Quando a dor encontra voz diante de Deus (Lamentações 1) | Rev. Rubens Cirqueira
08/06/2026
Quando a dor encontra voz diante de Deus (Lamentações 1) | Rev. Rubens Cirqueira
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Os irmãos, que a graça e a paz do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo esteja com todos. Quero nesse momento convidá-los a abrir a palavra do Senhor no livro do profeta Jeremias, Lamentações de Jeremias, capítulo primeiro. Nós vamos acompanhar a leitura de todo capítulo primeiro. Mesmo assentados, nós vamos acompanhar a leitura da palavra do Senhor. Lamentações, no capítulo de número um. Palavra de Deus que nos diz: "Como já solitária a cidade outrora populosa tornou-se como viúva, a que foi grande entre as nações, princesa entre as províncias, ficou sujeita a trabalhos forçados. Chora e chora de noite, e as suas lágrimas lhe correm pela pelas faces. Não tem quem a console entre todos os que a amavam. Todos os seus amigos procederam perfidamente contra ela, tornaram-se seus inimigos. Judá foi levado ao exílio afligido e sobre grande servidão. Habita entre as nações, não acha descanso. Todos os seus perseguidores o apanharam nas suas angústias. Os caminhos de Sião estão de luto, porque não há quem venha à reunião solene. Todas as suas portas estão desoladas. Os seus sacerdotes gemem. As suas virgens estão tristes e ela mesma se acha em amargura. Os seus adversários triunfam, os seus inimigos prosperam, porque o Senhor a afligiu por causa da multidão das suas prevaricações. Os seus filhinhos tiveram de ir para o exílio na frente do adversário. Da filha de Sião já se passou todo o esplendor. Os seus príncipes ficaram sendo como corços que não acham pasto e caminham exaustos na frente do perseguidor. Agora, nos dias da sua aflição e do seu desterro, lembra-se Jerusalém de todas as suas mais estimadas coisas que tivera dos tempos antigos, de como seu povo caira nas mãos do adversário, não tendo ela quem a socorresse, e de como os adversários a viram e fizeram escárnio da sua queda. Jerusalém pecou gravemente, por isso se tornou repugnante. Todos os que a honravam a desprezavam, porque lhe viram a nudez. Ela também geme, se retira envergonhada. A sua imundícia está nas suas saias. Ela não pensava no seu fim, por isso caiu de modo espantoso e não tem quem a console. Vê, Senhor, a minha aflição, porque o inimigo se torna insolente. Estendeu o adversário a mão a todas as coisas mais estimadas dela, pois ela viu entrar as nações no seu santuário, acerca das quais proibiste que entrassem na tua congregação. Todo o seu povo anda gemendo e à procura de pão, deram eles as suas coisas mais estimadas a troco de mantimento, para restaurar as forças. Vê, Senhor, e contempla, pois me tornei desprezível. Não vos comoove isto a todos vós que passais pelo caminho? Considerai e vede se a dor igual à minha, que veio sobre mim, com que o Senhor me afligiu no dia do furor da sua ira. Lá do alto enviou fogo as me a meus ossos, o qual se assenhorou deles, estendeu uma rede aos meus pés, arrojou-me para trás, fez-me assolada e enferma todo dia. O julgo das minhas transgressões está atado pela sua mão. Elas estão entretecidas, subiram sobre o meu pescoço. E ele abateu a minha força. Entregou-me o Senhor nas mãos daqueles contra os quais não posso resistir. O Senhor despçou todos os valentes que estavam comigo. Apregoou contra mim um ajuntamento para esmagar os meus jovens. O Senhor pisou como um lagar à virgem filha de Judá. Por estas coisas choro eu. Os meus olhos os meus olhos se desfazem em águas. Porque se afastou de mim o consolador que devia restaurar as minhas forças. Os meus filhos estão desolados porque prevaleceu o inimigo. Estende Sião as mãos e não há quem as console. Ordenou o Senhor acerca de Jacó que os seus vizinhos se tornem seus inimigos. Jerusalém é para eles como coisa imunda. Justo é o Senhor, pois me rebelei contra a sua palavra. Ouvi todos os povos e vede a minha dor. As minhas virgens, os meus jovens foram levados para o cativeiro. Chamei os meus amigos para Mas eles me enganaram. Os meus sacerdotes e os meus anciãos espiraram na cidade quando estavam à procura de mantimento para restaurarem as suas forças. Olha, Senhor, porque estou angustiada, turbada está a minha alma, o meu coração transtornado dentro de mim, porque gravemente me rebelei. Fora a espada mata os filhos, em casa anda a morte. Ouvem que eu suspiro, mas não tenho quem me console. Todos os meus inimigos que souberam do meu mal folgam, porque tu o fizestes, mas em trazendo tu o dia que apregoastes, serão semelhantes a mim. Venha toda a sua iniquidade à tua presença e faz-lhes como me fizestes a mim por causa de todas as minhas prevaricações. Porque os meus gemidos são muitos e o meu coração está desfalecido. Vamos orar mais uma vez. Senhor nosso Deus, nós estamos diante da palavra do Senhor e acabamos de ler uma parte dela. Nós carecemos, ó Deus, da tua ação poderosa, ó Deus, do Espírito Santo. Ilumine, ó Deus, a nossa mente, abre o nosso entendimento e coração e fala ao teu povo e a tua igreja, ó Deus, e a nossa oração em nome de Jesus. Os irmãos, esse o texto de lamentações, como o próprio nome já diz, já é uma é uma forma de eh literária que nós vamos ver, principalmente também em vários salmos. E aqui no texto é interessante notar a escrita de Jeremias, que ele está falando a respeito do de tudo aquilo que aconteceu com o povo de Deus. E ele o faz isso para mostrar a sua dor. E se você olhar em alguns textos de vocês, tem a divisão de cada parágrafo. Ele faz isso de A a Z. Claro que na língua hebraica é como se ele pegasse o alfabeto hebraico e falasse da dor de Israel, colocando em cada uma dessas partes uma das letras ali para mostrar a profundidade eh daquilo que Jerusalém tinha sofrido. Jerusalém está em meio a escombros aqui. cidade que antes era cheia, como ele mesmo vai descrevendo, ah, em meio à sua vida e tudo aquilo que acontecia agora se encontra solitária, né? O templo havia sido destruído, os muros também foram derribados, toda a liderança foi humilhada, né? E muitos foram levados aqui ao exílio, né? Aí os sobreviventes ficaram cercados por fome, por vergonha, por desolação. O pano de fundo histórico aqui do texto é exatamente esse, é a queda de Jerusalém diante da Babilônia. Isso acontece no ano 586 antes de Cristo, né? O desastre aqui relatado não é apenas político, mas ele foi espiritual. Jerusalém eh, não era qualquer cidade. Tudo aquilo ali nós vamos entender biblicamente que apontava para algo maior. Mas Lamentações capítulo primeiro, ele vai explicar agora, aliás, ele responde, né, aquilo que está acontecendo e ele vai colocando tudo isso diante do Senhor. É não apenas como uma oração fria ou apenas uma construção poética, mas ele está falando a respeito da dor e dando voz à dor de todo o povo, voz à dor da cidade. Ele coloca ela como eh sendo uma mulher, colocando Jerusalém aqui. Portanto, lamentações é um de fato é esse lamento, né? Não é apenas uma palestra sobre dor, mas é uma oração que ele faz. dentro da dor. Jeremias está sofrendo tudo isso. E como eu falei, são eh quando a gente olha 22, as 22 letras do alfabeto, ele coloca aqui de eh de A a Z o sofrimento do povo de Deus. Mas a gente precisa perceber ao longo do texto e da história do povo, por que que chegou até aqui, qual é a condição caída, qual é o foco dessa condição caída aqui. A gente vai perceber que ao longo de lamentações, ele expõe pelo menos três aspectos daquilo que aconteceu com o povo. Primeiro, ele mostra que eh eles estavam completamente inclinados a uma falsa segurança. Jerusalém aqui estava havia sido eh ou havia confundido privilégios que eles tinham espirituais com imunidade espiritual, né? Então eles eh eh confundiram essas coisas. O povo tinha o templo, o culto, a história, a promessa, a tradição, mas havia perdido completamente aqui a fidelidade, o arrependimento e o temor do Senhor. A segunda coisa que Jeremias mostra aqui é que, de fato, ao mesmo jeito que Jerusalém ou o povo de Deus, também nós somos inclinados à negação. Ou seja, quando a dor chega, nós queremos silenciá-la, preferimos dizer: "Está tudo bem", né? Aí muitas vezes quando a alma está em pedaços, mas lamentações aqui nos ensina exatamente isso, que a fé verdadeira ela nunca foi a ausência de lágrimas. É exatamente o oposto, é levar as lágrimas diretamente para Deus. Terceira coisa que a gente aprende ao mesmo tempo com o povo de Jerusalém, mas isso também se aplica à nossa vida, é que nós somos inclinados a buscar consolo em lugar errado. É aquilo que o povo de Deus fez, o capítulo aqui de forma poética, ele vai colocando, olha, vocês eh procuraram nos amantes, nos amigos, e esses amantes e amigos se tornaram seus inimigos. Seja quando Jerusalém ou o povo de Deus, ele busca socorro em outras nações no tempo onde ele está caminhando aqui para o exílio. Mas nessa manhã, rapidamente, eu gostaria de aplicar esse texto à nossa vida, falando a respeito da dor, quando a dor encontra a voz aqui diante de Deus, porque muitas vezes também na nossa caminhada há dores que nos deixam sem palavras, né? Existe momentos que a notícia chega, a porta se fecha, os diagnósticos também aparecem, né? Relacionamentos se rompem e uma série de coisas acontecem na nossa vida. E a gente sempre se pergunta como tudo isso aconteceu, como nós chegamos até aqui, ou como aquilo que estava tão cheio de vida, agora está tão vazio, né? Como que aquilo que parecia tão firme desmoronou? É exatamente isso que Lamentações começa a falar. O primeiro capítulo ele abre com um suspiro aqui. Ele diz: "Ah, como já solitária a cidade que outrora, né, era populosa. Jerusalém estava em completa ruína. A princesa aqui, como ele mesmo o refere, se tornou escrava. A a cidade que outrora estava cheia se torna então agora vazia. aquilo que era honrado se tornou humilhado. Então, lamentações primeiro, não é explicação distante da dor. Jeremias está fazendo oração eh dentro dessa própria dor. E aqui de forma poética, né? Não era apenas alguém observando uma tragédia, mas era alguém vivendo essa tragédia. Ele não está dizendo ao povo, olha, vamos, sigam em frente, né? Mas ele está dizendo, colocando agora diante de Deus, representando o povo diante de Deus e dando voz a essa dor. E aqui nós aprendemos então algumas coisas que se aplicam diretamente à nossa vida. Do verso 1 até o 11, nós vamos eh perceber que a dor ela precisa ser reconhecida diante de Deus. E Jeremias faz isso, né? O poeta agora está descrevendo uma queda completa. Ele olha pra cidade e ele percebe que nada tinha permanecido como antes. Então ele diz: "A glória se foi, a segurança se foi, a alegria se foi, os amigos se foram também, o culto foi interrompido, o povo foi levado, a cidade está vazia, ele está descrevendo tudo isso diante de Deus. Ele tá colocando a sua dor claramente na presença do Senhor. A linguagem do texto de novo, ela é carregada de memórias, né? O sofrimento aqui em Jeremias dói tanto, né? E o poeta começa a falar diante de Deus, falando a respeito eh de toda a tragédia que aconteceu com a cidade. E a gente vai perceber que ninguém lamenta profundamente aquilo que nunca amou. E aqui a gente vê que Jeremias de fato está olhando para aquilo de dentro para fora. O lamento então é essa canção que a palavra de Deus nos mostra. É uma canção de uma alma ferida. E aqui nós chegamos, né, ou, aliás, nós choramos muitas vezes por algo que precioso, que foi perdido. E é isso que Jeremias está fazendo. O verso dois, ele diz que chora amargamente de noite, as suas lágrimas lhe correm pelas faces. E aí ele dá uma sentença, olha, não há consolador. Todos aqui os traíram e ele vai repetindo isso. Essa é uma imagem profunda no texto. O texto não trata Jerusalém aqui apenas como uma estatística. Ele personifica Jerusalém como uma mulher. E então ele usa termos. ela foi abandonada, está enlutada, está humilhada e completamente sem amparo. Portanto, biblicamente, o texto também é didático e nos ensina a forma de lamentar diante do Senhor. Deus nos ensina a olhar pro sofrimento, né, com compaixão, não com uma frieza, tanto com o nosso quanto com os dos outros. O pecado de Jerusalém está sendo tratado agora nesse capítulo aqui. Então, nós vamos perceber que a Bíblia eh não nos autoriza muitas vezes a tratar pessoas quebradas apenas como problemas teológicos a serem resolvidos rapidamente, né? A verdade Deus, então, não nos torna menos sensível, ela nos torna mais compassivos. E é exatamente nessa estrutura acróstica do texto que vai nos ensinar eh o poeta que Jeremias está fazendo uma poesia para mostrar a extensão de tudo isso, como ele consegue colocar até mesmo dentro de um alfabeto todas as dores que Jerusalém estava passando. Tudo aquilo que estava passando agora diante daquilo que tinha acontecido com o povo de Deus. Nós vamos perceber então, aplicando na nossa vida, que há dores que precisam ser ditas diante de Deus. E muitas vezes nós não falamos, nós não temos nem coragem de falar diante de Deus. Mas a ideia é exatamente isso, não manter dentro de si a dor, eh, não transformar sofrimento em silêncio amargo. A gente olha para um salmo, o salmo de número 39, e a gente vai perceber que o salmista ele coloca um quadro parecido com esse. Tanto é que é um salmo que termina e você fala assim: "Mas terminou o salmo? Parece que não terminou". Ele não volta a falar assim: "Não, mas mudou a minha sorte. Não, ele termina de forma rápida e abrupta aqui, né? E a gente vai perceber que é como se ele tivesse silenciado diante de Deus. Mas agora Jeremias está colocando diante do Senhor e falando: "Olha para cá, olha paraa minha aflição". E nós somos muitas vezes eh nós fazemos isso até mesmo por causa de uma, talvez uma cultura que nós fomos criados, mas muitas vezes nós agimos assim, né? Pense numa família que perdeu alguém querido, mas todos tentam ser fortes e fala: "Não, nós precisamos ser fortes." Ninguém mais fala a respeito do assunto. Ninguém aborda mais o sofrimento, ninguém toca ali e a casa fica silenciosa. E às vezes a gente pensa que esse silêncio é cura, o silêncio não traz a cura. O silêncio não traz. Silêncio não é paz, é muitas vezes a dor sem voz. E muitas vezes nós somos levados a isso. Em meio a alguns diagnósticos e algumas coisas que acontecem na nossa vida, nós somos muitas vezes levados a nos silenciar diante de Deus. E a palavra de Deus nos leva a outro lugar. Mas há uma outra coisa que nós aprendemos no texto, do verso 12 a 18. Eh, Jeremias agora ele começa a confessar a culpa diante de Deus. Então ele diz: "Olha, não vos comove isso a todos vós que passais pelo caminho? Eh, Jerusalém agora chama os transeútes a contemplar a sua dor. Então, não há dor como a sua dor." Mas o texto não fica apenas agora nesse sofrimento horizontal, né? Ele começa a interpretar a dor agora sim de maneira teológica. O verso 13 diz que o Senhor enviou fogo aos meus ossos, né? O verso 14 diz que o julgo da transgressão foi atado por sua mão. E o verso 18 no texto declara: "Justo é o Senhor, pois me rebelei contra a sua palavra". Agora aqui o lamento se aprofunda, né? Jerusalém não é apenas vítima da Babilônia. Eh, agora Jeremias começa a colocar aquilo que aconteceu, que exatamente foi por sua obra. Ela é culpada diante de Deus. Babilônia foi apenas um instrumento, mas o Senhor é o juiz soberano. A gente vai ver isso no outro texto de Abacu falando a respeito disso, que ele até se assusta por perceber que aquilo foi julgamento da parte de Deus. A Bíblia, então, ela muitas vezes ela não nos autoriza a fazer isso mecanicamente. Eu sei que nem toda a culpa, nem tudo, aliás, nem toda a dor, nem todo o sofrimento é uma causa direta do pecado. Basta a gente lembrar de algumas histórias que a palavra de Deus conta. Jó, ele sofre sem culpa proporcional. a gente percebe que há algo muito maior sendo tratado ali. A gente vê um cego de nascença em João, no capítulo 9, que não estava sofrendo por causa de um pecado específico, mas do nem dos seus pais. Mas a palavra de Deus, ele nos fala que de fato era para pra glória de Deus. Mas agora Lamentações, capítulo primeiro, ele trata a situação de forma específica, ou seja, a comunidade da aliança havia quebrado a aliança, desprezada a palavra, confiou em falsos apoios aqui, ignorou as advertências proféticas. Quando Jerusalém cai aqui, ele caiu porque confundiu. De novo, nós precisamos lembrar privilégio com fidelidade, né? tinha tudo aquilo ali. Deus era um povo onde Deus se revelou a esse povo, separou esse povo e eles foram confundindo tudo isso. Mas isso é um alerta para nós como igreja do Senhor. Nós podemos ter boa doutrina, boa teologia ou liturgia, tradição reformada. Nós podemos ter história, nós podemos ter estrutura, programas, linguagem piedosa e ainda assim manter o coração resistente ao Senhor. A gente vai perceber por meio de lamentações que o pecado mais perigoso é aquele que aprende a conviver com a religião ou com a religiosidade. O verso 18 ele repete agora de forma contundente: "Justo é o Senhor". A cidade não acusa Deus de injustiça. Ela confessa que a sua ruína aqui não é sinal de que Deus falhou, mas é porque o povo desprezou a sua palavra e aliança. Aqui está. Se a gente precisa entender qual a diferença entre arrependimento e remorço, nós aprendemos agora em lamentações. Remorço normalmente só lamenta as consequências. O remorço lamenta consequências. O arrependimento, ele reconhece a justiça de Deus e se volta para ele, né? O remorço, ele diz: "Olha, estou sofrendo porque eu perdi o arrependimento." Ele diz: "Estou sofrendo, mas o Senhor é justo e eu preciso voltar para ti." Portanto, diante de dores que nos secam, sofrimentos extremos da nossa vida, não desperdice a sua dor. Não desperdice isso tentando se livrar dela apenas, mas perguntando diante de Deus, né? o Senhor, ó Senhor, o que o Senhor revela a respeito dessa dor e normalmente sobre eh como Agostinho diz, o que essa dor revela sobre os meus amores, sobre os meus afetos, sobre a minha falta de segurança, sobre pecados escondidos, minha resistência à tua palavra. Nós precisamos aprender a utilizar a dor. Nem toda dor é disciplina por pecado específico, mas toda a dor pode ser ocasião para exame, para humildade, para retorno ao Senhor. Se a gente for ilustrar isso, né, se você pegar normalmente uma rachadura na parede, ela só pode ser tratada aqui de duas formas, né? É uma das formas que normalmente nós achamos que vai dar certo, às vezes tem um atrinque enorme na parede. Alguns até põe um espadrapo ali para segurar, né, paraa parede não abrir mais. Mas é talvez apenas passar uma massa e passar uma tinta e você fala: "Olha, vai dar certo, né? Vai dar certo, já tampou a a rachadura, tá tudo certo." Ou nós podemos investigar os fundamentos ali, se o problema está na base, né? Porque nós sabemos que apenas uma pintura logo o desastre vai vir. Só que às vezes na vida nossa nós estamos fazendo a mesma coisa. Em meio a rachaduras nós apenas passamos uma tinta e uma massa e falamos: "Já está resolvido, né? Os que o o olhar não vê, né? Não vai ninguém vai saber. Mas a palavra de Deus nos chama a agir com sofrimento de forma mais profunda. Terceiro e último lugar, o texto nos aponta para esperança que precisa ser buscada somente em Deus. É o que ele termina do verso 19 até o verso 22. No verso 19, ele declara: "Chamei os meus amantes, mas eles me enganaram. Os sacerdotes e os anciãos pereceram na cidade. Então ele mostra que esses apoios eh falharam, a aliança falhou, os amigos falharam, a estrutura falhou, a força humana falhou. E aqui a gente vai ver que essa é uma das eh que a gente olha misericórdia severa de Deus. Ele permite que nossos falsos salvadores se revelem incapazes. Isso diz respeito, sim, à misericórdia do Senhor. Jerusalém havia procurado segurança em aliança política, prestígio, tradição. Na sua própria importância que agora tudo isso caiu. O verso de número 20 no texto, ele volta-te diretamente para Deus e diz: "Olha, Senhor, porque estou angustiada. Aqui há uma virada no texto, né? Então, a cidade deixa de apenas falar sobre sua dor e passa a falar com Deus a sua dor diretamente agora diante de Deus. Então, nós vamos perceber também a diferença e a distância que há de murmuração para lamento. A murmuração fala para longe de Deus. É aquilo que o povo de Deus fez no deserto. Quando eles murmuravam, falavam: "Tá doendo, estou sofrendo, nós estamos, não temos carne ou não temos nada aqui nesse deserto, nós vamos morrer de sede e nós vamos voltar pro Egito." Essa é a murmuração. O lamento ele diz quase que a mesma coisa. Ele pode dizer: "Eu estou com fome. Eu estou com sede, eu estou penando nesse deserto, mas eu não vou sair da tua presença, eu vou esperar a salvação que vem do Senhor." Essa é uma diferença da do lamento para murmuração que coloca as duas coisas eh no sentido oposto. Então o texto vai caminhando para terminar e ele termina não com solução rápida. Não há mudança imediata na circunstância. Ele não termina agora com o final feliz, mas ele termina com a sua dor diante de Deus. E isso agora faz toda a diferença. Isso agora já é graça. Então nós vamos perceber que oração não remove normalmente como nós queremos. Deus até pode fazer isso, mas a oração não remove automaticamente as ruínas, mas recoloca a alma diante de Deus. E isso é o mais importante. Isso é o mais importante. Mas como esse texto, quando a gente olha para toda essa figura do texto, a gente se precisa sempre se perguntar, mas como tudo isso leva-nos a Cristo Jesus? Porque é lá que nós devemos chegar, é ao pé da cruz que nós devemos também lamentar, porque Cristo é a resposta final ao lamento de Jerusalém. A gente vai ver depois lá na frente que Cristo mesmo ele chora sobre a cidade, ele também vê a ruína do pecado, ele também ele foi agora sim completamente abandonado. Ele também ficou sem consolador, mas na cruz agora o filho de Deus, ele entra no lugar da desolação quando ele diz: "Deus meu, Deus meu, porque me desamparastes?" Lamentações primeiro aqui é Jerusalém sofrendo por causa da sua culpa. Na cruz Jesus sofre por causa da culpa do seu povo. Esse mesmo povo que tinha o abandonado e a todos nós. Jerusalém ele diz: "Justo é o Senhor, pois me rebelei contra a sua palavra". Jesus, porém, nunca se rebelou contra a palavra do Pai. Ele foi obediente, como a palavra de Deus diz, e obediente até a morte de cruz. No entanto, ele carregou o juízo de todos nós. A cidade lamenta: "Não tem o consolador na cruz aqui. Cristo então ele fica sem consolo para que nós pudéssemos receber então o consolador. Palavra de Deus ainda diz que ele bebe o cálice da ira para que nós bebêssemos o cálice da comunhão. Ele foi levado para fora da cidade para nos conduzir então à cidade eterna. Por isso que nós agora precisamos olhar para tudo isso e com esperança cristã e saber que isso não é um otimismo superficial. Nós não dizemos uns para os outros, olha, eh eh frases, né, que a gente fala, ah, isso tudo vai passar como se isso apenas eh pudesse trazer alívio à nossa dor. Nós falamos uns para os outros: "Olha, Cristo morreu e ressuscitou por nós e ele pagou". E nós sabemos que um dia, sim, a palavra de Deus nos promete isso. Ele mesmo vai enxugar dos olhos toda a lágrima. É aquilo que a palavra de Deus promete lá em Apocalipse. Portanto, a Bíblia começa com o jardim perdido e agora ele caminha para uma cidade restaurada. Lamentações mostra isto: Jerusalém ruínas. E Apocalipse vai nos mostrar uma nova Jerusalém descenda do céu, descendo do céu, adornada como noiva. Lamentações está como uma cidade viúva, como o texto diz. Apocalipse mostra o contraponto disso, que é uma cidade agora como noiva. Em lamentações não há consolador. Lá em Apocalipse, como nós sabemos bem do texto, Deus mesmo vai enxugar de todos os olhos toda a lágrima. Então, em Lamentações, a glória se foi. Em Apocalipse, a palavra de Deus diz que a glória de Deus ilumina toda a cidade. Portanto, meus irmãos, ao olhar para esse texto, nós precisamos fugir de algumas coisas que nos são colocadas. Primeiro é olhar para esse texto e falar: "Olha, Jerusalém pecou, portanto, obedeça mais para não cair também". Isso é apenas moralismo. Transformar o texto em apenas uma ameaça que normalmente eh nós olhamos pro texto, alguns olham pro texto e vai apenas olhar para essas ameaças ou às vezes para um lado legalista e de dizer: "Olha, se você lamentar corretamente, confessar corretamente, se você comportar corretamente, Deus vai restaurar a sua vida". Isso transforma o lamento em uma técnica espiritual. E Deus, e aqui é como se a gente achasse que nós pudéssemos manipular Deus por um desempenho apenas religioso. Eu gostaria de concluir dizendo que Lamentações primeiro nos ensina que há lugar para a dor na vida do povo de Deus. E às vezes nós podemos ter essa dor até o final da nossa vida. Podemos sim, mas nós sabemos que no dia que nós fecharmos os olhos nessa terra, a primeira figura que nós vamos ver já é Cristo Jesus. E aí sim toda dorá. Nós precisamos lembrar disso na nossa trajetória para que a gente não caia em alguns erros e algumas coisas que normalmente não passam de algum treinamento para que você tente manipular a Deus. Porque a palavra de Deus diz sim que ele pode nos manter assim como ele falou para Paulo e disse: "Olha, a minha graça te basta, o meu poder se aperfeiçoa na sua fraqueza". Nós podemos sim sofrer dores intensas até o fim da vida, mas tudo isso nós precisamos sofrer na presença de Deus e sempre com a esperança escatológica de saber, olha, um dia todas essas dores passarão. Por isso, nessa manhã, nós precisamos primeiro aprender a lamentar biblicamente, não transformar a dor em silêncio, sinismo, amargura. Não é isso que a palavra de Deus quer orar. Ele nos chama a orar com honestidade, também dar dá nome às nossas perdas diante de Deus. Lamentações nos ensina que memória pode se tornar de fato oração. Também examinar as falsas seguranças nossas tradição, posição, ministério, reputação, estatura, né? E subestimar muitas vezes a fidelidade a Deus. E nós precisamos ainda procurar consolo em Cristo, não apenas para alívio nas circunstâncias, né? O evangelho promete, ele aqui não promete, aliás, ausência de lágrimas, mas ele garante que nenhuma lágrima será desperdiçada. É isso que a palavra de Deus nos garante. Fecha os seus olhos, nós vamos orar. Se você puder se colocar em pé, nós vamos orar nesse instante. Ч. >> [música]