Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 02 | Pais da Igreja | Ákilla Nascimento
05/06/2026
Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 02 | Pais da Igreja | Ákilla Nascimento
Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"
Aula 02: Pais da Igreja
Ákilla Nascimento
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[música] เ >> [música] [música] >> เ Muito boa noite para todo mundo que já chegou aqui paraa nossa aula de hoje, aula número dois do novo módulo do curso de teologia Macários. Bem-vindo, bem-vindo a você que já tá por aqui em pleno feriado. Hoje, quinta-feira, 4 de junho de 2026, estamos celebrando o Corpus Crist, ou pelo menos estamos parando por conta do feriado de Corpus Cris. E por isso que a presença de hoje vale duas. Eh, você que tá aqui conectado com a gente plena quinta-feira à noite de feriado, é porque você foi separado por Deus desde toda a eternidade para táar aqui hoje. Eu agradeço a sua atenção. Ah, bom, hoje, inclusive, uma curiosidade, a gente está iniciando esse módulo, a segunda aula apenas desse módulo, que é uma só fé muitas tradições. como a gente explicou no primeiro encontro, a proposta é falar sobre as várias tradições teológicas e os vários sistemas teológicos que foram desenvolvidos pela igreja ao longo desses 2000 anos de história. Como você pode imaginar, talvez você não tenha parado para pensar muito nisso, o cristianismo não começou ontem. As respostas que a gente dá para as perguntas relacionadas à interpretação da Bíblia e à formulação da doutrina também não começaram no ano passado. Isso tem uma longa história e várias pessoas, grupos e épocas diferentes deram respostas diferentes para essas várias questões. Claro que a gente encontra, não é tão óbvio, mas graças a Deus que a gente encontra um grande consenso sobre o que é fundamental a respeito do ensino dos apóstolos entre as várias tradições. Ainda assim, conhecer e compreender as principais características dessas tradições é fundamental pra gente poder se situar de maneira mais madura e preparada dentro do que é a realidade da igreja cristã hoje em dia. O que é que significa você que é reformado conversar com alguém que de fato acredita que o armenianismo é a melhor alternativa? ou você que é protestante conversar com alguém que faz parte da igreja ortodoxa, que diferenças existem? Por que essas tradições elas se diferenciaram ao longo da história? Afinal, todos víamos de Jesus e do ensino dos mesmos 12 apóstolos e, por isso compreender porque que essas coisas foram se desenvolvendo de maneira tão diversificada ao longo da história, aconteceram e quais são as ideias, as características de cada um desses grupos, tá bom? Ah, boa noite para quem já deu o seu olá aqui no site. A Sandra, Elisa, Isabel, Manuel, Tita, Terezinha, a Erenice também. Boa noite para todos vocês, pessoal que tá assistindo aqui em São Paulo, na Bahia, em outros lugares também. Bom, ah, hoje a gente vai falar sobre o primeiro dos quatro períodos históricos que nós vamos tratar. Falamos na primeira aula que nós teremos quatro aulas, a aula 2, 3, 4 e 5, sobre os principais períodos históricos da igreja. O primeiro é esse país da igreja, depois a gente vai falar sobre idade média, depois a gente vai falar sobre a o renascimento, idade média e renascimento. Depois a gente vai falar sobre reforma protestante, período pós-reforma. E por último, a gente vai falar sobre modernidade até os dias atuais. Na aula de número cinco, a gente vai dar esse panorama histórico para depois passar a nossa conversa para os sistemas teológicos. Por que que estudar essa perspectiva histórica é importante? pra gente perceber que essas coisas também não aconteceram do dia para paraa noite e não aconteceram dissociados de um contexto. Existiam questões que estavam sendo discutidas em lugares particulares por circunstâncias bem definidas. Então, entender, ainda que de forma muito muito introdutória, de forma bastante eh genérica aquilo que são os dados principais desses períodos, é importante pros propósitos do nosso módulo. Mas atenção, a gente não está propondo aqui um módulo que é para a teologia histórica ou para olhar paraa história da doutrina cristã ou até mesmo para a história da igreja. São apenas 4 anos que cobrem 2000, quatro aulas que cobrem 2000 anos. Então, é óbvio que a gente vai fazer algo muito sintético e abreviado. O primeiro período que a gente vai tratar, então, é o período relacionado aos pais da igreja. Que intervalo é esse que a gente está se referindo? É o intervalo que vai do ano 100 até o ano 451. Por que esse período? Porque é amplamente aceito que o ano 100 é o período em que o Novo Testamento já teve o seu último livro composto. Ainda que a definição do que é Novo Testamento tem acontecido de forma mais consensual entre as várias comunidades cristãs em um período posterior, o que a gente percebe que na história da escrita dos Evangelhos, cartas gerais, cartas paulinas, o último livro que foi escrito foi o apocalipse de João, que aconteceu em meados dos anos 90 do primeiro século. Então, certamente, por volta do ano 100, os escritos do Novo Testamento já haviam sido concluídos e vai até o ano 451, que é a o período em que a gente tem um a que a gente tem um concílio acontecendo. o concílio que vai acontecer em 451, me perdoe que eu vou trazer a informação mais precisa, fugiu. Agora aqui a gente vai o concílio de calcedônia, que acontece em 451, e define o fim do período dos pais da igreja. Então a gente tem aí aproximadamente 351 anos que perfazem esse período da história. Por [roncando] que que se chama paz da igreja? Porque é nesse período que a gente tem os primeiros grandes nomes que colocaram referências fundamentais para aquilo que se tornou a ortodoxia cristã. Então, esses que são chamados pais da igreja foram os primeiros teólogos que deram respostas, sejam as indagações externas à comunidade cristã, sejam as divergências internas que surgiram pelo crescimento que o cristianismo experimentou nesses primeiros eh quatro séculos de história, aproximadamente. Tá bom? Então, vamos seguir aqui com a nossa apresentação e a gente vai ver o seguinte. Por que é importante a gente estudar esse passado e esse processo teológico? Uma frase interessante do Cbart, o grande teólogo do século XX, teólogo alemão, eh, falou o seguinte: Agostinho, Tomás, Jaquino, Lutero, Schleemarcher e todos os demais grandes teólogos não estão mortos, mas vivem. Eles ainda falam e exigem seus ouvidos como vozes vivas. A continuação dessa frase de Bart que não está aqui nesse slide é: "Eles continuam sendo tão vivos quanto nós somos". Ou seja, você não é o único sujeito inteligente na sala. Você não é a única pessoa capaz de abrir as escrituras e pensar sobre a grandeza, a profundidade, o significado dessas coisas. Homens e mulheres muito sábios e dedicados fizeram isso ao longo dos anos. E por isso, desconsiderar o trabalho de todos aqueles que nos antecederam seria um ato de muita imprudência e certa arrogância intelectual. A gente precisa considerar que aqueles que nos antecederam eram tão inteligentes e certamente em mais de 99,999% dos casos mais inteligentes do que nós que estamos pensando essas coisas hoje. Então nós precisamos valorizar essa tradição daqueles que pensaram a fé antes de nós para não corrermos o risco de cometermos pecados e erros que já foram tratados no passado. Quais são os objetivos desta obra aqui, na verdade é desta aula de hoje? Olhar a localização geográfica dos centros do pensamento cristão nesse período da patrística, questões teológicas em debate em cada era e os principais teológicos e suas contribuições específicas. é quase impossível fazer teologia como se ela nunca tivesse sido feita antes. A tradição exige que levemos a sério a herança do passado. Eu tive um professor que deu aula justamente eh sobre a história da formação do pensamento cristão e outras matérias. Ele disse o seguinte: "Olha, se você tá lendo a Bíblia e você teve uma ideia que nunca foi pensada antes, praticamente 100% de certeza que você está pensando em uma heresia. e provavelmente uma heresia que não é nova. Então não imagine que aquilo que você pode hoje inferir, deduzir a partir das escrituras é algo que nunca foi pensado por ninguém antes de você. os quatro períodos formativos que a gente mencionou, período patrístico, de 100 a 451, depois Idade Média e Renascimento, que vai do começo do século X até o ano de 1500, o período da reforma e pós-reforma, cerca de, porque a gente tem 1517 como a data emblemática da reforma protestante, mas existem movimentos pré-reforma e outros movimentos concomitantes acontecendo aquilo que se estabelece na Alemanha. Então, cerca de 1500 até 1750, olhando também para o período da pós-reforma e o período moderno que vai de 1750 até os dias atuais. Ah, o período patrístico, a olhando paraas suas origens e a sua expansão. Na primeira aula, Saon falou um pouco disso e eu trouxe esse mapa apenas para dar uma noção visual do que foi a expansão do cristianismo nesses 450 anos iniciais. O cristianismo nasce naquilo que hoje muitos chamam de Palestina, ainda que tem uma discussão sobre a legitimidade histórica desse termo, mas a aquilo que é a região da Judeia e no seu entorno se espalha rapidamente paraa região do Mediterrâneo Oriental. Então, essa parte branca no centro do mapa aqui é o mar Mediterrâneo. Aqui está a região oriental do Mediterrâno. Um pouco mais para baixo a gente vai ter a região de onde estava Judeia, Galileia, as províncias por onde Jesus andou e onde começa o cristianismo. E esse é cristianismo começa a se expandir a partir do trabalho dos missionários evangelísticos evangelísticos, tendo o seu símbolo principal, o seu marco inicial, o trabalho de Paulo com suas viagens missionárias a partir de Antioquia. Então você tem essa região aqui do a oriente do Mediterrâneo sendo evangelizada primeira primeiro e depois a expansão disso para outros lugares. O que é que a gente percebe nesse mapa? até o ano 325, essa parte onde tá o azul escuro foram as regiões onde se observou a expansão do cristianismo. Então você vê um grande crescimento já nesses 350 anos iniciais. Só que no ano 311 em especial e depois com a conversão eh de Constantino, alguns anos depois, a gente vai falar um pouco sobre esses eventos já já, a gente tem uma expansão ainda mais acelerada do cristianismo dentro do império. em 311 deixa de ser uma religião proibida e depois da conversão de Constantino, que parece ter sido por volta de 300 e 12 ou algo assim, eh ele tem uma postura muito favorável ao cristianismo, com legislações e posições oficiais do Império Romano e o cristianismo passa a ser eh espalhar de forma ainda mais acelerada. Então, em azul claro, a gente já olha o contorno daquilo que são as áreas fortemente cristianizadas no ano 600 depois de Cristo. Então, é uma área geográfica bastante considerável para esses seis primeiros séculos de cristianismo, né? Durante o período dos pais da igreja. Então, voltando aqui pro intervalo entre 100 e 451, a gente tem três grandes centros teológicos. Outros centros teológicos se desenvolveram nesse período, mas não chegaram a ter uma relevância tão a significativa quanto esses três centros que a gente coloca aqui para vocês, que é a Alexandria, Antioquia e o Norte da África, a a atual região da Argélia e também a cidade de Cartago. É, já naquela época, Argélia é uma denominação é geográfica contemporânea, assim como Turquia e Egito, mas Cartago era uma cidade antiga. Só para esclarecer, para não ficar parecendo que Cartago e Argélias foram eh delimitações geográficas contemporâneas. Em Alexandria, a gente tem esse centro de ensino muito muito relevante na antiguidade. Foi o principal centro de educação teológica cristã nos primeiros séculos. Mas tem esse ponto que precisa ser muito bem compreendido, que foi um centro associado à tradição platônica. Por que que isso é importante? Porque os escritos que foram eh preservados dessa escola mostram pra gente que o estilo alexandrino de se fazer teologia era um estilo muito influenciado pela filosofia helênica, pela filosofia platônica ou pensamento helênico, perdão. Eh, e eles debatem duas questões ou duas de suas contribuições foram preservadas como as principais contribuições pra história de da teologia, que são a discussão sobre cristologia e a interpretação bíblica com uma abordagem alegórica e filosófica. A gente vai falar um pouco mais a respeito disso quando a gente falar dos teólogos, propriamente dos pais da igreja que se destacam desse período e origens. está associado tanto à abordagem alegórica quanto à escola de Alexandria. A, o segundo centro que a gente pode olhar nas páginas de Atos dos Apóstolos é Antioquia e Capadócia. A forte presença cristã nessa região desde o período do apóstolo Paulo. A igreja que envia inicialmente Paulo e Barnabé para sua primeira viagem missionária é justamente Antioquia. E o estilo antioqueno caracterizou uma abordagem distinta à cristologia. Perto da região da Antioquia estava a região da Capadócia, que ficou conhecida pelos pais capadócios que contribuíram decisivamente para a doutrina da trindade no século isso foi mencionado rapidamente na aula passada e vai ficar mais evidente na aula de hoje. O período dos pais da igreja foi um período muito intenso. é certamente um dos períodos mais empolgantes e dos períodos mais criativos da história da teologia cristã. Não é difícil perceber porquê, tanto pela necessidade quanto pelo terreno inexplorado que esses pensadores encontraram. Você tem o ensino dos apóstolos, mas você tem uma série de questionamento que é preciso eh formular e é preciso elaborar em termos de resposta. para conseguir compreender de que maneira aqueles escritos de fato estavam tratando essas questões. Por exemplo, Jesus é completamente Deus ou ele é exclusivamente humano? Será que ele eh não é humano e sim exclusivamente Deus? Apesar de ter uma aparência de ser humano, essa não é uma questão que a os Evangelhos ou que Apocalipse levanta nesses termos. Certamente essa é uma questão tratada pelo Novo Testamento, respondida pelo Novo Testamento, mas não nos termos que eu acabei de colocar e não são respondidos também da forma como a gente costuma responder quando a gente dá uma resposta para essa pergunta. Qual é a natureza de Jesus nas categorias da teologia sistemática contemporânea? Então, muitos dos questionamentos válidos que aquelas pessoas tinham a partir dos pagãos, a partir da filosofia grega, vários questionamentos que surgiram de outras formas de enxergar a realidade que foram feitas para o texto bíblico, foram respondidas por esses primeiros teólogos, por esses pais da igreja. Uma outra questão é esses homens e e essas comunidades, na verdade, lidaram com um contexto de muita perseguição e de muita hostilidade pagã. Por isso, muitas das respostas que foram pela primeira vez formuladas de maneira rigorosa foram pela força da necessidade. Ou eles faziam isso, ou os movimentos contrários, alternativos, as visões que eram distintas daquilo que parecia ser a tradição ensinada pelos apóstolos, não iria prevalecer. Então eles tinham uma necessidade de pela primeira vez formular algumas respostas para perguntas que provavelmente não foram levantadas nos primeiros anos do cristianismo, mas foram levantadas à medida que esse cristianismo foi se espalhando pelo Império Romano. E o terceiro centro foi o norte da África, a atual Argélia, e também em especial nessa região, a cidade de Cartago. é o lar de alguns dos nomes mais conhecidos desse período. É o lar de Tertuliano Cipriano e Agostinho de Pona, que a gente vai falar em um pouco mais de detalhes aqui no final da nossa aula. Cartago era colônia romana e tornou-se berço da teologia latina ocidental com ênfase na suficiência das escrituras, em especial associado a esse papel de tertuliano. Então você tinha o principal centro da teologia oriental ligado à Alexandria no Egito, aquilo que na verdade é um tipo de pensamento e teologia que predominou na igreja ao Oriente ou na igreja do Oriente. E você tem uma outra forma de pensamento que prevaleceu e predominou na igreja do Ocidente a partir daquilo que foi o pensamento eh do norte da África, em especial daquilo que Tertuliano afirmou nos seus trabalhos e que depois foi aprofundado por outros teólogos, em especial por Agostinho Dipona, que teve uma enorme influência naquilo que veio a se tornar as principais características do pensamento teológico da igreja do Ocidente. Tá bom? Passando aqui, a gente tem então que pontuar alguns desafios no estudo da patrística, porque algumas pessoas quando começam a ler sobre a patrística, sobre esse período histórico, sobre os principais nomes ou diretamente os escritos dos pais da igreja, encontra certa resistência e dificuldade quando compara esse estudo com outros temas da teologia, com outros períodos, como por exemplo as ideias que foram debatidas durante a reforma protestante. Por que que parece ser muito mais fácil se relacionar, estudar e se aprofundar nos escritos de Lutero, de Calvino, que aconteceu, que estava acontecendo na Alemanha, na Suíça e em outros, outras regiões diretamente afetadas pela reforma protestante e que não parece ressoar tão facilmente ou profundamente com a as discussões que acontecia no período patrístico. Primeiro, a relevância aparente. Muitos debates do período patrístico parecem irrelevantes ao mundo moderno, ao contrário dos temas da reforma que ainda ressoa na igreja atual. Segundo, a complexidade filosófica. Os debates envolvem médio platonismo e neoplatonismo, que são filosofias que exigem familiaridade prévia para compreensão adequada e que são bastante diferentes do platonismo na sua forma original. Então, é um contexto muito bem determinado e específico. O platonismo, ainda que você tenha ouvido falar da República de Platão, que você tem ouvido falar do mundo das ideias, do mito da caverna, essas ideias originais, sofreu uma série de mutações, passou por discussões, aprofundamentos e diferenciações nos diferentes centros de pensamento que foram afetados por essas ideias. Então, quando você tem um debate dos pais da igreja, é muito possível que ele esteja eh se relacionando, direcionando o seu pensamento para questões que são próprias desse contexto, ideias que não são simplesmente de Platão, mas são sobre o neoplatonismo. Se eu não me engano, filo de Alexandria foi um desses nomes que associou a filosofia neoplatônica com a interpretação das escrituras. Eh, e isso diferencia muito o contexto daquele sujeito que tava escrevendo, daquele pé da igreja, daquilo que é o contexto da igreja hoje. Então, é compreensível que não seja tão natural pra gente. Diversidade doutrinária. Essa é uma era de transições. O credo no seno e o e os dogmas, como as duas naturezas de Cristo, emergiram gradativamente, sem uma estabilidade imediata. Fato de que muitas dessas doutrinas hoje são pacificamente ensinadas e aceitas em boa parte das tradições cristãs contemporâneas não reflete necessariamente o caminho tortuoso, turbulento, que elas precisaram passar até que eh alcançassem esse nível de doutrina fundamental da igreja cristã, aceita pela maioria das autoridades e das tradições teológicas de seu tempo. Isso foi uma construção bastante custosa. E a gente tem o cisma do Oriente Ocidente, essa divisão linguística e teó teológica entre igrejas gregas que tinham uma característica de pensamento mais especulativa e filosófica. e as igrejas latinas, que são as igrejas do ocidente, que tem essa eh esse rigor a respeito das fontes de autoridade para a teologia a partir das escrituras e das práticas que a Igreja do Ocidente já vinha construindo ao longo do tempo. Como bem ilustra Tertuliano, que é um expoente da igreja do ocidente, não do oriente. Pergunta clássica que o que ficou marcado na história clássica da teologia é: qual a relação entre Atenas e Jerusalém, dando a entender que não se deve recorrer ao pensamento de Platão, Sócrates e Afins para tentar compreender as coisas sagradas, as coisas ligadas à revelação de Deus. Bom, a gente tem uma série de questões que são discutidas nesse período, mas existe um grupo de questões com um relevância muito particular, que são as relações ou a relação entre cristianismo e judaísmo e o contorno que essa relação deve conter dentro das igrejas cristãs. Uma das tarefas fundamentais do período patrístico foi justamente delimitar a relação entre o cristianismo e o judaísmo. As cartas de Paulo já evidenciavam a urgência dessas questões no primeiro século. Por exemplo, circuncisão dos gentios, interpretação do Antigo Testamento e a unidade dos dois testamentos. Os cristãos não judeus eram obrigados a seguir as práticas da lei mosaica. É isso que a gente vê na discussão de Paulo na carta aos Gálatas. É isso que a gente vê no livro de Atos, no Concílio de Jerusalém, que Paulo vai juntamente com Barnabé. É isso que a gente vê na carta aos Romanos. Enfim, todas essas questões ligadas à eh influência que a Torá, a lei, ainda exercia sobre a comunidade cristã. De que forma devemos entender essa influência e nos submeter a essas regulamentações dentro de um mundo gentílico? Essa que é a crise. A crise não é dentro do mundo judaico. Eh, constituía um grupo de questões, não apenas uma questão, um grupo de questões que levantou muitas discussões e que ainda hoje levanta questionamentos relevantes. Imagine quando a igreja era em boa medida constituída por judeus juntamente com gentius, a partir de uma pregação muito recente de o Messias que veio para judeus e gentios, mas que era ele mesmo judeu. Dá para entender porque que esse contexto eh se tornou eh tão difícil e polêmico nos seus primeiros anos para que fosse compreendido por parte da maioria daqueles cristãos. A interpretação do Antigo Testamento. Como as escrituras hebraicas deviam ser lidas à luz de Cristo. Alexandrinos preferiam a alegoria. Antioquenos o sentido mais literal e histórico, como a gente colocou na influência que esses dois centros têm paraa igreja ocidental e igreja oriental. E a unidade dos testamentos. Pertuliano defendeu a unidade do Antigo Testamento e Novo Testamento contra Macião. Qual era a heresia pregada por Macião? Masão alegava que ambos, o Antigo Testamento e o Novo Testamento, se referiam a deuses distintos, lançando assim as bases, a lançando assim as bases da doutrina trinitária, se referindo à defesa que Tertuliano faz contra Macião. Mas para Macião o Deus do Antigo Testamento não era o Deus do Novo Testamento. mesmo no Novo Testamento, os livros que contivessem muito conteúdo judaico ou uma perspectiva muito judaica da realidade, deveriam ser banidos do Novo Testamento. Era essa a proposta de Marcião, Constantino e a virada do século 4. Aqui [limpando a garganta] vale a pena prestar um pouco mais de atenção, porque existe uma confusão muito comum sobre o papel dos imperadores romanos na aceitação do cristianismo como uma religião permitida. O cristianismo não passou a ser uma religião permitida sob o governo de Constantino. Na verdade é sobre o imperador Galério em 311, que o cristianismo passa a ser uma religião permitida no império romano. Não porque Galério tivesse grande favorecimento ou simpatia pelos cristãos, mas porque ele percebia que a perseguição oficial contra os cristãos não estava resultando na adoção desses cidadãos romanos ou desses escravos a religião do panteísmo, do paganismo romano, que era o objetivo da perseguição. Pelo contrário, isso estava levando a uma postura ainda mais firme e ainda mais irrestrita desses cristãos na prática de adoração ao seu Senhor, ao seu Deus, ao seu Messias. Então ele viu que seria muito provavelmente mais estratégico permitir que esses cristãos tivessem legitimidade de culto, ainda que isso estivesse muito distante de assumir o cristianismo como a religião do império romano. A partir desse momento, 311, o cristianismo passa a ser uma religião dentre várias religiões que eram praticadas dentro do império romano. Agora, esse também é um período bastante turbulento em termos políticos. Não existia só o imperador, o império romano, mas existiam vários imperadores em partes diferentes do eh Império Romano que disputavam território e poder. E aí é onde entra o papel importante de Constantino, porque Constantino ele era imperidor imperador de uma região, ele recupera eh partes importantes do território para o Império Romano, para a parte do Império Romano que ele ah dominava e que havia sido perdido para outros impérios na batalha da ponte de Milvia em 312. E é dito que ele tem uma visão da cruz, se eu não me engano, no estandarte. E a partir dessa visão é que ele se converte ao cristianismo em algum momento por volta de 312 depois de Cristo. E isso sim, independente da legitimidade dessa conversão ou exatamente quando aconteceu essa conversão, a consequência histórica é que a relação entre a Igreja cristã e o Estado, o Império Romano oficialmente mudou completamente a partir dessa alegada conversão de Constantino. Em 321, Constantino decretou o domingo como feriado. O debate teológico saiu da clandestinidade e tornou-se questão de interesse público e político. O desejo imperial era o desejo imperial desse imperador. Vale salientar, o desejo de Constantino era de uma igreja unida, o que tornava as as divergências doutrinárias urgentes. a ideia de eh reconciliar esses diferentes grupos doutrinários em uma única igreja era uma prioridade para Constantino. Por isso que inclusive ele é responsável por convocar o concílio de Niceia, que teve um papel muito importante na discussão sobre a trindade. Então o que a gente percebe é que até esse momento, do começo do século teologia, e a gente tá pensando sobre a história do pensamento cristão nessas aulas, a teologia era uma atividade feita na clandestinidade e por isso a teologia ela se ocupava muito das necessidades, não não tanto da especulação e não tanto daquilo que era simplesmente relevante do ponto de vista das escrituras, era mais uma demanda que era eh imposta de fora para dentro. Aquilo que eram os questionamentos, as heresias que surgiam eh de vários questionadores ou detratores do cristianismo, é que foram determinando muito daquilo que se tornou o assunto eh proposto pelos pais da igreja nesse começo da história cristã. depois de 311, em especial depois de 321, a coisa muda bastante e você tem essa liberdade de discussão, liberdade de culto religioso para os eh cristãos. E você também tem essa liberdade de discussão de assuntos teológicos e por isso aumenta o número de pensadores cristãos que são reconhecidos pela igreja e aumenta também os assuntos que são discutidos por ele. impacto na teologia, o período patrístico posterior, esse segundo momento em que a igreja agora ela é reconhecida como legítima por parte do império romano, entre 310 e 451, tornou-se o ápice criativo da teologia cristã. E aqui a referência, eu estou usando como fonte o livro de Alister Mcgrahth, teologia sistemática da editora Vida Nova. O que o autor está afirmando é que esse período de 310 a 451 não é o ápice da patrística, mas é o ápice da história do pensamento teológico. Esse período se torna então o mais importante na história da teologia cristã. Os teólogos trabalhavam sem ameaça de perseguição, consolidando credos ecumênicos e consensos doutrinários que definiram a fé por séculos. E isso é muito claro como disputas teológicas desse período que resultaram no credo dos apóstolos, no credo nisseno nisseno, no credo de Calcedônia, foi o que determinou aquilo que era o pensamento cristão. ainda que tivesse o cisma da igreja ocidental, oriental, muito depois desse período, muito depois de 451, o que a gente percebe é o que esses pais da igreja fizeram, o que esses pensadores nos concílios fizeram, tiveram um impacto enorme durante 1000 anos de história cristã e permanece até hoje determinando muito do que nós reconhecemos como as doutrinas fundamentais do cristianismo. Então, não é exagero pensar que muito do trabalho que aconteceu nesse intervalo de 310 até 451 está entre as contribuições mais importantes da história da teologia. Só uma explicação, quando a gente fala de credo ecumênico, a gente não está falando de um credo entre várias religiões. a gente tá falando de um credo eh que é estabelecido entre várias tradições, vários grupos que tinham entendimentos diferentes sobre a trindade, sobre a natureza de Jesus, que eram as questões mais importantes nesses primeiros séculos da história cristã, conseguiram chegar a um consenso a respeito do que eles acreditavam e eles entendiam que as escrituras ensinavam a respeito desses assuntos. E aqui a gente chega então aos nomes mais importantes. A gente vai destacar seis dos nomes mais importantes eh desse período da patrística. O primeiro é Justino Marte. A gente tá colocando em ordem cronológica. Então Justino vive entre cerca do ano 100. A gente não tem o RG de Justino para saber exatamente o ano de nascimento, mas aproximadamente do ano 100 até o ano 165. Ele é o maior dos apologistas do período patrístico. O que que isso quer dizer? O que nós chamamos de apologética, essa defesa argumentativa contra as justificativas externas à comunidade cristã. É algo que começa com Justino Marte. Ele nasce na Palestina e ele se converte ao cristianismo após estudar filosofia platônica. Sua doutrina do Logos espermáticos, sementes do Logos, afirmava que, olha que coisa interessante, Deus preparou a revelação em Cristo por meio de indícios na filosofia clássica. Sócrates e Platão teriam, de acordo com a proposta de Justino Marte, tido acesso parcial à verdade divina. Pelo uso da razão, pela investigação da verdade, pela eh pelo uso criterioso da racionalidade, eles conseguiram apalpar, ainda que de forma muito preliminar e insuficiente, mas eles se aproximaram daquilo que era verdade autêntica. Por isso, estudar a filosofia platônica e as propostas de Sócrates de alguma forma prepara o caminho para a verdade que é revelada de forma mais absoluta e clara eh na pessoa de Jesus. Ele morre Marte em Roma por recusar-se a sacrificar aos deuses romanos. As principais obras foram Primeira Apologia, Segunda Apologia, Diálogo com Trifão. Muitas das obras principais dos pais da igreja podem ser facilmente encontradas hoje, tá? Tem uma série que, se eu não me engano, é da editora, é uma editora católica, não é a Vozes, eu acho, não sei agora se a, acho que é a Paulinas, eh, que tem aquela série verdinha com a maioria dos trabalhos dos pais da igreja. E vale muito a pena ler alguns desses trabalhos dos pensadores cristãos iniciais. Irineu de Lyon, que vai de cerca de 130 até o anos 200. Ele é o bispo de Lyon, atual França, nascido provavelmente na Ásia Menor. Foi discípulo de Policarpo, que por sua vez foi discípulo do apóstolo João. Veja como Leon está próximo ao período apostólico. Veja eh como Irineu de Leon, perdão, está próximo ao período apostólico. Ah, ele tem uma ligação direta com a tradição apostólica. contra as heresias, a diversos a hereses. Ele refutou sistematicamente o gnosticismo que ameaçava a fé cristã com especulações dualistas e mitológicas, que já parece ser uma integração do pensamento platônico com a teologia cristã. Ele defendeu o canon dos quatro evangelhos e a autoridade da tradição apostólica como critério de ortodoxia. Veja como coisas que hoje parecem ser óbvias e fundamentais pra gente foram construções que alguns desses homens precisaram estabelecer com muito esforço, a um custo muito elevado. As obras principais de Justin de Irineu são contra as heresias, como a gente já citou, demonstração da pregação apostólica. Os outros dois são origens e tertuliano. E aqui também vale uma atenção especial, porque cada um é exemplo das influências que predominaram na igreja do Oriente, no caso de Origines, e do Ocidente, no caso de Tertuliano. Origines está entre 185 a 254. A data de nascimento é sempre aproximada. Ah, ele foi um dos maiores intelectuais do mundo antigo, nascido em Alexandrina, no Egito, e ele foi responsável pela escola Alexandrina. Ele desenvolveu o método de interpretação alegórica. Provavelmente Origines ficou conhecido na história, principalmente pela sua contribuição com esse método de interpretação alegórica das escrituras. Qual é o argumento principal? Cada texto possui o sentido literal, moral e espiritual alegórico. Ou seja, todo texto tem, no mínimo, três camadas de significado. O seu sentido literal, que é o mais superficial, o seu sentido moral, e o espiritual, que é um sentido alegórico, mais profundo. Então, cada um dos eventos históricos narrado, tanto narrados no Antigo e no Novo Testamento, não devem ser vistos apenas pelo seu contexto histórico imediato, mas como representações de verdades mais elevadas, de verdades espirituais que são ao mesmo tempo mais elevadas e mais profundas, no sentido de uma camada que está abaixo da superfície. Eh, algo paralelo e semelhante acontece na tradição judaica, porque a gente vê que Maimôides faz uma afirmação muito semelhante. E eu acredito, não tenho um conhecimento tão profundo disso, mas acredito que Maimôides faz essa afirmação dos vários níveis que os textos que o texto da Torá precisa ser interpretado, segundo uma tradição anterior a ele mesmo. Ah, ele defendeu a apocatástase, que é uma ideia de universalismo. Se a gente fosse classificar nos termos contemporâneos, é a ideia de uma restauração de todas as criaturas. Inclusive Satanás seria restaurado a seu estado original, todas as criaturas no momento final. As obras principais são sobre os princípios contracelso e o exapla. A exapla é um trabalho que faz a comparação de diferentes versões do Antigo Testamento. Seis versões do Antigo Testamento são colocadas em colunas paralelas para que o texto pudesse ser comparado. Origens, ele teve um papel muito importante, como a gente já afirmou, naquilo que veio a ser o pensamento predominante da igreja no Oriente. Tertuliano tem a sua função correspondente no ocidente. Ele cunhou o termo trindade e a fórmula uma substância três pessoas. Ele defendeu a unidade do Antigo e Novo Testamento contra Macião. Então aquela heresia que a gente postulou, que a gente apontou, que foi defendida por Macião, foi refutada principalmente pelo trabalho de Tertuliano, que por sua vez Macião rejeitava o Antigo Testamento. E é ele que faz essa famosa pergunta retórica: qual a relação entre Atenas e Jerusalém, opondo-se ao uso da filosofia pagã na teologia cristã. tertuliano, então tem um enorme eh uma enorme importância para aquilo que vai ser os caminhos aprofundados e característicos da teologia do Ocidente, em especial nessa questão da trindade, da natureza de Jesus e da suficiência das Escrituras. Essa doutrina que é tão importante para o pensamento protestante e evangélico contemporâneo, como foi em outras fases também, teve eh o início da sua formulação mais rigorosa a partir do pensamento de Tertuliano, justamente nessa rejeição dele de se apropriar de métodos e ferramentas do pensamento, de ideias do pensamento eh filosófico grego para o desenvolvimento da teologia cristã. A as suas principais obras são apologético, contra Macião sobre a trindade, sobre a prescrição dos herees. E os dois últimos que a gente vai destacar são Atanásio e Agostinho de Pona. Atanásio está eh nesse final do século II e boa parte do século 4, 296 a 373. Ele se tornou bispo de Alexandria, participou do concílio de Niceia em 325 e tornou-se o principal defensor da fórmula Romúcios ou da mesma substância. Ah, acredito que a pronúncia é homous, que aqui uma transliteração, tá sem acento, sem nato, mas acredito que a pronúncia é homo úus, que é da mesma substância a ideia de que Cristo ele é plenamente Deus. Qual era a questão inclusive discutida no credo de Niceia? É a qual é a natureza de Jesus? Como a gente colocou, ele é humano, ele é Deus, ele é 100% humano, ele é 100% Deus. Ele é aparente humano, mas na verdade ele é Deus. Ele é aparentemente Deus, mas na verdade ele é humano. Ele tem a natureza humana e divina dentro de si mesmo que ficam se alternando pela natureza divina. Ele faz os milagres, mas pela natureza humana ele sente fome. E qualquer uma das propostas que negue essa afirmação que prevalece a partir do credo de Niceia, que é Jesus, é 100% humano e 100% divino em naturezas integradas, gera algum tipo de heresia que já foi pensada há muitos séculos atrás. Então, o docetismo nega a natureza humana de Jesus. O arianismo nega a natureza divina de Jesus. O nestorismo é aquilo que afirma essa alternância entre as naturezas de Jesus, quando o entendimento dos primeiros pais da igreja desses primeiros séculos se se consolidou em torno da plena integração e do reconhecimento das duas naturezas de Jesus. Ele é 100% humano, ele é 100% divino e ele é as duas coisas ao mesmo tempo e em todos os eventos. Ele foi exilado, Atanásio, em cinco momentos distintos por imperadores favoráveis ao arianismo, totalizando 17 anos fora de Alexandria. Novamente, o arianismo entendia que Jesus ele era humano, mas ele não era divino. Então, esses imperadores não reconheciam esse aspecto como verdadeiro, muito menos fundamental do ensino bíblico. Ele escreveu a encarnação do verbo obra fundamental sobre a cristologia aparentemente aos 20 anos de idade. Uma coisa impressionante. Sua perseverança garantiu a vitória do credo de seno e moldou a cristologia ortodoxa. Apesar de ele ter participado do concílio de Niceia, ele participou como secretário e auxiliar de um bispo, mas foi o trabalho posterior em se manter eh se manter o pensamento cristão fiel às conclusões do credo de Nicea, que foi o que permitiu que o credo de Niceia, de fato, prevalecesse como a postura da maior parte da igreja eh após as definições de 325, a as suas principais obras sobre a encarnação do Verbo, Vida de Antônio e Cartas Pascais. Eu tive a oportunidade de ler um pedaço de uma das obras de Atanás durante meu curso de teologia e é impressionante a profundidade, a habilidade eh de escrita e a profundidade do pensamento de Atanás. Vale a pena mais uma vez lê os pais da igreja. Se você não leu nenhum deles, um desses dois que estão aqui na tela não vão desperdiçar o seu tempo. Seja Tanáziio, seja Agostinho de Pona, que certamente é o nome mais lembrado e não sem motivos desse período patrístico, que foi de 354 até 430, quase o final do período patrístico, que é normalmente reconhecido com o concílio de Calcedônia em 451. Agostinho é considerado a mente mais brilhante e influente da história cristã. Frase de Jerônimo. Ele foi bispo de Pona por 35 anos. Combateu três grandes heresias, o maniqueísmo, donatismo e o pelagianismo. A gente vai voltar nisso já já. Ele desenvolveu a doutrina da graça soberana do pecado original e da predestinação. Sua obra A cidade de Deus foi resposta teológica à queda e fundamento da teologia política cristã. Agostinho tem um um impacto tão grande que até as obras principais dos outros pais da igreja certamente você nunca ouviu falar ou poucos de vocês ouviram falar, mas de Agostinho você já ouviu falar. confissões, a cidade de Deus sobre a trindade, sobre a graça e o livre arbítrio. Ah, dando um foco especial em Agostinho, porque certamente é o nome que deu a maior contribuição do período patrístico ou um dos nomes mais importantes pra gente entender a história da igreja no ocidente. A gente percebe que essas contribuições citadas no slide anterior estavam ligadas a controvérsias próprias do seu tempo. A própria história de Agostinho é muito interessante e particular. Ele se converte a partir da pregação de Ambrósio de Milão, eh, e se dá de maneira mais específica em um momento dramático, uma experiência em que ele está em um jardim e ele ouve algumas crianças cantando pegue e leia. E ele tem um exemplar de romanos em suas mãos. Ele abre aleatoriamente e ele lê Romanos 13, 13 e 14. E naquele momento ele afirma nos seus próprios escritos: "Uma luz de convicção invadiu meu coração e dissipou toda sombra de dúvida. A história da conversão de Agostinho é mais longa do que isso. Tem mais personagens e detalhes, mas se dá de uma forma bastante emblemática. E olhando então para as contribuições de Agostinho para o pensamento cristão, a gente percebe que elas se dão principalmente em torno do entendimento da natureza da igreja e dos sacramentos, ou seja, eclesiologia. Isso se dá em torno da controvérsia do natista. A doutrina da graça, a controvérsia pelagista. Eh, a sua resposta por meio da graça é justamente a resposta que ele dá para controvérsia a com Pelágio em sua época e a doutrina da trindade, uma síntese trinitária ocidental de uma questão que vinha sendo já discutida há mais de 300 anos, no momento em que ele estabelece aquilo que veio a ser eh esse entendimento amplamente aceito pela igreja ocidental. Então, Agostinho é para a história do pensamento teológico ocidental, o que Albert Einstein é para a física moderna. Einstein, no ano de 1905 teve o seu ano milagroso. Ele publicou três artigos que foram todos eles fundacionais para aquilo que se tornou a física moderna a partir do início do século XX. Cada um desses artigos poderiam ter sido premiados com prêmio Nobel. Um deles foi que foi o artigo do efeito fotoelétrico, mas todos os outros tinham o peso, inclusive a o a sua teoria da relatividade especial e geral, não foram consagradas com o prêmio Nobel e certamente foi a maior contribuição de de Einstein. Mais ou menos a mesma coisa pode ser afirmada sobre Agostinho. Cada uma dessas contribuições que a gente tá dizendo aqui, afirmando nesse slide, teve e por último, não citei o livro A cidade de Deus, que foi uma resposta para acusações que os cristãos recebiam na época sobre o declínio do império romano, a queda de Roma. Parará, parará. E para refutar essas eh alegações, ele acaba contando os principais argumentos do pensamento cristão de sua época e estabelecendo uma espécie de primeira teologia sistemática cristã. A cada uma dessas contribuições de Agostinho poderia ter definido a história de um homem na história do pensamento cristão. Justificaria colocar o nome de uma pessoa dentre esse grupo muito seleto que definiu os caminhos do pensamento cristão nos seus primeiros séculos. E Agostinho teve quatro, cinco posicionamentos que definiram os caminhos da igreja. Então, certamente é um nome que entrou para a história pelo seu brilhantismo, não é simplesmente pela sua inteligência, mas pelo impacto que o seu pensamento teve no desenvolvimento da igreja. alguns dos progressos cruciais que aconteceram na patrística, que a gente não vai detalhar aqui, mas que é importante você saber, a ampliação do canon do Novo Testamento, essa esse consenso que foi sendo estabelecido de o que é o ensino dos apóstolos, o papel da tradição, a relação da teologia cristã com a cultura secular, a definição dos credos ecumênicos, em especial credo apostólico e o credo de seno, as duas naturezas de Cristo, a doutrina da trindade, a doutrina da igreja e a doutrina da graça. Qual é o legado do período patrístico? Essa base doutrinária universal, muito do nosso entendimento hoje, pelo menos na maior parte das tradições cristãs, do que é a doutrina fundamental do cristianismo, vem do período patrístico. A teologia como uma disciplina. Agostinho foi o pioneiro na sistematização teológica, transformando a defesa da fé em investigação acadêmica rigorosa que, perdão, que moldaria toda a teologia ocidental e os credos e os credos e dogmas consolidados nesse período, especialmente sobre Cristo e a trindade permanecem como referência viva para toda a cristandade até hoje. Então isso eh pode ser dito como sendo os principais pontos que os pais da igreja nos eh deixaram como herança, o legado que eles nos entregaram e que precisa ser, a minha percepção, muito melhor estudados hoje em dia. Tem muitos pensamentos equivocados que nós temos que foram levantados nos primeiros 100, 200 anos da história e foram respondidos com muito brilhantismo, com muita habilidade. E mais do que isso, olhar para a história e perceber quais foram as consequências dos pensamentos alternativos nos mostram por que alguns dos ensinos doutrinários mais fundamentais da igreja hoje se consolidaram da forma que se consolidaram, porque pensar de uma forma diferente gerou consequências muito nefastas em muitos casos paraa história da igreja. como a gente pode ver, a grande influência que que o gnosticismo teve em muitas partes onde o cristianismo também se expandia. Então, é fundamental a gente olhar paraa história do pensamento cristão, entender como a gente chegou até aqui, por que pensamos da forma que pensamos e evitar cometer esses erros novamente e ser eh responsáveis com a história que o Espírito Santo está construindo ao longo do tempo. Isso eu acho que é um dos motivos que mais mexem, me tiram a do lugar em estudar esses teólogos muito antigos, que é perceber que o Espírito Santo está construindo essa história há muito tempo. Desconsiderar o pensamento deles é também desconsiderar o trabalho do Espírito Santo sobre as gerações que nos antecederam. Então, nossa apreciação para aquilo que foi o trabalho dos pais da igreja. Não sei se tivemos muitas perguntas, na verdade eu acho que não tivemos muitas, não tivemos qualquer pergunta aqui no chat. Eh, nos nossos minutos finais aí, se você quiser colocar aqui, você vai ser bem-vindo, sua pergunta vai ser bem-vinda. Vou tentar responder. E já apontando novamente para o fato de que estamos terminando os preparativos desse módulo na nossa plataforma de ensino, a plataforma ensino.ibibnil.com.br. br que eu tô colocando aqui agora é onde a gente tem a disponibilizado todo o material dos cursos que a gente fez desde o ano passado para cá. Você vai encontrar lá tanto o curso básico de teologia quanto o módulo de romanos. Mas esse a gente ainda está fechando ementa, referências bibliográficas. Eh, e em breve a gente vai colocar lá tanto o slide da aula anterior, quanto o slide dessa aula, como os questionários e a em desse curso, tá bom? Bom, considerando que não tivemos perguntas aqui, eh, eu vou encerrar nossa aula por aqui e vou agradecer a atenção de todo mundo que ficou ligado aqui até o final da nossa aula de hoje. Mais uma vez, obrigado. Eh, assim, o o a gratidão de hoje é redobrada pelo fato de que você tá tirando tempo do seu feriado para estar junto com a gente estudando os pais da igreja. Forte abraço para todos vocês. Esperamos vocês na celebração de domingo, nas outras programações da IBNU e na próxima aula do Macários, terça-feira que vem, para nós falarmos a respeito do período da Idade Média. Forte abraço, bom restante de feriado, fim de semana e até nosso próximo encontro. Ciao. Ciao.