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A fé vem pelo ouvir

ESPIRITUALIDADE E SAÚDE MENTAL I Kauane Leite I Palestra Café Teológico 2026

ESPIRITUALIDADE E SAÚDE MENTAL I Kauane Leite I Palestra Café Teológico 2026

ESPIRITUALIDADE E SAÚDE MENTAL I Kauane Leite I Palestra Café Teológico 2026

Palestra do Kauane Leite em Joinville/SC sobre espiritualidade e saúde mental no Café Teológico na MEUC Joinville.

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Legendas automáticas:

Que honra. Obrigada. Boa tarde, gente.
Que bom tá aqui. Vocês estão bem?
>> Que bom. Obrigada, Bibo. Eu gosto de
falar sempre comento pro J e meu marido.
A gente concorda que o Bibu é um grande
incentivador do meu ministério. Te
agradeço muito por isso e que bom tá
aqui. Tô bem feliz de estar aqui, em
especial porque é um tema que toca as
nossas vidas. Oi, Xanda tev vi aqui.
[risadas]
É um tema que toca a nossa vida, né?
Então, não são assuntos que simplesmente
a gente pode adquirir conhecimento
intelectual, toca os nossos dramas, né,
as nossas angústias, as nossas vivências
diárias. Então, eu quero sim trazer eh
um prisma aqui teológico, científico
também sobre saúde mental, mas eu também
queria muito que você abrisse o seu
coração, porque você é um ser emocional
e eu creio que de alguma forma, enquanto
a gente vai aprendendo sobre a palavra
de Deus, aprendendo sobre verdades da
ciência, o Senhor também vai atingindo e
acessando algumas camadas do nosso
coração que estão em processo de
tratamento, em processo de santificação,
em processo de desenvolvimento de saúde.
Amém.
Muito bem. Quero falar com vocês hoje
então sobre
saúde mental a partir da pessoa de
Cristo. A Bíblia, gente, ela não se
propõe a ser um manual sobre saúde
mental. Ela não se propõe a ser uma
enciclopédia sobre emoções. Ela não fala
exaustivamente sobre isso. Você não
encontra em um capítulo e um versículo
da Bíblia um direcionamento de como
lidar com uma pessoa que tá em crise de
pânico. Você não encontra um
direcionamento específico sobre como
lidar com uma pessoa que tem transtorno
de ansiedade, de personalidade ou então
detalhes sobre a medicação que essa
pessoa precisa tomar. A Bíblia não tem
essa função específica, mas obviamente
ela é a palavra completa, suficiente,
infalível do Senhor. E ela traz muitas
coisas profundas que tarde depois a
ciência foi descobrir e já tinham, né,
eh, comprovações bíblicas. Então, a
minha ideia aqui é trazer verdades
teológicas sobre as emoções, mas também
dialogando com coisas já descobertas
pela ciência, OK? Então, vou tentar
caminhar um pouquinho nessas duas áreas
do saber, fazendo alguns links com
algumas coisas que a psicologia como
ciência e profissão já descobriu e que
são verdades do criador que criou todas
as coisas. Muito bem,
quero te convidar a mergulhar num trecho
específico da palavra de Deus. Já vou
pedir para você abrir lá em Mateus,
capítulo 26.
Mateus capítulo 26 a partir do verso 36.
A gente vai conversar sobre saúde mental
a partir
da própria pessoa de Cristo.
Como que Cristo lidou com as suas
emoções? Como que Cristo administrou a
sua saúde mental?
Vamos orar. Você abriu a Bíblia aí?
Vamos orar mais uma vez. Já oramos, mas
mais um momento quero pedir que o Senhor
fale ao nosso coração. Baixa aí sua
cabeça, fecha os seus olhos. Senhor, nós
estamos aqui diante de ti, diante da tua
palavra, diante dos nossos irmãos e
pedimos que de uma maneira muito
especial o Senhor fale com a gente e nos
dê entendimento, clareza sobre verdades
tão preciosas de uma área tão importante
da nossa vida. que de uma maneira muito
especial nós possamos sair daqui com
ainda maior entendimento e encorajamento
para viver uma vida saudável em todos os
aspectos. Essa é a nossa oração em nome
de Jesus. Amém.
Jesus é o homem perfeito. Ele é o modelo
em tudo. Você sabe que tem estudos até
que mostram como ele é uma referência à
experiência dele na Terra até no sentido
de atividade física. Tem uma pesquisa
que diz que todos os quilômetros que ele
caminhou equivalem a uma volta inteira
no planeta. Então Jesus era alguém ativo
fisicamente, né? Jesus cumpriu o seu
ministério a pé.
atuando muscularmente, né? Atuando com o
seu corpo. [roncando] Jesus tinha uma
dieta balanceada. Tem estudos que falam
sobre isso também, sobre a maneira como
ele se alimentava. Todas as áreas da
vida de Cristo devem ser por nós
observadas. E a minha ideia hoje aqui é
a gente observar um dos momentos mais
difíceis da experiência de Cristo na
Terra, que é quando ele está no
Getsêmane. É uma cena sangrenta, é uma
cena de dores, uma cena de profunda
angústia.
Jesus tá prestes a ir pra cruz num
sofrimento mortal.
O Hendriksen, um comentarista bíblico,
ele diz que ninguém jamais passou pelo
que Jesus passou no Getsemêmane.
Ele sua sangue. A gente vê Jesus no
ápice da fragilidade humana. E essa cena
específica, ela traz pra gente lições
interessantes sobre saúde mental. Você
vai ver que essa cena tá descrita também
em Marcos capítulo 14 e em Lucas 22, mas
a gente vai ler Mateus 26 do verso 36 em
diante mesmo. Vamos lá. Palavra de Deus
diz: "Então Jesus foi com eles a um
lugar chamado Getsemmane e disse:
"Sentem-se aqui enquanto vou ali orar".
Levou consigo Pedro e os dois filhos de
Zebedeu e começou a ficar triste e
angustiado.
"Minha alma está profundamente triste a
ponto de morrer", disse ele. "Fiquem
aqui e vigiem comigo". Ele avançou um
pouco, curvou-se com o rosto no chão e
orou: "Meu Pai, se for possível, afasta
de mim esse cálice, com tudo que seja
feita a tua vontade e não a minha".
Depois voltou aos discípulos e os
encontrou dormindo. "Vocês não puderam
vigiar comigo nem por uma hora", disse
ele a Pedro. "Vigem e orem para que não
cedam a tentação, pois o espírito está
disposto, mas a carne é fraca". Então os
deixou pela segunda vez e orou: "Meu
Pai, se não for possível afastar de mim
esse cálice sem que eu beba, faça-se a
tua vontade." Quando voltou pela segunda
vez, encontrou-os dormindo de novo, pois
não conseguiam manter os olhos abertos.
Foi orar pela terceira vez, dizendo
novamente as mesmas coisas. Em seguida,
voltou aos discípulos e lhes disse:
"Como é que vocês ainda dormem e
descansam? Vejam, chegou a hora. O filho
do homem está para ser entregue nas mãos
de pecadores. Levantem-se e vamos. Meu
traidor chegou.
Jesus Cristo, o homem de dores.
Imagina o contexto que nós estamos
estabelecidos aqui nessa cena. A nação
de Israel esperava ansiosamente pelo
Messias e a expectativa era outra. era
de um líder político forte, invencível,
que derrotaria o Império Romano.
Um homem cheio de glamor.
E aí corta para um homem simples,
sem formosura,
humilde, que quando foi nascer não tinha
nenhum lugar digno para nascer.
E para além de tudo isso, um homem de
dores. É isso que Isaías vai dizer.
Isaías 53:3 diz que ele foi desprezado e
rejeitado, homem de dores que conhece o
sofrimento mais profundo.
Jesus,
um homem com cicatrizes, um homem com
marcas, sem pecar, santo
Deus, mas um homem com lágrimas nos
olhos,
um homem que experimentou a humanidade
na pele, a fragilidade na pele.
E esse é um primeiro ponto pra gente
considerar acerca da experiência de
Cristo no Getsemêmane. Ele sentiu. Jesus
sentiu. Ele diz aos discípulos: "A minha
alma está profundamente triste a ponto
de morrer. Uma tristeza mortal.
O termo grego aqui para profundamente
triste é perílipos, que significa
cercado de tristeza de todos os lados. É
como se Jesus estivesse dizendo: "Não há
uma parte em mim que não esteja sendo
tomada agora de tristeza e dor."
Ele descreve a situação dele como num
grau de tristeza além do normal.
Lucas, descrevendo essa cena, diz que a
sua angústia era tanta que suor de
sangue
caía na terra.
Ele suou sangue, um fenômeno
extremamente raro chamado hematidrose,
que é quando a pessoa tá num nível de
tanto estress, de tanta angústia,
que alguns pequenos vasos sanguíneos que
estão sob as glândulas sudoríparas se
rompem.
É muito raro, muito provavelmente você
nunca viu e nem veja alguém suando
sangue.
Gente, aqui a gente vê o Deus
humilhado,
experimentando a fragilidade humana. E
isso é tão emblemático na nossa fé.
Porque quando a gente fala da pessoa de
Cristo, a gente está falando de alguém
que é 100% Deus, é inteiramente Deus,
mas é inteiramente homem.
Quando a gente começa a pensar nisso,
ontem eu tava participando do pequeno
grupo lá da nossa igreja e aí tem muitas
crianças, tem mais crianças que que
adulto. E aí sempre tem que ter, tem que
ficar uma tia ali olhando, né, as
crianças para elas não colocarem fogo,
né, no no lugar que a gente tá. E ontem
eu fui essa tia. Ontem eu me retirei ali
do lugar onde a gente estava conversando
sobre a palavra e fiquei com as
crianças. Aí eu tava lendo a historinha
para elas ali de um livro falando sobre
o nascimento, né, de Jesus. Tinha José,
Maria, todos ali filho de crente,
conhecem a história. E aí eles começaram
a me encher de perguntas, que eu vou ter
que colocar na caixinha de perguntas do
Bibo, porque eu não dei conta. E aí
perguntas do mas como que Jesus saiu de
dentro da barriga da Maria se não tinha
médico?
Pois olha, são perguntas assim que
tinham todas as idades ali
representadas. Eu não sabia até que
ponto eu podia ir. Eu falei: "Ah, que
José tirou?" Enfim, gente, eh, eh, mas o
que me deixou pensando é que loucura é
essa que a gente comemora no Natal, por
exemplo, e que a gente às vezes trata
com tanta naturalidade, que é o fato de
Deus ter sido bebê.
Isso é emblemático na nossa fé. Você já
parou para pensar que o Deus que criou
todas as coisas, que projetou o corpo
humano, nasceu de um parto normal?
passou por ali, nasceu
o Deus que é a palavra,
ele precisou aprender a falar
e muito possivelmente passou pelas fases
do desenvolvimento infantil, onde você
fala errado. Isso não é pecado, é fases
do desenvolvimento. Jesus talvez falou
igual Cebolinha,
ele passou por essas fases.
que
é Deus, precisou aprender a andar, né?
Você consegue imaginar ele caindo e
levantando? Ele passou por essas fases,
se submeteu a sentir fome, se submeteu a
sentir sede, a sentir sono, a precisar
dormir.
Essa experiência humana
do nosso Deus é uma maneira também de
ele nos acolher, nos compreender e se
identificar com a nossa humanidade. Eu
gosto do que o De Carson fala. Ele diz
que o Deus em quem confiamos não sabe o
que é sofrimento.
Não, não. O Deus em quem confiamos sabe
o que é sofrimento, não apenas porque
Deus sabe de tudo, mas por experiência
própria.
É por isso que o autor de Hebreus vai
nos dizer, né, que nós temos um sumo
sacerdote que se compadece das nossas
fraquezas.
Então, nós vemos em Jesus o retrato das
emoções humanas em ação. E aqui a gente
tá falando de uma cena que ele tava
profundamente triste, mas a gente vê
muitas outras emoções na experiência de
Cristo. A gente vê Jesus, por exemplo,
indignado. Tem uma cena em que as
crianças se aproximam de Jesus e os
discípulos afastam e a palavra diz que
ele fica indignado com os discípulos.
Como assim?
Deixa as crianças vir para perto. Na
verdade, vocês deveriam estar olhando
elas e aprendendo com elas. A gente vê
Jesus tomado pela ira. Você deve lembrar
dessa cena. Quando ele vê que a casa do
Pai tinha se tornado um mercado, um
covil de ladrões, ele faz um chicote de
cordas e expulsa todos do templo. Deu a
louca em Jesus.
Ele botou a boca no trombone. E aqui um
parênteses, muitas vezes isso também é
saúde. Claro que a gente se faz isso, a
gente faz muito provavelmente pecando.
Jesus sirou de maneira santa, se
posicionou e saúde muitas vezes é a
gente não se submeter a tudo e ter a
capacidade de colocar alguns limites e
de não abrir mão de valores, de
princípios.
Porque aquele que se submete a tudo,
talvez tem graus aí de adoecimento.
A gente vê Jesus sentindo angústia
quando Judas anuncia traição. Muitas
cenas. Se você começar a ler os
Evangelhos agora, prestando atenção
emoções, você vai ver que Jesus nos dá
uma imagem perfeita das emoções humanas
em ação. Jesus chorou, sentiu, não
ignorou, não jogou para baixo do tapete
as emoções humanas.
E isso
nos comunica que nós, como aqueles que o
seguimos, como cristãos, também podemos,
gente, e devemos
sentir.
Eu sei que parece muito óbvio, mas de
alguma maneira foi se infiltrando no
meio evangélico uma ideia de que ser
emocional é pecaminoso ou é menos
espiritual. Então, a gente tem que negar
a nós mesmos e tem que negar qualquer
tipo de emoção. Não importa o que eu
sinto. E eu vou falar daqui um pouco que
a gente também não tem que exaltar tudo
que a gente sente, tá? A gente já vai
equilibrar esse pêndulo aqui. Mas para
começar, gente, você pode ser super
crente, você pode ser muito maduro na
fé, mas isso não rouba o fato de que nós
somos seres emocionais. Porque a
capacidade de sentir não é fruto da
queda. É uma condição inata que Deus
colocou em nós. Aliás, é parte do
equipamento que nós temos como criados à
imagem e semelhança de Deus. Deus sente.
A gente vê Deus pai mesmo, irado,
entristecido. Aqui nós estamos olhando
pro Deus filho.
E ele cria em nós os mecanismos que nos
fazem sentir. Foi Deus que colocou em
nós o cortisol, o hormônio do stress,
que às vezes está alterado demais, mas
mas numa certa medida é saudável. Foi
Deus que criou em nós o sistema de luta
e fuga que faz a gente correr numa
situação de perigo.
Ele que colocou em nós a ocitocina, o
hormônio do amor, a capacidade de se
emocionar, de se afetar,
a capacidade de sentir é um presente
dado por Deus a nós. As emoções dão cor
à vida.
Ele foi o homem de dores e nós queremos
ser às vezes o homem que não chora.
A mulher super poderosa que engole tudo
por causa de um discurso às vezes
evangélico, triunfalista, que prega
sempre a o sucesso, a vitória como os
sinais da verdadeira espiritualidade.
A gente tem dificuldade muitas vezes de
aceitar as emoções negativas.
Só que muitas vezes, gente, a gente vai
estar no centro da vontade de Deus
experimentando emoções negativas. Deixa
eu te dar um exemplo. Diante de um luto,
de uma morte, de uma perda, o que que é
saudável? O que que é coerente?
O lamento, o choro. Uma pessoa
celebrando, rindo, se alegrando diante
de uma morte é um sinal de, talvez, um
adoecimento.
Diante de violência, diante de abusos, o
que que é saudável, gente? Indignação,
ira. Isso é coerente.
Eu gosto de pensar que saúde mental não
é não sentir, mas é sentir de maneira
proporcional e coerente a situação. Tem
situações que pedem um grau de
ansiedade. Você vai apresentar uma
prova,
pede um grau de ansiedade, que é o que
vai mover você, aquele nível de
adrenalina, de noradrenalina, que faz
você sair do lugar.
Agora, quando você tá num nível que não
corresponde à realidade, a gente pode
ter um adoecimento aí. Imagina um carro,
um carro tem um alarme e o alarme ele é
feito para disparar quando é uma
situação de perigo, não é? Quando o
carro não está sob situação de perigo e
o alarme continua tocando
e esse carro ele vai, que que acontece,
gente? Eu não entendo de carro, acaba a
bateria. Alguma coisa vai prejudicar,
pelo menos os nossos ouvidos.
Não é coerente, não tem perigo iminente,
você entende?
Então, emoções negativas não são
necessariamente pecaminosas. Aqui a
gente vê Jesus Cristo, o Deus homem
afundado na tristeza e na dor. Aliás,
Deus nos deu as emoções negativas pra
gente sobreviver a esse mundo mau.
Não teria como viver a vida que a gente
vive, esse mundo com os efeitos da
queda, sem experimentar, em muitas
situações, ira ir, indignação, tristeza,
angústia.
A gente precisa de uma certa angústia na
vida.
Tem um uma música do Vinícius de Morais
que ele fala assim, ó, que para fazer um
samba com beleza é preciso um bocado de
tristeza, senão não se faz um samba não.
Quem não tem lágrimas nos olhos
dificilmente vai acolher direito um
outro que chora.
Quem não vive os seus próprios dramas
internos, dificilmente vai conseguir se
sensibilizar
com alguém que precisa ser acolhido. Faz
sentido?
Muito bem, Jesus sentiu. Agora a gente
precisa considerar uma coisa importante.
Quando a gente vai fazer essa relação
para nós, né, pra gente sentindo, a
gente precisa considerar que as nossas
emoções elas vivem os efeitos da queda.
Então nós não somente sentimos, mas nós
podemos pecar com as nossas emoções,
diferente de Cristo. E ainda mais
podemos adoecer, né? A gente tem que
estar muito claro e localizado nessa
janela de tempo que nós estamos na
história entre o já e o ainda não. Jesus
já veio, já nos perdoou, já nos deu nova
vida, já fez a primeira parte, mas ele
ainda não voltou para restaurar
plenamente todas as coisas. Então,
doenças, crises existenciais,
diagnósticos e todo tipo de mal existe
em última instância porque a humanidade
se separou de Deus, porque tá tudo
quebrado, o nosso corpo tá quebrado, os
nossos genes estão quebrados,
as relações estão quebradas.
Isso não quer dizer que uma pessoa tem
depressão porque ela pecou, mas quer
dizer que o mundo em que vivemos sofre
os efeitos do pecado em absolutamente
todas as áreas. E isso inclui a saúde
mental. É por isso, gente, que cristãos
piedosos também podem adoecer. Cristãos
piedosos também podem ter câncer, podem
pegar uma gripe, podem pegar Covid. E
cristãos piedosos, maduros, também podem
deprimir, podem desenvolver transtornos,
podem ter situações,
condições que talvez não são
consideradas saudável aos olhos de
saudáveis aos olhos de alguns.
A gente vê, gente, homens e mulheres na
Bíblia e na história da igreja que
apresentaram doenças emocionais. Você
lembra de Elias?
Um homem usado poderosamente por Deus,
pensa em suicídio, desenvolve um
possível burnout.
Davi, tem salmos que eu fico preocupada
com Davi, que tu vê claramente de ação
suicida,
angústias profundas.
Vamos pra história da igreja. Charles
Spuron, o príncipe dos pregadores,
passa por uma severa depressão. Tem uma
frase dele que ele diz assim, ó: "Eu sei
pessoalmente que não há nada no mundo
que o corpo físico possa sofrer que se
compare à desolação e a prostração da
mente." Ele tá dizendo assim, ó: "Gente,
eu sei o que é sofrer, tá?
Um grande homem de Deus.
Tem um livro muito legal da Mundo
Cristão que chama Juntos na escuridão,
depressão, dúvida e fé". na história de
sete cristãos e fala, né, da experiência
de Martinho Lutero, do do William Cer,
Madre Teresa, alguns homens e mulheres
de Deus que tiveram depressão
especificamente.
Eu conheço e conheci pessoas
absolutamente piedosas que não
conseguiam levantar da cama para ir
trabalhar.
Eu lembro de uma pessoa, talvez uma das
meninas mais crentes que eu já conheci
na minha vida, gente. Sabe assim, aquela
menina de Deus, assim, de oração, de
intercessão, amorosa, generosa, amável.
Teve uma época da vida dela que eu
lembro que a única maneira dela levantar
da cama era o marido dela, levantando
ela, colocando o remédio dentro da boca,
esperando ela reagir um pouco para
levantar e seguir a vida.
E aí é tão sofrido para essas pessoas,
porque às vezes o que acontece é que as
pessoas querem tentar encontrar qual é o
pecado que deixou ela assim, né? ou qual
que é o demônio que tá atuando,
o que reforça a culpa, reforça a
angústia, reforça o sofrimento que já é
tão grande?
Então Jesus sentiu.
Essa é a primeira realidade que a gente
vê nesse texto. Uma outra coisa
importante da gente perceber é que
Jesus, ele não somente sentiu, mas ele
foi honesto acerca do que ele sentiu.
Ele foi honesto com as suas emoções.
Você vê que ele chega pros discípulos e
ele fala pros discípulos. Isso aqui não
é oração. Você pode olhar ali no texto,
ele tá falando para os discípulos que
ele levou junto. Ele fala assim: "Ó, a
minha alma tá profundamente triste a
ponto de morrer." Então Jesus chega para
eles e fala assim: "Ó, eu tô mal,
tô, eu tô mal. Eu tô no chão. Eu tô
muito mal. Eu tô triste, eu tô a ponto
de morrer.
Ele encara de frente.
Um caminho de saúde, gente, é a
honestidade. A fé cristã não nos
encoraja a viver atrás das máscaras.
Mas a gente vê muita falsidade na fé
cristã, né? Você já viu as pessoas às
vezes num momento de louvor, elas fazem
uma cara de louvor, né? Uma cara de
adoradoras.
Às vezes parece que a gente tem que
provar que a gente é muito crente, né?
Então a gente fala assim: "Ai, perdi
alguém, né? Tô passando por um momento
difícil. Como é que você tá?" "Tô bem,
mas assim, Deus sabe de todas as coisas,
né, irmã? Deus sabe de todas as coisas,
né? Ele tá cuidando de tudo.
A gente tem uma tendência a maquiar com
a fé e às vezes não assumir a nossa real
condição.
Mas a verdade é que a fé cristã nos
lembra que nós não precisamos sustentar
uma imagem religiosa ou mentirosa sobre
quem somos e sobre como estamos. Porque
na verdade essas vezes seria uma forma
de sustentar um altar para nós mesmos.
Olha só como nós somos espirituais. Olha
como a gente levanta da dor rápido. Olha
como a gente já supera rápido.
Às vezes a coisa mais saudável que a
gente pode fazer é ser honesto com a
nossa condição. Às vezes esse é o
caminho mais certeiro de cura, sabia? É
você ter a coragem e a humildade, porque
isso exige humildade de dizer:
"Ai, eu tenho andado ansioso demais.
Aí eu acho que eu tô cansado além do
normal".
Acho que eu tô me irritando além do
normal.
E às vezes é essa experiência de
honestidade que vai nos tornar mais
humildes, mais sensíveis ao outro,
porque senão a gente começa a reproduzir
discursos do tipo, é drama, é frescura,
porque talvez você nunca foi honesto com
a realidade do seu mundo interno.
É melhor um cansaço verdadeiro do que
uma força falsa. É melhor uma dor
genuína do que uma felicidade
disfarçada. É melhor um vazio sincero do
que uma plenitude inventada.
E aí eu quero te fazer uma pergunta
nessa tarde.
Você veio para falar sobre teologia, mas
queria falar sobre você.
Como é que tá o seu mundo interno?
Ou você é aquela pessoa que ignora,
sabe? Assim, não tenho tempo para
chorar, não tenho tempo para pensar. E
aí você se enche de trabalho, de
projetos, de atividades, de rotina, de
ministérios,
para nem observar a realidade de como
você está. As pessoas te perguntam:
"Como é que você tá?" E você responde no
automático, tudo bem, na correria, né?
Mas e de verdade?
Como é que você tá?
Essa é uma das perguntas mais difíceis
de responder.
É doloroso lançar esse olhar para
dentro. Precisa de muita coragem, porque
muitas vezes a gente vai se encontrar
com os nossos monstros.
Jeremias,
na versão da mensagem, no capítulo 17,
diz que o coração humano é terrivelmente
sombrio e enganoso, um enigma que
ninguém consegue decifrar. Mas eu, o
eterno, investigo o coração, examino a
mente. Eu examino o coração humano, vou
à raiz de tudo. Eu trato o homem como
ele é na realidade, não pela aparência.
Os Salmos 19:1, o salmista fala assim:
"Olha que interessante: quem pode
discernir os próprios erros? absolve-me
até mesmo dos que desconheço.
Ele tá dizendo assim: "Ó, Senhor, me
perdoa até pelos erros e pecados que eu
nem conheço em mim." Ou seja, existem
áreas que são ocultas em nós.
Imagina que o coração é uma grande
cebola cheia de camadas
e a gente vai descascando e vai
chorando, né?
Tem camadas em nós. É muito comum.
Alguém aqui faz terapia ou já fez? Só
para eu fazer uma pesquisa aqui. Legal.
Se você tá aqui, geralmente tem um
interesse por esse assunto, né?
É muito comum a gente ir pra terapia, às
vezes você não tem nem nada para falar.
E aí quando você vai, você vai vivendo
aquele processo, você fala: "Meu Deus,
tava tudo isso aqui dentro de mim.
Cobras e lagartos saíram de dentro de
mim.
Nesse mundo acelerado, gente, cheio de
distrações, muitas vezes a gente não tem
nem tempo para observar áreas ocultas em
nós. Então, veja, Jesus sentiu, ele
viveu as emoções humanas, ele foi
honesto com o que sentia.
Terceiro, Jesus identificou as suas
emoções. Jesus deu nome aos bois.
Ele fala o que ele estava sentindo,
tristeza. E ele fala até mesmo o grau da
intensidade. Ele tava profundamente
triste a ponto de morrer. Uma grande
dificuldade que nós temos, gente, é
identificar o que nós estamos sentindo.
E na verdade, esse movimento de nomeação
da angústia é uma compreensão em comum
em quase todas as áreas da psicologia,
em quase todas as abordagens
psicológicas, porque às vezes só você
dar nome, identificar já produz um certo
alívio.
Às vezes o simples fato de você
reconhecer, olha, o que eu tô sentindo é
medo, já te organiza por dentro. Tenta
fazer esse exercício de tentar
identificar.
E eu sei que às vezes é difícil porque a
gente experimenta emoções mistas. O
livro Organize Suas emoções chama assim
de emoções Mistas. É um livro muito
legal, esclarecedor, fácil, leve para
você ler, porque muitas vezes tá muita
coisa misturada, né, mulheres, quando a
gente engravida.
É um misto de emoção. Emoções que não
fazem nem sentido, porque elas são
hormonais, provenientes de questões
hormonais. Ao mesmo tempo, você se
emociona, você fica desesperada, meu
Deus, como é que vai sair daqui? Mas
você também tá ansiosa para contar pras
pessoas. São muitas coisas juntas, né?
Tem uma cena pra gente ilustrar melhor
em que Jesus ele vai, ele sabe da morte
de Lázaro. Lembra disso?
O texto diz que ele fica compadecido
pelas irmãs de Lázaro, mas ele também
chora, ele fica triste, mas ele também
fica minimamente empolgado porque ele
vai fazer algo poderoso que vai
manifestar a glória de Deus e ele vai
mostrar aquilo pros discípulos e para
aqueles que viram, entende? Então, às
vezes é difícil identificar porque tem
muita coisa atuando dentro de nós.
Mas é importante. Qual é o nome das
emoções que t atuado em você? Medo,
culpa,
vergonha,
raiva, ansiedade.
Aí [roncando] a gente, como bons crentes
que somos, às vezes vamos observar que
dentro dessas emoções também tem
pecados, né? que às vezes aquele
sentimento que eu sinto por aquela
pessoa que é tipo assim, ó, ai não vou
com a cara dela, não sei que que é, não
sei se é discernimento, não me desce. Às
vezes é inveja,
às vezes essa sensação de que ai, não tô
gostando disso, daquilo é ingratidão.
Aí que fica difícil pra gente, né?
Porque Jesus tava tudo tão organizadinho
ali, tão santinho, tão certo, mas a
gente mistura com pecado, mistura com
trauma. mistura com,
enfim, vira uma bagunça complexa aqui
dentro.
Que pecados podem estar atuando nessas
emoções? Identifique, denome, tente
observar. Às vezes você vai precisar da
ajuda de outra pessoa para fazer esse
exercício. E outro, outra coisa, o que
essas emoções têm a ver com a sua
história? É muito comum as pessoas virem
pro consultório psicológico com, por
exemplo, ansiedade e elas falam: "Não
faz sentido eu ter, eu estar ansiosa
porque eu tá tudo bem na minha vida. Eu
tenho uma rotina saudável, eu faço
exercício físico, eu eu amo as pessoas
com quem eu moro, tá tudo bem, eu gosto
do meu trabalho, não tem motivo
aparente. E aí você começa a revisitar a
história da pessoa e começa a perceber
que, na verdade, essas vivências
ansiosas são revivências de experiências
muito primitivas, às vezes que ela nem
lembra cognitivamente,
mas que foi vivida lá nos primeiros dias
de vida, por exemplo.
Então, às vezes não fazem sentido
algumas emoções que nós temos hoje, mas
nós somos a nossa história.
E claro, tem algumas identificações que
a gente vai precisar de ajuda
profissional, né?
O nosso corpo dá sinais, as emoções são
comunicações.
Jesus sentiu. Jesus foi honesto com o
que sentiu. Jesus identificou. Quarto,
Jesus verbalizou. Ele abriu a boca e
falou, expressou. Ele falou pros
discípulos e falou para Deus. Porque a
gente vê ele falando pros discípulos:
"Minha alma tá profundamente triste".
Mas a gente vê a oração dele também bem
sincera. Ai, se possível, afasta de mim
esse cálice, pai. Como quem diz,
que difícil passar por isso.
Freud, né, que é o criador da
psicanálise, eu acho que a gente tem que
ler com muitos filtros as contribuições
dele, mas ele fala muitas coisas
interessantes também. Ele fala sobre a
cura pela fala. Isso é tão real. Na
verdade, a Bíblia já falava isso, né,
nos Salmos, quando fala que a gente
demora a confessar e depois que
confessa, parece que até o nosso corpo
experimenta um alívio. Quando a Bíblia
fala lá em Tiago, pra gente confessar os
nossos pecados uns pros outros, tem
tanto efeito
verbalizar as nossas emoções. Tem gente
que fala: "Meu Deus, eu vou paraa
terapia e só fico falando". Hum, pode
ser, pode ser que a tua terapeuta não
seja muito boa mesmo e não tenha tanto
efeito você estar falando ali. Mas o
fato de você se expressar, seja através
da oração, de uma conversa, da terapia,
escrevendo, tem gente que consegue se
expressar escrevendo, isso tem efeito
terapêutico de uma maneira incrível.
Muitos dos nossos cansaços e dores é
porque nós não verbalizamos o que
sentimos. Eu gosto de um poema da
Viviane Mosé, que eu sempre cito que ela
diz que doenças são poemas presos em
nós. São palavras que não foram ditas.
Quando eu me formei na faculdade de
psicologia, a gente fez o TCC, eu e a
minha colega, no Pronto Atendimento da
Unimed aqui em Joinville. E recebemos,
né, no pronto atendimento, muitos
pacientes com várias questões físicas,
dor de barriga, dor de cabeça, que eram
feito exames e não tinha nada eh
proveniente de questões orgânicas, eram
demandas emocionais, porque quando a
gente não fala, o corpo vai falar.
Quando a boca se cala, as pontas dos
dedos vão falar.
E na fé cristã, gente, há espaço para
verbalizar, para rasgar o verbo sobre as
nossas emoções. Olha os salmos, as
orações dos salmistas, eles escancaram
suas emoções diante de Deus, né? O
Calvino fala que os salmos são como
anatomia de todas as partes da alma,
porque não tem nenhuma emoção no ser
humano que não esteja representada ali
como num espelho. Às vezes, se você não
consegue orar e verbalizar, você pode
pegar salmos emprestado para você
conseguir colocar para fora. Até as
orações imprecatórias mesmo que a gente
manda matar, manda destruir. Mas o bom
de orar é que a oração ela é
ela ela é consola ela ela consola por si
só, né? No meio do caminho que você vai
orando, quando você vê você mandou matar
a pessoa, mas aí você já tá dizendo
perdão pro Senhor, você vai mudando o
seu coração enquanto ora. Não é assim?
Se você não não se identificou, é porque
você não tá orando direito,
porque o Senhor vai mudando o nosso
coração. Jesus verbalizou as suas
emoções. Então, Jesus sentiu. Jesus foi
honesto, Jesus identificou, Jesus
verbalizou, Jesus não sofreu sozinho.
Você percebeu? Ele levou Pedro, Tiago e
João pro Getsemêmane. E foi didático da
parte dele levar os discípulos. Ele
chama os discípulos juntos. para nos
ensinar, gente, o benefício da comunhão.
A nossa fé é compartilhada porque Deus
sabe que nós precisamos de gente. Nós
somos criados paraa relação.
Nós
servimos um Deus que é trino, Deus Pai,
Deus Filho, Deus Espírito,
que vivem a dança da trindade já desde
da eternidade. Deus não nos cria porque
estava carente, precisando se relacionar
com alguém. Ele já vivia
em plena comunhão na eternidade.
E ele nos fez assim também, com a
necessidade do outro, com a necessidade
da relação. Olha, um bebê, um bebê já
nasce, gente, com uma necessidade de
extrema dependência.
Um bebê abandonado não segue o fio da
vida. Ele precisa do outro de uma
maneira absoluta nesse primeiro momento,
mas depois a gente vai passando para uma
dependência mais relativa, mas nunca a
gente vai chegar numa total
independência. E se chegou, adoeceu.
Nós precisamos uns dos outros.
Nós precisamos da igreja.
É uma necessidade
da alma humana.
Solidão na medida faz parte da vida, mas
solidão em excesso mata.
A gente precisa de pessoas para
enfrentar as noites escuras da vida ao
nosso lado. [roncando] E mesmo o nosso
mestre Jesus sendo Deus, ele vai lá para
aquela noite sangrenta, mas ele leva os
best friends dele.
Não serviram para muita coisa, não
serviram. dormiram. Mas didaticamente
Jesus tá nos dizendo assim: "Não tem
como falar de saúde mental, não tem como
falar de espiritualidade sem falar de
relações humanas".
Não é à toa, gente, que a gente vive uma
crise em saúde mental, justamente num
tempo onde as relações estão cada vez
mais líquidas, né? Como diz Balman,
superficiais, raras, todo mundo se
segue, mas com quem você teve uma última
conversa profunda?
Muito da cura, gente, na terapia, na
psicoterapia, não tem a ver com algo que
o psicólogo me disse ou me ensinou, mas
tem a ver com a relação que é ali
estabelecida.
Talvez pela primeira vez tem pessoas ali
na psicoterapia que estão se sentindo
vistas,
ouvidas, acolhidas. Eu acredito demais
nisso. Não é só o conhecimento que eu
passo pro meu paciente ou a intervenção
que eu faço, mas é a relação que se
estabelece ali. Às vezes é o meu olhar
validando algo que ela falou para tanta
gente, ninguém acreditou, mas pela
primeira vez alguém tá levando a sério.
Você tem nutrido relacionamentos?
Quem são as pessoas com quem você se
sente à vontade para abrir o coração? Se
tiver uma, já abraça essa pessoa. E é
bom que não e que seja encha pelo menos
uma mão, no máximo também não vai sair
abrindo o teu coração por um monte de
gente doida por aí.
Tem coisas que você não vai conseguir
lidar sozinho e aí vai precisar de uma
intervenção profissional.
Mas agora, uma coisa importante da gente
pensar aqui é que mesmo que Jesus
tivesse levado os discípulos, os
discípulos dormiram, né? Porque ainda
que a gente precise de gente,
as pessoas são limitadas, elas são
finitas,
tem uma impotência nas pessoas que é
providencial, porque é o que vai nos
fazer depender de alguém que nunca vai
errar com a gente.
Eu morei por muitos anos aqui em
Joinville, até eu morei de 2011 a 2024.
Em 2024, eu e o Jas e meu marido, a
gente foi enviado pela igreja que nós
pastoreávamos, a onda dura aqui de
Joinville, lá para Belo Horizonte, paraa
plantação da igreja eh da onda lá em BH.
E nós fomos, eu, Jis e a minha filha
Aninha. E lá no início, gente, para mim
foi muito difícil em vários aspectos,
assim, a adaptação
e a saudade que eu sentia da igreja
aqui. E eu sou uma pessoa bem, eu choro
mesmo, tá gente? Sou bem sensível. Acho
que por isso que eu gosto desse tema. Aí
teve um dia, um sábado à noite, e sábado
era o dia do nosso eh culto de jovens,
por pelo qual eu era apaixonada. E aí
teve um sábado nós a gente tava lá em
BH, que eu fiquei muito mal. Eu vi os
stories das pessoas no culto e eu queria
est lá, meu coração se apertou e aí a
minha filha já tinha dormido. Eu falei:
"Jiz, eu preciso abrir meu coração,
preciso chorar, preciso que tu me ouça".
E aí ele falou: "Pode falar". Aí eu
comecei, comecei a chorar, comecei a
abrir. Falei que eu tava com raiva de
uns, com ódio de outros, queria matar
outros, mas saudade de outros. Comecei
a, sabe assim, fiz a minha, botei tudo
para fora. Quando eu ouço, gente, meu
marido estava roncando,
roncando. Eu sacudi ele, falei:
"Geseriel, eu tô abrindo meu coração
aqui, eu tô chorando". E ele: "Meu Deus,
meu Deus, me perdoa, deixa eu orar por
ti". Eu falei: "Agora também não quero
mais nada que venha de ti, não quero
oração, não quero nada".
E eu lembro muito bem desse dia que eu
fiquei muito decepcionada, que ele
dormiu tal qual os discípulos, né?
E fui lá pro sofá. E eu ainda lembro que
eu sentei assim no sofá e falei: "Só o
Senhor me entende,
só o Senhor me supre plenamente." E olha
que o meu marido é um bom ouvinte assim,
mas às vezes ele ouve e não me entende.
Às vezes ele ouve e entende, mas não
consegue me consolar. Às vezes ele até
ouve, entende, consola, mas não consegue
mudar meu coração, não consegue mexer
nas circunstâncias.
Então, a impotência dos relacionamentos,
ela é providencial, porque ela nos
lembra que, em última instância,
nós precisamos do Deus criador, que é o
único que pode suprir a nossa alma. E aí
a gente vê Jesus no verso 39, o texto
diz que ele avançou um pouco mais paraa
frente, se curvou com o rosto no chão e
orou, como quem disse, tá? fiquem aí
dormindo, eu vou ali,
eu preciso me derramar diante do Pai.
Aliás, isso não foi uma exceção na vida
de Cristo, né? De tempo em tempo. A
gente vê os relatos dos evangelhos
dizendo que ele se retirava para orar,
gente, senão ele não ia aguentar. Era
muito doido em volta dele. Era gente
pedindo cura, milagre, gente
perseguindo. Não, ninguém dá conta. A
gente não dá conta da nossa vida se a
gente não se retira em alguns momentos.
A gente vai endoidecer todo mundo aqui.
A gente precisa dessa retirada. E o
texto diz que ele se curva e ora: "Pai,
se possível, afasta de mim esse cálice.
Contudo, seja feita a tua vontade." O
seu maior recurso foi a dependência, a
humilhação, a oração. Porque às vezes,
gente, a coisa mais importante que as
nossas emoções vão fazer por nós é nos
levar a essa conclusão de que nós não
damos conta sozinhos e de que nós
precisamos de ajuda. Às vezes a melhor
coisa que as nossas emoções fazem por
nós é nos humilhar, é nos sensibilizar,
é nos quebrantar,
é nos colocar de volta com os joelhos
dobrados, com o coração inclinado.
Não tem terapia no mundo, estratégia,
protocolo
que nos ajude plenamente a lidar com
essa bagunça tão complexa que existe em
nós. A terapia vai até uma parte, a
medicação vai até uma parte.
E ali a gente vê Jesus fazendo uma
oração sincera.
Afasta de mim esse cálice, mesmo que as
nossas orações orações devam sempre
culminar em faça a tua vontade, na fé
cristã há espaço
pro sincero. Afasta de mim esse cálice.
Na fé cristã tem espaço pra gente rasgar
o verbo com o Senhor. que Jesus
abriu o jogo
das suas emoções.
Imagina nós.
E aqui a gente tem um recorte, né, do
que ele orou, mas como ele ficou muito
tempo orando, é possível que esse afasta
de mim esse cálice tenha se desmembrado
em muitas outras falas que saíram da
boca dele, que eu não vou arriscar aqui
dizer porque aí é muita ousadia a gente
tentar adivinhar. Mas muito
possivelmente ele abriu o coração.
A sua angústia, gente, não tinha a ver
com o medo do sofrimento ou da morte.
Ele sabia que por um tempo ele seria
desamparado do pai. A alma pura dele
receberia todos os pecados da
humanidade, os passados, presentes e
futuros.
E a oração foi seu recurso para lidar
com as emoções.
A oração, gente, hoje tem muita pesquisa
falando, né? A neurociência fala muito
hoje sobre os efeitos da oração. Ela tem
efeitos terapêuticos, mas também, gente,
a gente sabe, tem efeitos sobrenaturais.
Eu gosto de dizer que o melhor de orar
não é nem a resposta da oração. O melhor
de orar é orar. É a própria relação, é o
próprio relacionamento, é o próprio
encontro com Deus.
Ele ora papai, né? Marcos diz que ele
fala aba pai. Aba. um termo aramaico que
significa paizinho. Para onde vai uma
criança quando tá angustiada, além de
pro seu pai ou paraa sua mãe? E ele se
coloca nessa extrema dependência.
Jesus sentiu. Jesus foi honesto com o
que sentiu. Jesus identificou. Jesus
verbalizou.
Jesus fez da sua oração o seu maior
recurso. Jesus dependeu
e já caminhando pro fim. Olha que lindo
isso e importante pra gente. Jesus
submeteu as suas emoções a Deus e não se
rendeu a elas. Porque ele ele chora, ele
sua sangue, ele vai os ranhos para fora,
as lágrimas para fora, ele lamenta, ele
deita, ele rola, ele se ajoelha, ele se
quebranta.
Mas ele conclui a sua oração dizendo:
"Contudo, seja feita a tua vontade e não
a minha. A sua postura denota que ele
estava no extremo da tristeza, mas ele
não perdeu o seu temor. Isso é uma
escola, uma lição pra gente. Ele submete
as suas emoções a Deus. Ele ora, gente,
com um misto de vulnerabilidade,
mas também de submissão.
É assim que tem que ser a nossa oração.
Se a gente fica só na vulnerabilidade,
vai dar problema. Mas às vezes, se a
gente fica só na submissão, a gente
perde uma parte de transparência na
relação com Deus. Vocês estão
entendendo? Vocês estão comigo? Faz
sentido?
A oração de um cristão, gente, pode e
deve ser marcada pela vulnerabilidade de
pedir: "Senhor, afasta de mim essa
depressão, me cura desse transtorno,
abrevia meu sofrimento, mas no fim das
contas, como servos que confiam na
providência divina, nós vamos nos render
clamando: Que seja feita a tua vontade".
E às vezes
Deus não vai curar alguns adoecimentos
emocionais nessa terra.
Às vezes a gente vai com a depressão até
o fim da vida.
Às vezes a gente vai ter que lidar com
uma doença e um transtorno até o fim da
vida. Porque antes de ter um compromisso
com o nosso bem-estar, Deus tem um
compromisso com a sua glória.
E às vezes é na perda, no não, no
diagnóstico que ele vai manifestar a sua
glória. Tal qual o cego lá de João 9,
que nasceu cego para manifestar a glória
de Deus.
Tem que ser muito teocêntrico e não
humanista para aceitar isso, né?
Mas é porque a nossa esperança não tá
limitada a essa terra.
Essa ânsia, gente, para que tudo dê
certo na nossa vida, para que ninguém
morra, para que ninguém adoeça, para que
não dê nenhum problema, é um anseio pelo
céu. Só que o céu não é aqui. Aqui tem
morte, tem doença, tem transtorno, tem
fracasso, tem terapia, tem dinheiro
gasto em medicação.
Jesus submeteu suas emoções a Deus. E
olha o verso 46.
Ele diz assim, ó, ele tá lá chorando e
vivendo aquele momento, mas no verso 46,
o texto diz: "Levantem-se e vamos. Meu
traidor chegou." Jesus não se rendeu à
suas emoções. Depois da oração, ele
disse: "Basta, bora levantar e fazer o
que precisa ser feito". [roncando] E ele
vai como um rei em direção à coroação
pra cruz.
Então veja, quando se trata das nossas
emoções, nós geralmente temos a
tendência ou de ignorar ou de
superestimar.
E ainda que nós devamos ser honesto com
honestos com as nossas emoções, nós não
podemos nos render a elas. Tem momento
que você vai ter que olhar pra sua alma
e dizer: "Basta,
chega, reage".
Tem momento que nós vamos precisar ter a
sabedoria de observar que nós podemos
estar sendo dominados pelo que sentimos
e essa não é a vida que Deus nos chamou
para viver. Então eu não vou ignorar, eu
não vou fazer de conta que aquilo não tá
lá, mas eu também não vou ser governado
pelas minhas emoções, porque agora eu
sou governado por Jesus.
Não somos mais escravos do pecado, não
somos mais escravos do que sentimos,
somos escravos da justiça. Então, é
saudável lamentar, mas não é saudável se
entregar ao lamento. Faz sentido?
Jesus sente, Jesus identifica. Jesus é
honesto com o que sente. Jesus
verbaliza. Jesus não passa pelo que
passa sozinho, se cerca de pessoas.
Jesus depende. Jesus submete suas
emoções a Deus. Jesus não se rende à
suas emoções
e tudo que ele passou
tinha um propósito.
Getsêmane significa prensa de azeite. É
o lugar onde as azeitonas são esmagadas
para virar azeite. Ali naquela cena
sangrenta, Deus se agradou em começar a
moer Jesus para que depois o azeite
fresco pudesse fluir para todos nós.
Sempre tem azeite para ser extraído, né,
das nossas crises emocionais. Deus não
desperdiça a gente. Nenhuma lágrima,
nenhum diagnóstico, nenhuma perda,
nenhum luto. A dor é uma escola que
nenhum livro é capaz de nos ensinar.
Por isso que o autor de Hebreus vai
dizer que pela alegria que lhe fora
proposta,
ele suportou a cruz.
Aliás, foi por causa daquela noite no
Getsêmane
que ele escolheu fazer a vontade de Deus
e beber do cálice até a última gota.
Que a gente pode ter esperança de que as
nossas emoções podem ser tratadas em
Deus e um dia vão ser redimidas
plenamente.
E eu finalizo te lembrando do evangelho,
porque Jesus, gente, ele não é apenas o
nosso modelo de saúde mental, ele é o
nosso resgatador.
[roncando] Ele não é apenas o exemplo de
como lidar com as nossas emoções. Ele é
o nosso redentor. No Getsêman, ele
apenas não nos ensina a lidar com as
nossas emoções, mas ele caminha pra cruz
para realizar a obra que nos salva e nos
transforma.
O evangelho é essa boa notícia.
Jesus levou sobre si o nosso pecado,
suportou a cul suportou a culpa que era
nossa, e por sua morte e ressurreição
nos reconciliou com Deus.
Nele a gente não recebe apenas exemplo,
mas nova vida e capacidade para lidar
com essa bagunça aqui.
Em Cristo, as nossas emoções não são
negadas, elas são redimidas.
Ele perdoa as pecaminosas, transforma as
desordenadas e um dia ele vai restaurar
plenamente.
Eu quero te dar um spoiler do futuro.
Apocalipse 21:4 diz que
lhes enxugará dos olhos um dia toda
lágrima e já não existirá mais morte.
Não haverá luto, nem pranto, nem dor.
Vou parafrasear aqui. Nem depressão, nem
transtorno de ansiedade, nem borderline,
nem autismo, nem problemas, nem conta
para pagar. Não vai haver diferenças
entre nós e graus de adoecimento.
No Getsêman, Jesus não apenas nos dá o
exemplo, mas a garantia de uma nova
vida. E isso inclui a maneira de lidar
com as nossas emoções, mas isso está no
processo. Um dia, isso tudo será
redimido plena e eternamente.
Do lado de cá, a gente vai se virando
como dá, né? tentando não ignorar o que
sente, identificando, nomeando,
procurando ajuda quando é necessário,
tendo humildade,
dependendo uns dos outros,
orando como um recurso poderoso que
temos à disposição
e confiando que aquele que começou a boa
obra em nós vai completar.
Amém.
Glória a Deus por isso.

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