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A fé vem pelo ouvir

Proprietário e Beneficiário – REV. GUILHERME ALCÂNTARA

Proprietário e Beneficiário – REV. GUILHERME ALCÂNTARA

Proprietário e Beneficiário – REV. GUILHERME ALCÂNTARA

Nesta mensagem baseada em 1 Pedro 2:9–12, somos conduzidos a refletir sobre a identidade do povo de Deus e a resposta que essa identidade exige de nós.

O apóstolo Pedro descreve a igreja como geração eleita, sacerdócio real, nação santa e povo de propriedade exclusiva de Deus. Essas expressões revelam que tudo o que somos é resultado da graça, da misericórdia e da obra redentora do Senhor.

Deus nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, fez de nós seu povo e nos deu uma nova missão: proclamar suas virtudes, viver como peregrinos neste mundo, rejeitar as paixões carnais e manter uma conduta exemplar diante dos incrédulos.

Uma mensagem profunda sobre pertencimento, santidade, misericórdia e testemunho cristão em um mundo que rejeita a Cristo, mas precisa ver a glória de Deus refletida na vida do seu povo.

INFORMAÇÕES:
Pastor: REV. GUILHERME ALCÂNTARA
Passagem: 1 Pedro 2.9-12
Série: Cristãos: um edifício em construção

#ipsantoamaro #presbiteriana

CAPÍTULOS:
00:00 – Introdução e leitura de 1 Pedro 2
01:40 – Oração inicial
02:43 – Proprietário e beneficiários: uma ilustração da graça
04:04 – Deus é o dono de tudo, nós somos beneficiários
06:30 – O contraste entre os descrentes e o povo de Deus
08:16 – Primeira pergunta: o que Deus fez por nós?
08:38 – Deus nos fez geração eleita
10:41 – A igreja como família da fé
13:46 – Deus nos fez povo de sacerdotes
16:21 – Cristo como o verdadeiro mediador
17:47 – O sacerdócio universal dos crentes
19:26 – Sacrifícios espirituais e vida de serviço
22:09 – Deus nos fez nação santa
23:07 – Nossa cidadania celestial
25:07 – Deus nos fez propriedade exclusiva
26:10 – Comprados pelo sangue de Cristo
28:53 – Deus exige exclusividade do seu povo
31:24 – Deus derramou misericórdia sobre nós
33:00 – O contraste entre o passado e o presente
36:29 – A misericórdia elevada à máxima potência
39:22 – Segunda pergunta: o que Deus requer de nós?
39:40 – Proclamar as virtudes de Deus
42:14 – Das trevas para a maravilhosa luz
45:27 – Somos peregrinos e forasteiros neste mundo
47:28 – Nossa pátria está nos céus
49:07 – Abster-se das paixões carnais
50:37 – A luta entre carne e Espírito
51:38 – Manter bom testemunho entre os incrédulos
53:28 – A resposta cristã às acusações do mundo
54:04 – O erro do isolacionismo cristão
55:43 – Conclusão: um povo diferente para a glória de Deus
56:39 – Oração final

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Sobre a música de abertura
Música: Louvai a Deus, soberano Senhor (Hinário Novo Cântico nº16). Título original em português: Louvor a Deus
Compositor: Stralsund Gesangbuch (1665), Joachim Neander (1680)

Ficha Técnica
Arranjos e produção musical: Samuel Cintra Santos
Gravação, mixagem e masterização: SCS Produções
Produção: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro
ISRC: BR-075-22-00001

Legendas automáticas:

Quero convidá-los, irmãos, para que
abram suas Bíblias na primeira epístola
de Pedro, capítulo 2.
Primeira epístola de Pedro, capítulo 2.
Eu vou ler com os irmãos o verso 9
até o verso 12.
Texto muito conhecido
da epístola de Pedro,
capítulo 2, versos 9 a 12.
Palavra do Senhor diz: "Vocês, porém,
são geração eleita, sacerdócio real,
nação santa, povo de propriedade
exclusiva de Deus, a fim de proclamar as
virtudes daquele que o chamou das trevas
para a sua maravilhosa luz". Antes vocês
nem eram um povo, mas agora são povo de
Deus.
Antes não tinham alcançado misericórdia,
mas agora alcançaram misericórdia.
Amados, peço a vocês, como peregrinos e
forasteiros que são, que se abstenham
das paixões carnais que fazem guerra
contra a alma, tendo conduta exemplar no
meio dos gentios, para que quando eles
os acusarem de malfeitores,
observando as boas obras que vocês
praticam, glorifiquem a Deus no dia da
visitação. Vamos orar.
Senhor Deus, nós estamos aqui como teu
povo, nação eleita, sacerdócio real, que
o Senhor mesmo estabeleceu. O Senhor nos
chamou, nos comprou, nos deu uma
direção, deu sentido para as nossas
ações, para a nossa existência. E aqui
estamos cultuando o Senhor, reconhecendo
o teu senhorio e declarando a nossa
dependência e a nossa necessidade
de comunhão contigo. Por isso, fala ao
nosso coração, ó Deus, e fortalece-nos
nesse dia. realiza obra que o Senhor
planejou desde a eternidade e desde o
momento em que o Senhor também nos
chamou na nossa própria trajetória,
fazendo com que assumíssemos um novo
estilo de vida e tivéssemos agora um
percurso que visa mais do que qualquer
coisa, a glorificação do teu nome. E é
em Cristo Jesus, nosso Senhor e
Salvador, que nós oramos. Amém.
Meus irmãos, em algumas transações
comerciais ou contratuais, na definição
de relações jurídicas,
podem coexistir a figura de um
proprietário e um beneficiário,
com diferenças muito claras entre eles.
O proprietário de um determinado imóvel,
por exemplo, detém um documento que se
chama título de propriedade, que dá a
ele o direito de utilizar e de dispor do
bem livremente, como bem entender,
enquanto que o beneficiário é alguém que
apenas recebe autorização para usufruir
do empreendimento e dos frutos que
eventualmente pode ele gerar.
Para todos os efeitos é o nome do
proprietário que consta na matrícula,
configurando assim que ele é
efetivamente o dono. Ele tem a posse. O
proprietário gerencia, enquanto que o
beneficiário pode ser apenas uma pessoa
que foi favorecida pela liberalidade do
dono da obra, que permite que o sujeito
disponha do bem de um modo até bastante
vantajoso. Essa é uma boa imagem de como
nós podemos também entender a nossa
relação com Deus. Ele é o Senhor. Ele é
o criador. Ele é o dono de tudo quanto
existe. Ele é o autor da nossa própria
vida. Ele é o consumador da nossa fé.
Ele é quem aplica as bênçãos da obra
redentora. Ele é quem elege, justifica,
santifica e glorifica. E nós, nós, meus
irmãos, somos os beneficiários de tudo
isso e somos chamados, então, a
responder com alegria, gratidão,
testemunho, obediência e serviço, porque
é o mínimo que nós podemos fazer diante
de tantas bênçãos que nós recebemos e
temos recebido. Tudo pertence a Deus.
Nós mesmos pertencemos a Deus. E também
então nós usufruímos de todas as coisas
porque ele, o Senhor tem nos amado desde
antes da fundação do mundo. Um detalhe
que não pode passar despercebido, notem
bem, o proprietário é um só. O
beneficiário
são os beneficiários são muitos. Isso
nos faz lembrar inclusive das palavras
do apóstolo Paulo aos Romanos,
explicando que pela graça de um só
homem, Jesus Cristo, muitos e muitos
foram justificados. Nós temos falado
aqui que os cristãos são parte de uma
obra grandiosa, planejada e executada
pelo próprio Deus. Mas é importante
compreender, irmãos, nesse processo quem
é quem? Quem é quem nesse cenário?
Porque às vezes ficamos tão acostumados
com a generosidade de Deus, com a
permissão de Deus, com as dádivas de
Deus, que não valorizamos ou não damos a
ele a glória devida. Podemos até nos
autoenganar de modo a alimentar no
coração a perspectiva de que somos
merecedores ou conquistadores das coisas
que temos, quando na verdade não temos
nada, não passamos de beneficiários.
Nós somos pessoas que recebem das mãos
de Deus tudo o que precisam. pessoas que
desfrutam muitas vezes com conforto de
um lar que Deus providenciou para reunir
o seu povo. A passagem que nós lemos
marca claramente um contraste entre
aqueles que receberam esses benefícios
espirituais e aqueles que estão
desprovidos dessas coisas. Notem a
conjunção adversativa, porém de voz,
porém a contraposição que Pedro faz tem
relação com a informação do verso 8 que
tratou sobre os descrentes. O apóstolo
diz que Jesus Cristo para os incrédulos
é a pedra rejeitada,
rocha de ofensa, pedra de tropeço.
Ou seja, os descrentes, via de regra,
ignoram a Jesus, o vem como impecílio e
como algo até ofensivo.
Mas é evidente, é claro que aqueles que
partilham da comunhão verdadeira com o
Senhor o enxergam de uma forma
completamente diferente e são também
tidos por Deus como parte de uma
comunidade distinta, especial, separada
do mundo e consagrada para ele. Dessa
forma, o que nós vamos perceber aqui é
que Pedro usa termos típicos do Antigo
Testamento, mas que mostram a
continuidade da aliança santa, que no
passado foi feita com Israel, mas que se
expandiu, se tornou mais abrangente e
hoje inclui todos os povos, pessoas de
todos os lugares que professam a sua fé
no filho de Deus.
A partir então do que nós podemos
colher, irmãos, nos versos 9 e 10 e
depois nos versos 11 e 12, pretendo aqui
responder a duas grandes perguntas. E a
primeira delas é: o que Deus fez por
nós? É sobre isso que devemos refletir
em um primeiro momento. O que foi,
afinal de contas, que Deus fez por nós.
E eu vou utilizar os exatos termos de
Pedro para explicar esses detalhes. O
que foi que Deus fez por nós? Em
primeiro lugar, vejam que ele diz que
Deus nos fez povo eleito. Analisemos eh
primeiramente essa expressão geração
eleita que é trazida aqui. A palavra
grega para geração é genênus. De onde
vem a palavra genealogia?
indicando que Deus gerou descendentes,
criou um povo com uma espécie de DNA
espiritual, cumpriu a promessa feita a
Abraão e foi além, porque os judeus
tinham uma ancestralidade comum e
especificidades étnicas que os
caracterizava como uma comunidade
socialmente organizada. Mas agora, meus
irmãos, nós temos muito mais como igreja
de Deus, como igreja universal, como
igreja que está espalhada por todos os
quatro cantos da terra. Deus criou uma
família, uma família de eleitos que
estão em toda parte, espalhados pelo
mundo. E quando nós nos encontramos por
aí, somos todos irmãos e nos
reconhecemos como irmãos.
E mesmo sem nos encontrar por aí, somos
todos escolhidos pelo mesmo Pai. Vivemos
em oração uns pelos outros, porque esta
é uma grande família. Temos um modo de
pensar e viver pautado pela Bíblia.
Partilhamos do mesmo espírito e
declaramos que há um único e suficiente
salvador das nossas vidas. Anunciamos
todos a mesma mensagem, contando a
história de como fomos redimidos e como
os outros podem vir a ser também
inseridos nesse organismo vivo e
dinâmico que é a igreja do Senhor. Sim,
porque o povo da fé não exclui ninguém.
O povo da fé une pessoas que, de outra
maneira, nunca ficariam juntas e cria
então laços profundos entre os seus
membros. Essa é uma família que tem o
interesse de crescer no mundo todo,
porque quanto mais ela exponde expande
as suas fronteiras nas diferentes
categorias de homens, mas o nome do seu
progenitor recebe louvor e
reconhecimento.
O cristianismo rompeu todas as barreiras
ditas raciais e aproximou judeus e
gentios, como se evidencia nessa carta.
Pedro era judeu, mas em grande parte a
sua audiência era formada por gentios.
Eles não são então do mesmo biotipo.
Eles não habitam a mesma região, eles
não têm os mesmos hábitos culturais, mas
eles estão unidos pelo mesmo sangue de
Jesus Cristo. Na igreja é exatamente
isso que nós temos. Na igreja todos são
pecadores. Ninguém é melhor ou pior do
que ninguém, mas todos têm exatamente a
mesma esperança e todos são sustentados
unicamente pela graça de Deus. A mesma
graça que nos separou e que nos escolheu
antes da fundação do mundo. Vejam o que
Deus fez, irmãos.
Desde que o pecado entrou no mundo, os
homens se dividiram. Os homens
conheceram a guerra. Os homens criaram
rivalidades e hostilidades.
Os homens se atacaram entre as suas
tribos. Os homens se destróem. Mas agora
estes mesmos homens são convidados a
crer em Jesus Cristo, a se arrepender
dos seus pecados, a nascer de novo e a
fazer parte de uma família que
desconhece categorias divisivas. Temos
um mesmo pai.
Um mesmo sobrenome de cristãos. Fomos
chamados a entrar na casa do
proprietário para usufruir de tudo como
beneficiários, de tudo o que nós não
merecíamos. Deus nos amou com amor
eterno e nos concedeu a maior de todas
as bênçãos. E como o próprio Pedro disse
em um sermão pregado no livro de Atos
após o Pentecostes, porque a promessa é
para vocês e para vossos filhos e para
todos aqueles que ainda estão longe,
isto é, para todos aqueles a quem o
Senhor, nosso Deus chamar. E ainda
arrematou: "Salvem-se dessa geração
perversa".
Nós podemos acrescentar aqui hoje,
salvem-se dessa geração perversa e
venham para uma geração eleita,
porque Deus fez de nós geração eleita.
Em segundo lugar,
o que Deus fez por nós? Ele nos fez povo
de sacerdotes. Irmãos, vejam isso. Deus
fez de nós um povo de sacerdotes.
Importante demonstrar que Pedro não está
inovando na linguagem, meus irmãos.
Essas expressões são tomadas emprestadas
das próprias palavras de Deus dirigidas
a Israel através de Moisés. Em Êxodo 19,
quando se contava 3 meses da saída dos
hebreus da terra do Egito, o Senhor
disse: "Agora, pois, se ouvirem
atentamente a minha voz e guardarem a
minha aliança, vocês serão a minha
propriedade peculiar dentre todos os
povos, porque toda a terra é minha, e
vocês serão para mim um reino de
sacerdotes e uma nação santa. Então,
esses termos, essa terminologia já
estava empregada pelo próprio Deus em um
período bastante eh distante no Antigo
Testamento.
Nós ainda vamos tratar dos outros
termos, mas observem, vocês serão, para
mim, diz, um reino de sacerdotes.
Essa é uma definição muito rica, irmãos,
sobretudo quando pensamos no papel que
era desenvolvido pelo sacerdote no
passado. O sacerdote, basicamente, era o
responsável por interceder pelo povo
diante de Deus, cumprindo a função
simbólica de mediador.
O sacerdote era também alguém que
pessoalmente se consagrava de um modo
especial e que dirigia atividades
religiosas consideradas solenes e
sagradas. Apenas o sumo sacerdote, por
exemplo, tendo sido ungido, entrava no
chamado santo dos santos, o lugar
santíssimo, que era proibido de ser
visitado por qualquer outra pessoa.
Naquele tempo, isso era necessário pela
própria determinação divina que
pretendia educar os crentes acerca da
santidade do Altíssimo, da reverência na
adoração e da necessidade
absoluta de um mediador para se chegar
até Deus.
Jesus assume esse papel e as coisas se
alteram para melhor com a sua chegada,
porque aquilo que era símbolo em Cristo
se tornou realidade.
Mais do que isso, por causa dele, de
Jesus, o nosso status mudou.
Quando o apóstolo João vai registrar as
sete cartas para as igrejas da Ásia
Menor, ele faz uma referência a Jesus.
afirmando que ele é a fiel testemunha, o
primogênito dos mortos, o soberano dos
reis da terra, aquele que nos ama e pelo
seu sangue nos libertou dos nossos
pecados e nos constituiu reino
sacerdotes para o seu Deus e Pai. A ele
a glória e o domínio para todo sempre.
Amém.
Sabem por que essa declaração de João em
Apocalipse é fantástica?
Porque ela revela que o interesse que
Deus sempre teve, o interesse que ficou
explícito desde que Israel saiu do
Egito, foi alcançado agora através de
Jesus, o proprietário da obra que formou
e beneficiou a igreja da qual nós
fazemos parte.
Os reformadores protestantes entenderam
isso muito bem e não por acaso
defenderam com ênfase a doutrina do
sacerdócio universal de todos os
crentes, afirmando que sem que haja
nenhum tipo de hierarquia clerical, sem
que haja necessidade de prévia concessão
humana, sem que haja burocracias,
complexidades ou barreiras.
Todos, todos os crentes têm acesso a
Deus por meio de Jesus Cristo, nosso
Senhor.
Todos nós somos sacerdotes nesse sentido
e podemos nos aproximar de Deus, ainda
que apenas e unicamente através do nosso
Salvador, o eterno sumo sacerdote que
adentrou os céus. Você então pode orar a
Deus e se relacionar com ele
intimamente, sem que ninguém, a não ser
Jesus, funcione como seu intermediário.
Como também é dito por Paulo a Timóteo,
porque há um só Deus e um só mediador
entre Deus e a humanidade, Cristo Jesus,
homem.
Deus fez de nós um povo de sacerdotes.
Por isso também a expressão sacrifícios
espirituais que aparece no verso 5 de
Primeira Pedro 2, também pode ser
encontrada em outros lugares no Novo
Testamento.
É agora que vemos, irmãos, de um jeito
bem prático o que Deus também espera de
nós na condição de sacerdotes.
Porque ser um sacerdote é um privilégio,
é uma conquista de Jesus para nós, mas é
também uma responsabilidade. Há trabalho
a fazer, há contribuições, a ordenanças
que nos são dadas. Em Romanos 1, por
exemplo,
o apóstolo Paulo diz, aliás, em Romanos
12, ofereçam o seu corpo como sacrifício
vivo, santo e agradável a Deus,
exatamente como um sacerdote deveria
fazer. Em Hebreus capítulo 13, nós temos
dois conceitos somados. Primeiro, o
autor diz: "Por meio de Jesus, pois
ofereçamos a Deus sempre sacrifício de
louvor, que é o fruto de lábios que
confessam o seu nome." E depois exorta:
"Não se esqueçam da prática do bem e da
múltua à cooperação, porque de tais
sacrifícios
Deus se agrada".
Em Filipenses, o apóstolo Paulo agradece
a oferta que a igreja enviou com as
seguintes palavras: "Estou suprido desde
que Epafrodito me entregou o que vocês
me mandaram, que é uma oferta de aroma
agradável, um sacrifício que Deus aceita
e que lhe agrada."
Então, ser sacerdote implica em estarmos
envolvidos em orações, louvores,
confissões, boas obras, ofertas e outros
compromissos. Somos um povo de
sacerdotes. Afinal, a palavra real
aponta para a realeza de Cristo, porque
sabemos Jesus é rei e é sacerdote. Por
isso, fomos feitos sacerdócio real, ou,
em outras palavras, somos sacerdotes do
rei. Ou de outra maneira, nós todos
somos sacerdotes por causa daquele que é
tanto sacerdote quanto o rei. Ou de
outra forma, nós nos unimos a aquele que
é rei e sacerdote, porque a nossa
vocação como pessoas salvas é a ele
servir e com ele reinar.
Que privilégio maravilhoso nós temos.
Então, fomos feitos sacerdócio real por
meio de Jesus Cristo. Em terceiro lugar,
Pedro diz que Deus também nos fez povo
santo.
Então, vejam bem, irmãos, geração
eleita, sacerdócio real. Agora ele vai
usar a expressão nação santa. Deus nos
fez um povo santo. E nesse ponto nós
observamos uma relação muito próxima com
o item anterior, porque o povo de Deus é
um povo separado por ele mesmo. É um
povo que se orienta e se submete às leis
de Deus com satisfação e de forma
voluntária,
mesmo que saibamos que isso também é um
dever. A palavra para nações é etnos. De
onde vem a ideia de etnia? Nós somos
cidadãos de um reino, de uma nação que
não é demarcada nem geográfica e nem
politicamente, mas que é espiritual.
Jesus conquistou para nós uma cidadania
celestial.
Essa nação, a igreja de Jesus, é uma
nação santa que tem passaporte
legalizado para o céu.
Deus tirou Israel do Egito e entregou o
decálogo, os mandamentos. Deus tirou o
seu povo, a sua igreja do mundo, e a ela
entrega também um código legal, moral e
ético, que não salva, mas que é uma
expressão da nossa salvação e que nos
identifica
como um povo diferente dos demais.
O destaque, irmãos, é para a santidade e
para o alvo que nós devemos perseguir, a
fim de que Deus se agrade nossas ações,
já que foi por isso e para isso que
Cristo morreu e se entregou.
Então, a santidade é a qualificação
inseparável desse povo, dessa nação. E
se no primeiro tópico Pedro nos fala de
uma geração eleita, nesse tópico ele nos
fala de uma nação santa. Se no primeiro
caso nós temos o destaque à eleição, no
segundo caso temos o destaque à
santificação.
Ambas obras de Deus.
O proprietário ajudou os beneficiários
com a eleição e com a santificação. Ele
planejou, ele decidiu nos salvar na
eternidade. E agora, na nossa trajetória
nesse mundo, ele trata o nosso coração
limpando-nos do pecado e nos vivificando
por sua justiça. Então, assim somos
considerados como uma nação santa e
separada por Deus e para Deus. Em quarto
lugar, Pedro vai nos dizer que Deus nos
fez um povo de sua propriedade e de sua
propriedade exclusiva. O texto sagrado
traz uma ênfase grande nisso. É nos dito
que nós somos propriedade
exclusiva de Deus.
propriedade aqui marca a ideia de
pertencimento.
Nós pertencemos a Deus e ele tem todo o
direito sobre nós porque ele nos
comprou. Nós somos posse, nós somos
aquisição de Deus. E ele nos comprou por
um preço caríssimo,
incalculável,
que foi a morte do seu filho.
Você compraria, pense bem, você
compraria um objeto insignificante,
ineficiente, cheio de defeitos, por um
preço de milhões e milhões de reais, de
dólares ou de euros?
Ninguém faria isso,
pois foi isso o que Deus fez por nós.
Ele investiu um valor indescritível,
impronunciável.
Todo ouro, toda a prata, todas as
riquezas desse mundo somadas não chegam
nem perto do valor do sacrifício e do
sangue de Jesus.
Mas Deus entregou o seu filho, o seu
filho único, amado, puro, perfeito, para
morrer, a fim de comprar pecadores,
ofensores, rebeldes.
Meus irmãos, é como oferecer uma fortuna
por bugigangas sem ofensas, porque eu
estou envolvido nisso como vocês. É como
oferecer uma fortuna por bug gangas. Mas
tem uma coisa muito importante aqui.
Esse Deus sabe trabalhar muito bem com
as peças que ele adquire, que ele
compra. Esse Deus transforma bijuteria
em ouro fino, refinado, cheio de brilho.
Gente que desatolou do mal, gente que
refez o caminho, gente que deixou de
viver para si, porque agora declara que
pertence exclusivamente ao Senhor.
No mundo moderno,
a propriedade partilhada é muito comum.
É muito comum esse conceito entre nós.
As empresas têm seus acionistas, as
instituições têm os seus investidores,
os artistas têm os seus empresários e
cada um tem aí o seu direito e o seu
percentual na propriedade.
Mas esse fenômeno moderno
não tem espaço quando pensamos na
relação de Deus conosco, porque ele quer
que sejamos
exclusivamente
dele, sem divisão, sem mente dividida,
sem coração dividido.
O nosso caminho, irmãos, não é o caminho
largo por onde muitos vão, é o caminho
estreito que poucos encontram. A nossa
felicidade não é o prazer humano, mas é
são as bem-aventuranças pronunciadas por
Jesus e o prazer da comunhão com Deus. A
nossa esperança não está naquilo que é
temporal, mas naquilo que é eterno.
Porque não temos aqui cidade permanente,
mas buscamos aquela que há de vir.
Deus é um comprador exigente que requer
exclusividade.
Ele não divide a sua glória com ninguém.
E ele não nos divide com ninguém. Ele
não está disposto também a nos.
Ele não quer que nós venhamos a dar
glória a nenhum outro, senão a ele
mesmo. Ele fez de nós seus servos e ele
não está disposto a se desfazer de nós.
E isso é muito bom e isso é glorioso. Me
permitam aqui um trocadilho.
Houve uma época em que nós estávamos
alienados de Deus,
mas agora a informação gloriosa é que
Deus não está disposto a nos alienar.
Deus não está disposto a nos vender,
trocar, emprestar de forma alguma. Nós
nunca mais correremos o risco de
ficarmos alienados de Deus novamente.
Em Apocalipse 5 temos a declaração de
que Jesus pegou o livro e quebrou os
selos, porque ele foi morto e com o seu
sangue comprou para Deus os que procedem
de toda tribo, língua, povo e nação. E
para o nosso Deus constituiu reino e
sacerdotes, e eles reinarão sobre a
terra.
Deus nos chamou, então, irmãos, para
entrar na sua casa, mas não como
hóspedes que incomodam e que depois são
convidados a partir.
Deus nos chamou para viver perto dele e
nunca mais se afastar.
Jesus falou que ninguém pode arrebatar
as suas ovelhas das suas mãos. E para
você que acha que esse é um discurso que
colhe que tolhe a nossa liberdade, eu
respondo: É muito melhor estar nas mãos
de Deus do que nas mãos de qualquer
outro.
Como é bom nós pertencermos a esse Deus
como sua propriedade.
Esse é o sentido exato da nossa própria
vida. Como é bom estarmos nas benditas
mãos daquele que nos amou e nos ama de
um modo tão elevado, tão grandioso.
Pois bem, meus irmãos, em quinto lugar
nos é dito que Deus derramou
misericórdia sobre nós. O que mais Deus
fez? Ele derramou misericórdia
sobre o seu povo. Verso 10 afirma:
"Antes vocês nem eram povo, mas agora
são povo de Deus". Antes não tinham
alcançado misericórdia, mas agora
alcançaram misericórdia.
De vez em quando é bom lembrar, irmãos,
de quem nós éramos antes de conhecer a
Deus. De vez em quando é bom lembrar de
onde nós estávamos ou lembrar das coisas
que nós pensávamos e sentíamos no
coração. Porque quando fazemos isso, nos
damos conta do quanto a misericórdia de
Deus nos ajudou.
Hoje pela manhã, quando o pastor Jean
foi fazer o batismo do seu netinho, o
Pedro, filho do Zé e da Laura,
ele disse algo que realmente marca.
Quando você reflete mais detidamente,
não sei se os irmãos lembram, ele disse:
"Eu sou o primeiro convertido de uma
família deistas
e Deus me deu a bênção de criar meus
filhos nos caminhos do Senhor."
Pois é,
esse tipo de testemunho pode ser dado
pelos crentes, tendo em vista a
misericórdia de Deus. Por que que você
acha que alguém pode dizer isso? porque
foi alcançado pela misericórdia de Deus.
Pedro fala também com muitos gentios da
sua audiência, outrora pagãos.
Portanto, não é difícil nos depararmos
com um grande contraste entre a nossa
vida passada pregressa e a nossa vida
presente. Mesmo que você tenha nascido
já na igreja, você talvez precisa
analisar a sua genealogia
para ter noção de onde estavam seus pais
ou onde estavam os seus avós quando Deus
o chamou.
Porém, mesmo que nós eh mesmo que
estivéssemos tão distantes ou tenhamos
vivido no pecado e sejamos merecedores
de condenação, Deus nos trouxe para ele,
meus irmãos. Deus nos envolveu em seu
povo. Deus manifestou de muitas maneiras
a sua misericórdia. Aliás, diga-se de
passagem, se você nasceu na igreja, Deus
teve muita misericórdia de você.
Pare para pensar,
porque a igreja é formada por muitas
pessoas que já foram hipócritas,
violentas, viciadas, promíscuas, com
coração endurecido.
E você diz: "Como é que gente assim pode
fazer parte do povo de Deus?" E é um
mistério, não é? Como é que gente assim
como eu, como você, como é que pecadores
desse calibre podem fazer parte do povo
de Deus? Se Deus é santo, se Deus é
perfeito,
se Deus odeia o mal. E eu te digo, isso
só é possível por causa da misericórdia
do Senhor que recebe o velho, o fraco, o
doente, o impulsivo, o traumatizado, o
malvado, o desamparado, o inimigo, o
vingativo, transforma a vida dessas
pessoas e dá a elas um novo sentido e
propósito ao lado do seu povo.
para pessoas que tinham participado de
algum modo da crucificação de Jesus.
Notem, pra gente que tinha assentido com
a crucificação de Jesus, Pedro disse:
"Esse Jesus, a quem vocês crucificaram,
Deus o ressuscitou. Mas se vocês se
arrependerem e forem batizados para a
remissão dos vossos pecados, receberão o
dom do Espírito.
Por favor, pense nisso.
Pedro está dizendo que o Senhor Deus
está disposto a perdoar as pessoas que
mataram seu filho,
que o ofenderam gravemente e a
compartilhar com essas pessoas. o seu
próprio espírito, proporcionando então
que elas tenham comunhão com ele.
Isso é o atendimento imediato da oração
de Jesus na cruz. Pai, perdoa-lhes
porque não sabem o que fazem.
Mas isso também é, meus irmãos,
misericórdia
elevada à máxima potência.
Valorize e desfrute agora do fato de
você ser vinculado ao povo de Deus. Isso
significa você foi perdoado. Isso
significa você recebeu a vida eterna.
Apesar de tudo que você fez,
apesar dos nossos pecados.
Você nem era povo, mas agora você é povo
de Deus. Você nem era alguém, você nem
tinha conhecimento, mas agora você tem.
Agora você está dentro do reino de Deus.
Você estava fora, agora você está
dentro.
Sempre que for tentado a se orgulhar da
sua posição atual, lembre-se do horrível
poço cheio de lama, do qual somente a
graça soberana nos liberta. E nós fomos
resgatados de lá.
Quando você estiver no trono recebendo
aplausos, recorde da masmorra onde você
esteve preso e da qual a graça de Deus
te tirou.
Quando você estiver em plena posse das
suas faculdades espirituais,
alegrando-se no Senhor, não se esqueça
do tempo em que você estava enfermo,
sofrendo, angustiado, até que o grande
Deus cruzou o seu caminho, parou para te
ouvir e te atender e mudou a sua vida.
Foi a misericórdia de Deus que o levou a
nos eleger. E foi também a misericórdia
de Deus que nos levou e tem nos levado à
santificação. Ele transformou
malfeitores incorrigíveis em sacerdotes
na sua própria casa.
Como proprietário do mundo todo, ele
anunciou um jantar na sua própria casa e
convidou os beneficiários,
os pobres, os alejados, os cegos, os
coxos e todos os debilitados para entrar
e participar da ceia.
Entenda isso, irmãos, em um sentido
espiritual, profundo e não apenas
literal. Isso é misericórdia, meus
irmãos, porque Deus não tinha obrigação
alguma.
O verbo aqui que mostra que nós
alcançamos misericórdia,
olhem só, adivinhem?
Está no modo passivo.
Vocês alcançaram misericórdia. E é
interessante porque quando a gente ouve
o verbo sendo conjugado dessa forma,
parece que nós tivemos algum mérito,
parece que nós tivemos alguma
participação nisso. Vocês alcançaram,
vocês conseguiram.
Mas na verdade, meus irmãos, não é que
nós conquistamos a misericórdia de Deus
por qualquer destaque que nós tivemos,
mas é que Deus decidiu nos fazer alvos
do seu amor e da sua compaixão. Decisão
dele,
motivos, motivações dele.
A próxima pergunta, então, que faço para
essa noite
é diante do que Deus fez, o que Deus
requer de nós, meus irmãos?
Já que Deus fez tudo isso por nós, o que
ele requer de nós. Agora,
em primeiro lugar, nós aprendemos aqui
que devemos proclamar as virtudes de
Deus.
Esse é um gesto muito positivo que o
crente tem que fazer, proclamar as
virtudes de Deus de modo consciente.
Final do verso 9 diz: "A fim de
proclamar as virtudes daquele que o
chamou das trevas para a sua maravilhosa
luz.
Nós não podemos pensar em nossa eleição,
em nossa conversão, enfim, na nossa
salvação pessoal como sendo o fim último
de tudo. Embora saibamos que nada pode
ser mais precioso do que a vida eterna
que recebemos em Cristo Jesus. Porém, o
fato é que até mesmo a nossa salvação
cumpre um propósito maior, já que
através dela Deus deseja e deve ser
glorificado.
É preciso, então, irmãos, compreender
que Deus não nos chamou para vivermos na
inércia ou na apatia, mas ele nos chamou
para o cumprimento de tarefas muito
especiais. Sobretudo ele nos chamou para
anunciarmos as suas maravilhas.
Aqui é como se o apóstolo estivesse
dizendo: "Vocês são os divulgadores,
igreja, povo de Deus, vocês são os
divulgadores das virtudes de Cristo para
que ele receba louvores, inclusive
daqueles que hoje o rejeitam." Não se
trata apenas de conhecer a beleza e a
majestade de Jesus para nós usufruirmos,
mas em nos alegrarmos com isso de tal
modo que nos animemos em fazer com que
Jesus se torne conhecido por aí onde nós
estivermos. Deus é louvável por sua
grandeza, sabedoria, soberania. Ele é
santo, eterno, onisciente, onipotente,
onipresente e ele tem manifestado o seu
amor. Deus é benigno, justo e paciente.
Essas coisas, irmãos, nós não sabemos
por mera teoria.
Estas coisas nós temos experimentado
na vida com Deus. Nós temos
experimentado na vida cristã. A despeito
de esses serem pontos doutrinários
importantes, essas coisas, na verdade
não são abstrações, elas são vivenciadas
pelos crentes dia após dia. Portanto,
nós podemos compartilhar experiências e
propagar o caráter de Deus descrito nas
Escrituras a todas as pessoas a partir
daquilo eh das coisas que acontecem
também conosco. Essa fórmula de Pedro
que traduz a passagem que fizemos das
trevas para a luz é muito significativa.
Vivíamos as escuras. Nosso futuro era
desolador. Qualquer plano que fizéssemos
terminaria sempre na entrada de uma
sepultura.
Trevas sobre as nossas cabeças, medo da
morte, medo do infortúnio, medo das
circunstâncias que mudam, das pessoas
que traem, dos castigos divinos.
Nada disso existe mais,
porque entrou uma luz
de fora no nosso coração e irradiou tudo
dentro de nós. Uma luz que vem de Deus,
que trouxe tanto discernimento, tanta
paz, tanto sossego na alma, que as
trevas se dissiparam.
A luz daquele que habita os céus invadiu
a escuridão dos nossos humildes
casebres, nos fazendo enxergar agora
tudo com nitidez.
A maioria dos homens desse mundo se
beneficia apenas das luzes naturais,
temporais, artificiais, mas há uma luz
maravilhosa que vem somente aos filhos
de Deus.
A luz que hoje há em nossa alma, o homem
mortal não alcança a menos que o supremo
dom Deus se manifeste. É essa luz que
repousa sobre o povo de Deus.
É uma luz que alegra apenas aqueles
cujos olhos aprenderam a olhar e a
confiar em Cristo e não mais em si
mesmos. É uma luz mais refugiente do que
o sol ao meio-dia. É uma chama que
prevalece na solidão da noite, na frieza
do hospital, na tristeza do funeral, na
dureza da decepção.
Nós sabemos, irmãos, de tudo isso
e nada mais nos apavora, porque essa luz
traz entendimento, ânimo e horizonte pra
vida.
O choro vem de noite e a alegria nos
desperta pela manhã, porque ele nos
tirou das trevas e nos trouxe para a sua
maravilhosa luz.
Agora nós podemos proclamar que a
sexta-feira nebulosa, onde existia uma
cruz mo Salvador deu lugar a um domingo
iluminado com um túmulo vazio. Logo
cedo,
cumpramos o propósito santo de proclamar
as virtudes de nosso Deus, porque essa é
uma tarefa dos crentes, é uma atribuição
dada à igreja e somente a igreja pode
fazer isso. Aliás, irmãos, gastaremos
muito tempo com isso, porque há
inesgotáveis
virtudes no Senhor.
Pregar a sua palavra para o maior número
possível de pessoas, para que elas
conheçam a Deus e glorifiquem a Deus
como nós conhecemos e glorificamos, é
uma das respostas que ele espera de nós
em gratidão pelos seus feitos em nosso
favor. Em segundo lugar, nós devemos
entender que nesse mundo nós somos
peregrinos e forasteiros.
Essa é uma compreensão que o crente tem
que ter. Somos nesse mundo viajantes.
Pedro prossegue no seu ensino usando
agora uma figura muito lúcida da nossa
relação com o mundo. Ele afirma que nós
estamos aqui de passagem, como que
atravessando um deserto.
Não podemos então, irmãos, encarar esse
mundo como se fosse o lugar da nossa
habitação eterna, como o local onde nós
fixamos morada permanente, porque não é.
E nós sabemos que não é pela nossa
própria experiência.
Nesse mundo, nós somos estrangeiros,
somos viajantes que nem conseguimos
aproveitar tão bem a viagem, porque os
nossos pecados nos atrapalham e porque
cá para nós,
essa viagem acaba muito rápido,
muito rápido.
Passamos aqui apenas alguns anos e
voamos e são anos que se findam
rapidamente.
Mesmo assim,
mesmo assim, algumas pessoas se preparam
para a vida nesse mundo como se jamais
fossem partir dele.
Vivem construindo celeiros e destruindo
celeiros sem propósitos.
Vivem tentando encontrar aqui descanso
pleno, vivem buscando realização em seus
afazeres ou prazeres. Vivem tentando
construir um paraíso na terra.
Mesmo desconhecendo em absoluto o seu
futuro, traçam planos e tomam decisões
sem levar Deus em consideração. Mas
acreditem,
é decepcionante chegar ao final da
existência e constatar que as coisas
pelas quais você mais lutou e viveu
simplesmente passam, como passa a
própria existência.
Mas aqueles que se tornaram parte do
povo do Senhor sabem que a nossa pátria
é celestial.
Filipenses capítulo 3. Pois a nossa
pátria está nos céus, de onde também
aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus
Cristo, o qual transformará o nosso
corpo de humilhação, para ser igual ao
corpo da sua glória, segundo a eficácia
do poder que ele tem de até subordinar a
si todas as coisas. Segunda Coríntios,
capítulo 5. Pois sabemos que se a nossa
casa terrestre se desfizer, temos da
parte de Deus um edifício, uma casa
feita não por mãos humanas, mas nos
céus. E por isso, nesse tabernáculo,
gememos, desejando muito ser revestidos
da nossa habitação celestial.
Hebreus 13. De fato, não temos cidade
permanente, mas buscamos aquela que há
de vir. O proprietário das coisas
maiores diz para os pobres andarilhos
desse mundo: "Não se contentem com as
coisas pequenas".
Vocês se contentam por vezes com coisas
tão pequenas.
Vocês brigam por coisas tão tolas.
Pensem na eternidade.
Pensem no que eu fiz. Eu já reservei
para vocês algo muito maior e muito
melhor. O entendimento, então, da nossa
finitude, da transitoridade da vida, é
algo que não pode faltar. Nós somos
peregrinos e forasteiros. Não pode
faltar essa compreensão se nós queremos
responder positivamente ao chamado
redentivo do Senhor. Em terceiro lugar,
o texto diz que nós devemos nos abster
das paixões carnais.
Texto diz que é necessário nos abstermos
das paixões carnais que fazem guerra
contra a alma. Nós não fomos feitos
sacerdotes, irmãos. Pois bem, se você é
um sacerdote, tem que se comportar como
tal.
Se você é crente no Senhor Jesus Cristo,
cuide para que você esteja limpo, com um
coração limpo, sempre diante de Deus.
Não se contamine por meio do seu corpo e
cuide bem da sua alma. Ordene os seus
desejos. Ore por domínio próprio,
cultive bons sentimentos, use os meios
de graça, porque o pecado guerreia
contra a nossa alma.
Essa é uma epístola que trata muito
sobre santidade.
E é importante lembrar, irmãos, que
santidade envolve mortificação da carne.
Entendam carne como prazeres e desejos
impuros, pervertidos, torpes e
maliciosos.
Esses desejos brotam de nossos corações
corruptos e nos levam a pecar com os
nossos corpos, obtendo satisfação
imediata, mas na verdade eles machucam a
nossa alma e trazem consequências,
muitas consequências. Tiago 1. Cada um é
tentado pela sua própria cobiça quando
esta o atrai e o seduz. Então, a cobiça,
depois de haver concebido, dá a luz o
pecado. E o pecado, uma vez consumado,
gera a morte.
É o que encontramos em Gálatas 5. Digo,
porém, o seguinte: "Vivam no espírito e
vocês jamais satisfarão os desejos da
carne, porque a carne luta contra o
espírito e o espírito luta contra a
carne, porque são opostos entre si, para
que vocês não façam o que querem".
Vejam como quem vive no mundo distante
de Deus bate no peito com orgulho e diz:
"Eu faço o que eu quero. Eu sou dono do
meu próprio nariz." Mas o que Deus disse
para nós é uma vez que somos comprados
por ele e pertencemos a ele, nós não
fazemos o que nós queremos.
Nosso objetivo é fazer aquilo que Deus
quer. Alguém com um coração grato a Deus
pelo que ele fez por nós, terá sempre
como meta o maior distanciamento
possível do pecado. Porque Deus não nos
chamou para permanecermos na iniquidade,
mas para nos levar a um novo estilo de
vida marcado pela pureza. Por último,
meus irmãos, o que nós devemos fazer?
Devemos manter o nosso testemunho entre
os incrédulos para promover a glória do
Senhor.
Certo estudioso das Escrituras comentou
que quando Pedro escreveu essa carta, os
cristãos estavam sendo chamados de
irreligiosos,
porque eles se recusavam a adorar deuses
pagãos. estavam sendo chamados de
idiotas, porque eles não se entregavam
aos hábitos condenáveis do povo em geral
e estavam sendo chamados de traidores do
governo porque professam lealdade ao
único rei celestial.
Por essas coisas, os cristãos estavam
sendo difamados.
E não é à toa que Pedro fala sobre isso,
que os crentes devem cuidar para
envergonhar os próprios difamadores.
Charles Spurgel alertou os ouvintes,
crentes da sua época, dizendo para eles:
"Saibam que mesmo que vocês pudessem
viver como anjos, alguns no mundo os
chamarão de demônios".
É um fato.
Essa era uma época particularmente
difícil para os cristãos, mas os fiéis
sempre tiveram que enfrentar a oposição
do mundo. De algum modo, o cristianismo
sempre foi considerado desprezível como
sistema religioso. E não apenas as
perseguições, como às vezes as acusações
permanecem acontecendo, são diversas e
surgem de todos os lados, inclusive das
autoridades, ou pelo menos de algumas
delas, das maiores delas às vezes.
Daí a palavra malfeitores, que era
dirigida aos servos de Deus. O que Pedro
diz, então, é que a melhor reação a isso
é o correto procedimento.
Os cristãos tinham que se sentir
desafiados de tal forma que quanto mais
retaliações eles sofressem, mais
dispostos estivessem a manter firme o
seu testemunho exemplar. Se assim eles
agissem, o impacto seria tão poderoso
que as acusações dos incrédulos se
mostrariam infundadas e, mais do que
isso, promoveriam a glória de Deus. Eu
vejo esse conselho do apóstolo como algo
fabuloso.
Muitos cristãos sérios acham que a saída
diante dos pecados que nos acediam no
mundo é o isolacionismo. Ou seja, vamos
nos trancafiar o máximo possível e
evitar contato com os descrentes, a fim
de nós não nos contaminarmos com eles.
Essa é uma atitude até compreensível,
mas é desesperada, é equivocada, é
completamente errada. Vejam que Pedro
não diz que nós devemos nos afastar
completamente dos incrédulos, mas o que
ele nos ensina é que nós devemos manter
o nosso comportamento exemplar no meio
deles,
entre eles.
Quanto a glorificação de Deus no dia da
visitação, entendemos aqui, irmãos, que
a ideia é que a luz do evangelho da
palavra é decisiva para todo aquele que
a ouve.
E ela sempre traz salvação ou
condenação. A verdade é que eh são os
salvos que promovem a glória de Deus e
que recebem a sua graça e misericórdia,
enquanto que aqueles que não ouvem esse
chamado são condenados e promovem a
glória de Deus na manifestação do juízo
que recebem.
Entretanto, como as palavras de Pedro
são dirigidas a crentes, devemos
tomá-las para nós como um estímulo, a
fim de nos aperfeiçoarmos em uma vida
justa e garantir que Deus seja
enaltecido entre os crentes e os
descrentes, na pregação do evangelho e
no juízo final, agora e na consumação
dos séculos.
Assim, meus irmãos,
nós aprendemos hoje que como igreja
somos um povo diferente, separado,
trazido das trevas para a luz. E vemos
que Deus fez por nós grandes coisas. Ele
nos fez geração eleita, sacerdócio real,
nação santa, propriedade sua e
manifestou a sua misericórdia sobre as
nossas vidas.
De modo que, em resposta ao seu ato
redentivo de amor, devemos agora
proclamar as suas virtudes,
entender a nossa transitoridade nesse
mundo, nos abster das paixões carnais e
manter exemplar o nosso procedimento
entre os incrédulos para a glória de
Deus. Que o Senhor nos ajude a entender
essas coisas e nos ajude a proceder
dessa exata maneira. Vamos orar.
Senhor Deus,
gratos nós somos. Como não poderíamos
agradecer? Tantas coisas que o Senhor
fez por nós, nos livrando do juízo e da
condenação, nos dando uma nova chance,
nos trazendo para perto do Senhor,
quando nós éramos pecadores, que
[limpando a garganta] nem tínhamos nos
arrependido dos nossos próprios pecados.
Obrigado porque o Senhor nos olhou, teve
misericórdia de nós, estendeu a tua mão
e nos perdoou. Louvado e engrandecido
seja o Senhor, porque agora fazemos
parte dessa família, desse povo santo,
dessa nação santa, que é a igreja de
Jesus Cristo. nos ajude, ó Deus, no
cumprimento das nossas tarefas, para que
enviemos a mensagem do Senhor por todos
os lugares e vivamos o evangelho de
forma íntegra,
com temor no nosso coração, com vida
piedosa nesse mundo, para que o teu nome
seja glorificado em todos os lugares, em
Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador.
Amém. M.

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