Boa noite, Espírito Santo – BTCast 651
23/06/2026
Boa noite, Espírito Santo – BTCast 651
Muito bem, muito bem, muito bem! Está no ar mais um BTCast!
Nesta semana, Bibo recebe Gutierres Siqueira, Alcino Junior e Luiz Henrique (que caiu no meio da gravação por não ser tão pentecostal assim!) para conversar sobre Boa Noite, Espírito Santo, o mais recente lançamento da Thomas Nelson Brasil.
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Por que um livro como o "Bom dia, Espírito Santo" do autor Benny Hinn desperta tanta curiosidade, debates e expectativas? Afinal, o que ele propõe sobre a pessoa e a obra do Espírito Santo está correto? Nesta conversa, os convidados analisam a trajetória da obra, seu impacto no cenário evangélico e aproveitam para discutir como a pneumatologia tem sido ensinada, vivida e, por vezes, mal compreendida nas igrejas brasileiras.
Entre concordâncias, críticas e boas risadas, o episódio busca responder uma pergunta importante: como podemos cultivar uma compreensão bíblica, equilibrada e profunda sobre o Espírito Santo?
Ouça agora e participe dessa conversa sobre teologia, discernimento e a importância de examinar tudo, retendo o que é bom.
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Fonte: Bibotalk
Legendas automáticas:
Começa agora o BTC. Teologia é nosso esporte. Muito bem, muito bem, muito bem. Começa mais um BTC de número 651. Eu sou Rodrigo Bibo e este livro é uma boa ideia humana. >> Olha aí, eu sou Gutierre Siqueira e é hora de dar um boa noite ao Espírito Santo. >> Olha aí, chama o William Bonner para escrever esse livro. Boa noite, >> eu sou Alcino Júnior e espero que a gente não fique 8 horas gravando esse episódio. >> Nossa, não tem como, não tem não. Impossível. Eu eu eu perdi alguma referência, tipo, perdi a referência, né? Poxa, perdi, foi mal. E >> é porque o o Benny Rin ficou 8 horas, né, lá na presença do do Espírito Santo. >> Pois é, perdi, perdi a referência, graças a graças a Deus eu perdi essa referência. >> Ainda bem. >> E eu sou o Luís Henrique. Menos dopamina, mais descanso. >> Olha aí. Muito bom, gente. Estamos aqui no episódio 651. Vou explicar minha entrada, já que ninguém riu, é porque ela foi ruim, né? 51 boa ideia e seis o é número do homem. Não, >> foi muito ruim. Eu não peguei, cara. Eu não peguei. >> É, não, mas é que foi muito ruim mesmo. Desculpa. Foi, é que os gênos sempre são compreendidos. >> Ok. Mas é que eu via muita propaganda e as propagandas antigamente eram muito boas, muito boas mesmo. Já estamos aqui reunidos para falarmos sobre dopamina espiritual, loucuras envolvendo o Espírito Santo e, é claro, né, heresias de Benim. Até que enfim temos um livro agora em português que vai trazer a os principais pontos onde o Benim escorrega e na verdade ele não dá nem bom dia pro Espírito Santo, nem boa noite. Ele já deu tchau, né, pro Espírito Santo. Então não é nem bom dia, nem boa noite. Não é nem bem-vindo, né, que é o outro livro dele que é o Bem-vindo Espírito. É dele o bem-vindo Espírito Santo. >> Ou seja, mas ele deu chau pro Espírito Santo e por isso falou o que falou. Mas aqui pera, pera, não é uma crítica gratuita ao Benin, é algo maior, tá bom? É algo maior. E é isso, a gente vai conversar sobre boa noite Espírito Santo. Por que que isso faz tanto sentido? Fica com a gente, porque esse é aquele episódio que você vai passar pra galera naquele grupo lá, entendeu? Enfim, vai ser massa, vai ser massa, mas tudo com muito respeito, um pouquinho de humor, mas é isso que a gente faz aqui no BTC, tá bom? Simbora então conversar sobre a pneumatologia beniniana e os seus problemas e o que causou na igreja e enfim e o como é que a gente entende essas coisas e como é que seria então uma boa relação com o Espírito Santo. Simbora. Gutierre Siqueira, boa noite Espírito Santo, né? Um livro que nasceu numa brincadeira, basicamente numa conferência da Thomas Nelson Brasil lá em João Pessoa. E justamente porque eu e o Alcino também que aliás gente sigam Alcino Júnior aí no Instagram também, Gutierre Siqueira no Instagram, mas o Alcino deu uma reativada no seu Instagram, tá aí trazendo várias curiosidades bíblicas e enfim, tá bem legal o Instagram do Alcino, tá com publicações aí é quase diárias, né, Alcino? Às vezes a vida chama, né, mas quase diárias e tal. E o que acontece? A gente tava lá na conferência da da Thomas Nelson e eu recebo muito essa pergunta: "Ah, o que tu acha do Bom Dia Espírito Santo e tal, que é um livro que vende muito ainda hoje, vende muito. Eu não sei como é que ele está agora depois que ah tinha uma igreja que eu não quero citar o nome e tal, né? Deu uma derretida na bola, mas eh mas era uma igreja que fomentava bastante, né, a venda desse livro virou um lago, né? >> Virou uma lago. É, enfim. [risadas] Aí o que acontece? Eh, mas vende muito Ben Rin, né? Vende vende em posto de gasolina, em catálogo de de Avon, né? É muito vendido esse livro, só que ele tem problemas e eu tinha preguiça de ficar destrinchando, né? Tipo, ah, esse livro é um problema por causa disso, isso, aquilo. E numa conferência automa falei: "Ô, Guti quero te desafiar, mano. Escreveu o livro Boa noite, Espírito Santo". E a galera achou legal e tal. O Gutieres olhou para mim e falou: "Escrevo, né?" E e tá aí, escreveu, né? [risadas] escreveu. Mas, ô, ô, Gutés, vamos lá, eh, vamos começar já direto, sem enrolaceira aqui. Vamos direto ao ponto. Já expliquei como é que o livro nasceu. Nasceu de uma brincadeira, de uma inquietação. E você foi lá e, e fez uma, né, uma análise, mas não só do Bom Dia e Espírito Santo, mas do que o Benim, né, o a cultura da qual o Benhim faz parte, ao mesmo tempo ajudou a fomentar. Mas pra gente começar a aquecer aqui a conversa, a Gutierrez, qual foi, como é que foi o teu contato com o Benin, você como um pentecostal e depois um teólogo pentecostal? Qual como é que foi a tua primeira experiência com o Ben Ringin? E depois acho que a primeira pergunta que eu vou fazer pra mesa é essa, né? Primeira a primeiro contato que vocês tiveram com Benny Rin e como foi para vocês naquela época? Perfeito. Eh, até só aquecendo a sua memória, Bibo. Eh, na verdade a gente estava falando de algum assunto aleatório. >> Aí eu brinquei, é, eu brinquei falando, ainda vou escrever o boa noite, Espírito Santo. Falei numa brincadeira e você, você precisa escrever esse livro. [risadas] >> Ah, foi isso? Nossa, mano, você precisa escrever esse livro. >> Sensacional. Sensacional. E aí nasceu ali essa essa >> Eu achava que eu tinha dado o nome Boa noite, Espírito Santo. Então não fui eu >> não. Eu joguei numa brincadeira e aí você adorou. Não, isso é um >> Não é porque é genial mesmo. É genial. Vamos dar boa noite pro Espírito Santo. Porque bom dia já deu, né? Já deu. >> Mas e aí, como é que foi o teu primeiro contato? E e tu consegue talvez lembrar mais ou menos o efeito que teve na época? >> Efeito muito muito pequeno. Não tive nenhuma empolgação com esse livro na época. Não, não foi algo que me impressionou. deveria ter 13, 14 anos. Não lembro que já tinha uma fama o livro, mas eu sequer li todo na época, não foi algo que me pegou, né? Até porque, na verdade, eu nunca fui fã de livros de testemunho, de muitos testemunhos, nunca foi o tipo de leitura que eu que eu gostava, né? e nem gosto até hoje. Mas aí quando você fez esse desafio e eu topei, eu tive que reler, claro, o livro. E vou até falar uma coisa que parece contradiz, mas o livro me soou menos ruim do que eu imaginava, do que eu tinha na minha cabeça, né? Só que aquilo que tem de ruim é bastante ruim. Esse é o ponto. >> E grave, né? E grave. E grave. >> Mas isso é legal, essa tua percepção, Gutis. Eu acho que isso acontece com algumas obras também. Assim, você tem uma, você cria uma imagem, você é ruim, porque muita gente fala que é ruim e às vezes você tá, mas por que que é tão ruim? Aí você não vai atrás, você meio que reproduz o que todo mundo fala e tal. Porque aí eu trago a minha experiência aqui com com o Bom Dia Espírito Santo. Ele imagina eu, cara, ele é um livro tão famoso, porque gente, para um livro viralizar na década de 90 é porque ele tinha alguma coisa muito extraordinária ou ruim ou boa, enfim, né? Mas porque não tinha internet, era o boca a boca mesmo, né? Então, e obviamente que é um livro que caiu na minha mão, eh, junto com a Divina Revelação do Inferno, né? Era meio que os livros que a gente lia quando jovens, assim, Divina Revelação do Inferno, Bom Dia Espírito Santo, ele veio para libertar os cativos. Ah, enfim, né? Ah, e o Bom Dia Espírito Santo, eu li na época, enfim, eu gostei de algumas coisas e tal, mas na época eu já fiquei com uma sensação assim, mano, eu não consigo essa vida com Deus, assim, então era um pouco da frustração, tipo Caçadores de Deus, que também na época me deu um pouco de frustração do Tom Tine, não sei se é o nome do autor, porque o cara descrevia coisas tão espetaculares assim que eu falo: "Mano, não dá, a minha igreja, a galera não fica caída a a oito quadras da minha igreja, entendeu? Não é a minha igreja boa. Jesus tá aqui. Mas o cara contava coisas tão e e sempre com aquela ideia de que você precisa viver isso, né? Não era uma coisa assim, tipo, gente, aconteceu e foi maravilhoso, não. Era sempre com uma ideia assim de você precisa disso, sabe? Também. E então já na época eu tive um pouco essa sensação assim com com Bom Dia Espírito Santo, mano. Eh, pô, esse cara aqui ele é fera mesmo, né? Olha, pô, o cara vai abrir a porta do Espírito Santo, arremessa ele, né? E tal. E aí, pouco tempo depois eu tive contato com o Hank Renegraf, que já tem, né, uma crítica ao Ben Rind. Falei: "Opa, pera aí, ô, isso aqui faz mais sentido, hein?" >> As manifestações estáticas ou essas manifestações que eram resultado desse relacionamento com Deus eram muito tratados na minha adolescência, principalmente porque eu estava em uma comunidade carismática. E os líderes eles eram muito, muito, hã, influenciados por literaturas como o Caçadores de Deus e o Bom Dio Espírito Santo. Então, eu cresci ouvindo bastante e tendo a a influência de líderes que foram atravessados por esse tipo de literatura, por esse tipo de teologia e que eh eu acabei eh vendo isso se tornar parte do ministério, uma ênfase do ministério deles. Inclusive quando é uma experiência muito legal ler o livro do Gutierres, eh, porque eu tava lendo e aí ele vai analisando a escrita do Benim, vai pontuando algumas questões de equívocos teológicos e aí você e aí eu fui trazendo a memória realmente aquilo que não dava esperança. Aí eu olhava, fala: "Nossa, era isso mesmo? Eu me lembro de um líder pregando pros jovens que falava isso. Eu me lembro de determinados eventos que falavam um pouco sobre isso. Eh, a ênfase, inclusive de uma espiritualidade eh carismática. E aí aí Gutierre, você pode, Gutierrez écino, né? Vocês podem me falar bastante e me corrigir nesse sentido, né? essa ênfase, ênfase carismática em busca desses ah dessas manifestações estáticas, desse relacionamento que é um relacionamento de muito tempo de qualidade e que tudo isso permeou muito da minha adolescência e mostrou-me que igual a uma sensação igual a a do Bibo, né? Cara, eu não consigo chegar a esse nível realmente, principalmente numa adolescência, sabe?Onde onde eu tinha outros interesses, tipo anime, assistir, [risadas] ler quadrinhos, conversar com meus amigos, jogar videogame e tudo mais. E aí eu me sentia muito inadequado eh na adolescência como um cristão. >> No meu caso, o meu contato com esse livro foi assim, eu eu realmente não sei dizer como esse livro chegou na minha casa, mas eu lembro que na adolescência também, né, eu tava, a gente fica naquela coisa de querer alguma coisa para ler e aí eu achei esse livro lá em casa, mas ninguém na minha casa nunca tinha lido esse livro, ninguém sabia como ele tava lá. Provavelmente ganharam de alguém, né? meus pais devem ter, minha mãe deve ter ganhado de alguém. E aí eu peguei para ler e li. Mas eu, graças a Deus, eu cresci numa igreja pentecostal biblicamente saudável. Então, foi um livro que desde o início, quando eu li, mesmo na adolescência, quando eu disse na igreja que tava lendo esse livro, eu já fui de cara alertado sobre os problemas. Mesmo assim, eu li e a minha experiência foi muito parecida com a com a de vocês, principalmente com a do Bibo, no sentido de ler e falar assim: "Cara, isso aqui é inalcançável, né? Isso daqui porque esse cara viveu e o pior é essa coisa de assim você achar que se você não viver aquilo ali, é porque você não foi chamado por Deus, porque quem é chamado tem que viver uma experiência extraordinária daquela forma." Então eu passei por esse sentimento, mas doutrinariamente, digamos assim, foi um livro que, graças a Deus em mim nunca teve impacto. >> Interessante. Agora vamos lá, Gutieres. Legal a gente compartilhar um pouco desse contato. É, na tua pesquisa, Gutierres, assim, antes da gente entrar pelo menos no principal erro do livro, assim, mas ah, em termos é de coisas boas, será que teve algum impacto positivo desse livro assim no sentido de talvez trazer o Espírito Santo de novo pra conversa? Como o pentecostalismo trouxe para o movimento cristão, por assim dizer, né? Não que o Espírito Santo não fosse eh uma figura importante no cristianismo. O próprio Calvino é um cara que fala muito do espírito e tal, mas é innegável que o movimento pentecostal dê uma sacudida na história do cristianismo e na história da teologia cristã, trazendo aí essa questão tanto da experiência quanto do espírito para se conversar e tal, né? Ou seja, a o Espírito Santo precisa ser pensado também e tal. E será que o bom Dia Espírito Santo ele causou algo também, apesar de ter assim problemas complicados, né, enfim, erros graves até e a gente vai trazer pelo menos um aqui nesse podcast. Eh, teve algum efeito positivo ou no fundo não? Tem que cavar muito fundo para tirar alguma coisa positiva daí. >> Então, Bibo, seria muito radicalismo eu falar que não teve efeito positivo nenhum sobre várias pessoas. Eh, a vida não funciona assim, né? 8, né? Um livro que pode ser realmente na sua maior parte ruim, ele ainda pode provocar efeitos positivos, inclusive de levar muita gente a querer ter uma experiência com Deus mais profunda e nisso, nesse buscar, ela de fato encontrar uma experiência bacana com Deus, né? Eh, eu eu conheço muita gente que vai falar isso do livro Bom Dia Espírito Santo, que depois que leu passou a orar mais, passou a buscar mais a Deus e maravilha, é um efeito positivo que o livro trouxe, né? Inclusive, a minha preocupação ao escrever o livro foi não trazer a impressão que eu estou desmerecendo a experiência de quem teve uma experiência positiva na leitura do livro ou que teve uma experiência positiva como resultado da leitura do livro, né? Eh, aqui eu não sou eu não sou um sensacionista, eu não sou um teólogo reformado de Wesminster, eh, eu sou um pentecostal, eu sou um assembleano, eu sou eu eu tô na tradição carismática, né? Então, eu sou um irmão, a, o meu papel aqui e eu me sinto assim, é de um irmão um pouquinho mais velho, eh, tentando dizer pros irmãos mais novos, que são da mesma fé, da mesma turma, da mesma família, dizendo: "Olha, legal, essa experiência é muito bacana, mas tem alguns problemas aí de rumo que a gente precisa eh consertar". Então, o meu intuito não é nem desmerecer o Bom Dia Espírito Santo. Eu acho que vai ser muito bom. Inclusive, eu vi, eu recebi ontem de um amigo aí em Santa Catarina que ele mandou que tem uma livraria vendendo os dois livros juntos. Eu espero que [risadas] a pessoa >> Sim, esse é é um amigo em comum, inclusive que temos. >> Eh, e mano, e foi assim, aliás, fizeram um meme também agora, né, Gutier, né? O leitor de Bom Dia Espírito Santo. E um cara todo desconfiado e tal. Uma moça postou agora, não sei se chegou a ver no Instagram. É bem legal esse meme e tal. Não, seria muito legal se as pessoas lessem os dois mesmo em conjunto, né? Até quando eu dei ideia da capa para Thomas Nelson, eu falei: "Olha, eu faria uma capa bem parecida, bem parecida, que curiosamente Bom Dia Espírito Santo pertence a Thomas Nelson." >> Exatamente. >> Exat. Olha aí como a Thomas Nelson é dialogal, né? Lança um livro que critica um grande sucesso de vendas dela, entendeu? Então assim, isso é isso é maturidade editorial. Poucas editoras t. Mas é isso. Vamos lá, galera. Vamos lá. >> Já falamos um pouquinho aqui da nossa experiência. Oi, fala Alcino. Uma outra, eu queria falar de uma outra virtude também que eu vejo nesse livro, que é o seguinte, eh, por mais que tenha todos os problemas que a gente já falou e ainda vai falar aqui, mas esse livro foi também uma porta de entrada, né, para muita gente no na questão da leitura, muita gente, porque a gente sabe que no meio pentecostal, eh, lá no final dos anos 90 ali, havia ainda uma certa resistência em alguns setores a ler livros que não a Bíblia. Então esse livro ele foi uma porta de entrada para muita gente no mundo das leituras. E o Benny Ring, ele tem um mérito nesse livro que é o mérito de ser uma escrita muito acessível. É um livro talvez pela carga de testemunho que ele tem, né, pessoal, mas é uma leitura muito acessível. Se você nunca leu nenhum livro na vida além da Bíblia, você vai pegar esse livro Bom Dia Espírito Santo e vai conseguir ler, vai conseguir entender o que tá sendo transmitido ali. Então, por mais que o que seja esteja sendo transmitido ali na maior parte do tempo, sejam coisas que que vão contra eh a Bíblia, mas há um mérito na forma com que ele foi escrito. >> Muito bom. Isso é verdade. Isso é verdade. E >> não à toa é um grande é um grande longeller, né? Ele não é nem um bestseller, ele é um long seller porque continua vendendo. É de maneira, cara. Mano, eu cheguei a fé em 99. Esse livro é de quando, Gutierres? O Bom Dia Espírito Santo. >> Ele é de comecinho dos anos 90 >> em inglês. >> Se eu não me engano é 91, se eu não me engano. >> Nossa, mano. Olha só. E continua vendendo até hoje. Isso sim. Tipo, algum mérito tem, algum mérito tem. >> Exatamente. Não, amigo secreto de igreja. Eh, bom dia, Espírito Santo circulava bem assim como presente. Era impressionante. Tem um encontro, teve um amigo secreto do da comunidade que eu fazia parte que eh três, quatro pessoas ganharam Bom Dia Espírito Santo do Benny Rin. >> Olha aí. E eu acho até que eles mudaram até bem pouco assim a capa, né? Porque eu sou do tempo da capa amarela clássica mesmo, aquela amarela com azul. E agora eles mudaram até a capa, mas não é tão tão diferente assim. E eu me espantei isso há décadas atrás, quando eu vi ele no catálogo da Avon ou da Natura, não sei. Vamos lá, mas Siqueira, vamos apontar aí, ah, na sua opinião, qual é o principal e problema de bom dia, Espírito Santo, né? Apesar dos méritos que a gente reconhece, muita gente começou a ler, muita gente talvez buscou mais a Deus, né? você acorda e dá bom dia, Espírito Santo, que não é uma coisa ruim em última análise, é bom, mas qual é aquilo que está ali no livro e pode, né, a primeira coisa teológica complicada, a gente não vai falar de todas, mas na sua opinião assim, o livro teologicamente ele erra muito nesse aspecto, >> Bibo, o livro tem dois e eixos de erro. Eh, tem o erro doutrinário e tem o erro de comportamento, tá? ou de incentivo de comportamento. No erro doutrinário, o livro é muito pobre na forma como ele descreve a doutrina da Santíssima Trindade. E esse é um ponto grave. A gente tá falando da principal doutrina da fé cristã, não é qualquer coisa, né? Ah, a minha a minha impressão ao ler o livro, ao reler esse livro, eh, é de alguém que despreza completamente a tradição da igreja, no sentido de que nunca se preocupou em estudar o que a Igreja pensa há 2000 anos sobre a Santíssima Trindade, que vai pelas suas meras impressões e pela sua leitura literalista da Bíblia e vai julgando uma série de opiniões sobre a trindade, que são opiniões bastante ruins, tá? Eh, tem uma clara influência do Phois Dake. Eh, Phois Dake foi um teólogo, entre aspas, que lançou uma Bíblia de estudo nos anos 60. Ele era pentecostal, uma terrível Bíblia de estudo, muito ruim. E >> que é a de que é a De? Exato. A Bíblia dele que foi lançada >> foi lançada em português, que tinha também esses defeitos, um excesso de literalismo. Eh, dizia que o a trindade eram nove, não três. É, coisas malucas assim. >> E vale ressaltar que quando a Bíblia Dake foi lançada em língua portuguesa, ela foi anunciada como a maior e melhor bíblia de estudo de todos os tempos. >> Caramba, pontuar isso. >> É verdade. Verdade. Mas enfim. Então esse cara teologicamente tem uma influência forte sobre a teologia do Benny Hin. Então, >> e vale a pena mencionar o Finis Dake, porque eh de alguma forma o Benny Rin reproduz a cultura que o Dake também eh fazia, que é essa cultura da grandeza, de que eu eu tenho um acesso a Deus direto, então não preciso da mediação da tradição. O De quando lançou um livro de escatologia, Bíblo, até registro isso no meu livro aqui na página 41, ele escreveu o seguinte: "Preições 100% corretas das coisas do porvi." Este livro responde a centenas de perguntas a respeito das profecias e ressalta muitas verdades novas, nunca ensinadas no mundo profético. Verdades estas que, segundo as nossas predições, revolucionarão completamente os ensinos modernos sobre as profecias. assim, [risadas] meu Deus, >> de de megalomania, né, que você vê e que tá presente um pouco no na forma como Benin constrói teologia. Mas deixa eu dar um exemplo concreto. >> Hum. >> O Benin fala que as três pessoas da trindade t corpo. Qual o problema? Alguém pode ouvir isso e dizer: "OK, eu sei que só Jesus passou pelo milagre da encarnação. Qual o problema de afirmar que o Pai e que o Espírito Santo tem corpo?" N o problema é o seguinte, gente, eh em nenhum momento a Bíblia diz que o Pai e o Espírito Santo passaram também pelo milagre da encarnação. A encarnação também implica em uma dupla natureza. Jesus é ao mesmo tempo homem e ao mesmo tempo Deus. ou como a gente gosta de dizer no popular, né, 100% homem, 100% Deus, ou como tá no credo, né, eh, verdadeiro Deus, verdadeiro homem. Então, nesse sentido, se o pai tivesse corpo e se o espírito tivesse corpo, a gente teria que trabalhar também uma encarnação do Pai e do Espírito. E a Bíblia não dá margem para isso. Isso é uma distorção de como a doutrina da trindade foi construída. Então ele afirma isso. Ah, os três têm corpos. A própria Bíblia diz, o próprio Jesus falou que Deus é espírito, né? Deus Deus não tem matéria em Deus. Eh, então é só um exemplo de como alguém pode eh distorcer uma doutrina tão importante e tão cara paraa fé cristã como a doutrina da trindade. Ele fala coisas do tipo, ah, o Espírito Santo é pai de Jesus. quando a teologia clássica da doutrina da trindade e vai nos ensinar que o espírito procede do pai e do filho, né? Não, >> pera aí, pera aí, ô Gutier, pera aí. Vamos lá. Eu até lembro dessa parte tua no teu livro aí, mas já que eu tô aqui, vou perguntar para ti. Mas com base assim no que que ele faz uma afirmação del assim, galera, é aquela coisa, o Espírito Santo ele tem muita predominância, notoriedade, né, no movimento pentecostal. é a pessoa da trindade que tem mais evidência, né? Então o espírito ele passa a ter. E aí você vai tendo vários desdobramentos disso. O próprio Alcino fala, né, de um movimento pentecostal saudável, onde o Benim não não sambou tanto assim. Mas vamos lá. O cara fala um negócio desse com base no quê? Porque o herege ele tem base bíblica, né? Ele cita texto bíblico e o Beningin fala um negócio desse sem corar, né? Tipo, com base no que assim, o Espírito Santo é pai de Deus, né? Pai de Jesus. >> Pai de Jesus. >> Pai de Jesus, mano. É, >> ele ele vai basear no texto de Lucas 1 da no caso de Maria ficando grávida por meio do poder do espírito, né? >> Então essa é a base dele. >> Ele tem uma leitura apagando o processo. [risadas] >> Ele faz uma leitura apagando o texto. >> É. E na questão do corpo de Deus que ele fala que os os três têm até nas nas pregações dele, ele se vai estão fismos que a Bíblia coloca, né? Eh, [roncando] eu já vi ele em pregações falar que Deus tem corpo porque a Bíblia fala do braço do Senhor e e e usa coisas desse tipo, que é uma distorção da linguagem poética do texto, né? >> Total, total. E e tem uma base eh no no Phois Dake também, que o Finis Dake dizia que Deus era corpo, alma e espírito, assim como o homem. O homem é corpo, alma e espírito. Então Deus também é corpo, alma e espírito. Eh, primeiro que isso já é controverso em si, né? Quem estuda antropologia bíblica sabe que essa divisão tricotômica é furada. Eh, mas esse é outro assunto. Agora, atribuí-seo a Deus é uma furada ao triplo. Eh, então é esse nível de eh de loucura que vai misturando e vai fazendo uma leitura literalista da Bíblia. O problema de fundo é esse. É uma pessoa que se autoatribui uma autoridade que ela não tem, que é uma autoridade de refazer a teologia cristã de [roncando] 2000 anos. >> Hum. Hum. >> E eu nem diria, Bibo, que talvez ele tenha feito isso de maneira consciente. Ah, eu quero refazer os credos históricos da fé cristã. Mas é aquela mania da autossuficiência que tem muito no meio carismático de que, ah, eu tenho contato com o Espírito Santo, então tudo que eu falo aqui tem uma validade divina. >> Hum. >> Então, >> tem um pouco dessa cultura, sabe? E e é isso, ele é uma figura de autoridade, >> mas aí mas aí por mais que ele não tenha feito isso de forma premeditada, eu também acredito que possa não ter sido, mas ele criou uma escola e que faz isso agora sim de forma premeditada. Eh, hoje a gente tem eh determinados nichos que são herdeiros intelectuais do Benim que acham eh bonito você romper com as tradições do cristianismo e são e herdam são herdeiros desse pensamento. Por mais que ele pode ser que não tenha tido essa intenção, mas ele criou uma escola que agora faz isso de maneira intencional. >> Cara, herdeiros da herdeiros da intelectualidade de Ben Rin. É, pensa uma frase que não faz sentido para mim. >> [risadas] >> Mas pior que tem, pior que tem. Não, não, eu entendi o que você quer dizer, mas sabe, tipo, ok, tá bom, né? Vamos lá. >> [risadas] >> Eh, ele chega a firmar em um momento no livro, eh, deveria ter guardado essa página aqui, mas ele chega a afirmar em um momento no livro que o que ele tem ali de experiência com Deus valida o que ele tá falando. Eh, que >> que ele tá ele tá certo por isso, porque ele tem uma sensibilidade de ouvir Deus. Eh, nas primeiras vezes que os teólogos levantaram problemas na sua obra, o Benin reagiu mal, amaldiçoou. Eu disse que era coisa de gente incrédula, né? Depois ele voltou atrás, >> ele fez correções. O livro era ainda pior nesse sentido da trindade, na primeira edição de 90. >> O que nós temos aqui é um espelho da edição de 93. Já passou então ali por pelo menos duas revisões doutrinárias, mas não tirou todos esses erros que ficaram ali a respeito da Santíssima Trindade. >> Eh, foi foi até uma virtude dele ter voltado atrás algumas coisas. Mas ele tem essa mania, ele vai, ele volta, ele já se arrependeu da teologia da prosperidade 300 vezes e depois volta a pregar a teologia da prosperidade. >> Uhum. >> E por aí vai, né? >> Mas vamos lá então pro outro ponto, então, Gutierres, que é tem outros problemas doutrinários também no livro, tá? O Gutex também não, até eu achei parabéns, Gutx, que a a tua ideia no livro não é fazer um, sabe, um detalhamento, né, das heresias do Benny Rin. Eh, e seria até um livro meio chato de ler se o teu livro fosse isso, né? Vou pegar ponto por ponto. Não, não é uma, não é uma sabatina. Você não tá ali colocando o Benin num numa dieta, né? Uma dieta de, sei lá, dieta de Azusa. Aí você tá lá julgando o Beningrin e as suas doutrinas. você aponta algumas outras coisas e tal, mas a você vai muito para a questão comportamental, ou seja, o que o Benin ajudou a criar ao mesmo tempo que é fruto, né? Essa relação, ele é fruto de um meio e ao mesmo tempo se torna um grande expoente desse meio. Então ajuda também a criar essa cultura que o formou e tal. Que cultura que é essa? E é por isso que tem o nome Boa noite, Espírito Santo, porque a a eu achava que seria assim: boa noite Espírito Santo. Galera, para de ler esse livro aí. Eh, boa noite. Ou seja, silencia esse livro do Benim. E não, né? Tu é um pouco mais nobre e elegante e o Boa noite do Espírito Santo aponta para uma outra questão. Queria entender um pouco isso. >> É exatamente o o a questão de fundo é a cultura que o Bom Dia Espírito Santo ajudou a fomentar. Não, não criou do nada, como você disse, já vem de um lastro histórico, mas ajudou muito a divulgar, né, até pelo sucesso do livro, que é essa cultura da dopamina espiritual. Daí que vem o subtítulo do livro, né, a espiritualidade além da dopamina. Só uma rápida explicação, o que que é dopamina, né? Dopamina é o neurotransmissor que tem no nosso cérebro, que neurotransmissor é é uma molécula que carrega uma informação para outra pro outro canto do cérebro. Em resumo, tô fazendo aqui uma um resumo de explicação quase infantil do assunto. Eh, e quando que ele acontece? É, é muito importante ter dopamina. eh, não é algo ruim por si só, pelo contrário, a dopamina que nos motiva a sair da cama para ir trabalhar, fazer as nossas coisas e tal. Eh, mas a dopamina normalmente ela ela sobe ou ela aparece no momento da expectativa. Ah, por exemplo, você recebe um presente, você tá esperando um presente bacana, antes de abrir ali o presente, a sua dopamina sobe para caramba. até para você ter a motivação para abrir aquele presente. Depois que você abre o presente, ela cai. Então, como tudo na vida, se a dopamina fori estimulada em excesso, ela fica desregulada, então ela passa a depender de estímulos novos o tempo todo. É por isso que a gente tá lá no Instagram eh rolando tela o tempo todo, porque a gente tá na expectativa que o próximo vídeo vai ser melhor. O próximo vídeo vai ser melhor. Então a gente fica, e a gente faz isso com a Netflix, a gente faz isso aqui com YouTube, a gente faz isso o tempo todo. E a gente faz isso com a espiritualidade também. Ó, o culto hoje foi muito impactante, foi muito legal, mas o próximo culto, nossa, Deus vai me levar pro terceiro céu, Deus vai eh fazer uma obra maravilhosa na minha vida, aquela coisa toda. E aí eu crio uma dependência de espiritualidade de que eu preciso ser surpreendido por Deus o tempo todo. Só que a vida cristã não é assim. Inclusive tem uma mensagem no seu canal que eu preguei, Bibo, que foi numa conferência que fizemos aqui em São Paulo, que eu chamo atenção que quando Paulo vai falar da sua experiência do terceiro céu, ele faz questão de destacar. Isso aconteceu há 14 anos, >> quando os caras em Corinto tinham experiências extraordinárias todo santo dia. Paulo vai remontar a uma experiência de 14 anos atrás. Então, o que eu tô combatendo também é essa cultura. Olha, eu sou pentecostal. Eu já tive experiências e tenho ainda experiências maravilhosas com o Espírito Santo, mas a vida cristã não é sair de uma experiência para ir para outra experiência e ir para outra experiência. Isso não é real, isso não é verdade. E aí por isso que muita gente acaba inventando coisa, inventando experiência, forçando experiência que não tá ocorrendo. Eu odeio aquela aquela pergunta de pregador pentecostal. Quem sentiu a presença de Deus nessa noite? Aí a maioria dos crentes respondem que sim, quando a maioria não sentiu coisa nenhuma, né? Tá todo mundo mentindo ali. Eh, então é o tipo de coisa que me incomoda bastante. Há muitos anos eu não sabia expressar isso em palavras. Agora eu sei por meio desse livro aí eu consegui que é justamente isso. A vida cristã se envolve o extraordinário. Claro, eu sou pentecostal, eu acredito no extraordinário, só que só que a maior parte da vida cristã é totalmente ordinária. Esse é o ponto que eu quero trabalhar nesse livro. E um outro, uma questão também, Gutierre, do que você disse aí, é que existe um certo ambiente por conta desse dessa, desse incentivo à dopamina, onde se cria quase que uma idolatria na questão da expectativa, porque quando você coloca a dopamina como sendo combustível, você precisa est sempre com a expectativa de algo e quase sempre esse algo não vai corresponder à sua expectativa. E aí, como você falou, então na sequência eu já preciso criar outra expectativa e outra expectativa. E quando a gente vai pros ambientes que são muito influenciados por essa teologia, sempre que eles vão anunciar, por exemplo, algum evento, alguma coisa, uma das frases que você que eles repetem a exaustão é a frase: "Gere expectativas". Gere expectativas. você precisa gerar expectativas, porque a expectativa muitas vezes é mais importante do que o que vai acontecer realmente, porque a expectativa que vai alimentando essa dopamina constantemente. >> Exatamente. E tem um problema sério nisso também, que e justamente como não tem como manter isso na real, o pessoal vai inventando coisas novas o tempo todo. Então, é uma igreja viciada em novidade. É por isso que você vai ter igreja com UFC no meio do culto, porque ela tem que criar novidades o tempo todo. E fora a manipulação eh emocional, porque olha, se tem uma pessoa aqui que não briga com emoção, sou eu. Eu tenho um outro livro pela Thomas Nelson, que eu faço um baita elogio a emoção, que é o autoridade bíblica, experiência no espírito. tem um capítulo defendendo o papel da emoção. Mas uma coisa que como pentecostal eu preciso ter ciência é que a emoção tem que ser espontânea. Ela não pode ser provocada ou forçada. Nada mais lindo do que um culto pentecostal onde você vê pessoas emocionadas. Eh, não porque teve um uma música forçando isso, um pregador forçando isso, e sim porque de fato estão sentindo a presença de Deus. é o lance de colocar o avivamento no calendário, né? Ou aquela pressão. Há muito tempo que eu não prego em igrejas pentecostais. Faz tempo mesmo. Carismáticas prego bastante, mas faz tempo que eu não prego numa Assembleia de Deus, por exemplo. Faz muito tempo. O que eu não lembro, eu não lembro, tá, gente? Eu acho que acho que eu vou pregar agora, vou pregar semana que vem. Eu vou estar numa Assembleia de Deus, se não me falha a memória. [roncando] E assim, e tem uma pressão sobre o pregador às vezes ou sobre o cantor, né, irmãos, vamos ouvir agora o cantor tal, o pregador tal e Deus vai fazer coisas incríveis, maravilhosas, grande. Falei, mano, é sou eu que vou pregar, não vai acontecer nada disso, eu acho, né? Tipo, tipo, e e é isso. E o que tu fala, mano, é muito verdade. Assim, é essa necessidade de manter a música alta, né? De manter, sabe, a coisa lá em cima. Não dá para respirar. É por isso que os cultos estão cada vez mais performáticos, né? Você não pode deixar a galera parar, respirar. Você tem que manter a rotação lá em cima, a luz lá em cima, administração, administração lá em cima. Eh, aí a galera fala mesmo, né? Os criadores de atmosfera, né? Você tem que ter aquela galera que vai lá, que vai est orando, que vai no fundo falando glória a Deus alto, que vai movimentando. Por quê? Porque todo culto tem que ser como foi aquele outro. Não, porque Deus fez uma vez, ele fará de novo e tal. Eh, essa necessidade de sempre tá sentindo um frio na barriga. O que eu chamo, até coloquei no prefácio do teu livro, é o que eu chamo de espiritualidade circense. É sempre uma espiritualidade do espetáculo, sempre tem que ter. Eh, o culto foi frio hoje. Por que que foi frio? Ah, o cara pregou, não teve choradeira, ninguém falou em línguas, não teve um demônio para expulsar, ninguém foi curado do câncer, sabe? E aí você coloca Deus numa obrigatoriedade. Deus, agora você vai fazer. É igual a teologia da prosperidade, né? Não dá o dinheiro aqui agora para ver se Deus não vai fazer. Cara, Deus às vezes não vai fazer, né? E e acaba acontecendo também uma distorção em qual em qual é a finalidade do culto, >> porque como >> tanto eu quanto Gutierres como pentecostais, eh, é claro, como ele falou e escreveu no outro livro também que ele publicou, a gente não despreza a emoção. A emoção é um elemento do culto. Muitas vezes isso é é totalmente legítimo. Só que uma coisa é eu tratar a emoção como algo que faz parte do culto, outra coisa é eu tratar a emoção como a finalidade do culto. Uhum. >> Eu vou ao culto para me emocionar, para sentir algo, para ter algum pico, né, de emoção. Aí a gente tem um problema, porque aí a emoção vira o ídolo. É isso que acontece. E isso se reflete tanto no livro que tem um momento em que o Benim fala que ele tá ali saindo daquele ambiente de oração e o Espírito Santo fala a ele: "Fique comigo mais 5 minutos". Cara, >> até o Espírito Santo ali é carente, né? Ele precisa do calorzinho, da oração. >> Ex. A gente volta lá pra nossa experiência que eu e o Alcino, o Alino não sei quem que tava junto comigo nessa de tipo mano, eu não, o Espírito Santo não fala comigo desse jeito, >> foi você. Então é só que eu, ao contrário do alcino, eu vivia uma culpa assim, tipo, mano, eu preciso buscar mais até o Espírito Santo dizer: "Ah, não vai, amigão, fica aqui comigo", né? Tipo, [risadas] e você se sente mal porque você não vive aquilo que ele vive. Gente, vamos lá para se você ainda não entendeu, eu acredito que pessoas possam ter ouvido a voz de Deus. Víor Fontana conta isso. O Víor Fontana já ouviu audivelmente a voz de Deus. E eu não >> ol Víor Fontana, hein? >> E é o Víor Fontana, né? Um dos maiores teólogos do Brasil e um cara assim, tipo, com coração incrível e tal. E não é o mentiroso, é um cara que não precisa mentir, né? A igreja dele nem espera esse tipo de coisa dele. >> Exato. Presbiteriano. >> Ele é um presbiteriano e tal. quem não há dolo. E o que acontece? E ele já ouviu a voz de Deus. E eu acredito que o Víor Fontan está falando a verdade, só que ele ouviu aquela vez. Foi uma uma experiência única que pode voltar a se repetir. E sim, eu nunca ouvi a voz de Deus. Eu já tive outros tipos de experiência, de sonhos, de visões, enfim. Mas, cara, é uma experiência que aconteceu. Pode acontecer de novo, sim. Pode ser que não esteja acontecendo mais comigo, porque talvez eu devesse buscar mais a Deus. Pode, >> pode. >> Agora, o fato de eu buscar mais a Deus é sinal de que eu vou ter de novo essa experiência? Não, porque a minha finalidade enquanto um filho de Deus, enquanto alguém que tem comunhão com com Deus, por meio do poder do Espírito Santo, não é sentir essas coisas, mas testemunhar de Cristo, né? O poder do Espírito Santo é dado para testemunho. E o problema é que essa galera cria uma religiosidade ou uma espiritualidade para ser melhor, que a maioria não vai alcançar, porque eu acredito que o Espírito Santo possa ter tido realmente uma coisa incrível com o Espírito Santo, >> entende? Eu acredito, acredito. Só que o problema é >> o Ben Rim, o Benny Rim com o Espírito Santo. Que que eu falei? O Espírito Santo com Ben com Espírito Santo. >> Ah, tá. Isso é porque, pô, são vários espíritos santos, né? São nove espíritos de Deus e tal, >> mas vamos lá. >> É um n ateísmo. >> Exato. Exatamente. Mas eu acredito que ele possa ter uma experiência verdadeira com Deus, sabe? Só que o que acontece? Opa, a galera gostou disso. Bora. Só que daí não aconteceu de novo. Aí entra a loucura, aí entra o delírio, sabe? Aí entra sugestionamento. Eu acredito que o espírito que o Benim possa ter pregado e as pessoas caído no poder em algum momento. Mas agora toda a conferência dele, quando ele passa o palitó, a galera cai. Eu não acredito. Para mim aquilo ali é sugestionamento, é efeito manada, sabe? Eh, emocionalismo, eu não acredito. Posso vir dar com a, né, com a língua nos dentes, posso, mas eu não acredito. Acredito que possa ter acontecido em algum momento. Agora, acho tudo fabricação humana e emocionalismo vazio. E eu acho que aí que tá o grande perigo, sabe? Porque são eh são coisas que podem ser real. Só que agora você querer isso em todo culto, você querer isso em toda conferência, por exemplo, quando uma conferência promete o avivamento no país, não dá, mano. Não dá. Aí não dá. >> E é um problema porque vira idolatria, né? >> Eu lembrei aqui de teve nos anos 2000, teve o auge ali daquele avivamento no Canadá, na igreja do aeroporto, não sei se vocês lembram. Eh, esqueci o nome da igreja agora. Eu acho que era igreja do aeroporto >> do Toronto, né? Isso é outra coisa, né? É Toronto. >> Ah, tá. Conhecido como de Toronto, lembro. >> E um dos efeitos desse chamado avivamento de Toronto era o pessoal ri no espírito. Pessoa pessoal ria e tal e tal e tal. E aí na época alguns teólogos pentecostais até da Assembleia de Deus escreveram textos criticando esse avivamento. E algumas pessoas disseram: "Ah, mas o Gunavingle relata nos nas suas memórias episódios de riso no espírito, que houve uma manifestação tão intensa que eles riam. Mas tem uma diferença Absal, a diferença que o o Gunaving não fazia disso um estímulo. Não há nada no livro dele dizendo: "Ah, e nós fomos orar para que as pessoas recebessem o riso santo ou coisas desse tipo." Essas coisas simplesmente aconteciam na reunião de oração. Essa é a diferença, tá? Qualquer coisa extraordinária que foge ali a descrição típica da Bíblia, a gente tem que trabalhar como exceção, que pode acontecer, sim, pode acontecer, mas não que é estimulado que aconteça. Inclusive, eu já contei essa experiência algumas vezes em podcasts. Eu tive uma experiência certa vez ali com 14 anos, em que a minha experiência com o Espírito Santo foi tão intensa que eu tive uma confusão espacial. Eu não sabia se eu estava na terra ou no céu, >> no corpo ou fora do corpo. A coisa muito Paulo, né? >> É no corpo ou fora do corpo. Foi muito intensa. Era um branco assim, era uma leveza, era uma coisa muito especial. E o meu braço tava levantado, Bíblo, por mais de meia hora. >> E eu não me cansava. E eu não me cansava. >> Já pensou se hoje eu tivesse por aí ministrando nas igrejas a unção do braço levantado? >> Olha [risadas] só. >> E não seria Moisés, né? É unção de Moisés. Exato. Eh, inclusive, inclusive esse lance do braço levantado me lembra uma experiência que eu tive com um amigo meu numa vigília e e a gente já era batizado no Espírito Santo, né, nos moldes pentecostais, né, de falar em línguas. E a gente tava numa vigília de jovens e tal, e aquela oração para as pessoas receberem o batismo com o Espírito Santo. E aí eu e ele, a gente falou assim, ó, só vamos baixar as nossas mãos quando alguém for batizado com o Espírito Santo e aí era nós lá com a mão levantada. a gente abaixou em algum momento. Alguém deve ter sido, alguém falou em línguas lá, né? Mas olha, ó, sem querer essa unção do braço levantado tava rolando. Mas é algo genuíno, né? É algo genuíno que e esse é o problema espontâneo e de Deus, >> né? E Deus não atende a nossa agenda. Muitas vezes Deus não atende. E extraordinário. Extraordinário, não só no sentido de sobrenatural, mas extraordinário no sentido de não ser algo corriqueiro, >> não fazer parte do ordinário. Você não é como foi dito, a gente não vai todo todo mundo que que é pentecostal ou que já passou por uma igreja pentecostal já viveu alguma experiência desse tipo ou pelo menos deveria ter vivido. >> Mas a gente não vai fazer disso uma doutrina. Exato. Como por exemplo a galera, pra gente finalizar aqui, Gutierrezes, a galera que fica pedindo porção dobrada. Vamos pedir uma porção dobrada. Benim, cara, inclusive Benim teve no Brasil esse ano ou ano passado. >> Esse ano. >> Esse ano, né? Enfim. Eh, ele teve e eu chegou para mim um res de um casal de pastores que eu não lembro o nome ainda bem, mas eu também não citaria porque eu não conheço o ministério deles, mas achei esse momento super problemático assim em que eles estão na conferência do Ben Rin e eles falam justamente dessa ideia de receber, né? Eh, não sei se usaram o termo ativação profética, não sei se o Benin utiliza esse termo, não lembro agora, mas essa ideia assim é como o legado espiritual do Benhim, né? Então, essa ideia de receber, né, a unção deste grande homem de Deus. E tem essa passagem, né, de Elias e Eliseu, em que a galera utiliza hoje, né, queremos a porção dobrada do teu espírito, que geralmente é entendida como Senhor, dá-nos o plus, né, Gutierres? Como é que tu aborda esse esse jargão, né? Virou quase um jargão esse, cara. Virou um fetiche em última análise, né? Um fetiche, né? Esse lance da porção dobrada. de transferência de unção, né? Ou seja, porque Elias transferiu a unção dele para Eliseu e a porção dobrada é o plus. Como é que tu rebate isso com uma teologia saudável? >> Eu fazo uma análise exegética desse texto, eh, inclusive é um ponto que merece bastante atenção do leitor. Tá bem no final do livro. O que eu lembro ali, Bibo, que essa é uma linguagem da herança. É o filho mais velho na cultura oriental antiga, ele recebia [limpando a garganta] uma porção dobrada em relação aos demais filhos. Então, se o pai tivesse uma propriedade ali com 10 gados, ele receberia cinco gados e os outros filhos receberiam, dividiriam o restante dos outros cinco. Então, a ideia da poção dobrada é eh reconheça a mim como o filho mais velho, como o filho que tem a o dever de carregar o seu legado. É esse o sentido. O pedido de Eliseu era carregar o legado de Elias, tá? E aí eu pergunto para você, se você for pro Novo Testamento, quem é o profeta mais importante? Elias ou Eliseu? Elias continua sendo Elias. >> É o cara que aparece lá no Monte da transfiguração, não é? >> Exatamente. É ele que é o representante dos profetas. é ele que a Israel na época de Jesus eh tem uma esperança de uma certa eh volta, né? Vê ali João Batista como um novo Elias. Então assim, eh Eliseu não se tornou maior que Elias, tá? Mas o que Eliseu fez foi carregar o legado de Elias como um filho primogênito. É nesse sentido, filho primogênito espiritual, tá? esse sentido de de da do direito ali de receber uma poção dobrada. Esse pedido que ele faz a Elias, tá? Não que ele teria um ministério infinitamente maior e mais poderoso eh do que Elias, embora foi também um baita profeta. Então, quando a gente entende o pano de fundo eh do que ele quis dizer, fica claro que não tá trabalhando aí com uma transmissão de milagre ou de poder necessariamente. >> E também não tem a ver com um contexto de paternidade espiritual no sentido que a gente entende hoje, né? Porque quando você fala de filho eh espiritual, as pessoas podem acabar entendendo que é disso que a gente tá falando, mas não não é no sentido de que Elias era consanguíneo espiritualmente de Eliseu. Não é esse o sentido. É apenas no sentido de levar aquele ministério adiante. >> E a gente nunca pode esquecer também que essas figuras ungidas no Antigo Testamento, todas apontam para Cristo. o profeta ungido, o rei ungido, o sacerdote ungido, todos apontam. É basta ler Hebreus. Hebreus vai fazer todo esse movimento, colocar Jesus acima dos anjos, acima dos sacerdotes, acima dos profetas, acima dos reis. Por quê? Porque Jesus é por excelência o ungido. Jesus é o Cristo. Cristo é o ungido. Então, >> sensacional. Sensacional. >> Para ninguém achar aí que é mais ungido que outro. Então galera, é isso. O Boa noite Espírito Santo. A espiritualidade além da dopamina de Gutierre Siqueira pela Thomas Nelson Brasil do selo pentecostal carismático já está disponível. Não é um livro para criticar Benin em última análise. Não é isso. Como vocês puderam ver, obviamente que tem uma crítica a pontos que são complicadíssimos do Benhin, mas é mais uma análise do nosso tempo que está desesperado por dopamina. espiritual. Então esse livro aqui, gente, é ótimo para você realmente ler. Você que é de movimentos pentecostais, carismáticos, é importantíssimo você ler esse livro aqui, porque é escrito por um pentecostal, não é para invalidar qualquer experiência espiritual, mas é para a gente às vezes entender que nem tudo é da forma como se quer construir ou como se forçam a barra, tá bom? Então, o boa noite Espírito Santo Gutierres é essa literatura importantíssima para o Brasil, que é um país pentecostal, grosso modo, o o o pentecostalismo é a maior representação teológica do protestantismo brasileiro. Então, é um livro Gutiérrez, que eu realmente torço para que ele alcance mesmo muitas mãos e gere boas discussões, né? As pessoas não precisam concordar com você, mas que pelo menos pensem, né? eh, discutam seus argumentos e tal que são bons. E é isso. Boa noite, Espírito Santo de Gutierre Siqueira pela Thomas Elson Brasil. O link tá aqui na descrição deste episódio. Tem o link aqui no Spotify agora, tá bom? Tem o link no YouTube, tem no nosso site e tem também eh aí só você jogar na Amazon, compra lá ou compra em alguma livraria onde você achar. O importante é você ter. E outra, né, aqueles livros do Gutierres que não são, não é grosso, é um livro que você vai conseguir ler até o final. E o Gutierre escreve muito bem também, tá? São capítulos curtos, gosto disso. E vai direto ao ponto, tá bom? São o quê? Nove capítulos, né, Guti? >> Nove capítulos. >> São nove capítulos. >> E e eu eu gosto de escrever capítulos curtos com subdivisão para você ler no final de semana. Não vai dar nem preguiça assim. Exatamente. Ou vai ler antes de dormir. Vou ler só mais esse tópico. Pronto, tudo certo. E é uma boa leitura para você pensar um pouquinho mais sobre o que a gente tem feito aí com o Espírito Santo e não o que ele tem feito com a gente, que deveria ser o certo, né? Mas é isso, é o que a gente tem feito com o Espírito Santo, né? Gutiérres, parabéns por esse livro aqui. Eh, é isso. E no ano que vem a gente volta aqui para falar do livro do Alcino que só não escreveu ainda porque não quis, porque o convite já foi feito só para jogar na cara aqui na frente da multidão. É sobre isso. Amém. Esse ano sai. Esse ano sai. >> Esse ano ele escreve. A gente lança ano que vem daí. Porque eu tô achando que aqui aqui >> esse ano sai. Sai inscrita que eu tô dizendo. >> É, tu entrega o Word, a gente publica. Ó, o Alcino entregou, galera. Vamos correr aí. Tá achando o que, Alcino? Te comporto, irmão. Te comporto. >> Esse ano sai o arquivo. O arquivo. >> Ok. Ok. Ok. Voltamos a semana que vem, se Deus quiser, assim permitir. Fiquem todos na paz do Senhor Jesus. M.