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A Doutrina da Reprovação – O Escândalo de Romanos 9 | Josemar Bessa

A Doutrina da Reprovação – O Escândalo de Romanos 9  | Josemar Bessa

A Doutrina da Reprovação – O Escândalo de Romanos 9 | Josemar Bessa

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Legendas automáticas:

Apóstolo Paulo em Romanos 9:22 diz: "E
se Deus, querendo mostrar a sua ira e
tornar conhecido o seu poder, suportou
com grande paciência os vasos de sua ira
preparados paraa destruição."
Poucas doutrinas ferem tanto o orgulho
humano quanto a verdade de que Deus é
soberano também sobre aqueles que
permanecem sob sua justiça. Homem caído
até aceita falar de Deus, desde que Deus
permaneça pequeno bastante para ser
julgado por ele. Homem. Aceita um Deus
que consola, mas rejeita um Deus que
decreta. Aceita um Deus que perdoa, mas
se escandaliza com um Deus que condena.
Aceita um Deus que oferece misericórdia,
mas resiste
violentamente a ideia de que esse essa
misericórdia seja livre, soberana
e não dê vida a ninguém. Nós gostamos de
imaginar que a última palavra sobre o
destino humano pertence ao homem, a
escolha do homem, a vontade do homem, a
decisão do homem, a sensibilidade do
homem, a justiça imaginada pelo homem.
Mas Romanos 9 nos obriga a parar diante
de uma verdade mais alta, mais pesada e
mais santa. Deus é Deus também quando
mostra misericórdia. E Deus é Deus
também quando deixa pecadores sobre o
rigor da sua justiça.
Essa é a doutrina da reprovação.
Reprovação é o decreto eterno e
incondicional de Deus quanto aos não
eleitos. Nesse decreto, Deus escolhe
excluir os não eleitos de seus
propósitos eletivos de misericórdia e
deixá-los responsáveis diante do padrão
estrito da justiça. Ele não os trata
injustamente. Ele não os condena como
inocentes. Ele não pune pessoas que
mereciam salvação. Ele não nega a alguém
um direito que possuía. Ele simplesmente
não concede misericórdia salvadora a
todos e deixa alguns receberem aquilo
que seus pecados realmente merecem.
Isso precisa ser entendido com temor,
porque
a reprovação não apresenta Deus como
injusto, ela apresenta a Deus como
justo. O escândalo da Bíblia não é que
Deus condenados.
O escândalo é que Deus salva culpados. O
inferno não exige que Deus deixe de ser
bom. A condenação dos ímpios como dos
anjos não exige que Deus deixe de ser
justo. A punição do pecado não mancha a
santidade divina, pelo contrário,
manifesta que Deus não trata o mal como
algo leve. Quando ele viu o pecado sobre
o seu próprio filho como representante,
ele derramou sua ira. Deus não olha
paraa rebelião com neutralidade.
Deus não coloca sua justiça de lado como
se pecado fosse pequeno.
O que deve nos espantar não é que
existam vasos de ira. O que deve nos
espantar é que existam vasos de
misericórdia.
Porque todos pecaram, todos estão
debaixo de culpa, todos merecem
condenação.
A justiça diz culpado sobre todos.
Ninguém nasce exigindo graça. Ninguém
tem direito natural à eleição. Ninguém
pode colocar Deus contra a parede e
dizer: "Tu és obrigado a ter
misericórdia de mim". Misericórdia
obrigada deixa de ser misericórdia. É um
eh é um contrassenso. A misericórdia não
pode ser obrigada. A misericórdia, o que
é obrigado é justiça. Misericórdia é o
oposto. Graça exigida deixa de ser
graça. Se Deus devesse salvação a todos,
então salvação não seria favor e
merecido, mas pagamento necessário. Você
vê que o pecado é um pagamento. O
salário do pecado é a graça, é o
salário, é o pagamento, é o justo. Mas é
o dom gratuito de Deus é a redenção em
Cristo. Mas a escritura não fala como os
homens, né? A escritura fala de um Deus
que tem misericórdia de quem quer ter
misericórdia, porque essa é a definição
da palavra. E tem compaixão de quem quer
ter compaixão. A reprovação manifesta a
glória da ira justa de Deus. Essa frase
pode soar dura aos nossos ouvidos, mas é
bíblica. Deus não é glorificado apenas
em salvar. Ele também é glorificado em
julgar o pecado. Sua misericórdia revela
algo da sua glória. Sua justiça também
revela. Sua paciência revela sua ira
santa. Revela seu poder. Revela sua
liberdade revela seu direito sobre a
criatura. Revela.
Romanos 9 fala de vasos de ira.
preparados paraa destruição.
Essa não é uma linguagem suave, não é
uma linguagem moldada para agradar o
homem moderno, não é a linguagem
adaptada ao sentimentalismo religioso.
Paulo nos coloca diante de vasos que
existem sob debaixo
da ira, destinado à destruição,
suportados por Deus com grande paciência
para que sua ira seja mostrada e seu
poder se torne conhecido. Pedro
fala de homens que tropeçam porque
desobedecem a mensagem para o que também
foram destinados. Judas fala de ímpios
que desde muito foram previamente
marcados para a condenação. Essas
expressões não surgem da especulação
humana, não nascem de uma filosofia
fria, não são invenções de homens
homens interessados em tornar Deus
severo. Elas estão na escritura. Elas
pertencem ao modo como Deus revelou a si
mesmo. E se pertencem à escritura, não
temos direito de apagá-las. Podemos
tremer. Devemos tremer, mas não podemos
negar.
A dificuldade aumenta quando lembramos
que Deus governa não apenas destinos
eternos, mas também a própria história
onde pecadores agem. A escritura afirma
que tanto o bem quanto a calamidade não
estão fora do governo do Senhor. Ela
ensina que se há desastre em uma cidade,
o Senhor não está ausente do
acontecimento.
Ela declara que o coração do rei está
nas mãos do Senhor como ribeiros de
águas e ele o inclina para onde deseja.
Isso significa que as forças mais altas
da terra não são autônomas. Reis não são
soberanos diante de Deus. Governantes
não são livres debaixo de si mesmos.
Nações não movem a história fora do
decreto divino. Calamidades não escapam
da mão do Senhor. Desastres não estão
fora do seu governo.
Até mesmo o coração dos reis, aquele
centro interior de decisões, intenções,
desejos e planos está debaixo da
autoridade de Deus.
E há algo ainda mais profundo. Deus
governou o crime mais terrível da
história, a crucificação de Cristo.
Nunca houve pecado maior, nunca houve
injustiça mais profunda, nunca houve ato
mais perverso do que homens ímpios
pregando na cruz o Senhor da glória. Ali
a santidade encarnada foi rejeitada, o
justo foi condenado, o filho eterno foi
entregue nas mãos de pecadores.
A criatura levantou a mão contra o
criador. O mundo mostrou sua inimizade
contra Deus. E ainda assim isso
aconteceu segundo o propósito
determinado e a preciência de Deus. Os
homens foram culpados.
Deus permaneceu santo. Os pecadores
agiram com maldade. Deus cumpriu
redenção. As mãos humanas cravaram os
pregos. O conselho eterno de Deus
determinou que o cordeiro fosse
entregue. Se Deus governou soberanamente
a crucificação sem ser autor do pecado,
então não podemos limitar sua soberania
quando entramos em assuntos mais
difíceis.
Se Deus é soberano sobre o mal, sobre
calamidades, sobre desastres, sobre
coração de reis, sobre atos ímpios de
pecadores, então sua soberania também
alcança os destinos eternos. inclusive
os que terminam no inferno.
Essa é a atenção que Romanos 9 nos
obriga a encarar. Não é um capítulo
confortável, não é um texto que permite
os homens permanecer no centro, não é
uma passagem que deixa a nossa ideia
natural de justiça intocada. Romanos 9
arranca o homem do tribunal e coloca
Deus no trono.
Ele
nos impede de tratar a misericórdia como
dívida. Ele nos impede de tratar a
condenação como injustiça.
Ele nos impede de imaginar que o destino
eterno dos homens esteja fora da
autoridade absoluta do Criador. Por
isso, Romanos 9 é uma das passagens mais
detalhadas e controversas sobre esse
tema. Muitos tentam suavizá-la, alguns
tentam desviá-la, outros tentam
reduzi-la a privilégios históricos,
nações, funções temporais ou meras
categorias corporativas, como se Paulo
não estivesse tratando de salvação,
condenação, misericórdia, endurecimento,
vasos de ira e vasos de misericórdia.
Mas não temos direito de tornar o texto
menos ofensivo
do que Deus quis. que fosse.
A escritura não pede licença à
sensibilidade humana antes de revelar a
majestade divina. Ela não adapta a Deus
ao gosto da criatura,
da criatura caída. Ela não adapta a
verdade. Deus não se adapta à criatura
nenhuma, nem as que estão no céu.
Ela, a Bíblia, não submete esse texto
oleiro ao barro. Ela não pergunta se o
homem moderno achará aceitável antes de
declarar que Deus tem misericórdia de
quem quer e endurece a quem quer. Isso
não é para as outras gerações. E porque
é muito escandaloso para essa a verdade
muda e de repente na próxima geração e
mais ainda. Mas também
não devemos tratar essa doutrina com
frieza. Esse é outro erro grave. A
reprovação não é um tema para
curiosidade mórbida. Não é uma arma para
debates vazios. Não é doutrina para
endurecer a alma. Não é assunto para ser
falado com um sorriso arrogante. Não é
combustível para desprezar perdidos. Não
é licença para frieza evangelística. Não
é base para olhar pecadores como se
fossem meras peças de um sistema.
A reprovação exige temor, exige
reverência, exige lágrimas, exige
adoração, exige cuidado com as palavras,
exige joelhos dobrados. Estamos falando
de Deus e de almas eternas. Estamos
falando de misericórdia livre e justiça
santa. Estamos falando de céu e inferno.
Estamos falando de pecadores culpados.
Estamos falando de um Deus que não deve
misericórdia a ninguém. Como eu disse,
dever misericórdia é uma contradição de
termos, mas que salva muitos para louvor
da glória da sua graça.
Se essa doutrina nos torna arrogantes,
nós a entendemos muito mal. Se nos torna
indiferentes, nós estamos usando ela
muito mal. Se nos tornas frios diante
dos perdidos, nós não estamos ouvindo
Paulo corretamente.
Mas se ela nos faz tremer diante de
Deus, abandonar a vanglória humana,
agradecer pela misericórdia recebida,
pregar com urgência, orar com
dependência e adorar o Deus que é justo
em condenar e livre em salvar, então
começamos a recebê-la como devemos. A
pergunta não é se essa doutrina parece
aceitável ao homem moderno, mas se a
escritura nos dá permissão para
negá-la.
Não pensemos que a palavra de Deus
falhou. Paulo diz em Romanos 9:6,
pois nem todos os descendentes de Israel
são Israel. Romanos 9 começa, eh,
Romanos 9 começa onde Romanos 8 deixa
uma pergunta inevitável.
Romanos 8 termina nas alturas. É como se
Paulo tivesse levado a igreja até o topo
da montanha da segurança eterna.
E ela, ele começa dizendo: "Agora,
portanto, já não há condenação para os
que estão em Cristo Jesus". E termina o
capítulo dizendo que nada poderá nos
separar do amor de Deus que está em
Cristo Jesus, nosso Senhor. Nenhuma
condenação, nenhuma separação, nenhuma
acusação que permaneça contra os eleitos
de Deus.
Nenhum poder capaz de arrancar os santos
das mãos do Senhor. Aqueles que Deus
conheceu de antemão também predestinou.
Aqueles que predestinou também chamou.
Aqueles que chamou também justificou.
Aqueles que justificou também
glorificou. Essa corrente não se quebra.
Ela começa no propósito eterno de Deus e
termina na glória final dos santos. Não
há nenhum elo fraco. Não há espaço para
fracasso. Não há possibilidade de Deus
chamar e não justificar. Não há
possibilidade de Deus justificar e não
glorificar. A salvação do início ao fim
repousa sobre a obra invencível de Deus.
Paulo então pergunta: "Se Deus é por
nós, quem será contra nós? Quem fará
acusação contra os escolhidos de Deus?
Quem os condenará? Quem nos separará do
amor de Cristo? Tribulação, angústia,
perseguição, fome, nudez, perigo,
espada,
nem morte, nem vida, nem anjos.
Nem demônios, nem presente, nem futuro,
nem poderes, nem altura, nem
profundidade, nem qualquer outra coisa
na criação.
Qualquer coisa na criação poderá nos
separar do amor de Deus que está em
Cristo Jesus. Isso
é segurança gloriosa, isso é consolo
[música] para o crente, isso é
fundamento para a alma cansada.
Mas exatamente nesse ponto surge uma
pergunta dolorosa. E Israel, se Deus é
tão fiel à suas promessas, o que
aconteceu com Israel? Se Deus não perde
os que chama, porque tantos israelitas
rejeitaram o Messias? Se as promessas de
Deus são firmes, por que recebeu tantas
promessas permaneceu em grande parte
incrédulo diante de Cristo? Essa
pergunta não é pequena. Ela nasce
naturalmente da própria segurança de
Romanos 8. Porque se Deus fez promessas
a Israel e Israel rejeitou o Messias,
alguém poderia concluir: "Talvez a
palavra de Deus tenha falhado." E se a
palavra de Deus falhou com Israel, como
os cristãos podem descansar nas
promessas de Romanos 8?
Esse é o peso. A questão não é apenas
curiosidade sobre Israel, a questão é a
fidelidade de Deus. Se Deus prometeu e
falhou ali, como saberemos que não
falhará aqui?
Se os privilégios de Israel não
garantiram a recepção da promessa, como
os crentes podem estar seguros de que
nada os separará do amor de Deus? Se
muitos que pertenciam exatamente ao povo
da aliança rejeitaram o Cristo
prometido, então a pergunta se e impõe.
A promessa de Deus caiu por terra? Paulo
responde: "Não pensemos que a palavra de
Deus falhou."
Essa é a tese. A palavra de Deus não
falhou. A incredulidade de Israel não
surpreendeu a Deus. A rejeição do
Messias por muitos judeus não colocou
Deus em crise. A infidelidade humana não
destruiu a fidelidade divina. A
resistência do homem não derrubou o
propósito eterno.
O fato de muitos israelitas rejeitado,
terem rejeitado Cristo, não significa
que Deus prometeu algo e não conseguiu
cumprir.
Mas Paulo precisa explicar porquê. E é
isso que Romanos 9 faz.
Romanos 9 não é um desvio, não é uma
interrupção, não é um bloco solto
colocado entre Romanos 8 e Romanos 10.
Não é uma mudança abrupta para um
assunto completamente desconectado.
Romanos 9 é necessário exatamente porque
Romanos 8 foi tão forte. A segurança do
crente exige que a fidelidade da palavra
de Deus seja defendida diante do drama
da incredulidade de Israel. Paulo não
está abandonando a salvação, ele está
explicando a salvação. Não está saindo
do tema da segurança eterna dos santos.
está fundamentando a segurança que ele
colocou em Romanos 8. Não está deixando
a esperança de Romanos 8 para discutir
um problema nacional frio e
completamente desconectado. Ele está
mostrando que a esperança de Romanos 8
permanece firme porque Deus nunca falha
em seu chamado, em sua eleição, em sua
promessa.
Romanos 9 10 e 11 formam uma unidade.
Romanos 9 olha para a obra redentiva de
Deus no passado, para o propósito
soberano de Deus na eleição, para a
distinção entre filhos da carne e filhos
da promessa, para a liberdade de Deus em
amar Jacó e rejeitar Isaú, em ter
misericórdia de quem quer e endurecer a
quem quer. Romanos 10 mostra a
responsabilidade presente de Israel
diante do Evangelho. Paulo não nega a
culpa humana, não transforma
incredulidade em desculpa. Não diz que
porque Deus é soberano, Israel não é
responsável. Pelo contrário, ele fala da
necessidade de crer, invocar o nome do
Senhor, ouvir a pregação, responder ao
Evangelho.
O coração de Paulo continua desejando a
salvação deles. Romanos 11 aponta para o
futuro de Israel no plano redentivo.
Paulo não termina em desespero. Ele
mostra que Deus preservou um
remanescente segundo a eleição da graça
e que seus propósitos para Israel não
foram anulados. O endurecimento não é a
palavra final de Deus sobre o povo. A
história ainda caminha debaixo de um
plano soberano. Portanto,
o tema central é a fidelidade da palavra
de Deus. Isso precisa ser visto com
clareza. Israel recebeu promessas.
Israel recebeu privilégios. Israel
recebeu alianças. Israel recebeu a lei.
Israel recebeu o culto, Israel recebeu
os patriarcas. Israel recebeu o Messias
segundo a carne. Nenhum povo foi tão
privilegiado.
A adoção como filhos estava ligada a
Israel. A glória de Deus se manifestou
entre eles. As alianças foram feitas com
os patriarcas. A lei foi entregue a
eles. O culto foi ordenado entre eles.
As promessas foram depositadas em sua
história. Abraão, Isaque, Jacó, Moisés,
Davi, os profetas.
Tudo isso fazia parte da herança deles.
E acima de tudo de Israel veio Cristo
segundo a carne. O Messias não apareceu
de modo desconectado da história de
Israel. Ele veio da linhagem prometida,
veio no cumprimento das alianças, veio
como descendente de Abraão,
veio como filho de Davi, veio como
aquele para quem os profetas apontavam,
veio como a esperança de Israel. E ainda
assim muitos o rejeitaram. Isso é
trágico. Trágico porque privilégio
externo não salvou. [roncando] Trágico
porque proximidade com a revelação
bíblica não garantiu fé. Trágico, porque
os sinais da aliança não produziram por
si mesmos eh novo nascimento.
Trágico, porque aqueles que tinham as
promessas rejeitaram aquele em quem as
promessas encontram cumprimento.
Então Paulo precisa mostrar que a falha
não está em Deus. A falha não está na
palavra de Deus. A falha não está na
promessa. A fala a falha está em uma
suposição errada. a ideia de que todos
os descendentes físicos de Israel eram
automaticamente herdeiros espirituais da
promessa.
Esse será o argumento. Nem todos os que
descendem de Israel são Israel.
A Israel segundo a carne e a Israel
segundo a promessa. Há descendência
física e há filhos da promessa. Há
privilégio externo e há chamado eficaz.
Há pertencimento visível ao povo da
aliança e há eleição soberana de Deus. É
por isso que Romanos 9 não enfraquece
Romanos 8. Ele protege Romanos 8. Porque
se a promessa dependesse simplesmente de
linhagem, privilégio externo ou
pertencimento visível, então a
incredulidade de Israel seria um
problema insolúvel.
Mas se a promessa sempre esteve ligada
ao propósito eletivo de Deus, então ela
nunca falhou. Deus não prometeu salvar
cada israelita individualmente com base
apenas em descendência física. Deus
sempre salvou segundo a promessa,
segundo a graça, segundo o chamado,
segundo a eleição.
É por isso que a segurança dos crentes
permanece firme. Os que Deus chama
eficazmente, Deus justifica. Os que Deus
justifica, Deus glorifica. A palavra de
Deus não depende da força do homem para
permanecer de pé. A promessa não é
mantida pela fidelidade da criatura. A
salvação não repousa sobre sangue,
nacionalidade, privilégio religioso ou
vontade humana como causa última. Repous
em Deus e Deus não falha. Isso é consolo
profundo. Porque a eleição não ameaça a
segurança do crente. A eleição explica
porque a segurança do crente é
invencível. Se Deus apenas oferecesse
promessas e deixasse o cumprimento final
depender da instabilidade humana,
ninguém estaria seguro. Se a salvação
dependesse como causa última da
permanência da vontade humana, Romanos 8
não poderia terminar com tanta certeza.
Paulo não poderia dizer que nada nos
separará do amor de Deus, mas ele diz
porque Deus chama, Deus justifica, Deus
guarda, Deus santifica, Deus glorifica,
Deus cumpre sua palavra nos que ele
chama. A incredulidade de muitos
israelitas não prova que Deus falhou,
prova que privilégio externo nunca foi o
mesmo que eleição interna. Prova que a
carne nunca foi suficiente para garantir
a promessa,
mesmo com muitos privilégios.
Prova que a salvação sempre foi mais
profunda que descendência, tradição,
cultura religiosa e proximidade com
coisas santas.
A palavra de Deus permanece, a promessa
de Deus permanece, o propósito de Deus
permanece.
Romanos 9 não enfraquece a certeza de
Romanos 8. Romanos 9 protege a certeza
de que Deus nunca perde aqueles que ele
chama.
Então Paulo diz: "Digo a verdade em
Cristo, não minto. Minha consciência o
confirma no Espírito Santo. Tenho grande
tristeza e constante angústia em meu
coração, pois eu até desejareia ser
amaldiçoado e separado de Cristo por
amor de meus irmãos, os de minha raça."
Quem entende a soberania de Deus
corretamente não fala de perdição sem
lágrimas.
Essa é uma marca indispensável. A
doutrina da eleição não transforma o
coração em pedra. A verdade da
reprovação não autoriza frieza. A
soberania de Deus não mata a compaixão.
Quando essas verdades são recebidas de
modo bíblico, elas não produzem
arrogância,
arrogância indiferença ou prazer em
controvérsia. Elas produzem reverência
diante de Deus e dor diante dos homens
perdidos.
Paulo não entra nesse assunto como um
debatedor frio. Ele não fala de eleição
e reprovação como quem manipula
conceitos sem alma. Ele não abre Romanos
9 com um tom de superioridade, como se
estivesse feliz em provar que estava
certo e que seus adversários estavam
errados. Ele não trata a incredulidade
de Israel como mero exemplo doutrinário.
Ele não olha para seus compatriotas
incrédulos com desprezo. Ele não diz:
"Eles rejeitaram". Problema deles.
Ele não se esconde atrás da soberania
para fugir da compaixão. Ele chora.
Antes de apresentar o argumento mais
denso sobre a eleição chamado
misericórdia, endurecimento, vasos de
ira e vasos de misericórdia, Paulo
mostra o próprio coração e o coração
dele está ferido.
Ele começa com uma tríplice afirmação de
verdade. Digo a verdade em Cristo, não
minto. Minha consciência testifica
comigo no Espírito Santo. Essas palavras
não estão ali por acaso. Paulo quer
deixar claro que sua dor é real. Ele
sabe que ao falar da incredulidade de
Israel poderia ser acusado de desprezar
seu próprio povo.
Poderiam dizer que ele abandonou os
judeus. poderiam afirmar que sua
teologia o tornou hostil a sua própria
nação. Poderiam imaginar que ao afirmar
a soberania de Deus na salvação, Paulo
havia perdido todo o senso de compaixão
pela perdição dos seus irmãos segundo a
carne. Então, ele chama Cristo como
testemunha.
Ele afirma que não mente. Ele apela à
consciência no Espírito Santo. É como se
dissesse: "Deus sabe, Cristo sabe, o
Espírito Santo confirma. Eu não falo
dessas coisas com leveza. Eu não olho
para Israel com indiferença. Eu não
trato a perdição como abstração. A dor
em mim, a angústia em mim, a tristeza
constante em meu coração por eles. Isso
precisa corrigir a nossa postura.
Há pessoas que defendem doutrinas
profundas com um espírito raso. Falam de
eleição sem humildade. Falam de
reprovação sem tremor, falam de inferno
sem lágrimas. Falam de soberania de Deus
como se ela fosse uma licença para a
dureza, indiferença.
Discutem destinos eternos como quem
disputa uma tese acadêmica, não como
quem contempla almas diante do juízo de
Deus. Paulo não faz isso. Ele tem grande
tristeza. Não uma tristeza pequena, não
um pequeno incômodo, não um incômodo
passageiro, não um desconforto leve,
grande tristeza. Ele tem dor incessante
no coração.
Não é uma emoção momentânea, nem algo
que aparece apenas quando o assunto
surge, é uma angústia contínua, uma
ferida espiritual, uma aflição profunda
da mente e do próprio espírito, né,
diante da condição do seu povo.
A incredulidade de Israel pesa sobre
Paulo e pesa porque Israel não era um
povo qualquer. Eles eram seus irmãos
segundo a carne. Eram seus parentes, sua
nação, seu povo. O povo que,
deixa eu me ajeitar aqui, o povo que
recebeu promessas, alianças, lei, culto,
patriarcas
e o próprio Messias segundo a carne.
Eles tinham sido colocados tão perto da
luz e ainda assim tantos permaneciam em
trevas. Tinham recebido tantos sinais da
bondade de Deus e ainda assim rejeitaram
aquele para quem todos os sinais
apontavam. Isso o esmagava. Isso
esmagava Paulo. Paulo não conseguia
falar de Israel apenas como categoria
teológica. Ele via rostos, via irmãos,
via sinagogas, via famílias. via homens
e mulheres que conheciam a lei, ouviam
os profetas, aguardavam o Messias e
ainda assim tropeçavam no Cristo
crucificado.
A dor dele, de Paulo, não era
sentimentalismo sem verdade, era
compaixão formada pela verdade. Ele
sabia que Israel sem Cristo estava
perdido. Sabia que privilégio religioso
não salva. Sabia que descendência física
não justifica. Sabia que possuir a lei
não remove condenação.
Sabia que participar da história externa
da aliança não substitui fé no Messias.
Sabia que rejeitar Cristo é permanecer
debaixo da ira. Por isso, sua dor era
tão intensa, porque Paulo desejava a
salvação dos judeus. Não apenas sua
restauração política, não apenas sua
recuperação nacional, não apenas seu
retorno à Terra, não apenas sua
relevância histórica, ele queria sua
salvação.
Isso é decisivo. Paulo não está
preocupado apenas com o destino
sociológico de uma nação. Ele está
preocupado com almas. Ele não diz: "Meu
desejo é que Israel recupere prestígio".
Ele não diz: "Meu desejo é que Israel
seja restaurado". externamente enquanto
permanece sem Cristo. Não. Sua dor é
espiritual,
seu desejo é salvífico. Ele quer vê-los
reconciliados com Deus, quer vê-los
recebendo Messias, quer vê-los
participando da justiça que vem pela fé.
quer vê-los livres da condenação, quer
vê-los em Cristo. Porque não basta
Israel ter privilégios se permanece
incrédulo. Não basta ter a lei se não
tem o cordeiro. Não basta ter o templo
se rejeita aquele em quem Deus habita
corporalmente.
Não basta ter os patriarcas senão crer
no descendente prometido aos patriarcas.
Não basta carregar o nome de povo de
Deus se o coração rejeita o filho de
Deus.
A maior tragédia religiosa é estar
cercado de privilégios santos e
permanecer perdido.
Paulo sente isso
e então diz algo quase insuportável de
ler. Ele desejaria ser amaldiçoado,
separado de Cristo por amor aos seus
irmãos segundo a carne.
Essas palavras revelam a profundidade da
sua compaixão.
Ele fala como alguém disposto, se fosse
possível, a sofrer a maldição em lugar
deles. Ele expressam um desejo de
substituição.
Ele olha para seus irmãos perdidos e
sente uma dor tão grande que chega ao
limite da linguagem humana. Eu mesmo
desejaria ser separado de Cristo por
amor deles. Mas Paulo sabe que isso é
impossível. Ele não tem como ter uma
perdição vicária.
Primeiro porque há apenas um substituto
verdadeiro, Cristo. Nenhum apóstolo pode
ocupar o lugar do cordeiro
salvando pecadores. Nenhum pregador pode
carregar a maldição salvadora em favor
de pecadores.
Nenhum homem, por mais piedoso, pode se
oferecer como redenção eficaz por
outros. O mediador entre Deus e os
homens é um só, o homem Cristo Jesus. Só
ele pode tomar sobre si a maldição. Só
ele pode ser feito pecado por nós. Só
ele pode sofrer a ira de Deus sem ter
pecado próprio.
Só ele poôde morrer pelos ímpios e
ressuscitar para eles serem
justificados.
Paulo pode desejar a salvação de Israel.
Pode orar, pode pregar, pode sofrer,
pode chorar, pode gastar sua vida, mas
não pode ser o Cristo deles.
Há somente um substituto. E esse
substituto já veio.
Segundo, Paulo sabe que nenhum crente
pode ser separado de Cristo. Ele acabou
de dizer isso em Romanos 8, que nada
poderá separar os santos do amor de Deus
que está em Cristo Jesus. nem morte, nem
vida, nem anjos, nem demônios, nem o
presente, nem nada que vai acontecer no
futuro, nem qualquer outra coisa na
criação. Então, quando ele diz que
desejaria ser separado de Cristo, ele
não está afirmando que isso seja
possível. Ele está expressando, ele quer
usar palavras para expressar a
intensidade
da sua dor dentro dos limites de uma
impossibilidade teológica.
Ele não pode ser separado de Cristo, mas
ele sente a perdição dos seus irmãos com
uma intensidade que o leva a falar
assim.
Isso é compaixão. Não uma compaixão
fraca que nega a soberania de Deus. Não
uma compaixão sentimental que abandona a
verdade para tentar incluir alguém.
Não uma compaixão mundana que suaviza a
condenação para parecer bondosa, mas
compaixão bíblica, uma compaixão que
sabe que Deus é soberano e ainda assim
ora. Sabe que há eleição e ainda assim
evangeliza a todos. Sabe que Deus
endurece a quem quer e ainda assim chora
pelos endurecidos. Sabe que a salvação
depende da misericórdia soberana divina
e ainda assim suplica pela salvação dos
homens.
Isso corrige
duas caricaturas.
A primeira é a caricatura dos inimigos
da soberania, que dizem que essa
doutrina mata evangelismo, oração e
compaixão. Paulo prova o contrário.
Ninguém falou com mais clareza sobre
eleição soberana e poucos demonstraram
tanta dor pelos perdidos e se gastaram
para pregar o evangelho como Paulo. A
soberania de Deus não o tornou frio,
tornou-o dependente,
não o tornou passivo, tornou-o
missionário,
não matou sua compaixão, purificou sua
compaixão de sentimentalismo vazio que
nega a verdade de Deus.
A segunda
é a caricatura dos que dizem crer na
soberania, mas a usam para justificar
sua indiferença.
Paulo também os corrige. Se sua teologia
o tornou incapaz de chorar por perdidos,
sua teologia não está moldada pelo
espírito apostólico.
que sua doutrina o tornou impaciente com
os fracos, soberbo diante dos confusos,
indiferente diante dos incrédulos, você
pode ter palavras corretas, mas não tem
a postura de Paulo.
A soberania de Deus deve produzir
coragem para falar a verdade e lágrimas
para falar essa verdade aos homens.
deve produzir firmeza diante da
Escritura e também compaixão diante das
almas. Deve produzir adoração diante do
decreto eterno
e urgência diante da perdição. Paulo
sabe que Deus é soberano, sabe que a
palavra de Deus não falhou, sabe que nem
todos os descendentes de Israel são
Israel. Sabe que há filhos da carne e
filhos da promessa. Sabe que Deus
escolheu Jacó e rejeitou Esaú antes das
obras. E mesmo assim seu coração está em
angústia. Porque soberania não mata
amor, ela mata orgulho, mata
autoconfiança. Ela mata a ideia de que
podemos salvar alguém por nossa própria
força ou a nós mesmos, mas não mata a
compaixão. Pelo contrário, a verdadeira
soberania nos leva a clamar ao único
Deus que pode salvar quem ele quiser. Se
o homem estivesse apenas moralmente
confuso, talvez bastasse nós
argumentarmos melhor. Se estivesse
apenas mal informado, talvez bastasse
explicar mais. Mas se está morto em
pecados, cego, culpado e dependente da
misericórdia soberana, então devemos
pregar e orar com todo fervor, porque só
Deus pode salvar.
E Deus salva por meio do evangelho. Por
isso, a doutrina que não faz chorar
pelos perdidos ainda não desceu do monte
para eh
a oração e não desceu da mente para o
coração.
Então, em Romanos 9, no verso 4, ele
diz: "Deles é a adoção de filhos. Deles
é a glória divina, as alianças, a
concessão da lei, a adoração no tempo e
as promessas. Deles são os patriarcas e
a partir deles se traça a linhagem
humana de Cristo, que é Deus, acima de
tudo, bendito para sempre. Amém.
Nenhum povo esteve mais preparado
externamente para receber o Messias do
que Israel. E ainda assim, muitos o
rejeitaram.
Esse é o peso de Romanos 9. Paulo não
está falando de um povo que viveu nas
trevas sem testemunho, sem revelação,
sem história, sem promessas, sem sinais,
sem culto, sem profetas, sem escritura.
Ele está falando do povo que recebeu
privilégios incomparáveis entre todos os
povos. O povo que foi separado entre as
nações. O povo que carregou a história
da aliança. O povo que viu Deus agir,
ouviu Deus falar, recebeu Deus em
promessas, leis, sinais
e sombras. E ainda assim, muitos
rejeitaram Cristo. Essa é a tragédia.
Não uma tragédia pequena, não uma
tragédia meramente nacional, uma
tragédia espiritual, porque todos
aqueles privilégios apontavam para o
Messias, para Cristo. Toda aquela
história caminhava para Cristo. Toda
aquela preparação tinha um alvo.
A adoção, a glória, as alianças, a lei,
o culto, as promessas, os patriarcas,
tudo convergia para aquele que viria
segundo a carne. E quando ele veio,
muitos não receberam.
Israel tinha adoção com filhos, não
mesmo sentido pleno da adoção final dos
crentes em Cristo, mas no sentido de ter
sido chamado de filho entre as nações.
Deus tirou Israel do Egito como um pai
resgata seu filho. Chamou aquele povo
para uma relação de aliança,
deu-lhe nome, identidade, privilégio,
responsabilidade e proximidade.
Israel não era apenas mais uma nação
perdida entre as nações. Era um povo
chamado para pertencer ao Senhor de
maneira especial.
Mas ser chamado externamente de filho da
aliança não significava por si só ter o
coração regenerado.
Havia privilégio, mas privilégio não é
novo nascimento. Israel tinha glória. A
glória de Deus se manifestou entre eles.
nuvem, o fogo, a presença no
tabernáculo, a majestade do Senhor
enchendo o templo, a realidade visível
eh de que Deus habitava no meio daquele
povo de modo singular.
Nenhuma outra nação recebeu essa honra.
Nenhum outro povo viu a glória divina
ligada à sua história de modo ou do modo
como Israel viu.
Mas você vê vê sinais da glória não é o
mesmo que amar o Deus da glória. É
possível estar perto de manifestações
santas e permanecer com o coração
endurecido. É possível ver o mar se
abrir e ainda desejar o Egito. É
possível comer maná e murmurar. É
possível estar diante da nuvem e do fogo
e ainda assim construir bezerros de ouro
no coração.
A glória esteve entre eles, mas muitos
não creram no Senhor da glória quando
ele veio. Israel tinha alianças, aliança
com Abraão, as promessas feitas aos
patriarcas, a história da descendência
da terra da bênção, a aliança no Sinai
com mandamentos, responsabilidades e
sangue, a aliança davídica com a a
promessa de um rei, todo o tecido da
história israelita estava costurado por
compromissos divinos. Deus falava,
prometia, jurava, estabelecia,
preservava.
Mas estar externamente ligado às
alianças não significa estar
interiormente unido a Cristo. Aliança
externa pode ser car um homem de
privilégios e ainda assim seu coração
permanecer longe de Deus, incircunciso
de coração.
O selo externo não salva sim a realidade
interna. A marca visível não substitui a
fé. O pertencimento histórico não cria
vida espiritual automaticamente.
Israel tinha lei. A lei foi dada a esse
povo. Deus revelou seu padrão santo,
mostrou sua vontade, separou Israel
moralmente das nações. Enquanto os povos
andavam em trevas, Israel possuía
mandamentos santos, justos e bons.
tinha luz objetiva, tinha instrução,
tinha direção, tinha privilégio de ouvir
o Deus vivo dizer: "Assim devez viver".
Mas conhecer a lei não justifica.
Possuir a lei não transforma o coração.
Ouvir mandamentos não significa obedecer
por fé. A lei revela pecado. A lei
condena transgressores. A lei aponta
para a necessidade de justiça perfeita.
A lei mostra que o homem precisa de algo
mais profundo do que instrução externa.
Precisa de redenção, expiação,
propiciação,
novo coração, espírito, Messias. Israel
tinha lei, mas muitos rejeitaram aquele
que cumpriu a lei para resgatarem
justos.
Israel tinha o culto, tinha sacrifícios,
tinha sacerdócio, tinha tempo, tinha
ritos prescritos, tinha festas, tinha
liturgia dada por Deus, tinha adoração
organizada segundo o mandamento divino.
Nada disso era pequeno. O culto
israelita não era invenção humana. Deus
mesmo havia ordenado formas, mediações,
sacrifícios e cerimônias. Tudo aquilo
ensinava que o pecado exige sangue, que
o homem não se aproxima de Deus de
qualquer maneira ou baseado em qualquer
justiça própria, que é preciso mediação,
que a santidade de Deus é perigosa para
pecadores não cobertos por expiação e
propiciação.
Mas o culto era sombra, Cristo é a
realidade. Os sacrifícios simplesmente
apontavam para o cordeiro. O sacerdote
apontava para o mediador. O templo
apontava para a presença de Deus em
Cristo. O sangue dos animais apontava
para o sangue precioso do filho. E
quando a realidade chegou, muitos
preferiram as sombras. Isso é terrível,
porque é possível estar cercado de
práticas religiosas corretas e não
enxergar Cristo. É possível repetir
ritos, frequentar culto, ouvir leitura
bíblica, participar de solenidades e
permanecer perdido. O culto externo sem
fé no Messias não salva. A forma
correta, sem coração rendido a Cristo,
não redime.
Israel tinha as promessas,
promessas de descendência, promessas de
bênção, promessas de terra, promessas de
restauração, promessas de reino,
promessas de Messias, promessas de
salvação. Desde Gênesis 3:15,
a promessa do descendente que esmagaria
a cabeça da serpente atravessa a
história bíblica. Ela passa por Abraão,
Isaque, Jacó, Judá, Davi, os profetas.
Israel vivia debaixo de uma história
carregada de expectativa.
O Messias viria, o rei viria, o Senhor
sofreria, o Redentor chegaria, a
promessa se cumpriria
e se cumpriu. Mas muitos rejeitaram o
cumprimento. Tinham a promessa e não
receberam o prometido. Tinham a
expectativa e tropeçaram na chegada.
Tinham as escrituras e não reconheceram.
aquele de quem as escrituras falavam.
Israel tinha os patriarcas, Abraão,
Isaque, Jacó,
os pais da promessa, os nomes que
marcavam a identidade daquele povo. A
história de Israel não começou de modo
comum, começou com chamado soberano,
promessa divina, nascimento impossível,
preservação providencial. Abraão foi
chamado da idolatria. Abraão adorava a
Lua até os 75 anos. Não estava buscando
Deus.
Isaque nasceu pela promessa. Jacó foi
escolhido pela graça. Os patriarcas eram
testemunhas de que Israel existia por
iniciativa divina e não por nenhuma
iniciativa humana. Mas descendência dos
patriarcas não salva. Ter Abraão como
pai segundo a carne não significa ter a
fé de Abraão no coração. Ser filho
natural não significa ser filho da
promessa. A linhagem pode carregar
privilégios, mas não pode produzir
regeneração.
O sangue pode ligar alguém a uma
história religiosa, mas não pode
reconciliar alguém com Deus.
E por fim, de Israel veio Cristo segundo
a carne. Aqui está o maior privilégio. O
Messias veio deles. O filho eterno
assumiu natureza humana dentro da
história de Israel. A palavra se fez
carne no povo que recebeu as promessas.
Jesus não apareceu sem ligação com a
aliança. Ele veio como descendente de
Abraão, veio [roncando] como filho de
Davi, veio da linhagem prometida, veio
dentro
da história que Deus havia preparado.
Cristo é o ápice dos privilégios de
Israel. Exatamente por isso, a rejeição
de Cristo é a maior tragédia de Israel.
Porque eles não rejeitaram apenas um
mestre, não rejeitaram apenas um
profeta, não rejeitaram apenas um
reformador, rejeitaram o cumprimento da
sua própria esperança.
Rejeitaram aquele para quem a adoção, a
glória, as alianças, a lei, o culto, as
promessas e os patriarcas apontavam.
Isso nos confronta porque privilégio
religioso não salva, tradição não salva,
linhagem não salva, conhecimento externo
da palavra não salva, contato com coisas
santas não salva ter a Bíblia, não salva
ter culto, não salva ter família
piedosa, não salva ter história
religiosa não salva
crescer em ambiente cristão não é o
mesmo que nascer de Deus.
Essa,
esse é um alerta urgente. Há pessoas que
vivem perto das coisas de Deus e
confundem proximidade com conversão,
confundem ambiente cristão com vida
espiritual, confundem tradição familiar
com fé salvadora, confundem conhecimento
bíblico com novo nascimento, confundem
participação no culto com união com
Cristo. Mas ninguém é salvo por estar
perto da verdade. É preciso crer na
verdade.
Ninguém é salvo por ouvir sobre Cristo.
É preciso estar em Cristo. Ninguém é
salvo por carregar privilégios externos.
É preciso receber misericórdia.
Ninguém é salvo porque sua história está
cercada de religião. É preciso nascer do
espírito. Israel prova que os maiores
privilégios externos podem coexistir com
incredulidade profunda.
Prova que a luz rejeitada aumenta a
culpa. Prova que quanto mais clara a
revelação, mais grave a rejeição. Prova
que estar cercado de coisas santas não
salva o coração que permanece sem fé no
Santo de Deus.
Portanto, examine-se. Você tem Bíblia,
mas tem Cristo. Você tem culto, mas tem
fé. Você tem tradição, mas tem novo
nascimento. Você tem linguagem cristã,
mas tem arrependimento.
Você conhece doutrina, mas conhece o
Salvador.
Você vive perto das promessas, mas
abraçou o prometido.
maior privilégio religioso se torna
condenação mais pesada quando Cristo é
conhecido externamente e rejeitado
interiormente.
Deixa eu beber esses dias eu tô com eu
tô de novo com gripe, né, essas coisas
assim.
Agora volta e meio, eu tenho, né? É
idade. Então, Romanos 9
verso 6, Paulo disse que não pensemos
que a palavra de Deus falhou, pois nem
todos os descendentes de Israel são
Israel.
Nem por serem descendentes de Abraão,
passaram todos a ser filhos de Abraão.
Ao contrário, por bem de Isaque, a sua
descendência será considerada.
No palavras, não são os filhos naturais
que são filhos de Deus, mas os filhos da
promessa é que são considerados
descendência de Abraão.
A incredulidade dos homens nunca
transforma a promessa de Deus em
fracasso.
Essa é a resposta de Paulo. Depois de
olhar paraa dor da incredulidade de
Israel, depois de confessar sua grande
tristeza e sua angústia incessante,
depois de listar os privilégios
incomparáveis daquele povo, Paulo não
conclui que Deus falhou. Ele não diz que
a promessa foi forte demais para ser
cumprida. Não diz que a fidelidade
humana conseguiu quebrar a fidelidade
divina. Não diz que o pecado do homem
deixou Deus sem resposta.
Ele diz: "Não pensemos que a palavra de
Deus falhou".
Essa frase
precisa permanecer firme. A palavra de
Deus não caiu. A promessa de Deus não
desmoronou. O plano de Deus não foi
frustrado.
A incredulidade de muitos israelitas não
pegou o Senhor de surpresa.
A rejeição do Messias por grande parte
de Israel não significa que Deus
prometeu algo e não conseguiu realizar.
A tragédia
da da da incredulidade, ela é real. A
culpa humana é real.
A dor de Paulo é real. Sua angústia é
real. Mas a fidelidade de Deus permanece
intacta.
O problema não está na palavra de Deus.
O problema está em uma falsa suposição
humana.
A falsa suposição é esta, pensar que
todos os descendentes físicos de Israel
eram automaticamente herdeiros
espirituais da promessa.
Essa era a segurança enganosa.
Somos descendentes de Abraão.
Pertencemos ao povo da aliança. Temos a
lei, temos os patriarcas, temos as
promessas, temos a história, temos os
sinais externos. Mas Paulo corta essa
falsa confiança pela raiz. Nem todos os
descendentes de Israel são Israel. Essa
frase é pesada.
Ela faz uma distinção dentro do próprio
Israel. A Israel segundo a carne e a
Israel segundo a promessa. A
descendência física e a descendência
espiritual.
Há pertencimento externo ao povo da
aliança e há pertencimento real ao povo
salvo pela graça soberana de Deus. Nem
todos os que carregavam o nome de Israel
pertenciam no sentido salvífico ao
Israel da promessa.
Nem todos os que descendiam
biologicamente dos patriarcas eram
filhos de Deus. Nem todos os que tinham
ligação histórica com Abraão possuiam a
fé de Abraão. Nem todos os que estavam
dentro da comunidade visível estavam
dentro do propósito eletivo da graça.
Isso não significa negar um futuro para
Israel. Não é substituição simplista.
Não é Paulo dizendo que Israel deixou de
importar na história redentiva. O
próprio desenvolvimento posterior mostra
que há propósito futuro de Deus
relacionado a Israel. O ponto aqui não é
apagar Israel. O ponto é corrigir a
falsa ideia de que a linhagem física por
si só garante salvação.
Paulo está distinguindo entre Israel
físico e os eleitos dentro de Israel,
entre aqueles que pertencem externamente
à descendência histórica de Abraão e
aqueles que pertencem espiritualmente à
promessa, entre filhos da carne e filhos
da promessa,
entre Ismael e Isaque. Essa distinção
sempre existiu, não começou no tempo de
Paulo, não surgiu depois da rejeição de
Cristo. Não foi uma explicação criada
para remediar um problema novo. Desde o
princípio, a promessa de Deus nunca foi
entregue automaticamente a todo
descendente natural.
Deus sempre distinguiu, Deus sempre
chamou, Deus sempre separou a linhagem
da promessa por sua própria palavra.
Paulo traz Abraão. E esse exemplo é
decisivo, porque se alguém poderia
pensar que descendência física garante
herança espiritual, deveria olhar para a
própria casa de Abraão. Abraão teve mais
de um filho. Israel descendia de Abraão.
Ismael era filho natural de Abraão.
Havia sangue de Abraão em Ismael. Havia
ligação biológica real. Mas a promessa
não veio por Ismael. A promessa veio por
Isaque. Por meio de Isaque, a sua
descendência será considerada.
Essa frase mostra que a promessa não
segue simplesmente o fluxo natural do
sangue. A promessa é determinada por
Deus. A descendência prometida é
divinamente separada da descendência
natural. O filho da carne não é
automaticamente filho da promessa. A
linhagem biológica pode explicar origem
humana, mas não explica herança
espiritual.
Ismael era filho de Abraão, mas não era
filho da promessa.
Isaque também era filho de Abraão, mas
Isaque nasceu por promessa. Essa
diferença não foi estabelecida por
mérito humana por Isaque ou por Ismael.
não foi criada [limpando a garganta] por
superioridade natural.
Ismael não era eh Isaque não era
superior a Ismael naturalmente. Não foi
baseada em capacidade espiritual, não
foi decidida por costumes familiares.
Foi Deus quem disse por meio de Isaque.
A promessa veio porque Deus prometeu. A
promessa permaneceu porque Deus a
sustentou. A promessa avançou porque
Deus chamou.
A questão ponto.
Os filhos da carne não são
automaticamente filhos de Deus. Isso
derruba toda segurança meramente
externa. Ser descendente natural de
Abraão não bastava. Ser membro visível
do povo de Israel não bastava. Ter
conexão histórica com a aliança. Não
bastava ter privilégios religiosos e
conhecimentos. Não bastava. Os filhos da
promessa são considerados descendência.
Não todos os filhos naturais, mas os
filhos da promessa. Isso significa que a
verdadeira descendência no sentido
salvífico é definida pela promessa de
Deus, não pela carne,
pela humanidade,
pela graça, não pelo sangue, pelo
chamado eficaz, não pela linhagem, pela
eleição, não por privilégio externo.
A promessa sempre foi pela graça,
sempre foi por chamado, sempre foi por
eleição, nunca foi por mera descendência
física ou
a carne.
Essa verdade protege a fidelidade de
Deus, porque se Deus tivesse prometido
salvar todos os descendentes físicos de
Israel, sem exceção, então, a
incredulidade de muitos israelitas,
pareceria uma falha da promessa. Mas
essa nunca foi a promessa.
Essa nunca foi a promessa. Nesses
termos. Deus nunca vinculou a salvação
ao simples fato de alguém nascer dentro
da linhagem física ou ter aqueles
privilégios.
Desde Abraão havia filhos naturais que
não eram filhos da promessa.
A palavra não falhou. A suposição humana
é que estava errada. A promessa não
caiu. A interpretação carnal da promessa
é que precisava ser corrigida.
Isso tem implicações profundas.
Primeiro,
mostra que Deus nunca foi refém da
carne.
Deus não é obrigado pela linhagem
humana. Ele não deve misericórdia a
alguém porque se alguém nasceu em
determinada família, povo, cultura ou
tradição.
A graça não corre automaticamente no
sangue. A salvação não é transmitida
como herança biológica. O novo
nascimento não é produzido por
sobrenome, genealogia, nacionalidade ou
ambiente
religioso.
Segundo, mostra que o privilégio externo
pode aproximar alguém das coisas santas
sem produzir vida espiritual. Ismael
estava dentro da casa de Abraão,
conviveu com o pai da fé, estava perto
das promessas, tinha contato com o
ambiente da aliança, mas o filho da
promessa era Isaque. Isso deve fazer
tremer todo aquele que confia apenas em
proximidade religiosa. Estar perto de
coisas santas não é o mesmo que
pertencer ao Deus santo. Crescer ouvindo
a verdade não é o mesmo que nascer de
Deus. Ter pais piedosos não é o mesmo
que ter fé. Viver no meio do povo de
Deus não é o mesmo que ser filho da
promessa.
Ter a carne de Abraão não salvou Ismael.
Ter os privilégios de Israel não salvou
os incrédulos. Ter ambiente cristão não
salva ninguém hoje. Ter Bíblia em casa
não salva. Ter linguagem evangélica não
salva. Ter tradição reformada não salva.
Ter conhecimento doutrinário não salva.
Ter contato com o povo de Deus não
salva. É preciso ser chamado pela graça.
É preciso crer no Cristo prometido,
no evangelho da graça soberana. É
preciso nascer do espírito.
Terceiro, isso mostra que a promessa de
Deus sempre foi mais profunda do que o
homem pensava, do que o homem imaginava.
O homem tende a olhar para fora
ou para o homem. Deus olha para o
propósito eterno dele mesmo. O homem
conta descendentes, Deus chama filhos da
promessa. O homem confia no sangue, na
natureza humana, Deus salva pela graça
soberana. O homem presume privilégio.
Deus distingue soberanamente. Por isso
Paulo não está envergonhado da doutrina
da eleição. Ele a usa para defender a
palavra de Deus. Ele está dizendo: "A
promessa não falhou porque a promessa
nunca dependeu da carne. A promessa não
falhou porque Deus sempre teve um povo
dentro do povo visível. A promessa não
falhou, porque todos os filhos da
promessa serão chamados, guardados e
salvos segundo o propósito eterno de
Deus.
Esse é o consolo. Deus não perde os
seus. A incredulidade de muitos não
anula a salvação dos eleitos. A rejeição
humana não desfaz o chamado divino.
A infidelidade visível de muitos dentro
da comunidade da aliança não significa
fracasso da graça, significa que nem
todos os que pertencem exteriormente
pertencem interiormente. Nem todos os
que têm nome, rito, tradição e linhagem
tem fé. Nem todos os que estão perto da
promessa são filhos da promessa.
Isso também é advertência.
Não descanse em privilégios externos.
Não diga: "Eu cresci na igreja". Não
diga: "Minha família é cristã". Não
diga: "Eu conheço doutrina". Não diga:
"Eu frequento culto, não diga: "Eu
pertenço ao povo visível".
Pergunte: "Sou filho da promessa.
Creio no Cristo prometido como prometido
por Deus, como um dom.
Fui alcançado pela graça. Meu coração
foi trazido a Deus.
Minha confiança está em Cristo ou nos
meus privilégios.
Suposto livre arbítrio.
Fui eu que me diferenciei dos outros ou
Deus me diferenciou?
Porque a carne pode carregar nome
religioso e continuar perdida. A
linhagem pode carregar história santa e
continuar sem fé. A proximidade com a
aliança pode aumentar a responsabilidade
de quem rejeita o Cristo da aliança.
Mas para os que creem, a firmeza.
A palavra de Deus não falha. A promessa
de Deus não falha. O chamado de Deus não
falha. A graça de Deus não falha. O
propósito de Deus não falha. A promessa
de Deus não cai por terra quando os
homens rejeitam Cristo. Ela permanece
firme nos filhos que Deus chama pela
graça.
E aí quando a gente chega no versículo
11, Paulo diz: "Todavia, antes que os
gêmeos nascessem ou fizessem qualquer
coisa boa ou má, a fim de que o
propósito de Deus, conforme a eleição,
permanecesse, não por obras, mas por
aquele que chama, foi dito a ela: "O
mais velho servirá ao mais novo." Como
está escrito: "Amei Jacó, mas odiei a
Esaú ou rejeitei a Esaú.
Antes que Jacó pudesse obedecer e antes
que Esaú pudesse pecar, Deus já havia
declarado o seu propósito.
Esse é o ponto que Paulo coloca diante
de nós. Ele não permite que a escolha de
Deus seja explicada pelo mérito humano,
previsto, visto, visto no futuro,
para que eh a promessa seja pela graça,
pela escolha de Deus. Ele não permite
que a eleição seja reduzida.
A linhagem natural não permite que a
promessa seja transformada em recompensa
por obras previstas.
Não permite que o homem olhe para si
mesmo e diga: "A razão final da minha
salvação está em mim".
Paulo está defendendo que a palavra de
Deus não falhou. E para provar isso, ele
mostra que a promessa nunca caminhou
automaticamente pela carne. A salvação
nunca foi garantida pela descendência
natural, pela força da carne, pela força
humana, pela força natural. Deus sempre
distinguiu, Deus sempre chamou, Deus
sempre separou os filhos da promessa dos
filhos da carne, segundo o seu próprio
propósito eterno.
Primeiro ele olha para Sara.
A promessa veio a Isaque porque Deus
prometeu. Não foi apenas descendência
natural, foi promessa.
Abraão teve Ismael. Ismael era seu filho
segundo a carne. Havia descendência
biológica real, havia ligação familiar
real, mas a promessa não seria contada
por Ismael. Deus disse: "Por meio de
Isaque, a sua descendência será
considerada".
Isso já bastaria para derrubar a falsa
segurança baseada no sangue.
Nem todo filho natural de Abraão era
filho da promessa. Nem todo descendente
físico era herdeiro espiritual. Nem toda
proximidade com o patriarca garantia a
participação no propósito salvífico de
Deus. A promessa veio porque Deus
prometeu soberanamente
em Isaque. Isaque nasceu porque Deus
visitou Sara no tempo determinado por
ele. A esterilidade não impediu, a idade
não impediu, a impossibilidade humana
não impediu. Quando Deus quer salvar,
cumprir sua vontade, nenhuma
impossibilidade humana pode impedir.
Deus falou e a promessa veio. A
existência de Isaque era um testemunho
vivo de que a promessa depende de Deus,
do Deus que chama a existência aquilo
que não existe.
Mas Paulo avança,
porque alguém poderia dizer sim, Ismael
e Isaque tinham mães diferentes, havia
diferenças familiares,
talvez a distinção pudesse ser explicada
por fatores externos. Então, Paulo traz
Rebeca. E aqui o argumento fica ainda
mais estreito dos filhos. Mesmo pai,
mesma mãe, mesma concepção,
mesmo ventre, nenhuma diferença externa
que explicasse a escolha. Jacó e Esaú
não estavam em situações familiares
distintas como Ismael e Isaque. Não
havia um filho da escrava e outro da
livre. Não havia uma diferença de mães.
Não havia um nascido de circunstância
diferente e outro nascido de promessa em
termos familiares aparentes. Eram
gêmeos, concebidos pelo mesmo pai na
mesma mãe, no mesmo período, carregados
no mesmo ventre.
Se Paulo quisesse impedir qualquer fuga
humana, esse exemplo faz exatamente
isso. Porque diante de Jacó e Esaú não
se pode dizer: Deus escolheu por causa
da origem familiar. A origem familiar
era a mesma. Não se pode dizer Deus
escolheu por causa de uma condição
externa superior. A condição externa era
a mesma. Não se pode dizer: "Deus
escolheu porque um já havia demonstrado
algo melhor. Eles ainda não haviam
nascido." Não se pode dizer: Deus
escolheu porque previu obras boas em um
e obras más no outro. Paulo fecha essa
porta explicitamente antes que os gêmeos
nascessem ou fizessem qualquer coisa boa
ou má
antes do nascimento, antes das obras,
antes da obediência, antes da
desobediência.
Antes de qualquer ato visível, antes de
qualquer desempenho moral, antes de
qualquer trajetória histórica, antes que
Jacó pudesse fazer o bem, antes que Esaú
pudesse fazer o mal, Deus declarou: "O
mais velho servirá ao mais novo". E a
escritura afirma: "Amei Jacó, mas odiei
Esaú. Ou amei Jacó, mas rejeitei Esaú".
Essas palavras não foram escritas para
satisfazer nossa curiosidade, foram
escritas para destruir nossa vanglória.
Foram escritas para colocar a graça no
trono e a carne no pó. Foram escritas
para que ninguém pudesse atribuir a si
mesmo a causa final da sua salvação,
para que ninguém pudesse atribuir a si
mesmo a causa final da misericórdia
recebida. O objetivo de Paulo é
explícito para que o propósito de Deus,
conforme a eleição, permanecesse,
não por obras, mas por aquele que chama.
Essa é a chave. Paulo não deixa o leitor
adivinhar. Ele não apresenta Jacó e Esaú
como mero detalhe genealógico.
Ele não usa essa história apenas para
explicar privilégios históricos. Ele
está tratando do propósito de Deus
conforme a eleição. E faz questão de
dizer que esse propósito permanece não
por obras, mas por aquele que chama. A
eleição permanece porque Deus chama, não
porque o homem merece, não porque o
homem corre, não porque o homem deseja
primeiro, não porque o homem se
distingue do outro ou dos outros por si
mesmo, mas porque Deus olhou e eh não
porque Deus olhou para o futuro e
encontrou algo que o obrigasse a
escolher. Isso seria justiça e não
misericórdia. A eleição repousa
naquele que chama. Isso é ofensivo ao
orgulho humano, porque queremos
participar da causa decisiva. Queremos
que haja algo em nós que explique por
fomos salvos, alguma bondade, algo bom
em nós. Queremos que Deus tenha visto
alguma superioridade, alguma ternura,
alguma disposição,
alguma humildade prevista,
alguma fé produzida autonom.
alguma resposta melhor do que a dos
outros.
Queremos que a graça seja graça, mas não
tão gratuita, a ponto de tirar
completamente nossa glória. E o problema
é que a graça não pode ser graça sem ser
completamente gratuita e tirar toda a
nossa glória. Mas Paulo não permite
isso. Ele coloca a escolha antes das
obras, antes do nascimento, antes de
qualquer bem ou mal praticado.
Ele coloca o fundamento só em Deus.
Não no homem, não na carne, não na
linhagem, não no desempenho, não no
mérito previsto, não em obras futuras,
não em superioridade humana, mas naquele
que chama. É a única causa. A eleição
bíblica é livre, soberana e anterior a
qualquer obra humana.
Isso não significa que Jacó fosse
inocente, não é? Em si mesmo, ou que
Esaú fosse condenado sem pecado.
Ah, então agora I Esaú está condenado
mesmo não sendo justo. Não, não é. E nem
que Jacó não merecesse ser condenado.
Ambos eram filhos de Adão. Ambos
pertenciam a uma humanidade caída. Todos
pecaram e foram destituídos da glória de
Deus. Ambos considerados em si mesmos
participavam
de eh eh precisavam
eh como única esperança
de misericórdia.
Deus não viu Jacó como alguém merecedor.
Deus não viu Isaú como alguém
injustiçado.
Se Deus deixasse ambos sob justiça,
ambos seriam justamente condenados.
O espanto não é que Esaú seja rejeitado,
o espanto é que Jacó seja amado. Porque
Jacó não era moralmente atraente. Sua
história mostra fraqueza, engano, medo,
manipulação, luta, astúcia carnal. A
escolha de Jacó não pode ser explicada
por beleza espiritual natural.
Deus não escolheu Jacó porque Jacó era
melhor. Deus escolheu Jacó para mostrar
que a graça não é salário.
Amei Jacó.
Essa frase é misericórdia. Rejeitei
Esaú. Odiei Esaú. Essa frase é justiça
soberana. E diante disso, a criatura
deve calar sua vanglória. O homem
natural reage com indignação porque
imagina que misericórdia é dívida, o
que, como eu disse, é uma contradição de
termos.
Se uma coisa é devida, então é justiça.
Misericórdia é aquilo que quem está
oferecendo não deve a ninguém. Mas
misericórdia não é dívida. Se fosse
dívida, não seria misericórdia. Paulo
diz: Deus não devia a Jacó amor eletivo.
Deus não devia a Esaú misericórdia
salvadora.
Deus não deve salvação a pecadores.
Quando Deus salva, salva por graça.
Quando Deus condena, condena por
justiça. Ninguém receberá injustiça das
mãos de Deus. Alguns receberão
misericórdia imerecida, outros receberão
justiça merecida
e Deus será glorificado em ambas. Essa
verdade deve nos humilhar profundamente.
Se você está em Cristo, a razão final
não está em você, não está na sua
inteligência, não está na sua
sensibilidade, não está na sua decisão
como causa última, não está na sua
família, não está na sua tradição, não
está na sua capacidade de perceber
melhor do que os outros, não está em
alguma obra prevista que tornou você
mais digno do que os outros. Você está
em Cristo porque Deus teve misericórdia.
Porque Deus chamou, porque Deus amou
livremente, porque Deus venceu sua
resistência. Porque Deus deu vida onde
havia morte. Porque Deus abriu os olhos.
Porque Deus tirou o coração de pedra.
Porque Deus o trouxe ao filho. Isso não
mata a responsabilidade humana. Jacó
responderia por seus pecados. Isaú
responderia por seus pecados. Todo homem
responde diante de Deus. Mas a
responsabilidade humana não anula a
eleição divina.
E a eleição divina não se baseia na
responsabilidade cumprida pelo homem. O
propósito de Deus, conforme a eleição,
permanece não por obras, mas por aquele
que chama. A consola aqui. Porque se a
eleição dependesse das obras, ela cairia
com nossas obras. Se dependesse da força
da vontade humana, ela oscilaria com
nossa fraqueza.
Se dependesse da linhagem, excluiria
quem não possui o sangue certo. Se
dependesse do mérito previsto, não era
mais graça, era justiça.
Mas porque depende daquele que chama,
ela permanece. O chamado de Deus não é
frágil. A graça de Deus não é instável.
O propósito de Deus não é condicionado
pela criatura. A misericórdia de Deus
não está debaixo do tribunal humano. Por
isso, a salvação é firme. Não porque o
homem é firme, mas porque Deus é. Não
porque Jacó é digno, mas porque Deus é
livre. Não porque a carne garante a
promessa, mas porque a promessa repousa
no Deus que chama.
Essa doutrina nos coloca no chão e nos
leva à adoração.
Quem entende Jacó e Esaú não pode sair
se gabando, só pode sair tremendo. Só
pode dizer: "Por que eu? Por que
misericórdia sobre mim?
Por graça sobre minha casa? Porque meus
olhos foram abertos? Porque meu coração
foi alcançado?"
E a resposta final não será porque eu
era melhor, será porque Deus teve
misericórdia.
A diferença final entre Jacó e Esaú não
nasceu no ventre, nas obras ou no
sangue, mas no propósito soberano de
Deus.
E
a partir do
verso 15, Paulo continua, pois ele diz a
Moisés: "Terei misericórdia de quem eu
quiser ter misericórdia
e terei compaixão de quem eu quiser ter
compaixão". Portanto, isso não depende
do desejo ou do esforço humano, mas da
misericórdia de Deus.
Pois a escritura diz:
"Eu o levantei exatamente com este
propósito, mostrar em você o meu poder e
fazer que o meu nome seja proclamado em
toda a terra." Portanto, Deus tem
misericórdia de quem ele quer e endurece
a quem ele quer. Reduzir Romanos 9. Há
privilégios nacionais é tentar escapar
do peso do argumento de Paulo. Essa
tentativa não é nova. Quando a escritura
diz que Deus amou Jacó e rejeitou Esaú,
muitos tentam aliviar a força da
afirmação, dizendo: "Paulo não está
falando de indivíduos, está falando
apenas de nações. Jacó seria apenas
Israel, Esaú seria apenas Edom. A
eleição seria apenas uma escolha
histórica de povos para funções
temporais.
O assunto não seria salvação eterna, mas
privilégio nacional. Não seria
misericórdia e endurecimento de pessoas
reais, mas apenas o papel de grupos na
história. Mas o contexto não permite
essa fuga. A pergunta é séria. Paulo
fala de nações ou indivíduos? Claro que
Jacó e Esaú possuem desdobramentos
nacionais. De Jacó vem Israel, de Esaú
vem Edom. A história desses homens se
estende para seus descendentes.
Mas reconhecer isso não resolve o
argumento. Porque antes de serem nomes
de povos, Jacó e Esaú foram pessoas,
homens reais, irmãos reais, filhos
reais, nascidos do mesmo pai e da mesma
mãe. E Paulo não usa a história deles de
modo vago. Ele destaca exatamente o
momento anterior ao nascimento dos dois,
antes de terem feito bem ou mal como
pessoas, para mostrar que a distinção
entre os dois repousa no propósito de
Deus conforme a eleição.
A força do argumento está justamente aí.
Se Paulo quisesse falar apenas de nações
em termos abstratos, por que insistir
que eles ainda não tinham nascido? Por
que destacar que ainda não tinham feito
bem ou mal? Porque enfatizar que eram
filhos do mesmo pai e da mesma mãe?
Porque levar o leitor ao ventre de
Rebeca? Porque ele quer mostrar que a
escolha de Deus não se baseia em obras,
mérito, linhagem superior ou desempenho
humano. Ele está falando de pessoas
reais diante da escolha soberana de
Deus. Alguns tentam dizer que Romanos 9
trata apenas de privilégios históricos,
não de salvação eterna.
Mas o próprio fluxo da carta torna isso
impossível. Romanos 8 fala de salvação
pessoal. Chamados, justificados,
glorificados. Nenhuma condenação,
nenhuma separação do amor de Deus. Paulo
não está tratando de simples funções
históricas quando diz que Deus e eh ele
ele diz que os que chamou também
justificou e os que justificou também
glorificou. Ele está falando de
salvação, de destino eterno, de
segurança dos eleitos, de união com
Cristo, de ausência de condenação.
Nenhuma condenação há de amor
invencível. Então, Romanos 9 surge para
responder a uma pergunta inevitável. Se
Deus prometeu e tantos israelitas
rejeitaram Cristo, a palavra de Deus
falhou?
Essa não é uma pergunta sobre cargos
nacionais apenas, é uma pergunta sobre
salvação. E Romanos 10 confirma isso.
Paulo começa dizendo que o desejo do seu
coração e sua oração a Deus por Israel é
pela salvação deles. Não apenas por
restauração política, não apenas por
função nacional, não apenas por
privilégio histórico. Salvação.
Ele quer que sejam salvos. Ele está
preocupado com a condição eterna dos
seus irmãos. segundo a carne. Portanto,
Romanos 9 está entre Romanos 8 e Romanos
10 contextos carregados de salvação
pessoal. Romanos 8 termina com chamados
justificados, glorificados e
inseparáveis do amor de Deus.
Romanos 10 começa com o desejo de Paulo
pela salvação dos seus irmãos segundo a
carne.
Então, não faz sentido arrancar Romanos
9 desse eixo e reduzi-lo a uma questão
meramente corporativa. Paulo está
falando da fidelidade de Deus em salvar
aqueles que ele chama e também da
liberdade de Deus em não conceder
misericórdia salvadora a todos. Porque
não seria misericórdia. Deus, por
exemplo, com todos os anjos, decidiu
usar só de justiça
e não de misericórdia com todos os anjos
que pecaram. A linguagem de chamado em
Romanos 9 está ligada à salvação. Em
Romanos 8, os chamados são justificados.
Em Romanos 9, o chamado aparece
novamente para explicar a distinção
entre filhos da carne e filhos da
promessa.
Deus chama, Deus distingue, Deus tem
misericórdia, Deus endurece. E esse
chamado não é mero convite externo, é
chamado eficaz, chamado que cumpre o
propósito de Deus. Os que ele chama, ele
justifica, ele glorifica. chamado que
resulta na participação real nas
promessas em Cristo.
A pergunta de Romanos 8 também continua
ecuando: Quem tentará a acusação contra
os eleitos de Deus? Essa eleição está
ligada diretamente à condenação. Quem os
condenará?
A questão não é cargo, privilégio
histórico ou papel nacional. A questão é
culpa, justificação, condenação e
salvação.
Eleitos são aqueles contra quem nenhuma
acusação final prevalecerá porque Deus
os justifica. Esse é o campo teológico
em que Paulo está trabalhando.
Então, quando chegamos a Romanos 9, não
podemos fingir que ele abandonou esse
campo. Ele fala de vasos de ira e vasos
de misericórdia. Essa linguagem, essa
não é
linguagem fraca. Vas ira preparados para
destruição.
Vas de misericórdia preparados de
antemão para glória.
Destruição e glória não são meras
categorias administrativas históricas,
não são apenas privilégios históricos,
não são apenas funções temporais.
Estamos diante de destinos, diante de
misericórdia e ira, diante de salvação e
condenação, diante do oleiro que tem
direito sobre o barro. Moisés, faraó,
Jacó, Esaú, barro, oleiro, vasos, todos
apontam para pessoas reais, não apenas
abstrações nacionais.
Moisés não é uma abstração. Faraó não é
uma abstração. Jacó não é uma abstração.
Esaú não é uma abstração.
O barro representa a criatura diante do
criador, o oleiro. Os vasos representam
objetos reais da ação divina. Vas de
ira, vasos de misericórdia. Paulo não
esconde indivíduos atrás de categorias
vagas. Pelo contrário, ele os coloca
diante de nós para mostrar que Deus
trata com pessoas reais, com almas
reais, com culpa real, com misericórdia
real, com endurecimento real, com
destino
real. A gramática também empurra o
argumento nessa direção. Paulo diz: "De
quem quer, ele tem misericórdia". Ele
tem misericórdia de quem ele quer, não
apenas de quais grupos quer
e a quem quer endurece. Não apenas quais
povos endurece. Não depende do que quer,
nem do que corre. A linguagem se
concentra no indivíduo diante da
misericórdia soberana de Deus. Apesar de
que toda a argumentação nacional não
resolveria nada. Imagine se eu dissesse
que Deus resolveu salvar a nação. Ele
vai salvar a Argentina, mas não o
Brasil. Ora, o que é Argentina senão um
conjunto de pessoas individuais? E o
Brasil, um conjunto de pessoas
individuais. Se Deus escolhesse salvar a
Argentina e salvar e não e usar a sua
justiça apenas com os brasileiros,
os brasileiros são pessoas individuais
que compõem essa grande nação. Isso não
resolve nada, continuaria sendo
individual. A linguagem se concentra no
indivíduo diante da misericórdia
soberana de Deus.
Aquele que quer é um indivíduo. Aquele
que corre, aquele que recebe
misericórdia, não depende do que quer,
não depende do que corre, mas depende
daquele que recebe eh eh da daquele que
usa da sua misericórdia.
Aquele que é endurecido, a ênfase recai
sobre a pessoa diante de Deus, não
apenas sobre uma coletividade abstrata,
apesar de que eu tava dizendo, né, que a
coletividade também é formada por
indivíduos pessoais. Todos os
brasileiros é que formam uma nação.
Dizer que todo o Brasil se perderia,
dizer que todas as pessoas se perderiam,
isso não muda nada. E isso fere o
orgulho humano. Porque enquanto mantemos
a doutrina em categorias distantes,
conseguimos respirar melhor as dações,
povos, papéis históricos, funções
corporativas.
Tudo isso parece menos ameaçador. As
nações não parece pessoas individuais,
mas o que são as nações?
Mas Romanos 9 aproxima a doutrina,
coloca diante da alma, do indivíduo,
mostra que a eleição de Deus não pai
apenas sobre estruturas, mas alcança
pessoas. Não depende de quem quer, nem
de quem corre.
mostra que a misericórdia não é apenas
um princípio geral, mas uma ação
soberana sobre indivíduos culpados. Por
isso é misericórdia e por isso a
condenação não é injustiça. Indivíduos
culpados
mostra que o endurecimento não é apenas
um fenômeno sociológico, mas juízo
divino já sobre pecadores reais.
O homem quer escapar porque sabe que se
Romanos 9 fala de pessoas, então a
criatura perdeu seu trono. Se fala de
pessoas, então a causa final da salvação
não está na vontade humana
ou na sua suposta liberdade, que não é
liberdade se você é escravo da
corrupção, do pecado.
Se fala de pessoas, então a misericórdia
é realmente livre. Se fala de pessoas,
então ninguém pode exigir de Deus o que
Deus concede por graça.
Ele não deve graça, é óbvio, porque
senão graça não era graça, era salário,
né? Ele não deve misericórdia, porque
senão não seria misericórdia, seria
justiça.
Se fala de pessoas, então Deus é Deus,
não apenas sobre povos, nações, mas
sobre cada alma humana.
É por isso que Paulo não disse depende
do que quer. Ele disse que não depende
do que quer. Não diz depende do que
corre, diz que não depende do que corre.
Não diz depende da nação que possui
privilégio. Diz que depende de Deus que
usa de misericórdia.
Isso não anula a responsabilidade
humana. Faraó endureceu seu coração.
Israel tropeçou em Cristo. Os homens
rejeitam a verdade. A mente humana é
inimizade contra Deus.
Pecadores são culpados por sua
incredulidade.
Mas a responsabilidade humana não remove
a soberania divina.
O fato de todos serem culpados, é óbvio,
não remove culpados, então responsáveis,
não remove a soberania divina de usar da
sua misericórdia. Paulo não tenta
proteger a soberania de Deus diminuindo
a culpa humana.
E não tenta proteger a culpa humana
diminuindo a soberania de Deus. Ele
deixa as duas verdades de pé. Deus tem
misericórdia de quem quer e endurece a
quem quer.
O homem responde por seu pecado e Deus
permanece soberano sobre misericórdia e
endurecimento. Essa é a razão pela qual
Romanos 9 não pode ser eh domesticado.
Ele não eh permite que eh transformemos
eleição em uma escolha meramente
nacional sem relação com destinos
eternos. não permite que tratemos a
reprovação como um tema distante. Povos,
nações, não permite que digamos que
Paulo está apenas falando de funções
históricas quando ele está lidando com
salvação, condenação, chamados, eleitos,
vasos de ira e vasos de misericórdia.
A tentativa de reduzir tudo à eleição
corporativa também não resolve o
problema moral que muitos tentam evitar.
Como eu disse, mesmo se Deus escolhesse
nações para privilégios e deixasse
outras sem eles, a pergunta sobre seu
direito soberano continuaria.
Mesmo se a escolha envolvesse povos,
povos são formados por pessoas
individuais. Como eu disse, se Deus
escolhesse a nação argentina e não
escolhesse a nação brasileira, isso são
pessoas individuais, cada brasileiro,
cada argentino. Essa história de povos
não resolve nada. Uma nação não é uma
nuvem abstrata, é composta por
indivíduos reais.
Apesar de haver a nação brasileira, eu,
Josemar, sou um indivíduo real
brasileiro, faço parte dessa nação. Não
é uma abstração. Privilégios nacionais
afetam pessoas. Juízos nacionais caem
sobre pessoas. Chamados históricos
alcançam pessoas.
Mas Paulo vai além disso. Ele fala do
indivíduo que quer, do indivíduo que
corre, do indivíduo que recebe
misericórdia, do indivíduo que é
endurecido,
do vaso de ira, do vaso de misericórdia,
do faraó levantado para que o poder de
Deus fosse mostrado nele,
de Moisés, recebendo a declaração:
"Terei misericórdia de quem eu quiser
ter misericórdia".
E aqui precisamos nos curvar, porque a
escritura não nos dá uma doutrina criada
para preservar nossa sensação
de controle.
Ela nos dá uma doutrina criada para
preservar a glória de Deus. O centro do
argumento não é a autonomia do homem, é
o propósito soberano de Deus. Não é a
vontade da criatura, é a misericórdia do
Criador. Não é o mérito previsto, é por
aquele que chama. Romanos 9 coloca cada
alma diante do oleiro. Isso deve
produzir temor. Não curiosidade fria,
não arrogância doutrinária, não prazer
em controvérsia, temor, temor, temor.
Porque
se dependesse do que quer e do que
corre, ainda tentaríamos apresentar algo
a Deus.
Mas se depende de Deus que usa de
misericórdia, então nossa única
esperança é misericórdia. Não linhagem,
não privilégio, [limpando a garganta]
não esforço, não vontade autônoma, não
pertencimento externo, misericórdia.
O salvo não pode se gloriar. O perdido
não pode acusar Deus de injustiça.
O barro não pode julgar o oleiro. A
criatura não pode corrigir o criador. E
o pregador não pode suavizar o apóstolo.
O que resta é adorar, tremer, clamar e
anunciar Cristo com urgência. Porque o
Deus que tem misericórdia de quem quer é
o mesmo Deus que salva por meio do
evangelho. E o chamado da igreja não é
esconder a soberania de Deus, mas
proclamar Cristo, sabendo que o Senhor
chama eficazmente os seus da vida aos
mortos e cumpre sua palavra.
Romanos 9 não permite esconder pessoas
atrás de categorias nacionais. Deus tem
misericórdia de quem quer e endurece a
quem quer. E
o verso 13 diz como está escrito: "Amei
Jacó, mas odiei a Esaú. Amei Jacó, mas
rejeitei a Esaú". A escritura não pede
permissão às nossas sensibilidades
antes de revelar a liberdade soberana de
Deus. Ela fala. E quando Deus fala, a
criatura deve ouvir, não corrigir,
não suavizar,
não reescrever, não tentar salvar Deus
do escândalo da sua própria palavra.
Romanos 9 nos coloca diante de uma das
frases mais fortes da Bíblia: "Amei
Jacó, mas odiei a Esaú". Paulo não
apresenta essa frase como um detalhe
secundário.
Ele a coloca dentro do argumento central
sobre a fidelidade da palavra de Deus, a
liberdade da eleição e o propósito
soberano do Senhor antes das obras
humanas.
Essa frase não está ali para ser
diminuída, está ali para ser recebida
com temor. Paulo não cita o Antigo
Testamento de modo descuidado.
Ele não pega Malaquias como um texto
isolado, torce seu sentido e o usa de
maneira artificial.
Ele sabe o que está fazendo. Ele sabe
que está diante de uma pergunta enorme.
Se tantos israelitas rejeitaram o
Messias, a palavra de Deus falhou? E a
resposta é: não. Não falhou, porque a
promessa nunca dependeu apenas de
sangue, da natureza, linhagem,
privilégio externo ou descendência
física,
capacidade humana. A promessa sempre
esteve ligada ao propósito eterno de
Deus, sempre esteve ligada à graça
soberana de Deus, sempre esteve ligada
ao chamado eficaz de Deus, sempre esteve
ligada à eleição soberana de Deus. Por
isso Paulo volta a Jacó Esaú, não para
satisfazer curiosidade, mas para mostrar
que Deus sempre foi livre, soberanamente
livre. Em Malaquias, o povo questiona o
amor de Deus. Deus diz: "Eu os amei". E
o povo responde em essência: "Em que nos
amaste?"
É uma pergunta arrogante, uma pergunta
ingrata, uma pergunta que nasce de
corações incapazes de enxergar o favor
imerecido do Senhor.
Graça que cai sobre todos os homens, não
há graça salvífica. Mas o homem não tem
direito mais à vida, ao sol, à água, a
vida, a respiração. E de maneira não
salvífica, Deus a cada dia está usando
de misericórdias sem fim sobre cada
homem. O salário do pecado é a morte. O
homem não tem direito nenhum à vida.
Então Deus responde olhando para Jacó e
Esaú, para aquele povo ingrato lá em
Malaquias. Não era Isaú irmão de Jacó?
Todavia amei Jacó, mas rejeitei Esaú.
Essa resposta é esmagadora, porque Jacó
e Esaú eram irmãos. vieram do mesmo pai,
da mesma mãe, do mesmo ventre, da mesma
concepção. Como vimos humanamente
falando, não havia em Jacó uma dignidade
natural que obrigasse Deus a amá-lo.
Nenhum homem merece ser amado por Deus.
Não havia nele uma superioridade moral
que fizesse da eleição uma recompensa,
justiça, em vez de graça. Não havia nele
uma beleza espiritual autônoma que
atraísse o favor divino.
Jacó não foi amado porque merecia ser
amado, foi amado porque Deus quis amar.
Esse é o ponto. A escolha de Jacó não se
baseou em mérito e a rejeição de Esaú
não foi injustiça.
Se baseia na justiça.
Foi a revelação do direito soberano de
Deus. Deus não olhou para Jacó e
encontrou uma causa final fora dele
mesmo. Deus não olhou para Esaú e
cometeu alguma injustiça contra um
inocente.
Ambos eram filhos de Adão. Ambos
pertenciam à humanidade caída. Ambos
considerados em si mesmos eh eh
precisavam de misericórdia.
Ambos estão dentro de todos pecaram e
destituídos foram da glória de Deus. Se
Deus deixasse os dois debaixo da
justiça, nenhum dos dois poderia
acusá-lo de erro. Por isso, a pergunta
correta não é como Deus pode rejeitar
Esaú?
A pergunta correta é como Deus poôde
amar Jacó. Porque Isaú recebendo justiça
não é nenhum mistério.
Jacó recebendo misericórdia é o orgulho
humano inverte tudo. Nós olhamos para a
reprovação e nos escandalizamos com a
condenação do homem, do pecado,
mas olhamos para a eleição como se fosse
uma obrigação de Deus. Ou seja, o que é
misericia
graça, devia ser justiça. O que é
justiça que é condenação? A gente diz
que tá errado. Imaginamos que Deus
precise explicar porque não salvou
todos. Mas esquecemos que nenhum pecador
tem direito à salvação como nenhum anjo
caído. Se todos pecaram, se todos estão
debaixo da culpa, se todos merecem
condenação, então o espanto não é que
Deus julgue justamente,
o espanto é que Deus salve. Amei Jacó,
isso é graça. Odiei Esaú ou rejeitei
Esaú, isso é justiça.
A gente vê aqui, o que a gente vê aqui é
soberania justa.
E Paulo usa essa verdade para sustentar
que a palavra de Deus não falhou. Porque
Deus nunca prometeu salvar com base em
descendência natural. nunca prometeu que
todos os que pertencem externamente ao
povo da aliança seriam automaticamente
filhos da promessa.
Nunca colocou sua fidelidade debaixo do
sangue humano, da tradição religiosa ou
dos privilégios externos. A palavra
permanece firme porque Deus sempre
salvou segundo seu propósito soberano. É
por isso que a tentativa de tornar
Romanos 9 menos ofensivo acaba
destruindo o argumento do apóstolo. Se
Paulo estivesse apenas dizendo que Deus
escolheu uma nação para privilégios
históricos, o problema de Romanos 9
continuaria sem resposta. Porque a dor
de Paulo não era apenas que Israel havia
perdido uma posição nacional. Sua dor
era que seus irmãos estavam sem
salvação.
Ele fala de grande tristeza e angústia
incessante. Ele deseja a salvação deles.
Ele sabe que rejeitar Cristo é
permanecer debaixo da condenação.
Portanto, Paulo não está lidando com uma
questão leve.
Ele está lidando com salvação e
perdição, com misericórdia e
endurecimento, com vasos de ira e vasos
de misericórdia, com eleição e
reprovação, com o direito absoluto do
absoluto do do oleiro sobre o barro. A
eleição não é baseada em fé prevista. Se
fosse a causa decisiva, estaria no
homem.
Deus apenas observaria o futuro como um
vidente, encontraria aqueles que por si
só se tornaram bons, aceitáveis, sem
Cristo, por si mesmos e então os
escolheria, porque primeiro eles o
escolheriam e eles mesmos teriam sido
bons fora de Cristo. Mas isso transforma
a eleição em reação, transforma a graça
em reconhecimento de mérito, transforma
o chamado de Deus em resposta à
iniciativa humana.
Paulo não diz isso. Ele diz antes que
nascesse, antes que fizessem bem ou mal,
para que o propósito de Deus, conforme a
eleição, permanecesse não por obras, ou
seja, nada pelo que o homem faz,
passado, presente e futuro, mas por
aquele que chama Deus tem um motivo
soberano dentro dele. É segundo o
beneplácito da sua vontade. A eleição
também não é baseada em obras futuras.
Deus não escolheu Jacó porque previu uma
vida mais digna. A história de Jacó,
aliás, não permite essa leitura
romântica. Jacó é marcado por fraquezas,
enganos, medos e lutas. Ele não aparece
como um herói moral, escolhido porque
era naturalmente melhor. Ele aparece
como um pecador alcançado por graça
soberana. Esaú também não pode ser usado
para dizer que Deus apenas reagiu a
obras futuras. Paulo corta essa
explicação pela raiz quando diz que a
declaração veio antes que os gêmeos
fizessem qualquer coisa boa ou má. A
questão não é negar que Esaú seja
culpado por seus pecados. Ele é. A
questão é negar que a escolha divina
depende das obras como fundamento. A
eleição não é baseada em dignidade
humana.
Essa é a morte da vanglória. Ninguém
pode dizer: "Fui escolhido porque havia
algo bom em mim". Ninguém pode dizer:
"Deus viu minha superioridade". Ninguém
pode dizer minha fé, minha vontade,
minha linhagem, minha sensibilidade,
minha disposição, minha religiosidade
explicam a razão final da misericórdia
que recebi. Não. A razão final está em
Deus, é interna. No Deus que chama, no
Deus que ama livremente quem não merece,
no Deus que mostra misericórdia sem
dever misericórdia.
o que seria uma contradição de termos no
Deus que não consulta a criatura para
ser Deus. Se a escolha de Deus fosse
baseada em fé prevista, obras futuras ou
dignidade humana, ela deixaria de ser
graça
e deixaria de ser graça livre. Seria uma
resposta divina a algo encontrado no
homem de bom. Isso seria justiça. A
glória final seria dividida. O salvo
poderia olhar para o condenado e dizer:
"A diferença decisiva entre eu e você
não é Cristo, sou eu". Mas Romanos 9 não
permite isso. A diferença decisiva está
em Deus. Isso humilha, mas também
consola. Humilha porque remove todo o
mérito humano. Consola porque coloca a
salvação sobre um fundamento
que não pode falhar. Se a salvação
repousasse sobre a instabilidade da
vontade humana, ninguém estaria seguro
como seria as coisas.
Se repousasse sobre obras, todos
cairiam.
Se repousasse sobre linhagem, muitos já
estariam excluídos, eu e você, por
exemplo. Se repousasse sobre privilégio
externo, Israel teria sido salvo
automaticamente, porque quem teve
privilégios
na em toda a história que não fosse
Israel, mas ela repousa no propósito de
Deus e Deus não falha. Ele salva segundo
o seu propósito. Ele endurece
justamente.
Ele mostra misericórdia livremente.
Ele permanece Deus. Esse é o ponto que o
homem moderno detesta. Queremos um Deus
governado por nossas categorias.
Queremos um oleiro que presta contas ao
barro. Queremos uma graça que ainda
deixe espaço para o mérito, que não seja
graça, graça, seja justiça, porque nós
fomos melhores. Queremos uma
misericórdia que funcione como direito,
mas o nome disso é justiça e não
misericórdia. Queremos uma eleição que
não nos humilhe demais, mas a escritura
não suaviza o mistério.
Ela não diz: "Amei Jacó porque Jacó era
melhor". Ela não disse: "Rejeitei Isaú
injustamente, porque eu sou mal e ele
era inocente, mas eu vou condená-lo."
Ela não disse: "Escolhi previ mérito".
Ela não diz: "Salvei porque a carne
garantiu,
a natureza humana garantiu." Ele diz:
"Amei Jacó, mas odiei Esaú. Amei Jacó
com amor eletivo, mas rejeitei Esaú.
Diante disso, o homem não se salva por
linhagem. Ser filho de Abraão segundo a
carne? Não bastou. Ser parte externa da
história da aliança não bastou. Ter
sangue religioso não bastou.
Hoje também não basta ter paz cristãos,
tradição cristã, ambiente cristão,
cultura cristã ou vocabulário cristão.
Sangue não justifica, herança religiosa
não substitui
nascimento, novo nascimento.
E Deus e o Espírito Santo regenera que
ele quer. O homem também não se protege
por privilégio religioso. Israel tinha
adoção, glória, alianças, lei, culto,
promessas, patriarcas e o Messias
segundo a carne. E ainda assim, muitos
rejeitaram Cristo. Privilégios aumentam
a responsabilidade. Luz rejeitada
aprofunda a culpa. Conhecer externamente
a verdade e rejeitar interiormente
Cristo é uma condição terrível.
O homem, nenhum homem exige
misericórdia. Misericórdia exigida deixa
de ser misericórdia.
A palavra não faz mais sentido. Você só
pode exigir justiça. O pecador pode
clamar por misericórdia, mas não pode
reivindicar como dívida. Pode suplicar,
mas não pode processar Deus. Pode cair
de joelhos, mas não pode subir ao
tribunal.
Pode dizer: "Tem misericórdia de mim,
pecador". Mas não pode dizer: "Tu és
obrigado a me salvar".
E o homem não julga o olheiro.
Essa é uma das grandes lições de Romanos
9. O homem nem pode dizer: "Tu és
obrigado a dar oportunidade a todos os
homens". A maioria dos homens nem ouviu
lá no Velho Testamento, quem não era de
Israel não ouviu nada.
Aqui na América, antes do evangelho
chegar aqui, todos os que viviram aqui
não ouviram o evangelho.
E muitos que viveram países cristãos
também não ouviram.
E às vezes ouviram um evangelho falso.
Deus não deve nada a ninguém, nem o
ouvir, que dirá uma eh uma resposta como
se todos não tivessem pecado e
destituídos da sua glória. O barro não
corrige a mão que o formou. A criatura
não se coloca acima do criador.
Essa é uma das grandes lições de Romanos
9. O pecador não avalia Deus como se
ocupasse um tribunal mais alto do que
Deus. Quando a escritura fala, nossa
primeira reação não deve ser tentar
tornar Deus aceitável à cultura, deve
ser arrependimento, reverência e
adoração. Reverência porque falamos de
mistérios santos. arrependimento, porque
nosso coração resiste ao direito de Deus
ser Deus.
Adoração, porque a salvação de qualquer
pecador é milagre da graça soberana. A
palavra de Deus não falhou, porque a
salvação nunca pertenceu ao sangue, às
obras ou ao mérito, mas ao Deus que
chama, ama, endurece e tem misericórdia
segundo o conselho da sua vontade e
somente segundo o conselho da sua
vontade. Vamos continuar em outro
momento falando disso, desse assunto
ainda em outros vídeos. Que Deus nos
encha de doxologia, de adoração, a
olharmos a grandeza de Deus e a nossa
pequenez. Que os irmãos fiquem na paz.
Amém.
>> Se tua graça é um dom,
porque ela tem olhos.
Porque ela me olha de volta.
Eu
[música]
tratei tua graça como [canto] conceito,
algo que cabia na minha definição.
Mas ela [música] sangra, ela chama, ela
[canto] invade, ela tem nome e rompe
[música] a abstração.
Não é ideia, é encontro,
não é teoria, [canto]
é presença.
É o infinito se curvando
para habitar minha carência.
E quanto mais eu vejo, [canto] mais eu
deixo de ver a mim.
[música]
Cristo,
a forma invisível da graça em mim. O
indivisível se tornando [música]
assim.
>> [música]
>> Cristo,
não há algo que recebo de ti,
mas o próprio Deus vindo
a mim. [canto]
E quando penso que entendi,
tua graça me desfaz outra vez.
Dá-me graça [música] para sentir o
abismo entre eu e ti. [canto] Não para
me perder nele, mas para te ver descendo
até aqui. Dá-me graça para pedir mesmo
quando a voz falhar, porque até o meu
clamor precisa de ti. Para começar,
dá-me graça para colher o peso eterno do
teu amor [canto] que desmonta o [música]
que eu era e me refaz, meu criador. E
quanto mais [canto] tu cresces, mais eu
aprendo assumir
Cristo,
a graça que me encontra antes de mim,
[canto]
o começo antes do
meu
ser.
>> [canto]
>> Cristo,
a resposta [música]
antes do clamor. O fim de mim, o início
do amor. [grito]
E tudo em mim que quer permanecer é
[música] confrontado pelo [canto]
teu viver. Se até minha fome vem de ti,
[música] então não há parte em mim que
seja livre.
de ti.
Se eu peço, é graça.
Se eu recebo, é graça.
Se eu respiro [canto] em ti,
ainda é graça.
E quando penso que [canto][música] uso
tua graça,
sou eu sendo usado por ela,
Cristo. [música]
A graça que me atravessas
tu, a graça que me reescreve.

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