A Economia do Ano do Jubileu – BTCast 650
16/06/2026
A Economia do Ano do Jubileu – BTCast 650
Muito bem, muito bem, muito bem! Está no ar mais um BTCast! Nesta semana, Rodrigo Bibo recebe Deborah Bizarria e Luiz Henrique para uma conversa fascinante sobre um dos temas econômicos mais surpreendentes das Escrituras: a economia do Ano do Jubileu.
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O que Levítico 25 tem a ensinar sobre dinheiro, propriedade, dívidas e justiça social? Em uma cultura marcada pelo acúmulo, pela desigualdade e pela lógica da escassez, o Ano do Jubileu surge como um lembrete radical de que tudo pertence ao Senhor. A cada cinquenta anos, dívidas eram canceladas, terras retornavam aos seus proprietários originais e a comunidade era convidada a recomeçar. Não se tratava apenas de uma medida econômica, mas de uma profunda declaração teológica sobre graça, limites ao poder e dignidade humana.
Neste episódio, conversamos sobre o significado do Jubileu no contexto de Israel, os princípios espirituais que sustentavam essa prática e os desafios de pensar suas implicações para o mundo contemporâneo. O Jubileu pode inspirar nossa compreensão sobre generosidade, responsabilidade social e cuidado com os vulneráveis? Como evitar tanto leituras simplistas quanto a completa irrelevância desse texto para a vida cristã hoje?
Dê o play e venha refletir conosco sobre uma economia moldada não pela ganância, mas pela convicção de que Deus é o verdadeiro dono de todas as coisas. Uma economia que aponta para restauração, liberdade e esperança — e que nos convida a imaginar relações mais justas à luz do Reino de Deus.
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Fonte: Bibotalk
Legendas automáticas:
Começa agora o BT Cast. Teologia é nosso esporte. >> Muito bem, muito bem, muito bem. Começa mais um BT Cast de número 650. Eu sou o Rodrigo Bibo e não sou pastor, mas já queria estar jubilado. É que seria [risadas] esse o meu ano do jubileu? Não sei, não sei. Cara, eu vi um meme, eu vi um meme. Débora, você gosta de meme, Débora? Você gosta? Você gosta? Você gosta? É. Eu vi um meme ontem que é maravilhoso. É, amanhã estarei cansado. >> Amanhã. Semana que vem foi bem cansativa. >> Exatamente. Adoro, [risadas] adoro, adoro. >> Eu sou o Luiz Henrique e não há pobreza que resista a um ano de jubileu. >> Olha aí. Nossa, mas tu com esse braço cruzado é bem discurso mesmo de quem se fala e não faz nada, né? >> É verdade. Braço cruzado. >> [risadas] >> É isso, é só discurso mesmo, é só discurso. >> agora descascar uma laranja, entendeu? >> É, aí não peguei a referência, não peguei a referência. >> Depois eu te mando. >> Tá bom. >> E eu sou Débora Bizarria e na história da humanidade não há como uma pessoa que passa fome ser uma pessoa livre. >> Caramba, olha aí, olha aí. Calma, calma, você que ouviu isso aí, calma. Será uma pauta bíblica aqui neste podcast com implicações para a nossa realidade, porque é assim que se faz teologia. Bíblia na mão, jornal no outro. Estamos aqui com a nossa convidada Débora Bizarria que estou conhecendo agora nessa gravação. Luiz, por gentileza, faça as honras, apresente aí a nossa convidada. >> Muito bem, Débora Bizarria é uma amiga querida antes de tudo, né? Lá da comunidade da Vila. Só trago esse povo meu complicado, né? É, presbiteriano que não é presbiteriano direito, mas é uma uma amiga muito querida. Ela é formada em economia, tem as suas participações ali na no canal muito conhecido no meio político de notícias políticas chamado Canal do Meio. Também dá palestras, é uma economista de mão cheia e alguém que é crente, que é muito bom, né, falar isso. E ela veio, é, a gente conversando um pouquinho sobre a pauta de hoje, ela deu alguns insights, nós juntamos o lé com cré e apresentamos essa pauta aqui pro Bibo, o Bibo topou e agora estamos falando aqui sobre o ano do jubileu e aí as implicações pra vida da igreja, pra fé cristã como um todo, né? >> Que legal, Débora. Obrigado por ter aceito o convite, por ter sugerido a pauta e seja bem-vinda aqui ao BT Cast. >> E muito obrigada pelo convite. E aliás, a gente já se conheceu muito brevemente lá na festa da Mundo Cristão. Olha só. >> Rapaz, sério? A gente se conheceu na festa da Tu tava lá, é? >> Tava. >> Meu Deus. Mas é, mas a gente se falou assim, de apertar na mão? >> Sim, sim. Fomos até a mesa. >> na mesma mesa, não foi? Que você mandou até a foto pra mim, eu acho, ou não? >> Não, não, não. Eu fui com o Cacau Marques. >> Não teve comida na festa da Mundo Cristão? Só fica só um protesto. Fica no off. Não, teve Não, [risadas] teve comida de rico. Comida de rico não se senta na mesa. Os canapés, é tipo isso, é. Isso aí. >> Não, é porque o rolê after foi o Cacau Marques que foi. É, o Bibo não foi. Ele Ele foi pra outro rolê. >> Não, eu vou Mas pera aí, ô Débora, deixa eu te dizer. É É que eu saí com a dona da editora. Tipo assim, a CEO, o Marcelo. Então aí eu tinha Imagina, eu tinha o meu diretor e a CEO. Então assim, aí entre, né, eu Eu acho que o Zé Bruno que organizou o rolê, não foi? Foi o Zé Bruno? É, entre Zé Bruno e a, né, e os meus chefes, foi uma escolha muito difícil, entendeu, Débora? >> Entre a burguesia e o proletariado. >> É exato, é. Tipo isso, tipo isso. [risadas] Não, eu fui Eu fui jantar no Le Jazz, entendeu? Com tudo pago. >> Uau, >> Tava com fome, McDonald's, sei lá. >> É, desculpa aí, desculpa aí. A escolha não foi tão difícil assim. Não, mas foi bom, a gente alinhou várias coisas lá. Mas legal, Débora, legal. Então, desculpa eu não lembrar. Eu E aí, Débora, fica um fica um um disclaimer. É, um dos motivos pelos quais eu não sou pastor é por, né, eu não tenho com várias competências que o pastor precisa ter e uma delas é, cara, eu esqueço as pessoas, o o das pessoas. Quem é essa pessoa? Eu, na academia, eu fui obrigado a falar com um cara: "Cara, desculpa atrapalhar o teu treino, mas tu é um cara que vai na minha igreja?" Ele: "Não, não, nunca te vi na vida". Eu falei: "É porque, cara, tu é muito parecido com um irmão que vai na igreja. E se tu é esse cara e eu não cumprimento, aí a gente se vê na igreja e fica aquela coisa, pô, o cara me vê na academia e nem fala comigo". Porque eu não lembro o nome, não lembro fisionomia. Então, desculpa, Débora, eu eu lamento não ter lembrado, mas a minha a sensação que eu tenho é que a gente tá se vendo pela primeira vez, né? Desculpa, foi mal. É eu Não, imagina. My bad. Sorry my bad, my bad. Tá bom. Ele é meu, ele é meu, ele é meu. Ah, eu sou vesgo também. Pode ser, pode ser que você tenha uma implicação, às vezes tem mesmo, eu só enxergo com um olho, mas às vezes é difícil mesmo, né? Eu vejo só 2D. Aliás, todo mundo vê, né? Eu não vejo 3D. Mas, enfim, isso não é importante. Vamos pro recado paroquial, parar de bobear isso aqui e vamos falar sério. Recado paroquial, recado paroquial, vamos lá. E nos recados paroquiais dessa semana, eu tenho dois avisos e eu prometo que eu vou ser breve. Não pule os recados paroquiais, porque é a partir dos recados paroquiais que você pode descobrir como ajudar esse ministério, o ministério Bibotalk, que tanto te abençoa aí, trazendo teologia de maneira gratuita na internet, desde 2013, se eu não me engano, 2013. Dito isso, vamos para o primeiro recado. O primeiro recado tem a ver com a Escola Bibotalk de Teologia. Nós temos a turma 07 com inscrições abertas. Gente, a Escola Bibotalk de Teologia tem criado um espaço muito bom para você que está interessado em teologia, quer começar a estudar, não tem muitas vezes muito tempo, então criamos uma forma de você estudar teologia no conforto da sua casa, tendo no seu lar um tablet, um computador, de maneira acessível, flexível e, além de tudo isso, te dando promoção no plano anual, 30% off utilizando o cupom EBT30. Então, fica conosco. Gente, vem estudar conosco, porque nós temos Cacau Marques, nós temos Cíntia Muniz, nós temos Paulo Won, André Daniel Hike, Marcelo Berti com um módulo sensacional de hermenêutica. Vai entrar agora um módulo muito bom do Daniel Coelho sobre pregação. Quer aprender a pregar? Quer aprender a se comunicar, a preparar um sermão, a comunicar o evangelho à sua comunidade de fé local? Vem estudar conosco, tá? 30% off, Escola Bíblica de Teologia, esse espaço que está sendo criado justamente para abençoar a igreja brasileira da melhor forma possível. E o segundo motivo que é uma outra forma de nós tentarmos abençoar a igreja evangélica brasileira é o lançamento do livro Igreja Sobre Medida. Livro meu, em parceria com Bibo. É um livro nosso, escrito a quatro mãos. Quase, quase falei errado, inclusive, viu? Quase falei errado aqui. E que tem como objetivo tentar responder para pessoas que estão procurando uma igreja saudável, o que é de fato uma igreja saudável. Mas para pessoas que já se encontram em uma igreja saudável, com algumas coisas para melhorias, quem sabe utilizar dos ferramentais que nós colocamos ali para poder construir essa igreja. E esse livro tá muito legal, muito bacana mesmo, né? Colocamos muitos amigos para poder ler. Nós temos o prefácio, por exemplo, do próprio pastor Pedro Dutra. Tem um posfácio do Victor Fontana. É, é um livro que tá querendo responder às mais, às maiores angústias que nós temos e encontramos nas redes sociais. Tipo, "Ah, eu não sei uma boa igreja. Me indica uma boa igreja. Me indica uma boa igreja". Pois bem, Igreja Sobre Medida está aí em pré-venda na Amazon. Mas nós queremos te presentear, caso você compre na pré-venda, com um e-book. Por quê? O livro, ele vai ter um tempo para ser lançado, então, provavelmente, finalzinho de julho que você irá receber, caso você compre agora na pré-venda. E para que você não fique de mãos abanando, esperando muito tempo, nós queremos te dar um e-book, caso você compre. Então, aqui embaixo haverá um link do preenchimento do formulário para receber esse e-book e, por sua vez, aguardar com muita paciência esse livro que nós acreditamos muito, muito mesmo, que irá abençoar a igreja evangélica brasileira. No mais, esses são os recados paroquiais. Eu disse que seria rápido, então, bora para o episódio. Um beijo a todos vocês. >> Bem, ô Débora, vamos lá. Acho que a gente tem que começar, a Débora e o Luís, que vão aqui, eh, tocar essa conversa, pelo básico que a gente sempre faz no BTcast. Apesar de a gente já ter um BTcast sobre o ano do jubileu, com o Vitor Fontana, pastor da Débora e do Luís, ah, eu acho que é legal a gente começar aqui com definições bíblicas sobre o ano do jubileu. O que é esse ano, quando ele é instituído, por que ele é instituído, o contexto social, eh, em que ele é instituído. Acho que é legal a gente dar esse, eh, panorama agora bíblico, para a gente fundamentar nossa conversa, até para que o o ouvinte não pode, não precise sair daqui, ouvir o outro episódio e voltar aqui, né? Então, ou seja, tudo nesse episódio aqui, ele já tem uma definição bíblica, eh, do que é o ano do jubileu e é isso. Acho que a gente pode começar. Quem quer começar? Débora, obrigado. >> É que é a convidada, [risadas] né? >> Eu vou começar falando. Não, não, mas aí depois ela vai brilhar. Você você não sabe onde ela vai brilhar. Eu eu já imagino já. Mas, eh, eu acho que >> Bibo, para come, para começo de conversa, a gente precisava falar um pouquinho sobre a literatura de Levítico, né? Nós temos lá a Torá, composição dos cinco primeiros livros da Bíblia, o Pentateuco, e Levítico é uma dobradiça na história e na formulação da teologia ao qual nós temos, ah, nesses cinco primeiros livros. Enquanto eh, Gênesis, Êxodo estão muito preocupados com a história de de e as promulgações das alianças e Números e Deuteronômio estão dando uma continuidade para a história já no deserto, a ida até o o Egito, né? Gênesis e Êxodo, é Números e Deuteronômio, a saída do Egito e a chegada à terra prometida. Levítico aparece no meio para para apresentar a fé de Israel como todo consolidada, os seus ritos, as suas cerimônias, questões que são constitutivas da relação desse Deus que habita por meio do tabernáculo no povo de Deus, no meio do povo de Deus. Então, por isso que Levítico é um texto que muitas vezes muitas pessoas na sua leitura anual bíblica, ao se deparar com ele, acaba achando muito chato porque são muitos requisitos, são muitos ritos, são muitas cerimônias, são ah alguns nomes aparecendo, um negócio que tá ali meio embromado sendo que a gente tava vindo de uma grande narrativa e aí para para um conjunto de regras e a partir desse conjunto de regras, eh ter estabelecer uma prática que vai se suceder pela nação de Israel no deserto. Mas o que >> Só um disclaimer aqui, só um disclaimer, Luís. Se você acha Levítico meio chato, não se culpe, tá tudo bem. Eu confesso que eu não acho tão legal. É que tem uma hora que tu começa a ler, mano, um monte de descrição da roupa do sacerdote. Pô, bacana, né? É o cuidado de Deus, como Deus cuida dos detalhes, você pode até romantizar se você quiser, que às vezes é o único jeito de aguentar mesmo. É muita descrição é é tipo às vezes Tolkien assim, mano, meu Deus, é uma página inteira para descrever uma mesa. Não dá, não dá, é eu é bonito, é poético, mas se você tem TDAH como eu, às vezes assim, mano, tá bom, Deus, pô, legal, quanto detalhe, hein, Deus? Mas vou, rapaz, quanto detalhe, [risadas] meu Deus! viu? >> E tudo bem, tudo bem, tudo bem. >> tudo bem, tá tudo bem. >> Olha, eu não tenho TDAH e eu concordo com você, né? E principalmente porque a gente vem de uma mentalidade muito de nova aliança e a gente tende a meio deixar de lado, ah, esses detalhes cerimoniais, não tá valendo para hoje, sendo que a gente vai discutir um pouco sobre como algumas dessas regras vão trazer implicações para os profetas, para Jesus e para a gente. >> Olha, olha. >> É, é, é o lance do conhecimento, né? É, quando você tem o conhecimento de uma coisa, você consegue é, enxergar ela de outra maneira. Por exemplo, se eu tô olhando para uma obra de arte e o meu irmão tá olhando para a mesma obra de arte, ele vai ter um encanto diferente do meu, porque eu não estudei a história da arte, o meu irmão estudou. Então eu olho para a Mona Lisa, ah, legal, eu sei, né, aquela coisinha básica e tal, pá, pá, pá, Código da Vinci, é o só que eu sei da Mona Lisa, é Código da Vinci, né? >> E aí, o verde e azul, o verde não, o amarelo e azul de Van Gogh, né? >> É, enfim, aí, o meu irmão não, o meu irmão sabe a história e tal, quanto a o que isso causou, né? Então é uma outra apreciação e na teologia tem muito disso também, né? Isso vale para o livro de Levítico. Quando eu não conhecia, aliás, até hoje eu não conheço tão bem, mas quando eu entendi a associar Levítico, né, até mesmo com a nova aliança, com o livro de Hebreus e tal, você, ah, tá, tem algumas conexões que são interessantes e tal e aí você até entende os detalhes, aquela coisa toda. Quando você tá só mesmo na leitura bíblica anual e te falta esse background, de fato, assim, mano, é muita coisa, nossa, mano, é muita. >> Eu acho interessante a gente continuar daí, porque todo artefato cultural, ele vai demandar um certo esforço daquele que se relaciona com esse artefato, para você aproveitar os detalhes, para que você aproveite o significado, ah, que bate em você, porque é a parte da sensação, mas também o significado no seu tempo, no seu contexto da época. Para nós, para falarmos desse tema, ah, acho que uma das coisas mais importantes é de que Levítico fala sobre santidade. E é a noção de como um um povo que é impuro pode habitar no mesmo lugar de um Deus que é puro. E pureza não tem a ver ah diretamente com pecado. Mais uma vez, Victor Fontana, ele já fez um ou já fez uma explicação sobre a diferença entre impureza e pecado. Não é a pureza e a impureza nada mais é do que um requisito ou um um um descrédito para estar diante do Senhor ou na presença do Senhor. Só que quando nós observamos Levítico, nós observamos que existe esses ritos que estão ali nas extremidades, mas o que está no centro é o dia da expiação. O é um quiasmo. É como se fosse um grande sanduíche. Sabe o o sanduíche do do Kiko lá no Chaves, né? O sanduíche de ovo. Que é que é o ovo redondinho e dois dois retângulos em cima. Pois bem, o san o ovo ali nesse quesito, né? O recheio desse sanduíche é o dia da expiação. O dia da expiação é um dos elementos centrais na teologia da Torá como um todo, na teologia cúltica ali do Antigo Testamento e permeia todos os outros eh cantos da literatura de Levítico. As extremidades estão destinadas aos rituais e as extremidades mais próximas do centro estão ligadas a questões cerimoniais e as questões de sacerdócio. Aonde é a a acontece, aonde é apresentado ah o ano do jubileu? Levítico, capítulo 25. Na extremidade final, ao qual está falando justamente das datas festivas e daquilo que o povo deveria observar em consonância com todos os sacrifícios ao qual ele deveria prestar, conforme nós vemos no no começo de Levítico. Mas o ano o o ano do jubileu, ele é estruturado em três partes. A primeira parte tem a ver com a ideia do jubileu, eh, para a terra, a segunda do jubileu para com a propriedade e a terceira do jubileu para com os escravos, né? Na primeira parte, nós encontramos a noção de um descanso a cada sete anos, na verdade a cada seis anos e o sétimo é para que a terra não seja cultivada, então nenhum elemento de agricultura, seja cultivo, plantio, colheita organizada, poderia ser, eh, desenvolvido, desempenhado pela nação de Israel. Isso tinha um fundamento. O fundamento era de que o seu sustento como povo de Deus pertence ao Senhor e a terra precisa de um descanso para que ela possa ser, eh, aproveitada em sua em e com sustentabilidade e isso é muito importante, principalmente para o crescente fértil, que que tem poucos rios que irrigam, mas quando irrigam, irrigam com com uma certa limitação, então é necessário que os nutrientes da terra sejam renovados ali, né? A segunda parte é a questão do resgate da propriedade, então, eh, o limite do do que o ano do jubileu, ele coloca ou a regra do jubileu coloca sobre as propriedades privadas, as terras, eh, é que ele ela não pode ser vendida de maneira definitiva. Ela é vendida para um ciclo e nós iremos falar um pouquinho sobre esse ciclo. E o terceiro, eh, ponto ali, é a questão da da escravidão. Pessoas que contri contraíam determinadas dívidas, elas poderiam e que não conseguissem pagá-las, elas poderiam, eh, vender os seus serviços e até mesmo se vender para que, ah, custeasse todo esse prejuízo que ela deu a ao aquele aquela qual emprestou dinheiro ou aquela qual, eh, tem algum negócio. envolvido. Então, ah, o ano do jubileu, ele entra para refrear um pouco, é, os abusos que poderiam acontecer nessas três dimensões: a terra, a propriedade e o, as pessoas, no caso, os servos ou os escravos. Então, a partir disso, a gente começa a entender de que a lei do Senhor, a Torá, ela não está é, só preocupada com a condição espiritual, com a alma das pessoas, mas ela está muito preocupada com a vida comum, o, os negócios do dia a dia, a economia doméstica, né? A ideia de que nós precisamos organizar-nos é, financeiramente, lidarmos também com o mundo que é monetário e tem um, um sistema, é, de monetagem e Deus está intimamente preocupado com a materialidade disso dentro do, do seu próprio povo. >> E mais que isso, né? É, eu acho muito bacana quando você para para pensar que, porque, retomando esse ponto, né? Você vai restituir as propriedades que foram cedidas temporariamente por alguma intempérie, né? Seja, ah, eu não, não tenho dinheiro, não consigo, minha, minha lavoura se perdeu porque não choveu ou choveu demais, então eu não consigo, não tenho dinheiro para comprar a semente para poder plantar, então vou pedir esse dinheiro emprestado para outra pessoa ou vou arrendar a minha terra para outro, né? Durante 49 anos, é, fazer uso dessa terra. É, e a mesma coisa com a outra propriedade, né? No caso da escravidão das pessoas, né? Se a pessoa já vendeu a terra dela, ela não consegue fazer mais nada e ela precisa comer e alimentar a sua família, ela vai se colocar à disposição como servo durante 49 anos, até o ano do jubileu, para aí sim, né? Ter sua própria força de trabalho de volta, né? E, e, e poder voltar para casa e poder, é, trabalhar diretamente e sustentar a sua família e não só pagar uma dívida que foi contraída num momento de desespero, num momento de vulnerabilidade e tudo. Mas uma coisa que me chama muito atenção, né, no ano do jubileu, é que ela não só traz libertação para as pessoas que estavam numa situação difícil, que tiveram que recorrer a empréstimo, tiveram que a recorrer a quem tinha mais recursos, mas ela também liberta a a a pessoa que tava cedendo, né, seja a é a terra ou o recurso, de virar um tirano, né? Porque eu acho que vale fazer um paralelo e o Luís que é o teólogo e o Bibo também, eh, de de como isso pessoa lá nos do Gênesis, da narrativa do Egito, porque foi exatamente o que aconteceu, né? José conseguiu salvar as pessoas da fome, mas acabou criando uma situação econômica de concentração de riqueza, porque ah, o pessoal precisava ter dinheiro para comprar os grãos que ele tinha conseguido armazenar. E faltando dinheiro, vende terra e faltando terra, você vende a você mesmo, você vira servo e escravo. Então, é uma preservação dupla da vida espiritual e moral, né? E e além de física, porque você evita que um grupo vire o tirano, vire o Egito, né, dentro de Israel, e você tem um grupo que deixe de ser Israel escravizado, né? E isso eu acho muito bonito e muito poderoso, né? E e e é um lembrete constante de que a gente não tá para viver um um evangelho, né? Claro que vai de lá na frente, mas uma mensagem eh de Deus que seja desencarnada, né? Que seja só uma mensagem bonita, mas ela tem implicações eh econômicas e é muito muito palpáveis, eu diria. >> Cara, isso me lembra muito até aquela parábola do rico insensato, né? Porque naquela parábola é bem é dito bem claro, a a terra produziu muitos frutos. Então, é justamente essa ideia que, né, que do Senhor é a terra. É é o lembrete constante ao povo de Israel, olha, o Senhor te tirou da escravidão do Egito e vai te levar para uma terra que o Senhor te dá. Então, tudo é do Senhor, né? Então, é bem essa ideia que Israel tinha que ter como mordomo daquilo que Deus dá, das coisas que Deus dá. Então, a própria terra é Deus que tá dando para Israel. Então, Israel não tem o direito de privar, né, o aqueles que foram criados à imagem e semelhança dele, né, de Deus, de terem a terra. Tudo bem, tem o lance da escravidão e tal, que é algo plenamente aceito e tal, enfim, e era todo um sistema que não quer dizer que é o sistema de escravidão que a gente aprendia na escola e tal, né, é um pouco diferente. Mas é esse lance de que ninguém é escravo, é, do outro, nesse sentido, e que há uma libertação, né, há um plano, é, para a libertação. Não há uma, uma perpetuação, por assim dizer, né, tipo, não, não tem, a, a terra é do Senhor e chega o momento que ele deixa você ficar, mas depois isso sai de você e de novo volta para o antigo dono, para a antiga família e por aí vai. Mas é esse, essa, esse conceito de que do Senhor são as coisas e nós apenas as administramos. E se é do Senhor, é meu dever repartir, é meu dever devolver, né, isso é muito bonita essa consciência, né. E isso é uma questão social. A gente às vezes olha para essas questões, ah, é, a Débora falou de não sei quê, esse, esse termo aí é da sociologia e tal, mas é, de fato, é um anacronismo? É, mas é, mas é isso que representava exatamente na época, né, é uma questão social. Eu não sei se a gente vai falar aqui, porque eu não olhei mais a pauta, mas vou pegar o dízimo, por exemplo, [risadas] que é uma parada assim que, meu, né, a igreja evangélica ama falar sobre dízimo. Cara, vai estudar o dízimo no, no Antigo Testamento. É, é uma, um, cara, a gente coloca muito no âmbito religioso, né, "tamo roubando a Deus", "tamo roubando a Deus", é isso, a gente falou em dízimo, ó, cuidado, hein, se não tá dando o dízimo, tá roubando a Deus. Cara, que pobreza tu resumir o dízimo a roubar a Deus. É basicamente, o dízimo tinha uma função social incrível, né, incrível, vai estudar um pouquinho sobre isso. Aliás, aguarde o Igreja Sob Medida, a gente fala sobre isso lá, no nosso livro que vai sair em julho, né. Então, tem uma função social incrível o próprio dízimo, que ninguém fala sobre isso quando fala sobre dízimo, não, só usa o dízimo para tirar mais dinheiro do povo, entendeu? Mas tu vai ver a questão social do dízimo, ah, isso aí a galera não quer, né? >> Então, Bibo, eu queria fazer um cosplay aqui de Victor Fontana para poder trazer um pouquinho do, da ideia do Walter Brugmann, porque a Débora ela puxou a ideia do Egito. O Egito e a figura do faraó, ela é paradigmática. Quando nós observamos a história dos patriarcas, eh, incluindo o José, a gente observa que a descida ao Egito é uma constante luta, o aí do Egito é uma constante luta, eh, de um povo de Deus que sim é nômade, está indo para lá, está pelos desígnios divinos sendo direcionado lá para ser livrado de uma certa forma, mas, eh, a grande luta é: não copiar o Egito e as suas estruturas. E aí, quando você olha na edição da Torá como todo, Levítico virar ao meio, logo após o relato do Êxodo, o relato da saída, ser organizado ali em uma vivência antes de ir para o deserto, é como se os autores eles tivessem em mente de que aquilo que é a personificação do mal, se encontrou na figura de faraó e no governo egípcio. E de que o povo de Deus em contato com aquilo estava o copiando. Se você pega, por exemplo, a, a figura de José, José, por sua vez, casa com uma filha do sacerdote. José dá as bases para aquilo que seria o serviço de vassalagem que iria dominar o seu povo, seu, sua, a, a sua família como todo, né, o seu clã, eh, posteriormente. É ele que, que realmente ao estar em contato com, com, o sistema egípcio, acaba, querendo ou não, se parecendo tanto que co é conscientemente ou inconscientemente, isso a gente não pode é aplicar muito, mas pode inferir através dos autores bíblicos, ele está querendo ou não construir uma ideia, um um ele está repetindo a noção de regência do Egito que não se compara com a noção de de regência de Javé. E qual é a grande questão? O Levítico vir ao meio e logo depois da saída, nessa na grande organização, é são é já nos mostra que Levítico é mais importante do que muitas vezes nós entendemos, que que Levítico ele não é só uma sequência de regras para nos ah para organizar um culto antigo no antigo Oriente Próximo de uma nacionalidade, de uma tribo específica, mas é trazer implicações que são realmente ah frutíferas, que geram em nosso coração, na nossa vida comunitária, um afastamento contra a repetição da regência de Faraó. Faraó é um paradigma do mal, nós devemos evitá-los. Não é à toa que Walter Brueggemann ao trazer essa ideia, vai mostrar que dentro do dentro do da mentalidade profética, a figura faraônica e os e e as práticas faraônicas, elas são criticáveis, se tornam criticáveis agora nos reis do próprio Israel. A gente entra mais para frente é nessa questão. O o que eu quero ah aplicar aqui é que o Egito precisa ser evitado. O Egito, ele é o paradigma daquilo que é desumaniza os outros. E quando nós falamos sobre a vida humana, a gente fala sobre uma série de esferas da nossa realidade, de trabalho, lazer, família, economia e que a visão de mundo egípcia sempre tenta nos roubar, está em em constante conflito conosco, principalmente em debates de esfera pública, principalmente em debates relacionados a questões políticas. Então, nós, como cristãos, e temos, ah, no nosso bojo, ah, o evangelho de Cristo Jesus, se nós aderimos, de fato, o evangelho, então a gente não precisa aderir egípcias contraditórias ao que Javé exige, exige, exige, né? Mas, ah, podemos, sim, ter uma vida plena a partir, ah, da própria lei do Senhor. E aí aqui, essa é a proposta. O ano do jubileu, ele vem justamente com com esse intuito, interromper a a o mau a má utilização da terra para que ela se torna sustentável e nutritiva, nesse sentido, né? Plant, eh, ser, eh, para para ser plantada, de certa forma, né? Eh, impedir que as propriedades, elas sejam alienadas e concentradas a um grupo específico com um determinado poder e por e por último, impedir que o ser humano deixe de ser considerado como humano. Impedir que haja uma alguma desumanização em prol da moeda da moeda, em prol do valor monetário. >> Posso dar um exemplo não contemporâneo, né, mas mais próximo do tempo atual, de dar essa mentalidade egípcia na prática e como é que você começa a ouvir discussões que você se você confrontar com o evangelho, não funciona? Eh, a gente sabe, né, que houve escravidão, né, moderna, né, ali pós, eh, o período das grandes navegações, que muitos escravizados foram trazidos para o Brasil e a gente sabe essa discussão. Mas eu sempre fico muito chocada quando eu vou ler lá Joaquim Nabuco e os abolicionistas brasileiros, porque dentro do Partido Liberal no século XIX havia uma disputa sobre se eles iam ser a favor ou contra eh a abolição. E o argumento dos que eram contrários à abolição era: "Ah, não, mas o que que vai acontecer com os proprietários de escravos, né? Eles têm que ser indenizados, porque eles vão perder a propriedade". Sabe? Isso é, na prática, é uma visão egípcia, nesse sentido bíblico. Porque o Joaquim Nabuco, né, não sei se inspirado por uma noção bíblica ou por outras, responde: "Não, mas a primeira autopropriedade que alguém tem é a si mesmo, né? Não é? São as coisas, são as A propriedade são as coisas, não as pessoas". >> Uhum. [roncando] >> Então eu sempre gosto de, quando a gente tiver analisando o discurso político de maneira mais ampla, sempre se se se pensar, eh, começar a pensar e olhar pela lente do jubileu. Isso, essa coisa que estão propondo, ela vai trazer libertação? Ela vai trazer a paz e o aquilo que Deus eh queria para a gente ou vai gerar mais concentração de poder, mais concentração econômica, vai gerar mais injustiça? Né? Eu eu sempre tento ter esse frame quando eu tô pensando eh nessa aplicação mais contemporânea do ano do jubileu, como você tava tratando, porque às vezes eu acho que a gente fica tão perdido nessa coisa de: "Ah, ele é vermelho, ele é azul, ele é vermelho, ele é azul". E não para para prestar atenção nas coisas que estão sendo propostas pelo vermelho, pelo azul, que muitas vezes, e aqui é no espectro político inteiro, né, nada contra até me esqueci que tão no espectro político inteiro, mas que sempre tem um pedacinho ali que tá reforçando alguma forma de privilégio, dá para usar essa palavra, alguma forma de concentração de poder, assim como tá descrito no Gênesis com os egípcios, assim como tá descrito e acontece, né, ao longo da história de Israel, eh e a gente pode avançar nessa discussão, porque eu sempre acho que, se a gente não presta atenção no ano do jubileu como um grande paradigma de da da visão de Deus para como a sociedade deve funcionar, a gente acaba se perdendo nessas discussões e não avança. >> É aí eu acho muito engraçado, eu lembro, eu tô eu tô lendo, relendo Cartas de um Diabo a Seu Aprendiz, do grande C.S. Lewis, né? E tem um insight que ele tira de lá, é que é que eu acho maravilhoso, que C.S. Lewis, eh, eh, trabalhando na mentalidade, na estratégia dos demônios que nos cercam, eh, o um demônio ele fala: "Muitas vezes as pessoas acham que o nosso maior e principal trabalho é colocar coisas na cabeça delas". Mas, eh, o nosso principal trabalho é afastar determinadas coisas das cabeças delas. Então, eh, eh, e o esquecimento de coisas que a Bíblia traz, eh, ela ela é um artifício para que o a a ignorância nesse sentido, né, de de ser ignorante ao a respeito de algo, né? Eh, eh, é um artifício que sim, é utilizado. Eu acredito de fato que Satanás utilize de utilize se disso para que nós, eh, criemos contendas do nosso meio. Então, eh, eu sei que o o o a nossa audiência é qualificada, mas tem muita gente que tem alguns dedos que são sensíveis e tudo bem, precisa ser sensível mesmo, estamos falando de política, ah, eh, eh, não de maneira direta, mas de maneira indireta, só que a gente precisa lembrar que olha, ah, as escrituras, a revelação de Deus, ela também, eh, tangencia esses lugares e encontra esses lugares ao qual nos, eh, exige uma certa sobriedade, uma certa responsabilidade. Mas eu queria fazer uma pergunta aqui para Débora. Bibo, posso fazer? >> Pode, eh, eu não sei para onde a tua pergunta vai, mas é que eu tava pensando aqui ainda, eu sei que a gente já fez o episódio lá com o Victor Fontana, lá em em mas eu tava pensando aqui sobre o ano do jubileu, né? A gente a gente não vê isso no Antigo Testamento sendo praticado, praticamente. Eh, mas no Novo Testamento, como é que isso reverbera na igreja primitiva? Acho que a a Débora tinha comentado alguma coisa nesse sentido, né? Que respinga nos profetas, a gente pode pular os profetas aqui, mas na igreja em Jesus e na igreja primitiva, fiquei curioso agora, porque não me vem nada na cabeça, a não ser o fato lá de Atos 2, Atos 4 e tal, desse lance de ah, então peguei, peguei, né? Tá bom, então vai falar aí, Débora. >> pegou. >> Então fala aí, Débora, um pouquinho desse [risadas] desse derramar aí do ano do jubileu ah na nova aliança ali. Vamos pular os profetas, deixa os profetas para lá. >> [risadas] >> Vamos senão a gente não anda, senão a gente não vai para frente. Mas e aí, como é que é, Débora? Como é que tu lê isso? >> Tá, tranquilo. Eh, e por favor, os teólogos aqui me corrijam se eu cometer alguma imprecisão, mas em Atos, né, quando a gente tá tendo a narrativa da maneira como o o a igreja do Senhor se organiza, eh, o pessoal gosta de falar, gosta de defender uma ideologia, uma certa ideologia política usando esse texto, mas eh não é sobre isso, é sobre o ano do jubileu, que é quando eles repartiam, né? Repartiam as riquezas, eles percebiam a necessidade do grupo e as cartas de Paulo tem por todo isso vai aparecer. Eh, é é toda uma ética do cuidado. É uma ética do repar, eh não só da da generosidade, mas de fato de de entender eh o que que Deus tava querendo com o ano do jubileu. Então você vai ter as pessoas vendendo propriedades e repartindo ali nas comunidades quando isso fizer sentido. Você vai ter Paulo tratando um escravo como mais importante lá em em Onésimo. Então você vai ter esse comportamento, né, sobre eh, não é ignorar as as as estratificações sociais, mas é rejeitar a visão egípcia, né, para usar a referência aqui que o o Luís deu, de mundo, que é essa essa visão de que quem a aos poderosos tudo, né? Ou como diria lá no livro os Quincas Borba Borba, eh ao vencedor as batatas, né? Quem vence fica com tudo. E é, o evangelho supera completamente essa lógica. Então em Atos a gente vai ver vários momentos desses de repartir o pão e como Deus, é, castiga quem tenta enganar os outros para tirar proveito, né? Como Ananias e Safira. É, você vê Paulo muito preocupado com a a a questão da diaconia, né? Que é outra forma de você fazer uma gestão ali da dentro da igreja, dentro da comunidade. E tem essa questão, é, em relação aos servos e escravos também é tratar todo mundo como irmão, né? Deus não faz acepção de pessoas. Então ainda que você esteja numa situação de injustiça e numa situação de vulnerabilidade, é, um, Deus ama você. Dois, a igreja tem que estar lá para te apoiar e te levantar. O povo de Deus foi chamado para isso. Então você tem uma clara ligação, né, dessa visão do ano jubileu, passa pelos profetas, que a gente deixando de lado, é, e Jesus e os e os apóstolos resgatam muito com essa mentalidade. Não é à toa, eles não criaram nova forma de pensar socialmente. Eles estão resgatando o que eles já já viam na tradição e que Deus já vinha pregando, é, na Bíblia inteira. >> Legal. O próprio amar o inimigo também, quando Jesus fala, né, para a gente amar o nosso inimigo. E o amor na Bíblia é uma coisa muito prática, né? E o amar o inimigo, Jesus não tá inventando isso, ele tá, né, trazendo de novo Levítico para para a história. Mas lá no Antigo Testamento é assim, amar o inimigo não significa sentar na mesa, comer com ele agora, esquece tudo o que ele te fez aqui, me abraça e e vamos vamos ser amigos. Não. Mas cara, se não importa se tá tendo uma necessidade, né, se o animal dele tá caído na vala, não importa se é teu inimigo, você vai lá e vai tirar o animal da vala, você vai ajudar ele, depois segue o teu caminho. Então da mesma forma amar o inimigo, é, ou como o Alexandre Milioransa fala, mano, se alguém tiver passando sede, não importa se a pessoa é tua inimiga ou não, você vai dar água para ela. Então amar o amor é muito prático na Bíblia, né? É, quando João vai falar sobre as pessoas alcançadas pelo evangelho, é justamente isso, olha, a gente demonstra amor tendo recursos desse mundo e ajudando quem precisa. Né, primeira João 3:16 e 17 é basicamente sobre isso, olha, se você tem, quer, quer, quer saber se você ama o seu irmão? Você, você ajuda os outros, entendeu? Se alguém tá passando necessidade, você tá ajudando ela? É muito claro isso nas escrituras, é essa praticidade do amor, de realmente, isso é tão caro, né, ao ponto de Deus ah, ah, ali é castigar instantaneamente Ananias e Safira, né? Porque é uma coisa muito, muito cara pra, pra Deus. >> Porque isso visivelmente é perceptível. Visivelmente perceptível. Ah, os, os pecados relacionados à, à negligência do, do desfavorecido, ele acaba sendo visto, lembre-se que o ano jubileu ainda está sendo colocado no contexto de Levítico, que é o testemunho público, é o culto é, é de Israel, que acaba sendo manifestado como um testemunho visível às outras nações, é o, um, um identificador nacional, é um identificador de um determinado povo. E aí, quando a gente observa, por exemplo, Ananias e Safira sendo, ah, fulminados por conta de uma negligência, por conta de uma, ah, de uma ah, uma administração ali da, das ofertas, né, da, uma má administração das ofertas ou um encobrimento de uma, de uma parte das ofertas, é, é o, é Deus tornando visível o, o que está em impureza, porque o impuro ao contato com o puro é fulminado. Mas uma vez, uma noção muito veterotestamentária e de literatura sacerdotal que está sendo evocada por Lucas em Atos pra mostrar pra vocês que com Deus não se brinca nessas questões. Né, com Deus não se brinca nessas questões. Então, aquilo que você tentou deixar oculto, na verdade, é, será manifestado e revelado por mim. Por mim. Por isso que a corrupção relacionadas a a questões financeiras e econômicas eh são ah fruto direto de uma falta de seguimento da premissa do ano do jubileu. E olha que é interessante, eh eu eu sei que o Bibo quer pular logo pro Novo Testamento, mas sítios arqueológicos mostram que ah com o passar do tempo quanto mais uma sociedade a sociedade ah israelita ela se desenvolvia, chegando próximo ao período final da monarquia, mais arquitetonicamente você via uma diferença discrepante de ah de escalão social. Ou seja, as pessoas ah a arqueologia demonstra que pela falta de observação do ano do jubileu, já que nós não temos nenhum relato de observação, mas pela falta de observação do ano do jubileu, arquitetonicamente, a gente vê que as pessoas começaram a acumular tantas riquezas que havia desproporcionalidade e um reconhecimento de onde o pobre vivia e aonde o rico vivia, onde o mais abastado vivia. Enquanto em sítios arqueológicos que eh conseguiram resgatar um espaço que estava mais pro próximo do relato, né, em datação, do relato da da composição de Levítico e uma e a princípio uma certa observação do ano do jubileu, você tinha uma equidade entre a arquitetônica. Então, ah às vezes um um uma casa tinha só um puxadinho a mais, a outras vezes ela só tinha um quartinho lá no fundo, mas ainda assim havia esse tipo de equidade. No final da monarquia, que é aonde os profetas eles retornam pra acusar e trazer o ano do do jubileu como uma das figuras para o arrependimento, você já não encontra mais isso. Você encontra o o próprio povo de Deus eh praticando ou, eh, eh, sintetizando, eh, na verdade não, eh, né, nem sintetizar, né, eh, realmente, eh, eh, eh, imitar quem, eh, Faraó foi e o que o Egito fez e como isso ficou impregnado no coração deles. >> Que que tu ia falar antes, Débora, do Luís começar a falar? >> Eu ia, só acrescentar que você tava falando muito sobre ajudar o próximo, né, e servir as pessoas. Eu acho que a gente tá num canal do YouTube, a gente tá na internet, eh, eu acho que é importante falar que eh, existem outras formas, mais sutis, de você tirar a dignidade do outro, que é como a gente vê nas discussões online, que é você diminuir a pessoa porque você discorda dela, falar que tem que morrer, que tem que fazer isso e aquilo outro, eh, né, então a a há mais de uma forma, não só deixar morrer de fome, mas também você, na forma como você trata as pessoas, né, de forma verbal, >> querendo ou não acaba sendo um desdobramento dessa falta de consideração pelo outro que Deus criou também. >> Muito bom, muito bom. Gente, e aí então, beleza, a gente viu que a igreja de alguma forma aprende, né, os princípios, pratica esse princípio, tá muito claro isso ali, ah, ainda que não seja, né, porque aí que tá, né, não é o o ano do jubileu é Jesus Cristo, né, e hoje se cumpre o ano aceitável do Senhor é Jesus Cristo, eh, eh, é esse ano que é cumprido, ou seja, a a essa oferta de Deus e agora a libertação que a presença de Cristo causa e o que ela inspira a igreja a fazer e atuar e tudo mais. Quais outras aplicações a gente consegue fazer então para os dias de hoje em relação a esse o o ano do jubileu, a esse princípio, né, de doação, de compartilhar, que a gente tem no Novo Testamento? >> É, é ter essa consciência, eu acho, que são são são duas camadas, eu diria, uma é a nossa camada de ação comunitária dentro das igrejas, eu acho que é bem documentado que as igrejas evangélicas, na sua maioria, tem uma ação social super importante, né? De ajudar as pessoas, alfabetização, né? O Fontana sempre lembra disso, né? A alfabetização brasileira foi muito movida, eh, pela leitura da Bíblia e muito ensinada em escola bíblica dominical, então isso é bem importante. Eh, além de sopão e, enfim, né? A gente tem uma uma atuação comunitária. Mas existe a segunda camada, que é a camada de de ação política, que ela precisa ser, sim, pautada por esses valores que tão ali, claro, né? Vindo do evangelho e que tão refletidos nesse ano do jubileu. Que é, claro, e aqui eu não tô aqui para defender nenhuma bandeira específica, mas quando a gente tá olhando, por exemplo, eu eu posso dar meu testemunho, eh, Luís? >> Claro. E depois e depois fala assim: "Agradeço a oportunidade em nome de Jesus". >> [risadas] >> É um testemunho de engajamento mais assim, né? Eu sou cristã. >> Graça e paz. >> [risadas] >> É isso. Eh, eu sou da família cristã há muito tempo, então, assim, não tenho uma história de, ah, encontrei Jesus, mas eu eu eu tenho uma história de quando eu quando eu me eu tive o sentimento de que o ano do jubileu não tava sendo feito, sabe? Assim, né? Do ponto de vista socioeconômico e, enfim. Que foi eu tava no segundo período da faculdade de economia e eu fui para uma palestra que era sobre gastos no gastos e impostos no Brasil, quem paga e quem recebe. E era, eh, com a professora chamada Rosane Bezerra, que trabalhou em governo, uma pessoa que entende muito essa área social, economista mesmo. Ela foi mostrar os números, né? Do Brasil na época. E aí ela mostrou, né? Quem paga e quem recebe, algumas conclusões. Uma, né? O pobre paga mais imposto no Brasil de forma proporcional, né? À renda, de, né? Ou seja, ou é a taxação é regressiva, ou seja, pobre paga mais proporcionalmente. Isso a gente sabe. Dois, eh, o gasto também ele tende a ser bastante regressivo, por incrível que pareça, a gente pensa: "Ah, porque tem muito programa social, né? E tal". Mas não, muito do gasto do governo, ele vai para áreas mais ricas, vai para determinados subsídios para empresas, vai para, enfim, vai para várias coisas que não é para ajudar a gente pobre não, tá? É, e ela estava falando que até, acho que até a implementação do Bolsa Família, o Estado brasileiro estava aumentando a desigualdade, ou seja, ao pegar imposto de um lado e devolver com gasto, né? Até o Bolsa Família entrar e meio que equalizar essa, essa conta, a gente estava aumentando, o Estado brasileiro estava aumentando a desigualdade. Eu lembro de virar, peraí. O Estado brasileiro não entrega educação muito boa, né? A qualidade precisa melhorar muito. Segurança pública, não sei vocês, mas as melhores também não, acho que tem, entre as, 50 cidades mais, tem umas 10 entre as 50 cidades mais perigosas do mundo. E aumenta a desigualdade, então isso aqui, para que que isso tá servindo, minha gente? Isso aí que eu, você vai virar uma pessoa ligada em política pública? Porque isso me chocou de um jeito que eu falei, mas peraí, eu não posso ficar aqui sem fazer nada, sabe? É, e, e, e, eu penso muito, né? Quando eu tô, no dia a dia que eu tô um pouco estressada com política, quem me acompanha sabe, eu sempre tento lembrar do meu papel. Não tô dizendo que todo mundo tem que tá, tem que ser a pessoa mais engajada do planeta, mas eu acho que ter essa clareza de que existem sistemas e, e, é, que são estruturados, né? De forma a dar privilégios, a dar benesses para um grupo, para grupos de pessoas que conseguem usar a máquina pública, enquanto o resto da sociedade tá ao léu, e tá brigando ainda por cima, né? Para defender esses privilégios dessas poucas pessoas, né? É, é, é inacreditável, né? E foi um pouco nesse processo de estudar economia, de tá lá na sala de aula, de ver esses dados, que me deixou muito chocada, porque o Brasil, gente, é, o, o, o jubileu às avessas, é, Egito, nesse sentido. Né? É o segundo país mais desigual do mundo, isso não é por acaso, sabe? Então, é, e com isso eu não tô querendo fazer aqui uma parte >> que é essa aí, Débora? O que que é? O, >> É a desigualdade? >> É o Brasil. >> É pelo Gini, índice de Gini, é a taxa de desigualdade, ou seja, a distância entre as pessoas mais ricas e as mais pobres, ela é muito alta. É, e e muito é, e muito do gasto brasileiro vai para o topo da pirâmide, tá? Eu não tô, é, não tô exagerando. E antes que alguém venha me acusar de alguma coisa aqui, eu não tô dizendo que a gente tem que fazer a revolução, pelo amor de Deus, eu nem nem gosto dessas coisas. É, o que eu tô dizendo é que esse dado, essa informação me deixou muito, é, chocada, porque significa que tem grupos, né, dentro e fora do estado que conseguem tirar pedaços do orçamento público, que é imposto, que todo mundo paga, e se apropriar disso, para mim não tem nada mais sinceramente demoníaco, uma das coisas mais demoníacas, porque isso vai né, tirar oportunidade das pessoas, isso vai gerar distorções econômicas que faz com que elas não consigam não consigam prosperar, isso faz com que elas não tenham liberdade para florescer mesmo e sabe, para além, né, do encontro com o evangelho, que é fundamental, a gente acaba tendo, criando um um ambiente que é é destrutivo para as famílias, né, que é destrutivo para as crianças que não vão para a escola ou vão e não aprendem, né, porque o professor tá faltando. É, destrutivo, segurança pública eu nem preciso comentar, é uma tragédia, né? É, e aí não tem interlocução com as polícias, a gente não resolve crime. Então, é, toda vez que eu tô nesse no Vale Sagrado, depois que eu descobri o ano do jubileu, eu descobri todas essas esse cuidado que Deus tinha em tentar fazer com que o povo de Israel fosse esse lembrete da bondade dele, da forma como ele vê o ser humano e vê a materialidade da criação dele, é, foi um grande e é foi e continua sendo um grande motivador do meu trabalho, né, de debate público, né, e de tentar ser uma cristã nesse meio, não tem muitos, tá, gente? É é nesse nesse setor de economista eu conheci pouco na vida, né, e nesse nesse se é área de de ficar comentando política, não tem muitos mesmo. É, então, para mim é é é é se eu puder deixar a uma mensagem, eu acho que é toda vez que você estiver pensando política, defendendo alguém, falando mal de alguém, né, na política, tenta pensar o que é que essa pessoa tá fazendo, né? Ela tá contribuindo para a gente chegar mais próximo desse ideal de de restauração, né? De dar eh acesso, né? Pras pessoas, né? Conseguirem se desenvolver ou se a gente tá contribuindo pra essa coisa muito negativa que é essa concentração e essa dominação, no final das contas, que a gente vê acontecendo no dia a dia. >> Ô, Débora, uma pergunta bem de leigo aqui, eh que eu acho que pode ser a dúvida, então. Porque eu não entendo nada de política e, infelizmente, até nem gosto muito do assunto. Eh e eu sei que eu tô errado nisso, tá bom? Mas é que 3,50 é muito tentador pra não pra não precisar sair de casa. E aí, o que acontece, Débora? Às vezes a gente tem aquela impressão, eh nós como leigos e até desinformados, que ah, é muita roubalheira e tal. Não, o Brasil não vai pra frente porque é muita roubalheira. E, de fato, quando a gente fica sabendo, né, do escândalo, do desvio de Mano, é muita grana, assim, tipo, mano, como é que esse cara Esse cara roubou tanto dinheiro que o cara não tem nem vida, tipo, o tatara tatara neto desse cara não precisa trabalhar, entendeu? De tanto dinheiro que esses queima, roubou e tal, aquela coisa toda. Assim, a gente fica quando vazam os números Vazam não, né? Quando são publicados os números do escândalo, do rombo, disso, daquilo, a gente fica tudo assim, mano, é muita grana, né, mano? Eu Eu em três vidas eu não juntaria esse dinheiro, e tal. E a gente acha que é muito isso, ah, o Brasil não vai pra frente porque tem muita roubalheira. A gente costuma falar isso. Na tua opinião, não é somente isso, então. Tem é coisas aprovadas por lei, mecanismos que corroboram pra o aumento da pobreza nesse sentido, assim, eh >> Isso. Eu vou dar Eu vou dar um exemplo bem fácil que vocês que trabalham com mídia vão vão captar rapidinho. Eh >> Não, já botou uma pressão, Débora, porque se eu não captar, eu vou me sentir [risadas] Eu já falei que eu não sou meio burro nesse assunto. >> A gente finge, não, a gente finge que finge. >> É, não. Eu já falei que eu sou meio burro no assunto. Aí tu fala que não é pra eu captar rapidinho. Aí eu não capto, aí eu vou me sentir mal. >> [risadas] >> Eh Quando vocês vão comprar equipamento de filmagem, microfone, etc., vocês já devem ter notado que no Brasil é, tipo, duas vezes mais caro do que aí nos Estados Unidos de comprar, certo? >> Sempre tem um amigo burguês que tá voltando de lá, graças a Deus. Amém. >> Mas não é maluco que o cara burguês que vai lá viajar para Miami, para Nova Iorque, ele tem até 1.000 dólares, ou seja, quase 5.000 reais para gastar sem pagar tarifa, mas a pobre tia que quer comprar as blusinhas dela da Shein, que seja. >> [risadas] >> Antes Antes podia estar 50 dólares por um furo que tinha na Receita Federal, agora nem isso. Entende Entende já a desigualdade? E calma, tem uma camada superior, né? Ou seja, o cara que é rico consegue ir lá comprar um negócio barato, né? E o que é pobre não consegue nem as blusinhas comprar em paz. E isso E por que que Mas por que que a gente paga tanto assim imposto, né? De tarifa de importação. O Brasil é um dos países mais fechados do mundo em em em bens eh industrializados. 2020 tava entre os 10 mais, agora os Estados Unidos tá competindo com a gente por algum motivo. Eh E Mas por que que é isso? As várias, não todas, né? Algumas empresas muito ricas têm dinheiro e não é para comprar o político, tá? Para montar um time de lobby, para ir lá para Brasília para falar com o deputado Deputado O deputado não, nesse caso da da eh abertura comercial, né? Eh com o presidente. É É ordem executiva. Para ir lá no presidente da República e dizer: "Olha, a gente não consegue competir com os chineses e se a gente não tiver um um uma tarifa, né? Eh impedindo a competição nossa com as blusinhas O pessoal das blusinhas da Shein, a gente vai falir, vai perder os empregos". Detalhe, tá? A indústria nacional não emprega tanta gente assim, já tá muito automatizada. E várias pesquisas assim no mundo Assim, eu posso mandar depois aqui um monte de paper para vocês botarem aqui na linha. Eh Mas basicamente o seguinte: a O Esse protecionismo tem um custo, né? Porque o governo também se subsidia várias dessas empresas, ou seja, dá desconto em em imposto e tudo. Eh Primeiro, torna as pessoas mais pobres, porque em vez da pessoa poder escolher o que ela quer comprar, né? Ela compra mais caro ou de pior qualidade ou as duas coisas. Complementa a renda dela, em vez de ela comprar uma blusinha por 50 eh por 20 reais, ela compra por 50, para financiar um empresário que tá fazendo lobby em Brasília, tá? Eh e eh isso gera grande desigualdade, né? Tem um paper do Rodrigo Soares que fala inclusive que na pequena abertura comercial do Brasil que a gente teve nos anos 90, os mais beneficiados foram pobres e pessoas negras, pretas e pardas. Então você tem até componente de desigualdade racial aí. Então você tem mecanismos em que grupos, né, o Adam Smith já falava isso, né? Grupos de empresários fazem, né, esses esses grupos de pressão para ir lá em Brasília e convencer o governo de que isso vai ser bom para o país. Só que a maioria de nós não tem essa grana para se juntar e fazer, olha, a gente vai falar, pedir pela pelo fim da taxa das blusinhas, por exemplo. Hum. A gente não consegue fazer isso. A gente na economia chama isso de eh prejuízos concentrados, né, que no caso esse caísse, né, essa medida, né, do protecionismo, eh os prejuízos vão ser concentrados nessas empresas, para esses empresários, acho que vai bem dizer isso. E os benefícios são difusos, ou seja, todo mundo se beneficia um pouquinho pagando mais barato nas coisas que compra. Isso é para dar um exemplo, mas tem várias políticas públicas que são isso, não é ah, roubo, é grupo eh organizado que consegue eh pressionar pelo pelos seus próprios interesses. Então super salário no no serviço público, que é uma minoria, tá, não não é a maioria do setor público que ganha rios de dinheiro, é uma minoria que consegue pegar uma fatia gigantesca do orçamento para se beneficiar, sabe? E a gente não consegue desmontar isso, porque a gente tem muita coisa para da vida para tocar, por isso que eu não julgo você de não participar do debate político, você tem que tocar sua vida mesmo. >> Hum, não, mas eh isso nos impacta de maneira direta, né? >> Impacta, impacta, impacta muito, porque são pequenas coisinhas, vai vai tirando seu poder de compra, vai tirando eh possibilidade de gerar riqueza, porque se você não compra barato o seu microfone, você deixa de produzir vídeo de melhor qualidade, você gasta mais dinheiro ao invés de estar contratando o editor, por exemplo. Isso tem um efeito em cascata. Ah, e outro número para deixar vocês chocados. A indústria, eh, a indústria audiovisual brasileira, que se prejudica muito de um sistema protecionista como o nosso, emprega 60% mais do que a indústria automobilística, que é muito subsidiada no Brasil e é poluente também, vale dizer. E não gera tanto emprego, cara. Então, assim, são umas escolhas que eu fico assim, eu fico abismada, eu fico, >> [roncando] >> nossa, não é coisa de um governo. >> que privilegiam um grupo específico de pessoas. É, é que é a a nossa politicagem típica brasileira. Mas, ah, ainda assim, se a audiência tiver muito, eh, ah, parecem coisas tão grandes, o que eu, né, aonde isso realmente me me afeta? Observa as suas contas e observe nos últimos meses o quão dificultoso, custoso tem sido para ti, audiência, pagar as contas que são básicas. Faz uma balança com as contas do ano passado referente a esse mês, ah, estamos em abril, eh, maio, né, esse episódio será lançado em maio, maio. Puxa as últimas contas, a conta de maio de 2025 e observe o quão você tem, eh, tido bastante dificuldade em manter aquilo que é o básico, que é o basilar na sua casa. Eu eu li recentemente de que o endividamento das famílias brasileiras, da inadimplência, ah, alcançou em março agora desse ano recorde histórico de 80% 80,4 para ser mais exato, né, eh, tem algumas variações e tudo mais. 80% de inadim, 80% de famílias brasileiras inadimplentes e e muitas vezes, ah, nosso, em nosso discurso que é muito moralista, muito legalista até mesmo, a gente recai, eh, e parte de uma fé que acha que é o desempenho da pessoa. Então, a pessoa precisa ser responsável pela sua, eh, economia doméstica. E sim, de fato, ela precisa ser responsável pela sua economia doméstica. Mas quando nós estamos olhando para nossa própria realidade, no contexto brasileiro, contexto urbano, as coisas, elas têm a aumentado e não há o que o o que fazer diante de uma inflação que não tem sido necessariamente galopante, porque ela não acontece de muito rápido, mas tem aumentado tanto, mas aumentado tanto e aos poucos, como nos últimos anos, que muitas vezes a gente não sabe aonde enfiar e todo o nosso conhecimento que já é pouco, porque o Estado, ele não dá uma boa educação nesse sentido, é é se torna praticamente irrisório, se torna praticamente inócuo diante da dos problemas que se que se levantam. E não parte só de ter um salário alto, não parte só de ter uma boa administração, parte também de uma coisa relacionada a custo, a a lazer, ao que o ser humano precisa de base lá e daquilo que o Senhor também nos pede. Devemos lembrar sempre de Levítico. Levítico tem cerimônias, tem festas. A vida não é só cultuar a Deus e trabalhar e ser responsável, como na literatura torática fala, mas também celebrar. Existe uma parte constituinte do ser humano que está para além do do trabalhar e pagar as contas. E mesmo assim, ah, muitas vezes os os nossos governos, os nossos, ah, deputados, os nossos, os nossos governantes aqui, os nossos governantes, eles não são criticados por aquilo que precisa ser criticados, criticados, entre aspas, cobradas por aquilo que precisa ser cobrado. Nós, como como igreja, a gente precisa tirar o o o a responsabilidade do âmbito particular e começar a observar aquilo que precisa ser criticado e cobrado dos nossos governantes em lidar com problemas que estão intimamente relacionados com uma humanidade que está sendo nos tirada ao pouco, como a Débora falou, e é nos tirada ao pouco por causa de uma inflação, por causa do privilégio de um grupo específico. Eh, nós precisamos barrar, a partir da sabedoria bíblica, eh, e do, ah, do, da, da cobrança que pode vir da sabedoria bíblica, ah, aquilo que vem do ano do jubileu, o que o ano do jubileu justamente quer parar a, a grande concentração de, de, de, de, ah, de, com, de, ah, Jesus amado, de, ah, Jesus, agora tá difícil, né? Eh, de patrimônio, obrigado. >> [risadas] >> De patrimônio, de propriedade, a, a desumanização de pessoas que estão trabalhando mais para não ter o retorno financeiro de acordo, tudo isso parte de um lugar não de re volução, mas parte de um lugar de leitura e reflexão bíblica. Leitura e reflexão bíblica. Se o Estado não consegue garantir para nós o basilar, a gente precisa voltar e, e ver que o nosso Deus é gracioso, tão gracioso que ele não só se preocupa com o basilar, conforme o ano do, do jubileu, mas também com todo um ecossistema de funcionamento, de plenitude para todos. Para todos. E ao buscar isso, nós estaríamos ali desenvolvendo o shalom, buscando a paz daqueles que nos cercam, crentes e não crentes. E aí é onde a igreja não institucionalizada, mas pode encontrar espaço como presença fiel nos debates nas esferas públicas. Porque, gente, político que fala que é a favor da família, político que fala que é conservador, mas que não tem propostas efetivas para o lazer, para o cuidado, para proteção das ditas famílias ao qual ele eh diz que que protege, não é conservador, não é cristão de fato ou tem o seu cristianismo tão enlatado dentro eh concentrado, né, dentro de uma de um de uma esfera particular que falta que realmente que falta ele realmente encontrar de fato com o poder transformador do evangelho, entender que o evangelho ele consegue transformar a partir de pautas que podem promover o bem comum. >> Um exemplo disso que você tá falando desse tipo de político é o pessoal que fica muito preocupado com quem tipo de pessoa vai usar o banheiro na escola, numa escola que não tem banheiro e num país que metade das pessoas não tem saneamento básico, sabe? >> Exato, exato. >> Não que a discussão do banheiro não seja legítima, ela é, mas assim >> Ela é ela é legítima, mas >> mas vamos priorizar aqui as coisas, sabe? Qual é a ordem de prioridade, entendeu? Então é é é isso que me move nesse debate, eu acho que assim, não eu acredito na divisão do trabalho, tá gente? Então eu acho que nem todo mundo tem que ficar virar militante ou envolvido sobre envolvido, mas se eu puder deixar uma tarefa de casa é vai votar esse ano? Anota todo mundo que você votou e uma vez a cada três meses dá uma acompanhada do que que fulano tá fazendo, né? Eh eu acho que isso é importante. Eh não precisa acompanhar o tempo todo, não precisa tá ligado nas notícias, deixa que eu faço isso. Eh e >> [risadas] >> isso é com ela minha véia, é o preço que eu pago pelo meu chamado, na maneira que eu vejo o meu chamado, assim. Eh mas assim, dá uma acompanhada, não fica só no discurso de que fulano eh eh a tática mais baixa é falar "mas e fulano? Fulano não fez isso, não, não, não, não. Mas e você? Vote em você". Entendeu? >> Aham. >> Cobra a pessoa em quem você depositou o seu voto e seu voto é a última coisa, as coisas que a gente pode fazer na comunidade, sabe? Eu acho que a igreja pode atuar de maneira muito direta, que é cobrar professor que tá faltando na escola pública, vizinha do bairro que as pessoas da igreja tão indo, que é cobrar saneamento, que é fazer essas ações mesmo, para além do que a igreja consegue fazer bem, eu acho que o Brasil a gente é muito ativo comparado com outros países. A gente é muito ativo no âmbito privado, no sentido de a gente ajudar nossas comunidades, mas às vezes a gente precisa ajudar da porta para fora. E nesse sentido é, não só evangelismo, mas é dizer, vai ter saneamento aqui sim, não vai alagar mais essa rua não, sabe? Bonitinho do que o vereador não vai lá pedir voto de crente? Então vai lá e cobra o querido. Assim, pela sociedade, não só pelos evangélicos. >> Ele vai fazer o que a igreja quer, querida, dar rádio, concessão de rádio, né? >> Exato, exato. >> Ele vai dar >> Mas que igreja é essa? Aí a igreja tá errada. >> [risadas] >> Que a igreja tá errada, né? Eu tô falando da igreja >> E e essa é uma forma de trabalho diaconal, que muitas vezes a gente perde do nosso horizonte, né, Débora, né, Bibo? E a gente tem um capítulo lá no no Igreja Sobre Medida sobre diaconia, né, de serviço. E é um serviço realmente para fora. É um é um serviço que que encontra o outro, o próximo, né? E quem é o próximo? Quem passar na frente. E quem passar na frente não está só intramuros, está extramuros também. >> É. >> E por favor, não briguem por causa de política, tá? Por favor, é só isso que eu peço para vocês. >> É, não, não não se faça isso. Vamos vamos louvar o Senhor, vamos cultuar o Senhor. >> também, pronto, vamos. >> [risadas] >> Por favor, não briguem. É, não vale a pena. Tem um filme, é, vou encerrar minha participação nesse podcast, é, tem um filme chamado A Troca com a nossa, como é o nome dela? A Angelina Jolie e o é, e o outro, como é o nome do cara? Deixa eu até procurar aqui. Cadê? É o John Malkovich. É, ele faz o Reverendo Brigleb. E mano, é muito legal a atuação pública desse reverendo, né? Então ele é um cara que se envolve ali com a cidade. Gente, vamos lá, é, é claro que não quer dizer que toda igreja, a gente não tá falando que a igreja ela tem que ser militante. Acho que se você levar para esse lado, você tá não tá entendendo a conversa, não é isso, entende? Mas uma igreja que tá ligada, né, nos no bairro onde ela está, sim, a, a igreja, ela pode lutar por melhorias naquele bairro. Isso não é militância, isso não é, não tem a ver com o partido A ou partido B, mas uma igreja que se preocupa com a localidade. E uma coisa é muito importante, a igreja também não precisa de nenhuma lei para fazer o bem, tá? A igreja não precisa de nenhuma lei para fazer o bem, para espalhar a bondade, para espalhar o amor, para cumprir aí, é, de fato, o que Cristo pede da, da comunidade. A igreja nunca precisou, ela chaqualhou o império romano sem precisar de leis que a favorecessem, ponto. Agora, como a gente vive em um regime também democrático e tal, é, a gente, né, tá tentando manter, ah, o que acontece? Às vezes precisa mesmo ter esse lance político envolvido. E às vezes é inegável, a gente, né, é, não dá para a gente achar que não existe, não, então, às vezes um envolvimento de irmãos da comunidade, irmãs, enfim, talvez possa ser algo saudável, entende? E, e, e, e, e e até incentivado pela igreja no sentido de pessoas que estão lá representando mesmo o evangelho e pensando sempre no bem comum. É possível? Aí são outras discussões, não é? >> É possível, você tá rolando aí outra discussão, mas eu queria também, é, pedir se você tem alguém, é, próximo a você, seja cristão ou não, mas que compartilha dessa visão do evangelho, né, do ano do jubileu, ore para essa pessoa, por favor, porque é uma luta constante. >> Para aqueles que estão fazendo, de fato, a teologia pública, né? Teologia pública, porque teologia pública não é fácil de se fazer no Brasil, mas é, é isso, e, e, e, e gente, observem, é, tudo o que nós falamos aqui pode ser, é, assimilado por qualquer vertente política, conservador, é, socialista, mais progressista e tudo mais. Que que a gente tá querendo colocar aqui para vocês? É o, é, nada mais, nada menos do que a conscientização da nossa responsabilidade a partir daquilo que é muito caro a todos nós. A revelação de Deus, o nosso relacionamento com o Senhor, aquilo que ele espera de nós, né, a partir da revelação e aquilo a qual nós podemos fazer e temos potência de fazer como, ah, membros, como pessoas que criem, ah, que criam comunidades seguras para pessoas, eh, dentro da política ou que gostam de discutir política com respeito, amor, ah, com benevolência, com muita paciência. O que nós queremos promover aqui é de que, sim, há como você fazer uma conexão no nosso ordinário do texto bíblico para com questões que muitas vezes nos afeta e às às vezes a gente empurra com a barriga porque parecem ser grandiosas. Não, começa pelo pequeno, começa pelo pequeno, começa com com uma conversa, com uma pequena mobilização, ah, fale com a liderança da sua igreja, se você faz parte da liderança da sua igreja, eh, entenda das dores da da daqueles ao qual o Senhor te confiou, entre outras coisas, entre outras coisas. O que não podemos fazer é desenvolver uma fé que esquece muito do texto bíblico e vai só para performance e o moralismo daquilo que é certo e precisa ser ser feito, errado precisa ser feito porque às vezes determinadas necessidades, determinados, ah, tipos de pobreza, elas são mais multifatoriais do que necessariamente monofatoriais. E o que que isso quer dizer? Quer dizer que é necessário que você complexa, que você, ah, faça uma leitura um pouquinho mais cuidadosa ah, na hora de auxiliar, não apenas com uma palavra, mas também com uma ação prática, né, com uma ação prática. >> E como eu falei, uma pessoa que tá passando fome, ela não consegue ser livre, então, ela não consegue tirar ela mesma da pobreza. Foi esse o hot take. >> Exato. >> Muito bom, gente. Obrigado, Débora, pela tua presença aqui nesse BT Cast por trazer um pouco dessa discussão acho que fica esse lance aí da gente é estar pensando isso a somos um ser político né é eu acho que preciso me lembrar disso eu às vezes eu esqueço e a gente não pode viver nessa bolha né isso não me diz respeito e talvez não seja nem uma postura adequada a essa né isso não diz respeito a mim e tal mas é bom quando a gente tem pessoas na comunidade que se engajam né é nessa questão política mas não partidária né mas no sentido de realmente pensando o bem comum eu às vezes sou um pouco ateu nesse sentido tenho um pouco de dificuldade mano acho que essa galera não tá pensando o bem comum tá todo mundo pensando só em manutenção de poder mas também se todo mundo pensar como eu aí dá ruim também né aí >> [risadas] >> é aí dá ruim também né >> Aí a Débora não teria o emprego dela né aí é justamente isso >> Vários empregos são vários >> Empregos sem empregos >> Empregos só que que pai do Cris é fichinha então [roncando] o que acontece é é isso assim é legal a gente ficar um pouco antenado para isso né que a gente precisa ajudar as pessoas uma fé muito prática e muitas vezes uma fé prática vai se vai desembocar também nessa questão social de estar atento a isso porque políticas públicas mexem com toda né as pessoas e e se boa parte dos cristãos são pobres isso tem a ver com os nossos irmãos também né é importante a gente atentar para isso muito bom obrigado Débora pela tua presença aqui >> Eu que agradeço até a próxima >> É isso Luís estamos juntos até o próximo BTK se Deus quiser e assim permitir fiquem todos na paz do Senhor Jesus gente comentem aqui no YouTube tá bom a no Spotify a gente praticamente não olha a no Deezer não sei se já voltou a gente nunca olhou o Deezer a gente nem sabe como é que olha o Deezer o Douglas Abreu saiu fora o Deezer agora não sei se voltou mas se puder comentar comenta aqui no YouTube entra aqui no YouTube que é mais fácil para a gente olhar os comentários tá bom Deus abençoe todos vocês até o próximo BTK se ele quiser e assim permitir fiquem todos na paz do Senhor Jesus