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A fé vem pelo ouvir

EU VISITEI UM CEMITÉRIO DE PREGADORES ILEGAIS

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Legendas automáticas:

Se você acha que o cristianismo é uma
religião que existe para deixar sua vida
melhor, você tem que conhecer um pouco
mais a história dos mártires. Eu sei que
talvez você goste aí de um de uma fé que
na verdade tá aí para afagar seu ego, tá
aí para lhe dar uma paz no travesseiro,
que tá aí pra gente dizer que essa vida
pode ser muito boa com Jesus. E muitas
vezes pode ser mesmo desde o seu início.
A nossa fé foi uma fé marcada pelo
sacrifício, desde o sacrifício de seguir
Jesus quando ele nos convida a morrer
para nós mesmos, desde o sacrifício do
nosso próprio sangue derramado pela
perseguição. Ora, como seria diferente
se o nosso Deus é um Deus que foi morto
numa cruz no nosso lugar. Houve
perseguição que matou o nosso Cristo.
[música] E desde as primeiras páginas do
livro de Atos, já há perseguição contra
a igreja que se inicia logo após a morte
de Cristo. Mas isso não coisa que fica
perdido no livro de Atos. Após o período
apostólico, há muito sangue derramado,
há muito martírio, há muito [música]
cristão pagando com o próprio sangue o
preço da sua fé. Bom, eu trouxe vocês
comigo pra cidade de Oxford. Eu tô aqui
em frente [música] ao Memorial dos
mártires, um memorial que fica aqui no
lugar muito importante da cidade, muito
próximo [música] ao Ashimonian Museum,
onde se rememora pessoas que foram
mortas, foram queimadas diante da
perseguição contra protestantes no
período pós [música] reforma aqui na
Inglaterra. Você quer saber mais sobre
isso? Vem comigo nesse Teologia na
Estrada aqui na cidade de Oxford.
[música]
>> [música]
[música]
>> Se você olha pra história da Inglaterra,
uma coisa chama muita atenção, né, que
há mártires protestantes e há também
[música] mártires católicos e não são
poucos, tá? Muita gente derramou o
sangue aqui. Aí você pergunta: "Tá, mas
quem tava perseguindo quem, né? Quem é
que era o poder?" Aí eu era o país
católico, era um país protestante? E
para entender isso, você tem que
entender que houve sempre um fluxo de
mudanças muito grandes na religião da
Inglaterra. E sempre que havia mudanças
nos fluxos religiosos, os mártires
também mudavam de lado, o que é
claramente uma coisa muito triste. Cada
oscilação nesse pêndulo religioso custou
muitas vidas. Muito bonita essa
inscrição. É um pouco ruim de traduzir
porque a letra é meio estilizada, né?
Mas tá escrito aí para a glória de Deus
e em ingrata memória de seus servos.
Thomas Krammer, Nicholas Hidley e Hug
Latmir, prélados da igreja da
Inglaterra, os quais eh perto deste
lugar entregaram seus corpos para serem
queimados, dando testemunho das verdades
sagradas que haviam afirmado e
sustentado contra os erros da igreja de
Roma e se alegrando porque a eles foi
concedido não apenas crer em Cristo, mas
também sofrer por causa dele, né? Uma
referência a Filipenses 1 29. Este
monumento foi erguido por subscrição
pública no ano de nosso Senhor Deus de
eh eu não sei que ano é esse. Gabriel T
bota na tela aí, mas acho que é 1800 e e
não, eu sei que foi 1841, então deve ser
isso aí. Mas confere aí, Gabriel. Antes
da reforma a gente tinha uma Inglaterra
totalmente católica. Por mais de 1000
anos, a Inglaterra foi parte do mundo
católico romano. Desde a missão de
Agostinho de Cantu no século VI, a
igreja inglesa estava sob a autoridade
do Papa. Nesse tempo ser inglês era
fazer parte dessa cristandade católica,
não é? Que era muito forte aqui. Só que
isso tudo começa a ruir no século X,
quando o Henrique VII criou uma ruptura
política que virou também teológica. A
reforma inglesa não começou com algum
tipo de reformador como em outros
países, mas com um rei. Henrique VII
rompe com Roma, não diretamente pela
influência de Lutero Calvino. E em 1534,
com o ato de supremacia, ele declara que
o rei é o chefe da igreja na Inglaterra.
Aqui a teologia não muda muito. A missa
continua, a estrutura continua igual,
muita coisa permanece essencialmente
católica. O que muda é basicamente o
foco e a fonte de autoridade. Mas isso
já foi suficiente para gerar alguns
mártires. Quem se recusava a reconhecer
o rei como chefe da igreja passou a ser
visto como um traidor, não apenas como
herege, como um traidor político. De
fato. É por isso, por exemplo, que a
gente tem o famoso martírio de Thomas
More, autor daquela famosa obra Utopia.
Estudei ele no meu mestrado. Ele foi
morto não por negar a fé cristã, mas por
se recusar a negar o papa. E aqui que
aparece os primeiros mártires católicos
da Inglaterra reformada. No entanto, com
Eduardo VI, a Inglaterra se torna
protestante. De fato, é uma mudança que
vem com o filho do Henrique. E agora
sim, a teologia começa a mudar. A
liturgia passa pro inglês, surge o
famoso livro de oração comum, a
influência reformada começa a crescer e
a doutrina que na Inglaterra começa a se
afastar mais de Roma. A Inglaterra deixa
de ser apenas politicamente separada do
Papa e se torna de fato uma nação
protestante. No entanto, esse processo
acaba sendo impedido com a morte jovem
do Eduardo e o pêndulo volta. É quando
surge Maria Ira, é quando o catolicismo
volta com força. Maria Ira da Inglaterra
assume o trono com objetivo muito claro,
que era restaurar o catolicismo. E ela
não faz isso apenas por meio de
decretos, ela faz isso com muita
perseguição. E agora quem tá do lado
errado são os protestantes. Pastores,
bispos, [música] líderes reformados
começam a ser presos, julgados,
executados com violência. Muitos foram
queimados vivos. Entre eles estão nomes
como Huglatmer, Nicholas Hidley e Thomas
Kammer. Esses são os mártires que
ficaram famosos no mundo protestante,
principalmente por meio do famoso livro
dos mártires escrito por John Fox. No
entanto, esse processo é interrompido
com Elizabeth I. Quando Elizabeth I da
Inglaterra sobe ao trono, o país volta
de vez ao protestantismo. Ela estabelece
um modelo que agora tenta equilibrar as
tensões, onde ela mantém uma estrutura
episcopal, evita extremos em busca de
algum tipo de estabilidade, mas uma
estabilidade que tem um preço. Católicos
agora passam a ser vistos como uma
ameaça política real, não apenas uma
ameaça religiosa. Por quê? Porque a
lealdade última deles era o Papa. E o
Papa, nesse contexto, tá ligado a
potências estrangeiras que eram oxis à
Inglaterra. O resultado disso são padres
católicos sendo perseguidos, se
escondendo, sendo capturados. e
executar. E agora surgem novos mártires,
só que agora do outro lado. Aqui a gente
tem os brzões deles, né? Aqui à esquerda
é o brasão do arcebispo de cantoária.
Aqui à direita a gente tem também o
brasão de armas do Thomas Crammer. Logo
aqui à esquerda a gente tem esse símbolo
aqui em memória da vitória sobre a
morte, né? Acho que é uma coroa de
espinhos, eu acho. E à direita, né? Essa
coroa representando a coroa da vida.
Então à esquerda tem a coroa de
espinhos, à direita tem a coroa da vida.
Quando a gente olha aqui atrás tem uma
igreja bem bonita, né? E então a gente
tem mais brasões aqui. A esquerda é o
brasão de armas do bispo de Londres e à
direita uma representação aí do brasão
de armas da cidade de Oxford. Aqui na
parte de trás a gente tem uma
representação da Bíblia do Kammer. O
texto que tá escrito ali é meio
pequeninho para conseguir ver, mas é a
Bíblia na Inglaterra autorizada em maio.
Eu não sei essa data aí tudo bota data
na tela. Tem uma data em números
romanos, não sei de qual tudo aí. E à
direita, não é, uma representação do
cálice da comunhão. Mais ao lado tem
também o brasão de armas do bispo de
Winchester e à direita a gente tem um
brasão de armas do Hugo Latimmer. Então,
por fim, a gente tem esse emblema aqui
das tochas cruzadas, né, representando
vida eterna e do lado direito, essas
folhas de palmeira, né, representando a
vitória sobre a morte também. Esse
monumento aqui, como eu falei, ele é um
memorial, não é? Nele você pode ver as
estátuas de três homens. Quem são esses
homens aqui que estão nessa estátua?
Esses três homens são Thomas Krummer,
[música] arcebispo da cantuária, Hug
Lartmer, bispo de Hancaster e Nicholas
Hidley, bispo de Londres. Esse monumento
foi concluído em 1843 para homenagear
esses três homens. Em 1553, quando a
rainha Maria I, conhecida como Maria
Sanguinária, estava no poder, eles foram
chamados sob a acusação de heresia. Que
heresia era essa? Eles eram
protestantes. Latmas nasceu por volta de
1485. Durante seus primeiros 30 anos,
ele foi um papista obstinado, segundo
suas próprias palavras, não minhas.
Inclusive, ele discursou contra Felipe
Melton, que foi o braço direito de
Lutero em sua formatura de teologia. No
entanto, depois de uma conversa com
Thomas Billey, que lhe explicou a fé
reformada, Latimmer se apegou
profundamente à palavra de Deus e
abandonou o catolicismo se tornando
protestante. Latimmer se tornou um
fervoroso pregador, principalmente entre
1547 e 1553, durante o reinado de
Eduardo VI, o filho de Henrique VII.
Latmer foi um dos que apoiaram o Thomas
Kammer na reforma inglesa. O famoso
teólogo anglicano JC H declarou que
nenhum dos reformadores provavelmente
semeou as sementes da doutrina
protestante de forma tão ampla e eficaz
entre as classes média e baixa como
LMER. [música] Nicholas Hidley, por sua
vez, nasceu em 1502. Ele foi um homem
dos estudos. Dizem que ele memorizou
todo o Novo Testamento em grego. Eu
duvido. É provável que Hitley tenha tido
contato com as doutrinas da reforma
quando viajou paraa França para estudar
quando ele era ainda adolescente. Ele se
opôs à autoridade suprema do Papa sobre
a igreja na Inglaterra e em 1537
ele aceitou o cargo de capelão sobre o
arcebispo Thomas Kameron sua proximidade
e seu compromisso com as ideias
reformistas. Em 1545,
ele renunciou à doutrina católica da
transubstanciação, se posicionando
firmemente ao lado dos princípios
protestantes. Em 1550, ele assumiu o
posto de bispo de Londres e promoveu
alterações significativas nas práticas
religiosas da cidade. Uma das suas
principais medidas foi substituir os
tradicionais altares de pedra das
igrejas por mesas de madeira simples. E
é claro que a Maria Sangrenta, no seu
fervor católico, não deixaria esses
homens vivos e os condenou à fogueira.
Quando ouviu sua sentença, o Lmer disse:
"Agradeço de todo coração a Deus por ter
prolongado minha vida até esse fim, para
que eu possa nesse caso, glorificar a
Deus por esse tipo de morte." Antes de
serem amarrados à pira ardente, Latmer e
Hidley oraram juntos. Ao serem
amarrados, Hidley disse pro Later:
"Tenha um bom coração, irmão, pois Deus
ou amenizará a fúria das chamas, ou
então nos fortalecerá para suportá-la".
E Latmercajou seu companheiro de fé,
dizendo: "Tenha bom ânimo, Mestre
Hidley, e faça o papel de um homem. Hoje
acenderemos tal chama que pela graça de
Deus espero que nunca se apague [música]
na Inglaterra. Latm e Hidley foram
queimados vivos numa estaca em 16 de
outubro de 155,
enquanto Krammer observava o martírir.
Thomas Kramer foi o homem que anulou o
casamento de Henrique VII com Catarina
de Aragão, que era mãe da Maria
Sangrenta. E também foi o homem que
compilou o livro de oração comum, que se
tornou parte da liturgia da igreja
anglicana em 1549. Foi ele que
estabeleceu os famosos 42 artigos que
são base para a doutrina [música]
anglicana, além de adotar várias
reformas na liturgia para se diferenciar
do catolicismo. Com [música] medo da
morte, o Kamer inicialmente se retrata
das suas ideias protestantes. Mas Maria
não ficou conhecida como Maria
Misericordiosa. Maria deixa para lá.
Maria passupano. Ela ela é a Maria
sangrenta. Ela queria extinguir o
protestantismo da Inglaterra e não se
importava quanto sangue fosse derramado.
Então, que mensagem seria mais forte do
que mandar queimar Krammer, que foi um
dos líderes da reforma inglesa e que
anulou o casamento da sua mãe? No dia da
sua execução, Kramer volta atrás na sua
retratação. Ele reafirma as convicções
protestantes e denuncia o Papa e a
Igreja Católica. Conta-se que ele
esticou o seu braço em direção ao fogo
para que as suas mãos queimassem
primeiro e diante da sua morte, ele diz:
"Eu vejo os céus abertos e Jesus em pé à
direita de Deus". Que testemunho
poderoso de martírio e de apego aos
ideais da reforma que guiaram as vidas
desses homens.
Tô chorando. Como é que pode?
[roncando] Oi? Aa bem que tá longe, não
dá para ver.
[música]
>> [música]
[música]
>> Não tem como falar sobre perseguição e
martírio sem vir aqui em Bunill Fields.
um cemitério onde os chamados não
conformistas estão enterrados. Aqui
foram enterrados aqueles que não se
submeteram à igreja anglicana oficial,
puritanos, batistas, congregacionais,
independentes. Gente que em muitos
[música] casos perdeu o púlpito, perdeu
a liberdade e até a vida por não dobrar
a consciência ao poder da igreja do
estado. Aqui estão enterrados homens
como Jobanian, escritor de peregrino,
John Owen, o teólogo escocês e Isaac
Watts, o grande compositor de hinos.
Banny Hilfields encarna [música]
relação entre igreja e poder como
atenção central na história da igreja
inglesa. Após a reforma protestante, a
Inglaterra rompe com Roma, mas não com a
ideia de uma igreja do estado. A igreja
da Inglaterra manteve a estrutura
autoritária e de controle e isso gerou
um novo tipo de perseguição, que não é
mais católicos contra protestantes ou
protestantes contra católicos, mas agora
da igreja do estado contra protestantes
que eram insuficientemente conformados.
Os não conformistas recusavam elementos
como liturgia obrigatória, autoridade
episcopal e submissão ao monarca como
cabeça da igreja. O resultado foi a
exclusão legal. Leis como o ato de
uniformidade de 1662 expulsaram centenas
de pastores. Muitos deles passaram a
pregar clandestinamente, outros foram
presos por pregar. B Hilfields se torna
o destino final desses homens, pelo
menos aqui na Terra. Aqui o chão conta a
história de uma igreja que perseguiu os
seus próprios reformadores. O cemitério
tem esse nome porque em 1549 oário de
Sant Paul Cathedral [música] foi
demolido e todos os ossos foram tirados
de lá. Por onde é que foram parar todos
esses restos mortais dali? Mais de 1000
carroças de ossos humanos foram levados
para cá, pro norte da cidade. Foram
empilhados e cobertos de terra,
literalmente formando uma colina de
ossos. E por isso, Bonill, por est
situado mais afastado da cidade, Bunny
Hill era usado para enterrar aqueles que
eram considerados hereges e que não se
conformavam com a doutrina da igreja do
estado, os chamados não conformistas. Ou
seja, era forma de enterrar esse povo
ruim bem longe daqui. Antes mesmo de ser
um cemitério de dissidentes, a área já
era usada para valas comuns, inclusive
durante as epidemias. Depois tornou o
lugar pros de fora, aqueles que não
receberiam a honra da igreja
estabelecida. E por isso Bunny
Hillfields não é só um cemitério comum,
é um é um tipo de manifesto contra a
uniformidade religiosa imposta pelo
Estado, mesmo quando é uma uniformidade
protestante. Ban Hilfields foi
inaugurado em 1665, o ano da grande
praga que matou mais de 100.000
londrinos, equivalente a 20% da
população da época. E estima-se que hoje
cerca de 123.000
corpos estão enterrados aqui. Muitos
pastores, escritores e intelectuais
estão aqui também. As atividades aqui
foram encerradas oficialmente em 1854. E
desde 1867
foi aberto como local público de
visitação. Desde então é um espaço
mantido pela cidade de Londres. William
Blake tá enterrado aqui que morreu em
1827. Susana Wesley, a mãe de John
Wesley, tá também enterrado aqui. Vamos
entrar e vamos ver o que que a gente
consegue achar de túbulo, de gente
famosa aqui.
O pessoal olha para mim assim meio que
me julgando por eu est Não tô me
julgando por eu estar filmando, né? Mas
eles dão até uma olhada boa.
Quando eu tava passando com a câmera do
nada aqui, ó. Tanto de londrino [música]
aqui, ó. Tem as covas, os túmulo e aí ó,
o tanto de londrino sentado pr almoçar
aqui no cemitério. Batendo ma papão,
almoçando, comendo sanduíche. Eu acho
meio mórbido, mas tem um monte de parque
[música] bonitinho. Galera, vem pro
cemitério fazer o quê? Tudo bem. Quem
sou eu para julgar? Mas já tô julgando.
Quem sou eu para julgar depois de
julgar, né?
Mas estranho. Estranho. Mas é fazer o
quê? [música] Estranho. Só
[música]
William Blake. Oh, olha só, é o poeta e
pintor William Break e sua esposa
Ctherine Sofia. Joseph Hart, ministro do
Evangelho. Tem o senhor John Benjamin
Token. Será que é parente do token de
algum do do nosso token? Procura aí
toler. Eit, dá uma olhada aí se esse
John Benjamin Token é alguma coisa do
token aí de verdade que eu estou estou
por fora. Casado com Mary. Eu não sabia,
mas aqui tem o túmulo do Daniel Def.
Não, não, não sabia mesmo não. Ele é o
autor de Robinson Cruzué. Você já deve
ter ouvido falar de Robinson Cruzué. Ele
era filho de dissidentes, não é? Foi
profundamente moldado por um tipo de
ambiente de resistência religiosa à
igreja estabelecida também. foi um
cristão, né, muito devoto. Ele atuou
como comerciante, foi jornalista, foi
planfetário político, [música] né, e foi
um dos grandes defensores da tolerância
religiosa em um período marcado por
repressão também. Aí ele também foi
preso, foi exposto a um uma tortura
chamada pelourinho, não é? Que é um tipo
de humilhação pública. De modo que o
Robson Cruzué, o pessoal sempre fala
desse livro, mas não sabe que é
basicamente uma história sobre
providência, sobre julgamento, sobre
dependência de Deus. Ele tá aqui no
nesse cemitério. Não sabia, cara. Não
sabia mesmo, não fazia nem ideia que ele
tava aqui. E é uma é uma uma surpresa
interessante. A, aqui é o John Buen,
sabia? É o Joh Bu. Tem um espaço de
destaque aqui. Autor: Pel ining
progress. Olha só,
[música] achamos aqui, ó, túmulo do
Bunian, talvez o símbolo mais forte do
que Bun Hill representa, [música] né? O
Bunan não era acadêmico, não tinha
formação, né, formal. Ele era um
pregador batista leigo e por isso mesmo
ele foi considerado um pregador ilegal,
né? Foi preso por se recusar a parar de
[música] pregar. Passou cerca de 12 anos
na prisão só porque não queria parar de
pregar o evangelho. E foi na cadeia que
ele escreveu, né? Tá aqui no túmulo
dele, John Bunian, Autor of the Pilgrim
Progress, autor do O peregrino,
progresso do Pegrino, né? Literalmente
não é difícil perceber um tipo de
autobiografia, né? Na história do
peregrino, representando a própria
história do Bunny. homem que não estava
disposto a receber nenhum tipo de
autorização estatal para pregar e
pregaria o estado [música] deixando-o
não. O mais doido é que era um estado
protestante e não queria deixá-lo pregar
por ser um Batista. [música] Muito
incrível. Tá, tá aqui. Eu acho que o
peregrino foi o um dos primeiros livros
cristãos que eu li na minha vida depois
de convertido, depois que eu encontrei o
Senhor Jesus. Devo ter lido umas três
vezes esse livro em três versões
diferentes. Tem versão para criança, tem
várias editoras. É tocante, vim aqui
[música] no no local onde o corpo dele
descansa. John Bania nasceu em 28 de
novembro de 1628 e viveu numa época de
instabilidade religiosa e política muito
forte aqui na Inglaterra. Elizabeth I,
que havia ascendido ao trono [música] em
1558, morreu em 1603 e ela foi sucedida
por James I, filho da Maria Start. Foi
rainha da Escócia de 1542 a 1567. James
I fez oposição ao puritanismo e o seu
filho Carlos I se opôs mais ferreamente
ainda ao ponto de trazer uma guerra
civil a que estourou em 1642 e que durou
até 49 e foi vencida pelos puritanos e
pelo parlamento. A monarquia foi
abolida, a república foi instaurada e
Oliver Conell assumiu o governo inglês
como lord protetor até 1658. Porém, em
1660, Carlos II ascendeu ao trono,
restaurando a monarquia e o
anglicanismo. E foi nesse momento
caótico que John Bania nasceu. Bania
nasceu em Bedford. Ele era filho de
Thomas, um latoeiro, que era tipo um
funileiro da época, e de uma mulher
chamada Margaret. Ele cresceu em meio à
pobreza e, por isso só recebeu educação
básica. Ele nunca teve ensino formal.
Logo ele abandonou os estudos para
seguir o pai como latoeiro, né, na sua
profissão. Em 164, a sua mãe e as suas
irmãs morreram e o seu pai se casou
novamente. Nesse período, ele é
convocado pelo exército parlamentar para
lutar na guerra civil até 47. Já em
1649, ele casou com uma mulher muito
piedosa que como Dot entregou para ele
duas obras puritanas. Um caminho seguro
pro céu de Arthur Dent e a prática da
piedade de Lewis Bailey. Foi sua esposa
e essas obras que fizeram Banion
finalmente buscar a Deus. Ele parou de
praguejar, passou a ler a Bíblia e a
frequentar a igreja de John Giford, o
médico do exército que havia se
convertido. Mas conta-se essa história
que foi ao ouvir uma conversa de três ou
quatro mulheres sobre o novo nascimento
em Cristo que ele de fato se converteu.
John Bania conta que por ter ouvido esse
testemunho, ele percebeu que agora
minhas cadeias realmente caíram de
minhas pernas. Fui liberto das minhas
aflições e correntes. Em outro lugar,
ele diz: "Agora pude também ir para
casa, regozijando-me pela graça [música]
e o amor de Deus". Em 1654,
ele se tornou diácono dessa igreja e
logo no ano seguinte já estava pregando
em várias congregações batistas de
Badford. Em 1655 foi o ano que sua
primeira esposa faleceu. Ele teve quatro
filhos com ela, mas em 59 ele se casa
novamente e tem mais de dois filhos. Se
você é ligado aí em história da da
Europa, você sabe que o ano seguinte foi
a ascensão de Carlos I ao poder e os
puritanos foram ainda mais perseguidos.
Foi em 12 de novembro desse ano que Ban
foi preso. Qual foi o crime do Ban?
Pregar. foi fazer reuniões sem a
autorização do rei e não se conformar
com o anglicanismo. Ele ficou preso
[música] por 12 anos porque se negava a
deixar de pregar. Ele dizia: "Se eu for
solto hoje, pregarei amanhã". Ao ser
solto, em 1672, ele se tornou pastor em
uma igreja em M Street, em Bedford. Ele
seria novamente preso em 1675 pelo mesmo
crime. Foi nesse período que ele
escreveu a sua magnospus, o peregrino e
depois sua continuação a Peregrina.
Ambas foram publicadas simplesmente
porque John Owen, sim, John Owen
patrocinou essas obras. Ban produziu
ainda 58 livros, segundo Christopher
Hill. Curiosamente, ele ficou mais
popular na Escócia e nos Estados Unidos
do que aqui na Inglaterra. Os seus
livros sempre enfatizaram as doutrinas
básicas paraa fé cristã e mostravam o
custo de seguir a Cristo, assim como a
graça e a grande recompensa disso tudo.
No seu livro Jornada para o Inferno,
publicado no Brasil pela PES, ele narra
uma alegoria oposta ao peregrino,
mostrando a vida de um homem que nasceu
e morreu [música] em pecado. Banan é
excepcional em mostrar pecado de cada
fase da vida dos homens e suas
consequências terrenas e eternas. Outra
obra maravilhosa sua que você tem que
ler é Graça Abundante ao Principal dos
Pecadores, onde Ban escreve a sua
autobiografia narrando seu processo de
conversão e suas crises de fé. Nessa
obra, ele relata que passou mais de dois
anos lutando, pensando que não era um
eleito, mas foi quando ele percebeu que
mesmo com a sentença de condenação ao
inferno, não conseguiria, nem tinha
motivos para viver longe de Deus. Então,
quando ele percebeu isso, ele entendeu
que ele era salvo. Em peregrino, ele faz
uma alegoria da vida cristã desde a
saída da cidade da destruição, passando
pelo pântano do desânimo, sendo
alcançado pelo poder da graça, evitando
a cidade dos prazeres e chegando à
cidade celestial. Uma obra belíssima.
Fala profundamente a corações de novos
convertidos, mas também a crentes
maduros. Vale muito a pena ler. Bom,
John Bran morreu em 31 de agosto de
1688, aos 60 anos, depois de uma forte
febre que durou 10 dias, porque ele fez
uma viagem a cavalo debaixo de uma chuva
forte. Suas últimas palavras, segundo se
registra, foi: "Toma-me, pois eu venho a
ti". A vida pobre do Banan, o turbulento
período histórico que ele viveu, suas
prisões, nada disso foram capazes de
afastar esse homem de Deus, nem o
impedir de pregar a verdade do
evangelho, porque a graça super
abundante alcançou o principal dos
pecadores. O fervor e o amor de Banan,
por Deus nos ensinam que o caminho até o
Senhor há [música] de ser percorrido com
perseverança para que obtenhamos a coroa
da glória.
Apesar de John Buunan ter um espaço de
destaque, vários outros nomes famosos da
história da igreja estão em túmulos que
não podem nem ser acessados mais. São
áreas trancadas. Eu cheguei a perguntar
se tinha alguma forma de entrar, mas a
administradora falou que não tinha como
entrar, não. Tente até argumentar vi
algum caminho, algum pesquisador podia
entrar, mas ela não foi muito receptiva
as minhas perguntas, não. Bem [música]
aqui, ó, bem ali atrás de mim tá o
túmulo de Isaac Watts. Se o Dion Bania
representa, né, a pregação perseguida, o
Isaac Wats representa a adoração
reformada fora do controle da igreja
estatal. Ele também era um não
conformista, cresceu num ambiente de
dissidência. O seu pai chegou a ser
preso por causa da fé. O iscottes vivem
um tempo em que a canção protestante era
fundamentalmente salmos metrificados.
Ele entendeu que a Inódia protestante
poderia ser melhor desenvolvida. Então
ele escreveu vários hinos famosos: Joy
to the World, [música] When I Survey,
The Wondrous Cross. A gente tem
certamente algumas versões os hinos de
Wats em [música] português. O que hoje
parece muito normal, não é? Cristãos
produzindo música foi muito
revolucionário paraa sua época. Ele tava
dizendo que a igreja não precisava
repetir as formas herdadas da igreja
estatal, mas que a igreja poderia ter
sua própria linguagem teológica centrada
em Cristo, moldada para o serviço da
comunidade. E por isso ele ajudou a
moldar, né, a prática da adoração
protestante [música] até hoje e fez isso
lutando contra a igreja ah oficial da
sua época. é um homem muito importante
pra história da igreja que tá enterrado
aqui, que por mais que o túmulo dele
esteja praticamente esquecido, o seu
trabalho, o que ele revolucionou na sua
época, o que ele trouxe de importante
paraa igreja protestante e os hinos que
ele compôs são coisas que permanecem até
hoje. Muitos esquecem do homem, mas a
obra sempre permanece para além do
indivíduo. Não me deixaram entrar nessa
área aqui, tá sempre fechada, mas o
túmulo do Isaac Watots, é esse aqui, ó,
tá escrito ali Isaac Watotes. Bem
deteriorado, bem velhinho, ninguém
ninguém tomando conta, aparentemente,
mas tá lá um dos maiores nomes da
Inódia.
protestante da história da igreja. Tá
aqui um túmulo esquecido em uma área
trancada, em um cemitério de gente
desafortunada.
É meu patrão, é o destino.
>> Também tá enterrado aqui John Owen,
também em um túmulo no área que a gente
não pode alcançar. Ele nasceu em 1616 em
Stand Humton. foi contemporâneo do Ban
sendo patrocinador da publicação dos
seus livros enquanto o Ban estava preso.
O John Owen viveu também sobre o reinado
de James I, pegou o governo de Charles I
e pegou também o protetorado do Oliver
Cronwell e a volta da monarquia como meu
de [música] Carlos II. E vendo também
nesse período de profunda estabilidade
política e religiosa, perseguição aos
puritanos, guerra civil retomada do
poder por um rei anglicano, foi um
apoiador do Oliver Cronel durante a
guerra civil e um dia após a execução de
Carlos I, ele já estava discursando pro
parlamento. Qual era o grande sonho
dele? vê a Inglaterra transformada em
uma república protestante, reformando a
igreja e a sociedade. Durante os anos de
1650, debaixo da liderança de Oliver
Cronwell, o Owen foi peça chave, atuando
em comitês importantes e trabalhando
para dar ao novo regime uma base
religiosa mais sólida. Mas com o tempo,
claro, veio a decepção. Owen observava a
família Crowell e a sua administração se
afastando cada vez mais dos valores de
Deus. que em 1658 ele se uniu a oficiais
do exército para forçar uma crise,
esperando que o regime voltasse aos seus
ideais. Claramente não funcionou. Essa
tentativa apenas acelerou o que ele mais
temia, que era a restauração da
monarquia, o retorno de Carlos II e a
perseguição brutal aos disidentes.
Durante o período da restauração, John
Owen adotou uma postura muito discreta
diante do novo cenário político. Então,
ao longo da década de 60, a medida que a
perseguição aos puritanos e a outros
dissidentes foi diminuindo, ele
aproveitou a abertura para defender seus
pontos de vista de uma maneira mais
pública. John Owen publicou panfletos
nos quais ele argumentava que os
dissidentes não eram apenas uma força
religiosa, mas também representavam a
vitalidade econômica da Inglaterra. Ele
buscava convencer a sociedade e à
autoridades de que o valor dos
dissidentes ultrapassava a esfera
espiritual, sendo essencial pro
desenvolvimento e a prosperidade do
país. Um argumento que ele julgou que
contraria capilaridade social ali, mas
as suas tentativas de intervir
politicamente trouxeram punições.
foi castigado por sua atuação e essa
experiência contribuiu para que ele
passasse a valorizar cada vez mais a
importância das questões eternas, se
dedicando a reflexão e ao foco
espiritual, reconhecendo que o seu papel
deveria ser direcionado ao que
transcende o contexto [música] político
e temporal. John Owen também ensinou em
Oxford e fez tudo para incentivar a
piedade entre os estudantes ali. Ele
também encorajava os membros da igreja a
se reunirem para estudar as escrituras.
Sendo um homem de vertente intelectual,
ele mesmo escreveu muitas obras. Ele tem
mais de 80 livros que somam cerca de 8
milhões de palavras. [música]
Para você ter uma ideia, uma importante
editora americana traz uma versão
moderna das suas obras que somam 24
extensos volumes. Certamente um dos seus
livros mais conhecidos, senão o mais
conhecido, é a morte da morte na morte
de Cristo. Uma obra fabulosa sobre a
expiação de Jesus que existe versões em
português. A gente mesmo publicou uma
versão em dois volumes, capa dura,
maravilhoso desse livro. Tem um link na
descrição para você dar uma olhada lá.
Joe morreu em 1683,
temendo pelo futuro da Inglaterra. Foi
um dos homens que acabou sendo enterrado
aqui em Banhill. Banhill Fields nos dá
algumas lições muito poderosas, tá? A
igreja pode se tornar uma perseguidora
também dos seus próprios. Não basta ter
a teologia certa no papel. A história
inglesa mostra isso, que protestantes
que sofreram debaixo de Roma depois
produziram os mesmos mecanismos de
perseguição [música] contra outros
protestantes que não se submeteram à
igreja do estado. Ban Rfields nos lembra
que consciência cristã tem um custo
real. Banan foi preso, outros perderam a
liberdade. Muitos de nós teríamos força
para sustentar a nossa fé diante da
perseguição estatal tão forte. É bonito
[música] ver que Deus trabalhou fora de
estruturas oficiais. Muitos nomes
enterrados aqui moldaram o cristianismo
muito mais do que muitos bispos [música]
da igreja do estado. O que mostra que
muitas vezes a periferia pode se tornar
também um centro muito poderoso. Aquilo
que era marginal virou um legado.
Aqueles que foram excluídos, presos a
mandados embora viraram referência pra
igreja ao longo da história do século. O
que faz com que Bfields se torne um
lembrete incômodo para muitos de que às
vezes os mais fiéis são aqueles que
decidem [música] se levantar contra os
representantes oficiais e estatais da fé
para pregar um evangelho simples, real,
que aponta verdadeiramente [música] para
um reino que tá para além daqui.
Você percebe o desafio dessa relação
entre cristianismo e política? Quando o
cristianismo vira um tipo de poder
imperial, as perseguições se aprofundam,
não simplesmente por causa de doutrina,
não é? mas por questão de lealdade e
segurança nacional. [música] No século
X, religião e política não eram
separadas de forma nenhuma. De modo que
mudar de religião não era só mudar de
igreja, era mudar de lealdade pública,
era potencialmente trair o reino e por
isso a violência era tão intensa. Até
que a gente chega no século X7, quando o
conflito se fragmenta. A Inglaterra não
entra em paz imediata, ela entra em um
novo tipo de conflito. A gente tem a
guerra civil inglesa, onde agora o
problema não é só católicos contra
protestantes ou protestantes contra
católicos, é protestantes [música]
contra protestantes. Anglicanos,
puritanos e presbiterianos começam a
brigar e cada grupo com a sua visão de
igreja, sua visão de estado e sua visão
de autoridade. Oliver Cromel assume o
poder por um tempo, impõe uma agenda
ainda mais radical e a fragmentação
protestante acaba substituindo aquele
pêndulo simples entre católicos e
protestantes. Com o tempo, a Inglaterra
aprende uma lição muito difícil de
aprender e que não é possível manter
estabilidade política, perseguindo
grupos religiosos minoritários e
gradualmente leis de tolerância começam
a surgir. A violência diminui, a
diversidade protestante cresce e passa a
ser respeitada, católicos deixam de ser
executados. Era um processo lento,
imperfeito, mas que foi decisivo na
história da Inglaterra. a mártires dos
dois lados, infelizmente, porque a
violência acaba sendo fruto de uma
religião que se mistura com o poder do
Estado.
E aí, o que que você achou do vídeo de
hoje? Comenta aqui embaixo se tem
gostado dessa série de vídeos aqui, na
Inglaterra. Se você gosta do Teologia na
estrada, não deixa de clicar em gostei
aí e ajudar a divulgar esse vídeo aqui
na plataforma. Na descrição você vai
encontrar o link aí pros cursos do
Instituto Shaifer de Teologia e Cultura.
Um abraço e até a próxima.
Minha mulher falou que tenho que
terminar o vídeo dizendo assim, ó. A
perseguição não parou a igreja. O
coliseu não parou a igreja.
Aí eu não sei a música toda, mas aí bom
fica aí. Minhas disse que eu tinha que
internar o vídeo assim. Então
>> eu disse que tinha que colocar a música,
não era tu cantar não.
>> Mas não pode colocar a música que o
vídeo cai. Então tem que ser eu
cantando, é o que é o que tem para hoje,
gente. Me perdoe.

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