PROTESTANTES TORTURAM CATÓLICOS (V DE VINGANÇA FOI NESTA TORRE)
04/05/2026
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Fonte: Dois Dedos de Teologia
Legendas automáticas:
Seja muito bem-vindo ao dedos de teologia. Sou pastor Iago Martins. Você tá comigo [música] na Torre de Londres. [música] Tor de Londres é um dos lugares mais marcantes aqui da história da Inglaterra, que tem histórico muito forte de poder imperial. riqueza. Inclusive, é um local onde a gente tem marcado a história muito triste, não é, mas muito importante sobre Guy Folks e a revolução da pólvora. Guy FKS foi torturado aqui nesse lugar e aqui a gente pode meditar um pouco sobre os tristes contornos que muitas vezes a gente enfrenta no relacionamento entre política, religião, poder imperial, o engajamento da fé na sociedade. Bom, você tá no Teologia na Estrada, vamos comigo por Londres. [música] >> [música] [música] >> Estamos aqui na Torre de Londres, na fila para ver no caso aqui a Jorge da Coroa, o que não é só um castelo, a Torre de Londres é um resumo da história inglesa que tem muitos pontos interessantes da história da Inglaterra. E uma das coisas favoritas do do dos nerdes tá aqui, né? Essa torre foi construída pelo William the Conqueror por volta de 178. Ah, como um símbolo do domínio sobre a população que foi recém conquistada aqui, né? A torre era um jeito de dizer que quem manda agora é nós. E isso, esse lugar aqui já foi quase tudo ao mesmo tempo, ao longo dos séculos. Já foi palácio real, já foi uma prisão que prendeu gente importante, já foi casa da moeda, já foi arsenal militar, já foi, por incrível que pareça, é um zoológico com urso, com com leão, tinha um urso polar aqui já. Tá? E muitos prisioneiros importantes já estiveram aqui. Não era uma prisão comum, mas era só pra gente mesmo da da alta da alta casta, né? En Mole foi executado aqui, foi a segunda esposa do rei Henrique VII e rainha com sorte do reino da Inglaterra. O Thomas Moo ficou preso aqui, autor daquele clássico utopia. Eu estudei, li esse livro inteiro, estudei ele no mestrado ou caba para sofrer. Ele ficou aqui até ser morto em outro lugar. E o famosíssimo Guy Folks, provavelmente é o nome mais famoso de quem foi preso e torturado aqui, o nosso querido V de Vingança, o caba que tentou só destruir o parlamento inglês e matar todo mundo. Esse aqui é um lugar onde a política, a fé e o poder se encontraram de formas muito muito fortes, né? Poucas execuções aconteceram realmente aqui dentro, mas teve muita tortura. Tem até uma torre chamada torre sangrenta, não é? >> Fila para entrar é muito grande. Eu não sei se vou conseguir entrar. Infelizmente não podia filmar as joias da coroa. É proibido filmar lá dentro porque eu acho que para proteger de assalto, alguma coisa assim, sei lá, de roubo. Mas de lá a gente foi direto para ver a Blurry Tower, a Torre sangreta. Eu adoro a torre segenta. [música] Agora vou ensinar vocês a bater proteína em viagem, tá? Porque se o caba tá viajando, não consegue achar proteína barata em canto nenhum, que que a gente faz? Minha mulher usou o isolado dela da Grof. Aqui, ó, eu vou usar o meu de leite em pó da Grof. Eu comprei um café, cafezinho gelado. Café é muito gostoso, por sinal. Olha do pozinho aqui, ó. Abriu. Qualquer lugar que você vai, 23 g de proteína. O isolado tem mais, tem 26. O meu tem 23. Eu gosto muito de usar ess de leite em pó de chocolate, o de baunilha. Combinou muito bem também com sorvete. Minha esposa, ela não gosta muito do sabor de ela sempre disse que a melhor dica que ela pode dar para quem não gosta muito do sabor de uhe é colocar no café gelado e você não sente gosto de nada, nada, nada, nada. Eu já acho o gordo de Way totalmente OK, né? Aqui, ó, misturei, tá no café, agora eu tenho um cafezinho que café não tem caloria com 23 g de proteína. Qual foi mais gostoso? Usando cupom Jesus na Grof. Você patrocina o teologia na estrada e ainda cuida da sua saúde. Vamos voltar pro vídeo. Aqui atrás de mim você tem a The Bloody Tower, a Torre sangrenta. Atrás de mim era onde, nesse grande complexo, a gente tinha as torturas, não é? Não de qualquer um, porque não era qualquer preso que era torturado aqui, mas presos importantes, como o famoso Guy FKS, é o famoso nome da revolução da pólvora que foi popularizado na cultura, né, por meio do famoso V de vingança. Você deve lembrar da poesia, não é? Lembrai lembrai do 5 de [música] novembro, a traição, a pólvora, o ardio. Não há como esquecer uma traição de pólvora tão viv lá dentro não tem muito o que ver, é só umas salas, umas coisas assim. Tem uma lenda, inclusive aqui envolvendo esse espaço que é meio amaldiçoado, que era um lugar de tortura e foi nessa torre que desapareceram dois príncipes que até hoje ninguém sabe o que aconteceu. Provavelmente morreram, alguém matou, sei lá, mas ninguém sabe o que aconteceu com esses príncipes. Sumiram, morreram, deram, deram o fim nos príncipes. Ninguém nunca achou nem nada, nem o corpo, né? E reza a lenda que eles estão aí ainda atormentando o povo, sei lá. Mas aqui é um um centro histórico muito importante e a história de Galundamente essas guerras religiosas entre católicos e protestantes que se [música] deram aqui na Inglaterra. foi um católico inglês, nascido em 1570 em um período de forte tensão religiosa após a reforma protestante, né? Diante da perseguição aos católicos sobre a coroa protestante, ele se envolveu em um grupo de conspiradores que acreditavam que apenas uma ruptura muito violenta revolucionária podia mudar realmente o país, né? Então o folks tinha experiência militar e ele sabia mexer com explosivo, o que tornou ele uma peça central no plano revolucionário da famosa revolução da pólvora. Então em 1605 ele foi encarregado de executar a chamada Gunpowder Plot, né? Revolução da póvora. A ideia era explodir o parlamento inglês durante a abertura oficial e assim matar o rei Jaime I da Inglaterra e os membros do governo e da elite protestante todo de uma só vez. E aí ele se escondeu no porão do prédio, um monte de barril de pólvora para destruir tudo, né? Mas o plano falhou na última hora, né? E ele foi descoberto. Então ele foi preso aqui e se tornou, talvez o rosto mais lembrado de uma das conspirações mais famosas da história da Inglaterra. Está subindo é super apertado, super apertado aqui, ó. >> [música] >> Consegui chegar na área das doutoras do povo. Rapaz, é duro. [música] Depois de ser preso, o folks foi levado para interrogatório e no início ele resistiu. Ele deu um nome falso e tal, negou envolvimento com [música] a revolução. sabia o que é que tava em jogo, mas o rei James I da Inglaterra autorizou o uso da tortura, o que não era automático, né? Ninguém podia sair torturando os outros à vontade. O rei tinha que deixar, não é? Tinha que ter ordem direta do rei e ele foi torturado. Aqui dentro do prédio deu para ver o instrumento de tortura usado que foi o hack, um instrumento que esticava o corpo progressivamente. As articulações iam cedendo e os músculos iam se rasgando enquanto a dor aumentava de forma calculada e lenta. [música] Não era uma violência explosiva, mas era uma pressão lenta de um corpo sendo forçado a ceder. [música] Prende o braço da pessoa aqui em cima, prende as pernas da [música] pessoa aqui embaixo, ó. Aí vai girando, esticando, esticando, esticando até a pessoa não aguentar mais. É [música] horrível. Morte horrível. É sempre muito apertada essas essas áreas mais de tortura, sei lá, né? Nunca tem por ser um espaço agradável, né? Convenhamos. Bem que nada era muito agradável no mundo antigo, né? Mas que piora. a gente tem registro da assinatura dele que mostra os efeitos da tortura, [música] né? Na primeira assinatura dele, a gente tem uma letra firme, mas na segunda, após a tortura, é tudo quase inelegível, mostrando que as mãos dele não conseguiu mais nem responder. [música] Um detalhe pequeno da história, mas que diz muito. Depois disso, ele confessa o seu crime e entrega outros nomes. Um exemplo muito claro do estado [música] quando ameaçado, indo até o limite, mesmo estado dito protestante, um estado que não apenas pune o mal, mas que assume para si o direito de quebrar um homem para proteger a sua ordem. A tortura não é só um método, é uma declaração. Ela diz que a estabilidade do reino vale mais do que a integridade de qualquer [música] vida humana. Fox, por outro lado, também encarna um homem que convencido de uma causa justa, vai até um ato violento extremo. Ele também ultrapassa muitos limites, tenta matar muitas pessoas, destruir o parlamento inteiro em um único golpe. No fim, são dois lados que se encontram no mesmo ponto. A crença de [música] que certos fins justificam meios que em qualquer outro contexto seriam totalmente inaceitáveis. com justificativa religiosa. É angustiante. É angustiante, mas é parte do que acontece [música] quando a gente tem um governo protestante, não é? É um governo protestante, é um governo cristão em guerra com outros membros de alguma forma de uma de uma minoria cristã, no caso naquele tempo catolicismo aqui na Inglaterra. E você tem de um lado revolucionários católicos, de um lado opressores protestantes em guerras revolucionárias em que você tem gente representando Jesus dos dois lados em certo sentido, né? Dizendo que tá representando Jesus dos dois lados e as vias que são usadas para defender, não é, a sua relação entre religião, cristianismo e governo. Um libertação, [música] outro um time de direito divindo dos reis, né? Você tem tortura e revolução. [música] São as pontas que sempre se encontram no fim das contas. >> [música] >> Nunca é fácil pensar bem as relações entre religião e política, né? Como o cristianismo constrói, né, sociedades e desenvolve mundos. Mas é sempre muito triste, né? Foi Jorge Bataili que escreveu que o mundo divino é contagioso e que o seu contágio é perigoso. Enegji também escreveu que um Deus que pode ser apropriado é um Deus que destrói. O modo como a religião muitas vezes é apropriada pela política gera um tipo de contágio de violência muito perigoso de fato. E política, governo, é sempre algum tipo de violência, é sempre algum tipo de imposição de um poderio que se exerce contra, né, os outros, nem sempre a favor dos outros. Enquanto o cristianismo prega serviço e o nosso engajamento social e cultural é o engajamento em busca de servir o outro, não é? O cristão deveria se envolver com a política porque quer representar o amor de Jesus ao mundo, quer servir ao próximo, amar, não é, o vizinho, amar o semelhante e usar a sua influência política e social para produzir bem, para fazer o bem pras pessoas. Ninguém pode negar que ao longo da história, tanto católicos quanto protestantes se envolveram com a política em uma estrutura de império e de poder imperial que muitas vezes tinha o único interesse de perpetuar o poder e o controle, não é? E a gente vê muito isso nas justificativas dos poderos reais contra os outros, ao ponto de você ter, não é, revoluções católicas contra reinados protestantes, revolucionários católicos tentando fazer atos, sabe, terroristas católicos tentando, não é, nenhum ato revolucionário e violentíssimo matar, assassinar uma série de pessoas, porque acreditava que assim estava representando melhor o seu cristianismo, né, no mundo contra, não é, reis que acreditavam estar representando o direito de Deus no mundo, não é? Toda a doutrina do direito divino dos reis era usado para justificar todo o poderio imperial. E Guy F contra, não é, Jaime I. E é muito triste perceber como ao longo da história do mundo, o cristianismo pode ser instrumentalizado como força política, como força revolucionária, se tornando, sabe, tudo aquilo que o cristianismo não deveria ser. Quando o cristianismo deveria ser uma expressão, não é, do amor e do serviço, ele se colocou muitas vezes como expressão de libertação violenta e terrorista e de opressão violenta e imperial. As justificativas teológicas para explicar o poder civil, né? Porque que porque alguém tem poder sobre outra pessoa, são os mais variados, né? E um passa pela argumentação do direito divino dos reis. A ideia de um direito divino dos reis remonta, né, as unções da parte de Deus que os escolhidos para reinar recebiam dos [música] profetas enviados no Antigo Testamento, né? Você pensa em primeiro Samuel quando primeiro Saul e depois Davi são ungidos para reinar sobre o povo. Davi, antes de reinar evita se oporou fisicamente a Saul como rei, porque ele era o ungido do Senhor. O que justificaria, não é, para muita gente um tipo de submissão do povo aos reis, mesmo quando esses reis são claramente injustos. Por mais que as justificativas religiosas do direito divino dos reis remontem aos primórdios da idolatria política, foi só no fim do século VI que a Dominando de Iona publicou uma das primeiras defesas cristãs desse tipo de justificativa teopolítica numa obra chamada Vita Sancti Columbai. A ideia se espalhou pela Idade Média até Ricardo I aqui na Inglaterra declarar em seu julgamento durante a dieta de Spire em 1193, nasci em uma categoria que não reconhece superior algum, exceto Deus, a quem sou o único responsável por minhas ações. Ele foi o primeiro a declarar o que até hoje é lema do monarca do Reino Unido, né? Era Deus e o meu direito. E na Escócia, onde o direito divino dos reis nunca emplacou de fato, os reis eram considerados os principais entre os iguais, né? primo entre pares. Mas mesmo assim, o Jaime VI da Escócia, que foi posteriormente conhecido como Jaime I da Inglaterra, escreveu em 1599 pro seu filho a um tipo de manual divino sobre o direito que todos os reis recebiam, que foi intitulado Basilicon Doron ou Dom Real. No soneto que inicia a obra, ele diz que Deus não dá aos reis o estilo dos deuses em vão e que seus mandamentos eram estatutos de um rei celestial. Ele argumenta que o reinado é um grande ofício que Deus colocava sobre os ombros dos escolhidos. na sua carta, ele repete boa parte dos argumentos que são apresentados na sua obra prévia e foi publicada no ano anterior intitulada The True Laur of Free Monarks, que é traduzido como a verdadeira lei das monarquias livres. O subtítulo seria Ou o dever recíproco e mútuo entre um rei livre e seus suitos naturais. é um livro em que ele defendia o direito divino dos reis como uma derivação da doutrina católico-romana da sucessão apostólica. Já anos mais tarde, em 1610, já como Jaime I da Inglaterra, ele diz o seguinte em um discurso muito famoso ao Parlamento: "O estado de monarquia é a coisa mais suprema na terra, pois os reis não são apenas os tenentes de Deus na terra e se sentam no trono de Deus, mas mesmo pelo próprio Deus eles são chamados de deuses." Existem três comparações principais que ilustram o estado de monarquia. Uma tirada da palavra de Deus e as outras duas do fundamento da política e da filosofia. Nas escrituras, os reis são chamados de deuses e, portanto, seu poder após uma certa relação e comparação ao poder divino. Reis também são comparados a pais de família, pois um rei é verdadeiramente parens patriai, pai do país, o pai político de seu povo. E por último, os reis são comparados à cabeça deste microcosmo do corpo do Hon. Perceba a força que ele usa para justificar seu serviço, né? Na Inglaterra do século X7, a igreja estatal de Tudor e Stuart continuou a defender um ideal medieval de controle social e econômico por parte de um estado autoritário, principalmente ao afirmar que a mais alta e sagrada ordem dos reis é a do direito divino, que cobrava submissão e obediência passiva de todos os súditos. As mesmas ideias vigoraram na França, no mesmo período, onde a Igreja Galiciana preservou a doutrina do direito divino tão fortemente quanto a anglicana. Ja Bossuet, bispo e teólogo francês, um dos principais teóricos do absolutismo, foi conhecido por investir o poder real de um caráter quase divino, em que o rei era imagem de Deus na terra e participava da soberania e da independência do poder divino. Para ele, e aqui eu cito, o poder de Deus se faz sentir instantaneamente de um lado a outro do mundo. O poder real age ao mesmo tempo em todo o reino. Ele detém todo o reino em seu ser, como Deus detém o mundo. Se Deus retirasse a sua mão, o mundo voltaria ao nada. E se a autoridade cessasse no reino, tudo seria confusão. Para resumir as coisas grandiosas e augustas que dissemos concernindo a autoridade real: "Eis um povo imenso, unido em uma única pessoa. Eis este poder sagrado, paternal, absoluto. Eis a razão secreta que governa todo o corpo do estado contida em uma única cabeça. Você vê no rei a imagem de Deus e tem uma ideia da majestade real. Eu gosto muito do que o Christopher Dawson escreve. Ele é um dos mais reconhecidos historiadores de língua inglesa do século XX. Ele fala que todas essas concepções sobre monarquia aí, o seu direito divino, seguem um tipo de ideal antigo, oriental e bizantino de um tipo de monarquia sagrada, muito mais do que ideias políticas modernas, que evidencia o quão profundamente a sociedade europeia ainda estava ancorada nas tradições do passado, no modo como interpretava o direito e e a composição da sociedade. E aí, o que que você achou do vídeo de hoje? Você curte o Teologia na Estrada? Obviamente são os vídeos que eu mais gosto de gravar de todos, porque eu tô viajando, tô passando com minha mulher, aí é bom demais. Mas se você gostou desse vídeo, ó, você gosta desse tipo de vídeo, esse tipo de conteúdo informativo, a gente adora fazer esse tipo de conteúdo educacional, ainda mais vindo nos lugares para falar a respeito. Então, se você gostou, não deixa de se inscrever aqui no canal, clicar em gostei, vai lá no Instituto Chef de Teologia e Cultura para conhecer os nossos cursos e eu te vejo no próximo vídeo aqui do canal ou no próximo Teologia da Estrada. Um abraço.