O QUE É O "ESTADO LAICO"? | XII Fórum de Cosmovisão Cristã
07/05/2026
O QUE É O "ESTADO LAICO"? | XII Fórum de Cosmovisão Cristã
Inscrições abertas para o Fórum 2027 – https://www.sympla.com.br/evento/xiii-forum-nordestino-de-cosmovisao-crista-ainda-existe-um-projeto-cristao-de-sociedade/3415296
Vivemos tempos em que as liberdades fundamentais estão sendo constantemente testadas. A liberdade de expressão é cerceada por pressões culturais e políticas; a liberdade religiosa enfrenta tentativas de silenciamento; e a liberdade econômica é sufocada por estruturas que minam a responsabilidade individual.
Diante desse cenário, o XII Fórum Nordestino de Cosmovisão Cristã , promovido pelo Instituto Schaeffer de Teologia e Cultura será um espaço estratégico de formação e mobilização. É hora da igreja recuperar sua voz pública com coragem, sabedoria e fé.
https://institutoschaeffer.com/
Thiago Rafael Vieira é referência nacional em Direito e Religião. Ele é presidente do IBDR (Instituto Brasileiro de Direito e Religião), Doutor e Mestre em Direito Político e Econômico (Mackenzie), Especialista em Liberdade Religiosa com estudos em Oxford e Coimbra, além de Advogado aliado da Alliance Defending Freedom (ADF/USA) e colunista da Gazeta do Povo.
Fonte: Dois Dedos de Teologia
Legendas automáticas:
Sejam todos muito bem-vindos ao 12º Fórum Nordestino de Cosmovisão Cristã. Ah, se você tá aqui, você sabe quem eu sou. Sou pastor Iago Martins, mas ah, se você caiu aqui de paraquedas, ah, nós somos o Instituto Chefer de Teologia e Cultura, o Instituto Educacional, ah, que é ligado a dois dedos de teologia. a gente tem na esse trabalho discutindo Cosmovisão Cristã, a partir aqui de Fortaleza, no Ceará, já há 12 anos produzindo esse fórum que tem recebido muita gente importante, ah, que tem construído teologia pública e cosmovisão cristã. Eh, nesse fórum a gente tá discutindo o tema paz sem voz é medo e discutindo liberdade religiosa, liberdade de expressão e onde nós como cristãos nos colocamos no meio disso tudo. A gente tem esse fórum hoje 100% online ah nessa edição, mas o fórum costuma acontecer aqui em Fortaleza, no Ceará, de forma presencial, muitas vezes também com inscrições online. Essa edição, a 12ª, vai ser nossa segunda edição 100% online. A gente teve uma na pandemia, né? Agora essa ah que dá pra gente a possibilidade de de conversar com o nosso público. Ah, também aqui será gratuito, serão três dias hoje, na quarta-feira, amanhã, quinta-feira e também na sexta-feira, nesse mesmo horário, sempre, começando às 20:30. Então, se você quiser participar com a gente, se organize para estar conosco. A gente vai ter uma palestra do nosso querido professor Thiago Vieira. Ah, e também nós teremos um tempo de perguntas e respostas ao final. você não precisa pagar super chat ou algo parecido. A gente tem ah nesses momentos mais intensos de aula e de conteúdo ah mais profundo, sempre um público mais selecionado. Então você não precisa fazer com que a sua mensagem, a sua pergunta se destaque por meio de super chats. Você pode só deixar o seu comentário, ao final da palestra a gente vai ah ler os comentários, você vai podendo enviar. Se tiver muitos, eu seleciono certamente os melhores. Ah, pro Thiago Vira. Thiago Vira, seja muito bem-vindo. Que bom tê-lo aqui com a gente no Instituto Chefer de Teologia e Cultura. Muito boa noite a todos que nos acompanham no 12º Fórum Nordestino de Cosmovisão Cristã. Uma alegria estar convosco nessa noite para que possamos então juntos aí compartilharmos saberes, desvendarmos mistérios e entendermos aí o que Deus quer paraa nossa vida nesse tempo. Obrigado, Iago. >> Que alegria. Prazer imenso ter você aqui com a gente. Para quem não conhece, o Thiago Vieira, ele é uma referência nacional na área de direito e religião. Ele é presidente do IBDR, do Instituto Brasileiro de Direito e Religião, doutor e mestre em direito político e econômico pelo Maquense, especialista em liberdade religiosa com estudos em Oxford e em Coimbra, além de advogado aliado do Aliance Defend Freedom e colunista da Gazeta do Povo. A gente vai ter um tempo agora de oração. A gente vai pedir a bção de Deus sobre esse tempo de estudo. Ah, e então o Thiago vai ter o tempo de palavra ah, com seus slides. slides estarão em tela, vocês vão poder assistir e depois da palestra a gente vai estar juntos novamente aqui para sua seu tempo de perguntas. Se você tá na sua casa, lhe convido também essa palavra de oração. Senhor Deus, obrigado por mais um fórum de cosmovisão. Já são 12 anos em que nós nos colocamos diante de ti pedindo pela mente de Cristo, pedindo pela possibilidade de pensar cristianismo e cultura, pensar teologia paraa esfera pública e entender as realidades do nosso tempo. O Senhor possa abençoar todos os voluntários do Instituto Shaifer, abençoar aqueles que trabalham nesse instituto, e abençoar também os palestrantes que que falam e que instruem tão generosamente o teu povo. O Senhor possa usar hoje, Thago, por meio do Teu espírito, para nos instruir e nos ensinar, para nos preparar como igreja a lidar com os dilemas de nosso tempo. Senhor abençoe aqueles que estão em casa para que tenham um bom tempo também de aprendizado e de instrução. Essa é a nossa oração no santo nome de Jesus. Amém. Thaago, é contigo. >> Muito obrigado, Igo. Como eu disse, uma alegria aí estar com vocês nesse tempo para que possamos então compartilhar alguns saberes que guardo relação aí com o direito constitucional, com a liberdade religiosa. Eu tô me programando para que a gente possa fazer uma jornada muito muito bacana, muito especial aí nessas três noites que estaremos juntos. A noite de hoje vamos desvendar o que, afinal de contas, esse tal de estado laico. Na noite de amanhã vamos adentrar no tema da liberdade religiosa. como funciona a liberdade religiosa, suas dimensões, suas funções, seu seus destinatários para então na na noite de sexta-feira eh encerrar aí a minha participação falando então dos limites, das restrições possíveis e não possíveis da liberdade religiosa e também um outro bicho de sete cabeças aí chamado discurso de ódio. Então nós começamos agora com uma noite um pouco mais histórica. Para entendermos a origem desses conceitos, é muito importante sempre nós olharmos pro retrovisor da história para entendermos da onde esses conceitos saíram, como eles foram formulados, construídos, para até para que não caiamos em narrativas simplórias. Quando você conhece a origem, você não cai em narrativas simplórias, que hoje em dia o que mais tem, especialmente envolvendo estado laico, liberdade religiosa. Então, vamos lá. Meu currículo aí a gente passa porque o Iago já leu. Eh, tá pequeninho aí. Não sei se vocês estão conseguindo enxergar a lâmina, mas a lâmina é mais para vocês terem uma mais um auxílio pedagógico aí. Então, antes da gente falar do estado laico propriamente dito, é muito importante que nós eh entendemos, que nós entendamos, como eu disse, o desenvolvimento da relação entre igreja e estado até chegar no estado laico moderno. Quando alguém diz o estado normalmente essa pessoa quer dizer o quê? que a religião não pode ter espaço, que a religião não pode ter voz no espaço público, que a religião e os religiosos não podem participar da arena pública ou que a religião não manda no estado, que realmente se quer dizer quando o quando a pessoa diz o estado é laico, qual é o sinal Então vamos tentar responder essa pergunta nessa noite. Para isto vamos começar falando então dos primórdios. Importante a gente olhar para para trás, como eu já disse, e entendermos como era a relação da unidade política, a relação do poder político com a religião, com o fenômeno religioso, com o poder político. muito rapidamente, porque o nosso tempo corre, já são 3 minutos que eu tô aqui falando. Não havia distinção clara entre ordem política, ordem religiosa. A política e a religião se misturavam. Tanto que o professor José Afonso da Silva, ele falecido ano passado, se eu não me engano, no início desse ano, ele dizia que existia uma confusão entre religião, entre fenômeno religioso e potestas e poder. O faraó, ele ao mesmo tempo que ele era o o rei, o imperador, aquela pessoa que eh tinha o poder sobre todos os seus súditos, sobre todas as pessoas do antigo Egito, ele também era um mediador entre o cosmos e a população e a cidade, a nação egípcia. ele fazia essa mediação, ele eh eh se comunicava com o cosmos, se comunicava com o divino, interpretava o cosmos e a partir dessa interpretação do cosmos, ele ordenava a cidade. Então a autoridade política, ela era legitimada pelo divino, ou seja, a autoridade política era sacralizada. Quando um faraó, quando o imperador nas primeiras civilizações falava, você não sabia se era ele ou se era o cosmos, o divino que estava falando pela boca dele. Não há nem que se falar, então, em liberdade religiosa nesse tempo. Eu tô falando aqui em 3.000, 4.000, 3.000 até eh 500 anos. ou ou até ou até mais próximo, 200, 300 anos antes de Cristo. Eu poderia falar também, conversar com você sobre Israel. Israel é um ponto fora da curva. Israel eh, é algo que que tá nesse tempo das primeiras civilizações, mas tem um uma ordem política totalmente diferente. Ali não tem essa confusão na Confederação das 12 tribos, especialmente no reino de Israel. Mas a gente não vai ter tempo para falar de Israel. Então, vamos dar um salto em Israel e vamos chegar lá em Júlio César. Aqui é mais ou menos o ano 100. o ano 100 antes de Cristo, tá? Quando o Júlio César então começa a a aparecer na no espaço público, na na nas decisões políticas, eh ele ele acaba tendo sendo exilado pelo seu sogro e e depois ele ele volta para Roma, vira tributo, vira um o tribunato, ele ele assume o tribunato que é uma espécie da promotoria de justiça. Eh, assim, comparando com o dia de hoje, né? o o cara que promovia a acusação dos crimes e tal, ele se populariza porque tem uma oratória muito boa. E Júlio César é interessante pra gente entender um novo fenômeno que acontece quando Júlio César ele atravessa o Rubicão, faz a travessia do Rubicão que era proibido um general fazer essa travessia com os seus soldados lá no norte da Itália. E ele faz essa travessia, fala a famosa frase alia acta este e atravessa o rubicão e invade Roma com seus soldados e e então toma o poder, a força. Ali nós temos uma uma nova relação com a religião se formando. Antes, em Roma também o poder era sacralizado. o sacerdote de Júpiter tinha era o líder dos flamenes e o e tinha um um um poder político muito grande. Quando Júlio César, então, ele através do Rubicão eh invade Roma e assume o poder e logo depois ele se torna pro cônsul e também eh sumo sacerdote da da da das religião pagã romana, ele então assume nele o poder político e o poder religioso e se inaugura então o império romano. Por mais que Júlio César não foi um imperador, o Duan, por exemplo, um historiador conhecido, diz que o Júlio César foi o primeiro imperador, foi o imperador sem trono. Tanto é que depois de Júlio César, todos os imperadores, quando então se inaugura o império romano, chamam-se de César. Então ele inaugura uma nova forma de lidar com a religião, onde o poder político estava eh na ascensão, onde o poder político era o importante e a religião era apenas o plano de fundo desse poder político. Então, a mistura religião e política aqui muda de ênfase, sai da ênfase para o divino, que era ênfase antes de Júlio César, para entrar na ênfase do poder temporal, do poder da força, do poder militar que acontece então com Júlio César quando ele atravessa o Rubicão. Então, pontífices máximos, que é o que Júlio César se torna ao fim e ao cabo, ele ele incorpora, o prestígio e a arquitetura do poder romano com a chefia e a sacralização da religião. O problema aqui é que quando o estado administra o sagrado, a consciência não tem nenhum tipo de espaço de proteção. Nós sabemos disso. Nós sabemos eh como foram eh vorazes as perseguições aos aos cristãos, especialmente ali no no século II. começa com Nero, mas a maior perseguição é no século II, final do século II, do início do século 4. Ã, então há muita perseguição nesse modelo que não é ainda uma lacidade, não tem nada a ver com a laicidade. Por mais que Jesus Cristo disse, como a gente encontra ali no livro de Mateus, se eu não me engano, no capítulo 28. Bom, agora me perdi aqui qual o capítulo, mas Jesus diz, né? Dai a Deus o que é de Deus, dai a César o que é de César. E esta distinção de poderes, que não é uma separação, mas essa distinção de poderes, ela é muito importante e muito tratada por Agostinho Dipona no livro A cidade de Deus e tratada também por um papa da antiguidade eh tardia chamada chamado Gelásio I. Então, Geláio I, no ano 497 escreve uma carta importante chamada Duossunte. E nessa carta ele deixa muito claro que existe uma distinção entre poderes, entre o poder. Existe o poder político e existe o poder religioso. Existe a autóricta sacrata poníficum e a regales potestades. potestas, regalas, regales, potestas, ou seja, o poder rédio, o poder do rei e a autoridade sagrada do pontífice, do papa. E aqui nós estamos no final do século V. Já temos então uma distinção que é muito importante em em filosofia política de autoridade e poder. Pois muito bem. Três séculos depois aparece um sujeito que é muito importante. A gente não vai ter tempo para falar sobre ele. Eu desafio Iago até a gente fazer um um um evento só para falar sobre Carlos Magno, pai da Europa. Tem muita riqueza em Carlos Magno, muita riqueza. Eh, mas nós não vamos ter tempo aqui no encaros Magnos. Só é é interessante só para essa nossa conversa sobre o estado laico, que em Carlos Magno ele ele não se serve da igreja como os imperadores romanos a partir de Constantino se serviam, especialmente a partir de de Teodósio I, que torna a igreja cristã a igreja oficial do império. Mas Carlos Magno então deixa de se servir da igreja para servir a igreja. Então, o reino de Carlos Magno, que ali se inaugura o Sacro Império Romano Germânico no Natal do dia, no Natal do ano 800, onde ele é coroado eh eh sacro eh o imperador sacro romano germânico, a partir daquela coroação, então existe uma colaboração entre o poder político e a religião e Então, cristianismo. E ali começa a se desenvolver uma outra ideia chamada cristandade. Então ali Carlos Magno protege a igreja, serve a igreja, auxilia a igreja e colabora em que sentido? Também no sentido social, que ele enxerga a necessidade das pessoas aprenderem a ler, aprender a escrever. ele reabre os monastérios e ele reabre os monastérios que tinham sido destruídos eh também com ensino aos leigos. Então, há um florescimento ali no início da do do sistema feudal que muito se dá por causa de Carlos Marington, que é chamado pai da Europa, por causa dessa colaboração que ele tem com a moral cristã. Mas eh a partir daí nós começamos também a perceber uma tensão que é a tensão de quem tem competência para definir, para nomear, para designar os bispos, os líderes da igreja. Fecha a porta só fazer. Quem tem competência para fazer isso? Quem tem competência para disciplinar bispos da igreja? Porque Carlos Magno também começou a dar, não a disciplinar, mas ele recomendava a disciplina de bispos e e pastores que ele tinha conhecimento que eram corruptos. Então ele manda carta para os líderes desses pastores disciplinarem. Há um ponto que a partir de outros reis que o sucederam, começaram a disciplinar diretamente esses esses esses pastores, esses padres, esses bispos. Nós estamos falando aqui do século IX, não é? eh eh a ponto então de quando nós chegamos lá no século X, os imperadores e os reis estavam fazendo o quê, gente? Mandando na igreja, né? Então, os imperadores estavam nomeando os bispos, designando os bispos, que eram seus amigos, muitas vezes até leigos para serem bispos, para controlarem áreas de terra, para terem patrimônio, para e para inclusive eh parte das ofertas e das arrecadações daquela daquela eh arquidiocese eh iam para aquele rei que o nomeou ao invés de ir para paraa igreja. Então, eh, temos aqui uma interferência total do poder estatal dentro da igreja. E lembre, nós estamos no século X, final do século X. Então, é a nossa igreja, porque não tinha outra igreja. A igreja cristã é aquela, não é? Eh, e chega, surge então um papa chamado Gregório VI. E esse papa, então, ele ele até antes do papa, vamos ser justo, de Gregório VI, eh o um um monte chamado Clani ou Clun, não sei qual é a pronúncia, começa a a instar por uma reforma dentro da igreja. E aí então nasce a reforma gregoriana, ou seja, a igreja não podia mais conviver com Simonia, que é o pagamento por cargos eclesiásticos, inclusive o de Papa. Não podia mais conviver com Simonia, não podia mais conviver com investidura. E aqui surge, não sei se alguém já ouviu esse termo, a querer das investiduras, que a querera, a questão, a disputa, a briga em que os reis investiam quem eles queriam do poder do do da autoridade eclesiástica, inclusive entregando símbolos para esse bispo, então, como seu o bac e o e o anel real. Então, o bispo ele era investido por um rei que não era que não era da igreja, era um rei, recebia o anel real, recebia terras e governava a igreja e aquela terra em atenção ao rei e não a igreja. Então, a reforma gregoriana ela reforma isso, muda isso. Gregório VI reagiu eh proibindo a investidura laica, proibindo eh a Simonia, proibindo a compra de cargos. tem uma uma bula papal que ele lança conhecida que é dictatus papai, onde ele então reforça a autoridade pontífica sobre a igreja e não dos reis e dos imperadores. Tanto é que tem uma história famosa do episódio de Canoça, isso é 177, em que ele escomunga o rei Henrique IV, que tá ali brigando porque ele queria nomear os bispos da França. Ele escomunga, ele faz o Henrique IV ir para Canossa, que era onde ele tava. O Henrique IV se ajoelha, pede perdão, se humilha para que tivesse a sua comunhão anulada, né? Então tem esse episódio de Carnossa, que é um episódio que mostra então o poder do do Papa, eh, mas não resolve essa umigação do Henrique e só vai se resolver isso numa concordata, numa cidadezinha que nós conhecemos chamada Vormes, né? Então, Vornes entra na história antes um pouco daquele alemão selvagem que a gente vai falar um pouquinho dele. Entra na história antes, em 1122, quando então a reforma gregoriana é é é é é concretizada e os reis não podem mais interferir na igreja. Então aqui é interessante porque nós já temos a distinção dos poderes e nós já temos a igreja dizendo: "Não, não venha interferir, não interfira na nossa vida, não interfira na na na ordem eclesiástica". E aqui nasce então a libertas eclesia. Isso é interessante porque a liberdade da igreja, ela nasce antes da liberdade individual. A igreja aqui tá sendo oprimida, tá sendo violada, tá tá tá tá sendo eh sofrendo muitas interferências. E e ela consegue, então, a partir desse episódio, episódio de Canossa, se libertar do estado e nasce então a ideia da liberdade da organização religiosa, falando em termos de hoje, não é? Mas ficou conhecida com a expressão latina libertas e a libertas eclesia fortalece o papado. E ao fortalecer o papado, abre caminho para a plenitude potestades, ou seja, para a plenitude do poder do papa. E aí nasce um outro mal que era mal antes, porque os os imperadores, os reis queriam mandar na igreja e efetivamente mandaram, nomeava o bispo, faziam e acontecia. E um pouco disso aconteceu no Brasil com o beneplácito, né? Mas não como era naquela época, século X, século X, que eu tô falando aqui. Então, a igreja se livra disso, mas vem um outro problema chamado hierocracia. Ou seja, o governo dos papas. Então, a partir do episódio de Canossa, eh, vem um papa, assume um papa, inclusive, é lá na reforma gregoriana, só voltando um pouquinho, ficou que os os papas começam a ser eleitos pelos cardeis, o conclave começa a ser secreto, tudo para evitar corrupção e simonia, entendeu, gente? Então, isso que a gente sabe hoje, né? a fumaça branca, preta, não sei o quê. Tudo isso eh é desenhado lá na reforma gregoriana. Que um pouco de curiosidade. Mas voltando aqui para para Inocêncio IR. Então Inocêncio IO é final do século XI, 50, 70 anos depois da da concordata de Vornes. Ele eh emite uma famosa burra chamada Sicut Universit Condition. Meu, meu latino é muito bom, que é de 1198, que ele traz nessa bula papal aí a metáfora do sol e da lua, ou seja, o sol e a lua são distintas. O papa seria como sol, porque tem luz própria, que é a luz do evangelho. O rei ou o imperador são como a lua que governa, mas recebe sua luz do sol. A lua recebe a luz do sol, né? É por isso que nós vemos ela à noite. Então, a lua recebe a a lua recebe a luz do sol. O sol governa o dia e tem luz própria. A lua governa a noite, não tem luz própria. Então é essa a ideia de Inocêno terceiro, que o rei não tem luz própria. O rei governa as coisas do o poder civil, poder militar, mas seu governo se dá em razão do governo do Papa. Então aqui nós temos o ápice do do da hierocracia medieval, em que os papas então que os reis precisam efetivamente ter a bênção do Papa para que possam então exercer o poder civil. Nós estamos falando aqui em 1198, tá? Eh, 100 anos depois surge um papa chamado Bonifácio VII, que inclusive Dante Aliguieri colocou ele no inferno, na Divina Comédia, tá? Este papa ele ele é conhecido porque ele tem um episódio, uma briga muito ferrenha com o rei da França, Felipe Belo, Felipe Ito, em que Felipe I eh começa a cobrar impostos de quem? dos da igreja na França, porque ele precisava de dinheiro em razão da briga que ele tinha com eh com a Inglaterra. ele precisa de dinheiro. Então ele começa a cobrar imposto, imposto da igreja. E a igreja diz não. Então em 1296, se eu não me engano, o papa eh emite uma bullet que agora não me lembro o nome, e diz: "Não, eh a nós não vamos pagar imposto para para o estado de forma nenhuma". Isso gera uma briga muito grande a ponto do Bonifácio VI eh não regredir no seu pensamento, não dar um passo atrás e emitir a Una sancticou muito famosa por ser aquela buga que diz que não há salvação fora da Igreja Católica. A primeira vez que isso é dito é nessa bula ou na santa. não há salvação fora da Igreja Católica. Eh, e aqui ele reafirma a distinção do poder político e do poder religioso em duas espadas. Ele traz então a ideia de novo lá de Girá I de 497, porque quando Girá Io fala esse 497, tá falando em duas espadas, ele traz essa ideia de novo, dizendo que a espada espiritual é manejada diretamente pela igreja, enquanto a espada temporal é exercida pelos reis, mais subordinada à orientação espiritual. E e então ele reafirma o poder do Papa, ele reafirma a hierocracia pontíficea. Eh, aqui nós estamos então na cristandade, que toda a Europa é cristã. E a cristandade ela ela, como eu disse, os reis precisavam beijar a mão do Papa. com Bonifácio oitavo. Então, eh, existe a reafirmação disso. Mas o Felipe, Felipe, o o belo não volta para trás. Felipe, o belo, reage, vai aonde o Papa está, prende o Papa. Isso é o ano 1303. prende o papa, humilha o papa publicamente, depois solta o papa e o papa então acaba eh na cidade de Anagne, Anagne acaba morrendo, Bonifácio a oitava. E ao morrer assume um papa rapidamente que acaba morrendo também. E depois Felipe Felipe ele tira a sede petrina de Roma. É a primeira vez que acontece isso desde que a sede foi para Roma. Tira a sede Petrina de Roma e coloca a sede Pitrina onde? Numa cidade francesa, em Avion. E elege um Papa, um um um bispo francês para ser o papa. Um papa, um bispo francês acaba acaba sendo o papa. Isso é 1307. E aqui nós temos a famosa eh que a Igreja Católica chama de segundo cativeiro babilônico, que é o tempo que a Igreja Católica está em crise, que é do ano de 1307 até 1450, que tem momentos que que porque lá em Homeres não aceitam, a sede petrina tá em Avinhon. Então tem tem momentos que tem dois papas, tem momentos que tem três papas. A igreja tem momentos ficar a a eh eh aéfala, a céfala, não é verdade, fica sem cabeça. Então é um período aí de quase 150 anos, bem complicado paraa Igreja Católica, que abre caminho para a reforma protestante. Eh, aqui nós temos a maioria dos dos pais precursores, né, dos dos precursores dos dos precursores da reforma nesse nesse período aqui. E é interessante, curiosidade da história, que quando a Igreja Católica volta a se organizar, se se isso acontece nas mãos de um papa chamado, como alguém sabe, Martinho. É uma curiosidade, 1450, né? Papa Martinho. Pois muito bem. Eh, 1516 já. Então, dois séculos quase depois do do que o Bonifácio que o Bonifácio falece, né? Bonifácio falece em 1303, 1516. Acontece então uma situação muito interessante. 1516, não é 1517, 1516. O quinto, eu acho que é o quinto ou sexto concílio de Latrão. E esse concílio de Latrão reafirma o Nassan especialmente que não há salvação fora da Igreja Católica. Então, Inocêncio representa o auge da da hierocracia. Bonifácio oitavo radicaliza, Felipe Ito reage e a igreja entra em crise. Então aqui uma outra uma outra fato importante, né? Eh, os caras dizem por aí, eu já ouvi isso demais, que que o Papa que que o Papa mandava em tudo, que o Papa mandava em todo mundo, que a Igreja Católica tinha todo o poder, não é bem assim. E esse período é é um período curto da história. Pensando na dinâmica da história, a hierocracia medieval é um período aí de 100 anos, 150 anos, tá? Então isso também é importante. Na verdade, quem tá eh mandando, impondo e fazendo acontecendo com a igreja são os reis, né? Então tem esse período curto aí pensando na dinâmica da história de hierocracia medieval. Mas 1517, eh, nós temos um ponto de inflexão na história que já tá sendo preparado antes por Jaque Lefre, por Savanarola, por John Cliff, por Guilherme Diok, até mesmo sem saber, por Dante Aligieri. Então, tá sendo preparado antes por Erasmo de Rotterdam o caminho da reforma. E a reforma acontece, então, ponto de inflexão, quando aquele monge agostiniano, devoto Santa Ana, né, por causa dos raios que que estavam para cair na cabeça dele e ele diz: "Olha, eu não vou ser advogado, se eu sair com vida daqui, eu vou virar monge". Ele sai com vida e vai parar no monastério agostiniano chamado Martinho Guteto paraa decepção do pai dele que queria que ele fosse advogado. Ele se torna monge agostiniano e ele tinha uma uma dor muito grande, uma um um medo da morte, eh eh uma depressão muito grande em razão do pecado. Ele se achava um pecador, ele se achava um injusto. Como é que ele ia ter salvação? Como é que Deus todo poderoso, sempre eterno, majestoso, eh, onisciente, onipresente, onipotente, olhar para ele um um viu pecador? Então, ele se ele ele encontra ali no livro de Romanos, o justo viverá pela fé. Algo que Lefre já tava falando alguns anos antes, né? Um um teólogo francês. Então, ele ele tem um, digamos assim, né, um eureca. Ele não sai correndo pelado da banheira, mas ele sai correndo da sala de aula e prega na na porta da igreja do castelo de Vintemberg as 95 teses da reforma. São 95 pontos que ele discorda da igreja que está acontecendo na igreja, que ele é um dos membros e que ele chama então o público, ele chama os outros colegas dele, doutores, que davam aula ali em Winterberg para a discussão. Muito dessas teses tem a ver novamente com simonia que a reforma gregoriana não conseguiu afastar totalmente. É nessa época que um cara chamado, um bispo chamado João Testel andava por lá e dizia assim, mais ou menos: "A moeda no cofre, uma moeda no cofre cai, uma alma do purgatório sai." Então é sobre essa esse dito que andava que era popular nas ruas, que Lutero então não aguenta, vai lá e diz: "Não, não, não, não, não pode ser assim. E a gente não pode comprar a salvação porque ela vem pela graça, sola gracia. E esse fundamento está na escritura, sola a escritura. E por que que isso é importante para nós, paraa política, para estado laico, pra liberdade religiosa, para pass que isso é importante? Isso é importante porque a partir desse pensamento só a gracia e sola a escritura e depois sola Cristos, porque a teologia luterana, a teologia de Lutero toda é uma teologia eh eh uma teologia da cruz, uma teologia cruces. Então ele diz o seguinte: "Pera aí, se tudo é por Cristo, é só a graça que me salva e todo fundamento está só na Escritura, por que que eu tenho que obedecer o Papa naquilo que ele não que ele foge da Escritura?" Por que que os príncipes precisam eh eh obedecer o papa em muitas situações? Por que que os príncipes têm que ter cuidado com a igreja? Como assim? Então ele fixa essas 95es, como eu já disse, e isso vira um rastro de pólvora, um rastro de pólvora, porque recente tinha inventada a imprensa de Guntenberg e 3 anos depois, isso já tava 4 anos depois em toda a Europa, até que Carlos V, poderoso Carlos V, sucessor, gente, de Carlos Magno, porque ele é o sacro imperador romano germânico, ele chama Lutero numa cidadezinha Qual? Vormes. Ele chama Lutero para Vormes, tá? E pede para o Lutero abjurar as 95es. Acho que a gente já conhece essa história, mas é importante que Lutero diz: "Não, não me é prudente contra a minha consciência, porque sou cativo à palavra de Deus. Deus me ajude. Amém." Aqui, gente, acontece algo eh eh incrível, porque essa ideia de consciência individual eh não existe como nós pensamos hoje, tá? Autonomia da vontade é trabalhada por por Agostinho Dipona no delírio arbítrio. Eh, eu não tô falando delí arbítrio, eu tô falando de autonomia da vontade. São coisas diferentes. Então, autonomia da vontade, o a pessoa eh ter o seu a sua inclinação para o vício, a inclinação paraa virtude. Começa a se trabalhar isso, mas não para opor contra o Estado ou contra a igreja. A liberdade conquistada foi da igreja se opor contra o estado, a libertas eclesias que eu falei antes. Mas agora de um indivíduo que opor contra o imperador, contra o Estado e também contra a igreja, porque tá lá, porque ele se opõe à igreja, isso é uma novidade. Não que antes pessoas não tivessem feito isso, mas não tinha dado em nada. Aqui o o príncipe da saxônia, Frederico Osábio, rapta então Lutero, coloca Lutero no castelo e fica do anos lá traduzindo a Bíblia pro alemão, unifica a língua alemã. E depois, eh, Lutero vai escrever, o que é muito importante para nós aqui, a teologia dos dois reinos. Nessa teologia dos dois reinos não tá não inaugura o estado laic, mas ele reorganiza a relação entre Deus, igreja, estado e sociedade contra a hierocracia medieval, que já tá em crise desde Bonifácio oitavo, mas ainda tem resquícios. Então, Lutero rejeita a ideia de que o Papa exerça supremacia sobre o poder temporal. Para Lutero, Deus governa o mundo de dois modos pelo reino espiritual, mediante a palavra, a fé, os sacramentos para os luteranos, o sacramento da ceia e o sacramento do batismo e pela graça. E Deus governa pelo reino temporal, mediante a lei, a autoridade civil, os magistrados e a espada, que são necessários para conter o mal e preservar a ordem e o mundo marcado pelo pecado. Isso é Lutero na venha. A igreja não deve governar pela espada. O estado não deve produzir fé. Apenas o evangelho de Cristo por meio do Espírito Santo persuade, perdoa e salva. E apenas a autoridade civil pune, limita e organiza a sociedade. Então, com isso, Lutero rompe a ideia, o modelo medieval de cristandade. O poder político deixa de ser uma extensão subordinada à autoridade papal e o contrário também. A autoridade papal deixa de ser um capacho dos reis. O príncipe magistrado exerce uma vocação própria, um chamado próprio de Deus para o regimento, para o reino temporal. E a igreja deve permanecer fiel à pregação de Cristo e a formação da consciência. Então aqui a reforma enfraquece o universalismo papal, abre uma fissura irreversível na unidade religiosa europeia da cristandade, mas não cria ainda o estado laico e nem a liberdade religiosa como nós conhecemos. Muitas igrejas reformadas começam começam a defender eh a defender a a sua confissão e para isso a depender dos príncipes. Nós temos o famoso exemplo de Genebra, né, com Calvino. Calvino ele trabalha nas institutas cristãs a teologia dos dois reinos de Lutero. lapida a teologia dos dois reinos, mas ele também não se afasta dele no sentido de que a moral cristã ele fala, né, a a Lutero, a verdadeira religião. Então, a verdadeira religião que deve eh ser a moral pública que tá no espaço público. Então, nasce aqui a ideia do cujos reios, ou melhor, cujos régio é e os relígios, ou seja, a religião do rei é a religião do povo. Então, que o boneco era luterano, o boneco tinha que morar num lugar que o príncipe fosse luterano. Se o boneco era calvinista, tinha que pegar malinha e ir lá bater papo com o Teodoro de Bésa, ia ter que ir lá para Genebra. Então para Estrasburgo, se o cara eh tá perdido ali na Europa e virou anglicano, volta paraa Inglaterra. Se o cara é católico romano, vai para Roma, meu gabo. Então, eh, você precisava se deslocar para poder viver a sua religião. Então, nós temos aqui a criação do Estado conf, tá? Nós temos a a a criação do Estado confessional, eh, que dá muita briga, muita confusão, não vou poder aqui conversar com você sobre isso, mas que só é resolvida lá e em 1555, resolvida não, mas atenuada com o tratado de Axburg, né? Então, a gente tem aqui a dieta de Spir 1526 que o Carlos V começa a perseguir todo mundo. Quer dizer, eh, 1526 que ele para de perseguir todo mundo porque ele tá com Maomé I, eh, com com Maomess II não, mas com o povo de Maomé I entrando na Turquia, querendo invadir a Europa, os muçulmanos. Ele tá com uma briga com o Henrique VII, que eu vou falar agora para vocês daqui a pouco, com a Inglaterra. Ele tá no meio de uma confusão. Nós vamos fazer as pazes aqui com os protestantes pra gente enfrentar lá os muçulmanos. 1529 ele revoga a dieta de espira, que é a segunda dieta de espira, eh, por causa da confissão de fé de Augsburg, de Felipe Melankton, que eles não concordam. Ele revoga e aqui a primeira vez nós chamamos chamados de protestantes, porque os o pessoal começa a protestar por causa da segunda dieta de espira. Isso só vai acabar depois do concílio de Trento e 155 com a Paz de Alburgo. E ainda não é muito resolvido, só vai se resolver mesmo depois da guerra dos 100 anos lá eh eh em 1600 e lá vai bola na paz de Vesfal, tá? Mas para nós aqui o que é interessante é que começa a nascer alguma coisa parecida com estado laico, quebra da cristandade, uma distinção maior entre espada, espada eh do do temporal, espada espiritual, que uma não pode interferir na outra. Lutero articula muito bem. Bom, tudo isso que eu falei tá acontecendo ali na na Alemanha, na Suíça, na França, na Itália. Mas tem uma ilha que acontece nas coisas diferente. Na mesma época tem um tiozinho chamado Henrique VI. Esse boneco ele era ele era atrevido, né? Ele tava cansado da Catarina de Aragão, que só dava filha mulher para ele. E veja o detalhe, Catarina de Garagão é nada mais nada menos que tia do Carlos V, o sacro imperador romano Germânico. Guarda essa informação aí, anota aí, meu. Tá aí. Ele tá cansado. A Catarina de Aragão que só dá mulher para ele. Ele quer ter um filho homem. Aí passa por ali uma menina na corte manobre. chamada Ana Bolena. E ele se apaixona por essa Ana Bolena e quer casar com a Anna Bolena. Então ele resolve se divorciar de Catarina de Aragão, concede um parecer dos universitários que ele poderia se divorciar, manda pro Papa e o Papa não é bobo, né? Ele não vai dizer que pode se divorciar, até porque nós estamos falando da tia do imperador Carlos V. Então o papa diz, se não me engano, o papa Clemente diz: "Não, não, não, não, não, não, tu não pode se divorciar, não, não tem como se divorciar. E o que que ele faz? A igreja sou eu." Então ele rompe com Roma, cria a igreja anglico, tá? Eh, depois Ana Molena, Ana Bolena acaba decaptada também, acaba morrendo, morrendo. Ele casa com Jane, Jane Seor. E com Jane Seon ele tem um filho que é Henrique VI. Ele acaba morrendo. Henrique VI eh assume o trono jovem, criança. E o Eduardo VI então começa a promover reformas da igreja, que era praticamente uma igreja católica, né? Eh, muito sobre os auspícios de Thomas Kraumer. Thomas Craumer, então, que era o chanceler inglês, eh ajuda muito Eduardo VI, inclusive nessa reforma, neste nesse momento aqui, a, a reforma tanta tanto luterana quanto calvinista já entrou na Inglaterra, né? Eles já sabem que tá acontecendo a reforma. Nós estamos falando aqui em 1540 por aí, eu acho, 1545. Então, só que o Eduardo VI morre, né? E aí, a princípio, quem deveria assumir seria eh a não, a a James Seon não tinha outros filhos, então deveria ser deveria assumir a Isabeth, que era filha da Ana Bolena, mas Maria dá um golpe. Maria, a filha mais velha de de Henrique VII com a Catarina de Aragão, dá um golpe, prende a Elizabeth numa torre, daí vem as historinhas que vocês conhecem da das princesas em torres, né, presas. Elizabeth que foi presa por Maria e Maria começa a matar todo mundo que não é católico. Represcina a Igreja Católica, torna a Igreja Católica a igreja de novo da Inglaterra, mata quem não é católico e o pessoal começa a fugir. Vai fugir para onde? Ah, para Genebra, por acaso, né? E tem um cara aí que que foge paraa Genebra, que eu acho que vocês já ouviram falar, chamado John Knox, né? E tem um dito que diz que Maria Sanguinária dizia assim, foi a pridade Maria Sanguinária, de tanta gente que ela matou, que ela tinha mais medo das orações de Notes do que dos canhões da França, né? Então, Maria Sanguinária acaba morrendo cedo. Elizabeth então sai da torre, se torna a rainha e a rainha virgem, a rainha piedosa, governa décadas e décadas. Nesse momento, então, os não conformistas são aqueles que não se conformavam que que a igreja anglicana fosse uma igreja de estado, tentam muitas vezes com ela reformar a igreja para que a igreja fosse uma igreja presbiteral, uma igreja que que que tivesse mais mudanças para se afastar mais da igreja católica. E ela faz ali um misense, né? Ela não diz sim, não diz não. Até que 1602, se eu não me engano, ela falece e ela é a última. Ela não teve filho, ela ela não teve marido, ela tanto que ela tinha se apelido rainha virgem, então ela é a última dos Tudor, acaba de nas Tudor e os ingleses vão buscar um rei lá na Escócia. Aqui, gente, que se unifica Escócia com a Inglaterra, tá? Eh, vamos buscar um rei na Escócia que era o Jaime I na Escócia, que se tornou Jaime I da dinastia Stuart. Eh, quem gosta de seriado açucarado, né? E tem um seriado que conta um pouco dessa história que é outlander. Eu não gosto, mas a minha esposa assiste, eu sou obrigado a assistir com ela, tal de Altlander, que conta um pouco desta história aí. Aí o Jaime I, então ele foi, ele estudou uma escola presbiteriana na Escócia. Escócia, ela foi onde nasceu a Igreja Presbiteriana, tem muito reformado na Escócia. E os não conformistas, já chamados agora de puritanos, eles eles então ficam felizes, né? Pô, vai vir um rei da Escócia, o cara deve ser deve ser eh reformado, deve ser calvinista, deve ser presbiteriano. Agora a gente vai reformar a igreja. Chegam pro Gam I diz o seguinte: "Tem que entrego a petição milenar. Isso é 1603. Só que o Jaim pega a petição milionári, rasga e diz assim, famosa frase aí, sem bispo, sem rei. E começam a matar os caras tudo, né? Os caras fogem pra Holanda, países baixos. Lá se cria a igreja batista. Então, nasce a igreja batista aqui, tá gente? 1607, 1606, 1605, tá? Nasce a igreja batista com John Smith lá na Holanda, né? Então, nasce a igreja batista e o pessoal começa a fugir paraa Holanda. Só que tudo tem um limite, né, gente? Até que um ponto, não, não, não, não dá mais para vir para Holanda. Eh, o Jam I acaba morrendo também. Assume Carlos I ou, como dizem os ingleses, Charles, né? Assume Charles I, que era mais louco, mais assassino, matava mais gente ainda. Foi o cara que fechou o parlamento inglês, né? Eh, então eles começam a fugir pra Nova Inglaterra. E tem um navio que ficou famoso, que esse navio ele ia para ele ia pra Nova Inglaterra, que é os Estados Unidos, tá gente? E ele ia pra Bahia da pra Bahia de Uudson, só que no meio do caminho do abusso lá dos caras tava tava meio quebrada, sei lá. E eles vão parar em Cape Code, que é mais ao norte. Quando eles param em Cape Code, pô, a gente não tá mais pela jurisdição, então, da da da Virgínia Company, né? Eh, vamos assinar aqui um documento. São 102 pessoas, 102 peregrinos que estão fugindo da perseguição da Inglaterra, da perseguição do rei James ou Jaime I. Então eles estão fugindo da perseguição lá. Os caras estavam matando quem não era anglicano, matando o católico, matando puritano, matando todo mundo, batista, todo mundo ia paraa forca. Então eles fogem. 1620 é um ano. Eh, o navio deles para numa pedra que a pedra eu já estive lá pessoalmente. A pedra tá lá, tem até um monumento na pedra chamada The Rock. Esse navio para na The Rock, o nome do navio Mayflower para ali e os peregrinos então eh assinam um pacto, né? Ali tem católico, ali tem eh reformado, ali tem até ateu. Eles fazem um pacto. Eles dizem o seguinte: "Olha, vamos então desembarcar aqui. Nós vamos eh alguns vão ficar aqui, outros vão paraas outras colônias, mas vamos fazer um acordo que nós não vamos permitir perseguição religiosa onde nós estivermos. Vamos fazer um pacto que a igreja, a religião não pode se misturar com a política. E aqui então, depois de 50 minutos falando, nasce o estado laico lá em Primof e no ano de 1620. Eu já estive lá, eles fizeram uma réplica do navio, tem esse documento em tamanho gigantesco lá como monumento. Dessas 102 pessoas, apenas 53 sobreviveram. Chegaram lá em menos em novembro, menos 30 ou menos 25, abaixo de zero. Eh, tinha tribos indígenas brigando nesse local. Muitos morreram por porvículas mataram e e ficaram amigos de uma tribo e essa e uma tribo que protegeu eles e tal. Uma história muito interessante, a história da de Primof. Eh, o Willam Bradford se torna então o líder desse grupo, constrói uma cidade, vira o prefeito e até hoje esta cidade é o eu acho que é a única, talvez não seja, mas eu acho que é a única cidade dos Estados Unidos que não tem um prefeito, ela é governada por um conselho presbiteral até hoje, assim, prim, né? Eh, então essas pessoas ali criam então essa ideia de liberdade religiosa nesse documento. 10 anos depois, 1630, e gente vindo, pessoal, gente vindo fugindo da perseguição religiosa. Roger Wigans, um pastor batista, ex-pastor anglicano, que teve que fugir para Holanda porque senão ia perder a cabeça, se torna batista lá na Holanda, pega o navio, para em Priímof. lá em Prim ele fica um pouco, mas ele não gosta muito dessa ideia de conselho presbiteral, essa visão calvinista de transformar a cultura. Ele é um batistão mesmo, né? Eh, com muita influência na Batista de uma de uma separação total. A isso eu não falei. Na reforma protestante, os únicos que falavam separação total, sem nenhuma relação, eram os anabatistas, né? Mas eles não têm impacto eh no seu ponto de vista eh pragmático, porque eles não não conseguem plantar isso em lugar nenhum, tá? Mas os daná batistas eram os que falavam isso na reforma, como diria o o Martim Lutero, as abelhas da reforma. Bom, Roger Willes, então pastor Batista, tem essa influência na Batista, chega lá em Priímof, não curte o que tá acontecendo em Primof. Ele acha ainda que que tem que ter uma separação maior. Ele vai, alguns dizem que ele foi expulso de Primof, outros dizem que ele vai por conta própria para Rod Island, mas o fato é que ele vai paraa Providence em Rod Island. Lá ele faz uma coisa impensável e se envolve na política. Para quê? para ser o cara que escrever a constituição de Rob Island para criar de uma vez por todas o estado. A separação total entre igreja e estado all wall of separation between church and state. Isso acontece pela primeira vez na história da pena de um pastor batista que cria inclusive a primeira igreja batista nos Estados Unidos chamado Rod Williams em 1643 45 se não me falha a memória. E o que é interessante que realmente esse documento vira a constituição da província de Rod porque ela é homologada pela coroa britânica no ano de 1663 pelo rei Charles II, que é o irmão do Jaime I, que o Jaime I, você sabe a história, vai ser o cara que vai ser deposto pro Guilherme de Orange, que é onde vai acontecer a revolução gloriosa, mas isso não é conversa para hoje. Então, a coroa britânica homologa a constituição de Rodenhe. E aqui nasce a primeira vez a ideia de estado: meu Deus, já são 55 minutos falando. 100 anos depois nós temos a independência norte-americana que parte desse pressuposto de liberdade religiosa, de não perseguição, de proteção aos religiosos. O muro que existe é o muro que existe aqui é para proteger os religiosos, é para que o Estado não invada a religião. É para isso que tem esse muro. A Constituição norte-americana nasce na tela a frase, a frase que na que a declaração de dependência, considerando essas verdades como autoevidentes que todos os homens são dotados pelo de iguais de são são criados iguais. que são dotados pelo criador de de certos direitos inalienáveis. Tá ruim de ler aqui. Que entre eles são a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Assim nasce os Estados Unidos falando em criador. Depois tem a Constituição norte-americana, tem a primeira emenda, famosa primeira emenda, que é a emenda da liberdade religiosa, né, da proibição, da proibição de uma religião, do estabelecimento de uma religião, da liberdade religiosa, da liberdade de expressão. Nós estamos já aqui eh 1776, a declaração de independência norte-americana, 1791, a primeira emenda à constituição norte-americana. No outro lado do Atlântico, não é isso que tá acontecendo. No outro lado da do Atlântico tá acontecendo a Revolução Francesa, que eu tenho certeza que enganaram muitos aqui dizendo que a cidade nasce na França, né? Não, não, não. Na França nós temos uma um um uma nação estratificada com com clero, nobreza, eh clero, nobreza e burguesia, eh além da classe operária. Então, depois de por vários fatores aqui, pelo Iluminismo, antes pelo próprio renascimento, depois do Iluminismo, humanismo, muitos, muitos fatores nesse caldeirão que eu não tenho tempo de falar para vocês, seria, seria só uma aula de mais de uma hora para falar ali todo o caldeirão que, que envolve a Revolução Francesa, mas o fato é, e o que é importante aqui é que a religião, especialmente a religião católica, que é a dominante na França, ela é um mal paraa república, ela é vista pelos franceses como um mal a ser combatido. Alexídio Tokivir diz que a primeira paixão que nasceu foi a na Revolução Francesa, foi a paixão contra a religião. E a última paixão que se apagou também foi a paixão contra a religião. Eh, 200, mais de 200 padres são mortos. O Robspier falava para quem quiser ouvir que ele queria matar o último, enforcar o último rei nas tripas do último padre. Esturuparam, esturparam eh eh freiras carmelitas. Então, eh, saquearam igrejas, criaram em 1790, em 1790 a Igreja Constitucional da França, que é a igreja positivista, eh, e usar os tempos católicos para essa igreja positivista. Inclusive, tem uma aqui, tem três igrejas positivistas que eu saiba no mundo. Uma tá aqui em Porto Alegre, na Avenida João Pessoa, uma é no Rio de Janeiro e uma é na França, em Paris. Então, criar essa igreja positivista, uma igreja baseada em apenas e tão somente em metafísica. Ã, e assim a a religião católica foi expurgada da praça pública e silenciada até vir Napoleão Bonaparte com o golpe 18 de Brumário e depois com a concordata com a Igreja Católica para restabelecer a liberdade da igreja na França. Mas nunca mais foi a mesma coisa. eh a a religião sempre foi vida vista ou com desconfiança na França ou como um mal a ser combatido, tá? Eh, é interessante aqui um detalhe histórico que desde a revolução de independência dos Estados Unidos até hoje não teve nenhuma revolução nos Estados Unidos, nenhuma revolução de de tomada de poder. Houve conflitos internos, mas revolução de poder para tomada de golpe de estado nenhuma. No mesmo período na França tiveram oito, sete ou oito. Isso é só uma, talvez uma coincidência ou não. Bom, e aqui entrando para terminar a aula no que então é um estado laico que nasce nos Estados Unidos da América. Não tem nada a ver com França. Estado laico é a separação, não a expulsão da religião e não interferência recíproca. Isso é estado laico. O estado laico tem que ter separação e liberdade de atuação. igreja estados não estado não forem separados e não houver liberdade de atuação, não tô falando em liberdade religiosa, tô falando em liberdade de atuação do Estado e liberdade de atuação da organização religiosa que implica não interferência, que foi o que o Roger Williams queria lá nos Estados Unidos. Não é estado laico. Por isso que nós não consideramos a França um estado laico, porque a França não tem separação na medida em que o governo francês empurra a religiosidade para o espaço privado. Quais estados nacionais então t separação e liberdade? Dois exemplos, Estados Unidos e Chigen, tá? O Chigo, inclusive teve na na história da Corte Interamericana de Direitos Humanos, apenas dois casos chegaram na Corte sobre liberdade religiosa. Foram dois casos que a liberdade religiosa venceu no Chile. o caso Alme Bustos e o caso Pavzo, Pavzo, que lá na Corte Interamericana a Corte entendeu diferente, desprezou a liberdade religiosa e e revogou a decisão chilena. Mas no Chile, então, nós temos a liberdade religiosa, eh, a característica do do da separação e da liberdade. Nos Estados Unidos é interessante o teste Lemon, que eu não vou poder falar sobre vocês, mas o teste Lemon, uma decisão eh Lemon versus eh United States lá na década de 70 do século passado, em que se se fez então um teste com quatro ou cinco checklists. Se acontecer alguma coisa, vai ver que esse checklist. Se se fechou o checklist, não é violação ao estado laico. Se uma daquelas requisitos não não fechou, então é uma violação ao estado recentemente, 2022 nós temos o caso Kennedy versus United States, que é o caso de um de um professor que no no professor de educação física. Então ele com seus alunos jogava futebol americano e tal, fazia parte do da ementa da disciplina, do programa de disciplina, professor de uma escola pública. E ele quando quando acabava o jogo, ele orava no meio do campo, se ajoelhava, orava um ou dois minutos. Os alunos começaram a fazer isso com ele espontaneamente e ele foi então demitido porque era um funcionário público. Ele não deveria fazer isso. Isso uma violação estado laico. Ele recorreu, foi até a IDF que cuidou esse caso. Eu sou advogado da IDF aqui no Brasil. Ele, a, a DF, a IDF assumiu o caso, ele recorreu, perdeu em todas as instâncias baseadas no teste nemo, chegou na Suprema Corte, a Suprema Corte disse algo que foi fantástico, o seguinte: "Olhe, nós precisamos olhar pra nossa origem e nós nascemos para proteger o religioso. Foi assim que Estados Unidos nasceu. E esse cidadão, ele quer só orar no no fim do jogo, agradecer a Deus que que todo mundo que que nenhuma criança morreu, que nenhuma criança fraturou um braço. Um 2 minutos. Não pede para ninguém fazer isso, não pede o microfone e faz silenciosamente. Os alunos vão porque querem e a gente não vai proteger esse professor. Que que a gente vai fazer com a nossa história? E aí revogou a a demissão dele, ele ele voltou ao quadro a ser professor. Eh, e aqui então nós vemos Estados Unidos mudando um pouco a sua laicidade. A gente vai ver para qual laicidade nós temos as teocracias, que eu nem vou entrar aqui porque eu já falei bastante, as teocracias modernas aí que vocês conhecem, Paquistão, Afeganistão, Irã e tem outras que é uma confusão entre estado e religião. Já falei isso. O laicismo que eu acabei de falar que nós temos na França, na Bélgica, na China e na Coreia do Norte. Alguém vai dizer: "Não, mas a China é comunista." Sim, a Coreia do Norte também, mas icido não tem a ver com com política econômica, gente. A relação igreja e estado, ela ela tem a ver com presença, com apoio do Estado ou não, né? Então, na França, a neutralidade que eles dizem ser neutros, quando eles falam neutros, é um viés de exclusão, que a religião só pode ser ser professada no privado, né? Eh, já na China, essa restrição é ainda maior, porque ela também restringe o imagético da da religião, né? Eh, inclusive e na tentativa até de invadir símbolos e e ditar regras sobre símbolos religiosos, mas ainda é um laicismo porque quer excluir a simbologia, o imagético religioso, né? Não dá para chamar de estado ateu. A experiência de estado ateu é uma experiência que aconteceu apenas na Albânia e e por muito por pouco tempo e levou a Albânia pro buraco, inclusive. Então, lá, estados confessionais. Estados confessionais é o modelo pensado pro Lutero e pro Calvino, tá? Que é o que nós temos na nos países nórdicos da Europa e também alguns países no centro europeu, países menores como Mônaco, como Leneststein, como Malta, como Chipre. Então são países que t uma vinculação com uma religião, tem uma religião oficial, mas tem liberdade religiosa. Só que a liberdade religiosa acaba sendo mitigada em razão dos benefícios para a religião oficial. E aí nós temos uma, já terminando, gente, nós temos uma evolução da laicidade que é a soma de duas características, a benevolência e a colaboração. Porque separar não significa hostilizar o fenômeno religioso. É importante reconhecer a relevância cultural, histórica, social e a própria relevância moral da religião para o bem comum, para o bem público. E se a religião tem uma importância para o bem público, para o bem comum, por que não colaborar com ela, ter medidas colaborativas, que é o que os países da Espanha, Portugal, Itália, Alemanha fazem no momento aqui de perguntas, eu posso até esclarecer como é que funciona essa colaboração nesses quatro países. Tô vindo da Espanha agora, todo ano eu dou aula lá na Universidade Autônoma de Madrid e também em Portugal, na Lusófone de Portugal. Então eu posso dizer para vocês como essa colaboração funciona nesses países, mas o fato é, se a religião é boa, por que que o Estado não pode colaborar com ela? Não é interferir, não é violar, é andar junto. E isso tá começando a acontecer com os Estados Unidos, com essa virada dessa decisão Kennedy, eh, que eu falei para vocês agora a pouco, né? esse reconhecimento da importância da religião, inclusive no espaço público, que é o modelo brasileiro, tá? Aqui tá o artigo 19, inciso primeiro da Constituição, que deixa bem claro esse modelo, né? É o modelo colaborativo. Então, gente, quando fala estado de laico, tu tu pode dizer assim: "Graças a Deus, porque esse estado laico protege a religião, protege o religioso, protege a minha fala, inclusive no espaço público, porque o nosso estado é laico e é colaborativo. Ele reconhece a importância da religião. Isso não é o professor Thago que tá falando, não é o professor Iago, isso tá na Constituição, em 12 dispositivos constitucionais. Amanhã eu vou trazer muitos outros para vocês, mas esse aqui é o da laicidade. Na opção constitucional brasileira, pelo modelo de de eletriidade colaborativa, está bem clara a proteção ao culto, que é um dos elementos essenciais da própria existência de uma religião. O constituinte, gente, originário, o cara lá que fez a constituição, ele utilizou duas expressões muito importantes que tem uma natureza tassativa, que é o particípio do passado, a primeira partípio do passado do verbo vedar. Ele disse é vedar. Por mais que semanticamente eh vedar equivale a proibir ou vedado equivale a proibido, o vedado tem uma carga semântica muito maior que o proibido. Então o constituinte ele quis ampliar o peso proibitivo aqui. É, quer dizer, gente, é mais que proibido, vedado. Quando a gente veda uma porta, nem o ar passa. Se tu quer defumar lá uma costeleta de porco, para quem não é adventista, pendura da costeleta de porco no telhado, faz um fogo embaixo, fecha as janelas, veda as janelas e as e a porta, o ar não vai sair dali. Nem o ar sai quando uma porta é vedada. Eu tô aqui com portas fechadas até um no começo vocês viram pedindo pra Sofia fechar a porta e eu não morri ainda. Por quê? Porque tem ar circulando, por mais que a porta esteja fechada, porque ela está fechada, ela não está vedada. Aqui tem uma ideia absoluta de interdição. Ao empregar essa expressão, o texto constitucional evidenciou a gravidade de qualquer forma de interferência e ela ganha mais cargas semânticas ainda. Se é possível, VW ganha mais carga semântica. Jesus é possível, porque, ó, leiam ali, o próximo verbo é embaraçar. Então, a Constituição não tá vedando impedir os cultos, está vedando até mesmo embaraçar. Após estabelecer a vedação no cap, o inciso emprego o verbo embaraçar como núcleo verbal da frase constante no inciso e conjuga esse verbo na forma infinitiva, acrescentando o pronome oblíquo l, que se refere a alguma coisa. Se refere ao quê, gente? Tá escrito aos cultos religiosos e às igrejas. E aí tem gente que tem ataque, igreja, mas o Brasil, o Brasil é laico, igreja é coisa de crente, por que não tá terreiro? Tá igreja. Foi o que o constituinte quis colocar. Que pô, que que claro que por estado seráico é amplo. Igreja sentido gato, é terreira, sinagoga, salão do reino, etc. Mas o verbo embaraçar denota uma ação de dificultar ou criar obstáculos para o funcionamento dos cultos religiosos à igreja. E é vedado esse embaraço. O constituinte não usou impedir. O constituinte usou embarastar para deixar bem claro que qualquer tipo de interferência é vedada. não é proibida, é mais que proibida. É verdade. E terminando essa análise sintática aí desse artigo 19, o substantivo comum que nós temos nessa frase, funcionamento, desempenha o papel complementar direto do verbo embaraçar. Ou seja, qual aspecto está sendo afetado pelo verbo embaraçar, pela ação do verbo, ação humana, o funcionamento. Ou seja, é vedado embaraçar o funcionamento. Então, o embaraçares, verbo mais pronome oblíquo, direciona-se para quê? para o funcionamento dos cultos e das igrejas. Essa mostra eh esse artigo, esse dispositivo mostra a importância da do fenômeno religioso para o Brasil. E termina dizendo, diz assim, ó, vamos continuar. Não pode manter com eles relação de com eles outros ser representados relação de dependência ou aliança. Quer dizer que não é confional, porque num estado confessionional pode ressalvada, ou seja, não pode ter aliança, mas pode na forma da lei. A lei é a lei do do o lei do marco civil das ONES, a lei 3019. Mas pode colaborar para quê? Pro interesse público. Interesse público, leia-se bem comum. Vamos lá para Hero Novaro de de do do Papa Leão. Bem comum. Que que é o bem comum? o florescimento humano. Então aí o estado brasileiro e a igreja, não importa qual seja, porque nós temos no Brasil a característica da igual consideração, que é o viés de neutralidade. Quando a gente fala neutralidade no Brasil ou nos Estados Unidos ou na Itália, Portugal, Alemanha, Grécia e outros países, nós estamos falando com viés de imparcialidade. Quando a gente tá falando em neutralidade nos países de língua branco e de língua francesa, nós estamos falando de explosão. O francês quando fala neutralidade, ele tá dizendo excluir. Um norte-americano ou um espanhol, quando tá falando neutralidade ou um brasileiro, deveria ser, ele tá falando imparcialidade. Então a colaboração, se é com uma é com outra. Esses dias fiquei sabendo que que nesses dias, não, mentira, faz tempo já, que a Umbanda e a e o candomblé, se eu não me engano, é, fazem parte da fila do SUS. para o tratamento, né? Legal. Tudo bem. Colaboração. O estado reconhecendo que o ser humano holisticamente também precisa da fé, da espiritualidade. Já é comprovado inclusive que que a espiritualidade ela ela ela te deixa melhor, tá? Mas por que que é só umbanda? Por que que não é também o a igreja batista? Então igual consideração. Se pode a Umbanda, pode a igreja batista. Assim como para entrar no presídio, se pode o pastor, pode também o Babichá. Essa é a nossa laicidade. Então, qual o mínimo para o Estado ser considerado laico? Separação e liberdade religiosa. Se não tem separação e aqui liberdade religiosa, tá errado aqui. É liberdade de atuação. Não. Por quê, gente? Porque um estado que não é laico pode ter liberdade religiosa, como tem na Dinamarca, como tem na Inglaterra. Ing naer não é estado tá? Então é separação e liberdade de atuação. E qual é a evolução? Qual o melhor sistema para proteger a nossa liberdade de fato? Aquele que possui as características da benevolência, da colaboração e da igual consideração que eu acabei de falar. Além da separação e liberdade. Qual país que tem isso? Esse país aqui, teoricamente, nós temos o melhor sistema de o melhor sistema de laicidade do mundo. Eu defendo isso nesse livro, já fica aí a propaganda. Laicidade colaborativa brasileira, são 300 páginas que eu escrevi com Jean, onde a gente 100 páginas conta a história da laicidade, 100 páginas analisamos a laicidade no mundo e 100 páginas analisamos o Brasil, né? a gente fala dessa laicidade. Com isso aí eu termino a aula de hoje. Hoje foi mais longa, eu até tinha falado pro Iago porque eu ia ter que falar muito de história, mas amanhã eu prometo que a aula vai ser aí no máximo 50 minutos e sexta-feira também. É isso. Muito obrigado, gente. Não sei se o Iago tá por aí, já deve ter dormido. Deixa eu só tirar a apresentação aqui. Dormiu, viu? Que tá? >> Não dormi, não dormi. Tô aqui. >> Ah, tá aí, tá aí, tá aí. Ah, Thiago, que palestra maravilhosa, muito conteúdo, muita informação. Ah, de graça aqui no YouTube. Pra gente uma alegria imensa poder disponibilizar tudo isso de forma ah acessível aos clientes do Brasil. Eu vou dizer, tá? é conteúdo que tem gente pagando caro para ter acesso em outras plataformas, em cursos e o Thiago generosamente ah está dando aqui para vocês. Então, valorizem isso através de aprender, através de aplicar isso na sua vida, ter essas informações no seu processo de aprendizado. A gente selecionou aqui algumas perguntas, Thago, ah, pra gente ah conversar. Mas antes de eu ir para das perguntas, deixa eu dizer para vocês que as inscrições para o próximo fórum de cosmovisão já estão abertas, tá? A gente sempre anuncia o fórum seguinte no fórum anterior. É uma tradição, sempre tem um ano de antecedência pro pessoal ficar sabendo se preparar. A gente já tem data, já tem tudo. A gente vai estar juntos ano que vem discutindo se ainda existe um projeto cristão de sociedade. Vai ser o 13º Fórum nordestino de Cosmovisão Cristã. A gente vai ter a presença aqui no Brasil de Matthew Keming da Universidade Teológica de Utrat. Vai ter eu, vai ter o Pedro Dult de Goiás. a Guilherme de Carvalho e Ednardo Duarte. Esses nomes por enquanto, talvez tenhamos mais ainda. E as matrículas já estão aberta. Você pode se matricular, se inscrever hoje. E aí, você que tá com a gente aqui hoje, a gente preparou aí um Kitude para você, tá? Os 50 primeiros primeiros inscritos do livro ah do livro não, do do fórum vão ganhar gratuitamente o livro do Dr. Matthew Keming, publicado pela Thomas Nelson Brasil, o Teologia Pública Reformada. O livro tem basica quase o preço da inscrição. Então se você se inscrever o você tá basicamente comprando o livro um pouquinho mais caro só do que o preço do livro. Você ganha o livro e isso vai ser pros primeiros 50 matriculados no próximo fórum. Então corra. A gente tá divulgando exclusivamente aqui nesse fórum durante esses próximos três dias. Depois de 50 inscritos aí não vai ter mais esse livro como um presente, mas é para honrar você que tá aqui com a gente já nesse fórum. Thago, vamos para algumas perguntas. O link vai tá tá aí no comentário fixado, você pode ir lá se você já quiser. Ah, depois que a live acabar vai tá aqui nos comentários aqui embaixo. Vamos para as perguntas. Thiago, você tem energia ainda aí para responder algumas? >> Vamos lá. Vamos lá. Toca ficha. >> Legal. Vamos lá. Ah, uma pergunta aqui sobre estado laico cerca. E aqui eu acho que é um comentário de um crítico. Então vamos ver aqui que tem uma tem uma uma alfinetada aqui. Ah, cerca de 86% a 89% dos brasileiros se declaram cristãos, muitos com posições ideologicamente conservadoras. Aí ele mandou aqui, ó, estado laico não existe no Brasil. E aí fez um comentário meu meu ao lado dizendo cristofobia não existe fim. Ah, comenta um pouco sobre o Brasil ser majoritariamente cristão e a existência de estado laico ou não. Isso ameaça o estado laico e isso significa que não existe cristofobia no Brasil? Duas perguntas em uma aí baseada na informação de que existem muitos brasileiros cristãos. >> Vamos lá. Então assim, gente, eh existe uma uma confusão conceitual e eu falei muito rapidamente aqui sobre as as os modelos de laicidade, né? Primeiro que laicidade é uma relação entre o Estado e o fenômeno religioso. Se é uma relação, é dinâmica. Não existe relação estanque. Não existe uma uma uma coisa uma relação que é um quadradinho que é 2 + 2 é 4. Então, relacionamento implica em dinâmica. implica em em relações diferentes. Eh, as nações, os estados nacionais, eles têm pressupostos diferentes. Eu fiquei aqui 50 minutos ou mais, eu acho, falando de história para trazer para vocês alguns pressupostos. Então, o Brasil bebe de fontes diferentes, por exemplo, dos Estados Unidos. Lá nos Estados Unidos nós tivemos uma influência muito grande de John Haw, de Thomas Robs no Brasil, da escola de Salamanca na formação do Brasil e outras e tantas influências. Então isso faz com que o Brasil seja um país único, um país diferente, que vai ter uma laicidade única e uma laicidade diferente. Esse é o primeiro ponto. Então não existe isso da tua cabeça, meu amigo, de que estado laico é igreja e estado não pode se relacionar de jeito nenhum e e ponto. Não, não, isso não é estado laic, tá? E talvez tenha algum país que tenha uma laicidade mais rígida como tu gostaria. Uruguai tem uma laicidade mais rígida, não é? por causa dos pressupostos que a a a nação uruguaia se alimenta. Esse é um primeiro ponto, tá? Segundo ponto, para um país ser laico, ou seja, laico significa ser separado da igreja, ele precisa ter essa característica da separação. E o que que é a separação? A separação implica dizer que o Estado não estabelece uma religião ou a religião não estabelece o Estado. Como José Afonso da Silva dizia que não tem confusão entre um poder e outro. Esse confusão, essa confusão acontece no Irã. No Irã os os o é a xaria que comanda a lei civil. no Irã, na Constituição do Irã, diz qual é que é a a teologia muçulmana que interpreta a Constituição, com a corrente teológica islâmica que interpreta a Constituição. É como se tivesse no Brasil, olha, a Constituição tem que ser interpretada pela corrente calvinista hipercalvinista. No Irã, tá assim. Qual a corrente? >> Só que adoraria isso, hein? >> É, pois é. Qual a Constituição que interpreta, qual a corrente teológica que interpreta a Constituição? Isso é uma teocracia. O que que é estado confessional? Estado confessionional é quando o estado tem uma religião oficial e ele diz: "Olha, nossa região é luterana e para ser presidente do Brasil tem que ser luterano." Tem isso aqui? Não. É assim na Dinamarca. Para ser rei na Dinamarca tem que ser luterano. Se não for luterano, não pode ser rei na Dinamarca. Entendeu? A igreja do povo, que é a igreja luterana da Dinamarca, é a igreja oficial do do da Dinamarca. É a igreja que tem muitos e muitos benefícios. As outras religiões, todas, inclusive a católica, tem que inclusive prestar contas, tem que apresentar os balanços para o Estado. Tu tem que apresentar, será que os os umbandistas têm que apresentar balanço aqui no Brasil? os testemunhos de Jeová, não. Então, eh eh o estado confescional é aquele estado que ele uma religião oficial, tudo gira em torno daquela religião oficial. As pessoas têm liberdade religiosa, mas as instituições religiosas têm uma liberdade mitigada. Também não acontece isso no Brasil. O Brasil tem uma aproximação muito grande com o catolicismo por causa dos pressupostos históricos, a não ser que a gente mude o nome de São Paulo para Paulo, por exemplo, né? Então, existe, eu terminei a minha palestra com a bandeira do Brasil mostrando que na bandeira do Brasil tem uma cruz no meio dela, né? Por quê? Porque o Brasil foi foi descoberto por jesuítas, porque o Bom, vocês sabem tudo a história, não vou ficar aqui falando isso. Então, existe uma identificação primeiro com o catolicismo, que é uma religião cristã, cultural, social, filosófica, até mesmo. Segundo aí é a partir da Constituição de 1946, mas na de 88 isso fica mais claro, eu vou falar mais isso amanhã, que a Constituição brasileira enxerga a religião como algo bom. Isso tá presente na Constituição Brasileira de capa a capa. Enxerga a religião como algo bom. Se a religião é algo bom, a religião pode participar do espaço público, pode ter voz, pode opinar. Artigo primeiro da Constituição fala que um dos fundamentos da nossaú república é o pluralismo. Todos podem falar, todos podem participar, né? E essa é uma, essa é uma, eu diria, qualidade, talvez você não, mas essa é uma característica brasileira, enxergar a religião como boa e que todos, inclusive a religião, não só o religioso, a religião também pode participar da coisa pública. Então é isso, né? Então eu vejo que o nosso lacidade é uma lacidade diferente. Não chega a ser um estado confsão oficial e não temos bence nenhuma sobre o ponto de vista jurídico. Questão de fato é outra. Sobre o ponto de vista jurídico. Nenhuma benéce para a Igreja Católica e nem para os cristãos. Nenhuma so ponto de vista jurídico. O que vale pro católico, vale pro batista, vale pro bandista. Com relação à cristofobia, eu vou te dizer assim, ó, esse termo é um termo que que ele é um termo usado e ele tá deslocado. Por quê? Porque cristofobia é a perseguição religiosa ã ã extrema, tá? que acontece muito no Oriente Médio, que acontece muito no no norte da África, que acontece na Nigéria, na Eritreia, eh, no Afeganistão, no Paquistão, na China, na Coreia do Norte e tal, né, que tem a perseguição extrema e a perseguição real. A extrema é morte, a real é confisco de bens e tal. No Brasil, nós temos o que a gente chama de perseguição simbólica, né? Que que é perseguição simbólica? É utilizar os aparatos do Estado para perseguir alguém. Isso nós temos no Brasil. Tá? Eh, é, é padre que se fala, o Frey Dilson agora tá sendo processado. Ele não pode tá sendo processado porque a DO26 é clara que aquilo que o Frei Gilson fez não é crime de homotosfobia. Eu vou falar para vocês aqui na sexta-feira. E aí tá sendo processado. É. E aí vai ter que contratar um advogado, vai ter que gastar grana. Aqui, ó. O Iago foi processado por uma coisa ridícula que eu que eu participei lá da defesa junto com o advogado dele. É cristofobia. que de novo, cristofobia é deslocado, mas não deixa de ser uma cristofobia também. Por que que eu não vi isso acontecendo com um muçulmano aqui no Brasil, né? Bom, foi aconteceu com Iago, aconteceu com o Fre Gilson, aconteceu com o padre Antônio Niterói e aconteceu com vários e vários pastores. Eu sou advogado de vários, né? Então nós temos isso. Por que que tu disse cristofobia não tem no Brasil fim? Porque realmente cristofobia é um termo que tá deslocado aqui no Brasil. Mas se tu entender violência simbólica, que violência simbólica não é faz de conta, violência simbólica é usar o aparato estatal para perseguir alguém. Se tu entender isso como violência, então pode ser que sim, que tenha custofobia no Brasil. >> Excelente resposta, Thaago. Ah, tem uma pergunta aqui de caráter um pouco mais pessoal, mas eu acho que vale muito a pena. Ah, o amigo aqui comentou, quero a atualização do livro Direito Religioso. Estou querendo comprar o livro. Tem previsão de atualização? Quarta edição foi em 2023 e ainda foram foram foram acho que foram impresso 5.000 exemplares e a última vez que eu vi tinha ainda uns 500 exemplares quando eu falei com a vida nova, né? Então eu já tô, eu já tô preparando a atualização para quando, quando chegar lá nos 50 exemplares, eu já mandar pra Vida Nova e Vida Nova já fazer a quinta edição, né? Eu acho, >> eu acho que lá pelo início do ano que vem vai sair a quinta edição. >> Excelente. Eu peguei na minha edição hoje. Dei uma folhada uma folhada nela hoje. Tô mudando de casa. Peguei os livros aqui aqui de casa. >> Peguei >> e tem tá faltando alguns livros aí. >> Tá faltando. Tá na outra biblioteca. Tá na casa nova. Uma pergunta aqui, o estado cristão seria melhor ou pior que um estado laico? Que é pergunta polêmica. >> Eu não tenho dúvida que seria pior, tá? Por quê? Porque aonde nós tivemos um estado cristão, a igreja se institucionalizou. E quando a igreja se institucionaliza, ela perde a sua vocação, ela perde seu chamado. Na Finlândia, a Finlândia é um estado cristão, confessional. Uma parlamentar o titou um versículo bíblico dizendo que homossexualidade é pecado, foi processada, condenada, perdeu em todas as instâncias, todas. É ridículo no estado cristão. Mas por quê? Porque a teologia que que a teologia da igreja oficial é a teologia liberal, método histórico crítico, mas não era 100 anos atrás na Finlândia. Então, o estado cristão eu acho péssimo, tá? Eu sei que existe movimentos aí de de tal, por quê? Eu disse isso para uma aluna minha ontem, gente. Uma aluna minha mora nos Estados Unidos, tá fazendo um trabalho e pediram para ela fazer um trabalho sobre liberdade religiosa, eh, priorizando a religião cristã lá nos Estados Unidos pediu para fazer esse trabalho. Aí eu disse para ela perguntou para mim, vai, professor, tu sempre me disse que liberdade religiosa é para todos, né? Ficou estranho, como é que eu vou fazer isso? Eu disse para ela, olha, o o Calvin tava muito certo quando disse que existe a verdadeira religião e a verdadeira religião é a nossa. Bom, a moral cristã já diria Francis Shafer, olha só que curioso, quando ele quando ele escreve como viveremos, ele diz que a moral cristã está acima de todas. Então, gente, se a gente deixar a moral cristã no espaço público, sabe o que que vai acontecer? Luz e sal. Joga sal na panela e água. O que que acontece? Salga a água. Aí eu disse para ela, faz assim, ó. Diz assim, ó. Coloca no ring o John Claud Van Dame, o Steven Seel, o Anderson Silva e o Bruce Lee. Tu acha que o Bruce Lee não vai dar um pau em todos? Vai, né? >> Eu não sei, >> cara. Coitado dos outros. o bru vai dar uma tunda. Então eu disse assim, ó, eu não tenho preocupação de ter outras religiões no espaço público, porque eu entendo que o cristianismo é a melhor religião. Qual o problema de ter outras? Agora dizer assim: "Não, não, não, não, no ring só vai ter o cristianismo." Isso estraga o cristianismo. Por quê? Porque vai ficar sozinho no ring, ele vai não vai não vai se exercitar. Ou então ring é uma coisa de luta, briga, né? que fica feio. Então pensa assim no no numa corrida de 100 m que tem nove raias, usa um bold correndo sozinho, ele não vai correr, vai caminhar, os músculos vão atrofear e aí vai virar a igreja da Finlândia, né? Então por isso que eu defendo um estado em que todas as religiões possam participar e que vença a melhor, porque a verdade sempre vence, já dizia John Sturtig e sobre liberdade. >> Amém. Muito bom. Vamos paraa última. A última pergunta é: como podemos saber quando a religião está interferindo negativamente no Brasil? Como cristãos, sempre notamos perigos paraa nossa liberdade, mas como notar uma influência ruim de cristãos no estado também? >> E por isso que eu falei da história, né? Ao hierocracia é um movimento ruim, né? Eh, antes da hierocracia eram os os reis tentando tentando não, né? eh, fazendo gato e sapato com a igreja, né? Nomeando bispo, fazendo o que eles queriam. Depois o Gregório dá uma virada nisso, mas a virada é muito forte e vira uma hierocracia, né? Aonde os líderes religiosos eles eles eles mandam no Estado. E eu acho isso ruim porque o princípio o princípio de uma sociedade coesa é a não inter, ao meu ver, é a não interferência nestas esferas que são diferentes, né? Eu não vou usar aqui as as esferas do Kiper, né? Eh, porque são várias. Eu quero eu quero fazer uma coisa mais Jack Maritã, que farem duas ordens apenas, ordem política e ordem espiritual. Essas lógicas, gente, cada uma tem uma, essas ordens, cada uma tem uma lógica interna. Cada uma é, ela tem um fim nela mesma. No momento que tu mexe, que tu de fora entra nessa lógica interna, tu deturpa a lógica. E ao deturpar a lógica, tu desordena essa lógica. E quando tu desordena o processo interno dessa ordem, que que vai gerar? Caos. Quando o Estado faz isso dentro da lógica interna da religião, ele gera o caos. Quando a religião faz isso dentro da lógica interna do estado, ele gera o caos. É o Thiago Vieira que tá falando isso com suporte histórico. A história nos prova isso, né? Eh, e o Kiper quando tá falando da soberania das esferas, ele tá também falando para ele, ele ele na verdade ele a teologia das esferas nada mais é do que o resultado empírico da observação que ele fez antes dele, os Autúzios, né? Eh, então é o que eu entendo, a no momento que a religião entra na lógica interna do poder político, eu tô falando poder político, não partido, tá gente? PT, PL, PSDB, eu tô falando da política em si, do do poder de estado, né, do do do da engrenagem política. Quando a igreja, um líder religioso, entra nessa engrenagem, não para influenciar, que eu acho que influenciar é bom, tá? E e eu acho que eu já mostrei isso para vocês, tudo que eu falei. Eu digo quando entra para para mexer na lógica do outro sistema. Aí isso é péssimo. Para terminar minha resposta, tem um autor muito bom que escreveu a teoria dos sistemas. Ai gente, me falou o nome dele agora. Teoria dos Sistemas. é um alemão que ele explica esse alemão. Eh, deu branco aqui. Pera aí, deixa eu pôr no Google aqui. >> Ludvig Berlfei. Não, >> Bertalanfy não. >> Teoria, teoria dos Teoria dos sistemas. Nichlas Luman. Teoria dos sistemas sociais. Nichlas Luman. Tá? O Nichlas Ruman fala da teoria dos sistemas, que é exatamente isso que eu tô dizendo para vocês, né? Ele fala da autopoética. Então, quando você invade a autopoética de um sistema social e você não pertence à aquela autopoética, você vai gerar o quê? cor vai corroer aquele tecido social, vai se desmanchar e é só só porcaria que que vem disso. >> Thago, muito obrigado, muito obrigado pelo seu tempo. Já chegamos aqui às 10:10, quase 1:40 aqui de conversa. Ah, a mais a introdução, a gente já começou com chave de ouro, aula magna. Ah, ele prometeu que as duas próximas seriam mais curtas. Acho triste. Gosto que seja que seja assim. Ah, lembrando todos, amanhã estaremos juntos novamente nesse mesmo horário, nesse mesmo lugar, às 20:30, para conversar sobre a nosso tema: Pai sem voz é medo. Lembrando, as inscrições pro próximo fórum já estão abertas, estará no comentário fixado aqui embaixo nessa live. Vamos encerrar e nos encontramos amanhã, se Deus quiser. Deus abençoe a todos. Obrigado, Thago. Obrigado, pessoal. Até amanhã.