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Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 02 | Pais da Igreja | Ákilla Nascimento

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Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"

Aula 02: Pais da Igreja
Ákilla Nascimento

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Muito boa noite para todo mundo que já
chegou aqui paraa nossa aula de hoje,
aula número dois do novo módulo do curso
de teologia Macários. Bem-vindo,
bem-vindo a você que já tá por aqui em
pleno feriado. Hoje, quinta-feira, 4 de
junho de 2026, estamos celebrando o
Corpus Crist, ou pelo menos estamos
parando por conta do feriado de Corpus
Cris. E por isso que a presença de hoje
vale duas. Eh, você que tá aqui
conectado com a gente plena quinta-feira
à noite de feriado, é porque você foi
separado por Deus desde toda a
eternidade para táar aqui hoje. Eu
agradeço a sua atenção. Ah, bom, hoje,
inclusive, uma curiosidade, a gente está
iniciando esse módulo, a segunda aula
apenas desse módulo, que é uma só fé
muitas tradições. como a gente explicou
no primeiro encontro, a proposta é falar
sobre as várias tradições teológicas e
os vários sistemas teológicos que foram
desenvolvidos pela igreja ao longo
desses 2000 anos de história. Como você
pode imaginar, talvez você não tenha
parado para pensar muito nisso, o
cristianismo não começou ontem. As
respostas que a gente dá para as
perguntas relacionadas à interpretação
da Bíblia e à formulação da doutrina
também não começaram no ano passado.
Isso tem uma longa história e várias
pessoas, grupos e épocas diferentes
deram respostas diferentes para essas
várias questões. Claro que a gente
encontra, não é tão óbvio, mas graças a
Deus que a gente encontra um grande
consenso sobre o que é fundamental a
respeito do ensino dos apóstolos entre
as várias tradições. Ainda assim,
conhecer e compreender as principais
características dessas tradições é
fundamental pra gente poder se situar de
maneira mais madura e preparada dentro
do que é a realidade da igreja cristã
hoje em dia. O que é que significa você
que é reformado conversar com alguém que
de fato acredita que o armenianismo é a
melhor alternativa? ou você que é
protestante conversar com alguém que faz
parte da igreja ortodoxa, que diferenças
existem? Por que essas tradições elas se
diferenciaram ao longo da história?
Afinal, todos víamos de Jesus e do
ensino dos mesmos 12 apóstolos e, por
isso compreender porque que essas coisas
foram se desenvolvendo de maneira tão
diversificada ao longo da história,
aconteceram e quais são as ideias, as
características de cada um desses
grupos, tá bom?
Ah, boa noite para quem já deu o seu olá
aqui no site. A Sandra, Elisa, Isabel,
Manuel, Tita, Terezinha, a Erenice
também. Boa noite para todos vocês,
pessoal que tá assistindo aqui em São
Paulo, na Bahia, em outros lugares
também. Bom, ah, hoje a gente vai falar
sobre o primeiro dos quatro períodos
históricos que nós vamos tratar. Falamos
na primeira aula que nós teremos quatro
aulas, a aula 2, 3, 4 e 5, sobre os
principais períodos históricos da
igreja. O primeiro é esse país da
igreja, depois a gente vai falar sobre
idade média, depois a gente vai falar
sobre a o renascimento, idade média e
renascimento. Depois a gente vai falar
sobre reforma protestante, período
pós-reforma. E por último, a gente vai
falar sobre modernidade até os dias
atuais. Na aula de número cinco, a gente
vai dar esse panorama histórico para
depois passar a nossa conversa para os
sistemas teológicos. Por que que estudar
essa perspectiva histórica é importante?
pra gente perceber que essas coisas
também não aconteceram do dia para paraa
noite e não aconteceram dissociados de
um contexto. Existiam questões que
estavam sendo discutidas em lugares
particulares por circunstâncias bem
definidas. Então, entender, ainda que de
forma muito muito introdutória, de forma
bastante eh genérica aquilo que são os
dados principais desses períodos, é
importante pros propósitos do nosso
módulo. Mas atenção, a gente não está
propondo aqui um módulo que é para a
teologia histórica ou para olhar paraa
história da doutrina cristã ou até mesmo
para a história da igreja. São apenas 4
anos que cobrem 2000, quatro aulas que
cobrem 2000 anos. Então, é óbvio que a
gente vai fazer algo muito sintético e
abreviado. O primeiro período que a
gente vai tratar, então, é o período
relacionado aos pais da igreja. Que
intervalo é esse que a gente está se
referindo? É o intervalo que vai do ano
100 até o ano 451.
Por que esse período? Porque é
amplamente aceito que o ano 100 é o
período em que o Novo Testamento já teve
o seu último livro composto. Ainda que a
definição do que é Novo Testamento tem
acontecido de forma mais consensual
entre as várias comunidades cristãs em
um período posterior, o que a gente
percebe que na história da escrita dos
Evangelhos, cartas gerais, cartas
paulinas, o último livro que foi escrito
foi o apocalipse de João, que aconteceu
em meados dos anos 90 do primeiro
século. Então, certamente, por volta do
ano 100, os escritos do Novo Testamento
já haviam sido concluídos e vai até o
ano 451,
que é a o período em que a gente tem um
a que a gente tem um concílio
acontecendo. o concílio que vai
acontecer em 451, me perdoe que eu vou
trazer a informação mais precisa, fugiu.
Agora aqui a gente vai o concílio de
calcedônia, que acontece em 451,
e define o fim do período dos pais da
igreja. Então a gente tem aí
aproximadamente 351 anos que perfazem
esse período da história. Por [roncando]
que que se chama paz da igreja? Porque é
nesse período que a gente tem os
primeiros grandes nomes que colocaram
referências fundamentais para aquilo que
se tornou a ortodoxia cristã. Então,
esses que são chamados pais da igreja
foram os primeiros teólogos que deram
respostas, sejam as indagações externas
à comunidade cristã, sejam as
divergências internas que surgiram pelo
crescimento que o cristianismo
experimentou nesses primeiros eh quatro
séculos de história, aproximadamente. Tá
bom? Então, vamos seguir aqui com a
nossa apresentação
e a gente vai ver o seguinte.
Por que é importante a gente estudar
esse passado e esse processo teológico?
Uma frase interessante do Cbart, o
grande teólogo do século XX, teólogo
alemão, eh, falou o seguinte: Agostinho,
Tomás, Jaquino, Lutero, Schleemarcher e
todos os demais grandes teólogos não
estão mortos, mas vivem. Eles ainda
falam e exigem seus ouvidos como vozes
vivas. A continuação dessa frase de Bart
que não está aqui nesse slide é: "Eles
continuam sendo tão vivos quanto nós
somos". Ou seja, você não é o único
sujeito inteligente na sala. Você não é
a única pessoa capaz de abrir as
escrituras e pensar sobre a grandeza, a
profundidade, o significado dessas
coisas. Homens e mulheres muito sábios e
dedicados fizeram isso ao longo dos
anos. E por isso, desconsiderar
o trabalho de todos aqueles que nos
antecederam seria um ato de muita
imprudência e certa arrogância
intelectual. A gente precisa considerar
que aqueles que nos antecederam eram tão
inteligentes e certamente em mais de
99,999%
dos casos mais inteligentes do que nós
que estamos pensando essas coisas hoje.
Então nós precisamos valorizar essa
tradição daqueles que pensaram a fé
antes de nós para não corrermos o risco
de cometermos pecados e erros que já
foram tratados no passado. Quais são os
objetivos desta obra aqui, na verdade é
desta aula de hoje? Olhar a localização
geográfica dos centros do pensamento
cristão nesse período da patrística,
questões teológicas em debate em cada
era e os principais teológicos e suas
contribuições específicas. é quase
impossível fazer teologia como se ela
nunca tivesse sido feita antes. A
tradição exige que levemos a sério a
herança do passado. Eu tive um professor
que deu aula justamente eh sobre a
história da formação do pensamento
cristão e outras matérias. Ele disse o
seguinte: "Olha, se você tá lendo a
Bíblia e você teve uma ideia que nunca
foi pensada antes,
praticamente 100% de certeza que você
está pensando em uma heresia. e
provavelmente uma heresia que não é
nova. Então não imagine que aquilo que
você pode hoje inferir, deduzir a partir
das escrituras é algo que nunca foi
pensado por ninguém antes de você.
os quatro períodos formativos que a
gente mencionou, período patrístico, de
100 a 451, depois Idade Média e
Renascimento, que vai do começo do
século X até o ano de 1500, o período da
reforma e pós-reforma, cerca de, porque
a gente tem 1517 como a data emblemática
da reforma protestante, mas existem
movimentos pré-reforma
e outros movimentos concomitantes
acontecendo aquilo que se estabelece na
Alemanha. Então, cerca de 1500 até 1750,
olhando também para o período da
pós-reforma e o período moderno que vai
de 1750 até os dias atuais.
Ah, o período patrístico, a olhando
paraas suas origens e a sua expansão. Na
primeira aula, Saon falou um pouco disso
e eu trouxe esse mapa apenas para dar
uma noção visual do que foi a expansão
do cristianismo nesses 450 anos
iniciais. O cristianismo nasce naquilo
que hoje muitos chamam de Palestina,
ainda que tem uma discussão sobre a
legitimidade histórica desse termo, mas
a aquilo que é a região da Judeia e no
seu entorno se espalha rapidamente paraa
região do Mediterrâneo Oriental. Então,
essa parte branca no centro do mapa aqui
é o mar Mediterrâneo. Aqui está a região
oriental do Mediterrâno. Um pouco mais
para baixo a gente vai ter a região de
onde estava Judeia, Galileia, as
províncias por onde Jesus andou e onde
começa o cristianismo.
E esse é cristianismo começa a se
expandir a partir do trabalho dos
missionários evangelísticos
evangelísticos, tendo o seu símbolo
principal, o seu marco inicial, o
trabalho de Paulo com suas viagens
missionárias a partir de Antioquia.
Então você tem essa região aqui do a
oriente do Mediterrâneo sendo
evangelizada primeira primeiro e depois
a expansão disso para outros lugares.
O que é que a gente percebe nesse mapa?
até o ano 325, essa parte onde tá o azul
escuro foram as regiões onde se observou
a expansão do cristianismo. Então você
vê um grande crescimento já nesses 350
anos iniciais. Só que no ano 311
em especial e depois com a conversão eh
de Constantino, alguns anos depois, a
gente vai falar um pouco sobre esses
eventos já já, a gente tem uma expansão
ainda mais acelerada do cristianismo
dentro do império. em 311 deixa de ser
uma religião proibida e depois da
conversão de Constantino, que parece ter
sido por volta de 300 e 12 ou algo
assim, eh ele tem uma postura muito
favorável ao cristianismo, com
legislações e posições oficiais do
Império Romano e o cristianismo passa a
ser eh espalhar de forma ainda mais
acelerada. Então, em azul claro, a gente
já olha o contorno daquilo que são as
áreas fortemente cristianizadas no ano
600 depois de Cristo. Então, é uma área
geográfica bastante considerável para
esses seis primeiros séculos de
cristianismo, né? Durante o período dos
pais da igreja. Então, voltando aqui pro
intervalo entre 100 e 451,
a gente tem três grandes centros
teológicos. Outros centros teológicos se
desenvolveram nesse período, mas não
chegaram a ter uma relevância tão a
significativa quanto esses três centros
que a gente coloca aqui para vocês, que
é a Alexandria, Antioquia e o Norte da
África, a a atual região da Argélia e
também a cidade de Cartago. É, já
naquela época, Argélia é uma denominação
é geográfica contemporânea, assim como
Turquia e Egito, mas Cartago era uma
cidade antiga. Só para esclarecer, para
não ficar parecendo que Cartago e
Argélias foram eh delimitações
geográficas contemporâneas.
Em Alexandria, a gente tem esse centro
de ensino muito muito relevante na
antiguidade. Foi o principal centro de
educação teológica cristã nos primeiros
séculos.
Mas tem esse ponto que precisa ser muito
bem compreendido, que foi um centro
associado à tradição platônica. Por que
que isso é importante? Porque os
escritos que foram eh
preservados dessa escola mostram pra
gente que o estilo alexandrino de se
fazer teologia era um estilo muito
influenciado pela filosofia helênica,
pela filosofia platônica ou pensamento
helênico, perdão. Eh, e eles debatem
duas questões ou duas de suas
contribuições
foram preservadas como as principais
contribuições pra história de da
teologia, que são a discussão sobre
cristologia e a interpretação bíblica
com uma abordagem alegórica e
filosófica. A gente vai falar um pouco
mais a respeito disso quando a gente
falar dos teólogos, propriamente dos
pais da igreja que se destacam desse
período e origens. está associado tanto
à abordagem alegórica quanto à escola de
Alexandria. A, o segundo centro que a
gente pode olhar nas páginas de Atos dos
Apóstolos é Antioquia e Capadócia. A
forte presença cristã nessa região desde
o período do apóstolo Paulo. A igreja
que envia inicialmente Paulo e Barnabé
para sua primeira viagem missionária é
justamente Antioquia. E o estilo
antioqueno caracterizou uma abordagem
distinta à cristologia.
Perto da região da Antioquia estava a
região da Capadócia, que ficou conhecida
pelos pais capadócios que contribuíram
decisivamente para a doutrina da
trindade no século
isso foi mencionado rapidamente na aula
passada e vai ficar mais evidente na
aula de hoje. O período dos pais da
igreja foi um período muito intenso. é
certamente um dos períodos mais
empolgantes e dos períodos mais
criativos da história da teologia
cristã. Não é difícil perceber porquê,
tanto pela necessidade quanto pelo
terreno inexplorado que esses pensadores
encontraram.
Você tem o ensino dos apóstolos, mas
você tem uma série de questionamento que
é preciso eh formular e é preciso
elaborar em termos de resposta. para
conseguir compreender de que maneira
aqueles escritos de fato estavam
tratando essas questões. Por exemplo,
Jesus é completamente Deus ou ele é
exclusivamente humano? Será que ele eh
não é humano e sim exclusivamente Deus?
Apesar de ter uma aparência de ser
humano, essa não é uma questão que a os
Evangelhos ou que Apocalipse levanta
nesses termos. Certamente essa é uma
questão tratada pelo Novo Testamento,
respondida pelo Novo Testamento, mas não
nos termos que eu acabei de colocar e
não são respondidos também da forma como
a gente costuma responder quando a gente
dá uma resposta para essa pergunta. Qual
é a natureza de Jesus nas categorias da
teologia sistemática contemporânea?
Então, muitos dos questionamentos
válidos que aquelas pessoas tinham a
partir dos pagãos, a partir da filosofia
grega, vários questionamentos que
surgiram de outras formas de enxergar a
realidade que foram feitas para o texto
bíblico, foram respondidas por esses
primeiros teólogos, por esses pais da
igreja. Uma outra questão é esses homens
e e essas comunidades, na verdade,
lidaram com um contexto de muita
perseguição e de muita hostilidade pagã.
Por isso, muitas das respostas que foram
pela primeira vez formuladas de maneira
rigorosa foram pela força da
necessidade. Ou eles faziam isso, ou os
movimentos contrários, alternativos, as
visões que eram distintas daquilo que
parecia ser a tradição ensinada pelos
apóstolos, não iria prevalecer. Então
eles tinham uma necessidade de pela
primeira vez formular algumas respostas
para perguntas que provavelmente não
foram levantadas nos primeiros anos do
cristianismo, mas foram levantadas à
medida que esse cristianismo foi se
espalhando pelo Império Romano. E o
terceiro centro foi o norte da África, a
atual Argélia, e também em especial
nessa região, a cidade de Cartago. é o
lar de alguns dos nomes mais conhecidos
desse período. É o lar de Tertuliano
Cipriano e Agostinho de Pona, que a
gente vai falar em um pouco mais de
detalhes aqui no final da nossa aula.
Cartago era colônia romana e tornou-se
berço da teologia latina ocidental com
ênfase na suficiência das escrituras, em
especial associado a esse papel de
tertuliano. Então você tinha o principal
centro da teologia oriental ligado à
Alexandria no Egito, aquilo que na
verdade é um tipo de pensamento e
teologia que predominou na igreja ao
Oriente ou na igreja do Oriente.
E você tem uma outra forma de pensamento
que prevaleceu e predominou na igreja do
Ocidente a partir daquilo que foi o
pensamento eh
do norte da África, em especial daquilo
que Tertuliano afirmou nos seus
trabalhos e que depois foi aprofundado
por outros teólogos, em especial por
Agostinho Dipona, que teve uma enorme
influência naquilo que veio a se tornar
as principais características do
pensamento teológico da igreja do
Ocidente. Tá bom?
Passando aqui, a gente tem então que
pontuar alguns desafios no estudo da
patrística, porque algumas pessoas
quando começam a ler sobre a patrística,
sobre esse período histórico, sobre os
principais nomes ou diretamente os
escritos dos pais da igreja, encontra
certa resistência e dificuldade quando
compara esse estudo com outros temas da
teologia, com outros períodos, como por
exemplo as ideias que foram debatidas
durante a reforma protestante. Por que
que parece ser muito mais fácil se
relacionar, estudar e se aprofundar nos
escritos de Lutero, de Calvino, que
aconteceu, que estava acontecendo na
Alemanha, na Suíça e em outros, outras
regiões diretamente afetadas pela
reforma protestante e que não parece
ressoar tão facilmente ou profundamente
com a as discussões que acontecia no
período patrístico. Primeiro, a
relevância aparente. Muitos debates do
período patrístico parecem irrelevantes
ao mundo moderno, ao contrário dos temas
da reforma que ainda ressoa na igreja
atual. Segundo, a complexidade
filosófica. Os debates envolvem médio
platonismo e neoplatonismo, que são
filosofias que exigem familiaridade
prévia para compreensão adequada e que
são bastante diferentes do platonismo na
sua forma original. Então, é um contexto
muito bem determinado e específico. O
platonismo, ainda que você tenha ouvido
falar da República de Platão, que você
tem ouvido falar do mundo das ideias, do
mito da caverna, essas ideias originais,
sofreu uma série de mutações, passou por
discussões, aprofundamentos e
diferenciações
nos diferentes centros de pensamento que
foram afetados por essas ideias. Então,
quando você tem um debate dos pais da
igreja, é muito possível que ele esteja
eh se relacionando, direcionando o seu
pensamento para questões que são
próprias desse contexto, ideias que não
são simplesmente de Platão, mas são
sobre o neoplatonismo. Se eu não me
engano, filo de Alexandria foi um desses
nomes que associou a filosofia
neoplatônica com a interpretação das
escrituras. Eh, e isso diferencia muito
o contexto daquele sujeito que tava
escrevendo, daquele pé da igreja,
daquilo que é o contexto da igreja hoje.
Então, é compreensível que não seja tão
natural pra gente. Diversidade
doutrinária.
Essa é uma era de transições. O credo no
seno e o e os dogmas, como as duas
naturezas de Cristo, emergiram
gradativamente, sem uma estabilidade
imediata. Fato de que muitas dessas
doutrinas hoje são pacificamente
ensinadas e aceitas em boa parte das
tradições cristãs contemporâneas
não reflete necessariamente o caminho
tortuoso, turbulento, que elas
precisaram passar até que eh alcançassem
esse nível de
doutrina
fundamental da igreja cristã, aceita
pela maioria das autoridades e das
tradições teológicas de seu tempo. Isso
foi uma construção bastante custosa. E a
gente tem o cisma do Oriente Ocidente,
essa divisão linguística e teó teológica
entre igrejas gregas que tinham uma
característica de pensamento mais
especulativa e filosófica. e as igrejas
latinas, que são as igrejas do ocidente,
que tem essa eh esse rigor a respeito
das fontes de autoridade para a teologia
a partir das escrituras e das práticas
que a Igreja do Ocidente já vinha
construindo ao longo do tempo. Como bem
ilustra Tertuliano, que é um expoente da
igreja do ocidente, não do oriente.
Pergunta clássica que o que ficou
marcado na história clássica da teologia
é: qual a relação entre Atenas e
Jerusalém, dando a entender que não se
deve recorrer ao pensamento de Platão,
Sócrates e Afins para tentar compreender
as coisas sagradas, as coisas ligadas à
revelação de Deus. Bom,
a gente tem uma série de questões que
são discutidas nesse período, mas existe
um grupo de questões com um relevância
muito particular, que são as relações ou
a relação entre cristianismo e judaísmo
e o contorno que essa relação deve
conter dentro das igrejas cristãs. Uma
das tarefas fundamentais do período
patrístico foi justamente delimitar a
relação entre o cristianismo e o
judaísmo. As cartas de Paulo já
evidenciavam a urgência dessas questões
no primeiro século. Por exemplo,
circuncisão dos gentios, interpretação
do Antigo Testamento e a unidade dos
dois testamentos. Os cristãos não judeus
eram obrigados a seguir as práticas da
lei mosaica. É isso que a gente vê na
discussão de Paulo na carta aos Gálatas.
É isso que a gente vê no livro de Atos,
no Concílio de Jerusalém, que Paulo vai
juntamente com Barnabé. É isso que a
gente vê na carta aos Romanos. Enfim,
todas essas questões ligadas à eh
influência que a Torá, a lei, ainda
exercia sobre a comunidade cristã. De
que forma devemos entender essa
influência e nos submeter a essas
regulamentações dentro de um mundo
gentílico? Essa que é a crise. A crise
não é dentro do mundo judaico.
Eh, constituía um grupo de questões, não
apenas uma questão, um grupo de questões
que levantou muitas discussões e que
ainda hoje levanta questionamentos
relevantes. Imagine quando a igreja era
em boa medida constituída por judeus
juntamente com gentius, a partir de uma
pregação muito recente de o Messias que
veio para judeus e gentios, mas que era
ele mesmo judeu. Dá para entender porque
que esse contexto eh se tornou eh tão
difícil e polêmico nos seus primeiros
anos para que fosse compreendido por
parte da maioria daqueles cristãos. A
interpretação do Antigo Testamento. Como
as escrituras hebraicas deviam ser lidas
à luz de Cristo. Alexandrinos preferiam
a alegoria. Antioquenos o sentido mais
literal e histórico, como a gente
colocou na influência que esses dois
centros têm paraa igreja ocidental e
igreja oriental. E a unidade dos
testamentos. Pertuliano defendeu a
unidade do Antigo Testamento e Novo
Testamento contra Macião. Qual era a
heresia pregada por Macião? Masão
alegava que ambos, o Antigo Testamento e
o Novo Testamento, se referiam a deuses
distintos, lançando assim as bases, a
lançando assim as bases da doutrina
trinitária, se referindo à defesa que
Tertuliano faz contra Macião. Mas para
Macião o Deus do Antigo Testamento não
era o Deus do Novo Testamento. mesmo no
Novo Testamento, os livros que
contivessem muito conteúdo judaico ou
uma perspectiva muito judaica da
realidade, deveriam ser banidos do Novo
Testamento. Era essa a proposta de
Marcião,
Constantino e a virada do século 4. Aqui
[limpando a garganta] vale a pena
prestar um pouco mais de atenção, porque
existe uma confusão muito comum sobre o
papel dos imperadores romanos na
aceitação do cristianismo como uma
religião permitida.
O cristianismo não passou a ser uma
religião permitida sob o governo de
Constantino.
Na verdade é sobre o imperador Galério
em 311,
que o cristianismo passa a ser uma
religião permitida no império romano.
Não porque Galério tivesse grande
favorecimento ou simpatia pelos
cristãos, mas porque ele percebia que a
perseguição oficial contra os cristãos
não estava resultando na adoção desses
cidadãos romanos ou desses escravos a
religião do panteísmo, do paganismo
romano, que era o objetivo da
perseguição. Pelo contrário, isso estava
levando a uma postura ainda mais firme e
ainda mais irrestrita desses cristãos na
prática de adoração ao seu Senhor, ao
seu Deus, ao seu Messias. Então ele viu
que seria muito provavelmente mais
estratégico permitir que esses cristãos
tivessem legitimidade de culto, ainda
que isso estivesse muito distante de
assumir o cristianismo como a religião
do império romano. A partir desse
momento, 311, o cristianismo passa a ser
uma religião dentre várias religiões que
eram praticadas dentro do império
romano. Agora, esse também é um período
bastante turbulento em termos políticos.
Não existia só o imperador, o império
romano, mas existiam vários imperadores
em partes diferentes do eh Império
Romano que disputavam território e
poder. E aí é onde entra o papel
importante de Constantino, porque
Constantino ele era imperidor imperador
de uma região, ele recupera eh partes
importantes do território para o Império
Romano, para a parte do Império Romano
que ele ah dominava e que havia sido
perdido para outros impérios na batalha
da ponte de Milvia em 312. E é dito que
ele tem uma visão da cruz, se eu não me
engano, no estandarte. E a partir dessa
visão é que ele se converte ao
cristianismo em algum momento por volta
de 312 depois de Cristo. E isso sim,
independente da legitimidade dessa
conversão ou exatamente quando aconteceu
essa conversão, a consequência histórica
é que a relação entre a Igreja cristã e
o Estado, o Império Romano oficialmente
mudou completamente a partir dessa
alegada conversão de Constantino. Em
321, Constantino decretou o domingo como
feriado. O debate teológico saiu da
clandestinidade e tornou-se questão de
interesse público e político. O desejo
imperial era o desejo imperial desse
imperador. Vale salientar, o desejo de
Constantino era de uma igreja unida, o
que tornava as as divergências
doutrinárias
urgentes. a ideia de eh reconciliar
esses diferentes grupos doutrinários em
uma única igreja era uma prioridade para
Constantino. Por isso que inclusive ele
é responsável por convocar o concílio de
Niceia, que teve um papel muito
importante na discussão sobre a
trindade. Então o que a gente percebe é
que até esse momento, do começo do
século
teologia, e a gente tá pensando sobre a
história do pensamento cristão nessas
aulas, a teologia era uma atividade
feita na clandestinidade
e por isso a teologia ela se ocupava
muito das necessidades, não não tanto da
especulação e não tanto daquilo que era
simplesmente relevante do ponto de vista
das escrituras, era mais uma demanda que
era eh imposta de fora para dentro.
Aquilo que eram os questionamentos, as
heresias que surgiam eh de vários
questionadores ou detratores do
cristianismo, é que foram determinando
muito daquilo que se tornou o assunto eh
proposto pelos pais da igreja nesse
começo da história cristã. depois de
311, em especial depois de 321, a coisa
muda bastante e você tem essa liberdade
de discussão, liberdade de culto
religioso para os eh cristãos.
E você também tem essa liberdade de
discussão de assuntos teológicos e por
isso aumenta o número de pensadores
cristãos que são reconhecidos pela
igreja e aumenta também os assuntos que
são discutidos por ele. impacto na
teologia, o período patrístico
posterior, esse segundo momento em que a
igreja agora ela é reconhecida como
legítima por parte do império romano,
entre 310 e 451, tornou-se o ápice
criativo da teologia cristã. E aqui a
referência, eu estou usando como fonte o
livro de Alister Mcgrahth, teologia
sistemática da editora Vida Nova. O que
o autor está afirmando é que esse
período de 310 a 451 não é o ápice da
patrística, mas é o ápice da história do
pensamento teológico.
Esse período se torna então o mais
importante na história da teologia
cristã. Os teólogos trabalhavam sem
ameaça de perseguição, consolidando
credos ecumênicos e consensos
doutrinários que definiram a fé por
séculos. E isso é muito claro como
disputas teológicas desse período que
resultaram no credo dos apóstolos, no
credo nisseno nisseno, no credo de
Calcedônia, foi o que determinou aquilo
que era o pensamento cristão. ainda que
tivesse o cisma da igreja ocidental,
oriental, muito depois desse período,
muito depois de 451,
o que a gente percebe é o que esses pais
da igreja fizeram, o que esses
pensadores nos concílios fizeram,
tiveram um impacto enorme durante 1000
anos de história cristã e permanece até
hoje determinando muito do que nós
reconhecemos como as doutrinas
fundamentais do cristianismo. Então, não
é exagero pensar que muito do trabalho
que aconteceu nesse intervalo de 310 até
451
está entre as contribuições mais
importantes da história da teologia. Só
uma explicação, quando a gente fala de
credo ecumênico, a gente não está
falando de um credo entre várias
religiões. a gente tá falando de um
credo eh que é estabelecido entre várias
tradições, vários grupos que tinham
entendimentos diferentes sobre a
trindade, sobre a natureza de Jesus, que
eram as questões mais importantes nesses
primeiros séculos da história cristã,
conseguiram chegar a um consenso a
respeito do que eles acreditavam e eles
entendiam que as escrituras ensinavam a
respeito desses assuntos.
E aqui a gente chega então aos nomes
mais importantes. A gente vai destacar
seis dos nomes mais importantes eh desse
período da patrística. O primeiro é
Justino Marte. A gente tá colocando em
ordem cronológica. Então Justino vive
entre cerca do ano 100. A gente não tem
o RG de Justino para saber exatamente o
ano de nascimento, mas aproximadamente
do ano 100 até o ano 165.
Ele é o maior dos apologistas do período
patrístico. O que que isso quer dizer? O
que nós chamamos de apologética, essa
defesa argumentativa
contra as justificativas externas à
comunidade cristã. É algo que começa com
Justino Marte. Ele nasce na Palestina e
ele se converte ao cristianismo após
estudar filosofia platônica. Sua
doutrina do Logos espermáticos, sementes
do Logos, afirmava que, olha que coisa
interessante, Deus preparou a revelação
em Cristo por meio de indícios na
filosofia clássica. Sócrates e Platão
teriam, de acordo com a proposta de
Justino Marte, tido acesso parcial à
verdade divina. Pelo uso da razão, pela
investigação da verdade, pela eh pelo
uso criterioso da racionalidade, eles
conseguiram apalpar, ainda que de forma
muito preliminar
e insuficiente, mas eles se aproximaram
daquilo que era verdade autêntica. Por
isso, estudar a filosofia platônica e as
propostas de Sócrates de alguma forma
prepara o caminho para a verdade que é
revelada de forma mais absoluta e clara
eh na pessoa de Jesus. Ele morre Marte
em Roma por recusar-se a sacrificar aos
deuses romanos. As principais obras
foram Primeira Apologia, Segunda
Apologia, Diálogo com Trifão. Muitas das
obras principais dos pais da igreja
podem ser facilmente encontradas hoje,
tá? Tem uma série que, se eu não me
engano, é da editora, é uma editora
católica, não é a Vozes, eu acho, não
sei agora se a, acho que é a Paulinas,
eh, que tem aquela série verdinha com a
maioria dos trabalhos dos pais da
igreja. E vale muito a pena ler alguns
desses trabalhos dos pensadores cristãos
iniciais. Irineu de Lyon, que vai de
cerca de 130 até o anos 200. Ele é o
bispo de Lyon, atual França, nascido
provavelmente na Ásia Menor. Foi
discípulo de Policarpo, que por sua vez
foi discípulo do apóstolo João. Veja
como Leon está próximo ao período
apostólico. Veja eh como Irineu de Leon,
perdão, está próximo ao período
apostólico. Ah, ele tem uma ligação
direta com a tradição apostólica.
contra as heresias, a diversos a
hereses. Ele refutou sistematicamente o
gnosticismo que ameaçava a fé cristã com
especulações dualistas e mitológicas,
que já parece ser uma integração do
pensamento platônico com a teologia
cristã. Ele defendeu o canon dos quatro
evangelhos e a autoridade da tradição
apostólica como critério de ortodoxia.
Veja como coisas que hoje parecem ser
óbvias e fundamentais pra gente foram
construções que alguns desses homens
precisaram estabelecer com muito
esforço, a um custo muito elevado. As
obras principais de Justin de Irineu são
contra as heresias, como a gente já
citou, demonstração da pregação
apostólica. Os outros dois são origens e
tertuliano. E aqui também vale uma
atenção especial, porque cada um é
exemplo das influências que predominaram
na igreja do Oriente, no caso de
Origines, e do Ocidente, no caso de
Tertuliano. Origines está entre 185 a
254.
A data de nascimento é sempre
aproximada.
Ah, ele foi um dos maiores intelectuais
do mundo antigo, nascido em Alexandrina,
no Egito, e ele foi responsável pela
escola Alexandrina. Ele desenvolveu o
método de interpretação alegórica.
Provavelmente Origines ficou conhecido
na história, principalmente pela sua
contribuição com esse método de
interpretação alegórica das escrituras.
Qual é o argumento principal? Cada texto
possui
o sentido literal, moral e espiritual
alegórico. Ou seja, todo texto tem, no
mínimo, três camadas de significado. O
seu sentido literal, que é o mais
superficial, o seu sentido moral, e o
espiritual, que é um sentido alegórico,
mais profundo. Então, cada um dos
eventos históricos narrado, tanto
narrados no Antigo e no Novo Testamento,
não devem ser vistos apenas pelo seu
contexto histórico imediato, mas como
representações de verdades mais
elevadas, de verdades espirituais que
são ao mesmo tempo mais elevadas e mais
profundas, no sentido de uma camada que
está abaixo da superfície. Eh,
algo paralelo e semelhante acontece na
tradição judaica, porque a gente vê que
Maimôides faz uma afirmação muito
semelhante. E eu acredito, não tenho um
conhecimento tão profundo disso, mas
acredito que Maimôides faz essa
afirmação dos vários níveis que os
textos que o texto da Torá precisa ser
interpretado, segundo uma tradição
anterior a ele mesmo. Ah, ele defendeu a
apocatástase,
que é uma ideia de universalismo. Se a
gente fosse classificar nos termos
contemporâneos, é a ideia de uma
restauração de todas as criaturas.
Inclusive Satanás seria restaurado a seu
estado original, todas as criaturas no
momento final. As obras principais são
sobre os princípios
contracelso e o exapla. A exapla
é um trabalho que faz a comparação de
diferentes versões do Antigo Testamento.
Seis versões do Antigo Testamento são
colocadas em colunas paralelas para que
o texto pudesse ser comparado. Origens,
ele teve um papel muito importante, como
a gente já afirmou, naquilo que veio a
ser o pensamento predominante da igreja
no Oriente. Tertuliano tem a sua função
correspondente no ocidente. Ele cunhou o
termo trindade e a fórmula uma
substância três pessoas.
Ele defendeu a unidade do Antigo e Novo
Testamento contra Macião. Então aquela
heresia que a gente postulou, que a
gente apontou, que foi defendida por
Macião, foi refutada principalmente pelo
trabalho de Tertuliano, que por sua vez
Macião rejeitava o Antigo Testamento. E
é ele que faz essa famosa pergunta
retórica: qual a relação entre Atenas e
Jerusalém, opondo-se ao uso da filosofia
pagã na teologia cristã. tertuliano,
então tem um enorme eh uma enorme
importância para aquilo que vai ser os
caminhos
aprofundados e característicos da
teologia do Ocidente, em especial nessa
questão da trindade, da natureza de
Jesus e da suficiência das Escrituras.
Essa doutrina que é tão importante para
o pensamento protestante e evangélico
contemporâneo, como foi em outras fases
também, teve eh o início da sua
formulação mais rigorosa a partir do
pensamento de Tertuliano, justamente
nessa rejeição dele de se apropriar de
métodos e ferramentas do pensamento, de
ideias do pensamento eh
filosófico grego para o desenvolvimento
da teologia cristã.
A as suas principais obras são
apologético, contra Macião sobre a
trindade, sobre a prescrição dos herees.
E os dois últimos que a gente vai
destacar são
Atanásio e Agostinho de Pona. Atanásio
está eh nesse final do século II e boa
parte do século 4, 296 a 373.
Ele se tornou bispo de Alexandria,
participou do concílio de Niceia em 325
e tornou-se o principal defensor da
fórmula Romúcios ou da mesma substância.
Ah, acredito que a pronúncia é homous,
que aqui uma transliteração, tá sem
acento, sem nato, mas acredito que a
pronúncia é homo úus, que é da mesma
substância a ideia de que Cristo ele é
plenamente Deus. Qual era a questão
inclusive discutida no credo de Niceia?
É a qual é a natureza de Jesus? Como a
gente colocou, ele é humano, ele é Deus,
ele é 100% humano, ele é 100% Deus. Ele
é aparente humano, mas na verdade ele é
Deus. Ele é aparentemente Deus, mas na
verdade ele é humano. Ele tem a natureza
humana e divina dentro de si mesmo que
ficam se alternando pela natureza
divina. Ele faz os milagres, mas pela
natureza humana ele sente fome. E
qualquer uma das propostas que negue
essa afirmação que prevalece a partir do
credo de Niceia, que é Jesus, é 100%
humano e 100% divino em naturezas
integradas,
gera algum tipo de heresia que já foi
pensada há muitos séculos atrás. Então,
o docetismo nega a natureza humana de
Jesus. O arianismo nega a natureza
divina de Jesus. O nestorismo é aquilo
que afirma essa alternância entre as
naturezas de Jesus, quando o
entendimento dos primeiros pais da
igreja desses primeiros séculos se se
consolidou
em torno da plena integração e do
reconhecimento das duas naturezas de
Jesus. Ele é 100% humano, ele é 100%
divino e ele é as duas coisas ao mesmo
tempo e em todos os eventos. Ele foi
exilado, Atanásio, em cinco momentos
distintos por imperadores favoráveis ao
arianismo, totalizando 17 anos fora de
Alexandria. Novamente, o arianismo
entendia que Jesus ele era humano, mas
ele não era divino. Então, esses
imperadores não reconheciam esse aspecto
como verdadeiro, muito menos fundamental
do ensino bíblico. Ele escreveu a
encarnação do verbo obra fundamental
sobre a cristologia aparentemente aos 20
anos de idade. Uma coisa impressionante.
Sua perseverança garantiu a vitória do
credo de seno e moldou a cristologia
ortodoxa. Apesar de ele ter participado
do concílio de Niceia, ele participou
como secretário e auxiliar de um bispo,
mas foi o trabalho posterior em
se manter eh
se manter o pensamento cristão fiel às
conclusões do credo de Nicea, que foi o
que permitiu que o credo de Niceia, de
fato, prevalecesse como a postura da
maior parte da igreja eh após as
definições de 325,
a as suas principais obras sobre a
encarnação do Verbo, Vida de Antônio e
Cartas Pascais. Eu tive a oportunidade
de ler um pedaço de uma das obras de
Atanás durante meu curso de teologia e é
impressionante a profundidade, a
habilidade eh de escrita e a
profundidade do pensamento de Atanás.
Vale a pena mais uma vez lê os pais da
igreja. Se você não leu nenhum deles, um
desses dois que estão aqui na tela não
vão desperdiçar o seu tempo. Seja
Tanáziio, seja Agostinho de Pona, que
certamente é o nome mais lembrado e não
sem motivos desse período patrístico,
que foi de 354 até 430, quase o final do
período patrístico, que é normalmente
reconhecido com o concílio de Calcedônia
em 451.
Agostinho é considerado a mente mais
brilhante e influente da história
cristã. Frase de Jerônimo. Ele foi bispo
de Pona por 35 anos. Combateu três
grandes heresias, o maniqueísmo,
donatismo e o pelagianismo. A gente vai
voltar nisso já já. Ele desenvolveu a
doutrina da graça soberana do pecado
original e da predestinação.
Sua obra A cidade de Deus foi resposta
teológica à queda e fundamento da
teologia política cristã. Agostinho tem
um um impacto tão grande que até as
obras principais dos outros pais da
igreja certamente você nunca ouviu falar
ou poucos de vocês ouviram falar, mas de
Agostinho você já ouviu falar.
confissões, a cidade de Deus sobre a
trindade, sobre a graça e o livre
arbítrio.
Ah, dando um foco especial em Agostinho,
porque certamente é o nome que deu a
maior contribuição do período patrístico
ou um dos nomes mais importantes pra
gente entender a história da igreja no
ocidente. A gente percebe que essas
contribuições citadas no slide anterior
estavam ligadas a controvérsias próprias
do seu tempo. A própria história de
Agostinho é muito interessante e
particular. Ele se converte a partir da
pregação de Ambrósio de Milão, eh, e se
dá de maneira mais específica em um
momento dramático, uma experiência em
que ele está em um jardim e ele ouve
algumas crianças cantando pegue e leia.
E ele tem um exemplar de romanos em suas
mãos. Ele abre aleatoriamente e ele lê
Romanos 13, 13 e 14. E naquele momento
ele afirma nos seus próprios escritos:
"Uma luz de convicção invadiu meu
coração e dissipou toda sombra de
dúvida. A história da conversão de
Agostinho é mais longa do que isso. Tem
mais personagens e detalhes, mas se dá
de uma forma bastante emblemática. E
olhando então para as contribuições de
Agostinho para o pensamento cristão, a
gente percebe que elas se dão
principalmente em torno do entendimento
da natureza da igreja e dos sacramentos,
ou seja, eclesiologia.
Isso se dá em torno da controvérsia do
natista. A doutrina da graça, a
controvérsia pelagista. Eh, a sua
resposta por meio da graça é justamente
a resposta que ele dá para controvérsia
a com Pelágio em sua época e a doutrina
da trindade, uma síntese trinitária
ocidental de uma questão que vinha sendo
já discutida há mais de 300 anos, no
momento em que ele estabelece aquilo que
veio a ser eh esse entendimento
amplamente aceito pela igreja ocidental.
Então,
Agostinho é para a história do
pensamento
teológico ocidental, o que Albert
Einstein é para a física moderna.
Einstein, no ano de 1905 teve o seu ano
milagroso. Ele publicou três artigos que
foram todos eles fundacionais para
aquilo que se tornou a física moderna a
partir do início do século XX. Cada um
desses artigos poderiam ter sido
premiados com prêmio Nobel. Um deles foi
que foi o artigo do efeito fotoelétrico,
mas todos os outros tinham o peso,
inclusive a o a sua teoria da
relatividade especial e geral, não foram
consagradas com o prêmio Nobel e
certamente foi a maior contribuição de
de Einstein. Mais ou menos a mesma coisa
pode ser afirmada sobre Agostinho. Cada
uma dessas contribuições que a gente tá
dizendo aqui, afirmando nesse slide,
teve e por último, não citei o livro A
cidade de Deus, que foi uma resposta
para acusações que os cristãos recebiam
na época sobre o declínio do império
romano, a queda de Roma. Parará, parará.
E para refutar essas eh alegações, ele
acaba contando os principais argumentos
do pensamento cristão de sua época e
estabelecendo uma espécie de primeira
teologia sistemática cristã. A cada uma
dessas contribuições de Agostinho
poderia ter definido a história de um
homem na história do pensamento cristão.
Justificaria colocar
o nome de uma pessoa dentre esse grupo
muito seleto que definiu os caminhos do
pensamento cristão nos seus primeiros
séculos. E Agostinho teve quatro, cinco
posicionamentos que definiram os
caminhos da igreja. Então, certamente é
um nome que entrou para a história pelo
seu brilhantismo, não é simplesmente
pela sua inteligência, mas pelo impacto
que o seu pensamento teve no
desenvolvimento da igreja. alguns dos
progressos cruciais que aconteceram na
patrística,
que a gente não vai detalhar aqui, mas
que é importante você saber, a ampliação
do canon do Novo Testamento, essa esse
consenso que foi sendo estabelecido de o
que é o ensino dos apóstolos, o papel da
tradição, a relação da teologia cristã
com a cultura secular, a definição dos
credos ecumênicos, em especial credo
apostólico e o credo de seno, as duas
naturezas de Cristo, a doutrina da
trindade, a doutrina da igreja e a
doutrina da graça. Qual é o legado do
período patrístico? Essa base
doutrinária universal, muito do nosso
entendimento hoje, pelo menos na maior
parte das tradições cristãs, do que é a
doutrina fundamental do cristianismo,
vem do período patrístico. A teologia
como uma disciplina. Agostinho foi o
pioneiro na sistematização teológica,
transformando a defesa da fé em
investigação acadêmica rigorosa que,
perdão, que moldaria toda a teologia
ocidental e os credos e os credos e
dogmas consolidados nesse período,
especialmente sobre Cristo e a trindade
permanecem como referência viva para
toda a cristandade até hoje. Então isso
eh pode ser dito como sendo os
principais pontos que os pais da igreja
nos eh deixaram como herança, o legado
que eles nos entregaram e que precisa
ser, a minha percepção, muito melhor
estudados hoje em dia. Tem muitos
pensamentos equivocados que nós temos
que foram levantados nos primeiros 100,
200 anos da história e foram respondidos
com muito brilhantismo, com muita
habilidade. E mais do que isso, olhar
para a história e perceber quais foram
as consequências dos pensamentos
alternativos nos mostram por que alguns
dos ensinos doutrinários mais
fundamentais da igreja hoje se
consolidaram da forma que se
consolidaram, porque pensar de uma forma
diferente gerou consequências muito
nefastas em muitos casos paraa história
da igreja. como a gente pode ver, a
grande influência que que o gnosticismo
teve em muitas partes onde o
cristianismo também se expandia. Então,
é fundamental a gente olhar paraa
história do pensamento cristão, entender
como a gente chegou até aqui, por que
pensamos da forma que pensamos e evitar
cometer esses erros novamente e ser eh
responsáveis com a história que o
Espírito Santo está construindo ao longo
do tempo. Isso eu acho que é um dos
motivos que mais mexem, me tiram a do
lugar em estudar esses teólogos muito
antigos, que é perceber que o Espírito
Santo está construindo essa história há
muito tempo. Desconsiderar o pensamento
deles é também desconsiderar o trabalho
do Espírito Santo sobre as gerações que
nos antecederam. Então, nossa apreciação
para aquilo que foi o trabalho dos pais
da igreja. Não sei se tivemos muitas
perguntas, na verdade eu acho que não
tivemos muitas, não tivemos qualquer
pergunta aqui no chat. Eh, nos nossos
minutos finais aí, se você quiser
colocar aqui, você vai ser bem-vindo,
sua pergunta vai ser bem-vinda. Vou
tentar responder.
E já apontando novamente para o fato de
que estamos terminando os preparativos
desse módulo na nossa plataforma de
ensino, a plataforma
ensino.ibibnil.com.br.
br que eu tô colocando aqui agora é onde
a gente tem a disponibilizado todo o
material dos cursos que a gente fez
desde o ano passado para cá. Você vai
encontrar lá tanto o curso básico de
teologia quanto o módulo de romanos. Mas
esse a gente ainda está fechando ementa,
referências bibliográficas.
Eh, e em breve a gente vai colocar lá
tanto o slide da aula anterior, quanto o
slide dessa aula, como os questionários
e a em desse curso, tá bom? Bom,
considerando que não tivemos perguntas
aqui, eh, eu vou encerrar nossa aula por
aqui e vou agradecer a atenção de todo
mundo que ficou ligado aqui até o final
da nossa aula de hoje. Mais uma vez,
obrigado. Eh, assim, o o a gratidão de
hoje é redobrada pelo fato de que você
tá tirando tempo do seu feriado para
estar junto com a gente estudando os
pais da igreja. Forte abraço para todos
vocês. Esperamos vocês na celebração de
domingo, nas outras programações da IBNU
e na próxima aula do Macários,
terça-feira que vem, para nós falarmos a
respeito do período da Idade Média.
Forte abraço, bom restante de feriado,
fim de semana e até nosso próximo
encontro. Ciao. Ciao.

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