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A fé vem pelo ouvir

Davar Live – 01/05

Davar Live – 01/05

Davar Live – 01/05

– Canal Davar
twitter – @rolnei
instagram – rolneibt

Legendas automáticas:

Olá pessoal.
Boa noite.
Bem-vindos a mais uma live.
Hoje um pouco atrasado. Eu também estou
dando um tiro no escuro aqui. Estou
tentando de um jeito que não deu certo
numa outra vez.
E eu estou sendo cabeça dura e estou
tentando de novo.
Então
se tiver alguma coisa aí, vocês me
avisam se não estiver funcionando bem,
tá bom?
Mas é isso.
Boa noite. Bem-vindos aqui a mais uma
live
aqui do canal.
Eh
Hoje a gente
também vai ser uma live que a gente não
tem nada muito específico programado.
Na verdade, semana passada a gente ficou
mais conversando. Eu acho que funcionou
bem.
Então eu
eu vou seguir no mesmo
no mesmo caminho hoje, tá bom?
Então
eu já peço aí quem estiver vendo, se
tiver
alguma questão, se tiver bom o o áudio,
vocês
o áudio, a luz e tal, vocês me dão
um feedback aí, tá bom?
Estou vendo aqui Gil Pederiva, boa
noite.
Luiz Fernando, tudo ótimo por enquanto.
É, vamos ver se dura, né?
É, pois é, gente.
Então é isso.
Eh
O Carlos Muniz aí também, até agora tudo
bem.
Então eu queria conver começar
perguntando para vocês, se vocês estão
bem, se vocês
têm alguma pergunta, alguma pergunta que
ficou da última vez. Sabe que esse
começo de live é o mais difícil, né?
Porque
chega uma hora normalmente que a live
começa a engatar e começa a andar
e tudo funciona bem.
Mas esse comecinho é o mais difícil. Eu
estava vendo essa semana, a gente também
não tem, assim, uma
alguma questão, alguma pergunta que foi
deixado no, no
eh, no canal durante a semana, né?
Eh, não vi nada muito específico
falando.
O,
teve uma pessoa, a Elaine Souza, que
comentou aqui, disse que
eh, elogiou a live e tal.
Eh, queria ver um comentário sobre a
Divina Comédia de de Dante Alighieri.
E como ela influenciou a nossa forma de
pensar o inferno e o paraíso, né?
Ela disse que ainda não leu o livro, mas
a obra influenciou o pensamento
ocidental e tal.
Então, eu vou começar com essa questão.
Eu também não sou um especialista nisso.
A gente ficou para falar sobre o
inferno.
Mas eu ainda não
Eu
É, esse é um dos assuntos que eu preciso
me preparar para falar.
Trazer uns textos para a gente ver aqui.
Mas, assim, de forma geral,
o que que acontece, né? Esse é um tema
que volta de vez em quando aqui no
canal, que eu acho que é um tema
importante.
As pessoas têm uma forma de pensar
dentro do cristianismo que tem muita
influência platônica.
E como isso acontece, né?
O Platão era um cara que
não sei se vocês já
conhecem o conceito de dualismo
platônico. Eu sei que quem acompanha o
canal há mais tempo vai saber, né?
Eh,
e no dualismo platônico,
o dualismo platônico é uma expressão
do pensamento de Platão sobre a
realidade em si, né? Então, o Platão,
ele vai
ele vai argumentar no seguinte sentido.
Eh, isso aqui é a Apologia de Sócrates,
se eu não me engano.
Que ele vai falar sobre isso.
Que é, quando ele fala que ele vai
morrer, né?
É, só que ele tá feliz porque a morte
não é o
o final de todas as coisas.
Ah, na verdade, a morte é uma libertação
da alma. Então, o pensamento platônico,
assim, bem resumidamente,
ele divide a realidade
em duas instâncias de realidade, mais ou
menos. Eu vou usar essa expressão, não
sei se é a mais adequada.
Mas você tem esse mundo físico,
material, que a gente vê, né? O mundo
sensitivo, mundo sensível, que você
percebe através dos sentidos.
E tem o o mundo, um mundo das ideias,
que esse mundo, ele tá mais próximo da
realidade do que esse mundo físico.
Então, esse mundo físico, na verdade, é
uma manifestação da realidade muito
muito fraca, muito superficial.
O mundo real mesmo é o mundo das ideias.
E ele vai falar o porquê. Por que o
mundo das ideias, né? Na verdade, o
mundo físico é uma manifestação
turva
do mundo das ideias.
Gente, eu tô de fone de ouvido e eu nem
sei se por que eu tô de fone de ouvido.
Sendo que eu não ouço vocês na live.
É, o
Então, por exemplo, no mundo das ideias
existe o conceito de circunferência, a
ideia de circu- circunferência.
Isso se manifesta no mundo físico, mas
as circunferências do mundo físico
nunca são perfeitas quanto à ideia de
círculo. É mais ou menos esse conceito,
né? É,
demora um tempo para ir se acostumando
com o conceito do do
do Sócrates, né?
A do do Platão, né? O o pensamento
socrático-platônico.
Mas a ideia é que
o mundo físico é só uma manifestação de
um mundo metafísico, né? E vem toda a
ideia de metafísica.
É, isso também vai se manifestar no ser
humano. O ser humano tem um uma
expressão no mundo físico, que é o
corpo,
mas ele é mais do que isso, ele um mundo
metafísico que seria a sua alma,
né? Essa separação
entre o físico e o
eu vou chamar aqui de espiritual, não é
o conceito de Platão, mas é o que depois
vai ser meio que interpretado pelos
cristãos,
eh,
é o pensamento que vem de Platão,
ele entra no cristianismo e o
cristianismo faz uma releitura disso,
usando os com alguns conceitos bíblicos,
né?
E vai precisar jogar fora alguns textos
da Bíblia porque eles simplesmente não
encaixam assim claramente nesse
nesse pensamento e aí a gente acaba
surgindo essa ideia
de uma punição fora do corpo físico,
né?
Eh, então, você tem na Grécia
todo um conceito do Hades, que é o lugar
aonde vão os mortos, os mortos eles vão
para um submundo,
eh, onde eles são jogados e tal. Eh, eu
também não tenho assim um conhecimento
muito profundo de como no pensamento
grego o Hades
se organiza, né? E quando a gente fala
Hades, aqui tem um uma uma mistura, né?
Porque
Hades
é o nome de um deus, o deus que cuida do
submundo, né?
E que é um deus lá, irmão de Zeus e tal,
né? Eh, dos filhos de Cronos.
E Hades também é o nome que se dá
para o submundo em si.
Então, existe uma confusão entre esses
esses dois nomes, né?
Eh,
o ponto é:
quando a Bíblia vai
traduzir o termo Sheol para o grego,
né? Que que é o Sheol? O Sheol é o termo
que talvez a melhor tradução seja
sepultura, que é o lugar onde estão os
mortos,
onde os mortos vão, para para debaixo da
terra
serem enterrados, é a sepultura. Então,
o Sheol significa o fim.
Na Bíblia, várias vezes você tem a
expressão: "Ah, ninguém louva a Deus no
Sheol", né?
Porque o Sheol é onde não existe nada,
né? Onde acabaram as coisas, né? O livro
de Eclesiastes vai falar mais
abertamente e claramente sobre isso, mas
tem Salmos que falam sobre o Sheol sendo
o lugar onde não acontece nada.
Mas quando o Novo Testamento vai
traduzir o termo Sheol
pro grego
às vezes ele usa o termo Hades.
Que é um termo assim, na falta de uma
palavra pra traduzir o termo hebraico
o lugar no submundo onde ficam os mortos
é o Hades.
É, e essa e essa
o uso dessa palavra no Novo Testamento
também
fez algumas pessoas confundirem o
conceito do Novo Testamento do de
submundo com o conceito grego do Hades.
Então assim,
isso é complexo, gente. É um é um é um
buraco bem profundo, né?
E é dentro de toda essa mistura, essa
bagunça que surge é o pensamento
do cristianismo do qual o o o o Dante
bebeu pra pra fazer a Divina Comédia,
entendeu?
Então a Divina Comédia, na verdade
o conceito de inferno da da Divina
Comédia, eu também não li a Divina
Comédia toda, né? Eu tô falando sobre o
que eu sei
do conceito que se refere na na Divina
Comédia.
É
esse conceito é um conceito que mistura
elementos
platônicos que influenciaram todo o
pensamento grego é e uma releitura de de
de de de ideias bíblicas dentro desse
conceito.
Tá bom?
E aí a gente vem com essa ideia de um
inferno que tem círculos,
é é um é um reino esse esse inferno, é
todo um reino onde as pessoas estão lá
pra serem torturadas e tal, né?
Algumas coisas são curiosas nesse nessa
concepção de inferno tradicional do
cristianismo
que não é muito bíblica, né?
A gente
pensa no inferno como sendo o lugar onde
o o o o demônio reina, de Satanás reina
no inferno. Então, qual que é a a
mitologia, digamos assim, da tradição
cristã? Existe um reino que é o inferno,
que tá lá pegando fogo, Satanás tá lá,
ele vive lá e ele fica torturando as
almas das pessoas que que morreram e que
não foram pro céu, né?
Eh
o que é curioso quando a gente compara
com a Bíblia
é que
não tem nenhum lugar na Bíblia falando
que Satanás
vive no inferno ou está no inferno. Mais
próximo que a gente vai chegar disso é
um texto de Apocalipse que diz que o
Satanás vai ser jogado no abismo no
final dos tempos para ser destruído,
né? Eh
a ideia de Satanás sendo jogado no
abismo para destruição é o é o é a ideia
do final de todas as coisas dentro do
conceito de Sheol que a gente tava
comentando.
Só que a Bíblia fala várias vezes da
ideia de Satanás estar aqui na terra,
né? Na na tentação de Cristo, o livro de
Jó talvez seja o o exemplo mais mais
claro disso, né? Que Satanás se
apresenta entre os filhos de Deus diante
de Deus.
E Deus pergunta para Satanás: "De onde
você vem?" Ele fala: "Eu venho de andar
na terra
e e passear por ela, né?"
É o lugar onde é onde ele transita, né?
E Jesus também fala que é o o
o reino desse mundo e tal e faz uma
associação com Satanás. Então, assim,
eh se a gente for pensar nesse conceito
de inferno onde as pessoas sofrem a
consequência do pecado e onde Satanás
reina, o inferno é muito mais aqui do do
em uma instância de um reino, eh,
submundo e e e como a tradição cristã
coloca, né? Então, de acordo com a
Bíblia, esse conceito de inferno é muito
mais aqui do que em qualquer outro
lugar, né?
Hum, mas é isso. Eu não tenho muito o
que falar sobre A Divina Comédia
sem entrar nessas questões sobre o
inferno, que a gente vai entrar numa
outra ocasião.
Deixa eu dar uma uma olhadinha aqui nos
comentários, né?
Aí o Daniel Algoverde também fala aqui,
boa noite.
O Carlos Muniz coloca,
"Pode incluir Hades, Sheol, Geena".
Exato, são
diversas palavras que a Bíblia usa
para se referir à situação dos mortos,
né? Eh, eu não eu não entendo que o
Sheol é uma localização geográfica,
como acabou sendo o inferno na na na
nessa tradição cristã toda, né? Eu
entendo o o o Sheol muito mais como uma
uma uma condição. Então, ser jogado no
Sheol,
ir para o Sheol, é muito mais estar na
condição de de
da finitude, né?
Eh, é o jeito que eu entendo, pelo
menos, né?
Aí o
canal Fanti Zero
7141
fala sobre sua trajetória no YouTube. Eu
tô com um canal de psicologia e um de
teologia. Está difícil pegar views.
Tá, eh, vamos lá.
Eh,
antes de falar disso, eu vou ler só os
outros comentários, eu volto aí, viu,
canal
canal canal Anti Zero. Ah, tá, canal
Anti Zero.
Eh, vou ler só as outra as outros
comentários que tem a ver com esse
assunto, depois eu volto aí, né?
Que ali depois o Daniel Algoverde fala
da a
de Lázaro e o rico. A gente vai comentar
mais disso quando a gente falar for
falar de do inferno, mas
é
basicamente tem uma questão sobre
interpretação bíblica que é importante
considerar nesse caso principalmente,
né? Por quê?
Existem passagens bíblicas que parecem
indicar essa ideia de inferno, de
um lugar
sei lá, metafísico também, um meta um um
lugar metafísico platônico onde as almas
estão, alguma coisa assim,
que acontece fora do corpo. Uma dessas
passagens é por exemplo a parábola de
rico e Lázaro, né? A parábola em que a
pessoa morre, é
é, você tem o o Lázaro que era um era um
era um nome para não é o Lázaro que
Jesus ressuscita, né? Mas é o Lázaro é
um sujeito pobre que sofria muito na mão
nas mãos de um cara rico e tal e ele
morre. Depois que o rico morre, ele vê
Lázaro no seio de Abraão
como se fosse o céu, né? E esse rico vai
para uma espécie de Sheol, de um
inferno, um de um lugar de sofrimento
e ele fala, olha, é, lembra-se de mim e
tal e e tem lá um um uma espécie de uma
comparação dos dois lugares, né?
Tem, então vamos dizer que a gente tem
duas maneiras de entender essa parábola
de Jesus.
Uma delas
é que
Jesus tá se referindo a a um
a uma questão literal de do que que
acontece depois da morte.
É,
portanto é um ensinamento teológico que
Jesus tá dando naquela naquela parábola,
né? E a outra maneira de entender é a
parábola tem um ensinamento mais moral,
no sentido de recompensa.
É,
e que a ideia do do do Lázaro lá no seio
de Abraão e tal, é uma uma ideia mais
alegórica, mais para se referir à
recompensa. Então, tem esses dois essas
duas maneiras de interpretar esse texto.
Se eu interpreto que o texto é literal,
falando de um lugar real de recompensa
e um lugar real de sofrimento, que é o a
a o tipo de interpretação que levou a
essa consideração desse inferno dentro
da tradição cristã,
se eu penso assim, eu vou ter que pegar
vários outros textos bíblicos, uma
enxurrada de textos bíblicos e
reinterpretar eles. Falar: "Não, esse
texto aqui não quer dizer o que ele quer
dizer, eh, porque eu tô usando o essa
interpretação da parábola do rico e
Lázaro como critério para interpretar
diversos outros textos bíblicos que
parecem querer dizer o contrário dessa
interpretação.
Entende o que eu quero dizer?
Eh, algumas delas logo no início da
Bíblia, na criação do ser humano, né?
Eh, Deus soprou no na narina do homem o
fôlego de vida, ele se tornou uma alma
vivente. Então, o homem é uma é uma
alma, mais do que ter uma alma como uma
entidade metafísica que habita seu
corpo.
A ideia de alma é a completude do homem,
né? É o corpo físico mais esse fôlego de
vida.
Então,
se eu entendo a parábola do rico Lázaro
como sendo o literal,
como existindo esses dois lugares, então
tenho que entender melhor, eu vou ter
que reinterpretar
essa noção do que que é um ser humano
dado pelo texto bíblico lá em Gênesis. E
aí vai ter diversas outras palavras, eh,
pa diversas outras passagens, a passagem
lá de Eclesiastes, capítulo 9, talvez,
que é o que o pessoal mais usa para
falar sobre, eh, a ideia de que a morte
é o fim, né? A própria ideia de
ressurreição vira um problema.
Porque se as pessoas morrem e já recebem
a sua recompensa no céu ou no inferno,
para que existe a ressurreição, então? E
a ressurreição é a recompensa que Jesus
fala extensamente no Novo Testamento,
né?
Então, imagina, a pessoa recebeu a
recompensa, ela tá no céu
e aí,
na ocasião da volta de Cristo, essa
pessoa ressuscitada, a alma dela volta
pra terra de novo pra ser ressuscitada e
pra ir depois ela voltar de novo pro
céu, vira um, fica um pouco estranho.
Então,
se você rejeita
essa, essa visão de que o homem é um só
e que não existe entidade homem,
ser humano, né, fora do corpo físico, se
você rejeita essa, essa interpretação,
você precisa reinterpretar um monte de
texto bíblico que,
assim, claramente tá falando abertamente
contra ela.
Só que é mais fácil de adaptar essa
interpretação dessa parábola do rico e
Lázaro, entende?
Porque os textos bíblicos, eles não são
tão simples de conciliar quanto parece.
Então, quando você vai tentar entender
eles de forma sistemática, né, seria a
teologia sistemática que o pessoal fala,
tá bom, eu quero entender o que que quer
dizer, eh, a, qual que é o conceito
bíblico sobre tal coisa?
Então,
você vai ter que olhar pra esses textos
e conciliar eles de alguma forma.
Existe muito mais textos falando sobre o
ser humano como uma entidade única,
física,
a alma humana é um, é um ser só, não é
uma entidade fora do corpo,
eh,
do que existem textos que parecem ter
essa dualidade platônica, sabe?
Então,
eu tô falando meramente uma questão de
quantidade, mas não é só quantidade, os
textos que fazem essa, essa
interpretação do ser humano como único,
eles são mais claros.
E textos como a parábola do rico e
Lázaro, ela, eles são um pouco mais
nebulosos. A própria parábola em si, o
que que significa estar no seio de
Abraão? É, esse é o céu da Bíblia, Estar
no seio de Abraão? Como assim?
É,
Mamar no seio de Abraão? O que que
significa essa expressão? Isso é
literal?
Então,
eu entendo que é muito mais fácil você
alegorizar essa
essa parábola em específico
para você conseguir entender todos os
outros textos bíblicos de uma forma
coesa do que eu entender essa parábola
especificamente como sendo literal
e
e eu ter que reinterpretar todos os
outros textos bíblicos, entende?
É, então, eu vou eu sigo por essa linha.
Quando a gente for falar de inferno, a
gente vai ver melhor esses textos que eu
tô falando, né?
É, que a gente vai falar um pouco mais,
a gente pode falar um pouco de alma
humana e de e de inferno, todos esses
conceitos
de pós-morte, né? O que acontece fora do
quando o corpo morre, o que acontece com
o ser humano, dentro do da perspectiva
bíblica, né?
É, e claro, também tem gente que vai
entender que a Bíblia é uma junção de de
tradições diferentes que tem que tem, é,
inclusive teologias diferentes. Então,
na Bíblia eh existe textos
contraditórios teologicamente, né? Tem
gente que vai entender desse jeito
também, né?
Mas,
resumidamente,
sobre a parábola do rico do rico e do
Lázaro, não sei se eu fui claro,
talvez tenha sido um pouco confuso
porque eu não quero
destrinchar tanto sem abrir o texto
aqui, a gente ler verso por verso,
entender bem, né? Mas a gente vai fazer
isso alguma hora, tá bom?
Mas é isso.
É,
passagem do do rico do do Lázaro, do
Lázaro, né? O detalhe é que nem o rico
nem Lázaro fizeram algo para merecer o
merecer o céu ou o inferno, diz aqui o
Carlos Muniz, né? É, exato, é,
essa é uma parábola que tem que ser
entendida à parte, até porque ela tem
elementos que são diferentes de outras
parábolas que Jesus costuma contar. As
parábolas de Jesus normalmente se
referem a a
sei lá
ao contexto da sociedade da época, a
questões agrícolas,
eh a questões de de de de relações da da
sociedade da época e
mas essa ela sai um pouco desse padrão,
né? Então eu acho uma parábola diferente
essa.
Então independente da forma como você
interpreta ela, você já tem que partir
do pressuposto que essa parábola é um
pouco diferente das outras, né?
Eh
se eu não me engano também ela faz
alguma menção a alguma
alguma tradição
eu vou vou dar uma pesquisadinha nisso e
a gente conversa mais sobre esse assunto
aí, né? O Luís Fernando fala
seria a existência longe da presença
seria a existência longe da presença de
Deus?
A existência está longe da presença de
Deus? Digo pelas expressões tipo trevas
exteriores ou lançado para fora onde
haverá pranto e ranger de dentes.
Eh
Vamos lá,
é uma questão complicada essa.
Porque a a própria ideia de presença de
Deus
é uma ideia um pouco confusa no texto
bíblico, ela não é uma ideia tão simples
assim.
Porque tentem entender assim, quando eu
falo da minha presença
eh eu posso falar vocês estão na minha
presença? Não, vocês
vocês não estão na minha presença, vocês
estão me vendo mas de longe, né? Vocês
estão vendo só uma uma transmissão do da
minha imagem e do meu som, mas vocês não
estão na minha presença.
Eh se um dia a gente se encontrar
pessoalmente, vocês vão estar na minha
presença e eu vou estar na presença de
vocês.
Porque eu sou um um um ser
um ser
restrito a a uma
às regras da física e tudo isso, né?
A presença de Deus
no texto bíblico, ela é mais confusa,
porque
a gente tem uma uma
vamos lá, deixa eu ver se eu consigo
organizar o pensamento para falar isso
de uma forma mais clara.
Existe um conceito no texto bíblico que
é a glória de Deus, Kavod Adonai.
O que que seria essa glória de Deus?
Ela aparece a glória de Deus ela
é é uma expressão
da presença de Deus intensamente em um
lugar. Então, por exemplo, lá no
santuário
quando as três vezes que se dedicou o
santuário, quando se termina de dedicar
o santuário
a presença de Deus enche o lugar de
forma tão intensa
que fica insuportável para as pessoas
ficarem lá, as pessoas saem do lugar,
porque falam: "Não, esse lugar está
sagrado demais", né?
E aí diz que a glória de Deus se
manifestou, aí usa essa expressão Kavod
Adonai.
A palavra Kavod, que a gente traduz como
glória ela parece ter alguma relação com
a palavra peso
para dar essa sensação de uma presença
muito intensa, né?
Então, a glória de Deus, a presença de
Deus intensa, acontece em momentos
específicos lá no santuário.
Mas ao mesmo tempo, a gente também tem
na Bíblia a ideia de que a presença de
Deus
intensa está em todo o lugar.
É, Isaías tem um texto interessante, né?
Quando tem aquele é, a visão que Isaías
tem do trono de Deus
agora
nossa, me fugiu se é Isaías três ou
Isaías seis, se eu não me engano é
Isaías seis.
Né? Que ele tem a visão do trono de Deus
e aí ele tem lá os serafins voando em
torno do trono de Deus e os serafins
os serafins, é
é difícil para mim falar os serafins,
porque a palavra serafim é o plural no
no hebraico, né? Esse sufixo in
é é plural masculino no hebraico, então
é é esquisito falar serafins, é os
serafim, né? O seraf, os serafim.
Aí os serafim, eles estão pronunciando
eh um texto que fala eh eh santo, santo,
santo, Senhor Deus dos exércitos, toda a
terra está cheia da sua glória.
Então eles estão na presença de Deus e
uma visão de Isaías, mas o que eles
estão falando aqui a terra inteira tá
cheia da do cavod Adonai, da presença
intensa de Deus, aquela que aparecia só
no santuário.
Na verdade ela não tava só no santuário,
ela tá na na terra inteira.
Então
Deus está presente
em todos os lugares.
Ao mesmo tempo parece que a presença de
de Deus se manifesta especialmente em
alguns lugares, mas mesmo nesses lugares
onde a presença de Deus se manifesta
especialmente,
parece que
na verdade ela tá se manifestando
especialmente em todos os lugares, mas a
gente só percebe em alguns.
É mais ou menos isso no texto bíblico,
vocês entendem?
Ah, sei lá, Deus se manifestava em lá no
povo de Israel em forma de uma nuvem.
Beleza.
Mas ao mesmo tempo Deus está em todos os
todos os lugares.
Então a gente tem no no acampamento
israelita, isso é interessante, que eles
tem um círculos concêntricos da presença
de Deus.
Deus está em toda a terra,
mas ao mesmo tempo Deus está no
acampamento de todos os israelitas.
Mas o acampamento dos israelitas, Deus
está em todo o acampamento dos
israelitas, mas ao mesmo tempo Deus está
especialmente ali no centro do
acampamento onde estavam a o os
acampamentos das ah dos levitas
e das e do das tribo do
dos sacerdotes, né? Dos filhos dos
sacerdotes.
Eh, mas ao mesmo tempo que Deus estava
aí nesse lugar central do acampamento,
ele tava especialmente no que tava bem
no centro do acampamento, que era o
santuário.
Deus tá em todo santuário, mas ele tá em
especialmente dentro do prédio do
santuário, não só na no pátio. Deus tá
no prédio do santuário, mas ele tá
especialmente no santíssimo e não só no
santo.
Deus tá no santíssimo, mas ele tá
especialmente em cima da da da arca da
aliança.
Então, entende o que eu quero dizer?
Parece que
eh aquela formação do da do dos do
acampamento israelita,
ele mostra essa dificuldade de de
sistematizar, que a gente tava falando
de de sistematizar o pensamento, em
relação a umas coisas que são divinas. A
presença de Deus é difícil, a mera
presença de Deus é uma coisa difícil
de você estabelecer no texto bíblico.
Porque
é paradoxal, como a gente tava falando
de paradoxos umas lives atrás,
porque ele é uma coisa que é uma coisa e
outra ao mesmo tempo. Então, Deus tá em
todos os lugares, mas Deus ao mesmo
tempo ele está em lugares específicos.
Entende?
Isso é difícil no texto bíblico, né? E
eu não sei se é pra ser uma coisa tão
lógica assim, porque a ideia é que os
atributos Deus e os atributos divinos,
eles extrapolam a lógica humana, eles
estão além da nossa percepção de
da própria conceito de presença, né?
Como você ia falar da presença de um
Deus que não tá restrito a um a um um
corpo físico, como a gente tava falando
do eu, ser humano, né? Eh
Deus está pra além de todas essas
coisas. Deus já existia antes de existir
qualquer coisa física.
Antes de o universo existir, de existir
uma coisa física, Deus já existia.
Então, se existe algo metafísico na
Bíblia, é Deus.
Eh
e não é só metafísico, ele ao mesmo
tempo é físico também. Então,
todas essas categorias que a gente
coloca, elas não se enquadram em Deus. A
própria categoria de estar presente ou
não, é um é um tipo de categorização que
não faz sentido em relação a Deus.
Entende?
É, isso é muito doido, né? É, então
a gente tava falando sobre a a
a como que era a pergunta aqui
que tava falando sobre a a a presença de
Deus, né? Em em
é
se a
se o que foi lançado para fora, onde há
há pranto e ranger de dentes e tal é que
dá para existir algo fora da presença de
Deus.
Eu acho que não, mas ao mesmo tempo Deus
está presente em tudo, por isso que
existem coisas.
Ao mesmo tempo Deus não é tudo.
Deus não é uma substância para estar
presente ou não.
Entende?
Então
eu acho que aí a gente toca naquelas
questões que que chegam na
no limite do que que a gente consegue é
deliberar racionalmente.
Do que a gente consegue
usar o nosso cérebro para conseguir
encontrar uma resposta. Né?
Porque se Deus existe da forma como é
descrito na Bíblia
essas categorias não se aplicam a ele. A
mesma coisa
por exemplo, que é um vídeo que eu gosto
do do canal que fala sobre Deus ser um.
É
usando textos só textos judaicos, a
gente vê que a própria ideia de um no
sentido numeral é uma ideia que não se
aplica também a Deus.
É, isso
é um conceito
um conceito judaico, né? Que que
no
o guia dos perplexos de Maimônides, ele
fala sobre esse esse conceito.
Ele vai comentar sobre a trindade, é
esse conceito dos
dos cristãos, né? É heresia os cristãos
acreditarem na trindade ou não e tal. E
ele vai falar da unicidade de Deus, ele
vai chegar a
a conclusão que a própria unicidade de
Deus também é um conceito que não
consegue conter a Deus, né? O o
o
Abraham Joshua Heschel que é um rabino
moderno, ele vai falar sobre isso também
num livro, eu não lembro se é no Menas
ou no Totalon,
mas ele também vai falar sobre isso e
vai falar como
a ideia de números é uma a ideia de
serialidade,
de coisas que são seriais,
que tem uma série, eh, então,
como Deus não tem nada parecido com
Deus, você não consegue quantificar a
Deus, a própria ideia de número não se
aplica a Deus. Falar que Deus é um só ou
que Deus é três
são palavras que não fazem sentido em
relação ao que que a Bíblia tá
descrevendo que é Deus, entende?
Então, existem conceitos humanos
que quando a gente aplica para Deus,
eles não fazem sentido.
É o mesmo do que a outra pergunta que eu
tava vendo aqui,
que é a ideia da temporalidade divina,
né? Eh, cadê aqui? Eu tava vendo
o o Gil
Gil Pederiva, né? Eh, o que você pensa
sobre a temporalidade de Deus? Ele está
fora ou dentro do nosso tempo
cronológico?
Existem textos que parecem indicar que
ele tá fora,
no sentido de que ele não experimenta o
tempo do mesmo jeito que a gente. E
existem textos que dão a entender que
ele tá dentro,
que ele tá experimentando o tempo da
junto do ser humano, apesar da
experiência dele no tempo ser diferente.
Eh,
então,
eu não acho que também isso é um é um
que a temporalidade é uma é uma
categoria
que se aplica a Deus também.
Eu não eu não consigo aplicar esses
conceitos. Eu já tive alguma ideia de
que
quando Deus cria o universo e ele cria o
tempo, o tempo passa a existir, então
ele entra dentro do tempo para se
relacionar com esse universo criado.
Tem esse conceito.
Mas ao mesmo tempo
Deus transcende a ideia de tempo.
Entende? Então, eu sei que
assim
não é totalmente a ideia que vou
a resposta que alguém esperaria, né?
Quando faz essa pergunta, né? Ah, Deus
tá no tempo ou não tá? Ele tá e não tá
ao mesmo tempo e e
e ele não tá e tá também ao mesmo tempo.
Porque
essa categoria não se aplica a Deus. É
não é uma resposta que dá para que é
bacana de ouvir, né?
Mas eu tenho muita dificuldade hoje,
pelo que eu entendo do texto bíblico
de fazer qualquer outra outro tipo de de
de de de deliberação em relação à
natureza de Deus quanto ao tempo, assim
quanto ao espaço.
Entende? O espaço e o tempo
não conseguem conter a Deus.
Deus não se contém no espaço, no tempo.
Porque não existe um espaço onde Deus
está e fora desse espaço Deus não está e
não existe tempo onde Deus está e fora
desse tempo Deus não está.
É, ele transcende
esses essas duas medidas, essas duas
dimensões.
Né? É
ele transcende essas duas dimensões.
Essas duas dimensões não servem para
ele.
Entende? Ah
é o é o que eu entendo, pelo menos. É,
ficou tudo bagunçado, tudo confuso, tudo
viajado filosoficamente.
Mas é o que para mim faz mais sentido
hoje é não fazer sentido
aplicar essa categoria a Deus.
É, eu viajei aqui um pouco, né?
>> [risadas]
>> É, vai muito do significado da
manifestação no local e no momento
também, né?
Sim, sim, é, Deus,
Deus
se manifesta em significados, isso sem
dúvida.
É, mais do que
em, nas dimensões, ele está presente nos
significados. Eu acho, eu, eu entendo
dessa maneira, né? Nenhum conceito
humano se aplica a Deus, porque ele
criou tudo, o tempo, a existência, a
vida, etc. Isso é,
se ele precede
todas essas categorias,
então essas categorias não conseguem
conter a Deus, entende? Até mesmo o
tempo.
Se ele precede a,
a noção de tempo e esse preceder não é
um preceder cronológico,
necessariamente, se é que vocês me
entendem, então ele está para além da
ideia de tempo, não dá para a gente
falar se ele está dentro ou fora, ele
está dentro e fora ao mesmo tempo.
E, e,
a experiência dele com o tempo não é uma
experiência que a gente consegue
entender,
faz sentido para o ser humano, né?
É,
é o que para mim,
é o que para mim
tem aí algum sentido.
Eu estou pulando umas perguntas, mas
depois eu volto nelas, né? Porque eu
vou, vou voltar agora
no que o,
o canal Anti Zero perguntou aqui.
É, a minha trajetória no YouTube, ele
tem um canal de psicologia e um de
teologia, está difícil pegar views.
Então, ó, falando um pouco sobre
YouTube, sobre a, esse canal mesmo,
>> [roncando]
>> o meu canal
tem aí 10 anos.
É, inclusive a gente fez 10 anos,
não sei se, eu não lembro agora se já
fez ou não. Deixa eu até ver, quando é
o, o vídeo mais antigo do canal.
É,
qual que é a data do vídeo mais antigo?
Não, não é esse aqui ainda.
É, só para ter uma ideia aqui, porque
aqui, né?
O vídeo mais antigo, é, já temos mais de
10 anos. Fizemos aniversário e eu nem
lembrei.
O vídeo mais antigo do canal é de 17 de
novembro de 2015.
17, 18 de novembro. Inclusive,
são dois vídeos que falam do amor a Deus
e amor ao próximo.
Um fala sobre o maior mandamento, o
outro sobre o bom samaritano.
Uma uma questão que até comentei
em live aqui há um tempo atrás, é o que
foi falado nesses vídeos. Inclusive, eu
lancei esses vídeos errado, né? Eu
lancei o vídeo dois no dia 17 e o vídeo
um tá no lancei no dia 18.
Faz nenhum sentido, né? Eu Eu também tô
fora do tempo, pelo jeito.
Mas o que que
que que acontece? Nessa época, eu
tudo era diferente, entendeu?
Então, eu tive
é, eu consegui ter o tamanho do do canal
que eu tenho hoje
sendo displicente do jeito que eu sou em
relação ao canal, coitado do canal.
É, mas eu consegui o tamanho que eu
tenho
hoje porque eu comecei naquela época.
Entende? Se hoje eu quisesse começar do
zero um canal do jeito que eu fiz, não
ia funcionar mais.
Porque aquele bonde já passou, entende?
É,
então, eu tive esse eu eu eu eu fiz esse
canal 10 anos atrás, 10 anos atrás o
algoritmo do YouTube era diferente, ele
entregava as coisas de um jeito
diferente, as pessoas conseguiam
conseguiram ter acesso ao meu meu
conteúdo de um jeito diferente de hoje.
É,
e eu
no começo eu tinha mais frequência, eu
cheguei a lançar um vídeo por semana, lá
no começo do canal, o que era uma
frequência boa antigamente, hoje o
YouTube ele
ele exige mais frequência para as
pessoas,
para ele recomendar mais o seu canal.
E não tinha tantos
canais de teologia na época, entende?
Pelo menos não com essa pegada que eu
que eu que eu fiz aqui também, né? Não
do jeito que eu tava fazendo, com essa
pegada que eu tava fazendo, não tinha
muita coisa.
Então foi uma coisa assim, eh,
deu certo naquele contexto.
Hoje não
eu não sei. Eu sei que também do jeito
que a gente faz aqui, fazer essas
viagens que a gente faz de vez em quando
teológicas e tal, eh,
também eu sei que não tem muito canal.
Eu também devia eu eu
eu tenho que que fazer o que eu falo
aqui já faz, tipo,
já deve fazer umas 10 lives também, que
eu tenho que voltar colocar os cortes
das lives para as pessoas conseguirem
acessar o conteúdo das lives mais
facilmente, não precisarem ver um vídeo
de 1:30 para entender só um raciocínio
que eu fiz dentro do canal. Posso fazer
um vídeo, colocar.
Eh, eu também queria com tempo fazer
esses vídeos em outros formatos, em
outras plataformas, que eu acho que dá
para fazer cortes mais curtos e colocar,
sei lá, no TikTok, no Instagram e tal.
Eu acho que dá para fazer isso, mas
também vai exigir um um trabalhinho aí
que eu tenho que me organizar para para
para fazer.
Mas
o canal foi foi crescendo naquela época,
naquele contexto, dessa forma, entende?
Então, eh,
algumas
algumas coisas no canal
tiveram mais
mais impulso. Tem um vídeo, na verdade,
tem um vídeo no canal
que
dificilmente ele não é maior
quando eu olho assim na nas
visualizações da da da dos últimos dois
dias,
que dificilmente ele não é maior do que
todas as outras visualizações somadas,
que é esse vídeo aqui, "Aceitas Judaicas
na Época de Jesus".
Eu não sei exatamente o que que
aconteceu. Foi
nesse vídeo, aliás, quando eu lancei
esse vídeo, ele não fez tanto sucesso.
Ele foi fazendo sucesso depois. Ele foi
descoberto por algum nicho, algum meio
depois.
E foi sendo espalhado e chama muita
gente para o canal esse vídeo.
Inclusive esse canal nem tem tanto mais
apegada que tinha na época desse vídeo
que eu falava muito de judaísmo
primitivo, as relações entre judaísmo e
Novo Testamento. Eu já nem faço tanto
mais isso quanto eu fazia antes. O canal
era quase que exclusivamente disso na
época.
Eh,
mas eu prefiro
ter um canal um pouco mais aberto, como
é hoje.
Então, ah,
é é diferente. A época hoje é diferente,
as coisas acontecem de um jeito
diferente, sabe? É o Luís
Quem que é que tinha perguntado? Canal
Anti-Zero, né?
Então,
eu não sei direito
nem como eu
atingi o tamanho que eu tenho hoje. Não
é um um grande tamanho também, né?
50.000 views, é 50.000
inscrições. Estou no 50 e quantos agora?
50 e
eh, 53.
Eu até perdi views. Nos últimos tempos
eu tenho perdido muito muito inscrito,
aliás.
Tenho perdido muito inscrito. Eu não sei
exatamente por quê. Depois que eu
comecei a fazer as lives, eu comecei a
perder inscritos. Provavelmente eram
inscritos que vieram talvez por causa
desse vídeo.
Que eram inscritos que vieram
por causa dessa pegada mais de judaísmo
e cristianismo e depois ele vê que o que
eu estou falando hoje não é tanto mais
isso. E aí acho que as pessoas estão
saindo aos poucos do meu canal,
né? Porque eu estou aqui
patinando para chegar nos 55.000
inscritos, né?
Mas eh, é isso. O
o YouTube hoje é outra coisa e acho que
para esse tipo de canal também
eh, é outra pegada. Então,
que dica eu teria? Olha, consistência é
uma dica boa. Então, uma dica que eu
ouvi um tempo na há muito tempo atrás,
quando estava mais no começo do canal, e
realmente
o conteúdo é o que manda. Se você tem um
bom conteúdo,
se você não tá só reproduzindo
automaticamente alguma coisa,
eh, se você tem um bom conteúdo, você
tem que achar o seu público.
Se você achar o seu público, você
consegue
você consegue crescer, você consegue ter
um público fiel ali pro tipo de coisa
que você tá fazendo, aí dá pra fazer
bem. Então, por exemplo, você tá falando
que tem um canal de teologia e um de,
eh, psicologia, né?
Você tem que entender de
que eles não podem ser só um um canal
genérico genérico de psicologia, você
tem que entender mais ou menos qual que
é a pegada do seu canal e não também não
pode ser só um canal genérico de
teologia. Você tem que entender qual é a
pegada do seu canal. Que que você quer
com Qual é o jeitão do seu canal,
entende?
E isso também vai mudando um pouco, né?
Eu acho que esses papos mais
filosóficos, mais viajados,
são mais recentes aqui no no no canal e
eu acho que eles predo- predominam,
inclusive, aqui nas nas lives, né?
Mas é isso.
É isso, canal Anti-Zero. Boa sorte aí.
Eh, eu também penso quando
se eu deveria ter algum perfil, alguma
coisa de psicologia pra também
me
me promover mais.
Eu tô fazendo faculdade de psicologia,
quando eu terminar
era bom eu ter aí ser mais conhecido pra
talvez na internet, mas ao mesmo tempo
eu fico
meio assim, cara, começar do zero um
esse tipo de divulgação é tão ruim. Eu
vejo muito canal de psicologia e eu
penso, ah, não sei o que que eu que que
eu faria de diferente, que que eu teria
que acrescentar.
No começo desse canal, do Davar,
eu assistia muito vídeo de de debate, de
de de de ateu e tal, era na mais ou
menos na época que o canal do Pirula
começou a fazer sucesso e o canal dele
era era um canal de ateísmo no começo.
Eh,
esse tipo de
e e eu via os vídeos desse tipo de de
assunto e ficava pensando: "Cara, o cara
podia ter falado tal coisa. É, isso
daqui seria um bom argumento. Olha, isso
daqui é um assunto que eles só passaram
por cima, não se aprofundaram". Então,
eu ficava pensando: "Ó, tem eu tenho
alguma coisa para falar sobre o
assunto". E aí eu criei o canal porque
eu estava com vontade de falar o que
tinha para falar, entende?
E aí eu acho que funciona mais. E hoje
também tenho o canal porque eu tenho
vontade de falar algumas coisas que eu
não vejo muitos canais no YouTube
falando, e eu quero ter essa
esse canal de expressão. Então, eu acho
que tem que ser mais essa pegada, você
tem algo a dizer
e aí você faz um canal. Porque acho que
se fazer um canal pensando: "Poxa, eu
preciso me divulgar. Deixa eu criar um
canal", eu acho que é mais difícil as
as coisas funcionarem assim, sabe?
Eu acho que fica mais mais difícil desse
jeito.
Tá, deixa eu ver aqui, tem bastante
pergunta aqui.
Então, vamos lá, vamos eu vou seguir na
sequência aqui.
Que eu sei que tem estou vendo aqui uns
que vai voltar, tem uns que já falamos,
não tem problema, a gente vai vai nesse
vai e volta mesmo, não tem problema.
>> [risadas]
>> Então, deixa eu ver, é
eu tinha visto aqui,
na temporalidade de Deus, que é o que eu
tinha deixado, voltamos. Jesus após sua
morte ficou onde três dias antes de de
ressuscitar?
Diz aqui o Daniel Algoverde.
Olha, eu
esse é um tema que eu vou deixar
devendo, porque eu vou precisar dar uma
lida sobre isso.
Porque
quando eu topei nesse assunto e fui ler,
falei: "É, é um pouco mais complicado do
que eu do que eu achava".
Então, eu sei que é um assunto que se eu
falar aqui só de cabeça, eu vou acabar
falando alguma besteira.
Então, eu não eu vou dever.
Mas é uma boa pergunta também. Onde
Jesus ficou nos três dias?
Onde ele estava? Três dias,
né? Até ressuscitar,
né?
Porque
dentro, encaixando na, na,
nessa perspectiva que a gente disse, ah,
Jesus estava morto,
né?
Antes de ressuscitar. Ele estava em
lugar nenhum, ele estava morto. Mas
existem textos bíblicos que vai falar
que Jesus pregou às almas aprisionadas
dos, no Sheol. Tem, tem textos que são
confusos, difíceis e que eu preciso
estudar para entender bem o que que
esses textos querem dizer, eh, como
encaixar nessa forma que eu entendo
essa perspectiva bíblica. Eh, não é
simples isso aí. Tem textos que você
olha e fala, ué, que que esse texto tá
querendo dizer? É difícil isso daí.
>> [risadas]
>> Aí o Luís Fernando vai muito do
significado da manifestação, local e no
momento também.
Que acho que a gente tá falando aqui da
manifestação de Deus, né? O Luís
Fernando, né?
Nenhum conceito humano se aplica a Deus,
porque ele criou tudo. O, o, o Carlos
tinha comentado, né?
Significa que Deus não existe, ele é.
É, eu, eu, de vez em quando eu topo com
essa, com essa, com essa
frase aí, Carlos.
Eu entendo o que a frase quer dizer, mas
ao mesmo tempo me parece
uma pegadinha semântica, mas eu entendo,
não,
eu entendo o que quer dizer a frase, é.
Ele não existe, ele é, no sentido de que
o que a gente entende por existência,
eh,
não, não consegue chegar no que que Deus
de fato é, né?
Aí o Eduardo Ramos coloca aqui: "Você
que estuda a psicologia, dá para afirmar
que Elias teve depressão no episódio que
se isolou no deserto? Depressão é algo
espiritual?" Olha, é interessante essa
pergunta, interessante. E talvez,
ah,
esses temas apareçam mais aqui, né?
O que acontece?
Eu já vi palestras sobre esse tipo de
coisa, não, porque
Elias sofria de depressão, Jacó sofria
de de ansiedade e tal.
É.
E assim,
até onde eu entendo, eu sou um psicólogo
em formação ainda, mas até onde entendo,
esse tipo de diagnóstico não deveria se
fazer, principalmente com um texto que é
uma literatura do Antigo Oriente Médio,
entende?
É.
Se passarem um caso escrito, olha, a
pessoa tem isso, isso, isso, isso, isso
e aquilo,
como você, é, como você vai
diagnosticar? Não, eu preciso estar com
a pessoa na minha frente. Eu preciso
conversar com ela. Eu preciso fazer
entrevistas com elas. Eu preciso fazer
entrevistas com os com as pessoas que
que convivem com ela. Então, um um
diagnóstico não é feito desse jeito.
Então,
falar que ele tinha depressão pode ser
assim uma uma um exercício diagnóstico,
mas não é um diagnóstico sério, entende
o que eu quero dizer?
Além disso,
falar que a pessoa tá com depressão
porque
ela tá muito triste, porque tá passando
por um período difícil, também não é
exatamente isso.
Então,
é, por exemplo, as pessoas passam por
luto
e muitas vezes no luto elas têm
vários sintomas parecidos com depressão.
Mas aquilo é um momento específico da
vida e pode ser que um luto desencadeie
uma depressão. Isso pode acontecer.
Mas aquilo é a experime a experimentação
de um luto. Ah, terminou o namoro, ficou
com depressão? Não, ele tá triste porque
terminou o namoro.
Entende?
É. Ele vai ter sintomas parecidos com
depressão? Pode ter, mas
não é um diagnóstico de depressão em si,
entende? Porque depressão é uma coisa
mais específica.
É, apesar de existir uma variação em
depressão e também você ter depressão
não é necessariamente você ter um
transtorno depressivo.
Eh, você pode ter episódios de de
depressão desencadeado por por inúmeros
motivos.
Mas assim, no meu entender, Elias só
estava passando por um período muito
difícil da vida dele.
Não é uma depressão, né? Inclusive, os
personagens bíblicos de forma geral, eu
não entendo eles como depressivos. Eu
entendo que o texto bíblico tá
descrevendo uma pessoa passando por um
momento difícil e todo mundo quando
passa por um momento difícil chora, fica
angustiado, se questiona o porquê. Isso
é o é reação natural
de se passar por um momento difícil. Se
a pessoa não tem essa esse tipo de
reação,
então talvez tem alguma coisa diferente
acontecendo com ela, entendeu?
Então, ele só tá reagindo naturalmente
pra pro contexto onde ele foi colocado.
Ele tá sendo perseguido, ele acha que
ele tá sozinho, que não que que não tem
mais ninguém que segue a Deus, ele não
sabe o que vai acontecer depois, eh, ele
tá angustiado, ele então eu acho que é
mais por esse sentido, sabe?
E aí a depressão é algo espiritual?
A depressão,
eh,
vamos lá, eu esse esse é um tipo de
coisa que é difícil. Quando a gente
começa a estudar esse tipo de área,
quando você é uma pessoa muito
religiosa, começa a estudar esse tipo de
área,
você tem que fazer algumas separações na
sua cabeça.
Porque
de um ponto de vista, nossa, eu tô dando
Hoje é o dia das respostas dúbias, viu,
gente? As respostas que não respondem
nada, né? Meu Deus, hoje eu tô essas
respostas de mestre dos magos, que não
não dá nenhuma resposta direta.
Mas
de uma perspectiva, depressão não é
espiritual no sentido de que
a depressão é um processo natural que
acontece
no no cérebro.
Né?
Nas vias dopaminérgicas,
serotoninérgicas, etc e tal, né? Então é
um processo eh biológico,
cognitivo, que se manifesta no
comportamento, né? Então não é
espiritual
nesse ponto de vista.
Ao mesmo tempo, eu, como uma pessoa
religiosa, entendo que a a a depressão é
algo espiritual
da mesma forma que eu entendo que
quebrar uma perna também é uma coisa
espiritual.
Porque
da forma como eu entendo, a
espiritualidade não é um um um
um compartimento separado da vida. A
espiritualidade é uma perspectiva que
permeia toda a existência.
Então todas as coisas da nossa vida,
na vida do ser humano, tudo é
espiritual.
Tudo é espiritual.
Né? Tudo tem eh todas as coisas físicas
se manifestam espiritualmente, as coisas
eh espirituais elas se manifestam
fisicamente. Então não existe uma
separação
entre o espiritual e o não espiritual
tão simples assim, né?
Eh
As nossas experiências como pessoas
religiosas
são experiências espirituais, né? O
exemplo que eu cito aqui de vez em
quando, quando eu tô sentado assistindo
o filme do Homem Aranha, eu tô tendo uma
experiência espiritual.
Eu olho, eu vejo o filme, eu entendo os
personagens
de uma forma que se relaciona com a
minha fé, é uma forma espiritual,
entende?
Então
nessa outra perspectiva, nessa
compreensão específica, sim, a depressão
é algo espiritual dentro dessa
perspectiva específica. Então é e não é,
depende do que você entende por
espiritualidade,
depende do que você tá entendendo até
como depressão, né? Porque a
a depressão das pessoas às vezes falam
no senso comum, ah, eu tô meio deprimido
hoje, e tal.
né? Eh,
depressão é deprimir, uma coisa cair,
né? Então, pode,
a palavra depressão também significa tá,
ah, hoje eu tô meio pra baixo, tô meio
deprimido.
Então, não é o, o conceito
eh, clínico da psicologia de depressão é
uma coisa, depressão no jeito que é
usado no senso comum é outra.
Espiritualidade,
do jeito que é usado num, assim,
normalmente pelas pessoas é uma coisa,
espiritualidade, no jeito que eu entendo
que é a, a, a perspectiva bíblica é
outra. Então, depende muito do que que
quer dizer com essas palavras. Então, é,
dentro de uma perspectiva,
e não é,
dentro de outra perspectiva, entende?
O Luís Fernando falando aqui, tenta
raspar a cabeça, deixar crescer o
cabelo, no começo o Roli tinha outro
estilo. É, pois é, fui mudando, né? Eu
tô com o cabelo comprido faz tempo,
inclusive, né? Eu comecei a deixar o
cabelo comprido quando eu entrei na
faculdade.
E aí eu tava pensando, acho que eu quero
deixar o cabelo comprido até eu terminar
a faculdade, aí talvez eu raspe o cabelo
no dia que eu pegar o diploma. Acho que
ia ser simbólico,
se isso acontecesse, né? Talvez não
raspar, mas pelo menos cortar, não sei.
Hebreus 11, verso 6, no original eh,
grego, é dito que Deus é. Ah,
interessante, Carlos, não sabia não.
Vou dar uma separadinha nesse texto aí
pra ver depois, né?
Eh, eu nem lembro o que que é Hebreus
11, verso 6.
Eh,
Hebreus 11, 6.
Cadê a minha Bíblia aqui? A Bíblia
online.
Vamos ver aqui o que que é essa passagem
que o Carlos colocou aqui.
Hebreus,
11,
que é o capítulo da fé, né?
Eh, verso 6. Ora, sem fé é impossível
agradar a Deus, porque é necessário que
aqueles que se aproximam de Deus
creiam que ele é", no caso, né? "E que é
galardoador", que é recompensador, né,
"dos que o o buscam". Interessante,
poxa. Legal. Vou dar uma olhada aí
mais no no contexto desse texto aqui.
Eh, o Oziel fala, "Muito interessante
que o canal não é confessional". Pois é,
Oziel.
Eh, o canal não é confessional, né? De
vez em quando eu falo aqui, aliás,
a maior parte do tempo, acho que só
depois que eu fui fazer as lives que eu
fui falar que eu que eu era adventista
aqui.
E eu evito entrar em questões que são
muito particulares do adventismo. Acho
que eu não tenho nenhum vídeo sobre o
sábado, inclusive, no
no canal,
né?
Eh,
porque
uma coisa que eu não quero, nunca quis,
que esse canal fosse um canal
assim doutrinário, que fala sobre as
doutrinas.
Eu não gosto muito dessa dessa pegada.
Eh, porque eu acho que nem é a pegada
bíblica. A Bíblia fala, tem doutrinas na
Bíblia, mas as doutrinas não se
apresentam,
eh, de uma forma tão
igual a teologia moderna, tão organizada
e tal. As doutrinas elas aparecem
misturadas no meio de histórias, de de
falas enigmáticas.
Eh,
as doutrinas não são, e inclusive
algumas doutrinas,
dependendo da denominação, você olha,
eh, elas não são tão
facilmente delineáveis na Bíblia, né?
Assim, a gente pega doutrinas básicas do
cristianismo, a própria trindade.
Tem vários textos que parecem indicar a
trindade, mas você não tem um texto que
sistematiza, "Olha, a trindade
significa", a palavra trindade não tem
no texto bíblico, né? Mas Deus é ao
mesmo tempo uma só entidade e também
três. Opa, tipo, não não tem isso tão
separadinho da forma como a gente
costuma organizar o pensamento na
sociedade moderna, dentro do contexto
moderno, hoje em dia, né?
Então, é,
eu, eu, evito
ficar focado em questões doutrinárias.
Até quando eu falo de questões
doutrinárias, eu tento falar
com uma outra pegada, né?
É,
eu, eu, eu gosto de, de, de, de, de ter
uma, um, outro jeito de falar as coisas
aqui, né?
É, porque eu gosto de ter pessoas que
pensam diferente no canal.
Eu não quero só falar para pessoas que
que acreditam nas mesmas coisas, do
mesmo jeito que eu. Eu gosto quando as
pessoas questionam o canal. Eu gosto de,
de ler comentários, o cara falou:
"Nossa, nada a ver, porque isso daqui é
assim, assim e assim e assado".
É, eu, eu, eu sou até meio esquisito
nesse sentido assim. Eu gosto de ver a,
a variedade das coisas. Eu gosto de
colocar à prova
a, a, as coisas que eu penso, sabe? De,
de, de,
o, o canal tem um pouco disso,
de
pôr para fora o que eu penso e ver o
que, que as, o jeito que as pessoas
reagem, sabe?
Então,
eu quero ver reações fora do, do, do
adventismo, que é a minha religião, né?
É, e tem, bom, vários canais adventistas
aí, né? O,
Rodrigo Silva se tornou adventista muito
conhecido aí na internet, e tal.
É,
é, mas eu prefiro fazer uma pegada
diferente.
Eu, eu prefiro esse, esse,
esse esquema que a gente tá fazendo
aqui, né?
As viagens são boas, porque é sempre
verdade, não é enlatado, não é fingido.
Não é enlatado e não é fingido.
Se é sempre verdade, eu não sei. Que que
é a verdade? Aí a gente começa uma nova
viagem aqui, né?
>> [risadas]
>> É, se eu não me engano, o Fernando
Canali apresenta um conceito de tempo
como algo que é propriedade de todas as
coisas reais e não necessariamente uma
relação espaço temporal
como no cons, no conceito einsteiniano
que temos atualmente. Então, nesse
sentido, Deus seria a origem dessa
propriedade que comunica a existência às
coisas
e como é algo que ele comunica de si.
Então, Deus seria temporal, o que não
significa finitude. Muitas pessoas
entendem
tendem a achar que Deus deveria ser
atemporal
por medo de tratar ele com uma categoria
limitadora, mas nessa perspectiva
eh
isso não é necessário. É interessante
isso daí, Age. Eu gostei dessa dessa
perspectiva do Fernando Canali aqui.
Porque, de fato, se você fala que Deus é
tem todas essas essas essas questões,
não dá para falar que Deus não é
temporal totalmente
porque só o fato de Deus falar com
alguém, a fala é algo que acontece no
tempo.
Né? A fala é uma manifestação no tempo.
Então, se Deus não é temporal, não
existe fala.
Mas Deus falou, Deus falou para Moisés,
Deus fala com o povo de Israel
né? Deus fala os 10 mandamentos. Eh Deus
relembra o passado e tal. Então, nesse
sentido, Deus claramente é temporal.
Mas aí entra essa questão que você
falou, as pessoas tendem a pensar, se
ele é temporal, ele é finito, então ele
não é temporal nesse sentido de que a
temporalidade limita ele, né?
Eh
eu não sei eu também não sei se Deus
experi
experi experimenta o tempo de uma forma
cronológica tão
eh
tão rígida quanto nós.
Né? Tem aquelas outras passagens que
falam lá que para Deus
>> [roncando]
>> eh um dia são 1.000 anos e tal.
Eh
ou antes de você nascer, Deus já te
conhecia. Então, a forma de Deus
experimentar o tempo é diferente. Mas
Deus é de alguma forma, temporal, né?
É, como você estava falando aqui, de
alguma forma ele é temporal, de alguma
em alguma definição de temporal, ele é,
porque ele tá
ele tá se se relacionando com criaturas
que tão
aqui dentro dessa perspectiva do tempo,
né?
Ceci Lobo, "Seus vídeos me ajudaram
muito na época. Era muita novidade para
mim, até hoje acompanho quando fico
afastado e revejo muitos vídeos". Poxa,
que legal, Ceci Lobo, que legal.
Bacana.
É, bacana saber que que ajudaram, né? É
Eu também já tive
na minha vida os meus perrengues
religiosos, assim
é
quando era mais novo, né? Mas com o
tempo a gente vai ajustando
as coisas vão se assentando mais na
nossa cabeça, né?
Então
uma das coisas que eu, inclusive, não é
da época do que eu comecei a fazer vídeo
é é anterior, mas tem a ver com a aquele
sentimento que era internet
é, aquela internet que era mais
é
que era mais, falava sobre mais sobre
ateísmo
ela era mais uma pegada do que eu
pensava quando era adolescente. Quando
eu era adolescente eu entrei num uns
debates de internet, eu acho que não
não, acho que não tinha YouTube. Quando
é de quando é o YouTube? Não não sei.
Mas quando eu tinha adole, quando era
adolescente eu tinha 42 hoje.
Então quando eu era adolescente eu eu
fazia os debates de internet
e já cheguei a algumas questões que eu
não tinha resposta, sabe? Falei, "Poxa,
mas pera aí
se Deus existe, por que tal coisa, tal
coisa, tal coisa?" E o trilema de
Epicuro e não sei o que, eu ficava,
"Poxa, não sei, não tenho resposta para
isso".
E na época eu lembro que eu tinha um o
pastor da igreja que eu frequentava
também era um
uma pessoa assim muito ignorante, muito
ignorante.
E na época também eu tinha entrado na
faculdade de design digital.
E na época a faculdade de design digital
tinha uma disciplina de filosofia que
era mais voltada para estética.
Mas eu tive um professor muito bom
que falou da estética, hoje eu entendo
que era o professor era mais socialista
e tal, que ele falava, ele ele
fez questão da gente estudar estética do
ponto de vista da escola de Frankfurt,
né?
Então eu estudei
na os textos do Teodoro Adorno que
falava da indústria cultural e tal,
né? É
bem interessante, eu acho muito
interessante, apesar de eu não ser
comunista nem nada disso.
É, nem muito marxista eu sou. Mas é
bem, eu achava, nossa, na época quando
eu comecei a estudar isso na época que
eu entrei na faculdade com 17, né? Eu
como eu, eu faço aniversário no meio do
ano, a minha, minha vida escolar ela foi
assim meio que adiantada 6 meses.
Tentaram me reprovar uma vez para, para
eu ficar mais ajustado com o tempo, mas
acabaram desistindo e eu, então eu
terminei o, o ensino médio com 17 e
entrei na faculdade com 17.
Então assim,
eu estava estudando essas disciplinas
e eu falava, cara, como isso daqui é
profundo, isso é muito profundo.
E aí quando eu chegava na igreja, né, no
sábado, no caso,
ouvia o pastor falando, nossa, como isso
aqui é superficial, como isso aqui
poxa vida, é só isso, só esse, esse
essa superficialidade, não tem nada mais
profundo, é só esse senso comum?
>> [limpando a garganta]
>> Então teve uma época, nessa época eu
acho que foi a pior crise que eu tive em
relação a, a religiosidade assim, né?
É
eu passei uma época indo para igreja
mas ao mesmo tempo eu falava, eu acho
que Deus não existe não, acho que isso
aqui é tudo bobagem.
Mas ao mesmo tempo eu ia para igreja
porque eu tinha os os amigos na igreja e
não queria também, falei "Ah, eu não
quero também agora causar uma grande mas
mais para frente eu saio da igreja".
Mas eu
não saí.
Conheci pessoas interessantes na igreja,
conheci coisas
mais profundas dentro da igreja e eu aí
eu vi
que a coisa não era desse jeito não.
Que as
as questões religiosas, elas são
extremamente profundas. Você pode ser
superficial, mas elas têm profundidade.
Assim como essas questões políticas,
questões eh filosóficas, você pode
abordar elas superficialmente,
só sem estudar muito e acho que
só para querer parecer que sabe alguma
coisa. Ou também dá para se aprofundar
de fato nas coisas, né?
Então
teve uma época ali que eu comecei a me
reconectar assim com a minha
espiritualidade, comecei a entender de
novo
algumas coisas de de uma forma
diferente, né? Agora com com mais
mais vontade de entender conceitos
complexos, né?
E eu acho que esse período da minha vida
me fez
gostar dessa pegada de coisas que, olha,
essa resposta não é tão simples, hein?
Olha, isso aqui não é bem assim. Olha
só,
para isso aqui não tem resposta mesmo,
não adianta querer responder que não tem
resposta. Então eu eu acho que vem mais
dessa época, sabe?
Nessa época que acho que a minha
espiritualidade acabou se formando mais
nesse nesse lado.
Tanto que hoje, se alguém me falar
"Olha, existe um argumento aqui muito
difícil de se falar para em relação a
Deus, da existência de Deus, tal
argumento", eu falo "É, poxa, realmente
não tenho resposta para ele".
Continuo acreditando em Deus do mesmo
jeito.
Eh
já não sou mais tão preso a essas
questões lógicas. "Ó, isso daqui tem que
encaixar logicamente aí
é certo. Mas se não encaixar
logicamente, aí é mentira". Não
eu
hoje eu entendo que a realidade é mais
complicada do que só um
só um, um
um encaixar de peças do Tetris que se
encaixam e se anulam e dá tudo certo,
sabe?
É, eu, eu entendo
que a realidade, a espiritualidade, o, a
vida,
tá, tá tudo mais, mais difícil.
Entende?
E eu, e eu gosto de, de, quando eu lido
com, com adolescentes, com jovens na
igreja, eu gosto de
eu gosto de deixar isso claro.
Que olha, eles vão ter dúvidas e dúvidas
legítimas e algumas delas não vão ter
resposta, o que não significa
que esse caminho tá errado.
Né? Porque
um amigo meu mais novo que eu tava
conversando uns dias atrás aí
que também tava tendo as crises dele em
relação a, a religião.
É
a questão é que o debate é infinito.
Eu tinha
uma vontade, quando era mais novo de
encontrar o final dos argumentos.
Ah, esse cara argumentou, esse
contra-argumentou, esse
contra-argumentou e pronto, agora não
tem mais resposta, acabou, esse assunto
fechou.
Mas depois eu vi que assuntos realmente
complexos, realmente interessantes, o
debate é infinito.
O que significa que você nunca vai ter
as respostas. Então, beleza, eu tô na
igreja, eu vejo, poxa
não existe esse argumento aqui pra
existência de Deus, pô, acho que Deus
não existe. Me tornei ateu.
Agora, agora eu tô vivendo aquilo que eu
sei que é verdade.
Eu vou bater de frente com alguma coisa,
de, em algum momento, que vai me
mostrar, poxa, isso daqui, agora eu não
tenho resposta pra isso, e agora?
Então assim
a condição humana, independente do que
você acredita
é uma condição imersa no mistério.
Você sempre vai tá rodeado de coisas
misteriosas que você não tem resposta.
Eh,
existe um jeito de você maquiar elas
para você mesmo e fingir que elas não
existem.
Porque você está satisfeito com as
respostas que você tem.
E muitas vezes a igreja trabalha nesse
sentido.
Não, deixa eu trabalhar aqui para as
pessoas não verem as dúvidas que
existem, questões sérias de em relação à
existência de Deus, em relação à nossa
doutrina aqui da igreja, em relação à
tradição cristã. Tipo, existem questões
sérias, difíceis que não tem uma
resposta final sobre elas, né?
E e a igreja se preocupa muito em fazer
o jovem não entrar em contato com essas
questões. Não, cuidado, se ele fizer
faculdade ele vai se desviar.
Eh,
eu acho que
o caminho é o contrário. Quanto mais
cedo você deixar claro pro pra pra
pessoa na igreja que, olha, a gente não
tem todas as respostas. Crer em Deus não
é saber as coisas.
Eh, e não crer em Deus também não vai
ter as as respostas. As respostas elas
estão para além da gente, né? Algumas
respostas você pode ter,
mas as respostas finais você não vai
ter.
Você é um ser humano, então você não vai
ter respostas finais para nada, né?
Então, o quanto mais cedo você fazer o
jovem cristão entender isso,
menos ele vai ficar abalado quando
chegarem as dúvidas para ele. Ele vai
estar acostumado com a ideia de dúvidas,
ele vai estar acostumado com a ideia de
questionamento. Mas isso
é claro, eu eu não não eu não
revolucionei nenhuma igreja,
né? Não não convenci ninguém desse jeito
de pensar.
Mas
um ou outro eu acabo ajudando, entendeu?
Um ou outro jovem nas suas crises lá eu
acabo ajudando na na
nos lugares onde eu eu
eu frequentei.
Mas eu gosto de de pensar desse jeito. É
um jeito que eu fico menos ansioso em
relação a não saber as coisas, sabe?
Você
já estar consciente
de da assim da das da logo na premissa
de que você não vai saber
não se preocupa, fica calmo. Você vai
encontrar uma resposta boa aqui, mas vai
vir outra pessoa que vai
contra-argumentar, aí vai ter o depois
você vai entender uma coisa que falou
nossa essa contra-argumentação tem nada
a ver, mas ao mesmo tempo tem outra
coisa, então as coisas vão se tornando
complexas, vão se ramificando e a gente
não vai uma linha uma linha reta da
dúvida até a resposta, né? É a dúvida
que se ramifica em outras dúvidas,
algumas são respondidas, outras não,
outras levam a dúvidas mais profundas,
dúvidas que não tem
não nem existe uma resposta porque são
dúvidas em relação a a a a a a
paradoxos,
a questões que são contraditórias na na
própria existência. Então assim, apren
quanto mais cedo você aprender que o
mundo não é
uma uma uma uma pecinha de de
quebra-cabeça que vai encaixar uma
resposta certa e tal
você vai entender que o mundo é confuso,
o mundo é contraditório, a existência é
angustiante
difícil de achar respostas. Quanto mais
cedo você aprender isso, melhor, você
vai conviver melhor com as crenças que
você tem. As crenças podem até mudar,
mas você convive melhor com elas, você
não fica angustiado em relação a elas,
entende?
Bom, é isso, mais uma viagem aqui.
Quem vai aceitar os sacrifícios no
terceiro templo, já que os mesmos já
cessaram? Isso aqui é a Roseli Parreira.
É Roseli, olha
depende do que você entende como o que
será o terceiro templo, né? Uma tem uma
interpretação mais tradicional
mais ortodoxa judaica
entende que o Messias, quando vier, ele
vai fazer o terceiro templo fisicamente,
como houve o primeiro e segundo templo e
o tabernáculo do deserto.
Eh, ele vai
ele vai construir o templo e vai voltar
a ter sacrifícios literalmente.
Existe uma parte do judaísmo que já nem
entende mais assim, que nem quer que se
construa um novo templo, né?
Eh,
eu, olhando para o texto bíblico,
entendo que no Novo Testamento o
terceiro templo não é uma construção
eh,
onde acontecem sacrifícios literalmente
da forma como eram os outros dois
santuários.
Entendo que o templo que, primeiro,
existe mais de uma forma de entender o
que que é esse templo.
Uma delas, que é uma perspectiva
bíblica, é que
o próprio Jesus é o terceiro templo.
Eh, existe uma passagem em João, não vou
saber dizer de cabeça qual que é, mas
quando os discípulos, quando
Jesus comenta num num dos debates que
ele tem, ele fala: "Olha,
eu vou destruir esse santuário e em três
dias eu vou reconstruir ele".
E é mais uma dessas falas de Jesus que
os
fariseus ficam doidos, né? Ficam Fica o
pessoal falando, tirando a cueca pela
cabeça, né? Falando: "Ah, que absurdo!
Como ele vai falar um negócio desse?
Como assim vai ele vai destruir o templo
e vai construir de novo e tal".
Eh, e aí no texto de João, que isso
aparece em mais de um evangelho, né? No
texto de João, ele fala: "E ele falou
sobre isso se referindo ao seu próprio
corpo".
Então, João já interpreta esse texto
como, eh,
a própria morte e ressurreição de Jesus
foi uma destruição e uma reconstrução do
santuário.
O santuário seria o próprio corpo de
Cristo.
O que faz sentido, se a gente for pensar
no livro de Hebreus
que
todo o todo o ofício do santuário, todo
o serviço do santuário acontece na
pessoa de Cristo.
Ele é o sacerdote, ele é o sacrifício,
né? Ele perdoa os pecados, ele leva os
pecados diante do pai, eh
entende? Ele
todo aquele ah aquele processo do
santuário acontece
todo ele é como todas as partes
acontecem no em Cristo,
né?
Então o próprio corpo de Cristo
ressurreto seria
o o terceiro templo. Essa é uma
perspectiva que eu acho interessante,
né?
Outras
pessoas podem entender talvez que o
terceiro templo seja a nova Jerusalém
que desce do céu, que é onde Deus habita
e tal.
Então eu vou mais para essa linha, eu
não acredito na na ideia de um terceiro
templo onde onde acontecem sacrifícios
físicos,
eh literais, né? Da forma como
como
os
os judeus mais ortodoxos entendem. Eu
não penso dessa forma não.
Deixa eu ver aqui que eu tô meio perdido
agora nos comentários. Vamos lá.
Gente, eu sou tão ruim de vocês veem que
eu sempre sou ruim de acompanhar os
comentários, né? Fico indo e voltando
também porque às vezes eu quero falar de
um comentário
que tem a ver com o tema e tal, né?
Oziel falando: "Depressão não pode vir a
se desencadear de problemas morais, por
exemplo?"
Eh diz pergunta aqui o Oziel.
Eh eu acho que não, Oziel. Eu acho que
não. Eu acho que
a a a depressão
vão vai ter até questões genéticas de de
predisposição à depressão,
eh as experiências de vida que você
sofre
podem desencadear essa esse
um processo depressivo e tal.
Eh,
mas eu não acho que tem a ver com
moralidade. Eu acho que a moralidade não
A verdade
moralidade é um assunto interessante.
Eh,
e não tem muita
no Brasil não é o tipo de coisa que que
que eu vejo muito em psicologia se
falando sobre, né?
Ela sempre fica meio a segundo plano.
Tem um livro bom que chama A mente
moralista de um
um psicólogo americano, né? O Jonathan
Haidt.
Que ele vai falar sobre a moralidade de
Inclusive ele tem uma ideia interessante
que o a moralidade
você e a moralidade é igual uma uma
pessoa conduzindo um elefante. A
moralidade é um é um elemento que conduz
você inteiro e você não percebe. Na
verdade assim, as questões morais
você não determina elas no seu cérebro
através de reflexão sobre o mundo.
As questões morais elas surgem na sua
cabeça
de forma eh
eh de forma muito mais assim eh eh
espontânea.
Elas surgem de forma muito mais de uma
reação
eh mais Ah, eu não tô achando a palavra,
mas é uma coisa mais
reativa em relação ao mundo do que uma
coisa elaborada. A elaboração moral
ela é posterior à moralidade,
né? Existe algumas formas de se medir
isso. Por exemplo, se você
eh uma uma pesquisa que é interessante é
falar é falar pra pessoa: "Olha, tal
coisa é certa ou é errada?"
Aí a pessoa vai responder se ela acha
certo ou errado. Depois fala: "Por quê?"
Aí você vai ver que a pessoa vai demorar
um tempo pra elaborar isso, que é o
tempo de,
é o tempo de organização
de como justificar
aquela, aquela, aquele sentimento moral
que ela tem, não é sentimento a palavra,
né?
Mas, ah,
é quase um, é quase um instinto moral
que ela tem, ela vai justificar aquilo
depois que perguntam para ela.
Então, as elaborações morais que a gente
faz, elas são posteriores à nossa
moralidade, isso é muito interessante.
Inclusive tem fatores inclusive
genéticos que podem influenciar a
moralidade das pessoas.
Eh,
o que não significa que é uma passação
de pano para quem faz coisas erradas,
mas que tem coisas que são,
tem, tem coisas que pessoas, algumas
pessoas têm mais predisposição a ter uma
questão em relação àquela coisa do que
outras,
né?
Então, por exemplo, ah, as pessoas, esse
cara aqui traiu a mulher 15 vezes.
Eh,
tá, existe, vamos supor que desse para
mapear geneticamente, né?
Mas exatamente qual é o gene do, sei lá,
da, da traição e esse cara tem muito
isso daí.
Eh, não dá para falar, ah, não, então
tudo bem, está perdoado, né? Final das
contas, ele está, para, ele, ele foi
criado geneticamente para trair a
mulher. Não, não é isso.
O que eu quero dizer é que,
eh,
eu não tenho problema em trair a minha
mulher, nunca tive
um, um, um, uma, um, um momento em que
eu falasse, nossa, será que eu traio ou
não traio? Isso não, nunca nem passou
pela minha cabeça.
Para outras pessoas,
isso pode ser um problema mais sério, o
jeito dele ver o mundo, dele entender as
coisas,
pode ser uma questão mais séria para
ele.
Eh, eu já, sei lá, eu também já tive
vontade de descer a porrada em alguém,
apesar de eu não ser uma pessoa
violenta, mas às vezes tem gente que
não, essa pessoa ela lida muito mais de
boa com o mundo. Então, cada um tem a
sua questão.
Cada um tem um jeito de lidar com o
mundo e tal.
E eu acho muito interessante entender
que a moralidade ela vem antes.
Ela ela
ela tem muito mais a ver com um um certo
instinto
do que com uma elaboração elaboração
elaboração posterior. E a a religião se
relaciona com isso de uma forma muito
complexa, né? Muito complexa.
Eh, tanto que existe muita gente que
justifica
eh
teologicamente questões que outros acham
imoral.
E a moralidade para eles daquela questão
também é
justificada teologicamente. Então um
acha imoral tal coisa, outro acha moral
essa mesma coisa e os dois justificam
teologicamente com base na mesma Bíblia.
Quer dizer, a elaboração vem
depois
da
da desse instinto moral, entende?
Que e ele é formado
de uma forma
eh
vou usar um termo aqui que é mais da
psicologia bio psicossocial. Ele tem a
ver com a a a cultura em que você
cresceu,
com o ambiente onde você está inserido
e com a sua formação pessoal, o jeito
particular que você percebe e se
relaciona com o mundo, entende?
Então, eh
ela vai se formando de um jeito que você
não tem controle. Você não tem controle
sobre a sua moralidade.
Você não consegue olhar para uma coisa e
falar: "Não,
eu pensei aqui racionalmente e agora eu
acho que é certo eu matar um bebê".
Mesmo que você achasse um argumento
moral, se tivesse uma criança na sua
frente e te dessem uma faca: "Mata essa
criança", você não ia conseguir porque
você ia sentir que aquilo está errado,
entendeu?
Então a a moralidade é uma coisa
extremamente interessante. Eu vou ler
mais sobre isso. Eu vou me aprofundar
mais sobre isso com o tempo e eu vou
trazer algumas questões aqui sobre isso.
Mas
eh
eu acho que você tinha perguntado se a
depressão pode ser uma coisa ah ah
desencadeada por problema moral, eu acho
que a a
depressão, ansiedade,
outras coisas, elas podem ser
desencadeadas por dilemas morais. Por
exemplo, se você
é colocado numa situação
que se repete
em que você faz uma coisa que você não
acha que é certo.
Todo dia você tem que conviver com
aquilo
e isso pode causar uma angústia tão
grande que pode desencadear um um um
processo depressivo, né?
Mas não que a depressão em si aconteça
porque a pessoa é ruim.
Entende? Então, você vê que eu estou
pensando aqui moralidade em um termo um
pouco diferente, eu acho que do que você
você colocou aqui na sua pergunta, né?
Mas é isso.
O Luís Fernando Vales: "Antes eu achava
que todos os adventistas eram meio
Leandro Quadros, até conhecer você".
Você não sei ao certo o nome desse
pastor.
>> [risadas]
>> É, olha,
eh, se tem uma pessoa que realmente eu
não me identifico muito no jeito de de
pensar religião, apesar de eu ser da
mesma religião, é o Leandro Quadros, né?
Que é o cara que vem com a Bíblia assim:
"Ah, faz uma pergunta que eu respondo".
Aí a pessoa pergunta: "Tá aqui, ó,
texto, tá respondido, tal, acabei,
agora, colega".
Eh, eh, não é
totalmente não é o meu jeito de pensar
religião desse jeito, né? De fato,
realmente estou bem distante.
>> [suspirando]
>> O Ozeias: "Uma vez eu vi explicação, mas
que não foi a fundo buscar e meditar,
que o reino só poderia existir no tempo,
na história.
Criar o reino de Deus de uma hora para
outra não faria sentido ou não seria
ideal. Com base nisso, em Efésios 1,
começava a desenvolver uma explicação da
eleição, etc. e tal".
Eh,
é, eu acho que faz sentido. O o o reino
de Deus,
Ele é um
É um elemento bem interessante também
Porque Jesus fala que
também é o outro mais um elemento que a
gente tá trazendo nessa live tá cheio de
coisas ambíguas né? Mais um elemento que
olha
Tá aqui vocês estão inaugurando agora o
reino de Deus
Mas ao mesmo tempo o reino de Deus só
vai vir no futuro
Então o reino de Deus é quando Jesus
voltar ou é o que a gente tá fazendo
agora? É as duas coisas ao mesmo tempo
Entende?
Então esse reino de Deus também é um é
um conceito cheio de ambiguidades, cheio
de contradições não no sentido negativo
da contradição mas cheio de questões que
olha elas não encaixam tão logicamente
assim porque é agora e é depois ao mesmo
tempo né?
É
Então o reino de Deus também é
É é complexo
Aí o Luís Fernando também continua aqui
eu conheci seu canal quando estava
passando para algo parecido no meu caso
na na CCB né? Comunidade Cristã do
Brasil. Conheci seu canal na época
buscando mais esse tipo de experiência
racional ou meio acadêmica de trabalhar
a fé
Ah legal legal Luís Fernando pô é é
legal saber essas histórias de que de
alguma forma as as minhas reflexões aqui
ajudaram alguém também a
Encaixar alguma coisa ali na cabeça dele
né?
Aí o Wade fala é pois é muitos
dos pastores de fato acreditam nas
regrinhas fixas apresentar alguma
complexidade é encarado como você não
acredita na Bíblia ou então você tá
faltando fé né?
Ou na hora Deus proverá ou se eles
se eles explicassem que não sabem de
tudo seria um bom começo mas o apego à
autoridade parece falar
mais às vezes
É difícil viu Wade porque eu vejo também
que
Muitas vezes os pastores também
São colocados numa situação difícil de
autoridade religiosa
E é difícil
sempre que você é colocado numa figura
de autoridade,
se você não tá muito bem resolvido em
como legitimar essa autoridade,
você
sempre vai reforçar essa essa essa
autoridade de de formas esquisitas, né?
Então,
esse medo, esse essa apelo à ignorância
e tal,
acaba sendo uma coisa que eles fazem até
sem nem pensar, né? Tem muito Eles
também são cobrados, inclusive, né? Pelo
menos os pastores na igreja adventista,
né? Tem instâncias na igreja, tem
instâncias acima deles que que cobram:
"Uau, você tem que ter um controle aí da
sua igreja" e tal. Então, é é difícil a
questão. É difícil a questão
é assim, no sentido, o pastor nem sempre
faz isso
de má fé.
Às vezes ele às vezes ele faz isso
porque ele tá genuinamente preocupado
com a sua fé, mas ele mesmo não consegue
entender a fé de um jeito mais dinâmico,
uma fé de um jeito mais fluido, uma uma
fé de um jeito mais
espiritual, por mais contraditório que
pareça.
Mas eu eu gosto dessa figura, porque
quando Jesus [roncando] fala que a o
espírito vai
e volta e ninguém tem controle nenhum
sobre ele,
né? O espírito passa e tal. Porque a
palavra espírito no grego, a palavra
pneuma,
é igual no hebraico, né? A palavra
ruach,
que é a palavra vento. Palavra vento e a
palavra espírito é a mesma palavra.
Então,
quando você fala espírito,
você tá falando vento ao mesmo tempo.
Quando você pensa em espírito,
você tá pensando em uma coisa meio
ventosa, assim, sabe?
Eh
Então, quando Jesus fala que o espírito
é assim, ele tá reforçando esse elo com
a ideia do vento.
Você não controla o vento. O vento tá
Ele passa aqui, de repente ele para,
depois ele vai, ele vai para onde ele
quer, nem domesticável.
É, e as coisas espirituais são assim
também.
Então, às vezes quando a gente tá numa
igreja que a gente organiza
a comunidade de fé, a gente quer às
vezes, nas boas intenções até,
ter controle sobre coisas que são
incontroláveis.
A espiritualidade é incontrolável, a
espiritualidade é absolutamente
selvagem, indomesticável,
porque a espiritualidade vem de Deus,
né? E Deus é indomesticável. Eu adoro
essa expressão de uma
é, de uma,
de uma autora, eu não vou lembrar agora
o nome dela, Kate alguma coisa.
Deus é indomesticável.
É, que é, a gente muitas vezes, muito,
mas isso com muita frequência, quando a
gente começa a prestar atenção, com
muita frequência a gente quer domesticar
a religio, a, a espiritualidade,
domesticar a Deus. Deus é
indomesticável, parece óbvio, né?
Mas assim,
pensa que
um animal muito grande, muito mais forte
que você e que tem um propósito muito
fixo na cabeça, você não, não tem
como fazer absolutamente nada em relação
a ele.
Mas você acha, você tem a sensação de
que você tá controlando aquilo, de que
você consegue, sei lá, manipular ele ou
fazer ele fazer uma coisa que você quer,
não, não, você não consegue.
Não consegue, tá muito acima da sua
capacidade,
né? E é claro, eu usei um exemplo aqui
que não, nem chega perto da nossa
distância para Deus, né?
Mas, é,
mas eu gosto dessa palavra
indomesticável porque a domesticação
da religiosidade
é uma coisa que a gente tá, assim, o
tempo todo tentando fazer, né? E essa
fala de Jesus é fortíssima.
O espírito é igual ao vento, ele vai
para onde ele quer e você não tem o que
fazer.
Não é para onde você quer, é para onde
ele quer.
Né?
É, a espiritualidade é assim.
Aí o Eduardo Ramos coloca aqui: "No caso
do adventismo, a música é um debate
infinito na igreja". É exato, é.
É, é assim, é,
chega a ser engraçado algumas coisas,
né?
É um debate infinito.
Não sei se
não veio alguma coisa para eu elaborar
mais específica sobre isso, né? Mas acho
que cada igreja tem as suas,
suas questões, né?
Aí o Luís Fernando: "Aí, para minha
vergonha perante Deus, conheci um cara
que nem era pastor, nem nada, era só um
membro e tinha tanto conhecimento,
dedicação e estudo, confesso que me deu
raiva do Roni por subir o sarrafa".
Ah, olha lá, hein? Então, tá vendo?
É, pois é.
Mas,
eu não sei, muita gente me, me confunde
com pastor e tal.
Eu até acho que a função do pastor devia
ser mais intelectual. Eu não sou pastor,
então estou me metendo o bedelho em uma
função que não é minha.
Mas, é
eu me atraí
para entender mais a religião
por causa de todas essas questões que eu
passei no passado.
É, e é engraçado, né? Isso tem um pouco
a ver com o livro de Jó.
O que me atrai a querer saber mais
é ter a consciência de que as respostas
estão para além de mim, sabe?
Quando eu entendi que isso que eu estava
comentando com vocês, que olha, o debate
é infinito, você nunca vai ter a
resposta final,
aí me me uma vontade de querer conhecer
mais, sabe?
É, é engraçado quando a a
quando a cobrança pelo conhecimento
bíblico vem
por um mero conhecimento fechado,
lógico, sabe? Olha, você precisa estudar
a Bíblia, viu? Porque quando você não
estuda a Bíblia, o Satanás tá te
influenciando, então é quase como,
nossa, eu tenho que fazer o sacrifício
então de sentar e ficar lendo esse livro
aqui para não ser influenciado por
Satanás, senão eu vou para o inferno,
né?
Mas quando você sai dessa lógica e você
começa a ver, poxa, mas esse texto aqui
é esquisito da Bíblia, hein? Olha só que
estranho.
Olha esse outro, olha só que
que linguagem esquisita isso. Aí ele
começa a ficar mais interessante, aí dá
vontade de conhecer mais o texto.
Quando o texto não se apresenta para
você como historinhas de criança, mas
como histórias adultas bizarras,
complexas, grotescas,
sexuais em algumas em algumas partes,
eh,
e assim, violentas em outras.
Tipo,
quando o texto começa a a a se mostrar
mais forte,
ele não é a história do dia Daniel no na
cova dos leões, olha que bonitinho, o
leão, não é isso, não é isso o texto.
É muito mais difícil, é muito mais
adulto o texto. Aí ele começa a ficar
bem interessante, viu? Putz, ele fica
muito interessante. Aí dá vontade de
estudar.
Aí dá vontade de estudar, porque aí você
começa a ver o texto como um um um
fenômeno muito muito doido. Muito doido.
Aí é legal.
Aí é legal. Aí esse que é o negócio, né?
É difícil, porque muitas vezes na igreja
a Bíblia não é apresentada como uma
coisa interessante.
Uma frase que me
falavam lá na numa igreja que eu
frequentava, que nossa, eu quase passava
mal de ficar falando, a Bíblia tem a
resposta para todas as perguntas,
basta você ter coragem de ler o texto
bíblico, você vai encontrar a resposta
para todas as perguntas.
Eh, e uma vez eu fui conversar com esse
cara e falei, ué, me diz aí, onde na
Bíblia tá a resposta pra pra desinteria?
Quando eu tô com dor de barriga".
Fala aí, onde na Bíblia tá o que eu
tenho que fazer.
Tipo, se a gente parar pra pensar dois
segundos, a gente vê que a Bíblia não
tem a resposta pra todas as perguntas,
né?
Mas a Bíblia tem perguntas mais
interessantes do que as que a gente faz.
Esse que é o ponto.
Eh, eu acho que é por aí.
Quando a gente pensa, "Não, Deus é a
resposta pra tudo". Não, talvez Deus
seja uma pergunta maior do que todas as
perguntas. E aí fica mais legal se
relacionar com Deus. Aí fica mais
interessante de ler sobre Deus, sabe?
Eu eu
eu sou muito mais de ir pra esse
caminho.
Eu acho que aí é que as coisas começam a
a ser papo de adulto, sabe? Eu acho que
existe uma infantilização muito grande
dentro do do contexto religioso.
Muito infantil.
E é uma coisa que Paulo já brigava lá
atrás, gente, vocês vão sair desse desse
leitinho aí materno. Tá na hora de comer
coisa sólida, coisa que vai dar dor de
barriga, vai fazer você vomitar às
vezes, mas você precisa, sabe? Passar
por essa experiência também.
Eh
eu gosto de ter essa experiência mais
visceral com a Bíblia, é o que me faz
tá vivo espiritualmente, sabe? Né? E eu
e é o que eu tento passar um pouco aqui
também, né?
E e com as pessoas com quem eu me
relaciono na na igreja também.
Fazer elas
ter um pouco mais dessa perspectiva,
porque aí quando a sua vida ficar mais
complexa,
o texto bíblico não ficou mais simples
do que a sua vida.
Ele tá sempre um passo na frente. Não,
agora as coisas ficaram complexas, mas
olha esse texto aqui, olha que bizarro,
isso aqui é mais isso é difícil, hein?
Aí, cada vez que você
você vai se tornando um um ser humano
mais adulto, mais complexo,
que vê as coisas com
com de que as coisas são mais difíceis,
o texto bíblico tá sempre um passo à sua
frente, ele é sempre mais interessante.
Ele é sempre mais aberto a mais uma
forma de ver as coisas que você não
tinha parado para pensar antes, né?
Esse é o eu acho que esse é o caminho da
gente entender melhor o a Bíblia, sabe?
O fenômeno do texto bíblico.
Daniel 9 diz que quando
o Messias vier, ele cessa sacrifícios,
diz aqui o Carlos Muniz. Ah, é que a
gente tá falando lá do santuário, né,
Carlos?
É.
É, creio que o método judaico do do
Havruta,
é, que é o confronto em dupla, grupo
focado em um debate rigoroso,
interpretação de texto, é bem feliz em
habilitar o jovem a conviver com a
dúvida ao mesmo tempo em que busca por
resposta na Torá. É, olha,
é,
existem algumas coisas na na forma
judaica de ver que hoje eu consigo olhar
e falar, olha,
isso totalmente não para mim não faz
nenhum sentido. Mas existem coisas que
são tão legais, tão legais, quer ver?
É,
muitas vezes o pessoal coloca aqui, o eu
já ouvi isso mais de uma vez, que o o
judaísmo hoje é é mais o judaísmo do
Talmude do que da Torá.
Em alguma
e de uma certa forma é verdade mesmo,
né?
Você vai estudar o judaísmo, você vai
estudar a Torá, mas da perspectiva da
das discussões talmúdicas, você não
estuda
é, o o judaísmo não tem
um um um um
uma reforma protestante
da forma como a gente teve. Até tem lá
um um certo judaísmo que tenta se
desvencilhar da tradição talmúdica e
tal, mas é um movimento menor e tal, né?
Mas o judaísmo predominante, ele não
teve essa
essa
pegada protestante de falar: "Não, vamos
voltar pro texto bíblico e ficar só
nele". Então ele é ele é sempre
intermediado pelo Talmud, né?
Então o Talmud é uma literatura muito
importante pro pro judaísmo, assim,
fundamental.
Mas quando você olha pro Talmud, ele não
é um livro
com dogmas,
assim: "Olha, eu vim eu vim aqui
explicar esse texto aqui, a explicação,
pronto, acabou o mistério". Não, ele é
mais discussões.
E discussões muitas vezes sem ter uma
uma uma conclusão.
Ah, o rabino tal falou que isso é tal
coisa, agora o outro rabino falou que é
tal coisa.
E aí, qual dos dois tá certo? Não sei.
É, pensa aí sobre os dois, entende?
É, isso eu acho tão bacana no judaísmo,
eu acho que a gente devia
criar mais essa discussão.
A dis a gente devia criar mais essa
tradição de discutir.
Sabe?
É,
o o
o estudo da Bíblia no dentro do do
cristianismo, ele é ele é normalmente
muito professoral.
Chega o professor,
senta e fala: "Olha, agora eu vou
ensinar tal coisa pra vocês. Isso daqui
é desse jeito, entenderam? Parabéns,
agora vocês sabem, antes vocês não
sabiam".
Enquanto no judaísmo é muito mais: "Ó,
senta aqui você, você e você, que que
vocês acham desse texto"? Ah, eu acho
que é tal coisa. O outro fala: "Não,
não, nada a ver, eu acho que é por
aqui".
Aí o outro fala: "Puts, olha, vocês tão
falando, mas
pra mim é isso daqui". Aí chega um lado
e fala: "Nossa, vocês tão doidos, vocês
tão doidos, é isso aqui, ó".
E
e pronto, e aí, qual a conclusão pra
gente poder aprender alguma coisa? Não,
ah, o aprendizado tá na discussão em si,
não precisa ter conclusão.
É a discussão que faz você crescer no
conhecimento do texto, não é a
conclusão.
Então, quando alguém traz uma resposta,
ela tá diminuindo mais do que quando
alguém traz uma pergunta, entende?
É, essa essa tradição, esse jeito de ver
as coisas no judaísmo, eu acho assim,
poxa, fundamental. Acho que a gente
devia ir muito mais pro estudo bíblico
nesse jeito. Não que não tenha também
seus dogmatismos no judaísmo. Oh, tem
pra caramba, né?
Mas tem esse aspecto que é bem legal,
que a gente podia copiar bem mais, viu?
Do judaísmo.
Aí eu fiquei feliz porque eu pelo menos
eu hoje eu frequento uma igreja que
que a gente consegue sentar e e estudar,
né? O que é a escola sabatina e em
outras igrejas é a escola dominical, né?
A gente é uma igreja que as pessoas
conseguem trazer um texto e as pessoas
falarem o que elas pensam e um discordar
do outro e outro trazer uma
Poxa, eu não tinha pensado nisso. Pô,
que interessante, e tal.
Eu eu gosto de dessa pegada, viu? Isso é
bem legal.
É, aí o Eduardo Ramos pergunta aqui:
"Quando é falado meu povo perece por
falta de conhecimento, e nesse sentido é
nesse sentido intelectual? Nesse caso,
um cristão que não busca se aprofundar
estaria
estaria pecando?"
Olha, Eduardo, vamos
eu não lembro agora qual é o contexto
desse verso. Tem que ver o que que
esse verso disse
diz isso
pra chegar em qual conclusão, sabe?
É, mas
é eu não acho que é exatamente isso. Não
acho que é exatamente o o cristão que
não se busca se aprofundar estaria
pecando.
É, porque assim,
existem pessoas diferentes
e eu demorei pra entender isso. Existem
pessoas que a pegada delas não é
intelectual, não é se aprofundar
intelectualmente,
buscar as discussões filosóficas. Tem
gente que vai
abrir meu canal, vai ver dois minutos
essas discussões aqui que a gente gosta
e tal de ver, falar nossa, nada a ver,
putz que chato isso e vai embora.
Isso não significa que essa pessoa é um
mau cristão.
É.
Eu acho que.
Essas discussões que a gente tem
sobre o texto bíblico,
elas não são o fim, elas são o meio.
O fim.
É um, uma forma de viver a vida.
Entende?
E nem todo mundo chega nessa forma de
viver a vida através de todo esse embate
intelectual.
Às vezes a pessoa só leu o texto bíblico
e falou ah, legal, entendi. Ah, é para
oferecer outra face? Tá bom, entendi.
Ele vai lá na esquina ele já tá
oferecendo outra face. Ele entende as
coisas, parece que ele é mais bobo,
porque olha só, ele não quer discutir
aqui profundamente o texto,
mas ele consegue ser mais prático do que
às vezes do que a gente que tá aqui
fazendo toda uma discussão filosófica,
entende?
Se entende, né? Então assim.
É, eu acho que o pecado não está em não
se aprofundar no conhecimento bíblico.
É,
o pecado tá rondando. O meu jeito,
que eu gosto,
que faz sentido para mim e que me ajuda
a evitar o pecado, é pensar em questões
filosóficas e tal.
E é o jeito que.
Na minha cabeça faz acontecer mais
praticamente para mim.
Se eu não passo por essa, por essa.
Por essa digestão.
Opa, ah,
ele não vira tão prático.
Mas para muita gente não precisa ser
desse jeito, entende?
É, isso é uma coisa que foi difícil eu
aprender,
mas tem gente que não, o esquema dele
não vai ficar sem, ficar sentado
estudando o tempo todo e às vezes ele
vai ser um, um cristão, olha, muito
melhor melhor eu, muito melhor do que
eu.
É, então
o texto tem maneiras diferentes de se
relacionar com as pessoas.
É, as pessoas
têm maneiras diferentes também de se
relacionar com o texto.
Então, essa é a minha maneira.
Faz sentido para mim, me ajuda e é bom,
eu fico feliz de ver que ajudou muitos
de vocês.
Mas
nem todas as crises de um adolescente eu
tenho respostas.
Às vezes o adolescente está passando por
uma crise que se eu falar para ele:
"Não, pera aqui, vamos pensar um pouco
sobre o conceito hebraico e tal". Nossa,
isso não vai fazer nenhum sentido para
ele, só
isso só vai tornar ainda mais chato a
experiência de igreja, vai se tornar
ainda só mais sem sentido para ele.
É
Então, as pessoas têm necessidades
espirituais diferentes, sabe? É o é o
que eu que eu aprendi na minha vida.
É
eu espero que com esse
meu jeito eu ajude algumas pessoas que
também têm essa mesma
forma
minha de se relacionar com o texto.
Mas tem gente que é é um jeito
diferente, é outra pegada, sabe? Que não
vai ser isso daqui que vai ajudar ela
espiritualmente, que vai fazer ela
evitar de cometer um pecado.
Quando eu digo pecado
não é só
o comportamento pecaminoso.
Mas de agir de uma forma pecaminosa,
sabe?
É, inclusive,
é é que é um é um é um dilema difícil,
né?
Jesus
foi muito crítico à intelectualização da
religião que afasta
ela da prática.
Então, Jesus falou muito contra os
fariseus, que olha, vocês ficam aí o dia
inteiro estudando a Bíblia, mas vocês
não entenderam nada.
Não adianta.
Eu vou revelar isso para as pessoas aqui
simples.
Que elas não têm nem tempo de ficar
estudando igual vocês, porque elas têm
que trabalhar, elas têm que se
sustentar, elas estão aqui, tipo,
no no campo o dia inteiro cuidando de
ovelha e tal. Eh,
as verdades mais profundas de Deus,
muitas vezes é revelado para essas
pessoas
e não para vocês que estão aí discutindo
há séculos, o dia inteiro sentado lendo
o texto bíblico que
e chegando em em em assim discussões
super profundas e tal e às vezes não é
você que tá
o mais importante não tá sendo revelado
para você. Tá sendo revelado para o cara
ali. Isso é uma coisa que me deixa meio
assustado.
Porque eu fico sempre me questionando:
"Tá, mas pera aí, será que eu tô
entendendo o que que é realmente
importante?
Ou eu tô distraído com com com
perfumaria, entende?"
Eh, então, o problema é que essa crítica
que Jesus fez, que é importante a gente
sempre ter em mente,
mas ela também foi entendida por muita
gente como um anti-intelectualismo.
Tem gente que entendeu essa crítica
como: "Olha, então estudar é uma coisa
ruim.
Não é para estudar muito".
E a gente vai para um para um
cristianismo muito anti-intelectual.
Que acaba sendo o que é muitas igrejas a
gente vê hoje, né?
Então, eu acho que não é esse ponto.
Acho que a crítica de Jesus é quando a
intelectualidade
se perde e não
não encontra com a essência do texto.
Então, tem discussões na Bíblia que eu
acho, tipo, eu acho super interessantes,
mas elas não têm muito muita validade
espiritual, entende?
É meio que você ser ser nerd, gosta de
Star Trek e aprende Klingon.
Tá, aprendi uma língua que, tipo, não
tem aplicação prática para minha vida,
mas eu acho legal. Então, beleza.
Então, eu acho que tem discussões, às
vezes até que a gente faz aqui, que não
tem muita aplicação prática, muito
profunda,
mas na espiritualidade da gente.
Mas que é um assunto interessante, de
repente ele ajuda a chamar atenção para
outras coisas mais profundas e tal,
sabe?
Então, eu não sou
eu aí eu acho que é importante a gente
saber que o importante é não ser
anti-intelectual. A crítica de Jesus não
é contra o estudar em si.
Mas é o
quando você estuda e fica
nesse estudar
você se distrai com coisas periféricas
e não percebe o que é fundamental. Eu
acho que isso é uma coisa importante.
Então
a busca intelectual
ela
ela pode ser uma ferramenta de
aproximação a Deus, mas ela também pode
ser uma ferramenta de distanciamento de
Deus.
De distanciamento de de coisas realmente
importantes.
Então, tem que ter esse cuidado porque
a
estudar a Bíblia pode te te ajudar em
muitas coisas, mas pode atrapalhar
também.
Entende?
É, eu conheço gente que é muito estudada
na Bíblia
e que às vezes faz umas coisas que você
fala: "Pô, mas
esse cara já devia ter aprendido que
assim, espiritualmente não é assim que
faz as coisas, não é assim que lida com
uma pessoa que você discorda".
Poxa, parece que ele não cresceu muito
espiritualmente, mas o cara tem um
conhecimento absurdo da Bíblia, entende?
Então
se o estudo da Bíblia acompanhado dessa
preocupação, eu acho que é o caminho
certo.
Né?
É
mas se o estudo da Bíblia é um fim em si
mesmo
aí acabou, aí você se perdeu já.
É, o Daniel Gouvêa coloca aqui: "Três
judeus conversando tem três opiniões
diferentes, né?"
E dizem que quatro
quatro partidos políticos.
Dois judeus quando sentam tem três
opiniões diferentes e quatro partidos
políticos.
É
É, o Carlos põe embaixo aqui: "Onde há
dois judeus conversando há três
opiniões".
O que me entristece no caso da da
Cristã é que inicialmente o afastamento
da academia se deu
para dar liberdade teológica aos
membros. A crítica era que as teologias
estavam se tornando como a lei, eh, do
antigo tratamento, deve ser Antigo
Testamento, né? Aí a falta de busca
intelectual acabou deixando a institu,
a, a instituição muito carente de
estudo. Os membros carentes, na verdade,
né? Corrigindo. Eh, pois é, então.
As, é difícil saber
entender
os perigos do intelectualismo e ao mesmo
tempo não se tornar um anti-intelectual.
Difícil achar esse equilíbrio, sabe?
É difícil também,
é uma coisa que eu demorei para, para
aprender, a ver o mérito em gente que
não tem nada de intelectual,
mas que, putz, que cristianismo prático
essas pessoas têm, sabe?
Isso é, isso é uma coisa que às vezes é
um tapa na cara, sabe?
Aí você vê que tá, beleza, é, eu, eu
não é o,
o ponto não é isso que eu tô aqui
mastigando e tal, né? Isso, não é que
não, isso não tem validade nenhuma, mas
eu tenho que estar sempre atento sobre
qual é o ponto,
qual é o fundamento, o que que é
realmente importante, né? Se você perde
esse norte, aí perdeu tudo.
Aí perdeu tudo.
Bom, gente, a gente foi tarde hoje,
hein? 10:25 já.
Eu acho que tá bom, né?
Eh, pô, muito legal, sempre bom
conversar com vocês.
Eu gosto muito de fazer as lives aqui.
Espero que seja bom para vocês também.
Eh,
só ler essa última mensagem do João.
Ainda que eu tenha o dom de profetizar,
conheça todos os mistérios e toda a
ciência, ainda que eu tenha tamanha fé a
ponto de transportar os montes, se não
tiver amor, nada serei.
Primeiro Coríntios 13:2. Eh,
perfeito, João. É perfeito isso, né? Não
quer dizer
que profetizar, conhecer todos os
mistérios e toda a ciência e ter tamanha
fé ao ao ponto de transportar mundos,
que tudo isso é um lixo, que não tem
valor nenhum. Não, não quer dizer, mas
tem coisa
que é tão fundamental que sem isso nada
tem sentido. No caso aqui do de de de
Primeiro Coríntios 13 é a a ideia do
amor.
É de você colocar
é
e é e é o amor ainda
a gente fala desse amor de uma forma
mais genérica, né? Mas ele está falando
do amor quase como um ele está dentro da
discussão dos dons, né? Então o amor
como uma forma de se relacionar entre as
pessoas da da da da própria comunidade
de fé que você vive.
Então assim,
se o cara sabe grego, hebraico,
o cara tipo você perguntar um texto
aleatório lá do do meio de
Amós, ele sabe qual quais são as
discussões sobre o texto, entende muito
o texto bíblico, mas ele é um babaca com
as pessoas,
não tem valor nenhum.
Nenhum, nenhum, é é é é aí se perdeu,
esse conhecimento ele passa a a ser a
ser uma coisa assim, tipo, tá, beleza,
não não importa você saber isso,
né? Não quer dizer que não seja bom às
vezes estudar o texto, entender o que o
texto quis dizer, porque isso pode te
levar a insights bons e que te façam
tratar melhor as pessoas.
Então o fim é esse.
A finalidade é essa.
É o reino de Deus.
É a a
a fé, esperança e o amor, e o maior
deles é o amor.
Então esse é o fim, a gente quer chegar
aí.
Um dos meios para chegar nisso é estudar
o texto bíblico.
Mas algumas pessoas têm outros meios e
chegam bem nesses outros meios também.
Então
eu aprendi com o tempo a ter humildade
em relação a gente que
manja mais de cristianismo do que eu,
embora às vezes eu manjo mais do que de
Bíblia do que ela, entende?
Elas manjam mais do que quer ser cristão
de verdade.
É, embora eu tenha mais conhecimento
teórico.
Né?
É, para mim estudar a Bíblia é chupar
bala embalada. Amo quando pratico ela no
falar e no agir. É um relacionamento com
o autor. É isso.
Pauta da próxima sexta, o que vier na
nossa cabeça pode ser, Carlos.
>> [suspirando]
>> Pode ser. Perfeito, as obras do amor
possuem muitos frutos e cada um pode dar
o seu fruto segundo o seu É, exato, Ed.
Gente, boa noite então para vocês.
A gente se vê aí na na próxima live,
provavelmente semana que vem.
Hoje vocês viram, né? Eu esqueci de de
de criar uma live antes, então eu eu
entrei na hora aqui. Até pensei, será
que vai entrar alguém? Que bom que teve
alguém aqui para conversar comigo.
Mas valeu, gente.
É,
o tua live duas horas passam, a gente
não sente o tempo, muito conhecimento,
liberdade da palavra que o Eterno te
abençoe. Obrigado, Daniel. Você também.
Deus te abençoe também, abençoe todos
vocês aí que estão no nosso chat aí. Que
vocês tenham uma boa noite de descanso.
Um bom fim de semana, bom sábado aí para
vocês.
E a gente se vê, gente. Até mais. Valeu.

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