, que é duplo, que é falho, mas que não desiste de colocar isso diante do Senhor e pedir a ele a sua misericórdia. Até porque em Romanos 7, muito interessante, né? Quando Paulo vai falar, mas era bem que quero, eu faço e agora, né? Como é que eu vou fazer? E aí ele termina no último versículo falando, olha, mas em Cristo é possível você viver com isso e se aperfeiçoando, né? E tudo está em Cristo. Em Cristo essa essa ambiguidade que é muito difícil, parece que é impossível a gente vencer a esse comportamento. Eu já orei tantas vezes, de novo caí de novo, fiz isso, né? Em Cristo, você obtém o poder divino para lidar com isso, com mais saúde. Não é mágica, né? é um processo de autoanálise, de análise diante do Senhor, de confissão, de arrependimento. Mas assim, uma coisa é certa, ele não despreza um coração contrito. Todo aquele que bate, que ele bate a porta e se a gente abrir a porta, ele entra e faz morada e ser com a gente. Então assim, eh, uma coisa que é importante a gente ficar é assim, nós temos a quem recorrer. Por pior que seja a nossa situação, por mais densa que seja a nossa sombra, por mais profunda que seja a nossa dificuldade, por mais escamoteada que seja a nossa duplicidade, nós temos a quem recorrer para nos ajudar a lidar com tudo isso. E de glória em glória a gente sendo transformado um pouquinho mais, cada vez mais conforme o Cristo Jesus. Então você que tá nos ouvindo, que Deus te abençoe aí no seu processo, Bel. Que Deus te abençoe no seu processo, que tenha misericórdia de todos nós. Amém. >> E continue nos ajudando a crescer, evoluir e a ser cada vez mais conforme Jesus Cristo de Nazaré. Muito obrigada, viu, Bel? Obrigada, querido leitor. >> Obrigada, Rina. Foi um prazer sempre fazer parte. Final de mês estaremos aqui de novo. Aguardem que a gente divulga logo aí nossa nossa próxima atração. E sejam todos fiquem com Deus todos e até a próxima. Um beijo, Rina. >> Até. Beijo. Obrigada. Ciao. Ciao.