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A fé vem pelo ouvir

Quando Deus Incendeia uma Vida | Josemar Bessa | Domingo 28 de Junho de 2026

Quando Deus Incendeia uma Vida | Josemar Bessa | Domingo 28 de Junho de 2026

Quando Deus Incendeia uma Vida | Josemar Bessa | Domingo 28 de Junho de 2026

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Legendas automáticas:

Amém. Há muito tempo atrás,
quando eu ainda
escrevia textos
diários para colocar na internet, né?
Hoje é quanto tempo a gente não faz mais
isso, né?
Textos assim estão ficando mais raros,
né? Por causa da facilidade dos vídeos.
E então isso foi sendo meio meio
deixado, né? Mas eu escrevi um texto que
eu nunca mais parei de escrever.
E se eu fosse fazer dele um texto, ele
teria mais de 2.000 páginas. E eu lembro
que o nome lá do texto que eu dei na
época lá na do
josermabessa.com, onde tinha esses
textos, eh, eu vou ter o título de As
cores de Cristo, porque a meditação lá
no texto era sobre eh como
a luz branca tem todas as cores, tá? E o
que a gente vê simplesmente é aquele
espectro da luz que as coisas não
absorvem, então refletem, não é? As
coisas não têm cores, elas refletem a
luz branca, a luz não é que nela tem
todas as cores. Então uma superfície que
absorve absorve todas as cores da luz
branca, mas não absorve o azul, reflete
o azul. E nós então vemos azul e falamos
que a cadeira que a gente senta é azul,
quando na verdade é o azul é o reflexo
da luz que está voltando para nós, não
é?
Então, nesse texto, eu falo sobre eh
como cada luz,
cada cor de luz diferente de Cristo é eh
é refletida de uma maneira mais clara
para nós em personagens diferentes da
Bíblia. Por isso o texto eh eu continuei
escrevendo, escrevendo, eu continuei
olhando para cada personagem da Bíblia e
olhando que reflexo de luz, da luz
perfeita de Cristo, aquele personagem
mais refletia para nos apontar para
Cristo. Bem, foi por isso que eu dei o
nome de eh
a todas as cores de Cristo, não é?
Porque olhava para alguém na Bíblia,
você vê que isso é maravilhoso, né? Não
só a doutrina bíblica, a gente satura a
nossa vida disso. Depois a gente olha
para aquelas pessoas e vê como Deus, ao
santificar aquela pessoa, uma cor dessa
do caráter de Cristo, da beleza de
Cristo, é refletida de uma maneira mais
clara, mais profunda, mas que apesar
disso é só um reflexo, só um reflexo da
beleza de Cristo que tá transformando os
seus filhos eh de glória em glória, né?
de um grau de glória para outro grau de
glória. E depois, agora um mês atrás, eu
fiz, sei lá, uns três vídeos que eu
coloquei lá no no YouTube falando a
respeito disso. Eu lembro que eu falei
de Abraão, eh, Isaque,
Jó, Isaías, não lembro assim exatamente
quais foram, eh, mas foi alguns, os
cinco, seis, mas eu já vim fazendo isso
há muitos anos desde que eu escrevi
aquele texto. Então, a quantidade enorme
de textos e hoje eu queria falar de um
aqui, dando uma comprimida, né, para
caber no nosso tempo. [roncando] E
Filipenses 1:21,
a Bíblia diz assim: "Porque para mim o
viver é Cristo e o morrer é lucro".
Essa é uma declaração forte, né? É uma
declaração que deve ser a declaração de
todos nós, mas ela ela está no lugar eh
em que você olha o vaso que está dizendo
isso e você vê exatamente o que ele está
dizendo. Há homens cuja força espiritual
se manifesta em silêncio, prolongado. Há
outros que você vai ver aquela
resistência paciente que que suporta por
longo tempo. Outros tem uma uma doçura
de alma,
que
te eleva, que te carrega. e a vidas cuja
santidade parece crescer como uma raiz
escondida. Ou seja, ela vai se
aprofundando e crescendo sem muito
ruído, sem muito eh barulho. E há outras
que se revelam como o tronco firme,
suportando eh ventos com quietude
impressionante, como grandes eh cedros
do Líbano, né? E [tosse]
essas árvores milenares que já passaram
tantos invernos e ainda aqueles em que a
beleza da graça se mostra sobretudo na
suavidade,
na ternura,
na mansidão prolongada.
É bom nós vamos cabendo pela Bíblia, nós
vamos vendo todas essas coisas. Paulo,
porém, aparece muitas vezes como homem
de eh de uma combustão
dirigida. Certa vez eu preguei eh eh
sobre como o evangelho é um é como um
feixe de railz e expliquei como aquilo
funcionava, todas as coisas reunidas num
só lugar, num só foco. E o coração de
Paulo nunca é morno, não é? Não está
quente, daqui a pouco diferente. A
vocação de Paulo não é tímida, a
consciência da verdade dele não é
frouxa.
Você vai ver que ele já começa eh eh com
a verdade
sólida diante de si e você vai
acompanhando ele durante os anos. Aquilo
continua. Sua relação com Cristo não
ocupa um compartimento periférico da
existência de Paulo. Ele pode dizer, e
todos nós devemos dizer, que realmente o
viver era Cristo. É por isso que ele
diz: "Eu não tenho minha vida por
preciosa, um tanto que eu cumpra. Ele a
a a verdade de Deus tomou o centro da
vida dele, incendiou o resto todo da
vida a partir desse centro.
Ela tem que estar no centro, né? Mas na
a gente vê que ela não ficou só no
centro lugar da onde ela deve estar, ela
irradiou para tudo, reorganizou a vida
inteira.
Então o grande intelecto de Paulo virou
um intelecto servo. Ahã. Ele nunca está
tentando pensar em algo que acrescente
ou faça parecer que menor a verdade de
Deus como ela em todos os aspectos. O
afeto foi transformado em combustível.
Até a fraqueza dele foi transformada num
púlpito.
Ele queria que a fraqueza dele mostrasse
a graça de Cristo e o sofrimento dele eh
mostrasse isso. E quando ele ficou
preso, a prisão virou um um um púlpito.
Ele começou a pregar e prega até hoje,
né, na prisão e suas lágrimas se
transformaram em ministério. Sua
doutrina estava sempre incendiada.
É maravilhoso. Há nele a impressão
constante de alguém capturado por uma
realidade grande demais para ser tratada
com moderação. Vamos ser moderados. Não
vamos deixar não, não. Para mim o viver
é Cristo.
Qualquer coisa na vida que você coloque,
que não esteja em Cristo, não faz
sentido. Tudo parece submetido a esse
centro vivo. Tudo parece empurrado pela
grandeza daquele em que ele encontrou
naquele dia no caminho de Damasco, que
nunca mais deixou ele ser um homem
neutro sobre nada. Em tudo ele via como
Cristo pode ser melhor representado,
como Cristo pode ser melhor visto nessa
situação, nas minhas dores, como como eu
vou mostrar Cristo? Em vez de ele ficar
contando com autopiedade, né? Ninguém me
ajuda nas aflições. Ele queria que
mostrar isso, o nome disso, essa cor
maravilhosa é zelo.
Então você não vai encontrar alguém como
Paulo refletindo isso, mas não qualquer
zelo,
porque não é um um eh eh um ardor meio
nervoso que gosta de disputar, não é?
que gosta de peleja, pela própria
peleja, não é uma paixão ideológica que
precisa de um campo de batalha para se
sentir viva. Se não tiver brigando sobre
aquilo, então se sente eh eh não vive,
tá sempre procurando brigar. E o zelo de
Paulo não é uma combustão do ego de
Paulo. E é muito fácil que o zelo de
alguém seja a combustão do seu ego, que
encontra uma causa ou apenas uma
doutrina, não é? e e eh fica ali
e ele não tem a excitação do polemista
pela polêmica.
Ele não tem preferências doutrinárias
que dirá inventar alguma coisa e e fazer
daquilo algo importante e sair brigando
com as pessoas. Não é um movimento de um
homem capaz de descansar porque no fundo
ainda crê que seu valor depende do que
ele tá produzindo. Paulo nunca acha.
Paulo nunca corregou para achar que o
que ele faz contava pontos para Deus.
Ele sempre é a pessoa que mais exalta
que tudo é a graça de Deus. Então ele
não fazia essas coisas. Ele não
esmurrava a si mesmo. Ele não fazia
essas coisas pensando em que assim, de
alguma maneira ele estaria além de só a
graça de Deus, que ele estaria somando
algo. Então, zelo de Paulo em sua forma
redimida é algo muito mais alto e muito
mais perigoso de nós simplificarmos e
termos uma ideia baixa da da palavra em
si. É um amor ardente pela glória de
Cristo, pela verdade do evangelho
e pela saúde da igreja, pelo crescimento
espiritual das pessoas, pela fidelidade
de Deus à suas promessas. Então, é uma
chama doutrinária que nunca para de
arder no peito do apóstolo Paulo. E não
é apenas ele, ele não apenas pensa
certo, ele queima certo. Toda a verdade
queima nele. Toda verdade se manifesta
numa numa vida assim. Ele não apenas
sabe, Paulo ama o que sabe. Há muitas
pessoas que podem dizer: "Eu sei tudo
que Paulo sabe". Porque estudou o que
Paulo sabe e estudou eh outros grandes
teólogos que falaram sobre Paulo. Mas
Paulo não apenas sabe. Paulo ama
completamente o que ele sabe.
A pessoa pode dizer: "Ah, Cristo este
crucificado". Ela sabe, mas ela não ama
aquilo. Não arrebata ela não. Paulo não
é assim. Paulo não apenas defende,
ele adora o que defende. Ele adora com a
sua própria vida, com seu ser. Ele está
disposto a dizer: "Não tenho minha vida
por preciosa". Ou seja, isso é mais
precioso que a vida para mim. Ele não
apenas anuncia, ele foi interiormente
vencido por aquilo que anuncia. Tem
pessoas que anunciam o evangelho,
anuncia o evangelho da graça e volta e
meia estão por caminhos legalistas.
Um homem cuja vida já não pode ser lida.
Paulo, você não pode ver a vida dele
como eh eh uma mera sucessão de tarefas
diferentes, compartimentos diferentes. É
um homem cuja existência inteira foi
consumida por essa centralidade
que queimava nele. Isso nos ensina já a
a a nos obriga a distinguir zelo de mero
agitação, de mera agitação. Pessoas que
nós podemos falar que é zelosa é muito
diferente disso. H pessoas ocupadas que
não são zelosas, a pessoa cheia de
tarefas, as pessoas que acham que a vida
espiritual realmente é fazer culto
segunda, terça, quarta, fazer isso,
fazer aquilo, fazer aquilo outro. Ela é
atarefada, mas ela não é zelosa.
Há agendas cheias que escondem corações
vazios, que estão tentando tirar daquilo
que elas estão fazendo, mesmo
supostamente para Deus. A mesma coisa
que a pessoa tá tentando tirar lá da
vida que ela tá levando, tentando,
porque aquilo que eh tá dando a ela a
sua identidade. E há ministérios
intensos que por dentro são movidos mais
por medo, vaidade, eh comparação,
necessidade de controle do que de um
amor queimando verdadeiramente
por Cristo. Então, o zelo bíblico não
pode ser medido apenas pela quantidade
de movimento, de envolvimento, nem pelo
volume da voz, nem pela velocidade com
que alguém reage aos erros
alheios, os erros de outras pessoas, os
erros doutrinários.
Zelo não é só barulho espiritual, zelo é
centralidade.
Por isso ele reflete tão, tão
maravilhosamente essa cor. é quando uma
glória tão superior captura a alma que
todo o mais
tem que ser organizado em torno daquilo.
E não pode eh eh
mais nada que a gente vê na vida ser e
girar em torno e eh de outra coisa que
não seja ah aquela aquela glória. Então
você vê que eh a definição vai ficando
para nós clara. Tudo é reorganizado ao
redor daquela mesma coisa. E quando
Cristo deixa de ser um tema importante
dentro da vida,
é que a gente vê o o o o zelo, ele não é
só um tema importante que organiza os
outros temas, sabe? Ele passa a ser o
sol que determina como tudo se move, a
órbita de tudo.
Então, o homem zeloso não é simplesmente
o homem que faz muito,
é o homem que foi tomado por algo que
vale mais do que a própria preservação,
que é o instinto mais
profundo do homem, não é? Preservar sua
vida e até dos animais. Por isso
[roncando] Paulo nos incomoda.
Ele não se encaixa numa fé domesticada,
numa fé que faz um homem muito parecido
com um homem fora de Cristo. Não cabe na
religião usada como adorno de uma vida
confortável.
Não era o que estava procurando. Não nos
permite tratar Cristo como parte nobre e
de uma existência que ainda é centrada
em nós mesmos. Jesus é a coisa mais
nobre. Mas a minha vida ainda gira em
torno de mim mesmo, dos meus planos,
daquilo que eu acho que vai me fazer e
aquilo que eu preciso ser, que não é em
Cristo. É óbvio. Então, sua vida inteira
parece protestar contra uma
espiritualidade decorativa, contra uma
piedade que não tem urgência,
que está levando a vida, sabe? que eh
pode deixar para amanhã e contra uma
teologia que sabe nomear as glórias de
Cristo, mas não treme diante delas, não
está maravilhado. De fato, Paulo nos
força a perguntar: "O evangelho pesa
para mim?" Ou seja, ele tem realmente
glória?
A verdade arde ao aprendermos a falar
das coisas eternas com a mesma
temperatura com que falamos de outras
coisas? ou conseguimos falar sobre
esporte, política, vida, romance com a
mesma paixão
e não o evangelho estando acima e
dirigindo todas as coisas? Essa pergunta
precisa nos acompanhar desde o começo,
porque o zelo de Paulo não é um detalhe
do temperamento dele,
é uma beleza que ele está refletindo.
É uma janela para uma vida
rearranjada.
pelo verdadeiro encontro com o filho de
Deus,
a verdadeira visão de Cristo. Ali tudo
que antes estava disperso foi capturado
por um único centro. Várias ambições,
vários projetos
foram todas
redirecionadas paraa mesma coisa. Tudo
que antes era uma força natural nele.
Ele tinha rigor religioso, inteligência,
coragem, disciplina.
intensidade. Tudo isso foi levado ao
tribunal da graça e devolvido. Mas agora
aquelas coisas não têm importância em
si. sua inteligência, sua capacidade,
tudo aquilo foi devolvido a ele só como
instrumento. Para ele agora sua
inteligência não é sua identidade, suas
capacidades,
eh seus privilégios,
aquilo é só um instrumento para Cristo.
Do que vale a inteligência se não for
para exaltar Cristo? do que vale eh eh
força, rigor, eh intensidade, se ela não
está centrada em Cristo. E isso
significa que zelo cristão nunca é menos
do que amor em chamas pela glória de
Cristo.
Portanto, não é algo tão comum. E quase
sempre quando a gente fala que alguém
parece zeloso, está muito distante
dessas definições, mas também nunca é
menos do que amor governado pela
verdade. Essas duas coisas estão juntas.
um amor em chamas, mas um amor que não é
porque está em chamas virou um incêndio
descontrolado. Ele é sempre direcionado
pela chama da verdade. Uma chama que não
é governada pela verdade, se torna
destrutiva pra igreja, pro mundo. E as
coisas melhores da vida aparecem
realmente, como Calvino disse, uma
espada na mão de um louco que faz mal em
vez de fazer o bem. Uma verdade que
nunca se torna chama, é uma luz fria,
né?
e em uma alma adormecida. E quanto mais
verdade, mais a gente vê o poder do
entorpecimento, porque aquilo não faz
nenhuma diferença.
Romanos 10:2 diz: "Pois posso
testemunhar que eles têm zelo por Deus,
mas o seu zelo não é baseado na verdade,
não é baseado no conhecimento." E Paulo
vai dizer: "Eles estão perdidos". Não é
que aí agora eles estão perdidos. Então,
para compreender a beleza do zelo de
Paulo, eu preciso começar dizendo algo
decisivo a respeito disso. Seu zelo não
surgiu
do nada quando ele se converteu.
Ele já era um homem zeloso antes. Você
vê que essa não é uma qualidade
meramente eh eh espiritual aqui. Eh, só
que o seu zelo antigo era terrível.
Isso importa demais. Hã, porque zelo por
si só, você vê, o zelo em si mesmo não é
uma virtude.
Pode ser algo terrível, pode ser um
combustível
de glória ou ruína, de exaltação de
Cristo ou exaltação de eh do ego. A
intensidade em si não é algo eh por si
só bom. Pode nascer de um amor a Deus ou
de uma idolatria
religiosa refinada,
de uma ideia legalista da vida ou do
ego, para defender a verdade, eh, ou
combater a verdade encarnada. foi que o
zelo de Paulo se mostrou mais eh
incendiado. Pode parecer eh eh quando
alguém tem um zelo que supostamente é
para Deus, mesmo que mal direcionado, a
gente pode querer ver algo bom, mas
Paulo não via. Eles têm zelo por Deus
supostamente, mas não é segundo a
verdade. Uma alma ardente não é
necessariamente uma alma santa, uma alma
intensa não é necessariamente uma alma
convertida, uma consciência rigorosa,
escrupulosa, não é necessariamente uma
consciência iluminada pelo evangelho. Na
maior parte das vezes não é iluminada
pelo evangelho. Então Paulo de Tarso já
era um homem ardente, convicto,
disciplinado e religioso.
Ele era movido. Ele não era um homem
frouxo. Ele não deixava a vida levar
ele. Ele não era cético, morno, não era
religioso por conveniência social
apenas. Apesar de ser fariseu, ele não
parece muito, porque a gente acabou
tendo uma só ideia dos fariseus, não é?
Que o fariseu é hipócrita e tal, mas
não. Paulo não era assim. que levava a
sério o que cria, organizava a vida ao
redor disso. Tinha uma fibra, seriedade,
convicção, rigor, prontidão. Estava
pronto a ir a limites extremos.
Era um zelo cego.
E isso é pior do que zelo nenhum, não é?
Zelo sem Cristo, zelo sem nova criação,
zelo sem luz evangélica, zelo alimentado
por uma justiça própria, que embora
estava revestida de tradição, de Deus,
de lei de Moisés, etc.,
eh de escritura e de sinceridade
religiosa, permanecia em guerra contra
Deus. Nenhuma dessas coisas não
redimidas
serve a não ser para fazer guerra contra
Deus.
E há uma advertência para nós nisso,
porque muita gente supõe que grande
problema espiritual do homem seja apenas
falta de intensidade.
E tudo que as pessoas querem ser é ser
intensas nos que estão fazendo, como se
bastasse sentir mais. Precisamos sentir
mais, nos envolver mais, nos dedicar
mais, nos comprometer mais,
como se a grande doença da alma fosse
sempre a apatia e esse fosse o mal
espiritual
final. E a grande cura fosse sempre o
aumento da energia, o aumento do calor,
o aumento da da, né,
de não deixar nada para ontem. Ah, mas
Paulo nos obriga a reconhecer que uma
alma intensamente errada pode ser mais
perigosa quando é intensamente zelosa.
Causa mais dano ao mundo, causa mais
dano à igreja como um todo, causa mais
dano à igreja local. O zelo sem verdade
facilmente se torna eh violência, quando
não física, como em Paulo vai acontecer,
mas violência de todas as maneiras. Zelo
sem humilção diante de Cristo se torna
um orgulho, mas não só um orgulho, um
orgulho armado, um orgulho com arma. O
zelo sem evangelho pode eh perseguir
justamente aquilo que Deus está fazendo.
Aquilo que basta é caro
ao coração de Deus é exatamente aquilo
que o zelo não governado pela verdade
faz mesmo entre pessoas que dizem eh
crer no evangelho. Então, a energia do
homem caído quando vestida de eh de
zelo,
quando vestida de religiosidade, é capaz
de produzir danos muito mais profundos
em vez de servir ao céu. Sem o
evangelho, aquilo que poderia ser bom se
torna muito pior do que nada, não é? E
Saulo perseguia a igreja, respirava
ameaças, mas ele queria estar servindo a
Deus. Ele não era hipócrita.
Ele acreditava que estava de alguma
maneira eh eh exaltando Deus.
Esse esse zelo que pode levar alguém a a
limites extremos
eh em nada é bom. Ele não diz eles
são zelosos de Deus, então está tudo
bem. Apesar deles não estarem muito
centrados na verdade, ele diz: "Eles
estão perdidos
porque eu sei que eles têm zelo, mas não
segundo a verdade." E esse é um dos
aspectos mais assustadores da história.
Ah, o zelo
errado frequentemente
se sente puro. Quem é apático nunca dá
muito valor, nunca diz: "Olha, maravilha
ser apático". Ele mesmo não consegue ver
a apatia como algo bom.
Mas o zeloso, o zeloso começa a achar
que ele serve a Deus de alguma forma e
de que ele está fazendo coisas. E quando
isso é juntado a eh eh unido à justiça
própria, raramente não causa danos muito
grandes.
Percebe-se como dever, percebe-se como
fidelidade, percebe-se como coragem
moral o que a pessoa está fazendo como
uma firmeza em favor de Deus. justamente
por isso pode ser tão devastador,
pode deixar as pessoas tão longe do
evangelho, tão longe da das doutrinas da
graça.
É precisamente por isso que sua
história, a história de Paulo é tão
impressionante. homem de zelo religioso
descobre de forma devastadora que estava
em guerra com o próprio Senhor da
Glória, que tudo que ele fazia de certo,
na verdade, era aquilo mais errado que
podia existir na vida dele,
que tudo que ele fazia com toda a
paixão, não tinha nada a ver com Deus,
sim, com seu próprio coração. Aqui há
uma advertência necessária para todos os
que confundem intensidade com
fidelidade.
Se eu não estou com a verdade, quanto
mais intenso, pior.
Se eu não fui capturado pelo evangelho,
quanto mais intenso eu for no meu
suposto servir a Deus, pior eu sou do
que aqueles que não são nada. Então,
Saulo prova que é possível estar
profundamente envolvido e ainda assim
estar profundamente errado diante de
Deus. que você não pode medir as pessoas
realmente por estarem no meio
supostamente do povo de Deus pelo seu
zelo, assim, porque é possível ter
disciplina, zelo, linguagem bíblica,
senso de missão. Paulo tinha um grande
senso de missão, coragem pública e não
só algo eh eh particular e ao mesmo
tempo está servindo a um ídolo que está
vestindo roupas sagradas, que está se
fingindo de servir a Deus, que está se
fingindo de evangelho. Então, o zelo
antigo de Saulo não era ausência de
compromisso,
não era apatia, era um compromisso sem
Cristo como centro. Qualquer compromisso
sem Cristo como centro é assim. E quando
Cristo não é o centro, até as coisas
mais espiritual, oração
se torna armas do ego. Todas as coisas
se tornam armas do ego. A doutrina pode
virar instrumento de superioridade,
eh, a tradição, abrigo da da justiça
própria, tudo fica mais diabólico. A
coragem vira dureza.
A separação do pecado vira desprezo por
quem você acha que não está naquele
nível. O rigor vira perseguição, a
convicção vira cegueira.
Paulo respirava ódio. Isso é assustador
porque muitos dos nossos pecados mais
perigosos
não aparece inicialmente como vícios
grosseiros. Tudo em Paulo parecia
virtude.
Tudo em Paulo parecia algo bom, seus
grandes pecados, mas eram virtudes
deformadas.
Parecem às vezes defesas da verdade
quando na realidade é amor a própria
posição. Há um lado, não é? Aparece como
zelo pela pureza quando na realidade há
um prazer em condenar, em se comparar.
aparece como fidelidade quando na
realidade há nela uma pura incapacidade
de se humilhar.
Por isso a conversão de Paulo é tão
profunda que isso não apenas troca o
objeto do seu discurso. Paulo não
aparece com uma mensagem nova.
Cristo atinge a raiz da confiança de
Paulo. Tudo que Paulo confiava, ele não
confiava mais.
E
ele que foi perseguidor precisava apenas
eh eh descobrir Jesus como Messias,
mas que todo sistema pessoal de glória
que sustentava a sua alma estava
condenado, que a pior coisa nele era a
sua justiça,
eram as coisas boas,
era a sua, o fato dele ser
irrepreensível.
E é muito difícil se arrepender daquilo
que é o melhor em você,
das suas virtudes. É mais fácil se
arrepender dos vícios,
das coisas que qualquer homem pode
dizer: "Isso é péssimo, é horrível". Mas
é muito difícil o homem chegar. Há
pessoas que vão viver a vida inteira no
meio evangélico que vão morrer jamais se
arrependendo das suas virtudes.
E
sua justiça, Paulo vê, não só não o
salvava, ela era pecado aos olhos de
Deus. Sua intensidade não justificava,
sua sinceridade não inocentava, seu zelo
nunca o tornou melhor, mas pior. É
difícil ver isso. Essa é uma palavra
dura para qualquer coração religioso.
Não basta arder. Preciso arder no lugar
certo, no altar certo, diante da única
verdade.
Não basta defender. É preciso amar o
Cristo que você defende.
Não basta combater o erro. É preciso
morrer para o orgulho que pode se
esconder no combate ao erro. O orgulho
de querer estar certo.
Não basta ter energia espiritual. Eu
preciso que essa energia seja
crucificada e ressuscitada em graça e
não em arrogância.
Então, Saulo nos mostra que o zelo sem
Cristo não é apenas incompleto. Ele é o
maior inimigo da alma,
maior inimigo do evangelho.
Em Atos 9:4 diz Saulo, Saulo, por que
você me persegue? No caminho de Damasco,
zelo encontra o seu juiz. As melhores
coisas, a justiça de Paulo encontra o
juiz.
Não para celebrá-la, não para dizer que
seu, as suas virtudes podiam ser somadas
ao que Deus faz.
Então, a luz o derruba, a voz o
atravessa. Saulo, por que você me
persegue? Não é apenas uma interrupção
biográfica, é uma reinterpretação de
todo o universo de Paulo,
de tudo que ele acreditava ser puro,
santo e bom. Não, os os vícios, as
coisas ruins. Eu era assim, eu era
assado, eu fazia isso, era horrível.
Não, não, não. De repente, toda a sua
energia religiosa, todas as suas
virtudes tinham que ser revistas. Não é
rever os seus supostos erros, supostos
vícios. Toda a sua convicção tinha que
ser quebrada. Toda sua justiça própria
precisava cair por terra para sempre.
Todo eixo em torno do qual sua alma
vinha girando precisava ruir.
O homem que julgava combater
pela verdade divina,
vinha apenas ferindo
Cristo através de quem ele feria. O
homem que Cristo está vendo claramente,
não é que ele descobriu, cara, tava
errado.
Ele descobriu. Ele que achava que
enxergava tudo claramente. Eu estava
completamente cego. Nada do que era
antes serve para nada.
O homem que julgava servir a causa santa
descobre que sua causa era uma guerra
contra o santo. Você vê ele tudo era o
oposto. Aquele homem que não apenas se
converte. Paulo é, ele rebatizou o seu
zelo,
arranca
todo o combustível do altar errado.
Paulo não vai mais dividir agora. Como é
fácil fazer um combustível de zelo para
coisas que ainda se parecem com o mundo.
E agora eu vou botar combustível na
coisa certa também. Não, não, não. Todo
combustível agora vai pro mesmo lugar.
Poucas coisas são tão belas quanto isso.
Cristo não destrói a intensidade de
Paulo. Cristo redime
a sua intensidade. Cristo a salva.
Cristo a purifica, Cristo a transforma.
Não transforma. Porque muitas pessoas
são assim, elas são legalistas, elas são
místicas. Aí elas doutrinas da graça
chegam para elas e elas então ficam
apáticas.
Você
vê que a verdade não transforma Paulo no
homem apático, não apaga a sua
seriedade, não dissolve sua coragem, não
mata a sua fibra, não
o converte numa alma indiferente.
Ah, agora é pela graça. Não, não faz
isso. toma aquele ardor,
fere o orgulho dele,
purifica o orgulho farisaico, esvazia de
toda a ideia de autosalvação em mérito,
e então devolve ele ao mundo como
instrumento de outro reino.
e o zelo permanece, mas agora não mais
um um favor da própria e eh e eh em
favor da da da própria justiça, de como
ele eh podia se diferenciar pelo que ele
fazia de outras pessoas, mas em favor da
eh eh eh não da superioridade
espiritual,
não mais em favor de um sistema no qual
o homem pode se gloriar de alguma forma.
Agora é uma paixão por algo que o homem
não pode se gloriar. Nem um pouco.
Nem um pouco. Eh, eh, 99,9 o que Cristo
fez e 05% do que eu fiz. Não pode se
gloriar mais. Não passa, não, não sobra
lugar. Agora é um zelo por Cristo.
Damasco, portanto, não é apenas um lugar
de uma mudança de opinião. Porque as
pessoas podem mudar de opinião sem suas
vidas mudarem de verdade, não é? É o
lugar de uma morte. morre ali a
segurança do fariseu em si mesmo. Paulo
nunca mais vai achar que é ouvido por
Deus porque ele ora, porque ele prega,
porque ele sofre.
Ele nunca vai achar que está somando
algo a Cristo, a sua justiça. Ali morre
o seu projeto de justiça própria. Morre
a ilusão de que sinceridade basta diante
de Deus. Morre a falsa nobreza de um
homem que confundia a sua causa com a
causa de Deus. misturava tudo e lutava
pela justiça própria enquanto dizia
estar lutando pela justiça de Deus.
Então nasce outro Paulo, outra pessoa.
Não nasce um homem menos sério, porque é
estranho alguém ser tão sério enquanto
está acreditando numa teologia falsa e
tão apático quando diz que descobriu a
verdade.
Não nasce um homem sem convicção, não
nasce um homem submetido eh eh a a menos
do que a própria verdade encarnada.
Não nasce um homem domesticado pela
conveniência para ficar apático diante
de uma doutrina que talvez pudesse dar a
ele uma falsa base para isso. Nasce um
homem quebrado pela misericórdia.
misericórdia e a graça de Deus são as
coisas que impulsionam sua vida em vez
de levá-lo
ao lugar oposto. Não torna ele eh eh
pequeno no sentido de apagar sua
vocação. Torna eh eh pequeno diante de
Cristo todas as coisas que importavam,
que eram grandes. Isso é um dos sinais
mais belos da graça.
Ele não desperdiça
aquilo que Deus mesmo formou na sua na
sua personalidade,
ah, na história, na inteligência e na
força eh
dele, ele redireciona, ele humilha cada
coisa que Deus deu a ele e ele consagra
todas essas coisas. Então, a mesma boca
antes usada para ameaçar anuncia as boas
novas.
sofre violência, onde ele levava o
oposto. E a mesma intensidade antes
deformada pela justiça própria, passa a
ser constrangida pelo amor de Cristo. O
amor de Cristo me constrange,
nada mais me impulsiona meu nome, a
ideia de aceitação diante de Deus. Mas
notem bem, essa transformação não é
cosmética, não é apenas Saula agora
usando sua energia. Porque agora eu sei
qual é a verdade, agora eu tô numa causa
certa. Eh, simplesmente eh agora vou
botar minha energia numa causa certa. É
mais fundo, é uma substituição de
centro.
Antes o zelo estava ligado ao eu
religioso
que queria estabelecer diante de Deus a
si mesmo e dos homens.
queria ser visto pelos homens como esse
homem zeloso. Depois o zelo passa a
nascer da graça que alcançou quando viu
que merecia pelas suas virtudes supostas
o juízo e a ira de Deus. Antes ele
lutava como quem precisava provar algo
para Deus e para as pessoas,
algo que precisava ser visto, né, para
provar. Depois ele serve como quem já
foi vencido por uma misericórdia,
por uma graça. Por isso Paulo nunca se
apresenta como herói autônomo. Ele volta
sempre à graça. Paulo nunca se afastou
disso. Eu acho incrível como há pessoas
que às vezes depois de bastante tempo
dizendo: "Ah, as doutrinas da graça,
elas vêm fazendo uma pergunta, às vezes
até aqui em Jardim da Luz e você vê puro
legalismo a pergunta da pessoa,
ela ainda não entendeu. Você não vai ver
isso em Paulo. Você não vai ver ele
volta em m esbarrando de novo nos no no
legalismo do fariseu. Você vai ver ele
dizendo eh eh perdi todas as coisas para
CR para que eu tenha uma justiça que não
vem da lei. Ele nunca mais quer nenhuma
justiça que venha da lei, da lei de
Deus.
Mas só aquela que vem através de Cristo.
Ele nunca, a pessoas que estão sempre
oscilando entre a graça e o legalismo, a
graça e voltar de novo,
são sempre complicadas, porque parece
que nunca compreendem de fato o
evangelho.
O evangelho nunca está em todos os
lugares da vida, não está em todos os
assuntos.
Lá vem, aparece a pessoa com uma coisa
totalmente insignificante, pegando
aquilo como se fosse a coisa mais
importante,
fazendo daquilo algo que não é o
evangelho, um motivo de disputa de de
sabe?
E isso nunca acontece com ele. Ele,
apesar de ter sido o fariseu dos
fariseus, ele nunca tem essas recaídas.
É por isso que ele repreendeu Pedro. Ele
nunca, ele nunca achou em momento algum
depois de compreender a graça e a paixão
ser redirecionada completamente, ele
nunca ficava eh eh variando entre graça
e lei, entre evangelho e lei.
É triste quando é assim. Ele foi
perdoado, foi enviado. Sua vida inteira
passa a ser apenas uma resposta
da graça.
Ele nunca mais volta, nunca mais
confunde. E essa é a única base segura
para o zelo cristão. Não a tentativa de
comprar algo em Deus, não a tentativa de
pegar algo que não é o evangelho, querer
impor as pessoas, não, porque eu agora
não faço isso. Aí começa a achar que as
pessoas vão ter que fazer aquilo e
começar a transformar aquilo numa
espiritualidade
e achar que realmente aquilo que ela
está abrindo mão, não está fazendo faz
ele justo ou soma algo à justiça de
Deus. Paulo agora ele as coisas mais
puras e preciosas ele disse que não soma
nada a justiça de Cristo. Eu não quero
nenhuma justiça que venha dali, ou seja,
vem em resposta a algo que eu faço
supostamente bom. Só quero a justiça que
vem da cruz de Cristo. Por quê? Porque
na verdade não existe outra, não há? Ele
não tem recaídas nisso.
E Romanos 11:16, ele diz: "Pois dele,
por ele, para ele são todas as coisas. A
ele seja a glória para sempre". É como
se essa mudança eh aparecesse em cada
aspecto da sua vida.
Paulo não fala do evangelho como um
professor que apenas domina o assunto,
mas aquilo não domina a sua vida. Ele é
que domina aquela
a aquela teologia. Ele fala como um
homem que foi vencido, um homem que foi
conquistado.
A doutrina então dele tem nervo,
sensibilidade. Sua teologia tem
lágrimas. Paulo quando vai falar sobre
inimigos da cruz, ele fala chorando. Ele
não fala como um cara arrogante que está
dando uma aula de verdade para as
pessoas.
Ele diz: "Eu digo chorando."
Sua lógica tem adoração.
Quando ele está explicando as grandes
verdades do evangelho, ele sempre tem
que parar para para essas doxologias.
Eh, eh, eh, porque dele, para ele são
todas as coisas. Glórias sejam dadas a
ele. Toda hora ele faz isso. Seu ensino
tem sangue nas costas, noite sem dormir.
E ainda assim ele não acha que nada
disso acrescenta nada a graça de Deus,
que é só a graça operando nele.
e
igrejas plantadas, correções dolorosas,
saudades,
orações, cadeias, naufrágios,
perseguições.
Mas sobre todas essas coisas, você
continua vendo aquele senso contínuo da
beleza e centralidade de Cristo. Ele não
acha que nenhuma dessas coisas são
importantes em si mesmas. Ele pega o seu
sofrimento e diz: "So que vai mostrar
mais da graça de Deus, eu agradeço a
Deus por ele."
Você vê nada é sobre ele, nem seu
sofrimento. Ele não trata a verdade como
material, intelectual neutro, trata como
uma glória viva,
que radia. Não argumenta apenas porque
sabe que deve defender formulações
corretas. Ele não pode. Ele é alguém que
diz: "Ai de mim se não pregar o
evangelho". Não porque ele quer ser
salvo, mas exatamente porque ele é
constrangido pelo amor de Cristo. Ele
argumentava porque viu que nessas
verdades está a própria honra de Cristo,
a liberdade dos pecadores. Nessa verdade
está a saúde da igreja, a alegria da
salvação, a paz da consciência e a única
esperança do mundo. É por isso, ele não
quer defender uma tese. Isso se vê na
forma como ele escreve. Há cartas em que
sua mente sobe a alturas vertiginosas,
como Efésios.
Ele fala de eleição, redenção,
justificação, união com Cristo, cabeça e
corpo, mistério oculto, agora revelado,
plenitude dos tempos, adoção, glória
futura, nova criação,
fala de Adão e Cristo.
Você vê
da lei da promessa, da carne do
espírito, da da morte e da ressurreição,
tudo compaixão de Israel e dos gentis,
da reconciliação cósmica, da
conformidade ao filho de Deus, do
tesouro insondável que nós recebemos em
Cristo, da sabedoria escondida em Deus
antes dos séculos eternos, Cristo. Mas
tudo isso nunca soa como uma aula.
Mesmo em Romanos e mesmo em Efésios,
mesmo quando o argumento é muito denso,
muito profundo,
você sente que a mente dele está em
chamas.
A doutrina não congela nunca. O apóstolo
Paulo nunca congelou ele. A doutrina
sempre o incendeia. A doutrina às vezes
congela pessoas, elas viram um bloco de
gelo, mas em Paulo não, ela está sempre
incendiando ele. Isso é tão importante,
porque é um falso contraste muito comum
entre zelo e profundidade,
como se o homem profundo necessariamente
eh precisasse ser efetivamente contido.
Não, eu sou tenho um conhecimento. E a
começamos a achar que a maturidade é
esse é ser contido assim. E o homem
ardente necessariamente é artificial,
como se a teologia robusta produzisse
uma certa frieza,
elegante, mas frieza, e o coração
inflamado fosse sempre um sinal de eh
pouca consistência intelectual.
Mas Paulo destrói essa dicotomia.
Ele explode nele, pensamento profundo e
coração em chamas se abraçam.
A mente nunca apaga o coração de Paulo.
O coração de Paulo nunca faz ele sair da
verdade.
O coração não sabota a mente dele que
conhece a verdade. A verdade mais alta
produz cada vez um calor mais santo
nele.
E esse calor santo faz ele cada vez mais
amar a verdade.
Quanto mais ele vê, mais ele arde, não
é? Quanto mais ele conhece, mais fica
indiferente.
Quantas pessoas que gostam da doutrina
da graça são indiferentes,
vão ficando mais indiferentes, vão
encontrando mais desculpas para não
arder para Deus em tudo, em toda a sua
vida.
Mas não, não, Paulo, quanto mais ele
compreende a estrutura gloriosa do
evangelho, mais lhe pesa a centralidade
de Cristo. Mas Cristo fica central. A
gravidade de cada erro para ele é
enorme. A urgência da missão, ele não
tem tempo para perder. Por isso ele diz,
remindo o tempo, porque os dias são
maus.
E a preciosidade da igreja. Paulo
escreve cartas duras, mas sempre com
muito amor pela igreja. Hoje o que nós
vemos é as pessoas se aproveitarem do
erro da igreja para mostrar que se eles
pudessem viviam no mundo sem igreja.
Eles não podem. Eles falam muito da
graça e às vezes do evangelho e do
evangelho deturpado, mas eles nunca
podem com alegria dizer o que Jesus
disse da igreja. Eu te amo, minha noiva,
porque não há manchas em ti. Eles só
conseguem ver as manchas. Jesus, por
causa do seu sangue, por causa da sua
justiça, por causa da sua beleza, ele
diz pra igreja: "Não há manchas em ti".
Há pessoas que estão no lado oposto.
Jesus vai apresentar o Pai uma igreja
gloriosa, santa e imaculada. Mas ele ama
a igreja. Você vê, ele ama ele. É por
isso que ele derramou o seu sangue. É
por isso que mesmo agora, não é no
futuro, ele olha pra igreja e diz: "Não
há mancha em ti". Ele vê sua obra, mas
há pessoas que supostamente
amam o evangelho que elas encontram por
causa das manchas verdadeiras da igreja.
Um desprezo pela igreja. Elas estão
sempre prontas a se ajuntar com o mundo,
como se a igreja fosse o grande mal do
mundo,
quando na verdade é a única esperança.
Quando a igreja não estiver mais aqui,
não há mais nada para Deus fazer nesse
mundo, a não ser derramar o seu juízo.
A igreja, mesmo na sua imperfeição,
é aquilo que faz a história continuar,
até que o último daqueles que o Pai deu
ao Filho sejam chamados. Só de estar
aqui,
mesmo em sua fraqueza, a maior bênção
que esse mundo tem é a igreja. Paulo
nunca eh
vai combater o erro dos Gálatas de
alguma maneira, fazendo da igreja menos
do que a igreja é. aos santos que estão
em Gálatas,
na
naquele lugar, os santos que estão em
Corinto, estava tudo bagunçado lá, mas
Paulo ainda sempre via a igreja de
Cristo.
Seus não existe apenas, apesar da sua
doutrina, existe por causa dela. E era
contraditório
ele dizer o que diz de como Deus salva,
santifica e ser cínico para com o que
Deus faz naquilo chamado igreja.
Não combina a graça vencedora, a graça
eficaz e meu sinismo.
E
existe o seu zelo porque pela doutrina
verdadeira ele contempla a Cristo com
tal clareza que não pode tratar o
evangelho com tibieza, nem aquilo que o
evangelho está fazendo. Então, a
doutrina em Paulo não é informação
acumulada que precisa ser eh passada. É
uma visão da glória.
É uma janela para a grandeza do Senhor.
É uma arquitetura.
Arquitetura do evangelho contemplada não
com curiosidade, que que construção, que
coisa inteligente, mas com veneração,
assombro, o constrangimento santo. Por
isso que antes dele falar [tosse]
sobre a conclusão, ele tem assim: Ó,
profundidade das riquezas. está sempre
maravilhado.
Por isso, quando ele pensa alto, seu
coração não esfria. Quando o pensamento
dele está nas alturas, isso não tem nada
a ver com um coração que não está em
chamas. A verdade revelada é como uma
lenha lançada sobre a chama da adoração.
Quando nós falamos sobre eh afeições
santas,
a verdade vem à nossa mente, a nossa a
nossa nova mente. Ali vem a lenha.
Mas é óbvio que lenha precisa de ser
incendiada para ter calor. E quando o
Espírito Santo incendeia a verdade em
nossos corações, que são uma fornalha de
paixões
caídas quando a gente está fora de
Cristo e agora paixões centradas em
Cristo, quando essa essa essa essa
madeira do conhecimento é incendiada
pelo Espírito, o que a chama disso são
as afeições santas. Esse ponto essencial
para a igreja de qualquer época, quando
a verdade é separada da adoração, ela se
torna apenas um sistema. O mundo a vê
como sistema, nós a vemos como sistema.
Ela não captura
a paixão do coração.
E quando a verdade é separada da
adoração, então ela se torna isso,
apenas esse sistema. E quando a adoração
é separada da verdade, ela é uma emoção
pecaminosa contra Deus,
porque ela não está centrada em Cristo.
Paulo não aceita nenhuma dessas
amputações. Ele não permite escolher
entre mente e coração,
entre doutrina e fervor, entre precisão
e paixão. Ele não acha que é muito
comum, você tem que estar numa dessas
duas coisas.
Por isso, sua teologia não é enfeite de
intelectualidade religiosa. É um
combustível pra vida dele, pra vida de
todas as pessoas. Porque isso é o
evangelho, um combustível, algo que
arde, que eh cria essas afeições, essas
paixões no coração que movem a alma.
Então, a eleição não torna Paulo frio,
torna ele adorador, torna ele encantado,
torna ele com ó, ele nunca a ideia de
que a doutrina da eleição vai fazer
alguém ficar. Então, é porque essa
pessoa, ela não foi transformada pelo
evangelho, ela viu um sistema e o ego
dela organiza de novo aquele sistema em
torno do ego. Quando Paulo fala sobre
justificação, não é algo técnico. Ele se
torna livre. Ele nunca mais vai ser
legalista.
Ele vai falar: "Olha, são doutrinas de
demônios que diz: "Não toques, não
olhes, não manuseis".
Regras de homens,
filosofias fúteis,
espiritualidade
mística
que supõe-se ser alto, mas não passa de
engano. Você vê a essa firmeza, a união
com Cristo não é uma categoria abstrata,
é a estrutura da existência.
Paulo não flertava com nada fora da
graça,
porque isso era flertar com algo fora de
Cristo.
A cruz não é apenas uma doutrina ser
preservada, é o lugar onde o mundo foi
crucificado para ele e ele para o mundo.
Então você vê a cruz não é só uma
doutrina. Ele olhava para coisas e via,
eu estou crucificado para o mundo. Como
o mundo vê as coisas, como o mundo
interpreta as coisas, como o mundo ganha
sua identidade, como o mundo eh eh
supostamente
tem força na alma, paz na alma, tenta
encontrar essas coisas. Eu não, eu morri
para o mundo e o mundo está morto para
mim.
Não há nada do seu humanismo que eu
possa acrescentar nenhuma gota ao
evangelho de Cristo. A ressurreição não
é apenas um evento a ser confessado, é
aurora de uma nova criação que já
começou a invadir sua própria vida. Ou
seja, todos nós, se somos regenerados,
não vamos ser regenerados de novo quando
houver a glorificação. Vamos receber
corpos novos.
Então, há uma forma doentia de estudar
as coisas de Deus como quem coleciona
peças raras. Você pode até dar valor
aquilo. O homem conhece termos,
distinções, escolas, debates, autores,
sistemas, mas sua alma é seca. Aquelas
coisas estão lá naquelas redomas de
vidro penduradas na parede.
Ele domina a linguagem do fogo, mas não
arde.
Paulo não cabe nisso. Quanto mais
contempla o plano eterno, mais ele é
levado paraa frente. Quando ele diz que
não, ele deixa as coisas que ficaram
para trás, é por isso há algo
impulsionando ele que nunca para.
Quanto mais ele raciocina, não é que ele
fica mais contido, ele mais adora.
A pergunta então não é se devemos ser
profundos ou ardentes. A pergunta é: por
que a nossa profundidade tantas vezes
não arde?
Por que a visão da cruz tantas vezes não
arde? Essa é a pergunta. Por que nossa
ortodoxia tantas vezes não está
cantando, não está cheia de júbilo, não
está cheia de paz?
não está cheia de coragem.
Porque conseguimos discutir verdades
sublime sem que a alma seja ferida pela
beleza dessas verdades. Elas são belas.
Porque nós discutiríamos sobre uma
paisagem e a paisagem em si não fosse
bela aos nossos corações. Talvez porque
em muitos momentos tratamos doutrina
como eh uma posse e não como uma janela,
como uma identidade de grupo, não como
uma visão de Deus. Quando a Bíblia diz
que nós vamos contemplar a glória de
Deus na face de Cristo, está falando que
nós vamos estar olhando para essas
doutrinas. Mas essas doutrinas não são
eh eh um conjunto de coisas ali, são uma
janela, uma janela na pelas quais eu
vejo o coração, a beleza de Deus.
Então Paulo nos chama de volta ao lugar
correto. A doutrina existe para que
Cristo seja visto com clareza. e
encendei nossas afeições. E quando o
Cristo é visto com clareza, a alma não
permanece neutra.
Então, em primeira Coríntios 9:16, ele
diz: "Ai de mim se não pregar o
evangelho".
Isso aqui pode ser interpretado de uma
maneira horrível, não é? E é ai de mim.
Isso ajuda a entender porque Paulo sofre
tanto e continua. Seus el não depende de
conveniência,
mas ele não está falando: "Ai de mim, se
eu não fizer o que Deus eh isso aqui,
então eh eu estarei
condenado."
Não, não.
Seusí não depende de conveniência. Fica
claro que Paulo não vai fazer algo até
que aquilo crie problemas na sua vida.
Não depende de clima favorável, de
ambiente acolhedor. Não depende de
estabilidade emocional constante. Se eu
tiver em momentos tristes, eu não posso
fazer mais nada. Não, não. Tristes, mas
sempre alegres.
[roncando]
Ele é açoitado, preso, mal interpretado,
traído. Tem pessoas que já vão ficar
aqui tendo que ler os próximos livros de
de humanismo secular para lidar com
essas coisas.
Quanto trauma, quanta coisa tóxica aqui.
Açoitado, preso, mal interpretado,
traído, difamado, cercado por toda
espécie de cansaço,
por vezes angustiado, abandonado, muitas
vezes pressionado por dentro e por fora.
E ainda assim ele diz: "Eu prossigo".
Por quê? Porque o zelo verdadeiro não é
uma mera excitação inicial,
frágil, fraca. O amor perseverante
orientado para uma visão,
é o que ele é, uma visão de Cristo. Isso
não mudava no meio dessas perseguições,
não apenas eh eh no sentido do encontro
inicial em Damasco, que foi incrível. É
como se Paulo toda manhã tivesse aquilo
de novo.
E uma vez que isso aconteceu, toda a
escala de valores mudou
e o sofrimento permaneceu tão real na
vida dele quanto na nossa ser
desprezado, difamado, traído. A dor não
é romantizada. As lágrimas existem, o
cansaço existe, a solidão existe, as
decepções existem, as pressões,
as incompreensões, tudo isso existe, mas
nenhuma dessas coisas consegue competir
com peso de glória. Nada é mais pesado
do que a glória de Cristo que governa o
seu coração. Essas coisas têm um peso,
mas são leves. Paulo chega a dizer que
elas são leves e momentâneas.
são leves. Todas essas coisas são leves
perto do peso de glória.
Nenhuma dessas coisas consegue competir
com esse peso. Ele não sofre porque
gosta de sofrer. Ninguém gosta. Quem
gosta e não está saudável, não é? Ele
não prossegue porque ele é uma pessoa
emocionalmente invulnerável,
inatingível.
A traição não atinge o abandono. Ele
prossegue porque é algo maior do que
essas coisas, maior do que o conforto.
Realmente é o que tem peso real, algo
mais pesado que a dor. E olha que a dor
tem peso, não é?
algo mais precioso do que a
autopreservação.
É, é Cristo, é essa glória. E quando
Cristo se torna o centro em peso real, é
a mesma coisa dizer em glória real,
porque glória é peso, a alma começa a
suportar coisas que antes seriam
impensáveis. Não porque ela leu o último
livro de humanismo secular. Não, não,
não, não, não porque se tornou de pedra,
mas porque foi conquistada por um bem
mais pesado, um bem superior.
Ai de mim se não pregar o evangelho.
Essa é uma frase típica do zelo de
Paulo. Não é marketing, não é, não é
autopromoção da sua vocação,
não é uma maneira sofisticada de dizer,
vejam como eu sou comprometido.
Não é que é fácil acontecer, é uma
necessidade interior.
Não porque ele goste apenas de ter um
ministério, de ter uma tarefa,
de se sentir importante,
útil, mas porque o evangelho se tornou
para ele uma realidade tão grave, tão
bela, tão urgente, tão central, que
ficar em silêncio sobre Cristo era algo
antinatural para ele.
O zelo fala aqui como constrangimento
santo. Ele não está preocupado em se não
fizer algo, ele então e não estará
somando algo à justiça de Cristo e não
estará aceito diante de Deus.
Mas como impulso dado pelo amor de
Cristo, como serviço que já não pode ser
interpretado em termos de de custo
benefício. Quase sempre quando a gente
faz coisas, a gente a gente analisa
custo benefício. Paulo disse: "Se tudo
que eu fizer não der em nada, não tem
problema. Não estou calculando o custo
benefício.
O peso da beleza de Cristo está
impulsionando ele.
Ele não está pensando se vale a pena tal
sofrimento para tal eh
resultado. Resultado não, não é custo
benefício. É como uma obrigação sagrada
que não pesa como um fardo,
mas como uma necessidade de um coração
vencido pela grandeza
da mensagem do evangelho. Essa frase só
é bem compreendida quando se percebe que
Paulo não está defendendo uma função
ministerial
como extensão do ego, da sua
importância, porque isso é fazer o mesmo
que o mundo faz com aquilo que eles
estão fazendo,
com seus eh seus trabalhos, seus Ele não
está apaixonado apenas pela experiência
de ser pregador, entende? Ele está
cativo ao conteúdo da pregação.
Aquilo é verdade. Essa paixão por esse
conteúdo é verdade. Quando ele está pelo
mundo pregando e quando ele está numa
prisão sofrendo. está governado pela
excelência de Cristo, pela realidade da
cruz, pela urgência que cada alma
perdida tem de ver essa beleza pela
seriedade do juízo, pela glória do
evangelho,
que ele sente que ficar em silêncio
seria por infidelidade,
não seria a expressão de um coração que
foi constrangido pelo amor de Cristo.
Silenciar seria uma mutilação, seria
como cortar um braço, uma perna, não
silenciar seria negar ao próprio coração
o curso que a graça imprimiu. Era como
se você tivesse, quisesse represar o rio
e não deixá-lo fluir. Aquilo que a graça
cria, aqui se revela outra diferença
entre zelo verdadeiro e entusiasmo
passageiro. O entusiasmo sempre começa
forte, né? E desaparece quando a
realidade se torna pesada.
ou quando não há
eh recompensas, ainda que interiores,
que você ache que está valendo a pena,
pode depender de novidade,
ah, reconhecimento, pode depender de
ambiente favorável, apoio dos outros,
apoio das pessoas, resultados visíveis
ou uma sensação de progresso.
Mas o zel de Paulo atravessa as estações
em que a obediência dói,
em que parece que ele está anos na
cadeia e nada está acontecendo.
Atravessa noites feridas,
incompreensões, atrasos, prisões,
perdas,
porque ele não é sustentado pelo clima,
ele não é sustentado por essas coisas,
ele é sustentado por Cristo.
Tem um filme de Lutero em que o uma
autoridade da Igreja Católica tá dizendo
para ele assim: "Não, então você é só
justiça de eh você quer tirar isso, quer
tirar isso, quer tirar as obras, quer
tirar isso? E o que que a gente vai dar
para pras pessoas?" E o tero responde:
Cristo. A gente vai dar Cristo para as
pessoas. É Paulo. Isso não significa que
Paulo fosse imune ao abatimento. Não
devemos transformar o apóstolo num bloco
de mármore, né? Sim, humanidade. Ele
conheceu angústia, medo, lágrimas,
pressão esmagadora, peso diário. Ele
diz, de todas as igrejas, conheceu
solidão,
de ver aqueles que o abandonaram.
Ou seja, o seu zelo não elimina a sua
vulnerabilidade, apenas mostra que há há
uma força profunda que nunca o deixa
vulnerável a essas coisas. Realmente a
grandeza de Paulo não está em nunca se
cansar,
está em continuar centrado em Cristo em
qualquer situação.
Não está em não sentir dor, ele sente.
Está em não permitir que a dor se torne
ou a coisa mais pesada em sua vida. É
isso. Não está em não sofrer perdas.
está em considerar que nenhuma perda
pode ser comparada a esse não é que isso
não é perda, é perda, mas isso é
incomparável com a excelência de Cristo.
Isso nos confronta porque boa parte da
nossa obediência é negociada com
conforto.
Servimos enquanto não nos custa demais,
enquanto as pessoas nos apoiam, enquanto
as pessoas estão fazendo isso, estão
fazendo aquilo, enquanto a igreja faz
isso ou aquilo. Trabalhamos enquanto
somos reconhecidos, defendemos enquanto
não há risco, pregamos enquanto há
receptividade
a a ao que é pregado. Ou então vamos
tentar dar umas mudadazinhas.
Permanecemos enquanto há alguma
recompensa emocional. Ah, mas isso que
eu tô fazendo tá me trazendo sofrimento
emocional. Então eu não posso fazer. Eu
não posso continuar eh quando algo está
trazendo sofrimento emocional para mim.
Mas Paulo nos mostra um zelo que
sobrevive quando a recompensa visível
diminui.
Porque a sua recompensa não está na
resposta imediata dos homens, em seu
apoio, em sua recepção, mas em Cristo.
Ai de mim se não pregar o evangelho. Não
é grito de um homem viciado em
produtividade, né? Bornal. A gente vê
hoje em dia as pessoas falarem nisso, os
pastores estão tão com bornal e tal. Não
há nada de centrado em Cristo.
Você vê que aqui o grito de Paulo não é
um homem viciado em produtividade. É a
confissão de uma alma cativa. O
evangelho não é uma tarefa entre as
outras tarefas da vida. Ele podia fazer
tendas, ele podia fazer isso, podia
fazer aquilo, tinha amigos, tinha Não,
não é a notícia que reorganizou o
universo dele. Ele não prega para
existir, ele prega porque Cristo vive.
Então, ah, esse ai de mim,
ele prega porque pecadores perecem,
porque a cruz é suficiente, porque ele
sabe que aquela mensagem não precisa de
nenhum de de nenhum reforço da de nada
que vem da mente humana, porque Deus
reconcilia seus inimigos através
daquilo. Esse é o tipo de zelo que não
pode ser fabricado por pressão externa,
por regras.
Ele nasce quando o amor de Cristo
constrange por dentro. Qualquer outra
coisa que me leve a fazer algo
não pode estar dentro desse zelo.
Em Gálatas 4:19 diz: "Meus filhos,
novamente estou sofrendo dores de parto
por sua causa até que Cristo seja
formado em vocês.
E veja como esse zelo não é apenas
expansivo para fora, é também protetor
para dentro.
Ele tem um zelo pelas, como eu disse,
Paulo ama muito a igreja, apesar de a
própria igreja ser fonte de muitos
problemas para ele. Ele não tem esse
cinismo tão comum hoje.
Quase que os cristãos têm um prazer de
pra internet falar mal da igreja.
Eles não conseguem se regozijar em nada
na igreja.
Não é de admirar que os filhos deles não
vão amar em nada a igreja.
Seus pais passaram para ele que a igreja
é um grande problema. É um grande
amaranhado de coisas ruins.
Os pais nunca mostraram encanto pelo
evangelho. Porque o encanto pelo
evangelho é um encanto pelo que o
evangelho produz no mundo. O evangelho
produz no mundo a igreja.
Então você vê paluzela pelas igrejas,
não apenas pela multiplicação das, mas
por sua pureza, estabilidade, saúde. Seu
coração arde. Ele não apenas quer mais
pessoas,
ele quer formação. Ele diz: "Eu eu sinto
dores de parto até que Cristo seja
formado em vocês.
Ele
ele quer que a cruz não apenas seja
recebida, mas que ela permaneça no
centro do que a igreja é todo tempo.
Quando vê falsos mestres ameaçando o
evangelho, ele reage com vigor para com
os falsos mestres. Quando ele vê a cruz
sendo adulterada, sua linguagem se torna
fiada. Quando ele vê a igreja em risco
moral ou teológico,
ele não oferece uma resposta morna. Ele
é ardente, é um fogo protetor nele, isso
também é parte do zelo. Mas o amor
verdadeiro não apenas abraça, também
guarda.
Ah, não apenas consola, vigia, não
apenas reúne, também discerne. Ao mesmo
tempo ele ama a igreja.
Paulo sabe que a igreja pode ser ferida
por dentro. Por isso ele está sempre com
cuidado com aquilo que está sendo
ensinado lá. Sabe que a verdade do
evangelho pode ser corrompida.
por acréscimos que as pessoas falavam,
não, eh, aquilo que eu disse que tem
pessoas que falam que entenderam a
graça, maravilhoso, mas a você daqui a
um ano, anos, ela tá ouvindo mil
sermões, vem ela com o legalismo dela
colocando ali. Porque perguntas muitas
das vezes só revelam que o nosso coração
conseguiu entender nada.
E ele sabe que a verdade do evangelho
pode ser corrompida por acréscimos
legalista
e também por licenciosidade, por
vaidade, por sabedoria mundana. Ele sabe
que um pouquinho de de de humanismo é é
destruidor,
não pode conviver. sabe que a alma pode
ser fascinada por outro evangelho. Sabe
que o homem tem a capacidade de chamar
outras coisas de evangelho. Sabe que a
igreja pode continuar exatamente fazendo
todas as coisas, parecendo
estar bem e ainda assim já não ser mais
o que uma igreja é. Por isso ele diz:
"Quem vos fascinou? Quem vos
pastores não é líderes legalistas?
E por isso o seu zelo às vezes consola
como pai e às vezes exorta como
apóstolo.
Às vezes adverte como um vigia na
muralha e tudo isso vem do mesmo zelo. O
zelo que o faz carinhoso, o zelo que faz
ele agir como uma mãe, o zelo que faz
ele agir como alguém que está sentindo
dores de parto e o Deus que o o zelo que
faz ele falar eh duramente como
apóstolo.
Você vê que não é um um ardor irritado
ou que o deixa cínico para com a igreja.
É realmente zelo. Quando ele escreve aos
Gálatas, por exemplo, seu zelo quase
sangra na página. Apesar
de ser uma carta dura, ele se espanta,
ele confronta, ele lembra que o
evangelho diferente não é evangelho. Ele
lembra que se um anjo falasse para eles
outra coisa que não é evangelho, não é
evangelho.
Ele pergunta quem fascinou, ele volta à
centralidade da justificação pela fé.
Ele diz que eles esvaziaram a cruz de
Cristo. A linguagem pode parecer dura.
Ainda mais para hoje, em que todo mundo
se ouvir coisas duras, é, acha tóxico,
mas é preciso entender o zelo por de
Paulo nace dessa percepção da glória de
Cristo.
Ele não está defendendo sua preferência
pessoal legalista.
Ele mesmo, quando ele era só Paulo, nós
vimos como ele era legalista.
Ele está zelando pela honra do
evangelho, pelo bem eterno dos santos,
guardando o coração da mensagem. Ele
está resistindo não ao gosto por
debates,
mas porque a adulteração da graça é um
mal grave demais para ser tratado com
amidades elegantes para nós falarmos.
Apesar de tudo, está tudo bem.
A graça está sendo pisoteada pela essa
espiritualidade legalista aí. Mas tudo
bem, as doutrinas da graça são negadas
por doutrinas humanistas, mas tudo bem,
não, ele não pode. E ao mesmo tempo esse
homem escreve como um ternura maternal.
Ele não é só um polemista, não é? Ele
fala de filhos, ele diz que gerou eles
com dores.
Ele chora, ele ora sem cessar, ele
carrega a preocupação diária por todas
as Seu zelo não é apenas polêmico, não é
que ele é um cara durão, sabe? P que
diz, "Eu gosto de mensagem duras." Paulo
não é assim.
Ele ama a igreja,
ele também é doce,
é afetivo. Ele não é apenas apologético,
ele é relacional, não é ardor do
polemista, é não é amor para vencer
debates, para mostrar os falsos líderes.
É uma combinação preciosa, rara, do
verdadeiro zelo.
Porque um falso zelo costuma pender para
um dos lados. Ou você é combativo
e pouco amoroso, ou você é muito
sentimental e abre mão da verdade.
Há uma tendência em estar num lado ou no
outro. Então você é combativo à verdade
e você
e você torna aquela coisa mesmo a causa.
De tal maneira que você passa até hum
ser cínico em relação à igreja.
Ou então você é tão sentimental,
tão supostamente amoroso, que você é
frouxo contra a verdade. Paulo não cabe
nessas deformações.
Ele ama como uma mãe e é duro como um
apóstolo. Ou seja, aquele agente da
revelação final de Deus.
Seu zelo tem as duas coisas, eh,
doutrina e lágrimas. Como eu disse, ele
diz, eu digo chorando que eles são
inimigos da cruz de Cristo. Eu não sinto
prazer. Eu queria ver eles abraçados à
cruz, pregando a cruz. Eu choro por
eles.
Meu coração se desfaz em oração para que
Deus os traga ao evangelho.
Você vê que Paulo é um homem que tem
coluna. Ele não fica se curvando para
ser por ser sentimental, mas também ele
tem coração, ele ama,
ele tem espada. Paulo tem espada,
mas ele não é como essas pessoas que o
negócio é espada. Ele também tem colo.
Ele também sabe pegar no colo.
Paulo tem clareza, clareza no que ele
ensina, mas ele tem afeto.
Paulo tem coragem.
Mas ele também tem dor.
Digo com dor no coração
que aqueles do meu povo, ou seja, da
raça deles, estão perdidos apesar do seu
zelo. Como eu queria.
Ele pode resistir Pedro face a face
quando a verdade do evangelho está em
jogo.
E pode também dizer aos Filipenses que
traz cada um deles em seu coração.
Você vê como eu disse, Paulo é alguém
incrível porque ele é o legalista dos
legalistas, mas ele nunca mais ficou
coxeando entre dois caminhos. Quando
Pedro
coeou um pouquinho
saindo da graça, ele foi lá e resistiu
Pedro.
Há uma coerência.
Nunca mais haverá em Paulo um zelo que o
leve ao legalismo, que atribua alguma
coisa a não ser a graça, que fique
confuso
entre graça, entre evangelho e lei. Ele
pode desejar ser anátema em favor dos
seus irmãos, segundo a carne, tamanha a
sua dor pela salvação dos seus, mas ele
não muda a verdade para salvar eles.
Eles estão perdidos.
buscando uma justiça própria, se
afastaram da única justiça que vem de
Deus em Cristo. Então ele pode dizer:
"Eu eu eu desejaria ser amaldiçoado para
que eles fossem salvos.
Mas ele, você vê, ele tem coração,
mas ele tem coluna. Mas ele não diz:
"Então é, eles estão zelosos pela por
Deus, então eles estão salvos". Ele diz:
"Estão perdidos. Estão perdidos." Ele
tem coluna.
Ele não dobra o evangelho. Ele não
adapta o evangelho. Não é
sentimentalismo. Ele pode se gastar
pelas almas e aceitar ser menos amados
por amá-las mais.
Normalmente quem ama é acaba na verdade
falando que ama muito, mas é um cobrador
de amor. Paulo está disposto a aceitar
ser menos amado por amá-las mais do que
uma necessidade final de que elas os
ame. Que tipo de fogo é esse? Não é
humano apenas. A graça está ardendo na
forma de zelo apostólico.
É isso que a graça faz. Qualquer coisa
que eh eh está fora disso, qualquer
graça que tende toda hora ao legalismo,
qualquer graça que tende a
licenciosidade, são falsidades.
Essa dimensão
de zelo dele é especialmente necessária,
porque vivemos uma época em que
frequentemente confunde-se amor com
permissividade
e se confunde firmeza com falta de amor.
Amamos a verdade, então somos como João
e Tiago antes, que queria que o fogo do
céu caísse sobre uma cidade, como se
eles precisassem menos da misericórdia
de Deus do que aquela cidade.
Paulo não aceita
eh eh essa mentira de que eh você ou é
permissivo por amor ou você tem uma
firmeza sem amor. Paulo não aceita isso.
Para ele, amar a igreja é consolá-la,
mas também é protegê-la do erro.
Amar a igreja é encorajar a igreja, mas
também é corrigi-la.
É acolher os fracos, mas resistir
aqueles que não se alimentam do
evangelho.
É chorar com os santos, mas também é
lutar.
para que eles
não sejam fascinados por outro
evangelho. É chorar com os santos, mas é
dizer: "Sofra como um bom soldado de
Cristo".
O zelo dele pastoral não é uma irritação
ministerial, não é uma impaciência
com igrejas difíceis, não é desejo de
controlar as consciências, não é prazer
em repreender,
não é o cara que prega mensagens duras,
é uma dor santa diante de tudo aquilo
que pode afastar o povo de Deus, da
simplicidade do evangelho, da
simplicidade da graça do centro na cruz
de Cristo. Paulo carrega as igrejas no
coração
e justamente por isso não consegue
tratá-las como números, projetos,
plataformas,
coisas que podem ser descartadas
com cinismo, como se Deus estivesse
fazendo outra coisa no mundo a não ser
edificar a sua igreja.
Ele não quer que as igrejas apenas
existam, ele quer que as igrejas sejam
fiéis.
Não quer apenas crescimento, ele quer
que Cristo seja formado em vocês. A
igreja estava lá, estava funcionando,
mas ele diz: "Eu sinto de novo as dores
de parto."
Ele não quer apenas adesão externa
ao que é ensinado. Ele quer santidade
real, não apenas entusiasmo comunitário.
Se o entusiasmo comunitário ficar junto,
fazer coisas juntos, não é? Não, não,
eh, eh, eh, não é uma perseverança no
evangelho que nos faz lidar com todas as
situações. Então, não é nada. Ele não
quer apenas gente reunida, ele quer um
povo que compreenda a cruz.
Viva pela graça, nunca mais volte à
justiça própria. Caminheito, suporte o
sofrimento e permaneça firme até o fim.
É o que ele quer.
E aqui nós também somos examinados.
Mas Paulo ama com uma espécie de peso. A
igreja dói nele. Os santos, a queda dos
santos dói.
Hoje há quase uma celebração com quedas,
porque há uma maneira de justificar sua
vida através da queda dos outros.
A queda dos santos dói. A confusão
doutrinária em Paulo dói.
A imaturidade das pessoas na igreja dói.
A divisão dói. A sedução por falsos
mestres dói. Esse é um zelo que não pode
nascer de não é um profissional que tem
um um chamado, uma vocação.
Nasce do amor ao evangelho, a Cristo.
Esse amor não é sentimentalismo, ele é
amor com doutrina, é amor com
discernimento,
amor com lágrimas, amor com coragem,
amor com espada, amor também disposto a
ser mal interpretado.
É amor que permanece
sobre a igreja por causa de Cristo, não
importa o que aconteça.
Mas em Primeira Coríntios 15:10 ele diz:
"Pela graça de Deus, eu sou o que sou".
Ainda outra beleza em Paulo, o seu zelo
é inseparável
de ele achar que qualquer coisa não é
pela graça. Ele nunca atribui nada ao
seu zelo como meritório. Ele não vê mais
assim. Esse era o Paulo antigo. Ele
nunca mais volta a a
nem
legalismo em contagotas.
Você vê, isso não significa ausência de
autoridade. Ele possui e a exércita, mas
sempre sobre a sombra de um assombro
contínuo. A graça que ele pega para os
outros maravilha ele o tempo todo de
fazer o que faz nele, por ele.
Ele sabe que não merece
ser salvo, sabe que não merece ser
apóstolo, sabe que não merece sofrer por
causa de Cristo. Ele sabe.
sabe que é o menor, o principal dos
pecadores.
Não pode olhar então nenhum pecador de
cima para baixo.
O zelo de Paulo não é o do homem que
pensa ter sido escolhido porque era de
excelente material. Era só para Cristo
mostrar mais a sua graça se ele escolheu
alguém tão ruim quanto ele.
É do homem esmagado pela graça de ter
sido alcançado quando ele sabe que
merecia o juízo.
Não arde de um senso de superioridade,
arde dessa gratidão espantada. Paulo
está sempre espantado.
Sai do essa paixão, né? Esse incêndio
passa pela lembrança contínua de que ele
deixado em si mesmo, nada mais era do
que alguém que odiava Cristo.
Isso preserva em certa medida de
transformar ardor em algum tipo de
autoexaltação e legalismo.
Seu zelo arde, mas arde sempre diante da
cruz.
Sua autoridade fala, mas ela está cheia
de cicatrizes da misericórdia e da graça
de Deus. Ele carrega
essas marcas. Sua coragem é forte, ela
avança, mas sempre sabendo, não eu, mas
a graça de Deus em mim.
A chama não vem do ego heróico, o ego
naturalmente heróico, né? vem de um
coração que Cristo venceu. Isso é um
muito importante, porque há uma forma de
zelo que ama profundamente a imagem do
homem zeloso, ser visto como uma pessoa
zelosa, ser visto como espiritual,
ama ser percebido como intenso, fiel,
corajoso, sólido, eh, radical.
Mas Paulo, em sua forma mais bela, não
nos impressiona como homem apaixonado
pela sua própria imagem de servo
inabalável,
servo firme.
Ele nos impressiona como um homem
quebrado demais pela graça para fazer do
seu zelo um altar. Seu zelo para ele não
é nada mais do que a graça de Deus
agindo nele.
Essa humildade é indispensável porque o
zelo sem memória da graça
se torna perigoso de novo. Se ele
tivesse um zelo sem a memória da graça,
eu sou o principal dos pecadores.
Instante após instante, facilmente ele
faria com o evangelho o que fez, com o
que ele tinha feito, com que com a lei.
O homem zeroso precisa lembrar de onde
foi tirado. Precisa lembrar que se hoje
vê é porque foi iluminado, não é porque
ele vê mais do que as outras pessoas.
Não é porque ele ele tem uma visão mais
aguda que as pessoas do mundo ou as
pessoas que não enxergaram ainda na
igreja.
Se ele ama, ele sabe que é só porque ele
foi amado primeiro.
Ele não consegue atribuir nenhuma dessas
coisas a ele mesmo como iniciador, nem
como perpetuador. Se hoje ele ferve, é
porque foi recebido quando ele merecia
ser rejeitado. E isso constrangeu. Se
ele prega, é porque a misericórdia
triunfou sobre a culpa dele, porque ele
era um homem como Isaías, de lábios
impuros. Portanto, a própria mensagem de
Deus na sua boca era algo inadequado.
Paulo nunca parece ter superado a graça
no sentido errado. O que é fácil fazer?
Superar a graça no sentido errado. Ele
nunca deixou para trás
como algo importante lá na conversão.
Eu naquela época era o principal dos
pecadores. Naquela época eu dependia só
da graça. A graça permaneceu sendo o ar
que ele respirava.
Ele trabalha mais do que os outros, mas
por causa da graça.
Não eu, mas a graça de Deus comigo. Ele
não consegue ir além da graça que o o
pecador precisa, aquele que está perdido
no mundo, aquele que está iniciando e
ele o que ele é. Ele não acha que alguém
precisa de mais graça que ele ou que
alguém eh eh como ele pode flertar um
pouquinho com a justiça própria. Ele
exerce autoridade, mas sabe que ele é só
um vaso de barro.
e que a única beleza está no conteúdo
que Deus colocou lá. Ele fala com poder,
mas
ele sabe que o poder se aperfeiçoa na
fraqueza.
Ele é apóstolo, mas não esquece que foi
perseguidor e é o principal dos
pecadores. Ele é um instrumento
extraordinário, mas sabe que o tesouro
nunca, essa coisa extraordinária não tem
nada a ver com o vaso, que o vaso é de
barro e fraco e não bonito, como todo o
vaso de barro. Esse é o antídoto contra
a vaidade do zelo.
Homem começa querendo servir a Cristo,
mas logo começa a admirar o próprio
serviço a Cristo. E ele acha que a maior
coisa que existe é o serviço dele a
Cristo e não Cristo.
Começa desejando santidade, mas logo se
compara com outros que estão abaixo da
sua santidade com desprezo.
começa zelando pela igreja, mas logo se
irrita quando não é reconhecido pela
igreja como achava que deveria ser
reconhecido. Ele supostamente começou
querendo que todo mundo reconhecesse
tudo que Cristo é, mas ele tava meio com
passar do tempo meio chateado, porque
ele não tá sendo reconhecido por tudo
que ele é.
A cruz humilha
a chama e purifica. Ou seja, ela humilha
o nosso zelo e purifica ele. Ali
lembramos que não somos salvadores, mas
salvos. Não somos a fonte.
Somos vasos, não somos donos da igreja,
mas servos, não somos heróis da verdade,
mas pecadores que a verdade libertou.
Quando o zelo passa pela cruz e fica na
cruz e continua na cruz, ela ganha essa
firmeza diferente que a gente disse que
você nunca vai ver Paulo confuso entre
evangelho e lei, legalismo,
continua claro,
continua intenso, mas menos centrado,
cada vez menos centrado na sua imagem.
continua disposto a sofrer, mas não
precisa transformar o seu sofrimento num
palco de autopiedade.
Esse é o fogo que foi humilhado pela
graça. Esse é um coração que está
ardendo com fogo, que é verdadeiro, não
é estranho.
E para terminar, João 2:17 diz assim: "O
zelo pela tua casa me consumirá.
E ainda assim, por mais glorioso que
seja, Paulo, não é o sol.
Ele é a lua, como eu disse, quando você
vê
algo, algum aspecto brilhando, sendo
refletido, aquela não é a luz daquela
pessoa, não é?
Seu zelo é magnífico.
Talvez um dos reflexos mais fortes dessa
virtude na Bíblia,
zelo.
Mas ainda é isso, só um reflexo. É
recebido
todas as cores de Ele tá refletindo uma
cor de Cristo. Ele ficou tanto diante
dessa luz, está refletindo. Paulo não é
a fonte. Ah, seu zelo não nasceu da sua
estrutura
moral, espiritual, nem da sua
genialidade, nem do seu temperamento,
sabe? Nem de processos bioquímicos no
seu cérebro.
nasceu da
erupção de Cristo em sua vida e do poder
contínuo do Espírito Santo que foi
mostrando essa beleza de Cristo ali. Ele
é uma tocha, ele não é o fogo.
O zelo pode ser visto nele em parte,
sem perfeição. Ele é um vaso, não é a
fonte, é um homem aceso, mas ele não é o
fogo que o queima.
E é por isso que
se queremos cada vez mais ser levados a
esse grau de glória, de refletir, em vez
de olharmos para Paulo, devemos olhar
sempre para quem Paulo aponta. E o que
encontramos ali é o zelo em sua forma
absoluta e perfeita.
Paulo arde pelo evangelho. Cristo é o
evangelho encarnado.
Paulo zela pela glória de Deus entre as
igrejas. Cristo
é o reflexo perfeito desta glória.
Paulo ama a igreja. Cristo deu sua vida
pela igreja,
não sua vida física. Simplemente. Ele
bebeu o cálice infinito da ira de Deus.
Paulo atravessa cidades, prisões,
açoites e perigos por amor a Cristo. Mas
Cristo atravessa a encarnação, a
humilhação, a rejeição, a cruz, pelo
amor ao Pai e por aqueles que o Pai deu
a ele, a igreja. Paulo entrega a vida
ministerialmente. Cristo entrega a vida
de maneira redentora,
vicária, não é? E o zelo de Paulo, por
mais purificado, ainda é um zelo de
homem redimido.
Um zelo de homem que precisa de um
espinho para que eh
o pecado do orgulho, por exemplo, não
encontre espaço.
Houve nele correção, crescimento,
houve conflitos,
houve nele limitação humana, limitações
humanas, houve espinho na carne, mas em
Cristo não há correção. necessária.
Ele não precisa de nada para ser mais do
que ele é.
Não há purificação de nenhuma motivação
deformada.
Não há uma vigilância para que aquilo
que é belo não se torne
escuro.
Em Cristo, o zelo é puro desde toda a
eternidade.
Ele tem um zelo pela glória do Pai.
Pai, glorifica o teu nome. Ele diz, indo
paraa cruz, nunca serviu ao eu. Jesus
nunca fez nada por ele mesmo.
Como o pai faz tudo por Cristo, Cristo
faz tudo pelo Pai. É assim, nunca
precisou ser arrancada eh eh eh eh de um
altar de de de falsa justiça. Seu
coração humano ama o Pai perfeitamente
toda a sua vida e essa expressão: "O
zelo pela tua casa me consumirá".
E essa palavra se cumpre nele em grau
perfeito, não é? Veja ele caminhando no
templo, enfrentando a hipocrisia,
denunciando pastores falsos,
escolhendo os pequenos, agradecendo a
Deus quando ninguém se converteu, porque
foi do agrado do Pai não só revelar, mas
esconder
de outros. Não ficou escandalizado, né?
escondeu. Pensei que foi do agrado do
pai revelar os que não conseguiram ver.
Não tem nada a ver com o Pai, não. Ele
disse: "Foi do teu agrado revelar aos
pequeninos e esconder dos sábios.
Ele agradece pelo revelar e pelo
esconder.
Veja o indo de maneira resoluta. A
Bíblia diz que ele mostrou a firme
determinação em seu rosto de ir para
Jerusalém. Veja ele no Getsemanone, na
cruz, ali está o zelo sem mistura, a
fonte de todo zelo, o verdadeiro zelo.
Não o calor do temperamento, não energia
da personalidade carismática, mas essa
santa intensidade da própria natureza
divina voltada para a glória do Pai.
Amor absoluto à honra do Pai. Amor
absoluto à vontade do Pai. É amor
absoluto ao povo que lhe foi dado.
Se o pai deu a ele a igreja, muitos
podem ser cínicos sobre ela, achar ela
desprezível.
Ele não, o pai lhe deu. Ele vai buscar
cada ovelha que é sua. Ele não sai pelo
deserto pegando a ovelha dos outros
perdida e levando para ele roubando.
Ele sai em busca das suas ovelhas.
[roncando] Nenhum cansaço o torna
indiferente. Nenhuma oposição o torna
cínico.
Nenhum sofrimento o torna frio. Nenhum
aplauso o seduz. E nenhuma rejeição das
pessoas faz ele recuar 1 milímetro.
Quanto mais perto da cruz, menos as
pessoas estavam com Jesus e no final não
tinha ninguém com ele, mas ele ia em
frente. Seu zelo é tão belo,
precisamente porque é governado pela
perfeita santidade.
É a luz. Paulo prega Cristo. Cristo
não prega Cristo, né? Cristo oferece a
si mesmo.
Paulo sofre pela reconciliação
anunciada. Cristo derramou seu sangue
para efetuar essa reconciliação que
Paulo só anuncia.
Paulo tem um coração com uma urgência
pelas almas.
Cristo chora por Jerusalém, chama os
cansados, busca as ovelhas perdidas,
entrega-se pelos seus inimigos.
Todos nós.
Paulo pode desejar ser anátema em
linguagem de dor, né? Ele queria usar a
expressão mais forte que era possível
para ver como o coração dele realmente
doía. Não era?
Mas Cristo realmente se fez maldição
para salvar a igreja. Não é que ele
desejou
ser maldito. Ele foi maldito.
Não é que ele desejou. Eu preferi estar
debaixo da ira de Deus para que as
pessoas, a igreja que o pai me deu foi
salvo. Não. Ele foi para debaixo da ira
de Deus. Que diferença, que glória e ao
mesmo tempo que maravilhosa
continuidade, porque o zelo de Paulo é
claramente um reflexo do zelo de Cristo.
É como se depois de encontrá-lo, o seu
coração tivesse sido aceso com o fogo do
próprio altar do filho em seu zelo, que
queima infinitamente pela glória do pai.
E então isso começou a ser refletido em
Paulo. A urgência pela glória de Deus, a
gravidade diante da verdade, a
disposição de sofrer, a paixão pela
igreja,
a recusa de baratear o evangelho. Não, o
evangelho vai custar a sua própria vida,
vai custar o cálice infinito. Então, vai
custar. Tudo isso já estava em Cristo em
perfeição. Em Paulo aparece como
participação. Paulo é um eco, é um raio,
é uma chama. Essa cor de Cristo está
sendo refletida maravilhosamente
nele. Isso é que é eh quando a Bíblia
diz que eh eh eh você vai sendo
transformado de um grau de glória para
outro.
Não é disciplina nem seriedade moral
apenas. é o resultado de um tesouro
encontrado.
O zelo santo nasce em grande medida aí
quando Cristo deixa de ser apenas
necessário
e se torna precioso. Paulo eh Pedro
disse para aqueles que creem em ele é a
preciosidade. Então é isso, é daí que
flui e o zelo. E isso ajuda a perceber
como esse zelo se opõe aos ídolos,
especialmente ao pior de todos os
ídolos, que é o ídolo da justiça
própria.
Ele que encontra todos os obstáculos no
evangelho, ele que cria cada semente de
legalismo.
Seu antigo zelo servia de Paulo a esses
altares. Seu novo zelo nasce quando
esses altares são definitivamente
quebrados pela graça livre e soberana de
Deus. Ele nunca escorregaria da graça de
novo. Paulo não é um homem meramente
acelerado, é um homem governado por essa
realidade divina. Nós poderíamos mostrar
tão mais como o zelo ardeu em Paulo, mas
como aquilo é só uma mão apontando para
a fonte que é Cristo. Você nunca vai ver
o zelo como ele está em Cristo,
mas você vai ver reflexos dele
e ver que realmente
você vê a eficácia do evangelho numa
vida. Deus pegou o cara que parecia ser
o mais ligado a tudo da lei, da
arrogância, do orgulho e fez dele esse
homem zeloso
em graça, que queima tudo em torno da
verdade.
Ele não é uma chama mística sem
conteúdo, mas ele também não é uma
paixão por verdades que não incendeiam.
Ele não tem uma energia cristã genérica.
Ele tem um zelo que é ancorado na
revelação do Pai em Cristo.
E não tratamos, se somos assim, o
evangelho como um tema, a glória de
Cristo como um assunto,
a igreja como uma instituição que nós
podemos realmente ver como o mundo vê a
igreja.
A missão como um projeto, a santidade
como eh uma edificação do nosso ego, a
cruz como uma linguagem simplesmente
conhecida. Paulo não permite esse tipo
de anestesia na vida.
E
a verdade te comove assim, te leva ao
zelo assim. olhar para Cristo todo dia
está fazendo isso.
É por isso que Deus colocou esses
reflexos, essas luas como Paulo, para
que a gente visse em homens como nós
essas belezas de Cristo, vísemos
diretamente em Cristo e quando
olhássemos para esses homens, não
conseguimos ver nada, não conseguíssemos
ver nada que venha da justiça que vem da
lei,
nada do legalismo, mas tudo como um
reflexo da beleza que a graça abriu para
nós, abriu nossos olhos para ver Cristo,
onde o zelo arde divinamente,
eternamente,
perfeitamente.
É o zelo que queremos. Vamos ficar de
pé. Pai, obrigado, obrigado pelo dia de
hoje. Ah, Deus, quantas sutilezas nos
afastam da verdade. Nos faça, ser, meu
Pai, atentos aos nossos próprios
corações.
Ó Deus, que essa chama arda em nós e
nunca se degenere de alguma forma. Que
haja essa firmeza, Senhor, Pai, e sermos
tomados pela ah o evangelho da graça
livre e soberana.
E falarmos, Senhor, Pai, com toda a
paixão, que não queremos nenhuma justiça
que venha da lei, mas só aquela que vem
por Jesus Cristo, que é recebida como um
dom da fé, em nome de Jesus. Yeah.

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