A Doutrina da Reprovação – O Escândalo de Romanos 9 | Josemar Bessa
26/06/2026
A Doutrina da Reprovação – O Escândalo de Romanos 9 | Josemar Bessa
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Fonte: Josemar Bessa
Legendas automáticas:
Apóstolo Paulo em Romanos 9:22 diz: "E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira preparados paraa destruição." Poucas doutrinas ferem tanto o orgulho humano quanto a verdade de que Deus é soberano também sobre aqueles que permanecem sob sua justiça. Homem caído até aceita falar de Deus, desde que Deus permaneça pequeno bastante para ser julgado por ele. Homem. Aceita um Deus que consola, mas rejeita um Deus que decreta. Aceita um Deus que perdoa, mas se escandaliza com um Deus que condena. Aceita um Deus que oferece misericórdia, mas resiste violentamente a ideia de que esse essa misericórdia seja livre, soberana e não dê vida a ninguém. Nós gostamos de imaginar que a última palavra sobre o destino humano pertence ao homem, a escolha do homem, a vontade do homem, a decisão do homem, a sensibilidade do homem, a justiça imaginada pelo homem. Mas Romanos 9 nos obriga a parar diante de uma verdade mais alta, mais pesada e mais santa. Deus é Deus também quando mostra misericórdia. E Deus é Deus também quando deixa pecadores sobre o rigor da sua justiça. Essa é a doutrina da reprovação. Reprovação é o decreto eterno e incondicional de Deus quanto aos não eleitos. Nesse decreto, Deus escolhe excluir os não eleitos de seus propósitos eletivos de misericórdia e deixá-los responsáveis diante do padrão estrito da justiça. Ele não os trata injustamente. Ele não os condena como inocentes. Ele não pune pessoas que mereciam salvação. Ele não nega a alguém um direito que possuía. Ele simplesmente não concede misericórdia salvadora a todos e deixa alguns receberem aquilo que seus pecados realmente merecem. Isso precisa ser entendido com temor, porque a reprovação não apresenta Deus como injusto, ela apresenta a Deus como justo. O escândalo da Bíblia não é que Deus condenados. O escândalo é que Deus salva culpados. O inferno não exige que Deus deixe de ser bom. A condenação dos ímpios como dos anjos não exige que Deus deixe de ser justo. A punição do pecado não mancha a santidade divina, pelo contrário, manifesta que Deus não trata o mal como algo leve. Quando ele viu o pecado sobre o seu próprio filho como representante, ele derramou sua ira. Deus não olha paraa rebelião com neutralidade. Deus não coloca sua justiça de lado como se pecado fosse pequeno. O que deve nos espantar não é que existam vasos de ira. O que deve nos espantar é que existam vasos de misericórdia. Porque todos pecaram, todos estão debaixo de culpa, todos merecem condenação. A justiça diz culpado sobre todos. Ninguém nasce exigindo graça. Ninguém tem direito natural à eleição. Ninguém pode colocar Deus contra a parede e dizer: "Tu és obrigado a ter misericórdia de mim". Misericórdia obrigada deixa de ser misericórdia. É um eh é um contrassenso. A misericórdia não pode ser obrigada. A misericórdia, o que é obrigado é justiça. Misericórdia é o oposto. Graça exigida deixa de ser graça. Se Deus devesse salvação a todos, então salvação não seria favor e merecido, mas pagamento necessário. Você vê que o pecado é um pagamento. O salário do pecado é a graça, é o salário, é o pagamento, é o justo. Mas é o dom gratuito de Deus é a redenção em Cristo. Mas a escritura não fala como os homens, né? A escritura fala de um Deus que tem misericórdia de quem quer ter misericórdia, porque essa é a definição da palavra. E tem compaixão de quem quer ter compaixão. A reprovação manifesta a glória da ira justa de Deus. Essa frase pode soar dura aos nossos ouvidos, mas é bíblica. Deus não é glorificado apenas em salvar. Ele também é glorificado em julgar o pecado. Sua misericórdia revela algo da sua glória. Sua justiça também revela. Sua paciência revela sua ira santa. Revela seu poder. Revela sua liberdade revela seu direito sobre a criatura. Revela. Romanos 9 fala de vasos de ira. preparados paraa destruição. Essa não é uma linguagem suave, não é uma linguagem moldada para agradar o homem moderno, não é a linguagem adaptada ao sentimentalismo religioso. Paulo nos coloca diante de vasos que existem sob debaixo da ira, destinado à destruição, suportados por Deus com grande paciência para que sua ira seja mostrada e seu poder se torne conhecido. Pedro fala de homens que tropeçam porque desobedecem a mensagem para o que também foram destinados. Judas fala de ímpios que desde muito foram previamente marcados para a condenação. Essas expressões não surgem da especulação humana, não nascem de uma filosofia fria, não são invenções de homens homens interessados em tornar Deus severo. Elas estão na escritura. Elas pertencem ao modo como Deus revelou a si mesmo. E se pertencem à escritura, não temos direito de apagá-las. Podemos tremer. Devemos tremer, mas não podemos negar. A dificuldade aumenta quando lembramos que Deus governa não apenas destinos eternos, mas também a própria história onde pecadores agem. A escritura afirma que tanto o bem quanto a calamidade não estão fora do governo do Senhor. Ela ensina que se há desastre em uma cidade, o Senhor não está ausente do acontecimento. Ela declara que o coração do rei está nas mãos do Senhor como ribeiros de águas e ele o inclina para onde deseja. Isso significa que as forças mais altas da terra não são autônomas. Reis não são soberanos diante de Deus. Governantes não são livres debaixo de si mesmos. Nações não movem a história fora do decreto divino. Calamidades não escapam da mão do Senhor. Desastres não estão fora do seu governo. Até mesmo o coração dos reis, aquele centro interior de decisões, intenções, desejos e planos está debaixo da autoridade de Deus. E há algo ainda mais profundo. Deus governou o crime mais terrível da história, a crucificação de Cristo. Nunca houve pecado maior, nunca houve injustiça mais profunda, nunca houve ato mais perverso do que homens ímpios pregando na cruz o Senhor da glória. Ali a santidade encarnada foi rejeitada, o justo foi condenado, o filho eterno foi entregue nas mãos de pecadores. A criatura levantou a mão contra o criador. O mundo mostrou sua inimizade contra Deus. E ainda assim isso aconteceu segundo o propósito determinado e a preciência de Deus. Os homens foram culpados. Deus permaneceu santo. Os pecadores agiram com maldade. Deus cumpriu redenção. As mãos humanas cravaram os pregos. O conselho eterno de Deus determinou que o cordeiro fosse entregue. Se Deus governou soberanamente a crucificação sem ser autor do pecado, então não podemos limitar sua soberania quando entramos em assuntos mais difíceis. Se Deus é soberano sobre o mal, sobre calamidades, sobre desastres, sobre coração de reis, sobre atos ímpios de pecadores, então sua soberania também alcança os destinos eternos. inclusive os que terminam no inferno. Essa é a atenção que Romanos 9 nos obriga a encarar. Não é um capítulo confortável, não é um texto que permite os homens permanecer no centro, não é uma passagem que deixa a nossa ideia natural de justiça intocada. Romanos 9 arranca o homem do tribunal e coloca Deus no trono. Ele nos impede de tratar a misericórdia como dívida. Ele nos impede de tratar a condenação como injustiça. Ele nos impede de imaginar que o destino eterno dos homens esteja fora da autoridade absoluta do Criador. Por isso, Romanos 9 é uma das passagens mais detalhadas e controversas sobre esse tema. Muitos tentam suavizá-la, alguns tentam desviá-la, outros tentam reduzi-la a privilégios históricos, nações, funções temporais ou meras categorias corporativas, como se Paulo não estivesse tratando de salvação, condenação, misericórdia, endurecimento, vasos de ira e vasos de misericórdia. Mas não temos direito de tornar o texto menos ofensivo do que Deus quis. que fosse. A escritura não pede licença à sensibilidade humana antes de revelar a majestade divina. Ela não adapta a Deus ao gosto da criatura, da criatura caída. Ela não adapta a verdade. Deus não se adapta à criatura nenhuma, nem as que estão no céu. Ela, a Bíblia, não submete esse texto oleiro ao barro. Ela não pergunta se o homem moderno achará aceitável antes de declarar que Deus tem misericórdia de quem quer e endurece a quem quer. Isso não é para as outras gerações. E porque é muito escandaloso para essa a verdade muda e de repente na próxima geração e mais ainda. Mas também não devemos tratar essa doutrina com frieza. Esse é outro erro grave. A reprovação não é um tema para curiosidade mórbida. Não é uma arma para debates vazios. Não é doutrina para endurecer a alma. Não é assunto para ser falado com um sorriso arrogante. Não é combustível para desprezar perdidos. Não é licença para frieza evangelística. Não é base para olhar pecadores como se fossem meras peças de um sistema. A reprovação exige temor, exige reverência, exige lágrimas, exige adoração, exige cuidado com as palavras, exige joelhos dobrados. Estamos falando de Deus e de almas eternas. Estamos falando de misericórdia livre e justiça santa. Estamos falando de céu e inferno. Estamos falando de pecadores culpados. Estamos falando de um Deus que não deve misericórdia a ninguém. Como eu disse, dever misericórdia é uma contradição de termos, mas que salva muitos para louvor da glória da sua graça. Se essa doutrina nos torna arrogantes, nós a entendemos muito mal. Se nos torna indiferentes, nós estamos usando ela muito mal. Se nos tornas frios diante dos perdidos, nós não estamos ouvindo Paulo corretamente. Mas se ela nos faz tremer diante de Deus, abandonar a vanglória humana, agradecer pela misericórdia recebida, pregar com urgência, orar com dependência e adorar o Deus que é justo em condenar e livre em salvar, então começamos a recebê-la como devemos. A pergunta não é se essa doutrina parece aceitável ao homem moderno, mas se a escritura nos dá permissão para negá-la. Não pensemos que a palavra de Deus falhou. Paulo diz em Romanos 9:6, pois nem todos os descendentes de Israel são Israel. Romanos 9 começa, eh, Romanos 9 começa onde Romanos 8 deixa uma pergunta inevitável. Romanos 8 termina nas alturas. É como se Paulo tivesse levado a igreja até o topo da montanha da segurança eterna. E ela, ele começa dizendo: "Agora, portanto, já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus". E termina o capítulo dizendo que nada poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. Nenhuma condenação, nenhuma separação, nenhuma acusação que permaneça contra os eleitos de Deus. Nenhum poder capaz de arrancar os santos das mãos do Senhor. Aqueles que Deus conheceu de antemão também predestinou. Aqueles que predestinou também chamou. Aqueles que chamou também justificou. Aqueles que justificou também glorificou. Essa corrente não se quebra. Ela começa no propósito eterno de Deus e termina na glória final dos santos. Não há nenhum elo fraco. Não há espaço para fracasso. Não há possibilidade de Deus chamar e não justificar. Não há possibilidade de Deus justificar e não glorificar. A salvação do início ao fim repousa sobre a obra invencível de Deus. Paulo então pergunta: "Se Deus é por nós, quem será contra nós? Quem fará acusação contra os escolhidos de Deus? Quem os condenará? Quem nos separará do amor de Cristo? Tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada, nem morte, nem vida, nem anjos. Nem demônios, nem presente, nem futuro, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação. Qualquer coisa na criação poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Isso é segurança gloriosa, isso é consolo [música] para o crente, isso é fundamento para a alma cansada. Mas exatamente nesse ponto surge uma pergunta dolorosa. E Israel, se Deus é tão fiel à suas promessas, o que aconteceu com Israel? Se Deus não perde os que chama, porque tantos israelitas rejeitaram o Messias? Se as promessas de Deus são firmes, por que recebeu tantas promessas permaneceu em grande parte incrédulo diante de Cristo? Essa pergunta não é pequena. Ela nasce naturalmente da própria segurança de Romanos 8. Porque se Deus fez promessas a Israel e Israel rejeitou o Messias, alguém poderia concluir: "Talvez a palavra de Deus tenha falhado." E se a palavra de Deus falhou com Israel, como os cristãos podem descansar nas promessas de Romanos 8? Esse é o peso. A questão não é apenas curiosidade sobre Israel, a questão é a fidelidade de Deus. Se Deus prometeu e falhou ali, como saberemos que não falhará aqui? Se os privilégios de Israel não garantiram a recepção da promessa, como os crentes podem estar seguros de que nada os separará do amor de Deus? Se muitos que pertenciam exatamente ao povo da aliança rejeitaram o Cristo prometido, então a pergunta se e impõe. A promessa de Deus caiu por terra? Paulo responde: "Não pensemos que a palavra de Deus falhou." Essa é a tese. A palavra de Deus não falhou. A incredulidade de Israel não surpreendeu a Deus. A rejeição do Messias por muitos judeus não colocou Deus em crise. A infidelidade humana não destruiu a fidelidade divina. A resistência do homem não derrubou o propósito eterno. O fato de muitos israelitas rejeitado, terem rejeitado Cristo, não significa que Deus prometeu algo e não conseguiu cumprir. Mas Paulo precisa explicar porquê. E é isso que Romanos 9 faz. Romanos 9 não é um desvio, não é uma interrupção, não é um bloco solto colocado entre Romanos 8 e Romanos 10. Não é uma mudança abrupta para um assunto completamente desconectado. Romanos 9 é necessário exatamente porque Romanos 8 foi tão forte. A segurança do crente exige que a fidelidade da palavra de Deus seja defendida diante do drama da incredulidade de Israel. Paulo não está abandonando a salvação, ele está explicando a salvação. Não está saindo do tema da segurança eterna dos santos. está fundamentando a segurança que ele colocou em Romanos 8. Não está deixando a esperança de Romanos 8 para discutir um problema nacional frio e completamente desconectado. Ele está mostrando que a esperança de Romanos 8 permanece firme porque Deus nunca falha em seu chamado, em sua eleição, em sua promessa. Romanos 9 10 e 11 formam uma unidade. Romanos 9 olha para a obra redentiva de Deus no passado, para o propósito soberano de Deus na eleição, para a distinção entre filhos da carne e filhos da promessa, para a liberdade de Deus em amar Jacó e rejeitar Isaú, em ter misericórdia de quem quer e endurecer a quem quer. Romanos 10 mostra a responsabilidade presente de Israel diante do Evangelho. Paulo não nega a culpa humana, não transforma incredulidade em desculpa. Não diz que porque Deus é soberano, Israel não é responsável. Pelo contrário, ele fala da necessidade de crer, invocar o nome do Senhor, ouvir a pregação, responder ao Evangelho. O coração de Paulo continua desejando a salvação deles. Romanos 11 aponta para o futuro de Israel no plano redentivo. Paulo não termina em desespero. Ele mostra que Deus preservou um remanescente segundo a eleição da graça e que seus propósitos para Israel não foram anulados. O endurecimento não é a palavra final de Deus sobre o povo. A história ainda caminha debaixo de um plano soberano. Portanto, o tema central é a fidelidade da palavra de Deus. Isso precisa ser visto com clareza. Israel recebeu promessas. Israel recebeu privilégios. Israel recebeu alianças. Israel recebeu a lei. Israel recebeu o culto, Israel recebeu os patriarcas. Israel recebeu o Messias segundo a carne. Nenhum povo foi tão privilegiado. A adoção como filhos estava ligada a Israel. A glória de Deus se manifestou entre eles. As alianças foram feitas com os patriarcas. A lei foi entregue a eles. O culto foi ordenado entre eles. As promessas foram depositadas em sua história. Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi, os profetas. Tudo isso fazia parte da herança deles. E acima de tudo de Israel veio Cristo segundo a carne. O Messias não apareceu de modo desconectado da história de Israel. Ele veio da linhagem prometida, veio no cumprimento das alianças, veio como descendente de Abraão, veio como filho de Davi, veio como aquele para quem os profetas apontavam, veio como a esperança de Israel. E ainda assim muitos o rejeitaram. Isso é trágico. Trágico porque privilégio externo não salvou. [roncando] Trágico porque proximidade com a revelação bíblica não garantiu fé. Trágico, porque os sinais da aliança não produziram por si mesmos eh novo nascimento. Trágico, porque aqueles que tinham as promessas rejeitaram aquele em quem as promessas encontram cumprimento. Então Paulo precisa mostrar que a falha não está em Deus. A falha não está na palavra de Deus. A falha não está na promessa. A fala a falha está em uma suposição errada. a ideia de que todos os descendentes físicos de Israel eram automaticamente herdeiros espirituais da promessa. Esse será o argumento. Nem todos os que descendem de Israel são Israel. A Israel segundo a carne e a Israel segundo a promessa. Há descendência física e há filhos da promessa. Há privilégio externo e há chamado eficaz. Há pertencimento visível ao povo da aliança e há eleição soberana de Deus. É por isso que Romanos 9 não enfraquece Romanos 8. Ele protege Romanos 8. Porque se a promessa dependesse simplesmente de linhagem, privilégio externo ou pertencimento visível, então a incredulidade de Israel seria um problema insolúvel. Mas se a promessa sempre esteve ligada ao propósito eletivo de Deus, então ela nunca falhou. Deus não prometeu salvar cada israelita individualmente com base apenas em descendência física. Deus sempre salvou segundo a promessa, segundo a graça, segundo o chamado, segundo a eleição. É por isso que a segurança dos crentes permanece firme. Os que Deus chama eficazmente, Deus justifica. Os que Deus justifica, Deus glorifica. A palavra de Deus não depende da força do homem para permanecer de pé. A promessa não é mantida pela fidelidade da criatura. A salvação não repousa sobre sangue, nacionalidade, privilégio religioso ou vontade humana como causa última. Repous em Deus e Deus não falha. Isso é consolo profundo. Porque a eleição não ameaça a segurança do crente. A eleição explica porque a segurança do crente é invencível. Se Deus apenas oferecesse promessas e deixasse o cumprimento final depender da instabilidade humana, ninguém estaria seguro. Se a salvação dependesse como causa última da permanência da vontade humana, Romanos 8 não poderia terminar com tanta certeza. Paulo não poderia dizer que nada nos separará do amor de Deus, mas ele diz porque Deus chama, Deus justifica, Deus guarda, Deus santifica, Deus glorifica, Deus cumpre sua palavra nos que ele chama. A incredulidade de muitos israelitas não prova que Deus falhou, prova que privilégio externo nunca foi o mesmo que eleição interna. Prova que a carne nunca foi suficiente para garantir a promessa, mesmo com muitos privilégios. Prova que a salvação sempre foi mais profunda que descendência, tradição, cultura religiosa e proximidade com coisas santas. A palavra de Deus permanece, a promessa de Deus permanece, o propósito de Deus permanece. Romanos 9 não enfraquece a certeza de Romanos 8. Romanos 9 protege a certeza de que Deus nunca perde aqueles que ele chama. Então Paulo diz: "Digo a verdade em Cristo, não minto. Minha consciência o confirma no Espírito Santo. Tenho grande tristeza e constante angústia em meu coração, pois eu até desejareia ser amaldiçoado e separado de Cristo por amor de meus irmãos, os de minha raça." Quem entende a soberania de Deus corretamente não fala de perdição sem lágrimas. Essa é uma marca indispensável. A doutrina da eleição não transforma o coração em pedra. A verdade da reprovação não autoriza frieza. A soberania de Deus não mata a compaixão. Quando essas verdades são recebidas de modo bíblico, elas não produzem arrogância, arrogância indiferença ou prazer em controvérsia. Elas produzem reverência diante de Deus e dor diante dos homens perdidos. Paulo não entra nesse assunto como um debatedor frio. Ele não fala de eleição e reprovação como quem manipula conceitos sem alma. Ele não abre Romanos 9 com um tom de superioridade, como se estivesse feliz em provar que estava certo e que seus adversários estavam errados. Ele não trata a incredulidade de Israel como mero exemplo doutrinário. Ele não olha para seus compatriotas incrédulos com desprezo. Ele não diz: "Eles rejeitaram". Problema deles. Ele não se esconde atrás da soberania para fugir da compaixão. Ele chora. Antes de apresentar o argumento mais denso sobre a eleição chamado misericórdia, endurecimento, vasos de ira e vasos de misericórdia, Paulo mostra o próprio coração e o coração dele está ferido. Ele começa com uma tríplice afirmação de verdade. Digo a verdade em Cristo, não minto. Minha consciência testifica comigo no Espírito Santo. Essas palavras não estão ali por acaso. Paulo quer deixar claro que sua dor é real. Ele sabe que ao falar da incredulidade de Israel poderia ser acusado de desprezar seu próprio povo. Poderiam dizer que ele abandonou os judeus. poderiam afirmar que sua teologia o tornou hostil a sua própria nação. Poderiam imaginar que ao afirmar a soberania de Deus na salvação, Paulo havia perdido todo o senso de compaixão pela perdição dos seus irmãos segundo a carne. Então, ele chama Cristo como testemunha. Ele afirma que não mente. Ele apela à consciência no Espírito Santo. É como se dissesse: "Deus sabe, Cristo sabe, o Espírito Santo confirma. Eu não falo dessas coisas com leveza. Eu não olho para Israel com indiferença. Eu não trato a perdição como abstração. A dor em mim, a angústia em mim, a tristeza constante em meu coração por eles. Isso precisa corrigir a nossa postura. Há pessoas que defendem doutrinas profundas com um espírito raso. Falam de eleição sem humildade. Falam de reprovação sem tremor, falam de inferno sem lágrimas. Falam de soberania de Deus como se ela fosse uma licença para a dureza, indiferença. Discutem destinos eternos como quem disputa uma tese acadêmica, não como quem contempla almas diante do juízo de Deus. Paulo não faz isso. Ele tem grande tristeza. Não uma tristeza pequena, não um pequeno incômodo, não um incômodo passageiro, não um desconforto leve, grande tristeza. Ele tem dor incessante no coração. Não é uma emoção momentânea, nem algo que aparece apenas quando o assunto surge, é uma angústia contínua, uma ferida espiritual, uma aflição profunda da mente e do próprio espírito, né, diante da condição do seu povo. A incredulidade de Israel pesa sobre Paulo e pesa porque Israel não era um povo qualquer. Eles eram seus irmãos segundo a carne. Eram seus parentes, sua nação, seu povo. O povo que, deixa eu me ajeitar aqui, o povo que recebeu promessas, alianças, lei, culto, patriarcas e o próprio Messias segundo a carne. Eles tinham sido colocados tão perto da luz e ainda assim tantos permaneciam em trevas. Tinham recebido tantos sinais da bondade de Deus e ainda assim rejeitaram aquele para quem todos os sinais apontavam. Isso o esmagava. Isso esmagava Paulo. Paulo não conseguia falar de Israel apenas como categoria teológica. Ele via rostos, via irmãos, via sinagogas, via famílias. via homens e mulheres que conheciam a lei, ouviam os profetas, aguardavam o Messias e ainda assim tropeçavam no Cristo crucificado. A dor dele, de Paulo, não era sentimentalismo sem verdade, era compaixão formada pela verdade. Ele sabia que Israel sem Cristo estava perdido. Sabia que privilégio religioso não salva. Sabia que descendência física não justifica. Sabia que possuir a lei não remove condenação. Sabia que participar da história externa da aliança não substitui fé no Messias. Sabia que rejeitar Cristo é permanecer debaixo da ira. Por isso, sua dor era tão intensa, porque Paulo desejava a salvação dos judeus. Não apenas sua restauração política, não apenas sua recuperação nacional, não apenas seu retorno à Terra, não apenas sua relevância histórica, ele queria sua salvação. Isso é decisivo. Paulo não está preocupado apenas com o destino sociológico de uma nação. Ele está preocupado com almas. Ele não diz: "Meu desejo é que Israel recupere prestígio". Ele não diz: "Meu desejo é que Israel seja restaurado". externamente enquanto permanece sem Cristo. Não. Sua dor é espiritual, seu desejo é salvífico. Ele quer vê-los reconciliados com Deus, quer vê-los recebendo Messias, quer vê-los participando da justiça que vem pela fé. quer vê-los livres da condenação, quer vê-los em Cristo. Porque não basta Israel ter privilégios se permanece incrédulo. Não basta ter a lei se não tem o cordeiro. Não basta ter o templo se rejeita aquele em quem Deus habita corporalmente. Não basta ter os patriarcas senão crer no descendente prometido aos patriarcas. Não basta carregar o nome de povo de Deus se o coração rejeita o filho de Deus. A maior tragédia religiosa é estar cercado de privilégios santos e permanecer perdido. Paulo sente isso e então diz algo quase insuportável de ler. Ele desejaria ser amaldiçoado, separado de Cristo por amor aos seus irmãos segundo a carne. Essas palavras revelam a profundidade da sua compaixão. Ele fala como alguém disposto, se fosse possível, a sofrer a maldição em lugar deles. Ele expressam um desejo de substituição. Ele olha para seus irmãos perdidos e sente uma dor tão grande que chega ao limite da linguagem humana. Eu mesmo desejaria ser separado de Cristo por amor deles. Mas Paulo sabe que isso é impossível. Ele não tem como ter uma perdição vicária. Primeiro porque há apenas um substituto verdadeiro, Cristo. Nenhum apóstolo pode ocupar o lugar do cordeiro salvando pecadores. Nenhum pregador pode carregar a maldição salvadora em favor de pecadores. Nenhum homem, por mais piedoso, pode se oferecer como redenção eficaz por outros. O mediador entre Deus e os homens é um só, o homem Cristo Jesus. Só ele pode tomar sobre si a maldição. Só ele pode ser feito pecado por nós. Só ele pode sofrer a ira de Deus sem ter pecado próprio. Só ele poôde morrer pelos ímpios e ressuscitar para eles serem justificados. Paulo pode desejar a salvação de Israel. Pode orar, pode pregar, pode sofrer, pode chorar, pode gastar sua vida, mas não pode ser o Cristo deles. Há somente um substituto. E esse substituto já veio. Segundo, Paulo sabe que nenhum crente pode ser separado de Cristo. Ele acabou de dizer isso em Romanos 8, que nada poderá separar os santos do amor de Deus que está em Cristo Jesus. nem morte, nem vida, nem anjos, nem demônios, nem o presente, nem nada que vai acontecer no futuro, nem qualquer outra coisa na criação. Então, quando ele diz que desejaria ser separado de Cristo, ele não está afirmando que isso seja possível. Ele está expressando, ele quer usar palavras para expressar a intensidade da sua dor dentro dos limites de uma impossibilidade teológica. Ele não pode ser separado de Cristo, mas ele sente a perdição dos seus irmãos com uma intensidade que o leva a falar assim. Isso é compaixão. Não uma compaixão fraca que nega a soberania de Deus. Não uma compaixão sentimental que abandona a verdade para tentar incluir alguém. Não uma compaixão mundana que suaviza a condenação para parecer bondosa, mas compaixão bíblica, uma compaixão que sabe que Deus é soberano e ainda assim ora. Sabe que há eleição e ainda assim evangeliza a todos. Sabe que Deus endurece a quem quer e ainda assim chora pelos endurecidos. Sabe que a salvação depende da misericórdia soberana divina e ainda assim suplica pela salvação dos homens. Isso corrige duas caricaturas. A primeira é a caricatura dos inimigos da soberania, que dizem que essa doutrina mata evangelismo, oração e compaixão. Paulo prova o contrário. Ninguém falou com mais clareza sobre eleição soberana e poucos demonstraram tanta dor pelos perdidos e se gastaram para pregar o evangelho como Paulo. A soberania de Deus não o tornou frio, tornou-o dependente, não o tornou passivo, tornou-o missionário, não matou sua compaixão, purificou sua compaixão de sentimentalismo vazio que nega a verdade de Deus. A segunda é a caricatura dos que dizem crer na soberania, mas a usam para justificar sua indiferença. Paulo também os corrige. Se sua teologia o tornou incapaz de chorar por perdidos, sua teologia não está moldada pelo espírito apostólico. que sua doutrina o tornou impaciente com os fracos, soberbo diante dos confusos, indiferente diante dos incrédulos, você pode ter palavras corretas, mas não tem a postura de Paulo. A soberania de Deus deve produzir coragem para falar a verdade e lágrimas para falar essa verdade aos homens. deve produzir firmeza diante da Escritura e também compaixão diante das almas. Deve produzir adoração diante do decreto eterno e urgência diante da perdição. Paulo sabe que Deus é soberano, sabe que a palavra de Deus não falhou, sabe que nem todos os descendentes de Israel são Israel. Sabe que há filhos da carne e filhos da promessa. Sabe que Deus escolheu Jacó e rejeitou Esaú antes das obras. E mesmo assim seu coração está em angústia. Porque soberania não mata amor, ela mata orgulho, mata autoconfiança. Ela mata a ideia de que podemos salvar alguém por nossa própria força ou a nós mesmos, mas não mata a compaixão. Pelo contrário, a verdadeira soberania nos leva a clamar ao único Deus que pode salvar quem ele quiser. Se o homem estivesse apenas moralmente confuso, talvez bastasse nós argumentarmos melhor. Se estivesse apenas mal informado, talvez bastasse explicar mais. Mas se está morto em pecados, cego, culpado e dependente da misericórdia soberana, então devemos pregar e orar com todo fervor, porque só Deus pode salvar. E Deus salva por meio do evangelho. Por isso, a doutrina que não faz chorar pelos perdidos ainda não desceu do monte para eh a oração e não desceu da mente para o coração. Então, em Romanos 9, no verso 4, ele diz: "Deles é a adoção de filhos. Deles é a glória divina, as alianças, a concessão da lei, a adoração no tempo e as promessas. Deles são os patriarcas e a partir deles se traça a linhagem humana de Cristo, que é Deus, acima de tudo, bendito para sempre. Amém. Nenhum povo esteve mais preparado externamente para receber o Messias do que Israel. E ainda assim, muitos o rejeitaram. Esse é o peso de Romanos 9. Paulo não está falando de um povo que viveu nas trevas sem testemunho, sem revelação, sem história, sem promessas, sem sinais, sem culto, sem profetas, sem escritura. Ele está falando do povo que recebeu privilégios incomparáveis entre todos os povos. O povo que foi separado entre as nações. O povo que carregou a história da aliança. O povo que viu Deus agir, ouviu Deus falar, recebeu Deus em promessas, leis, sinais e sombras. E ainda assim, muitos rejeitaram Cristo. Essa é a tragédia. Não uma tragédia pequena, não uma tragédia meramente nacional, uma tragédia espiritual, porque todos aqueles privilégios apontavam para o Messias, para Cristo. Toda aquela história caminhava para Cristo. Toda aquela preparação tinha um alvo. A adoção, a glória, as alianças, a lei, o culto, as promessas, os patriarcas, tudo convergia para aquele que viria segundo a carne. E quando ele veio, muitos não receberam. Israel tinha adoção com filhos, não mesmo sentido pleno da adoção final dos crentes em Cristo, mas no sentido de ter sido chamado de filho entre as nações. Deus tirou Israel do Egito como um pai resgata seu filho. Chamou aquele povo para uma relação de aliança, deu-lhe nome, identidade, privilégio, responsabilidade e proximidade. Israel não era apenas mais uma nação perdida entre as nações. Era um povo chamado para pertencer ao Senhor de maneira especial. Mas ser chamado externamente de filho da aliança não significava por si só ter o coração regenerado. Havia privilégio, mas privilégio não é novo nascimento. Israel tinha glória. A glória de Deus se manifestou entre eles. nuvem, o fogo, a presença no tabernáculo, a majestade do Senhor enchendo o templo, a realidade visível eh de que Deus habitava no meio daquele povo de modo singular. Nenhuma outra nação recebeu essa honra. Nenhum outro povo viu a glória divina ligada à sua história de modo ou do modo como Israel viu. Mas você vê vê sinais da glória não é o mesmo que amar o Deus da glória. É possível estar perto de manifestações santas e permanecer com o coração endurecido. É possível ver o mar se abrir e ainda desejar o Egito. É possível comer maná e murmurar. É possível estar diante da nuvem e do fogo e ainda assim construir bezerros de ouro no coração. A glória esteve entre eles, mas muitos não creram no Senhor da glória quando ele veio. Israel tinha alianças, aliança com Abraão, as promessas feitas aos patriarcas, a história da descendência da terra da bênção, a aliança no Sinai com mandamentos, responsabilidades e sangue, a aliança davídica com a a promessa de um rei, todo o tecido da história israelita estava costurado por compromissos divinos. Deus falava, prometia, jurava, estabelecia, preservava. Mas estar externamente ligado às alianças não significa estar interiormente unido a Cristo. Aliança externa pode ser car um homem de privilégios e ainda assim seu coração permanecer longe de Deus, incircunciso de coração. O selo externo não salva sim a realidade interna. A marca visível não substitui a fé. O pertencimento histórico não cria vida espiritual automaticamente. Israel tinha lei. A lei foi dada a esse povo. Deus revelou seu padrão santo, mostrou sua vontade, separou Israel moralmente das nações. Enquanto os povos andavam em trevas, Israel possuía mandamentos santos, justos e bons. tinha luz objetiva, tinha instrução, tinha direção, tinha privilégio de ouvir o Deus vivo dizer: "Assim devez viver". Mas conhecer a lei não justifica. Possuir a lei não transforma o coração. Ouvir mandamentos não significa obedecer por fé. A lei revela pecado. A lei condena transgressores. A lei aponta para a necessidade de justiça perfeita. A lei mostra que o homem precisa de algo mais profundo do que instrução externa. Precisa de redenção, expiação, propiciação, novo coração, espírito, Messias. Israel tinha lei, mas muitos rejeitaram aquele que cumpriu a lei para resgatarem justos. Israel tinha o culto, tinha sacrifícios, tinha sacerdócio, tinha tempo, tinha ritos prescritos, tinha festas, tinha liturgia dada por Deus, tinha adoração organizada segundo o mandamento divino. Nada disso era pequeno. O culto israelita não era invenção humana. Deus mesmo havia ordenado formas, mediações, sacrifícios e cerimônias. Tudo aquilo ensinava que o pecado exige sangue, que o homem não se aproxima de Deus de qualquer maneira ou baseado em qualquer justiça própria, que é preciso mediação, que a santidade de Deus é perigosa para pecadores não cobertos por expiação e propiciação. Mas o culto era sombra, Cristo é a realidade. Os sacrifícios simplesmente apontavam para o cordeiro. O sacerdote apontava para o mediador. O templo apontava para a presença de Deus em Cristo. O sangue dos animais apontava para o sangue precioso do filho. E quando a realidade chegou, muitos preferiram as sombras. Isso é terrível, porque é possível estar cercado de práticas religiosas corretas e não enxergar Cristo. É possível repetir ritos, frequentar culto, ouvir leitura bíblica, participar de solenidades e permanecer perdido. O culto externo sem fé no Messias não salva. A forma correta, sem coração rendido a Cristo, não redime. Israel tinha as promessas, promessas de descendência, promessas de bênção, promessas de terra, promessas de restauração, promessas de reino, promessas de Messias, promessas de salvação. Desde Gênesis 3:15, a promessa do descendente que esmagaria a cabeça da serpente atravessa a história bíblica. Ela passa por Abraão, Isaque, Jacó, Judá, Davi, os profetas. Israel vivia debaixo de uma história carregada de expectativa. O Messias viria, o rei viria, o Senhor sofreria, o Redentor chegaria, a promessa se cumpriria e se cumpriu. Mas muitos rejeitaram o cumprimento. Tinham a promessa e não receberam o prometido. Tinham a expectativa e tropeçaram na chegada. Tinham as escrituras e não reconheceram. aquele de quem as escrituras falavam. Israel tinha os patriarcas, Abraão, Isaque, Jacó, os pais da promessa, os nomes que marcavam a identidade daquele povo. A história de Israel não começou de modo comum, começou com chamado soberano, promessa divina, nascimento impossível, preservação providencial. Abraão foi chamado da idolatria. Abraão adorava a Lua até os 75 anos. Não estava buscando Deus. Isaque nasceu pela promessa. Jacó foi escolhido pela graça. Os patriarcas eram testemunhas de que Israel existia por iniciativa divina e não por nenhuma iniciativa humana. Mas descendência dos patriarcas não salva. Ter Abraão como pai segundo a carne não significa ter a fé de Abraão no coração. Ser filho natural não significa ser filho da promessa. A linhagem pode carregar privilégios, mas não pode produzir regeneração. O sangue pode ligar alguém a uma história religiosa, mas não pode reconciliar alguém com Deus. E por fim, de Israel veio Cristo segundo a carne. Aqui está o maior privilégio. O Messias veio deles. O filho eterno assumiu natureza humana dentro da história de Israel. A palavra se fez carne no povo que recebeu as promessas. Jesus não apareceu sem ligação com a aliança. Ele veio como descendente de Abraão, veio [roncando] como filho de Davi, veio da linhagem prometida, veio dentro da história que Deus havia preparado. Cristo é o ápice dos privilégios de Israel. Exatamente por isso, a rejeição de Cristo é a maior tragédia de Israel. Porque eles não rejeitaram apenas um mestre, não rejeitaram apenas um profeta, não rejeitaram apenas um reformador, rejeitaram o cumprimento da sua própria esperança. Rejeitaram aquele para quem a adoção, a glória, as alianças, a lei, o culto, as promessas e os patriarcas apontavam. Isso nos confronta porque privilégio religioso não salva, tradição não salva, linhagem não salva, conhecimento externo da palavra não salva, contato com coisas santas não salva ter a Bíblia, não salva ter culto, não salva ter família piedosa, não salva ter história religiosa não salva crescer em ambiente cristão não é o mesmo que nascer de Deus. Essa, esse é um alerta urgente. Há pessoas que vivem perto das coisas de Deus e confundem proximidade com conversão, confundem ambiente cristão com vida espiritual, confundem tradição familiar com fé salvadora, confundem conhecimento bíblico com novo nascimento, confundem participação no culto com união com Cristo. Mas ninguém é salvo por estar perto da verdade. É preciso crer na verdade. Ninguém é salvo por ouvir sobre Cristo. É preciso estar em Cristo. Ninguém é salvo por carregar privilégios externos. É preciso receber misericórdia. Ninguém é salvo porque sua história está cercada de religião. É preciso nascer do espírito. Israel prova que os maiores privilégios externos podem coexistir com incredulidade profunda. Prova que a luz rejeitada aumenta a culpa. Prova que quanto mais clara a revelação, mais grave a rejeição. Prova que estar cercado de coisas santas não salva o coração que permanece sem fé no Santo de Deus. Portanto, examine-se. Você tem Bíblia, mas tem Cristo. Você tem culto, mas tem fé. Você tem tradição, mas tem novo nascimento. Você tem linguagem cristã, mas tem arrependimento. Você conhece doutrina, mas conhece o Salvador. Você vive perto das promessas, mas abraçou o prometido. maior privilégio religioso se torna condenação mais pesada quando Cristo é conhecido externamente e rejeitado interiormente. Deixa eu beber esses dias eu tô com eu tô de novo com gripe, né, essas coisas assim. Agora volta e meio, eu tenho, né? É idade. Então, Romanos 9 verso 6, Paulo disse que não pensemos que a palavra de Deus falhou, pois nem todos os descendentes de Israel são Israel. Nem por serem descendentes de Abraão, passaram todos a ser filhos de Abraão. Ao contrário, por bem de Isaque, a sua descendência será considerada. No palavras, não são os filhos naturais que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que são considerados descendência de Abraão. A incredulidade dos homens nunca transforma a promessa de Deus em fracasso. Essa é a resposta de Paulo. Depois de olhar paraa dor da incredulidade de Israel, depois de confessar sua grande tristeza e sua angústia incessante, depois de listar os privilégios incomparáveis daquele povo, Paulo não conclui que Deus falhou. Ele não diz que a promessa foi forte demais para ser cumprida. Não diz que a fidelidade humana conseguiu quebrar a fidelidade divina. Não diz que o pecado do homem deixou Deus sem resposta. Ele diz: "Não pensemos que a palavra de Deus falhou". Essa frase precisa permanecer firme. A palavra de Deus não caiu. A promessa de Deus não desmoronou. O plano de Deus não foi frustrado. A incredulidade de muitos israelitas não pegou o Senhor de surpresa. A rejeição do Messias por grande parte de Israel não significa que Deus prometeu algo e não conseguiu realizar. A tragédia da da da incredulidade, ela é real. A culpa humana é real. A dor de Paulo é real. Sua angústia é real. Mas a fidelidade de Deus permanece intacta. O problema não está na palavra de Deus. O problema está em uma falsa suposição humana. A falsa suposição é esta, pensar que todos os descendentes físicos de Israel eram automaticamente herdeiros espirituais da promessa. Essa era a segurança enganosa. Somos descendentes de Abraão. Pertencemos ao povo da aliança. Temos a lei, temos os patriarcas, temos as promessas, temos a história, temos os sinais externos. Mas Paulo corta essa falsa confiança pela raiz. Nem todos os descendentes de Israel são Israel. Essa frase é pesada. Ela faz uma distinção dentro do próprio Israel. A Israel segundo a carne e a Israel segundo a promessa. A descendência física e a descendência espiritual. Há pertencimento externo ao povo da aliança e há pertencimento real ao povo salvo pela graça soberana de Deus. Nem todos os que carregavam o nome de Israel pertenciam no sentido salvífico ao Israel da promessa. Nem todos os que descendiam biologicamente dos patriarcas eram filhos de Deus. Nem todos os que tinham ligação histórica com Abraão possuiam a fé de Abraão. Nem todos os que estavam dentro da comunidade visível estavam dentro do propósito eletivo da graça. Isso não significa negar um futuro para Israel. Não é substituição simplista. Não é Paulo dizendo que Israel deixou de importar na história redentiva. O próprio desenvolvimento posterior mostra que há propósito futuro de Deus relacionado a Israel. O ponto aqui não é apagar Israel. O ponto é corrigir a falsa ideia de que a linhagem física por si só garante salvação. Paulo está distinguindo entre Israel físico e os eleitos dentro de Israel, entre aqueles que pertencem externamente à descendência histórica de Abraão e aqueles que pertencem espiritualmente à promessa, entre filhos da carne e filhos da promessa, entre Ismael e Isaque. Essa distinção sempre existiu, não começou no tempo de Paulo, não surgiu depois da rejeição de Cristo. Não foi uma explicação criada para remediar um problema novo. Desde o princípio, a promessa de Deus nunca foi entregue automaticamente a todo descendente natural. Deus sempre distinguiu, Deus sempre chamou, Deus sempre separou a linhagem da promessa por sua própria palavra. Paulo traz Abraão. E esse exemplo é decisivo, porque se alguém poderia pensar que descendência física garante herança espiritual, deveria olhar para a própria casa de Abraão. Abraão teve mais de um filho. Israel descendia de Abraão. Ismael era filho natural de Abraão. Havia sangue de Abraão em Ismael. Havia ligação biológica real. Mas a promessa não veio por Ismael. A promessa veio por Isaque. Por meio de Isaque, a sua descendência será considerada. Essa frase mostra que a promessa não segue simplesmente o fluxo natural do sangue. A promessa é determinada por Deus. A descendência prometida é divinamente separada da descendência natural. O filho da carne não é automaticamente filho da promessa. A linhagem biológica pode explicar origem humana, mas não explica herança espiritual. Ismael era filho de Abraão, mas não era filho da promessa. Isaque também era filho de Abraão, mas Isaque nasceu por promessa. Essa diferença não foi estabelecida por mérito humana por Isaque ou por Ismael. não foi criada [limpando a garganta] por superioridade natural. Ismael não era eh Isaque não era superior a Ismael naturalmente. Não foi baseada em capacidade espiritual, não foi decidida por costumes familiares. Foi Deus quem disse por meio de Isaque. A promessa veio porque Deus prometeu. A promessa permaneceu porque Deus a sustentou. A promessa avançou porque Deus chamou. A questão ponto. Os filhos da carne não são automaticamente filhos de Deus. Isso derruba toda segurança meramente externa. Ser descendente natural de Abraão não bastava. Ser membro visível do povo de Israel não bastava. Ter conexão histórica com a aliança. Não bastava ter privilégios religiosos e conhecimentos. Não bastava. Os filhos da promessa são considerados descendência. Não todos os filhos naturais, mas os filhos da promessa. Isso significa que a verdadeira descendência no sentido salvífico é definida pela promessa de Deus, não pela carne, pela humanidade, pela graça, não pelo sangue, pelo chamado eficaz, não pela linhagem, pela eleição, não por privilégio externo. A promessa sempre foi pela graça, sempre foi por chamado, sempre foi por eleição, nunca foi por mera descendência física ou a carne. Essa verdade protege a fidelidade de Deus, porque se Deus tivesse prometido salvar todos os descendentes físicos de Israel, sem exceção, então, a incredulidade de muitos israelitas, pareceria uma falha da promessa. Mas essa nunca foi a promessa. Essa nunca foi a promessa. Nesses termos. Deus nunca vinculou a salvação ao simples fato de alguém nascer dentro da linhagem física ou ter aqueles privilégios. Desde Abraão havia filhos naturais que não eram filhos da promessa. A palavra não falhou. A suposição humana é que estava errada. A promessa não caiu. A interpretação carnal da promessa é que precisava ser corrigida. Isso tem implicações profundas. Primeiro, mostra que Deus nunca foi refém da carne. Deus não é obrigado pela linhagem humana. Ele não deve misericórdia a alguém porque se alguém nasceu em determinada família, povo, cultura ou tradição. A graça não corre automaticamente no sangue. A salvação não é transmitida como herança biológica. O novo nascimento não é produzido por sobrenome, genealogia, nacionalidade ou ambiente religioso. Segundo, mostra que o privilégio externo pode aproximar alguém das coisas santas sem produzir vida espiritual. Ismael estava dentro da casa de Abraão, conviveu com o pai da fé, estava perto das promessas, tinha contato com o ambiente da aliança, mas o filho da promessa era Isaque. Isso deve fazer tremer todo aquele que confia apenas em proximidade religiosa. Estar perto de coisas santas não é o mesmo que pertencer ao Deus santo. Crescer ouvindo a verdade não é o mesmo que nascer de Deus. Ter pais piedosos não é o mesmo que ter fé. Viver no meio do povo de Deus não é o mesmo que ser filho da promessa. Ter a carne de Abraão não salvou Ismael. Ter os privilégios de Israel não salvou os incrédulos. Ter ambiente cristão não salva ninguém hoje. Ter Bíblia em casa não salva. Ter linguagem evangélica não salva. Ter tradição reformada não salva. Ter conhecimento doutrinário não salva. Ter contato com o povo de Deus não salva. É preciso ser chamado pela graça. É preciso crer no Cristo prometido, no evangelho da graça soberana. É preciso nascer do espírito. Terceiro, isso mostra que a promessa de Deus sempre foi mais profunda do que o homem pensava, do que o homem imaginava. O homem tende a olhar para fora ou para o homem. Deus olha para o propósito eterno dele mesmo. O homem conta descendentes, Deus chama filhos da promessa. O homem confia no sangue, na natureza humana, Deus salva pela graça soberana. O homem presume privilégio. Deus distingue soberanamente. Por isso Paulo não está envergonhado da doutrina da eleição. Ele a usa para defender a palavra de Deus. Ele está dizendo: "A promessa não falhou porque a promessa nunca dependeu da carne. A promessa não falhou porque Deus sempre teve um povo dentro do povo visível. A promessa não falhou, porque todos os filhos da promessa serão chamados, guardados e salvos segundo o propósito eterno de Deus. Esse é o consolo. Deus não perde os seus. A incredulidade de muitos não anula a salvação dos eleitos. A rejeição humana não desfaz o chamado divino. A infidelidade visível de muitos dentro da comunidade da aliança não significa fracasso da graça, significa que nem todos os que pertencem exteriormente pertencem interiormente. Nem todos os que têm nome, rito, tradição e linhagem tem fé. Nem todos os que estão perto da promessa são filhos da promessa. Isso também é advertência. Não descanse em privilégios externos. Não diga: "Eu cresci na igreja". Não diga: "Minha família é cristã". Não diga: "Eu conheço doutrina". Não diga: "Eu frequento culto, não diga: "Eu pertenço ao povo visível". Pergunte: "Sou filho da promessa. Creio no Cristo prometido como prometido por Deus, como um dom. Fui alcançado pela graça. Meu coração foi trazido a Deus. Minha confiança está em Cristo ou nos meus privilégios. Suposto livre arbítrio. Fui eu que me diferenciei dos outros ou Deus me diferenciou? Porque a carne pode carregar nome religioso e continuar perdida. A linhagem pode carregar história santa e continuar sem fé. A proximidade com a aliança pode aumentar a responsabilidade de quem rejeita o Cristo da aliança. Mas para os que creem, a firmeza. A palavra de Deus não falha. A promessa de Deus não falha. O chamado de Deus não falha. A graça de Deus não falha. O propósito de Deus não falha. A promessa de Deus não cai por terra quando os homens rejeitam Cristo. Ela permanece firme nos filhos que Deus chama pela graça. E aí quando a gente chega no versículo 11, Paulo diz: "Todavia, antes que os gêmeos nascessem ou fizessem qualquer coisa boa ou má, a fim de que o propósito de Deus, conforme a eleição, permanecesse, não por obras, mas por aquele que chama, foi dito a ela: "O mais velho servirá ao mais novo." Como está escrito: "Amei Jacó, mas odiei a Esaú ou rejeitei a Esaú. Antes que Jacó pudesse obedecer e antes que Esaú pudesse pecar, Deus já havia declarado o seu propósito. Esse é o ponto que Paulo coloca diante de nós. Ele não permite que a escolha de Deus seja explicada pelo mérito humano, previsto, visto, visto no futuro, para que eh a promessa seja pela graça, pela escolha de Deus. Ele não permite que a eleição seja reduzida. A linhagem natural não permite que a promessa seja transformada em recompensa por obras previstas. Não permite que o homem olhe para si mesmo e diga: "A razão final da minha salvação está em mim". Paulo está defendendo que a palavra de Deus não falhou. E para provar isso, ele mostra que a promessa nunca caminhou automaticamente pela carne. A salvação nunca foi garantida pela descendência natural, pela força da carne, pela força humana, pela força natural. Deus sempre distinguiu, Deus sempre chamou, Deus sempre separou os filhos da promessa dos filhos da carne, segundo o seu próprio propósito eterno. Primeiro ele olha para Sara. A promessa veio a Isaque porque Deus prometeu. Não foi apenas descendência natural, foi promessa. Abraão teve Ismael. Ismael era seu filho segundo a carne. Havia descendência biológica real, havia ligação familiar real, mas a promessa não seria contada por Ismael. Deus disse: "Por meio de Isaque, a sua descendência será considerada". Isso já bastaria para derrubar a falsa segurança baseada no sangue. Nem todo filho natural de Abraão era filho da promessa. Nem todo descendente físico era herdeiro espiritual. Nem toda proximidade com o patriarca garantia a participação no propósito salvífico de Deus. A promessa veio porque Deus prometeu soberanamente em Isaque. Isaque nasceu porque Deus visitou Sara no tempo determinado por ele. A esterilidade não impediu, a idade não impediu, a impossibilidade humana não impediu. Quando Deus quer salvar, cumprir sua vontade, nenhuma impossibilidade humana pode impedir. Deus falou e a promessa veio. A existência de Isaque era um testemunho vivo de que a promessa depende de Deus, do Deus que chama a existência aquilo que não existe. Mas Paulo avança, porque alguém poderia dizer sim, Ismael e Isaque tinham mães diferentes, havia diferenças familiares, talvez a distinção pudesse ser explicada por fatores externos. Então, Paulo traz Rebeca. E aqui o argumento fica ainda mais estreito dos filhos. Mesmo pai, mesma mãe, mesma concepção, mesmo ventre, nenhuma diferença externa que explicasse a escolha. Jacó e Esaú não estavam em situações familiares distintas como Ismael e Isaque. Não havia um filho da escrava e outro da livre. Não havia uma diferença de mães. Não havia um nascido de circunstância diferente e outro nascido de promessa em termos familiares aparentes. Eram gêmeos, concebidos pelo mesmo pai na mesma mãe, no mesmo período, carregados no mesmo ventre. Se Paulo quisesse impedir qualquer fuga humana, esse exemplo faz exatamente isso. Porque diante de Jacó e Esaú não se pode dizer: Deus escolheu por causa da origem familiar. A origem familiar era a mesma. Não se pode dizer Deus escolheu por causa de uma condição externa superior. A condição externa era a mesma. Não se pode dizer: "Deus escolheu porque um já havia demonstrado algo melhor. Eles ainda não haviam nascido." Não se pode dizer: Deus escolheu porque previu obras boas em um e obras más no outro. Paulo fecha essa porta explicitamente antes que os gêmeos nascessem ou fizessem qualquer coisa boa ou má antes do nascimento, antes das obras, antes da obediência, antes da desobediência. Antes de qualquer ato visível, antes de qualquer desempenho moral, antes de qualquer trajetória histórica, antes que Jacó pudesse fazer o bem, antes que Esaú pudesse fazer o mal, Deus declarou: "O mais velho servirá ao mais novo". E a escritura afirma: "Amei Jacó, mas odiei Esaú. Ou amei Jacó, mas rejeitei Esaú". Essas palavras não foram escritas para satisfazer nossa curiosidade, foram escritas para destruir nossa vanglória. Foram escritas para colocar a graça no trono e a carne no pó. Foram escritas para que ninguém pudesse atribuir a si mesmo a causa final da sua salvação, para que ninguém pudesse atribuir a si mesmo a causa final da misericórdia recebida. O objetivo de Paulo é explícito para que o propósito de Deus, conforme a eleição, permanecesse, não por obras, mas por aquele que chama. Essa é a chave. Paulo não deixa o leitor adivinhar. Ele não apresenta Jacó e Esaú como mero detalhe genealógico. Ele não usa essa história apenas para explicar privilégios históricos. Ele está tratando do propósito de Deus conforme a eleição. E faz questão de dizer que esse propósito permanece não por obras, mas por aquele que chama. A eleição permanece porque Deus chama, não porque o homem merece, não porque o homem corre, não porque o homem deseja primeiro, não porque o homem se distingue do outro ou dos outros por si mesmo, mas porque Deus olhou e eh não porque Deus olhou para o futuro e encontrou algo que o obrigasse a escolher. Isso seria justiça e não misericórdia. A eleição repousa naquele que chama. Isso é ofensivo ao orgulho humano, porque queremos participar da causa decisiva. Queremos que haja algo em nós que explique por fomos salvos, alguma bondade, algo bom em nós. Queremos que Deus tenha visto alguma superioridade, alguma ternura, alguma disposição, alguma humildade prevista, alguma fé produzida autonom. alguma resposta melhor do que a dos outros. Queremos que a graça seja graça, mas não tão gratuita, a ponto de tirar completamente nossa glória. E o problema é que a graça não pode ser graça sem ser completamente gratuita e tirar toda a nossa glória. Mas Paulo não permite isso. Ele coloca a escolha antes das obras, antes do nascimento, antes de qualquer bem ou mal praticado. Ele coloca o fundamento só em Deus. Não no homem, não na carne, não na linhagem, não no desempenho, não no mérito previsto, não em obras futuras, não em superioridade humana, mas naquele que chama. É a única causa. A eleição bíblica é livre, soberana e anterior a qualquer obra humana. Isso não significa que Jacó fosse inocente, não é? Em si mesmo, ou que Esaú fosse condenado sem pecado. Ah, então agora I Esaú está condenado mesmo não sendo justo. Não, não é. E nem que Jacó não merecesse ser condenado. Ambos eram filhos de Adão. Ambos pertenciam a uma humanidade caída. Todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus. Ambos considerados em si mesmos participavam de eh eh precisavam eh como única esperança de misericórdia. Deus não viu Jacó como alguém merecedor. Deus não viu Isaú como alguém injustiçado. Se Deus deixasse ambos sob justiça, ambos seriam justamente condenados. O espanto não é que Esaú seja rejeitado, o espanto é que Jacó seja amado. Porque Jacó não era moralmente atraente. Sua história mostra fraqueza, engano, medo, manipulação, luta, astúcia carnal. A escolha de Jacó não pode ser explicada por beleza espiritual natural. Deus não escolheu Jacó porque Jacó era melhor. Deus escolheu Jacó para mostrar que a graça não é salário. Amei Jacó. Essa frase é misericórdia. Rejeitei Esaú. Odiei Esaú. Essa frase é justiça soberana. E diante disso, a criatura deve calar sua vanglória. O homem natural reage com indignação porque imagina que misericórdia é dívida, o que, como eu disse, é uma contradição de termos. Se uma coisa é devida, então é justiça. Misericórdia é aquilo que quem está oferecendo não deve a ninguém. Mas misericórdia não é dívida. Se fosse dívida, não seria misericórdia. Paulo diz: Deus não devia a Jacó amor eletivo. Deus não devia a Esaú misericórdia salvadora. Deus não deve salvação a pecadores. Quando Deus salva, salva por graça. Quando Deus condena, condena por justiça. Ninguém receberá injustiça das mãos de Deus. Alguns receberão misericórdia imerecida, outros receberão justiça merecida e Deus será glorificado em ambas. Essa verdade deve nos humilhar profundamente. Se você está em Cristo, a razão final não está em você, não está na sua inteligência, não está na sua sensibilidade, não está na sua decisão como causa última, não está na sua família, não está na sua tradição, não está na sua capacidade de perceber melhor do que os outros, não está em alguma obra prevista que tornou você mais digno do que os outros. Você está em Cristo porque Deus teve misericórdia. Porque Deus chamou, porque Deus amou livremente, porque Deus venceu sua resistência. Porque Deus deu vida onde havia morte. Porque Deus abriu os olhos. Porque Deus tirou o coração de pedra. Porque Deus o trouxe ao filho. Isso não mata a responsabilidade humana. Jacó responderia por seus pecados. Isaú responderia por seus pecados. Todo homem responde diante de Deus. Mas a responsabilidade humana não anula a eleição divina. E a eleição divina não se baseia na responsabilidade cumprida pelo homem. O propósito de Deus, conforme a eleição, permanece não por obras, mas por aquele que chama. A consola aqui. Porque se a eleição dependesse das obras, ela cairia com nossas obras. Se dependesse da força da vontade humana, ela oscilaria com nossa fraqueza. Se dependesse da linhagem, excluiria quem não possui o sangue certo. Se dependesse do mérito previsto, não era mais graça, era justiça. Mas porque depende daquele que chama, ela permanece. O chamado de Deus não é frágil. A graça de Deus não é instável. O propósito de Deus não é condicionado pela criatura. A misericórdia de Deus não está debaixo do tribunal humano. Por isso, a salvação é firme. Não porque o homem é firme, mas porque Deus é. Não porque Jacó é digno, mas porque Deus é livre. Não porque a carne garante a promessa, mas porque a promessa repousa no Deus que chama. Essa doutrina nos coloca no chão e nos leva à adoração. Quem entende Jacó e Esaú não pode sair se gabando, só pode sair tremendo. Só pode dizer: "Por que eu? Por que misericórdia sobre mim? Por graça sobre minha casa? Porque meus olhos foram abertos? Porque meu coração foi alcançado?" E a resposta final não será porque eu era melhor, será porque Deus teve misericórdia. A diferença final entre Jacó e Esaú não nasceu no ventre, nas obras ou no sangue, mas no propósito soberano de Deus. E a partir do verso 15, Paulo continua, pois ele diz a Moisés: "Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão". Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus. Pois a escritura diz: "Eu o levantei exatamente com este propósito, mostrar em você o meu poder e fazer que o meu nome seja proclamado em toda a terra." Portanto, Deus tem misericórdia de quem ele quer e endurece a quem ele quer. Reduzir Romanos 9. Há privilégios nacionais é tentar escapar do peso do argumento de Paulo. Essa tentativa não é nova. Quando a escritura diz que Deus amou Jacó e rejeitou Esaú, muitos tentam aliviar a força da afirmação, dizendo: "Paulo não está falando de indivíduos, está falando apenas de nações. Jacó seria apenas Israel, Esaú seria apenas Edom. A eleição seria apenas uma escolha histórica de povos para funções temporais. O assunto não seria salvação eterna, mas privilégio nacional. Não seria misericórdia e endurecimento de pessoas reais, mas apenas o papel de grupos na história. Mas o contexto não permite essa fuga. A pergunta é séria. Paulo fala de nações ou indivíduos? Claro que Jacó e Esaú possuem desdobramentos nacionais. De Jacó vem Israel, de Esaú vem Edom. A história desses homens se estende para seus descendentes. Mas reconhecer isso não resolve o argumento. Porque antes de serem nomes de povos, Jacó e Esaú foram pessoas, homens reais, irmãos reais, filhos reais, nascidos do mesmo pai e da mesma mãe. E Paulo não usa a história deles de modo vago. Ele destaca exatamente o momento anterior ao nascimento dos dois, antes de terem feito bem ou mal como pessoas, para mostrar que a distinção entre os dois repousa no propósito de Deus conforme a eleição. A força do argumento está justamente aí. Se Paulo quisesse falar apenas de nações em termos abstratos, por que insistir que eles ainda não tinham nascido? Por que destacar que ainda não tinham feito bem ou mal? Porque enfatizar que eram filhos do mesmo pai e da mesma mãe? Porque levar o leitor ao ventre de Rebeca? Porque ele quer mostrar que a escolha de Deus não se baseia em obras, mérito, linhagem superior ou desempenho humano. Ele está falando de pessoas reais diante da escolha soberana de Deus. Alguns tentam dizer que Romanos 9 trata apenas de privilégios históricos, não de salvação eterna. Mas o próprio fluxo da carta torna isso impossível. Romanos 8 fala de salvação pessoal. Chamados, justificados, glorificados. Nenhuma condenação, nenhuma separação do amor de Deus. Paulo não está tratando de simples funções históricas quando diz que Deus e eh ele ele diz que os que chamou também justificou e os que justificou também glorificou. Ele está falando de salvação, de destino eterno, de segurança dos eleitos, de união com Cristo, de ausência de condenação. Nenhuma condenação há de amor invencível. Então, Romanos 9 surge para responder a uma pergunta inevitável. Se Deus prometeu e tantos israelitas rejeitaram Cristo, a palavra de Deus falhou? Essa não é uma pergunta sobre cargos nacionais apenas, é uma pergunta sobre salvação. E Romanos 10 confirma isso. Paulo começa dizendo que o desejo do seu coração e sua oração a Deus por Israel é pela salvação deles. Não apenas por restauração política, não apenas por função nacional, não apenas por privilégio histórico. Salvação. Ele quer que sejam salvos. Ele está preocupado com a condição eterna dos seus irmãos. segundo a carne. Portanto, Romanos 9 está entre Romanos 8 e Romanos 10 contextos carregados de salvação pessoal. Romanos 8 termina com chamados justificados, glorificados e inseparáveis do amor de Deus. Romanos 10 começa com o desejo de Paulo pela salvação dos seus irmãos segundo a carne. Então, não faz sentido arrancar Romanos 9 desse eixo e reduzi-lo a uma questão meramente corporativa. Paulo está falando da fidelidade de Deus em salvar aqueles que ele chama e também da liberdade de Deus em não conceder misericórdia salvadora a todos. Porque não seria misericórdia. Deus, por exemplo, com todos os anjos, decidiu usar só de justiça e não de misericórdia com todos os anjos que pecaram. A linguagem de chamado em Romanos 9 está ligada à salvação. Em Romanos 8, os chamados são justificados. Em Romanos 9, o chamado aparece novamente para explicar a distinção entre filhos da carne e filhos da promessa. Deus chama, Deus distingue, Deus tem misericórdia, Deus endurece. E esse chamado não é mero convite externo, é chamado eficaz, chamado que cumpre o propósito de Deus. Os que ele chama, ele justifica, ele glorifica. chamado que resulta na participação real nas promessas em Cristo. A pergunta de Romanos 8 também continua ecuando: Quem tentará a acusação contra os eleitos de Deus? Essa eleição está ligada diretamente à condenação. Quem os condenará? A questão não é cargo, privilégio histórico ou papel nacional. A questão é culpa, justificação, condenação e salvação. Eleitos são aqueles contra quem nenhuma acusação final prevalecerá porque Deus os justifica. Esse é o campo teológico em que Paulo está trabalhando. Então, quando chegamos a Romanos 9, não podemos fingir que ele abandonou esse campo. Ele fala de vasos de ira e vasos de misericórdia. Essa linguagem, essa não é linguagem fraca. Vas ira preparados para destruição. Vas de misericórdia preparados de antemão para glória. Destruição e glória não são meras categorias administrativas históricas, não são apenas privilégios históricos, não são apenas funções temporais. Estamos diante de destinos, diante de misericórdia e ira, diante de salvação e condenação, diante do oleiro que tem direito sobre o barro. Moisés, faraó, Jacó, Esaú, barro, oleiro, vasos, todos apontam para pessoas reais, não apenas abstrações nacionais. Moisés não é uma abstração. Faraó não é uma abstração. Jacó não é uma abstração. Esaú não é uma abstração. O barro representa a criatura diante do criador, o oleiro. Os vasos representam objetos reais da ação divina. Vas de ira, vasos de misericórdia. Paulo não esconde indivíduos atrás de categorias vagas. Pelo contrário, ele os coloca diante de nós para mostrar que Deus trata com pessoas reais, com almas reais, com culpa real, com misericórdia real, com endurecimento real, com destino real. A gramática também empurra o argumento nessa direção. Paulo diz: "De quem quer, ele tem misericórdia". Ele tem misericórdia de quem ele quer, não apenas de quais grupos quer e a quem quer endurece. Não apenas quais povos endurece. Não depende do que quer, nem do que corre. A linguagem se concentra no indivíduo diante da misericórdia soberana de Deus. Apesar de que toda a argumentação nacional não resolveria nada. Imagine se eu dissesse que Deus resolveu salvar a nação. Ele vai salvar a Argentina, mas não o Brasil. Ora, o que é Argentina senão um conjunto de pessoas individuais? E o Brasil, um conjunto de pessoas individuais. Se Deus escolhesse salvar a Argentina e salvar e não e usar a sua justiça apenas com os brasileiros, os brasileiros são pessoas individuais que compõem essa grande nação. Isso não resolve nada, continuaria sendo individual. A linguagem se concentra no indivíduo diante da misericórdia soberana de Deus. Aquele que quer é um indivíduo. Aquele que corre, aquele que recebe misericórdia, não depende do que quer, não depende do que corre, mas depende daquele que recebe eh eh da daquele que usa da sua misericórdia. Aquele que é endurecido, a ênfase recai sobre a pessoa diante de Deus, não apenas sobre uma coletividade abstrata, apesar de que eu tava dizendo, né, que a coletividade também é formada por indivíduos pessoais. Todos os brasileiros é que formam uma nação. Dizer que todo o Brasil se perderia, dizer que todas as pessoas se perderiam, isso não muda nada. E isso fere o orgulho humano. Porque enquanto mantemos a doutrina em categorias distantes, conseguimos respirar melhor as dações, povos, papéis históricos, funções corporativas. Tudo isso parece menos ameaçador. As nações não parece pessoas individuais, mas o que são as nações? Mas Romanos 9 aproxima a doutrina, coloca diante da alma, do indivíduo, mostra que a eleição de Deus não pai apenas sobre estruturas, mas alcança pessoas. Não depende de quem quer, nem de quem corre. mostra que a misericórdia não é apenas um princípio geral, mas uma ação soberana sobre indivíduos culpados. Por isso é misericórdia e por isso a condenação não é injustiça. Indivíduos culpados mostra que o endurecimento não é apenas um fenômeno sociológico, mas juízo divino já sobre pecadores reais. O homem quer escapar porque sabe que se Romanos 9 fala de pessoas, então a criatura perdeu seu trono. Se fala de pessoas, então a causa final da salvação não está na vontade humana ou na sua suposta liberdade, que não é liberdade se você é escravo da corrupção, do pecado. Se fala de pessoas, então a misericórdia é realmente livre. Se fala de pessoas, então ninguém pode exigir de Deus o que Deus concede por graça. Ele não deve graça, é óbvio, porque senão graça não era graça, era salário, né? Ele não deve misericórdia, porque senão não seria misericórdia, seria justiça. Se fala de pessoas, então Deus é Deus, não apenas sobre povos, nações, mas sobre cada alma humana. É por isso que Paulo não disse depende do que quer. Ele disse que não depende do que quer. Não diz depende do que corre, diz que não depende do que corre. Não diz depende da nação que possui privilégio. Diz que depende de Deus que usa de misericórdia. Isso não anula a responsabilidade humana. Faraó endureceu seu coração. Israel tropeçou em Cristo. Os homens rejeitam a verdade. A mente humana é inimizade contra Deus. Pecadores são culpados por sua incredulidade. Mas a responsabilidade humana não remove a soberania divina. O fato de todos serem culpados, é óbvio, não remove culpados, então responsáveis, não remove a soberania divina de usar da sua misericórdia. Paulo não tenta proteger a soberania de Deus diminuindo a culpa humana. E não tenta proteger a culpa humana diminuindo a soberania de Deus. Ele deixa as duas verdades de pé. Deus tem misericórdia de quem quer e endurece a quem quer. O homem responde por seu pecado e Deus permanece soberano sobre misericórdia e endurecimento. Essa é a razão pela qual Romanos 9 não pode ser eh domesticado. Ele não eh permite que eh transformemos eleição em uma escolha meramente nacional sem relação com destinos eternos. não permite que tratemos a reprovação como um tema distante. Povos, nações, não permite que digamos que Paulo está apenas falando de funções históricas quando ele está lidando com salvação, condenação, chamados, eleitos, vasos de ira e vasos de misericórdia. A tentativa de reduzir tudo à eleição corporativa também não resolve o problema moral que muitos tentam evitar. Como eu disse, mesmo se Deus escolhesse nações para privilégios e deixasse outras sem eles, a pergunta sobre seu direito soberano continuaria. Mesmo se a escolha envolvesse povos, povos são formados por pessoas individuais. Como eu disse, se Deus escolhesse a nação argentina e não escolhesse a nação brasileira, isso são pessoas individuais, cada brasileiro, cada argentino. Essa história de povos não resolve nada. Uma nação não é uma nuvem abstrata, é composta por indivíduos reais. Apesar de haver a nação brasileira, eu, Josemar, sou um indivíduo real brasileiro, faço parte dessa nação. Não é uma abstração. Privilégios nacionais afetam pessoas. Juízos nacionais caem sobre pessoas. Chamados históricos alcançam pessoas. Mas Paulo vai além disso. Ele fala do indivíduo que quer, do indivíduo que corre, do indivíduo que recebe misericórdia, do indivíduo que é endurecido, do vaso de ira, do vaso de misericórdia, do faraó levantado para que o poder de Deus fosse mostrado nele, de Moisés, recebendo a declaração: "Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia". E aqui precisamos nos curvar, porque a escritura não nos dá uma doutrina criada para preservar nossa sensação de controle. Ela nos dá uma doutrina criada para preservar a glória de Deus. O centro do argumento não é a autonomia do homem, é o propósito soberano de Deus. Não é a vontade da criatura, é a misericórdia do Criador. Não é o mérito previsto, é por aquele que chama. Romanos 9 coloca cada alma diante do oleiro. Isso deve produzir temor. Não curiosidade fria, não arrogância doutrinária, não prazer em controvérsia, temor, temor, temor. Porque se dependesse do que quer e do que corre, ainda tentaríamos apresentar algo a Deus. Mas se depende de Deus que usa de misericórdia, então nossa única esperança é misericórdia. Não linhagem, não privilégio, [limpando a garganta] não esforço, não vontade autônoma, não pertencimento externo, misericórdia. O salvo não pode se gloriar. O perdido não pode acusar Deus de injustiça. O barro não pode julgar o oleiro. A criatura não pode corrigir o criador. E o pregador não pode suavizar o apóstolo. O que resta é adorar, tremer, clamar e anunciar Cristo com urgência. Porque o Deus que tem misericórdia de quem quer é o mesmo Deus que salva por meio do evangelho. E o chamado da igreja não é esconder a soberania de Deus, mas proclamar Cristo, sabendo que o Senhor chama eficazmente os seus da vida aos mortos e cumpre sua palavra. Romanos 9 não permite esconder pessoas atrás de categorias nacionais. Deus tem misericórdia de quem quer e endurece a quem quer. E o verso 13 diz como está escrito: "Amei Jacó, mas odiei a Esaú. Amei Jacó, mas rejeitei a Esaú". A escritura não pede permissão às nossas sensibilidades antes de revelar a liberdade soberana de Deus. Ela fala. E quando Deus fala, a criatura deve ouvir, não corrigir, não suavizar, não reescrever, não tentar salvar Deus do escândalo da sua própria palavra. Romanos 9 nos coloca diante de uma das frases mais fortes da Bíblia: "Amei Jacó, mas odiei a Esaú". Paulo não apresenta essa frase como um detalhe secundário. Ele a coloca dentro do argumento central sobre a fidelidade da palavra de Deus, a liberdade da eleição e o propósito soberano do Senhor antes das obras humanas. Essa frase não está ali para ser diminuída, está ali para ser recebida com temor. Paulo não cita o Antigo Testamento de modo descuidado. Ele não pega Malaquias como um texto isolado, torce seu sentido e o usa de maneira artificial. Ele sabe o que está fazendo. Ele sabe que está diante de uma pergunta enorme. Se tantos israelitas rejeitaram o Messias, a palavra de Deus falhou? E a resposta é: não. Não falhou, porque a promessa nunca dependeu apenas de sangue, da natureza, linhagem, privilégio externo ou descendência física, capacidade humana. A promessa sempre esteve ligada ao propósito eterno de Deus, sempre esteve ligada à graça soberana de Deus, sempre esteve ligada ao chamado eficaz de Deus, sempre esteve ligada à eleição soberana de Deus. Por isso Paulo volta a Jacó Esaú, não para satisfazer curiosidade, mas para mostrar que Deus sempre foi livre, soberanamente livre. Em Malaquias, o povo questiona o amor de Deus. Deus diz: "Eu os amei". E o povo responde em essência: "Em que nos amaste?" É uma pergunta arrogante, uma pergunta ingrata, uma pergunta que nasce de corações incapazes de enxergar o favor imerecido do Senhor. Graça que cai sobre todos os homens, não há graça salvífica. Mas o homem não tem direito mais à vida, ao sol, à água, a vida, a respiração. E de maneira não salvífica, Deus a cada dia está usando de misericórdias sem fim sobre cada homem. O salário do pecado é a morte. O homem não tem direito nenhum à vida. Então Deus responde olhando para Jacó e Esaú, para aquele povo ingrato lá em Malaquias. Não era Isaú irmão de Jacó? Todavia amei Jacó, mas rejeitei Esaú. Essa resposta é esmagadora, porque Jacó e Esaú eram irmãos. vieram do mesmo pai, da mesma mãe, do mesmo ventre, da mesma concepção. Como vimos humanamente falando, não havia em Jacó uma dignidade natural que obrigasse Deus a amá-lo. Nenhum homem merece ser amado por Deus. Não havia nele uma superioridade moral que fizesse da eleição uma recompensa, justiça, em vez de graça. Não havia nele uma beleza espiritual autônoma que atraísse o favor divino. Jacó não foi amado porque merecia ser amado, foi amado porque Deus quis amar. Esse é o ponto. A escolha de Jacó não se baseou em mérito e a rejeição de Esaú não foi injustiça. Se baseia na justiça. Foi a revelação do direito soberano de Deus. Deus não olhou para Jacó e encontrou uma causa final fora dele mesmo. Deus não olhou para Esaú e cometeu alguma injustiça contra um inocente. Ambos eram filhos de Adão. Ambos pertenciam à humanidade caída. Ambos considerados em si mesmos eh eh precisavam de misericórdia. Ambos estão dentro de todos pecaram e destituídos foram da glória de Deus. Se Deus deixasse os dois debaixo da justiça, nenhum dos dois poderia acusá-lo de erro. Por isso, a pergunta correta não é como Deus pode rejeitar Esaú? A pergunta correta é como Deus poôde amar Jacó. Porque Isaú recebendo justiça não é nenhum mistério. Jacó recebendo misericórdia é o orgulho humano inverte tudo. Nós olhamos para a reprovação e nos escandalizamos com a condenação do homem, do pecado, mas olhamos para a eleição como se fosse uma obrigação de Deus. Ou seja, o que é misericia graça, devia ser justiça. O que é justiça que é condenação? A gente diz que tá errado. Imaginamos que Deus precise explicar porque não salvou todos. Mas esquecemos que nenhum pecador tem direito à salvação como nenhum anjo caído. Se todos pecaram, se todos estão debaixo da culpa, se todos merecem condenação, então o espanto não é que Deus julgue justamente, o espanto é que Deus salve. Amei Jacó, isso é graça. Odiei Esaú ou rejeitei Esaú, isso é justiça. A gente vê aqui, o que a gente vê aqui é soberania justa. E Paulo usa essa verdade para sustentar que a palavra de Deus não falhou. Porque Deus nunca prometeu salvar com base em descendência natural. nunca prometeu que todos os que pertencem externamente ao povo da aliança seriam automaticamente filhos da promessa. Nunca colocou sua fidelidade debaixo do sangue humano, da tradição religiosa ou dos privilégios externos. A palavra permanece firme porque Deus sempre salvou segundo seu propósito soberano. É por isso que a tentativa de tornar Romanos 9 menos ofensivo acaba destruindo o argumento do apóstolo. Se Paulo estivesse apenas dizendo que Deus escolheu uma nação para privilégios históricos, o problema de Romanos 9 continuaria sem resposta. Porque a dor de Paulo não era apenas que Israel havia perdido uma posição nacional. Sua dor era que seus irmãos estavam sem salvação. Ele fala de grande tristeza e angústia incessante. Ele deseja a salvação deles. Ele sabe que rejeitar Cristo é permanecer debaixo da condenação. Portanto, Paulo não está lidando com uma questão leve. Ele está lidando com salvação e perdição, com misericórdia e endurecimento, com vasos de ira e vasos de misericórdia, com eleição e reprovação, com o direito absoluto do absoluto do do oleiro sobre o barro. A eleição não é baseada em fé prevista. Se fosse a causa decisiva, estaria no homem. Deus apenas observaria o futuro como um vidente, encontraria aqueles que por si só se tornaram bons, aceitáveis, sem Cristo, por si mesmos e então os escolheria, porque primeiro eles o escolheriam e eles mesmos teriam sido bons fora de Cristo. Mas isso transforma a eleição em reação, transforma a graça em reconhecimento de mérito, transforma o chamado de Deus em resposta à iniciativa humana. Paulo não diz isso. Ele diz antes que nascesse, antes que fizessem bem ou mal, para que o propósito de Deus, conforme a eleição, permanecesse não por obras, ou seja, nada pelo que o homem faz, passado, presente e futuro, mas por aquele que chama Deus tem um motivo soberano dentro dele. É segundo o beneplácito da sua vontade. A eleição também não é baseada em obras futuras. Deus não escolheu Jacó porque previu uma vida mais digna. A história de Jacó, aliás, não permite essa leitura romântica. Jacó é marcado por fraquezas, enganos, medos e lutas. Ele não aparece como um herói moral, escolhido porque era naturalmente melhor. Ele aparece como um pecador alcançado por graça soberana. Esaú também não pode ser usado para dizer que Deus apenas reagiu a obras futuras. Paulo corta essa explicação pela raiz quando diz que a declaração veio antes que os gêmeos fizessem qualquer coisa boa ou má. A questão não é negar que Esaú seja culpado por seus pecados. Ele é. A questão é negar que a escolha divina depende das obras como fundamento. A eleição não é baseada em dignidade humana. Essa é a morte da vanglória. Ninguém pode dizer: "Fui escolhido porque havia algo bom em mim". Ninguém pode dizer: "Deus viu minha superioridade". Ninguém pode dizer minha fé, minha vontade, minha linhagem, minha sensibilidade, minha disposição, minha religiosidade explicam a razão final da misericórdia que recebi. Não. A razão final está em Deus, é interna. No Deus que chama, no Deus que ama livremente quem não merece, no Deus que mostra misericórdia sem dever misericórdia. o que seria uma contradição de termos no Deus que não consulta a criatura para ser Deus. Se a escolha de Deus fosse baseada em fé prevista, obras futuras ou dignidade humana, ela deixaria de ser graça e deixaria de ser graça livre. Seria uma resposta divina a algo encontrado no homem de bom. Isso seria justiça. A glória final seria dividida. O salvo poderia olhar para o condenado e dizer: "A diferença decisiva entre eu e você não é Cristo, sou eu". Mas Romanos 9 não permite isso. A diferença decisiva está em Deus. Isso humilha, mas também consola. Humilha porque remove todo o mérito humano. Consola porque coloca a salvação sobre um fundamento que não pode falhar. Se a salvação repousasse sobre a instabilidade da vontade humana, ninguém estaria seguro como seria as coisas. Se repousasse sobre obras, todos cairiam. Se repousasse sobre linhagem, muitos já estariam excluídos, eu e você, por exemplo. Se repousasse sobre privilégio externo, Israel teria sido salvo automaticamente, porque quem teve privilégios na em toda a história que não fosse Israel, mas ela repousa no propósito de Deus e Deus não falha. Ele salva segundo o seu propósito. Ele endurece justamente. Ele mostra misericórdia livremente. Ele permanece Deus. Esse é o ponto que o homem moderno detesta. Queremos um Deus governado por nossas categorias. Queremos um oleiro que presta contas ao barro. Queremos uma graça que ainda deixe espaço para o mérito, que não seja graça, graça, seja justiça, porque nós fomos melhores. Queremos uma misericórdia que funcione como direito, mas o nome disso é justiça e não misericórdia. Queremos uma eleição que não nos humilhe demais, mas a escritura não suaviza o mistério. Ela não diz: "Amei Jacó porque Jacó era melhor". Ela não disse: "Rejeitei Isaú injustamente, porque eu sou mal e ele era inocente, mas eu vou condená-lo." Ela não disse: "Escolhi previ mérito". Ela não diz: "Salvei porque a carne garantiu, a natureza humana garantiu." Ele diz: "Amei Jacó, mas odiei Esaú. Amei Jacó com amor eletivo, mas rejeitei Esaú. Diante disso, o homem não se salva por linhagem. Ser filho de Abraão segundo a carne? Não bastou. Ser parte externa da história da aliança não bastou. Ter sangue religioso não bastou. Hoje também não basta ter paz cristãos, tradição cristã, ambiente cristão, cultura cristã ou vocabulário cristão. Sangue não justifica, herança religiosa não substitui nascimento, novo nascimento. E Deus e o Espírito Santo regenera que ele quer. O homem também não se protege por privilégio religioso. Israel tinha adoção, glória, alianças, lei, culto, promessas, patriarcas e o Messias segundo a carne. E ainda assim, muitos rejeitaram Cristo. Privilégios aumentam a responsabilidade. Luz rejeitada aprofunda a culpa. Conhecer externamente a verdade e rejeitar interiormente Cristo é uma condição terrível. O homem, nenhum homem exige misericórdia. Misericórdia exigida deixa de ser misericórdia. A palavra não faz mais sentido. Você só pode exigir justiça. O pecador pode clamar por misericórdia, mas não pode reivindicar como dívida. Pode suplicar, mas não pode processar Deus. Pode cair de joelhos, mas não pode subir ao tribunal. Pode dizer: "Tem misericórdia de mim, pecador". Mas não pode dizer: "Tu és obrigado a me salvar". E o homem não julga o olheiro. Essa é uma das grandes lições de Romanos 9. O homem nem pode dizer: "Tu és obrigado a dar oportunidade a todos os homens". A maioria dos homens nem ouviu lá no Velho Testamento, quem não era de Israel não ouviu nada. Aqui na América, antes do evangelho chegar aqui, todos os que viviram aqui não ouviram o evangelho. E muitos que viveram países cristãos também não ouviram. E às vezes ouviram um evangelho falso. Deus não deve nada a ninguém, nem o ouvir, que dirá uma eh uma resposta como se todos não tivessem pecado e destituídos da sua glória. O barro não corrige a mão que o formou. A criatura não se coloca acima do criador. Essa é uma das grandes lições de Romanos 9. O pecador não avalia Deus como se ocupasse um tribunal mais alto do que Deus. Quando a escritura fala, nossa primeira reação não deve ser tentar tornar Deus aceitável à cultura, deve ser arrependimento, reverência e adoração. Reverência porque falamos de mistérios santos. arrependimento, porque nosso coração resiste ao direito de Deus ser Deus. Adoração, porque a salvação de qualquer pecador é milagre da graça soberana. A palavra de Deus não falhou, porque a salvação nunca pertenceu ao sangue, às obras ou ao mérito, mas ao Deus que chama, ama, endurece e tem misericórdia segundo o conselho da sua vontade e somente segundo o conselho da sua vontade. Vamos continuar em outro momento falando disso, desse assunto ainda em outros vídeos. Que Deus nos encha de doxologia, de adoração, a olharmos a grandeza de Deus e a nossa pequenez. Que os irmãos fiquem na paz. Amém. >> Se tua graça é um dom, porque ela tem olhos. Porque ela me olha de volta. Eu [música] tratei tua graça como [canto] conceito, algo que cabia na minha definição. Mas ela [música] sangra, ela chama, ela [canto] invade, ela tem nome e rompe [música] a abstração. Não é ideia, é encontro, não é teoria, [canto] é presença. É o infinito se curvando para habitar minha carência. E quanto mais eu vejo, [canto] mais eu deixo de ver a mim. [música] Cristo, a forma invisível da graça em mim. O indivisível se tornando [música] assim. >> [música] >> Cristo, não há algo que recebo de ti, mas o próprio Deus vindo a mim. [canto] E quando penso que entendi, tua graça me desfaz outra vez. Dá-me graça [música] para sentir o abismo entre eu e ti. [canto] Não para me perder nele, mas para te ver descendo até aqui. Dá-me graça para pedir mesmo quando a voz falhar, porque até o meu clamor precisa de ti. Para começar, dá-me graça para colher o peso eterno do teu amor [canto] que desmonta o [música] que eu era e me refaz, meu criador. E quanto mais [canto] tu cresces, mais eu aprendo assumir Cristo, a graça que me encontra antes de mim, [canto] o começo antes do meu ser. >> [canto] >> Cristo, a resposta [música] antes do clamor. O fim de mim, o início do amor. [grito] E tudo em mim que quer permanecer é [música] confrontado pelo [canto] teu viver. Se até minha fome vem de ti, [música] então não há parte em mim que seja livre. de ti. Se eu peço, é graça. Se eu recebo, é graça. Se eu respiro [canto] em ti, ainda é graça. E quando penso que [canto][música] uso tua graça, sou eu sendo usado por ela, Cristo. [música] A graça que me atravessas tu, a graça que me reescreve.