Conversas que edificam – Rev. Allen Porto
20/05/2026
Conversas que edificam – Rev. Allen Porto
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Sobre a música de abertura
Música: Louvai a Deus, soberano Senhor (Hinário Novo Cântico nº16). Título original em português: Louvor a Deus
Compositor: Stralsund Gesangbuch (1665), Joachim Neander (1680)
Legendas automáticas:
[música] Fala mocidade, boa tarde, bom dia, boa noite, independente do momento que você está nos assistindo. É uma honra ter você com a gente e mais um episódio do nosso podcast Conversas que edificam, né? O nosso convidado de hoje é o pastor Alen Porto. Pastor, muito obrigado por ter topado o nosso convite, por estar com a gente aqui esse dia pra gente gravar o podcast. >> Eu que agradeço a oportunidade de estar aqui com vocês. >> Obrigado. Seja muito bem-vindo aqui a aos nossos estúdios aqui na IPSA. E pastor, assim como já é tradição nossa aqui no podcast, a gente sempre começa conhecendo um pouco mais dos nossos convidados, né, na vida fora do púlpito, fora das pregações ali. Quem é o alen porto, família, hobbies, conta um pouquinho pra gente, >> tá? Ah, eu sou marido da Ivonete, pai do Matias e da Lúcia. E eu acho que grande parte, né, do depois que você vira pai, você sabe que é isso, né? Sim, >> grande parte do seu tempo depois de você casar e ter filhos é dedicado à família, né? Então, >> sim. >> Ah, muito do meu do meu lazer hoje ou do meu tempo fora de ministério propriamente é desfrutando do tempo com a família. >> Legal. >> Mas, ã, vamos pensar assim em termos de hobbies. H, desde desde antes de 2005, então, eh, quando começaram a surgir essas coisas de, eh, páginas de HTML e blogs, eu comecei a me interessar por isso, né? E então ah comecei a estudar. Inicialmente eu criava algumas páginas em HTML para escrever algumas coisinhas e publicar. Depois vieram os blogs, aí eu comecei a usar blogs. Então, em 2005, eu considero assim um um marco quando eu ah dei o nome do blog BJC, né, a Bíblia, o Jornal e a caneta. E aí desde 2005 eu tenho trabalhado assim produzindo conteúdo para pra internet, né? Então isso envolve escrita. Inicialmente era muito blog, né? era uma era a época que você tava mais presente. Depois podcast, eventualmente alguma coisinha de vídeo. Ah, aí chegou Instagram e aí eu eh tenho hoje eu tenho eh produzido mais conteúdo em termos de de Instagram mesmo. Voltei a escrever um pouquinho mais agora no substeck, né? >> Uhum. >> Mas então e eu gosto de brincar um pouco com isso. A escrita, eh gravação de vídeo, edição, imagem e música. Eu gosto muito de música. toco um pouquinho e gosto muito de ouvir música. Então, acho que essas são algumas das coisas que orbitam, né, esse meu meu universo. >> Que legal. Que legal. Você toca o que, pastor? Qual instrumento? >> Então, eh, eu até falo sobre isso no descansado e produtivo e quando eu vou falar sobre produtividade, né? >> Sim. Ah, porque uma das minhas lutas é essa. Eu quero abraçar o mundo e quero fazer tudo ao mesmo tempo. E isso é desde cedo. Então, eu comecei tocando violão. >> Quando eu tinha 9 anos de idade. >> A minha irmã pediu paraa nossa mãe um violão. Ela tava interessada em aprender a tocar. E aí eu eu havia tendo aulas durante o dia, eu esperava ela dormir. Depois que ela dormia eu pegava o violão dela e ia ia praticar. É. >> E aí eu segui na música e ela parou. Olha só, >> mas eu aprendi a tocar violão primeiro, aí fui tocar guitarra na na no louvor da igreja, aí saiu o baxista da igreja e eu disse: "Ah, eu posso ajudar aí, né? Eu aprendi a tocar baixo, depois saiu o tecladista, não, eu posso ajudar aí." E aprendi a tocar teclado. Então eu eu arranho um pouquinho de cada. O meu instrumento hoje principal é o teclado mesmo. >> Ah, que legal, que bacana, pastor. E você, tua família sempre foi cristã ou não? Teve um momento de conversão? Conta um pouquinho pra gente. >> Eu nasci na em uma família cristã. Meu pai era pastor batista. >> Olha só. >> E minha vida inteira foi foi dentro da igreja. Não tive nenhum momento assim que eu de filho pródigo, alguma coisa assim, né, de querer experimentar o mundo e depois voltar. Não, minha vida foi bem eh eh consistente nesse sentido, mas eu identifico um ponto ali por volta dos 6 anos de idade. Eh, então, na Igreja Batista você tinha acho que ainda tem essa coisa muito do sistema de apelo, né, via frente e tal. >> Sim. >> E meu pai, como pastor Batista Armeniano, né, fazia essas coisas. E quando eu era eh criança, eu brincava de ir à frente, né? essa loucura, né? Meu pai querendo falar sério no culto e eu brincando [risadas] de ir lá na frente com os que estavam eh eh sinalizando, né, que queriam uma vida com Deus. >> Sim. Mas embora eu tivesse ido à frente várias vezes de brincadeira, foi em [roncando] casa, eh, em um em um fim de tarde que eu lembro de de chamar minha mãe e dizer para ela: "Olha, eu eh eu queria que você orasse comigo, que a senhora orasse comigo, porque eu ah eu entendo que eu preciso, né? Preciso da da salvação, preciso de Deus". Não lembro exatamente como eu articulei isso, né? Uhum. >> Eu tenho basicamente a imagem de eu sentado com a minha mãe fazendo essa oração. Ah, mas foi ali, por volta dos 6 anos de idade mais ou menos, que eu identifico esse ponto de de virada. >> Poxa, que legal. Bem novinho e já teve esse esse start. >> Pois é. É claro, né? Com 6 anos de idade a sua compreensão teológica é bem limitada, né? >> Sim. >> Mas mas sim, houve ali alguma convicção de pecado e e a partir dali um processo de discipulado mais intencional nesse sentido. >> Que bacana. e seu pai era pastor, né? E isso de alguma forma te influenciou para que hoje você fosse pastor também? >> Eu diria assim, primeiro sim, depois não e hoje eu acho que de alguma forma influenciou, né? Uhum. >> Em que sentido? >> Quando eu era criança, eu brincava, né? Engraçado, porque o meu filho faz isso hoje, né? Eh, brincava de culto, né? Então, você brinca de ser pastor e tal e eu dizia: "Eu quero ser pastor". Só que ainda na minha infância o meu pai deixou o ministério. >> Hum. >> Uma série de coisas, uma série de frustrações e ele ficou bem ressentido, inclusive e com com a igreja. Hã, de modo que quando eu cheguei na adolescência, eu já eu já olhava pro ministério como algo pesado, né? Eu já dizia, não, não é para mim, é algo que demanda muita responsabilidade e tudo. Então, quando eu tinha 16 para 17 anos de idade, eu descobri foi reformada. E aí isso virou minha vida de cabeça para cima, né? Tava de cabeça para baixo e virou de cabeça para cima. E aí eu só conseguia pensar nisso, né? teologia e eu sabia que eu queria servir a igreja, mas eu lutava muito com a ideia de vocação. Então eu entrei no seminário, aliás essa era condição dos meus pais, né? Essa história toda do meu pai, meu pai não queria eh eh ou pelo menos ele deixou claro assim: "Olha, eu deixo você fazer o seminário se você entrar na Universidade Federal". Então eu fiz a universidade, né? fazia durante o dia da universidade. À noite eu fazia o seminário porque era a condição dos meus pais, né? Mas a minha cabeça tava toda no seminário. Então eu sabia que eu queria servir a igreja. Eu amava isso, mas eu não queria ser pastor. Então eu entrei no seminário em 2003, mas eu só fui ordenado ao ministério pastoral em 2010. Foram alguns anos aí de luta. Eh, eu comecei a servir em uma igreja como contratado desde 2004, mas como eu tava nessa luta, eles criaram um cargo lá para mim, eles chamaram de auxiliar ministerial. Eu tava junto da equipe de pastores, só que eu não tinha o título, não era ordenado, né? >> Sim. >> Eh, mas enfim, então essa foi uma caminhada, n? Primeiro sim, eu fui influenciado, depois não. Eu achava que era algo muito pesado, mas eu acho que eh querendo ou não, quando você cresce em uma família que tem essa essa percepção, pelo menos alguns horizontes de possibilidade ficam abertos, né? >> Uhum. >> Então, ah, talvez até de formas que eu não consiga explicar, eu sei que teve alguma influência sobre sobre mim. >> Ah, que legal, pastor. Que que bom, né? E que e que bom que o fato do teu pai ter ficado um pouco ressentido assim, não fez com que você também tivesse esse esse essa vontade de não servir, né? Apesar de, como você mencionou, saber que era algo pesado, pesado no sentido de que demanda dedicação, trabalho, abdicação. A gente sabe como é a vida de um pastor, né? Mas que bom que que você seguiu. E tem uma uma pergunta que eu sempre faço pros nossos convidados aqui. Eh, você tem algum time do coração? Torce para algum time? Eu tenho até medo dar essas [risadas] respostas. >> É porque eu podia colocar minha garrafinha aqui, ó. Não, [risadas] deixa, deixa quieto. Ah, mas olha só, eu sou do Maranhão, sou de São Luís. >> Eh, então não tem nada a ver com São Paulo, mas acontece o seguinte. você crescer no Maranhão em década de 90, né? Eh, você só assistia na na televisão jogos de Rio e São Paulo. >> Uhum. >> Então, os times, a gente tem o time de lá, lá tem o o Sampaio Correia, acabou ficando conhecido, né, nacionalmente. Sim. >> Lá eu torço pro Motoclube lá. O motocube é o rubro negro, >> mas o meu time do coração é o Palmeiras. >> É mesmo? [risadas] Olha só. É uma pena assim meu ponto de vista, né? Quando você começou a falar década de 90, falei assim, pô, ele vai falar o São Paulo. Ele vai falar o São Paulo, >> mas é o Palmeiras, certo? E foi por conta então de uma grande fase do Palmeiras ali depois dos anos de 94 >> ali, acho que foi 92, 93, bicampeão, né? Tinha Evaí, ali, tinha Rivaldo, aquela turma toda. >> Época da Parmal depois, né? >> É, exatamente. Aqui. >> Entendi. Tá bom, tá perdoado, pastor. Tá perdoado. >> Mas assim, eu digo assim, eu sou um palmeirense meio fajuto, né? Porque eu não eu não assisto tanto futebol. Eu gosto muito mais da zoeira, da provocação >> do que de acompanhar futebol no dia a dia. >> Que legal. E seus filhos te seguem, né? São segu >> Tá certo? E tá numa fase ótima, né? Tem que aproveitar mesmo. Muito bem, pastor. Entrando um pouquinho aqui na na nossa pauta, né, do assunto que a gente vai tratar hoje, que é um pouquinho sobre esgotamento, sobre trabalho, sobre essa essa pressão desse mundo que a gente vive, né? Você escreveu um livro sobre isso, né? Isso. Eu escrevi o livro Produtividade Redimida e a história desse livro é interessante, eh, porque eu não tinha exatamente um projeto de escrever um livro, né? Ah, uma editora fiel me procurou porque eu já estava falando sobre isso, mas eu comecei a falar sobre isso porque eu experimentei dores muito concretas nessa área. >> Uhum. >> Então, aí é um pouco de como eu conto a minha história nesse sentido, né? Eh, eu tenho um pelo menos um acúmulo de de pelo menos três elementos que eu acho que se se reúnem para montar esse cenário. Então, desde criança, eu tenho esse essa dispersão de energia e de foco muito grande. Então, eu joguei futebol de campo, futsal, eu joguei basquete, eu tenho 1,61 de altura, não joguei basquete, eu eh eu fiz ginástica olímpica, né? É, os meus amigos tiram onda comigo até hoje, né? Caramba, diferente, hein? A primeira pessoa que eu convers um dia fez ginástica olimpin. >> É. E e assim, então eu eu tinha muita dispersão na adolescência, como eu falei, né? Vários instrumentos, depois fotografia, filmagem, criação de site, blog, podcast. Eh, até hoje, né, querendo ou não, você tem eh muita muita variação de de interesses. OK. Mas se a dispersão de energia e de foco não vi acompanhada de uma capacidade de recuperar essa energia, isso você entra num saldo negativo, né? Então aí para mim é o segundo componente. Aí >> eu tinha uma dispersão de foco de energia muito grande e tinha hábitos ruins que não me permitiam essa recuperação da energia. Então desde cedo dormia mal, dormia muito tarde eh me alimentava mal. Eu digo assim, durante teve uma época da minha vida que a minha dieta era nissim miojo, né? >> Caramba. >> É, então hoje eu colho as consequências disso. [risadas] Eh, mas quando você é jovem, você aguenta, né? Eh, você consegue virar à noite, no outro dia você tá inteiro, >> mas uma hora a fatura chega. Então, atenção jovens, um dia a fatura vai chegar. Cuidem agora do corpo vocês não terem que colher coisas ruins depois, né? Eh, então já tem um descompasso aí. Mas tem um terceiro elemento que eu acho que agrava ainda mais a coisa, que são hã vícios ou problemas do coração. Então, só para dar um exemplo que eu acho que é um dos mais centrais aí, eh eu sofria daquilo que a Bíblia chama de temor de homens, né? Então, temor de homens é quando você é hã dominado, vamos dizer assim, pelas críticas, opiniões. Ah, você vive pelo desejo de agradar ou pelo medo de desagradar. Então, na prática, como é que isso funcionava para mim? Eu tinha uma dificuldade terrível. Eu ainda tenho um pouco, mas Deus tem tratado meu coração, de dizer não. Então, quando você não sabe dizer não, você o que todo mundo pede para você, você vai >> sim vai fazer, >> vai fazer, é, assumindo. Então, eu gostava de ser útil, de ser solícito, eu gostava de ajudar, mas às vezes se transformava em algo eh problemático, né? Então, quando você junta essas coisas, eh, muita dispersão de foco, de energia, pouca eh sabedoria, né, em termos de cultivo de hábitos saudáveis. Eh, para dar mais um exemplo aqui, né, eu já pastor, eu não tinha dia de folga. Uhum. >> Quer dizer, no papel eu tinha, mas o meu dia de folga era usado ou para lidar com demandas atrasadas ou para adiantar alguns projetos que eu queria inventar. >> Sim. Eh, então, hábitos ruins e um coração desalinhado, como eu chamo. O resultado disso foi que, eh, ao longo de anos, né, esse tipo de estilo de vida foi cultivado, mas eventualmente a fatura chegou. E aí eu digo que eu quebrei. Eu quebrei no corpo e eu quebrei na alma. Então, no corpo eu quebrei eh com os sintomas do esgotamento. >> Então, há diversos sintomas, eu gosto de mencioná-los. Porque às vezes algumas pessoas estão passando por essas coisas sem perceber claramente, né? >> Então o que que o que que aconteceu comigo? >> Eh, um sintoma muito claro assim para mim, a imunidade foi lá para baixo. Então você tá com um bebezinho aí de 6 meses, né? Eu o o eu lembro assim quando o Matias é o meu filho mais velho. >> Matias tinha acho que um mês de vida. Eh, eu tava nessa fase, toda semana eu tava com uma virose diferente, tudo. E ele, os primeiros dias de vida, né, primeiras semanas, eu peguei uma virose, aí fiquei muito preocupado, né, isso era antes, >> passar para ele, né? Sim, >> isso era antes da pandemia, 2016, né, mas eu já comprei um uma caixa de máscara e aí ficava andando de máscara dentro de casa. Mas teve um dia que eu vi meu filho fazendo um barulhinho diferente, tava, ele tava no trocador, tava acho que preparando para pro banho. E aí eu percebi que ele tava tcindo, né? Aqui o bebezinho não tem força para tcir como a gente, então um barulhinho diferente. E aí eu vi que ele tinha pegado um resfriado por minha causa. Nossa, eu me senti muito culpado ali, né? Sim. >> Eh, mas era isso. A minha imunidade tava muito baixa. Toda semana um tipo de virose diferente, um resfriado, alguma coisa assim. minha esposa preocupada comigo e as demandas do ministério, né? Eu tava plantando igreja, fazendo mestrado, enfim, a vida não para, né? >> Uhum. Ah, então imunidade foi um dos componentes, problemas gástricos, então você fica cheio de gases, você não faz a digestão direito, eh, enfim, o corpo responde, eh, indisposição, cansaço, fadiga, eh, insônia, eu que já tinha hábitos ruins de sono, a coisa ficou ainda pior. Então, eram vários componentes de um corpo que tá se arrastando, né, tá sofrendo, mas não só o corpo, como a alma também. E aí para mim foi o que eh ainda foi mais pesado, né? Porque uma das coisas que aconteceu foi o desânimo. Eh, coisas que antes eram uma fonte de muita alegria para mim, eh, passaram a se tornar um fardo. Então você imagina, eu eu tô no meu mestrado aqui no Andrew Jumper, eh, fazendo algo que eu amo, mas eu levei do anos para escrever minha dissertação, porque eu não tinha foco, energia e nem alegria para fazer o que eu tinha que fazer. Tem tem vários outros elementos aí, um deles era o perfeccionismo, eh, que me travava mesmo antes de escrever. Ah, mas aquilo se tornou um fardo para mim. a o próprio ministério, né? Aconselhar pessoas que antes era algo bom se torna pesado. Pregar que antes era algo bom se torna pesado. Ler um livro que era algo bom se torna pesado. Então isso vai eh roubando realmente a alegria e energia da vida, né? H mas junto a isso, talvez uma das coisas mais difíceis para mim foi que eu comecei a experimentar crises de ansiedade profunda, né? ataques de pânico, a sensação de que eu ia morrer e e no meu caso, especificamente era uma sensação de sufocamento. H, e isso revelava assim a a minha alma em desespero, né? Então, corpo e alma quebrados. >> Sim. >> Então, isso foi o resultado de uma longa caminhada. Então, como eu falo, desde adolescência, com hábitos ruins até vida adulta, já pastor, casado, tendo filho. Eh, e durante anos, eu imagino que eu que eu eh eu eu segui me arrastando ou correndo e fazendo as coisas do jeito que eu conseguia fazer, até chegar o momento em que eu quebrei, quebrei de vez. E aí, como eu falei, né, o mundo não para para você eh continuar ou para você, enfim, ajustar tudo. Ah, então eu tive que seguir. Mas Deus, no meio desse período foi tratando o meu coração e foi me ensinando muitas coisas. De modo que eu digo assim, eu nunca eu nunca mais fui o mesmo. Eu nunca voltei ao mesmo pique de energia e de coisas que eu fazia antes. Ah, mas Deus me permitiu sair desse ciclo eh destrutivo, né? Então, por isso hoje eu ando com camisas assim que dizem: "Caminha enquanto eles correm", né? >> Sim. >> Eh, e o meu lema é é isso, né? Eh, andar mais, correr menos e andar mais. Eh, e eu fui entendendo que o tinha um monte de coisas nesse processo, mas o caminho era o coração, primeiramente precisava ser ajustado. >> Sim, >> porque num primeiro momento eu achava que a questão era de método. Então eu pensava assim, se eu conseguir o método certo de produtividade, eu vou dar conta de tudo. Então eu vou conseguir cuidar da família, cuidar da igreja, terminar o mestrado, inventar os projetos que eu tenho. Eu vou conseguir equilibrar todos os pratos. >> Uhum. E aí eu estudei muitos materiais. Então eu comecei a ler, fazer curso, assistir palestra e tudo que eu podia sobre produtividade. E isso foi bom, assim, me permitiu descobrir coisas muito boas, mas nunca resolvia, né? Eu voltava pro mesmo lugar depois de um tempo. Então, nisso, eh, eu entendo, né? Deus foi me ensinando que a a produtividade começa no coração, porque Provérbios 4:23 diz pra gente, né, sobre tudo o que se deve guardar, guarda pois, o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida. Então, na visão bíblica do homem, eh, por trás de tudo aquilo que a gente faz, eh, está o nosso coração. Então, nosso coração lida com o nosso senso de identidade, de propósito, nossos anseios, expectativas, desejos, amores, temores, ídolos, imaginação, tudo isso. E aí eu comecei a perceber que o meu coração tinha uma série de desvios, coisas que precisavam ser tratadas, né? Continuam precisando. >> Uhum. Eh, e que tratando primeiro essas coisas, eu poderia direcionar as coisas numa direção eh diferente e assim reorientar a caminhada para caminhar, servir, trabalhar, viver de uma forma mais saudável, né? Então, na na estrutura do livro, eu faço assim: primeiro, a gente trabalha o coração, depois eu vou tratar métodos, técnicas e recursos de produtividade e então uma vida eh direcionada para Deus, uma vida verdadeiramente produtiva nesse sentido, né? Até porque muitas vezes quando a gente fala de produtividade a gente foca muito essa coisa de ou é trabalho ou é estudo. Mas na verdade uma vida produtiva é uma vida que responde aos chamados de Deus e responde com excelência, né? Isso significa na paternidade, na maternidade, na membresia da igreja, eh na vizinhança, sei lá, em tudo aquilo que a gente faz, né? Então, eh, eu passei por esse processo, eh, de certa forma ainda estou passando. Essa é eh eh essa essa é a caminhada de santificação. Então, a gente só vai estar pronto quando a gente for glorificado, né? >> Sim. Ah, mas eu percebi que eu não tava sozinho nisso. Eu começava a conversar com outras pessoas e comecei a perceber que tinha muito mais gente experimentando essa mesma confusão, procrastinação, cansaço, eh, enfim, vício em dopamina barata, né? ficar scrollando aí no celular, >> eh, esgotamento. >> E então eu comecei a falar sobre isso, gravei um curso sobre isso e aí surgiu o livro, então trabalhando essas questões, né? >> Pô, que legal, pastor. Enquanto você falava, eu eu me enxergava nas coisas que você falava. Então, assim, acredito que, como você mesmo mencionou, eh, a população hoje ela é levada a isso, né? Então, poxa, eu tenho, eu não posso estar descansando, eu não posso estar num bom sentido da palavra ocioso, eu preciso estar sempre fazendo alguma coisa. >> Eu passei por um esgotamento há há dois anos atrás, eu fiquei internado na UTI, princípio de de infarto e quando fui ver a áução tá bom, seu problema não é no coração, na verdade era, mas não neste coração físico, né? E e de lá para cá eu também não fui mais o mesmo. E é algo que eu trabalho e tenho lutado constantemente, porque também sempre gostei de praticar todos os esportes possíveis, fazer um monte de coisa, só que uma hora realmente a conta chega, né? E eu acredito que não é uma não é uma exclusividade do Wallace, do Alen Porto, como você mesmo falou, pastor, é algo da sociedade atual, né? E ainda mais aqui em São Paulo, que é uma cidade que não para, a gente é muito, talvez influenciado pelo lugar que a gente mora. E aí acho que vem uma pergunta aqui, né? eh o quanto o lugar que a gente tá inserido e aí cidade, bairro, trabalho e às vezes até na igreja, a igreja como a IPSA, que é uma igreja que realmente tem muitas atividades e tudo mais, o quanto isso influencia para que a gente caia nesse erro de acúmulo de função e esgotamento? >> Sim. Olha, eu acho que influencia bastante, né? Então, eh eh nós temos uma relação inevitável com o lugar em que nós estamos. Então, eh, claro que o reverendo Daniel vai poder falar com muito mais propriedade do que eu sobre isso, eh, porque ele é o cara do Antigo Testamento, né? Mas, eh, a palavra, né, quando Deus deu o nome para Adão, o termo em hebraico é muito parecido com o o termo terra. Então, eh, Adão e Terra estão assim, são, eh, duas letrinhas, se eu não me engano, de diferença. O homem tem uma relação com a Terra, com o ambiente. O homem é um ser físico corporificado e eh entranhado com o seu ambiente de uma forma que eh essa faz parte da estrutura que Deus deu pro mundo, né? Então, a nossa ligação com o lugar em que nós estamos é muito visceral, né? >> Sim. Então, ah, certamente os ambientes eh possuem uma influência, né, ou ou, eh, influenciam de formas muito pesadas os modos como nós imaginamos a realidade, como nós respondemos à realidade. E aí nós temos diferentes cenários, né? Então, você mencionou hoje no nível global está acontecendo, pelo menos falando principalmente de ocidente, mas hoje já não é só ocidente nesse sentido, né? Ah, tem um autor chamado Buyum Tuhan. Ah, ele é um filósofo e ele escreveu um livretinho chamado A Sociedade do cansaço, em que basicamente ele descreve o nosso ambiente hoje como eh esse ambiente. Ele diz assim: "Nós mudamos o modelo de sociedade em que vivemos. Antigamente nós vivíamos em uma sociedade eh da obediência, uma sociedade que o Michel Foucault descrevia. Hoje nós vivemos um modelo de sociedade. Ele diz assim, nesse nesse modelo anterior, h o panorama era marcado por eh hospitais, fábricas, eh presídios, eh eh era essa mesma essa era a mesma dinâmica em que você tinha muito mais a negatividade como ah o eixo fundamental. Agora nós estamos na sociedade do desempenho. Então o que que compõe o nosso panorama hoje? que que é mais comum hoje você enxergar eh academias, eh aeroportos, eh shopping centers e escritórios, eh e e uma narrativa de performance e desempenho, que diz: "Você pode ser tudo aquilo que você quiser ser, você precisa ser o protagonista da sua vida, eh seja a sua melhor versão e por aí vai." Então, o ambiente global ou pelo menos ocidental, a narrativa que nós vivemos é a narrativa do humanismo secular, que vem desde o século X, mas que ganhou um contorno próprio na nossa época e que nos coloca num num num cenário de positividade. A gente chama de positividade tóxica. Eh, tem uma autora que diz assim: "Nós crescemos ouvindo que nós podemos ser tudo que nós quisermos e nós entendemos que nós devemos ser tudo." >> Uhum. certa forma é isso. Os adolescentes hoje já acham que eles têm que provar o valor dele, deles eh por performance, por notas, por eh números de seguidores, de likes e coisas assim, né? >> Então, a gente olha pros nossos modelos de sucesso e são pessoas que cedo demais conseguiram um status de referência, gente que se inspira, ou pelo menos se não se inspira diretamente, mas tem no no seu radar, né, nomes Neymar. Virgínia, eh, eh, Manuite, eh, o pessoal Geração Z aí tá sabe tudo que eu tô falando aí. Se você é um pouquinho mais velho, depois você pergunta para eles. Eh, mas são gente nova que atingiu posição eh muito muito alta, né, de dinheiro, de sucesso, eh muito cedo. E a gente já cresce com esse tipo de eh aceleração pressa. Eu tenho que atingir o meu sucesso cedo >> como se fosse obrigado. >> Exato. É. E e é por isso a gente morre de medo de escolher o curso errado na faculdade, porque a gente acha que estraga a nossa vida. Ou eh, sei lá, você tá, uma vez uma uma pessoa me mandou uma pergunta numa caixinha do Instagram, né? Eu sinto que a minha vida tá se perdendo e eu ainda não decidi o que eu quero fazer dela e tal, tal, tal. E eu só e eu já tenho 19 anos. >> Já tem tudo isso. [risadas] >> Desculpa, né? Ah, mas eu entendi assim porque de certa forma é isso, a gente acha que com 20, 21 anos a gente já tá tem que tá com a vida toda resolvida. >> As promessas são, você tem que lembra da Betina, né? Olá, meu nome é Betina e eu tenho eh R 1 milhão deais em tenho R 19 anos e tenho R 1 milhãoais em patrimônio acumulado. A gente tem que fazer o nosso primeiro milhão antes do 25 anos de idade. A gente tem que estar na Forbes under 30, né? Antes dos 30 a gente tem que ter atingido o topo eh da carreira. Ah, então é o ambiente global é um ambiente de aceleração e positividade tóxica. A gente tem que provar o nosso valor pelo desempenho. Mas junto a isso você tem os ambientes locais. E aí, eh, todo mundo tá influenciado pelo global, mas existem lugares em que isso se torna ainda mais aflorado. Eu lembro a primeira vez que eu vim para São Paulo para pro eh módulo no Andrew Jumper e eu caí na besteira. Veja só, de entrar numa escada rolante e simplesmente ficar >> hum ehqu [risadas] >> do lado esquerdo encostado, como se eu tivesse em qualquer outro lugar do mundo, né? E de repente o pessoal vem me atropelando, diz: "E dá licença, sai daí que eu tenho passar e tal". Então eu fiquei pensando sobre as dinâmicas dessa cidade, né? Em que >> nenhuma escada rolante você pode ficar parado, né? Eh, é pressa, é correria e ninguém para. Então a gente eh se já existe, se já existe um cenário global, o cenário local é ainda mais concreto, né, de aceleração, de eh eh pressa, de não saber pausar, parar, então não saber dormir. Então isso causa um efeito muito grande em nós. E aí comunidades menores também podem reforçar isso, desde igrejas que possuem uma dinâmica ativista. Então, veja, existem igrejas que são grandes e tem muitas atividades. >> Uhum. >> Mas que não tem uma cobrança para que todos os membros participem de todas as atividades. Então, isso acontecer é natural. Uma igreja grande vai ter reunião de adultos, de jovens, de idosos, de Isso acontece. >> Sim. >> Agora, existem igrejas em que você tem uma pressão para que o membro esteja em todas as atividades, né? E aí a pessoa eh é cobrada pelos seus líderes e se ela não tiver performando, então ela abandonou a Deus ou alguma coisa assim. >> Ou ainda que ela não tenha eh dinâmicas muito claras de cobrança, tem eh mensagens sutis em que ela assimila e passa a se cobrar se ela não tiver participando de tudo, então ela acha que ela é menos crente ou tá em dívida com Deus. >> Então isso se torna problemático. E círculos familiares também. Então, existem ambientes familiares cujos pais imprimem dinâmicas em que o filho tem que tá sempre fazendo alguma coisa, o valor dele vai ser provado pela performance, você tem que ser melhor do que os outros, você tem que fazer mais, você tem que ah e isso nos coloca nessa posição diante da vida, eh, e diante de Deus, fundamentalmente, em que a gente não tá olhando pra graça do Senhor como a sustentação da nossa caminhada. Eu sempre gosto de trazer o Salmo 127, né, que diz: "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que edificam". Eh, a gente tira Deus do cenário e é a gente que vai correr para edificar a casa, a gente que vai correr para guardar a cidade, né? É a gente que vai correr para dormir tarde, acordar cedo e comer o pão que penosamente grangeamos, né? Mas o que o texto diz pra gente é: [limpando a garganta] "A seus amados ele dá enquanto dormem". >> Uhum. E essa é a chave, porque enquanto você tá dormindo, você não tá gerando valor para ninguém. Você não tá movimentando a economia, você não tá eh performando, você não tá fazendo nem exercícios espirituais, você não tá orando, nem jejuando, nem discipulando, nem evangelizando. Você é um vegetal. E Deus tá dizendo: "Eu continuo amando você e continuo sustentando você porque o seu valor não está na sua performance, né? Isso faz muita diferença pra gente. >> Total, >> né? E que dificuldade a gente tem de entender isso, né, pastor? Eh, você tava falando do cenário aqui da pessoa que precisa estar em tudo ou às vezes acontece também muito da pessoa eh só tem aquela pessoa para fazer tudo. Às vezes também eu enxergo que isso acontece porque outras pessoas não se colocam à disposição. Então, por exemplo, o Alen Porto, ele tem que tá servindo na música, na mocidade, na diaconia, liderar um PG, porque às vezes também outras pessoas não se levantam. >> Uhum. E obviamente que também tem uma responsabilidade nossa de falar assim: "Opa, o reino vai seguir mesmo se eu não for, Deus vai movimentar outra pessoa, né? Então a gente também tem que ter essa >> essa consciência, né, pastor? >> É isso. Eu acho que você tocou num ponto chave aí. Eh, quando eu estava plantando a igreja lá em São Luís, o trabalho de iniciar, né, uma congregação é um trabalho desafiador, especialmente quando você não teve um projeto anterior bem desenhado e você não tem um grupo base formado. Então, ali a gente começou basicamente eu, eh, a minha esposa e uma outra família, eh, então eram dois adultos e duas crianças. Eh, então, no começo eu tinha que fazer tudo. Então, eu dirigia o culto, tocava, pregava, eh chegava mais cedo para abrir a igreja, fechar a igreja. Eu tinha que saber se tinha ou não papel higiênico, tinha que comprar o papel higiênico, comprar água, pagar a conta de luz, eu tinha que fazer tudo. Ah, mas aí entra a questão do coração também, né? Então, junto a isso, eh, o grupo foi sendo formado, né? Foi chegando, gente, mas o meu coração foi assimilando dinâmicas centralizadoras. Então, >> eh, por um lado eu tô ressentido porque só eu tô fazendo tudo, mas por outro lado eu não abro espaço para ninguém fazer, eu quero ficar fazendo tudo, né? >> Sim. Eh, então quando eu saí, e até a ideia de sair foi difícil, né, pra gente, mas a gente saiu e veio para cá, pro interior de São Paulo, ah, o pastor que foi para lá me disse: "Alen, a gente precisou de sete pessoas para fazer tudo que você fazia na igreja, né?" Puxa vida. >> É. E por um lado assim, pro nosso ego é: "Nossa, eu consigo fazer o que sete pessoas". Mas qual o custo, né? Eu adoeci exatamente por causa disso, né? não tem virtude nenhuma em eh fazer o trabalho de sete pessoas, porque eram para sete pessoas fazer esse trabalho, não eu. E aí Deus nos humilha nisso, né? Porque eu saí achando que a igreja ficaria desassistida de alguma forma e Deus levantou as pessoas para fazer. E hoje a igreja tá lá muito maior do que quando eu deixei. Eu até digo assim, eu era o empecílio pro crescimento da igreja, né? Porque é isso? Você acaba eh ocupando o lugar de outras pessoas que podem eh desenvolver os seus dons e talentos, né? E pode ser que elas não façam algumas coisas tão bem quanto você faça. >> Uhum. >> Mas elas vão aprendendo, né? Então eu vejo essas duas coisas. Por um lado, é verdade, isso é uma uma regra para toda a igreja. Eh, não sei se é exatamente a lógica de 80 20, mas seria mais ou menos algo assim. você sempre vai ter um grupo pequeno de pessoas, que é o grupo mais comprometido e que vai acabar servindo em mais áreas, né? >> Sim. >> Ah, mas entender essa realidade não deveria nos colocar numa posição em que a gente acha que tem que assumir todas as funções, eh, e não abre espaço, né, para que outros aprendam, para que cheguem, para que ou até mesmo deixe espaços vazios. entendendo? Olha, talvez agora não seja o momento da gente tocar esse esse aspecto e a medida em que Deus for levantando pessoas, a gente vai fazer isso, né? Então, nem todos os projetos devem ser desempenhados eh na hora que a gente acha que devem ser. Eh, e e parte disso é importante porque eu digo assim, o ministério é uma maratona e não uma corrida de 100 m, né? né? Então, quando você quer fazer tudo, eh, e com essa pressa, o risco que a gente corre é de ter pessoas que se esgotam pelo caminho, >> sim, >> e não conseguem desenvolver um ministério de longo prazo. Então, você poderia ter uma vida útil de serviço de 30 a, 40 anos, mas você se esgotou tanto que você diminuiu para 10 anos, quebrou e aí nunca mais conseguiu eh ter um ritmo saudável, né, de crescimento. Então é melhor você andar do que você correr. Você vai conseguir servir por mais tempo e assim vai poder ser mais útil pro reino de Deus, eh, pras outras pessoas e você também vai desfrutar de mais saúde nesse processo. >> Que legal, pastor. Que bacana. E pastor, a gente tem algumas perguntas aqui que o o pessoal da nossa mocidade colocou para nós, né? A primeira é como posso aconselhar um irmão que deixa de vir à igreja como prioridade por conta do trabalho? Ah, eu acredito sim que eh parte do problema é exatamente esse de que por causa da nossa sociedade, da cosmovisão à nossa volta, e aí o fato de nós termos sido moldados por esse mundo, nós passamos a achar que o fim principal do homem é desfrutar de sucesso profissional, financeiro, eh, mediático, relacional, etc., né? Enquanto o breve catecismo nos diz, o fim principal do homem é glorificar Deus e desfrutar dele para sempre, né? Sim. >> Então, é mais natural, eu diria assim, é mais comum do que a gente imagina. Eh, porque desde os pais a gente olha eles todo o foco que eles dão paraa formação dos seus filhos é você tem que estudar para para passar, tirar uma nota boa no Enem, para ser alguém, para ter uma boa profissão, para ter uma boa vida. >> Então, e eu até digo assim, a nossa geração é a geração do do Netflix e iFood, né? Eh, a gente quer >> as manifestações do conforto e do sucesso de uma boa vida, né? Então, se a gente é formado nessa direção, quer dizer, tem um discipulado acontecendo desde a nossa infância em que a gente é pressionado para ter algum tipo de performance muito mais paraa vida profissional, eh, acadêmica, do que pra vida com Deus, eh, vai demandar uma longa caminhada de re, eh, estruturação do pensamento e do coração para nós entendermos que o nosso fim principal é glorificar Deus. Isso vai significar inclusive, ah, por vezes, escolher serviços que paguem menos, mas que nos ajudem a guardar o dia do Senhor para que a adoração a Deus esteja no centro, né? Ou que nos façam ganhar menos pra gente poder cumprir o nosso papel como pais, como mães, estarmos presentes em casa. Ah, então, ah, como é que a gente faz isso? é um, eu diria que é um longo processo. São, eh, conversas e conversas, estudos de na UMP, classes de escola dominical, eh, sermões e uma reorganização do do imaginário, que é pela amizade em que a gente vai dizendo: "Olha, você precisa lembrar que um homem pode ganhar o mundo e perder sua alma. E não vai adiantar nada você ter o melhor trabalho do mundo e o melhor salário do mundo se você não tiver o descanso que Cristo oferece, né? Eh, então eu acho que o caminho é por aí, né? Conversas honestas nesse sentido e uma reorganização dos nossos valores. >> Que legal, pastor. A gente faz parte de um de uma geração que não consegue descansar, né? E eu me incluo nisso. Às vezes eu brincava eh com a minha esposa, ela falava assim: "Amor, vai descansar, tal". falei assim, não, descansar é só na glória, né? E às vezes a gente pensa, às vezes a gente brinca com isso, mas infelizmente às vezes é isso que a gente vive, né? >> E descansar é uma orientação bíblica, né? E às vezes a gente ignora isso, né? Então a gente tem que tomar muito cuidado, né, pastor, com isso. >> É, esse podcast vai sair depois, mas se você tá assistindo isso aqui, depois você procura o sermão em Gênesis 2, é o sermão que eu vou pregar amanhã aqui na igreja de Santamaro, eh, que a gente vai falar exatamente sobre o descanso do Senhor. Então vai ser importante para pessoal entender melhor esse cenário, né, e até mesmo pra gente reorganizar, porque a gente tem eh se o mundo lá fora tem o ditado, né, trabalha enquanto eles dormem, nós temos os nossos ditados evangélicos. Não descansa só na glória, o crente descansa carregando pedra. Ah, mas não. Quando a gente olha para Deus no sétimo dia parando, ah, isso é algo poderoso pra gente. A gente precisa aprender a descansar. precisa. E pastor, eh, tem uma outra pergunta aqui que te diz assim: "O anseio de estar produzindo algo o tempo todo pode ser um reflexo de ingratidão para com Deus, com as bênçãos que Deus já nos entregou para essa vida? É um problema moderno ou os p os povos antigos também sofriam com essas coisas?" >> Eu diria que eh a primeira pergunta, né? Sim, eu acho que envolve eh até aquilo que a Bíblia chama de descontentamento, né? >> Uhum. [limpando a garganta] >> Tem uma manifestação de ingratidão na busca de autosuficiência. Eh, Hebreus 13 fala pra gente assim: eh, contentai-vos com aquilo que tendes, eh, não, não sejais avarentos, contentai-vos com aquilo que tendes, porque ele tem dito, eh, nunca vos deixarei, jamais vos abandonarei. Então, às vezes, a nossa correria é exatamente o fruto de um coração que não é grato por aquilo que Deus tem dado e assim tá sempre querendo mais, procurando mais. Então, eu não posso descansar no que Deus me deu. Eu tenho que conquistar uma posição melhor, eu tenho que ter uma nota melhor, eu tenho que ter uma namorada melhor, eu tenho que ter um filho, eu tenho que ter isso. Eu tô sempre pensando na próxima coisa, né? Eu nunca consigo parar e simplesmente dizer: "Deus é bom comigo", né? Ou como o salmista diz, né? Eh, as minhas eh os meus limites caíram em lugares a menos. É muit linda a minha herança, né? A gente não consegue dizer isso porque a gente tá sempre pensando, não, eu posso melhorar, eu posso ter um carro melhor, eu posso ter alguma coisa melhor, eu tenho que ter isso, eu tenho que ter aquilo? Então isso é fruto de um coração eh descontente. E isso é acentuado pela nossa época, pela nossa cultura. Mas como esses alertas já tão, você olha para Hebreus já tá lá, você olha para Paulo em Filipenses, está lá. Então isso tem a ver com o nosso coração mesmo, desde desde a queda em que a gente luta eh em termos de simplesmente reconhecer o que Deus nos tem dado, aceitar o que Deus nos deu e descansar no que Deus nos deu. não significa que a gente não possa desejar outras coisas, mas é que muitas vezes o nosso desejo é o resultado de um coração descontente e não simplesmente eh um foco de glorificar Deus ainda mais desfrutando de outras coisas, >> certo? E pastor, até que até que ponto é porque isso gera toda uma ansiedade no nosso coração, né, senor falou sempre a gente tá querendo a próxima coisa, desejando o próximo passo e a gente acaba não vivendo e sendo grato pelo agora, né? até que ponto a ansiedade, e aí eu falo da ansiedade como como doença aqui, né? Até que ponto ela pode ser pecaminosa [roncando] e até que ponto ela é é aceitável diante de Deus sem ser algo do nosso coração que que peque? Tem tem um limite? Olha, eh, os psicólogos têm tentado encontrar uma espécie de diferenciação nesse sentido, né, dizendo pra gente que existe uma um tipo de ansiedade que seria ou natural ou até benéfica em nos eh nos manter alertas, né? existe um eles tentariam classificar isso, né, como um tipo de ansiedade que nos mantém alertas para nos proteger. Então, quando você tá andando em uma rua escura, você está naturalmente em um modo de alerta que >> isso funcionaria para deixar você protegido por causa dos riscos possíveis ali. Eu não sei se a melhor palavra para isso é ansiedade. Ah, mas existe um sentido no qual esse alerta nos protege. Ah, eles tendem a classificar então uma ansiedade patológica como aquela ansiedade que nos coloca em uma condição permanente de sofrimento e assim começa a produzir eh problemas pro pra nossa vida. Então, é a ansiedade que nos impede de trabalhar direito, de descansar, nos impede de respirar, de estar no momento presente. Hã, independentemente da classificação da psicologia, o que a Bíblia descreve pra gente é que existe uma postura do nosso coração em que a gente não consegue desfrutar, contemplar a graça de Deus. E aí a gente tá tentando controlar a nossa vida. Então Jesus fala lá em Mateus 6, né? Eh, não fiquem ansiosos quanto o dia de amanhã. Jesus diz: "Olhem pros pássaros, eles têm que comer porque Deus providencia. Olhem pros lírios, eles têm que vestir porque Deus providencia. E Deus ama vocês muito mais do que os pássaros, do que os lírios. Ele vai cuidar de vocês. Ele sabe do que vocês precisam, né? Então esse é um tipo de ansiedade que essa manifestação de alguém que não confia no cuidado do Senhor e quer ah ou pelo menos está lutando com essa dinâmica e quer ter o controle da sua vida nas suas mãos. Então eu quero garantir que eu vou ter a comida, eu quero garantir que eu vou ter a roupa, garantir que eu vou ter a moradia, ou eu morro de medo de perder o que eu tenho, ou eu quero sempre ter mais. Então, h, esse, essa disposição, isso, né, o que, o que Jesus tá descrevendo aí como andar ansioso, isso é pecado. >> Uhum. >> Na nossa experiência, qual é o problema? Essas duas coisas estão sempre misturadas. >> Sim. De forma que é muito difícil você dizer: "Olha, essa experiência de ansiedade tá totalmente isenta do pecado. Eu acho que a gente nunca vai conseguir eh chegar nesse ponto, porque o que nós somos expressa algo da nossa do velho homem que ainda tá presente, né, em tudo aquilo que a gente faz. Eh, ao mesmo tempo em que, eh, talvez haja situações que a gente não vai conseguir dizer: "Ó, tudo que tá aqui é necessariamente pecado". Então, você pensa num num pai que quer prover paraa sua família, né? E aí ele fica ansioso. O desejo de prover para sua, pra sua família é algo bom. >> Uhum. >> Mas o o medo envolvido ou ambições envolvidas tem dinâmicas pecaminosas. >> Sim. O adolescente que quer tirar uma nota boa no Enem, ele pode ter eh ao mesmo tempo, né, motivações que são boas, porque ele quer eh crescer na vida, ser capacitado para poder servir melhor e até mesmo glorificar Deus. Mas podem ter motivações pecaminosas porque ele morre de medo e ele quer controlar todas essas dinâmicas, né, do futuro da vida dele. Então eu gastaria menos tempo tentando encontrar essa linha exata eh de on até onde é pecado e até onde não é. e mais tempo buscando identificar se no meu coração existem eh motivações, desejos, ídolos e temores que no fim das contas estão me levando a não descansar e confiar no Senhor. Eu acho que esse é um caminho mais tranquilo pra gente. >> Entendi, pastor. Entendi. Faz total sentido e não é uma tarefa fácil, né? Ainda mais quando a gente vai se autoexaminar, né? Porque às vezes a gente olhar pro outro, fala assim: "Cara, você tá ansioso, você precisa confiar mais em Deus". É muito mais tranquilo do que quando você tem que olhar para dentro e falar assim: "Cara, eu não tô confiando em Deus". >> Que é difícil pra gente às vezes assumir os nossos próprios pecados e olhar para algo igual igual você falou, a princípio é algo bom, trabalhar para sustentar a tua casa e ver que aquilo pode estar sendo pecaminoso e às vezes abrir mão até de um status que você galgou tanto para chegar e falar assim: "Poxa, isso daqui não tá me fazendo bem". tarefa difícil, é árduo. >> É, mas o que eu tenho aprendido é assim, [roncando] esse trabalho, né, do alinhamento do coração é um trabalho doloroso, difícil, lento. >> Uhum. >> Mas Deus providencia graça para cada dia, né? E até nisso a gente descansa, porque se a gente pensar que é a gente que vai reformar a nossa vida, ah, isso se torna mais um elemento de ansiedade e de performance. Ah, mas a gente tá trabalhando sobre o trabalho do Senhor, né? Então, Cristo garantiu a nossa justiça, Cristo garantiu a nossa redenção, a nossa aceitação. E é Cristo e o Espírito que vão continuar trabalhando em nós um dia de cada vez para nos formar a semelhança do Senhor Jesus. Então, é claro que a gente tem o nosso chamado para eh servir com fidelidade. Eh, mas a gente serve e busca crescer confiando que ele fará em nós eh e cumprirá em nós, né, o seu, o seu desejo. Então, isso é uma fonte de descanso também. >> Amém, pastor. Amém. E pastor, caminhando aqui pro pro final da nossa conversa, nosso bate-papo, que, cara, foi muito legal, foram foi muito gratificante e enriquecedor aqui, não só para nós, mas acredito para todo mundo que nos assiste, né? Queria que você deixasse uma uma mensagem final para quem nos acompanha, né? Se tivesse que deixar uma de tudo que a gente conversou, uma mensagem principal que você deixaria pros nossos ouvintes? É, para mim a chave é sempre o Salmo 127, não é? Se o Senhor não edificar em casa, a casa em vão trabalham os que edificam. Se o Senhor não guardar a cidade, vão vigir a sentinela. Inútil será repousar tarde, né? Recordar de madrugada, comer o pão que penosamente grangeastes. Aos seus amados ele dá enquanto dorme. Então, é verdade que a nossa sociedade é uma sociedade acelerada e por um lado não tem como a gente fugir disso, né? Não adianta eh você fingir que agora que você é uma pessoa zen e você não vai ter que pegar o metrô amanhã com todo mundo se empurrando e quem não correr não vai chegar eh eh no na hora certa, né? Então faz parte da dinâmica da vida. Mas mesmo na correria da nossa da nossa caminhada, é possível você reorientar e estabelecer melhores rotinas e ritmos para que o mundo que é corrido não determine o seu coração. E aí você nem seu coração pode andar enquanto o mundo tá correndo. Como é que isso começa? Isso começa se alimentando de Cristo, os meios de graça. Então é quando a gente tá presente no culto, domingo após domingo, que a gente é reorientado no nosso senso de identidade, nosso senso de propósito e no nosso senso de tempo. Porque domingo após domingo, Deus tá avançando o seu reino e o reino não vai chegar porque você correu demais nessa semana ou porque você foi atrás disso ou daquilo. O reino vai chegar porque Deus tem o seu cronograma perfeitamente estabelecido. E domingo após domingo, Deus nos lembra quem nós somos. E nós não somos o nosso emprego, o nosso salário. Nós somos filhos amados que foram perdoados e justificados. E domingo após domingo nós somos redirecionados do nosso propósito, que não é garantir a nossa vida, mas é servir ao Senhor com fidelidade. Então, relembrando essas coisas, nós podemos reorganizar a nossa agenda para, por exemplo, começar os nossos dias na presença do Senhor, alinhando o nosso coração. E então, com o coração alinhado, firmado em Cristo, a gente vai pras demandas. você ainda vai ter que estudar para pra faculdade, você ainda vai ter que fazer seu curso, você ainda vai ter que trabalhar. Mas quando você tá firmado sobre a rocha, as suas respostas enquanto faz essas coisas podem ser mais belas e mais saudáveis. E você pode resgatar energia e alegria para servir a Deus no mundo. Então, vamos lá, um dia de cada vez. Deus vai dando graça e a gente eh caminha na força do Senhor. >> Muito bom. E, pastor, para finalizar, repete pra gente o nome do teu livro. caso alguém se interesse por comprar, >> claro. Eh, o livro se chama Produtividade Redimida, eh, foi publicado pela editora Fiel em 2024. Legal. Fica, fica a dica para você de casa aí para saber mais sobre esse tema, para se autoavaliar, né? Pastor tem um uma excelente dica aí, tá certo? Pastor, obrigado mais uma vez pelo bate-papo. Foi muito bom. Deus abençoe e continue te usando aí neste ministério. E você que nos assistiu, obrigado pela tua presença, pela tua participação. Compartilha esse vídeo porque você pode alcançar pessoas que precisam, pode levar o evangelho através de dois cliques, né? Então se permita ser usado por Deus. Às vezes a gente acha que precisa fazer grandes coisas, mas com pequenas atitudes a gente pode alcançar pessoas que a gente nem imagina às vezes, tá certo? Obrigado, Deus abençoe e até a próxima. >> [música] [música]