ESPIRITUALIDADE E SAÚDE MENTAL I Kauane Leite I Palestra Café Teológico 2026
24/06/2026
ESPIRITUALIDADE E SAÚDE MENTAL I Kauane Leite I Palestra Café Teológico 2026
Palestra do Kauane Leite em Joinville/SC sobre espiritualidade e saúde mental no Café Teológico na MEUC Joinville.
Siga-nos nas redes sociais:
Rodrigo Bibo: https://www.instagram.com/bibotalk/
Kauane Leite: https://www.instagram.com/kauanelleite/
Torne-se mantenedor ou mantenedora do Bibotalk: https://bibotalk.com/mantenedores/
Compre na Amazon pelo link do Bibotalk: https://bibotalk.com/amazon
Torne-se um Prime na Amazon: https://amzn.to/43cww5F
Vantagens de ser Prime: (1) frete grátis nos produtos enviados pela Amazon; (2) séries e filmes originais e um variado catálogo de outros filmes e séries; (3) descontos especiais; (4) tudo isso por cerca de R$20 mensais
Acompanhe as novidades nos nossos canais:
Instagram https://www.instagram.com/channel/AbZi28Coo0zurkY4/?igsh=MW0xeG1uaXRleXB2dw==
WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029Va9mh5j9Bb66vk6dFT1P
Playlists legais para você maratonar:
– Série Gigantes: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAK7V6Bz-YUuESPPiCi6Gy2B
– Série Os Outros: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALUz4ZnUbe1id7GI4BVDs-O
– Série Aliança: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALKeBBgfaSYx_7eWJWPKN3k
– Série Parábolas: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALmTOownlMJJ_SGOsn1R0Mr
– Série Origens Cristãs: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALjBXZp2y9551ayHWhdKBS5
– BTCasts MC: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAInhfKseQ-DMuNBW1V081oF
– BTCasts ABC2: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAJQRa75AUS1NKO-lWMikCot
– BTPapo: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAIbR1ZXQYUseXslZ75CGud9
Fonte: Bibotalk
Legendas automáticas:
Que honra. Obrigada. Boa tarde, gente. Que bom tá aqui. Vocês estão bem? >> Que bom. Obrigada, Bibo. Eu gosto de falar sempre comento pro J e meu marido. A gente concorda que o Bibu é um grande incentivador do meu ministério. Te agradeço muito por isso e que bom tá aqui. Tô bem feliz de estar aqui, em especial porque é um tema que toca as nossas vidas. Oi, Xanda tev vi aqui. [risadas] É um tema que toca a nossa vida, né? Então, não são assuntos que simplesmente a gente pode adquirir conhecimento intelectual, toca os nossos dramas, né, as nossas angústias, as nossas vivências diárias. Então, eu quero sim trazer eh um prisma aqui teológico, científico também sobre saúde mental, mas eu também queria muito que você abrisse o seu coração, porque você é um ser emocional e eu creio que de alguma forma, enquanto a gente vai aprendendo sobre a palavra de Deus, aprendendo sobre verdades da ciência, o Senhor também vai atingindo e acessando algumas camadas do nosso coração que estão em processo de tratamento, em processo de santificação, em processo de desenvolvimento de saúde. Amém. Muito bem. Quero falar com vocês hoje então sobre saúde mental a partir da pessoa de Cristo. A Bíblia, gente, ela não se propõe a ser um manual sobre saúde mental. Ela não se propõe a ser uma enciclopédia sobre emoções. Ela não fala exaustivamente sobre isso. Você não encontra em um capítulo e um versículo da Bíblia um direcionamento de como lidar com uma pessoa que tá em crise de pânico. Você não encontra um direcionamento específico sobre como lidar com uma pessoa que tem transtorno de ansiedade, de personalidade ou então detalhes sobre a medicação que essa pessoa precisa tomar. A Bíblia não tem essa função específica, mas obviamente ela é a palavra completa, suficiente, infalível do Senhor. E ela traz muitas coisas profundas que tarde depois a ciência foi descobrir e já tinham, né, eh, comprovações bíblicas. Então, a minha ideia aqui é trazer verdades teológicas sobre as emoções, mas também dialogando com coisas já descobertas pela ciência, OK? Então, vou tentar caminhar um pouquinho nessas duas áreas do saber, fazendo alguns links com algumas coisas que a psicologia como ciência e profissão já descobriu e que são verdades do criador que criou todas as coisas. Muito bem, quero te convidar a mergulhar num trecho específico da palavra de Deus. Já vou pedir para você abrir lá em Mateus, capítulo 26. Mateus capítulo 26 a partir do verso 36. A gente vai conversar sobre saúde mental a partir da própria pessoa de Cristo. Como que Cristo lidou com as suas emoções? Como que Cristo administrou a sua saúde mental? Vamos orar. Você abriu a Bíblia aí? Vamos orar mais uma vez. Já oramos, mas mais um momento quero pedir que o Senhor fale ao nosso coração. Baixa aí sua cabeça, fecha os seus olhos. Senhor, nós estamos aqui diante de ti, diante da tua palavra, diante dos nossos irmãos e pedimos que de uma maneira muito especial o Senhor fale com a gente e nos dê entendimento, clareza sobre verdades tão preciosas de uma área tão importante da nossa vida. que de uma maneira muito especial nós possamos sair daqui com ainda maior entendimento e encorajamento para viver uma vida saudável em todos os aspectos. Essa é a nossa oração em nome de Jesus. Amém. Jesus é o homem perfeito. Ele é o modelo em tudo. Você sabe que tem estudos até que mostram como ele é uma referência à experiência dele na Terra até no sentido de atividade física. Tem uma pesquisa que diz que todos os quilômetros que ele caminhou equivalem a uma volta inteira no planeta. Então Jesus era alguém ativo fisicamente, né? Jesus cumpriu o seu ministério a pé. atuando muscularmente, né? Atuando com o seu corpo. [roncando] Jesus tinha uma dieta balanceada. Tem estudos que falam sobre isso também, sobre a maneira como ele se alimentava. Todas as áreas da vida de Cristo devem ser por nós observadas. E a minha ideia hoje aqui é a gente observar um dos momentos mais difíceis da experiência de Cristo na Terra, que é quando ele está no Getsêmane. É uma cena sangrenta, é uma cena de dores, uma cena de profunda angústia. Jesus tá prestes a ir pra cruz num sofrimento mortal. O Hendriksen, um comentarista bíblico, ele diz que ninguém jamais passou pelo que Jesus passou no Getsemêmane. Ele sua sangue. A gente vê Jesus no ápice da fragilidade humana. E essa cena específica, ela traz pra gente lições interessantes sobre saúde mental. Você vai ver que essa cena tá descrita também em Marcos capítulo 14 e em Lucas 22, mas a gente vai ler Mateus 26 do verso 36 em diante mesmo. Vamos lá. Palavra de Deus diz: "Então Jesus foi com eles a um lugar chamado Getsemmane e disse: "Sentem-se aqui enquanto vou ali orar". Levou consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu e começou a ficar triste e angustiado. "Minha alma está profundamente triste a ponto de morrer", disse ele. "Fiquem aqui e vigiem comigo". Ele avançou um pouco, curvou-se com o rosto no chão e orou: "Meu Pai, se for possível, afasta de mim esse cálice, com tudo que seja feita a tua vontade e não a minha". Depois voltou aos discípulos e os encontrou dormindo. "Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora", disse ele a Pedro. "Vigem e orem para que não cedam a tentação, pois o espírito está disposto, mas a carne é fraca". Então os deixou pela segunda vez e orou: "Meu Pai, se não for possível afastar de mim esse cálice sem que eu beba, faça-se a tua vontade." Quando voltou pela segunda vez, encontrou-os dormindo de novo, pois não conseguiam manter os olhos abertos. Foi orar pela terceira vez, dizendo novamente as mesmas coisas. Em seguida, voltou aos discípulos e lhes disse: "Como é que vocês ainda dormem e descansam? Vejam, chegou a hora. O filho do homem está para ser entregue nas mãos de pecadores. Levantem-se e vamos. Meu traidor chegou. Jesus Cristo, o homem de dores. Imagina o contexto que nós estamos estabelecidos aqui nessa cena. A nação de Israel esperava ansiosamente pelo Messias e a expectativa era outra. era de um líder político forte, invencível, que derrotaria o Império Romano. Um homem cheio de glamor. E aí corta para um homem simples, sem formosura, humilde, que quando foi nascer não tinha nenhum lugar digno para nascer. E para além de tudo isso, um homem de dores. É isso que Isaías vai dizer. Isaías 53:3 diz que ele foi desprezado e rejeitado, homem de dores que conhece o sofrimento mais profundo. Jesus, um homem com cicatrizes, um homem com marcas, sem pecar, santo Deus, mas um homem com lágrimas nos olhos, um homem que experimentou a humanidade na pele, a fragilidade na pele. E esse é um primeiro ponto pra gente considerar acerca da experiência de Cristo no Getsemêmane. Ele sentiu. Jesus sentiu. Ele diz aos discípulos: "A minha alma está profundamente triste a ponto de morrer. Uma tristeza mortal. O termo grego aqui para profundamente triste é perílipos, que significa cercado de tristeza de todos os lados. É como se Jesus estivesse dizendo: "Não há uma parte em mim que não esteja sendo tomada agora de tristeza e dor." Ele descreve a situação dele como num grau de tristeza além do normal. Lucas, descrevendo essa cena, diz que a sua angústia era tanta que suor de sangue caía na terra. Ele suou sangue, um fenômeno extremamente raro chamado hematidrose, que é quando a pessoa tá num nível de tanto estress, de tanta angústia, que alguns pequenos vasos sanguíneos que estão sob as glândulas sudoríparas se rompem. É muito raro, muito provavelmente você nunca viu e nem veja alguém suando sangue. Gente, aqui a gente vê o Deus humilhado, experimentando a fragilidade humana. E isso é tão emblemático na nossa fé. Porque quando a gente fala da pessoa de Cristo, a gente está falando de alguém que é 100% Deus, é inteiramente Deus, mas é inteiramente homem. Quando a gente começa a pensar nisso, ontem eu tava participando do pequeno grupo lá da nossa igreja e aí tem muitas crianças, tem mais crianças que que adulto. E aí sempre tem que ter, tem que ficar uma tia ali olhando, né, as crianças para elas não colocarem fogo, né, no no lugar que a gente tá. E ontem eu fui essa tia. Ontem eu me retirei ali do lugar onde a gente estava conversando sobre a palavra e fiquei com as crianças. Aí eu tava lendo a historinha para elas ali de um livro falando sobre o nascimento, né, de Jesus. Tinha José, Maria, todos ali filho de crente, conhecem a história. E aí eles começaram a me encher de perguntas, que eu vou ter que colocar na caixinha de perguntas do Bibo, porque eu não dei conta. E aí perguntas do mas como que Jesus saiu de dentro da barriga da Maria se não tinha médico? Pois olha, são perguntas assim que tinham todas as idades ali representadas. Eu não sabia até que ponto eu podia ir. Eu falei: "Ah, que José tirou?" Enfim, gente, eh, eh, mas o que me deixou pensando é que loucura é essa que a gente comemora no Natal, por exemplo, e que a gente às vezes trata com tanta naturalidade, que é o fato de Deus ter sido bebê. Isso é emblemático na nossa fé. Você já parou para pensar que o Deus que criou todas as coisas, que projetou o corpo humano, nasceu de um parto normal? passou por ali, nasceu o Deus que é a palavra, ele precisou aprender a falar e muito possivelmente passou pelas fases do desenvolvimento infantil, onde você fala errado. Isso não é pecado, é fases do desenvolvimento. Jesus talvez falou igual Cebolinha, ele passou por essas fases. que é Deus, precisou aprender a andar, né? Você consegue imaginar ele caindo e levantando? Ele passou por essas fases, se submeteu a sentir fome, se submeteu a sentir sede, a sentir sono, a precisar dormir. Essa experiência humana do nosso Deus é uma maneira também de ele nos acolher, nos compreender e se identificar com a nossa humanidade. Eu gosto do que o De Carson fala. Ele diz que o Deus em quem confiamos não sabe o que é sofrimento. Não, não. O Deus em quem confiamos sabe o que é sofrimento, não apenas porque Deus sabe de tudo, mas por experiência própria. É por isso que o autor de Hebreus vai nos dizer, né, que nós temos um sumo sacerdote que se compadece das nossas fraquezas. Então, nós vemos em Jesus o retrato das emoções humanas em ação. E aqui a gente tá falando de uma cena que ele tava profundamente triste, mas a gente vê muitas outras emoções na experiência de Cristo. A gente vê Jesus, por exemplo, indignado. Tem uma cena em que as crianças se aproximam de Jesus e os discípulos afastam e a palavra diz que ele fica indignado com os discípulos. Como assim? Deixa as crianças vir para perto. Na verdade, vocês deveriam estar olhando elas e aprendendo com elas. A gente vê Jesus tomado pela ira. Você deve lembrar dessa cena. Quando ele vê que a casa do Pai tinha se tornado um mercado, um covil de ladrões, ele faz um chicote de cordas e expulsa todos do templo. Deu a louca em Jesus. Ele botou a boca no trombone. E aqui um parênteses, muitas vezes isso também é saúde. Claro que a gente se faz isso, a gente faz muito provavelmente pecando. Jesus sirou de maneira santa, se posicionou e saúde muitas vezes é a gente não se submeter a tudo e ter a capacidade de colocar alguns limites e de não abrir mão de valores, de princípios. Porque aquele que se submete a tudo, talvez tem graus aí de adoecimento. A gente vê Jesus sentindo angústia quando Judas anuncia traição. Muitas cenas. Se você começar a ler os Evangelhos agora, prestando atenção emoções, você vai ver que Jesus nos dá uma imagem perfeita das emoções humanas em ação. Jesus chorou, sentiu, não ignorou, não jogou para baixo do tapete as emoções humanas. E isso nos comunica que nós, como aqueles que o seguimos, como cristãos, também podemos, gente, e devemos sentir. Eu sei que parece muito óbvio, mas de alguma maneira foi se infiltrando no meio evangélico uma ideia de que ser emocional é pecaminoso ou é menos espiritual. Então, a gente tem que negar a nós mesmos e tem que negar qualquer tipo de emoção. Não importa o que eu sinto. E eu vou falar daqui um pouco que a gente também não tem que exaltar tudo que a gente sente, tá? A gente já vai equilibrar esse pêndulo aqui. Mas para começar, gente, você pode ser super crente, você pode ser muito maduro na fé, mas isso não rouba o fato de que nós somos seres emocionais. Porque a capacidade de sentir não é fruto da queda. É uma condição inata que Deus colocou em nós. Aliás, é parte do equipamento que nós temos como criados à imagem e semelhança de Deus. Deus sente. A gente vê Deus pai mesmo, irado, entristecido. Aqui nós estamos olhando pro Deus filho. E ele cria em nós os mecanismos que nos fazem sentir. Foi Deus que colocou em nós o cortisol, o hormônio do stress, que às vezes está alterado demais, mas mas numa certa medida é saudável. Foi Deus que criou em nós o sistema de luta e fuga que faz a gente correr numa situação de perigo. Ele que colocou em nós a ocitocina, o hormônio do amor, a capacidade de se emocionar, de se afetar, a capacidade de sentir é um presente dado por Deus a nós. As emoções dão cor à vida. Ele foi o homem de dores e nós queremos ser às vezes o homem que não chora. A mulher super poderosa que engole tudo por causa de um discurso às vezes evangélico, triunfalista, que prega sempre a o sucesso, a vitória como os sinais da verdadeira espiritualidade. A gente tem dificuldade muitas vezes de aceitar as emoções negativas. Só que muitas vezes, gente, a gente vai estar no centro da vontade de Deus experimentando emoções negativas. Deixa eu te dar um exemplo. Diante de um luto, de uma morte, de uma perda, o que que é saudável? O que que é coerente? O lamento, o choro. Uma pessoa celebrando, rindo, se alegrando diante de uma morte é um sinal de, talvez, um adoecimento. Diante de violência, diante de abusos, o que que é saudável, gente? Indignação, ira. Isso é coerente. Eu gosto de pensar que saúde mental não é não sentir, mas é sentir de maneira proporcional e coerente a situação. Tem situações que pedem um grau de ansiedade. Você vai apresentar uma prova, pede um grau de ansiedade, que é o que vai mover você, aquele nível de adrenalina, de noradrenalina, que faz você sair do lugar. Agora, quando você tá num nível que não corresponde à realidade, a gente pode ter um adoecimento aí. Imagina um carro, um carro tem um alarme e o alarme ele é feito para disparar quando é uma situação de perigo, não é? Quando o carro não está sob situação de perigo e o alarme continua tocando e esse carro ele vai, que que acontece, gente? Eu não entendo de carro, acaba a bateria. Alguma coisa vai prejudicar, pelo menos os nossos ouvidos. Não é coerente, não tem perigo iminente, você entende? Então, emoções negativas não são necessariamente pecaminosas. Aqui a gente vê Jesus Cristo, o Deus homem afundado na tristeza e na dor. Aliás, Deus nos deu as emoções negativas pra gente sobreviver a esse mundo mau. Não teria como viver a vida que a gente vive, esse mundo com os efeitos da queda, sem experimentar, em muitas situações, ira ir, indignação, tristeza, angústia. A gente precisa de uma certa angústia na vida. Tem um uma música do Vinícius de Morais que ele fala assim, ó, que para fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba não. Quem não tem lágrimas nos olhos dificilmente vai acolher direito um outro que chora. Quem não vive os seus próprios dramas internos, dificilmente vai conseguir se sensibilizar com alguém que precisa ser acolhido. Faz sentido? Muito bem, Jesus sentiu. Agora a gente precisa considerar uma coisa importante. Quando a gente vai fazer essa relação para nós, né, pra gente sentindo, a gente precisa considerar que as nossas emoções elas vivem os efeitos da queda. Então nós não somente sentimos, mas nós podemos pecar com as nossas emoções, diferente de Cristo. E ainda mais podemos adoecer, né? A gente tem que estar muito claro e localizado nessa janela de tempo que nós estamos na história entre o já e o ainda não. Jesus já veio, já nos perdoou, já nos deu nova vida, já fez a primeira parte, mas ele ainda não voltou para restaurar plenamente todas as coisas. Então, doenças, crises existenciais, diagnósticos e todo tipo de mal existe em última instância porque a humanidade se separou de Deus, porque tá tudo quebrado, o nosso corpo tá quebrado, os nossos genes estão quebrados, as relações estão quebradas. Isso não quer dizer que uma pessoa tem depressão porque ela pecou, mas quer dizer que o mundo em que vivemos sofre os efeitos do pecado em absolutamente todas as áreas. E isso inclui a saúde mental. É por isso, gente, que cristãos piedosos também podem adoecer. Cristãos piedosos também podem ter câncer, podem pegar uma gripe, podem pegar Covid. E cristãos piedosos, maduros, também podem deprimir, podem desenvolver transtornos, podem ter situações, condições que talvez não são consideradas saudável aos olhos de saudáveis aos olhos de alguns. A gente vê, gente, homens e mulheres na Bíblia e na história da igreja que apresentaram doenças emocionais. Você lembra de Elias? Um homem usado poderosamente por Deus, pensa em suicídio, desenvolve um possível burnout. Davi, tem salmos que eu fico preocupada com Davi, que tu vê claramente de ação suicida, angústias profundas. Vamos pra história da igreja. Charles Spuron, o príncipe dos pregadores, passa por uma severa depressão. Tem uma frase dele que ele diz assim, ó: "Eu sei pessoalmente que não há nada no mundo que o corpo físico possa sofrer que se compare à desolação e a prostração da mente." Ele tá dizendo assim, ó: "Gente, eu sei o que é sofrer, tá? Um grande homem de Deus. Tem um livro muito legal da Mundo Cristão que chama Juntos na escuridão, depressão, dúvida e fé". na história de sete cristãos e fala, né, da experiência de Martinho Lutero, do do William Cer, Madre Teresa, alguns homens e mulheres de Deus que tiveram depressão especificamente. Eu conheço e conheci pessoas absolutamente piedosas que não conseguiam levantar da cama para ir trabalhar. Eu lembro de uma pessoa, talvez uma das meninas mais crentes que eu já conheci na minha vida, gente. Sabe assim, aquela menina de Deus, assim, de oração, de intercessão, amorosa, generosa, amável. Teve uma época da vida dela que eu lembro que a única maneira dela levantar da cama era o marido dela, levantando ela, colocando o remédio dentro da boca, esperando ela reagir um pouco para levantar e seguir a vida. E aí é tão sofrido para essas pessoas, porque às vezes o que acontece é que as pessoas querem tentar encontrar qual é o pecado que deixou ela assim, né? ou qual que é o demônio que tá atuando, o que reforça a culpa, reforça a angústia, reforça o sofrimento que já é tão grande? Então Jesus sentiu. Essa é a primeira realidade que a gente vê nesse texto. Uma outra coisa importante da gente perceber é que Jesus, ele não somente sentiu, mas ele foi honesto acerca do que ele sentiu. Ele foi honesto com as suas emoções. Você vê que ele chega pros discípulos e ele fala pros discípulos. Isso aqui não é oração. Você pode olhar ali no texto, ele tá falando para os discípulos que ele levou junto. Ele fala assim: "Ó, a minha alma tá profundamente triste a ponto de morrer." Então Jesus chega para eles e fala assim: "Ó, eu tô mal, tô, eu tô mal. Eu tô no chão. Eu tô muito mal. Eu tô triste, eu tô a ponto de morrer. Ele encara de frente. Um caminho de saúde, gente, é a honestidade. A fé cristã não nos encoraja a viver atrás das máscaras. Mas a gente vê muita falsidade na fé cristã, né? Você já viu as pessoas às vezes num momento de louvor, elas fazem uma cara de louvor, né? Uma cara de adoradoras. Às vezes parece que a gente tem que provar que a gente é muito crente, né? Então a gente fala assim: "Ai, perdi alguém, né? Tô passando por um momento difícil. Como é que você tá?" "Tô bem, mas assim, Deus sabe de todas as coisas, né, irmã? Deus sabe de todas as coisas, né? Ele tá cuidando de tudo. A gente tem uma tendência a maquiar com a fé e às vezes não assumir a nossa real condição. Mas a verdade é que a fé cristã nos lembra que nós não precisamos sustentar uma imagem religiosa ou mentirosa sobre quem somos e sobre como estamos. Porque na verdade essas vezes seria uma forma de sustentar um altar para nós mesmos. Olha só como nós somos espirituais. Olha como a gente levanta da dor rápido. Olha como a gente já supera rápido. Às vezes a coisa mais saudável que a gente pode fazer é ser honesto com a nossa condição. Às vezes esse é o caminho mais certeiro de cura, sabia? É você ter a coragem e a humildade, porque isso exige humildade de dizer: "Ai, eu tenho andado ansioso demais. Aí eu acho que eu tô cansado além do normal". Acho que eu tô me irritando além do normal. E às vezes é essa experiência de honestidade que vai nos tornar mais humildes, mais sensíveis ao outro, porque senão a gente começa a reproduzir discursos do tipo, é drama, é frescura, porque talvez você nunca foi honesto com a realidade do seu mundo interno. É melhor um cansaço verdadeiro do que uma força falsa. É melhor uma dor genuína do que uma felicidade disfarçada. É melhor um vazio sincero do que uma plenitude inventada. E aí eu quero te fazer uma pergunta nessa tarde. Você veio para falar sobre teologia, mas queria falar sobre você. Como é que tá o seu mundo interno? Ou você é aquela pessoa que ignora, sabe? Assim, não tenho tempo para chorar, não tenho tempo para pensar. E aí você se enche de trabalho, de projetos, de atividades, de rotina, de ministérios, para nem observar a realidade de como você está. As pessoas te perguntam: "Como é que você tá?" E você responde no automático, tudo bem, na correria, né? Mas e de verdade? Como é que você tá? Essa é uma das perguntas mais difíceis de responder. É doloroso lançar esse olhar para dentro. Precisa de muita coragem, porque muitas vezes a gente vai se encontrar com os nossos monstros. Jeremias, na versão da mensagem, no capítulo 17, diz que o coração humano é terrivelmente sombrio e enganoso, um enigma que ninguém consegue decifrar. Mas eu, o eterno, investigo o coração, examino a mente. Eu examino o coração humano, vou à raiz de tudo. Eu trato o homem como ele é na realidade, não pela aparência. Os Salmos 19:1, o salmista fala assim: "Olha que interessante: quem pode discernir os próprios erros? absolve-me até mesmo dos que desconheço. Ele tá dizendo assim: "Ó, Senhor, me perdoa até pelos erros e pecados que eu nem conheço em mim." Ou seja, existem áreas que são ocultas em nós. Imagina que o coração é uma grande cebola cheia de camadas e a gente vai descascando e vai chorando, né? Tem camadas em nós. É muito comum. Alguém aqui faz terapia ou já fez? Só para eu fazer uma pesquisa aqui. Legal. Se você tá aqui, geralmente tem um interesse por esse assunto, né? É muito comum a gente ir pra terapia, às vezes você não tem nem nada para falar. E aí quando você vai, você vai vivendo aquele processo, você fala: "Meu Deus, tava tudo isso aqui dentro de mim. Cobras e lagartos saíram de dentro de mim. Nesse mundo acelerado, gente, cheio de distrações, muitas vezes a gente não tem nem tempo para observar áreas ocultas em nós. Então, veja, Jesus sentiu, ele viveu as emoções humanas, ele foi honesto com o que sentia. Terceiro, Jesus identificou as suas emoções. Jesus deu nome aos bois. Ele fala o que ele estava sentindo, tristeza. E ele fala até mesmo o grau da intensidade. Ele tava profundamente triste a ponto de morrer. Uma grande dificuldade que nós temos, gente, é identificar o que nós estamos sentindo. E na verdade, esse movimento de nomeação da angústia é uma compreensão em comum em quase todas as áreas da psicologia, em quase todas as abordagens psicológicas, porque às vezes só você dar nome, identificar já produz um certo alívio. Às vezes o simples fato de você reconhecer, olha, o que eu tô sentindo é medo, já te organiza por dentro. Tenta fazer esse exercício de tentar identificar. E eu sei que às vezes é difícil porque a gente experimenta emoções mistas. O livro Organize Suas emoções chama assim de emoções Mistas. É um livro muito legal, esclarecedor, fácil, leve para você ler, porque muitas vezes tá muita coisa misturada, né, mulheres, quando a gente engravida. É um misto de emoção. Emoções que não fazem nem sentido, porque elas são hormonais, provenientes de questões hormonais. Ao mesmo tempo, você se emociona, você fica desesperada, meu Deus, como é que vai sair daqui? Mas você também tá ansiosa para contar pras pessoas. São muitas coisas juntas, né? Tem uma cena pra gente ilustrar melhor em que Jesus ele vai, ele sabe da morte de Lázaro. Lembra disso? O texto diz que ele fica compadecido pelas irmãs de Lázaro, mas ele também chora, ele fica triste, mas ele também fica minimamente empolgado porque ele vai fazer algo poderoso que vai manifestar a glória de Deus e ele vai mostrar aquilo pros discípulos e para aqueles que viram, entende? Então, às vezes é difícil identificar porque tem muita coisa atuando dentro de nós. Mas é importante. Qual é o nome das emoções que t atuado em você? Medo, culpa, vergonha, raiva, ansiedade. Aí [roncando] a gente, como bons crentes que somos, às vezes vamos observar que dentro dessas emoções também tem pecados, né? que às vezes aquele sentimento que eu sinto por aquela pessoa que é tipo assim, ó, ai não vou com a cara dela, não sei que que é, não sei se é discernimento, não me desce. Às vezes é inveja, às vezes essa sensação de que ai, não tô gostando disso, daquilo é ingratidão. Aí que fica difícil pra gente, né? Porque Jesus tava tudo tão organizadinho ali, tão santinho, tão certo, mas a gente mistura com pecado, mistura com trauma. mistura com, enfim, vira uma bagunça complexa aqui dentro. Que pecados podem estar atuando nessas emoções? Identifique, denome, tente observar. Às vezes você vai precisar da ajuda de outra pessoa para fazer esse exercício. E outro, outra coisa, o que essas emoções têm a ver com a sua história? É muito comum as pessoas virem pro consultório psicológico com, por exemplo, ansiedade e elas falam: "Não faz sentido eu ter, eu estar ansiosa porque eu tá tudo bem na minha vida. Eu tenho uma rotina saudável, eu faço exercício físico, eu eu amo as pessoas com quem eu moro, tá tudo bem, eu gosto do meu trabalho, não tem motivo aparente. E aí você começa a revisitar a história da pessoa e começa a perceber que, na verdade, essas vivências ansiosas são revivências de experiências muito primitivas, às vezes que ela nem lembra cognitivamente, mas que foi vivida lá nos primeiros dias de vida, por exemplo. Então, às vezes não fazem sentido algumas emoções que nós temos hoje, mas nós somos a nossa história. E claro, tem algumas identificações que a gente vai precisar de ajuda profissional, né? O nosso corpo dá sinais, as emoções são comunicações. Jesus sentiu. Jesus foi honesto com o que sentiu. Jesus identificou. Quarto, Jesus verbalizou. Ele abriu a boca e falou, expressou. Ele falou pros discípulos e falou para Deus. Porque a gente vê ele falando pros discípulos: "Minha alma tá profundamente triste". Mas a gente vê a oração dele também bem sincera. Ai, se possível, afasta de mim esse cálice, pai. Como quem diz, que difícil passar por isso. Freud, né, que é o criador da psicanálise, eu acho que a gente tem que ler com muitos filtros as contribuições dele, mas ele fala muitas coisas interessantes também. Ele fala sobre a cura pela fala. Isso é tão real. Na verdade, a Bíblia já falava isso, né, nos Salmos, quando fala que a gente demora a confessar e depois que confessa, parece que até o nosso corpo experimenta um alívio. Quando a Bíblia fala lá em Tiago, pra gente confessar os nossos pecados uns pros outros, tem tanto efeito verbalizar as nossas emoções. Tem gente que fala: "Meu Deus, eu vou paraa terapia e só fico falando". Hum, pode ser, pode ser que a tua terapeuta não seja muito boa mesmo e não tenha tanto efeito você estar falando ali. Mas o fato de você se expressar, seja através da oração, de uma conversa, da terapia, escrevendo, tem gente que consegue se expressar escrevendo, isso tem efeito terapêutico de uma maneira incrível. Muitos dos nossos cansaços e dores é porque nós não verbalizamos o que sentimos. Eu gosto de um poema da Viviane Mosé, que eu sempre cito que ela diz que doenças são poemas presos em nós. São palavras que não foram ditas. Quando eu me formei na faculdade de psicologia, a gente fez o TCC, eu e a minha colega, no Pronto Atendimento da Unimed aqui em Joinville. E recebemos, né, no pronto atendimento, muitos pacientes com várias questões físicas, dor de barriga, dor de cabeça, que eram feito exames e não tinha nada eh proveniente de questões orgânicas, eram demandas emocionais, porque quando a gente não fala, o corpo vai falar. Quando a boca se cala, as pontas dos dedos vão falar. E na fé cristã, gente, há espaço para verbalizar, para rasgar o verbo sobre as nossas emoções. Olha os salmos, as orações dos salmistas, eles escancaram suas emoções diante de Deus, né? O Calvino fala que os salmos são como anatomia de todas as partes da alma, porque não tem nenhuma emoção no ser humano que não esteja representada ali como num espelho. Às vezes, se você não consegue orar e verbalizar, você pode pegar salmos emprestado para você conseguir colocar para fora. Até as orações imprecatórias mesmo que a gente manda matar, manda destruir. Mas o bom de orar é que a oração ela é ela ela é consola ela ela consola por si só, né? No meio do caminho que você vai orando, quando você vê você mandou matar a pessoa, mas aí você já tá dizendo perdão pro Senhor, você vai mudando o seu coração enquanto ora. Não é assim? Se você não não se identificou, é porque você não tá orando direito, porque o Senhor vai mudando o nosso coração. Jesus verbalizou as suas emoções. Então, Jesus sentiu. Jesus foi honesto, Jesus identificou, Jesus verbalizou, Jesus não sofreu sozinho. Você percebeu? Ele levou Pedro, Tiago e João pro Getsemêmane. E foi didático da parte dele levar os discípulos. Ele chama os discípulos juntos. para nos ensinar, gente, o benefício da comunhão. A nossa fé é compartilhada porque Deus sabe que nós precisamos de gente. Nós somos criados paraa relação. Nós servimos um Deus que é trino, Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito, que vivem a dança da trindade já desde da eternidade. Deus não nos cria porque estava carente, precisando se relacionar com alguém. Ele já vivia em plena comunhão na eternidade. E ele nos fez assim também, com a necessidade do outro, com a necessidade da relação. Olha, um bebê, um bebê já nasce, gente, com uma necessidade de extrema dependência. Um bebê abandonado não segue o fio da vida. Ele precisa do outro de uma maneira absoluta nesse primeiro momento, mas depois a gente vai passando para uma dependência mais relativa, mas nunca a gente vai chegar numa total independência. E se chegou, adoeceu. Nós precisamos uns dos outros. Nós precisamos da igreja. É uma necessidade da alma humana. Solidão na medida faz parte da vida, mas solidão em excesso mata. A gente precisa de pessoas para enfrentar as noites escuras da vida ao nosso lado. [roncando] E mesmo o nosso mestre Jesus sendo Deus, ele vai lá para aquela noite sangrenta, mas ele leva os best friends dele. Não serviram para muita coisa, não serviram. dormiram. Mas didaticamente Jesus tá nos dizendo assim: "Não tem como falar de saúde mental, não tem como falar de espiritualidade sem falar de relações humanas". Não é à toa, gente, que a gente vive uma crise em saúde mental, justamente num tempo onde as relações estão cada vez mais líquidas, né? Como diz Balman, superficiais, raras, todo mundo se segue, mas com quem você teve uma última conversa profunda? Muito da cura, gente, na terapia, na psicoterapia, não tem a ver com algo que o psicólogo me disse ou me ensinou, mas tem a ver com a relação que é ali estabelecida. Talvez pela primeira vez tem pessoas ali na psicoterapia que estão se sentindo vistas, ouvidas, acolhidas. Eu acredito demais nisso. Não é só o conhecimento que eu passo pro meu paciente ou a intervenção que eu faço, mas é a relação que se estabelece ali. Às vezes é o meu olhar validando algo que ela falou para tanta gente, ninguém acreditou, mas pela primeira vez alguém tá levando a sério. Você tem nutrido relacionamentos? Quem são as pessoas com quem você se sente à vontade para abrir o coração? Se tiver uma, já abraça essa pessoa. E é bom que não e que seja encha pelo menos uma mão, no máximo também não vai sair abrindo o teu coração por um monte de gente doida por aí. Tem coisas que você não vai conseguir lidar sozinho e aí vai precisar de uma intervenção profissional. Mas agora, uma coisa importante da gente pensar aqui é que mesmo que Jesus tivesse levado os discípulos, os discípulos dormiram, né? Porque ainda que a gente precise de gente, as pessoas são limitadas, elas são finitas, tem uma impotência nas pessoas que é providencial, porque é o que vai nos fazer depender de alguém que nunca vai errar com a gente. Eu morei por muitos anos aqui em Joinville, até eu morei de 2011 a 2024. Em 2024, eu e o Jas e meu marido, a gente foi enviado pela igreja que nós pastoreávamos, a onda dura aqui de Joinville, lá para Belo Horizonte, paraa plantação da igreja eh da onda lá em BH. E nós fomos, eu, Jis e a minha filha Aninha. E lá no início, gente, para mim foi muito difícil em vários aspectos, assim, a adaptação e a saudade que eu sentia da igreja aqui. E eu sou uma pessoa bem, eu choro mesmo, tá gente? Sou bem sensível. Acho que por isso que eu gosto desse tema. Aí teve um dia, um sábado à noite, e sábado era o dia do nosso eh culto de jovens, por pelo qual eu era apaixonada. E aí teve um sábado nós a gente tava lá em BH, que eu fiquei muito mal. Eu vi os stories das pessoas no culto e eu queria est lá, meu coração se apertou e aí a minha filha já tinha dormido. Eu falei: "Jiz, eu preciso abrir meu coração, preciso chorar, preciso que tu me ouça". E aí ele falou: "Pode falar". Aí eu comecei, comecei a chorar, comecei a abrir. Falei que eu tava com raiva de uns, com ódio de outros, queria matar outros, mas saudade de outros. Comecei a, sabe assim, fiz a minha, botei tudo para fora. Quando eu ouço, gente, meu marido estava roncando, roncando. Eu sacudi ele, falei: "Geseriel, eu tô abrindo meu coração aqui, eu tô chorando". E ele: "Meu Deus, meu Deus, me perdoa, deixa eu orar por ti". Eu falei: "Agora também não quero mais nada que venha de ti, não quero oração, não quero nada". E eu lembro muito bem desse dia que eu fiquei muito decepcionada, que ele dormiu tal qual os discípulos, né? E fui lá pro sofá. E eu ainda lembro que eu sentei assim no sofá e falei: "Só o Senhor me entende, só o Senhor me supre plenamente." E olha que o meu marido é um bom ouvinte assim, mas às vezes ele ouve e não me entende. Às vezes ele ouve e entende, mas não consegue me consolar. Às vezes ele até ouve, entende, consola, mas não consegue mudar meu coração, não consegue mexer nas circunstâncias. Então, a impotência dos relacionamentos, ela é providencial, porque ela nos lembra que, em última instância, nós precisamos do Deus criador, que é o único que pode suprir a nossa alma. E aí a gente vê Jesus no verso 39, o texto diz que ele avançou um pouco mais paraa frente, se curvou com o rosto no chão e orou, como quem disse, tá? fiquem aí dormindo, eu vou ali, eu preciso me derramar diante do Pai. Aliás, isso não foi uma exceção na vida de Cristo, né? De tempo em tempo. A gente vê os relatos dos evangelhos dizendo que ele se retirava para orar, gente, senão ele não ia aguentar. Era muito doido em volta dele. Era gente pedindo cura, milagre, gente perseguindo. Não, ninguém dá conta. A gente não dá conta da nossa vida se a gente não se retira em alguns momentos. A gente vai endoidecer todo mundo aqui. A gente precisa dessa retirada. E o texto diz que ele se curva e ora: "Pai, se possível, afasta de mim esse cálice. Contudo, seja feita a tua vontade." O seu maior recurso foi a dependência, a humilhação, a oração. Porque às vezes, gente, a coisa mais importante que as nossas emoções vão fazer por nós é nos levar a essa conclusão de que nós não damos conta sozinhos e de que nós precisamos de ajuda. Às vezes a melhor coisa que as nossas emoções fazem por nós é nos humilhar, é nos sensibilizar, é nos quebrantar, é nos colocar de volta com os joelhos dobrados, com o coração inclinado. Não tem terapia no mundo, estratégia, protocolo que nos ajude plenamente a lidar com essa bagunça tão complexa que existe em nós. A terapia vai até uma parte, a medicação vai até uma parte. E ali a gente vê Jesus fazendo uma oração sincera. Afasta de mim esse cálice, mesmo que as nossas orações orações devam sempre culminar em faça a tua vontade, na fé cristã há espaço pro sincero. Afasta de mim esse cálice. Na fé cristã tem espaço pra gente rasgar o verbo com o Senhor. que Jesus abriu o jogo das suas emoções. Imagina nós. E aqui a gente tem um recorte, né, do que ele orou, mas como ele ficou muito tempo orando, é possível que esse afasta de mim esse cálice tenha se desmembrado em muitas outras falas que saíram da boca dele, que eu não vou arriscar aqui dizer porque aí é muita ousadia a gente tentar adivinhar. Mas muito possivelmente ele abriu o coração. A sua angústia, gente, não tinha a ver com o medo do sofrimento ou da morte. Ele sabia que por um tempo ele seria desamparado do pai. A alma pura dele receberia todos os pecados da humanidade, os passados, presentes e futuros. E a oração foi seu recurso para lidar com as emoções. A oração, gente, hoje tem muita pesquisa falando, né? A neurociência fala muito hoje sobre os efeitos da oração. Ela tem efeitos terapêuticos, mas também, gente, a gente sabe, tem efeitos sobrenaturais. Eu gosto de dizer que o melhor de orar não é nem a resposta da oração. O melhor de orar é orar. É a própria relação, é o próprio relacionamento, é o próprio encontro com Deus. Ele ora papai, né? Marcos diz que ele fala aba pai. Aba. um termo aramaico que significa paizinho. Para onde vai uma criança quando tá angustiada, além de pro seu pai ou paraa sua mãe? E ele se coloca nessa extrema dependência. Jesus sentiu. Jesus foi honesto com o que sentiu. Jesus identificou. Jesus verbalizou. Jesus fez da sua oração o seu maior recurso. Jesus dependeu e já caminhando pro fim. Olha que lindo isso e importante pra gente. Jesus submeteu as suas emoções a Deus e não se rendeu a elas. Porque ele ele chora, ele sua sangue, ele vai os ranhos para fora, as lágrimas para fora, ele lamenta, ele deita, ele rola, ele se ajoelha, ele se quebranta. Mas ele conclui a sua oração dizendo: "Contudo, seja feita a tua vontade e não a minha. A sua postura denota que ele estava no extremo da tristeza, mas ele não perdeu o seu temor. Isso é uma escola, uma lição pra gente. Ele submete as suas emoções a Deus. Ele ora, gente, com um misto de vulnerabilidade, mas também de submissão. É assim que tem que ser a nossa oração. Se a gente fica só na vulnerabilidade, vai dar problema. Mas às vezes, se a gente fica só na submissão, a gente perde uma parte de transparência na relação com Deus. Vocês estão entendendo? Vocês estão comigo? Faz sentido? A oração de um cristão, gente, pode e deve ser marcada pela vulnerabilidade de pedir: "Senhor, afasta de mim essa depressão, me cura desse transtorno, abrevia meu sofrimento, mas no fim das contas, como servos que confiam na providência divina, nós vamos nos render clamando: Que seja feita a tua vontade". E às vezes Deus não vai curar alguns adoecimentos emocionais nessa terra. Às vezes a gente vai com a depressão até o fim da vida. Às vezes a gente vai ter que lidar com uma doença e um transtorno até o fim da vida. Porque antes de ter um compromisso com o nosso bem-estar, Deus tem um compromisso com a sua glória. E às vezes é na perda, no não, no diagnóstico que ele vai manifestar a sua glória. Tal qual o cego lá de João 9, que nasceu cego para manifestar a glória de Deus. Tem que ser muito teocêntrico e não humanista para aceitar isso, né? Mas é porque a nossa esperança não tá limitada a essa terra. Essa ânsia, gente, para que tudo dê certo na nossa vida, para que ninguém morra, para que ninguém adoeça, para que não dê nenhum problema, é um anseio pelo céu. Só que o céu não é aqui. Aqui tem morte, tem doença, tem transtorno, tem fracasso, tem terapia, tem dinheiro gasto em medicação. Jesus submeteu suas emoções a Deus. E olha o verso 46. Ele diz assim, ó, ele tá lá chorando e vivendo aquele momento, mas no verso 46, o texto diz: "Levantem-se e vamos. Meu traidor chegou." Jesus não se rendeu à suas emoções. Depois da oração, ele disse: "Basta, bora levantar e fazer o que precisa ser feito". [roncando] E ele vai como um rei em direção à coroação pra cruz. Então veja, quando se trata das nossas emoções, nós geralmente temos a tendência ou de ignorar ou de superestimar. E ainda que nós devamos ser honesto com honestos com as nossas emoções, nós não podemos nos render a elas. Tem momento que você vai ter que olhar pra sua alma e dizer: "Basta, chega, reage". Tem momento que nós vamos precisar ter a sabedoria de observar que nós podemos estar sendo dominados pelo que sentimos e essa não é a vida que Deus nos chamou para viver. Então eu não vou ignorar, eu não vou fazer de conta que aquilo não tá lá, mas eu também não vou ser governado pelas minhas emoções, porque agora eu sou governado por Jesus. Não somos mais escravos do pecado, não somos mais escravos do que sentimos, somos escravos da justiça. Então, é saudável lamentar, mas não é saudável se entregar ao lamento. Faz sentido? Jesus sente, Jesus identifica. Jesus é honesto com o que sente. Jesus verbaliza. Jesus não passa pelo que passa sozinho, se cerca de pessoas. Jesus depende. Jesus submete suas emoções a Deus. Jesus não se rende à suas emoções e tudo que ele passou tinha um propósito. Getsêmane significa prensa de azeite. É o lugar onde as azeitonas são esmagadas para virar azeite. Ali naquela cena sangrenta, Deus se agradou em começar a moer Jesus para que depois o azeite fresco pudesse fluir para todos nós. Sempre tem azeite para ser extraído, né, das nossas crises emocionais. Deus não desperdiça a gente. Nenhuma lágrima, nenhum diagnóstico, nenhuma perda, nenhum luto. A dor é uma escola que nenhum livro é capaz de nos ensinar. Por isso que o autor de Hebreus vai dizer que pela alegria que lhe fora proposta, ele suportou a cruz. Aliás, foi por causa daquela noite no Getsêmane que ele escolheu fazer a vontade de Deus e beber do cálice até a última gota. Que a gente pode ter esperança de que as nossas emoções podem ser tratadas em Deus e um dia vão ser redimidas plenamente. E eu finalizo te lembrando do evangelho, porque Jesus, gente, ele não é apenas o nosso modelo de saúde mental, ele é o nosso resgatador. [roncando] Ele não é apenas o exemplo de como lidar com as nossas emoções. Ele é o nosso redentor. No Getsêman, ele apenas não nos ensina a lidar com as nossas emoções, mas ele caminha pra cruz para realizar a obra que nos salva e nos transforma. O evangelho é essa boa notícia. Jesus levou sobre si o nosso pecado, suportou a cul suportou a culpa que era nossa, e por sua morte e ressurreição nos reconciliou com Deus. Nele a gente não recebe apenas exemplo, mas nova vida e capacidade para lidar com essa bagunça aqui. Em Cristo, as nossas emoções não são negadas, elas são redimidas. Ele perdoa as pecaminosas, transforma as desordenadas e um dia ele vai restaurar plenamente. Eu quero te dar um spoiler do futuro. Apocalipse 21:4 diz que lhes enxugará dos olhos um dia toda lágrima e já não existirá mais morte. Não haverá luto, nem pranto, nem dor. Vou parafrasear aqui. Nem depressão, nem transtorno de ansiedade, nem borderline, nem autismo, nem problemas, nem conta para pagar. Não vai haver diferenças entre nós e graus de adoecimento. No Getsêman, Jesus não apenas nos dá o exemplo, mas a garantia de uma nova vida. E isso inclui a maneira de lidar com as nossas emoções, mas isso está no processo. Um dia, isso tudo será redimido plena e eternamente. Do lado de cá, a gente vai se virando como dá, né? tentando não ignorar o que sente, identificando, nomeando, procurando ajuda quando é necessário, tendo humildade, dependendo uns dos outros, orando como um recurso poderoso que temos à disposição e confiando que aquele que começou a boa obra em nós vai completar. Amém. Glória a Deus por isso.