Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

Conversas que edificam – Rev. Allen Porto

Conversas que edificam – Rev. Allen Porto

Conversas que edificam – Rev. Allen Porto

RECEBA DIRETAMENTE:
Canal do Telegram: http://bit.ly/ipsa-telegram (Recomendado)
Assinar Podcast: https://bit.ly/ipsa-podcast
Assinar Newsletter: http://bit.ly/ipsa-email

MAIS INFORMAÇÕES
Mídias Sociais: https://linktr.ee/ipsantoamaro
Website: http://www.ipsantoamaro.com.br

Sobre a música de abertura
Música: Louvai a Deus, soberano Senhor (Hinário Novo Cântico nº16). Título original em português: Louvor a Deus
Compositor: Stralsund Gesangbuch (1665), Joachim Neander (1680)

Legendas automáticas:

[música]
Fala mocidade, boa tarde, bom dia, boa
noite, independente do momento que você
está nos assistindo. É uma honra ter
você com a gente e mais um episódio do
nosso podcast Conversas que edificam,
né? O nosso convidado de hoje é o pastor
Alen Porto. Pastor, muito obrigado por
ter topado o nosso convite, por estar
com a gente aqui esse dia pra gente
gravar o podcast.
>> Eu que agradeço a oportunidade de estar
aqui com vocês.
>> Obrigado. Seja muito bem-vindo aqui a
aos nossos estúdios aqui na IPSA. E
pastor, assim como já é tradição nossa
aqui no podcast, a gente sempre começa
conhecendo um pouco mais dos nossos
convidados, né, na vida fora do púlpito,
fora das pregações ali. Quem é o alen
porto, família, hobbies, conta um
pouquinho pra gente,
>> tá? Ah, eu sou
marido da Ivonete, pai do Matias e da
Lúcia. E eu acho que grande parte, né,
do depois que você vira pai, você sabe
que é isso, né? Sim,
>> grande parte do seu tempo depois de você
casar e ter filhos é dedicado à família,
né? Então,
>> sim.
>> Ah, muito do meu do meu lazer hoje ou do
meu tempo fora de ministério
propriamente é desfrutando do tempo com
a família.
>> Legal.
>> Mas, ã, vamos pensar assim em termos de
hobbies.
H, desde
desde antes de 2005, então, eh, quando
começaram a surgir essas coisas de, eh,
páginas de HTML
e blogs, eu comecei a me interessar por
isso, né? E então ah comecei a estudar.
Inicialmente eu criava algumas páginas
em HTML para escrever algumas coisinhas
e publicar. Depois vieram os blogs, aí
eu comecei a usar blogs. Então, em 2005,
eu considero assim um um marco quando eu
ah dei o nome do blog BJC, né, a Bíblia,
o Jornal e a caneta. E aí desde 2005 eu
tenho trabalhado assim produzindo
conteúdo para pra internet, né? Então
isso envolve escrita. Inicialmente era
muito blog, né? era uma era a época que
você tava mais presente. Depois podcast,
eventualmente alguma coisinha de vídeo.
Ah, aí chegou Instagram e aí eu eh tenho
hoje eu tenho eh produzido mais conteúdo
em termos de de Instagram mesmo. Voltei
a escrever um pouquinho mais agora no
substeck, né?
>> Uhum.
>> Mas então e eu gosto de brincar um pouco
com isso. A escrita, eh gravação de
vídeo, edição, imagem e música. Eu gosto
muito de música. toco um pouquinho e
gosto muito de ouvir música. Então, acho
que essas são algumas das coisas que
orbitam, né, esse meu meu universo.
>> Que legal. Que legal. Você toca o que,
pastor? Qual instrumento?
>> Então, eh, eu até falo sobre isso no
descansado e produtivo e quando eu vou
falar sobre produtividade, né?
>> Sim. Ah, porque uma das minhas lutas é
essa. Eu quero abraçar o mundo e quero
fazer tudo ao mesmo tempo. E isso é
desde cedo. Então, eu comecei tocando
violão.
>> Quando eu tinha 9 anos de idade.
>> A minha irmã
pediu paraa nossa mãe um violão. Ela
tava interessada em aprender a tocar. E
aí eu eu havia tendo aulas durante o
dia, eu esperava ela dormir. Depois que
ela dormia eu pegava o violão dela e ia
ia praticar. É.
>> E aí eu segui na música e ela parou.
Olha só,
>> mas eu aprendi a tocar violão primeiro,
aí fui tocar guitarra na na no louvor da
igreja, aí saiu o baxista da igreja e eu
disse: "Ah, eu posso ajudar aí, né? Eu
aprendi a tocar baixo, depois saiu o
tecladista, não, eu posso ajudar aí." E
aprendi a tocar teclado. Então eu eu
arranho um pouquinho de cada. O meu
instrumento hoje principal é o teclado
mesmo.
>> Ah, que legal, que bacana, pastor. E
você, tua família sempre foi cristã ou
não? Teve um momento de conversão? Conta
um pouquinho pra gente.
>> Eu nasci na em uma família cristã. Meu
pai era pastor batista.
>> Olha só.
>> E minha vida inteira foi foi dentro da
igreja. Não tive nenhum momento assim
que eu de filho pródigo, alguma coisa
assim, né, de querer experimentar o
mundo e depois voltar. Não, minha vida
foi bem eh eh
consistente nesse sentido, mas eu
identifico um ponto ali por volta dos 6
anos de idade. Eh, então, na Igreja
Batista você tinha acho que ainda tem
essa coisa muito do sistema de apelo,
né, via frente e tal.
>> Sim.
>> E meu pai, como pastor Batista
Armeniano, né, fazia essas coisas. E
quando eu era eh criança, eu brincava de
ir à frente, né? essa loucura, né? Meu
pai querendo falar sério no culto e eu
brincando [risadas] de ir lá na frente
com os que estavam eh eh sinalizando,
né, que queriam uma vida com Deus.
>> Sim.
Mas embora eu tivesse ido à frente
várias vezes de brincadeira, foi em
[roncando] casa, eh, em um em um fim de
tarde que eu lembro de de chamar minha
mãe e dizer para ela: "Olha, eu eh eu
queria que você orasse comigo, que a
senhora orasse comigo, porque eu ah eu
entendo que eu preciso, né? Preciso da
da salvação, preciso de Deus". Não
lembro exatamente como eu articulei
isso, né? Uhum.
>> Eu tenho basicamente a imagem de eu
sentado com a minha mãe fazendo essa
oração. Ah, mas foi ali, por volta dos 6
anos de idade mais ou menos, que eu
identifico esse ponto de de virada.
>> Poxa, que legal. Bem novinho e já teve
esse esse start.
>> Pois é. É claro, né? Com 6 anos de idade
a sua compreensão teológica é bem
limitada, né?
>> Sim.
>> Mas mas sim, houve ali alguma convicção
de pecado e e a partir dali um processo
de discipulado mais intencional nesse
sentido.
>> Que bacana. e seu pai era pastor, né? E
isso de alguma forma te influenciou para
que hoje você fosse pastor também?
>> Eu diria assim, primeiro sim, depois não
e hoje eu acho que de alguma forma
influenciou, né? Uhum.
>> Em que sentido?
>> Quando eu era criança, eu brincava, né?
Engraçado, porque o meu filho faz isso
hoje, né? Eh, brincava de culto, né?
Então, você brinca de ser pastor e tal e
eu dizia: "Eu quero ser pastor".
Só que ainda na minha infância o meu pai
deixou o ministério.
>> Hum.
>> Uma série de coisas, uma série de
frustrações e ele ficou bem ressentido,
inclusive e com com a igreja. Hã, de
modo que quando eu cheguei na
adolescência, eu já eu já olhava pro
ministério como algo pesado, né? Eu já
dizia, não, não é para mim, é algo que
demanda muita responsabilidade e tudo.
Então, quando eu tinha 16 para 17 anos
de idade, eu descobri foi reformada.
E aí isso virou minha vida de cabeça
para cima, né? Tava de cabeça para baixo
e virou de cabeça para cima. E aí eu só
conseguia pensar nisso, né? teologia e
eu sabia que eu queria servir a igreja,
mas eu lutava muito com a ideia de
vocação. Então eu entrei no seminário,
aliás essa era condição dos meus pais,
né? Essa história toda do meu pai, meu
pai não queria eh eh ou pelo menos ele
deixou claro assim: "Olha, eu deixo você
fazer o seminário se você entrar na
Universidade Federal". Então eu fiz a
universidade, né? fazia durante o dia da
universidade. À noite eu fazia o
seminário porque era a condição dos meus
pais, né? Mas a minha cabeça tava toda
no seminário. Então eu sabia que eu
queria servir a igreja. Eu amava isso,
mas eu não queria ser pastor. Então eu
entrei no seminário em 2003, mas eu só
fui ordenado ao ministério pastoral em
2010. Foram alguns anos aí de luta. Eh,
eu comecei a servir em uma igreja como
contratado desde 2004, mas como eu tava
nessa luta, eles criaram um cargo lá
para mim, eles chamaram de auxiliar
ministerial. Eu tava junto da equipe de
pastores, só que eu não tinha o título,
não era ordenado, né?
>> Sim.
>> Eh,
mas enfim, então essa foi uma caminhada,
n? Primeiro sim, eu fui influenciado,
depois não. Eu achava que era algo muito
pesado, mas eu acho que eh querendo ou
não, quando você cresce em uma família
que tem essa essa percepção, pelo menos
alguns horizontes de possibilidade ficam
abertos, né?
>> Uhum.
>> Então, ah, talvez até de formas que eu
não consiga explicar, eu sei que teve
alguma influência sobre sobre mim.
>> Ah, que legal, pastor. Que que bom, né?
E que e que bom que o fato do teu pai
ter ficado um pouco ressentido assim,
não fez com que você também tivesse esse
esse essa vontade de não servir, né?
Apesar de, como você mencionou, saber
que era algo pesado, pesado no sentido
de que demanda dedicação, trabalho,
abdicação. A gente sabe como é a vida de
um pastor, né? Mas que bom que que você
seguiu. E tem uma uma pergunta que eu
sempre faço pros nossos convidados aqui.
Eh, você tem algum time do coração?
Torce para algum time? Eu tenho até medo
dar essas [risadas] respostas.
>> É porque eu podia colocar minha
garrafinha aqui, ó. Não, [risadas]
deixa, deixa quieto. Ah, mas olha só, eu
sou do Maranhão, sou de São Luís.
>> Eh, então não tem nada a ver com São
Paulo, mas acontece o seguinte.
você crescer no Maranhão em década de
90, né? Eh, você só assistia na na
televisão jogos de Rio e São Paulo.
>> Uhum.
>> Então, os times, a gente tem o time de
lá, lá tem o o Sampaio Correia, acabou
ficando conhecido, né, nacionalmente.
Sim.
>> Lá eu torço pro Motoclube lá. O motocube
é o rubro negro,
>> mas o meu time do coração é o Palmeiras.
>> É mesmo? [risadas]
Olha só. É uma pena assim meu ponto de
vista, né? Quando você começou a falar
década de 90, falei assim, pô, ele vai
falar o São Paulo. Ele vai falar o São
Paulo,
>> mas é o Palmeiras, certo? E foi por
conta então de uma grande fase do
Palmeiras ali depois dos anos de 94
>> ali, acho que foi 92, 93, bicampeão, né?
Tinha Evaí, ali, tinha Rivaldo, aquela
turma toda.
>> Época da Parmal depois, né?
>> É, exatamente. Aqui.
>> Entendi. Tá bom, tá perdoado, pastor. Tá
perdoado.
>> Mas assim, eu digo assim, eu sou um
palmeirense meio fajuto, né? Porque eu
não eu não assisto tanto futebol. Eu
gosto muito mais da zoeira, da
provocação
>> do que de acompanhar futebol no dia a
dia.
>> Que legal. E seus filhos te seguem, né?
São segu
>> Tá certo? E tá numa fase ótima, né? Tem
que aproveitar mesmo. Muito bem, pastor.
Entrando um pouquinho aqui na na nossa
pauta, né, do assunto que a gente vai
tratar hoje, que é um pouquinho sobre
esgotamento, sobre trabalho, sobre essa
essa pressão desse mundo que a gente
vive, né? Você escreveu um livro sobre
isso, né?
Isso. Eu escrevi o livro Produtividade
Redimida e a história desse livro é
interessante, eh, porque eu não tinha
exatamente um projeto de escrever um
livro, né?
Ah, uma editora fiel me procurou porque
eu já estava falando sobre isso, mas eu
comecei a falar sobre isso porque eu
experimentei dores muito concretas nessa
área.
>> Uhum.
>> Então, aí é um pouco de como eu conto a
minha história nesse sentido, né? Eh, eu
tenho um pelo menos um acúmulo de de
pelo menos três elementos que eu acho
que se se reúnem para montar esse
cenário.
Então, desde criança, eu tenho esse essa
dispersão de energia e de foco muito
grande. Então, eu joguei futebol de
campo, futsal, eu joguei basquete, eu
tenho 1,61 de altura, não joguei
basquete, eu eh eu fiz ginástica
olímpica, né? É, os meus amigos tiram
onda comigo até hoje, né? Caramba,
diferente, hein? A primeira pessoa que
eu convers um dia fez ginástica olimpin.
>> É. E e assim, então eu eu tinha muita
dispersão na adolescência, como eu
falei, né? Vários instrumentos, depois
fotografia, filmagem, criação de site,
blog, podcast.
Eh, até hoje, né, querendo ou não, você
tem eh muita muita variação de de
interesses.
OK. Mas se a dispersão de energia e de
foco não vi acompanhada de uma
capacidade de recuperar essa energia,
isso você entra num saldo negativo, né?
Então aí para mim é o segundo
componente. Aí
>> eu tinha uma dispersão de foco de
energia muito grande e tinha hábitos
ruins que não me permitiam essa
recuperação da energia. Então desde cedo
dormia mal, dormia muito tarde eh me
alimentava mal. Eu digo assim, durante
teve uma época da minha vida que a minha
dieta era nissim miojo, né?
>> Caramba.
>> É, então hoje eu colho as consequências
disso. [risadas]
Eh, mas quando você é jovem, você
aguenta, né? Eh, você consegue virar à
noite, no outro dia você tá inteiro,
>> mas uma hora a fatura chega. Então,
atenção jovens, um dia a fatura vai
chegar. Cuidem agora do corpo vocês não
terem que colher coisas ruins depois,
né? Eh, então já tem um descompasso aí.
Mas tem um terceiro elemento que eu acho
que agrava ainda mais a coisa, que são
hã vícios ou problemas do coração.
Então, só para dar um exemplo que eu
acho que é um dos mais centrais aí, eh
eu sofria daquilo que a Bíblia chama de
temor de homens, né? Então, temor de
homens é quando você é hã dominado,
vamos dizer assim, pelas críticas,
opiniões. Ah, você vive pelo desejo de
agradar ou pelo medo de desagradar.
Então, na prática, como é que isso
funcionava para mim? Eu tinha uma
dificuldade terrível. Eu ainda tenho um
pouco, mas Deus tem tratado meu coração,
de dizer não. Então, quando você não
sabe dizer não, você o que todo mundo
pede para você, você vai
>> sim vai fazer,
>> vai fazer, é, assumindo. Então, eu
gostava de ser útil, de ser solícito, eu
gostava de ajudar, mas às vezes se
transformava em algo eh problemático,
né? Então, quando você junta essas
coisas, eh, muita dispersão de foco, de
energia, pouca eh sabedoria, né, em
termos de cultivo de hábitos saudáveis.
Eh, para dar mais um exemplo aqui, né,
eu já pastor, eu não tinha dia de folga.
Uhum.
>> Quer dizer, no papel eu tinha, mas o meu
dia de folga era usado ou para lidar com
demandas atrasadas ou para adiantar
alguns projetos que eu queria inventar.
>> Sim.
Eh, então, hábitos ruins e um coração
desalinhado, como eu chamo. O resultado
disso foi que,
eh, ao longo de anos, né, esse tipo de
estilo de vida foi cultivado, mas
eventualmente a fatura chegou. E aí eu
digo que eu quebrei. Eu quebrei no corpo
e eu quebrei na alma. Então, no corpo eu
quebrei eh com os sintomas do
esgotamento.
>> Então, há diversos sintomas, eu gosto de
mencioná-los. Porque às vezes algumas
pessoas estão passando por essas coisas
sem perceber claramente, né?
>> Então o que que o que que aconteceu
comigo?
>> Eh, um sintoma muito claro assim para
mim, a imunidade foi lá para baixo.
Então você tá com um bebezinho aí de 6
meses, né? Eu o o eu lembro assim quando
o Matias é o meu filho mais velho.
>> Matias tinha acho que um mês de vida.
Eh, eu tava nessa fase, toda semana eu
tava com uma virose diferente, tudo. E
ele, os primeiros dias de vida, né,
primeiras semanas, eu peguei uma virose,
aí fiquei muito preocupado, né, isso era
antes,
>> passar para ele, né? Sim,
>> isso era antes da pandemia, 2016, né,
mas eu já comprei um uma caixa de
máscara e aí ficava andando de máscara
dentro de casa. Mas teve um dia que eu
vi meu filho fazendo um barulhinho
diferente, tava, ele tava no trocador,
tava acho que preparando para pro banho.
E aí eu percebi que ele tava tcindo, né?
Aqui o bebezinho não tem força para tcir
como a gente, então um barulhinho
diferente. E aí eu vi que ele tinha
pegado um resfriado por minha causa.
Nossa, eu me senti muito culpado ali,
né? Sim.
>> Eh, mas era isso. A minha imunidade tava
muito baixa. Toda semana um tipo de
virose diferente, um resfriado, alguma
coisa assim.
minha esposa preocupada comigo e as
demandas do ministério, né? Eu tava
plantando igreja, fazendo mestrado,
enfim, a vida não para, né?
>> Uhum. Ah, então imunidade foi um dos
componentes, problemas gástricos, então
você fica cheio de gases, você não faz a
digestão direito, eh, enfim, o corpo
responde, eh, indisposição, cansaço,
fadiga, eh, insônia, eu que já tinha
hábitos ruins de sono, a coisa ficou
ainda pior. Então, eram vários
componentes de um corpo que tá se
arrastando, né, tá sofrendo,
mas não só o corpo, como a alma também.
E aí para mim foi o que eh ainda foi
mais pesado, né? Porque uma das coisas
que aconteceu foi o desânimo. Eh, coisas
que antes eram uma fonte de muita
alegria para mim, eh, passaram a se
tornar um fardo. Então você imagina, eu
eu tô
no meu mestrado aqui no Andrew Jumper,
eh,
fazendo algo que eu amo, mas eu levei do
anos para escrever minha dissertação,
porque eu não tinha foco, energia e nem
alegria para fazer o que eu tinha que
fazer. Tem tem vários outros elementos
aí, um deles era o perfeccionismo,
eh, que me travava mesmo antes de
escrever.
Ah, mas aquilo se tornou um fardo para
mim.
a o próprio ministério, né? Aconselhar
pessoas que antes era algo bom se torna
pesado. Pregar que antes era algo bom se
torna pesado. Ler um livro que era algo
bom se torna pesado. Então isso vai eh
roubando realmente a alegria e energia
da vida, né? H mas junto a isso, talvez
uma das coisas mais difíceis para mim
foi que eu comecei a experimentar crises
de ansiedade profunda, né? ataques de
pânico, a sensação de que eu ia morrer e
e no meu caso, especificamente era uma
sensação de sufocamento.
H, e isso revelava assim a a minha alma
em desespero, né? Então, corpo e alma
quebrados.
>> Sim.
>> Então, isso foi o resultado de uma longa
caminhada. Então, como eu falo, desde
adolescência, com hábitos ruins até vida
adulta, já pastor, casado, tendo filho.
Eh, e durante anos, eu imagino que eu
que eu eh eu eu segui me arrastando ou
correndo e fazendo as coisas do jeito
que eu conseguia fazer, até chegar o
momento em que eu quebrei, quebrei de
vez.
E aí, como eu falei, né, o mundo não
para para você eh
continuar ou para você, enfim, ajustar
tudo. Ah, então eu tive que seguir. Mas
Deus, no meio desse período foi tratando
o meu coração e foi me ensinando muitas
coisas. De modo que eu digo assim, eu
nunca eu nunca mais fui o mesmo. Eu
nunca voltei ao mesmo pique de energia e
de coisas que eu fazia antes. Ah, mas
Deus me permitiu sair desse ciclo eh
destrutivo, né? Então, por isso hoje eu
ando com camisas assim que dizem:
"Caminha enquanto eles correm", né?
>> Sim.
>> Eh, e o meu lema é é isso, né? Eh, andar
mais, correr menos e andar mais. Eh, e
eu fui entendendo que o tinha um monte
de coisas nesse processo, mas o caminho
era o coração, primeiramente precisava
ser ajustado.
>> Sim,
>> porque num primeiro momento eu achava
que a questão era de método. Então eu
pensava assim, se eu conseguir o método
certo de produtividade, eu vou dar conta
de tudo. Então eu vou conseguir cuidar
da família, cuidar da igreja, terminar o
mestrado, inventar os projetos que eu
tenho. Eu vou conseguir equilibrar todos
os pratos.
>> Uhum. E aí eu estudei muitos materiais.
Então eu comecei a ler, fazer curso,
assistir palestra e tudo que eu podia
sobre produtividade.
E isso foi bom, assim, me permitiu
descobrir coisas muito boas, mas nunca
resolvia, né? Eu voltava pro mesmo lugar
depois de um tempo. Então, nisso, eh, eu
entendo, né? Deus foi me ensinando que a
a produtividade começa no coração,
porque Provérbios 4:23 diz pra gente,
né, sobre tudo o que se deve guardar,
guarda pois, o teu coração, porque dele
procedem as fontes da vida. Então, na
visão bíblica do homem, eh, por trás de
tudo aquilo que a gente faz, eh, está o
nosso coração. Então, nosso coração lida
com o nosso senso de identidade, de
propósito, nossos anseios, expectativas,
desejos, amores, temores, ídolos,
imaginação, tudo isso. E aí eu comecei a
perceber que o meu coração tinha uma
série de desvios, coisas que precisavam
ser tratadas, né? Continuam precisando.
>> Uhum.
Eh,
e que tratando primeiro essas coisas, eu
poderia direcionar as coisas numa
direção eh diferente e assim reorientar
a caminhada para
caminhar, servir, trabalhar, viver de
uma forma mais saudável, né? Então, na
na estrutura do livro, eu faço assim:
primeiro, a gente trabalha o coração,
depois eu vou tratar métodos, técnicas e
recursos de produtividade e então uma
vida eh direcionada para Deus, uma vida
verdadeiramente produtiva nesse sentido,
né? Até porque muitas vezes quando a
gente fala de produtividade a gente foca
muito essa coisa de ou é trabalho ou é
estudo. Mas na verdade uma vida
produtiva é uma vida que responde aos
chamados de Deus e responde com
excelência, né? Isso significa na
paternidade, na maternidade, na
membresia da igreja, eh na vizinhança,
sei lá, em tudo aquilo que a gente faz,
né? Então, eh, eu passei por esse
processo, eh, de certa forma ainda estou
passando. Essa é eh eh essa essa é a
caminhada de santificação. Então, a
gente só vai estar pronto quando a gente
for glorificado, né?
>> Sim. Ah, mas eu percebi que eu não tava
sozinho nisso. Eu começava a conversar
com outras pessoas e comecei a perceber
que tinha muito mais gente
experimentando essa mesma confusão,
procrastinação, cansaço, eh, enfim,
vício em dopamina barata, né? ficar
scrollando aí no celular,
>> eh, esgotamento.
>> E então eu comecei a falar sobre isso,
gravei um curso sobre isso e aí surgiu o
livro, então trabalhando essas questões,
né?
>> Pô, que legal, pastor. Enquanto você
falava, eu eu me enxergava nas coisas
que você falava. Então, assim, acredito
que, como você mesmo mencionou, eh, a
população hoje ela é levada a isso, né?
Então, poxa, eu tenho, eu não posso
estar descansando, eu não posso estar
num bom sentido da palavra ocioso, eu
preciso estar sempre fazendo alguma
coisa.
>> Eu passei por um esgotamento há há dois
anos atrás, eu fiquei internado na UTI,
princípio de de infarto e quando fui ver
a áução tá bom, seu problema não é no
coração, na verdade era, mas não neste
coração físico, né?
E e de lá para cá eu também não fui mais
o mesmo. E é algo que eu trabalho e
tenho lutado constantemente, porque
também sempre gostei de praticar todos
os esportes possíveis, fazer um monte de
coisa, só que uma hora realmente a conta
chega, né? E eu acredito que não é uma
não é uma exclusividade do Wallace, do
Alen Porto, como você mesmo falou,
pastor, é algo da sociedade atual, né?
E ainda mais aqui em São Paulo, que é
uma cidade que não para, a gente é
muito, talvez influenciado pelo lugar
que a gente mora. E aí acho que vem uma
pergunta aqui, né?
eh o quanto o lugar que a gente tá
inserido e aí cidade, bairro, trabalho e
às vezes até na igreja, a igreja como a
IPSA, que é uma igreja que realmente tem
muitas atividades e tudo mais, o quanto
isso influencia para que a gente caia
nesse erro de acúmulo de função e
esgotamento?
>> Sim. Olha, eu acho que influencia
bastante, né? Então, eh eh nós temos uma
relação inevitável
com o lugar em que nós estamos. Então,
eh, claro que o reverendo Daniel vai
poder falar com muito mais propriedade
do que eu sobre isso, eh, porque ele é o
cara do Antigo Testamento, né? Mas, eh,
a palavra, né, quando Deus deu o nome
para Adão, o termo em hebraico é muito
parecido com o o termo terra. Então, eh,
Adão e Terra estão assim, são, eh, duas
letrinhas, se eu não me engano, de
diferença.
O homem tem uma relação com a Terra, com
o ambiente. O homem é um ser físico
corporificado e eh entranhado com o seu
ambiente de uma forma que eh essa faz
parte da estrutura que Deus deu pro
mundo, né? Então, a nossa ligação com o
lugar em que nós estamos é muito
visceral, né?
>> Sim. Então, ah, certamente os ambientes
eh possuem uma influência, né, ou ou,
eh, influenciam de formas muito pesadas
os modos como nós imaginamos a
realidade, como nós respondemos à
realidade. E aí nós temos diferentes
cenários, né? Então, você mencionou hoje
no nível global está acontecendo,
pelo menos falando principalmente de
ocidente, mas hoje já não é só ocidente
nesse sentido, né? Ah, tem um autor
chamado Buyum Tuhan. Ah, ele é um
filósofo e ele escreveu um livretinho
chamado A Sociedade do cansaço,
em que basicamente ele descreve o nosso
ambiente hoje como eh esse ambiente. Ele
diz assim: "Nós mudamos o modelo de
sociedade em que vivemos. Antigamente
nós vivíamos em uma sociedade eh da
obediência, uma sociedade que o Michel
Foucault descrevia. Hoje nós vivemos um
modelo de sociedade. Ele diz assim,
nesse nesse modelo anterior, h o
panorama era marcado por eh hospitais,
fábricas, eh presídios,
eh eh
era essa mesma essa era a mesma dinâmica
em que você tinha muito mais a
negatividade como ah o eixo fundamental.
Agora nós estamos na sociedade do
desempenho. Então o que que compõe o
nosso panorama hoje? que que é mais
comum hoje você enxergar eh academias,
eh aeroportos,
eh shopping centers e escritórios,
eh e e uma narrativa de performance e
desempenho, que diz: "Você pode ser tudo
aquilo que você quiser ser, você precisa
ser o protagonista da sua vida, eh seja
a sua melhor versão e por aí vai."
Então, o ambiente
global ou pelo menos ocidental, a
narrativa que nós vivemos é a narrativa
do humanismo secular, que vem desde o
século X, mas que ganhou um contorno
próprio na nossa época e que nos coloca
num num num cenário de positividade. A
gente chama de positividade tóxica. Eh,
tem uma autora que diz assim: "Nós
crescemos ouvindo que nós podemos ser
tudo que nós quisermos e nós entendemos
que nós devemos ser tudo."
>> Uhum. certa forma é isso. Os
adolescentes hoje
já acham que eles têm que provar o valor
dele, deles eh por performance, por
notas, por eh números de seguidores, de
likes e coisas assim, né?
>> Então, a gente olha pros nossos modelos
de sucesso e são pessoas que cedo demais
conseguiram um status de referência,
gente que se inspira, ou pelo menos se
não se inspira diretamente, mas tem no
no seu radar, né, nomes Neymar.
Virgínia, eh, eh, Manuite, eh, o pessoal
Geração Z aí tá sabe tudo que eu tô
falando aí. Se você é um pouquinho mais
velho, depois você pergunta para eles.
Eh, mas são gente nova que atingiu
posição eh muito muito alta, né, de
dinheiro, de sucesso, eh muito cedo. E a
gente já cresce com esse tipo de eh
aceleração pressa. Eu tenho que atingir
o meu sucesso cedo
>> como se fosse obrigado.
>> Exato. É. E e é por isso a gente morre
de medo de escolher o curso errado na
faculdade, porque a gente acha que
estraga a nossa vida. Ou eh, sei lá,
você tá, uma vez uma uma pessoa me
mandou uma pergunta numa caixinha do
Instagram, né? Eu sinto que a minha vida
tá se perdendo e eu ainda não decidi o
que eu quero fazer dela e tal, tal, tal.
E eu só e eu já tenho 19 anos.
>> Já tem tudo isso.
[risadas]
>> Desculpa, né? Ah, mas eu entendi assim
porque de certa forma é isso, a gente
acha que com 20, 21 anos a gente já tá
tem que tá com a vida toda resolvida.
>> As promessas são, você tem que lembra da
Betina, né? Olá, meu nome é Betina e eu
tenho eh R 1 milhão deais em tenho R 19
anos e tenho R 1 milhãoais em patrimônio
acumulado. A gente tem que fazer o nosso
primeiro milhão antes do 25 anos de
idade. A gente tem que estar na Forbes
under 30, né? Antes dos 30 a gente tem
que ter atingido o topo eh da carreira.
Ah, então é o ambiente global é um
ambiente de aceleração e positividade
tóxica. A gente tem que provar o nosso
valor pelo desempenho. Mas junto a isso
você tem os ambientes locais. E aí, eh,
todo mundo tá influenciado pelo global,
mas existem lugares em que isso se torna
ainda mais aflorado. Eu lembro a
primeira vez que eu vim para São Paulo
para pro eh módulo no Andrew Jumper e eu
caí na besteira. Veja só, de entrar numa
escada rolante e simplesmente ficar
>> hum ehqu
[risadas]
>> do lado esquerdo encostado, como se eu
tivesse em qualquer outro lugar do
mundo, né? E de repente o pessoal vem me
atropelando, diz: "E dá licença, sai daí
que eu tenho passar e tal". Então eu
fiquei pensando sobre as dinâmicas dessa
cidade, né? Em que
>> nenhuma escada rolante você pode ficar
parado, né? Eh, é pressa, é correria e
ninguém para. Então a gente eh se já
existe, se já existe um cenário global,
o cenário local é ainda mais concreto,
né, de aceleração, de eh eh
pressa, de não saber pausar, parar,
então não saber dormir. Então isso causa
um efeito muito grande em nós. E aí
comunidades menores também podem
reforçar isso, desde igrejas que possuem
uma dinâmica ativista. Então, veja,
existem igrejas que são grandes e tem
muitas atividades.
>> Uhum.
>> Mas que não tem uma cobrança para que
todos os membros participem de todas as
atividades. Então, isso acontecer é
natural. Uma igreja grande vai ter
reunião de adultos, de jovens, de
idosos, de Isso acontece.
>> Sim.
>> Agora, existem igrejas em que você tem
uma pressão para que o membro esteja em
todas as atividades, né? E aí a pessoa
eh é cobrada pelos seus líderes e se ela
não tiver performando, então ela
abandonou a Deus ou alguma coisa assim.
>> Ou ainda que ela não tenha eh dinâmicas
muito claras de cobrança, tem eh
mensagens sutis em que ela assimila e
passa a se cobrar se ela não tiver
participando de tudo, então ela acha que
ela é menos crente ou tá em dívida com
Deus.
>> Então isso se torna problemático. E
círculos familiares também. Então,
existem ambientes familiares cujos pais
imprimem dinâmicas em que o filho tem
que tá sempre fazendo alguma coisa, o
valor dele vai ser provado pela
performance, você tem que ser melhor do
que os outros, você tem que fazer mais,
você tem que ah e isso nos coloca nessa
posição diante da vida, eh, e diante de
Deus, fundamentalmente, em que a gente
não tá olhando pra graça do Senhor como
a sustentação da nossa caminhada. Eu
sempre gosto de trazer o Salmo 127, né,
que diz: "Se o Senhor não edificar a
casa, em vão trabalham os que edificam".
Eh, a gente tira Deus do cenário e é a
gente que vai correr para edificar a
casa, a gente que vai correr para
guardar a cidade, né? É a gente que vai
correr para dormir tarde, acordar cedo e
comer o pão que penosamente grangeamos,
né? Mas o que o texto diz pra gente é:
[limpando a garganta]
"A seus amados ele dá enquanto dormem".
>> Uhum. E essa é a chave, porque enquanto
você tá dormindo, você não tá gerando
valor para ninguém. Você não tá
movimentando a economia, você não tá eh
performando, você não tá fazendo nem
exercícios espirituais, você não tá
orando, nem jejuando, nem discipulando,
nem evangelizando. Você é um vegetal. E
Deus tá dizendo: "Eu continuo amando
você e continuo sustentando você porque
o seu valor não está na sua performance,
né? Isso faz muita diferença pra gente.
>> Total,
>> né? E que dificuldade a gente tem de
entender isso, né, pastor? Eh, você tava
falando do cenário aqui da pessoa que
precisa estar em tudo ou às vezes
acontece também muito da pessoa
eh só tem aquela pessoa para fazer tudo.
Às vezes também eu enxergo que isso
acontece
porque outras pessoas não se colocam à
disposição. Então, por exemplo, o Alen
Porto, ele tem que tá servindo na
música, na mocidade, na diaconia,
liderar um PG, porque às vezes também
outras pessoas não se levantam.
>> Uhum. E obviamente que também tem uma
responsabilidade nossa de falar assim:
"Opa, o reino vai seguir mesmo se eu não
for, Deus vai movimentar outra pessoa,
né? Então a gente também tem que ter
essa
>> essa consciência, né, pastor?
>> É isso. Eu acho que você tocou num ponto
chave aí. Eh,
quando eu estava plantando a igreja lá
em São Luís,
o trabalho de iniciar, né, uma
congregação é um trabalho desafiador,
especialmente quando você não teve um
projeto anterior bem desenhado e você
não tem um grupo base formado. Então,
ali a gente começou basicamente eu, eh,
a minha esposa e uma outra família, eh,
então eram dois adultos e duas crianças.
Eh,
então, no começo eu tinha que fazer
tudo. Então, eu dirigia o culto, tocava,
pregava, eh chegava mais cedo para abrir
a igreja, fechar a igreja. Eu tinha que
saber se tinha ou não papel higiênico,
tinha que comprar o papel higiênico,
comprar água, pagar a conta de luz, eu
tinha que fazer tudo. Ah,
mas aí entra a questão do coração
também, né? Então, junto a isso, eh, o
grupo foi sendo formado, né? Foi
chegando, gente, mas
o meu coração foi assimilando dinâmicas
centralizadoras. Então,
>> eh, por um lado eu tô ressentido porque
só eu tô fazendo tudo, mas por outro
lado eu não abro espaço para ninguém
fazer, eu quero ficar fazendo tudo, né?
>> Sim.
Eh, então quando eu saí, e até a ideia
de sair foi difícil, né, pra gente, mas
a gente saiu e veio para cá, pro
interior de São Paulo,
ah, o pastor que foi para lá me disse:
"Alen, a gente precisou de sete pessoas
para fazer tudo que você fazia na
igreja, né?" Puxa vida.
>> É. E por um lado assim, pro nosso ego é:
"Nossa, eu consigo fazer o que sete
pessoas". Mas qual o custo, né? Eu
adoeci exatamente por causa disso, né?
não tem virtude nenhuma em eh fazer o
trabalho de sete pessoas, porque eram
para sete pessoas fazer esse trabalho,
não eu. E aí Deus nos humilha nisso, né?
Porque eu saí achando que a igreja
ficaria desassistida de alguma forma e
Deus levantou as pessoas para fazer. E
hoje a igreja tá lá muito maior do que
quando eu deixei. Eu até digo assim, eu
era o empecílio pro crescimento da
igreja, né? Porque é isso? Você acaba eh
ocupando o lugar de outras pessoas que
podem eh desenvolver os seus dons e
talentos, né? E pode ser que elas não
façam algumas coisas tão bem quanto você
faça.
>> Uhum.
>> Mas elas vão aprendendo, né? Então eu
vejo essas duas coisas. Por um lado, é
verdade, isso é uma uma regra para toda
a igreja. Eh, não sei se é exatamente a
lógica de 80 20, mas seria mais ou menos
algo assim. você sempre vai ter um grupo
pequeno de pessoas, que é o grupo mais
comprometido e que vai acabar servindo
em mais áreas, né?
>> Sim.
>> Ah, mas entender essa realidade não
deveria nos colocar numa posição em que
a gente acha que tem que assumir todas
as funções, eh, e não abre espaço, né,
para que outros aprendam, para que
cheguem, para que ou até mesmo deixe
espaços vazios. entendendo? Olha, talvez
agora não seja o momento da gente tocar
esse esse aspecto e a medida em que Deus
for levantando pessoas, a gente vai
fazer isso, né? Então, nem todos os
projetos devem ser desempenhados eh na
hora que a gente acha que devem ser. Eh,
e e parte disso é importante porque eu
digo assim, o ministério
é uma maratona e não uma corrida de 100
m, né? né? Então, quando você quer fazer
tudo, eh, e com essa pressa, o risco que
a gente corre é de ter pessoas que se
esgotam pelo caminho,
>> sim,
>> e não conseguem desenvolver um
ministério de longo prazo. Então, você
poderia ter uma vida útil de serviço de
30 a, 40 anos, mas você se esgotou tanto
que você diminuiu para 10 anos, quebrou
e aí nunca mais conseguiu eh ter um
ritmo saudável, né, de crescimento.
Então é melhor você andar do que você
correr. Você vai conseguir servir por
mais tempo e assim vai poder ser mais
útil pro reino de Deus, eh, pras outras
pessoas e você também vai desfrutar de
mais saúde nesse processo.
>> Que legal, pastor. Que bacana. E pastor,
a gente tem algumas perguntas aqui que o
o pessoal da nossa mocidade colocou para
nós, né? A primeira é
como posso aconselhar um irmão que deixa
de vir à igreja como prioridade por
conta do trabalho?
Ah,
eu acredito sim que eh parte do problema
é exatamente esse de que
por causa da nossa sociedade, da
cosmovisão à nossa volta, e aí o fato de
nós termos sido moldados por esse mundo,
nós passamos a achar que o fim principal
do homem é desfrutar de sucesso
profissional, financeiro,
eh, mediático, relacional, etc., né?
Enquanto o breve catecismo nos diz, o
fim principal do homem é glorificar Deus
e desfrutar dele para sempre, né? Sim.
>> Então, é mais natural, eu diria assim, é
mais comum do que a gente imagina. Eh,
porque desde os pais a gente olha eles
todo o foco que eles dão paraa formação
dos seus filhos é você tem que estudar
para para passar, tirar uma nota boa no
Enem, para ser alguém, para ter uma boa
profissão, para ter uma boa vida.
>> Então, e eu até digo assim, a nossa
geração é a geração do do Netflix e
iFood, né? Eh, a gente quer
>> as manifestações do conforto e do
sucesso de uma boa vida, né?
Então, se a gente é formado nessa
direção, quer dizer, tem um discipulado
acontecendo desde a nossa infância em
que a gente é pressionado para ter algum
tipo de performance muito mais paraa
vida profissional, eh, acadêmica, do que
pra vida com Deus, eh, vai demandar uma
longa caminhada de re, eh, estruturação
do pensamento e do coração para nós
entendermos que o nosso fim principal é
glorificar Deus. Isso vai significar
inclusive, ah, por vezes, escolher
serviços que paguem menos, mas que nos
ajudem a guardar o dia do Senhor para
que a adoração a Deus esteja no centro,
né? Ou que nos façam ganhar menos pra
gente poder cumprir o nosso papel como
pais, como mães, estarmos presentes em
casa. Ah, então, ah, como é que a gente
faz isso? é um, eu diria que é um longo
processo. São, eh, conversas e
conversas, estudos de na UMP, classes de
escola dominical, eh, sermões e uma
reorganização do do imaginário, que é
pela amizade em que a gente vai dizendo:
"Olha, você precisa lembrar que um homem
pode ganhar o mundo e perder sua alma.
E não vai adiantar nada você ter o
melhor trabalho do mundo e o melhor
salário do mundo se você não tiver o
descanso que Cristo oferece, né? Eh,
então eu acho que o caminho é por aí,
né? Conversas honestas nesse sentido e
uma reorganização dos nossos valores.
>> Que legal, pastor. A gente faz parte de
um de uma geração que não consegue
descansar, né? E eu me incluo nisso. Às
vezes eu brincava eh com a minha esposa,
ela falava assim: "Amor, vai descansar,
tal". falei assim, não, descansar é só
na glória, né? E às vezes a gente pensa,
às vezes a gente brinca com isso, mas
infelizmente às vezes é isso que a gente
vive, né?
>> E descansar é uma orientação bíblica,
né? E às vezes a gente ignora isso, né?
Então a gente tem que tomar muito
cuidado, né, pastor, com isso.
>> É, esse podcast vai sair depois, mas se
você tá assistindo isso aqui, depois
você procura o sermão em Gênesis 2, é o
sermão que eu vou pregar amanhã aqui na
igreja de Santamaro, eh, que a gente vai
falar exatamente sobre o descanso do
Senhor. Então vai ser importante para
pessoal entender melhor esse cenário,
né, e até mesmo pra gente reorganizar,
porque a gente tem eh se o mundo lá fora
tem o ditado, né, trabalha enquanto eles
dormem, nós temos os nossos ditados
evangélicos. Não descansa só na glória,
o crente descansa carregando pedra. Ah,
mas não. Quando a gente olha para Deus
no sétimo dia parando, ah, isso é algo
poderoso pra gente. A gente precisa
aprender a descansar. precisa.
E pastor, eh, tem uma outra pergunta
aqui que te diz assim:
"O anseio de estar produzindo algo o
tempo todo pode ser um reflexo de
ingratidão para com Deus, com as bênçãos
que Deus já nos entregou para essa vida?
É um problema moderno ou os p os povos
antigos também sofriam com essas
coisas?"
>> Eu diria que eh a primeira pergunta, né?
Sim, eu acho que envolve eh até aquilo
que a Bíblia chama de descontentamento,
né?
>> Uhum. [limpando a garganta]
>> Tem uma manifestação de ingratidão na
busca de autosuficiência.
Eh, Hebreus 13 fala pra gente assim: eh,
contentai-vos
com aquilo que tendes, eh, não, não
sejais avarentos, contentai-vos com
aquilo que tendes, porque ele tem dito,
eh, nunca vos deixarei, jamais vos
abandonarei.
Então, às vezes, a nossa correria
é exatamente o fruto de um coração que
não é grato por aquilo que Deus tem dado
e assim tá sempre querendo mais,
procurando mais. Então, eu não posso
descansar no que Deus me deu. Eu tenho
que conquistar uma posição melhor, eu
tenho que ter uma nota melhor, eu tenho
que ter uma namorada melhor, eu tenho
que ter um filho, eu tenho que ter isso.
Eu tô sempre pensando na próxima coisa,
né? Eu nunca consigo parar e
simplesmente dizer:
"Deus é bom comigo", né? Ou como o
salmista diz, né? Eh, as minhas eh os
meus limites caíram em lugares a menos.
É muit linda a minha herança, né? A
gente não consegue dizer isso porque a
gente tá sempre pensando, não, eu posso
melhorar, eu posso ter um carro melhor,
eu posso ter alguma coisa melhor, eu
tenho que ter isso, eu tenho que ter
aquilo? Então isso é fruto de um coração
eh descontente. E isso é acentuado pela
nossa época, pela nossa cultura. Mas
como esses alertas já tão, você olha
para Hebreus já tá lá, você olha para
Paulo em Filipenses, está lá. Então isso
tem a ver com o nosso coração mesmo,
desde desde a queda em que a gente
luta eh em termos de simplesmente
reconhecer o que Deus nos tem dado,
aceitar o que Deus nos deu e descansar
no que Deus nos deu. não significa que a
gente não possa desejar outras coisas,
mas é que muitas vezes o nosso desejo é
o resultado de um coração descontente e
não simplesmente eh um foco de
glorificar Deus ainda mais desfrutando
de outras coisas,
>> certo? E pastor, até que até que ponto é
porque isso gera toda uma ansiedade no
nosso coração, né, senor falou sempre a
gente tá querendo a próxima coisa,
desejando o próximo passo e a gente
acaba não vivendo e sendo grato pelo
agora, né?
até que ponto a ansiedade, e aí eu falo
da ansiedade como como doença aqui, né?
Até que ponto ela pode ser pecaminosa
[roncando]
e até que ponto ela é é aceitável diante
de Deus sem ser algo do nosso coração
que que peque? Tem tem um limite? Olha,
eh,
os psicólogos têm tentado encontrar uma
espécie de
diferenciação nesse sentido, né, dizendo
pra gente que existe uma um tipo de
ansiedade que seria ou natural ou até
benéfica em nos eh nos manter alertas,
né? existe um eles tentariam classificar
isso, né, como um tipo de ansiedade que
nos mantém alertas para nos proteger.
Então,
quando você tá andando em uma rua
escura, você está naturalmente em um
modo de alerta que
>> isso funcionaria para deixar você
protegido por causa dos riscos possíveis
ali. Eu não sei se a melhor palavra para
isso é ansiedade.
Ah, mas
existe um sentido no qual esse alerta
nos protege. Ah, eles tendem a
classificar então uma ansiedade
patológica como aquela ansiedade que nos
coloca em uma condição permanente de
sofrimento e assim começa a produzir eh
problemas pro pra nossa vida. Então, é a
ansiedade que nos impede de trabalhar
direito, de descansar, nos impede de
respirar, de estar no momento presente.
Hã,
independentemente da classificação da
psicologia, o que a Bíblia descreve pra
gente é que existe uma postura do nosso
coração em que
a gente não consegue desfrutar,
contemplar a graça de Deus. E aí a gente
tá tentando controlar a nossa vida.
Então Jesus fala lá em Mateus 6, né? Eh,
não fiquem ansiosos quanto o dia de
amanhã. Jesus diz: "Olhem pros pássaros,
eles têm que comer porque Deus
providencia. Olhem pros lírios, eles têm
que vestir porque Deus providencia. E
Deus ama vocês muito mais do que os
pássaros, do que os lírios. Ele vai
cuidar de vocês. Ele sabe do que vocês
precisam, né? Então esse é um tipo de
ansiedade que essa manifestação de
alguém que não confia no cuidado do
Senhor e quer ah ou pelo menos está
lutando com essa dinâmica e quer ter o
controle da sua vida nas suas mãos.
Então eu quero garantir que eu vou ter a
comida, eu quero garantir que eu vou ter
a roupa, garantir que eu vou ter a
moradia, ou eu morro de medo de perder o
que eu tenho, ou eu quero sempre ter
mais.
Então, h, esse, essa disposição, isso,
né, o que, o que Jesus tá descrevendo aí
como andar ansioso, isso é pecado.
>> Uhum.
>> Na nossa experiência, qual é o problema?
Essas duas coisas estão sempre
misturadas.
>> Sim. De forma que é muito difícil você
dizer: "Olha, essa experiência de
ansiedade tá totalmente isenta do
pecado. Eu acho que a gente nunca vai
conseguir eh chegar nesse ponto, porque
o que nós somos expressa algo da nossa
do velho homem que ainda tá presente,
né, em tudo aquilo que a gente faz.
Eh, ao mesmo tempo em que, eh,
talvez haja situações que a gente não
vai conseguir dizer: "Ó, tudo que tá
aqui é necessariamente pecado". Então,
você pensa num num pai que quer prover
paraa sua família, né? E aí ele fica
ansioso. O desejo de prover para sua,
pra sua família é algo bom.
>> Uhum.
>> Mas o o medo envolvido ou ambições
envolvidas tem dinâmicas pecaminosas.
>> Sim. O adolescente que quer tirar uma
nota boa no Enem, ele pode ter eh ao
mesmo tempo, né, motivações que são
boas, porque ele quer eh crescer na
vida, ser capacitado para poder servir
melhor e até mesmo glorificar Deus. Mas
podem ter motivações pecaminosas porque
ele morre de medo e ele quer controlar
todas essas dinâmicas, né, do futuro da
vida dele. Então eu gastaria menos tempo
tentando encontrar essa linha exata eh
de on até onde é pecado e até onde não
é. e mais tempo buscando identificar se
no meu coração existem eh motivações,
desejos, ídolos e temores que no fim das
contas estão me levando a não descansar
e confiar no Senhor. Eu acho que esse é
um caminho mais tranquilo pra gente.
>> Entendi, pastor. Entendi. Faz total
sentido e não é uma tarefa fácil, né?
Ainda mais quando a gente vai se
autoexaminar, né? Porque às vezes a
gente olhar pro outro, fala assim:
"Cara, você tá ansioso, você precisa
confiar mais em Deus". É muito mais
tranquilo do que quando você tem que
olhar para dentro e falar assim: "Cara,
eu não tô confiando em Deus".
>> Que é difícil pra gente às vezes assumir
os nossos próprios pecados e olhar para
algo igual igual você falou, a princípio
é algo bom, trabalhar para sustentar a
tua casa e ver que aquilo pode estar
sendo pecaminoso e às vezes abrir mão
até de um status que você galgou tanto
para chegar e falar assim: "Poxa, isso
daqui não tá me fazendo bem".
tarefa difícil, é árduo.
>> É, mas o que eu tenho aprendido é assim,
[roncando] esse trabalho, né, do
alinhamento do coração é um trabalho
doloroso, difícil, lento.
>> Uhum.
>> Mas
Deus providencia graça para cada dia,
né? E até nisso a gente descansa, porque
se a gente pensar que é a gente que vai
reformar a nossa vida, ah, isso se torna
mais um elemento de ansiedade e de
performance. Ah, mas a gente tá
trabalhando sobre o trabalho do Senhor,
né? Então, Cristo garantiu a nossa
justiça, Cristo garantiu a nossa
redenção, a nossa aceitação.
E é Cristo e o Espírito que vão
continuar trabalhando em nós um dia de
cada vez para nos formar a semelhança do
Senhor Jesus. Então, é claro que a gente
tem o nosso chamado para eh servir com
fidelidade. Eh, mas a gente serve e
busca crescer confiando que ele fará em
nós eh e cumprirá em nós, né, o seu, o
seu desejo. Então, isso é uma fonte de
descanso também.
>> Amém, pastor. Amém. E pastor, caminhando
aqui pro pro final da nossa conversa,
nosso bate-papo, que, cara, foi muito
legal, foram foi muito gratificante e
enriquecedor aqui, não só para nós, mas
acredito para todo mundo que nos
assiste, né? Queria que você deixasse
uma uma mensagem final para quem nos
acompanha, né? Se tivesse que deixar uma
de tudo que a gente conversou, uma
mensagem principal que você deixaria
pros nossos ouvintes? É, para mim a
chave é sempre o Salmo 127, não é? Se o
Senhor não edificar em casa, a casa em
vão trabalham os que edificam. Se o
Senhor não guardar a cidade, vão vigir a
sentinela. Inútil será repousar tarde,
né? Recordar de madrugada, comer o pão
que penosamente grangeastes. Aos seus
amados ele dá enquanto dorme. Então, é
verdade que a nossa sociedade é uma
sociedade acelerada e por um lado não
tem como a gente fugir disso, né? Não
adianta eh você fingir que agora que
você é uma pessoa zen e você não vai ter
que pegar o metrô amanhã com todo mundo
se empurrando e quem não correr não vai
chegar eh eh no na hora certa, né? Então
faz parte da dinâmica da vida. Mas mesmo
na correria da nossa da nossa caminhada,
é possível você reorientar e estabelecer
melhores rotinas e ritmos para que o
mundo que é corrido não determine o seu
coração. E aí você nem seu coração pode
andar enquanto o mundo tá correndo. Como
é que isso começa? Isso começa se
alimentando de Cristo, os meios de
graça. Então é quando a gente tá
presente no culto, domingo após domingo,
que a gente é reorientado no nosso senso
de identidade, nosso senso de propósito
e no nosso senso de tempo. Porque
domingo após domingo, Deus tá avançando
o seu reino e o reino não vai chegar
porque você correu demais nessa semana
ou porque você foi atrás disso ou
daquilo. O reino vai chegar porque Deus
tem o seu cronograma perfeitamente
estabelecido. E domingo após domingo,
Deus nos lembra quem nós somos. E nós
não somos o nosso emprego, o nosso
salário. Nós somos filhos amados que
foram perdoados e justificados. E
domingo após domingo nós somos
redirecionados do nosso propósito, que
não é garantir a nossa vida, mas é
servir ao Senhor com fidelidade.
Então, relembrando essas coisas, nós
podemos reorganizar a nossa agenda para,
por exemplo, começar os nossos dias na
presença do Senhor, alinhando o nosso
coração. E então, com o coração
alinhado, firmado em Cristo, a gente vai
pras demandas. você ainda vai ter que
estudar para pra faculdade, você ainda
vai ter que fazer seu curso, você ainda
vai ter que trabalhar. Mas quando você
tá firmado sobre a rocha, as suas
respostas enquanto faz essas coisas
podem ser mais belas e mais saudáveis. E
você pode resgatar energia e alegria
para servir a Deus no mundo. Então,
vamos lá, um dia de cada vez. Deus vai
dando graça e a gente eh caminha na
força do Senhor.
>> Muito bom. E, pastor, para finalizar,
repete pra gente o nome do teu livro.
caso alguém se interesse por comprar,
>> claro. Eh, o livro se chama
Produtividade Redimida, eh, foi
publicado pela editora Fiel em 2024.
Legal. Fica, fica a dica para você de
casa aí para saber mais sobre esse tema,
para se autoavaliar, né? Pastor tem um
uma excelente dica aí, tá certo? Pastor,
obrigado mais uma vez pelo bate-papo.
Foi muito bom. Deus abençoe e continue
te usando aí neste ministério. E você
que nos assistiu, obrigado pela tua
presença, pela tua participação.
Compartilha esse vídeo porque você pode
alcançar pessoas que precisam, pode
levar o evangelho através de dois
cliques, né? Então se permita ser usado
por Deus. Às vezes a gente acha que
precisa fazer grandes coisas, mas com
pequenas atitudes a gente pode alcançar
pessoas que a gente nem imagina às
vezes, tá certo? Obrigado, Deus abençoe
e até a próxima.
>> [música]
[música]

Tags: