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A fé vem pelo ouvir

Depois da Teologia – BTCast 648

Depois da Teologia – BTCast 648

Depois da Teologia – BTCast 648

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Muito bem, muito bem, muito bem! Está no ar mais um BTCast!
O que acontece quando a teologia deixa de ser apenas um assunto de estudo e passa a moldar a forma como enxergamos a vida? Neste episódio, Rodrigo Bibo e Luiz Henrique compartilham suas próprias histórias e refletem sobre como o contato profundo com a teologia transformou suas trajetórias, suas vocações, seus relacionamentos e sua maneira de compreender Deus, a igreja e o mundo. Longe de ser apenas um exercício intelectual, a teologia tem o poder de reorganizar afetos, desafiar certezas, ampliar horizontes e nos ensinar a viver com mais humildade diante do mistério divino. Ao longo da conversa, Bibo e Luiz contam experiências pessoais, falam sobre descobertas marcantes, mudanças de perspectiva e os impactos práticos que o estudo teológico produziu em suas vidas. Se você já se perguntou se vale a pena estudar teologia, ou se teme que o conhecimento possa esfriar a fé, este episódio oferece um testemunho sincero de como pensar melhor sobre Deus pode nos ajudar a amá-lo mais profundamente.

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Playlists legais para você maratonar:

– Série Gigantes: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAK7V6Bz-YUuESPPiCi6Gy2B
– Série Os Outros: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALUz4ZnUbe1id7GI4BVDs-O
– Série Aliança: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALKeBBgfaSYx_7eWJWPKN3k
– Série Parábolas: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALmTOownlMJJ_SGOsn1R0Mr
– Série Origens Cristãs: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALjBXZp2y9551ayHWhdKBS5
– BTCasts MC: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAInhfKseQ-DMuNBW1V081oF
– BTCasts ABC2: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAJQRa75AUS1NKO-lWMikCot
– BTPapo: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAIbR1ZXQYUseXslZ75CGud9

Legendas automáticas:

E aí pessoal, tudo bem? Meu nome é Ágda,
e eu quero falar do impacto positivo que
caminhar com o BT Talk gerou na minha
vida nesses quatro anos que eu já estudo
na BT.
Eu faço faculdade e eles me ajudaram
tanto a entender melhor, a desmistificar
teologia, que mesmo parecendo um curso
para iniciantes, eles vão muito além,
eles entregam muito mais do que o que
eles prometem quando eles falam que é um
curso de teologia simples, de teologia
simplificada, porque eles vão muito
profundo, mas de uma forma muito
simples. A linguagem é simples, mas a
teologia é profunda. E eles ajudam muito
você a entender o que tem de mais
profundo na teologia e de uma forma
acessível. E eu já estou há quatro anos
fazendo, por quê? Porque eu acesso esse
material de forma recorrente, eu
revisito esse material e para mim vale
muito a pena continuar investindo nessa
escola, nesses materiais todos os anos.
>> Começa agora o BT Cast. Teologia é nosso
esporte.
>> Muito bem, muito bem, muito bem. Começa
mais um BT Cast, hoje de número
>> 648.
>> Eu sou Rodrigo Bibo e hoje vocês vão
conhecer a banda ATDT.
Não. Conhece essa banda? [risadas]
>> Não.
>> É a banda Antes da Teologia, Depois da
Teologia.
>> Tá bom.
>> Se liga nessa.
>> Ok, ok.
>> E esse D, se não tem nada a ver, né?
Vocês sabem que o pessoal fala que é do
demônio?
>> Não, esse D é
>> É liga e desliga da máquina de de
costurar, é voltagem lá nos Estados
Unidos, é isso.
>> Então tá bom.
>> Vai lá, Luís.
>> Eu sou Luís Henrique e sem teologia eu
não teria emprego, pronto, é isso.
>> Boa,
>> [risadas]
>> é uma boa abertura, estourou até o áudio
ali, a Isa ficou até desesperada.
>> Estourou o microfone agora. Mas abre
para nós aqui, Isa, estamos em mais um
BT Cast e hoje nós vamos é é um programa
testemunhal, eu gosto desse programa, é
um programa testemunhal para você é
ouvir um conhecer um pouco mais a nossa
vida, conhecer um pouco mais aí a a como
de fato a teologia mudou a nossa vida. E
por que que a gente vai fazer esse
programa? Porque nós acreditamos que a
teologia realmente, a boa teologia,
aquela que nos coloca de joelhos, né,
aquela que nos ensina a viver para Deus,
ela realmente é muito importante. E
Luís, já falando aqui direto e reto, a
gente está com a turma 07 aberta, tá? É,
eu acho até que a gente ia finalizar, é,
abrir, é, finalizar em maio, mas a gente
está estendendo um pouquinho mais para
junho também, tá? Que esse episódio,
acho que vai sair em junho.
É a chance, aqui ó,
abre aqui ó, a turma 07, não está aqui,
mas é, vem estudar teologia com a gente,
que a turma 07 está aberta, tá gente?
Nós temos uma plataforma com muita coisa
publicada lá. Você tem encontros
quinzenais, é, para mentoria, você tem
um grupo no WhatsApp, ou seja, você vai
estar num grupo de WhatsApp de pessoas
que querem aprender mais sobre Deus e
sua palavra, então vem estudar na Escola
Bibotalk de Teologia, tá bom? A gente
quer ensinar você a pensar o caminho,
ok? Luís, para a gente começar e já
fizemos o recado paroquial, já começar
começando. Tu tem um momento assim,
tipo, que tu diz assim, mano,
isso mudou minha vida, ou seja, quando o
conhecimento, ele realmente assim, tipo,
isso me libertou.
Né, a gente não fala aqui "corrigias nas
áreas". É, para voltar ao tempo, né?
Mano.
>> Eu tive, não, esse final de semana, é,
peguei carona com o Mac.
>> O Mac, grande Mac, né?
>> Além de dirigir muito bem, tá?
>> Uhum, fica aí o Mac, piloto de fuga de
Joinville, claro.
>> O Mac é um piloto maravilhoso, para
assaltar um banco, contrate o Mac. É,
cara, foi uma
>> [risadas]
>> Piloto de fuga tudo e tal.
>> Nossa mano, é propaganda de La Casa de
Papel aí que eu não estou sabendo como é
[risadas] que é.
>> Mas assim, foi maravilhoso lembrar os
tempos áureos do Bibotalk.
>> Aliás, galera, deixa, não, abre, fechem
minha câmera aqui que isso aqui envolve
mais eu do que o Luís.
Gente, o Mac, ele primeiro está
congregando na igreja onde eu estou
agora. Segundo,
nós não brigamos. Todo evento do
Bibotalk que é em Joinville ou que eu
estou lá, o Mac está lá, tá? Então
assim, o Mac continua nosso amigo, ele é
da família Bibotalk. Ah, mas por que que
ele saiu? Porque ele quis gente,
demandas familiares e tal e ele sentiu
que era o tempo dele se afastar e não
foi por briga, por discordância
teológica, nada.
>> que pergunta isso? É sério?
>> Tem, não assim, gente, assim, saudade do
Márcio, vocês brigaram, o que aconteceu?
E volta e meia eu tenho que dar essa
explicação, né? Que sempre tem gente
perguntando e tal, né? Mas é isso,
gente, está tudo bem, está bom?
>> Tudo bem, me deu carona, abri, abri aí.
>> É, me deu carona.
>> Jantou com a gente.
>> e almoçou, se não me engano, em dois
momentos, então está tudo certo, gente,
está tudo certo.
>> Tá bom. E aí, e hemorragia nasal?
>> Era um jargão que a gente utilizava no,
lá no passado, inclusive, já que é
passado do Bibotalk, é, onde eu estava?
Foi em Lisboa? Onde eu estava? Eu não
sei. Alguém apareceu com, é, não foi o
Cabelo, meu amigo Cabelo que mora em
Sintra, em Portugal, a gente teve um BTD
maravilhoso lá. Aliás, põe na tela,
Rafa, a, a thumb aí do, já tem o BT Cash
que nós gravamos lá em Portugal, está
maravilhoso, tá, tá aparecendo a thumb
aí na tela. É, e o, o Cabelo foi no
evento? O amigo
>> com a camiseta hemorragia nasal. A gente
tinha uma camiseta vermelha,
desenho do grande Brau Barbosa, tá? E,
mano, o tempo que a gente vendia
camiseta. Por que paramos de vender
camiseta? Muito trabalho, pouco
dinheiro.
>> [risadas]
>> A teologia é nosso esporte, tava doido
quando fui comprar, tava, tinha
esgotado.
>> Exato, eu tenho uma lá, vou te, eu não
te dei uma nova? A gente fez uma nova e
nunca vendeu.
>> Nunca vendeu?
>> eu nunca fui pra frente.
>> Muito bem, vai ser agora.
>> Não, não, eu, eu, camiseta boa, malha
boa, mas
>> Cara, o acordo acabou, não sei o que
aconteceu, mas é um, o pessoal da Grace
é maravilhoso, eles fazem até a camisa
do Projeto Sola, do Marco Telles,
fizeram a nossa, no fundo aquilo não foi
pra frente, um pouco culpa minha, acho
que tudo culpa minha, enfim, mas acho
que eu tenho lá uma GG, já que tu tá
meio gordo, né?
>> Eu não tô, olha lá.
>> Já [risadas] sei o que aconteceu, a
gente tá usando Insider, gente.
>> Exatamente.
>> ó, ó, a gente tá usando Insider.
Inclusive, o meu eu do futuro vai
aparecer agora com informações
quentíssimas sobre a Insider.
>> É, eu vim do futuro pra te lembrar que
dia 12 é dia dos namorados e você
esqueceu fala sério você esqueceu você
maridão você é esposa ocupada você
namoradão namoradinha você esqueceu que
tem o dia dos namorados esse mês e a
Insider está aqui para limpar tua barra
para ajudar você a presentear com algo
marcante que vai durar tanto quanto o
amor de vocês a Insider dura muito
porque você já conhece essa qualidade
não vou ficar repetindo aqui galera e o
que que é legal olha só como a Insider
vai te ajudar
de 3 a 7 de junho você tem os descontos
com o meu cupom esse cupom aqui ó
Bibotalk tá você tem desconto com o meu
cupom se somam outros descontos no site
isso você também já sabe mas o que você
não sabe é que de 3 a 7 de junho tem
brindes cumulativos brindes cumulativos
e olha só 5% off no pix então aproveite
presenteie o seu mozão com um produto de
qualidade com uma coisa que realmente
ela vai usar e que vai sempre lembrar de
você porque a Insider aguenta a rotina
aguenta o dia a dia como o seu amor tá
aí a Insider te ajudando no dia dos
namorados tenho certeza que tem algo ali
no site da Insider que é a cara da
pessoa que você ama e que merece ser
presenteada com esse produto de
qualidade tá esse QR code aqui te leva
para o site tem o link também na
descrição deste episódio e não esquece
de usar o cupom Bibotalk tá bom feliz
dia dos namorados para vocês aproveitem
com a Insider
>> Quando foi então esse momento que você
sentiu assim mano o conhecimento me
libertou legal a verdade o libertará
então quando foi que tu sentiu assim
mano
>> Uau tá
Eu conheci bom vamos lá eu conheci
teologia pela pior forma de se conhecer
foi através de debates na internet
páginas neoateu todinho
>> Nossa mano era Facebook ou era Orkut
>> Discussões do William Lane Craig era
Facebook
das é discussões do William Lane Craig
contra o Richard Dawkins então comecei a
ler
pior momento assim porque eu tinha um
amigo muito querido é o
Mas ele era um ateu e ele vinha com
essas perguntas capciosas e eu cresci na
igreja.
>> Hum.
>> Não necessariamente cresci no evangelho.
E aí eu comecei a a procurar respostas,
encontrei a figura do William Lane
Craig, mas o momento em que a teologia
realmente explodiu minha cabeça
foi quando eu junto com a minha esposa
no que era na na época namorada, é,
estávamos nos cadastramos, né, nos
matriculamos em uma escola de missões da
JOCUM.
E uma das aulas era aulas o caráter de
Deus.
E
>> Olha aí.
>> professor Christian Bittencourt, pastor
presbiteriano, é, inclusive.
Ele praticamente deu uma aula de
teologia sistemática.
>> Olha aí.
>> E mano.
>> E quando eu vi a uma aula de teologia
sistemática, eu já sabia o que era uma
teologia sistemática, já tinha comprado
uma inclusive, nunca tinha lido
inclusive.
Mas quando eu vi uma aula de teologia
sistemática sendo aplicada pro momento
da missão, pro contexto da missão,
não apenas na capacitação e do
conhecimento teológico, mas os insights
sobre o caráter de Deus, os atributos de
Deus pra vida da missão e pra como
evangelizar, aquilo ali
eu olhei e falei: é isso que eu quero
pra minha vida.
>> Muito bom.
>> Foi foi um momento em que eu olhei e
falei:
não é possível, eu nunca tinha visto
isso antes, né? Volto pra pra minha
igreja, meu contexto local
e estou desde 2013
tentando fazer o que eu vi o Christian
Bittencourt fazendo aquela aula.
>> Que sensacional, cara, legal. Eu eu
quero voltar em outros detalhes aí, mas
agora eu respondendo essa pergunta,
é, eu, enfim, fui criado espiritualmente
no movimento
>> Não, isso foi o Rudi agora.
>> Por quê? você Bibo?
Qual foi o seu momento?
>> [risadas]
>> Câmera em mim então Isa.
>> Ah lá.
>> Então, eu fui criado espiritualmente no
movimento pentecostal.
E a ideia da salvação sempre era assim,
tipo, muito, né? A ideia do, eu preciso
pagar o preço para a salvação. Eu sou
muito grato ao movimento pentecostal
porque, sim, eu tive um começo legalista
na minha fé.
Mas eu reconheço que esse legalismo,
cara, ele me fez romper com muita coisa
do mundo mesmo.
>> Uhum.
>> Que hoje em dia parece que a galera,
tipo assim, né? Não precisa romper com
nada, é Jesus e Souza Cruz tudo junto e
misturado, né? Então assim.
E o legalismo me fez romper, de forma
equivocada, mas me fez romper com muita
coisa do mundo.
E a questão da salvação era sempre essa
gangorra soteriológica, sabe? Tipo, uma
semana eu estava salvo, outra semana eu
não estava salvo. A ceia era sempre um
terror, porque, mano, será que eu estou
apto a tomar a ceia? Esse ano, é, é, é,
esse sábado, né? A gente cantava, eu
adolescente de 17 anos cantando mãos
limpas, coração, será? Eu não sei.
[risadas] É, e aí eu tinha medo, né? Que
o pão gordasse no céu da boca, enfim,
aquela coisa toda.
E então a salvação sempre era uma,
porque eu tinha muita essa crise.
Mano, como é que eu sou salvo, mas eu
ainda peco? Sabe? Eu tinha dificuldade
de entender. É, um dos primeiros
versículos que eu decorei, depois de
João 3:16, é, tu agora nem, eu acho que
eu fiquei com tanto bode assim, que,
gente, não é que eu fiquei com bode do
texto bíblico, mas é que eu nem lembro
mais onde é que está a referência, mas
é, o texto que dizia, acho que o segundo
que eu decorei foi esse, tipo, é,
aquele que pecar é do diabo. Quem
permanece na prática do pecado é do
diabo, porque o pecado, o diabo peca
desde o princípio. É João, é primeira
carta de João.
>> João.
>> Mas eu não lembro a referência, na época
eu sabia.
>> Nossa, e é um ACF ainda, né?
>> É um ACF, não, porque foi onde eu fui
doutrinado, né? Tipo, era, não, cara, é
Almeida Revista e Atualizada. Era, era,
não, a a Arc, a Arc.
>> ARC. A Arc era a revista corrigida.
Isso, a revista corrigida. Enfim, aquele
que peca é do diabo. Então eu tinha
muito assim, mano, eu pequei, eu sou do
diabo, né? Mas tu vê, era esse lance de
que faltava contexto, mas foi o que me
ensinaram, me ensinaram esse versículo,
cara, não peca, senão tu é do diabo.
Então eu vivia numa gangorra
soteriológica, salvo, não salvo, salvo.
Ao ponto de eu chegar em Santa Ceia e eu
falei, mano, hoje eu vou meter a mão
nesse prato e vou pegar esse pão com
gosto, vou beber esse, porque eu sou
digno hoje, mano, entendeu? Hoje o
Mjolnir vem na minha mão. E tipo, cara,
sangue de Jesus derramou por mim. Nesse
momento, nesse momento eu sou digno e
tal. E cara, e é muito louco assim,
porque, mas era sempre uma crise.
E quando eu estava já na faculdade de
teologia,
>> Olha aí.
>> eu tava lá e o pastor, pastor, também
missionário, né? E o professor falou o
seguinte, quando ele trouxe, começou a
trazer a ideia de Lutero,
>> Uhum.
>> sabe? Do simultaneamente justo e
pecador, né?
É o simul iustus et peccator, peccator
in re e iustus in spe, né?
Simultaneamente justo e pecador, pecador
em realidade e justo em esperança.
Cara, sabe assim, quando tipo,
mano, é isso, eu sou as duas coisas,
entendeu?
Cara, assim, aquilo foi, é, é como se o
Espírito Santo tivesse pego uma tesoura
e cortado um fardo assim
da minha, das minhas costas.
>> Olha aí.
>> Tipo, uma leveza espiritual, mano.
Tanto que isso mudou tanto a minha vida
que depois eu me aprofundei um pouquinho
mais na teologia da graça de Lutero e
tal, daí é claro, a gente já dá uma
mesclada também com, com Bonhoeffer, né?
A
a questão do, do, do, do discipulado,
enfim, da graça, é, da graça barata e
da, qual é a outra graça? Esqueci.
>> É só tem graça né?
Graça barata que não tem a ver com a
graça preciosa, né? Então assim
E aí mano, a minha pregação basicamente
era isso, era justificação por graça e
fé. Obviamente que naquela época né,
ainda muito influenciado só pela
teologia reformada de Lutero, então eu
lia Gálatas é Lutero como intérprete,
né? Que hoje em dia eu tenho uma visão
um pouco mais ampla, mas não descarta
aquilo, né? A NPP não joga Lutero fora,
né? Então Mas antigamente era só isso,
então eu pregava Lutero e era muito
interessante cara, porque era um assunto
de alguma forma novo no movimento
pentecostal do qual eu fazia parte.
Ainda que você já tinha boas revistas
Escola Dominical ensinando a graça, a
salvação por graça e fé, mas a teologia
popular não não tinha essa compreensão.
A compreensão popular das músicas, dos
congressos é: pague o preço. Chega de
dizer
>> Ou por por exemplo, qual eram os
pregadores dessa época que você mais
ouvia
e tal?
>> Cara, vamos lá. Marcos Feliciano né,
pregava no meu congresso de jovens.
Marcos Feliciano
>> E nem o Marcos Feliciano de antes é
igual ao de hoje, tá?
>> Não, é não, teologia ruim já, hoje em
dia eu percebo que era uma teologia
ruim, mas ele era uma referência, né? Na
época ele não era não não tava envolvido
com política e era um grande nome e tal
e sempre falou muito bem, era uma
inspiração. Você tinha Cláudio Gama
>> Cláudio Gama
>> é ai eu não lembro cara, eu eu me
desliguei tanto
né, do jeito de ser pentecostal
>> É o jeito de evitar um trauma.
>> Mas sabe quem? É não, não sei, esse é um
trauma. Eu sou um cara mesmo que eu me
desligo muito rápido assim. Mas cara, a
própria Ana Paula Valadão era uma grande
pregadora, né? É você tinha as músicas
como a própria Damares, é Lauriete,
Cassiane,
é Shirley Carvalhaes, enfim, daí depois
teve um pouco né, entrou um pouquinho
outro tipo de cantor como Fernanda Brum,
Eyshila Voices, né?
>> Eu já pego já no meu evangelicalismo
Fernanda Brum em diante.
>> É, não, eu tive um pouco no Hinário para
o Culto Cristão, né? Então, assim, é era
essa galera, eu não lembro do nome de
todos, mas era basicamente isso, a
pregação, cara, você tem que pagar o
preço pela sua salvação, entendeu? Você
tem [limpando a garganta] que dar o
sangue, né? Ou seja, você aí pegava,
fazia aquela leitura de Hebreus, olha,
vocês ainda não precisaram dar o tal
sangue, então é até o sangue, tal, não
sei quê. E era essa história de pagar o
preço para ser salvo, você tinha que é
era uma confusão muito grande com a
santificação, né? Porque de fato nós
participamos do processo da
santificação, mas não é isso que nos
salva,
mas não, sem santidade ninguém verá o
Senhor, né? Aliás, esse versículo tem
uma outra coisa muito legal, que foi
quando eu ouvi o Paulo Júnior, né, o
Paulo Júnior Bacana, é falar sobre esse
texto de Hebreus,
sem santidade ninguém verá o Senhor,
porque ele me fez olhar, ele mudou a
minha interpretação desse texto, porque
para mim faz sentido no contexto de toda
a carta, eu não lembro onde é que está
essa passagem, não sei se é o capítulo
12, né? Mas desde o capítulo 10 o autor
aos Hebreus ou autora tá falando sobre a
vida em comunidade e tal, né? E preparar
o caminho para quem tem os joelhos
trôpegos e tal, ou seja, sem a sua
santidade, ou seja, o seu compromisso
com Deus, o outro não verá Deus, ou
seja, sem santidade ninguém verá o
Senhor é porque se a igreja não se
santificar, não ser separada para a
missão, os outros não verão a Deus.
>> É é a
o reino, né, de sacerdotes, é
>> Exato, é então, ou seja, esse quando ele
falou isso e aí depois eu fui estudar
outros autores e tal, mano, faz muito
mais sentido, ou seja, é outro boom
teológico também, né? Porque, mano, não
é sobre a minha santidade para eu ver a
Deus,
é sobre a minha santidade para que o
próximo veja Deus. Cara, isso é lindo em
todos os idiomas.
>> Ainda indo pelo ainda indo, né, boa.
>> É ótimo, ainda indo.
Vindo ainda.
Ovinho.
>> É em continuidade as aulas lá na Jocum,
eu comecei a entender melhor sobre o
sacerdócio real de todos os santos.
E aí, ali foi a a primeira vez em que o
texto de Hebreus, é, brilha de uma outra
forma para mim também.
>> É interessante.
>> É mu, é muito interessante, porque
quando, vamos lá, eu venho de um
contexto em que eu vou para Jocum para
poder, junto com a minha esposa, ser
preparado para um projeto em faculdades
>> [roncando]
>> e em universidades. E aí, no contexto da
minha igreja, contexto super
hierárquico, também é antiga, super
hierárquico. Então, você tinha um pastor
presidente, você tinha que ir gente que
tava embaixo, aí os líderes dos líderes,
os líderes dos líderes e tudo mais.
E aí, tudo aquilo me dava uma certa
preguiça, sempre me deu uma certa
preguiça desde sempre, sabe?
E quando eu olho para atividades da, eu
vou para missão e aí eu olho
a, uma sala de aula da mulher de uma, a
irmãzinha do coque, da, do Brasil para
Cristo,
do jovem da presbiteriana, todos no, na
mesma sala, aprendendo a respeito de
Deus, aprendendo e e criando e tendo e
adquirindo ferramentais para poder
realizar evangelismos, implementar uma
cultura missional dentro das próprias
igrejas e tal local,
eu,
automaticamente, eu, eu, eu, eu olho
para aquilo e falo,
Hebreus, Hebreus. Os crentes agora, eles
são,
>> [roncando]
>> é, embuídos desse tipo de poder. E antes
a minha visão hierárquica,
que é, que era uma visão, é, típica
católica, eu já, eu, eu ficava, não, que
o pastor ele tem a, uma, um, uma
diretriz correta, é a liderança que vai
ter uma diretriz correta, que a missão
estão, tá na mãos dele. Não, eu olhei
para mim e falei, a missão tá na minha
mão.
>> Uhum.
>> A missão começou, a missão caiu na minha
mão, caiu na mão das pessoas que estavam
ao meu redor. Eu falei,
O Senhor tá nos convidando para isso.
>> Uhum.
>> Para a missão que é dele, na verdade,
né? E aí o Senhor nos gabaritou. E aí eu
olho para o texto de Hebreus e aí eu
começo também a ter aquelas escamas, né?
Saindo do dos olhos.
E olhando para a realidade muito maior,
bela, de formação espiritual, de
discipulado.
>> Eu comprei o módulo Espírito Santo na
EBT e depois disso eu decidi migrar para
o plano anual. E assim, bah, tá sendo
uma experiência muito boa.
Ah, eu admiro muito a forma que eles
ensinam, que eles são bíblicos sem ser
legalistas. Eles ensinam a Bíblia de uma
forma simples, de uma, com uma linguagem
acessível.
E bah, muito legal, é um conteúdo muito
profundo. Eu sinceramente estou gostando
muito, está sendo muito bom mesmo.
>> Uma outra coisa também, galera, que e aí
a gente experiencia, né? Tanto na nossa
vida em comunidade, ah, como no trabalho
que a gente realiza aqui na internet, é
como a a o conhecimento bíblico, ele de
fato, ele liberta, assim.
>> Sim. Sim.
>> Quando, é, eu já tive, né? Por graça
divina, eu já tive inúmeras,
não sei se eu poderia dizer milhares,
né? Mas assim, é, eu já tive inúmeras,
incontáveis conversas ou já li
testemunhos onde as pessoas tiveram uma
mudança radical de vida. Vou dar um
exemplo, né? Eu lancei em 2021 O Deus
Que Destrói Sonhos,
>> Um sucesso de vendas.
>> Graças a Deus, um um sucessaço, né? E
graças a Deus que é um sucesso de vendas
com uma boa teologia.
>> Então.
>> Para a glória de Deus tudo isso. É, mas
é verdade, é, porque, mano, quantas
pessoas, né? Mandaram e-mail ou falaram
para líderes, foram parar em igrejas que
aí, ó, o pastor acabou mandando mensagem
para mim porque
foram libertos
de uma opressão, sabe? De uma teologia
ruim,
é, porque leram o meu livro, entenderam
que estavam numa igreja com uma teologia
da prosperidade, da prosperidade
afetiva. Porque, cara, a gente a gente
não pode subestimar, Luís,
o poder que a religião tem sobre as
pessoas.
>> Sim.
>> Né? Eh, eu conheço história triste, tu
deve conhecer história triste.
>> Nós já vivemos histórias tristes.
>> Cara,
vamos contar uma história triste, então?
>> Tá, sobre falta
>> É, como não, como a a teologia levou a
gente para um buraco que a gente não
precisava estar.
>> Tá, tá, tá.
>> Então, vou vou dar um exemplo, né? Como
eu falei,
>> Nossa, qual qual?
>> Quais buracos?
>> Quais? Vamos vamos lá. Não, mas olha só,
mano, por exemplo, eu
fazia parte do movimento pentecostal e
se tinha realmente muitos usos e
costumes.
>> Aham.
>> Eu sempre gostei de cinema, sempre fui
apaixonado por cinema e tal. Cara, eu
tinha a coleção da revista Sete,
mas não só as revistas Sete, que era
revista de cinema, era como a gente se
atualizava com o cinema antigamente. Pô,
pode abrir a câmera, Isá.
E aí, cara, o que que é doido?
Eu tinha mini pôsteres, Luís, mini
pôsteres de vários filmes.
>> Aham.
>> Eu tinha mini pôsteres. E, mano, e a
religião vem e me diz que aquilo é do
demônio, que eu tenho que aquilo ali são
altares do demônio na minha vida. Eu
tinha CDs da Spice Girls, que eu amava.
E mentira, eu tinha, sabe? Eu tinha CD
do Backstreet Boys, eu tinha uma bermuda
que era a minha mãe pagou caríssima. Eu
não sei, na época era a marca da
Onbongo.
>> Onbongo.
>> Que era caríssima, era aquela bermuda,
porque assim, quando você é pobre, você
ganha uma roupa boa no ano, ou é no seu
aniversário, bati no microfone, desculpa
aí, Rafa, ou é no seu aniversário ou no
Natal. Pobre é assim, é uma roupa boa e
no caso eu ganhei aquela bermuda.
>> E essa roupa é roupa de culto.
>> No meu caso não era roupa, não, porque
era bermuda, então não poderia. Então,
meu não tinha esse lance de roupa de
culto. E, cara, e quando vem a religião,
ela vem e diz isso para mim, você não
pode ter esses altares, né? Ah, eh,
dentro da sua casa. Inclusive, eu quase
arrumei um problemão com a minha mãe,
porque eu tinha que remover os santos
que a minha mãe tinha dentro de casa.
>> Nossa.
>> Entendeu? É, e ainda bem que a minha mãe
não, a minha mãe tinha lá uma, uma Maria
e um Buda. Minha mãe, né, assim, quem
ajudasse ela tava ali.
>> é tipo, é.
>> E o Buda eu tirei. O Buda eu consegui
tirar. Gente, só aqui, você que é
budista, pelo amor de Deus, né? Eu era
de uma religião, então assim, né, enfim,
e a gente não acredita também da mesma
forma que vocês. Então, pra nós, aquilo
era estranho.
>> dentro do nosso sistema de valores,
assim, esse tipo de, de esculturas é um.
>> Não dá, pra nós é complicado. E pra, e
pra.
>> pra extremos, assim, e
no dilema de morar com alguém que
acredita de maneira diferente.
>> Exato. Isso nos gera problema, por isso
que estamos falando que.
>> Exato. Está, isso nos gera problemas.
>> Problemas. E aí o que acontece, galera?
Eu, eu, eu doei, né? Eu, eu queimei os
meus, porque assim, eu queimei meus mini
pôsteres.
>> o Buda, né?
>> Não queimei, não, não. É, eu queimei
meus mini pôsteres, as, as minhas
revistas, os CD da Spice Girls, troquei
por uma Bíblia com uma amiga minha, né?
É, aí acho que eu fiz errado, porque,
né, que se não presta pra mim, não
deveria prestar pros outros, mas tudo
bem. E, cara, doei a minha bermuda e
tal. Então, assim, eu tive vários
comportamentos, né, deixei de ir no
cinema, é, deixei de frequentar rios,
né, de tomar banho em rios, porque
amava, era coisa que eu fazia muito
quando era moleque, tal. Tem rios, né,
em Joinville, você a 40 minutos da sua
casa, você tem praia, você tem rio e
tal.
E, mano, e algumas coisas. Comecei a ser
muito rude com as pessoas.
>> Uhum.
>> Entende? Eu lembro até hoje, assim, que,
é, eu comecei, as pessoas iam me
convidar pra alguma festa, eu falava:
"Eu não vou para lugares onde o demônio
está e que me levam para o inferno".
>> pesava o clima.
>> direto. E era muito louco, porque o
pessoal não começou a entender o
movimento. Como assim, o Coco Louco? Era
o meu apelido. Coco Louco, né? Como
assim, o Coco Louco agora tá, tá indo
pra igreja? Que loucura é essa, tal. E
aí o pessoal dizia até.
Tipo, me convidava pra algumas coisas.
Então, eu rompi com todas as minhas
amizades e tal. Então, assim, então a
religião, cara, ela fez eu eu assim eu
viver um ascetismo
>> Sim.
>> desnecessário. Como eu disse no começo,
foi importante porque eu rompi, de fato,
com coisas que seria importante eu
romper.
>> Algumas práticas
>> Algumas práticas, enfim, tal tal tal.
Entretanto,
eu
>> Uhum.
>> ou várias outras coisas, eu
cortei e não precisava, entendeu? Agora,
é claro, assim, eu tô falando de coisas
que me tiraram alguns prazeres de vida e
tal,
que eu não precisava tirar. Tanto que na
época, velho, olha isso,
um livro do Ricardo Gondim, né, é hoje
em dia não né não concordo com né com o
caminho que ele seguiu, enfim, só pra
deixar isso registrado para os chatos de
plantão, mas é inegável que o Ricardo
Gondim do Antigo Testamento, vê se isso
encaixa,
que o Ricardo Gondim, ele era uma ele
era uma voz muito lúcida naquela época,
entendeu? E ele lançou um livro que
chacoalhou, que a gente até foi meio
proibido de
>> ler que é
>> O que a igreja proíbe é não é proibido,
é o nome.
É proibido. O que a igreja proíbe mas a
Bíblia permite. Mano, então quando ele
falou que a gente podia ouvir música e
tal, porque não podia ouvir música do
mundo, né? Então, assim, o Ricardo
Gondim foi muito ousado com aquele
livro, enfim, ele tinha ele tinha textos
incríveis na Últimato naquela época.
Nossa, é a religião a cocaína do povo,
até hoje eu lembro disso. É se
quando eu
quando eu fosse se eu fosse mais velho,
acho que é esse o nome do texto dele,
que ele escreve uma carta pra ele mais
novo, tipo, né, é tipo o que ele diria
pro pro pro Ricardo Gondim mais novo.
Mano, aquele texto é um é um nossa, é um
lavar de almas aquilo. Enfim, o que eu
quero dizer é o seguinte, que agora eu
dei um exemplo de beleza, não fui no
cinema, ah tadinho, ele não viu o Senhor
dos Anéis no cinema. Agora, eu conheço
histórias
assim, de pessoas que viveram uma vida
miserável, assim, de
sabe, de E vezes não é de viver num
vamos pegar a questão dos abusos.
>> Sim.
>> mulheres, e sim gente, isso recai é 98%
das mulheres.
>> seria nesse sentido. Eu vou eu vou
contar nesse sentido, tentando
resguardar o máximo, né?
>> Tá, que é a sua sua mãe e seu pai?
>> Oi?
>> Mentira.
>> [risadas]
>> Não, minha mãe eu resguardo, meu pai
não. É, mas aí fica para outra história.
>> [roncando]
>> Mas eu quando
eu eu eu já fui complementarista.
>> Ok.
>> Todos nós fomos no começo, né?
>> E tudo bem, né, acreditar nessa noção de
que o homem é o provedor e tudo mais.
Só que
ah isso começou a gerar um determinado
problema na minha casa. Em primeiro
lugar, porque como profissão eu havia
escolhido uma profissão
que não me dava um um um retorno
financeiro considerável.
>> Até hoje não dá, diga-se de passagem.
>> [risadas]
>> Você é meu chefe, [roncando] você tá se
colocando aí. Folha de pagamento Cami tá
aí.
É e
ah a minha esposa escolheu um caminho
muito mais seguro, muito mais tranquilo
e que tem um retorno bom, um
significativo financeiro.
Aí você imagina dentro da mente de
alguém que adota uma teologia
complementarista estrita
que o homem é tem que ser o provedor,
a crise dele ter que lidar com a sua
vocação,
>> Uhum.
>> porque
eu acredito que eu nasci para ser para
fazer isso, certo?
E a crise de ter que contribuir pagando
as contas de casa e
vendo a a esposa que deveria ganhar
menos ou nem trabalhar nem trabalhar
ganhando mais e assumindo toda a a
renda.
E aí isso afetava, inclusive, a questões
a respeito da minha própria umbridade,
masculinidade, questões de segurança. A
teologia complementarista
me jogou em um abismo existencial.
>> Mas Luís, deixa eu te cortar, porque o o
teu caso não é um caso isolado, tá
gente? Não é assim, ah, mas isso é coisa
do Luís. Muitas histórias são assim,
muitas histórias, tá gente? Então assim,
é, não é um caso isolado. Mas então
vocês tão dizendo que o complementarismo
é um problema? Não, não, não, não.
>> É a prática que é feita por conta de uma
adesão teológica.
>> E sim, ele é um ambiente que pode tornar
propício esse tipo de coisa, né? Não à
toa, galera, muitos casos de abuso, é,
é, são, anco, usam como plataforma o
complementarismo.
Né?
Mas não é um problema do
complementarismo, mas
muitas vezes, como ele é arquitetado e
como ele é pregado, gera esse tipo de
conflito, entendeu?
>> E eu posso falar de exemplos que eu
tenho autorização para falar, tá? É, de
pessoas, de mulheres incríveis,
vocacionalmente falando, de pessoas
profissionais, sérias e que, é, se
sujeitaram
à promessa de que, na verdade, é a
crença teológica de que o homem precisa
governar o lar em todas as instâncias.
Eu sei que existem diferenças comple, de
complementarismo, mas é, nesse caso eu
tô falando do complementarismo estrito,
esse que é mal visto.
>> o estrito ou esse é o largo, que pega em
tudo quanto é lado, lata? Na minha
cabeça o largo, então acho que eu falei
errado em alguma aula por algum lugar.
Na minha cabeça o largo é que proíbe a
mulher de tudo, porque ele é tão largo
que pega várias esferas da sociedade. E
o estrito pega só o lance da
eclesiologia.
>> Boa. Eu, eu, agora me colocou em dúvida,
porque
>> [risadas]
>> Mas sabe por quê? Porque da última vez
que chegamos à conclusão eu tava errado
também. Mas é porque, é, o termo, né?
>> É, enfim, o o fato é que eu conheço é, o
complementarismo estrito, ao qual eu
estou me referindo, é um
complementarismo que, a, a mulher não
pode, em nenhum momento, em nenhuma
instância da sociedade, em nenhuma
instância familiar, em nenhuma instância
eclesiástica, é, exercer liderança
autoritativa. Ponto.
>> Uhum. Então ela não pode ganhar mais,
ela não pode ser juíza, ela não pode
ser. Tem teólogos reformados, inclusive,
que acreditam nisso. Ponto, né?
>> Mulher não pode liderar a faculdade de
teologia.
>> o o o complementarismo um pouco mais
brando, que a mulher, ela pode ser tudo
isso, mas em casa o governo é é da é do
homem. É do homem. E eu não concordo com
nenhuma dessas duas, tá? Eu sou um
mutualista, eu sou um igualitarista
nesse sentido. Mas o o complementarismo
me colocou nessa crise, quando eu era.
E assim, nunca cheguei a virar Priscila
e falar: "Ó, você tem que ganhar menos
do que eu". Não sou louco, porque a
gente comprava no
é pedia as coisas no iFood por conta
disso, entendeu? Por conta do salário
dela. Mas isso me deixava uma
determinada crise. E eu via também
amigos seminaristas, e aqui eu posso
contar mesmo de de pessoas que saíram
desse rolê, amigos seminaristas que
tinham crise com isso, porque enquanto
eles estavam no tempo
de preparação dedicado exclusivamente ao
preparo ministerial no seminário, era a
mulher que tocava a casa.
Era a mulher financeiramente que acabava
tocando a casa.
E isso fez com que esses, muitas vezes,
tomassem uma atitude ou esquizofrênica
ou entrassem em
questões existenciais e de de de
coerência. Ao ponto de que muitos também
se tornaram eh que eu conheço, né, que
se tornaram eh igualitaristas, muito
porque na prática isso não fazia nenhum
sentido e que biblicamente vai se se
olhar e falar: "Não, isso daqui tá meio
equivocado. Existe existe uma exegese
para poder explicar uma posição mais
tranquila".
>> É que tá certo. O complementarismo
estrito ou hierárquico, ele é o modelo
mais associado e tal tal e eu entendo
John Piper, Grudem, Carson, que é assim,
é homens e mulheres são iguais, mas as
funções distintas e tal tal, ou seja, eh
nesse modelo existe algum tipo de
liderança masculina normativa no lar e
na igreja, né? Então, já o outro, que é,
cadê? Já o, ele começa a dar um monte de
exemplo aqui. Já no outro, é aí, é, mais
só focado na igreja e tal.
>> Isso, exatamente. Então, olhando para,
por exemplo,
>> né? O moderado. Que é o
O Keller é o Keller é o é mais brando, o
moderado.
>> Então, em alguma aula que eu dei em
algum lugar, eu falei errado. Eu inverti
as coisas. Fica aqui a errata, mas a,
mas essa teologia, e eu considero que
foi uma má teologia da minha parte,
porque, em primeiro lugar, eu era jovem.
Em segundo, eu precisava de orientações
teológicas um pouquinho mais sérias. E
isso me jogou em determinados lugares
que me levaram a determinadas atitudes
ah, equivocadas, sabe? Muito equivocadas
e que,
ah, olhando hoje em retrospecto, era só
uma orientação, não, filho, relaxa, fica
tranquilo.
>> Exato, é que até nesse lance, né, cara?
Ah, o homem é o sacerdote do lar, né? É,
também que a gente já defendeu aqui no
Bibotalk e tal, enfim, que a gente não
acredita nessa teologia, porque para
nós, tem que lavar o Exato, é que era
isso que o sacerdote fazia um tempo
atrás, né? São serviços bem femininos
que até Paulo coloca ao homem lá nos
códigos domésticos, domésticos. Mas esse
é o lance assim, a gente não acredita
que o homem é o sacerdote do lar, né? A
gente defende um reino de sacerdotes,
que é o que a gente entende que a Bíblia
ensina, que todo cristão é um reino de
sacerdotes.
>> Aham.
>> E a gente falou isso nesse episódio,
inclusive, né?
>> Exato, exato. É no último.
>> No último, qual?
>> Não, não, nesse episódio, nesse
episódio. A gente tá gravando um monte
[risadas] aqui.
>> Mas esse é o lance, né? E aí, quando, e
quantas mulheres a gente já viu em crise
porque, não, mas é o meu marido que tem
que fazer. Mas, minha amiga, se é tu que
tá na vibe, vai, entendeu? Não não tem
que esperar às vezes o homem, até porque
nos lares, né, a maioria das mulheres
acabam assumindo liderança espiritual,
porque os homens às vezes são mais
>> Não, isso a gente escolhe, por exemplo,
se o se se a gente entende
>> isso é um problema, o homem ser
negligente, tá, gente? Não é que a gente
quer passar a mão agora da cabeça e tal.
Não, mas é que, não, agora vai deixar de
educar os filhos no caminho, vai Não, e
você pode, mulher, evangelizar o seu
marido também, entendeu? Se ele tiver se
desviando do caminho.
>> Não, mas ó, eu
Qual era a minha crise? A minha crise
era: a minha vocação não me dá dinheiro,
porque o sistema ao qual, eh, eu estou
inserido não valoriza isso. Só que a
minha vocação E e se levarmos em
consideração que vocação
é algo que Deus dá como um um presente
para ser executado, né, para ser para
ser benção para as outras pessoas,
eu não posso cair no num papo de,
ah, eu vou da larga, deixar minha
vocação de lado e só fazer aquilo que dá
dinheiro,
>> Exatamente. É é Dá tem como você
conciliar isso ou tem como você
trabalhar a noção do contentamento.
>> Exato, exato.
>> Ah, e e olhar que cada pessoa tem uma
vocação e que a vocação exclusiva da Não
existe uma vocação exclusiva para a
mulher.
>> Uhum.
>> E é e é onde eu me distancio dos
complementaristas de vez, já é uma
cisão. Para mim, mulheres têm, eh,
múltiplas vocações, diversas, eh,
vocações. Não só a de ser mãe, não é só
de gerir um lar.
>> Claro, claro.
>> Inclusive, a gestão de um lar cabe aos
dois.
>> É, com certeza. Cara, inclusive, eh, eu
não sei como é que tá isso agora, mas
teve uma época que tava muito em voga
esse lance que mulher não devia
trabalhar, né? Isso meio estourou na
internet, né?
>> né? Mulher troféu.
>> Eu nem lembro, mas eu sei que eu via
muito assim, tipo, influencers cristãs e
tal, não, mulher tem que ficar em casa,
a mulher não pode trabalhar. E aí eu via
garotas assim, tipo, seguidoras e tal, o
o público feminino é muito alto no
Bibotalk. É mais de 50% do nosso público
é feminino. E e aí e algumas assim
mandando mensagem: "Cara, mas poxa, eu
tenho a minha profissão, quer dizer,
então quando eu casar, eu tenho que
largar minha profissão para cuidar do
lar?" Não, até porque, primeiro, homens
morrem, homens abandonam, entendeu?
Assim, eu acho muito legal se no acordo
entre os dois eles, ó, então, beleza, eu
dou conta aqui, segura as pontas em casa
e eu dou conta aqui e beleza. É o
combinado do casal, tá tudo certo.
>> Porque é circunstancial, não é uma
>> Agora, mas eu diria para ti, mulher,
sabe? Beleza, se o seu marido ou o seu
namorado vem com esse papo de: "Ó, mas
quando a gente casar, eu queria que você
se dedicasse ao lar e tal". Beleza.
>> Converse com ele, fala: "Não".
>> Converse, não, não. Eu amo a minha
profissão. Não é, ou ou mas e se tu
talvez se você quiser achar: "Pô, legal,
eu quero mesmo me dedicar ao lar". Mas
tenha uma profissão, entendeu? Faça uma
faculdade ou seja boa em alguma coisa.
Por quê? Porque homens morrem, homens
abandonam.
>> Vou dar dar uma
uma um exemplo aqui.
Eu e a minha esposa atualmente a e a
Agnes a gente fala, tipo, ah, se um dia
você ficar bem financeiramente, por isso
se inscreva na IBT.
>> Venha não, é verdade, gente, olha, a
turma 07 tá aberta, vem estudar teologia
com a gente, tá?
>> Transformar a Agnes em esposa troféu.
>> Exato. Ela falou, ela fala ela fala
sempre tem: "Eu eu puxo o freio de mão
aqui
mas eu vou soltar no momento em que eu
achar necessário, então eu quero
continuar trabalhando".
>> Claro, faz bem até para cabeça dela.
>> Só que eu não quero trabalhar na mesma
num no mesmo ritmo, então claro,
sensacional. Não, quero fazer uma
consultoria aqui, ela é da área de RH,
quero fazer a uma gestão de projetos
aqui e tudo mais. É pontual, entendeu?
Mas é um acordo. Não, não chegamos nesse
nível, por isso que você precisa se
inscrever aqui
>> Exato, a turma 07 tá aberta, tá?
>> [risadas]
>> Tem 30% de desconto, inclusive, gente,
sério, ó, você vai entrar no nosso site,
vai aplicar o cupom IBT30 e vai te dar
30% de desconto. Tá tudo bem descritinho
aqui na descrição do episódio.
>> a gente só conversa hoje de maneira bem
tranquila,
é, e o matrimônio é levado de maneira
muito leve, é, porque em algum momento
uma boa teologia me encontra e aí eu
consigo vencer essa crise interna.
>> Exatamente.
>> Essa cisão e aí nesse momento há um
rompimento com isso, tá? OK.
Essa teologia me transformou, entendeu?
>> Então, gente, a teologia realmente
transforma, né? A parte de qualquer
propaganda que a gente tenha feito aqui,
é, por isso que a igreja precisa
investir em ensino na sua nem um bom
ensino, porque tem uns lances, né? Tem
igreja que até investe em ensino, mas
ensina um monte de coisa mega
complicada. Então, a gente parte do
pressuposto de que tem que ser um bom
ensino, porque de fato, o a boa
teologia, a boa interpretação bíblica,
ela liberta, ela liberta, ela não
aprisiona, ela liberta. É claro, né?
Para alguns vai dizer: "Não, mas a
religião aprisiona". Ah, daí você quer
viver conforme o desejo do seu bucho, do
seu ventre?
>> Você tá preso também.
>> Ah, você tá preso também ao seu desejo,
né? Então, agora sim, gente, por isso
que eu digo assim, mano, muita coisa que
a Bíblia pede e o pessoal fala que isso
é prisão,
cara, mas no fundo ela é para o nosso
bem. Ah, porque o poliamor, não sei das
quantas, só treta, só rolo, entendeu?
Não, mano, é isso, sabe? É, tem um monte
de coisa, um monte. Então, só que a
gente tem que tomar muito cuidado que a
religião é poderosa, líderes religiosos
têm muito poder sobre o povo. Mas como o
povo se liberta de opressores?
Povo se liberta de opressores.
>> com conhecimento, né? A gente eu até
achei que você fosse entrar mais no
lance do caso de abusos, né? Mas muita
gente, né, muita mulher sofreu abuso no
casamento, que não é o caso da Agnes, no
caso, né? É, mas muita mulher sofreu
abusos durante muito tempo da sua vida,
porque tinha uma teologia que dizia para
elas: "Aguenta quieta, aguenta calada,
seja a glória do seu marido", entendeu?
>> É que nesses casos específicos, Bibo, é
o abuso, ele precisa ser tratado de
parte a parte, mas passa pela teologia.
Passa muito pela teologia. Muito pela
teologia. Quantos crimes em nome de uma
má teologia foram acobertados? A a
teologia às vezes é leniente, ela é
conveniente, né? Leniente e conveniente,
mas ela é é conveniente com a situação e
ela vai, ela pode endossar um sistema de
abuso em que a todo o sistema de abuso
vai gerar morte. A gente precisa sempre
voltar para uma boa teologia bíblica,
>> Boa.
>> em que as implicações que Deus dá a
humanidade, elas estão para gerar vida
e nunca morte.
É vida é o princípio da criação, vida é
o princípio, ordem é o princípio da vida
inclusive, né? E quando nós olhamos para
a vida de Jesus de Nazaré, nós
observamos de que nele havia vida e a
vida, por sua vez, é gerada e gestada na
igreja por conta dele, ele dinamiza isso
é na existência. Então,
toda e qualquer estrutura
que esteja se pautando de uma teologia
que está gerando abuso, opressão, morte,
ah,
crises, ah, equivocadas, não são as
crises reais, né? Mas as crises
equivocadas, crises onde não precisava
ter crise,
é, não está sendo uma teologia
fundamentada na nas escrituras, está
sendo uma teologia fundamentada em
determinadas dinâmicas de poder. A gente
repudia isso. Por isso você precisa de
boa teologia. É verdade. Câmera em mim,
Isa, porque eu quero terminar dizendo o
seguinte:
por isso que Jesus, ele começa o seu
ministério ensinando,
ele vai fazendo milagres e maravilhas,
mas todos eles sempre querendo apontar.
Então, milagres, maravilhas, exorcismos,
tudo isso são sinais que apontam para a
chegada do reino de Deus,
apontam para Jesus Cristo como o Messias
esperado, como Deus no meio do povo, mas
também apontavam para, ei,
olha o que eu tô dizendo aqui para
vocês,
por isso que ele contava parábolas que
ensinavam princípios do reino de Deus.
Então, ele começa o seu ministério
ensinando e termina, por assim dizer, o
seu ministério comissionando os seus
discípulos a irem pelo mundo e ensinar.
Discípulo é uma outra palavra para
aluno, ou seja, aqueles que aprendem.
Então, gente, a tarefa da igreja é
ensinar.
Por quê? Porque o ensino liberta, o
ensino que parte das escrituras
no poder do Espírito Santo, ele liberta.
Tá bom? Então, por isso que nós não
podemos ter medo de estudar teologia, de
estudar a Bíblia,
porque ela realmente nos traz um
conhecimento que nos liberta, né? O povo
de Israel pereceu porque lhe faltou
conhecimento. Pessoas foram enganadas
por líderes religiosos
porque lhe faltaram conhecimento. Muita
gente sai de ministérios ruins,
abusadores, escravizadores,
sabe, manipuladores,
porque tiveram contato com boa
literatura, com bom conteúdo na internet
e tiveram os seus olhos abertos.
Tá bom? Então, valorize isso, valorize o
bom ensino teológico. É isso, Luís.
Voltamos a semana que vem, se o Senhor
Jesus permitir. Fiquem todos na paz do
Senhor Jesus.

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