Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 07 | Catolicismo Romano | Ákilla Nascimento
24/06/2026
Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 07 | Catolicismo Romano | Ákilla Nascimento
Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"
Aula 07: Catolicismo Romano
Ákilla Nascimento
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Fonte: Com IBNU
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[música] >> Muito boa noite para todo mundo que já chegou aqui para nossa aula sete desse módulo do curso de teologia Macarius. Bem-vinda, bem-vindo para nosso encontro de hoje falando sobre o catolicismo romano, sobre a teologia da Igreja Católica Apostólica Romana. Esse é um tema, obviamente, importante, porque é, é uma parte muito significativa da história do pensamento teológico cristão, mas também porque a gente fala, pelo menos, a partir do Brasil, para ouvintes que, em sua maior parte, estão no Brasil e para outros que estão em outros países também. E aqui no Brasil, a influência do catolicismo romano é muito significativa na história da formação da cultura e do pensamento geral, não apenas no âmbito religioso, mas na própria forma de autocompreensão do brasileiro está muito daquilo que foi a construção da Igreja Católica. Então, a gente agradece a sua participação e espera que essa seja uma aula que nos permita compreender um pouco melhor aquilo que é o pensamento e a proposta ah teológica da Igreja Católica ah romana. Bom, a gente tem algumas pessoas que já deram o seu boa noite aqui no chat, a Melissa, a Sandra, a Ana Flora, a Maria Lúcia, a Teresinha, o Samuel, o Fred, um pessoal que já tá há muito tempo acompanhando a gente, desde o começo desse eh módulo, mas vários outros módulos anteriores também. Só explicando para o pessoal que talvez esteja caindo aqui de paraquedas nesse vídeo agora e em algum outro momento, eh esse é um, essa é uma das aulas que faz parte desse módulo, que é o módulo de uma só fé, muitas tradições. E esse módulo faz parte de um curso que, até agora, já acumulou cinco módulos. Nós estamos, na verdade, no quinto módulo. Tivemos três módulos formando um curso de teologia básico no ano de 2025, estão todos os disponíveis no canal da IBNO no YouTube e também na plataforma ensino.ibno.com.br. E esse ano a gente está com os módulos avançados do Macários. A gente fez o primeiro módulo falando sobre o livro de Romanos, um comentário completo no sentido de que passa por todos os capítulos, mas certamente não é exaustivo, mas um comentário que a gente pôde fazer de forma um pouco mais detalhada sobre a carta aos Romanos, também disponível no canal da IBNU e no site de ensino. E esse módulo que a gente está chegando agora no nosso sétimo encontro falando sobre as várias tradições do pensamento cristão. Então, muito obrigado pela atenção de todo mundo que está acompanhando agora, todo mundo que vai assistir isso em algum momento. Deixa eu já compartilhar o nosso slide de hoje aqui. O que acontece? A Igreja Católica, ela tem uma trajetória muito longa. Se a gente fosse falar em detalhes da história da Igreja Católica, a gente precisaria destinar um tempo considerável apenas para entender as várias transições que houve no pensamento e na teologia da Igreja Católica. Como a gente tem uma restrição tanto no escopo quanto no tempo do nosso curso, a gente vai falar da maneira como a teologia católica se entende e se propõe hoje. Em alguns momentos a gente vai fazer comparação entre aquilo que é a posição da Igreja Católica hoje e aquilo que foi no passado e durante muito tempo, em especial depois do Concílio de Trento, mas de forma geral nossa ênfase vai ser na posição contemporânea da Igreja Católica Romana, tá bom? Vamos lá então, deixa eu ver, hoje eu estou com uma configuração um pouco diferente aqui dos slides, vamos ver se vai funcionar direitinho. A primeira coisa que é importante a gente destacar é o contraste. Tivemos uma aula na quinta-feira passada sobre a Igreja, a teologia da Igreja Ortodoxa, a Igreja cristã predominante no Oriente. Enquanto na ortodoxia oriental, a compreensão de Deus, ela é profundamente trinitária, relacional e mística, no catolicismo romano, a ênfase está na transcendência de Deus e na sua distância da humanidade. Em relação a isso, a gente percebe um um certo, é, movimento de alteração na perspectiva da igreja nessa relação entre Deus e os homens. Mas se a gente olhar para maior parte daquilo que foi a produção da teologia católica, a ênfase recai sobre a separação ou a distância entre Deus e a humanidade. Uma perspectiva mais recente tem enfatizado os aspectos relacionais ou de proximidade entre o criador e as suas criaturas, de maneira que talvez pudesse ser percebida como um pouco mais parecida com o que sempre foi uma característica da ortodoxia oriental. Deus é entendido como alto, santo e separado de tudo aquilo que é pecaminoso, reforçando esse aspecto da transcendência. A autoridade de Deus na terra é delegada à igreja, que faz essa mediação da presença de Deus para o restante da humanidade. Então, vai ser muito importante a gente compreender a igreja católica entendendo que ela é a portadora da autoridade de Deus sobre a terra. Ah, assim como a igreja ortodoxa oriental, o catolicismo romano está profundamente enraizado na história, a ponto de reivindicar uma linha ininterrupta de sucessão de autoridade espiritual que remonta ao apóstolo Pedro, a quem Jesus confiou as chaves do reino. Tu és Pedro e sobre essa rocha edificarei a minha igreja. Essa é a referência textual que a igreja católica aponta para justificar que ela sempre existiu desde a encarnação, ou na verdade, desde aquilo que foi a afirmação de Jesus a respeito, supostamente, de Pedro como o representante da igreja. A teologia católica é fundada nos pronunciamentos ecumênicos da igreja antiga. Eu vou falar que pronunciamentos ecumênicos são esses, mas ecumênico aqui não tem o significado de uma união de várias religiões, mas a ideia das várias tradições cristãs que foram surgindo ao longo do tempo. A ideia de de uma proposição e de uma proposta universal que abarca todos os cristãos. Esses pronunciamentos ecumênicos da igreja antiga, ainda do período dos pais da igreja, são: o credo de Niceno, o credo apostólico, o credo de Atanásio e a definição cristológica do credo do com per perdão, a confissão cristológica do concílio de Calcedônia. Então, esses cinco credos, com também a afirmação do concílio de Calcedônia, formam uma base muito importante para a gente entender a teologia da igreja católica. A teologia ocidental foi profundamente influenciada por dois grandes nomes que todo mundo conhece, que é Agostinho de Hipona, que está entre o século IV e V, já falamos dele várias vezes no nosso curso aqui, que definiu a agenda teológica do ocidente por um milênio, e também Tomás de Aquino, no século XIII, que incorporou a filosofia aristotélica à síntese teológica. É importante a gente perceber que Agostinho certamente é um dos nomes ou o nome que foi mais importante para compreensão e para o desenvolvimento da teologia cristã no ocidente. A a influência de Agostinho não é tão evidente ou tão forte no oriente. A gente viu no período dos pais da igreja como essas ênfases foram ficando cada vez mais claras e alguns dos pais da igreja se tornaram representantes da teologia que foi se desenvolvendo no oriente e no ocidente. E Agostinho certamente é o nome mais importante para a gente entender a teologia da igreja católica, que é a igreja do ocidente, a igreja católica apostólica romana. A quando a gente fala de Tomás de Aquino como sendo esse segundo grande nome da teologia católica e da teologia cristã, na verdade, a gente muitas vezes fala de Tomás de Aquino como sendo o substituto de Agostinho, mas isso não é verdade. Tomás de Aquino ele trabalha a partir daquilo que era a teologia agostiniana, que era a teologia oficial da igreja católica, só que ele adiciona muito daquilo que é a metodologia ou muito daquilo que são as ferramentas de pensamento, as ideias da filosofia aristotélica. Nesse sentido, a teologia de Tomás de Aquino se distingue daquilo que são as afirmações de Agostinho, mas a ideia não é de eh substituição e a ideia não é de oposição, mas é uma espécie de desenvolvimento que passou também a exercer uma grande influência. A o que a gente percebe na história é que as ideias de Tomás de Aquino, que hoje são obviamente consideradas como das mais influentes na história da igreja católica, não foram aceitas de pronto. Ele não viu o seu trabalho exercendo toda a influência ou a a a maior parte da influência que ele viria a exercer em séculos seguintes. O Concílio de Trento, lembrando que Tomás de Aquino tá lá no século XIII, se eu não me engano. E o Concílio de Trento foi aquele que oficializou a perspectiva de, é, de Tomás de Aquino como a posição oficial da Igreja Católica reforçada pelo Concílio do Vaticano I em 1879. E o Concílio de Trento, que foi esse momento em que as ideias de Tomás de Aquino, a teologia de Tomás de Aquino se tornou a teologia oficial da Igreja Católica, acontece no século XVI. Então a gente tem um intervalo de aproximadamente 300 anos entre a vida de Tomás de Aquino e o Concílio de Trento. Depois você tem o reforço desse posicionamento três séculos depois, também a, um, uma distância semelhante entre a proposta inicial de Tomás de Aquino e aquilo que é o Concílio de Trento, um espaço semelhante para o Concílio do Vaticano I que acontece em 1879. Então a gente já tá falando de século XIX que reforça, é, o posicionamento da teologia de Tomás de Aquino. Então esses dois nomes são muito importantes pra gente compreender aquilo que é a teologia da Igreja Católica. Deixa eu só passar aqui que tá um pouquinho travado pra mim o o o slide, mas consigo, deixa eu conseguir passar. A opa. Eu tava falando de Agostinho e Aquino e eu não estava no slide mais apropriado. Mas passando aqui, isso já foi o o conteúdo que eu acabei de falar. Passando aqui para o próximo ponto, a gente tem a contribuição de um um teólogo. O status da doutrina no catolicismo mudou dramaticamente no último século e meio. A forma como a gente entende doutrina, a gente está estudando as várias tradições. Mas nós estamos falando isso a partir da perspectiva de teólogos, professores que são todos protestantes e mais especificamente batistas. Então a gente eh precisa reconhecer que a maneira como nós pensamos doutrina é muito diferente como acontece no mundo católico. E a própria maneira como a igreja católica passou a entender doutrina mudou no último século e meio, como a gente colocou no começo aqui desse slide. Para entender esse processo é preciso saber da existência desses dois concílios fundamentais da igreja católica. Um deles a gente já mencionou, que é o Concílio de Trento, que acontece entre 1545 e 1563 e o Concílio Vaticano II. Esse aconteceu no século passado. Foi entre 1962 e 1965. Esses dois nomes precisam ser lembrados. Concílio de Trento, século XVI e Concílio do Vaticano II, século XX. O Concílio de Trento foi a resposta doutrinária da igreja católica à Reforma Protestante. Veja que a Reforma aconteceu em 1517 e o Concílio de Trento acontece pouco tempo depois, 1545. E o objetivo do Concílio de Trento era justamente conter o avanço do protestantismo e esse Concílio moldou a identidade da igreja católica durante séculos. Foi uma resposta doutrinária ao movimento da Contrarreforma. Eh uma resposta doutrinária à Reforma Protestante. E isso teve influência enorme na autocompreensão da igreja católica, na maneira como a vida prática da igreja se desenvolveu e também as questões da teologia formal mudaram a partir do Concílio de Trento. Já o Vaticano II acontece aproximadamente 400 anos depois e tinha por objetivo promover uma atualização das questões doutrinárias para melhor dialogar com o mundo contemporâneo. Se preservou a linguagem, eh, do Concílio de Trento, uma linguagem já estabelecida na Igreja Católica, mas o que se percebe é que houve movimentos e mudanças teológicas significativas dentro da Igreja Católica na percepção do que é doutrina, na percepção de quais são as doutrinas que a Igreja deve manter ou atualizar. Esse é um termo muito comum no Concílio Vaticano II, a atualização das doutrinas da Igreja como uma forma de melhor dialogar com o mundo contemporâneo. Após o Concílio de Trento, a doutrina católica era vista como plenamente formada desde os primórdios. Então, desde o começo da Igreja primitiva, a doutrina cristã estava dada. A Igreja Católica, ela simplesmente vivia e administrava a realização dessa doutrina, a a experiência prática dessa doutrina. Com o advento da historiografia moderna e do idealismo filosófico do século XIX, por meio de Hegel, surgiu um modelo diferente de pensamento, o do desenvolvimento doutrinal ao longo dos séculos. Então, na primeira concepção, é a ideia de que a doutrina estava dada nas escrituras, a Igreja só administrava a doutrina e a doutrina era sempre a mesma. Já no século XIX, influências filosóficas do mundo e da sua época levaram, em especial, o cardeal John Henry Newman a propôs esse lance do desenvolvimento doutrinal ao longo do tempo, ao longo dos séculos. O John Henry Newman é um ex-padre anglicano convertido ao catolicismo durante o movimento de Oxford e foi central nessa mudança de perspectiva. Newman argumentou que há uma realização progressiva da verdade revelada nas escrituras. A analogia é da lande ou a bolota, esse é fruto que aparece na imagem aí da direita. A analogia entre essa bolota e o carvalho, essa lande e o carvalho. A continuidade entre os dois. E dentro da lande está o projeto genético para o carvalho adulto. Assim como um novo convertido cresce em sua compreensão de fé a igreja também cresceu progressivamente em sua compreensão da verdade. A verdade estava lá, estava nas escrituras, mas com o passar do tempo a igreja foi compreendendo com mais clareza, foi progredindo na compreensão da verdade revelada. Newman identificou sete princípios, testes do verdadeiro desenvolvimento que distinguem o desenvolvimento da corrupção. Suas propostas encontraram uma resistência muito forte quando elas foram feitas inicialmente no século 19, mas no século 20 elas influenciaram o Concílio do Vaticano II, que a gente explicou no começo desse slide, sinalizando uma ruptura com essa mentalidade que foi estabelecida no Concílio de Trento. Então veja como houve uma diferença grande na compreensão da Igreja Católica antes e depois do Concílio do Vaticano II, que é a ideia de que a doutrina ela é sempre a mesma. Agora a perspectiva é que a doutrina ela parte da mesma fonte, a fonte permanece a mesma, mas a doutrina muda porque a compreensão da igreja muda ao longo do tempo, tá? Bom, seguindo aqui adiante, a gente tem, é, essa questão ainda, é, muito relevante em entender o que permanece e entender o que muda na igreja católica. E a proposta é, segundo essa frase que vocês estão vendo aí, a substância de uma doutrina é uma coisa. A maneira como é apresentada é outra. Papa João 23, que foi o papa, se eu não me engano, que convocou o Concílio do Vaticano II. Não foi ele que é, conduziu até o fim, porque ele faleceu no começo do Concílio, se eu não estiver ligando os pontos errado. E, e, mas foi ele quem teve essa urgência de convocar o Concílio Vaticano II por reconhecer que a, a maneira como a igreja funciona, a igreja católica se entende, deve mudar e a sua compreensão doutrinária também deve mudar ao longo do tempo. Enquanto a doutrina da igreja após Trento era vista como estática, o último século, o século XX, cedeu lugar a uma visão evolutiva da doutrina. O catolicismo reconhece que seus ensinamentos vão além do mandato bíblico, mas ao contrário do protestantismo conservador, não considera esse lance de ir além do mandato bíblico um problema. Teólogos católicos contemporâneos afirmam que a tradição da igreja desenvolve e faz crescer a semente da doutrina. A trajetória de imagens encontrada no Novo Testamento, levando-as à sua conclusão natural, mantendo-se consistente com a verdade do Novo Testamento. A aparência externa de uma doutrina pode mudar, mas sua essência permanece consistente. Foi justamente o Papa João Paulo, o Papa João 23, que apelou a esse princípio da contextualização, como está nessa frase: "A substância de uma doutrina é uma coisa, a maneira como ela é apresentada é outra". Aqui, agora a gente chega num ponto muito importante para a gente compreender um ponto de distinção é muito notório e perceptível entre católicos e protestantes. Embora muitas questões separem o catolicismo romano do protestantismo, a questão primária é a compreensão da doutrina da justificação pela fé. A compreensão católica da justificação foi construída por Agostinho que, baseando-se na etimologia, etimologia do latim iusta facere ou iusta passare, perdoe meu latim, a gente tá falando palavras em francês, em alemão e latim nessas últimas aulas e eu não domino nenhuma dessas três línguas. Mas a essa expressão significa tornar justo. Veja que Agostinho não está apelando nem para o grego, nem para o hebraico, mas para a raiz da palavra em latim. A gente já tá falando de Agostinho século IV e V, então a muito provavelmente existia uma grande influência da Vulgata, da Bíblia traduzida para o latim e por isso muitos dos trabalhos de interpretação eram baseadas na tradução para o latim. Então Agostinho, baseando-se na etimologia do latim dessa expressão tornar justo, ensinou que a justificação é um processo pelo qual o crente é progressivamente tornado justo em seu caráter. E essa justiça se torna a base da salvação final. Vou repetir esse aspecto. Para a teologia católica, segundo o ensino de Agostinho, justificação é um processo no qual o crente, ele é progressivamente tornado justo em seu caráter. E essa justiça se torna base da salvação final. Já os reformadores protestantes, em especial, de acordo com o trabalho do Filipe Melanchthon, que foi o grande amigo e o grande teólogo amigo de ago eh de Lutero, e também João Calvino, insistiram que a justificação é uma declaração legal de não culpado. É esse momento em que Deus irá declarar não culpado, pronunciada por Deus com base na justiça de Cristo, que é imputada ao crente. Não é um processo, mas é um veredito. Deus diz, no tempo presente, sobre aquele que deposita sua fé em Jesus, ele é não compa culpado com base no sacrifício e na justiça de Cristo, que é imputada sobre o crente. Dessa forma, envolve um julgamento sintético, único, em um ponto do tempo, um julgamento feito por Deus. O crente pode ter certeza de sua aceitação por Deus. Os protestantes separaram a salvação em duas partes. Existe essa justificação inicial, que é esse ato forense. Por que forense? Porque diz respeito a um tribunal, a um julgamento. Por isso esse termo que é tão recorrente na teologia quando fala da doutrina da justificação pela fé. Esse ato forense, esse ato jurídico, e essa santificação progressiva são os dois pontos importantes dentro da teologia protestante. Você é justificado inicialmente, ato forense, e depois você passa por uma santificação progressiva. Aí sim, o processo da santificação é um processo, é esse crescimento em santidade distinto mas emergente da declaração legal. Os católicos eles responderam insistindo na compreensão agostiniana da justificação como processo de regeneração e renovação da natureza humana mediado pelos sacramentos. Nessa visão não há certeza da salvação final porque porque o último capítulo da vida do crente ainda não foi escrito. Se ele está por meio dos sacramentos tendo é a graça de Deus de alguma forma sendo infundida sobre a vida dele sendo é colocada sobre a a justiça de Deus que vai sendo infundida sobre a vida dele à medida que ele tem os sacramentos administrados pela igreja católica então não é possível saber em que grau de justiça ele se encontra no momento em que ele antes do momento em que ele morre. Então você não tem como saber se a pessoa de fato ou a própria pessoa não tem como saber se ela é salva ou não porque ela não tem certeza se houve uma justiça que foi infundida por Deus administrada e derramada por Deus sobre a vida desse que crê suficiente para considera-la considera-lo justo no momento do juízo final. Por isso existe essa incerteza. Por isso esse gráfico que a gente colocou aí resumindo essa visão. O católico tem a visão do processo se tornando justo a essa infusão de graça que é justamente Deus derramando graça por meio dos sacramentos, Deus derramando justiça por meio dos sacramentos que a igreja administra e essa é a base para a salvação final, por isso a pessoa não tem garantia de que vai ser salva que ela não sabe quanta justiça já foi derramada sobre ela. Na visão protestante, você tem uma declaração legal de não culpado no tempo presente. Essa é uma justiça que é imputada por Cristo e por isso o sujeito tem garantia de salvação. Isso será feito no momento, esse é, esse veredito será tornado público no julgamento final, mas isso já foi feito no tempo presente por esse julgamento sintético. E o ponto central é: justificação para católicos é um processo. Justificação para protestantes é uma declaração forense. Seguindo aqui, a gente começa a entrar nessa discussão que ainda hoje desperta muito debate entre católicos e protestantes. Quando os católicos ouviram os protestantes insistindo na justificação separada das obras, eles entenderam que para os protestantes as obras não teriam nenhum papel na salvação do crente. Essa percepção de separação entre salvação e santidade pessoal horrorizou os católicos. Os católicos responderam insistindo na compreensão agostiniana da justificação como processo de regeneração e renovação da natureza humana. Nesse processo, o crente é infundido com a graça de Deus progressivamente e é progressivamente preenchido por essa justiça. Essa infusão de graça é tanto sacramental quanto por meio das boas obras. Na compreensão teológica formal, as obras, veja bem, isso é importante para sermos justos com o pensamento daquele que pensa diferente da gente. Na compreensão teológica formal dos católicos, as obras não são atos feitos para ganhar o favor divino. As obras são atos feitos no poder do Espírito Santo. Mas essas obras e a santidade produzida por essas obras na vida do crente tornam-se a base para a aceitação ou a rejeição final por Deus. Assim, no entendimento católico, não pode haver certeza da salvação final, porque a graça que produz esse estado de renovação é mediada pela igreja em seu sistema sacramental. Você precisa estar sempre em contato e em plena satisfação dessas demandas que são a a comunhão com os sacramentos ou ou a participação dos sacramentos. Quais são os sacramentos da Igreja Católica? São sete. Batismo, confirmação, eucaristia, penitência, unção dos enfermos, matrimônio e a ordem sacra. O ministério da graça de Cristo na Igreja Católica Romana é sacramental. Isso é muito diferente, por exemplo, da realidade da tradição protestante batista. A gente tem tradições protestantes sacramentais que entendem que funcionam com base no sacramentalismo, mas você tem várias outras tradições protestantes que não são sacramentais. E para alguém que não participa de uma tradição sacramental, eh, às vezes é difícil entender qual é a lógica do sistema sacramental. O ministério da graça de Cristo na Igreja Católica é sacramental. A graça de Deus ela é dispensada aos fiéis por meio desses sete sacramentos que a gente acabou de ler. Só uma informação importante, isso que aparece como unção dos enfermos, para muitas pessoas ainda é conhecido como extrema unção. A extrema unção mudou a nomenclatura, eu não sei exatamente quando, talvez também a partir do Concílio do Vaticano II, para a unção dos enfermos e a gente vai falar por quê, mas só para vocês entenderem que é é a extrema unção é um dos sacramentos. Esses sete sacramentos eles foram declarados pelo Concílio de Trento como instituídos pelo próprio Jesus. O Papa Paulo VI descreveu esses sacramentos como uma realidade que foi imbuída da presença oculta de Deus. O propósito desses sacramentos é infundir a igreja com a graça de Cristo. Dentro da teologia sacramental que está presente tanto nos católicos, mas com as suas diferenças entre alguns protestantes é que os sacramentos são meios de graça. Deus dispensa graça específica apenas para aqueles que participam desses sacramentos ou Deus dispensa essa forma de graça específica apenas para aqueles que participam desses sacramentos. A concepção da eficácia dos sacramentos mudou ao longo do tempo. Trento insistiu que os sacramentos são causas de graça que podem ser recebidas independentemente do mérito do receptor. Se você participou, você recebe essa graça. Existe uma expressão em latim para isso que é ex opere operato, que é pela obra realizada. Se a obra foi realizada sobre você, independente do seu estado, da sua confissão, da sua condição, do que você faz ou deixa de fazer, você recebe a graça de Deus. O Concílio do Vaticano II tornou mais explícito que o sacramento não tem eficácia se a pessoa não tem fé. Então o sacramento, ele só tem o seu valor real se aquele que o recebe possui fé. Tá? Vamos falar então de maneira um pouco mais eh detalhada agora sobre cada um desses sacramentos. O primeiro é os primeiros são batismo e confirmação. O batismo é o primeiro sacramento que é experimentado pelos católicos. Desde o período patrístico é entendido como o rito de iniciação na comunidade cristã que faz remissão do pecado original. Sendo absolutamente necessário para a salvação. Por isso que o batismo infantil é tão importante. O batismo infantil é visto como o resgate do recém-nascido da possibilidade de condenação eterna. Por isso que para os católicos praticantes é muito importante assim que o bebê tenha condições que ele seja batizado e obviamente batizado na Igreja Católica. Agostinho, no século V, usou essa prática já antiga do batismo infantil como prova da doutrina do pecado original. No caso de um convertido adulto, o batismo também faz remissão de todos os pecados pessoais cometidos antes do batismo, certo? Isso é importante. O batismo perdoa os pecados que foram cometidos antes do batismo, razão pela qual alguns na Igreja antiga adiavam o batismo até o leito de morte. Qual é a ideia? Vou pecar o máximo que eu puder, mas eu sei que o sacramento, como a gente falou, é ex operato, deixa eu buscar aqui, ex opere operato, ou seja, independente da fé e da convicção do sujeito se ele participar do sacramento, a graça daquele sacramento recai sobre a o sujeito que recebe o sacramento, então se ele for batizado pouco tempo antes de morrer, ele tem a garantia de que é todos os pecados cometidos até aquele momento, eles foram a perdoados. Além do batismo de água, o catolicismo reconhece o batismo de sangue, que é o martírio por Cristo, E o batismo de desejo, que é para as pessoas que desejavam o batismo, mas que não receberam esse sacramento antes de morrer por algum motivo, porque não teve alguém que administrasse, porque não teve tempo entre a convicção do sujeito, o desejo do sujeito e e a morte dele, mas para aqueles que não foram batizados, mas tinham esse desejo, a igreja reconhece essa pessoa como batizada. Até mesmo aqueles que não conhecem Cristo podem ser contados como cristãos anônimos, se o seu esforço por uma vida boa é de fato uma resposta à graça de Deus. Essa é uma das mudanças que aconteceram na teologia mais recente da Igreja Católica, que é aos cristãos anônimos e o seu esforço e eles são considerados verdadeiramente cristãos, mesmo que eles não conheçam a Cristo, se o seu esforço por uma vida boa é de fato uma resposta à graça de Deus. O que que é a confirmação que acontece depois do batismo? A teologia do sacramento da confirmação foi desenvolvida no período medieval e ela foi entendida como um dom do Espírito Santo para o fortalecimento da fé. O Concílio de Trento ratificou o sacramento, que era então administrado pelo bispo algum tempo após o batismo. Hoje, a confirmação é frequentemente administrada ao mesmo tempo que o batismo, enfatizando o aspecto iniciático do sacramento. Por exemplo, tradições como o anglicanismo se separam esses dois sacramentos por um intervalo de tempo considerável. A criança é batizada muito nova, mas apenas, se eu não me engano, no período da pré-adolescência ou adolescência é que ela é permitida, caso ela queira, passar pelo sacramento da confirmação. É, mas hoje na Igreja Católica, em muitos ambientes, as duas coisas são feitas ao mesmo tempo para dizer que tanto esse dom do Espírito Santo que vem por meio da confirmação quanto o batismo, elas acontecem na criança quase que recém-nascida, pouco tempo após o seu nascimento, que esse sacramento pode, segundo a Igreja Católica, deve ser administrado. Outro, ah, sacramento importante é a Eucaristia e o ensino sobre a transubstanciação, transubstanciação, perdão. O termo Eucaristia vem de eucharisteo, que é dar graças. Desde o período antigo, havia um debate sobre a natureza da Ceia do Senhor, também chamada a Comunhão ou Eucaristia celebrada na missa. O conceito de transubstanciação ganhou força gradualmente até ser dogmatizado pelo Quarto Concílio de Latrão em 1215 depois de Cristo. Essa doutrina sustenta que a missa é um sacrifício incruento de Cristo. Que que é incruento? É sem sangue. Então, o sacrifício sem sangue de Cristo é o que está acontecendo no momento da Eucaristia, dos elementos que, na tradição protestante, são os elementos da Ceia, no qual o pão e o vinho são transubstanciados em sua substância, não aparência, no verdadeiro corpo e sangue de Cristo. Isso é muito importante para a gente entender por que que a Eucaristia é tão importante para os católicos. A ideia e o ensino da transubstanciação é que no momento em que o fiel participa do pão e do vinho que são administrados administrados pela Igreja, na boca desse fiel, esse pão se transforma na carne de Cristo, não na sua aparência, mas na sua essência. E o vinho se torna no sangue de Cristo. Essa é a interpretação da igreja. A a eficácia do sacrifício realizado na missa é a mesma do sacrifício com sangue de Jesus na cruz. Aquilo que aconteceu com Jesus na cruz acontece toda vez que a eucaristia é celebrada pela igreja católica dentro da teologia católica. Devido à santidade dos elementos que foram consagrados, surgiu a prática de dar comunhão apenas com o pão e não com o vinho, pois derramar o vinho significa derramar o sangue de Cristo e esse seria o maior dos sacrilégios. Durante a reforma, a transubstanciação tornou-se um grande ponto de controvérsia entre católicos e protestantes e permanece assim até hoje. Muitos protestantes consideram o sacramento idólatra, pois os elementos são adorados da mesma forma que Cristo, na interpretação de alguns protestantes. Outro sacramento importante é a penitência. O sacramento da penitência, popularmente chamado de confissão, tem suas raízes na igreja antiga. E qual o texto que a igreja utiliza para justificar a penitência? Tiago 5:16 e também outro texto da igreja primitiva, que é o Didaché, no capítulo 14, versículo 1. Sugerem que a confissão pode ter sido pública nos primeiros tempos da igreja. A prática da confissão pessoal começou no século 8 com os monges irlandeses. E na idade média, a penitência evoluiu até ser elevada ao status de sacramento. O Concílio de Trento confirmou esse status e exigiu que todos os cristãos confessassem seus pecados mortais a um sacerdote por tipo e número. E os quatro componentes da penitência, segundo Trento, são esses que você vê aí no slide. Satisfação, confissão, contrição e absolvição. Satisfação é o ato de fazer a penitência. Confissão é o reconhecimento verbal do pecado. Contrição é a atitude de arrependimento e absolvição é a declaração de perdão por parte do sacerdote. O Vaticano II trouxe uma nova ênfase para a penitência. A penitência como reconciliação com a igreja. A contrição do fiel restaura a relação do pecador com Deus. Mas, como as ações do pecador comprometeram a missão da igreja, o perdão deve ser buscado pelo sacerdote. Então, a ênfase mudou. Eu lembro que o último papa, o papa Francisco, inclusive, também fez algumas afirmações sobre como a igreja deveria administrar de maneira mais cautelosa a questão da penitência. Ah, o outro sacramento é a unção dos enfermos. A unção dos enfermos era chamada de extrema unção ou os últimos ritos antes do Vaticano II. Já durante o período lá atrás, medieval, o rito de ungir os enfermos foi sendo cada vez mais reservado aos moribundos. Ah, cada vez mais aos moribundos. E a partir daí surgiu a expressão extrema unctio ou a última unção. O Vaticano II restaurou a ênfase original do sacramento, declarando que o rito não é apenas para aqueles que estão à beira da morte. Assim, o rito agora é realizado tanto para os doentes quanto para os moribundos. A base bíblica para o sacramento da cura é também o texto de Tiago, Tiago 5, versículo 14 e 15. Outro sacramento é o matrimônio. No catolicismo, o matrimônio é visto como um sacramento, o que o torna uma união indissolúvel. Isso explica muita coisa sobre a posição da Igreja Católica em relação ao divórcio. Essa posição de qualificar o matrimônio como sacramento foi declarada pelo Concílio de Florença e foi reafirmada no Concílio de Trento. A Igreja leva a sério essa afirmação bíblica: "O que Deus uniu, o homem não separe". Mateus, capítulo 19, versículo 6. Palavras de Jesus. O caráter sacramental do matrimônio levou a Igreja Católica Romana a se opor veementemente ao divórcio. Via de regra, o divórcio é proibido, mas ocasionalmente pode ser concedido eh por uma anulação. E a ideia da anulação é uma declaração de que o casamento nunca foi um matrimônio válido. A outra coisa importante é ou são as ordens sacras. A A ordem sacra, embora a Igreja historicamente tenha se definido pelo clero ordenado, desde o Vaticano II, a Igreja reconheceu que todos os cristãos são, em algum sentido, sacerdotes. No entanto, ainda existe uma distinção entre o sacerdócio confirmado pelo batismo, que são todos os fiéis, e o sacerdócio conferido pela ordenação, a ordem sacra. O catolicismo reconhece três níveis de ordenação, que são os bispos, os presbíteros, que são os padres, e os diáconos. Essas são as ordens sacras da Igreja. Outra coisa importante são os sacramentais. Os sacramentais é um pouquinho diferente dos sete sacramentos. Além dos sacramentos que se fundamentam na autoridade das escrituras e da igreja apostólica, o catolicismo romano também reconhece numerosas sacramentais. Em contraste com os sacramentos que operam ex opere operato, que é pela obra realizada, os sacramentais operam ex opere operantes, que é pela obra do obreiro. Os sacramentais causam graça pela fé e devoção do adorador. Não é o padre que vai administrar, não é o bispo que vai administrar os sacramentais, mas é o próprio fiel que vai procurar eh praticar aquilo que está envolvido nesses sacramentais, que é o uso do óleo santo, da água benta, das velas, das cinzas santas, dos crucifixos e também das estátuas. A Uma chave muito, muito importante para entender o catolicismo romano é a sua eclesiologia. O que que é a eclesiologia? É a doutrina da igreja. É muito importante a gente entender como a igreja católica entende a si mesma. A igreja se vê como a representante divinamente comissionada de Deus sobre a terra. É, portanto, uma igreja de cima para baixo, refletindo em muitos aspectos a visão de mundo feudal da qual essa igreja emergiu. A estrutura de autoridade é vertical, hierárquica e, de acordo com a autoridade que é retida e contida pela própria igreja. A igreja, ela media conscientemente a presença de Deus na terra, com o papa atuando como o vigário de Cristo na terra. A estrutura episcopal é monárquica e historicamente seu ensinamento sustentou que não há salvação fora da igreja e essa afirmação é feita do ponto de vista institucional. Não há salvação fora da igreja católica apostólica romana. Isso tem sido a posição ou foi a posição histórica da igreja é, de maneira geral, que também foi impactada pelas afirmações do Vaticano II. As características da igreja como verdadeira representante de Cristo são: unidade, santidade, catolicidade e apostolicidade. Essas são as características da igreja católica, o que elas afirmam que é a a característica da instituição. A missão da igreja está dividida em quatro partes: proclamação do evangelho, a celebração dos sacramentos, o testemunho do evangelho e o serviço a todos os necessitados. Tá? Ah isso é, falando até um pouco melhor sobre essa questão da missão da igreja, o catolicismo vê essa missão da igreja em quatro partes: a proclamação, a celebração dos sacramentos, o testemunho e o serviço de maneiras muito específicas. A proclamação do evangelho é anunciar as boas novas de Jesus Cristo ao mundo. A celebração dos sacramentos é administrar os sete sacramentos como canais da graça de Cristo. E o testemunho do evangelho é viver e testemunhar o evangelho no cotidiano. E o serviço a todos os necessitados é a diaconia. A diaconia como cuidado com os pobres e os marginalizados. Essa visão quádrupla da missão reflete é uma compreensão católica da igreja como mediadora da presença e da graça de Deus no mundo. Então uma síntese e um resumo dos aspectos mais importantes da nossa aula que caracterizam a Igreja Católica é: Deus é visto de forma transcendente, ou a ênfase está nesse Deus transcendente e santo. A doutrina, após o Concílio do Vaticano II, é visto como um aspecto progressivo da Igreja Católica, então não necessariamente aquilo que era doutrina há 400 anos atrás vai aparecer da mesma maneira hoje, porque ela está em desenvolvimento. A justificação é um processo de renovação pela graça de Deus. Os sacramentos são sete canais da graça de Deus que é administrada pela própria Igreja. E a Igreja é essa mediadora hierárquica da presença de Deus resumida na frase que nós todos já ouvimos em algum momento: "Fora da Igreja não há salvação", tá? Bom, eh eu percebi, estudando um pouco sobre a teologia católica e também no contato com alguns teólogos católicos, eu percebi que é um pouco difícil falar de maneira única a respeito da teologia católica, justamente por esse grande impacto que os concílios tiveram na história da teologia católica. A teologia católica mudou muito ao longo do tempo. Em especial, as mudanças que nos alcançam hoje estão relacionadas com o Concílio do Vaticano II. Então, tem muitas coisas que antes eram bastante características e que que até hoje as pessoas eh associam com a Igreja Católica que foram modificadas pelo Concílio do Vaticano II. O reconhecimento, por exemplo, que existem outros cristãos que não estão necessariamente ligados à Igreja Católica do ponto de vista institucional, mas são verdadeiros cristãos, serão salvos, serão justificados, mas são uma espécie assim de eh parentela apartada, são os parentes que estão distanciados da verdadeira família que é a Igreja Católica. Mas houve uma abertura de se reconhecer que há cristãos autênticos fora da Igreja. Eh o que eu também percebo é que há uma grande distância entre a teologia católica formal, em especial aquilo que surge a partir do Concílio Vaticano II, e a realidade da Igreja local, ainda mais olhando para a realidade do Brasil, que você tem uma Igreja Católica no mínimo em cada município do Brasil, é muito difícil, desconheço um município eh dentro do enorme terri >> Bom, pessoal, espero que vocês vocês estejam me vendo. Eh, caiu aí a a a energia, eu tô aqui no prédio da IBNU, tem uma luz de emergência, por isso que não tá tudo escuro e eu tô roteando a minha internet do celular. Então, eu não sei se eh, não sei se meu sinal voltou para vocês aí. Se alguém puder me dar um retorno no chat, se vocês estão me vendo e ouvindo, eu agradeço. Está normal agora, legal. O Marco colocou aqui para a gente. Então, vai meio que a luz de vela aqui, eu tô na luz de emergência, mas acho que dá para vocês verem e ouvirem bem. Ah, o que acontece é que ah, dentro da realidade brasileira, você tem uma igreja em cada município e esse catolicismo que chegou aqui ainda conserva muitos dos aspectos que vieram do catolicismo eh, do período colonial, a uma realidade quase pré-moderna em alguns dos dos seus eh, aspectos culturais, da sua cosmovisão, da sua prática. Então, o que a gente percebe é que não necessariamente aquilo que é a teologia formal da Igreja Católica é a realidade de todas as igrejas católicas localmente, tá? Então, a gente precisa ter um um certo cuidado de fazer afirmações categóricas sobre o que é a teologia da Igreja Católica como se isso fosse o pensamento de todo católico. Não é, tá bom? Existe uma grande diversidade, houve uma transformação, uma abertura da Igreja Católica, o Concílio do Vaticano II é claramente visto como um movimento de maior abertura e inclusão de outras perspectivas teológicas que haviam sido fortemente excluídas no Concílio de Trento e o Concílio de Trento foi uma resposta muito vigorosa contra a muito enfática contra a Reforma Protestante. Então, a aquilo que o Concílio Vaticano II fez, de certa forma, aproximou aquilo que é a doutrina da Igreja Católica de muitos aspectos que foram reivindicações lá atrás da Igreja Protestante. Outro ponto, enquanto protestante, é perceber que Lutero não queria acabar com a Igreja Católica e muitos dos reformadores não tinham a perspectiva de abolir a Igreja Católica, mas sim reformá-la. A partir do ponto em que isso se tornou claro que seria impossível, eh, partiu-se para o caminho de estabelecer uma outra tradição, uma outra igreja, entendendo que aquela igreja é aquela que de fato conservava o ensino dos apóstolos. Mas, ah, é preciso reconhecer a grande, eh, tradição e a longa história, eh, que foi sendo construída pela Igreja, ah, Católica ao longo desses séculos. Os próprios reformadores, inicialmente, tinham esse reconhecimento. Tá bom? Bom, vamos responder aqui algumas perguntas, se é que a gente vai conseguir segurar a internet aqui. Enquanto durar a internet do celular, eu vou conversando um pouquinho aqui com vocês, tá? Deixa eu olhar aqui no chat. Deixa eu ver. Ah, o Marco faz a seguinte pergunta: "O que seria o dom do Espírito Santo como confirmação no Catolicismo? Seria algum tipo de dom?" Nesse sentido, Marco, sim, muito semelhante a a essa compreensão de que o Espírito Santo, ele é dado àquele que crê. Eh, da mesma forma existe essa compreensão de que o Espírito Santo, ele está com a pessoa que foi batizada aí que passa pelo sacrifício a que passa pela confirmação do batismo, tá? Peço desculpas se tiver vazando o som, outra pessoa estava aqui na sala porque como caiu a energia de todo o prédio, estão tentando religar aqui, disparou o disjuntor, um monte de coisa, tá bom? Vamos ver aqui que mais que a gente tem. Bom, uma pergunta do Marco também sobre o entendimento católico a respeito de purgatório, a respeito é da salvação eterna e do inferno. Bom, inferno é esse lugar de condenação eterna para os católicos e o céu é o lugar de salvação eterna. A pergunta principal é o purgatório. Quem é que vai para o purgatório e quem é que vai para o céu? Céu é aquele que morre em um elevado estado de justiça e de santidade. Como a gente falou, a con a condição de justiça e santidade estão fortemente associados à participação do fiel nos sacramentos, na justificação que o Cristo vai realizando sobre a vida do fiel à medida em que ele participa desses sacramentos e a realização das boas obras que na teologia católica é realizada pelo Espírito Santo através do fiel. É, se o sujeito morre nesse estado elevado ou pleno de justiça e de santidade, ele vai para o céu. Se de alguma forma existe alguma impureza é nesse fiel, ele vai para o purgatório. E aí o tempo em que ele passa no purgatório está associado a é o o grau ou nível de comprometimento que essa impureza produziu nessa pessoa. Inferno é essa pessoa que está fora da igreja, essa pessoa que estava completamente apartada dos sacri, sacramentos que são o meio pelo qual Deus confere graça. Veja que não é apenas graça especial como Deus derrama a sua graça principal sobre todas as pessoas e de forma pontual ele faz um agrado, ele derrama uma graça particular sobre a vida das pessoas por meio dos sacramentos. Não é essa perspectiva. A graça salvadora de Deus, ela acontece por meio dos sacramentos, tá? Professor, tanto os católicos como os evangélicos acreditam no credo niceno-constantinopolitano. Sendo assim, é possível considerar católicos como irmãos? Olha, Marcos, uma coisa é a gente reconhecer a proximidade doutrinária. Outra coisa é fazer esse reconhecimento de quem faz parte do corpo de Cristo. Uma pessoa pode ter a, o, o mesmo assentimento doutrinário que eu, mas em seu coração, é, crê em coisas completamente distintas e na sua prática demonstrar um fruto de salvação ou não, que é diferente do meu ou do seu ou de qualquer outra pessoa que faça parte do corpo de Cristo. Então, a gente pode reconhecer sim que existe essa base comum em parte da doutrina cristã, que vale para os católicos e e que também vale para os protestantes, mas nós precisamos, ah, reconhecer que a participação do corpo de Cristo não está em um assentimento doutrinário específico. Esse que é um ponto talvez mais difícil da gente compreender. Uma pessoa ela é salva porque ela acredita na doutrina verdadeira? De maneira geral, não. Aquilo que a gente coloca como crença e convicção na doutrina mais fundamental ligada à fé, aquilo que Paulo coloca em Romanos capítulo 10. Se com o coração você crê que Jesus Cristo é o Senhor e com a boca confessar que Deus o ressuscitou dentre os salvos, dentre os mortos, será salvo. É, se a pessoa tem essa convicção, se ela depositou essa fé em Cristo, e se ela vive em função da sua fidelidade a Jesus, ela será salva. Nesse sentido, aqueles que são protestantes e fizeram essa confissão, serão salvos. Aqueles que são católicos e fizeram essa confissão, será salva. Mas eu acredito que a doutrina católica está correto, correta em todos esses pontos que a gente expôs hoje? Não, mas é é é bastante óbvio e claro que não, porque eu faço parte de uma tradição batista. Eu creio que de uma tradição protestante, de forma mais genérica. Eu creio que essa interpretação é a mais adequada e esse ensino traz frutos que também são apropriados, ao meu ver, numa vida que seja coerente com aquilo que a gente acredita que são as consequências dessa salvação em Cristo Jesus. O que eu estou dizendo é que a doutrina não é importante, não, a doutrina é muito importante. Mas as pessoas elas não são salvas por sistemas doutrinários, elas são salvas por Jesus e pela fé que elas depositam em Jesus. A Fernanda pergunta se o catolicismo do tempo em que ele foi instituído para hoje seria muito diferente. Bom, Fernanda, eu espero que tenha ficado claro ao longo da nossa aula que sim, a gente teve muitas mudanças eh na teologia entre Agostinho e Tomás de Aquino, depois do Concílio de Trento, nos vários concílios e a gente teve uma mudança grande naquilo que é a teologia católica no século passado. Então, há há bastante mudança, sim. Bom, temos algumas outras perguntas aqui, eh, mas devido a esse problema de energia aqui, as coisas estão ficando um pouco mais complicadas, porque o pessoal está precisando entrar e sair aqui para tentar religar, eh, a gente vai encerrar a nossa aula por aqui. Temos algumas outras perguntas, algumas talvez a gente pudesse até debater em mais detalhes, mas outras, confesso também a minha limitação. Vi algumas perguntas no chat que eu não sei responder, por exemplo, sobre a a escatologia católica. Eu, eh, consigo navegar de forma muito mais confortável entre as diferentes perspectivas protestantes sobre a escatologia, mas algumas outras coisas são de ordem um pouco mais específicas e devo confessar aqui também a minha ignorância, minha limitação sobre esses assuntos. De qualquer maneira, eu espero que os pontos que a gente pôde explicar em mais detalhes tenham ajudado você entender um pouco melhor a lógica e aquilo que são os pontos fundamentais da teologia católica. A gente agradece você que acompanhou, a gente agradece seu tempo, a gente pede para que você nos ajude a melhorar aqui as aulas. Se você tem alguma sugestão, a gente está ao dispor e também para que você acompanhe os nossos próximos encontros. Quinta-feira a gente vai falar sobre luteranismo, teologia luterana. Então, a gente convida você para retornar aqui na próxima quinta-feira. A gente deseja uma boa noite a todos vocês e até o nosso próximo encontro, tá bom? Tchau, tchau. Até mais.