Quando a Vontade de Deus confronta a nossa vontade (Jonas 1.1-3) | Rev. Edgar Lopes
12/05/2026
Quando a Vontade de Deus confronta a nossa vontade (Jonas 1.1-3) | Rev. Edgar Lopes
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Queridos, graça e paz a todos. Quero ler com os irmãos o texto de Jonas, capítulo 1. Lerei os três primeiros versículos desse capítulo. Darei início hoje a uma série de exposição no livro de Jonas. E hoje, então, nós veremos os três primeiros versículos do primeiro capítulo desse livro. Jonas capítulo 1, versículos de 1 a 3. Jonas capítulo 1, versículos de 1 a 3, diz assim a palavra do Senhor. Veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim. Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do Senhor para Tarces. E tendo descido a Jope, achou um navio que ia para Tarses. Pagou, pois a sua passagem e embarcou nele para ir com eles para Tarses, para longe da presença do Senhor. Vamos orar. Senhor Deus, nós mais uma vez estamos diante da tua palavra. Carecemos, Pai, da instrução que vem do Senhor para nossa vida. Para isso, ó Deus, nós pedimos a ação do teu Santo Espírito. O mesmo quem a inspirou, que ele traga a iluminação, desvende os nossos olhos, abre os nossos ouvidos, prepare o nosso coração para receber aquilo que vem exclusivamente do Senhor para nós. Que nós sejamos, ó Deus, alimentados pela tua palavra, edificados por ela, exortados por ela, para que vivamos de acordo com a vontade do Senhor, que é boa, agradável e perfeita. É no nome de Cristo que nós oramos. Amém. Como você reage à vontade de Deus exposta por meio da sua palavra quando ela confronta a sua vontade? Você obedece? Há momentos em nossa vida em que não temos dificuldade de obedecer a vontade de Deus, desde que ela nos apresente um caminho que seja confortável, desde que ela faça sentido para nós e principalmente que ela não contrarie os nossos desejos. Mas o que acontece quando Deus nos chama para algo difícil de se fazer? Por exemplo, o que acontece quando ele nos chama para perdoar quem nos feriu, mostrando que essa é a vontade dele para nós. O que acontece quando ele nos chama a abrir mão do orgulho, mostrando que isso é incompatível com a vida cristã. O que o que acontece quando ele nos chama a praticar a humildade? Aquilo que Cristo nos ensinou a fazer, a abandonar um pecado querido, a ir aonde não queremos ir e a amar quem não queremos amar. O que acontece quando Deus vem a nós com esse tipo de vontade? Em momentos como esse, a vontade de Deus para nossa vida nos confronta. E quando isso acontece, nós somos colocados diante de escolhas como obedecer. ou resistir, confiar ou fugir, nos render ou tentar controlar a situação, mas agora ao nosso modo. Os três versos iniciais do livro de Jonas nos apresentam exatamente uma situação dessa. Nós estamos diante de um dos livros mais conhecidos do Antigo Testamento, aquele que possui uma das narrativas mais contadas às nossas crianças, aquela que fala de um profeta que foi engolido por um grande peixe. Se você perguntar as crianças dessa igreja, provavelmente elas já ouviram a narrativa deste livro. O livro de Jonas compõe aquela coleção conhecida no Antigo Testamento como profeta menores, que estão ali naqueles últimos 12 livros do Antigo Testamento. Esses livros são assim chamados, não porque são menos importantes para nós, mas apenas por serem livros menos extensos. Por isso, eles são considerados como profetas menores. E há algo que faz o livro de Jonas ser diferente dos demais livros dessa coleção. Quando nós ficamos diante de um livro profético, nós costumamos imaginar que lidaremos com previsões do futuro ou pronunciamentos direto de Deus para o seu povo. É assim que a gente se prepara para lidar com o livro de profecia. A gente quer ver o que Deus vai falar sobre o futuro ou que ele vai falar diretamente para o povo daquela época. Mas o livro de Jonas, mesmo sendo de um profeta, não é composto assim de profecias. O livro é sobre a história da vida do profeta Jonas. E essa característica faz com que alguns estudiosos, não comprometidos com a inspiração das Escrituras, sugiram que devemos ler e entender o livro de Jonas de maneira diferente. Eles dizem que nós precisamos ver esse livro apenas como uma fábula ou talvez como um mito ou quem sabe na melhor das hipóteses, apenas uma parábola que tem referência a coisas reais, mas o todo do livro não é real. Para essas pessoas é improvável que esse livro apresente para nós uma história real, pois nela há tempestade miraculosa, há um peixe grande que engole o seu profeta e é um povo que se arrepende muito rápido e é uma planta que cresce rapidamente. Todavia, nós podemos contraargumentar dizendo que os personagens desse livro são da vida real. O livro fala de cidades reais com nomes reais. E a narrativa apresenta um período específico da história. Ela fala do século VII antes de Cristo. Porém, mais importante que tudo isso, Jesus tratou esse livro como histórico, como descrevendo algo real. A história de Jonas foi tomada por Cristo, foi lida por Cristo, ensinada por Cristo como real. Portanto, se nós tratarmos esse livro de modo diferente de como foi tratado por Jesus, nós estaríamos nos opondo ao próprio Jesus. Tim Keller, no seu livro, o profeta pródigo, vira e destaca, olha, se nós que cremos em Deus, no Deus soberano que cria todas as coisas e sustenta todas as coisas, se nós acreditamos em Jesus e nos seus milagres e acreditamos na ressurreição de Jesus, porque nós não acreditaríamos naquilo que o livro tem a nos dizer? Todos esses fatores nos colocam, então, diante de um livro que é simples, o suficiente para encantar a uma criança e ele é complexo o suficiente para confundir até mesmo um acadêmico. Por meio desse livro, nós podemos aprender, meus irmãos, muito sobre Deus. O livro conta a história do profeta Jonas, mas o livro não é sobre Jonas. O livro é sobre o Deus de Jonas. O livro apresenta para nós a vontade de Deus. fala da justiça de Deus, apresenta o evangelho, a graça, a misericórdia e, principalmente, é um livro que aponta para o próprio Jesus, o Salvador que estava por vir, para quem o livro de Jonas, de um profeta relutante aponta, a quem Jesus vai dizer: "Eu sou maior do que Jonas". Esse livro está dividido em duas partes. Jonas está fugindo da sua missão nos capítulos 1 e 2. E Jonas cumpre relutantemente a sua missão nos capítulos 3 e 4. Hoje, então, nós refletiremos sobre os três versos iniciais e veremos um profeta relutante que, confrontado pela vontade de Deus desobedece ao Senhor, achando que poderia fugir da presença desse Deus. Nós veremos isso seguindo a própria estrutura do texto, que se divide em duas partes. Versículos 1 e dois, nós temos o chamado soberano de Deus para esse profeta. Já no versículo 3, nós temos a resposta rebelde do profeta. É assim então que nós veremos e refletiremos nesse texto. Primeiro, então, versículos 1 e 2, nós temos o chamado soberano de Deus para Jonas. Vejam comigo esses versículos. Veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: "Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim". Esses dois versos iniciais apresentam informações importantes que para entendermos bem essa essa narrativa, nós precisamos responder aqui algumas perguntas com base nesses versos iniciais. A primeira pergunta é referente ao próprio Jonas. Quem foi esse homem? Quem foi esse profeta? Contextualmente falando, estima-se que Jonas viveu no século VI antes de Cristo, apesar de não sabermos muito sobre ele. De acordo com o segundo livro de Reis, lá no capítulo 14, versículo 25, nós temos a informação de que Jonas, filho de Amitai, foi um profeta conhecido e bem-sucedido no reino de Israel. Algo que é meio que espantoso, porque um profeta bem-sucedido no reino de Israel não era uma tarefa fácil. Nós estamos falando de um reino desobediente ao Senhor, de reis que eram desobedientes e não andavam de acordo com a vontade de Deus. Jonas foi um dos profetas mais antigos da história de Israel, nascido talvez depois ali de Eliseu e próximo a Amós e Oséias. Ele viveu durante o reinado de Joroboão 2, que foi um rei que reforçou as defesas de Israel. Inclusive, esse fato foi profetizado por Jonas e então se concretiza na vida desse rei, no reinado desse rei Jeroboão I. Portanto, não há dúvidas, meus irmãos, de que nós estamos diante de um profeta de Deus, alguém que já tinha recebido a palavra de Deus anteriormente, alguém a quem Deus já tinha falado diretamente, expressando a sua vontade. E é importante entender isso para que nós entendamos a continuidade do livro. A pergunta, a segunda pergunta que nós precisamos responder é: Que cidade é essa de Nínive que Deus vem e fala para Jonas? Que cidade era essa e que povo era esse? Nínvi era a grande capital da Assíria, a grande potência da época, a principal ameaça, a segurança e a sobrevivência de Israel. Nós estamos falando de uma cidade grande em tamanho, influência e força, que caracterizava o inimigo de Israel, do local onde Jonas estava, do reino para o qual Jonas havia profetizado. Nós estamos falando então de um povo que era inimigo número um de Israel. Mas além disso, além de falar da grandeza dessa cidade, nós estamos falando de uma cidade conhecida como a cidade do pecado. O verso dois destaca que era uma cidade mal, de tal forma que a malícia dessa cidade, isso é, a maldade, a sua perversidade, o seu pecado tinha subido até Deus. Assíria foi conhecida no mundo antigo como um império que maltratava os seus inimigos. E quando ela tomava uma nação, ela cometia atrocidades contra aquela nação. Ela ficou marcada como um império. F. Esse império ficou marcado como cruel, como terrível. Mas vejam que essa cidade não foge do olhar do Senhor. Para essa cidade Deus envia um profeta, ou pelo menos ele convoca um profeta e ele diz: "Olha, eu quero que você se disponha e vá clamar, pregar contra essa cidade". Mas meus irmãos, percebam algo interessante aqui. Mesmo ciente da pecaminosidade de Nínive, o Senhor não decide julgar imediatamente essa cidade. Esse mesmo modelo de Deus agir, a gente encontra quando Deus se relaciona com Sodoma e Gomorra. Desse mesmo modelo, a gente encontra quando Deus se relaciona com o próprio Egito, que manda primeiro faraó confrontar o seu rei. Esse mesmo modo de agir, nós encontramos Deus fazendo ele contra Jerusalém. Inúmeras vezes Deus sempre mandava um profeta alertando do seu pecado. Deus sempre enviava um profeta com uma mensagem para aquela cidade. Por isso que para Nínive, Deus primeiro convoca o seu profeta para levar uma mensagem de julgamento iminente. Jonas teria que clamar contra a cidade. Ele que fazer isso do lado de dentro dos seus muros. Algo que era muito perigoso, mas que deveria ser feito, porque era a vontade de Deus para esse profeta. Meus queridos, o livro de Jonas, desde o seu início, lembra para nós de que Deus é santo e ele não está de olhos fechados para o pecado. Isso nos ensina que as pessoas podem até se acostumar com a prática do pecado. As pessoas podem até se acostumar com a mentira, com o engano, com adultérios, com idolatrias e com tantos outros pecados. Porém, não nos enganemos, meus irmãos, por mais longânimo que Deus seja em irar-se, o pecado provoca a sua ira, de tal forma que chega o tempo do seu julgamento. E é isso que aconteceu para com essa cidade. O fato das pessoas, por vezes, ignorarem a Deus na prática dos seus pecados não significa que Deus vai ignorá-las. Deus não é como um relojiro que cria lá o seu relógio, dá corda ao seu relógio e depois deixa o relógio funcionar por conta própria, como se não precisasse da sua supervisão e nem da sua intervenção. Pelo contrário, ele é um Deus atento. E ele não está atento apenas ao seu povo, ao povo da aliança, mas ele está atento a todas as pessoas do mundo, a todas as nações e a tudo o que acontece nelas. E é para essa cidade de um povo que não fazia parte da aliança que Deus está enviando um profeta para dizer: "Clama contra ela, pois a maldade dela subiu até mim. Eu estou ciente da situação dessa cidade." Pois bem, meus irmãos, era essa a vontade de Deus para Jonas. Ele deveria proclamar aos ninivitas e pessoalmente adentrar os muros dessa cidade e dizer que havia chegado o tempo de Deus. O povo dessa cidade precisava ser confrontado por causa dos seus pecados. A cidade precisava saber, por meio desse profeta, que ela seria punida pelo Deus único e verdadeiro, aquele que é santo e que conhece completamente os pecados desse povo. Jonas tinha que ir com essa missão. Portanto, nesses dois versos iniciais aqui, além da exposição da vontade de Deus a Jonas, que era um profeta de Deus, nós temos a realidade de que nada foge ou pode ser escondido dos olhos do Senhor. A grande questão, meus queridos, aqui é: será que Jonas estava pronto a se submeter a essa vontade de Deus para sua vida? Será que Jonas recebeu assim com facilidade a vontade de Deus para sua vida e se colocou pronto para obedecê-la? Eu pergunto isso porque alguém que está lendo o livro de Jonas pela primeira vez, após ler os dois versos iniciais, talvez imagine que verá na sequência um profeta destemido, pronto a levar a palavra de Deus a Nínive. Mas quem lê pela primeira vez parece que vai lidar com um profeta obediente. Como se espera que um profeta seja? Quem está lendo os dois primeiros versos pensa que ao pular pro versículo 3, ele vai ver toda essa ação sendo narrada. Mas eis que vem então o versículo 3. E aí nele nós temos a resposta rebelde de Jonas. Olha só, o versículo três, ele está cheio de informações a ser destacadas. E é dito, primeiramente que Jonas se dispôs, veja aí comigo no versículo 3. Jonas se dispôs, mas e esse mais aqui nunca é uma boa palavra a se ver após uma ordem que Deus deu, mas ela está aí para fugir da presença do Senhor para Tasses. Queridos, olha que ironia nós temos aqui sendo apresentada no versículo 3. Após Deus emitia sua ordem para Jonas, o texto é claro em dizer que o profeta se mostrou disposto. Há uma ironia nisso. Primeiro Deus vem e diz: "Disponha-se e vai vá para Nínive. Clame contra ela." E aí vem o versículo três. E o que a gente encontra é o o profeta se dispôs, mas foi para atender a sua vontade e não a vontade de Deus. Não foi para atender os termos da ordem de Deus. Sim, para fugir da presença do Senhor. Em vez de ir a Nínive, que ficava no rumo leste de Israel, como o Senhor ordenou, Jonas foi em direção a Tarces, rumo ao Deus mandou ele para um lado e ele virou para Deus e disse: "Eu vou para o outro lado". A sua ação foi uma ação de dizer para Deus, eu vou para o outro lado. Aí o verso 3 continua dizendo: "E tendo descido a Jope, achou um navio que ia para Tasses. Pagou, pois a sua passagem e embarcou nele para ir com eles para Tes, para longe da presença do Senhor. Vejam a ordem dos acontecimentos. Jonas desce a Jope, uma cidade costeira. Ele encontra lá um navio para ir para Tares. Ele comprou passagem. Ele embarcou neste navio, coisa que os israelitas da antiguidade faziam apenas em caso de desespero, pois nós estamos falando de um povo que não era um povo marítimo e o fez para ir para Tares, que era um porto comercial fenício, talvez ali na região da Espanha, como conhecemos hoje, na outra ponta do Mar Mediterrâneo. Tudo por, Jonas, você está fazendo isso? para fugir da presença do Senhor. Agora, por que que o profeta respondeu a ordem de Deus dessa maneira? Por que que ele foi tão rebelde ao Senhor dessa forma? Tem alguns pontos aqui que a gente precisa ver. Primeiro, queridos, Jonas, mesmo sendo um profeta de Deus, por um momento, entendeu que poderia desobedecer a ordem de Deus, como se ele pudesse pegar ou largar. Já viram gente fazendo isso? como se a vontade de Deus fosse algo assim, ó. Pega ou larga. Você tem essa opção. Faça isso. Pega ou larga. Jonas, por um momento, achou que poderia agir dessa forma. Será que Jonas teve dificuldade de entender a palavra de Deus? Será que a vontade de Deus foi assim obscura para Jonas? Será que a palavra de Deus não lhe foi tão clara? E a resposta é que Jonas não teve dificuldade de entendimento, porque a palavra de Deus é muito clara. Jonas, se disponha e vai até Nínive, clama contra ela. Tá claro a vontade de Deus. Nós vimos nos versículos 1 e dois que a palavra de Deus veio a Jonas de modo breve, direto e imperativo. Para que mais clareza do que nisso? uma ordem breve, direta e com imperativo. Deus não veio a ele com uma série de explicações. É claro que não. Mas mesmo assim, o que se esperava do profeta claramente é que ele obedecesse a Deus. Sabe qual era o grande problema de Jonas diante da ordem de Deus? É que a vontade de Deus e a de Jonas não eram a mesma. É isso que o livro começa a mostrar para nós. É assim que a narrativa começa a ser desenvolvida no decorrer desse livro. Tanto é que essas duas vontades aqui são apresentadas agora em colisão. Jonas é apresentado no verso 3 como alguém que tinha os seus próprios desejos, como alguém que tinha os seus próprios planos, as suas próprias ambições a se realizar. Jonas tinha os seus próprios conceitos de como as coisas deveriam ser, de como ele poderia servir a Deus de maneira melhor. Talvez no seu coração ele estivesse dizendo: "Olha, essa não é a melhor maneira de servir a Deus. Talvez Deus tenha se enganado. Eu sou um profeta. Se ele quiser me manter como profeta aqui, pregando para esse povo de Israel, OK, essa é a melhor maneira de servi-lo. Mas ir até Nínive, proclamar contra Nínive, Deus deve ter errado. Ir a Nínive, irmãos, definitivamente não estava nos planos de Jonas. Porém, mal sabia Jonas que quando a palavra de Deus vem até nós, ser indiferente a ela, achando que podemos pegar ou largar, é uma péssima decisão. A continuidade do capítulo um vai mostrar isso para nós. O capítulo dois vai mostrar isso para nós. E aqui, meus queridos, é preciso dizer que assim como a palavra do Senhor veio a Jonas, a palavra do Senhor continua vindo a nós quando nós a lemos e a escutamos fielmente sendo pregada. Se a pregação for fiel, é a vontade de Deus que está sendo exposta à sua vida. Se você lê a Bíblia, pronto a ouvir a voz de Deus, é, a vontade de Deus estará sendo exposta a você. E a maneira correta de recebê-la é com humildade, é com submissão, é entendendo que Deus é soberano e a sua vontade é a melhor para nós. Jonas não entendeu isso para sua vida. A resposta que se esperava de Jonas é aquela que o profeta Isaías deu ao Senhor quando ele foi questionado: "A quem enviarei e quem há de ir por nós?" E Isaías então responde prontamente: "Eis-me aqui, envia-me a mim". Era essa a resposta que Jonas deveria ter dito. É para se dispor a ir para lá? Ok, Senhor. É assim que Jonas deveria ter respondido. É claro, meus irmãos, que isso não significa que a ordem que Deus deu a Jonas fosse fácil de responder, assim como não é para nós. Nem sempre será. Pregar aos ninivitas poderia ser algo perigosíssimo. Era o inimigo número um de Israel, um povo mal, pecaminoso, que poderia matar esse profeta assim que ele chegasse para pregar naquela cidade. Porém, todas as vezes que nós encontramos Deus na Bíblia dando ordens difíceis, algo grande e maravilhoso está prestes a acontecer. Jonas conhecia bem o Pentateuco e sabia que quando Deus deu as difíceis ordens para Abraão da sair da sua terra, do meio da sua parentela e ir para a terra que ele iria lhe mostrar, essa ordem foi difícil, irmãos. Pare para pensar. Saia da sua terra, da sua parentela, segurança, conforto e vá para uma terra que eu vou te mostrar. Deus, mas não dá para dizer qual terra é essa? Não, Abraão, vai. Eu vou te mostrar. serei contigo. Vai. Quando Deus virou para Moisés e disse: "Olha, é para você ir até o Egito e confrontar Faraó". Era uma ordem dificílima. Colocava a vida de Moisés em risco, mas grandes coisas estavam para acontecer. Quando ele manda Abraão ir, ele estava preparando Abraão para ser o pai da fé, para ser aquele por meio de quem Deus iria abençoar várias nações. Quando Deus enviou Moisés, Deus estava usando Moisés para que o povo fosse libertado ali das terras do Egito, da escravidão. Hoje em dia, meus irmãos, tem gente que até concorda em obedecer a palavra de Deus, mas o problema sempre é o mais. Mas apenas se for algumas partes dela. É porque assim, pastor, eu tenho os meus termos, sabe? Eu tenho as minhas vontades e aí se a vontade de Deus confronta a minha, então assim eu prefiro deixar dele de lado e aí eu fico com a minha. Então algumas partes da palavra de Deus estou disposto a obedecer. Se ela for muito clara, pastor, tiver assim muita clareza, sabe? E se ela fizer todo sentido para mim, porque se não fizer, pastor, eu não me arrisco. O problema é que às vezes ela pode não fazer sentido no exato momento e nem responder a todas as perguntas que gostaríamos que fossem respondidas. Quantas coisas da vontade de Deus que a gente gostaria de ter respostas assim, ó, que fizessem todos os sentidos para nossa vida. Mas não temos, irmãos. Mas a gente não vive por vista, né, irmãos? A gente vive por fé. A gente vive por fé, não é? Essa é a nossa relação com a palavra de Deus. Mesmo assim, a gente precisa entender que o melhor é obedecer, pois quando a vontade dele vem a nós, é a vontade daquele que é soberano, daquele que tem uma vontade boa, agradável e perfeita, a dele sempre será a melhor para nós. O problema é que Jonas não quis entender isso, por isso é a postura dele. O segundo ponto aqui é que a atitude de Jonas de desobedecer a palavra de Deus expressou também o seu descontentamento com Deus. Tudo porque Deus estava dando mais um tempo para o povo de Nínive. Jonas sabia que o fato de Deus enviar a Nínive uma palavra de juízo indicava que o Senhor se importava com aquela cidade composta de pecadores e inimigos de de Israel. Deus poderia ter destruído a cidade, não poderia? Sem que antes enviasse um profeta para ela. Deus poderia agir assim. Ele poderia ter ido lá, destruído o Nínive e depois trazido só um relatório para Jonas. Jonas, fui lá e destruí a cidade. Acabou. O inimigo de vocês foi embora. Junto a isso, ir até Nínive poderia talvez fazer com que Jonas fosse mal visto pelo seu povo, pelo povo de Israel. Ele poderia ser visto como um traidor. Jonas era muito patriota. Talvez ele pensou: "Se eu for lá, se eu for clamar contra essa cidade, vai que esse povo se arrependa. E aí depois eu vou servir isso como traidor. Tanto é, meus irmãos, que o que mais pesava no coração de Jonas é exposto para nós lá no capítulo 4, no versículo 2, quando ele vai dizer para Deus que ele não quis ir pregar a Nínive, porque ele sabia que Deus é clemente, misericordioso, tardio em irá, grande em benignidade e que se arrepende do mal. Ou seja, o profeta sabia que Deus poderia perdoar aquele povo, mesmo sendo um povo extremamente pecador, caso se arrependesse. Sabe qual que é o problema? Jonas via Deus agir dessa maneira todos os dias com o seu próprio povo. Deus vinha demonstrando misericórdias todos os dias para o povo de Israel, que era também idólatra, desobediente, tinha reis que não se submetiam à vontade de Deus. Mas enquanto Deus estava mostrando isso para o povo de Israel, tudo bem para o profeta, coração em paz com Deus. Mas se Deus direcionasse isso para Nínive, aí não, Deus, isso está errando na sua decisão. Richard Philips comentando o livro de Jonas, ele destaca que esse profeta sabia o que a maioria das pessoas não sabe, que quando Deus nos chama para lidar com os nossos pecados, o propósito dele é demonstrar misericórdia e assim nos salvar. Jonas sabia disso. Talvez a gente olha paraa atitude de Jonas e até o veja como muito cruel. Mas não era só Jonas que agia assim, meus irmãos. O povo de Israel também era assim. Jonas aqui é apenas colocado como um representante do povo de Israel. Alguém que o Israel que desdenhava da graça de Deus para as outras nações, que se gabava de ser um povo eleito de Deus. O povo de Israel não havia entendido que tinha sido escolhido para ser bênção para as outras nações da terra, para os outros povos. Não foi assim o chamado de Deus a Abraão lá em Gênesis 12:2, que diz: "De ti farei uma grande nação, te abençoarei, te engrandecerei o nome, se tu uma bênção, abençoarei os que te abençoarem, amaldiçoarei os que te amaldiçoarem. Em ti serão benditas todas as famílias da terra. O problema é que Israel era um povo orgulhoso e que pouco se importava com esse chamado de Deus para o pai Abraão. Além disso, era um povo pecador que não se arrependia. O próprio fato, então, de Deus enviar Jonas a Nínive era uma advertência ao próprio povo de Israel para se voltar a ele, pois ele é misericordioso e perdoa os pecados de uma nação que anda a a passos largos dos seus caminhos, mas que se arrepende e se volta para ele. Era para que o povo aprendesse por meio de uma nação vizinha, terrível, que Deus é misericordioso para com aqueles que se arrependem. Mas não nos enganemos, irmãos. E aqui chega uma parte triste, não nos enganemos. O livro de Jonas serve ainda como espelho para nós nos nossos dias, como advertência, assim como serviu para o povo de Israel. Infelizmente, não é impossível apreciarmos a graça de Deus direcionada a nós, mas não nos importarmos com aqueles que estão mergulhados no pecado à nossa volta. E até mesmo não querermos que Deus demonstre misericórdia aqueles que pecaram contra nós ou que podem agir contra nós. Por exemplo, meus irmãos, a missão de pregar o evangelho é de cada um de nós. Ela é minha, ela é sua, ela é da igreja, ela é do povo de Deus. O problema é que, infelizmente, nós podemos parecer como Jonas, vivendo em rebeldia essa vontade que é clara para nós, objetiva e direta, é clara para nós. Às vezes a gente se preocupa mais com coisas da vontade de Deus que não são assim tão claras para nós, mas as que são claras, as que a gente não dá tanto ouvido. Nós podemos perder de vista o fato de que Deus é gracioso não só para conosco, irmãos. Às vezes a gente olha e diz: "Essas pessoas são pecadoras demais". Nós pensamos assim, nos esquecendo que nós também fomos pecadores demais. E mesmo assim Deus nos alcançou com a sua graça. A verdade é que se nós não nos atentarmos à vontade de Deus, nós corremos o sério risco de vivermos como Jonas em pleno século XX. A gente precisa parar e pensar sobre isso. Jonas ainda tinha muito que aprender sobre a graça de Deus, com a sua ação redentora com o mundo, assim como nós também, irmãos, precisamos aprender. Mais uma vez eu cito Richard Philips que diz que uma coisa é conhecer a doutrina da salvação por meio da graça. E eu acredito que todos aqui conhecem a doutrina da salvação por meio da graça. Belíssima essa doutrina. Mas outra coisa bem diferente é conhecer a graça da doutrina da salvação. O verso três, meus irmãos, enfatiza duas vezes que Jonas quis fugir da presença de Deus. O profeta achou que ir para Tars fugiria, faria com que ele fugisse da presença de Deus. No primeiro momento, a ideia que se passa aqui é de que em Tarsis ele não encontraria pessoas que temiam a Deus. Logo, ele não seria importunado por pessoas que faziam parte da aliança com Deus. Ou seja, eu vou para longe, eu não quero mais ser importunado por Deus. Eu quero fugir da sua presença. Mas como foi tolo, irmãos, esse profeta se ele pensou dessa maneira? E para Níve pregar a palavra de Deus realmente era algo muito difícil e perigoso. Mas fugir da presença de Deus é uma tarefa o quê? Impossível. O Deus de Jonas não é como o Deus, não é como os deuses falsos. Ele é o Deus vivo e verdadeiro. Ele não está limitado a um espaço como um Deus falso está. O salmo 139, versículos de 7 a 12, servem de comentário. Esses versículos servem de comentário para tolic desse profeta. O salmista diz: "Para onde me ausentarei do teu espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás. Se faça a minha cama no mais profundo abismo, será que Deus estará lá? Lá estás também. Se tomo asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá. Se eu digo: "As trevas, com efeito me cobrirão e a luz ao redor de mim se fará noite, ante até as próprias trevas não te serão escuras. As trevas e a luz são a mesma coisa". Esse salmo deixa claro para nós, meus irmãos, que nada nós fizermos será suficiente para fugirmos de Deus. Nós podemos fugir do nosso lar, irmãos. Nós podemos fugir da comunhão da igreja, sabe? Não quero mais ser importunado por aquela igreja, pelos irmãos daquela igreja. Nós podemos fugir da companhia dos irmãos, mas nunca conseguiremos fugir e nos esconder de Deus. Os comentaristas destacam que é bem provável que o Jonas sabia da impossibilidade de fugir da presença de Deus, porque ele era um profeta de Deus. Ele conhecia a Deus. Portanto, o mais provável é que ele estivesse tentando fugir da consciência, irmãos, da presença de Deus. Como se viver em Tares aliviar aliviaria a sua consciência da presença de Deus. como se viver longe da igreja, irá aliviar a sua consciência da presença de Deus e da vontade de Deus para sua vida. Ele queria aliviar a sua consciência. O problema é que viver em rebeldia, em desobediência à palavra de Deus, faz o homem achar que isso dará certo, sabe? Resultará. Talvez ele tenha achado que Tes aliviaria essa consciência. Por fim, irmãos, o versículo 3 apresenta uma apresenta uma sequência de fatos que para piorar podem ter iludido o profeta. Olha só, veja que na tentativa de fuga tudo começou a dar certo para o profeta. Parece que ele estava tendo êxito como se Deus estivesse concordando e dizendo: "Olha, é isso mesmo. Fugir o melhor". Vejam mais uma vez a sequência do versículo 3. O profeta desce e esse verbo é revelador, pois um homem desobediência a Deus está sempre em queda. E isso vai aparecer várias vezes no capítulo um. Ele vai descer, ele vai descer, ele vai descer, ele vai descer até que Deus o pegue de volta. Ele está em queda. Ele desce para Jope. Ele encontrou um navio para Tares. Olha, cheguei em Jope, tem um navio para Tes. Coincidência? Será que é o acaso? Sorte do profeta? O profeta tinha recurso para pagar a passagem que não era barata, ele tinha. Ele embarcou e assim a sua viagem de fuga começou bem. Ou pelo menos parecia que tudo ia muito bem. Jonas poderia ter pensado: "Olha, as circunstâncias estão favoráveis para ir para Tes. Quem sabe não é Deus que está abrindo uma porta para eu ir para lá. Talvez ele tenha ficado com seu coração em paz. Afinal de contas, está tudo dando certo. Não é, não é um bom termômetro para nós quando tudo está dando certo. Não é sinal de que nós estamos de acordo com a vontade de Deus. É isso mesmo? Não, essa realidade, irmãos, de Jonas aqui nos ensina a não sermos rápidos em concluir que o fato de tudo dar certo em nossa vida é um bom sinal de que nós estamos no centro da vontade de Deus, que é um sinal da sua provação, que ele está se agradando de nós. Pois pode ser muito bem o contrário, irmãos. Pode acontecer de enfrentarmos inúmeras dificuldades, agindo assim em obediência à vontade de Deus. Eu preguei aqui recentemente sobre o texto em que Jesus chama os seus discípulos para entrar num barco, para atravessar. Eles estavam em obediência a Cristo, mas o que que eles enfrentaram? Tempestade. Mas eles não estavam em obediência, mas enfrentaram tempestade. Portanto, irmãos, o nosso critério não deve ser as circunstâncias. Elas em si não provam a aprovação de Deus para nossa vida. Tem de ser algo mais específico para nós. Nós somos o povo da escritura. Nós somos o povo que tem a vontade de Deus revelada nas escrituras. O critério, meus irmãos, confiável é a vontade de Deus revelada nas Escrituras. Se nós estamos de acordo com ela ou não. É esse o nosso critério. Na sequência da nossa série de exposição em Jonas, nós veremos que essa calmaria do profeta é curta, irmãos. Durou pouco tempo. Por um momento, Deus deixou Jonas acreditar que estava um passo à frente de Deus. Mas mal sabia ele ou para o bem dele, Deus estava inúmeros passos à sua frente. Ele verá que Deus é soberano mesmo diante da rebeldia humana. Seus propósitos não falham e a sua graça persegue pecadores. A gente vai ver isso na continuidade da exposição. Se a história de Jonas acabasse aqui, nós poderíamos concluir que ele foi um péssimo profeta e que conseguiu vencer a vontade de Deus, fazendo com que a sua fosse então praticada. Mas há muita coisa e essa narrativa continua e terá muito a nos surpreender. Aplicações, irmãos, de tudo que a gente viu aqui. Como você tem vivido diante de Deus e diante da sua vontade para você, da vontade dele para você, melhor dizendo, como tem sido a sua vida? Queridos, nós não somos melhores do que Jonas. E essa é a primeira parte da aplicação, que é uma má notícia para nós. Não adianta bater no peito aí e dizer: "Pastor, eu sou melhor do que Jonas." Você não é. Eu não sou. Nós não somos melhores do que Jonas. Não tem como, irmãos, ler o livro de Jonas e não se identificar com esse profeta. Infelizmente, quando pecamos, nós nos assemelhamos a Jonas em fuga. Todas as vezes que nós pecamos, por menor que seja o nosso pecado, você está se assemelhando ao Jonas, fugindo da vontade de Deus. Todo pecado é uma atitude de fuga da vontade de Deus. Todas as vezes que pecamos, é como se disséssemos para Deus: "Olha, o meu modo de agir, o meu modo de ver as coisas é muito melhor do que o seu". Isso expõe inclusive um coração idólatra, como se nós fôssemos deuses. E a nossa vontade fosse é de um Deus soberano, bondoso. Quando nós pecamos, irmãos, nós estamos em fuga. Em toda a história humana, queridos, somente um viveu em total conformidade e submissão à vontade de Deus. Essa é a segunda parte e agora é boa nova para nós. E é para ele que todas as escrituras apontam. Inclusive o livro de Jonas faz isso. Jonas é um profeta imperfeito, mas que aponta para um profeta perfeito, maior e melhor. Foi ele quem declarou em João 4:34: "A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra". Essa não era a comida de Jonas, mas a de Jesus era. Irmãos, a minha comida eu me alimento, fazendo a vontade do Pai e a obra que ele me designou para fazer. Assim como Jonas, meus irmãos, Jesus também recebeu uma missão de Deus Pai para ir a um povo pecador. Ele recebeu a ordem mais difícil de todas as dadas por Deus. Bem maior que aquela ordem dada a Abraão, bem maior do que a ordem dada a Moisés, a Jonas e a todos os profetas que o antecederam. E ao contrário de Jonas, meus irmãos, Jesus obedeceu perfeitamente ao chamado do Pai para deixar a sua casa celestial e assim vir até nós, mesmo sabendo que a sua missão lhe custaria a sua própria vida e ela custou a sua própria vida. Ele aim mesmo, irmão, se humilhou, tornando-se obediente até a morte. E morte de quê? De cruz. No Getsemman, ele orou entre lágrimas e suó de sangue, dizendo ao Pai: "Contudo, não se faça a minha a minha vontade, não, Pai, não se faça a minha vontade, e sim a tua." Ele é e foi submisso à vontade do Pai. Ele submeteu-se ao Pai mesmo diante de um sofrimento inimaginável. Jonas obedeceu. Jesus obedeceu perfeitamente. Jonas desceu em rebeldia. Jesus desceu em humilhação redentora. Jonas fugiu. Cristo veio voluntariamente. Jonas resistiu aos gentios. Cristo morreu inclusive para os gentios. E nós somos prova disso. Mas o contrário, o evangelho não chegaria a nós. Jesus obedeceu ao Pai, irmãos, assim porque ele confiava em Deus e nos sábios e gloriosos propósitos de Deus. Assim nós devemos fazer, confiar em Deus, submeter-se à sua vontade. Apegue-se a Cristo, irmãos, para que isso aconteça na sua vida. Se ele não governar a sua vida, o seu eu, se você não amar a Cristo, mais do que o conforto, mais do que a sua própria vontade, você não conseguirá obedecer a vontade do Pai. Peça a Cristo para te fortalecer nessa nessa noite. Ele se compadece das nossas fraquezas. Peça a Deus para te fortalecer, para que você não fuga, não fuja da da das ordens de Deus. Você não viva em uma fuga de Deus. Peça a Deus para que isso aconteça na sua vida. Vamos orar. เ