Proprietário e Beneficiário – REV. GUILHERME ALCÂNTARA
13/05/2026
Proprietário e Beneficiário – REV. GUILHERME ALCÂNTARA
Nesta mensagem baseada em 1 Pedro 2:9–12, somos conduzidos a refletir sobre a identidade do povo de Deus e a resposta que essa identidade exige de nós.
O apóstolo Pedro descreve a igreja como geração eleita, sacerdócio real, nação santa e povo de propriedade exclusiva de Deus. Essas expressões revelam que tudo o que somos é resultado da graça, da misericórdia e da obra redentora do Senhor.
Deus nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, fez de nós seu povo e nos deu uma nova missão: proclamar suas virtudes, viver como peregrinos neste mundo, rejeitar as paixões carnais e manter uma conduta exemplar diante dos incrédulos.
Uma mensagem profunda sobre pertencimento, santidade, misericórdia e testemunho cristão em um mundo que rejeita a Cristo, mas precisa ver a glória de Deus refletida na vida do seu povo.
INFORMAÇÕES:
Pastor: REV. GUILHERME ALCÂNTARA
Passagem: 1 Pedro 2.9-12
Série: Cristãos: um edifício em construção
#ipsantoamaro #presbiteriana
CAPÍTULOS:
00:00 – Introdução e leitura de 1 Pedro 2
01:40 – Oração inicial
02:43 – Proprietário e beneficiários: uma ilustração da graça
04:04 – Deus é o dono de tudo, nós somos beneficiários
06:30 – O contraste entre os descrentes e o povo de Deus
08:16 – Primeira pergunta: o que Deus fez por nós?
08:38 – Deus nos fez geração eleita
10:41 – A igreja como família da fé
13:46 – Deus nos fez povo de sacerdotes
16:21 – Cristo como o verdadeiro mediador
17:47 – O sacerdócio universal dos crentes
19:26 – Sacrifícios espirituais e vida de serviço
22:09 – Deus nos fez nação santa
23:07 – Nossa cidadania celestial
25:07 – Deus nos fez propriedade exclusiva
26:10 – Comprados pelo sangue de Cristo
28:53 – Deus exige exclusividade do seu povo
31:24 – Deus derramou misericórdia sobre nós
33:00 – O contraste entre o passado e o presente
36:29 – A misericórdia elevada à máxima potência
39:22 – Segunda pergunta: o que Deus requer de nós?
39:40 – Proclamar as virtudes de Deus
42:14 – Das trevas para a maravilhosa luz
45:27 – Somos peregrinos e forasteiros neste mundo
47:28 – Nossa pátria está nos céus
49:07 – Abster-se das paixões carnais
50:37 – A luta entre carne e Espírito
51:38 – Manter bom testemunho entre os incrédulos
53:28 – A resposta cristã às acusações do mundo
54:04 – O erro do isolacionismo cristão
55:43 – Conclusão: um povo diferente para a glória de Deus
56:39 – Oração final
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Sobre a música de abertura
Música: Louvai a Deus, soberano Senhor (Hinário Novo Cântico nº16). Título original em português: Louvor a Deus
Compositor: Stralsund Gesangbuch (1665), Joachim Neander (1680)
Ficha Técnica
Arranjos e produção musical: Samuel Cintra Santos
Gravação, mixagem e masterização: SCS Produções
Produção: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro
ISRC: BR-075-22-00001
Legendas automáticas:
Quero convidá-los, irmãos, para que abram suas Bíblias na primeira epístola de Pedro, capítulo 2. Primeira epístola de Pedro, capítulo 2. Eu vou ler com os irmãos o verso 9 até o verso 12. Texto muito conhecido da epístola de Pedro, capítulo 2, versos 9 a 12. Palavra do Senhor diz: "Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamar as virtudes daquele que o chamou das trevas para a sua maravilhosa luz". Antes vocês nem eram um povo, mas agora são povo de Deus. Antes não tinham alcançado misericórdia, mas agora alcançaram misericórdia. Amados, peço a vocês, como peregrinos e forasteiros que são, que se abstenham das paixões carnais que fazem guerra contra a alma, tendo conduta exemplar no meio dos gentios, para que quando eles os acusarem de malfeitores, observando as boas obras que vocês praticam, glorifiquem a Deus no dia da visitação. Vamos orar. Senhor Deus, nós estamos aqui como teu povo, nação eleita, sacerdócio real, que o Senhor mesmo estabeleceu. O Senhor nos chamou, nos comprou, nos deu uma direção, deu sentido para as nossas ações, para a nossa existência. E aqui estamos cultuando o Senhor, reconhecendo o teu senhorio e declarando a nossa dependência e a nossa necessidade de comunhão contigo. Por isso, fala ao nosso coração, ó Deus, e fortalece-nos nesse dia. realiza obra que o Senhor planejou desde a eternidade e desde o momento em que o Senhor também nos chamou na nossa própria trajetória, fazendo com que assumíssemos um novo estilo de vida e tivéssemos agora um percurso que visa mais do que qualquer coisa, a glorificação do teu nome. E é em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador, que nós oramos. Amém. Meus irmãos, em algumas transações comerciais ou contratuais, na definição de relações jurídicas, podem coexistir a figura de um proprietário e um beneficiário, com diferenças muito claras entre eles. O proprietário de um determinado imóvel, por exemplo, detém um documento que se chama título de propriedade, que dá a ele o direito de utilizar e de dispor do bem livremente, como bem entender, enquanto que o beneficiário é alguém que apenas recebe autorização para usufruir do empreendimento e dos frutos que eventualmente pode ele gerar. Para todos os efeitos é o nome do proprietário que consta na matrícula, configurando assim que ele é efetivamente o dono. Ele tem a posse. O proprietário gerencia, enquanto que o beneficiário pode ser apenas uma pessoa que foi favorecida pela liberalidade do dono da obra, que permite que o sujeito disponha do bem de um modo até bastante vantajoso. Essa é uma boa imagem de como nós podemos também entender a nossa relação com Deus. Ele é o Senhor. Ele é o criador. Ele é o dono de tudo quanto existe. Ele é o autor da nossa própria vida. Ele é o consumador da nossa fé. Ele é quem aplica as bênçãos da obra redentora. Ele é quem elege, justifica, santifica e glorifica. E nós, nós, meus irmãos, somos os beneficiários de tudo isso e somos chamados, então, a responder com alegria, gratidão, testemunho, obediência e serviço, porque é o mínimo que nós podemos fazer diante de tantas bênçãos que nós recebemos e temos recebido. Tudo pertence a Deus. Nós mesmos pertencemos a Deus. E também então nós usufruímos de todas as coisas porque ele, o Senhor tem nos amado desde antes da fundação do mundo. Um detalhe que não pode passar despercebido, notem bem, o proprietário é um só. O beneficiário são os beneficiários são muitos. Isso nos faz lembrar inclusive das palavras do apóstolo Paulo aos Romanos, explicando que pela graça de um só homem, Jesus Cristo, muitos e muitos foram justificados. Nós temos falado aqui que os cristãos são parte de uma obra grandiosa, planejada e executada pelo próprio Deus. Mas é importante compreender, irmãos, nesse processo quem é quem? Quem é quem nesse cenário? Porque às vezes ficamos tão acostumados com a generosidade de Deus, com a permissão de Deus, com as dádivas de Deus, que não valorizamos ou não damos a ele a glória devida. Podemos até nos autoenganar de modo a alimentar no coração a perspectiva de que somos merecedores ou conquistadores das coisas que temos, quando na verdade não temos nada, não passamos de beneficiários. Nós somos pessoas que recebem das mãos de Deus tudo o que precisam. pessoas que desfrutam muitas vezes com conforto de um lar que Deus providenciou para reunir o seu povo. A passagem que nós lemos marca claramente um contraste entre aqueles que receberam esses benefícios espirituais e aqueles que estão desprovidos dessas coisas. Notem a conjunção adversativa, porém de voz, porém a contraposição que Pedro faz tem relação com a informação do verso 8 que tratou sobre os descrentes. O apóstolo diz que Jesus Cristo para os incrédulos é a pedra rejeitada, rocha de ofensa, pedra de tropeço. Ou seja, os descrentes, via de regra, ignoram a Jesus, o vem como impecílio e como algo até ofensivo. Mas é evidente, é claro que aqueles que partilham da comunhão verdadeira com o Senhor o enxergam de uma forma completamente diferente e são também tidos por Deus como parte de uma comunidade distinta, especial, separada do mundo e consagrada para ele. Dessa forma, o que nós vamos perceber aqui é que Pedro usa termos típicos do Antigo Testamento, mas que mostram a continuidade da aliança santa, que no passado foi feita com Israel, mas que se expandiu, se tornou mais abrangente e hoje inclui todos os povos, pessoas de todos os lugares que professam a sua fé no filho de Deus. A partir então do que nós podemos colher, irmãos, nos versos 9 e 10 e depois nos versos 11 e 12, pretendo aqui responder a duas grandes perguntas. E a primeira delas é: o que Deus fez por nós? É sobre isso que devemos refletir em um primeiro momento. O que foi, afinal de contas, que Deus fez por nós. E eu vou utilizar os exatos termos de Pedro para explicar esses detalhes. O que foi que Deus fez por nós? Em primeiro lugar, vejam que ele diz que Deus nos fez povo eleito. Analisemos eh primeiramente essa expressão geração eleita que é trazida aqui. A palavra grega para geração é genênus. De onde vem a palavra genealogia? indicando que Deus gerou descendentes, criou um povo com uma espécie de DNA espiritual, cumpriu a promessa feita a Abraão e foi além, porque os judeus tinham uma ancestralidade comum e especificidades étnicas que os caracterizava como uma comunidade socialmente organizada. Mas agora, meus irmãos, nós temos muito mais como igreja de Deus, como igreja universal, como igreja que está espalhada por todos os quatro cantos da terra. Deus criou uma família, uma família de eleitos que estão em toda parte, espalhados pelo mundo. E quando nós nos encontramos por aí, somos todos irmãos e nos reconhecemos como irmãos. E mesmo sem nos encontrar por aí, somos todos escolhidos pelo mesmo Pai. Vivemos em oração uns pelos outros, porque esta é uma grande família. Temos um modo de pensar e viver pautado pela Bíblia. Partilhamos do mesmo espírito e declaramos que há um único e suficiente salvador das nossas vidas. Anunciamos todos a mesma mensagem, contando a história de como fomos redimidos e como os outros podem vir a ser também inseridos nesse organismo vivo e dinâmico que é a igreja do Senhor. Sim, porque o povo da fé não exclui ninguém. O povo da fé une pessoas que, de outra maneira, nunca ficariam juntas e cria então laços profundos entre os seus membros. Essa é uma família que tem o interesse de crescer no mundo todo, porque quanto mais ela exponde expande as suas fronteiras nas diferentes categorias de homens, mas o nome do seu progenitor recebe louvor e reconhecimento. O cristianismo rompeu todas as barreiras ditas raciais e aproximou judeus e gentios, como se evidencia nessa carta. Pedro era judeu, mas em grande parte a sua audiência era formada por gentios. Eles não são então do mesmo biotipo. Eles não habitam a mesma região, eles não têm os mesmos hábitos culturais, mas eles estão unidos pelo mesmo sangue de Jesus Cristo. Na igreja é exatamente isso que nós temos. Na igreja todos são pecadores. Ninguém é melhor ou pior do que ninguém, mas todos têm exatamente a mesma esperança e todos são sustentados unicamente pela graça de Deus. A mesma graça que nos separou e que nos escolheu antes da fundação do mundo. Vejam o que Deus fez, irmãos. Desde que o pecado entrou no mundo, os homens se dividiram. Os homens conheceram a guerra. Os homens criaram rivalidades e hostilidades. Os homens se atacaram entre as suas tribos. Os homens se destróem. Mas agora estes mesmos homens são convidados a crer em Jesus Cristo, a se arrepender dos seus pecados, a nascer de novo e a fazer parte de uma família que desconhece categorias divisivas. Temos um mesmo pai. Um mesmo sobrenome de cristãos. Fomos chamados a entrar na casa do proprietário para usufruir de tudo como beneficiários, de tudo o que nós não merecíamos. Deus nos amou com amor eterno e nos concedeu a maior de todas as bênçãos. E como o próprio Pedro disse em um sermão pregado no livro de Atos após o Pentecostes, porque a promessa é para vocês e para vossos filhos e para todos aqueles que ainda estão longe, isto é, para todos aqueles a quem o Senhor, nosso Deus chamar. E ainda arrematou: "Salvem-se dessa geração perversa". Nós podemos acrescentar aqui hoje, salvem-se dessa geração perversa e venham para uma geração eleita, porque Deus fez de nós geração eleita. Em segundo lugar, o que Deus fez por nós? Ele nos fez povo de sacerdotes. Irmãos, vejam isso. Deus fez de nós um povo de sacerdotes. Importante demonstrar que Pedro não está inovando na linguagem, meus irmãos. Essas expressões são tomadas emprestadas das próprias palavras de Deus dirigidas a Israel através de Moisés. Em Êxodo 19, quando se contava 3 meses da saída dos hebreus da terra do Egito, o Senhor disse: "Agora, pois, se ouvirem atentamente a minha voz e guardarem a minha aliança, vocês serão a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha, e vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa. Então, esses termos, essa terminologia já estava empregada pelo próprio Deus em um período bastante eh distante no Antigo Testamento. Nós ainda vamos tratar dos outros termos, mas observem, vocês serão, para mim, diz, um reino de sacerdotes. Essa é uma definição muito rica, irmãos, sobretudo quando pensamos no papel que era desenvolvido pelo sacerdote no passado. O sacerdote, basicamente, era o responsável por interceder pelo povo diante de Deus, cumprindo a função simbólica de mediador. O sacerdote era também alguém que pessoalmente se consagrava de um modo especial e que dirigia atividades religiosas consideradas solenes e sagradas. Apenas o sumo sacerdote, por exemplo, tendo sido ungido, entrava no chamado santo dos santos, o lugar santíssimo, que era proibido de ser visitado por qualquer outra pessoa. Naquele tempo, isso era necessário pela própria determinação divina que pretendia educar os crentes acerca da santidade do Altíssimo, da reverência na adoração e da necessidade absoluta de um mediador para se chegar até Deus. Jesus assume esse papel e as coisas se alteram para melhor com a sua chegada, porque aquilo que era símbolo em Cristo se tornou realidade. Mais do que isso, por causa dele, de Jesus, o nosso status mudou. Quando o apóstolo João vai registrar as sete cartas para as igrejas da Ásia Menor, ele faz uma referência a Jesus. afirmando que ele é a fiel testemunha, o primogênito dos mortos, o soberano dos reis da terra, aquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados e nos constituiu reino sacerdotes para o seu Deus e Pai. A ele a glória e o domínio para todo sempre. Amém. Sabem por que essa declaração de João em Apocalipse é fantástica? Porque ela revela que o interesse que Deus sempre teve, o interesse que ficou explícito desde que Israel saiu do Egito, foi alcançado agora através de Jesus, o proprietário da obra que formou e beneficiou a igreja da qual nós fazemos parte. Os reformadores protestantes entenderam isso muito bem e não por acaso defenderam com ênfase a doutrina do sacerdócio universal de todos os crentes, afirmando que sem que haja nenhum tipo de hierarquia clerical, sem que haja necessidade de prévia concessão humana, sem que haja burocracias, complexidades ou barreiras. Todos, todos os crentes têm acesso a Deus por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor. Todos nós somos sacerdotes nesse sentido e podemos nos aproximar de Deus, ainda que apenas e unicamente através do nosso Salvador, o eterno sumo sacerdote que adentrou os céus. Você então pode orar a Deus e se relacionar com ele intimamente, sem que ninguém, a não ser Jesus, funcione como seu intermediário. Como também é dito por Paulo a Timóteo, porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e a humanidade, Cristo Jesus, homem. Deus fez de nós um povo de sacerdotes. Por isso também a expressão sacrifícios espirituais que aparece no verso 5 de Primeira Pedro 2, também pode ser encontrada em outros lugares no Novo Testamento. É agora que vemos, irmãos, de um jeito bem prático o que Deus também espera de nós na condição de sacerdotes. Porque ser um sacerdote é um privilégio, é uma conquista de Jesus para nós, mas é também uma responsabilidade. Há trabalho a fazer, há contribuições, a ordenanças que nos são dadas. Em Romanos 1, por exemplo, o apóstolo Paulo diz, aliás, em Romanos 12, ofereçam o seu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, exatamente como um sacerdote deveria fazer. Em Hebreus capítulo 13, nós temos dois conceitos somados. Primeiro, o autor diz: "Por meio de Jesus, pois ofereçamos a Deus sempre sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome." E depois exorta: "Não se esqueçam da prática do bem e da múltua à cooperação, porque de tais sacrifícios Deus se agrada". Em Filipenses, o apóstolo Paulo agradece a oferta que a igreja enviou com as seguintes palavras: "Estou suprido desde que Epafrodito me entregou o que vocês me mandaram, que é uma oferta de aroma agradável, um sacrifício que Deus aceita e que lhe agrada." Então, ser sacerdote implica em estarmos envolvidos em orações, louvores, confissões, boas obras, ofertas e outros compromissos. Somos um povo de sacerdotes. Afinal, a palavra real aponta para a realeza de Cristo, porque sabemos Jesus é rei e é sacerdote. Por isso, fomos feitos sacerdócio real, ou, em outras palavras, somos sacerdotes do rei. Ou de outra maneira, nós todos somos sacerdotes por causa daquele que é tanto sacerdote quanto o rei. Ou de outra forma, nós nos unimos a aquele que é rei e sacerdote, porque a nossa vocação como pessoas salvas é a ele servir e com ele reinar. Que privilégio maravilhoso nós temos. Então, fomos feitos sacerdócio real por meio de Jesus Cristo. Em terceiro lugar, Pedro diz que Deus também nos fez povo santo. Então, vejam bem, irmãos, geração eleita, sacerdócio real. Agora ele vai usar a expressão nação santa. Deus nos fez um povo santo. E nesse ponto nós observamos uma relação muito próxima com o item anterior, porque o povo de Deus é um povo separado por ele mesmo. É um povo que se orienta e se submete às leis de Deus com satisfação e de forma voluntária, mesmo que saibamos que isso também é um dever. A palavra para nações é etnos. De onde vem a ideia de etnia? Nós somos cidadãos de um reino, de uma nação que não é demarcada nem geográfica e nem politicamente, mas que é espiritual. Jesus conquistou para nós uma cidadania celestial. Essa nação, a igreja de Jesus, é uma nação santa que tem passaporte legalizado para o céu. Deus tirou Israel do Egito e entregou o decálogo, os mandamentos. Deus tirou o seu povo, a sua igreja do mundo, e a ela entrega também um código legal, moral e ético, que não salva, mas que é uma expressão da nossa salvação e que nos identifica como um povo diferente dos demais. O destaque, irmãos, é para a santidade e para o alvo que nós devemos perseguir, a fim de que Deus se agrade nossas ações, já que foi por isso e para isso que Cristo morreu e se entregou. Então, a santidade é a qualificação inseparável desse povo, dessa nação. E se no primeiro tópico Pedro nos fala de uma geração eleita, nesse tópico ele nos fala de uma nação santa. Se no primeiro caso nós temos o destaque à eleição, no segundo caso temos o destaque à santificação. Ambas obras de Deus. O proprietário ajudou os beneficiários com a eleição e com a santificação. Ele planejou, ele decidiu nos salvar na eternidade. E agora, na nossa trajetória nesse mundo, ele trata o nosso coração limpando-nos do pecado e nos vivificando por sua justiça. Então, assim somos considerados como uma nação santa e separada por Deus e para Deus. Em quarto lugar, Pedro vai nos dizer que Deus nos fez um povo de sua propriedade e de sua propriedade exclusiva. O texto sagrado traz uma ênfase grande nisso. É nos dito que nós somos propriedade exclusiva de Deus. propriedade aqui marca a ideia de pertencimento. Nós pertencemos a Deus e ele tem todo o direito sobre nós porque ele nos comprou. Nós somos posse, nós somos aquisição de Deus. E ele nos comprou por um preço caríssimo, incalculável, que foi a morte do seu filho. Você compraria, pense bem, você compraria um objeto insignificante, ineficiente, cheio de defeitos, por um preço de milhões e milhões de reais, de dólares ou de euros? Ninguém faria isso, pois foi isso o que Deus fez por nós. Ele investiu um valor indescritível, impronunciável. Todo ouro, toda a prata, todas as riquezas desse mundo somadas não chegam nem perto do valor do sacrifício e do sangue de Jesus. Mas Deus entregou o seu filho, o seu filho único, amado, puro, perfeito, para morrer, a fim de comprar pecadores, ofensores, rebeldes. Meus irmãos, é como oferecer uma fortuna por bugigangas sem ofensas, porque eu estou envolvido nisso como vocês. É como oferecer uma fortuna por bug gangas. Mas tem uma coisa muito importante aqui. Esse Deus sabe trabalhar muito bem com as peças que ele adquire, que ele compra. Esse Deus transforma bijuteria em ouro fino, refinado, cheio de brilho. Gente que desatolou do mal, gente que refez o caminho, gente que deixou de viver para si, porque agora declara que pertence exclusivamente ao Senhor. No mundo moderno, a propriedade partilhada é muito comum. É muito comum esse conceito entre nós. As empresas têm seus acionistas, as instituições têm os seus investidores, os artistas têm os seus empresários e cada um tem aí o seu direito e o seu percentual na propriedade. Mas esse fenômeno moderno não tem espaço quando pensamos na relação de Deus conosco, porque ele quer que sejamos exclusivamente dele, sem divisão, sem mente dividida, sem coração dividido. O nosso caminho, irmãos, não é o caminho largo por onde muitos vão, é o caminho estreito que poucos encontram. A nossa felicidade não é o prazer humano, mas é são as bem-aventuranças pronunciadas por Jesus e o prazer da comunhão com Deus. A nossa esperança não está naquilo que é temporal, mas naquilo que é eterno. Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos aquela que há de vir. Deus é um comprador exigente que requer exclusividade. Ele não divide a sua glória com ninguém. E ele não nos divide com ninguém. Ele não está disposto também a nos. Ele não quer que nós venhamos a dar glória a nenhum outro, senão a ele mesmo. Ele fez de nós seus servos e ele não está disposto a se desfazer de nós. E isso é muito bom e isso é glorioso. Me permitam aqui um trocadilho. Houve uma época em que nós estávamos alienados de Deus, mas agora a informação gloriosa é que Deus não está disposto a nos alienar. Deus não está disposto a nos vender, trocar, emprestar de forma alguma. Nós nunca mais correremos o risco de ficarmos alienados de Deus novamente. Em Apocalipse 5 temos a declaração de que Jesus pegou o livro e quebrou os selos, porque ele foi morto e com o seu sangue comprou para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação. E para o nosso Deus constituiu reino e sacerdotes, e eles reinarão sobre a terra. Deus nos chamou, então, irmãos, para entrar na sua casa, mas não como hóspedes que incomodam e que depois são convidados a partir. Deus nos chamou para viver perto dele e nunca mais se afastar. Jesus falou que ninguém pode arrebatar as suas ovelhas das suas mãos. E para você que acha que esse é um discurso que colhe que tolhe a nossa liberdade, eu respondo: É muito melhor estar nas mãos de Deus do que nas mãos de qualquer outro. Como é bom nós pertencermos a esse Deus como sua propriedade. Esse é o sentido exato da nossa própria vida. Como é bom estarmos nas benditas mãos daquele que nos amou e nos ama de um modo tão elevado, tão grandioso. Pois bem, meus irmãos, em quinto lugar nos é dito que Deus derramou misericórdia sobre nós. O que mais Deus fez? Ele derramou misericórdia sobre o seu povo. Verso 10 afirma: "Antes vocês nem eram povo, mas agora são povo de Deus". Antes não tinham alcançado misericórdia, mas agora alcançaram misericórdia. De vez em quando é bom lembrar, irmãos, de quem nós éramos antes de conhecer a Deus. De vez em quando é bom lembrar de onde nós estávamos ou lembrar das coisas que nós pensávamos e sentíamos no coração. Porque quando fazemos isso, nos damos conta do quanto a misericórdia de Deus nos ajudou. Hoje pela manhã, quando o pastor Jean foi fazer o batismo do seu netinho, o Pedro, filho do Zé e da Laura, ele disse algo que realmente marca. Quando você reflete mais detidamente, não sei se os irmãos lembram, ele disse: "Eu sou o primeiro convertido de uma família deistas e Deus me deu a bênção de criar meus filhos nos caminhos do Senhor." Pois é, esse tipo de testemunho pode ser dado pelos crentes, tendo em vista a misericórdia de Deus. Por que que você acha que alguém pode dizer isso? porque foi alcançado pela misericórdia de Deus. Pedro fala também com muitos gentios da sua audiência, outrora pagãos. Portanto, não é difícil nos depararmos com um grande contraste entre a nossa vida passada pregressa e a nossa vida presente. Mesmo que você tenha nascido já na igreja, você talvez precisa analisar a sua genealogia para ter noção de onde estavam seus pais ou onde estavam os seus avós quando Deus o chamou. Porém, mesmo que nós eh mesmo que estivéssemos tão distantes ou tenhamos vivido no pecado e sejamos merecedores de condenação, Deus nos trouxe para ele, meus irmãos. Deus nos envolveu em seu povo. Deus manifestou de muitas maneiras a sua misericórdia. Aliás, diga-se de passagem, se você nasceu na igreja, Deus teve muita misericórdia de você. Pare para pensar, porque a igreja é formada por muitas pessoas que já foram hipócritas, violentas, viciadas, promíscuas, com coração endurecido. E você diz: "Como é que gente assim pode fazer parte do povo de Deus?" E é um mistério, não é? Como é que gente assim como eu, como você, como é que pecadores desse calibre podem fazer parte do povo de Deus? Se Deus é santo, se Deus é perfeito, se Deus odeia o mal. E eu te digo, isso só é possível por causa da misericórdia do Senhor que recebe o velho, o fraco, o doente, o impulsivo, o traumatizado, o malvado, o desamparado, o inimigo, o vingativo, transforma a vida dessas pessoas e dá a elas um novo sentido e propósito ao lado do seu povo. para pessoas que tinham participado de algum modo da crucificação de Jesus. Notem, pra gente que tinha assentido com a crucificação de Jesus, Pedro disse: "Esse Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus o ressuscitou. Mas se vocês se arrependerem e forem batizados para a remissão dos vossos pecados, receberão o dom do Espírito. Por favor, pense nisso. Pedro está dizendo que o Senhor Deus está disposto a perdoar as pessoas que mataram seu filho, que o ofenderam gravemente e a compartilhar com essas pessoas. o seu próprio espírito, proporcionando então que elas tenham comunhão com ele. Isso é o atendimento imediato da oração de Jesus na cruz. Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. Mas isso também é, meus irmãos, misericórdia elevada à máxima potência. Valorize e desfrute agora do fato de você ser vinculado ao povo de Deus. Isso significa você foi perdoado. Isso significa você recebeu a vida eterna. Apesar de tudo que você fez, apesar dos nossos pecados. Você nem era povo, mas agora você é povo de Deus. Você nem era alguém, você nem tinha conhecimento, mas agora você tem. Agora você está dentro do reino de Deus. Você estava fora, agora você está dentro. Sempre que for tentado a se orgulhar da sua posição atual, lembre-se do horrível poço cheio de lama, do qual somente a graça soberana nos liberta. E nós fomos resgatados de lá. Quando você estiver no trono recebendo aplausos, recorde da masmorra onde você esteve preso e da qual a graça de Deus te tirou. Quando você estiver em plena posse das suas faculdades espirituais, alegrando-se no Senhor, não se esqueça do tempo em que você estava enfermo, sofrendo, angustiado, até que o grande Deus cruzou o seu caminho, parou para te ouvir e te atender e mudou a sua vida. Foi a misericórdia de Deus que o levou a nos eleger. E foi também a misericórdia de Deus que nos levou e tem nos levado à santificação. Ele transformou malfeitores incorrigíveis em sacerdotes na sua própria casa. Como proprietário do mundo todo, ele anunciou um jantar na sua própria casa e convidou os beneficiários, os pobres, os alejados, os cegos, os coxos e todos os debilitados para entrar e participar da ceia. Entenda isso, irmãos, em um sentido espiritual, profundo e não apenas literal. Isso é misericórdia, meus irmãos, porque Deus não tinha obrigação alguma. O verbo aqui que mostra que nós alcançamos misericórdia, olhem só, adivinhem? Está no modo passivo. Vocês alcançaram misericórdia. E é interessante porque quando a gente ouve o verbo sendo conjugado dessa forma, parece que nós tivemos algum mérito, parece que nós tivemos alguma participação nisso. Vocês alcançaram, vocês conseguiram. Mas na verdade, meus irmãos, não é que nós conquistamos a misericórdia de Deus por qualquer destaque que nós tivemos, mas é que Deus decidiu nos fazer alvos do seu amor e da sua compaixão. Decisão dele, motivos, motivações dele. A próxima pergunta, então, que faço para essa noite é diante do que Deus fez, o que Deus requer de nós, meus irmãos? Já que Deus fez tudo isso por nós, o que ele requer de nós. Agora, em primeiro lugar, nós aprendemos aqui que devemos proclamar as virtudes de Deus. Esse é um gesto muito positivo que o crente tem que fazer, proclamar as virtudes de Deus de modo consciente. Final do verso 9 diz: "A fim de proclamar as virtudes daquele que o chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Nós não podemos pensar em nossa eleição, em nossa conversão, enfim, na nossa salvação pessoal como sendo o fim último de tudo. Embora saibamos que nada pode ser mais precioso do que a vida eterna que recebemos em Cristo Jesus. Porém, o fato é que até mesmo a nossa salvação cumpre um propósito maior, já que através dela Deus deseja e deve ser glorificado. É preciso, então, irmãos, compreender que Deus não nos chamou para vivermos na inércia ou na apatia, mas ele nos chamou para o cumprimento de tarefas muito especiais. Sobretudo ele nos chamou para anunciarmos as suas maravilhas. Aqui é como se o apóstolo estivesse dizendo: "Vocês são os divulgadores, igreja, povo de Deus, vocês são os divulgadores das virtudes de Cristo para que ele receba louvores, inclusive daqueles que hoje o rejeitam." Não se trata apenas de conhecer a beleza e a majestade de Jesus para nós usufruirmos, mas em nos alegrarmos com isso de tal modo que nos animemos em fazer com que Jesus se torne conhecido por aí onde nós estivermos. Deus é louvável por sua grandeza, sabedoria, soberania. Ele é santo, eterno, onisciente, onipotente, onipresente e ele tem manifestado o seu amor. Deus é benigno, justo e paciente. Essas coisas, irmãos, nós não sabemos por mera teoria. Estas coisas nós temos experimentado na vida com Deus. Nós temos experimentado na vida cristã. A despeito de esses serem pontos doutrinários importantes, essas coisas, na verdade não são abstrações, elas são vivenciadas pelos crentes dia após dia. Portanto, nós podemos compartilhar experiências e propagar o caráter de Deus descrito nas Escrituras a todas as pessoas a partir daquilo eh das coisas que acontecem também conosco. Essa fórmula de Pedro que traduz a passagem que fizemos das trevas para a luz é muito significativa. Vivíamos as escuras. Nosso futuro era desolador. Qualquer plano que fizéssemos terminaria sempre na entrada de uma sepultura. Trevas sobre as nossas cabeças, medo da morte, medo do infortúnio, medo das circunstâncias que mudam, das pessoas que traem, dos castigos divinos. Nada disso existe mais, porque entrou uma luz de fora no nosso coração e irradiou tudo dentro de nós. Uma luz que vem de Deus, que trouxe tanto discernimento, tanta paz, tanto sossego na alma, que as trevas se dissiparam. A luz daquele que habita os céus invadiu a escuridão dos nossos humildes casebres, nos fazendo enxergar agora tudo com nitidez. A maioria dos homens desse mundo se beneficia apenas das luzes naturais, temporais, artificiais, mas há uma luz maravilhosa que vem somente aos filhos de Deus. A luz que hoje há em nossa alma, o homem mortal não alcança a menos que o supremo dom Deus se manifeste. É essa luz que repousa sobre o povo de Deus. É uma luz que alegra apenas aqueles cujos olhos aprenderam a olhar e a confiar em Cristo e não mais em si mesmos. É uma luz mais refugiente do que o sol ao meio-dia. É uma chama que prevalece na solidão da noite, na frieza do hospital, na tristeza do funeral, na dureza da decepção. Nós sabemos, irmãos, de tudo isso e nada mais nos apavora, porque essa luz traz entendimento, ânimo e horizonte pra vida. O choro vem de noite e a alegria nos desperta pela manhã, porque ele nos tirou das trevas e nos trouxe para a sua maravilhosa luz. Agora nós podemos proclamar que a sexta-feira nebulosa, onde existia uma cruz mo Salvador deu lugar a um domingo iluminado com um túmulo vazio. Logo cedo, cumpramos o propósito santo de proclamar as virtudes de nosso Deus, porque essa é uma tarefa dos crentes, é uma atribuição dada à igreja e somente a igreja pode fazer isso. Aliás, irmãos, gastaremos muito tempo com isso, porque há inesgotáveis virtudes no Senhor. Pregar a sua palavra para o maior número possível de pessoas, para que elas conheçam a Deus e glorifiquem a Deus como nós conhecemos e glorificamos, é uma das respostas que ele espera de nós em gratidão pelos seus feitos em nosso favor. Em segundo lugar, nós devemos entender que nesse mundo nós somos peregrinos e forasteiros. Essa é uma compreensão que o crente tem que ter. Somos nesse mundo viajantes. Pedro prossegue no seu ensino usando agora uma figura muito lúcida da nossa relação com o mundo. Ele afirma que nós estamos aqui de passagem, como que atravessando um deserto. Não podemos então, irmãos, encarar esse mundo como se fosse o lugar da nossa habitação eterna, como o local onde nós fixamos morada permanente, porque não é. E nós sabemos que não é pela nossa própria experiência. Nesse mundo, nós somos estrangeiros, somos viajantes que nem conseguimos aproveitar tão bem a viagem, porque os nossos pecados nos atrapalham e porque cá para nós, essa viagem acaba muito rápido, muito rápido. Passamos aqui apenas alguns anos e voamos e são anos que se findam rapidamente. Mesmo assim, mesmo assim, algumas pessoas se preparam para a vida nesse mundo como se jamais fossem partir dele. Vivem construindo celeiros e destruindo celeiros sem propósitos. Vivem tentando encontrar aqui descanso pleno, vivem buscando realização em seus afazeres ou prazeres. Vivem tentando construir um paraíso na terra. Mesmo desconhecendo em absoluto o seu futuro, traçam planos e tomam decisões sem levar Deus em consideração. Mas acreditem, é decepcionante chegar ao final da existência e constatar que as coisas pelas quais você mais lutou e viveu simplesmente passam, como passa a própria existência. Mas aqueles que se tornaram parte do povo do Senhor sabem que a nossa pátria é celestial. Filipenses capítulo 3. Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas. Segunda Coríntios, capítulo 5. Pois sabemos que se a nossa casa terrestre se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, uma casa feita não por mãos humanas, mas nos céus. E por isso, nesse tabernáculo, gememos, desejando muito ser revestidos da nossa habitação celestial. Hebreus 13. De fato, não temos cidade permanente, mas buscamos aquela que há de vir. O proprietário das coisas maiores diz para os pobres andarilhos desse mundo: "Não se contentem com as coisas pequenas". Vocês se contentam por vezes com coisas tão pequenas. Vocês brigam por coisas tão tolas. Pensem na eternidade. Pensem no que eu fiz. Eu já reservei para vocês algo muito maior e muito melhor. O entendimento, então, da nossa finitude, da transitoridade da vida, é algo que não pode faltar. Nós somos peregrinos e forasteiros. Não pode faltar essa compreensão se nós queremos responder positivamente ao chamado redentivo do Senhor. Em terceiro lugar, o texto diz que nós devemos nos abster das paixões carnais. Texto diz que é necessário nos abstermos das paixões carnais que fazem guerra contra a alma. Nós não fomos feitos sacerdotes, irmãos. Pois bem, se você é um sacerdote, tem que se comportar como tal. Se você é crente no Senhor Jesus Cristo, cuide para que você esteja limpo, com um coração limpo, sempre diante de Deus. Não se contamine por meio do seu corpo e cuide bem da sua alma. Ordene os seus desejos. Ore por domínio próprio, cultive bons sentimentos, use os meios de graça, porque o pecado guerreia contra a nossa alma. Essa é uma epístola que trata muito sobre santidade. E é importante lembrar, irmãos, que santidade envolve mortificação da carne. Entendam carne como prazeres e desejos impuros, pervertidos, torpes e maliciosos. Esses desejos brotam de nossos corações corruptos e nos levam a pecar com os nossos corpos, obtendo satisfação imediata, mas na verdade eles machucam a nossa alma e trazem consequências, muitas consequências. Tiago 1. Cada um é tentado pela sua própria cobiça quando esta o atrai e o seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá a luz o pecado. E o pecado, uma vez consumado, gera a morte. É o que encontramos em Gálatas 5. Digo, porém, o seguinte: "Vivam no espírito e vocês jamais satisfarão os desejos da carne, porque a carne luta contra o espírito e o espírito luta contra a carne, porque são opostos entre si, para que vocês não façam o que querem". Vejam como quem vive no mundo distante de Deus bate no peito com orgulho e diz: "Eu faço o que eu quero. Eu sou dono do meu próprio nariz." Mas o que Deus disse para nós é uma vez que somos comprados por ele e pertencemos a ele, nós não fazemos o que nós queremos. Nosso objetivo é fazer aquilo que Deus quer. Alguém com um coração grato a Deus pelo que ele fez por nós, terá sempre como meta o maior distanciamento possível do pecado. Porque Deus não nos chamou para permanecermos na iniquidade, mas para nos levar a um novo estilo de vida marcado pela pureza. Por último, meus irmãos, o que nós devemos fazer? Devemos manter o nosso testemunho entre os incrédulos para promover a glória do Senhor. Certo estudioso das Escrituras comentou que quando Pedro escreveu essa carta, os cristãos estavam sendo chamados de irreligiosos, porque eles se recusavam a adorar deuses pagãos. estavam sendo chamados de idiotas, porque eles não se entregavam aos hábitos condenáveis do povo em geral e estavam sendo chamados de traidores do governo porque professam lealdade ao único rei celestial. Por essas coisas, os cristãos estavam sendo difamados. E não é à toa que Pedro fala sobre isso, que os crentes devem cuidar para envergonhar os próprios difamadores. Charles Spurgel alertou os ouvintes, crentes da sua época, dizendo para eles: "Saibam que mesmo que vocês pudessem viver como anjos, alguns no mundo os chamarão de demônios". É um fato. Essa era uma época particularmente difícil para os cristãos, mas os fiéis sempre tiveram que enfrentar a oposição do mundo. De algum modo, o cristianismo sempre foi considerado desprezível como sistema religioso. E não apenas as perseguições, como às vezes as acusações permanecem acontecendo, são diversas e surgem de todos os lados, inclusive das autoridades, ou pelo menos de algumas delas, das maiores delas às vezes. Daí a palavra malfeitores, que era dirigida aos servos de Deus. O que Pedro diz, então, é que a melhor reação a isso é o correto procedimento. Os cristãos tinham que se sentir desafiados de tal forma que quanto mais retaliações eles sofressem, mais dispostos estivessem a manter firme o seu testemunho exemplar. Se assim eles agissem, o impacto seria tão poderoso que as acusações dos incrédulos se mostrariam infundadas e, mais do que isso, promoveriam a glória de Deus. Eu vejo esse conselho do apóstolo como algo fabuloso. Muitos cristãos sérios acham que a saída diante dos pecados que nos acediam no mundo é o isolacionismo. Ou seja, vamos nos trancafiar o máximo possível e evitar contato com os descrentes, a fim de nós não nos contaminarmos com eles. Essa é uma atitude até compreensível, mas é desesperada, é equivocada, é completamente errada. Vejam que Pedro não diz que nós devemos nos afastar completamente dos incrédulos, mas o que ele nos ensina é que nós devemos manter o nosso comportamento exemplar no meio deles, entre eles. Quanto a glorificação de Deus no dia da visitação, entendemos aqui, irmãos, que a ideia é que a luz do evangelho da palavra é decisiva para todo aquele que a ouve. E ela sempre traz salvação ou condenação. A verdade é que eh são os salvos que promovem a glória de Deus e que recebem a sua graça e misericórdia, enquanto que aqueles que não ouvem esse chamado são condenados e promovem a glória de Deus na manifestação do juízo que recebem. Entretanto, como as palavras de Pedro são dirigidas a crentes, devemos tomá-las para nós como um estímulo, a fim de nos aperfeiçoarmos em uma vida justa e garantir que Deus seja enaltecido entre os crentes e os descrentes, na pregação do evangelho e no juízo final, agora e na consumação dos séculos. Assim, meus irmãos, nós aprendemos hoje que como igreja somos um povo diferente, separado, trazido das trevas para a luz. E vemos que Deus fez por nós grandes coisas. Ele nos fez geração eleita, sacerdócio real, nação santa, propriedade sua e manifestou a sua misericórdia sobre as nossas vidas. De modo que, em resposta ao seu ato redentivo de amor, devemos agora proclamar as suas virtudes, entender a nossa transitoridade nesse mundo, nos abster das paixões carnais e manter exemplar o nosso procedimento entre os incrédulos para a glória de Deus. Que o Senhor nos ajude a entender essas coisas e nos ajude a proceder dessa exata maneira. Vamos orar. Senhor Deus, gratos nós somos. Como não poderíamos agradecer? Tantas coisas que o Senhor fez por nós, nos livrando do juízo e da condenação, nos dando uma nova chance, nos trazendo para perto do Senhor, quando nós éramos pecadores, que [limpando a garganta] nem tínhamos nos arrependido dos nossos próprios pecados. Obrigado porque o Senhor nos olhou, teve misericórdia de nós, estendeu a tua mão e nos perdoou. Louvado e engrandecido seja o Senhor, porque agora fazemos parte dessa família, desse povo santo, dessa nação santa, que é a igreja de Jesus Cristo. nos ajude, ó Deus, no cumprimento das nossas tarefas, para que enviemos a mensagem do Senhor por todos os lugares e vivamos o evangelho de forma íntegra, com temor no nosso coração, com vida piedosa nesse mundo, para que o teu nome seja glorificado em todos os lugares, em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador. Amém. M.