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A fé vem pelo ouvir

Obra: O Discípulo | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa

Obra: O Discípulo | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa

Obra: O Discípulo | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa

O Discípulo – Oscar Wilde

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>> เ
Olá,
estamos nós aqui outra vez, né, Rina
Mari? Sejam todos muito bem-vindos. É
uma alegria muito grande estar aqui com
vocês novamente. Espero que vocês
gostem, que vocês curtam, que comentem,
que participem, que divulguem. Tudo bem,
Rina?
>> Oi, Leid Bell. Olá para você, para você
também que tá aí nos assistindo, né?
Participando do Ler para Crer, o Clube
do Livro da IBNU. Ler para Crer, Clube
do Livro da IBNU. Esse mês, Bel, a gente
vai falar sobre
>> é o discípulo.
[risadas]
>> Isso. O discípulo do Oscar Wide. Oscar
Wide, que é esse autor irlandês aqui,
que nasceu ali na metade do século XIX,
viveu até 1900, bem na viradinha,
né? Ele nasceu em 1854 e faleceu em 19,
46 anos, mas 46 anos muito bem eh
utilizados na produção literária dele.
Ele foi um dramaturgo, um contista,
tem como expoente na sua obra um livro
Romance Retrato de Doran Grey, um livro
atemporal, excelente mesmo. E hoje a
gente vai falar sobre um conto bem bem
bem curtinho dele, né, Bel?
>> Uhum.
>> Que é o discípulo. Dá até pra gente
fazer essa leitura aqui, você que tá aí
participando nos acompanhar, coisa de 2
minutos. Diz o seguinte:
quando o Narciso morreu, o Narciso, ele
tá se referindo a Narciso da mitologia
grega. Quando Narciso morreu, o lago de
seu prazer mudou de uma taça de águas
doces para uma taça de lágrimas
salgadas. E as oréades vieram chorando
pela mata com a esperança de cantar e
dar conforto ao lago. O que que são
oedes? São um tipo de ninfa. O que que
são, o que que é uma ninfa, né? Ou ou o
que são as ninfas? são dentro da
mitologia negra, os espíritos da
natureza femininos, né? Espíritos
naturais femininos. Então, as oredes
eram um tipo de ninfa, notadamente as
ninfas que guardavam as grutas e
cavernas, né? Então o autor começa
dizendo que as oredes vieram chorando
pela mata, pela floresta, com a
esperança de cantar e dar conforto ao
lago, porque o lago estava enlutado e
elas pensavam: "Poxa, Narciso morreu,
ficava todo dia lá debruçado sobre o
lago, o lago deve estar arrasado."
E quando elas viram que o lago havia
mudado de uma taça de águas doces para
uma taça de lágrimas salgadas, elas
soltaram as verdes tranças de seus
cabelos e clamaram: "Nós entendemos você
chorar assim por Narciso, tão belo ele
era."
Aí o lago responde: "Que Narciso era
belo?
As ninfas prosseguem. Quem pode sabê-lo
melhor que você?
Por nós ele mal passava, porque elas são
orédes, são ninfas de grutas e cavernas.
Narciso era um caçador, então ele vivia
circulando pela mata. Por nós ele mal
passava,
mas você ele procurava e deitava em suas
margens e olhava para você. E no espelho
de suas águas, ele refletia sua própria
beleza. E o lago respondeu: "Mas eu
amava Narciso por quê?
Quando ele deitava em minhas margens e
olhava para mim, um espelho de seus
olhos, eu via a minha própria beleza.
Fim, a minha própria beleza refletida.
Fim. Olha que conto curtinho, gente, né?
Se a gente for ler sem comentar, se eu
for ler sem comentar, você vai ver que
dá aí dois minutinhos de leitura.
Ã, por onde que a gente começa?
retomando o mito grego, que eh maioria
de nós já conhece, né? Narciso era um
caçador que quando nasceu muito bonito,
uma beleza estonte, a mãe até preocupada
se tal beleza resistiria por tanto
tempo, foi consultar lá
um um ancião, né, da da do da sua
comunidade. E ele disse que sim, que
Narciso viveria muito desde que ele não
se conhecesse, ele não se soubesse.
E aí Narciso cresce. Esse conhecer seria
no sentido de se ver, né, de de se
saber, né? E aí o Narciso cresce,
continua sempre muito belo, as ninfas
todas apaixonadas por ele, mas ele sem
ter nenhum interesse
por uma ninfa específico. Uma delas, a
ninfa eco, ressentida com desinteresse
de Narciso,
eh recorre à deusa da vingança para, eh,
pedir uma que ela fizesse uma maldição,
lançasse uma maldição sobre ele. E ela
lança. Qual seria a maldição? Que que
Narciso também se se apaixonaria
profundamente, mas não teria a sua
paixão correspondida.
A vida segue, Narciso continua caçando.
E aí, um dia a ninfa eco
atrai Narciso até a beirada de um lago.
Quando ele vai se refrescar nesse lago,
ele se defronta com o seu reflexo, né?
Ele se vê, ele se conhece.
porque não havia espelhos ali. Então ele
vê se vê, se conhece e ele fica
estonteante eh apaixonado com a própria
beleza. Então o Narciso não faz mais
nada. Ele fala: "Meu Deus, quem é esse
homem lindo ali? Deve ser por aí".
Ele se debruça, apaixonado, capturado
assim pelo seu reflexo, se apaixona
consigo de tal forma que tentando
eh alcançar
o
objeto, né, da sua paixão, ele acaba
caindo no lago, morrendo afogado. Uma
das versões para o mito e é com a qual a
gente vai trabalhar hoje. Então é muito
comum que você já tenha ouvido assim que
Narciso morreu porque morreu de paixão
por ele mesmo. Só que
o Oscar Wide ele vem contar isso a
partir do ponto de vista do lago, né? E
por que que se chama o discípulo? Porque
o lago discípulo é seguidor, né? que
imita o exemplo. Então, o o lago ele
passa a imitar Narciso, porque Narciso
se vê no lago, fica lá se se
acariciando, né, o dia inteiro. O lago
se vê no reflexo dos olhos, no fundo dos
olhos de Narciso e também mimetiza esse
comportamento, segue esse comportamento
e passa e passa o tempo todo dessa desse
amor, né, dessa relação entre os dois
lá, amando, na verdade a si mesmo. Aí,
além dessa do mito grego original, além
dessa interpretação que que não é nem
uma interpretação, também é uma extensão
que o Oscar Wade vai fazer do mito. A
gente tem um filósofo francês,
que também era um metafísico que se
chama Luis Lavelli, que ele escreveu o
erro de Narciso também a partir do mito
eh
do mito de Narcissio. Só que numa
perspectiva muito interessante, eh, o
Lavel disse o seguinte, que o erro de
Narciso
não foi um erro moral, no sentido de ele
não morreu por causa de vaidade. Ele
ficou apaixonado consigo mesmo, mas foi
um erro filosófico, um erro no sentido
de conhecimento, porque ele fala o
seguinte:
"A imagem de mim não sou" eu.
Então, Narcis não apaixona por si mesmo,
na verdade, ele apaixona por uma imagem
dele.
Exemplo, se a gente tá se olhando no
espelho, Abel, a gente tá lá passando
batom, se olhando no espelho e aí eu dou
um um murro no espelho, né? Bem na
altura assim, onde tá a face dela
refletida, ela vai poder falar que eu
dei um murro na cara dela? Não, não
pode. Por quê? Porque o reflexo dela no
espelho não é ela, né? É isso que o
Lavel vem dizer. Ele vem dizer que, na
verdade, o erro de Narcismo não foi
moral, mas foi filosófico. E na verdade
Narcismo apaixonou por si, mas por uma
imagem de si. Gente, em tempos de rede
social, eh, assim, eh, isso nunca foi
tão verdadeiro, né? Lavéel morreu ali em
1951,
veja, nem
se sonhava com isso ainda. Porque o que
que é rede social?
Não é quem a gente é.
é uma imagem de quem nós somos.
Inclusive toda a rede social, um
movimento tão narcisista que não só
nessa e nessa nesse recorte de si que
você expõe, que você fica lá apaixonado
consigo mesmo depois de jogar cinco
filtros no negócio, né? [risadas]
A não ser que você seja belíssimo, de
repente, não sei. Mas não só neste
aspecto, mas também no seguinte aspecto.
Tudo que você curte,
você curte porque você gostou. O curtir
a foto de alguém, na verdade, ou o texto
de alguém, na verdade, é uma reafirmação
de si mesmo. Eu gostei, é isso mesmo,
né? Tô de acordo, é assim que eu penso.
Então, é é um ambiente narcísmo por
todos os lados, né? Não, só quando eu
posso um recorte de mim ali cheio de
Photoshop, filtro, sei lá o quê. E mesmo
que seja em Natura, eu vou escolher a
pose, a luz, o cenário,
né? Ou quando eu estou lá curtindo
também. E aí, o que que a gente pode
pensar a partir desses três olhares,
aliás, desses dois, do mito original, do
olhar do Paride e do Label, né? É
impossível a gente não falar sobre o
narcisismo. A gente sabe que do ponto de
vista psicanalítico tem uma coisa que se
chama narcisismo primário, que é quando
o bebê tá ali eh descobrindo a
satisfação de si. Então tudo ali, a
mãozinha dele é na boquinha, o pezinho
dele é na boquinha. Esse narcisismo que
é o ali da primeira infância, né, ele é
fundamental paraa constituição da sua
autoestima. Então tá tudo certo, ele não
é o problema. Mas tem um outro
narcisismo
que a gente chama de secundário, que ele
pode acontecer em qualquer fase da vida,
né? E se dá especialmente em situações
de perda. Então, aquela energia vital
que eu investi num outro, em alguém que
tá fora de mim, é um objeto, ou seja,
uma pessoa, alguma coisa, um projeto,
quando aquilo se acaba ou me frustra de
alguma maneira, como meismo de defesa
psíquico, eu pego essa energia vital e
reinvisto somente em mim, né? Eu aqui me
torno o meu objeto de satisfação, já que
confiar neste outro eh é arriscado
demais, machuca demais. Investir tanto
neste projeto eh machuca demais, porque
no final das contas o projeto não dá
certo, né? Então, do ponto de vista
psicanalítico, você tem eh o primário,
que é saudável, o secundário, que se não
for bem
realizado, bem elaborado, bem manejado,
né? Ele pode eh causar aí consequências
que não são saudáveis e talvez até
estruturando uma coisa que a gente chama
de transtorno de personalidade
narcisista.
É bem o que acontece aqui nesse conto do
ósparoide, por, né, o o transtorno de
personalidade narcisista,
vou chamar de TPN, tá? Transtorno de
personalidade narcisista.
Ele é caracterizado por três elementos
sobretudo, né? Ã, os mais importantes,
que é
uma autopercepção muito grandiosa, né? A
pessoa tem pensamentos muito grandiosos
sobre si mesma, tem uma autopercepção
muito grandiosa. Segundo, a validação
externa dessa percepção grandiosa que eu
tenho de mim mesma, né? Então, quem tá
lá de fora tem que falar: "Você mesmo,
você é ótima, você é o máximo, você
brilhou, só diva", né? Então, primeiro,
autopercepção grandiosa, segundo,
validação externa dessa grandiosidade
e terceiro, falta de empatia, né? Eu tô
tão ensada, tô tão tô tão preocupada com
a minha autossatisfação ou a minha
autorrealização
que a o projeto do outro, a dor do
outro, a dificuldade do outro não me
interessa, né? Ora, veja isso aqui, né?
Eh, Narciso tá tão mesesmado nele mesmo
que ele não consegue nem perceber que
este lago não é eh uma superfície
que tem como que ele ele não é um uma
coisa que tem como finalidade somente
ser uma superfície para refletir o meu
reflexo, né? A água é o princípio da
vida.
Então esse lago deve ter muita coisa
ali, não só nele, mas ao seu redor, as
suas margens, né? Narciso não consegue
ver nada disso. Ele não consegue ver a
beleza do lago, a grandeza do lago, a
natureza do lago, né? A função do lago
dentro desse ecossistema ali. Ele não
consegue ver nada disso. Ele só consegue
se ver. Ele não vê o lago, ele só se vê.
Então não tem autopercepção mais si
mesmado do que essa, né? uma falta de
empatia completa com esse lago. E o
lago, por sua vez, ele repete o mesmo
movimento.
Ele nem nota que Narcis era bonito.
Quando as oreles fala, ele fala: "Ah,
mas é, ele era belo". Então assim, ele
não tá nem lutado porque Narciso morreu.
Ele tá enlutado porque agora ele não tem
mais onde se ver. Ele se vê nos olhos de
Narciso, agora não tem mais onde se ver.
Então, do mesmo jeito que Narciso zero
empatia com o lago, o lago zero empatia
com o Narciso.
E aí [limpando a garganta]
o que a gente precisa eh eh pensar a
respeito disso é o seguinte: imagina se
eh o o lago e Narciso, como é como é que
é a convivência ou como é que é a
relação com duas pessoas narcisistas
que tem o transtorno de personalidade
narcisista, TPN, né? o TP, eh, porque no
primeiro momento a gente pode pensar
assim: "Nossa, um casamento entre
Narciso e o Lago, por exemplo, nunca
daria certo". Ou um casamento entre duas
pessoas narcisistas nunca daria certo?
Não é verdade, minha gente? Pode dar,
pode funcionar. E a gente tem exemplos
aí, viu? Tem casais aí com os dois são
narcisistas. E por que que pode
funcionar? Por quê?
Eh, um vai alimentando, vai validando a
grandiosidade do outro,
apesar de não ter empatia com ele,
porque este outro serve para a sua
autorrealização de alguma forma.
Então, o cara tá com a mulher porque
de alguma maneira ela contribui para
aquele para a a grandiosidade que ele
tem, que a sua autopercepção grandiosa,
para obter admiração das pessoas também,
né? Porque a mulher dele é isso, a
mulher dele é aquilo. E o contrário
também, essa mulher tá com esse cara
porque
ele reforça
quando não aumenta
esse essa essa esse sentimento de
grandiosidade que ela tem, né? Então,
pode ser que o casamento duranos, pode
ser agora
que a gente não que não dá para dizer é
que tem um amor ali que seja durador,
não tem uma parceria,
tem uma relação que funciona, né? Pelo
menos enquanto um estiver oferecendo
para o outro aquilo de que este outro
precisa. Porque no narcisismo, com
pessoas narcisistas, na hora que você
parar de ser útil para ela, na hora que
você deixar de ser um meio para ela,
para ela obter a validação
da sua grandiosidade ou qualquer outra
coisa que seja do interesse dela, aí
descarta, né? Mas enquanto você tiver
servindo como meio, eles vão mantendo.
E aí dois narcisistas, lembra? O
casamento de dois narcisistas, né?
Agora, isso é diferente de amor. E aqui
a gente entra na escritura, né? Porque
amor na escritura, [limpando a garganta]
pegar aqui uns versículos pra gente eh
pensar um pouquinho sobre isso. Primeiro
deles, né? Eh, é João X,
onde a escritura diz: "Ninguém tem maior
amor do que aquele que dá a própria vida
pelos seus amigos". Doação.
Aí você vai para Primeiro Coríntios 13,
né? Ainda que eu dê tudo aos pobres, se
eu der tudo aos pobres, tudo que possuo,
entregar meu próprio corpo
para se eu não tiver amor, nada disso me
valerá. Então, amor é uma coisa que não
passa só pela validação externa, que não
passa só pela viabilização do projeto do
outro, eh não passa só pela confirmação
da da grandiosidade do outro, né? seja
ela imaginária ou até eh real mesmo.
Amor é uma coisa que passa pela doação e
não só a doação do que se tem, mas a
doação de si.
E a doação de si eh é a última coisa que
o narcisista faz,
né? Então, eh aqui é importante a gente
esclarecer uma o seguinte, né? Às vezes
a pessoa vai falar assim: "Ah, então a
mulher que tá lá sofrendo abuso,
violência e tal, ou a mãe que tem um
filho tirando dentro de casa, né, ela
tem que ficar lá doando de si, porque
amor é isso." Não, não é das perspectiva
bíblica. Amor é doação de si paraa
restauração da bondade no outro, não
para e não paraa manutenção da maldade.
É só pegar o Cristo.
Ele doou a si mesmo e suportou tudo que
suportou pra manutenção da nossa
maldade, pra gente continuar aqui
praticando as nossas maldades, não. Para
restaurar a bondade que é em nós. Então,
se eu estou recebendo um tratamento
perverso, seja de um parceiro,
de um filho ou de quem quer que seja, e
eu fico lá me doando, né? Eu estou o
quê? Mantendo essa maldade deste outro.
senão alimentando, nutrindo, ajudando a
crescer, né? Isso não é amor.
Isso aí aí a pessoa tem que ir pra
terapia para analisar ali os seus
processos psíquicos inconscientes, né?
Para ver por onde passa. Existe uma
série de possibilidades,
mas amor da perspectiva bíblica não é.
Porque amor na escritura é a doação de
si para a recuperação da bondade do
outro, pro desenvolvimento da bondade do
outro, né? E não paraa manutenção da
maldade no outro. E aí, gente, pra gente
terminar, porque esse conto é bem
curtinho mesmo, né, Bel? A gente vai
fazer hoje bem rapidinho. Eu queria ler
com vocês, queria não, a gente vai ler
com vocês aqui eh Romanos 12, 123,
quando a escritura diz o seguinte: "Por
isso, pela graça que me foi dada, digo a
todos vocês, Paulo falando, né?
Não pensem de vocês mesmos além do que
devem pensar, mas pensem moderadamente,
segundo a medida da fé.
a medida de fé que Deus deu a cada um,
né? Então assim, não pensa mais também,
não pensa menos, né? Porque afinal de
contas a escritura diz que você a coroa
da criação, você é um filho amado pai.
Então a a escritura não tá falando para
você ficar, ah, não, não sou isso, não
sou aquilo, não é isso, né? É essa
pseudo humildade. Então você não vai
pensar menos, mas também não é para
pensar mais, é para pensar segunda
medida de fé que Deus deu a cada um.
Então, qual é a medida de fé que você já
alcançou,
né? Qual é a medida da sua confiança em
Deus? Qual é a medida eh do seu
conhecimento de Deus, do que Deus tem
para você, do quanto ele te ama,
independentemente do que você eh
desempenhe, né?
Então, eh, a convocação hoje que a gente
deixa aqui, né, para quem tá aí nos
acompanhando refletir,
é analisar o quanto que nas suas
relações
você tem uma autopercepção muito
grandiosa de você mesmo. Aí você acha
que o outro tem que fazer o que você
quer, pensar como você pensa, aceitar o
que você aceita. não gostar de quem você
não gosta, né? Aí você quer que o outro
seja a sua imagem semelhança a imagem
semelhança do criador.
Numa relação ao a nossa tarefa não é
imprimir a nossa imagem no nosso
parceiro, no nosso cônjuge, né, ou
qualquer que seja este outro. A nossa
tarefa é encontrar a imagem de Deus
nessa pessoa e ilustrar essa imagem para
que ela brilhe cada vez mais. Então,
esse é um aspecto. O outro aspecto é que
eh
então esse para você, né, não ter
pensamentos grandiosos demais a seu
respeito, mas buscar se autoobservar
de acordo com a medida da fé que você
tem. E vocês sabiam, gente, que se
considerar desimportante,
nossa, é muito saudável.
É muito saudável quando você para de
achar que fulano fez isso porque você
falou aquilo ou porque você deixou de
falar aquilo outro, né? Eh, quando você
passa, ah, ele não gostou, gente, a vida
da pessoa, na vida do outro tá
acontecendo milhão de coisas. Se ele
você passa, ele tá com a cara feia, tem
uma série de possibilidades, de
alternativas para que ele não tivesse
com semblante bom naquele momento. Então
não se dê tanto valor, porque as pessoas
não pensam tanto na gente como a gente
gostaria que elas pensassem, né? Então é
lembrar que a gente é pó,
veio do pó, vai voltar pro pó, faz um
bem danado pra gente, né? é muito
saudável, é muito libertador.
E por fim, [limpando a garganta]
além de não dar essa essa essa
não ter esse pensamento grandioso, né,
respeito de nós mesmos, é agora você
também eh pensar, se você tá se doando
numa relação e achando que isso é amor,
sendo que essa sua doação só alimenta
a maldade que há no outro,
Talvez seja importante você voltar a
refletir sobre o que é amor mesmo,
é sobretudo da perspectiva bíblica.
Porque o amor de Deus por nós, provado
em Cristo, a doação de si,
em nosso favor de Jesus Cristo, foi para
a recuperação, a redenção, a restauração
da bondade em nós e não paraa manutenção
da nossa maldade. Então, eu sempre falo
com Abel, né? Aqui a gente fala as
coisas aqui, mas ah, meu ouvido tá mais
perto da minha boca, eu me escuto
primeiro.
Então, eu aprendo primeiro, eu sou
cobrada primeiro, eu confesso primeiro,
porque eh estamos todos crescendo nisso
aí, né? Mas que a gente ao se relacionar
com o outro também não busque no outro
só o reflexo, a imagem de quem nós
somos, como o Narciso fez, como o lago
fez com o Narciso, mas que a gente se
interesse pelo outro genuinamente. Você
sabe por que é tão fácil cair em golpe?
Porque poucas pessoas se interessam por
nós como um golpista.
Poucas pessoas fazem perguntas sobre nós
como um golpista, né? Então, quando você
tiver travando um diálogo com alguém,
ouça,
ouça, se interesse, pergunte, afaste um
pouquinho as suas presunções, né? A a as
suas leituras mentais, seus acho o quê?
Não ache nada. Pergunte ao outro que tá
ali na sua frente.
Você pode se surpreender,
ele pode se sentir amado,
né? Porque um um dos maiores eh
marcadores, sinais de amor hoje é
atenção, é escutativa,
é interesse pelo outro, né? No tempo em
que tá todo mundo tão disperso como meu
estímulos. Então você pode surpreender o
outro, pode se sentir amado e pode fazer
muito bem pra relação de vocês, né?
Então se projete menos e pergunte mais
pelo outro. Que Deus nos ajude, né, Bel?
Porque tá todo mundo aí eh todo porque
todo mundo tem as suas carências, as
suas faltas, todo mundo também tem a
necessidade de ser ouvido, né? O o
segredo é como é que a gente vai
equilibrar isso nas nossas relações da
de forma que a gente não faça do outro
só o o nosso
palanque, né? Vou subir e vou falar
falar falar, mas também posso ouvir e
ouvir ali de maneira genuína,
interessada.
Amar é a doação de si é doar-se
para a restauração da bondade no outro.
Então, a gente se doa pela escuta e pelo
interesse genuíno.
Como é que você ama, Bel? Diga para nós.
[risadas]
Não estamos te ouvindo, Bel. Eu pelo
menos não tô, né?
Pronto. [risadas]
Então, eu estava eu estava pensando
aqui, né, que pensando muito, pensei
muito sobre esse sobre esse texto. É
engraçado que
Narciso e o Lago olharam para si, né?
Mas Cristo, tá escrito aqui, eu escrevi
isso aqui, Cristo olhou para os outros,
né? Enquanto o ego busca ser servido,
Jesus ensinou a servir, né? E o
discípulo de Cristo é chamado a refletir
não a própria imagem, mas mas a imagem
de Deus na sua vida, né? Então isso é
uma uma
eu que isso nos fez pensar, pelo menos
me fez pensar muito que e às vezes eu eu
vejo que muitas vezes a gente critica
muitas pessoas, mas é porque na verdade
você enxerga naquela pessoa alguma coisa
de você, né? Que você não gostaria, que
você não gosta e que você queria que
fosse diferente em você, né? e você ou
que você queria ter aquela
característica que aquela pessoa tem,
né? Então eu fiquei pensando muito nisso
e fiquei, eu tenho enfrentado situações
e visto pessoas, eu convivo com muita
gente, né, tanto na na no mundo
trabalhando e tudo e como eu vejo como
as como existe pessoas com síndrome de
Narciso, né, como são narcisistas, né,
como e quando você deixa de ser útil e
de servir essas pessoas, as pessoas você
deixa de ser útil para elas, né? Então
você deixa e é descartada, né?
>> Então é muito é muito interessante.
Então o meu conselho é não olhe para si,
né? Eh e o olhar e o problema não é
olhar só para si, é conhecer o seu
valor, né? O problema é viver como se
tudo girasse em redor de si mesmo, né?
Então o verdadeiro discípulo, né? Serve,
né? Não busca para si próprio reflexo
dos outros, mas refletir Cristo, né? É
isso que eu peço. A gente, se a gente
conseguir refletir Cristo, a gente vai
conseguir amar como Jesus amou, né? E
sair distribuindo aí a alegria e paz. E
e tem um livro muito bom que é do, acho
que eu tava com ele aqui, que é do Team
Keller, né? Ego transformado. É muito
bom. Eu até
>> até indico que vocês leiam.
>> Eh, nesse livro K fala uma coisa bem
interessante, né? É lógico que ele eh
ele tem uma bibliografia extensa ali por
trás, né? Isso não é ele que inventa,
mas ele traz numa linguagem apropriada,
numa compilação bem interessante ali
para o leitor da sua época, que é o
seguinte, que eh
a humildade não é pensar menos
de si, é pensar menos em si, né? Ele
falou assim, eh, é, é nem, nem pensar em
si. A humildade não é pensar menos de
si, é não pensar em si. Porque o
humilde, que é o que Abel tá falando,
né? O humilde como Cristo, ele não é
como narcisista que ai eu vou, o que que
eu quero, o que que eu faço, como é que
eu apareço, né?
>> Eu sou melhor, né? Eu sou um
>> ele, o Cristo tava tão assim voltado
para fazer a vontade do Pai que ele não
lembrava de si, né?
Então ele ficava pensando assim, não,
não, ele falava: "Minha comida é fazer a
vontade do meu pai". Então o que que meu
pai faria? Porque lá no em Joel eu
falei: "Eu só faço o que meu pai me
manda fazer". Depois ele fala: "Eu faço
o que eu vejo o meu pai fazer". Então
assim, é por isso que ele era tão
humilde, porque não porque ficava
pensando, ai como eu sou pobrinho, como
eu sou simplesinho, como eu sou
humildozinho, não é? Porque ele nem era
uma pauta, né? A pauta era fazer a
vontade do pai. Então é é isso. E você
falou sobre a projeção, Bel. É verdade,
né? A gente tá se projetando no outro
tempo todo, projetando inclusive as
nossas sombras, aquilo que a gente não
eh não elaborou, nem assumiu. Muitas
vezes nem assumiu pra gente mesmo, não
reconhece a gente mesmo. A gente projeta
no outro e a gente fala que é o outro.
Ai porque é o outro. O fulano que não é.
Nossa, eu acho que eu dizer que na
imensa maioria das vezes a questão é é
somos nós mesmos, né? Somos nós mesmo. E
e por isso é tão importante a gente
parar e de acordo com a medida da fé,
medida de fé que Deus já concedeu a cada
um de nós, a gente se revisitar e parar
mesmo de projetar nos outros e e parar
de pensar tanto na gente mesmo, né? Fal,
bom, o que que Deus espera aqui? o que
que Deus tá fazendo aqui, né? Como é que
eu posso cooperar com Deus aqui? A
questão já não são sou tanto eu, né?
Agora, eh eh é é louco, né? Porque
nesses tempos então de de rede social, a
pessoa pode concordar com você na
maioria das coisas, mas aí tem uma
dimensão da vida, a religiosa, política,
esportiva, né? Futebol, sei lá o quê,
né? Ah, conjugal.
discorda de você. Ai ai
se assim, se você não ticar
tudo que ela gosta, aí ela de segue,
né? Sei lá como é que a gente vê esses
movimentos que eu fico pensando assim,
caramba, né? A pessoa realmente ela não
está em busca do outro, ela está em
busca de si.
Porque se eu estou em busca do outro, de
saída, eu já tenho que assumir
que já que este outro é um outro e não
eu, haverá diferença,
>> né? Aí, como eu não assumo isso, na hora
que a diferença surge, eu rompo o
relacionamento, eu não falo mais,
que é relacionamento com manutenção
alta, relacionamento verdadeiro sempre
vai exigir essa doação de si, essa
manutenção relevante mesmo. Eu deixo de
seguir, né? Aí as pessoas vão ficando
cada vez mais intolerantes nas relações,
impacientes nas relações.
As relações vão se tornando cada vez
mais quebradiças, né? Por quê? Porque se
você não me refletir integralmente,
eu vou embora. Eh, então não serve. E aí
você vai compreender porque que hoje as
coisas murmuram, sendo que conviver com
quem é diferente de nós é tão
enriquecedor, gente,
né? Porque o contraste
ele acrescenta tanto na vida da gente,
né? tão positivo.
Mas é isso.
>> Eu não sei qual se você leu Filipenses
23 que diz que
>> não,
>> eh, nada façam por ambição egoísta ou
por vaidade, mas humildemente considerem
os outros superiores a vós mesmas.
>> É,
>> esse esse versículo mostra exatamente
isso, né? Que se a gente pensar no
outro. Liguei minha impressora aqui sem
querer, gente. Por isso que ela tá
barulhenta. [risadas]
A gente pensar no outro, né? Como pensar
no outro e e e matar um pouco nosso ego,
né? Eu acho que e um dos versículos
bíblicos é isso, né? O próximo como você
mesmo. Aí você não vai tentar apontar o
dedo, né? [risadas]
>> É. E e além desse aspecto, né, moral,
como o Lavel vai dizer, eh, o erro de
Narciso
é é um erro que é filosófico mesmo, né?
Não não é só a questão moralizante da da
vaidade, mas é uma questão
assim do conhecer a verdade. A imagem de
mim não sou eu.
>> Uhum. Então, ah, Narciso morreu porque
ele apaixonou consigo? Não, ele morreu
porque ele apaixonou como imagem de si.
Aliás, eh, toda vez que a gente se
apaixonar por uma imagem e não pela
realidade, porque a realidade é isso
aqui, a imagem é o que eu tô vendo no
espelho, né? Então, a realidade de que a
rina é isso aqui. Ali é o espelho. Toda
vez que a gente se apaixona pela imagem,
não pela realidade, resultado é morte
mesmo, né? É morte da lucidez, é morte
da relação. Em casos extremos é até
morte das partes mesmo, mas vida
não sai daí, né? Porque a vida sai do
que é real, porque a vida é algo que se
dá na vida. real. Então, e esse livro
aqui é extraordinário, assim, eu
recomendo muitíssimo. Lavé não é um
autor fácil de ler, obviamente, né?
Mas vale a pena você se dedicar para
entender um pouco mais o que ele tá
dizendo. Isso aqui é só introdução da
obra, né? Porque daí ele vai discutir
então o que que é o outro, que que é o
que que sou eu, né? Eh, onde que tá a
questão da metafísica, a questão do do
sagrado no meio dessa relação? É uma
coisa muito interessante.
Eh, fico por aqui, né, Bel? Hoje a live
é curtinha porque o conto é curtinho,
mas muito profundo. Esse conto é muito
profundo. Exatamente. Mas também isso
aí. Eu queria só lembrar das nossas
programações, né? Esse esse domingo tem
às 9 às 11. às 11 temia, nos dois
horários temia e tem também a
batismos. À noite tem o Víor Fontana às
18 horas, uma programação jovem, todos
vocês são convidados. Pode ser, podem ir
jovens assim como eu também, tá, viu,
Rina? Podem jovens há mais tempo.
[risadas]
[suspirando]
>> Todos são bem-vindos.
>> Tem várias coisas bem legais. Amanhã tem
tem oração presencial às 8 horas. Nós
vamos orar especialmente pela COP, por
todos os desdobramentos, por todos os
atletas cristão cristãos, que eles façam
diferença ali onde eles onde eles
estiverem e também por os países
envolvidos e por todas as por todas as
coisas. Ora, estaremos amanhã lá às 8
horas. Então, estejam todos convidados,
>> tá certo?
>> É isso aí. Boas boas, boa noite, boa
semana,
>> queridos. Muito obrigada pela presença
de vocês, pela escuta. Que Deus abençoe
vocês imensamente, que Deus interfira
nas suas relações e se porventura houver
ali alguma marca de narcisismo, né, da
sua parte ou da parte deste outro, que
isso venha à tona, que Deus traga
clareza, lucidez e que você consiga se
reordenar recebendo, buscando a ajuda
que você precisa para isso, né, para
deixar de ser um narcisista ou para sair
da influência da relação com o
narcisista,
né? Mas que o Senhor continue aí
inclinando o seu coração na direção do
outro, conforme o outro é realmente e
não conforme você gostaria que ele
fosse. Ou seja, a sua imagem e
semelhança. Nós estamos aqui para buscar
a imagem e semelhança de Deus no outro e
não para imprimir a nós. Quando fizermos
isso, as nossas relações serão muito
mais saudáveis. Que Deus tenha
misericórdia de nós e nos abençoe aí
nessa jornada. Muito obrigada, Bel.
Muito obrigada também por estar aqui com
a gente mais uma vez e um grande beijo.
>> Um beijo grande. Tchau, gente.
>> Tchau.

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