EU VISITEI UM CEMITÉRIO DE PREGADORES ILEGAIS
12/05/2026
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Fonte: Dois Dedos de Teologia
Legendas automáticas:
Se você acha que o cristianismo é uma religião que existe para deixar sua vida melhor, você tem que conhecer um pouco mais a história dos mártires. Eu sei que talvez você goste aí de um de uma fé que na verdade tá aí para afagar seu ego, tá aí para lhe dar uma paz no travesseiro, que tá aí pra gente dizer que essa vida pode ser muito boa com Jesus. E muitas vezes pode ser mesmo desde o seu início. A nossa fé foi uma fé marcada pelo sacrifício, desde o sacrifício de seguir Jesus quando ele nos convida a morrer para nós mesmos, desde o sacrifício do nosso próprio sangue derramado pela perseguição. Ora, como seria diferente se o nosso Deus é um Deus que foi morto numa cruz no nosso lugar. Houve perseguição que matou o nosso Cristo. [música] E desde as primeiras páginas do livro de Atos, já há perseguição contra a igreja que se inicia logo após a morte de Cristo. Mas isso não coisa que fica perdido no livro de Atos. Após o período apostólico, há muito sangue derramado, há muito martírio, há muito [música] cristão pagando com o próprio sangue o preço da sua fé. Bom, eu trouxe vocês comigo pra cidade de Oxford. Eu tô aqui em frente [música] ao Memorial dos mártires, um memorial que fica aqui no lugar muito importante da cidade, muito próximo [música] ao Ashimonian Museum, onde se rememora pessoas que foram mortas, foram queimadas diante da perseguição contra protestantes no período pós [música] reforma aqui na Inglaterra. Você quer saber mais sobre isso? Vem comigo nesse Teologia na Estrada aqui na cidade de Oxford. [música] >> [música] [música] >> Se você olha pra história da Inglaterra, uma coisa chama muita atenção, né, que há mártires protestantes e há também [música] mártires católicos e não são poucos, tá? Muita gente derramou o sangue aqui. Aí você pergunta: "Tá, mas quem tava perseguindo quem, né? Quem é que era o poder?" Aí eu era o país católico, era um país protestante? E para entender isso, você tem que entender que houve sempre um fluxo de mudanças muito grandes na religião da Inglaterra. E sempre que havia mudanças nos fluxos religiosos, os mártires também mudavam de lado, o que é claramente uma coisa muito triste. Cada oscilação nesse pêndulo religioso custou muitas vidas. Muito bonita essa inscrição. É um pouco ruim de traduzir porque a letra é meio estilizada, né? Mas tá escrito aí para a glória de Deus e em ingrata memória de seus servos. Thomas Krammer, Nicholas Hidley e Hug Latmir, prélados da igreja da Inglaterra, os quais eh perto deste lugar entregaram seus corpos para serem queimados, dando testemunho das verdades sagradas que haviam afirmado e sustentado contra os erros da igreja de Roma e se alegrando porque a eles foi concedido não apenas crer em Cristo, mas também sofrer por causa dele, né? Uma referência a Filipenses 1 29. Este monumento foi erguido por subscrição pública no ano de nosso Senhor Deus de eh eu não sei que ano é esse. Gabriel T bota na tela aí, mas acho que é 1800 e e não, eu sei que foi 1841, então deve ser isso aí. Mas confere aí, Gabriel. Antes da reforma a gente tinha uma Inglaterra totalmente católica. Por mais de 1000 anos, a Inglaterra foi parte do mundo católico romano. Desde a missão de Agostinho de Cantu no século VI, a igreja inglesa estava sob a autoridade do Papa. Nesse tempo ser inglês era fazer parte dessa cristandade católica, não é? Que era muito forte aqui. Só que isso tudo começa a ruir no século X, quando o Henrique VII criou uma ruptura política que virou também teológica. A reforma inglesa não começou com algum tipo de reformador como em outros países, mas com um rei. Henrique VII rompe com Roma, não diretamente pela influência de Lutero Calvino. E em 1534, com o ato de supremacia, ele declara que o rei é o chefe da igreja na Inglaterra. Aqui a teologia não muda muito. A missa continua, a estrutura continua igual, muita coisa permanece essencialmente católica. O que muda é basicamente o foco e a fonte de autoridade. Mas isso já foi suficiente para gerar alguns mártires. Quem se recusava a reconhecer o rei como chefe da igreja passou a ser visto como um traidor, não apenas como herege, como um traidor político. De fato. É por isso, por exemplo, que a gente tem o famoso martírio de Thomas More, autor daquela famosa obra Utopia. Estudei ele no meu mestrado. Ele foi morto não por negar a fé cristã, mas por se recusar a negar o papa. E aqui que aparece os primeiros mártires católicos da Inglaterra reformada. No entanto, com Eduardo VI, a Inglaterra se torna protestante. De fato, é uma mudança que vem com o filho do Henrique. E agora sim, a teologia começa a mudar. A liturgia passa pro inglês, surge o famoso livro de oração comum, a influência reformada começa a crescer e a doutrina que na Inglaterra começa a se afastar mais de Roma. A Inglaterra deixa de ser apenas politicamente separada do Papa e se torna de fato uma nação protestante. No entanto, esse processo acaba sendo impedido com a morte jovem do Eduardo e o pêndulo volta. É quando surge Maria Ira, é quando o catolicismo volta com força. Maria Ira da Inglaterra assume o trono com objetivo muito claro, que era restaurar o catolicismo. E ela não faz isso apenas por meio de decretos, ela faz isso com muita perseguição. E agora quem tá do lado errado são os protestantes. Pastores, bispos, [música] líderes reformados começam a ser presos, julgados, executados com violência. Muitos foram queimados vivos. Entre eles estão nomes como Huglatmer, Nicholas Hidley e Thomas Kammer. Esses são os mártires que ficaram famosos no mundo protestante, principalmente por meio do famoso livro dos mártires escrito por John Fox. No entanto, esse processo é interrompido com Elizabeth I. Quando Elizabeth I da Inglaterra sobe ao trono, o país volta de vez ao protestantismo. Ela estabelece um modelo que agora tenta equilibrar as tensões, onde ela mantém uma estrutura episcopal, evita extremos em busca de algum tipo de estabilidade, mas uma estabilidade que tem um preço. Católicos agora passam a ser vistos como uma ameaça política real, não apenas uma ameaça religiosa. Por quê? Porque a lealdade última deles era o Papa. E o Papa, nesse contexto, tá ligado a potências estrangeiras que eram oxis à Inglaterra. O resultado disso são padres católicos sendo perseguidos, se escondendo, sendo capturados. e executar. E agora surgem novos mártires, só que agora do outro lado. Aqui a gente tem os brzões deles, né? Aqui à esquerda é o brasão do arcebispo de cantoária. Aqui à direita a gente tem também o brasão de armas do Thomas Crammer. Logo aqui à esquerda a gente tem esse símbolo aqui em memória da vitória sobre a morte, né? Acho que é uma coroa de espinhos, eu acho. E à direita, né? Essa coroa representando a coroa da vida. Então à esquerda tem a coroa de espinhos, à direita tem a coroa da vida. Quando a gente olha aqui atrás tem uma igreja bem bonita, né? E então a gente tem mais brasões aqui. A esquerda é o brasão de armas do bispo de Londres e à direita uma representação aí do brasão de armas da cidade de Oxford. Aqui na parte de trás a gente tem uma representação da Bíblia do Kammer. O texto que tá escrito ali é meio pequeninho para conseguir ver, mas é a Bíblia na Inglaterra autorizada em maio. Eu não sei essa data aí tudo bota data na tela. Tem uma data em números romanos, não sei de qual tudo aí. E à direita, não é, uma representação do cálice da comunhão. Mais ao lado tem também o brasão de armas do bispo de Winchester e à direita a gente tem um brasão de armas do Hugo Latimmer. Então, por fim, a gente tem esse emblema aqui das tochas cruzadas, né, representando vida eterna e do lado direito, essas folhas de palmeira, né, representando a vitória sobre a morte também. Esse monumento aqui, como eu falei, ele é um memorial, não é? Nele você pode ver as estátuas de três homens. Quem são esses homens aqui que estão nessa estátua? Esses três homens são Thomas Krummer, [música] arcebispo da cantuária, Hug Lartmer, bispo de Hancaster e Nicholas Hidley, bispo de Londres. Esse monumento foi concluído em 1843 para homenagear esses três homens. Em 1553, quando a rainha Maria I, conhecida como Maria Sanguinária, estava no poder, eles foram chamados sob a acusação de heresia. Que heresia era essa? Eles eram protestantes. Latmas nasceu por volta de 1485. Durante seus primeiros 30 anos, ele foi um papista obstinado, segundo suas próprias palavras, não minhas. Inclusive, ele discursou contra Felipe Melton, que foi o braço direito de Lutero em sua formatura de teologia. No entanto, depois de uma conversa com Thomas Billey, que lhe explicou a fé reformada, Latimmer se apegou profundamente à palavra de Deus e abandonou o catolicismo se tornando protestante. Latimmer se tornou um fervoroso pregador, principalmente entre 1547 e 1553, durante o reinado de Eduardo VI, o filho de Henrique VII. Latmer foi um dos que apoiaram o Thomas Kammer na reforma inglesa. O famoso teólogo anglicano JC H declarou que nenhum dos reformadores provavelmente semeou as sementes da doutrina protestante de forma tão ampla e eficaz entre as classes média e baixa como LMER. [música] Nicholas Hidley, por sua vez, nasceu em 1502. Ele foi um homem dos estudos. Dizem que ele memorizou todo o Novo Testamento em grego. Eu duvido. É provável que Hitley tenha tido contato com as doutrinas da reforma quando viajou paraa França para estudar quando ele era ainda adolescente. Ele se opôs à autoridade suprema do Papa sobre a igreja na Inglaterra e em 1537 ele aceitou o cargo de capelão sobre o arcebispo Thomas Kameron sua proximidade e seu compromisso com as ideias reformistas. Em 1545, ele renunciou à doutrina católica da transubstanciação, se posicionando firmemente ao lado dos princípios protestantes. Em 1550, ele assumiu o posto de bispo de Londres e promoveu alterações significativas nas práticas religiosas da cidade. Uma das suas principais medidas foi substituir os tradicionais altares de pedra das igrejas por mesas de madeira simples. E é claro que a Maria Sangrenta, no seu fervor católico, não deixaria esses homens vivos e os condenou à fogueira. Quando ouviu sua sentença, o Lmer disse: "Agradeço de todo coração a Deus por ter prolongado minha vida até esse fim, para que eu possa nesse caso, glorificar a Deus por esse tipo de morte." Antes de serem amarrados à pira ardente, Latmer e Hidley oraram juntos. Ao serem amarrados, Hidley disse pro Later: "Tenha um bom coração, irmão, pois Deus ou amenizará a fúria das chamas, ou então nos fortalecerá para suportá-la". E Latmercajou seu companheiro de fé, dizendo: "Tenha bom ânimo, Mestre Hidley, e faça o papel de um homem. Hoje acenderemos tal chama que pela graça de Deus espero que nunca se apague [música] na Inglaterra. Latm e Hidley foram queimados vivos numa estaca em 16 de outubro de 155, enquanto Krammer observava o martírir. Thomas Kramer foi o homem que anulou o casamento de Henrique VII com Catarina de Aragão, que era mãe da Maria Sangrenta. E também foi o homem que compilou o livro de oração comum, que se tornou parte da liturgia da igreja anglicana em 1549. Foi ele que estabeleceu os famosos 42 artigos que são base para a doutrina [música] anglicana, além de adotar várias reformas na liturgia para se diferenciar do catolicismo. Com [música] medo da morte, o Kamer inicialmente se retrata das suas ideias protestantes. Mas Maria não ficou conhecida como Maria Misericordiosa. Maria deixa para lá. Maria passupano. Ela ela é a Maria sangrenta. Ela queria extinguir o protestantismo da Inglaterra e não se importava quanto sangue fosse derramado. Então, que mensagem seria mais forte do que mandar queimar Krammer, que foi um dos líderes da reforma inglesa e que anulou o casamento da sua mãe? No dia da sua execução, Kramer volta atrás na sua retratação. Ele reafirma as convicções protestantes e denuncia o Papa e a Igreja Católica. Conta-se que ele esticou o seu braço em direção ao fogo para que as suas mãos queimassem primeiro e diante da sua morte, ele diz: "Eu vejo os céus abertos e Jesus em pé à direita de Deus". Que testemunho poderoso de martírio e de apego aos ideais da reforma que guiaram as vidas desses homens. Tô chorando. Como é que pode? [roncando] Oi? Aa bem que tá longe, não dá para ver. [música] >> [música] [música] >> Não tem como falar sobre perseguição e martírio sem vir aqui em Bunill Fields. um cemitério onde os chamados não conformistas estão enterrados. Aqui foram enterrados aqueles que não se submeteram à igreja anglicana oficial, puritanos, batistas, congregacionais, independentes. Gente que em muitos [música] casos perdeu o púlpito, perdeu a liberdade e até a vida por não dobrar a consciência ao poder da igreja do estado. Aqui estão enterrados homens como Jobanian, escritor de peregrino, John Owen, o teólogo escocês e Isaac Watts, o grande compositor de hinos. Banny Hilfields encarna [música] relação entre igreja e poder como atenção central na história da igreja inglesa. Após a reforma protestante, a Inglaterra rompe com Roma, mas não com a ideia de uma igreja do estado. A igreja da Inglaterra manteve a estrutura autoritária e de controle e isso gerou um novo tipo de perseguição, que não é mais católicos contra protestantes ou protestantes contra católicos, mas agora da igreja do estado contra protestantes que eram insuficientemente conformados. Os não conformistas recusavam elementos como liturgia obrigatória, autoridade episcopal e submissão ao monarca como cabeça da igreja. O resultado foi a exclusão legal. Leis como o ato de uniformidade de 1662 expulsaram centenas de pastores. Muitos deles passaram a pregar clandestinamente, outros foram presos por pregar. B Hilfields se torna o destino final desses homens, pelo menos aqui na Terra. Aqui o chão conta a história de uma igreja que perseguiu os seus próprios reformadores. O cemitério tem esse nome porque em 1549 oário de Sant Paul Cathedral [música] foi demolido e todos os ossos foram tirados de lá. Por onde é que foram parar todos esses restos mortais dali? Mais de 1000 carroças de ossos humanos foram levados para cá, pro norte da cidade. Foram empilhados e cobertos de terra, literalmente formando uma colina de ossos. E por isso, Bonill, por est situado mais afastado da cidade, Bunny Hill era usado para enterrar aqueles que eram considerados hereges e que não se conformavam com a doutrina da igreja do estado, os chamados não conformistas. Ou seja, era forma de enterrar esse povo ruim bem longe daqui. Antes mesmo de ser um cemitério de dissidentes, a área já era usada para valas comuns, inclusive durante as epidemias. Depois tornou o lugar pros de fora, aqueles que não receberiam a honra da igreja estabelecida. E por isso Bunny Hillfields não é só um cemitério comum, é um é um tipo de manifesto contra a uniformidade religiosa imposta pelo Estado, mesmo quando é uma uniformidade protestante. Ban Hilfields foi inaugurado em 1665, o ano da grande praga que matou mais de 100.000 londrinos, equivalente a 20% da população da época. E estima-se que hoje cerca de 123.000 corpos estão enterrados aqui. Muitos pastores, escritores e intelectuais estão aqui também. As atividades aqui foram encerradas oficialmente em 1854. E desde 1867 foi aberto como local público de visitação. Desde então é um espaço mantido pela cidade de Londres. William Blake tá enterrado aqui que morreu em 1827. Susana Wesley, a mãe de John Wesley, tá também enterrado aqui. Vamos entrar e vamos ver o que que a gente consegue achar de túbulo, de gente famosa aqui. O pessoal olha para mim assim meio que me julgando por eu est Não tô me julgando por eu estar filmando, né? Mas eles dão até uma olhada boa. Quando eu tava passando com a câmera do nada aqui, ó. Tanto de londrino [música] aqui, ó. Tem as covas, os túmulo e aí ó, o tanto de londrino sentado pr almoçar aqui no cemitério. Batendo ma papão, almoçando, comendo sanduíche. Eu acho meio mórbido, mas tem um monte de parque [música] bonitinho. Galera, vem pro cemitério fazer o quê? Tudo bem. Quem sou eu para julgar? Mas já tô julgando. Quem sou eu para julgar depois de julgar, né? Mas estranho. Estranho. Mas é fazer o quê? [música] Estranho. Só [música] William Blake. Oh, olha só, é o poeta e pintor William Break e sua esposa Ctherine Sofia. Joseph Hart, ministro do Evangelho. Tem o senhor John Benjamin Token. Será que é parente do token de algum do do nosso token? Procura aí toler. Eit, dá uma olhada aí se esse John Benjamin Token é alguma coisa do token aí de verdade que eu estou estou por fora. Casado com Mary. Eu não sabia, mas aqui tem o túmulo do Daniel Def. Não, não, não sabia mesmo não. Ele é o autor de Robinson Cruzué. Você já deve ter ouvido falar de Robinson Cruzué. Ele era filho de dissidentes, não é? Foi profundamente moldado por um tipo de ambiente de resistência religiosa à igreja estabelecida também. foi um cristão, né, muito devoto. Ele atuou como comerciante, foi jornalista, foi planfetário político, [música] né, e foi um dos grandes defensores da tolerância religiosa em um período marcado por repressão também. Aí ele também foi preso, foi exposto a um uma tortura chamada pelourinho, não é? Que é um tipo de humilhação pública. De modo que o Robson Cruzué, o pessoal sempre fala desse livro, mas não sabe que é basicamente uma história sobre providência, sobre julgamento, sobre dependência de Deus. Ele tá aqui no nesse cemitério. Não sabia, cara. Não sabia mesmo, não fazia nem ideia que ele tava aqui. E é uma é uma uma surpresa interessante. A, aqui é o John Buen, sabia? É o Joh Bu. Tem um espaço de destaque aqui. Autor: Pel ining progress. Olha só, [música] achamos aqui, ó, túmulo do Bunian, talvez o símbolo mais forte do que Bun Hill representa, [música] né? O Bunan não era acadêmico, não tinha formação, né, formal. Ele era um pregador batista leigo e por isso mesmo ele foi considerado um pregador ilegal, né? Foi preso por se recusar a parar de [música] pregar. Passou cerca de 12 anos na prisão só porque não queria parar de pregar o evangelho. E foi na cadeia que ele escreveu, né? Tá aqui no túmulo dele, John Bunian, Autor of the Pilgrim Progress, autor do O peregrino, progresso do Pegrino, né? Literalmente não é difícil perceber um tipo de autobiografia, né? Na história do peregrino, representando a própria história do Bunny. homem que não estava disposto a receber nenhum tipo de autorização estatal para pregar e pregaria o estado [música] deixando-o não. O mais doido é que era um estado protestante e não queria deixá-lo pregar por ser um Batista. [música] Muito incrível. Tá, tá aqui. Eu acho que o peregrino foi o um dos primeiros livros cristãos que eu li na minha vida depois de convertido, depois que eu encontrei o Senhor Jesus. Devo ter lido umas três vezes esse livro em três versões diferentes. Tem versão para criança, tem várias editoras. É tocante, vim aqui [música] no no local onde o corpo dele descansa. John Bania nasceu em 28 de novembro de 1628 e viveu numa época de instabilidade religiosa e política muito forte aqui na Inglaterra. Elizabeth I, que havia ascendido ao trono [música] em 1558, morreu em 1603 e ela foi sucedida por James I, filho da Maria Start. Foi rainha da Escócia de 1542 a 1567. James I fez oposição ao puritanismo e o seu filho Carlos I se opôs mais ferreamente ainda ao ponto de trazer uma guerra civil a que estourou em 1642 e que durou até 49 e foi vencida pelos puritanos e pelo parlamento. A monarquia foi abolida, a república foi instaurada e Oliver Conell assumiu o governo inglês como lord protetor até 1658. Porém, em 1660, Carlos II ascendeu ao trono, restaurando a monarquia e o anglicanismo. E foi nesse momento caótico que John Bania nasceu. Bania nasceu em Bedford. Ele era filho de Thomas, um latoeiro, que era tipo um funileiro da época, e de uma mulher chamada Margaret. Ele cresceu em meio à pobreza e, por isso só recebeu educação básica. Ele nunca teve ensino formal. Logo ele abandonou os estudos para seguir o pai como latoeiro, né, na sua profissão. Em 164, a sua mãe e as suas irmãs morreram e o seu pai se casou novamente. Nesse período, ele é convocado pelo exército parlamentar para lutar na guerra civil até 47. Já em 1649, ele casou com uma mulher muito piedosa que como Dot entregou para ele duas obras puritanas. Um caminho seguro pro céu de Arthur Dent e a prática da piedade de Lewis Bailey. Foi sua esposa e essas obras que fizeram Banion finalmente buscar a Deus. Ele parou de praguejar, passou a ler a Bíblia e a frequentar a igreja de John Giford, o médico do exército que havia se convertido. Mas conta-se essa história que foi ao ouvir uma conversa de três ou quatro mulheres sobre o novo nascimento em Cristo que ele de fato se converteu. John Bania conta que por ter ouvido esse testemunho, ele percebeu que agora minhas cadeias realmente caíram de minhas pernas. Fui liberto das minhas aflições e correntes. Em outro lugar, ele diz: "Agora pude também ir para casa, regozijando-me pela graça [música] e o amor de Deus". Em 1654, ele se tornou diácono dessa igreja e logo no ano seguinte já estava pregando em várias congregações batistas de Badford. Em 1655 foi o ano que sua primeira esposa faleceu. Ele teve quatro filhos com ela, mas em 59 ele se casa novamente e tem mais de dois filhos. Se você é ligado aí em história da da Europa, você sabe que o ano seguinte foi a ascensão de Carlos I ao poder e os puritanos foram ainda mais perseguidos. Foi em 12 de novembro desse ano que Ban foi preso. Qual foi o crime do Ban? Pregar. foi fazer reuniões sem a autorização do rei e não se conformar com o anglicanismo. Ele ficou preso [música] por 12 anos porque se negava a deixar de pregar. Ele dizia: "Se eu for solto hoje, pregarei amanhã". Ao ser solto, em 1672, ele se tornou pastor em uma igreja em M Street, em Bedford. Ele seria novamente preso em 1675 pelo mesmo crime. Foi nesse período que ele escreveu a sua magnospus, o peregrino e depois sua continuação a Peregrina. Ambas foram publicadas simplesmente porque John Owen, sim, John Owen patrocinou essas obras. Ban produziu ainda 58 livros, segundo Christopher Hill. Curiosamente, ele ficou mais popular na Escócia e nos Estados Unidos do que aqui na Inglaterra. Os seus livros sempre enfatizaram as doutrinas básicas paraa fé cristã e mostravam o custo de seguir a Cristo, assim como a graça e a grande recompensa disso tudo. No seu livro Jornada para o Inferno, publicado no Brasil pela PES, ele narra uma alegoria oposta ao peregrino, mostrando a vida de um homem que nasceu e morreu [música] em pecado. Banan é excepcional em mostrar pecado de cada fase da vida dos homens e suas consequências terrenas e eternas. Outra obra maravilhosa sua que você tem que ler é Graça Abundante ao Principal dos Pecadores, onde Ban escreve a sua autobiografia narrando seu processo de conversão e suas crises de fé. Nessa obra, ele relata que passou mais de dois anos lutando, pensando que não era um eleito, mas foi quando ele percebeu que mesmo com a sentença de condenação ao inferno, não conseguiria, nem tinha motivos para viver longe de Deus. Então, quando ele percebeu isso, ele entendeu que ele era salvo. Em peregrino, ele faz uma alegoria da vida cristã desde a saída da cidade da destruição, passando pelo pântano do desânimo, sendo alcançado pelo poder da graça, evitando a cidade dos prazeres e chegando à cidade celestial. Uma obra belíssima. Fala profundamente a corações de novos convertidos, mas também a crentes maduros. Vale muito a pena ler. Bom, John Bran morreu em 31 de agosto de 1688, aos 60 anos, depois de uma forte febre que durou 10 dias, porque ele fez uma viagem a cavalo debaixo de uma chuva forte. Suas últimas palavras, segundo se registra, foi: "Toma-me, pois eu venho a ti". A vida pobre do Banan, o turbulento período histórico que ele viveu, suas prisões, nada disso foram capazes de afastar esse homem de Deus, nem o impedir de pregar a verdade do evangelho, porque a graça super abundante alcançou o principal dos pecadores. O fervor e o amor de Banan, por Deus nos ensinam que o caminho até o Senhor há [música] de ser percorrido com perseverança para que obtenhamos a coroa da glória. Apesar de John Buunan ter um espaço de destaque, vários outros nomes famosos da história da igreja estão em túmulos que não podem nem ser acessados mais. São áreas trancadas. Eu cheguei a perguntar se tinha alguma forma de entrar, mas a administradora falou que não tinha como entrar, não. Tente até argumentar vi algum caminho, algum pesquisador podia entrar, mas ela não foi muito receptiva as minhas perguntas, não. Bem [música] aqui, ó, bem ali atrás de mim tá o túmulo de Isaac Watts. Se o Dion Bania representa, né, a pregação perseguida, o Isaac Wats representa a adoração reformada fora do controle da igreja estatal. Ele também era um não conformista, cresceu num ambiente de dissidência. O seu pai chegou a ser preso por causa da fé. O iscottes vivem um tempo em que a canção protestante era fundamentalmente salmos metrificados. Ele entendeu que a Inódia protestante poderia ser melhor desenvolvida. Então ele escreveu vários hinos famosos: Joy to the World, [música] When I Survey, The Wondrous Cross. A gente tem certamente algumas versões os hinos de Wats em [música] português. O que hoje parece muito normal, não é? Cristãos produzindo música foi muito revolucionário paraa sua época. Ele tava dizendo que a igreja não precisava repetir as formas herdadas da igreja estatal, mas que a igreja poderia ter sua própria linguagem teológica centrada em Cristo, moldada para o serviço da comunidade. E por isso ele ajudou a moldar, né, a prática da adoração protestante [música] até hoje e fez isso lutando contra a igreja ah oficial da sua época. é um homem muito importante pra história da igreja que tá enterrado aqui, que por mais que o túmulo dele esteja praticamente esquecido, o seu trabalho, o que ele revolucionou na sua época, o que ele trouxe de importante paraa igreja protestante e os hinos que ele compôs são coisas que permanecem até hoje. Muitos esquecem do homem, mas a obra sempre permanece para além do indivíduo. Não me deixaram entrar nessa área aqui, tá sempre fechada, mas o túmulo do Isaac Watots, é esse aqui, ó, tá escrito ali Isaac Watotes. Bem deteriorado, bem velhinho, ninguém ninguém tomando conta, aparentemente, mas tá lá um dos maiores nomes da Inódia. protestante da história da igreja. Tá aqui um túmulo esquecido em uma área trancada, em um cemitério de gente desafortunada. É meu patrão, é o destino. >> Também tá enterrado aqui John Owen, também em um túmulo no área que a gente não pode alcançar. Ele nasceu em 1616 em Stand Humton. foi contemporâneo do Ban sendo patrocinador da publicação dos seus livros enquanto o Ban estava preso. O John Owen viveu também sobre o reinado de James I, pegou o governo de Charles I e pegou também o protetorado do Oliver Cronwell e a volta da monarquia como meu de [música] Carlos II. E vendo também nesse período de profunda estabilidade política e religiosa, perseguição aos puritanos, guerra civil retomada do poder por um rei anglicano, foi um apoiador do Oliver Cronel durante a guerra civil e um dia após a execução de Carlos I, ele já estava discursando pro parlamento. Qual era o grande sonho dele? vê a Inglaterra transformada em uma república protestante, reformando a igreja e a sociedade. Durante os anos de 1650, debaixo da liderança de Oliver Cronwell, o Owen foi peça chave, atuando em comitês importantes e trabalhando para dar ao novo regime uma base religiosa mais sólida. Mas com o tempo, claro, veio a decepção. Owen observava a família Crowell e a sua administração se afastando cada vez mais dos valores de Deus. que em 1658 ele se uniu a oficiais do exército para forçar uma crise, esperando que o regime voltasse aos seus ideais. Claramente não funcionou. Essa tentativa apenas acelerou o que ele mais temia, que era a restauração da monarquia, o retorno de Carlos II e a perseguição brutal aos disidentes. Durante o período da restauração, John Owen adotou uma postura muito discreta diante do novo cenário político. Então, ao longo da década de 60, a medida que a perseguição aos puritanos e a outros dissidentes foi diminuindo, ele aproveitou a abertura para defender seus pontos de vista de uma maneira mais pública. John Owen publicou panfletos nos quais ele argumentava que os dissidentes não eram apenas uma força religiosa, mas também representavam a vitalidade econômica da Inglaterra. Ele buscava convencer a sociedade e à autoridades de que o valor dos dissidentes ultrapassava a esfera espiritual, sendo essencial pro desenvolvimento e a prosperidade do país. Um argumento que ele julgou que contraria capilaridade social ali, mas as suas tentativas de intervir politicamente trouxeram punições. foi castigado por sua atuação e essa experiência contribuiu para que ele passasse a valorizar cada vez mais a importância das questões eternas, se dedicando a reflexão e ao foco espiritual, reconhecendo que o seu papel deveria ser direcionado ao que transcende o contexto [música] político e temporal. John Owen também ensinou em Oxford e fez tudo para incentivar a piedade entre os estudantes ali. Ele também encorajava os membros da igreja a se reunirem para estudar as escrituras. Sendo um homem de vertente intelectual, ele mesmo escreveu muitas obras. Ele tem mais de 80 livros que somam cerca de 8 milhões de palavras. [música] Para você ter uma ideia, uma importante editora americana traz uma versão moderna das suas obras que somam 24 extensos volumes. Certamente um dos seus livros mais conhecidos, senão o mais conhecido, é a morte da morte na morte de Cristo. Uma obra fabulosa sobre a expiação de Jesus que existe versões em português. A gente mesmo publicou uma versão em dois volumes, capa dura, maravilhoso desse livro. Tem um link na descrição para você dar uma olhada lá. Joe morreu em 1683, temendo pelo futuro da Inglaterra. Foi um dos homens que acabou sendo enterrado aqui em Banhill. Banhill Fields nos dá algumas lições muito poderosas, tá? A igreja pode se tornar uma perseguidora também dos seus próprios. Não basta ter a teologia certa no papel. A história inglesa mostra isso, que protestantes que sofreram debaixo de Roma depois produziram os mesmos mecanismos de perseguição [música] contra outros protestantes que não se submeteram à igreja do estado. Ban Rfields nos lembra que consciência cristã tem um custo real. Banan foi preso, outros perderam a liberdade. Muitos de nós teríamos força para sustentar a nossa fé diante da perseguição estatal tão forte. É bonito [música] ver que Deus trabalhou fora de estruturas oficiais. Muitos nomes enterrados aqui moldaram o cristianismo muito mais do que muitos bispos [música] da igreja do estado. O que mostra que muitas vezes a periferia pode se tornar também um centro muito poderoso. Aquilo que era marginal virou um legado. Aqueles que foram excluídos, presos a mandados embora viraram referência pra igreja ao longo da história do século. O que faz com que Bfields se torne um lembrete incômodo para muitos de que às vezes os mais fiéis são aqueles que decidem [música] se levantar contra os representantes oficiais e estatais da fé para pregar um evangelho simples, real, que aponta verdadeiramente [música] para um reino que tá para além daqui. Você percebe o desafio dessa relação entre cristianismo e política? Quando o cristianismo vira um tipo de poder imperial, as perseguições se aprofundam, não simplesmente por causa de doutrina, não é? mas por questão de lealdade e segurança nacional. [música] No século X, religião e política não eram separadas de forma nenhuma. De modo que mudar de religião não era só mudar de igreja, era mudar de lealdade pública, era potencialmente trair o reino e por isso a violência era tão intensa. Até que a gente chega no século X7, quando o conflito se fragmenta. A Inglaterra não entra em paz imediata, ela entra em um novo tipo de conflito. A gente tem a guerra civil inglesa, onde agora o problema não é só católicos contra protestantes ou protestantes contra católicos, é protestantes [música] contra protestantes. Anglicanos, puritanos e presbiterianos começam a brigar e cada grupo com a sua visão de igreja, sua visão de estado e sua visão de autoridade. Oliver Cromel assume o poder por um tempo, impõe uma agenda ainda mais radical e a fragmentação protestante acaba substituindo aquele pêndulo simples entre católicos e protestantes. Com o tempo, a Inglaterra aprende uma lição muito difícil de aprender e que não é possível manter estabilidade política, perseguindo grupos religiosos minoritários e gradualmente leis de tolerância começam a surgir. A violência diminui, a diversidade protestante cresce e passa a ser respeitada, católicos deixam de ser executados. Era um processo lento, imperfeito, mas que foi decisivo na história da Inglaterra. a mártires dos dois lados, infelizmente, porque a violência acaba sendo fruto de uma religião que se mistura com o poder do Estado. E aí, o que que você achou do vídeo de hoje? Comenta aqui embaixo se tem gostado dessa série de vídeos aqui, na Inglaterra. Se você gosta do Teologia na estrada, não deixa de clicar em gostei aí e ajudar a divulgar esse vídeo aqui na plataforma. Na descrição você vai encontrar o link aí pros cursos do Instituto Shaifer de Teologia e Cultura. Um abraço e até a próxima. Minha mulher falou que tenho que terminar o vídeo dizendo assim, ó. A perseguição não parou a igreja. O coliseu não parou a igreja. Aí eu não sei a música toda, mas aí bom fica aí. Minhas disse que eu tinha que internar o vídeo assim. Então >> eu disse que tinha que colocar a música, não era tu cantar não. >> Mas não pode colocar a música que o vídeo cai. Então tem que ser eu cantando, é o que é o que tem para hoje, gente. Me perdoe.