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A fé vem pelo ouvir

A Economia do Ano do Jubileu – BTCast 650

A Economia do Ano do Jubileu – BTCast 650

A Economia do Ano do Jubileu – BTCast 650

Muito bem, muito bem, muito bem! Está no ar mais um BTCast! Nesta semana, Rodrigo Bibo recebe Deborah Bizarria e Luiz Henrique para uma conversa fascinante sobre um dos temas econômicos mais surpreendentes das Escrituras: a economia do Ano do Jubileu.

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O que Levítico 25 tem a ensinar sobre dinheiro, propriedade, dívidas e justiça social? Em uma cultura marcada pelo acúmulo, pela desigualdade e pela lógica da escassez, o Ano do Jubileu surge como um lembrete radical de que tudo pertence ao Senhor. A cada cinquenta anos, dívidas eram canceladas, terras retornavam aos seus proprietários originais e a comunidade era convidada a recomeçar. Não se tratava apenas de uma medida econômica, mas de uma profunda declaração teológica sobre graça, limites ao poder e dignidade humana.
Neste episódio, conversamos sobre o significado do Jubileu no contexto de Israel, os princípios espirituais que sustentavam essa prática e os desafios de pensar suas implicações para o mundo contemporâneo. O Jubileu pode inspirar nossa compreensão sobre generosidade, responsabilidade social e cuidado com os vulneráveis? Como evitar tanto leituras simplistas quanto a completa irrelevância desse texto para a vida cristã hoje?
Dê o play e venha refletir conosco sobre uma economia moldada não pela ganância, mas pela convicção de que Deus é o verdadeiro dono de todas as coisas. Uma economia que aponta para restauração, liberdade e esperança — e que nos convida a imaginar relações mais justas à luz do Reino de Deus.

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– Série Aliança: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALKeBBgfaSYx_7eWJWPKN3k
– Série Parábolas: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALmTOownlMJJ_SGOsn1R0Mr
– Série Origens Cristãs: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALjBXZp2y9551ayHWhdKBS5
– BTCasts MC: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAInhfKseQ-DMuNBW1V081oF
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– BTPapo: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAIbR1ZXQYUseXslZ75CGud9

Legendas automáticas:

Começa agora o BT Cast. Teologia é nosso
esporte.
>> Muito bem, muito bem, muito bem. Começa
mais um BT Cast de número 650.
Eu sou o Rodrigo Bibo e não sou pastor,
mas já queria estar jubilado.
É que seria [risadas] esse o meu ano do
jubileu? Não sei, não sei.
Cara, eu vi um meme, eu vi um meme.
Débora, você gosta de meme, Débora? Você
gosta? Você gosta? Você gosta? É. Eu vi
um meme ontem que é maravilhoso. É,
amanhã estarei cansado.
>> Amanhã.
Semana que vem foi bem cansativa.
>> Exatamente. Adoro, [risadas] adoro,
adoro.
>> Eu sou o Luiz Henrique e não há pobreza
que resista a um ano de jubileu.
>> Olha aí. Nossa, mas tu com esse braço
cruzado é bem discurso mesmo de quem se
fala e não faz nada, né?
>> É verdade. Braço cruzado.
>> [risadas]
>> É isso, é só discurso mesmo, é só
discurso.
>> agora descascar uma laranja, entendeu?
>> É, aí não peguei a referência, não
peguei a referência.
>> Depois eu te mando.
>> Tá bom.
>> E eu sou Débora Bizarria e na história
da humanidade não há como uma pessoa que
passa fome ser uma pessoa livre.
>> Caramba, olha aí, olha aí. Calma, calma,
você que ouviu isso aí, calma.
Será uma pauta bíblica aqui neste
podcast com implicações para a nossa
realidade, porque é assim que se faz
teologia. Bíblia na mão, jornal no
outro. Estamos aqui com a nossa
convidada Débora Bizarria que estou
conhecendo agora nessa gravação. Luiz,
por gentileza, faça as honras, apresente
aí a nossa convidada.
>> Muito bem, Débora Bizarria é uma amiga
querida antes de tudo, né? Lá da
comunidade da Vila. Só trago esse povo
meu complicado, né? É, presbiteriano que
não é presbiteriano direito, mas é uma
uma amiga muito querida. Ela é formada
em economia, tem as suas participações
ali na no canal muito conhecido no meio
político de notícias políticas chamado
Canal do Meio. Também dá palestras, é
uma economista de mão cheia e alguém que
é crente, que é muito bom, né, falar
isso. E ela veio, é, a gente conversando
um pouquinho sobre a pauta de hoje, ela
deu alguns insights, nós juntamos o lé
com cré e apresentamos essa pauta aqui
pro Bibo, o Bibo topou e agora estamos
falando aqui sobre o ano do jubileu e aí
as implicações pra vida da igreja, pra
fé cristã como um todo, né?
>> Que legal, Débora. Obrigado por ter
aceito o convite, por ter sugerido a
pauta e seja bem-vinda aqui ao BT Cast.
>> E muito obrigada pelo convite. E aliás,
a gente já se conheceu muito brevemente
lá na festa da Mundo Cristão. Olha só.
>> Rapaz, sério? A gente se conheceu na
festa da Tu tava lá, é?
>> Tava.
>> Meu Deus. Mas é, mas a gente se falou
assim, de apertar na mão?
>> Sim, sim. Fomos até a mesa.
>> na mesma mesa, não foi? Que você mandou
até a foto pra mim, eu acho, ou não?
>> Não, não, não. Eu fui com o Cacau
Marques.
>> Não teve comida na festa da Mundo
Cristão? Só fica só um protesto. Fica no
off.
Não, teve Não, [risadas] teve comida de
rico. Comida de rico não se senta na
mesa. Os canapés, é tipo isso, é. Isso
aí.
>> Não, é porque o rolê after foi o Cacau
Marques que foi. É, o Bibo não foi. Ele
Ele foi pra outro rolê.
>> Não, eu vou Mas pera aí, ô Débora, deixa
eu te dizer. É É que eu saí com a dona
da editora. Tipo assim, a CEO, o
Marcelo.
Então aí eu tinha Imagina, eu tinha o
meu diretor e a CEO. Então assim, aí
entre, né, eu Eu acho que o Zé Bruno que
organizou o rolê, não foi? Foi o Zé
Bruno? É, entre Zé Bruno e a, né, e os
meus chefes, foi uma escolha muito
difícil, entendeu, Débora?
>> Entre a burguesia e o proletariado.
>> É exato, é. Tipo isso, tipo isso.
[risadas] Não, eu fui Eu fui jantar no
Le Jazz, entendeu? Com tudo pago.
>> Uau,
>> Tava com fome, McDonald's, sei lá.
>> É, desculpa aí, desculpa aí. A escolha
não foi tão difícil assim. Não, mas foi
bom, a gente alinhou várias coisas lá.
Mas legal, Débora, legal. Então,
desculpa eu não lembrar. Eu E aí,
Débora, fica um fica um um disclaimer.
É, um dos motivos pelos quais eu não sou
pastor é por, né, eu não tenho com
várias competências que o pastor precisa
ter e uma delas é, cara, eu esqueço as
pessoas, o o das pessoas. Quem é essa
pessoa? Eu, na academia, eu fui obrigado
a falar com um cara: "Cara, desculpa
atrapalhar o teu treino, mas tu é um
cara que vai na minha igreja?" Ele:
"Não, não, nunca te vi na vida". Eu
falei: "É porque, cara, tu é muito
parecido com um irmão que vai na igreja.
E se tu é esse cara e eu não
cumprimento, aí a gente se vê na igreja
e fica aquela coisa, pô, o cara me vê na
academia e nem fala comigo". Porque eu
não lembro o nome, não lembro
fisionomia. Então, desculpa, Débora, eu
eu lamento não ter lembrado, mas a minha
a sensação que eu tenho é que a gente tá
se vendo pela primeira vez, né?
Desculpa, foi mal. É eu Não, imagina. My
bad. Sorry my bad, my bad. Tá bom. Ele é
meu, ele é meu, ele é meu. Ah, eu sou
vesgo também. Pode ser, pode ser que
você tenha uma implicação, às vezes tem
mesmo, eu só enxergo com um olho, mas às
vezes é difícil mesmo, né? Eu vejo só
2D. Aliás, todo mundo vê, né? Eu não
vejo 3D. Mas, enfim, isso não é
importante. Vamos pro recado paroquial,
parar de bobear isso aqui e vamos falar
sério. Recado paroquial, recado
paroquial, vamos lá. E nos recados
paroquiais dessa semana, eu tenho dois
avisos e eu prometo que eu vou ser
breve. Não pule os recados paroquiais,
porque é a partir dos recados paroquiais
que você pode descobrir como ajudar esse
ministério, o ministério Bibotalk, que
tanto te abençoa aí, trazendo teologia
de maneira gratuita na internet, desde
2013, se eu não me engano, 2013. Dito
isso, vamos para o primeiro recado. O
primeiro recado tem a ver com a Escola
Bibotalk de Teologia. Nós temos a turma
07 com inscrições abertas. Gente, a
Escola Bibotalk de Teologia tem criado
um espaço muito bom para você que está
interessado em teologia, quer começar a
estudar, não tem muitas vezes muito
tempo, então criamos uma forma de você
estudar teologia no conforto da sua
casa, tendo no seu lar um tablet, um
computador, de maneira acessível,
flexível e,
além de tudo isso, te dando promoção no
plano anual, 30% off utilizando o cupom
EBT30.
Então, fica conosco. Gente, vem estudar
conosco, porque nós temos Cacau Marques,
nós temos Cíntia Muniz, nós temos Paulo
Won, André Daniel Hike, Marcelo Berti
com um módulo sensacional de
hermenêutica. Vai entrar agora um módulo
muito bom do Daniel Coelho sobre
pregação. Quer aprender a pregar? Quer
aprender a se comunicar, a preparar um
sermão, a comunicar o evangelho à sua
comunidade de fé local?
Vem estudar conosco, tá? 30% off, Escola
Bíblica de Teologia, esse espaço que
está sendo criado justamente para
abençoar a igreja brasileira da melhor
forma possível. E o segundo motivo que é
uma outra forma de nós tentarmos
abençoar a igreja evangélica brasileira
é o lançamento do livro Igreja Sobre
Medida. Livro meu, em parceria com Bibo.
É um livro nosso, escrito a quatro mãos.
Quase, quase falei errado, inclusive,
viu? Quase falei errado aqui. E que tem
como objetivo tentar responder para
pessoas que estão procurando uma igreja
saudável, o que é de fato uma igreja
saudável. Mas para pessoas que já se
encontram em uma igreja saudável, com
algumas coisas para melhorias, quem sabe
utilizar dos ferramentais que nós
colocamos ali para poder construir essa
igreja.
E esse livro tá muito legal, muito
bacana mesmo, né? Colocamos muitos
amigos para poder
ler. Nós temos o prefácio, por exemplo,
do próprio pastor Pedro Dutra. Tem um
posfácio do Victor Fontana. É, é um
livro que tá querendo responder às mais,
às maiores angústias que nós temos e
encontramos nas redes sociais. Tipo,
"Ah, eu não sei uma boa igreja. Me
indica uma boa igreja. Me indica uma boa
igreja". Pois bem, Igreja Sobre Medida
está aí em pré-venda na Amazon. Mas nós
queremos te presentear, caso você compre
na pré-venda, com um e-book. Por quê?
O livro, ele vai ter um tempo para ser
lançado, então, provavelmente,
finalzinho de julho que você irá
receber, caso você compre agora na
pré-venda. E para que você não fique de
mãos abanando, esperando muito tempo,
nós queremos te dar um e-book, caso você
compre. Então, aqui embaixo haverá um
link do preenchimento do formulário para
receber esse e-book e, por sua vez,
aguardar com muita paciência esse livro
que nós acreditamos muito, muito mesmo,
que irá abençoar a igreja evangélica
brasileira. No mais, esses são os
recados paroquiais. Eu disse que seria
rápido, então, bora para o episódio. Um
beijo a todos vocês.
>> Bem, ô Débora, vamos lá. Acho que a
gente tem que começar, a Débora e o
Luís, que vão aqui, eh, tocar essa
conversa, pelo básico que a gente sempre
faz no BTcast. Apesar de a gente já ter
um BTcast sobre o ano do jubileu, com o
Vitor Fontana, pastor da Débora e do
Luís, ah, eu acho que é legal a gente
começar aqui com definições bíblicas
sobre o ano do jubileu. O que é esse
ano, quando ele é instituído, por que
ele é instituído, o contexto social, eh,
em que ele é instituído. Acho que é
legal a gente dar esse, eh, panorama
agora bíblico, para a gente fundamentar
nossa conversa, até para que o o ouvinte
não pode, não precise sair daqui, ouvir
o outro episódio e voltar aqui, né?
Então, ou seja, tudo nesse episódio
aqui, ele já tem uma definição bíblica,
eh, do que é o ano do jubileu e é isso.
Acho que a gente pode começar. Quem quer
começar? Débora, obrigado.
>> É que é a convidada, [risadas] né?
>> Eu vou começar falando. Não, não, mas aí
depois ela vai brilhar. Você você não
sabe onde ela vai brilhar. Eu eu já
imagino já. Mas, eh, eu acho que
>> Bibo, para come, para começo de
conversa, a gente precisava falar um
pouquinho sobre a literatura de
Levítico, né? Nós temos lá a Torá,
composição dos cinco primeiros livros da
Bíblia, o Pentateuco, e Levítico é uma
dobradiça na história e na formulação da
teologia ao qual nós temos, ah, nesses
cinco primeiros livros. Enquanto eh,
Gênesis, Êxodo estão muito preocupados
com a história de de
e as promulgações das alianças
e Números e Deuteronômio estão dando uma
continuidade para a história já no
deserto, a ida até o o Egito, né?
Gênesis e Êxodo, é Números e
Deuteronômio, a saída do Egito e a
chegada à terra prometida. Levítico
aparece no meio para para apresentar a
fé de Israel como todo consolidada, os
seus ritos, as suas cerimônias, questões
que são constitutivas
da relação desse Deus que habita por
meio do tabernáculo no povo de Deus, no
meio do povo de Deus. Então, por isso
que Levítico é um texto que muitas vezes
muitas pessoas na sua leitura anual
bíblica, ao se deparar com ele, acaba
achando muito chato porque são muitos
requisitos, são muitos ritos, são muitas
cerimônias, são ah alguns nomes
aparecendo, um negócio que tá ali meio
embromado sendo que a gente tava vindo
de uma grande narrativa e aí para para
um conjunto de regras e a partir desse
conjunto de regras, eh
ter estabelecer uma prática que vai se
suceder pela nação de Israel no deserto.
Mas o que
>> Só um disclaimer aqui, só um disclaimer,
Luís. Se você acha Levítico meio chato,
não se culpe, tá tudo bem. Eu confesso
que eu não acho tão legal. É que tem uma
hora que tu começa a ler, mano, um monte
de descrição da roupa do sacerdote. Pô,
bacana, né? É o cuidado de Deus, como
Deus cuida dos detalhes, você pode até
romantizar se você quiser, que às vezes
é o único jeito de aguentar mesmo. É
muita descrição
é é tipo às vezes Tolkien assim, mano,
meu Deus, é uma página inteira para
descrever uma mesa. Não dá, não dá, é eu
é bonito, é poético, mas se você tem
TDAH como eu, às vezes assim, mano, tá
bom, Deus, pô, legal, quanto detalhe,
hein, Deus?
Mas vou, rapaz, quanto detalhe,
[risadas]
meu Deus! viu?
>> E tudo bem, tudo bem, tudo bem.
>> tudo bem, tá tudo bem.
>> Olha, eu não tenho TDAH e eu concordo
com você, né? E principalmente porque a
gente vem de uma mentalidade muito de
nova aliança e a gente tende a meio
deixar de lado, ah, esses detalhes
cerimoniais, não tá valendo para hoje,
sendo que a gente vai discutir um pouco
sobre como algumas dessas regras
vão trazer implicações para os profetas,
para Jesus e para a gente.
>> Olha, olha.
>> É, é, é o lance do conhecimento, né? É,
quando você tem o conhecimento de uma
coisa, você consegue é, enxergar ela de
outra maneira. Por exemplo, se eu tô
olhando para uma obra de arte e o meu
irmão tá olhando para a mesma obra de
arte, ele vai ter um encanto diferente
do meu, porque eu não estudei a história
da arte, o meu irmão estudou. Então eu
olho para a Mona Lisa, ah, legal, eu
sei, né, aquela coisinha básica e tal,
pá, pá, pá, Código da Vinci, é o só que
eu sei da Mona Lisa, é Código da Vinci,
né?
>> E aí, o verde e azul, o verde não, o
amarelo e azul de Van Gogh, né?
>> É, enfim, aí, o meu irmão não, o meu
irmão sabe a história e tal, quanto a o
que isso causou, né? Então é uma outra
apreciação e na teologia tem muito disso
também, né? Isso vale para o livro de
Levítico. Quando eu não conhecia, aliás,
até hoje eu não conheço tão bem, mas
quando eu entendi a associar Levítico,
né, até mesmo com a nova aliança, com o
livro de Hebreus e tal, você, ah, tá,
tem algumas conexões que são
interessantes e tal e aí você até
entende os detalhes, aquela coisa toda.
Quando você tá só mesmo na leitura
bíblica anual e te falta esse
background, de fato, assim, mano, é
muita coisa, nossa, mano, é muita.
>> Eu acho interessante a gente continuar
daí, porque todo artefato cultural, ele
vai demandar um certo esforço daquele
que se relaciona com esse artefato, para
você aproveitar os detalhes, para que
você aproveite o significado, ah, que
bate em você, porque é a parte da
sensação, mas também o significado no
seu tempo, no seu contexto da época.
Para nós, para falarmos desse tema, ah,
acho que uma das coisas mais importantes
é de que Levítico fala sobre santidade.
E é a noção de como um um povo que é
impuro
pode habitar no mesmo lugar de um Deus
que é puro. E pureza não tem a ver ah
diretamente com pecado. Mais uma vez,
Victor Fontana, ele já fez um ou já fez
uma explicação sobre a diferença entre
impureza e pecado. Não é a pureza e a
impureza nada mais é do que um requisito
ou um um um descrédito para estar diante
do Senhor ou na presença do Senhor. Só
que quando nós observamos Levítico, nós
observamos que existe esses ritos que
estão ali nas extremidades, mas o que
está no centro é o dia da expiação.
O é um quiasmo. É como se fosse um
grande sanduíche. Sabe o o sanduíche do
do Kiko lá no Chaves, né? O sanduíche de
ovo.
Que é que é o ovo redondinho e dois dois
retângulos em cima. Pois bem, o san o
ovo ali nesse quesito, né? O recheio
desse sanduíche é o dia da expiação. O
dia da expiação é um dos elementos
centrais na teologia da Torá como um
todo, na teologia cúltica ali do Antigo
Testamento e permeia todos os outros eh
cantos da literatura de Levítico. As
extremidades estão destinadas aos
rituais e as extremidades mais próximas
do centro estão ligadas a questões
cerimoniais e as questões de sacerdócio.
Aonde é a a acontece, aonde é
apresentado ah
o ano do jubileu? Levítico, capítulo 25.
Na extremidade final, ao qual está
falando justamente das datas festivas e
daquilo que o povo deveria observar em
consonância com todos os sacrifícios ao
qual ele deveria prestar, conforme nós
vemos no no começo de Levítico. Mas o
ano o o ano do jubileu, ele é
estruturado em três partes. A primeira
parte tem a ver com a ideia do jubileu,
eh, para a terra, a segunda do jubileu
para com a propriedade e a terceira do
jubileu para com os escravos, né? Na
primeira parte, nós encontramos a noção
de um descanso a cada sete anos, na
verdade a cada seis anos e o sétimo é
para que a terra não seja cultivada,
então nenhum elemento de agricultura,
seja cultivo, plantio, colheita
organizada, poderia ser, eh,
desenvolvido, desempenhado pela nação de
Israel. Isso tinha um fundamento. O
fundamento era de que o seu sustento
como povo de Deus pertence ao Senhor e a
terra precisa de um descanso para que
ela possa ser, eh, aproveitada em sua
em e com sustentabilidade
e isso é muito importante,
principalmente para o crescente fértil,
que
que tem poucos rios que irrigam, mas
quando irrigam, irrigam com com uma
certa limitação, então é necessário que
os nutrientes da terra sejam renovados
ali, né? A segunda parte é a questão do
resgate da propriedade, então, eh, o
limite do do que o ano do jubileu, ele
coloca ou a regra do jubileu coloca
sobre as propriedades privadas, as
terras, eh, é que ele ela não pode ser
vendida de maneira definitiva. Ela é
vendida para um ciclo e nós iremos falar
um pouquinho sobre esse ciclo. E o
terceiro, eh, ponto ali, é a questão da
da escravidão.
Pessoas que contri contraíam
determinadas dívidas, elas poderiam e
que não conseguissem pagá-las, elas
poderiam, eh, vender os seus serviços e
até mesmo se vender para que, ah,
custeasse todo esse prejuízo que ela deu
a ao aquele aquela qual emprestou
dinheiro ou aquela qual, eh, tem algum
negócio. envolvido. Então, ah, o ano do
jubileu, ele entra para refrear um
pouco, é, os abusos que poderiam
acontecer nessas três dimensões: a
terra,
a propriedade e o, as pessoas, no caso,
os servos ou os escravos. Então, a
partir disso, a gente começa a entender
de que a lei do Senhor, a Torá, ela não
está
é, só preocupada com a condição
espiritual, com a alma das pessoas, mas
ela está muito preocupada com a vida
comum, o, os negócios do dia a dia, a
economia doméstica, né? A ideia de que
nós precisamos organizar-nos
é, financeiramente, lidarmos também com
o mundo que é monetário e tem um, um
sistema, é, de monetagem e Deus está
intimamente preocupado com a
materialidade disso dentro do, do seu
próprio povo.
>> E mais que isso, né? É, eu acho muito
bacana quando você para para pensar que,
porque, retomando esse ponto, né? Você
vai restituir as propriedades que foram
cedidas temporariamente por alguma
intempérie, né? Seja, ah, eu não, não
tenho dinheiro, não consigo, minha,
minha lavoura se perdeu porque não
choveu ou choveu demais, então eu não
consigo, não tenho dinheiro para comprar
a semente para poder plantar, então vou
pedir esse dinheiro emprestado para
outra pessoa ou vou arrendar a minha
terra para outro, né? Durante 49 anos,
é, fazer uso dessa terra.
É, e a mesma coisa com a outra
propriedade, né? No caso da escravidão
das pessoas, né? Se a pessoa já vendeu a
terra dela, ela não consegue fazer mais
nada e ela precisa comer e alimentar a
sua família, ela vai se colocar à
disposição como servo durante 49 anos,
até o ano do jubileu, para aí sim, né?
Ter sua própria força de trabalho de
volta, né? E, e, e poder voltar para
casa e poder, é, trabalhar diretamente e
sustentar a sua família e não só pagar
uma dívida que foi contraída num momento
de desespero, num momento de
vulnerabilidade
e tudo. Mas uma coisa que me chama muito
atenção, né, no ano do jubileu, é que
ela não só traz libertação
para as pessoas que estavam numa
situação difícil, que tiveram que
recorrer a empréstimo, tiveram que a
recorrer a quem tinha mais recursos,
mas ela também liberta a a a pessoa que
tava cedendo, né, seja a é a terra ou o
recurso, de virar um tirano, né? Porque
eu acho que vale fazer um paralelo e o
Luís que é o teólogo e o Bibo também,
eh, de de como isso pessoa lá nos do
Gênesis, da narrativa do Egito, porque
foi exatamente o que aconteceu,
né? José conseguiu salvar as pessoas da
fome,
mas acabou criando uma situação
econômica de concentração de riqueza,
porque
ah, o pessoal precisava ter dinheiro
para comprar os grãos que ele tinha
conseguido armazenar. E faltando
dinheiro, vende terra e faltando terra,
você vende a você mesmo, você vira servo
e escravo.
Então, é uma preservação dupla da vida
espiritual e moral, né? E e além de
física, porque você evita que um grupo
vire o tirano, vire o Egito, né, dentro
de Israel, e você tem um grupo que deixe
de ser Israel escravizado, né? E isso eu
acho muito bonito e muito poderoso, né?
E e e é um lembrete constante de que a
gente não tá para viver um um evangelho,
né? Claro que vai de lá na frente, mas
uma mensagem eh de Deus que seja
desencarnada, né? Que seja só uma
mensagem bonita, mas ela tem implicações
eh econômicas e é muito muito palpáveis,
eu diria.
>> Cara, isso me lembra muito até aquela
parábola do rico insensato, né? Porque
naquela parábola é bem é dito bem claro,
a a terra produziu muitos frutos. Então,
é justamente essa ideia que, né, que do
Senhor é a terra. É é o lembrete
constante ao povo de Israel, olha, o
Senhor te tirou da escravidão do Egito e
vai te levar para uma terra que o Senhor
te dá. Então, tudo é do Senhor, né?
Então, é bem essa ideia que Israel tinha
que ter como mordomo daquilo que Deus
dá, das coisas que Deus dá. Então, a
própria terra é Deus que tá dando para
Israel. Então, Israel não tem o direito
de privar, né, o aqueles que foram
criados à imagem e semelhança dele, né,
de Deus, de terem a terra.
Tudo bem, tem o lance da escravidão e
tal, que é algo plenamente aceito e tal,
enfim, e era todo um sistema que não
quer dizer que é o sistema de escravidão
que a gente aprendia na escola e tal,
né, é um pouco diferente.
Mas é esse lance de que ninguém é
escravo, é, do outro, nesse sentido, e
que há uma libertação, né, há um plano,
é, para a libertação. Não há uma, uma
perpetuação, por assim dizer, né, tipo,
não, não tem, a, a terra é do Senhor e
chega o momento que ele deixa você
ficar, mas depois isso sai de você e de
novo volta para o antigo dono, para a
antiga família e por aí vai. Mas é esse,
essa, esse conceito de que do Senhor são
as coisas e nós apenas as administramos.
E se é do Senhor, é meu dever repartir,
é meu dever devolver, né, isso é muito
bonita essa consciência, né. E isso é
uma questão social. A gente às vezes
olha para essas questões, ah, é, a
Débora falou de não sei quê, esse, esse
termo aí é da sociologia e tal, mas é,
de fato, é um anacronismo? É, mas é, mas
é isso que representava exatamente na
época, né, é uma questão social. Eu não
sei se a gente vai falar aqui, porque eu
não olhei mais a pauta, mas vou pegar o
dízimo, por exemplo, [risadas] que é uma
parada assim que, meu, né, a igreja
evangélica ama falar sobre dízimo. Cara,
vai estudar o dízimo no, no Antigo
Testamento.
É, é uma, um, cara, a gente coloca muito
no âmbito religioso, né, "tamo roubando
a Deus", "tamo roubando a Deus", é isso,
a gente falou em dízimo, ó, cuidado,
hein, se não tá dando o dízimo, tá
roubando a Deus. Cara, que pobreza tu
resumir o dízimo a roubar a Deus. É
basicamente, o dízimo tinha uma função
social incrível, né, incrível, vai
estudar um pouquinho sobre isso. Aliás,
aguarde o Igreja Sob Medida, a gente
fala sobre isso lá, no nosso livro que
vai sair em julho, né. Então, tem uma
função social incrível o próprio dízimo,
que ninguém fala sobre isso quando fala
sobre dízimo, não, só usa o dízimo para
tirar mais dinheiro do povo, entendeu?
Mas tu vai ver a questão social do
dízimo, ah, isso aí a galera não quer,
né?
>> Então, Bibo, eu queria fazer um cosplay
aqui de Victor Fontana para poder trazer
um pouquinho do, da ideia do Walter
Brugmann, porque a Débora ela puxou a
ideia do Egito.
O Egito e a figura do faraó, ela é
paradigmática. Quando nós observamos a
história dos patriarcas, eh, incluindo o
José,
a gente observa que a descida ao Egito é
uma constante luta, o aí do Egito é uma
constante luta,
eh, de um povo de Deus que sim é nômade,
está indo para lá, está pelos desígnios
divinos sendo direcionado lá para ser
livrado de uma certa forma, mas, eh, a
grande luta é: não copiar o Egito e as
suas estruturas.
E aí, quando você olha na edição da Torá
como todo, Levítico virar ao meio, logo
após o relato do Êxodo, o relato da
saída, ser organizado ali em uma
vivência antes de ir para o deserto,
é como se os autores eles tivessem em
mente de que aquilo que é a
personificação do mal,
se encontrou na figura de faraó e no
governo egípcio.
E de que o povo de Deus em contato com
aquilo estava o copiando. Se você pega,
por exemplo, a, a figura de José,
José, por sua vez, casa com uma filha do
sacerdote. José dá as bases para aquilo
que seria o serviço de vassalagem que
iria dominar o seu povo, seu, sua,
a, a sua família como todo, né, o seu
clã, eh, posteriormente. É ele que, que
realmente ao estar em contato com, com,
o sistema egípcio,
acaba, querendo ou não, se parecendo
tanto que
co é conscientemente ou
inconscientemente, isso a gente não pode
é aplicar muito, mas pode inferir
através dos autores bíblicos, ele está
querendo ou não construir uma ideia, um
um ele está repetindo a noção de
regência do Egito que não se compara com
a noção de de regência de Javé.
E
qual é a grande questão?
O Levítico vir ao meio
e logo depois da saída, nessa na grande
organização, é são é já nos mostra que
Levítico é mais importante do que muitas
vezes nós entendemos, que que Levítico
ele não é só uma sequência de regras
para nos ah para organizar um culto
antigo no antigo Oriente Próximo de uma
nacionalidade, de uma tribo específica,
mas é trazer implicações que são
realmente ah frutíferas, que geram em
nosso coração, na nossa vida
comunitária, um afastamento
contra a repetição da regência de Faraó.
Faraó é um paradigma do mal, nós devemos
evitá-los. Não é à toa que Walter
Brueggemann ao trazer essa ideia, vai
mostrar que dentro do dentro do da
mentalidade profética, a figura
faraônica e os e e as práticas
faraônicas, elas são criticáveis, se
tornam criticáveis agora nos reis do
próprio Israel. A gente entra mais para
frente é nessa questão.
O o que eu quero ah aplicar aqui é que
o Egito precisa ser evitado.
O Egito, ele é o paradigma daquilo que é
desumaniza os outros. E quando nós
falamos sobre a vida humana, a gente
fala sobre uma série de esferas da nossa
realidade, de trabalho, lazer, família,
economia
e que
a visão de mundo egípcia sempre tenta
nos roubar, está em em constante
conflito conosco, principalmente em
debates de esfera pública,
principalmente em debates relacionados a
questões políticas. Então, nós, como
cristãos, e temos, ah, no nosso bojo,
ah, o evangelho de Cristo Jesus, se nós
aderimos, de fato, o evangelho, então a
gente não precisa
aderir egípcias contraditórias ao que
Javé exige, exige, exige, né? Mas, ah,
podemos, sim, ter uma vida plena a
partir, ah, da própria lei do Senhor. E
aí aqui, essa é a proposta. O ano do
jubileu, ele vem justamente com com esse
intuito, interromper
a
a o mau a má utilização da terra
para que ela se torna sustentável e
nutritiva, nesse sentido, né? Plant, eh,
ser, eh, para para ser plantada, de
certa forma, né? Eh, impedir que as
propriedades, elas sejam alienadas e
concentradas a um grupo específico com
um determinado poder
e por e por último, impedir que o ser
humano deixe de ser considerado como
humano.
Impedir
que haja uma alguma desumanização
em prol da moeda da moeda, em prol do
valor monetário.
>> Posso dar um exemplo não contemporâneo,
né, mas mais próximo do tempo atual, de
dar essa mentalidade egípcia na prática
e como é que você começa a ouvir
discussões que você se você confrontar
com o evangelho, não funciona?
Eh, a gente sabe, né, que houve
escravidão, né, moderna, né, ali pós,
eh, o período das grandes navegações,
que muitos escravizados foram trazidos
para o Brasil e a gente sabe essa
discussão.
Mas eu sempre fico muito chocada quando
eu vou ler lá Joaquim Nabuco e os
abolicionistas brasileiros, porque
dentro do Partido Liberal no século XIX
havia uma disputa sobre se eles iam ser
a favor ou contra eh a abolição.
E o argumento dos que eram contrários à
abolição era: "Ah, não, mas o que que
vai acontecer com os proprietários de
escravos, né? Eles têm que ser
indenizados, porque eles vão perder a
propriedade".
Sabe? Isso é, na prática, é uma visão
egípcia, nesse sentido bíblico. Porque o
Joaquim Nabuco, né, não sei se inspirado
por uma noção bíblica ou por outras,
responde: "Não, mas a primeira
autopropriedade que alguém tem é a si
mesmo, né? Não é?
São as coisas, são as A propriedade são
as coisas, não as pessoas".
>> Uhum. [roncando]
>> Então eu sempre gosto de, quando a gente
tiver analisando o discurso político de
maneira mais ampla, sempre se se se
pensar, eh, começar a pensar e olhar
pela lente do jubileu. Isso, essa coisa
que estão propondo, ela vai trazer
libertação?
Ela vai trazer
a paz e o aquilo que Deus eh queria para
a gente ou vai gerar mais concentração
de poder, mais concentração econômica,
vai gerar mais injustiça?
Né? Eu eu sempre tento ter esse frame
quando eu tô pensando eh nessa aplicação
mais contemporânea do ano do jubileu,
como você tava tratando, porque às vezes
eu acho que a gente fica tão perdido
nessa coisa de: "Ah, ele é vermelho, ele
é azul, ele é vermelho, ele é azul".
E não para para prestar atenção nas
coisas que estão sendo propostas pelo
vermelho, pelo azul,
que muitas vezes, e aqui é no espectro
político inteiro, né, nada contra até me
esqueci que tão no espectro político
inteiro,
mas que sempre tem um pedacinho ali que
tá reforçando alguma forma de
privilégio, dá para usar essa palavra,
alguma forma de concentração de poder,
assim como tá descrito no Gênesis com os
egípcios, assim como tá descrito
e acontece, né, ao longo da história de
Israel, eh e a gente pode avançar nessa
discussão, porque eu sempre acho que, se
a gente não presta atenção no ano do
jubileu como um grande paradigma de da
da visão de Deus para como a sociedade
deve funcionar, a gente acaba se
perdendo nessas discussões e não avança.
>> É aí eu acho muito engraçado, eu lembro,
eu tô eu tô lendo, relendo Cartas de um
Diabo a Seu Aprendiz, do grande C.S.
Lewis, né?
E tem um insight que ele tira de lá, é
que é que eu acho maravilhoso, que C.S.
Lewis, eh,
eh, trabalhando na mentalidade, na
estratégia dos demônios que nos cercam,
eh, o um demônio ele fala: "Muitas vezes
as pessoas acham que o nosso maior e
principal trabalho é colocar coisas na
cabeça delas".
Mas,
eh, o nosso principal trabalho é afastar
determinadas coisas das cabeças delas.
Então, eh, eh, e o esquecimento de
coisas que a Bíblia traz, eh, ela ela é
um artifício para que o a a ignorância
nesse sentido, né, de de ser ignorante
ao a respeito de algo, né? Eh, eh, é um
artifício que sim, é utilizado. Eu
acredito de fato que Satanás utilize de
utilize se disso para que nós, eh,
criemos contendas do nosso meio. Então,
eh, eu sei que o o o a nossa audiência é
qualificada, mas tem muita gente que tem
alguns dedos que são sensíveis e tudo
bem, precisa ser sensível mesmo, estamos
falando de política, ah, eh, eh, não de
maneira direta, mas de maneira indireta,
só que a gente precisa lembrar que olha,
ah, as escrituras, a revelação de Deus,
ela também, eh, tangencia esses lugares
e encontra esses lugares ao qual nos,
eh, exige uma certa sobriedade, uma
certa responsabilidade. Mas eu queria
fazer uma pergunta aqui para Débora.
Bibo, posso fazer?
>> Pode, eh, eu não sei para onde a tua
pergunta vai, mas é que eu tava pensando
aqui ainda, eu sei que a gente já fez o
episódio lá com o Victor Fontana, lá em
em
mas eu tava pensando aqui sobre o ano do
jubileu, né? A gente
a gente não vê isso no Antigo Testamento
sendo praticado, praticamente. Eh, mas
no Novo Testamento, como é que isso
reverbera na igreja primitiva? Acho que
a a Débora tinha comentado alguma coisa
nesse sentido, né? Que respinga nos
profetas, a gente pode pular os profetas
aqui, mas na igreja em Jesus e na igreja
primitiva, fiquei curioso agora, porque
não me vem nada na cabeça, a não ser o
fato lá de Atos 2, Atos 4 e tal, desse
lance de ah, então peguei, peguei, né?
Tá bom, então vai falar aí, Débora.
>> pegou.
>> Então fala aí, Débora, um pouquinho
desse [risadas]
desse derramar aí do ano do jubileu ah
na nova aliança ali. Vamos pular os
profetas, deixa os profetas para lá.
>> [risadas]
>> Vamos senão a gente não anda, senão a
gente não vai para frente.
Mas e aí, como é que é, Débora? Como é
que tu lê isso?
>> Tá, tranquilo. Eh, e por favor, os
teólogos aqui me corrijam se eu cometer
alguma imprecisão, mas em Atos, né,
quando a gente tá tendo a narrativa da
maneira como o o a igreja do Senhor se
organiza,
eh, o pessoal gosta de falar, gosta de
defender uma ideologia, uma certa
ideologia política usando esse texto,
mas eh não é sobre isso, é sobre o ano
do jubileu,
que é quando eles repartiam, né?
Repartiam as riquezas, eles percebiam a
necessidade do grupo e as cartas de
Paulo tem por todo isso vai aparecer.
Eh, é é toda uma ética do cuidado. É uma
ética do repar, eh não só da da
generosidade, mas de fato de de entender
eh o que que Deus tava querendo com o
ano do jubileu. Então você vai ter as
pessoas vendendo propriedades e
repartindo ali nas comunidades quando
isso fizer sentido. Você vai ter Paulo
tratando um escravo como mais importante
lá em em Onésimo. Então você vai ter
esse comportamento, né, sobre
eh,
não é ignorar as as as estratificações
sociais, mas é rejeitar a visão egípcia,
né, para usar a referência aqui que o o
Luís deu, de mundo, que é essa essa
visão de que quem a aos poderosos tudo,
né? Ou como diria lá no livro os Quincas
Borba Borba, eh ao vencedor as batatas,
né? Quem vence fica com tudo. E é, o
evangelho supera completamente essa
lógica. Então em Atos a gente vai ver
vários momentos desses de repartir o pão
e como Deus, é, castiga quem tenta
enganar os outros para tirar proveito,
né? Como Ananias e Safira. É, você vê
Paulo muito preocupado com a a a questão
da diaconia, né? Que é outra forma de
você fazer uma gestão ali da dentro da
igreja, dentro da comunidade. E tem essa
questão, é, em relação aos servos e
escravos também é tratar todo mundo como
irmão, né? Deus não faz acepção de
pessoas. Então ainda que você esteja
numa situação de injustiça e numa
situação de vulnerabilidade,
é, um, Deus ama você.
Dois, a igreja tem que estar lá para te
apoiar e te levantar. O povo de Deus foi
chamado para isso. Então você tem uma
clara ligação, né, dessa visão do ano
jubileu, passa pelos profetas, que a
gente deixando de lado, é, e Jesus e os
e os apóstolos resgatam muito com essa
mentalidade. Não é à toa, eles não
criaram nova forma de pensar
socialmente. Eles estão resgatando o que
eles já já viam na tradição e que Deus
já vinha pregando,
é, na Bíblia inteira.
>> Legal. O próprio amar o inimigo também,
quando Jesus fala, né, para a gente amar
o nosso inimigo. E o amor na Bíblia é
uma coisa muito prática, né? E o amar o
inimigo, Jesus não tá inventando isso,
ele tá, né, trazendo de novo Levítico
para para a história. Mas lá no Antigo
Testamento é assim, amar o inimigo não
significa sentar na mesa, comer com ele
agora, esquece tudo o que ele te fez
aqui, me abraça e e vamos vamos ser
amigos. Não. Mas cara, se não importa se
tá tendo uma necessidade, né, se o
animal dele tá caído na vala, não
importa se é teu inimigo, você vai lá e
vai tirar o animal da vala, você vai
ajudar ele, depois segue o teu caminho.
Então da mesma forma amar o inimigo, é,
ou como o Alexandre Milioransa fala,
mano, se alguém tiver passando sede, não
importa se a pessoa é tua inimiga ou
não, você vai dar água para ela. Então
amar o amor é muito prático na Bíblia,
né? É, quando João vai falar sobre as
pessoas alcançadas pelo evangelho, é
justamente isso, olha, a gente demonstra
amor tendo recursos desse mundo e
ajudando quem precisa.
Né, primeira João 3:16 e 17 é
basicamente sobre isso, olha, se você
tem, quer, quer, quer saber se você ama
o seu irmão?
Você, você ajuda os outros, entendeu? Se
alguém tá passando necessidade, você tá
ajudando ela? É muito claro isso nas
escrituras, é essa praticidade do amor,
de realmente, isso é tão caro, né, ao
ponto de Deus ah, ah, ali é castigar
instantaneamente Ananias e Safira, né?
Porque é uma coisa muito, muito cara
pra, pra Deus.
>> Porque isso visivelmente é perceptível.
Visivelmente perceptível. Ah, os, os
pecados relacionados à, à negligência
do, do desfavorecido, ele acaba sendo
visto, lembre-se que o ano jubileu ainda
está sendo colocado no contexto de
Levítico, que é o testemunho público, é
o culto é, é de Israel, que acaba sendo
manifestado como um testemunho visível
às outras nações, é o, um, um
identificador nacional, é um
identificador de um determinado povo.
E aí, quando a gente observa, por
exemplo, Ananias e Safira sendo, ah,
fulminados por conta de uma negligência,
por conta de uma, ah, de uma
ah, uma administração ali da, das
ofertas, né, da, uma má administração
das ofertas ou um encobrimento de uma,
de uma parte das ofertas, é, é o, é Deus
tornando visível o, o que está em
impureza, porque o impuro ao contato com
o puro é fulminado. Mas uma vez, uma
noção muito veterotestamentária e de
literatura sacerdotal que está sendo
evocada por Lucas em Atos
pra mostrar pra vocês que com Deus não
se brinca nessas questões.
Né, com Deus não se brinca nessas
questões. Então, aquilo que você tentou
deixar oculto, na verdade, é, será
manifestado e revelado por mim.
Por mim. Por isso que a corrupção
relacionadas a a questões financeiras e
econômicas eh são ah fruto direto de uma
falta de seguimento da premissa do ano
do jubileu. E olha que é interessante,
eh eu eu sei que o Bibo quer pular logo
pro Novo Testamento, mas sítios
arqueológicos mostram que ah com o
passar do tempo quanto mais uma
sociedade a sociedade ah israelita ela
se desenvolvia, chegando próximo ao
período final da monarquia,
mais arquitetonicamente
você via uma diferença discrepante
de ah de escalão social. Ou seja, as
pessoas ah a arqueologia demonstra que
pela falta de observação do ano do
jubileu, já que nós não temos nenhum
relato de observação, mas pela falta de
observação do ano do jubileu,
arquitetonicamente,
a gente vê que as pessoas começaram a
acumular tantas riquezas que havia
desproporcionalidade
e um reconhecimento de onde o pobre
vivia e aonde o rico vivia, onde o mais
abastado vivia. Enquanto em sítios
arqueológicos que eh conseguiram
resgatar um espaço que estava mais pro
próximo do relato, né, em datação, do
relato da da composição de Levítico e
uma e a princípio uma certa observação
do ano do jubileu, você tinha uma
equidade entre a arquitetônica. Então,
ah às vezes um um uma casa tinha só um
puxadinho a mais, a outras vezes ela só
tinha um quartinho lá no fundo, mas
ainda assim havia esse tipo de equidade.
No final da monarquia, que é aonde os
profetas eles retornam pra acusar e
trazer o ano do do jubileu como uma das
figuras para o arrependimento, você já
não encontra mais isso. Você encontra o
o próprio povo de Deus eh praticando ou,
eh, eh, sintetizando, eh, na verdade
não, eh, né, nem sintetizar, né, eh,
realmente, eh, eh, eh, imitar
quem, eh, Faraó foi e o que o Egito fez
e como isso ficou impregnado no coração
deles.
>> Que que tu ia falar antes, Débora, do
Luís começar a falar?
>> Eu ia, só acrescentar que você tava
falando muito sobre ajudar o próximo,
né, e servir as pessoas. Eu acho que a
gente tá num canal do YouTube, a gente
tá na internet, eh, eu acho que é
importante falar que
eh, existem outras formas, mais sutis,
de você tirar a dignidade do outro, que
é como a gente vê nas discussões online,
que é você diminuir a pessoa porque você
discorda dela, falar que tem que morrer,
que tem que fazer isso e aquilo outro,
eh,
né, então
a a há mais de uma forma, não só deixar
morrer de fome, mas também você, na
forma como você trata as pessoas, né, de
forma verbal,
>> querendo ou não acaba sendo um
desdobramento dessa falta de
consideração pelo outro que Deus criou
também.
>> Muito bom, muito bom. Gente, e aí então,
beleza, a gente viu que a igreja de
alguma forma aprende, né, os princípios,
pratica esse princípio, tá muito claro
isso ali, ah, ainda que não seja, né,
porque aí que tá, né, não é o o ano do
jubileu é Jesus Cristo, né, e hoje se
cumpre o ano aceitável do Senhor é Jesus
Cristo, eh, eh, é esse ano que é
cumprido, ou seja, a a essa oferta de
Deus e agora a libertação que a presença
de Cristo causa e o que ela inspira a
igreja a fazer e atuar e tudo mais.
Quais outras aplicações a gente consegue
fazer então para os dias de hoje em
relação a esse o o ano do jubileu, a
esse princípio, né, de doação, de
compartilhar, que a gente tem no Novo
Testamento?
>> É, é ter essa consciência, eu acho, que
são são são duas camadas, eu diria, uma
é a nossa camada de ação comunitária
dentro das igrejas, eu acho que é bem
documentado que as igrejas evangélicas,
na sua maioria, tem uma ação social
super importante,
né? De ajudar as pessoas, alfabetização,
né? O Fontana sempre lembra disso, né? A
alfabetização brasileira foi muito
movida, eh, pela leitura da Bíblia e
muito ensinada em escola bíblica
dominical, então isso é bem importante.
Eh, além de sopão e, enfim, né? A gente
tem uma uma atuação comunitária.
Mas existe a segunda camada, que é a
camada de de ação política, que ela
precisa ser, sim, pautada por esses
valores que tão ali,
claro, né? Vindo do evangelho e que tão
refletidos nesse ano do jubileu.
Que é, claro, e aqui eu não tô aqui para
defender nenhuma bandeira específica,
mas quando a gente tá olhando, por
exemplo, eu eu posso dar meu testemunho,
eh, Luís?
>> Claro. E depois e depois fala assim:
"Agradeço a oportunidade em nome de
Jesus".
>> [risadas]
>> É um testemunho de engajamento mais
assim, né? Eu sou cristã.
>> Graça e paz.
>> [risadas]
>> É isso. Eh, eu sou da família cristã há
muito tempo, então, assim, não tenho uma
história de, ah, encontrei Jesus, mas eu
eu eu tenho uma história de quando eu
quando eu me eu tive o sentimento de que
o ano do jubileu não tava sendo feito,
sabe? Assim, né? Do ponto de vista
socioeconômico e, enfim.
Que foi eu tava no segundo período da
faculdade de economia
e eu fui para uma palestra que era sobre
gastos no gastos e impostos no Brasil,
quem paga e quem recebe.
E era, eh, com a professora chamada
Rosane Bezerra, que trabalhou em
governo, uma pessoa que entende muito
essa área social, economista mesmo. Ela
foi mostrar os números, né? Do Brasil na
época.
E aí ela
mostrou, né? Quem paga e quem recebe,
algumas conclusões. Uma, né? O pobre
paga mais imposto no Brasil de forma
proporcional, né? À renda, de, né? Ou
seja, ou é a taxação é regressiva, ou
seja, pobre paga mais proporcionalmente.
Isso a gente sabe.
Dois, eh, o gasto também ele tende a ser
bastante regressivo, por incrível que
pareça, a gente pensa: "Ah, porque tem
muito programa social, né? E tal". Mas
não, muito do gasto do governo, ele vai
para áreas mais ricas, vai para
determinados subsídios para empresas,
vai para, enfim, vai para várias coisas
que não é para ajudar a gente pobre não,
tá?
É, e ela estava falando que até, acho
que até a implementação do Bolsa
Família, o Estado brasileiro estava
aumentando a desigualdade, ou seja, ao
pegar imposto de um lado e devolver com
gasto,
né? Até o Bolsa Família entrar e meio
que equalizar essa, essa conta, a gente
estava aumentando, o Estado brasileiro
estava aumentando a desigualdade. Eu
lembro de virar, peraí.
O Estado brasileiro não entrega educação
muito boa, né? A qualidade precisa
melhorar muito. Segurança pública, não
sei vocês, mas as melhores também não,
acho que tem, entre as, 50 cidades mais,
tem umas 10 entre as 50 cidades mais
perigosas do mundo.
E aumenta a desigualdade, então isso
aqui, para que que isso tá servindo,
minha gente? Isso aí que eu, você vai
virar uma pessoa ligada em política
pública?
Porque isso me chocou de um jeito que eu
falei, mas peraí, eu não posso ficar
aqui
sem fazer nada, sabe? É, e, e, e,
eu penso muito, né? Quando eu tô, no dia
a dia que eu tô um pouco estressada com
política, quem me acompanha sabe,
eu sempre tento lembrar do meu papel.
Não tô dizendo que todo mundo tem que
tá, tem que ser a pessoa mais engajada
do planeta, mas eu acho que ter essa
clareza de que existem sistemas e, e, é,
que
são estruturados, né? De forma a dar
privilégios, a dar benesses para um
grupo, para grupos de pessoas que
conseguem usar a máquina pública,
enquanto o resto da sociedade tá ao léu,
e tá brigando ainda por cima, né?
Para defender esses privilégios dessas
poucas pessoas,
né? É, é, é inacreditável, né? E foi um
pouco nesse processo de estudar
economia, de tá lá na sala de aula, de
ver esses dados, que me deixou muito
chocada, porque o Brasil, gente, é, o,
o, o jubileu às avessas, é, Egito, nesse
sentido.
Né? É o segundo país mais desigual do
mundo, isso não é
por acaso, sabe? Então, é, e com isso eu
não tô querendo fazer aqui uma parte
>> que é essa aí, Débora? O que que é? O,
>> É a desigualdade?
>> É o Brasil.
>> É pelo Gini, índice de Gini, é a taxa de
desigualdade, ou seja, a distância entre
as pessoas mais ricas e as mais pobres,
ela é muito alta.
É, e e muito
é, e muito do gasto brasileiro vai para
o topo da pirâmide, tá? Eu não tô, é,
não tô exagerando. E antes que alguém
venha me acusar de alguma coisa aqui, eu
não tô dizendo que a gente tem que fazer
a revolução, pelo amor de Deus, eu nem
nem gosto dessas coisas.
É, o que eu tô dizendo é que esse dado,
essa informação me deixou muito, é,
chocada, porque significa que tem
grupos, né, dentro e fora do estado que
conseguem tirar pedaços do orçamento
público, que é imposto, que todo mundo
paga, e se apropriar disso, para mim não
tem nada mais
sinceramente demoníaco, uma das coisas
mais demoníacas, porque isso vai
né, tirar oportunidade das pessoas, isso
vai gerar distorções econômicas que faz
com que elas não consigam não consigam
prosperar, isso faz com que elas não
tenham liberdade para
florescer mesmo e sabe, para além, né,
do encontro com o evangelho, que é
fundamental, a gente acaba tendo,
criando um um ambiente que é é
destrutivo para as famílias, né, que é
destrutivo para as crianças que não vão
para a escola ou vão e não aprendem, né,
porque o professor tá faltando.
É, destrutivo, segurança pública eu nem
preciso comentar, é uma tragédia, né? É,
e aí não tem interlocução com as
polícias, a gente não resolve crime.
Então, é, toda vez que eu tô nesse no
Vale Sagrado, depois que eu descobri o
ano do jubileu, eu descobri todas essas
esse cuidado que Deus tinha em tentar
fazer com que o povo de Israel fosse
esse lembrete da bondade dele, da forma
como ele vê o ser humano e vê
a materialidade da criação dele, é, foi
um grande e é foi e continua sendo um
grande motivador do meu trabalho, né, de
debate público, né, e de tentar ser uma
cristã
nesse meio, não tem muitos, tá, gente? É
é nesse nesse setor de economista eu
conheci pouco na vida, né, e nesse nesse
se é área de de ficar comentando
política, não tem muitos mesmo.
É, então, para mim é é
é é se eu puder deixar a uma mensagem,
eu acho que é
toda vez que você estiver pensando
política, defendendo alguém, falando mal
de alguém, né, na política, tenta pensar
o que é que essa pessoa tá fazendo, né?
Ela tá contribuindo para a gente chegar
mais próximo desse ideal de
de restauração, né? De dar eh
acesso, né? Pras pessoas, né?
Conseguirem se desenvolver ou se a gente
tá contribuindo pra essa coisa muito
negativa que é essa concentração e essa
dominação, no final das contas, que a
gente vê acontecendo no dia a dia.
>> Ô, Débora, uma pergunta bem de leigo
aqui, eh que eu acho que pode ser a
dúvida, então. Porque eu não entendo
nada de política e, infelizmente, até
nem gosto muito do assunto.
Eh e eu sei que eu tô errado nisso, tá
bom? Mas é que 3,50 é muito tentador pra
não pra não precisar sair de casa. E aí,
o que acontece, Débora? Às vezes a gente
tem aquela impressão, eh nós como leigos
e até desinformados,
que ah, é muita roubalheira e tal. Não,
o Brasil não vai pra frente porque é
muita roubalheira. E, de fato, quando a
gente fica sabendo, né, do escândalo, do
desvio de Mano, é muita grana, assim,
tipo, mano, como é que esse cara Esse
cara roubou tanto dinheiro que o cara
não tem nem vida, tipo, o tatara tatara
neto desse cara não precisa trabalhar,
entendeu? De tanto dinheiro que esses
queima, roubou e tal, aquela coisa toda.
Assim, a gente fica quando vazam os
números Vazam não, né? Quando são
publicados os números do escândalo, do
rombo, disso, daquilo, a gente fica tudo
assim, mano, é muita grana, né, mano? Eu
Eu em três vidas eu não juntaria esse
dinheiro, e tal.
E a gente acha que é muito isso, ah, o
Brasil não vai pra frente porque tem
muita roubalheira. A gente costuma falar
isso. Na tua opinião, não é somente
isso, então. Tem é coisas aprovadas por
lei, mecanismos
que corroboram pra o aumento da pobreza
nesse sentido, assim, eh
>> Isso. Eu vou dar Eu vou dar um exemplo
bem fácil que vocês que trabalham com
mídia vão vão captar rapidinho.
Eh
>> Não, já botou uma pressão, Débora,
porque se eu não captar, eu vou me
sentir [risadas] Eu já falei que eu não
sou meio burro nesse assunto.
>> A gente finge, não, a gente finge que
finge.
>> É, não. Eu já falei que eu sou meio
burro no assunto. Aí tu fala que não é
pra eu captar rapidinho. Aí eu não
capto, aí eu vou me sentir mal.
>> [risadas]
>> Eh Quando vocês vão comprar equipamento
de filmagem, microfone, etc., vocês já
devem ter notado que no Brasil é, tipo,
duas vezes mais caro do que aí nos
Estados Unidos de comprar, certo?
>> Sempre tem um amigo burguês que tá
voltando de lá, graças a Deus. Amém.
>> Mas não é maluco que o cara burguês que
vai lá viajar para Miami, para Nova
Iorque, ele tem até 1.000 dólares, ou
seja, quase 5.000 reais para gastar sem
pagar tarifa, mas a pobre tia que quer
comprar as blusinhas dela da Shein, que
seja.
>> [risadas]
>> Antes Antes podia estar 50 dólares por
um furo que tinha na Receita Federal,
agora nem isso. Entende Entende já a
desigualdade?
E calma, tem uma camada superior, né? Ou
seja, o cara que é rico consegue ir lá
comprar um negócio barato, né? E o que é
pobre não consegue nem as blusinhas
comprar em paz.
E isso E por que que Mas por que que a
gente paga tanto assim imposto, né? De
tarifa de importação. O Brasil é um dos
países mais fechados do mundo em em em
bens eh industrializados. 2020 tava
entre os 10 mais, agora os Estados
Unidos tá competindo com a gente por
algum motivo.
Eh E Mas por que que é isso? As várias,
não todas, né? Algumas empresas muito
ricas têm dinheiro e não é para comprar
o político, tá?
Para montar um time de lobby, para ir lá
para Brasília para falar com o deputado
Deputado O deputado não, nesse caso da
da
eh abertura comercial, né? Eh com o
presidente. É É ordem executiva. Para ir
lá no presidente da República e dizer:
"Olha,
a gente não consegue competir com os
chineses e se a gente não
tiver um um uma tarifa, né? Eh impedindo
a competição nossa com as blusinhas O
pessoal das blusinhas da Shein, a gente
vai falir, vai perder os empregos".
Detalhe, tá? A indústria nacional não
emprega tanta gente assim, já tá muito
automatizada.
E várias pesquisas assim no mundo Assim,
eu posso mandar depois aqui um monte de
paper para vocês botarem aqui na linha.
Eh Mas basicamente o seguinte: a O Esse
protecionismo tem um custo, né? Porque o
governo também se subsidia várias dessas
empresas, ou seja, dá desconto em em
imposto e tudo.
Eh Primeiro, torna as pessoas mais
pobres, porque em vez da pessoa poder
escolher o que ela quer comprar, né? Ela
compra mais caro ou de pior qualidade ou
as duas coisas. Complementa a renda
dela, em vez de ela comprar uma blusinha
por 50 eh por 20 reais, ela compra por
50, para financiar um empresário que tá
fazendo lobby em Brasília, tá?
Eh e eh isso gera grande desigualdade,
né? Tem um paper do Rodrigo Soares que
fala inclusive que na pequena abertura
comercial do Brasil que a gente teve nos
anos 90,
os mais beneficiados foram pobres e
pessoas negras, pretas e pardas. Então
você tem até componente de desigualdade
racial aí.
Então você tem mecanismos em que grupos,
né, o Adam Smith já falava isso, né?
Grupos de empresários fazem, né, esses
esses grupos de pressão para ir lá em
Brasília e convencer o governo de que
isso vai ser bom para o país.
Só que a maioria de nós não tem essa
grana para se juntar e fazer, olha, a
gente vai falar, pedir pela pelo fim da
taxa das blusinhas, por exemplo.
Hum. A gente não consegue fazer isso. A
gente na economia chama isso de eh
prejuízos concentrados, né, que no caso
esse caísse, né, essa medida, né, do
protecionismo, eh os prejuízos vão ser
concentrados nessas empresas, para esses
empresários, acho que vai bem dizer
isso.
E os benefícios são difusos, ou seja,
todo mundo se beneficia um pouquinho
pagando mais barato nas coisas que
compra. Isso é para dar um exemplo, mas
tem várias políticas públicas que são
isso, não é ah, roubo, é grupo eh
organizado que consegue eh pressionar
pelo pelos seus próprios interesses.
Então super salário no no serviço
público, que é uma minoria, tá, não não
é a maioria do setor público que ganha
rios de dinheiro, é uma minoria que
consegue pegar uma fatia gigantesca do
orçamento
para se beneficiar,
sabe? E a gente não consegue desmontar
isso, porque a gente tem muita coisa
para da vida para tocar, por isso que eu
não julgo você de não participar do
debate político, você tem que tocar sua
vida mesmo.
>> Hum, não, mas eh isso nos impacta de
maneira direta, né?
>> Impacta, impacta, impacta muito, porque
são pequenas coisinhas, vai vai tirando
seu poder de compra, vai tirando eh
possibilidade de gerar riqueza, porque
se você não compra barato o seu
microfone,
você deixa de produzir vídeo de melhor
qualidade, você gasta mais dinheiro ao
invés de estar contratando o editor, por
exemplo. Isso tem um efeito em cascata.
Ah, e outro número para deixar vocês
chocados. A indústria, eh, a indústria
audiovisual brasileira, que se prejudica
muito de um sistema protecionista como o
nosso, emprega 60% mais do que a
indústria automobilística, que é muito
subsidiada no Brasil e é poluente
também, vale dizer.
E não gera tanto emprego, cara. Então,
assim, são umas escolhas que eu fico
assim, eu fico abismada, eu fico,
>> [roncando]
>> nossa, não é coisa de um governo.
>> que privilegiam um grupo específico de
pessoas. É, é que é a
a nossa politicagem típica brasileira.
Mas, ah, ainda assim, se a audiência
tiver muito, eh, ah, parecem coisas tão
grandes, o que eu, né, aonde isso
realmente me me afeta?
Observa as suas contas e observe nos
últimos meses o quão dificultoso,
custoso tem sido para ti, audiência,
pagar as contas que são básicas.
Faz uma balança com as contas do ano
passado referente a esse mês, ah,
estamos em abril, eh, maio, né, esse
episódio será lançado em maio, maio.
Puxa as últimas contas, a conta de maio
de 2025 e observe o quão você tem, eh,
tido bastante dificuldade em manter
aquilo que é o básico, que é o basilar
na sua casa. Eu eu li recentemente de
que o endividamento das famílias
brasileiras, da inadimplência, ah,
alcançou em março agora desse ano
recorde histórico de 80%
80,4 para ser mais exato, né, eh, tem
algumas variações e tudo mais. 80% de
inadim, 80% de famílias brasileiras
inadimplentes e e muitas vezes, ah,
nosso, em nosso discurso que é muito
moralista, muito legalista até mesmo, a
gente recai, eh, e parte de uma fé que
acha que é o desempenho da pessoa.
Então, a pessoa precisa ser responsável
pela sua, eh, economia doméstica. E sim,
de fato, ela precisa ser responsável
pela sua economia doméstica. Mas quando
nós estamos olhando para nossa própria
realidade, no contexto brasileiro,
contexto urbano, as coisas, elas têm a
aumentado e não há o que o o que fazer
diante de uma inflação que não tem sido
necessariamente galopante, porque ela
não acontece de muito rápido, mas tem
aumentado tanto, mas aumentado tanto e
aos poucos, como nos últimos anos, que
muitas vezes a gente não sabe aonde
enfiar e todo o nosso conhecimento que
já é pouco, porque o Estado, ele não dá
uma boa educação nesse sentido, é é se
torna praticamente irrisório, se torna
praticamente inócuo diante da dos
problemas que se que se levantam. E não
parte só de ter um salário alto, não
parte só de ter uma boa administração,
parte também de uma coisa relacionada a
custo, a a lazer, ao que o ser humano
precisa de base lá e daquilo que o
Senhor também nos pede. Devemos lembrar
sempre de Levítico. Levítico tem
cerimônias, tem festas. A vida não é só
cultuar a Deus e trabalhar e ser
responsável, como na literatura torática
fala, mas também celebrar. Existe uma
parte constituinte do ser humano que
está para além do do trabalhar e pagar
as contas. E mesmo assim, ah, muitas
vezes os os nossos governos, os nossos,
ah,
deputados, os nossos, os nossos
governantes aqui, os nossos governantes,
eles não são criticados por aquilo que
precisa ser criticados, criticados,
entre aspas,
cobradas por aquilo que precisa ser
cobrado. Nós, como como igreja, a gente
precisa tirar o o o a responsabilidade
do âmbito particular e começar a
observar aquilo que precisa ser
criticado e cobrado dos nossos
governantes em lidar com problemas que
estão intimamente relacionados com uma
humanidade que está sendo nos tirada ao
pouco, como a Débora falou,
e é nos tirada ao pouco por causa de uma
inflação, por causa do privilégio de um
grupo específico. Eh, nós precisamos
barrar, a partir da sabedoria bíblica,
eh, e do, ah, do, da, da cobrança que
pode vir da sabedoria bíblica, ah,
aquilo que vem do ano do jubileu, o que
o ano do jubileu justamente quer parar
a, a grande concentração de, de, de, de,
ah, de, com, de,
ah, Jesus amado, de, ah, Jesus, agora tá
difícil, né? Eh, de patrimônio,
obrigado.
>> [risadas]
>> De patrimônio, de propriedade, a, a
desumanização de pessoas que estão
trabalhando mais para não ter o retorno
financeiro de acordo, tudo isso parte de
um lugar não de re volução, mas parte de
um lugar de leitura e reflexão bíblica.
Leitura e reflexão bíblica. Se o Estado
não consegue garantir para nós o
basilar, a gente precisa voltar e, e ver
que o nosso Deus é gracioso,
tão gracioso que ele não só se preocupa
com o basilar, conforme o ano do, do
jubileu, mas também com todo um
ecossistema de funcionamento, de
plenitude para todos.
Para todos. E ao buscar isso, nós
estaríamos ali desenvolvendo o shalom,
buscando a paz daqueles que nos cercam,
crentes e não crentes. E aí é onde a
igreja não institucionalizada,
mas pode encontrar espaço como presença
fiel
nos debates nas esferas públicas.
Porque,
gente,
político que fala que é a favor da
família, político que fala que é
conservador, mas que não tem propostas
efetivas para o lazer,
para o cuidado, para proteção das ditas
famílias ao qual ele eh diz que que
protege,
não é conservador,
não é cristão de fato ou tem o seu
cristianismo tão enlatado dentro eh
concentrado, né, dentro de uma
de um de uma esfera particular
que
falta que realmente que falta ele
realmente encontrar de fato com o poder
transformador do evangelho, entender que
o evangelho ele consegue transformar a
partir de pautas que podem promover o
bem comum.
>> Um exemplo disso que você tá falando
desse tipo de político é o pessoal que
fica muito preocupado com quem tipo de
pessoa vai usar o banheiro na escola,
numa escola que não tem banheiro e num
país que metade das pessoas não tem
saneamento básico, sabe?
>> Exato, exato.
>> Não que a discussão do banheiro não seja
legítima, ela é, mas assim
>> Ela é ela é legítima, mas
>> mas vamos priorizar aqui as coisas,
sabe? Qual é a ordem de prioridade,
entendeu? Então é é é isso que me move
nesse debate, eu acho que assim, não eu
acredito na divisão do trabalho, tá
gente? Então eu acho que nem todo mundo
tem que ficar virar militante ou
envolvido sobre envolvido, mas se eu
puder deixar uma tarefa de casa é
vai votar esse ano? Anota todo mundo que
você votou
e uma vez a cada três meses dá uma
acompanhada do que que fulano tá
fazendo,
né? Eh eu acho que isso é importante. Eh
não precisa acompanhar o tempo todo, não
precisa tá ligado nas notícias, deixa
que eu faço isso. Eh e
>> [risadas]
>> isso é com ela minha véia, é o preço que
eu pago pelo meu chamado, na maneira que
eu vejo o meu chamado, assim.
Eh mas assim, dá uma acompanhada, não
fica só no discurso de que fulano eh eh
a tática mais baixa é falar "mas e
fulano? Fulano não fez isso, não, não,
não, não. Mas e você? Vote em você".
Entendeu?
>> Aham.
>> Cobra a pessoa em quem você depositou o
seu voto e seu voto é a última coisa, as
coisas que a gente pode fazer na
comunidade, sabe? Eu acho que a igreja
pode atuar de maneira muito direta, que
é cobrar professor que tá faltando na
escola pública, vizinha do bairro que as
pessoas da igreja tão indo,
que é cobrar saneamento, que é fazer
essas ações mesmo, para além do que a
igreja consegue fazer bem, eu acho que o
Brasil a gente é muito ativo comparado
com outros países.
A gente é muito ativo no âmbito privado,
no sentido de a gente ajudar nossas
comunidades, mas às vezes a gente
precisa ajudar da porta para fora. E
nesse sentido é, não só evangelismo, mas
é dizer, vai ter saneamento aqui sim,
não vai alagar mais essa rua não, sabe?
Bonitinho do que o vereador não vai lá
pedir voto de crente? Então vai lá e
cobra o querido.
Assim, pela sociedade, não só pelos
evangélicos.
>> Ele vai fazer o que a igreja quer,
querida, dar rádio, concessão de rádio,
né?
>> Exato, exato.
>> Ele vai dar
>> Mas que igreja é essa? Aí a igreja
tá errada.
>> [risadas]
>> Que a igreja tá errada, né? Eu tô
falando da igreja
>> E e essa é uma forma de trabalho
diaconal, que muitas vezes a gente perde
do nosso horizonte, né, Débora, né,
Bibo? E a gente tem um capítulo lá no no
Igreja Sobre Medida sobre diaconia, né,
de serviço. E é um serviço realmente
para fora. É um é um serviço que que
encontra o outro, o próximo, né? E quem
é o próximo? Quem passar na frente. E
quem passar na frente não está só
intramuros, está extramuros também.
>> É.
>> E por favor, não briguem por causa de
política, tá? Por favor, é só isso que
eu peço para vocês.
>> É, não, não não se faça isso. Vamos
vamos louvar o Senhor, vamos cultuar o
Senhor.
>> também, pronto, vamos.
>> [risadas]
>> Por favor, não briguem. É, não vale a
pena. Tem um filme, é, vou encerrar
minha participação nesse podcast, é, tem
um filme chamado A Troca
com a
nossa, como é o nome dela? A Angelina
Jolie e o
é, e o outro, como é o nome do cara?
Deixa eu até procurar aqui. Cadê? É o
John Malkovich. É, ele faz o Reverendo
Brigleb.
E mano, é muito legal a atuação pública
desse reverendo, né? Então ele é um cara
que se envolve ali com a cidade. Gente,
vamos lá, é, é claro que
não quer dizer que toda igreja, a gente
não tá falando que a igreja ela tem que
ser militante. Acho que se você levar
para esse lado, você tá não tá
entendendo a conversa, não é isso,
entende? Mas uma igreja que tá ligada,
né, nos no bairro onde ela está, sim, a,
a igreja, ela pode lutar por melhorias
naquele bairro. Isso não é militância,
isso não é, não tem a ver com o partido
A ou partido B, mas uma igreja que se
preocupa com a localidade. E uma coisa é
muito importante, a igreja também não
precisa de nenhuma lei para fazer o bem,
tá? A igreja não precisa de nenhuma lei
para fazer o bem, para espalhar a
bondade, para espalhar o amor, para
cumprir aí, é, de fato, o que Cristo
pede da, da comunidade. A igreja nunca
precisou, ela chaqualhou o império
romano sem precisar de leis que a
favorecessem, ponto.
Agora,
como a gente vive em um regime também
democrático e tal,
é, a gente, né, tá tentando manter, ah,
o que acontece? Às vezes precisa mesmo
ter esse lance político envolvido. E às
vezes é inegável, a gente, né, é, não dá
para a gente achar que não existe, não,
então, às vezes um envolvimento de
irmãos da comunidade, irmãs, enfim,
talvez possa ser algo saudável, entende?
E, e, e, e, e e até incentivado pela
igreja no sentido de pessoas que estão
lá representando mesmo o evangelho e
pensando sempre no bem comum. É
possível? Aí são outras discussões, não
é?
>> É possível, você tá rolando aí outra
discussão, mas eu queria também, é,
pedir se você tem alguém, é, próximo a
você, seja cristão ou não, mas que
compartilha dessa visão do evangelho,
né, do ano do jubileu, ore para essa
pessoa, por favor, porque é uma luta
constante.
>> Para aqueles que estão fazendo, de fato,
a teologia pública, né? Teologia
pública, porque teologia pública não é
fácil de se fazer no Brasil, mas é, é
isso, e, e, e, e gente, observem, é,
tudo o que nós falamos aqui pode ser, é,
assimilado por qualquer vertente
política, conservador, é, socialista,
mais progressista e tudo mais. Que que a
gente tá querendo colocar aqui para
vocês? É o, é,
nada mais, nada menos do que a
conscientização da nossa
responsabilidade a partir daquilo que é
muito caro a todos nós.
A revelação de Deus, o nosso
relacionamento com o Senhor, aquilo que
ele espera de nós, né, a partir da
revelação e aquilo a qual nós podemos
fazer e temos potência de fazer
como, ah, membros, como pessoas que
criem, ah, que criam comunidades seguras
para pessoas, eh,
dentro da política ou que gostam de
discutir política com respeito, amor,
ah, com benevolência, com muita
paciência. O que nós queremos promover
aqui é de que, sim, há como você fazer
uma conexão
no nosso ordinário do texto bíblico para
com questões que muitas vezes nos afeta
e às às vezes a gente empurra com a
barriga porque parecem ser grandiosas.
Não, começa pelo pequeno, começa pelo
pequeno, começa com com uma conversa,
com uma pequena mobilização, ah, fale
com a liderança da sua igreja, se você
faz parte da liderança da sua igreja,
eh, entenda das dores da da daqueles ao
qual o Senhor te confiou, entre outras
coisas, entre outras coisas. O que não
podemos fazer é desenvolver uma fé que
esquece muito do texto bíblico e vai só
para performance e o moralismo daquilo
que é certo e precisa ser ser feito,
errado precisa ser feito porque às vezes
determinadas necessidades, determinados,
ah, tipos de pobreza, elas são mais
multifatoriais do que necessariamente
monofatoriais. E o que que isso quer
dizer?
Quer dizer que é necessário que você
complexa, que você, ah, faça uma leitura
um pouquinho mais cuidadosa
ah, na hora de auxiliar, não apenas com
uma palavra, mas também com uma ação
prática, né, com uma ação prática.
>> E como eu falei, uma pessoa que tá
passando fome, ela não consegue ser
livre, então, ela não consegue tirar ela
mesma da pobreza. Foi esse o hot take.
>> Exato.
>> Muito bom, gente. Obrigado, Débora, pela
tua presença aqui nesse BT Cast por
trazer um pouco dessa discussão acho que
fica esse lance aí da gente é estar
pensando isso a somos um ser político né
é eu acho que preciso me lembrar disso
eu às vezes eu esqueço e a gente não
pode viver nessa bolha né isso não me
diz respeito e talvez não seja nem uma
postura adequada a essa né isso não diz
respeito a mim e tal mas é bom quando a
gente tem pessoas na comunidade que se
engajam né é nessa questão política mas
não partidária né mas no sentido de
realmente pensando o bem comum eu às
vezes sou um pouco ateu nesse sentido
tenho um pouco de dificuldade mano acho
que essa galera não tá pensando o bem
comum tá todo mundo pensando só em
manutenção de poder
mas também se todo mundo pensar como eu
aí dá ruim também né aí
>> [risadas]
>> é aí dá ruim também né
>> Aí a Débora não teria o emprego dela né
aí é justamente isso
>> Vários empregos são vários
>> Empregos sem empregos
>> Empregos só que que pai do Cris é
fichinha então [roncando] o que acontece
é é isso assim é legal a gente ficar um
pouco antenado para isso né que a gente
precisa ajudar as pessoas uma fé muito
prática e muitas vezes uma fé prática
vai se vai desembocar também nessa
questão social de estar atento a isso
porque políticas públicas mexem com toda
né as pessoas e
e se boa parte dos cristãos são pobres
isso tem a ver com os nossos irmãos
também né
é importante a gente atentar para isso
muito bom obrigado Débora pela tua
presença aqui
>> Eu que agradeço até a próxima
>> É isso Luís estamos juntos até o próximo
BTK se Deus quiser e assim permitir
fiquem todos na paz do Senhor Jesus
gente comentem aqui no YouTube tá bom a
no Spotify a gente praticamente não olha
a no Deezer não sei se já voltou a gente
nunca olhou o Deezer a gente nem sabe
como é que olha o Deezer o Douglas Abreu
saiu fora o Deezer agora não sei se
voltou mas se puder comentar comenta
aqui no YouTube entra aqui no YouTube
que é mais fácil para a gente olhar os
comentários tá bom Deus abençoe todos
vocês até o próximo BTK se ele quiser e
assim permitir fiquem todos na paz do
Senhor Jesus

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