Makários – Romanos | A. 22 | O amor que cumpre a Lei (Rm 13.1-14) | Ákilla Nascimento
15/05/2026
Makários – Romanos | A. 22 | O amor que cumpre a Lei (Rm 13.1-14) | Ákilla Nascimento
O amor que cumpre a Lei
Rm 13.1-14
Ákilla Nascimento
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เฮ [música] >> [música] [música] >> เ Muito boa noite para todo mundo que já chegou aqui paraa nossa aula do curso Macários. Bem-vindo, bem-vinda para nosso 22º encontro desse módulo. Se você tá caindo de para-quedas aqui agora, essa aula 22 de um módulo de 26 aulas a respeito do texto de Paulo aos Romanos, mas esse é um módulo que faz parte de um curso maior que começou no ano passado. Essa aula está indo ao ar no dia 14 de maio de 2026. Mas esse módulo faz parte de um curso que começou em 2025, que teve três módulos. Eh, constituindo a fase básica do nosso curso de teologia, nós iniciamos em 2026 esse módulo avançado no texto de Romanos e nós estamos concluindo nas próximas semanas, como eu disse, 26 aulas, eh esse nosso módulo de interpretação, até certo ponto, uma exegese do texto de Romanos, do capítulo 1 até o capítulo 16. Então, muito bem-vindo você que tá acompanhando a gente desde o começo. Muito bem-vinda a você que tá chegando aqui agora. Em qualquer um dos casos, nós esperamos poder caminhar com você hoje ao longo do texto de Romanos, capítulo 13. Eh, esse já é a o quarto bloco da carta aos Romanos, que é dividido em quatro partes. E esse é o segundo capítulo do quarto bloco. Então, nós temos o capítulo 1 até o capítulo 4, capítulo 5 até o capítulo 8, o segundo bloco, capítulo 9 até o capítulo 11, o terceiro bloco, o capítulo 12 até o capítulo 16, esse último bloco. E esse provavelmente é um dos textos mais agradáveis de se ler, porque nós estamos Brasil, estamos no Brasil em ano eleitoral e nós temos uma das cargas tributárias mais eh assim inspiradoras do ponto de vista da proporção entre renda alcançada e dinheiro público bem aplicado eh diante de uma população nada desigual. Por isso lê o texto de Romanos, capítulo 13. É muito fácil, muito simples, como vocês vão ver, ainda mais num contexto em que nós estamos lidando com a realidade de polarização política acentuada. Lê as palavras de Paulo em Romanos capítulo 13 é bastante desafiador entender o que é que o apóstolo de fato está querendo dizer com esse lance de toda a autoridade política. Fica muito claro que o contexto é de tratar a respeito das autoridades políticas. Toda autoridade é instituída por Deus. Isso quer dizer o quê? Quais são as implicações que isso possui para a o posicionamento cristão diante da realidade que a gente precisa lidar? De a exercer a nossa responsabilidade física, de interpretar os eventos que acontecem ao nosso redor e também de exercer influência, né? Novamente dentro do nosso contexto, o Brasil hoje é um país com pelo menos 1/3 da população professando uma fé cristã evangélica e a maior parte do restante da população é cristã católica ou cristã não associada a qualquer denominação. E por isso essa relação entre cristianismo, interpretação bíblica, Romanos capítulo 13 e a o exercício do poder do ponto de vista político é algo que tem bastante relevância. Nós não vamos responder todas as questões que envolvem esse tema apenas analisando esse texto, mas esse texto é um dos textos mais importantes pra gente compreender a questão. E nós então damos boas-vindas mais uma vez a todos e já iniciamos com todas essas provocações no intuito de justificar por é que a aula de hoje tem tanta pertinência. Obviamente que não tem a ver com os meus bons argumentos, mas com os argumentos que a gente encontra em Paulo e na expectativa de que nós possamos entendê-los adequadamente. Vou dar o boa noite aqui diretamente para quem já chegou, interagiu no chat. a Fernanda, a Sandra, o Paulo, a Elis, a Terezinha, a Mari Luci, o Manuel, a [roncando] o pastor Cláudio Homero, todos são muito bem-vindos também, quem vai chegar mais tarde ou quem vai assistir essa aula em algum ponto do futuro. Vamos compartilhar aqui nossa apresentação. Romanos capítulo 13, o título da nossa aula que você já viu aí no título que a gente também colocou no vídeo do YouTube, o amor que cumpre a lei. Romanos capítulo 13. Eh, e a gente vai varrer o capítulo completo, versículo 1 até o versículo 14. Ah, vamos lá começar lendo o texto. Eu estou usando aqui a nova versão internacional NVI. Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus. Olha a afirmação categórica de Paulo. Pois não há autoridade que não venha de Deus. As autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu. E aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem e ela o enaltecerá, pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça, para punir quem pratica o mal. Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também porque mas também por questão de consciência. É por isso também que vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho. Deem a cada um o que lhe é devido. Se imposto, imposto. Se tributo, tributo. Se temor, temor. Se honra, honra. Não devam nada a ninguém, a no seu amor de uns pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem cumprido a lei. Pois estes mandamentos não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás e qualquer outro mandamento. Todos se resumem neste preceito. Ame o seu próximo como a si mesmo. O amor não pratica o mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento da lei. Façam isso compreendendo o tempo em que vivemos. Chegou a hora de vocês despertarem do sono, porque agora a nossa salvação está mais próxima do que quando cremos. A noite está quase acabando, o dia logo vem. Portanto, deixemos de lado as obras das trevas e revistamos-nos da armadura da luz. Comportemo-nos com decência, como quem age à luz do dia, não em orgias e bebedeiras, não em imoralidade sexual e depravação, não em desavença e inveja. Ao contrário, revistam-se de Jesus Cristo e não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne. Ah, existe uma realidade muito fácil de ser percebida eh na nossa eh postura e na nossa inclinação de avaliar os nossos próprios governantes democraticamente eleitos. Estou aqui analisando o contexto que não era o de Paulo, mas é o nosso contexto, que vivemos em uma democracia. Eu estou partindo do ponto de vista de que o nosso sistema democrático, na escolha dos nossos governantes funciona ou, ou seja, é legítima a presença daqueles governantes nas instituições e nas funções que eles ocupam. Existe uma inclinação muito fácil de ser percebida de um grande descrédito por parte desses governantes e ceticismo por parte do cidadão comum do eleitor. Em muitos países democráticos, os cidadãos tornaram-se cínicos quanto aos seus representantes eleitos e essa atitude [limpando a garganta] se estende cada vez mais a outras instituições públicas, como por exemplo, o papel da polícia. o papel da Receita Federal, o papel do sistema judiciário. Muitos cristãos consideram os governantes corruptos e desumanos e vem como responsabilidade sua fazer uma oposição enérgica, independente do que a Bíblia esteja dizendo diretamente sobre a questão. Os cristãos sentem essa indignação e essa convocação a uma confrontação da injustiça, independente dos meios em que isso possa acontecer, o que é uma resposta muito perigosa e em muitos momentos que levou a posturas equivocadas em lutar contra o problema certo da forma errada. Paulo escreve o que escreve no capítulo 13 de Romanos, por mais difícil que seja digerir o que Paulo está afirmando aqui, ele escreve isso dentro de um contexto de grande corrupção. É, não era uma democracia, era um império, não era qualquer imperador que estava governando, era Nero, que foi conhecido como um dos imperadores mais cruéis que passaram pela história do Império Romano, em especial quando a gente considera o papel que Nero teve em estabelecer uma ah estabelecer uma uma visão popular, uma visão eh difundida dentro do império. de forte antipatia e resistência em relação aos cristãos. Então, a gente está falando de uma palavra, de um apóstolo que faz parte de um grupo que não é bem visto, seja pelos gentios romanos, seja pelos judeus, seja por qualquer outro grupo social. Paulo faz parte desse grupo em um momento eh de um poder impositivo, que é o poder imperial, sendo governado por um sujeito bastante corrupto e pouco eh favorável em relação ao grupo de cristãos que habitava e era obviamente um grupo minoritário na capital do império que era a cidade de Roma. Então Paulo está escrevendo dentro desse contexto, Paulo sabia o que era viver diante de um contexto desfavorável em relação aos governantes. Ele não está falando o que está falando apenas para manutenção de uma relação política favorável aos cristãos. Não é esse o cenário. O que é então que justifica a postura de Paulo de legitimar todo o poder político, pelo menos dentro do contexto em que ele estava, como uma autoridade que foi instituída pelo próprio Deus. Se a gente olhar no capítulo 12, a aula passada que foi a realizada pelo professor de Leão, você vai encontrar a partir do versículo 20 o seguinte: ao contrário, se o seu inimigo tiver fome, dele de comer, se tiver sede, dele de beber, fazendo isso, você amantoá brasas vivas sobre a cabeça dele. E um pouco antes, no versículo 19, ele afirma: "Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois se está escrito: "Minha é a vingança, eu retribuirei". Então Paulo acaba de proibir no capítulo 12 a vingança pessoal aos cristãos. Isso não significa que Deus não se importe com o mal, nem que o queira, nem que Deus queira o colapso da sociedade, como se a Bíblia ou o próprio apóstolo Paulo não tivesse nada a afirmar a respeito a a respeito da maneira como os governantes deveriam se portar e a respeito da maneira como os cristãos deveriam reagir frente às injustiças evidentes que esses governantes realizam. no exercício do seu poder e da função, seja o exercício do poder dentro de um contexto imperial, seja ainda mais no nosso contexto contemporâneo, em que muitas das sociedades ocidentais são democracias. Mesmo quem odeia a polícia ou o sistema judiciário, deseja uma autoridade que encontre culpados e administre justiça no momento em que a própria pessoa que tem uma opinião desfavorável em relação a essa instituição ou a essas instituições, ela é prejudicada porque foi furtada, porque eh não teve um contrato eh sendo obedecido e respeitado dentro das condições que a legislação prevê, porque de alguma forma ele sente que aquele que tem força exerce o seu poder simplesmente porque tem poder e precisa ter uma autoridade à qual recorrer, para que a justiça, para que o equilíbrio entre as partes que vivem em comum dentro da sociedade, para que esse equilíbrio seja restabelecido. Então, o que Paulo está argumentando aqui é em relação a esse senso de ordem para a qual toda a autoridade é estabelecida. Paulo argumenta que os cristãos já considerados, que já eram considerados a escória, o povo mais mal visto dentro do seu contexto, eles já eram vistos de forma negativa. Eles não precisavam arrumar para si outros problemas. Eles não precisavam acrescentar a essa reputação a reputação de subversores da ordem pública. Então, o argumento principal pra gente entender o que Paulo está afirmando nesses primeiros versículos, do versículo 8, em especial até o versículo 10, é entender que Paulo está querendo associar os cristãos a uma ordem pública. É para isso que os governantes servem. Paulo não está comentando o que é que os cristãos devem fazer quando os governantes confrontarem ou exigirem a negação da sua fé quando os governantes extrapolarem os limites do poder que eles devem exercer quando os governantes agirem de forma injusta. O que Paulo está argumentando aqui é: "Toda autoridade é estabelecida por Deus para estabelecer ordens sobre a sociedade. Por isso, sujeitem-se a essas autoridades. A autoridade exercendo seu poder da forma adequada e devida, não porta a espada sem motivo. Uma sociedade em que as autoridades exercem o seu poder da forma como elas devem exercer o seu poder. não gera no cidadão que age de forma correta o medo de ser punido por um crime que ele não cometeu. Então, aqueles que se portam corretamente são devidamente protegidos por essas instituições e por essas autoridades. Agora, muitos cristãos poderiam entender aquilo que era a pregação do evangelho, como professinado por Paulo como uma convocação, a insubordinação a todos os senhores da terra. Por quê? Porque a todo momento Paulo está reforçando que Jesus é o único que é verdadeiramente, Senhor, com autoridade última e absoluta sobre toda a criação e sobre todos os povos da terra. Então, uma linha de raciocínio muito lógica, ainda que equivocada, seria por eu devo me submeter a Roma, a César, a Nero, se na verdade eu acredito que aquele que é o meu Senhor é Senhor sobre todos os homens, é Senhor sobre todas as nações. Por que é que eu devo pagar impostos se na verdade a única coisa que eu devo é tudo que tenho e que sou? a Deus, ao Senhor Jesus Cristo, que é dono da prata e do ouro de todas as nações e de toda a criação. E Paulo está colocando eh um forte limite nessa linha de interpretação do evangelho que ele mesmo pregou, que é não é assim que as coisas funcionam dentro do mundo e da era ou das eras em que nós habitamos. Nós estamos nesse momento de inauguração e de espera, aquilo que a gente já afirmou em vários momentos do já e do ainda não. É verdade que chegará o momento em que toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor. Todo joelho se dobrará diante do único e verdadeiro Deus revelado na pessoa de Jesus Cristo. Mas esse não é o nosso contexto. Existem expectativas, existem formas de procedimento e de relacionamento dentro da sociedade que são conflitantes entre si. É preciso estabelecer uma autoridade que limite os poderes dessas partes. E por isso aquilo que nós fomos chamados a fazer e a realizar enquanto uma revolução dentro desse mundo, não se faz e não se estabelece como eh subversores da ordem social, como pessoas que se eh insurgem contra toda a ordem estabelecida que não seja a ordem diretamente da pessoa de Jesus Cristo. E é por isso que Paulo está dizendo que a autoridade vem do próprio Deus verdadeiro. Então, se nós somos essa comunidade revolucionária, nós precisamos entender quais são as implicações da revolução, a natureza da revolução que Jesus estabelece a partir da sua vida, morte e ressurreição. E quais são as consequências disso para a postura dos discípulos de Jesus, dos cristãos dentro desse contexto conflituoso e tenso em que nós vivemos. Primeira parte é aquilo que nós já afirmamos em mais de um momento da nossa conversa, autoridade civil. Os governos foram instituídos para Deus para que o mundo seja cordeiro e não caótico. Imagine a realidade em que o mal, a morte e o o pecado se fazem presente e muito perceptíveis, muito palpáveis, sem que houvesse qualquer limite de autoridade imposto pelo sistema judiciário, imposto pela polícia, imposto por outras instituições que pudessem limitar a progressão desse mal. Nós não tenderíamos a ser uma sociedade mais harmoniosa. Não tenderíamos a uma a uma construção de uma civilização mais madura e avançada, mas pelo contrário, pela descrição bíblica e conhecendo o mal que habita não apenas no mundo, mas dentro de mim mesmo, [roncando] eu posso facilmente perceber como as coisas seriam muito mais anárquicas no sentido negativo da palavra anarquia. muito semelhante ao que a gente encontra na descrição do livro de Juízes, talvez fazendo um paralelo muito grosseiro, porque eu sei que os contextos são muito diferentes, mas no sentido de que cada um faz conforme o seu próprio juízo de certo e errado, sem uma preocupação com o seu próximo, sem uma preocupação com o estabelecimento de uma ordem pública. Por isso, a autoridade civil é uma necessidade. Os cristãos devem se submeter a essas autoridades. Óbvio que isso não valida todas as coisas. Isso não valida todas as atitudes de todos os governantes, de todos os sistemas político-econômicos. Isso não validações específicas de governos, apenas afirma que sempre será necessário algum tipo de governo. Isso é tão interessante que até dentro da realidade escatológica de uma nova criação, existe ainda um senso de ordem que é estabelecido a partir de uma presença de autoridade absoluta, que é a presença do próprio Deus e do cordeiro. Isso estabelece pra nova Jerusalém a ordem que ela deve assumir. Na verdade, a ordem da nova criação é interpretada como uma consequência da presença gloriosa do próprio Deus dentro dessa cidade jardim. Então, de alguma forma, autoridade, ordem e poder, não apenas para para limitar a progressão do mal, mas para manifestar beleza, poder e glória, é algo que extrapola a realidade do pecado. [roncando] Cooperação prudente. Paulo não quer que seguidores de Jesus provoquem conflitos necessários com senhores menores. O que é que estamos chamando de senhores menores? O presidente do Brasil, o governador do estado de São Paulo, o presidente dos Estados Unidos, o primeiro ministro ou a primeira ministra do Japão. Todas essas grandes autoridades políticas dentro da perspectiva são senhores menores. Por quê? Porque nós acreditamos que o quero, Senhor, o governante sobre todas as coisas, em última instância é o próprio Jesus Cristo. Isso não significa que esses governantes estão absolutamente desautorizados, mas sim que eles estão debaixo daquilo que é o governo e o domínio do próprio Senhor Jesus Cristo. E a ele todos os governantes prestarão contas, assim como todos nós seremos chamados a prestar contas do ponto de vista individual, todos os governantes que exerceram poder em qualquer contexto, em qualquer momento da história, país ou condição e situação, prestarão contas daquilo que foram as suas atitudes e decisões diante do próprio Senhor Jesus Cristo. Por isso, nós não devemos nos insurgir contra essas autoridades. Se optarem pela violência, como muito provavelmente muitos cristãos foram tentados a agir no primeiro século, eles estariam jogando o próprio jogo do Império Romano e o Evangelho é que perderia dentro desse conflito. Por quê? Porque essa é a forma como Roma adquiriu poder. A maneira como a o império romano se estabelece é por meio da espada. A maneira como a besta conquista o seu poder no apocalipse é por meio da propaganda e do militarismo. Não deve ser assim entre vocês. Palavras de Jesus para os seus discípulos. Aquele que quiser ser o primeiro ou maior no reino dos céus deve servir a todos. deve se colocar como servo de todos os outros. Então, a gente de fato tem uma comunidade revolucionária. A gente tem a compreensão e convicção de que todos os governantes da terra são senhores menores, momentâneos e de influência muito limitada, que todos eles vão ser julgados pelo próprio Senhor Jesus Cristo, mas nós reconhecemos o papel importante que eles exercem no tempo presente. Nós devemos procurar uma relação de submissão, de harmonia e de estabelecimento de ordem dentro da sociedade no tempo presente. E por trás do raciocínio de Paulo está uma tradição muito mais antiga que nós encontramos no Antigo Testamento. E a própria história do povo de Israel, conforme citado no texto bíblico, dá testemunho disso, que é a gente encontra povos pagãos, povos que têm, a partir das profecias que são dadas para os profetas de Israel, a garantia de que eles serão julgados e condenados pelo próprio Deus. Nós temos nesses povos pagãos o próprio instrumento de Deus para trazer juízo e ordem ou o tipo de ordem que Deus queria estabelecer sobre o próprio povo de Israel. Qual era o conflito? O povo de Israel acreditava, pelo menos aquele que era o remanescente fiel de Israel. que mesmo fora daquilo que a gente poderia considerar remanescente fiel de Israel, essa convicção de que o Deus que eles adoravam era o único Deus verdadeiro. A história das convicções do povo de Israel não é uma história tão simples, mas eu estou considerando aqueles dentre o povo de Israel que acreditavam de fato que Yahé era o único Deus verdadeiro, criador dos céus e da terra. E eles acreditavam que todos os outros povos, povos pagãos, adoravam a deuses falsos. Logo, o conflito entre Israel, que adorava e era de certa forma validado por esse Deus verdadeiro, recebia a sua autoridade e o poder enquanto povo a partir desse único Deus verdadeiro, sempre deveria ser um conflito que traria vitória para Israel, porque Deus estava com o povo de Israel. Quando a gente encontra dentro da revelação que Deus dá aos profetas naquilo que ele estava fazendo com o povo de Israel, a afirmação que a derrota que eles sofreriam para os assírios, o domínio que viria por meio dos persas, o domínio que viria por meio da Babilônia é instrumento e decisão do próprio Deus. Deus usa os povos pagãos para trazer juízo sobre Israel. E Deus fala que é ele que está fazendo todas as coisas. Isso de certa forma dá um nó na cabeça de um judeu do primeiro século. Ou mais apropriadamente, isso deveria trazer muitos conflitos para um membro do povo judeu que estava prestes a ser dominado pelo império babilônico, como na época das profecias de Jeremias, ou um membro do povo do reino de Israel, como eh a gente encontra profetizado também em Isaías. eh entender que eles são parte do povo do Deus verdadeiro e o Deus verdadeiro está trazendo um povo idólatra, pagão, para fazer justiça diante do pecado do próprio povo de Israel. Mas é essa realidade que está narrada tanto em Isaías capítulo 10 com o caso da Síria, Isaías 45 no caso do rei Siro, e a o próprio domínio da Babilônia, como foi profetizado por Jeremias, você encontra em Jeremias capítulo 29. Paulo se apoia em uma tradição judaica antiga. Mesmo denunciando nações pagãs, os profetas afirmavam que Deus agia através delas. dessas nações, Aíria, Ciro e a Babilônia foram instrumentos de Deus. Essa mesma tensão aparece em João capítulo 19:11, quando Jesus declara a Pilatos que sua autoridade vinha de Deus, mesmo que Pilatos estava estivesse prestes a executar o próprio Jesus. Isso soava como uma piada. Isso soava como algo talvez incompreensível para Pilatos. Ele e ele afirma isso para Jesus. Ele tinha autoridade de mandar não apenas prender e assoritar, mas matar Jesus. Se o Jesus que estava diante da representação do máximo poder e governo da época de Jesus, o representante de Roma diante de si mesmo afirma isso: você é apenas um servo. Você tem a autoridade que tem, dada por Deus e não teria essa essa autoridade se não fosse da vontade de Deus que você tivesse essa autoridade. Por que que isso talvez fosse incompreensível para Pilatos? Porque Pilatos nunca pensou no mundo e na realidade geopolítica, na grandeza e no poder de Roma, como sendo algo que foi dado por parte do Deus do povo de Israel, que foi estabelecido por meio desse povo que foi subjulgado por Roma. Não faria sentido pensar nesses termos. E mesmo desconsiderando todas essas questões, Jesus está dizendo que ele que está prestes a ser morto e executado por decisão de Pilatos, reconhece que Pilatos está fazendo a vontade do próprio Deus, que ele afirma ser filho dele, ou que ele afirma talvez fosse difícil eh para os judeus, quanto mais para Pilatos, pensar em Jesus como sendo filho de Deus naquele momento da história. Mas fica muito claro que Jesus se coloca como aquele que foi enviado por parte de Deus. Ele tá dizendo: "Não, não, você só tá fazendo aquilo que você foi enviado para fazer por parte daquele que me enviou". Então, essa tensão entre povo que não reconhece a Deus, que é idólatra, cumprindo a vontade de Deus, inclusive sobre o povo de Deus e sobre o próprio filho de Deus, que Paulo está apelando nesse momento para dizer: "Nós reconhecemos que é um povo pagão, que é um poder que irá passar. serão todos eles julgados, mas eles possuem uma função e um papel importante no tempo presente. E aí Paulo fala não apenas desse assunto bastante difícil, eh, e polêmico, que é a realidade da autoridade política, mas ele entra no assunto dos impostos e do papel dos cristãos dentro de uma sociedade que tinha uma carga de impostos muito pesadas, muito pesada, em muitos momentos desleais em relação ao cidadão comum. Os cidadões romanos, os cidadãos romanos pagavam impostos diretos e no caso daqueles que moravam na capital do império, na cidade de Roma, também pagavam impostos indiretos. Esses impostos indiretos eram tão impopulares que levaram a revoltas na cidade de Roma. Nero, o governante, na época em que Paulo escreve essa carta, prometeu cancelar, mas nunca cumpriu essa promessa. Paulo se opõe à retenção de impostos. Cristãos já tinham. Paulo se opõe a, perdão, Paulo se opõe à retenção de impostos porque ele reconhece que os cristãos já tinham problemas suficientes por motivos muito mais graves. Então, o que Paulo também está dizendo é: "Não apenas reconheça as autoridades, mas pague os impostos". E aqui ele não tá fazendo distinção de qualquer tipo de imposto. Pague os impostos diretos e pague os impostos indiretos. Seja um bom cidadão. Você já tem problemas sérios demais para resolver apenas como decorrência do fato de que você se reconhece como um seguidor desse rabino judeu Jesus Cristo, que não é apenas um representante do povo judeu, mas que nós alegamos que é Senhor sobre o mundo todo. Isso já traria todo tipo de consequência civil, comunitária, religiosa para os cristãos. Além de todos esses problemas, você não precisa adicionar para si mesmo também a justa [roncando] condenação de que você é um cidadão irresponsável, de que você é um cidadão eh inconsequente em relação à postura das autoridades a não pagar os impostos que todo cidadão deve pagar. Seja um bom cidadão. [roncando] Quando a autoridade erra, naturalmente, essa é uma questão que nós levantamos quando lemos um texto como esse e que a gente pode imaginar que foi uma questão com a qual Paulo se deparou em muitos momentos de uma forma muito concreta, porque a gente precisa parar e pensar mais cuidadosa, mais cuidadosamente sobre isso dentro do contexto de Paulo, antes de chegar a conclusões sobre a nossa própria postura. Paulo escreve que o governo não porta a espada sem motivo. Ou seja, as autoridades políticas, as autoridades civis, elas não condenam injustamente. Mas Paulo foi condenado injustamente. Paulo, ele morre pela espada de Roma e morre a partir de uma condenação injusta que ele sofre em Jerusalém, de ter levado um gentil para a área do templo, que era reservada apenas para os judeus. Esse processo começa em Jerusalém, mas chega até Roma. Nós não sabemos exatamente as circunstâncias em que Paulo foi executado. Existem eh mais de uma, existe mais de uma possibilidade para narrar os últimos anos de Paulo, mas com toda a probabilidade Paulo foi morto e executado na cidade de Roma, que a gente não sabe se ele teve uma libertação entre a primeira prisão, que é muito segura, que ele sofre na cidade de Roma e uma provável segunda prisão sendo executado depois desse segundo momento de encarceramento. De qualquer forma, a gente sabe que Paulo é morto injustamente pela espada de Roma. Não só isso, mas durante o seu ministério, Paulo também foi preso e açoitado em vários momentos, não apenas nas sinagogas, mas também pelas autoridades romanas. Por exemplo, Atos capítulo 16, a gente encontra o seguinte relato. Ah, Paulo, ele foi morto, foi foi preso, perdão, quando ele estava em Filipos e no versículo 31 do capítulo 16 diz o seguinte: "Eles responderam: "Creia no Senhor, aquela situação em que eles oram, Paulo e Silas estão na prisão, as portas do cárcere se abrem, eles são miraculosamente libertos. do carcereiro está prestes a tirar a própria vida, porque ele sabia que ele iria ser morto pelos romanos quando vissem que todos os prisioneiros fugiram. E aí ele pergunta o que deve fazer para ser salvo. E aí Paulo responde, ou eles responderam, Paulo e Silas, creia no Senhor Jesus, que serão salvos você e os de sua casa. E pregaram a palavra de Deus a ele e a todos os de casa. Naquela mesma hora da noite, o ccereiro lavou as feridas deles em seguida, por que feridas? Porque Paulo foi açoitado antes de ser preso. Eh, em seguida, ele e todos os seus foram batizados, então os lavou, os levou para sua casa, serviu-lhes uma refeição e com todos os de casa alegrou-se muito por haver crido em Deus. E aí vem a parte relevante para nossa conversa. Quando amanheceu, os magistrados mandaram os seus soldados ao carcereiro com esta ordem: "Solte estes homens". O cereiro disse a Paulo: "Os magistrados deram ordens para que você e Silas sejam libertados. Agora podem sair, vão em paz". Mas veja a postura de Paulo. Mas Paulo disse aos soldados: "Sendo nós cidadãos romanos, eles nos açoitaram publicamente, sem processo formal e nos lançaram na prisão. E agora querem livrar-se de nós secretamente? Não. Venham eles mesmos e e nos libertem." Os soldados relataram isso aos magistrados, os quais, ouvindo que Paulo e Silas eram romanos, ficaram atemorizados. vieram para se desculpar diante deles e conduzindo-os para fora da prisão, pediram-lhes que saíssem da cidade. Depois de saírem da prisão, Paulo e Silas foram à casa de Lídia, onde se encontraram com os irmãos e os encorajaram e então partiram. Ou seja, diante de uma prisão injusta e sem processo, Paulo não ficou calado e ele não aceitou isso como um ato legítimo por parte da autoridade que foi estabelecida por Deus. Ele sabia que a autoridade foi estabelecida por Deus, mas ele sabia que a autoridade havia extrapolado aquilo que estava em seu poder fazer. Os magistrados prenderam secretamente, açoitaram publicamente, sem qualquer processo formal e depois, na verdade, eles não prenderam secretamente, eles açoitaram publicamente, prenderam injustamente, fizeram tudo isso sem o processo formal e depois queriam soltar Paulo e Silas de forma secreta. Mas Paulo, ele eh faz uso do seu direito enquanto cidadão romano. Essa não era uma categoria que todas as pessoas que habitavam dentro do império possuíam. Cidadão romano, cidadãos romanos tinham direitos especiais e deveriam ser julgados por um conjunto de leis específicas. Paulo provavelmente comprou essa cidadania ao longo de sua vida, ao longo do seu desenvolvimento e não era algo barato. Então Paulo era um cidadão pleno dentro do Império Romano e não deveria ser tratado da forma como foi. [roncando] Ele denuncia isso e ele exige que as autoridades peçam perdão publicamente antes de que eles fossem libertos e prosseguissem com sua viagem. Então, existe uma denúncia da corrupção e do erro político que foi cometido, não só no contexto romano, mas também no contexto judaico, quando Paulo aparece diante do Sinédrio. Atos capítulo 23, Paulo fixando os olhos no Sinédrio, disse: "Meus irmãos, tenho cumprido meu dever para com Deus com toda a boa consciência até o dia de hoje." Diante disso, o sumo sacerdote Ananias deu ordens ao que estavam perto, aos que estavam perto de Paulo, para que lhe batessem na boca. Então Paulo disse: Deus te ferirá, parei de branqueada. Estáis aí sentado para me julgar conforme a lei, mas contra a lei me mandas ferir? Os que estavam perto de Paulo disseram: "Você ousa insultar o sumo sacerdote de Deus?" Paulo respondeu: "Irmãos, eu não sabia que ele era o sumo sacerdote, pois está escrito: "Não fale mal de uma autoridade do seu povo." Eu não sei exatamente em que tom nós devemos ler essa palavra de Paulo no versículo 5, com toda a sinceridade ou com um certo tom de ir. De qualquer forma, enquanto Paulo estava fazendo uso do seu direito à palavra, o sumo sacerdote Ananias dá ordem para que Paulo seja eh deu ordens para que Paulo ah para que batessem na boca de Paulo e aí ele chama o sumo sacerdote de parede branqueada. Claro que parece ser uma atitude impulsiva de Paulo, mas não deixa de ser justa. ele não eh ele não estava sendo tratado de forma honesta e adequada diante do julgamento que ele estava passando no Sinedo. E ele denuncia isso no ato. Então, a postura de Paulo, ainda mais por outras narrativas que não estão ligadas à autoridade política, seja no contexto judaico ou no contexto a no contexto gentílico, no contexto romano, não é de omissão em relação à injustiça, não é de omissão em relação aos equívocos que acontecem tanto da perspectiva teológica, dentro a das comunidades cristãs, na discussão com a comunidade jud judaica, que não reconhecia Jesus como Messias. A gente percebe a imagem de um Paulo que é muito zeloso antes do seu encontro com Jesus e que tem esse zelo reformulado a partir da sua convicção em Jesus como sendo o Messias. E isso também extrapola para aquilo que é a sua compreensão da postura que esse seguidor de Jesus como o Senhor sobre o mundo todo deve ter na sua relação com a esfera pública, política. Lembrando que essas são distinções que não existia no mundo de Paulo, realidade religiosa, política, civil, público, privado. Essas são distinções que fazem muito mais sentido paraa nossa cabeça hoje, mas que estava muito mais integrado, harmonizado, em outros momentos bagunçado na cabeça do primeiro século. As pessoas não entendiam isso como coisas diferentes. Então, esse lance de separar completamente fé e política, eu sou batista, faço parte de uma comunidade batista e sou pastor em uma igreja batista. Eu sei que historicamente nós defendemos a separação entre igreja e estado e há razões para isso. Mas nós precisamos compreender que no primeiro século, no contexto do Novo Testamento, essas não eram distinções que existiam. E as pessoas não pensavam que a sua convocação para ser um seguidor de Jesus não tinha qualquer relação com o que acontecia na sua relação com o Império Romano, na sua vida pública, nos negócios que faziam, na pregação, a na maneira como constituía a sua família, como organizava a todo o exercício da sua fé. Então, Paulo sabia que aquelas pessoas precisavam estar atentas a todo tipo de injustiça que acontecia ao seu redor e denunciar todos os momentos em que as autoridades extrapolavam no exercício do seu poder. Mas a questão é como isso deve ser feito e qual é a postura geral que os cristãos deveriam ter quanto as autoridades e as consequências dessa vida em sociedade, inclusive naquilo que era o pagamento dos impostos. E aí ele vai seguir no versículo 11 a para falar sobre essa metáfora do alvorecer, do despertar. Ele afirma o seguinte em Romanos, capítulo 13, versículo 11. Vou voltar aqui que a gente vai poder ler juntos. Façam isso compreendendo o tempo em que vivemos. Chegou a hora de vocês despertarem do sono, porque agora a nossa salvação está mais próxima do que quando cremos. A noite está quase acabando, o dia logo vem. Portanto, deixemos de lado as obras das trevas e revistamos-nos da armadura da luz. Muitas pessoas quando se deparam com essa expressão, ah, chegou a hora de vocês despertarem do sono, porque agora a nossa salvação está mais próxima do que quando cremos. Acreditam que Paulo está falando sobre essa realidade da segunda vinda de Cristo, da parusia. Mas ah, isso não necessariamente significa que Paulo está falando de um fim do mundo iminente. Ah, por quê? Porque muitos leitores contemporâneos acreditam que a segunda vinda de Jesus significa a destruição do mundo, como nós conhecemos, e um arrebatamento por um tempo indefinido para os céus. Então Paulo, tanto aqui como, por exemplo, em primeira Tessalonicenses, capítulo 4, estaria fazendo referência a esse momento da segunda vinda de Jesus, que colocaria um fim na história, uma destruição do mundo todo e tornaria toda essa conversa a respeito de autoridade, política, povos, impostos, tornaria tudo isso completamente irrelevante. Não é esse o caso, não é esse o contexto do que Paulo está discutindo em Romanos capítulo 13. Qual é o texto que nos ajuda a entender o que Paulo está falando aqui em Romanos 13? Primeira Tessalonicenses, capítulo 5. O que a gente percebe é que Paulo está fazendo um contraste entre a era presente marcada pelas trevas e pelo pecado. E essa nova era que Jesus já inaugurou por meio da sua ressurreição, por meio da sua morte e especialmente por meio da sua ressurreição, que é o que testifica que ele venceu sobre a morte. Se Jesus inaugurou essa nova era, esse novo dia já começou em seu alvorecer. Esse esse despertamento é a atitude e a resposta dos cristãos para um novo dia que já se iniciou com a ressurreição de Jesus Cristo, mas que não chegou na plenitude eh desse sol que começou a despontar no horizonte. Então, aquilo que Paulo está discutindo aqui tem uma relação com a segunda vinda de Jesus, certamente, mas não necessariamente com a destruição do mundo, como nós conhecemos. Essa nova era de Deus já irrompeu e aqueles que seguem Jesus são ordenados a viver agora pelo padrão e mandamentos desse novo mundo. Se a realidade já foi transformada, se esse novo dia já se iniciou, então nós precisamos despertar desse sono e dessa postura inadequada para o novo momento em que nós estamos vivendo e começar a se revestir dessa armadura de luz, como ele coloca também nessa segunda parte do capítulo 13. O dia já despertou, embora a maioria das pessoas ainda não tenha percebido, embora a maioria das pessoas ao nosso redor ainda esteja dormindo. E aí é quando ele vai falar a respeito dessa armadura de luz, desse revestir-se de Jesus, como aparece nos versículos seguintes. Então, como a gente acabou de ler, a gente encontra no capítulo 13, ele diz: "Portanto, deixemos de lado as obras das trevas e revistamos-nos da armadura de luz". E aí ele vai partir para uma série de contrastes. Comportemo-nos com descência como quem age à luz do dia, não em orgias e bebedeiras, não em moralidade sexual e depravação, não em desavença e inveja. >> [roncando] >> Quando a gente olha para essa realidade de precisar ser revestido da armadura de luz, eh, a gente encontra no relato de muitos cristãos práticas diferentes de como eles encontraram uma forma de tornar isso uma prática contínua, uma prática constante. Ah, eu particularmente encontro às vezes muita e dificuldade em tornar essa consciência, em tomar posse dessa realidade que é a vida da eternidade, a vida da salvação como como algo constante. Nós temos momentos em que um lampejo da presença gloriosa de Jesus nos indica o que significa ser parte dessa nova criação. Nós temos alguns momentos mais inspiradores e motivadores que nos mostram o que é ser parte desse novo céu e da nova terra, ser parte desse novo mundo que Jesus iniciou. Mas em muitos outros momentos de normalidade nós encontramos dificuldade de viver de uma forma que seja coerente com esse novo mundo em que nós já fomos inseridos. Mas o que Paulo em vários momentos, inclusive aqui em Romanos capítulo 13, em especial no versículo 12, está afirmando é que isso precisa ser uma postura, uma um desejo e uma busca consciente e constante da nossa parte, que que nos permita fazer disso eh uma transformação de mente. que acontece independente da do desejo e da disposição do nosso coração naquele dia, mas um esforço consciente, tendo vontade ou não, mas um esforço consciente de se lembrar das coisas que nós já fomos convencidos. um esforço consciente de amadurecer a nossa salvação sobre esses fundamentos que já foram lançados em nosso coração, em nossa fé, e que nós acreditamos na realidade que extrapola a nossa própria consciência. Então, por exemplo, muitas pessoas passaram a fazer essa leitura lenta e meditativa de uma parte do evangelho todos os dias, como uma maneira de se revestir do caráter de Jesus. de uma forma que o envolva e o proteja nessa missão de demonstrar o alvorecer dessa nova criação para todas as pessoas que estão ao seu redor. E isso é muito importante porque em vários momentos Paulo está discutindo questões que parecem ser éticas e morais, mas que ele coloca em um nível mais profundo, que é a transformação de caráter da nossa vida em semelhança àquilo que é a vida e o caráter do Messias. Isso não acontece em momentos de inspiração. E isso não acontece nos momentos em que o nosso coração está inclinado a buscar essas coisas. Isso só acontece como um processo contínuo, persistente, que é realizado independente das condições favoráveis que nós temos em um dia e não temos em outros dias. Então, essas pessoas perceberam que essa leitura constante, lenta, meditativa e sempre acompanhada de oração são fundamentais para se revestir dessa nova vida que elas possuem em Cristo. Outras pessoas fazem do batismo esse símbolo, que na verdade é uma ordem de Jesus, uma memória poderosa na transformação da vida que elas têm em Cristo. essa lembrança diária de que elas morreram com Cristo, que o velho homem foi crucificado junto com a carne e o corpo de Jesus e a ressurreição com Cristo, que eles já foram trazidos para uma nova existência e ressuscitaram com Cristo, por isso possuem uma nova vida. Outras pessoas ainda procuram exercitar essa renovação da mente por meio dessa expressão que Paulo usa, o revestimento da armadura de luz. A roupa do cristão é o próprio Jesus. E aqui eu eu faço referência a algo que eu não pensei e não me dediquei eh por muito tempo e em muitos momentos, mas que alguns teólogos muito sabiamente ressaltam nesse que é um tema constante no Novo Testamento, que é a unidade com Cristo. Muitas vezes nós pensamos na realidade de Jesus que por meio do Espírito Santo se faz presente dentro da nossa própria vida. Mas nós não pensamos na realidade recíproca, é que nós fomos inseridos na vida de Cristo. Nós não apenas estamos no corpo como essa metáfora que é a igreja, o corpo de Cristo, mas a vida de Jesus absorveu a nossa própria vida. Então, o revestimento de Cristo não é apenas eu trazendo mais do poder e da presença de Deus para dentro da minha própria vida, mas é entendendo que eu já faço parte da vida do Messias. Eu fui inserido na própria pessoa de Cristo. Quais são as consequências de eu estar sendo revestido por Jesus? que eu está sendo inserido na vida que há no corpo ressurreto e na presença poderosa que é a pessoa de Cristo. Essa é a base de toda a ética polena e é a essência do ensinamento que ele traz sobre as questões práticas que nós devemos assumir. E aí Paulo faz essa afirmação que dá título a nossa aula de hoje, que nós não devemos dever nada a ninguém senão o amor, pois o amor é aquilo que cumpre a lei. Quando ele coloca aqui no versículo 10: "O amor não pratica o mal contra o próximo." Portanto, o amor é o cumprimento da lei. E, provavelmente na sua tradução, como aparece na NVI, lei aparece com L maiúsculo. Por que isso? Porque é uma referência à lei de Moisés. E aquilo que Paulo está falando aqui não é nenhuma novidade. É aquilo que Jesus falou e de certa forma já estava presente no Pentateuco, já estava presente na Torá, que o amor ao próximo como a si mesmo e a Deus acima de todas as coisas resume todos os 613 mandamentos. Então Paulo usa esse cumprimento da lei, o cumprimento da lei mediante o amor como apelo para que os cristãos tenham uma vida atrativa diante de pagãos observadores. Não deva nada a ninguém. Não faça dívida que você não possa pagar. Não cobice aquilo que é o bem dos outros. Não tenha uma forma de vida que testemunhe que sua preocupação é maior com você mesmo do que com qualquer outra coisa, com seu próprio prazer e os prazeres da sua carne, do que ir com qualquer outra coisa. Não deva nada a ninguém, exceto o amor, exceto a dívida de amar a todos. E a consequência muito direta que Paulo está tratando é quando você ama uma pessoa, obviamente você não mata essa pessoa, você não rouba essa pessoa, você não cobiça essa pessoa, você não trai essa pessoa. Quem ama não só não deixa eh não realiza algo para prejudicá-la, mas não realiza algo para prejudicar a si mesmo, porque vive em inveja e cobiça por aquilo que o outro tem. Quem ama fica feliz pelo que o outro tem. A cobiça foi o ponto que Romanos 7 tratou como sendo o ponto de partida para Paulo falar sobre a sua própria incapacidade e limitação. E a o contraste que Paulo faz com essa cobiça é o amor sacrificial ágape. Existem várias discussões sobre os vários termos que são utilizados para amor e as nuances que existem em cada um desses eh contextos. Mas ágap é o termo que ele usa aqui para amor e se referia a esse amor que não é egoísta e que não é, na verdade uma busca de satisfação do seu próprio desejo na exploração do outro, chamando isso de amor, mas é esse amor abnegado do próprio Jesus. E a conclusão que então que a gente encontra nesse capítulo é perceber que Paulo está tratando dentro dessa realidade política com um Deus que legitima a existência de autoridades que devem trazer ordem e não caos para a sociedade. Fazer isso reconhecendo que existe uma autoridade acima de todas as outras autoridades. Jesus Cristo, que é Senhor, é empossado, já está empossado como supremo Senhor dos céus e da terra, mas que não anula as autoridades daqueles que daqueles que estão sob o seu próprio domínio, lembrando que inclusive os povos que não depositam sua fé em Cristo Jesus também estão sob o domínio de Jesus e que o sol já nasceu, o novo dia já raiou. Por isso, a nossa postura não deve ser de buscar encontrar razões e motivos para entrar em conflitos desnecessários com aqueles que estão ao nosso redor. Não é sim surgindo contra as autoridades políticas, não é deixando de pagar os nossos impostos que a gente vai promover a mudança que o reino de Deus exige de nós que promovamos, mas é justamente exercendo essa nova forma de vida. nos revestindo de Cristo, da armadura da luz, manifestando uma forma de vida que não deve nada a ninguém, que não cobiça nada de ninguém, mas que tem única e exclusiv exclusivamente a dívida com o outro como sendo o seu amor sacrificial. Parece que essa parte final de Paulo é um pouco distoante do assunto que ele estava tratando no começo do capítulo, mas não é. Paulo está mostrando pra gente qual é o caminho pelo qual toda essa realidade vai ser transformada. Não é pegando em armas, não é buscando derrubar os impérios da mesma forma que todos os impérios sempre eh exerceram o seu poder e estabeleceram suas estratégias. Mas é por meio desse amor em relação ao próximo que nós alcançaremos a transformação dessa antiga criação em uma nova criação. não é ocupando mais cargos no poder legislativo, executivo ou judiciário, que nós teremos condições de exercer a grande influência que o mundo precisa para que ele seja convencido de que o filho foi enviado pelo pai. Mas pela oração sacerdotal de Jesus em João capítulo 14 em diante, se eu não estiver enganado, ou João capítulo 17, estou um pouco em dúvida agora em que ponto ele faz essa oração, mas é quando nós, discípulos de Jesus, seguidores de Jesus, fomos capazes de ser um, assim como o filho é um com o pai, Nesse momento, o mundo crerá que o filho foi enviado pelo pai. Então, a única maneira que nós podemos exercer isso um um com o outro é justamente por esse caminho que Paulo está tratando aqui, que é o exercício plenamente do amor pelos nossos irmãos como uma forma de testemunho, de transformação para aqueles que estão de fora da comunidade, que enxergarão em nós um tipo de vida e uma realidade de transformação e compromisso com o próximo que não existe em nenhum outro contexto. Esse é o testemunho de que um poder diferente atua dentro de nós e a partir de nós paraa transformação da realidade. Então, a a gente chega à conclusão aqui do capítulo 13 de Romanos, trazendo esse contraste que Paulo faz entre a realidade dos poderes do presente mundo, a nossa postura em relação a esses poderes e o caminho pelo qual nós transformaremos todas essas coisas nesse novo dia, nesse novo alvorecer que já iniciou. Agora eu vou voltar aqui para a a tela pra gente poder conversar. uns com os outros. Se você não mandou sua pergunta ainda, pode colocar aqui no chat que a gente vai conversar um pouquinho caso a gente tenha pergunta sobre o assunto de hoje. Vamos lá. A Marília colocou a seguinte pergunta: O ser humano é eterno ou somente Deus e a trindade? Pode comentar. A eternidade dos salvos inicia na conversão em Jesus? Essa pergunta é muito boa, Marília. O que é que você quer dizer com eternidade? Eh, se por eterno você significa um ser que sempre existiu e que sempre irá existir, então seres humanos obviamente não são eternos. E Deus é eterno. Ele sempre existiu, sempre irá existir. E essa própria definição depende da concepção de tempo, que nós também entendemos que é parte da criação divina. Os seres humanos foram criados em um determinado momento da história e vão continuar existindo após a morte. Existe toda a conversa e discussão que é a garantia de vida eterna. Aquele que querer em mim, ainda que morra, viverá. É a afirmação de Jesus a respeito daqueles que creem nele nos dá certeza de que nós que estamos em Cristo, mesmo morrendo, ressuscitaremos para uma vida eterna, nesse sentido de que não vai ter eh não vai ter mais qualquer limitação após a sua ressurreição. Agora, aqueles que são condenados certamente possuem também existência após a morte. que o que há de discussão entre diferentes intérpretes da Bíblia e diferentes teólogos é: será que essa existência após a morte separada de Deus no inferno, condenada pelos seus pecados, irá durar também toda a eternidade? Essas pessoas vão viver para sempre nessa condição ou em algum momento serão aniquiladas? E aí essa é uma uma discussão que não cabe completamente dentro desse contexto, mas eu só gostaria de pontuar que existem diferentes posicionamentos quanto a isso, tá? Ah, vamos lá para as próximas perguntas. [roncando] Podemos dizer que o apóstolo Paulo foi o homem mais influente que já andou pela terra? Olha, Marcos, não. A gente acredita que Jesus foi plenamente homem, encarnou e que não existiria obviamente apóstolo Paulo se não houvesse Jesus. Então, Jesus é o homem mais influente que já andou pela terra. Agora, após Jesus, nós podemos considerar que a influência de Paulo foi a maior influência eh que nós temos testemunho. Certamente esse é um argumento que pode ser sustentado por muitos motivos. Eh, é difícil a gente ranquear essas coisas, mas a gente pode destacar o fato de que não existiria a teologia cristã se não fosse o apóstolo Paulo. Esse pensamento organizado sobre as consequências daquilo que foi a morte. e a ressurreição de Jesus. Certamente que os evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João possuem muito de reflexão teológica e de organização a respeito do significado eh da vida, da morte e da ressurreição de Jesus. Mas em muitos outros aspectos, a gente percebe que o apóstolo Paulo foi aquele que primeiro reescreveu a história daquilo que era a revelação de Deus à luz da pessoa de Jesus. Os escritos de Paulo, de forma geral, vieram antes dos Evangelhos com algumas eh discussões cronológicas, mas muito provavelmente Paulo escreve boa parte das suas cartas antes dos Evangelhos serem escritos. E ele é quem primeiro registra essa registra essa reinterpretação da Torá, dos profetas e dos do escrito à luz da vida, da morte e da ressurreição de Jesus. e que estabelece que esse pensamento teológico que não só ele fez, mas que ele afirma que precisa continuar sendo feito, era uma tarefa essencial a toda a comunidade cristã para que ela fosse fiel no cumprimento da missão que cada uma dessas comunidades recebeu dentro do seu contexto. Essa novamente renovação da sua mente e reinterpretação da realidade a partir da pessoa de Jesus. Então, eu acredito que eh Paulo certamente foi uma das pessoas mais influentes que andaram pela Terra. Quais são as principais doutrinas do cristianismo além da Santíssima Trindade? Olha, Marcos, a gente trata das principais doutrinas do cristianismo em um outro momento do Macários, que foi o nosso primeiro módulo do curso Macários, o módulo sobre teologia cristã. Mas a gente pode eh a gente pode destacar algumas questões aqui. Então, quando a gente fala de Santíssima Trindade, a gente já tá falando de muita coisa. a gente tá falando de teologia própria ou teontologia, que é aquilo da teologia que trata da realidade de Deus Pai, da sua função, daquilo que é a sua relação com a humanidade, o propósito pelo qual ele criou todas as coisas. a gente tem a doutrina de Cristo, a cristologia e a doutrina do Espírito Santo. Então, aí já existe um mundo de teologia, mas a gente pode tratar também da antropologia, a doutrina a respeito do ser humano, como uma das questões mais fundamentais da revelação bíblica, que é o que é o ser humano, para que que ele foi criado, qual é o valor que o ser humano possui, qual a sua posição em relação aos outros eh seres criados. as outras partes da criação. Certamente a escatologia é fundamental. Por que que a escatologia tão importante? Porque ele aponta para o telos, para a finalidade, o propósito para o qual todas as coisas não só foram criadas, mas para o ponto para o qual estamos todos caminhando. Então, o fim revela muito a respeito do começo. Então, eu destacaria eh algumas dessas doutrinas como sendo mais fundamentais e importantes. Certamente que não são as únicas, mas alguns exemplos, né? Eh, quem seria o homem de Romanos no capítulo 7? Seria o próprio Paulo? Aí você tem que voltar. Na nossa aula de Romanos capítulo 7. Eu dei essa aula, Marcos, e lá eu pontuei a opinião que eu sustento, tá bom? Ah, o que você acha do livro A nova perspectiva em Paulo? O que você achou do livro A nova perspectiva em Paulo? Olha, Marcos, a nova perspectiva em Paulo não é um livro, mas é uma tradição de interpretação do apóstolo Paulo que ganhou mais que ganhou mais notoriedade a partir da segunda metade do século XX, a partir dos estudos de um cara chamado Ipunders, que na sua reconstrução do judaísmo do primeiro século não eh validou muitas das imagens e ideias que tínhamos a respeito do judaísmo do primeiro século, em especial dos fariseus, e de como os judeus eh interpretavam o significado das suas obras da lei dentro daquele contexto. E esse foi um trabalho de muita fundamentação histórica e respeitada no contexto acadêmico. A questão é se judaísmo não era isso que a gente estava pensando no primeiro século. Se os fariseus não eram como a gente imaginavam que eles eram, então contra o que Paulo está falando? sobre o que ele está discutindo quando ele fala de obras da lei, o que significa justificação. Dentro desse contexto, eu acredito que é muito válido aquilo que a nova perspectiva traz, mas eu reconheço que a a nova perspectiva não é uma única corrente de interpretação, mas surgiram várias respostas diferentes para eh esse mesmo ponto de partida. Eh, vários pesquisadores reconheceram que a impressão que possuíam a respeito do judaísmo do primeiro século estava incompleta. A questão é como é que a gente recoloca as peças no seu devido lugar. E aí você tem pesquisadores que eh teólogos que propuseram respostas diferentes para isso. Tá bom? A Fabiana começou a fazer uma pergunta, mas eu acho que ela não terminou. tenho dúvidas sobre batismo e tradição ou como a circuncisão. Eu acho que isso foi o começo de uma pergunta, Fabiana, eh, mas não o seu fim. Se toda a pergunta está contida aqui, eu não consegui entendê-la muito bem, tá? Ah, bom, pessoal, eu acho que eu vou encerrando por aqui, respondi a maior parte das perguntas que foram colocadas no chat. A gente vai retomar nossa conversa semana que vem, terça-feira, tratando de Romanos, tratando de Romanos, capítulo 14, na sequência aqui do texto. Todos vão ser muito bem-vindos paraa continuidade do nosso estudo. Como sempre, a gente pede que você ajude a gente curta o vídeo aqui, se puder colocar algum comentário, inclusive de coisas que a gente possa melhorar nas nossas aulas, os comentários vão ser bem-vindos, todas as interações também e o compartilhamento disso com outras pessoas. Muito obrigado a por todos vocês, pelo tempo dedicado e a gente espera cada um de vocês na nossa próxima aula pra gente dar sequência aqui ao nosso estudo. Boa noite a todos, até o nosso próximo encontro. Ciao. Ciao.