Obra: O Discípulo | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa
28/05/2026
Obra: O Discípulo | Ler para Crer | Rina Furuta & Isabel Costa
O Discípulo – Oscar Wilde
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เฮ [música] >> [música] [música] >> เ Olá, estamos nós aqui outra vez, né, Rina Mari? Sejam todos muito bem-vindos. É uma alegria muito grande estar aqui com vocês novamente. Espero que vocês gostem, que vocês curtam, que comentem, que participem, que divulguem. Tudo bem, Rina? >> Oi, Leid Bell. Olá para você, para você também que tá aí nos assistindo, né? Participando do Ler para Crer, o Clube do Livro da IBNU. Ler para Crer, Clube do Livro da IBNU. Esse mês, Bel, a gente vai falar sobre >> é o discípulo. [risadas] >> Isso. O discípulo do Oscar Wide. Oscar Wide, que é esse autor irlandês aqui, que nasceu ali na metade do século XIX, viveu até 1900, bem na viradinha, né? Ele nasceu em 1854 e faleceu em 19, 46 anos, mas 46 anos muito bem eh utilizados na produção literária dele. Ele foi um dramaturgo, um contista, tem como expoente na sua obra um livro Romance Retrato de Doran Grey, um livro atemporal, excelente mesmo. E hoje a gente vai falar sobre um conto bem bem bem curtinho dele, né, Bel? >> Uhum. >> Que é o discípulo. Dá até pra gente fazer essa leitura aqui, você que tá aí participando nos acompanhar, coisa de 2 minutos. Diz o seguinte: quando o Narciso morreu, o Narciso, ele tá se referindo a Narciso da mitologia grega. Quando Narciso morreu, o lago de seu prazer mudou de uma taça de águas doces para uma taça de lágrimas salgadas. E as oréades vieram chorando pela mata com a esperança de cantar e dar conforto ao lago. O que que são oedes? São um tipo de ninfa. O que que são, o que que é uma ninfa, né? Ou ou o que são as ninfas? são dentro da mitologia negra, os espíritos da natureza femininos, né? Espíritos naturais femininos. Então, as oredes eram um tipo de ninfa, notadamente as ninfas que guardavam as grutas e cavernas, né? Então o autor começa dizendo que as oredes vieram chorando pela mata, pela floresta, com a esperança de cantar e dar conforto ao lago, porque o lago estava enlutado e elas pensavam: "Poxa, Narciso morreu, ficava todo dia lá debruçado sobre o lago, o lago deve estar arrasado." E quando elas viram que o lago havia mudado de uma taça de águas doces para uma taça de lágrimas salgadas, elas soltaram as verdes tranças de seus cabelos e clamaram: "Nós entendemos você chorar assim por Narciso, tão belo ele era." Aí o lago responde: "Que Narciso era belo? As ninfas prosseguem. Quem pode sabê-lo melhor que você? Por nós ele mal passava, porque elas são orédes, são ninfas de grutas e cavernas. Narciso era um caçador, então ele vivia circulando pela mata. Por nós ele mal passava, mas você ele procurava e deitava em suas margens e olhava para você. E no espelho de suas águas, ele refletia sua própria beleza. E o lago respondeu: "Mas eu amava Narciso por quê? Quando ele deitava em minhas margens e olhava para mim, um espelho de seus olhos, eu via a minha própria beleza. Fim, a minha própria beleza refletida. Fim. Olha que conto curtinho, gente, né? Se a gente for ler sem comentar, se eu for ler sem comentar, você vai ver que dá aí dois minutinhos de leitura. Ã, por onde que a gente começa? retomando o mito grego, que eh maioria de nós já conhece, né? Narciso era um caçador que quando nasceu muito bonito, uma beleza estonte, a mãe até preocupada se tal beleza resistiria por tanto tempo, foi consultar lá um um ancião, né, da da do da sua comunidade. E ele disse que sim, que Narciso viveria muito desde que ele não se conhecesse, ele não se soubesse. E aí Narciso cresce. Esse conhecer seria no sentido de se ver, né, de de se saber, né? E aí o Narciso cresce, continua sempre muito belo, as ninfas todas apaixonadas por ele, mas ele sem ter nenhum interesse por uma ninfa específico. Uma delas, a ninfa eco, ressentida com desinteresse de Narciso, eh recorre à deusa da vingança para, eh, pedir uma que ela fizesse uma maldição, lançasse uma maldição sobre ele. E ela lança. Qual seria a maldição? Que que Narciso também se se apaixonaria profundamente, mas não teria a sua paixão correspondida. A vida segue, Narciso continua caçando. E aí, um dia a ninfa eco atrai Narciso até a beirada de um lago. Quando ele vai se refrescar nesse lago, ele se defronta com o seu reflexo, né? Ele se vê, ele se conhece. porque não havia espelhos ali. Então ele vê se vê, se conhece e ele fica estonteante eh apaixonado com a própria beleza. Então o Narciso não faz mais nada. Ele fala: "Meu Deus, quem é esse homem lindo ali? Deve ser por aí". Ele se debruça, apaixonado, capturado assim pelo seu reflexo, se apaixona consigo de tal forma que tentando eh alcançar o objeto, né, da sua paixão, ele acaba caindo no lago, morrendo afogado. Uma das versões para o mito e é com a qual a gente vai trabalhar hoje. Então é muito comum que você já tenha ouvido assim que Narciso morreu porque morreu de paixão por ele mesmo. Só que o Oscar Wide ele vem contar isso a partir do ponto de vista do lago, né? E por que que se chama o discípulo? Porque o lago discípulo é seguidor, né? que imita o exemplo. Então, o o lago ele passa a imitar Narciso, porque Narciso se vê no lago, fica lá se se acariciando, né, o dia inteiro. O lago se vê no reflexo dos olhos, no fundo dos olhos de Narciso e também mimetiza esse comportamento, segue esse comportamento e passa e passa o tempo todo dessa desse amor, né, dessa relação entre os dois lá, amando, na verdade a si mesmo. Aí, além dessa do mito grego original, além dessa interpretação que que não é nem uma interpretação, também é uma extensão que o Oscar Wade vai fazer do mito. A gente tem um filósofo francês, que também era um metafísico que se chama Luis Lavelli, que ele escreveu o erro de Narciso também a partir do mito eh do mito de Narcissio. Só que numa perspectiva muito interessante, eh, o Lavel disse o seguinte, que o erro de Narciso não foi um erro moral, no sentido de ele não morreu por causa de vaidade. Ele ficou apaixonado consigo mesmo, mas foi um erro filosófico, um erro no sentido de conhecimento, porque ele fala o seguinte: "A imagem de mim não sou" eu. Então, Narcis não apaixona por si mesmo, na verdade, ele apaixona por uma imagem dele. Exemplo, se a gente tá se olhando no espelho, Abel, a gente tá lá passando batom, se olhando no espelho e aí eu dou um um murro no espelho, né? Bem na altura assim, onde tá a face dela refletida, ela vai poder falar que eu dei um murro na cara dela? Não, não pode. Por quê? Porque o reflexo dela no espelho não é ela, né? É isso que o Lavel vem dizer. Ele vem dizer que, na verdade, o erro de Narcismo não foi moral, mas foi filosófico. E na verdade Narcismo apaixonou por si, mas por uma imagem de si. Gente, em tempos de rede social, eh, assim, eh, isso nunca foi tão verdadeiro, né? Lavéel morreu ali em 1951, veja, nem se sonhava com isso ainda. Porque o que que é rede social? Não é quem a gente é. é uma imagem de quem nós somos. Inclusive toda a rede social, um movimento tão narcisista que não só nessa e nessa nesse recorte de si que você expõe, que você fica lá apaixonado consigo mesmo depois de jogar cinco filtros no negócio, né? [risadas] A não ser que você seja belíssimo, de repente, não sei. Mas não só neste aspecto, mas também no seguinte aspecto. Tudo que você curte, você curte porque você gostou. O curtir a foto de alguém, na verdade, ou o texto de alguém, na verdade, é uma reafirmação de si mesmo. Eu gostei, é isso mesmo, né? Tô de acordo, é assim que eu penso. Então, é é um ambiente narcísmo por todos os lados, né? Não, só quando eu posso um recorte de mim ali cheio de Photoshop, filtro, sei lá o quê. E mesmo que seja em Natura, eu vou escolher a pose, a luz, o cenário, né? Ou quando eu estou lá curtindo também. E aí, o que que a gente pode pensar a partir desses três olhares, aliás, desses dois, do mito original, do olhar do Paride e do Label, né? É impossível a gente não falar sobre o narcisismo. A gente sabe que do ponto de vista psicanalítico tem uma coisa que se chama narcisismo primário, que é quando o bebê tá ali eh descobrindo a satisfação de si. Então tudo ali, a mãozinha dele é na boquinha, o pezinho dele é na boquinha. Esse narcisismo que é o ali da primeira infância, né, ele é fundamental paraa constituição da sua autoestima. Então tá tudo certo, ele não é o problema. Mas tem um outro narcisismo que a gente chama de secundário, que ele pode acontecer em qualquer fase da vida, né? E se dá especialmente em situações de perda. Então, aquela energia vital que eu investi num outro, em alguém que tá fora de mim, é um objeto, ou seja, uma pessoa, alguma coisa, um projeto, quando aquilo se acaba ou me frustra de alguma maneira, como meismo de defesa psíquico, eu pego essa energia vital e reinvisto somente em mim, né? Eu aqui me torno o meu objeto de satisfação, já que confiar neste outro eh é arriscado demais, machuca demais. Investir tanto neste projeto eh machuca demais, porque no final das contas o projeto não dá certo, né? Então, do ponto de vista psicanalítico, você tem eh o primário, que é saudável, o secundário, que se não for bem realizado, bem elaborado, bem manejado, né? Ele pode eh causar aí consequências que não são saudáveis e talvez até estruturando uma coisa que a gente chama de transtorno de personalidade narcisista. É bem o que acontece aqui nesse conto do ósparoide, por, né, o o transtorno de personalidade narcisista, vou chamar de TPN, tá? Transtorno de personalidade narcisista. Ele é caracterizado por três elementos sobretudo, né? Ã, os mais importantes, que é uma autopercepção muito grandiosa, né? A pessoa tem pensamentos muito grandiosos sobre si mesma, tem uma autopercepção muito grandiosa. Segundo, a validação externa dessa percepção grandiosa que eu tenho de mim mesma, né? Então, quem tá lá de fora tem que falar: "Você mesmo, você é ótima, você é o máximo, você brilhou, só diva", né? Então, primeiro, autopercepção grandiosa, segundo, validação externa dessa grandiosidade e terceiro, falta de empatia, né? Eu tô tão ensada, tô tão tô tão preocupada com a minha autossatisfação ou a minha autorrealização que a o projeto do outro, a dor do outro, a dificuldade do outro não me interessa, né? Ora, veja isso aqui, né? Eh, Narciso tá tão mesesmado nele mesmo que ele não consegue nem perceber que este lago não é eh uma superfície que tem como que ele ele não é um uma coisa que tem como finalidade somente ser uma superfície para refletir o meu reflexo, né? A água é o princípio da vida. Então esse lago deve ter muita coisa ali, não só nele, mas ao seu redor, as suas margens, né? Narciso não consegue ver nada disso. Ele não consegue ver a beleza do lago, a grandeza do lago, a natureza do lago, né? A função do lago dentro desse ecossistema ali. Ele não consegue ver nada disso. Ele só consegue se ver. Ele não vê o lago, ele só se vê. Então não tem autopercepção mais si mesmado do que essa, né? uma falta de empatia completa com esse lago. E o lago, por sua vez, ele repete o mesmo movimento. Ele nem nota que Narcis era bonito. Quando as oreles fala, ele fala: "Ah, mas é, ele era belo". Então assim, ele não tá nem lutado porque Narciso morreu. Ele tá enlutado porque agora ele não tem mais onde se ver. Ele se vê nos olhos de Narciso, agora não tem mais onde se ver. Então, do mesmo jeito que Narciso zero empatia com o lago, o lago zero empatia com o Narciso. E aí [limpando a garganta] o que a gente precisa eh eh pensar a respeito disso é o seguinte: imagina se eh o o lago e Narciso, como é como é que é a convivência ou como é que é a relação com duas pessoas narcisistas que tem o transtorno de personalidade narcisista, TPN, né? o TP, eh, porque no primeiro momento a gente pode pensar assim: "Nossa, um casamento entre Narciso e o Lago, por exemplo, nunca daria certo". Ou um casamento entre duas pessoas narcisistas nunca daria certo? Não é verdade, minha gente? Pode dar, pode funcionar. E a gente tem exemplos aí, viu? Tem casais aí com os dois são narcisistas. E por que que pode funcionar? Por quê? Eh, um vai alimentando, vai validando a grandiosidade do outro, apesar de não ter empatia com ele, porque este outro serve para a sua autorrealização de alguma forma. Então, o cara tá com a mulher porque de alguma maneira ela contribui para aquele para a a grandiosidade que ele tem, que a sua autopercepção grandiosa, para obter admiração das pessoas também, né? Porque a mulher dele é isso, a mulher dele é aquilo. E o contrário também, essa mulher tá com esse cara porque ele reforça quando não aumenta esse essa essa esse sentimento de grandiosidade que ela tem, né? Então, pode ser que o casamento duranos, pode ser agora que a gente não que não dá para dizer é que tem um amor ali que seja durador, não tem uma parceria, tem uma relação que funciona, né? Pelo menos enquanto um estiver oferecendo para o outro aquilo de que este outro precisa. Porque no narcisismo, com pessoas narcisistas, na hora que você parar de ser útil para ela, na hora que você deixar de ser um meio para ela, para ela obter a validação da sua grandiosidade ou qualquer outra coisa que seja do interesse dela, aí descarta, né? Mas enquanto você tiver servindo como meio, eles vão mantendo. E aí dois narcisistas, lembra? O casamento de dois narcisistas, né? Agora, isso é diferente de amor. E aqui a gente entra na escritura, né? Porque amor na escritura, [limpando a garganta] pegar aqui uns versículos pra gente eh pensar um pouquinho sobre isso. Primeiro deles, né? Eh, é João X, onde a escritura diz: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a própria vida pelos seus amigos". Doação. Aí você vai para Primeiro Coríntios 13, né? Ainda que eu dê tudo aos pobres, se eu der tudo aos pobres, tudo que possuo, entregar meu próprio corpo para se eu não tiver amor, nada disso me valerá. Então, amor é uma coisa que não passa só pela validação externa, que não passa só pela viabilização do projeto do outro, eh não passa só pela confirmação da da grandiosidade do outro, né? seja ela imaginária ou até eh real mesmo. Amor é uma coisa que passa pela doação e não só a doação do que se tem, mas a doação de si. E a doação de si eh é a última coisa que o narcisista faz, né? Então, eh aqui é importante a gente esclarecer uma o seguinte, né? Às vezes a pessoa vai falar assim: "Ah, então a mulher que tá lá sofrendo abuso, violência e tal, ou a mãe que tem um filho tirando dentro de casa, né, ela tem que ficar lá doando de si, porque amor é isso." Não, não é das perspectiva bíblica. Amor é doação de si paraa restauração da bondade no outro, não para e não paraa manutenção da maldade. É só pegar o Cristo. Ele doou a si mesmo e suportou tudo que suportou pra manutenção da nossa maldade, pra gente continuar aqui praticando as nossas maldades, não. Para restaurar a bondade que é em nós. Então, se eu estou recebendo um tratamento perverso, seja de um parceiro, de um filho ou de quem quer que seja, e eu fico lá me doando, né? Eu estou o quê? Mantendo essa maldade deste outro. senão alimentando, nutrindo, ajudando a crescer, né? Isso não é amor. Isso aí aí a pessoa tem que ir pra terapia para analisar ali os seus processos psíquicos inconscientes, né? Para ver por onde passa. Existe uma série de possibilidades, mas amor da perspectiva bíblica não é. Porque amor na escritura é a doação de si para a recuperação da bondade do outro, pro desenvolvimento da bondade do outro, né? E não paraa manutenção da maldade no outro. E aí, gente, pra gente terminar, porque esse conto é bem curtinho mesmo, né, Bel? A gente vai fazer hoje bem rapidinho. Eu queria ler com vocês, queria não, a gente vai ler com vocês aqui eh Romanos 12, 123, quando a escritura diz o seguinte: "Por isso, pela graça que me foi dada, digo a todos vocês, Paulo falando, né? Não pensem de vocês mesmos além do que devem pensar, mas pensem moderadamente, segundo a medida da fé. a medida de fé que Deus deu a cada um, né? Então assim, não pensa mais também, não pensa menos, né? Porque afinal de contas a escritura diz que você a coroa da criação, você é um filho amado pai. Então a a escritura não tá falando para você ficar, ah, não, não sou isso, não sou aquilo, não é isso, né? É essa pseudo humildade. Então você não vai pensar menos, mas também não é para pensar mais, é para pensar segunda medida de fé que Deus deu a cada um. Então, qual é a medida de fé que você já alcançou, né? Qual é a medida da sua confiança em Deus? Qual é a medida eh do seu conhecimento de Deus, do que Deus tem para você, do quanto ele te ama, independentemente do que você eh desempenhe, né? Então, eh, a convocação hoje que a gente deixa aqui, né, para quem tá aí nos acompanhando refletir, é analisar o quanto que nas suas relações você tem uma autopercepção muito grandiosa de você mesmo. Aí você acha que o outro tem que fazer o que você quer, pensar como você pensa, aceitar o que você aceita. não gostar de quem você não gosta, né? Aí você quer que o outro seja a sua imagem semelhança a imagem semelhança do criador. Numa relação ao a nossa tarefa não é imprimir a nossa imagem no nosso parceiro, no nosso cônjuge, né, ou qualquer que seja este outro. A nossa tarefa é encontrar a imagem de Deus nessa pessoa e ilustrar essa imagem para que ela brilhe cada vez mais. Então, esse é um aspecto. O outro aspecto é que eh então esse para você, né, não ter pensamentos grandiosos demais a seu respeito, mas buscar se autoobservar de acordo com a medida da fé que você tem. E vocês sabiam, gente, que se considerar desimportante, nossa, é muito saudável. É muito saudável quando você para de achar que fulano fez isso porque você falou aquilo ou porque você deixou de falar aquilo outro, né? Eh, quando você passa, ah, ele não gostou, gente, a vida da pessoa, na vida do outro tá acontecendo milhão de coisas. Se ele você passa, ele tá com a cara feia, tem uma série de possibilidades, de alternativas para que ele não tivesse com semblante bom naquele momento. Então não se dê tanto valor, porque as pessoas não pensam tanto na gente como a gente gostaria que elas pensassem, né? Então é lembrar que a gente é pó, veio do pó, vai voltar pro pó, faz um bem danado pra gente, né? é muito saudável, é muito libertador. E por fim, [limpando a garganta] além de não dar essa essa essa não ter esse pensamento grandioso, né, respeito de nós mesmos, é agora você também eh pensar, se você tá se doando numa relação e achando que isso é amor, sendo que essa sua doação só alimenta a maldade que há no outro, Talvez seja importante você voltar a refletir sobre o que é amor mesmo, é sobretudo da perspectiva bíblica. Porque o amor de Deus por nós, provado em Cristo, a doação de si, em nosso favor de Jesus Cristo, foi para a recuperação, a redenção, a restauração da bondade em nós e não paraa manutenção da nossa maldade. Então, eu sempre falo com Abel, né? Aqui a gente fala as coisas aqui, mas ah, meu ouvido tá mais perto da minha boca, eu me escuto primeiro. Então, eu aprendo primeiro, eu sou cobrada primeiro, eu confesso primeiro, porque eh estamos todos crescendo nisso aí, né? Mas que a gente ao se relacionar com o outro também não busque no outro só o reflexo, a imagem de quem nós somos, como o Narciso fez, como o lago fez com o Narciso, mas que a gente se interesse pelo outro genuinamente. Você sabe por que é tão fácil cair em golpe? Porque poucas pessoas se interessam por nós como um golpista. Poucas pessoas fazem perguntas sobre nós como um golpista, né? Então, quando você tiver travando um diálogo com alguém, ouça, ouça, se interesse, pergunte, afaste um pouquinho as suas presunções, né? A a as suas leituras mentais, seus acho o quê? Não ache nada. Pergunte ao outro que tá ali na sua frente. Você pode se surpreender, ele pode se sentir amado, né? Porque um um dos maiores eh marcadores, sinais de amor hoje é atenção, é escutativa, é interesse pelo outro, né? No tempo em que tá todo mundo tão disperso como meu estímulos. Então você pode surpreender o outro, pode se sentir amado e pode fazer muito bem pra relação de vocês, né? Então se projete menos e pergunte mais pelo outro. Que Deus nos ajude, né, Bel? Porque tá todo mundo aí eh todo porque todo mundo tem as suas carências, as suas faltas, todo mundo também tem a necessidade de ser ouvido, né? O o segredo é como é que a gente vai equilibrar isso nas nossas relações da de forma que a gente não faça do outro só o o nosso palanque, né? Vou subir e vou falar falar falar, mas também posso ouvir e ouvir ali de maneira genuína, interessada. Amar é a doação de si é doar-se para a restauração da bondade no outro. Então, a gente se doa pela escuta e pelo interesse genuíno. Como é que você ama, Bel? Diga para nós. [risadas] Não estamos te ouvindo, Bel. Eu pelo menos não tô, né? Pronto. [risadas] Então, eu estava eu estava pensando aqui, né, que pensando muito, pensei muito sobre esse sobre esse texto. É engraçado que Narciso e o Lago olharam para si, né? Mas Cristo, tá escrito aqui, eu escrevi isso aqui, Cristo olhou para os outros, né? Enquanto o ego busca ser servido, Jesus ensinou a servir, né? E o discípulo de Cristo é chamado a refletir não a própria imagem, mas mas a imagem de Deus na sua vida, né? Então isso é uma uma eu que isso nos fez pensar, pelo menos me fez pensar muito que e às vezes eu eu vejo que muitas vezes a gente critica muitas pessoas, mas é porque na verdade você enxerga naquela pessoa alguma coisa de você, né? Que você não gostaria, que você não gosta e que você queria que fosse diferente em você, né? e você ou que você queria ter aquela característica que aquela pessoa tem, né? Então eu fiquei pensando muito nisso e fiquei, eu tenho enfrentado situações e visto pessoas, eu convivo com muita gente, né, tanto na na no mundo trabalhando e tudo e como eu vejo como as como existe pessoas com síndrome de Narciso, né, como são narcisistas, né, como e quando você deixa de ser útil e de servir essas pessoas, as pessoas você deixa de ser útil para elas, né? Então você deixa e é descartada, né? >> Então é muito é muito interessante. Então o meu conselho é não olhe para si, né? Eh e o olhar e o problema não é olhar só para si, é conhecer o seu valor, né? O problema é viver como se tudo girasse em redor de si mesmo, né? Então o verdadeiro discípulo, né? Serve, né? Não busca para si próprio reflexo dos outros, mas refletir Cristo, né? É isso que eu peço. A gente, se a gente conseguir refletir Cristo, a gente vai conseguir amar como Jesus amou, né? E sair distribuindo aí a alegria e paz. E e tem um livro muito bom que é do, acho que eu tava com ele aqui, que é do Team Keller, né? Ego transformado. É muito bom. Eu até >> até indico que vocês leiam. >> Eh, nesse livro K fala uma coisa bem interessante, né? É lógico que ele eh ele tem uma bibliografia extensa ali por trás, né? Isso não é ele que inventa, mas ele traz numa linguagem apropriada, numa compilação bem interessante ali para o leitor da sua época, que é o seguinte, que eh a humildade não é pensar menos de si, é pensar menos em si, né? Ele falou assim, eh, é, é nem, nem pensar em si. A humildade não é pensar menos de si, é não pensar em si. Porque o humilde, que é o que Abel tá falando, né? O humilde como Cristo, ele não é como narcisista que ai eu vou, o que que eu quero, o que que eu faço, como é que eu apareço, né? >> Eu sou melhor, né? Eu sou um >> ele, o Cristo tava tão assim voltado para fazer a vontade do Pai que ele não lembrava de si, né? Então ele ficava pensando assim, não, não, ele falava: "Minha comida é fazer a vontade do meu pai". Então o que que meu pai faria? Porque lá no em Joel eu falei: "Eu só faço o que meu pai me manda fazer". Depois ele fala: "Eu faço o que eu vejo o meu pai fazer". Então assim, é por isso que ele era tão humilde, porque não porque ficava pensando, ai como eu sou pobrinho, como eu sou simplesinho, como eu sou humildozinho, não é? Porque ele nem era uma pauta, né? A pauta era fazer a vontade do pai. Então é é isso. E você falou sobre a projeção, Bel. É verdade, né? A gente tá se projetando no outro tempo todo, projetando inclusive as nossas sombras, aquilo que a gente não eh não elaborou, nem assumiu. Muitas vezes nem assumiu pra gente mesmo, não reconhece a gente mesmo. A gente projeta no outro e a gente fala que é o outro. Ai porque é o outro. O fulano que não é. Nossa, eu acho que eu dizer que na imensa maioria das vezes a questão é é somos nós mesmos, né? Somos nós mesmo. E e por isso é tão importante a gente parar e de acordo com a medida da fé, medida de fé que Deus já concedeu a cada um de nós, a gente se revisitar e parar mesmo de projetar nos outros e e parar de pensar tanto na gente mesmo, né? Fal, bom, o que que Deus espera aqui? o que que Deus tá fazendo aqui, né? Como é que eu posso cooperar com Deus aqui? A questão já não são sou tanto eu, né? Agora, eh eh é é louco, né? Porque nesses tempos então de de rede social, a pessoa pode concordar com você na maioria das coisas, mas aí tem uma dimensão da vida, a religiosa, política, esportiva, né? Futebol, sei lá o quê, né? Ah, conjugal. discorda de você. Ai ai se assim, se você não ticar tudo que ela gosta, aí ela de segue, né? Sei lá como é que a gente vê esses movimentos que eu fico pensando assim, caramba, né? A pessoa realmente ela não está em busca do outro, ela está em busca de si. Porque se eu estou em busca do outro, de saída, eu já tenho que assumir que já que este outro é um outro e não eu, haverá diferença, >> né? Aí, como eu não assumo isso, na hora que a diferença surge, eu rompo o relacionamento, eu não falo mais, que é relacionamento com manutenção alta, relacionamento verdadeiro sempre vai exigir essa doação de si, essa manutenção relevante mesmo. Eu deixo de seguir, né? Aí as pessoas vão ficando cada vez mais intolerantes nas relações, impacientes nas relações. As relações vão se tornando cada vez mais quebradiças, né? Por quê? Porque se você não me refletir integralmente, eu vou embora. Eh, então não serve. E aí você vai compreender porque que hoje as coisas murmuram, sendo que conviver com quem é diferente de nós é tão enriquecedor, gente, né? Porque o contraste ele acrescenta tanto na vida da gente, né? tão positivo. Mas é isso. >> Eu não sei qual se você leu Filipenses 23 que diz que >> não, >> eh, nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a vós mesmas. >> É, >> esse esse versículo mostra exatamente isso, né? Que se a gente pensar no outro. Liguei minha impressora aqui sem querer, gente. Por isso que ela tá barulhenta. [risadas] A gente pensar no outro, né? Como pensar no outro e e e matar um pouco nosso ego, né? Eu acho que e um dos versículos bíblicos é isso, né? O próximo como você mesmo. Aí você não vai tentar apontar o dedo, né? [risadas] >> É. E e além desse aspecto, né, moral, como o Lavel vai dizer, eh, o erro de Narciso é é um erro que é filosófico mesmo, né? Não não é só a questão moralizante da da vaidade, mas é uma questão assim do conhecer a verdade. A imagem de mim não sou eu. >> Uhum. Então, ah, Narciso morreu porque ele apaixonou consigo? Não, ele morreu porque ele apaixonou como imagem de si. Aliás, eh, toda vez que a gente se apaixonar por uma imagem e não pela realidade, porque a realidade é isso aqui, a imagem é o que eu tô vendo no espelho, né? Então, a realidade de que a rina é isso aqui. Ali é o espelho. Toda vez que a gente se apaixona pela imagem, não pela realidade, resultado é morte mesmo, né? É morte da lucidez, é morte da relação. Em casos extremos é até morte das partes mesmo, mas vida não sai daí, né? Porque a vida sai do que é real, porque a vida é algo que se dá na vida. real. Então, e esse livro aqui é extraordinário, assim, eu recomendo muitíssimo. Lavé não é um autor fácil de ler, obviamente, né? Mas vale a pena você se dedicar para entender um pouco mais o que ele tá dizendo. Isso aqui é só introdução da obra, né? Porque daí ele vai discutir então o que que é o outro, que que é o que que sou eu, né? Eh, onde que tá a questão da metafísica, a questão do do sagrado no meio dessa relação? É uma coisa muito interessante. Eh, fico por aqui, né, Bel? Hoje a live é curtinha porque o conto é curtinho, mas muito profundo. Esse conto é muito profundo. Exatamente. Mas também isso aí. Eu queria só lembrar das nossas programações, né? Esse esse domingo tem às 9 às 11. às 11 temia, nos dois horários temia e tem também a batismos. À noite tem o Víor Fontana às 18 horas, uma programação jovem, todos vocês são convidados. Pode ser, podem ir jovens assim como eu também, tá, viu, Rina? Podem jovens há mais tempo. [risadas] [suspirando] >> Todos são bem-vindos. >> Tem várias coisas bem legais. Amanhã tem tem oração presencial às 8 horas. Nós vamos orar especialmente pela COP, por todos os desdobramentos, por todos os atletas cristão cristãos, que eles façam diferença ali onde eles onde eles estiverem e também por os países envolvidos e por todas as por todas as coisas. Ora, estaremos amanhã lá às 8 horas. Então, estejam todos convidados, >> tá certo? >> É isso aí. Boas boas, boa noite, boa semana, >> queridos. Muito obrigada pela presença de vocês, pela escuta. Que Deus abençoe vocês imensamente, que Deus interfira nas suas relações e se porventura houver ali alguma marca de narcisismo, né, da sua parte ou da parte deste outro, que isso venha à tona, que Deus traga clareza, lucidez e que você consiga se reordenar recebendo, buscando a ajuda que você precisa para isso, né, para deixar de ser um narcisista ou para sair da influência da relação com o narcisista, né? Mas que o Senhor continue aí inclinando o seu coração na direção do outro, conforme o outro é realmente e não conforme você gostaria que ele fosse. Ou seja, a sua imagem e semelhança. Nós estamos aqui para buscar a imagem e semelhança de Deus no outro e não para imprimir a nós. Quando fizermos isso, as nossas relações serão muito mais saudáveis. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe aí nessa jornada. Muito obrigada, Bel. Muito obrigada também por estar aqui com a gente mais uma vez e um grande beijo. >> Um beijo grande. Tchau, gente. >> Tchau.