O envio dos setenta – REV. DANIEL SANTOS
05/05/2026
O envio dos setenta – REV. DANIEL SANTOS
Nesta mensagem baseada em Lucas 10, somos levados a refletir sobre o envio dos 70 discípulos e o verdadeiro significado da missão cristã.
Mais do que um texto frequentemente citado, esta passagem revela princípios profundos sobre o chamado, a dependência de Deus e o papel da igreja no mundo. A mensagem confronta interpretações superficiais e nos conduz a entender o contexto bíblico de forma fiel.
Qual a diferença entre os 12 e os 70? Por que Jesus não enviou mais? O que significa pedir ao Senhor da seara por trabalhadores?
Ao longo desta exposição, somos desafiados a perceber que não somos chamados a ocupar posições de destaque, mas a sermos instrumentos que ampliam o alcance do evangelho — levando a mensagem de reconciliação e paz com Deus onde quer que estejamos.
Uma mensagem prática, profunda e extremamente relevante para quem deseja viver a fé no dia a dia.
INFORMAÇÕES:
Pastor: Daniel Santos
Passagem: Lucas 10.1-12
Série: O custo de ir ao mundo
#ipsantoamaro #presbiteriana
CAPÍTULOS:
00:00 – Introdução: O envio dos 70 discípulos
00:37 – Leitura de Lucas 10 e instruções de Jesus
02:35 – Oração e dependência do Espírito Santo
03:09 – O perigo de interpretar textos fora do contexto
03:53 – “A seara é grande”: uso equivocado do texto
04:27 – Por que Jesus enviou apenas 70?
06:05 – O contexto da fala de Jesus
07:46 – Três perguntas centrais do texto
08:31 – Por que enviar os 70 depois dos 12?
09:44 – Diferenças entre os 12 e os 70
11:03 – A missão de ir adiante de Jesus
12:51 – O propósito: preparar o caminho do Reino
16:09 – Quem são os 70 discípulos?
18:16 – O simbolismo do número 70 na Bíblia
21:01 – Os 12 como fundamento da igreja
22:04 – Diferença entre a missão dos 12 e dos 70
22:31 – A necessidade de multiplicação de trabalhadores
23:20 – O estilo de vida missionário dos 70
25:02 – Dependência e hospitalidade na missão
27:01 – O envio de dois em dois
29:12 – Evangelho no ambiente relacional (casas)
30:22 – A verdadeira paz: reconciliação com Deus
31:34 – O papel dos 70: pedir mais trabalhadores
33:23 – Ilustração: os 70 como “roteadores” do evangelho
35:09 – A autoridade apostólica e o ensino da igreja
38:28 – A grande comissão e o papel da igreja hoje
40:32 – Aplicação: somos mais como os 70 do que os 12
41:25 – Exemplo prático: evangelismo no cotidiano
42:28 – O poder de uma simples pergunta
43:08 – Chamado: ser mensageiros da paz
43:39 – Oração final
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Sobre a música de abertura
Música: Louvai a Deus, soberano Senhor (Hinário Novo Cântico nº16). Título original em português: Louvor a Deus
Compositor: Stralsund Gesangbuch (1665), Joachim Neander (1680)
Ficha Técnica
Arranjos e produção musical: Samuel Cintra Santos
Gravação, mixagem e masterização: SCS Produções
Produção: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro
ISRC: BR-075-22-00001
Legendas automáticas:
No evangelho de Lucas, no capítulo 10. Essa é mais uma mensagem nessa série que eu tenho chamado o custo de ir ao mundo. Nós já vimos sobre o envio dos 12, agora iniciamos uma nova etapa que é o envio dos 70. E é um grupo aparentemente diferente. Nós vamos a aprender algumas coisas com o modo como Jesus envia esse grupo chamado o grupo dos 70. Diz assim a palavra do Senhor, Lucas no capítulo 10. Depois disso, o Senhor escolheu outros 70 e os enviou de dois em dois, para que fossem adiante dele, a cada cidade e lugar onde ele haveria de passar. E lhes disse: "A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, peçam ao senhor da seara que mande trabalhadores para sua seara. Vão! Eis que eu os envio como cordeiros para o meio de lobos. Não levem bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não saúdem ninguém pelo caminho. Ao entrarem numa casa, digam primeiro: "Paz seja nesta casa". Se houver ali uma pessoa que ama a paz, sobre ela repousará a paz de vocês. Se não houver, a paz voltará sobre vocês. Fiquem na mesma casa. comendo e bebendo do que eles tiverem, porque o trabalhador é digno do seu salário. E não fiquem mudando de casa em casa. Quando entrarem numa cidade e ali forem bem recebidos, comam do que lhe for oferecido. Curem os doentes que nela houver e digam ao povo dali: "O reino de Deus se aproximou de vocês. Porém, quando entrarem numa cidade e não forem bem recebidos, saiam pelas ruas, dizendo: Até o pó desta cidade que grudou nos nossos pés, sacudimos contra vocês. No entanto, saibam que está próximo o reino de Deus. Eu digo a vocês que naquele dia haverá menos rigor para Sodoma do que para aquela cidade. Até aqui a leitura da palavra de Deus. Vamos orar. Bendito, graças te damos pela tua palavra lida. Pedimos que agora, depois de lida, o Senhor também nos capacite a entendê-la. E para isso precisamos e rogamos que o teu espírito, o mesmo que a inspirou, possa também nos trazer entendimento, sem o qual nós apenas ouviremos palavras de homens, mas queremos ouvir a tua voz. E é por isso que estamos aqui e oramos em nome do teu filho Jesus. Amém. Irmãos, crente em geral, eu sempre digo e ouça-me com cuidado, mas o crente tem um péssimo hábito de memorizar e citar textos isolados, geralmente fora do contexto. E o que é péssimo sobre isso é que esses textos que geralmente são citados e memorizados fora do contexto viram lei para diversas práticas e costumes que as pessoas têm nas igrejas. E um bom exemplo de texto memorizado fora do contexto é esse que acabamos de ler, que diz: "A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, peçam ao Senhor da seara que mande mais trabalhadores. Esse texto é frequentemente utilizado por missionários que vão até as igrejas querendo levantar recursos para manutenção no campo. E geralmente eles citam esse texto aqui. Agora olhe, olhe paraa sua Bíblia e e pense algumas coisas. Essas palavras são palavras de Cristo para um grupo de 70 discípulos que ele está para enviar, certo? Se ele já sabia que o número era pouco, por que que ele não enviou mais? Considerando que o primeiro grupo, por exemplo, era um grupo de 12 discípulos e era um grupo menor e agora é de 70, o que significa um aumento aí de 483% em relação aos 12. Eh, por que que Jesus fala ainda que esse é um grupo que precisa mais trabalhadores e e mais eh se de fato seria necessário mais trabalhadores, a solução apresentada por Jesus na sua fala peça ao senhor da seara que mande mais trabalhadores. Parece estranha, porque quem é o senhor da seara? Não é o próprio Senhor Jesus. Então, se ele sabia que era pouco, por que que ele não colocou mais? Não é o próprio Jesus quem estava enviando 70? Ou será que Jesus estava esperando que alguém dentre aqueles 70 falasse: "Ok, então mande 700 em lugar de 70, mande 7.000". Imagine que esses 70 discípulos aqui, então, cada um orasse ao Pai, a mesma oração. Senhor, mande-nos mais trabalhadores. Vocês acham que é isso mesmo que Jesus tinha em mente quando ele fala sobre essas coisas? A seá grande e os trabalhadores são poucos. Então, peçam ao Pai para que mandem, para que mande mais trabalhadores. E finalmente, é, é bom lembrar ainda a respeito do contexto dessa frase que isso foi dito nos Evangelhos, por exemplo, de Mateus, essa frase foi dita antes da escolha dos 12. Portanto, quando você olha nessa perspectiva, é é interessante, porque Jesus quando escolheu os 12, ele já sabia que a seara era grande e os trabalhadores eram poucos. Por que escolher somente 12? E onde está esse texto inserido? Você pode pensar, mas reverendo, mas a ideia era que escolhesse 12 e esse 12 fosse depois discipulando outros 12 e aí o crescimento seria exponencial. Não há nenhuma informação. Não sei se vocês já observaram isso no Evangelho, de que os discípulos deveriam discipular outras pessoas para que o número 12 fosse se multiplicando e aumentando em quantidade. Não há. Antes da morte, da reção de Cristo, não há. A grande comissão é outra coisa mais paraa frente. Veja, irmãos, o meu objetivo aqui não é desacreditar o envio de missionário, muito menos menusprezar. os desafios que são inerentes à obra missionária. O meu ponto é apenas mostrar como, como eu disse no início, que as pessoas repetem versículos da Bíblia sem pensar necessariamente eh no contexto em que aquele versículo ou aquela mensagem é apresentada. Desta forma, hoje pela manhã, ler esse texto aqui e é inevitável que nós façamos pelo menos três perguntas. A primeira delas é: por enviar um grupo de 70 discípulos depois de já ter enviado os 12? Essa é a primeira pergunta. Segunda, quem são esses outro 70 discípulos? E terceiro, qual é a diferença entre a missão dos 12 e a missão dos 70? Vamos então responder essas três perguntas nesta manhã, pedindo que Deus nos ajude então a entender um pouco sobre isso. Começando pela primeira pergunta então que é o primeiro ponto. Por quê? Essa é a pergunta. Por que enviar um grupo de 70 discípulos depois de já ter enviado os 12? Será que Jesus não podia juntar tudo e já mandar 82? Por que mandar um grupo, depois outro? A primeira dica para responder a essa pergunta é a expressão, veja aí na sua Bíblia, se você tiver com uma caneta, sublinhe a expressão que Jesus escolheu outros. Essa é a palavra chave. Aí esses discípulos são distintos. Esses 70 discípulos são distintos daqueles 12 que já haviam sido enviados. Eles são outros discípulos. Não é que eh os 70 foram tirados desse grupo maior, não. E por que não ter enviado então juntamente com esses 12? Mas Jesus eh resolveu fazer isso de maneira separada. Se houve dois grupos de distintos, então precisamos entender qual é a diferença entre eles. Qual a diferença dos 12 para esses 70? Primeira diferença que a gente observa, então, é essa expressão outros. Isso significa que eles eram distintos. E é curioso também, irmãos, observar que Jesus andava sempre rodeado de uma grande multidão. Em algumas ocasiões, você via que o próprio Jesus, como vimos na última mensagem, ele se preocupava com a sua segurança. Ele dizia aos seus discípulos: "Olhe, deixe sempre um barquinho ali no jeito, porque olha como a multidão está me espremendo aqui nas margens ah do mar". Então, se chegar o ponto de não ter para onde correr, já deixa o barquinho aqui para que nós possamos ter uma rota de fuga preparada. Então, muita gente andava ao redor de Jesus. Por que não enviar todos os que estavam ali ao redor de Jesus? Do ponto de vista da eficiência, da propagação, não seria muito melhor? em lugar de enviar 12 ou 70 ou 82, enviar logo toda aquela multidão que andava junto e próximo e às vezes apertando Jesus. A segunda diferença é que esses 70 eles foram enviados, mas eles foram escolhidos, diz o texto, não para estar com Jesus, como era o caso dos 12, mas eles foram escolhidos. Veja aí na sua Bíblia também, ainda no versículo um, há uma expressão eh muito importante que aparece aí para que fossem adiante dele, a cada cidade e lugar onde ele deveria passar. Então, a diferença dos discípulos, dos 12 para os 70, é que os discípulos iriam adiante de Jesus e os 12 andavam com Jesus. Eles foram chamados para estar com ele. E e a ideia é que o termo adiante dele não significa antes dele, no sentido temporal. Vamos chegar lá primeiro. Mas é no sentido geográfico, porque diz aí que onde eles fossem, Jesus depois iria passando pelos mesmos lugares. Isso é curioso. Vocês acham que onde quer que os discípulos resolvessem parar, entrar e parar, Jesus teria que seguir essa mesma trajetória? Não seria muita muita autoridade para nem nem são os 12, são os 70. E se esses 70 resolvessem peregrinar ou perambular por lugares que Jesus depois pensasse: "Eu não vou entrar aí, não vale a pena entrar por esse lugar". Então, veja, a sincronia daquilo que esses 70 estão fazendo é apresentado aqui pelo evangelho de Lucas como sendo aqueles que iam adiante de Jesus, iam antes dele, para que quando ele passasse, aquilo já seria do conhecimento das vizinhanças, da cidade, das aldeias que ali eh estavam. Veja por que que Jesus precisava que esses 70 fossem adiante dele nos lugares onde posteriormente Jesus passaria. Certamente nós não devemos tomar isso de maneira literal. Se cada um desses 70 discípulos visitasse três casas só, seria já 210 locais para onde Jesus passaria. E a passagem não era só uma passagem como às vezes um candidato político passa nos bairros só dando um tchau, fazendo um sinal. Não, vocês viram a ideia é de entrar na casa, ficar um tempo com eles. Então, 210 residências, vamos imaginar que eles só tivessem passado em três locais. Jesus não teve tempo hábil até a sua morte para passar em todos esses locais. e a própria história, a narrativa, e alguns de vocês já devem ter lido que a partir do capítulo 9 de Lucas, é o que eles chamam a trajetória já em direção à cruz. Então, é bem possível que nós não precisemos entender essa ideia aqui de ir adiante para os lugares onde ele haveria de passar. Não entenda exatamente como sendo o local. Ele passou na casa da dona Josefa, depois ele passou na casa do seu João e que Jesus teria que passar exatamente naqueles lugares. Mas talvez esse seja o motivo porque esses 70 pudessem ir adiante, porque eles iriam anunciando a paz do reino, eh, numa região onde muitos talvez não tiveram o privilégio de ver Jesus pessoalmente. Olha, irmãos, o filho do Deus eterno passando pelas regiões daquelas vilas e aldeias. É um privilégio que milhões e milhões de pessoas que viveram depois dele, incluindo nós mesmos, gostaríamos de ter. Imagine se você soubesse que Jesus ia passar, ia passar lá no Parque Birapuera. Quantos de nós estaríamos lá amontoados para ver de perto pelo menos uma vez na vida o filho de Deus encarnado e poder contemplar a sua glória? Como o evangelho de João nos diz: "E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade e nós vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. Muitos não tiveram esse privilégio, mas esses 70, então eles sairiam anunciando, fazendo como se pudéssemos dizer o barulho maior, dizendo que está passando entre vocês o filho do Deus encarnado. E ele certamente ah será visto por muitos, mas não por todos. Então, esses 70, diferentes dos discípulos, tinham uma finalidade mais de eh divulgação, de impulsionamento deste evento que era a passagem do filho de Deus por aquelas aldeias. Segundo ponto, a segunda pergunta que é quase que em decorrência disso é: Quem são? Então, quem são esses outros 70 discípulos? Quem são eles? Ironicamente, como vocês já devem ter observado, a Bíblia não fala o nome desses 70. Ah, mas é óbvio, reverendo 70 não não é não é pela quantidade, irmão. Se você for lá nas genealogias que temos no livro de Crônicas, tem muito mais nomes que isso. Então, o problema não é só o espaço e a quantidade de tempo que seria necessário para listar 70 nomes. Não, não deve ser isso. Mas a quando nós lemos, por exemplo, os Evangelhos, nós vemos diversos episódios quando algumas pessoas se voluntariavam para seguir eh Jesus ou já afirmavam dizendo que eu vou seguir. Jesus nunca foi de ficar pedindo, implorando para que as pessoas o seguem. Mas a reação de Jesus nunca foi de receber, mas ele sempre mostrava o lado mais sombrio e às vezes mais duro de ser um discípulo dele. Às vezes ele falava que olha, a o lobo tem onde deitar e reclinar a sua cabeça. Eu, o filho do homem não tem. Você quer realmente me seguir? Então Jesus nunca foi muito de de ficar chamando qualquer um, de chamando as pessoas. Portanto, o simples fato dele ter chamado esse 70 já é em si alguma coisa, independentemente de não ter mencionado o nome deles. Muita gente andava ao redor dele e Jesus nunca convidava assim todo mundo a rodo para segui-lo. Pense, por exemplo, no dia em que ele fez o grande milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. A Bíblia fala, o relato dos evangelhos diz que tinha 5.000 pessoas. Esse era o tamanho da multidão que geralmente andava próximo de Jesus. Se desse, veja só, se desses 5.000 ele escolheu 70, isso isso representa 1.4% dessa multidão. Ou seja, mesmo sendo 70, ainda é muito pouco em relação à quantidade de pessoas que andavam ao redor de Jesus. Ou seja, mesmo os 70 ainda é um grupo seleto e privilegiado. E e um detalhe que pode parecer depreciativo a respeito desses 70 é é que o nome deles não aparece como eu disse, mas o número 70 é um número muito associado com o que representa a totalidade do povo de Israel. Então, os evangelhos e o próprio Jesus não está muito interessado em colocar nomes nesses 70, mas o que é que eles simbolizam? 70 na história da Bíblia é um número bastante associado, como eu disse, para mostrar a totalidade do povo. Isso aconteceu, por exemplo, com o número dos filhos de Jacó que foram para o Egito. Êxodo no capítulo 1 fala que eles chegaram no Egito no número de 70 pessoas. Posteriormente, quando eles saíram do Egito, o sogro de Moisés visitou Moisés no deserto. E vocês devem se lembrar desta história, Getro. E ele observou numa manhã o modo como Moisés julgava as causas do povo. E ele achou aquilo muito eh um fardo muito grande para Moisés. E ele sugeriu que Moisés escolhesse líderes para que pudesse ensiná-los a lei e assim ajudar Moisés. Foram então apontado 70 líderes. Posteriormente, quando em Êxodo 24, já no momento de fazer a aliança, Deus ordenou que subisse no monte Sinai, Moisés, Arão, seus dois filhos, Nadab e Abiú, e mais 70 os anciãos de Israel. Então veja, o número 70 é um número, não é arbitrário, mas ele representa uma tradição que aponta para a totalidade do povo de Israel. E para um judeu, ouvindo essa esse relato aqui da missão dos 70, eles já teriam sim observado e sacado a ideia de que era uma referência à totalidade do povo de Deus. E essa era mesma principal diferença entre os 12 e os 70. Os 12 foram chamados para estar com Jesus, para aprender dele e com ele, para que fossem os pilares da igreja primitiva. Isso se concretiza de forma explícita quando Lucas nos diz que a igreja primitiva perseverava na doutrina dos apóstolos. Interessante isso. Poderia ter dito, eles perseveravam na doutrina de Cristo. Por que que é dito a doutrina dos apóstolos? Porque foram os apóstolos, aqueles que foram chamados para ouvir, ver e andar com Cristo, aprender dele para que pudessem ensinar. E esse ensinamento se tornaria então a base, o fundamento ou como o próprio Lucas descreve, a doutrina na qual a igreja se concentrava e se tornava uma igreja ah mais centrada. Em terceiro lugar, a terceira pergunta que nos ocupa nesta manhã é: qual é a diferença? Qual é a diferença entre a missão dos 12 e a missão dos 70? Em primeiro lugar, a missão dos 70, diferentemente da missão dos 12, era a de criar um modelo de multiplicação de liderança. A fala de Jesus, a seara é grande, os trabalhadores são poucos e por isso peçam mais trabalhadores, apontam para isso. de que o 70 era um grupo que precisaria estar sempre consciente de que vocês são poucos e vocês vão precisar dessa multiplicação. Jesus nunca disse isso para os 12. Nunca disse para os 12: "Olha, multipliquem porque 12 é muito pouco". Não. E isso já começa a sinalizar a razão porque hoje nós não temos apóstolos no sentido que havia no Novo Testamento. São foram apenas aqueles 12. Em segundo lugar, ainda sobre a missão dos 70, ela tem algumas similaridades com as dos 12, no que diz respeito, por exemplo, ao comportamento que eles deveriam ter ao chegarem nas cidades e nas casas e ao abordarem as pessoas. Nós já vimos isso em mensagens anteriores. A a descrição ela é bem semelhante aqui. Eu não vou me deter nesses pontos, mas se você olhar, por exemplo, o modo como eles deveriam ir sem carregar muitas coisas, não levar sacola nem sandálias, nem saudar ninguém pelo caminho, então é uma instrução muito semelhante. Eh, nós não atentamos muito para isso, irmãos, mas eh no contexto do Novo Testamento, você viajar um trajeto e chegar na casa de alguém é semelhante. Hoje todos nós vivemos numa cidade metropolitana como São Paulo. Mas no passado, 50 anos atrás, quando você saía da sua casa, ia visitar alguém no interior, se você chegasse lá, aquilo, o a própria chegada seria um evento, porque você todo mundo sabia que era uma dificuldade você sair de uma cidade, ir até outra para visitar os parentes. Então, às vezes a gente pensa, eh, por que que eles faziam esse grande alvoroço? Porque só chegava ali, pois chegar numa cidade, chegar na casa de alguém, era sim algo eh estranho, porque as pessoas não tinham essa facilidade de locomoção como nós temos hoje. Portanto, Jesus instrui esses 70 a andarem da mesma forma. Eles andavam como quem chegava. E e olha, eu não sei se vocês já pensaram nisso, mas no versículo três, a maneira e o quatro especialmente, a maneira como eles andavam era uma maneira de alguém que vai precisar de abrigo, vai precisar de comida, vai precisar. Imagine chegar um parente na sua casa, ele veio lá de longe, chegou, como a gente diz, de mão abanando. Ele, ele vai precisar de toalha, ele vai precisar de lençol, ele vai precisar de tomar banho, ele vai precisar de com ele não trouxe nada, ele não tem nenhuma mochila, nenhuma matula para ele. Então, ele vai comer na sua casa, ele vai dormir na sua casa, ele vai precisar de várias coisas. Então, o modo como esses 70 andavam já era um indicativo de que onde quer que eles parassem, as pessoas que eram hospitaleiras iam perceber, lógico, não vamos dar uma água para esse pobre, né, coitado. Ele chegou aí, tá aí, né, suando, tá sujo, os pés empoerados. Então, era natural. Então, leiam sempre essa descrição como uma preparação para aqueles que chegassem numa casa já veriam. Essa pessoa precisa de ajuda. Às vezes a gente recebe alguém em casa, você vê que a pessoa está ofegante, a gente, olha, você não quer sentar, eu não quero que você desmaie aqui na na frente do meu portão. Sente pelo menos, porque você vê que a pessoa está cansada. Então, esse primeiro, essa primeira similaridade faz parte dessa ideia de Jesus de motivar as pessoas para que recebam esses 70 com a mesma singeleza de coração. Os 70, a semelhança dos 12, também sairiam em duplas, de casa em casa. Não deveriam ficar falando com quem encontrasse pelo caminho. É muito interessante isso. É o mesmo estilo. Nós já falamos sobre isso em mensagens anteriores. Sair de dois em dois não faz sentido. Mas hoje tá ainda que as pessoas de algumas aceitas e religiões fazem isso e às vezes os evangélicos ficam culpando e desafiando você. Por que que a gente não faz igual eles? Saem de dois em dois, de casa em casa. Sair de dois em dois significa sair numa quantidade para que você possa ter uma testemunha. E o Antigo Testamento já falou sobre isso. Mediante a testemunha de duas pessoas, uma coisa será confirmada. Então, a mensagem desses 70 era uma mensagem que trazia o anúncio do reino, da chegada do reino, para que depois não ficasse aí sendo dado explicações de que eu não ouvi falar, não tem testemunhas. Eles saíam de dois em dois por essa razão, de casa em casa. Hoje nós pensamos número 20, no 21 vai tocando a campainha de um por um. Não é isso, irmãos. O mundo antigo não vivia da forma como nós vivemos hoje. De casa em casa, em muitas circunstâncias, era quase que de vilarejo em vilarejo. Eles não moravam às vezes amontoados como nós moramos hoje. E no final do verso, vocês viram aí no final do versículo 7, é instruído que eles deveriam ficar na mesma casa e depois fala que não deveria ficar mudando de casa em casa. Isso seria um péssimo conselho para a o andamento rápido da missão. Se Jesus tivesse pressa, se Jesus tivesse interesse que aquilo fosse divulgado com mais rapidez, ele não falaria isso. Ele falaria: "Olhe, cheguem na praça da cidade, façam um grande barulho e aí anuncie para todo mundo que estivesse ali." Mas não é isso. Ele quer que as pessoas entrem dentro da casa, fiquem na mesma casa para que depois passem paraa outra. Nós já vimos sobre isso anteriormente. Isso significa que o evangelho que Jesus anunciava não era o evangelho para ser pregado e anunciado eh no ambiente público, mas relacionado ao domicílio. Também a semelhança dos 12 e os 70 deveriam anunciar a chegada do reino e a paz que esse reino trazia. Nós vimos isso também. iam chegar anunciar a paz e aguardar a reação. Isso não tem a ver, irmãos. Não tem a ver com algumas igrejas hoje pentecostais que dizem paz do Senhor, irmão. Não tem nada a ver com isso. Não estão falando que você não deva falar ou que seja errado falar. Eu estou dizendo que hoje você chegar e cumprimentar alguém, a paz ou a paz do Senhor, a paz de qualquer paz. Ah, não é a mesma coisa. Porque esses 70 anunciavam a chegada do reino. E esse reino trazia a paz. Qual paz? A paz do ser humano com Deus. É a reconciliação, não é ausência de guerra. Já vimos isso também. O próprio Jesus disse lá no Evangelho de Mateus: "Não pensem que eu vim trazer paz, eu vim trazer guerra". Mas como que você concilia as duas coisas? Porque a paz, a respeito da qual Jesus fala, é a paz com Deus, é a nossa reconciliação com isso. Então, e nesse sentido era importante, era importante que houvesse testemunhos daí dois em dois, porque eu eu é quase, irmãos, como que um oficial de justiça chegando numa casa e pedindo para que a pessoa assine ali o termo de que ele de fato recebeu aquela intimação. O anúncio da paz era um anúncio de uma reconciliação que havia sido feita nos céus antes da fundação do mundo e que precisava ser anunciada aos moradores ali daquela região. Agora, diferentemente dos 12, os 70 foram comissionados com a responsabilidade de pedir ao Pai mais trabalhadores. Isso é uma coisa nova. A obra ser realizada pelos 70 precisava de reposição de tempos em tempos, precisava de multiplicação, mais trabalhadores e precisava também de expansão. Por onde Jesus passaria, eles teriam que ir adiante. Não há nenhuma indicação de que esses 70 deveriam, por exemplo, treinar alguém. Vocês viram isso? Não há nenhuma referência de que os 70 deveriam treinar ou fazer outros discípulos. Não há. A instrução foi quando vocês virem a necessidade de mais discípulos, peçam ao Pai. Peçam ao Pai. E por quê? Por que disso? Porque é prerrogativa do senhor da seara escolher e depois enviar e não dos 70. Não são os 70 que deveriam escolher e nem ah treinar e nem enviar os seus colaboradores. Mesmo sendo um grupo mais de cinco vezes maior do que os 12, os 70 ainda são considerados como representantes do povo de Israel como um todo. Eles não são, irmãos, a maioria. Eles não são como os apóstolos, mas também não são como o povo em geral. Eles foram escolhidos por Jesus para representar o povo de Deus nessa missão. Às vezes eu olho para os 70 como se fosse o que a gente conhece. Ah, nós temos um aqui na parede ali, não sei quantos conseguem ver, mas é o famoso roteador. Hoje em dia, o roteador em aquelas antenas parece o anticristo, né? cheio de chifre. Qual é o papel do roteador? O papel do roteador não é criar um sinal próprio. O roteador para que ele funcione, ele precisa estar conectado a uma rede que já tem a sua a sua comunicação própria, já tem ali a a alimentação própria, mas o roteador cumpre a finalidade de expandir e tornar disponível a outras regiões, a outros ambientes, um sinal que deoutra sorte chegaria. a todo mundo. Então, os discípulos de Cristo são aqueles que levam essa informação, levam os dados até esses roteadores e eles então divulgam e ampliam o alcance daquilo que Jesus havia ensinado. Os 12 foram escolhidos e chamados por Jesus para aprender com ele. E a e a eles apenas foi dada a garantia de que o Espírito Santo faria com eles para que eles se lembrassem daquilo que Jesus havia dito. Isso não foi dito para os 70 de que Jesus colocaria em seus lábios aquilo que eles deveriam falar. E é por causa disso, irmãos, que o ensinamento dos apóstolos, desde o início da igreja primitiva, já era considerado como o alicerce da igreja e não os ensinamentos do 70 ou o ensinamento da igreja eh como um todo, não é? A ideia de que nós somos uma igreja reformada e que é firmada e na palavra de Deus passa por essa compreensão. Eu não sei quantos já se atentaram para isso. Por que que a gente coloca tanta ênfase na doutrina apostólica a ao credo apostólico? Por que que a gente não fala que nós somos firmado na palavra de Cristo e não na palavra dos apóstolos? Você se lembra qual foi o único ou último ou algum livro que Jesus escreveu? Jesus nunca escreveu nada. Embora por meio do seu espírito, outros evangelistas que andaram com ele escreveram, mas o próprio Jesus nunca escreveu nada. Portanto, os discípulos foram aqueles que não só escreveram sobre o que ele fez, sobre o que ele falou e sobre quem ele foi, mas esses discípulos foram aqueles que viveram com eles. Seria tão bom se nós continuássemos ouvindo Jesus falando, ligasse o telão aqui, aparecesse Jesus e ele falasse para nós. Nossa, seria uma maravilha. Não precisaria nem de eu pregar. Mas não é assim que acontece. Nós somos chamados para ouvir o testemunho dos apóstolos inspirados por Deus para que nós aprendamos a guardar em nosso coração. Não apenas aquilo ah que às vezes de maneira miraculosa foi dita. Você pode estar pensando, mas sem pastor seria muito melhor, tenho certeza. Ouvir Jesus seria muito melhor do que ouvir o Senhor. Não leve a mal, mas lógico que seria até eu preferiria estar ouvindo Jesus do que tá aqui falando para vocês. Mas a história contada pelos evangelistas nos mostra que muitas pessoas que ouviram Jesus pessoalmente não acreditavam naquilo que ele falava. Então a diferença não está aí. Se Jesus falasse no telão hoje, seria muito melhor. Quem diria? Aqueles que viram Jesus, que andaram com ele, não acreditavam. Por que que você acha que hoje Jesus aparecendo no telão seria diferente? Não seria de jeito nenhum. Mas Jesus quer que nós aprendamos essa lição de ver pessoas que andaram com ele dando testemunho de quem ele foi, de como ele agiu e de contando em mais de uma perspectiva a maneira como eles viram esse seu mestre agindo, andando e operando sinais e prodígios. E é somente então depois da morte e a ressurreição de Cristo que a ordem é dada a todos. Vocês conhecem? Vão, façam discípulos todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. O que é que não tem na grande comissão? Vocês já perceberam isso? Que que tá faltando na grande começão. Tem duas palavras que não aparecem na grande comissão, que é a palavra escolher. Os discípulos não foram mandados. Vão pelo mundo, escolham discípulos. Não tem a palavra escolher e também não tem a palavra enviar. Vão, façam discípulos, batizem e ensinem a guardar. Não há a ordem para que você escolha discípulos e nem para que você envie discípulos, porque de certa forma o próprio anúncio da grande comissão já é da parte de Deus e por meio dos apóstolos o nosso chamado e o nosso envio. Mas nós não somos pessoas. E é por isso que hoje teologicamente é errado você sair por aí a designando homens e mulheres apóstolos do Senhor. Não tem mais isso. E e é por uma razão muito óbvia. O modelo apóstolos junto com o modelo 70 criou um paradigma que é inviolável na escritura e que os 12 foram os que andaram com Jesus e ouviram aquilo que ele falou. E os 70, não é que repetem, mas os 70 ampliam, guardando os ensinamento dos apóstolos, eles ampliam o alcance daquilo que Jesus estava fazendo de maneira tão localizada. Meus irmãos, concluindo, eu não sei se você se sente mais no grupo dos 12 ou no grupo dos 70. Se eu perguntar qual grupo você gostaria de estar, eu tenho certeza que muita gente gostaria de estar no grupo dos 12, porque os 12 andavam com Jesus. 70 era uma embolação de gente, nem sabemos o nome desses 70, mas eu e você precisamos saber que nós, a igreja estamos mais relacionados com os 70 do que os 12. Ser parte dos 70 significa que você é um homem ou uma mulher que amplia e que torna conhecido os feitos do Senhor em áreas que às vezes nem todo mundo tem a capacidade de chegar. Eu estava esse final de semana conversando com alguém e a pessoa me eh compartilhou a oportunidade que ele teve dando carona para um colega de trabalho. Primeira vez, por razões, estava dando chuva, alguma coisa. A segunda vez a própria pessoa pediu, já que você me deu carona naquele dia, você poderia novamente fazê-lo? Ele deu. E no carro ele perguntou apenas: "E aí, como está a vida? como que está a vida de vocês? A resposta óbvia, bem obrigado, mas ele mal imaginava que a pessoa ia dali abrir um leque de preocupações na vida conjugal, próximo de um divórcio. E ele eu, ele disse que o caminho nem era tão longe, pastor. Daqui até chegar na casa dele, não ia dar tempo para explicar todos os problemas conjugais dele. Mas veja, às vezes Deus nos coloca, Deus nos coloca diante de pessoas que precisam ouvir pelo menos isso de nós. Como é que está a sua vida? Não é todo mundo, irmãos, que fala isso. E é exatamente isso que Jesus sinaliza para esses 70. Entram, entrem, saúdem na casa. Diga que a paz, a paz. já entre Deus e o ser humano. E veja como essa reação acontecerá. No caso desse passageiro que recebeu a carona apenas uma frase: "Como está a vida de vocês?" Já foi uma porta para uma grande conversa que certamente precisará continuar depois. Portanto, eu e você somos parte daqueles que o Senhor ainda desafia a sermos a mensageiros que vão onde Cristo irá passar. O evangelho vai em qualquer lugar, não é necessariamente pela sua boca, mas seja aquele ou aquela por meio de quem os corações serão despertados para uma nova experiência de vida em paz com Deus. Vamos orar. Ó Deus bendito, ajude-nos a entendermos essas coisas. Ajude-nos a viver dessa forma, sendo homens e mulheres que andem adiante, que andem, ó Deus, anunciando a paz em um mundo já acostumado com conflitos, em um mundo já acostumado a entrar na onda de relacionamentos conflituosos, seja entre parentes Seja entre amigos. Ó Deus, faz-nos, homens e mulheres, que anunciem a paz em um mundo de guerra, em um mundo de conflitos humanos, conflitos de gerações, conflitos de raças, conflitos de toda sorte e ajude-nos a ter a mensagem certa. Pedimos isso e o fazemos em nome do teu filho Jesus. Amém. M.