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A fé vem pelo ouvir

O descanso de Deus – Rev. Allen Porto

O descanso de Deus – Rev. Allen Porto

O descanso de Deus – Rev. Allen Porto

Nesta mensagem profunda baseada em Gênesis 2:1–3, somos convidados a refletir sobre um tema urgente para os nossos dias: o verdadeiro descanso.

Vivemos em uma cultura marcada pela correria, ansiedade, produtividade constante e esgotamento emocional. Porém, antes mesmo da queda, antes da lei e antes do Sinai, Deus estabeleceu um ritmo santo para a vida humana: trabalho e descanso.

Ao descansar no sétimo dia, Deus nos ensina que o descanso não é fraqueza, luxo ou preguiça — é parte da estrutura da criação, um modelo divino e um chamado espiritual.

A mensagem mostra como o sábado aponta para Cristo, o único capaz de oferecer descanso verdadeiro ao coração cansado. O descanso bíblico não é apenas parar de trabalhar, mas aprender a viver em comunhão, adoração e confiança no Senhor.

Uma reflexão necessária sobre burnout, ansiedade, identidade, adoração e o descanso encontrado em Jesus Cristo.

INFORMAÇÕES:
Pastor: Allen Porto
Passagem: Gênesis 2.1-3

#ipsantoamaro #presbiteriana

CAPÍTULOS:
00:00 – Introdução e leitura de Gênesis 2
01:03 – Oração inicial
02:15 – Quando foi a última vez que você descansou de verdade?
03:17 – A cultura da performance e do esgotamento
04:03 – Deus descansou e santificou o descanso
05:06 – O contexto do relato da criação
05:44 – Deus estabelece um ritmo para o trabalho e o descanso
07:40 – A grande ideia do texto: estrutura, modelo e propósito do descanso
08:41 – O sábado como estrutura da criação
09:18 – Deus estruturou o tempo em ciclos
11:14 – Trabalho e descanso fazem parte da ordem divina
12:15 – Ritmo circadiano e a estrutura criada por Deus
14:23 – Burnout e a quebra da ordem criada
15:29 – Descanso não é fraqueza, é obediência
16:41 – O sábado como modelo dado por Deus
18:02 – Deus parou para nos ensinar a pausar
19:43 – O arquiteto que contempla a obra concluída
20:40 – A ansiedade disfarçada de responsabilidade
22:42 – Descansar é reconhecer que Deus sustenta o mundo
24:15 – O descanso como ato de humildade
25:37 – O sábado como vocação e chamado
27:18 – O sétimo dia e o Rei assentado no trono
28:15 – O dia santificado e separado por Deus
29:14 – Os três mandatos criacionais
30:31 – O sábado e o relacionamento com Deus
31:20 – O verdadeiro descanso está em Deus
32:10 – Férias não resolvem o cansaço da alma
34:08 – O sábado e a história da redenção
35:18 – Cristo consumou a obra perfeita
36:08 – Da lógica “6 por 1” para “1 por 6”
36:40 – O centro do descanso é a adoração
37:00 – O banquete que muitos não desfrutam
38:38 – O descanso como convite à comunhão com Deus
39:04 – Nada compete com a adoração ao Senhor
40:19 – Burnout e a recusa da estrutura divina
41:39 – O dia do Senhor como ato semanal de fé
42:15 – Você tem descansado de verdade?
42:48 – Tim Keller: três práticas para o descanso
43:07 – Adoração como centro do descanso
43:50 – A disciplina de “não fazer nada”
44:38 – Descansar fazendo algo diferente da rotina
46:25 – O dia do Senhor é realmente do Senhor?
47:14 – Reorganizando a rotina para honrar o ritmo divino
48:34 – O culto é um banquete ou uma obrigação?
49:22 – Por que é tão difícil descansar?
50:14 – O descanso perdido em Gênesis 3
50:26 – Cristo descansou no túmulo e ressuscitou no primeiro dia
51:29 – “Venham a mim todos os cansados”
52:20 – O descanso eterno prometido em Cristo
53:18 – Oração final

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Sobre a música de abertura
Música: Louvai a Deus, soberano Senhor (Hinário Novo Cântico nº16). Título original em português: Louvor a Deus
Compositor: Stralsund Gesangbuch (1665), Joachim Neander (1680)

Ficha Técnica
Arranjos e produção musical: Samuel Cintra Santos
Gravação, mixagem e masterização: SCS Produções
Produção: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro
ISRC: BR-075-22-00001

Legendas automáticas:

Quero convidar vocês a abrir a palavra
do Senhor em Gênesis capítulo 2.
Enquanto você abre, eu quero agradecer
o convite, a oportunidade de estar aqui
com vocês. Para mim é uma honra,
verenda, a podermos desfrutar desse
tempo juntos na adoração ao nosso Deus e
meditando na palavra do Senhor. Nós
vamos ler Gênesis eh capítulo 2, do
versículo primeiro até o versículo 3.
E a palavra do Senhor nos diz assim,
Gênesis 2, do verso primeiro até o verso
3.
Assim, pois foram acabados os céus
[roncando] e a terra e todo o seu
exército.
E havendo Deus terminado no dia sétimo a
sua obra que fizera, descansou nesse dia
de toda a sua obra que tinha feito.
E abençoou Deus o dia sétimo e o
santificou, porque nele descansou de
toda a obra que como criador fizera.
Essa é a palavra do Senhor. Vamos orar.
Ó Deus bendito, te agradecemos porque
na tua infinita bondade o Senhor nos
permite
ser reunidos e congregados como teu povo
para responder a tua santa convocação
e nesse dia ouvirmos a tua palavra, a
tua voz e vermos a aliança renovada
diante de nós.
Senhor,
agora com a tua palavra aberta diante de
nós, suplicamos graça para que não
apenas a tua palavra esteja aberta, mas
o nosso coração também.
E para que assim, ó Deus, sejamos
tratados e pastoreados pelo Senhor. Fala
conosco por amor do Teu nome.
Edifica-nos, transforma-nos,
direciona-nos, reorienta os nossos
desejos e a nossa direção. E assim
glorifica o teu nome no meio do teu
povo. Nós pedimos em nome de Jesus.
Amém.
Quando foi a última vez que você
verdadeiramente
descansou?
Não tô falando aqui de simplesmente
parar um pouquinho, 5 minutinhos para
respirar ali enquanto você tá aguardando
o metrô ou o elevador.
E nem tô falando daquela
ocasião em que você senta no sofá, ah,
abre o celular e fica girando a tela,
eh,
para cima.
Tô falando de uma experiência de
descanso real, coração quieto, sem
culpa, sem uma lista mental de
pendências e sem aquela sensação
opressora de você tinha que estar
fazendo alguma outra coisa.
Quando foi a última vez que você
experimentou isso?
Para muita gente, essa é uma pergunta
difícil de responder.
Nós estamos em uma cultura que confunde
produção com valor,
performance com identidade.
E assim, se você não tá ocupado com
alguma coisa, você tá errado.
O descanso virou ou um luxo, ou uma
fraqueza,
ou um privilégio para poucos.
E quando nós finalmente paramos, nós não
sabemos muito bem o que fazer e nem
sabemos como responder a isso.
No entanto, Gênesis capítulo 2,
especialmente nesse trechinho que nós
lemos, nos leva a uma descoberta e uma
percepção surpreendente em vários
sentidos.
Antes de qualquer lei, antes do Sinai,
antes dos mandamentos,
antes de tudo isso, Deus fez algo que a
nossa cultura mal consegue
imitar. O nosso Deus descansou
e ele não apenas descansou, como
abençoou esse descanso e o declarou como
um descanso santo.
Mas o que que isso significa?
O que que Deus tá dizendo para nós aqui?
E de que formas essas verdades tocam o
nosso coração e reorientam a nossa vida
e as nossas escolhas no dia a dia. Nós
vamos descobrir aqui que esse texto não
é uma mera nota de rodapé no final de
semana da criação.
Ela é uma chave para entender o próprio
plano de Deus pro seu povo, pra vida
humana. E para entender como é que o
próprio Deus define trabalho, tempo,
adoração e o descanso que o nosso
coração tanto busca.
Mas para você entender bem o que tá
acontecendo aqui, você precisa lembrar
qual é o contexto.
Gênesis 2 de 1 a 3 tá trazendo pra gente
uma espécie de cena final no relato da
criação que inicia no capítulo primeiro.
E nós vimos ali como é que o Senhor
estrutura a realidade
e preenche a realidade com a sua graça,
com a sua glória e com a sua beleza.
Deus prepara os ambientes nos dias 1, 2
e 3 e Deus preenche os ambientes nos
dias 4, 5 e 6.
E algo interessante de perceber no
relato dessa criação é que o Senhor Deus
estabelece um ritmo próprio e uma
postura própria diante do seu trabalho.
Ao final de cada dia, com exceção do
segundo dia, nós temos a descrição: "E
viu Deus que era bom".
Interessante notar isso. Após um dia de
trabalho, o Senhor Deus para, contempla
e desfruta.
Essa já é uma primeira pista e um
primeiro desafio para nós,
que muitas vezes não conseguimos
simplesmente parar, contemplar e
desfrutar. Tem sempre um novo projeto,
uma nova demanda, uma nova crítica e
mais alguma coisa para fazer.
Deus cria o mundo com sabedoria, com
beleza, com criatividade, com graça.
Mas ao final desse relato, agora
entrando no sétimo dia, o texto nos diz
que o Senhor Deus
contemplou que tudo o que havia feito
era muito bom.
E entrando no sétimo dia, ele descansa
da sua obra e abençoa o sétimo dia e
santifica.
A descrição do que Deus faz agora no
sétimo dia não é uma descrição aleatória
para dizer simplesmente acabou.
O modo como Moisés registra e nos
apresenta a decisão de Deus ao final do
seu movimento criacional,
é também um ensino teológico precioso
que eu e você precisamos
entender, assimilar
e modelar em muitos sentidos.
Se você deseja resumir o ensino desse
texto em uma frase, a gente pode resumir
da seguinte forma: "Ao descansar no
sétimo dia, Deus nos ensina a estrutura,
o modelo e o propósito do nosso próprio
descanso.
Ao descansar no sétimo dia, Deus nos
ensina a estrutura, o modelo e o
propósito do nosso próprio descanso. E
em tudo isso ele está apontando para nós
o fato de que o descanso maior só pode
ser encontrado nele. Mas eu quero
trabalhar com vocês então essa estrutura
eh nesses três blocos.
Quando Deus descansa no sétimo dia, ele
nos ensina estrutura, modelo e propósito
para o nosso descanso. Eu quero olhar
com vocês, então, o sábado como
estrutura, o sábado como modelo e o
sábado como um chamado ou como uma como
uma vocação que nós devemos atender.
Observe comigo então esses três pontos.
Primeiramente, o sábado como estrutura.
Gênesis 2, 1 e 2 nos diz: "Assim, pois,
foram acabados os céus e a terra e todo
o seu exército.
E havendo Deus terminado no sétimo dia
sua obra que fizera, descansou nesse dia
de toda a sua obra que tinha feito."
O sábado apresenta aqui uma consagração
do modo como Deus estruturou o tempo e o
trabalho.
Se você olha esse relato criacional,
você vai perceber que Deus está
estruturando o tempo e estruturando o
trabalho em ciclos.
O tempo é dinâmico, ele não é estático.
E ele foi planejado por Deus para compor
períodos distintos que demandam
respostas distintas.
Observe, por exemplo, as estações do
ano. O Senhor Deus estabelece o verão. E
o verão traz o calor e ele traz certas
demandas e certas respostas adequadas
para esse momento específico.
O inverno traz o frio e traz outras
respostas, roupas ah mais grossas e
uma espécie de proteção necessária para
a temperatura à nossa volta.
Deus estrutura as estações do ano para
que elas aconteçam
coordenadamente.
Não só isso. Deus estrutura dia e noite.
O próprio Deus trabalha durante o dia,
mas à noite nós temos a descrição do
encerramento do trabalho diário. Por
isso, cada sessão no relato criacional
termina com houve tarde e manhã, o
primeiro dia, o segundo dia, o terceiro
dia e assim por diante. E a palavra que
é traduzida na Almeida revista e
atualizada para tarde pode ser traduzida
como noite,
anoitecer.
Deus estrutura o tempo, estações do ano,
o dia,
mas o sábado aqui com o nosso foco
apresenta pra gente uma estrutura máxima
dessa dinâmica do ciclo trabalho e
pausa, trabalho e descanso.
Após seis dias de trabalho, o nosso Deus
descansa.
E daí nós temos essa palavrinha que já
passou a ser um pouco mais comum no
nosso círculo cristão, né? O Shabat.
Deus estruturou o mundo em ciclos
distintos e esses ciclos envolvem a
variação entre trabalho, descanso. E eu
e você precisamos contemplar a obra
criacional de Deus, identificar essa
estrutura, o modo como Deus estrutura a
realidade, para que nós abracemos e
aceitemos o modo como Deus configurou o
mundo, a vida, o trabalho e o tempo.
Porque sempre que nós lutamos contra as
estruturas de Deus ou tentamos
rompê-las, nós sofremos as consequências
disso.
Essa estrutura, por exemplo, é
acompanhada de outras manifestações na
criação.
Os estudiosos da área da saúde, por
exemplo, falam do ritmo circadiano do
corpo
ou o que é comumente chamado de relógio
biológico.
Você já parou para pensar que a
estrutura que Deus deu pra realidade,
pro tempo e pro trabalho envolve o seu
próprio corpo?
Por exemplo,
no nosso ritmo circadiano, o nosso corpo
durante o dia ou pela manhã produz
chamada cortisol.
E o cortisol, de certa forma, é aquilo
responsável por nos dar um ritmo de a
engajamento, aceleração, intensidade,
preparação pro trabalho que será
desempenhado.
Você não escolheu produzir cortisol.
O modo como Deus configurou a realidade
direciona o seu corpo conectado ao tempo
para que durante o dia o seu corpo
responda a fim de que você se dedique
aos estudos, ao trabalho, ao cuidado da
casa ou a outros chamados que Deus
concedeu a você.
Mas quando a noite se aproxima,
o dia é pro trabalho, a noite é pro
descanso.
Deus estruturou a realidade e o seu
corpo responde, produzindo outra
substância que, em vez de engajar você,
vai relaxar você e prepará-lo para o
sono. O seu corpo produz melatonina.
Interessante perceber,
Deus estruturou leis ou a palavra de
Deus governa a realidade de uma forma
tal que o seu corpo responde ao tempo e
responde ao trabalho de acordo com a
estruturação desenhada pelo Senhor.
O problema é que nós queremos romper
isso, não é?
E aí, pesquisas em psicologia do
trabalho t demonstrado que os
trabalhadores que não respeitam o ritmo
de descanso tem uma queda significativa
de produtividade, uma queda
significativa de criatividade, uma queda
importante de saúde emocional após esses
períodos prolongados de trabalho
contínuo.
Nosso país é o segundo país em uma
escala mundial,
ah, em taxas de burnout, de esgotamento.
A gente só perde pro Japão.
Mas é curioso pensar que aquilo que a
ciência tá descobrindo aí com alguma
dificuldade,
Deus já havia instalado na criação desde
o princípio.
O sábado é uma estrutura dada por Deus
pro tempo. E aí você, deveríamos
contemplar o relato criacional, perceber
essa estrutura e aceitá-la e abraçá-la
intencionalmente.
Nós vivemos em uma cultura que descansa
ou que olha o descanso como um problema,
como um inimigo.
O lema das pessoas à nossa volta é:
trabalhe enquanto eles dormem.
Quem descansa à toa é preguiçoso. Quem
para é fraco, quem tira a folga precisa
se justificar.
Mas o texto nos aponta uma realidade
diferente.
Ignorar o ritmo que Deus nos deu, o
ritmo que Deus instalou, configurou na
realidade, não é heroísmo, é
desobediência.
tentar viver sem dormir, porque você não
tem tempo para isso, porque dormir é um
luxo,
é uma tentativa de romper as estruturas
providenciadas por Deus e o seu corpo
sofre, a sua alma sofre.
Por isso, nós precisamos aprender a
considerar a estrutura, respeitar a
estrutura e nos adequar à estrutura.
Trabalho é bom e honroso, mas o descanso
também é. Eu e você deveríamos caminhar
assim.
Sábado é uma estrutura dada por Deus,
mas o sábado também é um modelo
providenciado por Deus.
Gênesis 2, 1 e 2. Assim, pois, foram
acabados os céus e a terra e todo o seu
exército. E havendo Deus terminado no
sétimo dia a sua obra que fizera,
descansou nesse dia de toda a sua obra
que tinha feito.
Relato da criação não apenas apresenta
uma configuração que Deus estabeleceu
paraa realidade,
mas revela também um modelo
praticado pelo próprio Senhor.
Talvez eu e você conseguíssemos perceber
a estrutura
olhando pro nosso corpo mais energizado
pela manhã e mais cansado à noite.
Talvez olhando pra nossa experiência ao
final de uma semana inteira de trabalho
e a gente se sentindo, não é, mais ah
mais cansado. Talvez a gente conseguisse
perceber que existe uma lógica no mundo,
segundo a qual ciclos de trabalho devem
ser intercalados por ciclos de descanso.
Mas Deus decidiu fazer mais do que
apenas estruturar o tempo e o trabalho.
Deus decidiu providenciar para nós um
modelo visível, palpável, o modelo real.
E assim, o próprio Deus, tendo concluído
o seu trabalho ao final do sexto dia,
para no sétimo.
Curioso pensar sobre isso, né? Deus
parando.
E isso, primeiramente apresenta pra
gente um modelo deixado para seguirmos.
Antes que a lei fosse promulgada, lá em
Êxodo capítulo 20, nós já temos a
realidade do descanso apresentada pelo
exemplo do nosso Deus.
Certamente eu e você não temos mais
energia, mais força e nem mais
capacidade do que o nosso criador.
E por isso eu e você devemos seguir o
seu modelo.
Mas lembre-se, Deus não descansou porque
ele estava cansado ao final de uma
semana intensa.
Deus não se cansa como nós. Deus poderia
continuar trabalhando.
Aqui ele está anunciando que a sua obra
está completa.
Ele está demonstrando que o descanso não
está condicionado a falta ah de
trabalho. Porque em um sentido nosso
Deus depois continuou trabalhando, não
é? Jesus nos diz em João 5:17: "Meu pai
trabalha até agora e eu trabalho
também".
Deus ainda haveria de sustentar o mundo
pela palavra do seu poder, governar as
coisas pela sua providência,
mas ele decide descansar e deixar para
mim e para você um modelo.
Pensa em um arquiteto que projeta um
edifício durante meses.
E aí, finalmente, quando a obra tá
concluída, o último cômodo está pintado,
o último parafuso foi apertado,
ele não vai embora
ou envergonhado ou consumido já pelo
próximo projeto que ele precisa
realizar.
Ele para,
recua um pouco,
olha o edifício e ele consegue dizer:
"Tá pronto".
Existe um prazer legítimo na conclusão,
um desfrute daquilo que ele realizou.
E foi algo parecido que o nosso Deus
fez.
Nosso Deus parou
e ele nos modela, ele nos apresenta o
modelo para isso.
Mas aqui novamente nós encontramos uma
dificuldade,
porque nós vivemos com a sensação de que
a gente nunca terminou o trabalho, né?
Cuidado filhos nunca tá pronto. O
projeto que você entrega nunca tá
pronto. Tem sempre um novo concurso para
fazer, uma nova prova, uma nova posição
no serviço para galgar.
ou mesmo quando você conclui alguma
coisa, ela sempre vem acompanhada de
críticas e críticas e reavaliações
constantes de como você deveria fazer
diferente.
Há em nós então uma incapacidade ou uma
indisposição em muitos sentidos de
simplesmente entregar e de seguir o
modelo do nosso criador.
Uma indisposição de parar e dizer: "Tá
feito".
uma recusa de seguir o modelo divino. E
essa é uma forma de ansiedade disfarçada
de responsabilidade.
Eu só quero fazer o melhor. Eu só quero
que saia perfeito. Eu só quero que saia
bem executado.
Nosso Deus parou
e ele modelou para nós uma postura
em que nós realizamos um trabalho, mas
nós aprendemos a pausar também.
Trabalho não é algo que fazemos quando
nós não temos mais nada para fazer,
irmãos. Trabalho não é algo que a gente
faz quando sobra tempo.
Trabalho é uma disciplina que nós
seguimos de acordo com o modelo do nosso
Deus.
Sempre haverá demandas, sempre haverá
trabalho,
mas a pausa
é uma obediência
àquilo que o nosso Deus apresentou para
nós.
Tem uma dimensão espiritual do que a
gente precisa perceber aqui também.
Porque quando eu e você não paramos, não
descansamos, não pausamos, de certa
forma nós estamos assumindo uma crença
ou anunciando, ainda que não
verbalmente,
que nós somos indispensáveis.
Nós dizemos, se nós pararmos, o mundo
para.
O pastor que não consegue pausar no dia
de folga
e justifica dizendo: "A obra do Senhor
não pode parar".
está crendo que ele é essencial e que a
igreja não pode funcionar sem ele?
a dona de casa ou mãe de família que
diz: "Eu não posso parar em momento
nenhum porque senão a casa fica de
cabeça para baixo."
Está dizendo que
sem ela a casa não existe.
o chefe de família, o pai
que não pausa porque diz: "Se eu pausar,
eu corro o risco de perder a posição no
trabalho ou de desagradar o meu chefe,
não ter o salário, não sustentar a minha
casa".
está afirmando uma crença não
explicitamente verbalizada
de que sem ele
a sua família não pode subsistir.
Isso pode ser bem intencionado,
mas isso é um orgulho velado.
O descanso é um ato de humildade.
Nós reconhecemos que quem governa e
sustenta o mundo é o nosso Deus e não
nós.
O sábado é uma estrutura providenciada
pelo nosso Senhor.
O tempo foi formatado e o trabalho foi
desenhado por ele em ciclos, ciclos de
trabalho, ciclos de repouso, manhã e
noite, seis dias e um dia.
O sábado é uma é um ah modelo
apresentado pelo nosso Senhor.
O nosso Deus que não precisava descansar
parou ao sétimo dia. Ele que não estava
cansado parou ao sétimo dia. Isso nos
ensina
que há um modelo a ser seguido em que eu
e você podemos e devemos pausar,
aprender a descansar para perceber que o
mundo gira quando nós paramos. para
perceber que quem sustenta a realidade é
o nosso Deus e não nós. Entender que o
descanso não é um luxo ou a aquilo que
nós fazemos com o que sobra de tempo,
mas é uma disciplina para o nosso
coração.
Mas tem um terceiro elemento para nós
percebermos aqui
e um elemento do qual todos os outros
decorrem,
que é a percepção do sábado como uma
vocação.
O sábado é um chamado.
Gênesis 2, versículo 3, nos diz assim:
"E abençoou Deus o dia sétimo e o
santificou,
porque nele descansou de toda a obra que
como criador fizera".
Esse último aspecto é observar o sábado
como um chamado do Senhor. Ele é
estrutura, ele é modelo, mas ele é um
chamado também.
Alguns autores, como Peter Lighttam
o relato da criação como a preparação do
reino para a habitação do reino.
Toda a sequência dos dias e obras indica
essa dinâmica. Segundo ele,
no primeiro dia, Deus prepara o ambiente
de luz e trevas. E no quarto dia, Deus
preenche esse ambiente com aqueles que
vão reinar sobre as luzes e as trevas,
as luzes e estrevas, os astros. No
segundo dia, Deus prepara o ambiente do
firmamento e as águas de cima e de
baixo. E no quinto dia, Deus preenche
esse ambiente com aqueles que reinarão
sobre águas e céus, animais aquáticos e
aves.
No terceiro dia, Deus prepara o ambiente
da terra e do mar junto às plantas. E no
sexto dia, Deus preenche esse ambiente
com aqueles que vão reinar sobre esse
cenário,
os animais terrestres.
Mas o sexto dia traz ainda uma habitação
especial, porque Deus preenche todo o
ambiente da criação com aquele que
carrega a sua imagem e aquele que
dominará sobre a criação, o homem.
Agora nós temos o universo preparado.
Toda a obra tá concluída e então chega o
sétimo dia, quando o verdadeiro e último
rei se assenta sobre o trono da sua
criação.
E esse assentar
é um descanso.
Nele, nós temos não apenas um modelo,
como nós vimos anteriormente, mas nós
temos também uma vocação.
O texto bíblico aponta para nós o fato
de que Deus abençoou o sétimo dia e Deus
santificou
o sétimo dia.
Já parou para pensar sobre o que que
significa isso?
O dia santificado é um dia separado.
Isso aponta pro fato de que esse dia é
diferente de todos os outros.
Esse dia representa conclusão,
representa também celebração,
representa governo e domínio.
Deus o santifica porque ele é um dia
próprio, um dia separado, mas a
realidade de abençoar e santificar
também dão a esse dia um caráter
teológico próprio, ainda mais
significativo.
Autores como o W Palmer Robertson
destacam pra gente
que essa é a aliança de Deus com o
homem. Então, talvez você já tenha
ouvido falar em como nós na tradição
reformada identificamos
no pacto que Deus estabelece com o homem
na criação.
Três mandatos criacionais.
Nós temos um mandato chamado cultural.
é um mandato pelo qual Deus cria o homem
para dominar a terra. Ou Gênesis 2:15
nos diz: Deus coloca o homem no jardim
para cultivar e guardar.
E o Palmer Robertson diz pra gente que
esse mandato ele é plasmado, não é? Ele
fica concretizado na figura do trabalho.
Nós temos também um mandato social.
Deus cria o homem para que ele seja um
ser relacional, comunitário.
E isso fica plasmado, segundo Palmer
Robertson,
na figura do casamento.
Deus cria Adão, cria Eva, estabelece o
casamento entre eles.
Mas nós temos também aqui um mandato
chamado de mandato espiritual.
O homem foi criado para se relacionar
com o seu criador.
Isso já está presente no fato do homem
ter sido criado à imagem e semelhança do
seu criador.
Mas isso se torna concretizado e
plasmado, segundo o Palmer Robertson, na
figura do sábado.
O sábado é um símbolo e uma manifestação
concreta da direção espiritual que o
homem segue ou que foi criado para
seguir.
O sábado é um símbolo do mandato
de que o homem se relacione com o seu
criador.
Significa então, irmãos, que a natureza
do sábado é uma natureza doxológica.
O foco desse dia é comunhão com Deus. O
foco desse dia é descanso em Deus. E o
foco desse dia é adoração a Deus.
O sábado é um chamado para nós
contemplarmos o Senhor, descansarmos no
Senhor e adorarmos ao Senhor.
O rei preparou todo o universo, se
assentou sobre o trono do universo e
agora, nesse dia, o homem o contempla, o
adora e dele desfruta.
Isso também revela algo importante sobre
a nossa própria experiência de descanso.
Foi Agostinho que disse que nós fomos
criados para Deus e o nosso coração não
encontrará descanso enquanto não estiver
em Deus.
O sábado aponta para essa realidade.
Descanso nenhum,
sem adoração, conseguirá trazer aquela
paz.
verdadeira
ao nosso coração.
Às vezes você acha que descanso é pura e
simplesmente
deitar na rede ou no sofá,
abrir Netflix ou alguma coisa parecida,
ou talvez fazer uma viagem até o litoral
e conseguir colocar o pé na areia. E
veja, todas essas coisas são ótimas e
são bênçãos de Deus.
Mas existe uma dimensão no descanso que
só pode ser obtida quando nós estamos
diante do nosso criador.
Talvez todos vocês já tenham
experimentado algo nesse sentido.
Você tá muito cansado de um ano inteiro
de trabalho e você diz: "Eu preciso
tirar férias". E então você planeja uma
viagem de férias com a sua família.
Vocês vão pro litoral, sei lá, Ubatuba,
Praia Grande, aquilo que funciona melhor
para você, Riviera, né? Ah,
e então organiza toda a família e vai
todo mundo e vocês conseguem passar
alguns dias lá.
Mas o que você esperava como a sua
grande fonte de descansamente
como esperado,
porque você retorna com a sua família e
parece que você está mais cansado do que
quando você saiu. E aí você retorna de
férias precisando tirar férias das
férias.
Mães e pais de filhos pequenos sabem que
férias, férias nesse sentido completo
você não tem, não é?
é que o nosso descanso não tá
simplesmente
em conseguir
esticar as pernas.
Tem algo conectado ao nosso coração que
diz respeito a esse chamado do sábado
que aponta
para um descanso mais profundo quando
nós desfrutamos do nosso criador.
Aliás, é aqui que nós precisamos fazer
uma conexão teológica importante na
lógica e na história da redenção.
Os adventistas, por exemplo, insistem
que o dia de descanso obrigatório é o
sábado.
Eles confundem o termo Shabat com o nome
do dia.
Eles estão presos ao nome do dia e assim
eles perdem a lógica na história da
redenção.
Da antiga ordem, nós trabalhávamos seis
dias esperando pelo dia de descanso.
Então, talvez se você quiser colocar nos
termos da discussão contemporânea,
a lógica da antiga aliança era a escala
6 por1.
Seis dias de trabalho para um dia de
descanso.
Mas então chegou a plenitude dos tempos.
Na plenitude dos tempos, nós temos a
obra da redenção
ou a recreação estabelecida pelo nosso
Deus por meio de Cristo Jesus.
Jesus realiza a obra perfeita no lugar
do seu povo.
Jesus afirma: "Está consumado." E agora,
com a conclusão da sua obra perfeita,
Jesus nos faz entrar no descanso do seu
pai.
Como Hebreus 4 nos ensina,
Cristo ressuscita no primeiro dia da
semana. E agora esse dia passa a ser
o dia separado para comunhão, desfrute,
celebração
e descanso no Senhor. [roncando]
O povo de Deus passa a se reunir no
primeiro dia da semana. É o que a Bíblia
nos diz em Atos capítulo 20 versículo 7
ou em primeiros Coríntios, capítulo 16
versículo 2.
E agora a lógica muda. A nossa escala de
trabalho, teologicamente falando, não é
mais 6 por um. Agora a nossa escala é um
para seis. Nós entramos no descanso
providenciado pelo nosso Salvador e
agora nós somos chamados para seis dias.
servindo a Deus a partir daquilo que
recebemos dele em sua graça bendita.
Mas o ponto fundamental aqui, irmãos,
é que o centro do dia do Senhor é o
descanso em Cristo.
E o centro desse descanso em Cristo é a
adoração ao Senhor.
Imagina que você foi convidado para um
banquete.
Você chega no lugar da festa, a mesa tá
preparada, o anfitrião está presente,
a comida é farta,
mas enquanto estão todos ali em torno da
mesa desfrutando
daquele banquete, você pega um pratinho,
prepara ali a sua comida
e você vai para um corredor isolado,
você vai comer ali pensando nas reuniões
da segunda-feira, nos boletos que você
tem que pagar na terça, nos e-mails que
você tem que responder, nos projetos que
você tem que encaminhar e tocar.
Você está tecnicamente presente na
festa,
mas você não tá realmente presente ali.
Você não está desfrutando, você não está
em comunhão, você não está em celebração
real.
E muitas vezes, irmãos, é isso que nós
fazemos no dia do Senhor.
Nós estamos aqui tecnicamente presentes,
mas a nossa mente tá em outro lugar.
tá no boleto, no projeto, no e-mail,
no Enem, no concurso.
O culto vira uma obrigação cumprida,
mas deixa de ser um banquete desfrutado.
E, infelizmente nós saímos tão exaustos
quanto entramos, porque nós não
desfrutamos do descanso preparado por
Deus para nós.
O sábado é um chamado, é um convite do
nosso criador
para nós contemplarmos a sua beleza,
adorarmos o seu santo nome
e termos o nosso coração descansado das
suas angústias e tensões
aos pés daquele que realizou todas as
coisas segundo a sua bondade e que nos
livrou da condenação eterna.
O centro do descanso é adoração. E por
isso nada é mais importante do que o
culto público.
Nenhum projeto, nenhum e-mail, nenhuma
tarefa adicional, nenhum jogo de
futebol, nenhuma soneca, nenhum
aniversário,
nada pode competir com adoração ao rei
do universo.
E o dia do Senhor não é simplesmente ir
à igreja, é um ritmo semanal de
reorientação,
deixar o mundo de lado e lembrar quem
você é, de quem você é, para onde você
está indo.
O dia do Senhor e o descanso do Senhor é
um antídoto contra a correria que nos
consome.
Sábado é estrutura.
Sábado é modelo.
Sábado é vocação.
Gênesis 2 foi escrito para um mundo
que se cansava de uma forma diferente.
Trabalho era na terra e no gado.
Mas ele fala com igual clareza pro nosso
mundo.
O mundo que se cansa com e-mails,
reuniões, prazos, notificações,
performance constante.
O esgotamento na nossa época tem um nome
clínico, né, burnout, mas ele tem uma
causa mais antiga e essa recusa de viver
dentro da estrutura de Deus.
Quando nós tratamos o tempo como tempo
somente de produção, quando nós não
pausamos,
quando nós descansamos, ah, não
na realidade, mas apenas eh fingindo que
descansamos, continuando estimulando ah
o nosso cérebro e a nossa mente, nós
quebramos algo fundamental na ordem
estruturada por Deus.
Muitos de nós não conseguem descansar
porque no fundo não confiam. Não confiam
que Deus cuida, não confiam que o mundo
funciona sem a nossa presença constante.
E assim vivemos de ansiedade em
ansiedade,
embora nós
tenhamos dado outro nome para isso,
responsabilidade,
perfeccionismo, preocupação ou algo
assim.
Mas o dia do Senhor é um ato de fé
semanal.
É dizer com corpo e com coração: "Eu
paro porque Deus continua. Eu descanso
porque Deus governa. Eu adoro porque
Deus é Senhor e ele é digno.
Por isso eu quero desafiar você, irmão,
a observando o relato da criação,
reconsiderar os seus caminhos.
e pensar em algumas decisões práticas
para sua semana.
Talvez você precise responder para si
mesmo: "Você tem descansado de verdade?"
De verdade?
Não só dormido aqui e ali, mas você tem
aprendido a parar
com coração quieto, sem culpa, sem lista
mental.
Nós estamos em uma sociedade tão corrida
que hoje em dia a gente nem sabe mais
como é que se descansa. Então, se você
deseja uma dica, eu vou trazer para você
algo que uma vez eu ouvi o pastor Tim
Keller falando e achei muito
interessante.
Ele diz o seguinte: "No nosso tempo de
descanso,
pelo menos três coisas a gente poderia
fazer que vão vão trazer bem à nossa
alma.
A primeira delas é adoração,
porque o significado último do descanso
é o nosso descanso em Cristo Jesus.
Então, no seu dia de descanso e no seu
tempo de pausa,
separe um tempo para
estar na presença de Deus,
levar a Deus o seu cansaço, levar a Deus
as suas preocupações, levar a Deus as
suas angústias, mas também agradecer a
Deus por aquilo que foi realizado,
entregar a Deus o trabalho das suas mãos
e descansar em Deus adorando ao Senhor.
Porque ele sustenta o mundo quando você
para.
Mas além da adoração, que elas diz:
"Nós precisamos aprender a fazer
fazer nada".
O termo que ele dá lá em inglês para
isso é inactive, né? é ficar e na inação
e muitas vezes simplesmente
não ter agenda, simplesmente esticar os
pés, deitar numa rede, sentar na cadeira
de praia, sem agenda, sem projeto, sem
cronômetro,
pode trazer um senso de calma e paz pro
seu coração.
Eu tenho que confessar o meu próprio
pecado, por vezes para mim é muito
difícil. Encare
isso como uma disciplina,
adoração
e nação. E um terceiro movimento que o
Tim Keller sugere, e assim a gente
também pode combinar isso com algo que o
que o David Murray fala pra gente, é que
nós podemos fazer algo fora da nossa
vocação, no nosso tempo de descanso.
David Murray coloca nesses termos:
"Aqueles que trabalham com a mente podem
descansar com o corpo e aqueles que
trabalham com o corpo podem descansar
com a mente.
Então, se o seu trabalho é braçal e aí
durante a semana você faz um trabalho
intenso com o seu corpo, talvez no seu
dia de descanso você possa pegar um
livro para ler ou assistir a um filme ou
ter algum outro tipo de ah desfrute
nesse sentido, dando o devido descanso
pro seu corpo.
Se o seu trabalho é mental ao longo da
semana, lendo materiais, preparando
relatórios, participando de reuniões e
coisas assim, então talvez no seu tempo
de descanso você possa descansar com o
corpo. Homens podem brincar de
marcenaria, ah, mulheres podem eh
desfrutar artes plásticas e outras
coisas assim. Ah, exercícios em
culinária sempre podem ser feitos.
cuidar eh do seu jardim ah ou de
plantas. Todas essas são atividades
braçais que podem trazer um descanso
paraa nossa mente.
Você tem descansado de verdade? Não sei
como descansar. Tá aí uma dica de três
movimentos possíveis.
Além disso, o dia do Senhor tem sido o
dia do Senhor para você. Olha só mais um
dia, como todos os outros, para você
realizar as coisas da sua vida sem
parar. No máximo, você vem até a igreja
no domingo pela manhã, bate o seu ponto
e aí quando você sai da igreja, você já
sai com uma lista de atividades para
realizar. Os mesmos e-mails que você
tinha que responder durante a semana, os
mesmos contatos profissionais, as as
mesmas atividades dentro da casa, as
mesmas demandas. O dia do Senhor é um
dia de deleite, de descanso, de
celebração, de comunhão e de pausa.
É dia do Senhor ou é seu dia?
O que que você precisa reorganizar na
sua semana para honrar o ritmo que Deus
criou?
Muitas vezes a nossa correria é
resultado da nossa falta de
planejamento.
Nós não conseguimos estabelecer tempos
sabáticos durante a semana e nem
conseguimos descansar no dia do Senhor,
porque nós planejamos mal e assim
acumulamos tarefas e vivemos, então,
apagando incêndios porque assumimos mais
coisas do que deveríamos ter assumido ou
porque não organizamos adequadamente o
nosso tempo e porque também ficamos nas
redes sociais e distrações quando
deveríamos estar trabalhando.
Talvez a reorganização
da sua rotina pode permitir que você
tenha os devidos ciclos respeitados,
trabalho e descanso.
Você consegue dizer:
"Está feito
e isso é bom sobre o seu trabalho".
Ou a ansiedade prende você em um ciclo
constante de avaliação, crítica e uma
demanda constante que nunca permite que
você se desapegue daquilo que está
fazendo.
Finalmente, o culto é para você um
banquete ou é uma obrigação?
E se é uma mera obrigação, o que que tá
faltando?
O que que pode ser feito em termos de
preparação do seu coração, reorganização
do seu imaginário para que você esteja
aqui no dia do Senhor, junto ao povo do
Senhor, entendendo que você está
desfrutando do banquete do cordeiro, do
descanso que Cristo providenciou,
entrando na semana, ah, habitando o
descanso conquistado por Jesus para
então poder servir ao Senhor, não para
conquistar qualquer coisa, mas porque
ele foi oferecido por Deus. essa
realidade.
Existe uma pergunta que esse texto
levanta
quando a gente contrasta isso com a
nossa vida.
Se o descanso é tão fundamental, por que
que é difícil encontrar e experimentar?
Isso está
entre o que aconteceu
de Gênesis 2 para Gênesis 3. O homem foi
criado para descansar em Deus, mas ele
escolheu se afastar do Senhor.
E desde então o descanso verdadeiro
escapa de nós.
Nós buscamos essa plenitude, esse
descanso da alma em diversas coisas da
ordem criada. Buscamos no trabalho, mas
ele não é suficiente. Buscamos nas
férias e então voltamos tão cansados
quanto fomos. Nós buscamos na diversão
nas redes sociais, na acumulação, no
sucesso, no dinheiro, mas o coração
continua irriquieto.
Agostinho sabia disso há séculos e
talvez você saiba disso também,
mas Gênesis 2 aponta para algo além de
si, aponta para alguém.
De certa forma, existe um outro sétimo
dia na Bíblia,
não em Gênesis, mas nos Evangelhos. O
dia em que Cristo, depois de ter
realizado a obra que o Pai lhe dera,
depois de ter suportado a cruz, depois
de ter suportado o abandono, depois de
ter experimentado eh a humilhação
pública e agora diante da morte descansa
no túmulo.
A obra estava concluída,
está consumado, foram suas últimas
palavras. E então nós temos o silêncio
do sábado,
mas nós chegamos ao primeiro dia da
semana.
O dia que a tradição cristã chama de o
dia do Senhor. E no primeiro dia da
semana, Jesus ressuscita. Com a sua
redenção, ele inaugura um novo começo e
uma nova criação. E ele nos convida para
um descanso que nenhum sábado de Gênesis
poderia dar plenamente. O descanso do
pecado que foi perdoado,
da morte que foi vencida, o descanso do
coração que é reconciliado com Deus.
E agora é o Senhor Jesus quem nos
convida e diz: "Venham a mim todos vocês
que estão cansados e sobrecarregados e
eu vos aliviarei".
Esse é o convite do dia do Senhor,
irmãos.
Não é um convite simplesmente para você
cumprir meros rituais e obrigações da
religião.
É um convite para habitar o tempo com
intencionalidade
na presença do Senhor, descansar diante
de Cristo.
Se você ainda não conhece esse descanso,
ele tá disponível
não pelo seu esforço, não pela sua
correria ou pela sua performance, mas
pela obra completa de Cristo.
Venha até Cristo. Esse é o sábado que o
coração humano sempre
necessitou.
E para você que já conhece Jesus, esse é
um lembrete para que você considere o
fato de que você já foi comprado, já foi
liberto e você é chamado para descansar
no rei.
Esse é um convite e uma antecipação do
descanso eterno que nos aguarda, quando
finalmente na nova criação, o rei
reinará sobre tudo e nós o
contemplaremos face a face, sem pressa,
sem ansiedade, sem lista de tarefas, sem
correria.
Até que esse dia chegue, nós continuamos
convidados a desfrutar do descanso do
Senhor e trabalhar na obra do Senhor
paraa glória do Senhor, com o coração
descansado e aliviado em Deus. Senhor
Deus nos conceda esse coração que
aprendeu a pausar e descansar nele.
Vamos orar.
Ó Deus bendito, queremos te agradecer
porque
o Senhor providencia um dia
para que o Teu povo tenha comunhão
contigo e veja o pacto renovado.
Um dia que nos lembra, ó Deus, que não é
a nossa performance que garante
a nossa identidade, o nosso lugar, o
nosso sucesso, a nossa segurança.
Um dia que nós somos lembrados, ó Pai,
que quando nós paramos,
o Senhor continua fazendo o mundo girar.
Um dia em que nós somos lembrados que o
propósito último da nossa existência não
é atingir o nosso sucesso ou viver para
nós mesmos, mas glorificar ao Senhor.
E é assim que nós queremos contemplar
essas realidades
e pedir a tua graça
para entendermos, ó Deus, o sábado como
estrutura
e assim aceitarmos e abraçarmos essa
estrutura
com intencionalidade,
entendermos o sábado como modelo e assim
olhando pro nosso criador, nós também
aprendermos a pausar
e acima de tudo olharmos pro dia do
Senhor, olharmos pro sábado como um
chamado, um chamado paraa vida contigo,
pro deleite no Senhor e pro descanso no
Senhor.
Ó Deus, o Senhor sabe quantos aqui tem
uma rotina de vida e um coração que anda
esgotado, ansioso,
dominado pelas preocupações e pela
correria.
Quantas mães aqui estão esgotadas e
cansadas no cuidado dos seus filhos e da
sua família?
Quantos chefes de família e pais andam
preocupados e cansados porque pensam que
não podem parar, senão a sua família
ficará descoberta, desprovida.
Mas então nós contemplamos o Senhor, o
amado da nossa alma e o sustentador da
nossa vida.
E nós queremos pedir ao Senhor que se
revele a nós, abrindo os olhos do nosso
entendimento e do nosso coração, para
percebermos que existe paz na tua
presença e que nós podemos e devemos
pausar diante do Senhor, porque o Senhor
cuida de nós, entendendo que a nossa
identidade não está na nossa
performance, mas no fato de termos sido
amados pelo Senhor
e chamados pelo Senhor de filhos,
assim suplicamos ao Senhor Senhor, ó
Deus, reorienta o nosso senso de
identidade e o nosso senso de propósito.
E ao fazer isso, reorienta o nosso senso
de ritmo para aprendermos a andar mais e
correr menos e para aprendermos a
pausar,
especialmente
no dia do Senhor,
para celebrarmos aos teus pés e
renovarmos o nosso coração na tua
presença.
Restaura-nos a todos nós que andamos
cansados e esgotados.
na certeza da tua salvação, da tua
justificação, da tua adoção. E assim
glorifica o teu nome em permitir que
vivamos com saúde e com alegria diante
do Senhor no meio do mundo. Nós pedimos
em nome de Jesus. Amém.
>> Amém. Yeah.

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