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A fé vem pelo ouvir

Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 07 | Catolicismo Romano | Ákilla Nascimento

Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 07 | Catolicismo Romano | Ákilla Nascimento

Makários – Uma só fé, muitas tradições | Aula 07 | Catolicismo Romano | Ákilla Nascimento

Módulo – "Uma só fé, muitas tradições"

Aula 07: Catolicismo Romano
Ákilla Nascimento

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Legendas automáticas:

[música]
>> Muito boa noite para todo mundo que já
chegou aqui para nossa aula sete desse
módulo do curso de teologia Macarius.
Bem-vinda, bem-vindo para nosso encontro
de hoje falando sobre
o catolicismo romano, sobre a teologia
da Igreja Católica Apostólica Romana.
Esse é um tema, obviamente, importante,
porque é, é uma parte muito
significativa da história do pensamento
teológico cristão,
mas também porque a gente fala, pelo
menos, a partir do Brasil, para ouvintes
que, em sua maior parte, estão no Brasil
e para outros que estão em outros países
também. E aqui no Brasil, a influência
do catolicismo romano é muito
significativa na história
da formação da cultura e do pensamento
geral, não apenas no âmbito religioso,
mas na própria forma de autocompreensão
do brasileiro está muito daquilo que foi
a construção da Igreja Católica.
Então, a gente agradece a sua
participação e espera que essa seja uma
aula que nos permita
compreender um pouco melhor aquilo que é
o pensamento e a proposta ah teológica
da Igreja Católica
ah romana. Bom, a gente tem algumas
pessoas que já deram o seu boa noite
aqui no chat, a Melissa, a Sandra, a Ana
Flora, a Maria Lúcia, a Teresinha, o
Samuel, o Fred, um pessoal que já tá
há muito tempo acompanhando a gente,
desde o começo desse
eh módulo, mas vários outros módulos
anteriores também. Só explicando para o
pessoal que talvez esteja caindo aqui de
paraquedas nesse vídeo agora e em algum
outro momento,
eh esse é um, essa é uma das aulas que
faz parte desse módulo, que é o módulo
de uma só fé, muitas tradições. E esse
módulo faz parte de um curso que, até
agora, já acumulou cinco módulos. Nós
estamos, na verdade, no quinto módulo.
Tivemos três módulos formando um curso
de teologia básico no ano de 2025, estão
todos os disponíveis
no canal da IBNO no YouTube e também na
plataforma ensino.ibno.com.br.
E esse ano a gente está com os módulos
avançados do Macários. A gente fez o
primeiro módulo falando sobre o livro de
Romanos,
um comentário completo no sentido de que
passa por todos os capítulos, mas
certamente não é exaustivo, mas um
comentário que a gente pôde fazer de
forma um pouco mais detalhada sobre a
carta aos Romanos, também disponível no
canal da IBNU e no site de ensino. E
esse módulo que a gente está chegando
agora no nosso sétimo encontro falando
sobre as várias tradições
do pensamento cristão. Então, muito
obrigado pela atenção de todo mundo que
está acompanhando agora, todo mundo que
vai assistir isso em algum momento.
Deixa eu já
compartilhar o nosso slide de hoje aqui.
O que acontece? A Igreja Católica, ela
tem uma trajetória muito longa. Se a
gente fosse falar em detalhes da
história da Igreja Católica, a gente
precisaria destinar um tempo
considerável apenas para entender as
várias transições que houve no
pensamento e na teologia da Igreja
Católica. Como a gente tem uma restrição
tanto no escopo quanto no tempo do nosso
curso, a gente vai falar da maneira como
a teologia católica se entende e se
propõe hoje. Em alguns momentos a gente
vai fazer comparação entre aquilo que é
a posição da Igreja Católica hoje e
aquilo que foi no passado e durante
muito tempo, em especial depois do
Concílio de Trento, mas de forma geral
nossa ênfase vai ser na posição
contemporânea da Igreja Católica Romana,
tá bom?
Vamos lá então, deixa eu ver, hoje eu
estou com uma configuração um pouco
diferente aqui dos slides, vamos ver se
vai
funcionar direitinho.
A
primeira coisa que é importante a gente
destacar é o contraste. Tivemos uma aula
na quinta-feira passada sobre a Igreja,
a teologia da Igreja Ortodoxa, a Igreja
cristã predominante no Oriente.
Enquanto na ortodoxia oriental, a
compreensão de Deus, ela é profundamente
trinitária,
relacional e mística, no catolicismo
romano, a ênfase está na transcendência
de Deus e na sua distância da
humanidade. Em relação a isso, a gente
percebe um um certo, é,
movimento de alteração na perspectiva da
igreja nessa relação entre Deus e os
homens. Mas se a gente olhar para maior
parte daquilo que foi a produção da
teologia católica,
a ênfase recai sobre a separação ou a
distância entre Deus e a humanidade.
Uma perspectiva mais recente tem
enfatizado os aspectos relacionais ou de
proximidade entre o criador e as suas
criaturas, de maneira
que talvez pudesse ser percebida como um
pouco mais parecida com o que sempre foi
uma característica da ortodoxia
oriental. Deus é entendido como alto,
santo e separado de tudo aquilo que é
pecaminoso, reforçando esse aspecto da
transcendência.
A autoridade de Deus na terra é delegada
à igreja,
que faz essa mediação da presença de
Deus para o restante da humanidade.
Então, vai ser muito importante a gente
compreender a igreja católica entendendo
que ela é a portadora da autoridade de
Deus sobre a terra.
Ah, assim como a igreja ortodoxa
oriental, o catolicismo romano está
profundamente enraizado na história, a
ponto de reivindicar uma linha
ininterrupta de sucessão de autoridade
espiritual que remonta ao apóstolo
Pedro, a quem Jesus confiou as chaves do
reino.
Tu és Pedro e sobre essa rocha
edificarei a minha igreja. Essa é a
referência textual que a igreja católica
aponta para justificar que
ela sempre existiu desde a encarnação,
ou na verdade, desde aquilo que foi a
afirmação de Jesus a respeito,
supostamente, de Pedro como o
representante da igreja.
A teologia católica é fundada nos
pronunciamentos ecumênicos da igreja
antiga. Eu vou falar que pronunciamentos
ecumênicos são esses, mas ecumênico aqui
não tem o significado de uma
união de várias religiões,
mas a ideia das várias tradições cristãs
que foram surgindo ao longo do tempo. A
ideia de de uma
proposição
e de uma proposta universal que abarca
todos os cristãos.
Esses pronunciamentos ecumênicos da
igreja antiga, ainda do período dos pais
da igreja, são: o credo de Niceno, o
credo apostólico, o credo de Atanásio
e a definição cristológica do credo do
com per perdão, a confissão cristológica
do concílio de Calcedônia.
Então, esses cinco credos, com também a
afirmação do concílio de Calcedônia,
formam uma base muito importante para a
gente entender a teologia da igreja
católica.
A teologia ocidental foi profundamente
influenciada por dois grandes nomes que
todo mundo conhece, que é Agostinho de
Hipona, que está entre o século IV e V,
já falamos dele várias vezes no nosso
curso aqui,
que definiu a agenda teológica do
ocidente por um milênio,
e também Tomás de Aquino, no século
XIII, que incorporou a filosofia
aristotélica à síntese teológica.
É importante a gente perceber que
Agostinho certamente é um dos nomes ou o
nome que foi mais importante para
compreensão e para o desenvolvimento da
teologia cristã no ocidente.
A a influência de Agostinho não é tão
evidente ou tão forte no oriente. A
gente viu no período dos pais da igreja
como essas ênfases foram ficando cada
vez mais claras e alguns dos pais da
igreja se tornaram representantes da
teologia que foi se desenvolvendo no
oriente e no ocidente. E Agostinho
certamente é o nome mais importante para
a gente entender a teologia da igreja
católica, que é a igreja do ocidente, a
igreja católica apostólica romana.
A
quando a gente fala de Tomás de Aquino
como sendo esse segundo grande nome da
teologia católica e da teologia cristã,
na verdade,
a gente muitas vezes fala de Tomás de
Aquino como sendo o substituto de
Agostinho, mas isso não é verdade. Tomás
de Aquino ele trabalha a partir daquilo
que era a teologia agostiniana, que era
a teologia oficial da igreja católica,
só que ele adiciona muito daquilo que é
a metodologia ou muito daquilo que são
as ferramentas
de pensamento, as ideias da filosofia
aristotélica. Nesse sentido, a teologia
de Tomás de Aquino se distingue daquilo
que são as afirmações de Agostinho, mas
a ideia não é de eh
substituição
e a ideia não é de oposição, mas é uma
espécie de desenvolvimento
que passou também a exercer uma grande
influência.
A o que a gente percebe na história é
que as ideias de Tomás de Aquino, que
hoje são
obviamente consideradas como das mais
influentes na história da igreja
católica,
não foram aceitas de pronto. Ele não viu
o seu trabalho exercendo toda a
influência
ou a a a maior parte da influência que
ele viria a exercer em séculos
seguintes. O Concílio de Trento,
lembrando que Tomás de Aquino tá lá
no século XIII, se eu não me engano. E o
Concílio de Trento foi
aquele que oficializou a perspectiva de,
é, de Tomás de Aquino como a posição
oficial da Igreja Católica reforçada
pelo Concílio do Vaticano I em 1879. E o
Concílio de Trento, que foi esse momento
em que as ideias de Tomás de Aquino, a
teologia de Tomás de Aquino se tornou a
teologia oficial da Igreja Católica,
acontece no século XVI. Então a gente
tem um intervalo de aproximadamente 300
anos entre a vida de Tomás de Aquino e o
Concílio de Trento.
Depois você tem o reforço desse
posicionamento
três séculos depois, também a, um, uma
distância semelhante entre
a proposta inicial de Tomás de Aquino e
aquilo que é o Concílio de Trento, um
espaço semelhante para o Concílio do
Vaticano I que acontece em 1879.
Então a gente já tá falando de século
XIX que reforça, é, o posicionamento da
teologia de Tomás de Aquino. Então esses
dois nomes são muito importantes pra
gente compreender
aquilo que é a teologia da Igreja
Católica. Deixa eu só passar aqui que tá
um pouquinho travado pra mim o
o
o slide, mas consigo, deixa eu conseguir
passar.
A
opa.
Eu tava falando de Agostinho e Aquino e
eu não estava no slide mais
apropriado.
Mas passando aqui, isso já foi o
o conteúdo que eu acabei de falar.
Passando aqui para o próximo ponto, a
gente tem a contribuição de um um
teólogo.
O status da doutrina no catolicismo
mudou dramaticamente no último século e
meio. A forma como a gente entende
doutrina, a gente está estudando as
várias tradições.
Mas nós estamos falando isso a partir da
perspectiva de teólogos, professores que
são todos protestantes e mais
especificamente batistas.
Então a gente eh
precisa reconhecer que a maneira como
nós pensamos doutrina é muito diferente
como acontece no mundo católico.
E a própria maneira como a igreja
católica passou a entender doutrina
mudou no último século e meio, como a
gente colocou no começo aqui desse
slide.
Para entender esse processo é preciso
saber da existência desses dois
concílios fundamentais da igreja
católica. Um deles a gente já mencionou,
que é o Concílio de Trento, que acontece
entre 1545
e 1563
e o Concílio Vaticano II. Esse aconteceu
no século passado. Foi entre 1962
e 1965.
Esses dois nomes precisam ser lembrados.
Concílio de Trento,
século XVI
e Concílio do Vaticano II, século XX.
O Concílio de Trento foi a resposta
doutrinária da igreja católica à Reforma
Protestante. Veja que a Reforma
aconteceu em 1517
e o Concílio de Trento acontece pouco
tempo depois, 1545.
E o objetivo do Concílio de Trento era
justamente conter
o avanço do protestantismo
e esse Concílio moldou a identidade da
igreja católica durante séculos.
Foi uma resposta doutrinária ao
movimento da Contrarreforma.
Eh uma resposta doutrinária à Reforma
Protestante.
E isso teve influência enorme na
autocompreensão da igreja católica, na
maneira como a vida prática da igreja se
desenvolveu e também as questões da
teologia formal mudaram a partir do
Concílio de Trento.
Já o Vaticano II acontece
aproximadamente 400 anos depois e tinha
por objetivo promover uma atualização
das questões doutrinárias para melhor
dialogar com o mundo contemporâneo.
Se preservou a linguagem, eh, do
Concílio de Trento, uma linguagem já
estabelecida na Igreja Católica, mas o
que se percebe é que houve movimentos e
mudanças teológicas significativas
dentro da Igreja Católica
na percepção do que é doutrina, na
percepção de quais são as doutrinas que
a Igreja deve manter ou atualizar. Esse
é um termo muito comum no Concílio
Vaticano II, a atualização das doutrinas
da Igreja como uma forma de melhor
dialogar com o mundo contemporâneo.
Após o Concílio de Trento, a doutrina
católica era vista como plenamente
formada desde os primórdios. Então,
desde o começo da Igreja primitiva, a
doutrina cristã estava dada. A Igreja
Católica, ela simplesmente
vivia e administrava a realização dessa
doutrina, a a experiência prática dessa
doutrina.
Com o advento da historiografia moderna
e do idealismo filosófico do século XIX,
por meio de Hegel,
surgiu um modelo diferente de
pensamento, o do desenvolvimento
doutrinal ao longo dos séculos.
Então, na primeira concepção, é a ideia
de que a doutrina estava dada nas
escrituras,
a Igreja só administrava a doutrina
e a doutrina era sempre a mesma. Já no
século XIX, influências filosóficas do
mundo e da sua época levaram, em
especial, o cardeal John Henry Newman
a propôs esse lance do desenvolvimento
doutrinal
ao longo do tempo, ao longo dos séculos.
O John Henry Newman é um ex-padre
anglicano
convertido ao catolicismo durante o
movimento de Oxford e foi central nessa
mudança de perspectiva. Newman
argumentou que há uma realização
progressiva da verdade revelada nas
escrituras.
A analogia é da lande ou a bolota, esse
é fruto que aparece na imagem aí da
direita.
A analogia entre essa bolota e o
carvalho, essa lande e o carvalho. A
continuidade entre os dois. E dentro da
lande está o projeto genético
para o carvalho adulto. Assim como um
novo convertido cresce em sua
compreensão de fé
a igreja também
cresceu progressivamente em sua
compreensão da verdade.
A verdade estava lá, estava nas
escrituras, mas com o passar do tempo a
igreja foi compreendendo com mais
clareza, foi progredindo na compreensão
da verdade revelada. Newman identificou
sete princípios, testes do verdadeiro
desenvolvimento que distinguem o
desenvolvimento
da corrupção.
Suas propostas encontraram uma
resistência muito forte quando elas
foram feitas inicialmente no século 19,
mas no século 20 elas influenciaram o
Concílio do Vaticano II, que a gente
explicou no começo desse slide,
sinalizando uma ruptura com essa
mentalidade que foi estabelecida no
Concílio de Trento.
Então veja como houve uma diferença
grande na compreensão da Igreja Católica
antes e depois do Concílio do Vaticano
II, que é
a ideia de que a doutrina
ela é sempre a mesma. Agora a
perspectiva é que a doutrina ela parte
da mesma fonte, a fonte permanece a
mesma, mas a doutrina muda porque a
compreensão da igreja muda ao longo do
tempo, tá?
Bom, seguindo aqui adiante,
a gente tem, é, essa questão ainda, é,
muito relevante em entender o que
permanece e entender o que muda na
igreja católica. E a proposta é, segundo
essa frase que vocês estão vendo aí, a
substância de uma doutrina é uma coisa.
A maneira como é apresentada é outra.
Papa João
23, que foi o papa, se eu não me engano,
que convocou o Concílio do Vaticano II.
Não foi ele que
é, conduziu até o fim, porque ele
faleceu no começo do Concílio, se eu não
estiver ligando os pontos errado.
E, e, mas foi ele quem teve essa
urgência de convocar o Concílio Vaticano
II por reconhecer que
a, a maneira como a igreja funciona, a
igreja católica se entende, deve mudar e
a sua compreensão doutrinária também
deve mudar ao longo do tempo.
Enquanto a doutrina da igreja após
Trento era vista como estática, o último
século, o século XX, cedeu lugar a uma
visão evolutiva da doutrina.
O catolicismo reconhece que seus
ensinamentos vão além do mandato
bíblico, mas ao contrário do
protestantismo conservador,
não considera esse lance de ir além do
mandato bíblico um problema.
Teólogos católicos contemporâneos
afirmam que a tradição da igreja
desenvolve e faz crescer a semente da
doutrina.
A trajetória de imagens encontrada no
Novo Testamento, levando-as à sua
conclusão natural,
mantendo-se consistente com a verdade do
Novo Testamento. A aparência externa de
uma doutrina pode mudar, mas sua
essência permanece consistente. Foi
justamente o Papa João Paulo, o Papa
João 23, que apelou a esse princípio da
contextualização, como está nessa frase:
"A substância de uma doutrina é uma
coisa, a maneira como ela é apresentada
é outra".
Aqui, agora a gente chega num ponto
muito importante para a gente
compreender
um ponto de distinção
é muito notório e perceptível entre
católicos e protestantes.
Embora muitas questões separem o
catolicismo romano do protestantismo, a
questão primária é a compreensão da
doutrina da justificação pela fé.
A compreensão católica da justificação
foi construída por Agostinho
que, baseando-se na etimologia,
etimologia do latim
iusta facere ou iusta passare, perdoe
meu latim, a gente tá falando palavras
em francês, em alemão e latim nessas
últimas aulas e eu não domino nenhuma
dessas três línguas.
Mas a essa expressão significa tornar
justo.
Veja que Agostinho não está apelando nem
para o grego, nem para o hebraico, mas
para a raiz da palavra em latim.
A gente já tá falando de Agostinho
século IV e V, então a muito
provavelmente existia uma grande
influência da Vulgata, da Bíblia
traduzida para o latim e por isso muitos
dos trabalhos de interpretação eram
baseadas na tradução para o latim.
Então Agostinho, baseando-se na
etimologia do latim dessa expressão
tornar justo, ensinou que
a justificação é um processo pelo qual o
crente é progressivamente tornado justo
em seu caráter.
E essa justiça se torna a base da
salvação final. Vou repetir esse
aspecto. Para a teologia católica,
segundo o ensino de Agostinho,
justificação é um processo no qual o
crente, ele é progressivamente tornado
justo
em seu caráter.
E essa justiça se torna base da salvação
final.
Já os reformadores protestantes,
em especial, de acordo com o trabalho do
Filipe Melanchthon, que foi o grande
amigo e o grande teólogo amigo de ago eh
de Lutero,
e também João Calvino, insistiram que a
justificação é uma declaração legal de
não culpado.
É esse momento em que Deus irá declarar
não culpado, pronunciada por Deus com
base na justiça de Cristo, que é
imputada ao crente. Não é um processo,
mas é um veredito.
Deus
diz, no tempo presente, sobre aquele que
deposita sua fé em Jesus, ele é não
compa culpado com base no sacrifício e
na justiça de Cristo, que é imputada
sobre o crente.
Dessa forma, envolve um julgamento
sintético, único, em um ponto do tempo,
um julgamento feito por Deus. O crente
pode ter certeza de sua aceitação por
Deus. Os protestantes separaram a
salvação em duas partes. Existe essa
justificação inicial, que é esse ato
forense. Por que forense? Porque diz
respeito a um tribunal, a um julgamento.
Por isso esse termo que é tão recorrente
na teologia quando fala da doutrina da
justificação pela fé. Esse ato forense,
esse ato jurídico,
e essa
santificação progressiva são os dois
pontos importantes dentro da teologia
protestante. Você é justificado
inicialmente, ato forense, e depois você
passa por uma
santificação progressiva. Aí sim, o
processo da santificação é um processo,
é esse crescimento em santidade distinto
mas emergente da declaração legal.
Os católicos eles responderam insistindo
na compreensão agostiniana da
justificação como processo de
regeneração
e renovação da natureza humana
mediado pelos sacramentos.
Nessa visão não há certeza da salvação
final porque
porque o último capítulo da vida do
crente ainda não foi escrito.
Se ele está por meio dos sacramentos
tendo
é
a graça de Deus de alguma forma
sendo infundida sobre a vida dele
sendo é colocada sobre a a justiça de
Deus que vai sendo infundida sobre a
vida dele à medida que ele tem os
sacramentos administrados pela igreja
católica
então não é possível saber em que grau
de justiça ele se encontra no momento em
que ele antes do momento em que ele
morre.
Então você não tem como saber se a
pessoa de fato ou a própria pessoa não
tem como saber se ela é salva ou não
porque ela não tem certeza se houve uma
justiça que foi infundida por Deus
administrada e derramada por Deus sobre
a vida desse que crê suficiente para
considera-la considera-lo justo no
momento do juízo final.
Por isso existe essa incerteza. Por isso
esse gráfico que a gente colocou aí
resumindo essa visão. O católico tem a
visão do processo se tornando justo
a essa infusão de graça que é justamente
Deus derramando graça por meio dos
sacramentos, Deus derramando justiça por
meio dos sacramentos que a igreja
administra
e essa é a base para a salvação final,
por isso a pessoa não tem garantia de
que vai ser salva que ela não sabe
quanta justiça já foi derramada sobre
ela. Na visão protestante, você tem uma
declaração legal de não culpado no tempo
presente. Essa é uma justiça que é
imputada por Cristo e por isso o sujeito
tem garantia de salvação. Isso será
feito no momento, esse
é, esse veredito será tornado público no
julgamento final, mas isso já foi feito
no tempo presente por esse julgamento
sintético. E o ponto central é:
justificação para católicos é um
processo. Justificação para protestantes
é uma declaração forense.
Seguindo aqui,
a gente começa a entrar nessa discussão
que ainda hoje desperta muito debate
entre católicos e protestantes. Quando
os católicos ouviram os protestantes
insistindo na justificação separada das
obras, eles entenderam que para os
protestantes as obras não teriam nenhum
papel na salvação do crente.
Essa percepção de
separação entre salvação e santidade
pessoal horrorizou os católicos.
Os católicos responderam insistindo na
compreensão agostiniana da justificação
como processo de regeneração e renovação
da natureza humana. Nesse processo, o
crente é infundido com a graça de Deus
progressivamente
e é progressivamente preenchido por essa
justiça.
Essa infusão de graça é tanto
sacramental
quanto por meio das boas obras. Na
compreensão teológica formal, as obras,
veja bem, isso é importante para sermos
justos
com o pensamento daquele que pensa
diferente da gente. Na compreensão
teológica formal dos católicos, as obras
não são atos feitos para ganhar o favor
divino.
As obras são atos feitos no poder do
Espírito Santo.
Mas essas obras e a santidade produzida
por essas obras na vida do crente
tornam-se a base para a aceitação ou a
rejeição final por Deus.
Assim, no entendimento católico, não
pode haver certeza da salvação final,
porque a graça que produz esse estado de
renovação é mediada pela igreja em seu
sistema sacramental. Você precisa estar
sempre em contato e em plena satisfação
dessas demandas que são a a comunhão com
os sacramentos ou ou a participação dos
sacramentos.
Quais são os sacramentos da Igreja
Católica? São sete.
Batismo, confirmação, eucaristia,
penitência, unção dos enfermos,
matrimônio e a ordem
sacra.
O ministério da graça de Cristo na
Igreja Católica Romana é sacramental.
Isso é muito diferente, por exemplo, da
realidade da tradição protestante
batista. A gente tem tradições
protestantes sacramentais que entendem
que funcionam com base no
sacramentalismo,
mas você tem várias outras tradições
protestantes que não são sacramentais. E
para alguém que não participa de uma
tradição sacramental,
eh,
às vezes é difícil entender qual é a
lógica do sistema sacramental. O
ministério da graça de Cristo na Igreja
Católica é sacramental. A graça de Deus
ela é dispensada aos fiéis por meio
desses sete sacramentos que a gente
acabou de ler. Só uma informação
importante, isso que aparece como unção
dos enfermos, para muitas pessoas ainda
é conhecido como extrema unção. A
extrema unção mudou a nomenclatura, eu
não sei exatamente quando, talvez também
a partir do Concílio do Vaticano II,
para a unção dos enfermos e a gente vai
falar por quê, mas só para vocês
entenderem que é é a extrema unção é um
dos sacramentos.
Esses sete sacramentos eles foram
declarados pelo Concílio de Trento como
instituídos pelo próprio Jesus.
O Papa Paulo VI
descreveu esses sacramentos como uma
realidade que foi imbuída da presença
oculta de Deus.
O propósito desses sacramentos é
infundir a igreja com a graça de Cristo.
Dentro da
teologia sacramental que está presente
tanto nos católicos, mas com as suas
diferenças entre alguns protestantes
é que os sacramentos são meios de graça.
Deus dispensa graça específica apenas
para aqueles que participam
desses sacramentos ou Deus dispensa essa
forma de graça específica apenas para
aqueles que participam desses
sacramentos.
A concepção da eficácia dos sacramentos
mudou ao longo do tempo. Trento insistiu
que os sacramentos são causas de graça
que podem ser recebidas
independentemente do mérito do receptor.
Se você participou, você recebe essa
graça. Existe uma expressão em latim
para isso que é ex opere operato, que é
pela obra realizada. Se a obra foi
realizada sobre você,
independente do seu estado, da sua
confissão, da sua condição, do que você
faz ou deixa de fazer, você recebe a
graça de Deus.
O Concílio do Vaticano II tornou mais
explícito que o sacramento não tem
eficácia se a pessoa não tem fé.
Então o sacramento, ele só tem o seu
valor real se aquele que o recebe possui
fé.
Tá?
Vamos falar então de maneira um pouco
mais eh detalhada agora sobre cada um
desses sacramentos. O primeiro é os
primeiros são batismo e confirmação. O
batismo é o primeiro sacramento
que é experimentado pelos católicos.
Desde o período patrístico é entendido
como o rito de iniciação na comunidade
cristã que faz remissão do pecado
original.
Sendo absolutamente necessário para a
salvação. Por isso que o batismo
infantil é tão importante. O batismo
infantil é visto como o resgate do
recém-nascido da possibilidade de
condenação eterna.
Por isso que para os católicos
praticantes é muito importante assim que
o bebê tenha condições que ele seja
batizado e obviamente batizado na Igreja
Católica.
Agostinho, no século V, usou essa
prática já antiga do batismo infantil
como prova da doutrina do pecado
original.
No caso de um convertido adulto, o
batismo também faz remissão de todos os
pecados pessoais cometidos
antes do batismo, certo?
Isso é importante. O batismo perdoa os
pecados que foram cometidos antes do
batismo, razão pela qual
alguns na Igreja antiga adiavam o
batismo até o leito de morte. Qual é a
ideia?
Vou pecar
o máximo que eu puder, mas eu sei que o
sacramento, como a gente falou, é ex
operato, deixa eu buscar aqui, ex opere
operato, ou seja, independente da fé e
da convicção do sujeito se ele
participar do sacramento, a graça
daquele sacramento recai sobre a o
sujeito que recebe o sacramento, então
se ele for batizado pouco tempo antes de
morrer,
ele tem a garantia de que é todos os
pecados cometidos até aquele momento,
eles foram a perdoados.
Além do batismo de água, o catolicismo
reconhece o batismo de sangue, que é o
martírio por Cristo,
E o batismo de desejo, que é para as
pessoas que desejavam o batismo, mas que
não receberam esse sacramento antes de
morrer por algum motivo, porque não teve
alguém que administrasse, porque não
teve tempo entre
a convicção do sujeito, o desejo do
sujeito e e a morte dele, mas para
aqueles que não foram batizados, mas
tinham esse desejo, a igreja reconhece
essa pessoa como batizada.
Até mesmo aqueles que não conhecem
Cristo podem ser contados como cristãos
anônimos,
se o seu esforço por uma vida boa é de
fato uma resposta à graça de Deus. Essa
é uma das mudanças que aconteceram na
teologia mais recente da Igreja
Católica, que é
aos cristãos anônimos e o seu esforço e
eles são considerados verdadeiramente
cristãos,
mesmo que eles não conheçam a Cristo,
se o seu esforço por uma vida boa é de
fato uma resposta à graça de Deus.
O que que é a confirmação que acontece
depois do batismo? A teologia do
sacramento da confirmação
foi desenvolvida no período medieval e
ela foi entendida como um dom do
Espírito Santo para o fortalecimento da
fé.
O Concílio de Trento ratificou
o sacramento,
que era então administrado pelo bispo
algum tempo após o batismo.
Hoje, a confirmação é frequentemente
administrada ao mesmo tempo que o
batismo, enfatizando o aspecto
iniciático do sacramento. Por exemplo,
tradições como o anglicanismo se separam
esses dois sacramentos por um intervalo
de tempo considerável.
A criança é batizada muito nova, mas
apenas, se eu não me engano, no período
da pré-adolescência ou adolescência é
que ela é permitida, caso ela queira,
passar pelo sacramento da confirmação.
É, mas hoje na Igreja Católica, em
muitos ambientes, as duas coisas são
feitas ao mesmo tempo para dizer que
tanto esse dom do Espírito Santo que vem
por meio da
confirmação quanto o batismo, elas
acontecem na criança quase que
recém-nascida, pouco tempo após o seu
nascimento, que esse sacramento pode,
segundo a Igreja Católica, deve ser
administrado.
Outro, ah,
sacramento importante é a Eucaristia e o
ensino sobre a transubstanciação,
transubstanciação, perdão.
O termo Eucaristia vem de eucharisteo,
que é dar graças.
Desde o período antigo, havia um debate
sobre a natureza da Ceia do Senhor,
também chamada a Comunhão ou Eucaristia
celebrada na missa.
O conceito de transubstanciação
ganhou força gradualmente até ser
dogmatizado pelo
Quarto Concílio de Latrão em 1215 depois
de Cristo. Essa doutrina sustenta que a
missa é um sacrifício incruento de
Cristo. Que que é incruento? É sem
sangue. Então, o sacrifício sem sangue
de Cristo é o que está acontecendo no
momento da Eucaristia, dos elementos
que, na tradição protestante, são os
elementos da Ceia,
no qual o pão e o vinho são
transubstanciados
em sua substância, não aparência, no
verdadeiro corpo e sangue de Cristo.
Isso é muito importante para a gente
entender por que que a Eucaristia é tão
importante para os católicos.
A ideia e o ensino da transubstanciação
é que no momento em que o fiel participa
do pão e do vinho que são administrados
administrados pela Igreja,
na boca desse fiel, esse pão se
transforma na carne de Cristo, não na
sua aparência, mas na sua essência.
E o vinho se torna no sangue de Cristo.
Essa é a interpretação da igreja.
A a eficácia do sacrifício realizado na
missa é a mesma do sacrifício com sangue
de Jesus na cruz.
Aquilo que aconteceu com Jesus na cruz
acontece toda vez que a eucaristia é
celebrada pela igreja católica dentro da
teologia católica.
Devido à santidade dos elementos que
foram consagrados, surgiu a prática de
dar comunhão apenas com o pão e não com
o vinho, pois derramar o vinho significa
derramar o sangue de Cristo e esse seria
o maior dos sacrilégios.
Durante a reforma, a transubstanciação
tornou-se um grande ponto de
controvérsia entre católicos e
protestantes e permanece assim até hoje.
Muitos protestantes consideram o
sacramento idólatra, pois os elementos
são adorados da mesma forma que Cristo,
na interpretação de alguns protestantes.
Outro sacramento importante é a
penitência.
O sacramento da penitência, popularmente
chamado de confissão, tem suas raízes na
igreja antiga.
E qual o texto que a igreja utiliza para
justificar a penitência? Tiago 5:16 e
também outro texto da igreja primitiva,
que é o Didaché, no capítulo 14,
versículo 1. Sugerem que a confissão
pode ter sido pública nos primeiros
tempos da igreja. A prática da confissão
pessoal começou no século 8 com os
monges irlandeses. E na idade média, a
penitência evoluiu até ser elevada ao
status de sacramento. O Concílio de
Trento
confirmou esse status e exigiu que todos
os cristãos confessassem seus pecados
mortais a um sacerdote por tipo e
número.
E os quatro componentes da penitência,
segundo Trento, são esses que você vê aí
no slide.
Satisfação,
confissão,
contrição e absolvição. Satisfação é o
ato de fazer a penitência.
Confissão é o reconhecimento verbal do
pecado. Contrição é a atitude de
arrependimento e absolvição é a
declaração de perdão por parte do
sacerdote.
O Vaticano II trouxe uma nova ênfase
para a penitência. A penitência como
reconciliação
com a igreja.
A contrição do fiel restaura a relação
do pecador com Deus.
Mas,
como as ações do pecador comprometeram a
missão da igreja, o perdão deve ser
buscado
pelo sacerdote.
Então, a ênfase mudou. Eu lembro que o
último papa, o papa Francisco,
inclusive, também
fez algumas afirmações sobre como a
igreja deveria
administrar de maneira mais cautelosa
a questão da penitência.
Ah,
o outro sacramento é a unção dos
enfermos. A unção dos enfermos era
chamada de extrema unção ou os últimos
ritos antes do Vaticano II.
Já durante o período lá atrás, medieval,
o rito de ungir os enfermos foi sendo
cada vez mais reservado
aos moribundos.
Ah, cada vez mais aos moribundos. E a
partir daí surgiu a expressão
extrema unctio ou a última unção.
O Vaticano II restaurou
a ênfase original do sacramento,
declarando que o rito não é apenas para
aqueles que estão à beira da morte.
Assim, o rito agora é realizado tanto
para os doentes quanto para os
moribundos.
A base bíblica para o sacramento da cura
é também o texto de Tiago, Tiago 5,
versículo 14 e 15.
Outro sacramento é o matrimônio.
No catolicismo, o matrimônio é visto
como um sacramento, o que o torna uma
união
indissolúvel.
Isso explica muita coisa sobre a posição
da
Igreja Católica em relação ao divórcio.
Essa posição de qualificar o matrimônio
como sacramento foi declarada pelo
Concílio de Florença e foi reafirmada no
Concílio de Trento.
A Igreja leva a sério essa afirmação
bíblica: "O que Deus uniu, o homem não
separe". Mateus, capítulo 19, versículo
6.
Palavras de Jesus.
O caráter sacramental do matrimônio
levou a Igreja Católica Romana a se opor
veementemente ao divórcio.
Via de regra, o divórcio é proibido, mas
ocasionalmente pode ser concedido
eh por uma anulação. E a ideia da
anulação é uma declaração de que o
casamento nunca foi um matrimônio
válido.
A outra coisa importante é
ou são as ordens
sacras.
A
A ordem sacra, embora a Igreja
historicamente tenha se definido pelo
clero ordenado, desde o Vaticano II, a
Igreja reconheceu que todos os cristãos
são, em algum sentido,
sacerdotes. No entanto, ainda existe uma
distinção entre o sacerdócio confirmado
pelo batismo, que são todos os fiéis,
e o sacerdócio conferido pela ordenação,
a ordem sacra.
O catolicismo reconhece três níveis de
ordenação, que são os bispos, os
presbíteros, que são os padres, e os
diáconos.
Essas são as ordens sacras da Igreja.
Outra coisa importante são os
sacramentais.
Os sacramentais é um pouquinho diferente
dos sete sacramentos. Além dos
sacramentos que se fundamentam na
autoridade das escrituras e da igreja
apostólica,
o catolicismo romano também reconhece
numerosas sacramentais.
Em contraste com os sacramentos que
operam ex opere operato, que é pela obra
realizada,
os sacramentais operam ex opere
operantes, que é pela obra do obreiro.
Os sacramentais causam graça pela fé e
devoção do adorador. Não é o padre que
vai administrar, não é o bispo que vai
administrar os sacramentais, mas é o
próprio fiel que vai
procurar
eh
praticar aquilo que está envolvido
nesses sacramentais, que é o uso do óleo
santo, da água benta,
das velas, das cinzas santas, dos
crucifixos e também das estátuas.
A
Uma chave muito, muito importante para
entender o catolicismo romano é a sua
eclesiologia. O que que é a
eclesiologia? É a doutrina da igreja. É
muito importante a gente entender como a
igreja católica entende a si mesma.
A igreja se vê como a representante
divinamente comissionada de Deus
sobre a terra. É, portanto, uma igreja
de cima para baixo, refletindo em muitos
aspectos a visão de mundo feudal da qual
essa igreja emergiu.
A estrutura de autoridade é vertical,
hierárquica
e, de acordo com a autoridade que é
retida e contida pela própria igreja.
A igreja, ela media conscientemente
a presença de Deus na terra, com o papa
atuando como o vigário de Cristo na
terra.
A estrutura episcopal é monárquica e
historicamente seu ensinamento sustentou
que não há salvação fora da igreja e
essa afirmação é feita do ponto de vista
institucional. Não há salvação
fora da igreja católica apostólica
romana.
Isso tem sido a posição ou foi a posição
histórica da igreja é, de maneira geral,
que também foi impactada pelas
afirmações do Vaticano II. As
características da igreja como
verdadeira representante de Cristo são:
unidade, santidade, catolicidade e
apostolicidade.
Essas são as características da igreja
católica, o que elas afirmam que é a a
característica da instituição. A missão
da igreja está dividida em quatro
partes: proclamação do evangelho, a
celebração dos sacramentos, o testemunho
do evangelho e o serviço a todos os
necessitados.
Tá? Ah
isso
é, falando até um pouco melhor sobre
essa questão da
missão da igreja, o catolicismo vê essa
missão da igreja em quatro partes: a
proclamação, a celebração dos
sacramentos, o testemunho e o serviço de
maneiras muito específicas. A
proclamação do evangelho é anunciar as
boas novas de Jesus Cristo ao mundo. A
celebração dos sacramentos é administrar
os sete sacramentos como canais da graça
de Cristo. E o testemunho do evangelho é
viver e testemunhar o evangelho no
cotidiano.
E o serviço a todos os necessitados é a
diaconia. A diaconia como cuidado com os
pobres e os marginalizados. Essa visão
quádrupla da missão reflete é uma
compreensão católica da igreja como
mediadora
da presença e da graça de Deus no mundo.
Então uma síntese e um resumo dos
aspectos mais importantes da nossa aula
que caracterizam a Igreja Católica é:
Deus é visto de forma transcendente, ou
a ênfase está nesse Deus transcendente e
santo.
A doutrina, após o Concílio do Vaticano
II, é visto como um aspecto progressivo
da Igreja Católica, então não
necessariamente aquilo que era doutrina
há 400 anos atrás
vai aparecer da mesma maneira hoje,
porque ela está em desenvolvimento. A
justificação é um processo de renovação
pela graça de Deus.
Os sacramentos são sete canais da graça
de Deus que é administrada pela própria
Igreja. E a Igreja é essa mediadora
hierárquica da presença de Deus resumida
na frase que nós todos já ouvimos em
algum momento: "Fora da Igreja não há
salvação", tá?
Bom, eh
eu percebi, estudando um pouco sobre a
teologia católica e também no contato
com alguns teólogos católicos, eu
percebi que é um pouco difícil falar de
maneira única a respeito da teologia
católica, justamente por esse grande
impacto que os concílios tiveram na
história da teologia católica. A
teologia católica mudou muito ao longo
do tempo. Em especial, as mudanças que
nos alcançam hoje estão relacionadas com
o Concílio do Vaticano II.
Então,
tem muitas coisas que antes eram
bastante características e que que até
hoje as pessoas eh associam com a Igreja
Católica
que foram modificadas pelo Concílio do
Vaticano II. O reconhecimento, por
exemplo, que existem
outros cristãos que não estão
necessariamente ligados
à Igreja Católica do ponto de vista
institucional, mas são verdadeiros
cristãos, serão salvos, serão
justificados, mas são uma espécie assim
de eh parentela apartada, são os
parentes que estão distanciados da
verdadeira família que é a Igreja
Católica. Mas houve uma abertura de se
reconhecer que há cristãos autênticos
fora da Igreja.
Eh o que eu também percebo é que há uma
grande distância entre a teologia
católica formal, em especial aquilo que
surge a partir do Concílio Vaticano II,
e a realidade da Igreja local, ainda
mais olhando para a realidade do Brasil,
que você tem uma Igreja Católica no
mínimo em cada município do Brasil, é
muito difícil, desconheço um município
eh dentro do enorme terri
>> Bom, pessoal, espero que vocês vocês
estejam me vendo. Eh, caiu aí a a
a energia, eu tô aqui no prédio da IBNU,
tem uma luz de emergência, por isso que
não tá tudo escuro e eu tô roteando a
minha internet do celular. Então, eu não
sei se
eh, não sei se meu sinal voltou para
vocês aí. Se alguém puder me dar um
retorno no chat,
se vocês estão me vendo e ouvindo, eu
agradeço. Está normal agora, legal. O
Marco colocou aqui para a gente. Então,
vai meio que a luz de vela aqui, eu tô
na luz de emergência, mas acho que dá
para vocês verem e ouvirem bem.
Ah, o que acontece é que ah, dentro da
realidade brasileira, você tem uma
igreja em cada município e esse
catolicismo que chegou aqui ainda
conserva muitos dos aspectos que vieram
do catolicismo eh, do período colonial,
a uma realidade quase pré-moderna em
alguns dos dos seus
eh, aspectos culturais, da sua
cosmovisão, da sua prática.
Então, o que a gente percebe é que não
necessariamente aquilo que é a teologia
formal da Igreja Católica é a realidade
de todas as igrejas católicas
localmente, tá?
Então, a gente precisa ter um um certo
cuidado de fazer afirmações categóricas
sobre o que é a teologia da Igreja
Católica como se isso fosse o pensamento
de todo católico. Não é, tá bom? Existe
uma grande diversidade, houve uma
transformação, uma abertura
da Igreja Católica, o Concílio do
Vaticano II é claramente visto como um
movimento de maior abertura e inclusão
de outras perspectivas teológicas que
haviam sido fortemente excluídas no
Concílio de Trento e o Concílio de
Trento foi uma resposta muito vigorosa
contra a muito enfática contra a Reforma
Protestante. Então, a aquilo que o
Concílio Vaticano II fez, de certa
forma, aproximou aquilo que é a doutrina
da Igreja Católica de muitos aspectos
que foram reivindicações lá atrás da
Igreja Protestante. Outro ponto,
enquanto protestante, é perceber que
Lutero não queria acabar com a Igreja
Católica e muitos dos reformadores não
tinham a perspectiva de abolir a Igreja
Católica, mas sim reformá-la. A partir
do ponto em que isso se tornou claro que
seria impossível,
eh, partiu-se para o caminho de
estabelecer uma outra tradição, uma
outra igreja, entendendo que aquela
igreja é aquela que de fato conservava o
ensino dos apóstolos.
Mas, ah, é preciso reconhecer a grande,
eh, tradição e a longa história,
eh, que foi sendo construída pela
Igreja, ah, Católica ao longo desses
séculos. Os próprios reformadores,
inicialmente, tinham esse
reconhecimento.
Tá bom? Bom, vamos responder aqui
algumas perguntas, se é que a gente vai
conseguir segurar a internet aqui.
Enquanto durar a internet do celular, eu
vou
conversando um pouquinho aqui com vocês,
tá? Deixa eu olhar aqui no chat.
Deixa eu ver.
Ah, o Marco faz a seguinte pergunta: "O
que seria o dom do Espírito Santo como
confirmação no Catolicismo? Seria algum
tipo de dom?"
Nesse sentido, Marco, sim, muito
semelhante a a essa compreensão de que o
Espírito Santo, ele é dado àquele que
crê. Eh, da mesma forma existe essa
compreensão de que o Espírito Santo, ele
está com a pessoa que foi batizada aí
que passa pelo sacrifício a que passa
pela confirmação do batismo, tá? Peço
desculpas se tiver vazando o som, outra
pessoa estava aqui na sala porque como
caiu a energia de todo o prédio, estão
tentando religar aqui, disparou o
disjuntor, um monte de coisa, tá bom?
Vamos ver aqui que mais que a gente tem.
Bom, uma pergunta do Marco também sobre
o entendimento católico a respeito de
purgatório,
a respeito é da salvação eterna
e do inferno.
Bom, inferno é esse lugar de condenação
eterna para os católicos e o céu é o
lugar de salvação eterna. A pergunta
principal é
o purgatório. Quem é que vai para o
purgatório e quem é que vai para o céu?
Céu é aquele que morre em um elevado
estado de justiça e de santidade. Como a
gente falou, a con
a condição de justiça e santidade estão
fortemente associados à participação do
fiel nos sacramentos, na justificação
que
o Cristo vai realizando sobre a vida do
fiel à medida em que ele participa
desses sacramentos e a realização das
boas obras que na teologia católica é
realizada pelo Espírito Santo através do
fiel.
É, se o sujeito morre nesse estado
elevado ou pleno
de justiça e de santidade, ele vai para
o céu. Se de alguma forma existe alguma
impureza é nesse fiel, ele vai para o
purgatório. E aí o tempo em que ele
passa no purgatório está associado a é o
o grau ou nível de comprometimento que
essa impureza
produziu
nessa pessoa. Inferno é essa pessoa que
está fora da igreja, essa pessoa que
estava completamente apartada dos sacri,
sacramentos que são o meio pelo qual
Deus confere graça. Veja que não é
apenas graça especial como Deus derrama
a sua graça principal sobre todas as
pessoas e de forma pontual ele faz um
agrado, ele derrama uma graça particular
sobre a vida das pessoas por meio dos
sacramentos. Não é essa perspectiva.
A graça salvadora de Deus, ela acontece
por meio dos sacramentos, tá?
Professor, tanto os católicos como os
evangélicos acreditam no credo
niceno-constantinopolitano.
Sendo assim, é possível considerar
católicos como irmãos? Olha, Marcos, uma
coisa é a gente reconhecer a proximidade
doutrinária.
Outra coisa é fazer esse reconhecimento
de quem faz parte do corpo de Cristo.
Uma pessoa pode ter a, o, o mesmo
assentimento doutrinário que eu,
mas em seu coração, é, crê em coisas
completamente distintas e na sua prática
demonstrar um fruto de salvação ou não,
que é diferente do meu ou do seu ou de
qualquer outra pessoa que faça parte do
corpo de Cristo.
Então, a gente pode reconhecer sim que
existe essa base comum em parte da
doutrina cristã,
que vale para os católicos e e que
também vale para os protestantes,
mas nós precisamos, ah,
reconhecer que a participação do corpo
de Cristo
não está em um assentimento doutrinário
específico. Esse que é um ponto talvez
mais difícil da gente compreender. Uma
pessoa
ela é salva porque ela acredita na
doutrina verdadeira?
De maneira geral, não.
Aquilo que a gente coloca como crença e
convicção na doutrina mais fundamental
ligada à fé, aquilo que Paulo coloca em
Romanos capítulo 10.
Se com o coração você crê que Jesus
Cristo é o Senhor e com a boca confessar
que Deus o ressuscitou dentre os salvos,
dentre os mortos, será salvo.
É, se a pessoa tem essa convicção, se
ela depositou essa fé em Cristo, e se
ela vive em função da sua fidelidade a
Jesus,
ela será salva.
Nesse sentido, aqueles que são
protestantes e fizeram essa confissão,
serão salvos.
Aqueles que são católicos e fizeram essa
confissão, será salva. Mas eu acredito
que a doutrina católica
está correto, correta em todos esses
pontos que a gente expôs hoje? Não, mas
é é é bastante óbvio e claro que não,
porque eu faço parte de uma
tradição batista. Eu creio que de uma
tradição protestante, de forma mais
genérica. Eu creio que essa
interpretação é a mais adequada e esse
ensino traz frutos que também são
apropriados, ao meu ver,
numa vida que seja coerente com aquilo
que a gente acredita que são as
consequências dessa salvação em Cristo
Jesus.
O que eu estou dizendo é que a doutrina
não é importante, não, a doutrina é
muito importante.
Mas as pessoas elas não são salvas por
sistemas doutrinários, elas são salvas
por Jesus e pela
fé que elas depositam em Jesus.
A
Fernanda pergunta se o catolicismo do
tempo em que ele foi instituído para
hoje seria muito diferente.
Bom, Fernanda, eu espero que tenha
ficado claro ao longo da nossa aula que
sim, a gente teve muitas mudanças eh na
teologia entre Agostinho e Tomás de
Aquino, depois do Concílio de Trento,
nos vários concílios e a gente teve uma
mudança grande naquilo que é a teologia
católica no século passado. Então, há há
bastante mudança, sim.
Bom,
temos algumas outras perguntas aqui,
eh, mas devido a esse problema de
energia aqui, as coisas estão ficando um
pouco mais complicadas, porque o pessoal
está precisando entrar e sair aqui para
tentar religar,
eh, a gente vai encerrar a nossa aula
por aqui. Temos algumas outras
perguntas, algumas talvez a gente
pudesse até debater em mais detalhes,
mas outras, confesso também a minha
limitação. Vi algumas perguntas no chat
que eu não sei responder, por exemplo,
sobre a a escatologia católica. Eu,
eh, consigo navegar de forma muito mais
confortável entre as diferentes
perspectivas protestantes sobre a
escatologia, mas algumas outras coisas
são de ordem um pouco mais específicas e
devo confessar aqui também a minha
ignorância, minha limitação sobre esses
assuntos.
De qualquer maneira, eu espero que os
pontos que a gente pôde explicar em mais
detalhes tenham
ajudado você entender um pouco melhor a
lógica e aquilo que são os pontos
fundamentais da teologia católica. A
gente agradece você que acompanhou, a
gente agradece seu tempo, a gente pede
para que você nos ajude a melhorar aqui
as aulas. Se você tem alguma sugestão,
a gente está ao dispor e também para que
você acompanhe os nossos próximos
encontros. Quinta-feira a gente vai
falar sobre luteranismo, teologia
luterana. Então, a gente convida você
para retornar
aqui na próxima quinta-feira. A gente
deseja uma boa noite a todos vocês e até
o nosso próximo encontro, tá bom? Tchau,
tchau.
Até mais.

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