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A fé vem pelo ouvir

Quando a dor encontra voz diante de Deus (Lamentações 1) | Rev. Rubens Cirqueira

Quando a dor encontra voz diante de Deus (Lamentações 1) | Rev. Rubens Cirqueira

Quando a dor encontra voz diante de Deus (Lamentações 1) | Rev. Rubens Cirqueira

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Legendas automáticas:

Os irmãos, que a graça e a paz do nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo esteja
com todos.
Quero nesse momento convidá-los a abrir
a palavra do Senhor
no livro do profeta Jeremias,
Lamentações de Jeremias, capítulo
primeiro.
Nós vamos acompanhar a leitura de todo
capítulo primeiro.
Mesmo assentados, nós vamos acompanhar a
leitura da palavra do Senhor.
Lamentações, no capítulo de número um.
Palavra de Deus que nos diz: "Como já
solitária
a cidade outrora populosa
tornou-se como viúva, a que foi grande
entre as nações, princesa entre as
províncias, ficou sujeita a trabalhos
forçados.
Chora e chora de noite, e as suas
lágrimas lhe correm pela pelas faces.
Não tem quem a console entre todos os
que a amavam. Todos os seus amigos
procederam perfidamente contra ela,
tornaram-se seus inimigos. Judá foi
levado ao exílio afligido e sobre grande
servidão.
Habita entre as nações, não acha
descanso. Todos os seus perseguidores o
apanharam nas suas angústias.
Os caminhos de Sião estão de luto,
porque não há quem venha à reunião
solene. Todas as suas portas estão
desoladas. Os seus sacerdotes gemem. As
suas virgens estão tristes e ela mesma
se acha em amargura. Os seus adversários
triunfam, os seus inimigos prosperam,
porque o Senhor a afligiu por causa da
multidão das suas prevaricações.
Os seus filhinhos tiveram de ir para o
exílio na frente do adversário.
Da filha de Sião já se passou todo o
esplendor. Os seus príncipes ficaram
sendo como corços que não acham pasto e
caminham exaustos na frente do
perseguidor.
Agora, nos dias da sua aflição e do seu
desterro, lembra-se Jerusalém de todas
as suas mais estimadas coisas que tivera
dos tempos antigos, de como seu povo
caira nas mãos do adversário, não tendo
ela quem a socorresse, e de como os
adversários a viram e fizeram escárnio
da sua queda. Jerusalém pecou
gravemente, por isso se tornou
repugnante.
Todos os que a honravam a desprezavam,
porque lhe viram a nudez. Ela também
geme, se retira envergonhada. A sua
imundícia está nas suas saias. Ela não
pensava no seu fim, por isso caiu de
modo espantoso e não tem quem a console.
Vê, Senhor, a minha aflição, porque o
inimigo se torna insolente. Estendeu o
adversário a mão a todas as coisas mais
estimadas dela, pois ela viu entrar as
nações no seu santuário, acerca das
quais proibiste que entrassem na tua
congregação. Todo o seu povo anda
gemendo e à procura de pão, deram eles
as suas coisas mais estimadas a troco de
mantimento, para restaurar as forças.
Vê, Senhor, e contempla, pois me tornei
desprezível.
Não vos comoove isto a todos vós que
passais pelo caminho? Considerai e vede
se a dor igual à minha, que veio sobre
mim, com que o Senhor me afligiu no dia
do furor da sua ira. Lá do alto enviou
fogo as me a meus ossos, o qual se
assenhorou deles, estendeu uma rede aos
meus pés, arrojou-me para trás, fez-me
assolada e enferma todo dia. O julgo das
minhas transgressões
está atado pela sua mão. Elas estão
entretecidas, subiram sobre o meu
pescoço.
E ele abateu a minha força. Entregou-me
o Senhor nas mãos daqueles contra os
quais não posso resistir. O Senhor
despçou todos os valentes que estavam
comigo. Apregoou contra mim um
ajuntamento para esmagar os meus jovens.
O Senhor pisou como um lagar à virgem
filha de Judá. Por estas coisas choro
eu. Os meus olhos os meus olhos se
desfazem em águas. Porque se afastou de
mim o consolador que devia restaurar as
minhas forças. Os meus filhos estão
desolados porque prevaleceu o inimigo.
Estende Sião as mãos e não há quem as
console. Ordenou o Senhor acerca de Jacó
que os seus vizinhos se tornem seus
inimigos. Jerusalém é para eles como
coisa imunda. Justo é o Senhor, pois me
rebelei contra a sua palavra. Ouvi todos
os povos e vede a minha dor. As minhas
virgens, os meus jovens foram levados
para o cativeiro. Chamei os meus amigos
para Mas eles me enganaram. Os meus
sacerdotes e os meus anciãos espiraram
na cidade quando estavam à procura de
mantimento para restaurarem as suas
forças. Olha, Senhor, porque estou
angustiada, turbada está a minha alma, o
meu coração transtornado dentro de mim,
porque gravemente me rebelei. Fora a
espada mata os filhos, em casa anda a
morte. Ouvem que eu suspiro, mas não
tenho quem me console. Todos os meus
inimigos que souberam do meu mal folgam,
porque tu o fizestes, mas em trazendo tu
o dia que apregoastes, serão semelhantes
a mim.
Venha toda a sua iniquidade à tua
presença e faz-lhes como me fizestes a
mim por causa de todas as minhas
prevaricações.
Porque os meus gemidos são muitos e o
meu coração está desfalecido.
Vamos orar mais uma vez.
Senhor nosso Deus, nós estamos diante da
palavra do Senhor e acabamos de ler uma
parte dela. Nós carecemos, ó Deus, da
tua ação poderosa, ó Deus, do Espírito
Santo. Ilumine, ó Deus, a nossa mente,
abre o nosso entendimento e coração e
fala ao teu povo e a tua igreja, ó Deus,
e a nossa oração em nome de Jesus.
Os irmãos, esse o texto de lamentações,
como o próprio nome já diz, já é uma é
uma forma de eh literária que nós vamos
ver, principalmente também em vários
salmos. E aqui no texto é interessante
notar a escrita de Jeremias, que ele
está falando a respeito do de tudo
aquilo que aconteceu com o povo de Deus.
E ele o faz isso para mostrar a sua dor.
E se você olhar em alguns textos de
vocês, tem a divisão de cada parágrafo.
Ele faz isso de A a Z. Claro que na
língua hebraica é como se ele pegasse o
alfabeto hebraico e falasse da dor de
Israel, colocando em cada uma dessas
partes uma das letras ali para mostrar a
profundidade eh daquilo que Jerusalém
tinha sofrido. Jerusalém está em meio a
escombros aqui. cidade que antes era
cheia, como ele mesmo vai descrevendo,
ah, em meio à sua vida e tudo aquilo que
acontecia agora se encontra solitária,
né? O templo havia sido destruído, os
muros também foram derribados, toda a
liderança foi humilhada, né? E muitos
foram levados aqui ao exílio, né? Aí os
sobreviventes ficaram cercados por fome,
por vergonha, por desolação. O pano de
fundo histórico aqui do texto é
exatamente esse, é a queda de Jerusalém
diante da Babilônia. Isso acontece no
ano 586 antes de Cristo, né? O desastre
aqui relatado não é apenas político, mas
ele foi espiritual.
Jerusalém eh, não era qualquer cidade.
Tudo aquilo ali nós vamos entender
biblicamente que apontava para algo
maior. Mas Lamentações capítulo
primeiro, ele vai explicar agora, aliás,
ele responde, né, aquilo que está
acontecendo e ele vai colocando tudo
isso diante do Senhor. É não apenas como
uma oração fria ou apenas uma construção
poética, mas ele está falando a respeito
da dor e dando voz à dor de todo o povo,
voz à dor da cidade. Ele coloca ela como
eh sendo uma mulher, colocando Jerusalém
aqui. Portanto, lamentações é um de fato
é esse lamento, né? Não é apenas uma
palestra sobre dor, mas é uma oração que
ele faz. dentro da dor. Jeremias está
sofrendo tudo isso. E como eu falei, são
eh quando a gente olha 22, as 22 letras
do alfabeto, ele coloca aqui de eh de A
a Z o sofrimento do povo de Deus. Mas a
gente precisa perceber ao longo do texto
e da história do povo, por que que
chegou até aqui, qual é a condição
caída, qual é o foco dessa condição
caída aqui. A gente vai perceber que ao
longo de lamentações, ele expõe pelo
menos três aspectos daquilo que
aconteceu com o povo. Primeiro, ele
mostra que eh eles estavam completamente
inclinados a uma falsa segurança.
Jerusalém aqui estava havia sido eh ou
havia confundido privilégios que eles
tinham espirituais com imunidade
espiritual,
né? Então eles eh eh confundiram essas
coisas. O povo tinha o templo, o culto,
a história, a promessa, a tradição, mas
havia perdido completamente aqui a
fidelidade, o arrependimento e o temor
do Senhor. A segunda coisa que Jeremias
mostra aqui é que, de fato, ao mesmo
jeito que Jerusalém ou o povo de Deus,
também nós somos inclinados à negação.
Ou seja, quando a dor chega, nós
queremos silenciá-la, preferimos dizer:
"Está tudo bem", né? Aí muitas vezes
quando a alma está em pedaços, mas
lamentações aqui nos ensina exatamente
isso, que a fé verdadeira ela nunca foi
a ausência de lágrimas. É exatamente o
oposto, é levar as lágrimas diretamente
para Deus. Terceira coisa que a gente
aprende ao mesmo tempo com o povo de
Jerusalém, mas isso também se aplica à
nossa vida, é que nós somos inclinados a
buscar consolo em lugar errado. É aquilo
que o povo de Deus fez, o capítulo aqui
de forma poética, ele vai colocando,
olha, vocês eh procuraram nos amantes,
nos amigos, e esses amantes e amigos se
tornaram seus inimigos. Seja quando
Jerusalém ou o povo de Deus, ele busca
socorro em outras nações no tempo onde
ele está caminhando aqui para o exílio.
Mas nessa manhã, rapidamente, eu
gostaria de aplicar esse texto à nossa
vida, falando a respeito da dor, quando
a dor encontra a voz aqui diante de
Deus, porque muitas vezes também na
nossa caminhada há dores que nos deixam
sem palavras, né? Existe momentos que a
notícia chega, a porta se fecha, os
diagnósticos também aparecem, né?
Relacionamentos se rompem e uma série de
coisas acontecem na nossa vida. E a
gente sempre se pergunta como tudo isso
aconteceu, como nós chegamos até aqui,
ou como aquilo que estava tão cheio de
vida, agora está tão vazio, né? Como que
aquilo que parecia tão firme desmoronou?
É exatamente isso que Lamentações começa
a falar. O primeiro capítulo ele abre
com um suspiro aqui. Ele diz: "Ah, como
já solitária a cidade que outrora, né,
era populosa. Jerusalém estava em
completa ruína.
A princesa aqui, como ele mesmo o
refere, se tornou escrava. A a cidade
que outrora estava cheia se torna então
agora vazia. aquilo que era honrado se
tornou humilhado. Então, lamentações
primeiro, não é explicação distante da
dor. Jeremias está fazendo oração eh
dentro dessa própria dor. E aqui de
forma poética, né? Não era apenas alguém
observando uma tragédia, mas era alguém
vivendo essa tragédia. Ele não está
dizendo ao povo, olha, vamos, sigam em
frente, né? Mas ele está dizendo,
colocando agora diante de Deus,
representando o povo diante de Deus e
dando voz a essa dor. E aqui nós
aprendemos então algumas coisas que se
aplicam diretamente à nossa vida. Do
verso 1 até o 11, nós vamos eh perceber
que a dor ela precisa ser reconhecida
diante de Deus. E Jeremias faz isso, né?
O poeta agora está descrevendo uma queda
completa. Ele olha pra cidade e ele
percebe que nada tinha permanecido como
antes. Então ele diz: "A glória se foi,
a segurança se foi, a alegria se foi, os
amigos se foram também, o culto foi
interrompido, o povo foi levado, a
cidade está vazia, ele está descrevendo
tudo isso diante de Deus. Ele tá
colocando a sua dor claramente na
presença do Senhor. A linguagem do texto
de novo, ela é carregada de memórias,
né? O sofrimento aqui em Jeremias dói
tanto, né? E o poeta começa a falar
diante de Deus, falando a respeito eh de
toda a tragédia que aconteceu com a
cidade.
E a gente vai perceber que ninguém
lamenta profundamente aquilo que nunca
amou. E aqui a gente vê que Jeremias de
fato está olhando para aquilo de dentro
para fora. O lamento então é essa canção
que a palavra de Deus nos mostra. É uma
canção de uma alma ferida. E aqui nós
chegamos, né, ou, aliás, nós choramos
muitas vezes por algo que precioso, que
foi perdido. E é isso que Jeremias está
fazendo. O verso dois, ele diz que chora
amargamente de noite, as suas lágrimas
lhe correm pelas faces. E aí ele dá uma
sentença, olha, não há consolador.
Todos aqui os traíram e ele vai
repetindo isso.
Essa é uma imagem profunda no texto. O
texto não trata Jerusalém aqui apenas
como uma estatística. Ele personifica
Jerusalém como uma mulher. E então ele
usa termos. ela foi abandonada, está
enlutada, está humilhada e completamente
sem amparo.
Portanto, biblicamente, o texto também é
didático e nos ensina a forma de
lamentar diante do Senhor. Deus nos
ensina a olhar pro sofrimento, né, com
compaixão, não com uma frieza, tanto com
o nosso quanto com os dos outros. O
pecado de Jerusalém está sendo tratado
agora nesse capítulo aqui. Então, nós
vamos perceber que a Bíblia eh não nos
autoriza muitas vezes a tratar pessoas
quebradas apenas como problemas
teológicos a serem resolvidos
rapidamente,
né? A verdade Deus, então, não nos torna
menos sensível, ela nos torna mais
compassivos. E é exatamente nessa
estrutura acróstica do texto que vai nos
ensinar eh o poeta que Jeremias está
fazendo uma poesia para mostrar a
extensão de tudo isso, como ele consegue
colocar até mesmo dentro de um alfabeto
todas as dores que Jerusalém estava
passando. Tudo aquilo que estava
passando agora diante daquilo que tinha
acontecido com o povo de Deus.
Nós vamos perceber então, aplicando na
nossa vida, que há dores que precisam
ser ditas diante de Deus. E muitas vezes
nós não falamos, nós não temos nem
coragem de falar diante de Deus.
Mas a ideia é exatamente isso, não
manter dentro de si a dor, eh, não
transformar sofrimento em silêncio
amargo. A gente olha para um salmo, o
salmo de número 39, e a gente vai
perceber que o salmista ele coloca um
quadro parecido com esse. Tanto é que é
um salmo que termina e você fala assim:
"Mas terminou o salmo? Parece que não
terminou". Ele não volta a falar assim:
"Não, mas mudou a minha sorte. Não, ele
termina de forma rápida e abrupta aqui,
né? E a gente vai perceber que é como se
ele tivesse silenciado diante de Deus.
Mas agora Jeremias está colocando diante
do Senhor e falando: "Olha para cá, olha
paraa minha aflição".
E nós somos muitas vezes eh nós fazemos
isso até mesmo por causa de uma, talvez
uma cultura que nós fomos criados, mas
muitas vezes nós agimos assim, né? Pense
numa família que perdeu alguém querido,
mas todos tentam ser fortes e fala:
"Não, nós precisamos ser fortes."
Ninguém mais fala a respeito do assunto.
Ninguém aborda mais o sofrimento,
ninguém toca ali e a casa fica
silenciosa. E às vezes a gente pensa que
esse silêncio é cura, o silêncio não
traz a cura. O silêncio não traz.
Silêncio não é paz,
é muitas vezes a dor sem voz.
E muitas vezes nós somos levados a isso.
Em meio a alguns diagnósticos e algumas
coisas que acontecem na nossa vida, nós
somos muitas vezes levados a nos
silenciar diante de Deus. E a palavra de
Deus nos leva a outro lugar. Mas há uma
outra coisa que nós aprendemos no texto,
do verso 12 a 18. Eh, Jeremias agora ele
começa a confessar a culpa diante de
Deus. Então ele diz: "Olha, não vos
comove isso a todos vós que passais pelo
caminho? Eh, Jerusalém agora chama os
transeútes a contemplar a sua dor.
Então, não há dor como a sua dor." Mas o
texto não fica apenas agora nesse
sofrimento horizontal, né? Ele começa a
interpretar a dor agora sim de maneira
teológica. O verso 13 diz que o Senhor
enviou fogo aos meus ossos, né? O verso
14 diz que o julgo da transgressão foi
atado por sua mão. E o verso 18 no texto
declara: "Justo é o Senhor, pois me
rebelei contra a sua palavra". Agora
aqui o lamento se aprofunda, né?
Jerusalém não é apenas vítima da
Babilônia. Eh, agora Jeremias começa a
colocar aquilo que aconteceu, que
exatamente foi por sua obra. Ela é
culpada diante de Deus. Babilônia foi
apenas um instrumento, mas o Senhor é o
juiz soberano. A gente vai ver isso no
outro texto de Abacu
falando a respeito disso, que ele até se
assusta por perceber que aquilo foi
julgamento da parte de Deus.
A Bíblia, então, ela muitas vezes ela
não nos autoriza a fazer isso
mecanicamente.
Eu sei que nem toda a culpa, nem tudo,
aliás, nem toda a dor, nem todo o
sofrimento é uma causa direta do pecado.
Basta a gente lembrar de algumas
histórias que a palavra de Deus conta.
Jó, ele sofre sem culpa proporcional. a
gente percebe que há algo muito maior
sendo tratado ali. A gente vê um cego de
nascença em João, no capítulo 9, que não
estava sofrendo por causa de um pecado
específico, mas do nem dos seus pais.
Mas a palavra de Deus, ele nos fala que
de fato era para pra glória de Deus. Mas
agora Lamentações, capítulo primeiro,
ele trata a situação de forma
específica, ou seja, a comunidade da
aliança havia quebrado a aliança,
desprezada a palavra, confiou em falsos
apoios aqui, ignorou as advertências
proféticas. Quando Jerusalém cai aqui,
ele caiu porque confundiu. De novo, nós
precisamos lembrar privilégio com
fidelidade,
né? tinha tudo aquilo ali. Deus era um
povo onde Deus se revelou a esse povo,
separou esse povo e eles foram
confundindo tudo isso. Mas isso é um
alerta para nós como igreja do Senhor.
Nós podemos ter boa doutrina, boa
teologia ou liturgia, tradição
reformada. Nós podemos ter história, nós
podemos ter estrutura, programas,
linguagem piedosa e ainda assim manter o
coração resistente ao Senhor.
A gente vai perceber por meio de
lamentações
que o pecado mais perigoso é aquele que
aprende a conviver com a religião ou com
a religiosidade.
O verso 18 ele repete agora de forma
contundente: "Justo é o Senhor". A
cidade não acusa Deus de injustiça. Ela
confessa que a sua ruína aqui não é
sinal de que Deus falhou, mas é porque o
povo desprezou a sua palavra e aliança.
Aqui está. Se a gente precisa entender
qual a diferença entre arrependimento e
remorço, nós aprendemos agora em
lamentações.
Remorço normalmente só lamenta as
consequências.
O remorço lamenta consequências. O
arrependimento, ele reconhece a justiça
de Deus e se volta para ele, né? O
remorço, ele diz: "Olha, estou sofrendo
porque eu perdi
o arrependimento." Ele diz: "Estou
sofrendo, mas o Senhor é justo e eu
preciso voltar para ti." Portanto,
diante de dores que nos secam,
sofrimentos extremos da nossa vida, não
desperdice a sua dor. Não desperdice
isso tentando se livrar dela apenas, mas
perguntando diante de Deus, né? o
Senhor, ó Senhor, o que o Senhor revela
a respeito dessa dor e normalmente sobre
eh como Agostinho diz, o que essa dor
revela sobre os meus amores, sobre os
meus afetos, sobre a minha falta de
segurança, sobre pecados escondidos,
minha resistência à tua palavra.
Nós precisamos aprender a utilizar a
dor. Nem toda dor é disciplina por
pecado específico, mas toda a dor pode
ser ocasião para exame, para humildade,
para retorno ao Senhor.
Se a gente for ilustrar isso, né, se
você pegar normalmente uma rachadura na
parede, ela só pode ser tratada aqui de
duas formas, né? É uma das formas que
normalmente nós achamos que vai dar
certo, às vezes tem um atrinque enorme
na parede. Alguns até põe um espadrapo
ali para segurar, né, paraa parede não
abrir mais. Mas é talvez apenas passar
uma massa e passar uma tinta e você
fala: "Olha, vai dar certo, né? Vai dar
certo, já tampou a a rachadura, tá tudo
certo." Ou nós podemos investigar os
fundamentos ali, se o problema está na
base, né? Porque nós sabemos que apenas
uma pintura logo o desastre vai vir. Só
que às vezes na vida nossa nós estamos
fazendo a mesma coisa. Em meio a
rachaduras nós apenas passamos uma tinta
e uma massa e falamos: "Já está
resolvido, né? Os que o o olhar não vê,
né? Não vai ninguém vai saber.
Mas a palavra de Deus nos chama a agir
com sofrimento de forma mais profunda.
Terceiro e último lugar, o texto nos
aponta para esperança que precisa ser
buscada somente em Deus. É o que ele
termina do verso 19 até o verso 22.
No verso 19, ele declara: "Chamei os
meus amantes, mas eles me enganaram. Os
sacerdotes e os anciãos pereceram na
cidade. Então ele mostra que esses
apoios eh falharam, a aliança falhou, os
amigos falharam, a estrutura falhou, a
força humana falhou.
E aqui a gente vai ver que essa é uma
das eh que a gente olha misericórdia
severa de Deus. Ele permite que nossos
falsos salvadores se revelem incapazes.
Isso diz respeito, sim, à misericórdia
do Senhor. Jerusalém havia procurado
segurança em aliança política,
prestígio, tradição. Na sua própria
importância que agora tudo isso caiu. O
verso de número 20 no texto, ele
volta-te diretamente para Deus e diz:
"Olha, Senhor, porque estou angustiada.
Aqui há uma virada no texto, né? Então,
a cidade deixa de apenas falar sobre sua
dor e passa a falar com Deus a sua dor
diretamente agora diante de Deus. Então,
nós vamos perceber também a diferença e
a distância que há de murmuração para
lamento. A murmuração fala para longe de
Deus. É aquilo que o povo de Deus fez no
deserto. Quando eles murmuravam,
falavam: "Tá doendo, estou sofrendo, nós
estamos, não temos carne ou não temos
nada aqui nesse deserto, nós vamos
morrer de sede e nós vamos voltar pro
Egito."
Essa é a murmuração. O lamento ele diz
quase que a mesma coisa. Ele pode dizer:
"Eu estou com fome. Eu estou com sede,
eu estou penando nesse deserto, mas eu
não vou sair da tua presença, eu vou
esperar a salvação que vem do Senhor."
Essa é uma diferença da do lamento para
murmuração que coloca as duas coisas eh
no sentido oposto. Então o texto vai
caminhando para terminar e ele termina
não com solução rápida. Não há mudança
imediata na circunstância. Ele não
termina agora com o final feliz, mas ele
termina com a sua dor diante de Deus. E
isso agora faz toda a diferença. Isso
agora já é graça. Então nós vamos
perceber que oração não remove
normalmente como nós queremos. Deus até
pode fazer isso, mas a oração não remove
automaticamente as ruínas, mas recoloca
a alma diante de Deus. E isso é o mais
importante.
Isso é o mais importante. Mas como esse
texto, quando a gente olha para toda
essa figura do texto, a gente se precisa
sempre se perguntar, mas como tudo isso
leva-nos a Cristo Jesus? Porque é lá que
nós devemos chegar, é ao pé da cruz que
nós devemos também lamentar, porque
Cristo é a resposta final ao lamento de
Jerusalém. A gente vai ver depois lá na
frente que Cristo mesmo ele chora sobre
a cidade, ele também vê a ruína do
pecado, ele também ele foi agora sim
completamente abandonado. Ele também
ficou sem consolador, mas na cruz agora
o filho de Deus, ele entra no lugar da
desolação quando ele diz: "Deus meu,
Deus meu, porque me desamparastes?"
Lamentações primeiro aqui é Jerusalém
sofrendo por causa da sua culpa. Na cruz
Jesus sofre por causa da culpa do seu
povo. Esse mesmo povo que tinha o
abandonado e a todos nós. Jerusalém ele
diz: "Justo é o Senhor, pois me rebelei
contra a sua palavra". Jesus, porém,
nunca se rebelou contra a palavra do
Pai. Ele foi obediente, como a palavra
de Deus diz, e obediente até a morte de
cruz. No entanto, ele carregou o juízo
de todos nós. A cidade lamenta: "Não tem
o consolador na cruz aqui. Cristo então
ele fica sem consolo para que nós
pudéssemos receber então o consolador.
Palavra de Deus ainda diz que ele bebe o
cálice da ira para que nós bebêssemos o
cálice da comunhão. Ele foi levado para
fora da cidade para nos conduzir então à
cidade eterna. Por isso que nós agora
precisamos olhar para tudo isso e com
esperança cristã e saber que isso não é
um otimismo superficial.
Nós não dizemos uns para os outros,
olha, eh eh frases, né, que a gente
fala, ah, isso tudo vai passar
como se isso apenas eh pudesse trazer
alívio à nossa dor. Nós falamos uns para
os outros: "Olha, Cristo morreu e
ressuscitou por nós e ele pagou". E nós
sabemos que um dia, sim, a palavra de
Deus nos promete isso. Ele mesmo vai
enxugar dos olhos toda a lágrima. É
aquilo que a palavra de Deus promete lá
em Apocalipse. Portanto, a Bíblia começa
com o jardim perdido e agora ele caminha
para uma cidade restaurada. Lamentações
mostra isto: Jerusalém ruínas. E
Apocalipse vai nos mostrar uma nova
Jerusalém descenda do céu, descendo do
céu, adornada como noiva. Lamentações
está como uma cidade viúva, como o texto
diz. Apocalipse mostra o contraponto
disso, que é uma cidade agora como
noiva.
Em lamentações não há consolador. Lá em
Apocalipse, como nós sabemos bem do
texto, Deus mesmo vai enxugar de todos
os olhos toda a lágrima. Então, em
Lamentações, a glória se foi. Em
Apocalipse, a palavra de Deus diz que a
glória de Deus ilumina toda a cidade.
Portanto, meus irmãos, ao olhar para
esse texto, nós precisamos fugir de
algumas coisas que nos são colocadas.
Primeiro é olhar para esse texto e
falar: "Olha, Jerusalém pecou, portanto,
obedeça mais para não cair também". Isso
é apenas moralismo.
Transformar o texto em apenas uma ameaça
que normalmente eh nós olhamos pro
texto, alguns olham pro texto e vai
apenas olhar para essas ameaças ou às
vezes para um lado legalista e de dizer:
"Olha, se você lamentar corretamente,
confessar corretamente, se você
comportar corretamente, Deus vai
restaurar a sua vida". Isso transforma o
lamento em uma técnica espiritual.
E Deus, e aqui é como se a gente achasse
que nós pudéssemos manipular Deus por um
desempenho apenas religioso.
Eu gostaria de concluir dizendo que
Lamentações primeiro nos ensina que há
lugar para a dor na vida do povo de
Deus. E às vezes nós podemos ter essa
dor até o final da nossa vida.
Podemos sim,
mas nós sabemos que no dia que nós
fecharmos os olhos nessa terra, a
primeira figura que nós vamos ver já é
Cristo Jesus. E aí sim toda dorá. Nós
precisamos lembrar disso na nossa
trajetória para que a gente não caia em
alguns erros e algumas coisas que
normalmente não passam de algum
treinamento para que você tente
manipular a Deus. Porque a palavra de
Deus diz sim que ele pode nos manter
assim como ele falou para Paulo e disse:
"Olha, a minha graça te basta, o meu
poder se aperfeiçoa na sua fraqueza".
Nós podemos sim
sofrer dores intensas até o fim da vida,
mas tudo isso nós precisamos sofrer na
presença de Deus e sempre com a
esperança escatológica de saber, olha,
um dia todas essas dores passarão. Por
isso, nessa manhã, nós precisamos
primeiro aprender a lamentar
biblicamente,
não transformar a dor em silêncio,
sinismo, amargura. Não é isso que a
palavra de Deus quer orar. Ele nos chama
a orar com honestidade, também dar dá
nome às nossas perdas diante de Deus.
Lamentações nos ensina que memória pode
se tornar de fato oração. Também
examinar as falsas seguranças nossas
tradição, posição, ministério,
reputação, estatura, né? E subestimar
muitas vezes a fidelidade
a Deus.
E nós precisamos ainda procurar consolo
em Cristo, não apenas para alívio nas
circunstâncias, né? O evangelho promete,
ele aqui não promete, aliás, ausência de
lágrimas, mas ele garante que nenhuma
lágrima será desperdiçada. É isso que a
palavra de Deus nos garante. Fecha os
seus olhos, nós vamos orar. Se você
puder se colocar em pé, nós vamos orar
nesse instante. Ч.
>> [música]

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