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A fé vem pelo ouvir

Mãe, o Senhor olhou para você – Lucas 1.5-24 | Ákilla Nascimento | IBNU

Mãe, o Senhor olhou para você – Lucas 1.5-24 | Ákilla Nascimento | IBNU

Mãe, o Senhor olhou para você – Lucas 1.5-24 | Ákilla Nascimento | IBNU

A dor de esperar, o sentimento de humilhação, as orações silenciosas e a esperança de ser lembrada por Deus atravessam a história de Isabel em Lucas 1. Ao refletirmos sobre essa narrativa tão profunda, percebemos como a maternidade carrega propósito, dignidade e participação no agir de Deus na história humana.

Exploramos como Deus olha favoravelmente para aqueles que choram, esperam e permanecem fiéis, mesmo em meio à demora e às perguntas sem resposta. A trajetória de Isabel revela que gerar, cuidar e apresentar filhos ao Senhor vai além de um desejo pessoal: faz parte do plano divino de abençoar vidas e transformar gerações.

Também refletimos sobre o valor espiritual da maternidade, o sofrimento enfrentado por muitas mulheres, o significado da honra e da esperança na Bíblia e como Deus continua agindo através das mães, da fé e da perseverança. Uma mensagem sobre graça, propósito, família, oração e redenção que conecta a história de Isabel à nossa própria caminhada.

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Legendas automáticas:

Mãe, o Senhor olhou para você. Eu
gostaria de convidar [música] em
especial todas as mães para pensar
comigo a respeito da história de Isabel.
o texto de Lucas, capítulo 1, versículo
5 [música] até o versículo 24, que narra
pra gente a história desse casal, mas em
especial a história dessa mulher que
sentia a necessidade profunda de gerar e
de possuir um filho. E que recebeu da
[música] parte de Deus a bênção de poder
ser mãe de João Batista. O Senhor se
lembrou de Isabel. Gostaria então que
essa fosse a nossa reflexão e o meu
convite para você paraa mensagem de
hoje.
Mãe, o Senhor olhou para você.
Parabéns a todas as mães, vocês que
receberam essa dádiva de conceber, de
gestar, de dar a luz e de criar uma
criança. Graças a Deus pela vida de
todas vocês, de quem todos viemos.
Muito eh feliz é esse momento de poder
agradecer ao Senhor e agradecer a vocês
naturalmente pelo papel fundamental que
continuam desempenhando na vida de todos
nós que somos filhos.
Bom, mas de onde é que vem esse seu
desejo, mãe? E de onde é que vem esse
seu desejo? Talvez mulher que está
assistindo essa mensagem que não é mãe e
que quer se tornar mãe? De onde é que
vem esse desejo de ser mãe? De onde é
que veio esse desejo que levou a você
conceber, gerar, criar o seu filho, a
sua filha, os seus filhos?
Isso é uma pergunta que é muito
interessante, porque muitas mulheres
expressam isso como um desejo dos mais
profundos do seu coração. É verdade que
nem toda mulher planejou ser mãe e nem
toda mãe tinha desejo inicialmente de
ser mãe, mas se tornou mãe. Mas o fato é
que muitas, muitas mulheres têm essa
vontade, t esse desejo e muitas recebem
esse presente de poder gerar filhos. E
outras mulheres tentam por muito tempo e
precisam também lidar com a realidade de
não poder gerar filhos.
Mas eu gostaria de pensar com vocês
sobre o caso de uma mãe especial e é a
história de Isabel, como a gente
encontra aí Lucas capítulo 1. Isabel
está entre essas mulheres que não tinha
simplesmente um desejo profundo de ser
mãe, mas que sentia a necessidade de ser
mãe. Por isso, eu vou convidar você para
relembrar e talvez para olhar de uma
maneira diferente paraa história de
Isabel, como a gente encontra em Lucas,
capítulo 1, do versículo 5 até o
versículo 24.
No tempo de Herodes, rei da Judeia,
havia um sacerdote chamado Zacarias, que
pertencia ao grupo sacerdotal de Abias.
Isabel, sua mulher, também era
descendente de Arão. Ambos eram justos
aos olhos de Deus, obedecendo de modo
irrepreensível a todos os mandamentos e
preceitos do Senhor. Mas eles não tinham
filhos, porque Isabel era estéril e
ambos eram eram de idade avançada.
Certa vez, estando de serviço o seu
grupo, Zacarias estava servindo como
sacerdote diante de Deus. Ele foi
escolhido por sorteio, de acordo com o
costume do sacerdócio, para entrar no
santuário do Senhor e oferecer incenso.
Chegando a hora de oferecer incenso, o
povo todo estava orando do lado de fora.
Então, o anjo do Senhor apareceu a
Zacarias à direita do altar do incenso.
Quando Zacarias o viu, perturbou-se e
foi dominado pelo medo. Mas o anjo lhe
disse: "Não tenha medo, Zacarias. Sua
oração foi ouvida. Isabel, sua mulher,
lhe dará um filho, e você lhe dará o
nome de João. Ele será motivo de prazer
e de alegria para você, e muitos se
alegrarão por causa do nascimento dele,
pois será grande aos olhos do Senhor.
Ele nunca tomará vinho, nem bebida
fermentada, e será cheio do Espírito
Santo desde antes do seu nascimento.
Fará retornar muitos dentre o povo de
Israel ao Senhor, o seu Deus. irá diante
do Senhor no espírito e no poder de
Elias, para fazer voltar o coração dos
pais a seus filhos e os desobedientes à
sabedoria dos justos, para deixar um
povo preparado para o Senhor.
Zacarias perguntou ao anjo: "Como posso
ter certeza disso? Sou velho e minha
mulher é de idade avançada."
O anjo respondeu: "Sou Gabriel, o que
está sempre na presença de Deus. Fui
enviado para lhe transmitir estas boas
novas. Agora você ficará mudo. Não
poderá falar até um dia em que isso
acontecer, porque não acreditou em
minhas palavras que se cumprirão no
tempo oportuno.
Enquanto isso, o povo esperava por
Zacarias, estranhando sua demora no
santuário.
Quando saiu, não conseguia falar nada. O
povo percebeu então que ele tivera uma
visão no santuário. Zacaria fazia sinais
para eles, mas permanecia mudo. Quando
se completou seu período de serviço, ele
voltou para casa.
Depois disso, Isabel, sua mulher
engravidou e durante 5 meses não saiu de
casa. E ela dizia: "Isto é obra do
Senhor. Agora ele olhou para mim
favoravelmente para desfazer a minha
humilhação perante o povo." Essa
história de Isabel, a história de uma
mulher que sentia a necessidade e que se
sentia porque, de fato, era humilhada
por não ter filhos e tinha essa
necessidade de gerar filhos. começa de
um modo muito interessante, porque no
versículo 5 a gente tem uma linguagem
muito semelhante à aquilo que a gente
encontra, por exemplo, no começo do
livro de Jeremias ou no começo do livro
de Isaías. Se você lembrar bem aquilo
que a gente leu, diz o seguinte: "No
tempo de Herodes, rei da Judeia, havia
um sacerdote chamado Zacarias". é muito
parecido com o que a gente encontra, por
exemplo, no versículo inicial, no
versículo 2 do livro de Jeremias, no
tempo do rei Josias, no 13º ano, ou algo
muito parecido também no começo do livro
de Isaías, que fala o tempo em que
aquele profeta estava, o rei que
governava e a certeza e a segurança de
que para aquele homem veio a palavra do
Senhor. [roncando] De modo semelhante,
Lucas introduz o personagem Zacarias
juntamente na companhia de sua esposa,
Isabel. Por que que essa é uma
observação relevante, como Lucas coloca
aqui?
Porque esse eco parece ser algo
intencional por parte desse autor? É a
ideia de dizer que aqui está a
continuidade daquela história que você
está acostumada a ler e a ouvir a
respeito dos profetas. E mais
importante, essa que não é a história
dos profetas, mas é a história que veio
por meio dos profetas, a história de
Deus na sua relação com o seu povo, no
seu plano de trazer libertação para toda
a criação. Então, de certa forma, o que
Lucas está dizendo é: "A história desse
casal é a continuidade da história que
eu venho construindo ao longo dos
séculos, por meio da revelação que eu
tenho dado aos profetas que falam em meu
nome."
A história como é contada a respeito de
Isabel e a respeito de Zacarias mostra
paraa gente uma outra informação que é
fundamental pra gente entender
o sentimento, o contraste e o inesperado
na história de Isabel. É o fato de que
Deus se agrada da vida dessa mulher,
Deus se agrada da vida de Zacarias. É
muito importante perceber que Lucas
começa com esse ponto. Veja que ele
apresenta a descendência. Zacarias, que
pertencia ao grupo sacerdotal de Abias,
e Isabel, sua mulher, também descendente
de Arão. Ambos eram justos aos olhos de
Deus, obedecendo de modo irrepreensível
a todos os mandamentos e preceitos do
Senhor. Em primeiro lugar, é muito
importante a gente perceber que Isabel
tinha todas as credenciais juntamente
com Zacarias para ser considerada mulher
de Deus. Zacarias tinha todas as
credenciais para ser considerado um
homem de Deus. Veja que Zacarias é um
levita, parte dessa tribo de Levir que
foi separada para o serviço sacerdotal.
E mais importante, Zacarias não só é um
levita, como ele é um descendente direto
de Arão. Porque ser apenas um levita não
é a mesma coisa que ser um descendente
de Arão. Porque todo descendente de Arão
é um levita, mas nem todo levita é um
descendente de Arão. A descendência de
Arão, por assim dizer, era a linhagem
puríssima dentre os sacerdotes.
Não só Arão, não só eh não só Zacarias,
é descendente de Arão, perdão, mas
também é dito que a própria Isabel é
descendente de Arão. Não era possível
ter uma linhagem mais pura do que essa.
Um homem da tribo de Levi, descendente
direto de Arão, casada com o descendente
de Arão. Se existia um casal que deveria
ser visto como homem e mulher de Deus,
era esse casal. Se existia um casal que
era para ser esperado o derramamento
gracioso por parte de Deus, porque eram
homem e mulher dedicados ao serviço de
Deus. Segundo essa longa tradição, essa
longa linhagem que veio diretamente da
parte de Arão, o primeiro sacerdote a
partir do estabelecimento da nação de
Israel, da lei de Moisés, esse casal
deveria ser Zacarias e Isabel. E não só
eles tinham essas credenciais legais,
mas também éticas. Não é simplesmente o
fato de que eles eram descendentes, eles
eram justos aos olhos de Deus. Eles
praticavam todas as coisas que a lei
ordenava. Se diz aqui explicitamente no
versículo 6 que ambos eram justos aos
olhos de Deus, obedecendo de modo
irrepreensível a todos os mandamentos e
preceitos do Senhor. Então, essas eram
pessoas que deveriam
ser vistas por parte da sociedade como
um casal de grande honra pelo seu
serviço e também consequentemente pela
bênção que deveria ser derramada por
parte de Deus. Mas
é importante a gente perceber como as
coisas não funcionam da maneira como se
espera na história de Isabel, na
história dessa mãe. Por Lucas conta pra
gente essa história a partir da
perspectiva de que alguém de alguém que
acredita que a lei de Deus é revelação
da vontade de Deus. E segundo a lei de
Deus, no último livro do Pentateu,
segundo a lei de Moisés, no livro de
Deuteronômio, capítulo 28,
tanto no versículo 4 quanto no versículo
11, a gente tem a segurança que Deus dá
para esse povo de uma bênção
condicional.
Qual era a bênção?
Gerar muitos filhos e receber a
prosperidade desses filhos em sua
família. Eles não só deveriam ser
numerosos, mas eles deveriam ser
abençoados por Deus, por Deus naquilo
que eles fizessem. Mas essa era uma
bênção condicional. Por quê? Porque Deus
falou que faria isso para os homens e as
mulheres de Israel quando eles
obedecessem aos seus mandamentos e os
seus preceitos. Da mesma forma, se o
povo desobedecesse a esses mandamentos e
a esses preceitos, eles não gerariam
filhos. os seus ventres, os ventres das
mulheres de Israel seriam secos e os
filhos que eles tivessem não seriam
prósperos.
E a gente percebe, não só no capítulo 1
de Lucas, mas ao longo de toda a
narrativa, que Lucas mantém a sua
convicção de que a Torá é revelação da
parte de Deus e que a Torá revela a
vontade do próprio Deus.
E a gente tem essa, esse desconforto,
esse fato de que os filhos eram vistos
como bênção da parte de Deus.
Isabel, que não era a capaz de gerar
filhos, era estéril, mas ao mesmo tempo
era narrada como uma mulher justa e
Zacarias também como um homem justo. Uma
convicção que aquele povo tinha e que
era fundamentada na palavra de Deus é
que Deus controlava o ventre das
mulheres.
Deus era aquele que dava os filhos como
um sinal da sua bênção sobre o povo e
sobre a vida daquela família.
E isso, como a gente acabou de
exemplificar até certo ponto, vinha de
textos como esse de Deuteronômio,
capítulo 28. Deus controla e Deus
derrama a sua bênção sobre a vida do
povo de Israel e sobre as famílias por
meio dos filhos. E por isso os filhos
eram vistos como fonte de honra. Ter
filho naquela cultura não era
simplesmente a decisão de um casal que
queria ter o prazer de gestar, de
conceber, de dar luz, de criar e de
poder desfrutar dos prazeres de gerar
filhos e também arcar com as
consequências de ter que criar a
crianças, porque de forma geral essas
pessoas pensavam que quanto mais filho
se puder gerar melhor. Não era
simplesmente uma decisão do ponto de
vista individual ou familiar, mas era
visto como uma bênção de Deus.
Então, a aquilo que era o poder divino e
o controle divino de conceder esse
desejo do coração, que era o desejo do
coração que normalmente todas as
famílias possuíam, era uma parte
fundamental da maneira como aquela
cultura enxergava honra e inversamente
como eles também enxergavam humilhação.
Por quê? Porque se filho era sinal da
bênção de Deus, se filho era uma forma
de honra que uma mulher, um casal e uma
família poderia receber da parte de
Deus, não ter filhos era sinal de
humilhação. Qual era a lógica? É que se
esse casal, se essa mulher foi incapaz
de gerar filhos, de dar filhos para o
seu marido, é porque alguma coisa ela
fez.
Se essa família e de forma geral a
responsabilidade por não gerar filhos
será atribuída à mulher, uma coisa que a
gente sabe hoje em dia que não é
obviamente algo que está exclusivamente
ligada à capacidade da mulher de gerar
filhos, mas de maneira geral, quando um
casal não podia ter filhos, isso era
atribuído como responsabilidade ou como
uma incapacidade do corpo da mulher. A
leitura que aquelas pessoas tinham é
Deus está punindo esse casal, Deus está
punindo essa mulher por algum pecado que
ela cometeu.
Se esse era o caso naquela cultura e se
esse era o caso de Isabel, então isso
significava que Isabel tinha feito algo
muito errado, muito equivocado, e que
ela estava recebendo uma punição muito
severa por parte de Deus. Porque
novamente, essa era uma mulher de
sacerdote. Ela mesmo era descendente de
Arão. Eles estavam diante do próprio
altar de Deus, servindo a Deus. E porque
é que Deus não deu pelo menos um filho
para esse casal? Se ela é incapaz de
gerar filhos, é porque essa mulher
cometeu um erro, um pecado, algo muito
grave que justifique uma punição tão
dolorosa sobre a vida dela.
É o que a gente precisa também observar,
não só na maneira como aquela cultura
funcionava, mas como a própria lei de
Deus estava tratando o assunto já há
muito tempo antes de Isabel, é o fato de
que Deus disse que se o povo o
obedecesse, ele abençoaria suas mulheres
com a fertilidade, com a capacidade de
gerar filhos e esses filhos seriam
próximos. E o inverso também era
verdade. Mas Deus não está dizendo que
toda mulher, todo casal que é incapaz de
gerar filhos, é incapaz de gerar filhos
porque está colhendo as consequências de
um pecado que cometeu. Ainda que essa
relação seja válida para o povo, isso
não necessariamente se aplica a um
indivíduo. Sempre que o povo de Israel
pecasse, isso deveria vir como
consequência. Mas nem todo mundo que tem
essa incapacidade é porque pode ser
relacionada com essa causa do pecado
cometido pelo casal, pelo indivíduo ou
mesmo pelo pecado do próprio povo de
Israel. Deus nunca disse que a mulher
que não pode gerar filho,
não pode gerar filhos porque está sendo
condenada por parte de Deus. E Lucas
parece fazer questão de dizer que isso
não explica a situação que Isabel estava
passando. Porque antes mesmo de falar
sobre filhos ou a ausência de filhos, no
caso de Isabel, ele faz questão de dizer
que Zacarias e Isabel eram justos aos
olhos de Deus e obedeciam todos os
mandamentos e preceitos do Senhor. E aí
quando a gente segue na sequência do
texto e logo depois desse versículo
inicial, desses dois versículos 5 e 6, a
gente vai para o versículo 13 e a gente
encontra o seguinte: "Mas o anjo lhe
disse: "Não tenha medo, Zacarias, sua
oração foi ouvida. Isabel, sua mulher,
lhe dará um filho e você lhe dará o nome
de João.
Quando a gente olha para essa expressão
do anjo Gabriel, que ainda não havia se
identificado como Gabriel nesse momento,
mas que fica muito claro na sequência do
texto, o que a gente encontra é essa
expressão que não aparece a primeira vez
na Bíblia aqui em Lucas, mas em outros
momentos isso é repetido.
Sua oração foi ouvida. E o que é muito
interessante é que o milagre que Deus
opera na vida de Isabel e de Zacarias,
desse homem e mulher que já eram idosos,
há muito tempo oravam por esse filho ou
por esses filhos e que não tinham
recebido esses filhos ainda. Esse
milagre que é narrado aqui em Lucas
capítulo 1, não é retratado simplesmente
como uma ideia de Deus. Isso é muito
interessante. É o fato de que aquilo que
Deus faz na vida de Isabel, dessa mulher
que vai se tornar mãe em idade muito
avançada,
surge como uma ideia, como uma oração,
como um pedido do próprio Zacarias.
Certamente Isabel orou por muito tempo
para que ela recebesse esse filho, mas
aqui no versículo 13 a gente encontra
essa afirmação muito importante por
parte de Gabriel que é: "Sua oração foi
ouvida". O milagre da concepção dessa
criança veio a partir do desejo e do
coração daquele homem, do desejo e da
oração daquela mulher. E o milagre veio
como uma resposta de Deus, uma
intervenção de Deus para uma necessidade
humana. Mas é muito importante a gente
perceber como essas duas vontades, essas
duas ações estão [roncando]
simultaneamente atuando para que esse
evento viesse acontecer. Todo o poder,
obviamente, da concepção de João Batista
precisa ser reconhecido como uma ação do
próprio Deus.
Mas por outro lado, isso vem como um
desejo e uma necessidade que foi
expressa por Zacarias em suas orações.
Um pedido e uma vontade que Isabel com
certeza colocou diante do Senhor muitas
e muitas vezes. E quando a gente ouve a
palavra do anjo Gabriel,
quando a gente ouve a história de Isabel
e Zacarias e a resposta em especial que
Isabel tem no versículo 24 e 25, a gente
escuta muito claramente a história de
Abraão, de Abraão e Sara. A história de
Abraão em Gênesis, capítulo 15 versículo
1, quando depois de ter recebido a
promessa, depois de ter se passado
vários anos, Deus aparece para Abraão e
Abraão discute com o próprio Deus: "O
Senhor me fez essa promessa, mas até
agora minha mulher não ficou grávida. Eu
não estou ficando mais novo. E o único
caminho que eu vejo para que essa
promessa se cumpra é que um herdeiro da
minha própria casa, um servo da minha
própria casa seja aquele que vai levar
adiante a promessa que o Senhor me deu
de ter um descendente, uma descendência
que representasse a continuidade da
minha família. E as palavras de Deus
para Abraão em Gênesis, capítulo 15,
versículo 1, são: "Não tenha medo,
Abraão, grande será a sua recompensa".
De forma semelhante, o anjo Gabriel está
dizendo aqui para Zacarias também: "Não
tenha medo." O Senhor ouviu as suas
orações. Não tenha medo, Zacarias. Sua
oração foi ouvida. Isabel, sua mulher,
lhe dará um filho e você lhe dará o nome
de João.
Abraão não foi esquecido. Zacarias não
foi esquecido. Isabel não foi esquecido.
Aqui a gente encontra um tema que é
muito antigo e um tema que é muito
valioso em toda a narrativa bíblica. É
esse tema da lembrança de Deus. Muitas
vezes a gente reforça tanto esses
atributos de Deus de que ele é
unisciente, de que ele é todo poderoso e
perde de perspectiva textos que são
muito valiosos e que demonstram um afeto
muito pessoal por parte de Deus em
relação ao seu povo. Quando Deus, quando
se diz que Deus se lembrou, Deus se
lembrou de Abraão, Deus se lembrou de
Raquel, Deus se lembrou de Ana, Deus se
lembrou
de Isabel.
E aquilo que a gente encontra nesses
versículos iniciais e também no fim
dessa narrativa não traz essa expressão
que Deus se lembrou exatamente de
Isabel. Mas as palavras de Isabel no fim
desse trecho, nos versículos 24 e 25,
mostram muito, muito claramente que essa
é mais uma das histórias em que Deus se
voltou para um de seus servos, se voltou
para uma de suas servas, se lembrou de
sua necessidade, derramou bênção sobre
aquela pessoa em particular e agiu em
seu favor.
Então, a história de João Batista, a
história de Zacarias, mas em especial a
história de Isabel e dessa mãe, é uma
história da lembrança de Deus em função
da necessidade daquela mulher.
Por quanto tempo será que Isabel orou
por esse filho?
A gente não sabe qual é a idade de
Isabel quando tudo isso aconteceu. A
gente não sabe por quantos anos Isabel
chorou diante de Deus pedindo que lhe
desse uma filha, um filho, alguém que
pudesse continuar a história da sua
própria família.
Mas a gente sabe que foram muitos anos.
As pessoas não costumavam se casar muito
tarde naquela época. Se casavam muito
mais cedo, muito mais cedo do que na
nossa própria cultura.
E e essa mulher, provavelmente tendo se
casado antes dos 20 anos de idade, agora
já era uma mulher idosa. E novamente
essa era uma mulher que era casada com
sacerdote. E existia todo um valor, todo
um significado que eles pudessem gerar
filhos, que ela desejasse ter muitos
filhos e nunca tivesse sido abençoada
por parte de Deus com uma única criança.
E aqui existe essa afirmação do anjo
Gabriel para Zacarias.
Não tema, não tenha medo. O Senhor ouviu
a sua oração. Depois de muitos anos,
depois de muito tempo, talvez batalhando
com o próprio Deus, Zacarias tem a sua
oração respondida, Isabel tem a sua
oração respondida.
E a maneira como essa história é narrada
e a maneira como Raquel e perdão, como
Isabel vai responder a esse milagre da
parte de Deus é muito semelhante com a
maneira como Raquel respondeu a Deus
quando recebeu
a bênção e o milagre de Deus em
condições muito semelhantes àquilo que
Isabel recebeu. Quando a gente volta lá
pro texto de Gênesis, capítulo 30, nos
versículos 22, a gente encontra as
palavras de Raquel. Então, Deus
lembrou-se de Raquel. Deus ouviu o seu
clamor e a tornou fértil. Ela engravidou
e deu à luz um filho e disse: "Deus
tirou de mim a minha humilhação.
Deus tirou de mim a minha humilhação."
São praticamente as mesmas palavras que
a gente encontra na boca de Isabel
quando ela recebe esse milagre da parte
de Deus e pode conceber uma criança.
Uma história muito semelhante a de
Isabel, não só a de Raquel, mas
obviamente também a de Abraão e Sara,
mas a história de Ana e El Cana, que por
muito tempo chorava e apresentava a Deus
esse clamor por ter um filho e não pôde
ter um filho. E Deus abençoa Ana,
podendo Ana conceber agora Samuel, outra
história e outra vida que vai
transformar a história do povo de Deus.
E é o que a gente encontra em Primeira
Samuel, capítulo 11.
E uma coisa que eu me pergunto quando eu
olho para essa reação dessas mulheres,
pra reação de Sara, pra reação de
Raquel, pra reação de Ana, pra reação de
Isabel, é por que para essas mulheres,
por é que para esses pais e esses
homens, para essa cultura, era um sinal
de honra tão grande poder conceber
filhos?
Por que é que para essas mulheres em
especial era um sinal de humilhação,
era uma condição que lhes colocava
em humilhação diante do próprio povo de
Israel não poder conceber filhos? Porque
filhos era sinal tanto de honra quanto a
sua ausência era sinal de deshonra.
O que a gente percebe é que através da
oração de Isabel e de Zacarias, Deus
responde a esse desejo que esse casal
tinha, a essa necessidade que essa
mulher possuía. Mas Deus também responde
à oração do próprio povo de Israel. E é
aqui que a história começa a deixar de
ser simplesmente a narrativa sobre um
casal, mas é a história da narrativa de
um casal que está relacionado com a
narrativa de um povo, com o destino de
uma nação. E obviamente que a gente
destaca a história de Israel, não porque
a história de Israel é mais importante
do que a história de qualquer outra
nação, mas porque a história de Israel é
também a história de todas as outras
nações. Então, de certa forma, quando o
anjo Gabriel começa a falar para
Zacarias no versículo 13 e 14, que a
vida desse filho que seria dado a ele, a
Zacarias e a Isabel,
não seria simplesmente uma resposta de
Deus para a vida daquele casal, mas
seria um filho que traria bênção para o
povo de Israel. E como vai ficar muito
claro, o fato de que João Batista
prepara o caminho para o Messias, não
simplesmente iria abençoar o povo de
Israel, mas iria abençoar todos os povos
gentios, todos os povos da terra.
Então, é nesse ponto que a gente percebe
que a história de Israel e a história de
Zacarias, a história do povo de Deus e a
história dessa mulher que não podia ser
mãe e foi lembrada por Deus e passou a
ser mãe,
estão diretamente entrelaçadas como uma
história só. Deus responde à oração de
Zacarias e Isabel ao mesmo tempo que
Deus responde à necessidade de todo o
povo de Israel. E a gente então percebe
novamente ecos de uma história muito
antiga e muito fundamental para tudo
aquilo que a gente encontra na Bíblia,
que é mais uma vez a história de Abraão
e Sara. Deus mantém a sua promessa com
Abraão e com Sara.
Deus dá filho para Abraão e para Sara. E
a partir desse filho, a partir dos
filhos desse filho, Deus derrama sua
bênção sobre todas as nações. Essa
lógica que a gente encontra em Abraão e
em Sara, que a gente encontra em todos
os patriarcas, a gente encontra também
na história de Zacarias e Isabel. Deus
faz uma promessa. Deus cumpre a sua
promessa, que é gerar uma criança. E por
meio dessa criança, por meio desse
filho, Deus derrama bênção sobre todas
as nações. E aqui que eu gostaria que
talvez você já começasse a perceber como
a sua história, independente de ter sido
uma mãe que enfrentou o problema de não
conseguir gerar filhos por um tempo e
depois ter recebido a bênção por parte
de Deus, ou não. Uma mãe que foi
abençoada assim que desejou conceber uma
criança ou que até concebeu uma criança
sem nem mesmo ter planejado esse
momento. Mas a história de Isabel se
cruza com a história de todas as outras
mães quando a gente começa a perceber
que gerar filhos é uma das formas mais
poderosas e que a história do povo de
Deus, que a história do próprio Deus tem
demonstrado que é uma das formas mais
constantes pelas quais Deus derrama
bênção sobre as nações. Gerar filhos é
uma maneira de mudar a história dos
povos. Gerar filhos é uma maneira pela
qual Deus permite a você que é mãe
abençoar a vida de todas as nações. Deus
fez isso com Abraão e com Sara. Deus fez
isso com Raquel. Deus fez isso com Ana.
Deus fez isso com Isabel. Deus fez isso
com Maria. Deus faz isso com a sua
própria vida. Os filhos que você coloca
no mundo,
os filhos que você cria dedicando tempo,
dedicando energia,
são formas pelas quais você está
transformando a história não só da sua
própria família, da sua própria casa, a
história do seu próprio filho, mas a
história de muitas outras famílias, a
história de muitas outras nações.
Consistentemente Deus tem construído a
história dos dos povos por meio do seu
papel, do seu ato de gerar filhos e de
criá-los constantemente, apresentando-os
ao Senhor.
Conceber, criar e apresentar os seus
filhos ao Senhor talvez seja uma das
obras mais valiosas. Certamente na vida
de muitas mulheres será a obra mais
importante, mais valiosa que você fará
para transformar a vida de muitas outras
pessoas. É poder ter uma vida que não se
restringe apenas ao seu próprio corpo. É
poder fazer coisas que não estão ligadas
apenas à sua própria ação direta, mas a
todas as ações que os seus filhos farão,
todas as consequências que virão
acontecer por meio da sua própria
descendência. Tudo aquilo que o seu
filho, que a sua filha, que os seus
netos, que as suas netas farão para
abençoar a vida de muitas outras
pessoas, estão diretamente relacionadas
ao seu papel enquanto mãe, de gerar,
criar e constantemente
apresentar essas crianças ao Senhor. A
história de Isabel é importante.
Obviamente que a história de João
Batista é fundamental. A história de
Israel é das coisas mais constantes e
fundamentais pra gente entender toda a
história bíblica. Mas a narrativa de
Lucas, capítulo 1, deixa muito claro
que, por mais importante que essas
histórias sejam, elas são apenas alguns
fios dentro da história do próprio Deus.
E eu acredito que isso confere muita
dignidade ao seu papel de mãe, a dádiva
e a vocação que você recebeu enquanto
mãe.
Porque o fato de que a história de
Isabel, de Zacarias e de João Batista
não dizem respeito apenas à história
desse núcleo familiar, mas está
conectada com a história de Israel. E a
história de Israel está conectada com a
história de todos os outros povos.
E a história de todos os outros povos
mostram pra gente que essa é a história
do próprio Deus na relação com a sua
criação.
Nos mostra que a sua história enquanto
mãe, a história que você constrói na
relação com os seus filhos e a dedicação
que você derrama, que você eh aplica aos
seus próprios filhos, essa história é a
história do próprio Deus.
Deus vive pelo rosto, pelas mãos, pelos
membros de milhões, de bilhões de
pessoas, de todas as suas criaturas.
Essas são histórias de rebelião e de
arrependimento.
Essas são histórias de obediência
e são histórias de recusas absolutas em
relação ao seu criador.
Mas no fim das contas, a história de
todas as criaturas constitui a história
do próprio Deus. E aquilo que você faz
enquanto mãe define em boa medida
parte fundamental da história do próprio
Deus. É isso que ele permitiu que a
gente percebesse que estava fazendo
através da vida de João Batista, através
da vida de Isabel. É isso que a gente
encontra na história de Maria. A gente
não tem simplesmente a história do
Messias, de Jesus, mas a história de um
Messias que foi concebido a partir de
uma mulher. A gente não tem a história
apenas de João Batista, mas a gente tem
a história de Isabel. A gente não tem a
história apenas de Samuel, a gente
também tem a história de Ana. A história
de Deus é construída por meio da vida e
da fidelidade da história das mães.
Aquilo que você faz recebe diretamente
da mão de Deus. uma grande dignidade e
um grande valor. E saindo desse momento
em que a gente tá olhando para as
palavras do anjo Gabriel para Zacarias e
indo para o final dessa narrativa,
em Lucas 1:24 e 25, a gente encontra a
resposta de Isabel a esse ato miraculoso
que Deus faz em favor dessa mulher. E o
que a gente percebe é que os versículos
24 e 25 são o clímax da narrativa a
respeito da história de João Batista. O
ponto mais importante da história do
nascimento de João Batista não se
encontra na revelação do anjo Gabriel,
não se encontra na resposta de Zacarias,
se encontra na resposta de Isabel.
A parte mais importante nessa história
não está associado ao pai, mas a maneira
como a mãe responde a tudo isso. O que é
que chama a atenção da gente nessas
palavras e nessa reação de Isabel? Chama
a atenção da gente o contraste entre a
aceitação sem resistência de Isabel em
relação à aquilo que Deus falou que ia
fazer e de fato fez na vida de Isabel
com uma resposta reticente, com uma
resposta medrosa e uma resposta cheia de
desconfiança por parte de Zacarias.
Enquanto Isabel reconhece a mão e a
presença de Deus em tudo aquilo que
estava acontecendo na vida daquele
casal, Zacarias questiona o anjo e
pergunta: "Como é que isso seria
possível? Como é que algo assim poderia
acontecer, já que ele é um homem idoso e
a sua mulher também já não tem mais
condições de conceber um filho, uma
criança. Esse contraste entre a resposta
de Isabel e a resposta de Zacarias
apresenta na narrativa de Lucas uma
questão para o próprio leitor e uma
questão
para o povo de Israel de como é que esse
povo e como é que nós que estamos lendo
e ouvindo essa história vamos responder
a esse ato de intervenção, a esse ato de
libertação que Deus estava trazendo pro
seu próprio povo. a gente vai se
assemelhar e se aproximar da resposta
retiscente de Zacarias, ou nós seremos
assim como Isabel, esses exemplos de
homens e mulheres que depositam
completamente a sua confiança que Deus
está presente nessas coisas, que ele é
quem era responsável por tudo isso que
estava acontecendo e que responderia com
grande júbilo, alegria diante dessas
coisas.
Não é a última vez em Lucas e também em
Atos, o livro escrito pelo mesmo autor,
que uma mulher será evidenciada como
alvo da bênção divina, ao mesmo tempo
que é retratada como modelo de
fidelidade ao propósito de Deus. Várias
vezes esse grupo que muitas vezes era
colocado em segundo lugar para dizer o
mínimo, é retratado, na verdade como as
pessoas de quem surge a resposta que
Deus esperava dos homens, dos líderes,
do povo de Israel como um todo e que
está retratado em uma mulher, em uma
mãe. Essa é a primeira vez que aparece
no Evangelho de Lucas, mas certamente
não é a última vez. A maneira como
Isabel reage à gravidez é muito
semelhante, como a gente colocou, a
maneira como Raquel
reage a essa gravidez. E uma das
consequências de ela ter recebido essa
graça da parte de Deus é que ela fica 5
meses reclusa. Por que é que Isabel fica
5 meses dentro de casa? E uma coisa que
olhando para vários comentaristas, eu
percebi vários estudiosos do texto de
Lucas, é que ninguém sabe com certeza.
Ninguém sabe ao certo porque Isabel ela
se afasta da convivência com outras
pessoas e permanece dentro de casa
durante esses 5 meses. Mas algumas
possibilidades me parecem ser muito
razoáveis. Primeira coisa é
Isabel era uma mulher idosa. Isabel já
não tinha mais condições de ter filhos.
pelas eh explicações e pelas condições
naturais do seu corpo. E ela
provavelmente teve toda a cautela
possível quando ela percebeu que recebeu
a graça por parte de Deus de se tornar
mãe gestante em idade avançada. Então,
não existia ultrassom, não existia
internação hospitalar, não existiam
várias eh medidas cautelares que a gente
pode utilizar para verificar a saúde de
uma criança e de uma mãe hoje no tempo
de Isabel. Então, acho muito razoável
que Isabel tomou todo o cuidado para ter
certeza de que ela estava zelando e se
protegendo de qualquer adversidade nesse
período da gestação. Uma outra coisa
relacionada a esse primeiro ponto é
Isabel sabia qual era o significado do
filho que ela estava gestando. Isabel
sabia que o seu filho não era
simplesmente uma resposta de Deus para
sua própria necessidade, mas João
Batista desempenharia um papel
fundamental na história de Israel e por
isso mais um motivo para ela ser muito
cautelosa durante o período dessa
gestação. Uma outra possibilidade é que
a gente percebe que Isabel sofria
humilhação no convívio com outras
pessoas pelo fato de não poder gerar
filhos. Então, de certa forma, se
reservar do convívio, se afastar do
convívio eh com outras pessoas durante
esses 5 meses, talvez fosse uma forma de
que ela pudesse
desenvolver aquela gestação, a tal ponto
de que quando ela novamente saísse de
casa e entrasse no convívio com as
outras pessoas, ficasse evidente que a
causa da sua humilhação já não
permanecia mais com ela. Ela agora era
uma mulher que gestava e que tinha
recebido essa graça de Deus. E por isso
Deus havia revertido a sua humilhação em
um grande motivo de orgulho e de
gratidão diante de Deus.
>> [suspirando]
>> E o que a gente percebe que muito mais
importante do que encontrar os motivos
pelos quais Isabel ela ficou reclusa
durante esses 4 meses, é perceber a
maneira como Isabel expressa o seu
sentimento diante das coisas que estavam
acontecendo com ela. O Senhor desfez a
minha humilhação. Novamente a gente
volta pra pergunta que eu fiz e que eu
não respondi diretamente.
É que gerar filhos era sinal de honra e
por é que não gerar filhos era sinal de
deshonra? [roncando]
Aquilo que a gente encontra eh
explicitamente e implicitamente na
palavra de Deus é que gerar filhos é uma
grande dádiva que Deus deu para não só o
seu povo, mas o povo de Israel no Antigo
Testamento, mas que Deus deu para a
condição humana de partilhar junto com o
Criador da parte mais importante
do seu ato criativo nos sete dias
iniciais da criação.
Deus cria todas as coisas e a última
coisa que ele decide criar é o ser
humano, homem e mulher.
E com essas criaturas, Deus decide
compartilhar essa dádiva de poder gerar
outras criaturas que são feitas a sua
imagem semelhança. Então, se a gente
percebe que Deus faz o homem a sua
imagem e semelhança como a coroa sobre a
criação, como a parte mais importante
desse surpreendente, desse eh quase
aterrador ato criativo e poderoso por
parte de Deus,
ele agora se volta para essas criaturas
e permite ao homem e a mulher partilhar
com ele desse grande prazer e desse
grande poder. poder de gerar novas
criaturas, de ser coparticipantes com
Deus no ato de criação.
E se isso é uma coisa que Deus permite a
todos os povos fazerem, a todo homem e
mulher a princípio fazer, a gente
percebe que de maneira especial na
história de Israel fica claro que todos
fomos criados em Adão. Mas é por meio de
Abraão que Deus estava decidindo recriar
todas as coisas. Por isso, em especial
para as mulheres de Israel, poder gerar
filhos era poder participar com Deus
desse ato honroso e glorioso de gerar
criaturas que deveriam participar desse
ato de criação, mas de recriação de Deus
em relação a tudo aquilo que foi
comprometido por meio de Adão e por meio
de Eva. Isabel e Maria, João Batista e
Jesus revelam que por esse caminho Deus
decidiu fazer novas todas as coisas.
Deus decidiu, por meio da geração de
crianças trazer esse plano
que atribui sentido e significado para
todas as nossas vidas, de não apenas nos
criar sua imagem semelhança, mas nos
libertar de tudo aquilo que acontece a
partir do pecado e de recriar todas as
coisas, fazer novas todas as coisas. Ele
decide fazer esse grande plano de
salvação possível por meio de vocês
mães, por meio das mulheres, por meio
dos homens que juntamente com suas
mulheres podem gerar filhos. E a
história de Isabel e de Maria, de João
Batista e de Jesus deixam muito claro
que no momento do ato mais importante,
no clímax dessa história toda de
criação, libertação e nova criação, se
encontra o ato de gerar filhos, se
encontra a dádiva de ser mãe, de ser
pai, de poder trazer à existência uma
nova criatura, uma nova pessoa.
Por isso que a maternidade é um presente
divino
e a maternidade é algo que carrega
consigo algo muito mais valioso do que
simplesmente um desejo profundo do
coração humano. A maternidade é aquilo
que Deus permite a você
desfrutar. A maternidade é uma vocação
que Deus chama a você, mãe, a cumprir
com todo zelo e com toda
responsabilidade, porque a maternidade,
de certa forma, é uma participação muito
importante
no ato de Deus de criar todas as coisas,
de libertar todas as coisas e de fazer
novas todas as coisas.
É por meio das crianças, é por meio da
geração de filhos que Deus insere o seu
papel dentro dessa história. É verdade
que existem muitas outras funções e
muitas outras responsabilidades dentro
dessa grande história. Mas hoje, nesse
momento, nesse ato que nós estamos
lembrando daquilo que significa ser mãe
e por que isso era algo tão honroso e
valioso, é muito importante você
perceber isso. Você está construindo a
história do mundo que Deus criou, do
mundo que Deus libertou e dessa nova
criação que Deus está realizando. Por
isso a exclamação de Isabel: "O Senhor
olhou favoravelmente para mim. O Senhor
desfez a minha humilhação. Era
humilhante para Isabel, porque era eh
não poder gerar filhos, era era ser
colocada de lado desse dessa
participação no grande ato de Deus de
fazer todas essas coisas, inclusive por
meio das mulheres, inclusive por meio
das mulheres que geravam os seus filhos
nesse grande ato de redenção, de criação
por parte de Deus. Ela não podia
experimentar o que era participar dessa
história enquanto mãe. Poderia
participar de outras formas, mas não
enquanto mãe. E no momento em que Deus
se volta para Isabel, no momento em que
Deus olha favormente para Isabel, no
momento em que Deus lembra de Isabel,
ela finalmente pode exclamar com grande
alegria e com total convicção. Isso é
obra do Senhor.
O Senhor olhou favoravelmente para mim.
Eu já não estou mais de lado dessa
história das mulheres que podem gerar um
filho e por meio dos seus filhos trazer
a grande bênção de Deus sobre os povos.
Isabel, se não sabia naquele momento,
passou a saber muito pouco tempo depois
que essa não seria uma missão fácil, que
essa não seria uma missão marcada
simplesmente pela alegria e pelo prazer
de ter recebido essa bênção por parte de
Deus, mas era uma vocação que envolveria
muito sofrimento. Mas eu tenho certeza
que
Isabel conservaria em seu coração essa
convicção de que ser mãe era mais do que
um desejo, era mais do que uma
necessidade, era uma missão que Deus
tinha dado para ela e que era uma missão
completamente revestida de glória e de
honra. para usar a expressão do Salmo 8,
porque a vida que se tornou, a vida do
seu filho, a vida de João Batista,
[suspirando] foi uma história marcada
por momentos muito gloriosos, momentos
eh de grande realização e momentos de
uma dor profunda. Fico pensando o que é
ter sido para Isabel, a mãe do João
Batista, a respeito de quem Jesus falou
que dentre os nascidos de mulher não se
encontrou homem maior do que João
Batista. Ouviu isso da boca de Jesus?
O que é ter sido testemunhar
o batismo do Messias, do grande
libertador enviado por Deus, daquele que
ela mesma, Isabel, muito provavelmente
veria a perceber e que testemunhou antes
do nascimento de Jesus, na verdade, que
era o próprio Deus encarnado,
esse homem sendo batizado pelo seu
filho. O que deve ter sido para Isabel
perceber a grandiosidade que estava
acontecendo no seu tempo, na sua época,
por meio do seu filho, quando João, João
Batista batiza o próprio Jesus.
O que deve ter sido para Isabel a
realização e o prazer de ter visto
homens e mulheres de todos os lugares e
de todas as condições dentre o povo
judeu, vindo ao deserto para serem
batizados por meio de João Batista, com
esse batismo de arrependimento, sendo
preparados para o momento da libertação
de Israel. O que deve ter sido para
Isabel ver o seu filho sendo bênção para
todo o povo de Deus?
E aquilo que muito em breve ficaria
claro para ela também que era bênção
para todos os povos da terra. Mas ao
mesmo tempo eu fico pensando na dor que
foi para Isabel. Nós não sabemos ao
certo, mas muito provavelmente Isabel
ainda estava viva
quando seu filho foi decaptado e morto
por conta de uma mulher cruel e de um
governante Nico. O que deve ter sido a
dor de Isabel
v o seu filho que por tanto tempo foi
motivo de choro.
A inexistência daquela criança foi
motivo de dor diante de Deus. A bênção
que foi aquela criança que se
transformou numa alegria, num júbilo,
num prazer que ela provavelmente não
conseguia nem expressar com toda a força
das suas palavras, mas que ela
apresentava em sua oração diante de
Deus, sendo morto daquela maneira.
Novamente, a gente não sabe se Isabel
testemunhou isso. Ela já era idosa
quando ela concebeu aquela criança e a
gente não sabe quanto tempo ela
permaneceu viva. Mas se ela tiver
testemunhado esses fatos, qual foi a dor
dessa mãe? Ver que esse foi o fim, pelo
menos naquele corpo do filho que ela
tanto esperou.
O que nós sabemos é que Isabel sabia
desde o princípio que o seu filho e a
sua criança não era para satisfazer o
desejo do seu coração, não era para
satisfazer a necessidade do seu coração.
A gente sabia que o seu filho tinha sido
concebido por Deus, tinha sido dado por
Deus para cumprir uma uma missão diante
do próprio Deus em favor de muitas
outras pessoas.
O seu filho era uma bênção de Deus que
deveria
se transformar e resultar em louvor ao
próprio Deus.
E quanto a isso, certamente Isabel
morreu, tendo certeza que o seu filho
fez e cumpriu nos dias em que ele
realizou o seu ministério como um
profeta. Depois de tantos anos, sem
nenhum profeta sendo enviado a Israel
por parte de Deus, João Batista foi um
profeta em nome de Elias, com o poder de
Elias, aquele que deveria anunciar as
coisas que Deus estava prestes a fazer.
Por isso eu tenho certeza que Isabel,
com toda a dor que ela enfrentou no seu
na sua tarefa, no seu ofício de ser mãe,
ela morreu com essa convicção. O meu
filho cumpriu a sua missão.
Fez sentido. Todo tempo que eu orei,
todo o tempo que eu
tive dor e expressei a minha necessidade
diante de Deus, fez sentido todas as
lágrimas que eu derramei em favor desse
filho ou para que ele viesse a existir.
E fez sentido todo o meu esforço de ter
criado, de ter eh de alguma maneira me
humilhado diante de Deus e ter sido
humilhada pelo povo por não ter uma
criança. Dessa maneira eu gostaria que
você também, mãe, hoje pensasse naquilo
que é a dádiva, naquilo que é a glória
que você recebeu em ser mãe. a
participação que você tem no ato de Deus
de criar e de recriar todas as coisas
pelo caminho da geração, do filho que
você pôde gerar, da filha que você
trouxe a luz e que tem criado, mas que
você continuasse a exercer essa vocação,
que você permanecesse
convicta de que todo o esforço que você
realiza
tem um significado muito maior do que
simplesmente a bênção ou a adversidade
que vem por meio dessa responsabilidade
que você possui enquanto mãe. Eu oro ao
Senhor para que ela, para que ele dê
clareza a você do valor que é poder
cumprir essa missão, do valor que o seu
filho, que a sua filha, que os seus
filhos ou as suas filhas
possuem em trazer bênção para todas as
pessoas, ainda que isso envolva em
muitos momentos sacrifício da sua parte,
dor em relação à sua condição de mãe, ou
que isso envolva o sacrifício e a dor
dos seus próprios filhos. Essa é uma
missão que não é fácil, mas certamente
ela é revestida de glória e honra. Por
isso, mais uma vez, eu agradeço muito a
Deus pelo fato de ter tido uma mãe que
me abençoou tanto desde da minha
concepção, do meu nascimento, todas as
oportunidades que ela abriu mão para me
criar, para me eh
permitir me desenvolver sendo amado e
cuidado da forma como ela me amou e
cuidou. Eu agradeço a Deus pela vida da
minha esposa, que tem sido também essa
mãe que se sacrifica muito mais pela sua
própria filha do que em favor dela
mesmo. E eu agradeço a vida de você,
mãe, que está assistindo essa mensagem,
que com certeza já dedicou muito do seu
tempo, da sua energia, muito daquilo que
era a vida que você poderia estar tendo
de maneira muito mais, talvez,
confortável para que o seu filho, para
que a sua filha pudesse crescer enquanto
um filho que é amado, uma filha que é
amada e que vai se transformar em bção
pra vida de muitos outros. Deus abençoe
a sua vida e eu espero que a história de
Isabel também seja a sua história e a
história de João Batista seja a história
dos seus filhos e das suas filhas.
>> [música]

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